O eduquês como instrumento de controlo

ideológico dos professores

Colectânea de Textos do ProfBlog
ramiro marques

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Contents
Chapter 1

Chapter 2 Chapter 3 Chapter 4

Chapter 5 Chapter 6 Chapter 7

Burocratas da IGE querem planos e relatórios de “melhoramento”. Sugiro que os mandem dar uma volta ao bilhar grande .............................. 1 Sem eduquês e sem Pedagogia do Estado deixaria de haver lugar para a burocracia ............. 5 Joaquim Azevedo: “a esquizofrenia está instalada no sistema educativo” ...................... 11 Alberoni critica os malefícios da pedagogia construtivista. Dedico o texto de Alberoni à ministra da educação e a Natércio Afonso ......... 17 Esmiuçando as metas da aprendizagem. O eduquês contra-ataca .................................. 23 Os “não-ditos” sobre as metas educativas .......... 29 Para uma crítica do eduquês. Uma lista de recursos para compreender melhor o fenómeno .. 41

O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Chapter 8

Chapter 9 Chapter 10 Chapter 11 Chapter 12

Os dez pecados mortais do eduquês. Como uma falsa ideologia pedagógica está a comprometer o futuro das nossas crianças ......... 47 O eduquês e a ideologia das competências. Um texto crítico do Wegie ................................. 53 Eduquês e novilíngua. Elementos para a sua caracterização ........................................... Mais uma brasa para a fogueira do eduquês, atirada pelo jad .......................................... Sobre o eduquês e outros eses que acorrentam o Homem contemporâneo. Um texto de Ana Laura de Araújo ......................................... Dicas para combater a burocracia nas escolas ..... Na escola, há quem ensine (quem sabe) e quem aprende (quem não sabe). A transmissão do saber é o cerne do agir dos professores ............. Novilíngua (de George Orwell) ..................... 61 67

Chapter 13 Chapter 14

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Chapter 15

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Chapter 16 Chapter 17

Chapter 18 Chapter 19 Chapter 20 Chapter 21 Chapter 22

Chapter 23 Chapter 24 Chapter 25

O Eduquês no mais puro vernáculo… ............ Debate em torno do eduquês: uma algaravia para agravar o controlo político das massas pouco educadas? ...................................... Uma escola in(con)clusiva ......................... Paideia à portuguesa ................................. Saiba por que razão as escolas dos jesuítas estão entre as melhores do Mundo ....................... A sobrecarga das funções do professor ........... Como dar uma educação saudável a um filho (menos de 10 anos) numa sociedade que não o é ......................................................... Como educar saudavelmente um adolescente numa sociedade que não o é ........................ Como educar saudavelmente uma criança e um adolescente numa sociedade que o não é ........ O que os pais nunca devem fazer ..................

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Chapter 26 Chapter 27 Chapter 28

Chapter 29

Chapter 30 Chapter 31 Chapter 32

Como responder à crise e educar os filhos de forma mais equilibrada .............................. Como motivar os professores? ..................... Andy Hargreaves: Os professores perdem a fé nos governos, agarram-se a qualquer oportunidade para se aposentarem e dizem aos filhos para não seguirem o exemplo ............... Vitorino Magalhães Godinho faz a apologia do uso da memória, esforço e do método da exposição ............................................... A minha revisão curricular do 3º CEB ............ Hoje é dia de negociações sobre cargas horárias e organização do trabalho docente ................ Equipas educativas? Para aumentar os espaços de transversalidade? Não, obrigado. Para desenvolver actividades e materiais didácticos ao serviço das disciplinas? Sim .....................

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Ainda o debate sobre autonomia das escolas e o que é que isso quer dizer ............................ 201 Chapter 34 Siga o ProfBlog no meu Perfil do Google e no Google Buzz ........................................... 205 Chapter 35 A minha revisão curricular do ensino básico ..... 209
Chapter 33 Chapter 36 Chapter 37 Chapter 38 Chapter 39 Chapter 40

Chapter 41

Educação sexual na escola: a panaceia para os problemas do país .................................... Está à espera de quê? Faça alguma coisa pela defesa da liberdade de expressão: compre o Sol Já foi divulgado o projecto de alteração ao estatuto da carreira docente ........................ Ode à imbecilidade: Camões no 10º ano ......... Projecto de alteração ao ECD não traz novidades em relação ao que foi acordado com os sindicatos ........................................... O papel dos grandes livros na educação do carácter .................................................

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Chapter 42 Chapter 43 Chapter 44 Chapter 45 Chapter 46 Chapter 47 Chapter 48 Chapter 49

O Google é a minha ferramenta de criação e distribuição de conteúdos digitais. Veja como .. Ser professor de Matemática no reino do eduquês. Um testemunho ........................... A LUA: um projecto da UA de apoio psicológico feito por pares .......................... Em defesa os exames como instrumentos de promoção do estudo, esforço e resiliência ....... Ampliando o debate sobre os exames nacionais Fenprof apresenta, na quinta-feira, proposta para alterar modelo de gestão escolar ............. Uniforme escolar? Porque Não? Os benefícios e as desvantagens ....................................... Ampliando o debate dos uniformes escolares. Que benefícios? Que desvantagens? Um post da editora do Pérola de Cultura .......................

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Chapter 50 Chapter 51 Chapter 52 Chapter 53 Chapter 54 Chapter 55 Chapter 56

Chapter 57

Debate sobre exames à saída dos ciclos: prós e econtras ................................................ Com este Estatuto do Aluno é impossível combater o bullying .................................. Reforma curricular de fundo? Para quê? Mudar só pela vertigem da mudança? ...................... Só uma educação de qualidade favorece a ascensão social ........................................ Quanto custam os alunos dos Cef e dos Efa? .... Fundamentos do eduquês. Um texto antológico de Ana Metelo ........................................ Da inutilidade da escolaridade obrigatória. O debate necessário para travar a deterioração do ensino secundário nas escolas públicas ........... O tempora! O mores! A propósito do bullying. Um post de José Cipriano Catarino ...............

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Bullying: dicas para prevenir, combater e integrar ................................................. 325 Chapter 59 Propostas para melhorar a escola .................. 331 Chapter 60 É bullying? Não, é violência consentida .......... 335
Chapter 58 Chapter 61 Chapter 62 Chapter 63 Chapter 64 Chapter 65

Chapter 66

Quatro teses sobre a violência contra professores e o destino das escolas públicas ..... Quatro teses sobre a autoridade dos professores A responsabilização dos jovens é uma necessidade ............................................ Manual de más práticas pedagógicas: pagamlhes para ensinar estas vigarices? ................... Pode a criação de grandes centros escolares e o fecho das pequenas escolas estar a alimentar a violência contra os mais fracos? .................... O que fazer com os directores que encobrem os bullies? Reflexão. .....................................

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Branquear é premiar os agressores e insultar as vítimas .................................................. 369 Chapter 68 Violência escolar nas salas de aula está a aumentar, afirma a Coordenadora do Gabinete de Segurança Escolar ................................ 375
Chapter 67 Chapter 69

As raízes do mal: por que razão fizemos da escola um lugar onde é cada vez mais difícil ensinar? ................................................. Chapter 70 Os do costume voltam a aplicar velhas receitas. Mas o ME, finalmente, vai acabar com as provas de recuperação ........................................ Chapter 71 O bullying também é um problema dos adultos. Um post de Luís Silva ................................ Chapter 72 As faltas de castigo podem ter valor pedagógico? Pode o castigo ajudar o aluno a ganhar o hábito de ser responsável pelos actos? .

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A banalização do mal. Cenas destas acontecem com frequência dentro ou à porta das escolas públicas ................................................. 399 Chapter 74 O Bullying, a violência escolar e a indisciplina e a falência das políticas sociais ....................... 403
Chapter 73 Chapter 75

Chapter 76 Chapter 77

Chapter 78 Chapter 79

Aulas de 90 minutos versus aulas de 50 minutos. E por que não dar liberdade de escolha às escolas? ................................................. Três dicas sobre Educação para o futuro primeiro-ministro de Portugal ..................... Pérola do eduquês: escola básica coloca alunos a fazerem a apreciação dos testes elaborados pelos docentes ........................................ A indisciplina e a violência escolar são boas para o negócio ............................................... O negócio em torno dos alunos, famílias e bairros problemáticos ................................

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Duas medidas de política educativa para o póssocratismo ............................................. 435 Chapter 81 Mais uma pérola do eduquês: esclarecimento da DGIDC ao Despacho Normativo 6/2010 ....... 439 Chapter 82 Preparem-se: vem aí mais confusão curricular .. 443
Chapter 80 Chapter 83 Chapter 84 Chapter 85 Chapter 86 Chapter 87 Chapter 88 Chapter 89

Chapter 90

Propostas simples para melhorar a escola ........ É bullying? Não, é violência consentida .......... Medidas para combater o bullying na escola .... Cef, Currículos Alternativos e Pief: lama para os olhos .................................................... Fingir que muda para tudo ficar na mesma ...... Os cúmplices do status quo ......................... Reorganização curricular que aí vem traz mais confusão e perda de estatuto das disciplinas nucleares ............................................... Uma pessoa lê e não quer acreditar! ...............

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Chapter 91 Chapter 92 Chapter 93

Chapter 94

Chapter 95

Chapter 96

Chapter 97

Como combater o bullying? ........................ Resposta eficaz para o problema da violência escolar, precisa-se! .................................... Educação sexual obrigatória a partir dos 6 anos. Não é um bocado cedo demais? E obrigatória porquê? ................................................. Lá como cá, os políticos querem que os professores limpem a sujeira que eles próprios criaram ................................................. Três medidas para salvar os adolescentes que não querem estudar e violam sistematicamente as regras de convivência social ..................... Ambientes escolares frouxos potenciam o bullying. Verifique se a sua escola está organizada para promover o bullying ............. A escola pública vive esmagada pelo peso das ideologias pedagógicas erradas e irrealistas ......

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Chapter 98

Chapter 99

Chapter 100

Chapter 101

Chapter 102

Dicas de sobrevivência profissional retiradas da minha segunda Página do Facebook: facebook.com/ramiromarques2 ................... Dicas do meu Facebook sobre sobrevivência profissional. Mais dicas em facebook.com/ ramiromarques2 ...................................... Mais 10 dicas do meu Facebook sobre sobrevivência profissional. Mais dicas em facebook.com/ramiromarques2 ................... Mais duas dicas do meu Facebook sobre sobrevivência profissional. Se você lidera um grupo, tome nota. Mais dicas em facebook.com/ramiromarques2 ................... Tudo grátis para os CEF. A elite precisa de descamisados e estes resignam-se com viagens e refeições gratuitas e um futuro de RSI ............

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Chapter 103 A liberdade de escolha das escolas pelos pais

conduziu à criação de 1000 novas escolas na Suécia ................................................... 549 Chapter 104 5 Dicas do meu Facebook para lidar com os pais dos alunos agressores (bullies) ..................... 553
Chapter 105 Os professores não devem recear a liberdade de

escolha das escolas. Só têm a ganhar com as melhorias no ethos da escola e no código de conduta dos alunos ................................... 557

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Burocratas da IGE querem planos e relatórios de “melhoramento”.
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Sugiro que os mandem dar uma volta ao bilhar grande
Esta não lembra nem ao Diabo mas lembrou aos burocratas da Inspecção Geral da Educação. Depois da publicação dos rankings, que deixaram no fundo da tabela uma parte significativa das escolas mais adesivadas, os burocratas da IGE desceram às escolas e começaram a lançar novas exigências.

Burocratas da IGE querem planos e relatórios…

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E aquelas mentes criativas inventaram mais uma pérola do eduquês. Para estas luminárias, não chegam os planos de recuperação, os planos de acompanhamento, os relatórios de recuperação e os relatórios de acompanhamento. Agora inventaram os planos e os relatórios de “melhoramento”. Linda palavra do léxico eduquês. Sugiro que acrescentem “dos aprendizes no decurso do processo de ensinagem”. Fica mais lindo! E se os mandassem dar uma volta ao bilhar grande? Vão trabalhar! Imagem daqui Notícias diárias de educação

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Sem eduquês e sem Pedagogia do Estado deixaria de haver

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lugar para a burocracia
Elenário, espero bem que a única escolha possível não seja entre o eduquês e o empirismo, porque a ser assim estaríamos muitíssimo mal. Mas felizmente as Ciências da Educação não se esgotam no eduquês.
O que eu peço aos teóricos das Ciências da Educação é que façam o mesmo exame de consciência que estão a fazer os macroeconomistas, ou seja: que reconheçam que o seu ramo do saber, por mais desenvolvido que esteja, é uma

Sem eduquês e sem Pedagogia do Estado…

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ciência social no âmbito da qual se defrontam teorias diferentes e até antagónicas; e que nenhuma destas teorias pode aspirar ao estatuto de state of the art. O problema com este exame de consciência é político, e não científico, uma vez que levaria a duas consequências inevitáveis: por um lado, não haveria qualquer razão objectiva para que as escolas não fossem autónomas também na adopção das teorias pedagógicas que lhes parecessem mais adequadas; e por outro inviabilizaria a existência duma “pedagogia de Estado”, o que daria início a um efeito dominó que ninguém quer. Sem pedagogia de Estado, a gigantesca burocracia educativa (que constitui um dos três vícios principais do nosso sistema de ensino) perderia a sua razão de existir; o

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que poderia ser muito bom para o País, mas seria péssimo para alguns milhares de boys e girls que ficariam sem emprego. Entre uma pedagogia de Estado e o puro empirismo, o empirismo seria o mal menor; mas é perfeitamente possível haver pedagogias que não sejam de Estado. José Luiz Sarmento, editor do blogue As Minhas Leituras Imagem daqui Notícias diárias de educação

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Joaquim Azevedo: “a esquizofrenia está instalada no sistema educativo”
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JN - A esquizofrenia está perfeitamente instalada no sistema educativo”. Esta frase é sua. Gostava de saber se, nestes últimos quatro anos de governação, a esquizofrenia manteve-se.
Joaquim Azevedo - Não me parece que haja alterações de fundo. Quando falo nesse termo, o que existe, de facto, é um sistema fortemente centralizado, altamente uniformizador e desresponsabilizante por parte das diferentes lideranças do Ministério da Educação (ME) ao longo de muitos anos. Não é um problema recente. É, por um lado, uma legislação permanente, contínua, que se contradiz. E, por outro lado, existe toda uma lógica de discurso sobre autonomia, sobre responsabilidade das escolas, sobre participação da sociedade civil. Há aqui o discurso e o contra-discurso. Tem de se perguntar por

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que há um discurso de autonomia, responsabilidade, novos modelos de gestão das escolas, e por outro lado toda a actuação do ME, toda a produção legislativa e a própria concepção como se desenvolve uma política educativa para melhorar Portugal é contrária. Fonte: JN de 5/11/09 Comentário 1. Joaquim de Azevedo aponta bem o problema. Mas não é explícito nas soluções. Concordo que há excesso de legislação, de normativos e de interferência do ME - DGIDC e DREs, sobretudo - na vida das escolas. 2. Essa interferência está a fazer-se impondo uma “pedagogia de Estado”, um discurso e uma prática oficial, assente numa falsa legitimidade científica, que esmaga a liberdade e mata a autonomia das escolas.

