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A Última Viagem de Jesus a Jerusalém – de Jericó a entrada de Jerusalém

Lucas 19:28-40 e Mat. 20:29-34


28 de março de 2010-04-12
Pastor Alcenir

A Partida de Jericó
O dia amanhece em Jericó. Zaqueu levanta cedo para tirar o melhor leite de cabra
para servir ao Mestre no café da manhã. O tempo está bem fresquinho e agradável, muito
melhor do que o calor do do dia de ontem quando o Mestre chegou.
Zaqueu tem que ser rápido pois o Mestre quer estar na estrada antes das nove da
manhã pois quer chegar a Betfagé antes do pôr do sol.
Rapidamente, a mesa grande está posta com a toalha de linho finíssimo, repleta de
pães, coalhada, leite de cabra bem quentinho, tâmaras, uvas, passas e o melhor “tchai”1.
Ele sabe que até chegar no topo do monte das oliveiras são mais ou menos 25 quilômetros
e não há muita lanchonete à beira da estrada.
Jesus e os discípulos tomam o café, abençoam Zaqueu e sua casa e saem. Zaqueu
fica em pé na porta até vê-los sumirem na estrada.

Determinação e Fé: os Cegos de Jericó


Já estavam saindo da cidade e uma multidão os acompanhava para desfrutar de um
pouquinho dos ensinamentos e parábolas do Mestre. Todos estavam extasiados com as
palavras de Jesus, quando de repente ouvem uma gritaria, viram-se e vêem dois cegos
querendo chegar a Jesus. Tentam impedí-los dizendo que iriam atrapalhar o Mestre, mas
eles insistiam “Mestre, tem compaixão de nós”. Jesus os faz ver ... O Reino dos Céus
chegou para eles, e seguem a Jesus.
Quando Jesus estiver passando, chame-o, grite alto, não deixe que interfiram na sua
decisão de se chegar a Jesus. Nós aprendemos muito com esses cegos:
1. Sabiam quem era Jesus e estavam esperando ele passar, e no momento exato foram
em busca da atenção de Jesus.
a. Há coisas na vida que devem ser feita no momento exato, não podem ser

1
 O tchai é um costume de todo o Oriente, diferentemente do que os brasileiras aprenderam com a novela da Globo sobre a índia.
deixados para depois, pois se sua decisão for adiada pode ser muito tarde.
2. Não deixaram ser desencorajados pelos opositores e opressores, aqueles que acham
que certas pessoas não têem o mesmo direito. Mas no Reino dos Céus não há
diferenças, todos somos cidadãos com direitos e deveres iguais.
3. Eles tinham uma fé imperfeita, mas agiram com a fé que tinham. Muitas vezes
deixamos de vir para o Mestre porque achamos que nossa fé é pequena demais;
muitas vezes somos desencorajados porque as coisas não acontecem na nossa vida
e começam a nos discriminar porque acham que não somos crentes suficientemente
para ser abençoados. Mas eles seguiram firmes, mesmo tendo pouca fé ...
4. Não tiveram medo de fazer uma grande pedido. Eles eram pedintes, esmoleiros,
isso é o que eles mais sabiam fazer: pedir. As demais coisas eles pediam para
sobreviver, mas agora chegou a hora de pedirem algo que não tem valor: voltar a
ver. Hoje em dia nós encontramos cegos de diferentes categorias: os cegos que não
tem olhos sãos e não podem ver; os cegos que tem olhos sãos, vêem, mas não
enxergam as verdades celestiais. Aqueles cegos foram curados duas vezes: a
cegueira física e a cegueira espiritual – pela primeira passaram a ver as obras de
Deus, a criação; pela segundo passaram a ver o céu ...
5. Eles tiveram uma terceira cura: a do egoísmo e autosuficiência. Ao virem que
receberam tantas bençãos, sua atitude foi mudada, tornaram-se discípulos e
passaram a seguir a Jesus.