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3. A diarreia legislativa, o centralismo e a desconfiança nos professores tiveram resultados desastrosos no processo de desmotivação dos docentes. 4. As pontes foram destruídas. As escolas obrigadas a trabalhar para si próprias, em função de agendas burocráticas de prestação de contas que consomem meios, tempo e energias, em vez de o fazerem para aqueles a quem elas se destinam: os alunos. Imagem daqui Para saber mais ❋ Quem é Joaquim Azevedo? ❋ Website de Joaquim Azevedo ❋ Bibliografia de Joaquim Azevedo Notícias diárias de educação

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Alberoni critica os malefícios da pedagogia construtivista. Dedico
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o texto de Alberoni à ministra da educação e a Natércio Afonso
Dedico este texto de Francesco Alberoni à nova ministra da educação e a Natércio Afonso, o homem que coordena o grupo de trabalho para fixação das metas de aprendizagem por ano de escolaridade.
Natércio Afonso é licenciado em História e foi professor de História durante muitos anos. Estou certo que concordará

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com as críticas que Alberoni faz aos pedagogos românticos e construtivistas. Isabel Alçada é licenciada em Filosofia e foi professora de História durante muitos anos. Estou em crer que concordará também com as críticas de Alberoni ao construtivismo e romantismo pedagógicos. “A desordem no pensamento reflecte-se na língua. A escola já não ensina gramática, análise cronológica ou consecutio temporum. Há quem não distinga o passado próximo do passado remoto, quem não perceba a lógica do conjuntivo e do condicional e alguns confundem até o presente com o futuro. É a desagregação mental, a demência. Cara ministra Gelmini, peço—lhe que me dê ouvidos e afaste todos os pedagogos desta corrente nefasta. E depois, por favor, obrigue todos os professores a fazerem um curso de His-

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tória com datas e um curso de Gramática. Finalmente, mande instalar em todas as salas de aula um grande cartaz horizontal onde estão assinalados, por ordem cronológica, todos os episódios significativos da história, para que os nossos jovens possam habituar-se à sucessão temporal. Uma muleta para o cérebro.”A história ❋ O artigo de Francesco Alberoni no jornal I Notícias diárias de educação

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Esmiuçando as metas da aprendizagem. O eduquês contra-ataca

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A ministra da educação criou um grupo de trabalho, dirigido por Natércio Afonso, para construir as metas de aprendizagem para cada ano de escolaridade. Os jornais anunciaram que a equipa está a ser formada. Os primeiros resultados estão previstos para Junho de 2010.
Natércio Afonso, em declarações ao JN , faz a defesa da construção de metas de aprendizagem e apresenta várias justificações que exigem exame crítico. Diz Natércio Afonso que se pretende: 1. “Harmonizar programas e fazer a transposição do currículo nacional para os programas específicos”. O que é que isso quer dizer? Harmonizar os programas quer dizer encurtar, aumentar, simplificar ou complicar ainda mais? Não se per-

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cebe o que é que Natércio Afonso quer dizer com harmonizar. E o que é “fazer a transposição do currículo nacional para os programas específicos”? 2. “As metas nacionais não são uma norma mas sim mecanismos de apoio opcionais; são, no entanto, imprescindíveis à elaboração dos exames nacionais”. Se são imprescindíveis para a realização dos exames nacionais, como pode dizer-se que são opcionais? Não são uma norma? Então são o quê? 3. “As metas são um útil mecanismo de apoio aos professores, que existe no Reino Unido e noutros países com resultados positivos”. Quais são os estudos que provam esta afirmação? No Reino Unido têm sido publicados estudos que concluem o inverso. Esses estudos criticam o excesso de regulamentação e de normativos curriculares e exigem que se dê mais liberdade e autonomia às escolas na definição e adaptação

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do currículo nacional. Estou em crer que estas metas de aprendizagem serão mais um normativo de centralização do currículo e um obstáculo à criatividade dos professores e à autonomia pedagógica das escolas. As escolas não precisam de mais normativos e constrangimentos. Necessitam, isso sim, de simplificação dos procedimentos e menor interferência do ME no seu funcionamento. Notícias diárias de educação

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Uma das primeiras decisões de Isabel Alçada à frente da pasta da Educação foi constituir uma equipa que desenvolvesse um instrumento de apoio ao trabalho dos professores para correctamente integrarem o Currículo Nacional nos programas das disciplinas. Aparentemente louvável, esta iniciativa, porém, corre o risco de fracassar nos seus propósitos.
Será possível harmonizar programas perfeitamente obsoletos, criados em 1980, com um Currículo Nacional introduzido em 1990? Será factível conciliar uma lógica alicerçada na valorização do conhecimento puro com uma abordagem centrada em competências? Será que a simples decomposição dos objectivos em conhecimentos e capacidades propicia uma

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aprendizagem orientada para o significado das coisas, para a compreensão, para a vida? Todos sabem que em Portugal se tem colocado uma excessiva ênfase no ensino e uma reflexão deficitária sobre a aprendizagem. A transmissão raramente dá lugar à experimentação. Os programas são extensíssimos, autêntica panóplia de conteúdos, factos e conhecimentos. Para além disso, as nossas escolas são extremamente apressadas e procuram antecipar as aprendizagens formais na convicção de que a precocidade está na razão directa da eficiência. A título de exemplo, refira-se que quase todas as directivas emanadas da Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, em articulação com as Direcções Regionais de Educação e com a Inspecção-Geral de Educação, visam, na sua essência, a concretização e avaliação de um currículo para

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o Pré-Escolar que, quer na forma quer no conteúdo, se articula com o do 1º Ciclo do Ensino Básico. Lá aparecem as referências ao projecto curricular de turma, às orientações e prioridades curriculares, aos processos de avaliação, etc. Recorde-se ainda que o ensino precoce do Inglês, as actividades de enriquecimento curricular (AECs) e o “Magalhães” foram considerados as estrelas maiores do anterior Governo. Curiosamente, na Finlândia, o país com melhores desempenhos a nível mundial no domínio da literacia no ensino secundário, as crianças não começam a escolaridade formal senão aos sete anos. A aprendizagem ocorre antes disso ― na família, na comunidade e nos jardins-de-infância ―, mas de uma forma muito menos deliberada e estruturada. Caso não haja reflexão e bom senso poderemos vir a ter escolas fast-food em que as grandes finalidades são transfor-

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madas em metas de curto prazo. Aliás, a simples imposição destas metas de sucesso às escolas e aos alunos levanta uma série de problemas. Quando alguém estabelece metas para nós em vez de o fazer connosco é porque desconfia da nossa vontade e competência. Por outro lado, o insucesso origina sentimentos de culpa e de medo e uma predisposição para fazer tudo, por mais hipócrita que seja, para garantir que elas sejam atingidas: treinar os alunos e prepará-los para a realização dos exames; abandonar tudo o que não é passível de testagem; transferir para outras escolas aqueles que possam vir a prejudicar as médias e a posição da escola nos rankings anuais. Aprendizagens significativas e sustentáveis dificilmente ocorrem num contexto curricular balizado por metas muito exigentes, formatado por guiões minuciosos e que retiram à escola liberdade e autonomia de acção.

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Provavelmente, muitos dos nossos decisores políticos e até mesmo curriculares não se terão ainda apercebido de que a realidade ultrapassa já a ficção! Atente-se no que ocorre com a aprendizagem da Língua Portuguesa. Do primeiro documento produzido no âmbito do Projecto de Investigação e Ensino da Língua Portuguesa (IELP), resultante da intervenção didáctica monitorizada durante o ano lectivo 2007-2008 para a avaliação de desempenho e diagnóstico de dificuldades de alunos do 6.º ao 11.º ano, retiram-se as seguintes conclusões*: No plano da competência de expressão oral – debate e interacção verbal: ● Participação residual de elevada percentagem de alunos (40% no limite superior) que não chega a emitir uma opinião ou a apresentar um argumento;

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● Domínio insuficiente da competência discursiva, mesmo envolvendo temas familiares. No plano da competência de escrita: ● Dificuldade em produzir respostas abertas de escrita compositiva para relato e elaboração de conhecimento; ● Acesso ao sentido do texto lido nem sempre devolvido, uma vez que é invalidado pela incapacidade de o aluno produzir uma resposta formalmente correcta. No plano da competência de leitura: ● Dificuldades na identificação de sequências textuais que justifiquem respostas dadas anteriormente; ● Dificuldades em relacionar as diferentes sequências textuais para compreender a organização discursiva de um texto em análise. No plano do conhecimento explícito da língua:

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● Dificuldade em reinvestir o conhecimento adquirido na elaboração de novo conhecimento, quer no plano da competência de oralidade, quer no plano da competência escrita; ● Dificuldades de natureza sintáctica, semântica, ortográfica e de pontuação, que se repercutem no plano da competência escrita. Mesmo sabendo que este estudo foi feito em poucas escolas e que extrapolação destes resultados é abusiva, temos consciência de que a nível nacional o panorama é semelhante. Em relação aos manuais escolares, que muitos continuam a confundir com os programas, um outro estudo relativamente recente sobre os seis principais manuais de Língua Portuguesa adoptados no 7.º ano de escolaridade conclui que não estão concebidos para o desenvolvimento das competências representativas e comunicativas do aluno; que os textos literários

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apresentam-se como pretextos para o ensino da gramática, de forma atomística e descontextualizada, propondo actividades de produção oral e escrita pouco profícuas; que as respostas dos alunos são pré-determinadas, uma vez que os manuais já fornecem o horizonte de resposta esperado. Em suma, o estudo conclui que os manuais veiculam um ensino tradicional onde a língua se perspectiva como produto e não como processo. Tudo isto dá que pensar, tudo isto merece profunda reflexão. Neste contexto, definir metas, por si só, não chega. É preciso redefinir tudo. Afinal… para que serve hoje a escola? Fernando Alberto Cardoso *retirado de http://sitio.dgidc.min-edu.pt/linguaportuguesa/Paginas/revisaodosprogramasdeLPEB.aspx

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Foto: Londres Notícias diárias de educação

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Para uma crítica do eduquês. Uma lista de recursos para

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compreender melhor o fenómeno
Ao longo dos próximos dias, o ProfBlog abre espaço para a crítica do fenómeno do eduquês. São bemvindos os testemunhos e os textos analíticos sobre um fenómeno que, caso não seja combatido, continuará a sufocar os professores e as escolas com excesso de burocracia.

Para uma crítica do eduquês. Uma lista…

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O Jad, comentador regular do ProfBlog, deu um contributo com o texto que se segue. Convido-o a dar continuidade ao debate. Desde pelo menos 1996-97, ano da defesa e publicação da minha dissertação de mestrado, que defendo que a escola e a educação se orienta para o aluno como seu fim mas que o seu centro é o professor. É ele que ensina e determina os processos de aprender. A escola não é uma entidade abstracta. É constituida por espaços, tempos e pessoas. É neste complexo de circunstâncias e modos de ser, pensar, dizer e de fazer que se desenvolve o ensinar e o aprender. Mas, para mim não há qualquer equívoco em quem ensina e quem aprende: ensina quem sabe, aprende quem não sabe.

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Mas, penso que, uma vez que todo o trabalho pedagógico e educativo se faz numa língua e recorre à linguagem, o grande problema está no domínio da língua e da linguagem. Ou seja, o sucesso/insucesso, quer dizer, a eficácia/ineficácia do ensinar e do aprender tem que ter em consideração o domínio da língua e da linguagem em que se ensina e se aprende. Mas também acho que George Steiner tem razão quando diz que, mesmo que os alunos não percebam tudo o que o professor diz, se recorrer a conhecimentos rigorosos e saberes importantes o efeito neles provocado é sempre muito importante para os alunos. O que o eduquês trouxe foi a deslocação do ensinar para o aprender e, com ele, a produção de mil e um documentos que mostrassem o que e como se aprende. Jad

Para uma crítica do eduquês. Uma lista…

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Para saber mais ❋ Sobre George Steiner ❋ O eduquês em discurso directo ❋ O eduquês desmascarado ❋ Os erros do eduquês Notícias diárias de educação

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Os dez pecados mortais do eduquês. Como uma falsa ideologia pedagógica está a
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comprometer o futuro das nossas crianças
1. Concepção instrumental da educação: “aprender a aprender”, “aptidão para o pensamento crítico”, “aptidões metacognitivas”, “aprendizagem permanente”.
2. Desenvolvimentalismo romântico: “aprendizagem ao ritmo dos alunos”, “escola centrada na criança”, “diferenças individuais dos alunos”, “estilos individuais de aprendizagem”, “ensinar a criança e não os conteúdos”.

Os dez pecados mortais do eduquês. Como…

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3. Pedagogia naturalista: “construtivismo”, “aprendizagem por descoberta”, “aprendizagem holística”, “método de projecto”, “aprendizagem temática”. 4. Antipatia pelo ensino de conteúdos: “os factos não contam tanto como a compreensão”, “os factos ficam desactualizados”, “menos é mais”, “aprendizagem para a compreensão”. 5. A desvalorização dos padrões culturais tidos como relativos e subjectivos, portanto irrelevantes. 6. Crítica do uso da memória e recusa das actividades de repetição, tidas como não significativas, portanto inúteis. 7. Defesa da ideia falsa de que as crianças só compreendem o que lhes está próximo e o que é concreto e manipulável. 8. Primazia à componente lúdica e recreativa por oposição à valorização do esforço na aprendizagem.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

9. Redução da aprendizagem a um processo construtivista que diminui a função de transmissão dos conteúdos. 10. Visão anti-intelectualista da cultura e da educação. Para saber mais ❋ ❋ ❋ ❋ Os erros do eduquês Eduquês, outra vez O formalista A globalização do eduquês no seu esplendor Notícias diárias de educação

Os dez pecados mortais do eduquês. Como…

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O eduquês e a ideologia das competências. Um texto crítico do Wegie
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Lei n.º 60/2009: O Estado deve dedicar-se a ensinar competências pessoais subjacentes a uma sexualidade gratificante.
Esta opção pela referência constante a uma lógica de competências no desenvolvimento dos programas de estudos não é inocente. Responde a uma necessidade e a uma pressão política evidente. Desde sempre a Escola procurou responder às necessidades e objectivos sociais da sua época: Isto foi particularmente evidente na famigerada pedagogia por objectivos. A abordagem taylorista da organização do trabalho na empresa consiste em tornar sequenciais as tarefas dos trabalhadores. É nesta perspectiva que os programas escolares segmentaram os seus conteúdos em múltiplos micro-objectivos per-

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mitindo assim à escola preparar os seus alunos para uma forma atomizada de trabalho que no seu extremo exacerbado é a cadeia de produção. Um trabalho dividido em múltiplas tarefas parcelares executadas de forma isolada sem que o indivíduo tivesse necessidade de conhecer o seu resultado global. Le Boterf (2001) estabelece um paralelismo entre esta visão do trabalho em série e a corrente pedagógica dominante na época. Minder (1977) definia a educação como uma “empresa de modificação de comportamentos”. Os professores programavam e programam em Portugal as suas actividades segundo uma lógica, uma técnica e uma terminologia influenciadas pela pedagogia por objectivos. Por seu turno o próprio sistema educativo no seu conjunto inscreve-se numa perspectiva comportamentalista.

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A escola por seu turno não pode negar que pela organização sequencial das tarefas e aprendizagens se inscreve num quadro global de taylorismo, isto é no âmbito organizacional do trabalho em empresa. A Escola demonstra, no mínimo, a sua cedência ao taylorismo e comportamentalismo, lógicas dominantes no mundo capitalista numa perspectiva de rentabilidade. Não se deve atribuir ao construtivismo pedagógico a exclusiva responsabilidade desta situação. A abordagem pelas competências encerra os docentes num trabalho rotineiro, burocrático e normativo. Para os construtivistas a actividade do aluno sobre as “situações-problemas” era apenas uma das formas de o fazer participar na construção dos seus saberes. Para os “teóricos” das competências não há saberes a construir ou a transmitir. Há apenas competências a desenvolver. Para o

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teórico Bernard Rey saber resolver uma equação do 2º grau é uma competência, mas saber resolver um problema não é uma competência, é uma palavra vazia, uma especulação de psicólogos (Rey, 2005). Esta ideologia é mais subsidiária do construtivismo filosófico ou radical o qual defende que todos os conhecimentos elaborados pela humanidade não passam de construções sociais portanto nunca poderão possuir estatuto de verdades objectivas: Um paradigma epistemológico relativista que equivale a renunciar a toda a procura de um saber objectivo que é o fim em si mesmo da ciência. Enfim estamos perante um catecismo post-moderno no qual o Bispo Berkeley se sentiria à vontade já que não existem realidades externas ao sujeito-pensante, apenas competências

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

estabelecidas pelo Estado e seus associados facilitadores ou parceiros como quiserem. Wegie Foto: Berliner Mauer, 2009. Os 1600 metros do Muro de Berlim ainda de pé e com pinturas murais Para saber mais ❋ ❋ ❋ ❋ ❋ ❋ Livros de Le Boterf na Wook Quem é Bernard Rey? Bernard Rey sobre as competências Livros de Guy Le Boterf na Amazon Definição de competência por Guy Le Boterf Definição e caracterização do eduquês: Colectânea de textos do ProfBlog Notícias diárias de educação

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Eduquês e novilíngua. Elementos para a sua caracterização

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

O eduquês é um jargão profissional que podemos definir como instância de discurso verbal, oral ou escrito, respeitante ao domínio da Educação e constituído por palavras, construções sintácticas ou idiomas próprios desse domínio.
É um dos muitos registos linguísticos que instrumentalizam a língua, pondo-a ao serviço de um mundo determinado pela tecnologia. O Ramiro Marques ilustrou-o nos pontos 1-4 da sua mensagem de hoje. Este jargão, filiado no tentacular economês, é, “paradoxalmente”, obscuro e enigmático para os próprios membros da comunidade que utilitariamente o criou e para a qual foi utilitariamente criado; no seu uso esbate-se uma das características

Eduquês e novilíngua. Elementos para a…

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fundamentais da linguagem humana, a de estabelecer uma relação de significação entre os nomes e as coisas. O eduquês português apresenta, ainda, uma infelicidade acrescida, que resulta da abundante tradução, não raro canhestra, dos complexos e multivariados compostos do eduquês inglês. O desenvolvimento e a propagação deste jargão nas últimas décadas suscita meditação: que fins serve? Por outras palavras, o eduquês é meio para que fins? Ana Laura M. Valadares de Araújo Foto: Museu Pergamon, Berlim 2009. A maior colecção mundial de arte da Mesopotâmia e Assíria Para saber mais ❋ O eduquês e a ideologia das competências

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❋ Definição e caracterização do eduquês - Colectânea de textos publicados no ProfBlog Notícias diárias de educação

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Mais uma brasa para a fogueira do eduquês, atirada pelo jad

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Esta incursão pelo eduquês é extremamente interessante e importante. Os textos disponibilizados ajudam a perceber a complexidade do mundo da educação e das perspectivas que se foram construindo ao seu redor.
É verdade que muita da produção editorial e académica ligada à educação em nada tem contribuído para a compreensão do sentido do educar. É verdade que a educação tem estado refém da sociologia e da psicologia, campo onde se semearam as teorias da educação que têm alimentado os processos de educar e de aprender, melhor, do ensino/aprendizagem (como sabemos todos não é insignificante a distinção entre a nomeação “ensinar e aprender” e “ensino/aprendizagem”).

Mais uma brasa para a fogueira do eduquês…

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Se a sociologia francesa (sobretudo) nos foi mostrando que a educação reproduzia a cultura da classe dominante que não apenas a sustentava mas igualmente reforçava a divisão de classes, a psicologia veio progressivamente acentuar a importância da criança e do adolescente na sua identidade própria, distinta do adulto (o que foi deveras importante). O que os teóricos da educação fizeram foi, simultaneamente, criar condições para que a escola escapasse ao anátema classista que a sociologia lhe tinha colado à pele e contribuir para que as crianças e adolescentes não fossem impedidas no seu desenvolvimento através da escola. É aqui que nascem os equívocos à volta do sentido da educação. Foi assim que se percorreram caminhos tão diversos. Mas, acima de tudo, foi assim que se deslocou a educação do ensino para a aprendizagem. Foi assim que se deslocou o

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centro do dever de ensinar e de aprender para o direito ao sucesso. Foi também assim que se foi desvalorizando o conhecimento em detrimento do bem-estar pessoal, de acordo com as capacidades de cada um, não para as estimular mas para que aprendessem apenas o que, supostamente seriam capazes de aprender. No limite seriam as crianças e adolescentes a decidir o que deviam aprender. É óbvio que esta é a mais perversa e imoral descriminação social e humana: sob a capa da igualdade de oportunidades, apenas os filhos das famílias culturalmente desenvolvidas estão em condições de compreender a importância do saber. Ora, creio que é nestes equívocos que assenta o chamado eduquês. Mas, cuidado, facilmente se passa da crítica a este teorizar equívoco para um cientismo que em nada contribui para a compreensão da realidade. É que perder o sentido de que todo

Mais uma brasa para a fogueira do eduquês…

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o conhecimento, seja ele qual for, é uma construção humana e, por conseguinte, é limitado e contingente é cair num dogmatismo que se alimenta justamente dos mesmos limites do cepticismo: a crença de que apenas as suas concepções são válidas (mesmo, como no caso do cepticismo, se defende a impossibilidade do conhecimento universal), apenas o que a ciência diz que é verdade é verdade (como também sabemos todos, se assim fosse nem à construção da ciência tínhamos chegado). E não foi Bachelard, filósofo e matemático, que disse que não existem factos brutos? Não foi Poincaré, matemático, que disse que existem teorias matemáticas que não têm qualquer interesse? Não foi Prigogine, químico, que disse que o cientista é como o poeta: interpreta a realidade?

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Portanto, a superação do eduquês não está na crença numa verdade que apenas as ciências não sociais e humanas dominam porque corresponderia à substituição do eduquês pelo cientismo. A superação está no questionamento rigoroso do sentido do ensinar e do aprender, centrados nos saberes fundantes do modo de ser, pensar, dizer e fazer que nos identifica como homens e como cultura. E aqui, acendo a minha brasa, será impossível fazê-lo à margem daquilo que nos faz homens: o falar, a linguagem? Jad Imagem: Varanda Para saber mais ❋ Colectânea do ProfBlog: Definição e caracterização do eduquês ❋ O texto completo no Scribd

Mais uma brasa para a fogueira do eduquês…

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Notícias diárias de educação

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Sobre o eduquês e outros eses que acorrentam o Homem contemporâneo. Um
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texto de Ana Laura de Araújo
Tem razão, Ramiro: o blogar é complexo. Complexo e vertiginoso. Temo que o seu tempo não se compadeça com o meu tempo de escrita, lento e mastigado.
Escrevi no Profblog, porque alguém, num comentário, afirmara desconhecer o que fosse o eduquês. Reagi, justamente porque me sinto escravizada por demasiados – eses (economês, politiquês, eduquês…), há demasiado tempo… A esses –eses, que atordoam, acorrentam e sugam o homem contemporâneo, chamou Heidegger, em 1962, a ‘língua

Sobre o eduquês e outros eses que acorrentam…

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técnica’, distinta da ‘língua natural’, ou ‘língua de tradição’ (se ele pudesse constatar a que requintes de perversão chegou a ‘língua técnica’!…). Transcrevo as palavras finais dessa conferência, proferida perante professores de escolas profissionais; elas recaem sobre o ensino da língua materna e eu considero a sua transcrição o melhor contributo que sou capaz de dar, na moldura tecnológica que enquadra este texto: “Era preciso considerar se este ensinamento da língua não mereceria ser, mais do que uma formação, uma meditação sobre o perigo que ameaça a língua. Ora uma tal meditação revelaria ao mesmo tempo a dimensão salvadora que se abriga no segredo da língua, na medida em que é ela que sempre nos conduz de um só golpe à proximidade do inefável e do inexpri-

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mível.” in Língua de Tradição e Língua Técnica (1999). Lisboa: Vega, 2ª ed., pp.41-42. Permitam-me tão-só uma adenda, ainda a propósito dos eses e, em especial, do eduquês. Alguém, no Profblog de ontem, aludiu, e muito bem, ao juridiquês. Outra pessoa alertou então para o perigo de, ao teorizar-se sobre o eduquês, se correr o risco de se cair no cientismo. Venho lembrar que já temos o cientês. Está pujante e fértil, propagando-se velozmente nesta era de “comunicação” e caindo, com rapacidade, sobre as massas. Ana Laura Valadares de Araújo Foto: Muro de Berlim, 2009 Para saber mais ❋ Colectânea de Textos do ProfBlog: Definição e caracterização do eduquês

Sobre o eduquês e outros eses que acorrentam…

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Dicas para combater a burocracia nas escolas

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Este cartaz da Fne capta bem os quatro eixos das reivindicações dos professores: carreira única e sem divisões em categorias; avaliação justa; horários de trabalho equilibrados; autoridade dos professores.
Para ficar perfeito, bastaria a acrescentar um quinto eixo: redução da carga burocrática nas escolas. Eu sei que uma grande parte do excesso de burocracia nasce a partir de dentro. Há directores e coordenadores de departamento que só estão satisfeitos quando vêem os professores aos papéis. São esses profissionais que exigem actas do tamanho de lençóis, com descrições exaustivas de todas as intervenções, reuniões que duram três e quatro horas para tratar de assuntos

Dicas para combater a burocracia nas escolas…

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que podiam ser resolvidos por telemóvel ou email e relatórios carregados de verborreia copiada da Internet. Para quem se opõe ao excesso de burocracia e tem poder de coordenação nas escolas, deixo algumas sugestões: 1. Aprovem minutas de actas que registem apenas as deliberações e omitam as intervenções. O registo de intervenções só deve ser feito quando é para justificar uma opção de voto. 2. Enviem as informações por email e coloquem na acta apenas isto: as informações foram distribuídas por email e encontram-se anexas à presente acta. 3. Fixem uma hora de começo e de fecho da reunião. Uma reunião que dure mais de duas horas é uma reunião mal dirigida. 4. Aprovem “guidelines” para os relatórios com fixação do número máximo de páginas. Façam o mesmo para os planos.

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Um plano de recuperação que tenha mais de 2 páginas é um plano mal redigido. Um relatório sobre um plano de recuperação que tenha mais de duas páginas tem excesso de verborreia. Notícias diárias de educação

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Na escola, há quem ensine (quem sabe) e quem aprende (quem não sabe). A
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transmissão do saber é o cerne do agir dos professores
1. Somos professores e, como tal, tudo o que disser respeito à escola diz-nos respeito;
2. A escola é uma organização: tem gente, vive de gente, como todas as organizações. Só que a escola ocupa-se da educação, da formação das novas gerações (já sei que, para alguns é tarefa demasiado ambiciosa para ela…);

Na escola, há quem ensine (quem sabe…

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3. A escola alimenta-se do saber. Por isso, há quem ensine (quem sabe) e quem aprende (quem não sabe) (ando a repetir-me demasiadas vezes); 4. Porque se alimenta do saber e se destina à formação das novas gerações o saber e o modo como se constrói e se transmite deve constituir o cerne do agir daqueles que ensinam nós, os professores; 5. Como construtores e transmissores do saber que há-de formar as novas gerações nós, professores, temos necessidade de saber se o que andamos a fazer cumpre ou não a finalidade a que se destina; 6. É para isso que serve a avaliação; 7. A ADD destina-se a esse fim. Mal como foi estruturada, fundamentada, implementada? Certamente;

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

8. A alternativa à ADD forçada pelo ME esgotou-se, para a tal opinião pública, com a célebre proposta da plataforma sindical - “auto-avaliação”; 9. A luta (ou as lutas? não é insignificante a opção) é importantíssima, deve manter-se mas, na minha perspectiva, deve centrar-se naquilo que referi no comentário anterior: na promoção da nossa dignidade, honorabilidade e indispensabilidade que, repito-me, não o temos feito; 10 e último. Somos diferentes mas não somos estúpidos. É preciso saber quando parar, quando avançar, quando recuar. E acima de tudo, na(s) luta(s) devemos saber dos fins, dos objectivos e escapar à atracção pelo abismo que norteia muitos líderes por essa história fora. Portanto, não se trata de correntes, trata-se de saber para onde nos leva a corrente. E nem todas vão dar ao mar…

Na escola, há quem ensine (quem sabe…

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Jad Notícias diárias de educação

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Novilíngua (de George Orwell)
E tudo mudou… Luís Fernando Veríssimo
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

O rouge virou blush O pó-de-arroz virou pó-compacto O brilho virou gloss O rímel virou máscara incolor A Lycra virou stretch Anabela virou plataforma O corpete virou porta-seios Que virou sutiã Que virou lib Que virou silicone A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento A escova virou chapinha “Problemas de moça” viraram TPM Confete virou MM A crise de nervos virou estresse

Novilíngua (de George Orwell)

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A chita virou viscose. A purpurina virou gliter A brilhantina virou mousse Os halteres viraram bomba A ergométrica virou spinning A tanga virou fio dental E o fio dental virou anti-séptico bucal Ninguém mais vê… Ping-Pong virou Babaloo O a-la-carte virou self-service A tristeza, depressão O espaguete virou Miojo pronto A paquera virou pegação A gafieira virou dança de salão O que era praça virou shopping

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

A areia virou ringue A caneta virou teclado O long play virou CD A fita de vídeo é DVD O CD já é MP3 É um filho onde éramos seis O álbum de fotos agora é mostrado por email O namoro agora é virtual A cantada virou torpedo E do “não” não se tem medo O break virou street O samba, pagode O carnaval de rua virou Sapucaí O folclore brasileiro, halloween O piano agora é teclado, também

Novilíngua (de George Orwell)

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O forró de sanfona ficou eletrônico Fortificante não é mais Biotônico Bicicleta virou Bis Polícia e ladrão virou counter strike Folhetins são novelas de TV Fauna e flora a desaparecer Lobato virou Paulo Coelho Caetano virou um chato Chico sumiu da FM e TV Baby se converteu RPM desapareceu Elis ressuscitou em Maria Rita? Gal virou fênix Raul e Renato, Cássia e Cazuza,

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Lennon e Elvis, Todos anjos Agora só tocam lira… A AIDS virou gripe A bala antes encontrada agora é perdida A violência está coisa maldita! A maconha é calmante O professor é agora o facilitador As lições já não importam mais A guerra superou a paz E a sociedade ficou incapaz… … De tudo. Inclusive de notar essas diferenças. ❋ Luis Fernando Veríssimo ❋ Novilíngua

Novilíngua (de George Orwell)

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❋ Imagem daqui Notícias diárias de educação

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O Eduquês no mais puro vernáculo…

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Embora quase todos conheçam, é bom não esquecer, para nos entendermos nesta novilíngua, já que cada vez mais se fala no Eduquês e uma prova prática não faz mal a ninguém! A tabela abaixo permite a composição de 10.827 frases: bastando combinar, em sequência, uma frase da primeira coluna, com uma da segunda, da terceira e da quarta, aleatoriamente. O resultado sempre será uma frase no mais correcto Eduquês, com o conteúdo que cada um quiser decifrar.
Coluna 1

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Coluna 2 Coluna 3 Coluna 4 Caros colegas, a execução deste projecto obriga-nos à análise das nossas opções de desenvolvimento futuro. Por outro lado, a complexidade dos estudos efectuados cumpre um papel essencial na formulação das nossas metas educativas e administrativas. Não podemos esquecer que a actual estrutura da escola auxilia a preparação e a estruturação das atitudes e das decisões da direcção.

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Do mesmo modo, o novo modelo estrutural aqui preconizado contribui para a correcta determinação das novas proposições. A prática mostra que o desenvolvimento de formas distintas de actuação assume importantes posições na definição das opções básicas para o sucesso educativo. Nunca é demais insistir que a constante divulgação das informações facilita a definição do nosso sistema de formação de professores. A experiência mostra que a consolidação das estruturas prejudica a percepção da importância

O Eduquês no mais puro vernáculo…

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das condições apropriadas para uma pedagogia de sucesso. É fundamental ressaltar que a análise dos diversos resultados oferece uma boa oportunidade de verificação dos índices pretendidos. O incentivo ao avanço tecnológico, assim como o início do programa de formação de atitudes acarreta um processo de reformulação das formas de acção. Assim mesmo, a expansão de nossa actividade exige precisão e definição dos conceitos de participação geral 3 exemplos:

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1. Assim mesmo, o novo modelo estrutural aqui preconizado prejudica a percepção da importância das nossas metas educativas e administrativas. 2. A experiência mostra que a actual estrutura da escola oferece uma boa oportunidade de verificação das atitudes e das decisões da direcção. 3. Não podemos esquecer que a análise dos diversos resultados cumpre um papel essencial na formulação do nosso sistema de formação de professores. Imagem daqui Texto sem indicação de autoria que circula na InternetNotícias diárias de educação

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Debate em torno do eduquês: uma algaravia para agravar o controlo político das
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massas pouco educadas?
A Ana Laura diz, no final do post, que o “eduquês” está ao serviço dos promotores de uma “nova ordem educacional”, a qual, por sua vez, se inscreve, como também diz, numa “‘nova’ ordem económicopolítica (…) que se rege, primordialmente, pela procura de mais-valias”.
Tendo em conta o exemplo de “eduquês” que apresenta (o do conceito de “aprendente”), penso que estou de acordo con-

Debate em torno do eduquês: uma algaravia…

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sigo sobre quem utiliza e a quem serve esse tipo de conceitos, ou seja, servirá os interesses de quem vê o sector educativo como uma fonte de mais-valias, ou seja, como um sector ao qual deve ser imposta uma lógica capitalista de produção. De facto, é nos textos que propugnam uma “empresarialização” da actividade educativa que, por exemplo, o conceito de “aprendente” pode ser encontrado em abundância. E é normal que assim aconteça, uma vez que o referido conceito de “aprendente” existe para operar uma identificação semântica entre o conceito de “aluno” e o conceito de “trabalhador” - e isto em dois sentidos diferentes e complementares: 1) porque “aprendente” será tanto o aluno como o trabalhador no activo (o qual, nesta perspectiva, necessita de “aprender sempre ao longo da vida”); e 2) porque o que se pretende com a “empresarialização” das escolas é constituir o aluno (e o professor,

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agora num papel que se quer sobretudo de “supervisor”) numa espécie de “trabalhador produtivo” em termos capitalistas. Optimista Notícias diárias de educação

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Uma escola in(con)clusiva

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No perfil geral de desempenho profissional do educador de infância e dos professores dos ensinos básicos e secundário (Decreto-Lei n.º 240/2001 de 30 de Agosto) consta que o professor “exerce a sua actividade profissional na escola, entendida como uma instituição educativa, à qual está socialmente cometida a responsabilidade específica de garantir a todos, numa perspectiva de escola inclusiva, um conjunto de aprendizagens de natureza diversa…”. O mesmo normativo acrescenta que o docente “ desenvolve estratégias pedagógicas diferenciadas, conducentes ao sucesso de cada aluno…”

Uma escola in(con)clusiva

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No Estatuto da Carreira Docente (Decreto-Lei n.º 15/2007 de 19 de Janeiro), na secção dos Deveres, o legislador refere que os docentes devem “organizar e gerir o ensino-aprendizagem, adoptando estratégias de diferenciação pedagógica susceptíveis de responder às necessidades individuais dos alunos.” No documento que define os apoios especializados a prestar na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário (Decreto-Lei n.º 3/2008) enfatiza-se que “é desígnio do Governo a promoção de uma escola democrática e inclusiva, orientada para o sucesso de todas as crianças e jovens.” E pronto, em Portugal as coisas funcionam deste modo: o legislador legisla e o normativo regulamentar vira “paradogma” pedagógico com a maior naturalidade deste mundo! Sim, porque escola inclusiva, integração sociocultural e diferen-

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ciação pedagógica são conceitos tão banais que qualquer “turboformador” não sentirá dificuldade especial em os esmiuçar. No entanto, o mistério adensa-se! Por que motivo persiste a contradição entre a retórica legislativa e a prática pedagógica? Qual a razão de tantos mestres “inclusivos” e tão poucas práticas diferenciadas? O conceito de inclusão implica, antes de mais, rejeitar a exclusão de qualquer aluno da comunidade escolar. Por princípio, a escola pública não faz isso. Bem… parece que há para aí umas escolas muito preocupadas com os rankings que, por vezes, “monitorizam” com excessivo zelo a mobilidade dos seus “clientes”. Mas julga-se que são casos residuais… Em tom crítico e quase pejorativo opõe-se a escola tradicional, integrativa e de sucesso para alguns à escola pós-moderna, inclusiva e promotora de sucesso para todos! Alguns crít-