De Betfagé a Jerusalém
Jesus chega a Betfage'. Esse nome significa a casa dos figos verdes, embora tenha
sido uma cidade localizada no Monte das Oliveiras, e poderia chamar-se cidade das
azeitonas verdes.
O monte das oliveiras té tão conhecido por causa dos evangelhos que nos dá uma
expectativa de ser um lugar maravilhoso. Há lugares muito mais bonitos, mas os
acontecimentos desse lugar são muito importantes para os crentes.

Entrada Estratégica em Jerusalém: Dias de Páscoa


Aqui Jesus prepara sua entrada em Jerusalém. Ele envia seus discípulos para trazer
o burrico e então cavalga até Jerusalém. Está começando o período da páscoa. A cidade
esta cheia de pessoas de todas as origens.
Vale ressaltar aqui alguns fatos. Segundo a tradição judíica, todos os membros da
família precisam comer do carneiro. As famílias eram grandes, tendo em torno de 8 a 10
pessoas. Segundo censo feito pelos romanos trinta anos mais tarde, sacrificava-se 250 mil
carneiros no período da páscoa. Fazendo as contas, iam a Jerusalém de 2 a 2,5 milhoes de
pessoas durante os 15 dias da páscoa, que dá em média 170 mil por dia. Portanto, pelo
tamanho da cidade podemos imaginar como era o movimento.
Deus tinha um plano com a melhor estratégia para promover o ato que divide a
história. O povo já sabia do Mestre (Rabino), cujos ensinamentos, milagres e sinais eram
tão aclamados. Certamente, muitos conheciam as profecias e acreditavam ser Jesus o
Messias. Entretanto, muitos estavam confusos, pois o conceito de Messias era diferente.
Jesus entra montando um burrico. Há um significado profundo nesse ato. Os
grandes reis, quando entram com sua cavalaria demonstram poderio militar e força de
guerra. Quando entram montado em um burrico, significa um líder que vem em paz e para
promover a paz. Jesus Cristo é o Príncipe da Paz. Paz significa a chance de sobrevivência
para muitos e Jesus veio trazer vida e vida em abundância, segundo João, no lugar de
morte e destruição.
Jesus chega em Betfagé envia os Discípulos em busca do burrico. Então Jesus entra
triunfalmente em Jerusalém .

A Última Ceia da Páscoa


Esse é o momento maior que antecede os três eventos maiores que são a
crucificação, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.
Jesus Cristo naquele momento festivo da Casa de Isreal, embora muitos não
tivessem entendido ainda, era o próprio carneiro que seria usado no sacríficio.
Essa celebração era uma das maiores que faziam parte do contexto geral da páscoa.
Esta era a celebração dos pães ázimos. Mas Jesus faz uma reinterpretação aqui, dizendo
que o pão é o seu próprio corpo dividido em pedacinhos para cada membro da família, diz
ele: “Este é o meu corpo”. E o sangue do cordeiro não seria passado nos umbrais das
portas, mas seria bebido, aqui simbolizado pelo vinho, diz ele: “Este é o meu sangue”.
Essa foi uma simbologia muito difícil para ser entendida pelos discípulos. Eles
achavam que na realidade Jesus estava falando do grande laço de amizade, de união, entre
eles – como realmente estava. Mas a celebração ia muito além da pura simbologia; ela
representava o que ia acontecer com ele: ser crucificado, morto, ressurgir e consumar o
início de um novo tempo, o tempo do novo templo de Deus: a igreja.

O Significado da Presença de Jesus


Há tres tipos de reações das pessoas Jesus Cristo entra: o indiferente, o
incomodado e o hospitaleiro. O indiferente está envolvido com suas atividades, seguindo
seu caminho pela vida e pouco lhe interessa o que está acontencendo ao redor. Quando
Jesus passa, o indiferente coloca o fone de ouvido para cancelar o som que faz o seu
discurso e a emoção de seus seguidores.

O Indiferente
O indiferente se apega à burocracia e regras da igreja, do ritual do templo, dos
ensaios do coral ou do grupo de louvor; se apega às festas que estão acontecendo ao redor;
se apega às conversas e fofocas que estão acontecendo; o indiferente está preocupado com
o trabalho que vai faltar ou que vai chegar; o indifrente est páreocupado com o que vai
comer e vestir amanhã.