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icos dizem que o professor “tradicionalista” ensina a muitos como se fossem um só na crença de que existe um aluno médio. Acrescentam ainda que face a públicos diferenciados a escola responde através de uma tentativa da redução da complexidade interna, procurando homogeneizar o público escolar. Mas as dúvidas permanecem. Procurar ensinar a todos aquilo que está curricularmente previsto é homogeneizar? Utilizar uma experiência de aprendizagem devidamente validada é tentar reduzir a complexidade interna? E quando um professor “não inclusivo” reclama que o currículo é definido pela tutela, tem critérios homogéneos, objectivos e conteúdos específicos e que ele próprio será “avaliado” em função dos resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais, a resposta dos “inclusivos” é categórica: o ensino

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diferenciado é a melhor resposta a uma educação baseada em padrões. E acrescentam: o ensino diferenciado permite que se use o tempo de forma mais eficiente, elimina o ensino de determinadas competências, no caso dos alunos que já as dominam, prepara mais actividades de aprendizagem para os que precisam de mais prática. O professor “tradicionalista”, perplexo, ainda tenta argumentar com o elevado número de alunos por turma, com o número de turmas que lecciona, com a qualidade dos espaços de aprendizagem de uma escola que nunca foi pensada para ser uma organização diferenciada, com a falta ou escassez de terapeutas, psicólogos, trabalhadores sociais… Mas não adianta. Por ter ousado levantar a voz é submetido a um processo argumentativo e persuasivo a propósito do verbo diferenciar:

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● Diferenciar não significa que cada um tenha de aprender segundo uma metodologia diferente; ● Diferenciar é ir experienciando várias abordagens de modo a que, no final da aula, todos os alunos (os predominantemente linguísticos, logicomatemáticos, espaciais, cinestésicos, musicais…) tenham sucesso; ● Diferenciar é mediar, supervisionar, satisfazer; ● Diferenciar é alterar o ritmo, fornecer listas de projectos, dar a escolher em função dos interesses dos aprendentes; ● Diferenciar é planear tendo em conta o tipo de inteligência do aluno, as suas capacidades cognitivas, o estilo de aprendizagem, factores socioeconómicos e familiares, a disponibilidade, o sexo, as influências culturais e étnicas; ● Diferenciar é prever os pontos de fuga, pontos em que o currículo se ramifica e vários alunos “saltam fora” do ritmo de

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ensino e das actividades normais, porque as suas necessidades de aprendizagem diferem das necessidades da maioria dos colegas; ● Não diferenciar significa excluir alunos através da prática pedagógica. A última afirmação, sobretudo, deixou o “velho” professor com os níveis de auto-estima muito perto do zero. Já nem ouviu o seu interlocutor proferir a máxima das máximas: “Diferentes modos de aprender implicam diferentes modos de ensinar”. E foi-se embora, tartamudeando: “Pois… mas esquece-se de um pormenor: por mais criativa e adequada que seja a experiência de aprendizagem proporcionada ao aluno, se ele não dominar os pré-requisitos fundamentais, se não estudar e se não tiver vontade, jamais terá sucesso:

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não há nenhum aluno que leia se não souber ler; não há nenhum aluno que leia se não ler; não há nenhum aluno que leia se não quiser ler.” Fernando CardosoNotícias diárias de educação

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Paideia à portuguesa
Com o inabalável processo de avaliação dos professores – similar àquele verificado nas instituições
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financeiras, cujos resultados estão à vista…– as escolas mergulharam, numa profunda conflitualidade e desconfiança pelo modo como foi efectuado o referido processo.
A avaliação de desempenho, expressão susceptível de interpretações duvidosas, foi realizada, como é sabido, consoante a cara de cada professor/a e da sua capacidade histriónica para o “Yes, man”. Assim, o simplex (termo sugestivo que faz jus a todo este processo) afigurou-se profundamente arbitrário e injusto, com a agravante de ser confidencial, o que constitui um agravo para os professores nos concursos públicos onde essa avaliação contará com um peso deveras significativo, conforme se augura. Não sendo conhecidos os professores que obtiveram a classificação de Excelente, como poderão os seus

Paideia à portuguesa

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colegas seguir o seu exemplo? Penso mesmo que será difícil ao Ministério da Educação atribuir o Prémio Nacional do Professor do Ano, visto que terá de denunciar o feliz contemplado. Superior ao Muito Bom, este ideal de excelência, ligado ao conceito de “kalòs kaì agathós”, modelo superior da educação grega baseado no bom e no belo e celebrado pelos poetas, não se realiza na sua plenitude na paideia lusitano, uma vez que a avaliação efectuada é uma espécie de cerimónia maçónica ou ritual esotérico, onde apenas alguns têm acesso ao conhecimento. Assim, dar novas oportunidades aos docentes para melhorar a sua competência pedagógica, seguindo o magistral trabalho da élite distinguida pela tutela, constitui, deste modo, o rumo certo. Afonso de AlbuquerqueNotícias diárias de educação

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

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Saiba por que razão as escolas dos jesuítas estão entre as melhores do Mundo
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

A organização pedagógica dos colégios jesuítas foi influenciada pela cultura barroca. Ordem, disciplina e método constituíam as três características predominantes da pedagogia dos jesuítas. A gramática, a filosofia, a lógica, a teologia ocupavam lugar central no plano de estudos. A metodologia mais vulgar consistia numa subtil mistura de exposições do professor, leitura de textos, exercícios e disputas orais. As famílias delegavam os seus poderes nos responsáveis pelos colégios: “pelo facto de levarem os seus filhos aos jesuítas, um pai de família compromete-se a aceitar os princípios e a disciplina

Saiba por que razão as escolas dos jesuítas…

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do colégio. No que se refere ao internato, os jesuítas esforçar-se-ão até onde for possível para oferecer aos educandos uma atmosfera familiar e alegre; mas exercerão sobre a criança a autoridade do pai ausente. Encarregados pelos pais de darem aos alunos uma educação cristã, não toleram que esse fim seja comprometido pela dissolução - facto frequente na época - em certos ambientes aristocráticos. Assim, não queriam ver degradar-se, no curso das suas vocações, pela preguiça e má conduta, os bons costumes que souberam inculcar nos jovens.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Para saber mais A Pedagogia dos Jesuítas - texto completo
Notícias diárias de educação.

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A sobrecarga das funções do professor

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

As transformações na sociedade e na estrutura da família, identificadas atrás, obrigaram o poder político a exigir cada vez mais da escola e dos professores, atribuindo-lhes novas funções e fazendo exigências cada vez mais acrescidas. Contudo, a escola, só por si, não é capaz de desempenhar as funções sociais que lhe são exigidas. A sobrecarga de funções, tem retirado aos professores energias e tempo para o desempenho da sua função fundamental: o ensino. A assunção das funções de apoio social e psicológico pelos professores, a par da crescente burocratização da função educativa retiraram aos professores o

A sobrecarga das funções do professor

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tempo disponível para a leitura, o estudo e a preparação das aulas e conduziram a uma indefinição do seu estatuto e imagem profissionais. Em certa medida, é possível afirmar que o professor foi deixando de ser um intelectual, um “clerc” para passar a ser, cada vez mais, um técnico e um burocrata. Contudo, a escola tem de estar preparada para o desempenho das funções de suplência da família, oferecendo um programa educativo a tempo inteiro. A noção de escola a tempo inteiro pressupõe um programa educativo abrangente, que integre as três componentes curriculares: a componente lectiva, a com-

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

ponente de complemento curricular e a componente interactiva. A primeira componente é obrigatória e definida nacionalmente, dado que corresponde ao conjunto dos saberes, organizados em disciplinas ou em áreas disciplinares comuns a todas as escolas. Trata-se de uma componente caracterizada pela heterodeterminação programática, que diz respeito ao conjunto dos saberes constituídos, ou seja, relacionase com a herança cultural. A função de ensinar tem, nesta componente, toda a sua razão de ser. Contudo, a capacidade para lidar com estas tremendas

A sobrecarga das funções do professor

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mudanças sociais exige profundas alterações na forma como se deve estruturar a componente lectiva. O ensino deve acentuar o desenvolvimento de capacidades de aquisição de novos conhecimentos, capacidades meta-cognitivas, o exercício do pensamento crítico e da resolução de problemas. Para respondermos aos novos desafios, temos de focar o ensino nos novos fundamentos do currículo: não apenas os chamados “3 Rs” ( reading, writing and reasoning), mas também os “3 Cs” (concern, care and connection). Para além da leitura, da escrita e do cálculo, temos de acentuar a aprendizagem do como pensar,

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do como resolver problemas, do como lidar com a mudança, do como cuidar dos outros, do como estabelecer ligações duradouras e responsáveis com os outros e do como nos podemos preocupar com os outros. Na trilogia da leitura, da escrita e do cálculo, estamos perante uma verdadeiro regresso ao básico, aos velhos fundamentos do currículo; na trilogia do como pensar, como resolver problemas e como lidar com a mudança, estamos perante os novos fundamentos do currículo e na trilogia do como cuidar dos outros, como estabelecer relações duradouras e responsáveis e do como nos podemos preocupar

A sobrecarga das funções do professor

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com os outros estamos perante um regresso às preocupações da educação clássica, numa eterna e sempre inacabada procura de mais justiça e mais bondade, preocupações essas que atravessam as obras dos grandes filósofos, de Sócrates a Platão, de Aristóteles a Santo Agostinho e de Kant a Kirkegaard.
Por mais importante que seja a componente lectiva, ela não pode, por si só, proporcionar um programa educativo capaz de corresponder às exigências que as mudanças na sociedade e na família provocaram. Quando a escola estende o seu programa educativo às actividades educativas, desportivas, artísticas, culturais e cívicas fica em condições de desempenhar as funções

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

de suplência da família exigidas pelas enormes mudanças sociais ocorridas nas últimas duas décadas e que a Lei de Bases do Sistema Educativo tão bem soube resumir no seu artigo 48º. O conjunto dessas actividades livres corresponde à componente de complemento curricular. Trata-se de uma componente caracterizada pela autodeterminação programática relacionada com os saberes a constituir. Em certas ocasiões da vida da escola, é possível e desejável a integração das actividades desenvolvidas nas componentes lectiva e de complemento curricular, oferecendo à comunidade envolvente os produtos culturais e artísticos que professores e alunos foram capazes de criar. Neste caso, estamos perante a componente interactiva. Esta componente rege-se pelo princípio da codeterminação educativa. A união de todas as componentes forma a dimensão

A sobrecarga das funções do professor

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global da escola e rege-se pelo princípio da sobredeterminação educativa. Uma escola concebida desta maneira é verdadeiramente uma escola com autonomia pedagógica, integrada na comunidade e realmente pluridimensional. Para saber mais Currículo e Valores - texto completoNotícias diárias de educação.

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Como dar uma educação saudável a um filho (menos de 10

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anos) numa sociedade que não o é
Que a sociedade em que vivemos, apesar de todos os direitos que a legislação consagra, não é saudável é um facto perceptível por qualquer mortal com inteligência mediana. Ainda assim, é possível educar as crianças de forma saudável. Veja como. 1. Corte nas prendas. Dar prendas a toda a hora e por tudo e por nada é meio caminho andado para criar uma crianças caprichosa e inconstante. Muitas pre-

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ndas significam: a criança acaba por não dar valor a nada. Prendas só no dia de aniversário e no Natal. Se lhe apetecer dar uma prenda noutras ocasiões opte por um livro. E habitue o seu filho a dar os brinquedos que ele colocou de lado. 2. Televisão, quanto menos melhor. O ideal seria que os pais não tivessem televisão em casa ou, tendo-a, raramente a ligassem. Sei que isso é muito difícil. Mas limite o tempo passado a ver TV e seleccione bem os programas. Quase tudo o que passa nos canais generalistas é lixo tóxico para as mentes das crianças. A televisão é quase sempre uma droga

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

pesada. Antes de o seu filho se viciar em televisão, seja rigoroso na limitação do tempo que ele passa à frente do televisor e seleccione bem os programas que ele pode ver. Nunca coloque um televisor no quarto do seu filho nem na cozinha da sua casa. 3. Não deixe o seu filho ver desenhos animados a toda a hora. Em vez dos desenhos animados da TV, leve-o a ver bons filmes para crianças num cinema perto da sua casa. 4. Coloque o seu filho nos escuteiros logo que ele atinja os 6 anos de idade. Os escuteiros são uma escola de cidadãos.

Como dar uma educação saudável a um filho…

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5. Se você professa uma religião, coloque o seu filho na catequese ou nas actividades para crianças conduzidas pelas autoridades religiosas locais da sua confissão religiosa. Não espere que ele atinja adolescência para tomar essa decisão. A imersão numa herança religiosa é, regra geral, positiva para o desenvolvimento da personalidade e do carácter e essa é uma decisão que deve ser tomada pelos pais. 6. Crie uma rotina de estudo em casa e obrigue o seu filho a cumpri-la. Quando se estuda, o televisor, a rádio e todos os outros aparelhos electrónicos estão

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em modo off. Quando se estuda, há silêncio absoluto em casa. 7. Evite música alta em casa. O barulho é inimigo da tranquilidade. Opte, sempre que possível, pela música clássica ou por música contemporânea de qualidade. Não deixe entrar em sua casa música pimba e de fraca qualidade. 8. Tenha sempre à mão os dicionários, enciclopédias e alguns autores clássicos e motive o seu filho para a leitura dos clássicos. 9. Não deixe que o seu filho brinque com um computador ou uma consola de jogos antes dos 8 anos de

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idade. E limite o tempo que ele passa com a consola e com o computador. Quanto menos tempo, melhor. 10. Coloque o seu filho numa boa escola de línguas aos 8 anos de idade. E opte pela aprendizagem do Inglês. Estimule o seu filho a aprender Inglês até obter aprovação no exame Cambridge Proficiency.
Notícias diárias de educação.

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Como educar saudavelmente um adolescente numa sociedade que não o é
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Que a sociedade em que vivemos, apesar de todos os direitos que a legislação consagra, não é saudável é um facto perceptível por qualquer mortal com inteligência mediana. Ainda assim, é possível educar os adolescentes de forma saudável. Veja como. 1. Envolva o seu filho ou filha em actividades de voluntariado: banco alimentar contra a fome, visitas a pessoas idosas sós, etc. 2. Dê-lhe uma mesada para os gastos do dia-a-dia e exija que ele preste contas: onde gastou o dinheiro e como o gastou. Faça-o sentir-se responsável pelo controlo e aplicação do orçamento.

Como educar saudavelmente um adolescente…

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3. Se vive a menos de 30 minutos a pé da escola ou dispõe de bons transportes públicos, não leve o seu filho de carro de e para a escola. Diga para ele fazer o caminho a pé, de bicicleta ou de transporte público. 4. Reserve 15 minutos por dia para conversar com o seu filho ou filha sobre a escola. 5. Nunca diga mal dos professores à frente do seu filho. Se tem reclamações a fazer, peça uma reunião ao director de turma. 6. Envolva o seu filho em associações desportivas ou culturais que ofereçam bons programas de ocupação

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

de tempo livres e o insiram numa comunidade com regras, responsabilidades e hierarquia. 7. Não cubra o seu filho de presentes, gadgets tecnológicos e roupas caras. Habitue-o a poupar dinheiro da mesada caso ele queira comprar um gadget tecnológico: smartphone, consola, iPod, etc. 8. Tome nota de quem são os amigos e companhias do seu filho. Obtenha informações sobre quem são e o que fazem mas faça-o de forma reservada e sem alaridos. 9. Quando o seu filho faz uma asneira, não deixe passar em branco. Converse com ele sobre o assunto,

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manifeste a sua opinião, mas faça-o sem levantar a voz e sempre com tranquilidade. 10. Lembre-se de que a educação do carácter se faz pelo exemplo, pela observação e pelos hábitos. Não faça nada que não gostasse de ver o seu filho fazer. É uma regra de ouro difícil de respeitar mas vale a pena o esforço.
Notícias diárias de educação.

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Como educar saudavelmente uma criança e um

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

adolescente numa sociedade que o não é
Deixo aqui os dois textos que publiquei sobre o assunto. Voltarei a ele mais tarde. Há actualizações e acrescentos a fazer. Se quiser, acrescente os textos com outros conselhos.
Como educar saudavelmente uma criança numa sociedade que o não é Como dar uma educação saudável a um adolescente numa sociedade que o não é

Como educar saudavelmente uma criança…

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O que os pais nunca devem fazer

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

A psicóloga espanhola Maria Jesus Alava Reyes esteve em Portugal a lançar o livro O Não Também Ajuda a Crescer. O livro é um cardápio de conselhos para os pais. Fique com algumas dica sobre o que não se deve fazer:
Pensar que as crianças não precisam de normas. Tentar ser amigo em vez de exercer a parentalidade. Proteger de mais os filhos, retirando-lhes as dificuldades do caminho. Favorecer o consumismo. Gera uma insatisfação permanente. Pregar sermões. Há que actuar antes com coerência e firmeza. Não reagir aos primeiros sinais de alarme.