O Incomodado
O incomodado, da mesma forma que o indiferente, esta envolvido com as mesmas
coisas da vida. A diferença é que ele dá ouvidos aos ensinamentos de Jesus e se revolta,
pois se as mudanças pregadas acontecerem vão tumultuar a sua rotina, vão quebrar a
disciplina da burocracia de sua igreja, vao exigir mudanças dos seus hábitos de vida. Ele
está muito confortável onde está e como está, não precisa de nenhuma mudança. Pelo
contrário ele odeia mudanças. Fica irritado quando alguém o tira de sua “zona de
conforto”.

Os Hospitaleiros
Os hospitaleiros são aqueles que ouvem e recebem Jesus Cristo em casa como
Zaqueu o fez; são aqueles que sabem que Jesus Cristo é o redentor, o resgatador, o salvador
e trazem folhas de palmeira para estender na sua rua para ele passar, e grita hosana -
“hosh-ana” - a salvação veio para mim, bendito o que vem em nome do Senhor.

Conclusão
Jesus Cristo interefere com a vida desregrada das pessoas, porque ele aponta o que
está errado. Mas Jesus apresenta um novo projeto de vida, uma nova esperança, Jesus
Cristo promete mudar sua vida. Ele quer mudar o fardo de leis e rituais de sacrifício e
torná-los suave, dizendo “vinde a mim todos vos que estais consados e sobrecarregados e
eu vos aliviarei”.
Mas o incomodado crê que suas regras e leis são corretas. Sua vida dupla, de
mentira, não faz mal nenhum. Sua infidelidade conjugal é uma questão pessoal que não
fere ninguém desde que ninguém descubra. A maneira como se enriquece é simplesmente
jogo de mercado, lei do mais inteligente e do mais esperto. Além do mais, quanto mais eu
ganhar maior será o meu dízimo e vai calar a boca do pastor.
Jesus Cristo quer entrar em sua Jerusalém e transformar sua religião em um
relacionamento espiritual; Jesus quer entrar em sua Jerusalém mudar a sua maneira de ver
e de viver a vida; Ele quer te dar esperança, quando as coisas já não fazem mais sentido
para você; quando Jesus entra na sua Jerusalém Ele não passa o sangue do sacrifício no
portal da sua porta para evitar que a morte entre, Ele dá-lhe para beber, pois assim a morte
não mais tem poder sobre você, ela pode entrar na sua casa mas ela já foi vencida por Ele
na cruz.
Jesus Cristo não quer um dízimo gordo, Ele quer um coração comprometido; Jesus
Cristo não quer uma cabeça inteligente, Ele quer uma mente firmada na Palavra de Deus;
Jesus Cristo não quer espertalhões e poderosos, pois Ele tem o Espírito Santo e os anjos
trabalhando no Reino. Ele apenas quer dar uma chance para nós como filhos do Reino
fazermos a sua obra. Fazer a sua obra significa refletir sua imagem, sua vida, sua graça, seu
convite para salvação.
Li um testemunho de um pastor na revista “Outlook” dizendo que viu Deus. Isso
me fez interessar por ler até o fim. Foi chamado para ver uma senhora idosa vivendo os
últimos minutos. Ao chegar, ajoelhou e falou bem ao seu ouvido “minha irmã Jesus está
buscando você e vai levá-la para um lugar espaçoso, agradável, com muitos pessoas
chegadas e na presença dEle”. Levantou-se pediu a todos para darem as mãos, ele orou, e
ao abrirem os olhos ela estava imóvel, já tinha partido.
A morte é algo que faz parte da vida e a Palavra de Deus diz que a todos os seres
vivos é dado morrer uma vez por causa do pecado. Embora sabendo disso, mesmo nós
crentes temos receio da morte, nos preocupamos de ver nossos planos e compromissos
interropidos, deixando parentes em dificuldade. Mas Jesus nos dá a esperança da vida
eterna com Ele, como filhos e membros da famlia de Deus, e nós devemos estar
preparados.
Como fez com Zaqueu Jesus responde aos hospitaleiros dizendo: hoje a salvação
veio a esta casa, e aqueles que me recebem eu sento à mesa com eles, tomo a refeição
com eles e eles comigo.
Amém