O que os pais nunca devem fazer

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E eu acrescento outras coisas que não se devem fazer: Dizer mal dos professores à frente dos filhos. Pedir desculpa aos filhos por tudo e por nada, dando sinais de fraqueza. Fazer aquilo que não se quer que os filhos façam. Mostrar, por palavras e actos, desprezo pelo trabalho e pelo esforço. Dar a entender, por palavras e actos, que a vida é um festim. Notícias diárias de educação.

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Como responder à crise e educar os filhos de forma mais equilibrada
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Os períodos de crise são tempos de oportunidade. A crise que Portugal atravessa deve-se a duas ordens de razões: políticos incompetentes e esbanjadores e um Povo que perdeu a noção do que é essencial para a vida, optando por valorizar o acessório.
A (má) educação tem muita coisa a ver com isto. É possível responder à crise e fazer dela um tempo de oportunidade? É. Veja como. 1. Pare de comprar coisas desnecessárias. Reduza o número de deslocações a centros comerciais. Pergunte sempre antes de comprar: eu preciso mesmo disto? Eu faço isso. Nunca compro coisas inúteis. 2. Dedique um dia a identificar as coisas inúteis que tem em casa e faça uma limpeza geral. Dê o que tiver préstimo. Ponha

Como responder à crise e educar os filhos…

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no lixo o que não prestar. O espaço livre aumenta e o trabalho de limpeza e arrumação diminui. Fiz isso. A minha casa ficou com mais espaço. É mais agradável viver nela. 3. Nunca compre a crédito. Compre só quando tiver o dinheiro suficiente. Se não tem um emprego seguro, não compre apartamento. Opte pelo arrendamento. Fica mais livre para se deslocar à procura de trabalho. 4. Anule todos os seus cartões de crédito menos um. Fique com apenas um cartão de crédito para quando se desloca ao estrangeiro ou para fazer compras pela Internet. Mas opte pelo pagamento sem recurso ao crédito. 5. Fique apenas com um telemóvel. Deite fora ou ofereça os outros. O mesmo para os portáteis e restantes gadgets tecnológicos.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

6. Se trabalha a menos de 30 minutos a pé da sua escola, deixe o carro na garagem. Se vive só e trabalha perto da escola, já pensou na possibilidade de vender o seu carro? Não precisaria de fazer revisões, inspecções, pagar o imposto de circulação nem perder tempo em filas para meter gasolina. Os 30 mil euros do preço do carro dariam para dezenas de viagens de sonho de avião. 7. Coma menos. O excesso de calorias faz mal à saúde. O estômago habitua-se a muita e a pouca comida. Opte por comer pouco de cada vez. O truque é parar de comer antes de ter a sensação de barriga cheia. Comer pouco faz bem à saúde e à carteira. 8. Certifique-se de que tem todas as luzes apagadas com excepção da sala onde está a trabalhar, a ler ou a conversar.

Como responder à crise e educar os filhos…

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9. Fique apenas com um televisor em casa. Ofereça os outros. Tenha-o o desligado quando não estiver interessado em ver televisão. 10. Opte por tomar banhos diários rápidos. Três minutos no duche são suficientes. Fiz isso e passei a comprar apenas duas garrafas de gás de 45 quilos por ano. Notícias diárias de educação.

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Como motivar os professores?

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O pior legado da governação socialista na área da educação foi a desmotivação dos professores. Nunca como agora se viu os professores tão descrentes e desmotivados.
A actual equipa que lidera o Ministério da Educação tem consciência do facto e quer inverter o processo porque sabe que existe uma relação entre motivação e desempenho profissional. O novo estatuto da carreira docente - que será aprovado em Março, na sequência de um processo negocial com os sindicatos - tem como objectivo criar condições para travar a desmotivação dos professores. Poucos duvidam que o novo estatuto da carreira docente cria condições mais favoráveis à pro-

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gressão na carreira. Termina com a divisão da carreira em duas categorias e elimina os principais bloqueios à progressão. Os directores das escolas têm um papel a desempenhar no processo motivacional dos docentes. Foi a pensar neles que elaborei o powerpoint Estratégias para motivar professores. Notícias diárias de educação.

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Andy Hargreaves: Os professores perdem a fé nos governos, agarram-se a qualquer
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oportunidade para se aposentarem e dizem aos filhos para não seguirem o exemplo
Andy Hargreaves é um prestigiado investigador educacional. A equipa que dirige o ME faria bem em ler com atenção as conclusões a que ele chega no livro Education in the Knowledge Society. Disponibilizo o link para as quase 300 páginas do livro. Helena

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Damião, editora do blogue De Rerum Natura, destaca as frases seguintes:
Os professores cujas vidas profissionais estão sujeitas a um exame excessivo queixam-se da erosão da autonomia, de criatividade perdida, flexibilidade restrita e reduzida capacidade de exercerem o seu julgamento profissional. Baixam as cabeças, avançam sozinhos e afastam-se do trabalho com os colegas. A reforma imposta pode originar picos de trabalho em equipa, sob pressão, mas o mero peso das exigências significa que isto em breve se dissipa, mal a tensão diminui. A comunidade profissional soçobra, o tempo de reflexão esvai-se e o amor de aprender desaparece. Os professores perdem a fé nos governos, agarram-se a qualquer oportunidade para se aposentarem e chegam a dizer aos filhos que não sigam o exemplo.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Na nossa amostra de 480 escolas secundárias de Ontário, embora só 28% dos professores tivessem mais de 50 anos, 73% do total da amostra afirmaram que os efeitos da reforma por decreto os tinha levado a pedir a aposentação antecipada. Não eram só os professores mais velhos que estavam a ficar cansados, cínicos e resistentes à mudança. Tantos os professores jovens como os mais velhos da nossa sondagem declararam também a sua triste intenção de abandonar a profissão.” O livro completo Teaching in the Knowledge Society. Para saber mais Andy Hargreaves Website Livros de Hargreaves em Português Teaching in a Learning Society-paper de 14 pp. Notícias diárias de educação.

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Vitorino Magalhães Godinho faz a apologia do uso da

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memória, esforço e do método da exposição
Vitorino Magalhães Godinho é um dos nossos maiores historiadores. Um intelectual da mais alta craveira. Horrorizado com o actual estado do ensino, Vitorino M. Godinho faz a crítica das pedagogias românticas centradas no aluno:
No Secundário e até no Básico instalou-se o mito da criatividade. Acha-se que a débil atenção dos alunos não suporta a exposição feita pelo professor, e que aliás não estão na escola

Vitorino Magalhães Godinho faz a apologia…

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para aprender mas sim para realizarem as suas capacidades criativas. Dispensou-se a memorização da tabuada ou das regras da gramática, como das datas mais importantes da história de Portugal. E de modo geral receia-se que recorrer à memória afecte os frágeis cérebros infantis ou juvenis. Ora memorizar não é acto mecânico e resposta cega a uma dificuldade; é acto de inteligência, requer arte no seu manejo, selecção do que se memoriza; um software (mental) bem organizado é que permite um trabalho intelectual eficaz. Não se confunda com a prática antiga de aprender de cor numerosos conhecimentos para depois os debitar a fim de mostrar que se sabe.” Fonte: Blogue De Rerum Natura À atenção dos responsáveis pelo ministério da Educação: por favor, oiçam os nossos maiores! Notícias diárias de educação.

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A minha revisão curricular do 3º CEB

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Há uma pedagogia apropriada para a infância e outra para a adolescência. Não se trata de dizer que uma é melhor do que a outra. É bom que sejam diferentes: dirigem-se a públicos diversos. Apesar de Jean Piaget ter mostrado, há mais de meio século, que os alunos passam por diferentes estádios de desenvolvimento, ainda há quem teime em pensar que aquilo que é bom para as crianças também é bom para os jovens. A pedagogia centrada no aluno e com o recurso privilegiado a estratégias lúdicas é adequada para as primeiras idades. Deixa de ser quando aplicada a adolescentes. É errada a generalização que, por vezes, se faz

A minha revisão curricular do 3º CEB

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das pedagogias lúdicas e da descoberta. As crianças aprendem através do jogo, da brincadeira e de actividades de descoberta orientada. O uso da memória no ensino das primeiras idades deve ser feito sem exageros. O caso muda de figura quando os alunos chegam ao 3º CEB e ao ensino secundário. A aplicação a esses níveis das pedagogias e das didácticas apropriadas para a infância é factor de imbecilização. À medida que o aluno avança nos níveis de ensino é preciso ir passando das transversalidades para as disciplinas e da pedagogia lúdica para a pedagogia do

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esforço. No pré-escolar e nos dois primeiros ciclos do ensino básico, é apropriada a ênfase num ensino centrado no aluno. A partir do 7º ano de escolaridade, essa ênfase deve dar progressivamente lugar a um ensino centrado nos conteúdos. Na infância, a criança é rei. Na adolescência, o conteúdo é rei. Quem não percebe isto, não entende nada de Pedagogia. O ensino centrado nos conteúdos não é sinónimo de ensino centrado no professor. É apenas a constatação de que o aluno deve passar cada vez mais tempo a

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estudar os manuais escolares e outras fontes de conhecimento estruturado em disciplinas. Do professor generalista, próprio do ensino nas primeiras idades, passa-se gradualmente ao professor especializado num ou em duas disciplinas. Assim tem de ser porque o conhecimento cada vez mais especializado exige professores especializados num determinado ramo do conhecimento. É por tudo isto que discordo da ideia de aumentar os espaços curriculares transversais no 3º CEB. Do meu ponto de vista, a revisão curricular do 3º CEB precisa apenas de um ligeiro acerto: abolição das áreas

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curriculares não disciplinares e regresso às aulas de 50 minutos. Foi um disparate pedagógico a aprovação das aulas de 90 minutos. As aulas de 90 minutos geram indisciplina e cansaço intelectual.Para saber mais Os meus powerpoints de Pedagogia
Notícias diárias de educação.

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Hoje é dia de negociações sobre cargas horárias e

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organização do trabalho docente
De manhã, é recebida a Fne. De tarde, é a vez da Fenprof. Num cenário de profunda crise que pode conduzir à queda do Governo, continuam hoje as negociações entre Alexandre Ventura e os sindicatos.A Fne e a Fenprof levam propostas de reorganização do trabalho docente e de redução do trabalho burocrático.

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E justificam as propostas com dados que mostram que os professores portugueses são os que mais aulas leccionam por ano na OCDE e na UE: entre 684 a 855 aulas, segundo o Relatório da OCDE, Education at a Glance, 2009. Os professores passam 1261 horas na escola, mais do que em qualquer outro país da UE.As cargas horárias excessivas dos professores portugueses são fruto da predominância do eduquês nas estruturas dirigentes do ME. Esse predomínio, alimentado pela retórica da escola inclusiva e pela ideia de que a escola e os professores podem cumprir cada vez mais papéis e funções de apoio social, de

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guarda e de substituição do papel dos pais, tem conduzido ao estreitamento do tempo dedicado à preparação de aulas, construção de materiais didácticos e formação contínua. A desconfiança nos professores levou as autoridades escolares - DRE e directores - a exigirem prova escrita de tudo o que os professores fazem. A paranóia da prestação de contas de tipo burocrático exige justificações escritas para todas as deliberações e tomadas de decisão dos professores. O que é preciso fazer? Simplificar os procedimentos, aligeirar os processo de prestação de contas, confiar nos professores e dar-

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lhes autoridade em matéria disciplinar e em questões de avaliação dos alunos. E a prestação de contas, onde fica e como se faz? Só existe uma forma séria e não burocrática de prestação de contas: exames nacionais a todas as disciplinas no final de todos os ciclos de estudo.
Notícias diárias de educação.

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Equipas educativas? Para aumentar os espaços de transversalidade? Não,
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obrigado. Para desenvolver actividades e materiais didácticos ao serviço das disciplinas? Sim
Tenho por João Formosinho estima e consideração enquanto pessoa, professor e pedagogo. Mas raramente concordo com ele no que se refere a políticas

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educativas e organização pedagógica da escola e do currículo.
Repare no que ele diz sobre a resistência dos professores a uma certa inovação e mudança educativa que pretende trocar o currículo organizado em disciplinas por um currículo centrado em projectos e em grandes áreas transversais: As dificuldades para introduzir uma inovação como a organização das Equipas Educativas advêm, em primeiro lugar, da socialização dos professores na organização tradicional do ensino, com compartimentação disciplinar e especialização docente por áreas do saber, que configura a pedagogia oficial do sistema escolar. Fonte: João Formosinho e Joaquim Machado (2009). Equipas educativas - Para uma Nova Organização da Escola, Porto: Porto Editora, p. 63.

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João Formosinho erra quando diz que o currículo organizado por disciplinas é uma imposição da pedagogia oficial. O que se verifica de há uma dezena de anos para cá é um discurso oficial de combate à especialização das áreas do saber e, concomitantemente, ao currículo centrado em disciplinas. Tal discurso justifica-se quando aplicado no pré-escolar e 1º CEB. Não se compreende quando dirigido para o 3º CEB e ensino secundário. Formosinho erra ao meter todos os ciclos de ensino no mesmo saco. As transversalidades e o currículo centrado em projectos justifica-se no pré-escolar e no 1º CEB. É um tremendo erro pedagógico no 3º CEB e no ensino secundário. À medida que se avança no Conhecimento, caminha-se para a especialização e aprofundamento. Esse aprofundamento é

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incompatível com generalidades transdisciplinares e transversais. Concordo com João Formosinho: os professores têm de aprender a trabalhar em equipa. O trabalho colaborativo dos professores pode melhorar a qualidade do ensino se se dirigir para o desenvolvimento de actividades e criação de materiais didácticos postos ao serviço das disciplinas. Notícias diárias de educação.

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Ainda o debate sobre autonomia das escolas e o que é que isso quer dizer
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

A propósito das declarações de Medina Carreira “eu sou contra a autonomia das escolas porque agravam a bandalheira”, o JAS elaborou o seguinte texto que me parece um bom contributo para o debate sobre a autonomia das escolas:Penso que as escolas podem ter alguma autonomia. No entanto, defendo que, dada a pequena dimensão do país, não se justifica a existência de uma estrutura ainda pesada e, acima de tudo, burocrática, onde todos opinam, mas poucos assumem responsabilidades de decisão!
Neste cenário, não faz sentido a existência de equipas de apoio às escolas, pois não têm poder decisório, parecendo apenas mais um patamar na estrutura hierárquica, com as con-

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sequentes implicações, quer ao nível dos gastos públicos, quer ao nível da demora na resolução de problemas, normalmente apresentados às DRE’s. Configuro estas equipas como grupos multidisciplinares com capacidade para, em função dos resultados das avaliações internas e externas, se deslocarem às escolas e, conjuntamente com estas, colaborem na procura de soluções para os problemas com que se deparam, sejam estes de natureza pedagógico, administrativa, financeira… Considero, também, que, actualmente, a existência das DRE’s deve ser equacionada. Se analisarmos bem, viram-se desprovidas de algumas competências, como por exemplo, na área de colocação de professores! As orientações vêm, regra geral, das estruturas do ME, sendo as DRE’s meros veículos de comunicação, hoje em dia dispensável! Quando confrontadas

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

com problemas, remetem-nos, regra geral, para as estruturas superiores! Neste sentido, talvez algumas das competências pudessem ser transferidas para as escolas, passando estas a contactar directamente com a estrutura central. Evitavam-se, assim, situações de discrepância na interpretação e na aplicação de algumas medidas, como se verifica, por vezes, entre as DRE’s! Claro que discordo da actual tendência de transferir competências para as autarquias! Esse será, na minha perspectiva, um retrocesso que vai ampliar as desigualdades, contribuir para o aumento das assimetrias!JASNotícias diárias de educação.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

❋ Google Buzz… (seroundtable.com) ❋ Google.com/Buzz - GMail Goes Fully Social (killerstartups.com) Notícias diárias de educação.

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A minha revisão curricular do ensino básico

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Não conheço a equipa que está a trabalhar na proposta de revisão curricular. Receio que, se for constituída pelos do costume, saia coisa pior do que aquela que existe. A história recente mostrou que é perigoso entregar as reformas curriculares a especialistas em Educação. O que aconteceu nos tempos mais recentes foi que, por cada nova revisão curricular, se deu um reforço das áreas curriculares não disciplinares e o aumento das tarefas burocráticas dos docentes em nome da retórica da escola inclusiva e do direito ao sucesso escolar para todos.

A minha revisão curricular do ensino básico…

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Gostaria de ver a comissão de revisão curricular do 3º CEB formada por especialistas nos diversos ramos do saber em vez de constituída por especialistas em generalidades ou até mesmo em coisa nenhuma. Fazer uma reforma curricular em 9 meses é andar demasiado depresa, embora seja de saudar o respeito por uma fase de experimentação antes da generalização. Duvido que a comissão de revisão curricular do 3º CEB proponha a eliminação das inutilidades curriculares que dão pelos nomes de formação cívica, estudo acompanhado e área de projecto. Mas se a proposta

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

for no sentido da abolição destas três inutilidades, eu bato palmas. E eu acrescentaria duas medidas complementares: exames a todas as disciplinas no final de cada ciclo de estudos e ensino profissional a sério a partir do 7º ano de escolaridade. Receio que a revisão curricular que aí vem traga mais transversalidades e menos conteúdos em nome de uma falaciosa pedagogia das competências. E já agora, a comissão podia aproveitar por aconselhar uma alteração à Lei de Bases do Sistema Educativo: criação de apenas dois ciclos de estudo: o

A minha revisão curricular do ensino básico…

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ciclo básico de seis anos e o ciclo secundário de seis anos. O ciclo secundário teria duas vias: a via liceal e a via profissional. A segunda via seria orientada para o exercício de uma profissão e daria um perfil de saída para prosseguimento de estudos nos Institutos Politécnicos. Mas isto seria pedir de mais. Há 30 anos que o país ruma em sentido contrário sob pressão da ideologia pedagógica igualitária. Mas a realidade acaba por se impor: não é por exigirmos ser todos iguais que deixamos de ser diferentes.Notícias diárias de educação.

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Educação sexual na escola: a panaceia para os problemas do país

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Andam por aí muitos sex militants inquietos por haver escolas que não querem pôr em prática a Lei 60/2009 enquanto o ME não aprovar os conteúdos programáticos e der formação aos professores. Os sex militants lamentam que os professores tenham receio de avançar com a temática.
Sinal dos tempos. Numa altura em que o Estado corre o risco de não conseguir cumprir os seus compromissos perante os credores e ameaça jornais e jornalistas, a preocupação dos sex militants é - como não podia deixar de ser, dada a sua natureza - o sexo. Ontem, uniram-se no Parlamento e aprovaram a lei do casamento entre as pessoas do mesmo sexo. Mandaram às urtigas uma petição com mais de 70 mil assinaturas a exigir referendo.

Educação sexual na escola: a panaceia…

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Hoje, exigem que as escolas e os professores comecem a fazer educação sexual nas escolas ainda antes de a Lei 60/2009 ser regulamentada. O País está assim: viciado em dívidas, subsídios e sexo. Um país que não vai longe. E o principal culpado não é Sócrates. São os portugueses. Ensandeceram. Para saber mais Falta formação em educação sexual Notícias diárias de educação.

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Está à espera de quê? Faça alguma coisa pela defesa da liberdade de

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

expressão: compre o Sol
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Já foi divulgado o projecto de alteração ao estatuto da carreira docente
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Já foi divulgado o Projecto de Alteração ao Estatuto da Carreira Docente. Leia aqui o documento apresentado pelo secretário de estado adjunto e da educação aos sindicatos. Mais longo, tenciono analisar o documento.
Notícias diárias de educação.

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Ode à imbecilidade: Camões no 10º ano

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

A abordagem da lírica de Camões no 10º ano revela de modo paradigmático como o poeta e os estudos literários são (mal)tratados nos actuais programas de Português do Ensino Secundário. À luz de uma pretensa inovação, o autor quinhentista, inserido no conteúdo “Textos de carácter autobiográfico”, surge integrado em tipologias textuais díspares e distantes da vertente literária, como a seguinte: “Relação entre o ‘escrevente’ e o seu destinatário (da carta funcional à carta intimista)”. Ora, esta confusão metodológica – como se observa, reduzida a chavões resultantes, em grande medida,

Ode à imbecilidade: Camões no 10º ano

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da arbitrariedade dos autores dos programas – não potencia estratégias pedagógicas adequadas no ensino da lírica camoniana, além de configurar discutíveis pontos de interpretação: depois da alusão a “Aspectos gerais da poesia de Camões”, surge o surpreendente item “Reflexão do eu lírico sobre a sua própria vida”. De facto, restringir os textos a uma leitura biográfica, para mais quando a vida do autor de “Os Lusíadas” levanta problemas insolúveis, é uma matéria falaciosa e errónea, que relembra os anacrónicos modelos positivistas de análise que estiveram em voga há um século…

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Este rumo traduz a diminuta importância que os autores nacionais, sobretudo os clássicos, vêm assumindo nos programas de Português. Apesar da sua presença ter progressivamente vindo a diminuir no cânone escolar, Camões possui (ainda!) alguma visibilidade. No entanto, similar fortuna não mereceram Fernão Lopes,Sá de Miranda et alii, visto que pura e simplesmente foram abolidos dos actuais conteúdos programáticos. Assim, a análise do texto literário, na sua dimensão estética, linguística e patrimonial, parece-me ser um crucial núcleo estruturante de aprendizagem e

Ode à imbecilidade: Camões no 10º ano

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quanto mais a sua presença for arredada dos programas, mais pobre será o ensino do Português. Os escritores nacionais devem, pois, ter o lugar que lhes compete por direito próprio na história literária e cultural, pelo que urge criar políticas educativas mais pensadas e assentes em princípios de rigor, para que nas escolas não se vislumbre uma “apagada e vil tristeza” lapidarmente cantada por Camões. Afonso de AlbuquerqueNotícias diárias de educação.

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Projecto de alteração ao ECD não traz novidades em relação

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ao que foi acordado com os sindicatos
O ME divulgou hoje o Projecto de Alteração ao Estatuto da Carreira Docente. Agradeço ao Arlindovsky, editor do blogue ArLindo, o acesso ao documento do ME sem as restrições de publicação.
Fiz uma leitura rápida do documento. Confesso que a paciência para continuar a dedicar tempo ao ECD se esgotou. A leitura que eu faço do documento do ME leva-me a concluir que é fiel ao Acordo de Princípios. Não é um bom ECD

Projecto de alteração ao ECD não traz…

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mas é mais favorável para os professores do que o ECD actualmente em vigor. Há constrangimentos na progressão aos 5º e 7º escalões mas há a garantia de que todos os docentes com dois EXC ou um EXC e um MB transitam para o escalão seguinte sem se sujeitarem a vagas. Quem ficar bloqueado, tem direito a bonificação por cada ano parado. À progressão aos 5.º e 7.º escalões sem dependência de vagas, aos docentes que obtenham duas menções qualitativas consecutivas de Excelente ou, independentemente da ordem, mas também de forma consecutiva, uma menção qualitativa de Excelente e uma menção qualitativa de Muito Bom; b) À bonificação de um ano para progressão na carreira, a usufruir no escalão seguinte, aos docentes que obtenham, independentemente da ordem, duas menções qualitativas consecutivas de

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Excelente e Muito Bom; c) À bonificação de seis meses para progressão na carreira, a usufruir no escalão seguinte, aos docentes que obtenham duas menções qualitativas consecutivas de Muito Bom. Actualização do post no dia 13/2/2010: A Jane e o Miguel Pinto chamaram-me a atenção para algumas discrepâncias entre o texto do Acordo de Princípios e o Projecto de Alteração aos ECD. O ME, alertado para o lapso já admitiu os erros. Deixo os colegas com o reparo feito pelo Miguel, editor do blogue OutroOlhar: Mas atenção a dois “pormaiores” a que faço referência no meu cantinho: cadê o factor de compensação? e… cadê vê lá esta redacção do acordo de princípios e descobre as diferenças: “Aos docentes a quem, na avaliação imediatamente anterior à progressão, sejam atribuídas as menções de Muito

Projecto de alteração ao ECD não traz…

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Bom ou de Excelente não é aplicável o sistema de vagas, progredindo independentemente de qualquer contingentação.” É que ter dois MB’s ou 1MB e 1 EXC não é bem a mesma coisa. Notícias diárias de educação.

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O papel dos grandes livros na educação do carácter

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

É lamentável que se assista ao saneamento dos grandes livros dos curricula do ensino secundário e do ensino superior. A cultura erudita e os clássicos são sacrificados no altar do utilitarismo e da perigosa ideia de que só merece ser ensinado aquilo que tem utilização prática imediata.
Fernão Lopes, Gil Vicente, Camões, Sá de Miranda, Padre António Vieira e Camilo Castelo Branco quase desapareceram dos programas de Língua Portuguesa. No ensino superior, a bolonhização expurgou dos curricula a leitura integral de grandes obras. Os clássicos são sacrificados no altar da ideologia das competências e das aprendizagens significativas. A leitura das Grandes Obras não é apenas necessária para garantir um sólida cultura geral e um bom desempenho na

O papel dos grandes livros na educação…

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escrita. É fundamental na educação do carácter das novas gerações. A leitura integral dos Grandes Livros permite-nos entrar numa conversação com os grandes autores. É como se, de repente, pudéssemos ter como professores todos os clássicos. Já imaginou que ler a obra “Política” é como ter Aristóteles como professor? E que ler Camões é conversar com ele? Para saber mais Mortimer Adler Great Books Os Grandes livros no currículo Notícias diárias de educação.

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O Google é a minha ferramenta de criação e distribuição de

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

conteúdos digitais. Veja como
Fiz do Google a minha ferramenta de criação e distribuição de conteúdos digitais. Tenho no Gmail a integração com o Google Buzz, Twitter e Facebook. Posso tuitar, feicebucar e buzzar sem sair do Gmail. No Google Reader tenho os feeds dos blogues e websites que eu visito diariamente. É do Google Reader que eu envio os melhores conteúdos digitais

O Google é a minha ferramenta de criação…

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do dia - meus e dos blogues que eu sigo - para as redes sociais: Twitter, Facebook, Delicious e Buzz. É no Blogger - propriedade da Google - que tenho os meus 3 blogues: ProfBlog, ramiromarques e BaseDadosRamiro. Tenho os botões de partilha no Facebook, Twitter e Buzz nos posts dos meus blogues. Ao clicar em cima dos botões, envio os posts para as redes sociais. É no Google Sites que eu tenho o meu website de educação: ramirodotcom. É no Google Docs que eu construo e partilho os materiais didácticos: powerpoints e documentos em

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Word. São a minha ferramenta colaborativa de criação de documentos. Graças ao Google Docs não preciso de guardar documentos no disco do computador ou na pen. Visite o meu Perfil no Google e siga o meu rasto na Internet. Tenha acesso a todos os meus conteúdos.
❋ ❋ ❋ ❋ ❋ ❋ ❋ ❋ ProfBlog ramiromarques basedadosramiro.com Ramiro no Friendfeed Ramiro no Twitter ramiromarques no Facebook Facebook Picasa Web Albums - marques.ramiro

O Google é a minha ferramenta de criação…

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❋ Flickr - ramiromarques Notícias diárias de educação.

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Ser professor de Matemática no reino do eduquês. Um testemunho
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É um testemunho vibrante sobre o que é ser professor do 3º CEB e do ensino secundário no reino eduquês. Tudo o que João Torgal relata é realidade cristalina. Leiam,por favor, o texto que João Torgal publicou no blogue A Mesa do café e digam se não se identificam com quase tudo o que ele diz.
Andámos quase trinta anos a dar pancada no ensino directivo, nos métodos expositivos, nos exames e no uso da memória no processo de aprendizagem. A memória, palavra proibida, deu lugar à aprendizagem significativa. O esforço, palavra proibida, foi substituído por actividades lúdicas. O aluno deu lugar ao aprendente. Os conteúdos passaram a chamar-se competências. E o resultado está à vista.

Ser professor de Matemática no reino do…

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A retórica do eduquês tomou conta da Inspecção Geral do Ensino e da DGIDC e todos os órgãos e intervenientes de controlo pedagógico estão contaminados por ela. Resultado: há palavras proibidas no léxico da Pedagogia. E as escolas e os professores têm de fingir que acreditam na retórica do eduquês, plasmando-a nos relatórios de prestação de contas. A consequência foi a generalização da mentira. Do faz-de-conta. Quanto mais uma escola interioriza a retórica do eduquês, maior é a probabilidade de obter menções de Muito Bom nas avaliações externas. E as menções de Muito Bom na avaliação externa dão quotas mais generosas de Excelente e de Muito Bom para os funcionários e os professores. E a mentira continua contaminando todos domínios da escola. Notícias diárias de educação.

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A LUA: um projecto da UA de apoio psicológico feito por pares
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A Linha da Universidade de Aveiro [LUA] é um serviço integrado de apoio psicológico aos alunos, envolvendo técnicos especializados e estudantes voluntários que recebem formação específica ( peer counselling ).
O conceito foi desenvolvido a partir da tese de doutoramento de Anabela Pereira, professora da Universidade de Aveiro e coordenadora cientifica do projecto. Integra 3 formatos: LUA Nightline: linha telefónica nocturna, gratuita e confidencial, de apoio psicológico a alunos com problemas. O apoio é prestado por alunos que recebem formação específica, supervisionada por psicólogos e outros técnicos especializados na área;

A LUA: um projecto da UA de apoio psicológico…

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LUA no Second Life: serviço disponível através do ambiente virtual Second Life, integrado na presença da UA, o Second.UA. O apoio é prestado por alunos voluntários que recebem formação específica para o efeito. LUA Face-to-Face: serviço presencial de consultas prestado por psicólogos no setting terapêutico junto aos gabinetes médicos dos SASUA. Objectivos: Identificar problemáticas e responder às necessidades ao nível do apoio psicológico, clínico e social; Propor estratégias de intervenção e inovação; Apoiar os processos de transição, adaptação e integração na Universidade;

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Desenvolver novos instrumentos de diagnóstico e intervenção nos problemas dos alunos como estratégia de combate ao insucesso escolar; Promover a saúde e bem-estar dos alunos da Universidade de Aveiro. Para saber mais Síntese histórica da LUA Materiais Pedagógicos da LUA Notícias diárias de educação.

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Em defesa os exames como instrumentos de promoção do estudo, esforço e resiliência
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Os sistemas educativos frouxos e débeis da UE estão a criar adolescentes caprichosos e fracos. Vejam o exemplo de Israel onde existe um sistema educativo que cultiva a resistência, a coragem e o gosto pelo esforço. Todos os jovens, rapazes e raparigas, interrompem os estudos, dos 20 aos 23 anos, para prestarem serviço militar obrigatório, na linha da frente. A propósito, a economia de Israel cresceu 4,5% nos últimos 6 meses de 2009. A taxa de desemprego é muito baixa. A toxicodependência juvenil é rara.
Se calhar é por isso que a maior parte dos prémios Nobel de Ciência são ganhos por cientistas judeus.

Em defesa os exames como instrumentos…

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Os estudantes asiáticos são os melhores do Mundo porque as escolas são exigentes e os habituam a estudar para os exames desde cedo. O respeito pela autoridade, nomeadamente os pais, os professores e os mais velhos em geral, explica também o elevado desempenho dos alunos da Coreia do Sul, Singapura, Japão e China. Quanto mais facilitarmos a vida às crianças e adolescentes, mais débeis, infelizes e tristes eles se tornam. O que está a conduzir a UE para a decadência económica e demográfica são os sistemas educativos débeis e uma educação em casa que desvia o esforço e as dificuldades do caminho das crianças. O gosto pelo trabalho, pelo esforço, a resistência às dificuldades (resiliência) e o apreço pela honra transmitem-se, em casa e na escola, graças a ambientes exigentes que cultivam um ethos do trabalho.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Tudo isso foi arredado dos lares e das escolas devido à hegemonia de pedagogias demasiado permissivas e frouxas. Pais e professores têm medo de contrariar as crianças e adolescentes. Os adultos receiam usar a autoridade. A introdução de exames nos 4º, 6º, 9º e 12ºanos teria duas vantagens: reforçava a autoridade do professor, dificultava a construção fraudulenta do sucesso escolar e ajudaria a restaurar um ethos de exigência e trabalho nas escolas. Notícias diárias de educação.

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Ampliando o debate sobre os exames nacionais

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Quando publiquei os posts em defesa dos exames nacionais, o meu objectivo foi promover o debate em torno de uma questão que divide professores, pedagogos e políticos. Os críticos dos exames nacionais argumentam: Exames para quê, se os alunos são sujeitos, ao longo do ano, a múltiplas avaliações? Focar a avaliação dos alunos nos exames é desconfiar da capacidade dos professores para os avaliar. O regresso dos exames nacionais irá aumentar a burocracia nas escolas no final do ano. Os exames traumatizam os alunos mais

Ampliando o debate sobre os exames nacionais…

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fracos e promovem a selecção social em meio escolar. Os adeptos dos exames argumentam: Os exames nacionais a todas as áreas curriculares no final de todos os ciclos de ensino permitem pôr termo à justificação das múltiplas prestações de contas da escola a diversas estruturas: conselho geral, pais, IGE, DRE e DGRHE. Os exames nacionais provocam um aumento do tempo dedicado ao estudo por efeito da preparação para os exames. Os exames dão resistência e promovem a resiliência. Os exames preparam os alunos para aquilo que a vida lhes res-

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

erva: trabalho, esforço, concentração, sacrifício e resistência. Os exames permitem avaliar com seriedade e rigor o sistema de ensino e as escolas, desde que sejam introduzidos factores de ponderação que tenham em conta o peso da variável económica, social e cultural. Ninguém defende - muito menos eu - que a nota dos exames tenha um peso de 100% na atribuição da classificação final. Pode até ter apenas um peso de 30%. O ideal é ir aumentando peso da nota dos exames à medida que o aluno progride de ciclo de

Ampliando o debate sobre os exames nacionais…

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estudos: 30% no 4º ano, 50% no 9º ano e 70% no 12º ano. É possível até um sistema misto: exames apenas obrigatórios nos 9º e 12º anos e com carácter optativo nos 4º e 6º anos. Mas quem se recusasse a fazer exames nacionais no 6º ano ficaria impedido de seguir a via liceal, sendo obrigado a ingressar num curso profissional. A defesa que faço dos exames nacionais cruza-se com a recuperação das duas vias de ensino - técnico e liceal - à saída do 2º CEB.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

O acesso à via liceal seria garantido apenas aos alunos com aproveitamento nos exames nacionais. Os que não tivessem aproveitamento nos exames nacionais seriam encaminhados para cursos profissionais que dariam acesso, no final do 12º ano, aos Institutos Politécnicos, sob a forma de cursos de especialização tecnológica e de licenciaturas de banda estreita e com forte componente profissional. Os alunos encaminhados para os cursos profissionais estariam sempre a tempo de mudarem para a via liceal - que daria acesso às universidades - desde que se submetessem a exames nacionais no 9º ano e obti-

Ampliando o debate sobre os exames nacionais…

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vessem aproveitamento. Por outro lado, os alunos que frequentam os cursos dos Institutos Politécnicos poderiam ingressar nos cursos universitários, com garantias de creditação da formação certificada anterior, para efeitos de frequência de mestrados e doutoramentos.Notícias diárias de educação.

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Fenprof apresenta, na quinta-feira, proposta para alterar modelo de gestão escolar
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

A Fenprof divulga, na quinta-feira, pelas 11 horas, na sede nacional, Rua Fialho Almeida, propostas para alteração do modelo de gestão escolar.
A Fenprof pretende trazer para a agenda negocial o regime de gestão, administração e autonomia das escolas. As críticas sobre o actual modelo - imposto pelo decreto-lei 75/2008 incidem sobre o carácter não electivo dos coordenadores de departamentos, composição do conselho pedagógico, forma de eleição do director e composição do conselho geral. Para saber mais Decreto-lei 75/2008 Documentos de trabalho sobre gestão escolar Tomada de posição a aprovar nas escolas sobre o modelo de gestão escolar

Fenprof apresenta, na quinta-feira, proposta…

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Uniforme escolar? Porque Não? Os benefícios e as desvantagens
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Portugal é um dos poucos países europeus onde é raro ver alunos a entrar e a sair da escola envergando uniformes escolares. Essa raridade deve-se ao facto de cerca de 70% dos nossos alunos frequentarem escolas públicas - ao contrário de Espanha, por exemplo, onde a maioria doa alunos frequenta escolas privadas - , e as escolas estatais terem abolido o uso do uniforme há muitas décadas.No Reino Unido e na Suiça é norma. No Japão e na Coreia do Sul também. Em quase todos os países asiáticos é obrigatório o uso de uniforme escolar. Nos Palop também. E no Brasil. Portugal é o único país de

Uniforme escolar? Porque Não? Os benefícios…

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Língua Portuguesa onde não é obrigatório o uso de uniforme nas escolas públicas. Não só não é obrigatório como nem sequer é tolerado. Não conheço uma única escola pública que tenha aprovado o uso do uniforme escolar no regulamento interno.Há vantagens e desvantagens no uso do uniforme escolar.As vantagens:
A primeira razão e, mais óbvia, é por questão de segurança dos alunos,especialmente, as crianças da primeira infância, quando estão fora da escola. No contexto de tanta violência contra o menor, especialmente crimes de pedofilia e estupros, o uniforme é inibidor para os inescrupulosos.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

A segunda razão para o uso obrigatório do uniforme escolar refere-se à segurança dos alunos dentro da escola. O uso do uniforme escolar no interior das escolas evita que gangues rivais, em geral, de bairros contra bairros, ou mesmo cidades contra cidades, infiltrem-se, sem farda, na escola, e cometam atos de violência ou barbárie contra crianças e jovens indefesos. A terceira diz respeito à identidade estudantil. Todos os cidadãos poderão, diante de alunos fardados, identificar suas escolas. Quando em situação de “gazear“ ou “matar“ aulas, as rondas escolares, através dos agentes da guarda municipal, ou mesmo populares, podem fazer a denúncia à direção das escolas ou aos conselhos tutelares e (re)encaminhar os “gazeadores“ à escola ou aos pais ou responsáveis. Fonte: Vooz As desvantagens:

Uniforme escolar? Porque Não? Os benefícios…

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Eu não consigo descortinar nenhuma. Mas há quem aponte algumas: impede as crianças e os jovens de exprimirem as suas diferenças de estilo e é uma violação da liberdade de expressão, se considerarmos que o vestuário é uma forma de expressão. Qual é a sua opinião? O uso obrigatório do uniforme escolar poderá contribuir para a melhoria do ambiente escolar e é um instrumento de promoção da segurança das crianças? Por que razão as associações de pais, sempre tão reivindicativas sobre tudo o que se passa na escola, não pedem o uso do uniforme escolar?Para saber mais Pordata - Percentagem de alunos no ensino particular Notícias diárias de educação.

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Ampliando o debate dos uniformes escolares. Que benefícios? Que
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

desvantagens? Um post da editora do Pérola de Cultura
Sempre que mando um aluno ao quadro e fico na iminência de ver as suas calças a cair ao chão a qualquer momento, penso em como seria bom um uniforme.
Para além das vantagens que referiste, há outras, que do meu ponto de vista são relevantes:

Ampliando o debate dos uniformes escolares…

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1: se for uma bata como as que se usavam antigamente nos liceus, a higiene e protecção das peças de roupa que se usam por baixo. fica mais salvaguardada. 2: um uniforme permitiria a criação de uma identidade de escola através (também) de uma linha de vestuário, especialmente desenhada, concebida e aprovada pela comunidade escolar, o que seria criativo e interessante do ponto vista estético. 3: o vestuário uniformizado acabaria de vez com as situações constrangedoras de alunos com calças a cair pelo rabo abaixo e as cuecas à mostra, as alunas com mais peito fora do soutien do que dentro dele a derramar a sua opulência em cima das mesas e os olhares para o que está debaixo daquelas minissaias que mais parecem cintos-de-ligas… o que, quer queiramos, quer não, distrai alunos e professores.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Referi-me a esses factores de distração no meu Blogue Pérola de Cultura - por alturas do Verão num post chamado DREADS E LOLITAS NO TEMPO QUENTE a propósito da proibição das minissais e decotes na Escola de Palmela noticiada no jornal Sol. Não haveria constrangimentos à liberdade e à diferença se isto for uma opção de escola debaixo de consenso e sem carácter obrigatório, como em outros países, em que a medida é imposta. Não sei se os pais estão para aí virados, pois tradicionalmente só em alguns estabelecimentos do ensino privado se usa uniforme e é mais uma despesa que não é irrelevante para certas famílias. Para saber mais Uniforme escolar?

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Debate sobre exames à saída dos ciclos: prós e econtras

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Ao longo desta semana, o ProfBlog promoveu um debate sobre vantagens e desvantagens dos exames à saída dos ciclos. Foi um debate bem participado. Surgiram comentários, alguns inflamados outros mais racionais. Há quem defenda e há quem deteste. É um tema que divide os professores.
Deixo os colegas com os links mais interessantes do debate. Argumentos contra os exames: Exames à medida da escola taylorista - Via Outro Olhar Exames: arquivo de ideias simples - Via Correntes Exames em fim de ciclo - Via Reflexões Argumentos a favor dos exames: Ampliando o debate sobre os exames nacionais - Via ProfBlog

Debate sobre exames à saída dos ciclos…

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Em defesa dos exames - Via ProfBlog Notícias diárias de educação.

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Com este Estatuto do Aluno é impossível combater o bullying

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

A SIC voltou esta noite a divulgar o caso da aluna do Montijo vítima de bullying. Não vou entrar em pormenores. O caso é conhecido: uma aluna que tem sido vítima de múltiplas agressões por outras colegas da escola. A situação arrasta-se desde Setembro de 2009 sem que a escola tenha meios para o resolver.
Patética a posição do director da escola: não resolve o problema e limita-se a desvalorizar. No ano passado, houve mais de 6 mil ocorrências tipificadas como bullying. O bullying alastra no país. Os agressores ficam quase sempre impunes. As vítimas ou mudam de escola quando os pais têm poder económico para isso - ou desistem de estudar.

Com este Estatuto do Aluno é impossível…

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Os pais dos agressores colocam-se, regra geral, a favor dos filhos, desvalorizando as agressões e encobrindo os actos. Professores e directores têm uma enorme dificuldade em reunir provas. Ninguém quer dar a cara. E quando os professores conseguem reunir provas ficam paralisados devido a um Estatuto do Aluno que protege os agressores e impede que se faça justiça. Notícias diárias de educação.

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Reforma curricular de fundo? Para quê? Mudar só pela vertigem da mudança?
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Com esta retórica, o ensino só pode piorar. Tivemos disto na última década e os resultados estão à vista: ninguém está satisfeito com o estado da Educação.
A participar no debate estará também o professor José Carlos Morgado para quem se impõe uma “reforma curricular de fundo”. “Mais importante que aprender os conhecimentos é importante que a criança aprenda a pensar. Mais importante que a criança aprenda os resultados de investigações é que aprenda a investigar”, afirmou à Lusa o professor do Instituto da Educação da Universidade do Minho. O professor explicou que o Ensino Básico é uma etapa “globalizante” pelo que deve “contribuir para o desenvolvimento da criança e do jovem na sua globalidade”. Fonte: Público de 27/2/2010

Reforma curricular de fundo? Para quê…

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Felizmente, o bom senso parece ter regressado à 5 de Outubro depois de cinco anos a alimentar discursos de mudança só porque sim, sem fundamentação pedagógica que resista a um exame sério. A ministra da educação já fez saber que não vai introduzir mais uma reforma curricular no Ensino Básico. A equipa dirigida por João Formosinho está a fazer apenas ajustes no currículo. E faz bem. Mudar pela vertigem da mudança só pode piorar o ensino. Custa a acreditar que há ainda quem compre este lugar comum: “mais importante que aprender conhecimentos é importante que a criança aprenda a pensar”. José Morgado esquece que é impossível aprender a pensar sem, concomitantemente, aprender conhecimentos. Notícias diárias de educação.

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Só uma educação de qualidade favorece a ascensão social

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Há mais de uma década que os estudantes e as famílias andam a ser enganadas por políticas públicas de educação erradas. Os governantes dizem que mais anos de escolaridade garantem mais riqueza, melhores empregos e mais ascensão social. Isso não é verdade. Pelo menos para Portugal. A taxa de abandono escolar não cessa de diminuir e o desemprego de jovens adultos de aumentar.
Recentemente, mais um estudo de investigadores ligados à OCDE veio mostrar que a relação entre mais educação e melhor emprego não é directa. Se é certo que os pais licenciados têm mais probabilidades de terem filhos licenciados, deixou de estar garantido o acesso dos jovens licenciados a

Só uma educação de qualidade favorece…

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empregos bem pagos. A variável que mais pesa é a qualidade do Curso e da Universidade onde se estudou. Mais anos de escola não garantem necessariamente melhores empregos. Só uma aposta séria na qualidade da educação pode garantir mais igualdade de oportunidades. Mestrados em Medicina, Ciências da Saúde, Economia e Engenharia das Telecomunicações, obtidos em Universidades de prestígio, garantem empregos bem pagos. Cursos de Gestão, da área de Ciências Sociais e da área de Humanidades, obtidos em Universidades e Politécnicos pouco prestigiados, são passaporte para o desemprego de longa duração. O fosso entre os salários das pessoas com pai licenciado e aquelas cujo pai cumpriu o 9.o ano de escolaridade é mais alto em Portugal do que em qualquer outro país da Organização para a Cooperação Económica (OCDE), mostra um estudo

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

comparativo sobre mobilidade social publicado pela organização sediada em Paris. Apesar do crescimento económico nas últimas três décadas ter aberto novas oportunidades de ascensão social para milhares de portugueses, a mobilidade social relativa continua mais baixa do que noutros países desenvolvidos: Portugal é um dos países da OCDE onde a educação e o contexto económico dos pais mais influência tem no salário ganho pelos filhos. “Em todos os países cobertos pelos dados, um filho tem muito mais probabilidade de estar no quartil [25%] salarial mais alto se o pai tiver educação superior, comparado com um filho cujo pai tem apenas educação básica [abaixo do 9.o ano], particularmente em Portugal, no Luxemburgo e no Reino Unido”, aponta o estudo da autoria dos economistas Orsetta Causa e Asa Johansson (que serviu de base para o relatório publicado

Só uma educação de qualidade favorece…

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em Fevereiro pela OCDE). Ter um pai com educação superior sobe os salários dos filhos no mínimo 20%. O jogo social funciona também ao contrário: filhos de pais com menos do que o 9.o ano “tendem a ganhar consideravelmente menos”. Fonte: iOnline de 1/3/2010 Notícias diárias de educação.

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Quanto custam os alunos dos Cef e dos Efa?

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

O Ministério da Educação ainda não divulgou quanto custam os alunos dos Cef e dos Efa. Quem está nas escolas sabe que custam muitos mais do que os restantes alunos.
O Governo e a administração educativa estão a alocar os principais recursos a alunos que não aprendem. Pior: que não querem aprender e que impedem os outros de aprender. Para criar uma turma Cef ou Efa qualquer número de alunos serve. O Governo traça planos irrealistas e lança números para cima da opinião pública. À “boa” maneira leninista e estalinista, fazem-se planos quinquenais, lançam-se campanhas de lavagem ao cérebro aos directores das escolas e monta-se um sistema que dá prémios a quem cumprir os números.

Quanto custam os alunos dos Cef e dos…

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Nas reuniões da administração educativa com os directores só se dá importância ao número de turmas Cef e Efa. E quem criar mais turmas tem bonificações na avaliação de desempenho. É assim com a avaliação dos directores, subdirectores e adjuntos. Anda tudo a fabricar cursos profissionais, Efa e Cef. O que importam são os números. É um formidável faz-deconta. Se olharmos para a rácio professor/alunos nas turmas Cef e Efa ficamos com uma estimativa dos custos. Regra geral, as turmas Efa e Cef têm mais professores que alunos. Turmas Efa e Cef com 5 alunos e 10 professores são mais vulgares do que se julga. É um enorme desperdício de recursos. Em alguns casos, são turmas de formação de maus cidadãos.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Poderia valer a pena se houvesse aproveitamento real. Mas não há. Poderia justificar-se se houvesse assiduidade. Mas não há. Poderia entender-se se os alunos aprendessem a ser homens e mulheres sérios, esforçados e trabalhadores. Mas isso acontece raramente. Mais valia agarrar nos alunos Cef e Efa e colocá-los em turmas dos melhores colégios do País. Ficaria menos dispendioso ao Estado. Mas ainda que assim fosse, estou em crer que a maioria não aproveitaria. E eu sei porquê. Porque não querem. E enquanto não inventarem implantes neuronais de Matemática, Química, Física, História, Português, Biologia e Inglês, estou em crer que não vão aproveitar os recursos que o Estado coloca ao serviço deles. Que desperdício! Que injustiça para com os alunos que se esforçam e querem aprender!

Quanto custam os alunos dos Cef e dos…

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Notícias diárias de educação.

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Fundamentos do eduquês. Um texto antológico de Ana Metelo
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Nota prévia O texto que se segue não é sobre aspectos linguístico-formais do eduquês, mas sim sobre parte das suas raízes e fundamentos. Essa parte diz respeito à Psicologia e à Sociologia, lato sensu, consideradas no texto à luz da sua aldrabada massificação, que, não obstante a aldrabice, legitima muitos dos discursos sociais vigentes, incluindo o da educação.O próprio texto espelha, quem sabe, a distorção associada a tão precipitada massificação. —————————————————

Fundamentos do eduquês. Um texto antológico…

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Antipatizo com as chamadas ciências sociais e humanas, concretamente com a Psicologia e a Sociologia, com o seu cortejo de conceitos em cujo fino recorte semântico se emaranharam, se emaranham e continuarão a emaranhar-se centos de académicos franzinos, arregimentados e tristemente enfadonhos, porfiando sem cessar na busca de uma objectividade que renhidamente lhes resiste. Tais «ciências», sendo altamente produtivas e reprodutivas, estão já infestadas de rebentos (Psicologia de … , Sociologia de … , Psicossociologia de…), cada qual a escrutinar-nos até à exaustão, a recriar-

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

nos até ao absurdo e a roubar-nos a humanidade[i], à força de nela refocilar. Legislando, ora sobre os padrões de comportamento do indivíduo, ora sobre os padrões de comportamento das massas, são ferozmente normativas e atentatórias da liberdade, não deixando que ninguém lhes escape![ii] Conhecem-nos a fundo, prevêem todas as nossas reacções, têm-nos exaustivamente catalogados. Por isso raramente incluem nos seus sistemas de análise uma categoria X para significar Qualquer-Outra-Coisa-Que-Não-Tem-Nada-A-VerCom-Isto.

Fundamentos do eduquês. Um texto antológico…

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Começaram por conquistar a legitimidade «científica» através de curvas normais, desvios-padrão, percentis, níveis de significância; e agora até já podem oscilar metodologicamente, a seu bel-prazer, entre os rigores estatísticos e as lamechices intimistas, que nós só aguardamos, inquietos e inseguros, aquilo que elas ainda têm para doutrinar sobre nós próprios, enquanto indivíduos e enquanto massas. Tratando-se de «ciências» aplicadas, são muito solicitadas a vir a público: no nosso dia-a-dia, estamos constantemente a ver e/ou ouvir um compreensivo psicólogo ou um circunspecto sociólogo a

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

dar explicações cabais - com salpicos de inglês -, aparentemente distanciadas e aparentemente neutras, acerca dos complexos factos da vida. A doutrinar-nos, a moldar-nos, a ajudar-nos a compreender que nada é absoluto, é tudo relativo! O discurso dessa gente entranha-se na mente individual - e na das massas - provocando, qual melopeia, um apetite irrestistível por mais e mais[iii]! Tal arraigamento deve-se também, valha a verdade, ao esforçado afã com que jornalistas febris ecoam, às pressas e em simultâneo, os dizeres de psicólogos e sociólogos seus entrevistados e suas fontes.

Fundamentos do eduquês. Um texto antológico…

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É em grande parte devido à massificação da Psicologia e da Sociologia que o mundo se tornou num locus reverberante de sentenças normalizadas e mitigadoras de toda a estultícia.
Padronizados como estamos, vamos dissipando a faculdade de reconhecer o que é real, o que é justo, o que é sincero, o que é inteligível. Vamos malbaratando aquilo que é dote universal do Homem e que converge no que o filósofo Habermas designou como competência comunicativa. Por outras palavras, vai-se dissolvendo a nossa humanidade. ————————————————— Nota final O discurso psicologista/sociologista extasiou uma escola antiquada e rotineira que se lhe entregou, sem reflectir.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Afogou-se nas águas de um rio um aluno de doze anos, por vontade própria. Parece que vítima de bullying, dizem as notícias. E nós repetimos: vítima de bullying. O uso da palavra inglesa representa, já de si, uma alienação (a reflexão acerca dessa forma de alienação – e de sujeição – não cabe aqui). Segue-se a discussão acerca do bullying: qual a sua definição, quais as suas categorias, quais os contextos em que ocorre, qual a frequência das suas ocorrências, qual a relação entre género (ou classe social, ou idade, ou outras variáveis) e bullying, qual a correlação entre bullying e suicídio, quais as formas de lidar com o bullying… Etc, etc, e t c o e t e r a. Deixamos de sentir o horror necessário para nos sacudirmos e reagir.Ana Laura Metelo Valadares [i] No sentido de «singularidade».

Fundamentos do eduquês. Um texto antológico…

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[ii] Isto é, não permitindo, de facto, qualquer «reflexividade transformadora», passe a gongórica expressão. [iii] É sobretudo encantatório o discurso da Psicologia (das duas quiçá a mais perniciosa), com o seu princípio do bemestar emocional e os seus constantes alertas contra traumas e baixa auto-estima. Notícias diárias de educação.

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Da inutilidade da escolaridade obrigatória. O debate necessário para travar
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

a deterioração do ensino secundário nas escolas públicas
Os portugueses habituaram-se a decretar direitos, julgando que a simples publicação de um a lei ou normativo no Diário da República é suficiente para resolver os problemas do Mundo. Foi assim com a Lei 85/2009, que alarga a escolaridade obrigatória até aos 18 anos de idade. Uma Lei

Da inutilidade da escolaridade obrigatória…

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que vai estender os problemas do bullying, violência escolar, indisciplina, carga burocrática dos professores e construção fraudulenta do sucesso escolar ao ensino secundário. Há um debate a fazer sobre a relação custo/benefício do alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos de idade.Os planos de recuperação, os relatórios para justificar uma simples reprovação, os constrangimentos administrativos e institucionais ao combate à indisciplina e à violência escolar vão tornar a missão dos professores do ensino secundário simultaneamente perigosa e de uma complexidade

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

para a qual não dispõem nem de recursos nem de tempo. Ensinar vai tornar-se uma quase impossibilidade nas turmas com alunos que acumulam falhas de conhecimento e ausência de competências cognitivas e sociais. Adivinha-se o descalabro do ensino secundário público com a consequente fuga dos alunos da classe média que irão procurar refúgio, segurança e ambientes ordeiros e tranquilos nos colégios. As escolas secundárias públicas serão, nos próximos anos, vítimas de uma sangria de alunos como nunca

Da inutilidade da escolaridade obrigatória…

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visto na História de Portugal dos últimos cinquenta anos. Em vez de uma lei a garantir a escolaridade obrigatória até aos 18 anos, o nosso País precisa de um lei que diga apenas isto:
O Estado assegura o acesso livre, gratuito e universal a todos os portugueses, com mais de 5 anos de idade, que queiram estudar. A maior parte dos problemas que afectam a credibilidade e a eficácia das escolas públicas têm que ver com o facto de albergarem algumas crianças e adolescentes que não querem estudar. Sujeitar essas crianças e adolescentes à obrigatoriedade de frequentarem a escola até aos 18 anos - obrigando-as a fazerem um cosa que elas não querem nem gostam - é de um

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

violência simbólica digna de um Estado totalitário e traz imensos prejuízos para as crianças e adolescentes que querem, desejam e gostam de estudar.Post actualizado às 19:00 Notícias diárias de educação.

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O tempora! O mores! A propósito do bullying. Um post de José Cipriano Catarino
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Na televisão, a propósito do miúdo da escola de Mirandela que se terá afogado no Tua, uma mãe confirma: sim, há bullying na escola. E comprova. O seu próprio filho foi forçado a riscar um carro: —- Se não riscas aquele carro não és mais meu amigo.
Não a ouço falar de umas boas palmadas pedagógicas, nem sequer da conversa que se impunha: amigos daqueles, quanto mais longe melhor. Apenas parece pretender desculpabilizar o seu pequeno vândalo, culpando outro. Recuo no tempo, até à minha própria adolescência. Nem pensar em riscar carros, a propriedade era então sagrada, os pais tinham de pagar os estragos dos filhos, que depois os pagavam em casa com o corpo. Desresponsabilização por ter

O tempora! O mores! A propósito do bullying…

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sido aliciado? Duvido muito. Acreditava-se então no livre arbítrio, na consciência do Bem e do Mal, que, aliás, se incutia desde muito cedo. Comparando as nossas patifarias com as actuais, creio que nos portávamos bem; as transgressões, inevitáveis, eram pensadas, medidas, não raro evitadas por medo das consequências. E hoje? Sendo sempre a culpa dos outros – amigos, professores, escola – os jovens, não raro apelidados de crianças, mesmo que já tenham atingido a maioridade ou andem perto dela, são, na prática, inimputáveis. Podem, portanto, fazer o que lhes der na veneta porque, na pior das hipóteses, terão de varrer numa tarde as folhas do átrio da escola ou receber acompanhamento psicológico. José Cipriano CatarinoNotícias diárias de educação.

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Bullying: dicas para prevenir, combater e integrar

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

O professor Allan Beane, hoje reconhecido internacionalmente como especialista em prevenção e interrupção do bullying, buscou na traumática experiência familiar uma forma de compromisso para evitar que outras pessoas passem pelo que sofreu. Aos 23 anos, Curtis Beane, filho do autor, morreu vitima de consequências do bullying, após enfrentar muito sofrimento no convívio social, desde a infância. Allan Beane, Ph.D, passou então a orientar crianças, pais e professores a prevenirem-se das agressões que acontecem com frequência em grupos de crianças e adolescentes. “Como crianças podem ser tão cruéis?”

Bullying: dicas para prevenir, combater…

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foi a pergunta que Beane fez e que norteou o seu trabalho de prevenção do Bullying “Havia dentro de mim um clamor por respostas. Eu queria saber se podia impedir o desenvolvimento da crueldade, e queria detêla depois de já ter se desenvolvido.”
Proteja seu filho do bullying descreve as principais características apresentadas por crianças que sofrem maus-tratos e oferece dicas para ajudá-las a lidar com os agressores e a evitar os ataques. A palavra inglesa bully significa valentão, provocador. Hoje, o termo é usado para descrever os alunos violentos que implicam com os menores ou mais fracos. O bullying (acto de intimidar, oprimir) é um problema em escolas de todo o mundo, mas vai muito além da sala de aula: as agressões podem acontecer na vizinhança, ou mesmo em casa.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

“Um adulto negar ou ignorar a existência da agressão é a pior coisa que pode acontecer para as crianças, a escola, a comunidade. Quando os adultos se envolvem e mobilizam a energia de funcionários da escola, pais, representantes da comunidade e crianças, o bullying pode ser prevenido e interrompido.” O trata aborda diferentes formas de crueldade entre crianças, inclusive o ciberbullying, um problema crescente: uso de telemóveis, computadores e outros aparelhos electrónicos para maltratar outras crianças. Neste livro, Allan Beane, Ph.D., ensina os pais a identificar, impedir e prevenir o bullying, evitando assim as trágicas consequências que os maus-tratos podem trazer para a vida das crianças. O autor também esclarece a diferença entre um conflito comum e uma intimidação, além de explicar como ajudar a criança a denunciarem as agressões.

Bullying: dicas para prevenir, combater…

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Notícias diárias de educação.

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Propostas para melhorar a escola

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Apetecia-me encerrar este post com duas palavras apenas: simplificar e simplificar. Mas simplificar o quê? O currículo e os procedimentos burocráticos.
Um dos problemas mais graves da escola actual é a excessiva complexidade e dispersão curricular. Há áreas curriculares a mais no 3º CEB. Os alunos passam demasiado tempo na escola. Os professores consomem tempo e energias em procedimentos burocráticos excessivos e complexos que exigem reuniões que duram tardes inteiras, actas do tamanho de lençóis, projectos curriculares disto e daquilo e relatórios sobre tudo e mais alguma coisa. Quando os inspectores se deslocam à escola a primeira coisa que fazem é ir à procura dos papéis. Onde estão as actas? São suficientemente exaustivas? E os planos de recuperação? E

Propostas para melhorar a escola

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os planos de acompanhamento? E os planos de melhoria? E onde estão os relatórios? E o projecto curricular de escola? Foi actualizado este ano? Se não foi, qual a razão de “tamanha” falta? E o projecto educativo? Foi actualizado este ano? Se não foi, qual a razão de “tão formidável” falha? E onde estão os planos de aula? E os planos curriculares de turma? E onde estão as estratégias e actividades transdisciplinares? Em vez de conversarem com os professores, os inspectores procuram papéis e exercem uma pressão intolerável para a produção e arquivo de mais pepéis. É isso que está a matar a pedagogia nas escolas e a secar a criatividade e a motivação dos professores. Se o ME quiser melhorar a qualidade das escolas públicas tem de dar ordens para que se acabe com a papelada inútil e reduza e simplifique a que é absolutamente necessária. Manter

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

essa carga inútil de burocracia nas escolas é a mesma coisa que exigir aos polícias que passem os dias e as noites a redigirem planos de combate ao crime sem colocarem os pés de fora das esquadras. Se o ME quiser melhorar a qualidade das escolas públicas tem de acabar com as áreas curriculares não disciplinares: formação cívica, estudo acompanhado e área de projecto. São tempos curriculares que não servem para nada, onde não se ensina nada de útil e que estendem o tempo de permanência na escola dos alunos para além do tolerável. Notícias diárias de educação.

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É bullying? Não, é violência consentida

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

O recente caso trágico de Leandro é de extrema gravidade e constitui um claro exemplo da violência escolar, que teima em persistir nas escolas com a impunidade de todos.
O encobrimento deste fenómeno começa, desde logo, com a sua própria designação: “bullyng”. Este desnecessário estrangeirismo, substituto da palavra bem portuguesa “violência”, configura um eufemismo, figura de retórica que consiste em dizer de forma suave o que é desagradável, disfarçando perversamente um problema tão preocupante. Na verdade, à violência estão associados numerosos factores; a confusão, a indisciplina e a falta de respeito grassam nas escolas de maneira desenfreada e ultrapassam as convivências conflituosas entre alunos. Nem as principais figuras da

É bullying? Não, é violência consentida

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educação conseguem escapar a este fenómeno: a recepção, com vaias e ovos, da ex-ministra Lurdes Rodrigues, numa escola de Fafe, foi um testemunho mediático de relevo. Não é, pois, por acaso que os ministros preferem visitar escolas ao fim-de-semana ou em períodos de férias. A difícil questão educativa enunciada, como se sabe, leva os docentes a esconder casos delicados, uma vez que os professores que denunciam situações anómalas ao funcionamento das aulas são marginalizados pelos seus colegas e pela restante comunidade escolar, considerando que os culpados são os próprios por não se darem ao respeito… A maioria dos directores, investidos de um poder imensurável pela legislação vigente, pouco ou nada fazem para prevenir ou resolver a violência escolar. A sua preocupação, num gesto politicamente correcto, parece que apenas reside em agradar

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

aos pais e na avaliação docente, o que explica o ensurdecedor silêncio do Director da Escola EB 2/3 Luciano Cordeiro, em Mirandela, perante tão funesta ocorrência verificada com o Leandro. A resolução deste difícil problema passa pela responsabilização dos alunos e pais, pelo aumento de pessoal auxiliar, assim como por uma efectiva autoridade (não confundir com autoritarismo) dos professores perante alarmantes situações de indisciplina, que coloca indubitavelmente em risco a qualidade do ensino. Deste modo, é imperioso tomar medidas realistas e eficazes na eliminação desta alarmante barbárie com o fito de promover escolas seguras, onde todos os alunos se sintam bem, se respeitem, aprendam, bem como possam ter, de facto, a tão propalada igualdade de oportunidades.

É bullying? Não, é violência consentida

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Afonso de Albuquerque Notícias diárias de educação.

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Quatro teses sobre a violência contra professores e o

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

destino das escolas públicas
O bullying e a violência contra professores - Afonso de Albuquerque chama-lhe violência consentida - é o problema mais premente da escola pública. E é uma questão que vai agravar-se à medida que a sociedade portuguesa se afunda na miséria moral e política.
As autoridades educativas e os sindicatos, forjados num caldo de cultura que desvaloriza a autoridade dos professores, não compreendem o fenómeno, não o vivem e não sabem

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como lidar com ele. Não têm respostas capazes. E é por isso que tendem a desvalorizar os casos, branquear e revelar simpatia ou compreensão pelos agressores. Muitos pais de alunos, cujo carácter foi forjado por uma escola frouxa e ambientes que acentuam o relativismo e uma visão darwinista da vida e da sociedade, revelam, regra geral, simpatias pelos bullies e desprezo pelas vítimas. São causa e consequência do fenómeno de desestruturação da sociedade portuguesa. Dificilmente terão salvação. Com pais assim, acabarão inevitavelmente no Rendimento Social de Inserção ou na cadeia. O alongamento da carreira profissional - estendida até aos 65 anos por via das recentes alterações às regras da aposentação - conduzirá a um aumento exponencial de baixas psiquiátricas prolongadas, burn out e suicídios de docentes. A violência contra professores tenderá a agravar-se e a sociedade

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

naturalizará essa violência como o preço a pagar por uma profissão que perdeu prestígio e autoridade e se deixou contaminar pela concepção da escola/armazém e a ideologia do professor-faz-tudo. As escolas públicas tendem a tornar-se refúgios de alunos da classe baixa e os pais com poder económico e alternativas olharão para os colégios privados como as instituições naturalmente vocacionadas para protegerem e acolherem os seus filhos. À medida que os filhos da classe média abandonarem as escolas públicas, estas tornar-se-ão, cada vez mais, espaços, sem lei nem normas, onde os mais fortes fazem valer a sua autoridade. Notícias diárias de educação.

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Quatro teses sobre a autoridade dos professores

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Todas as sociedades organizadas se baseiam no exercício da autoridade. A autoridade pode ser legítima ou ilegítima. A autoridade legítima advém dos votos no caso da autoridade política - da competência, da sabedoria, da experiência ou dos laços de parentesco. Os pais têm uma autoridade natural sobre os filhos que vem da relação biológica estabelecida entre eles. Podem usá-la bem ou mal. Os professores têm uma autoridade sobre os alunos que vem da experiência, competência, sabedoria e estatuto.
Quando as autoridades educativas - directores de escolas e directores regionais de educação - às quais os professores respondem e devem obediência funcional, desvalorizam a

Quatro teses sobre a autoridade dos professores…

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autoridade dos professores, colocando-se por omissão ou erro do lado dos alunos e pais que desrespeitam ou agridem professores, estão a dar um forte contributo para a erosão da noção de autoridade em todo o edifício social. Uma escola que, por omissão, erro ou acumulação de práticas viciosas, não ensina os alunos a respeitar a autoridade legítima, e em primeiro lugar a autoridade dos professores, deixa de ser uma instituição virtuosa para passar a ser um espaço de aquisição de maus hábitos e desenvolvimento de mau carácter. Em vez de lugar que educa, torna-se um espaço que molda o carácter deficiente, fraco, caprichoso e mentes desprovidas das noções de justiça, compaixão, coragem, benevolência, honra e honestidade. As autoridades educativas que, por omissão ou erro, colaboram com o processo de desautorização dos professores têm

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

de ter consciência de que se colocaram do lado do problema e são um obstáculo na procura da solução. O poder político legítimo deve exercer a sua autoridade demitindo-as. Para saber mais Leia a reportagem do Público de hoje sobre a violência contra professores na escola básica de Fitares Notícias diárias de educação.

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A responsabilização dos jovens é uma necessidade

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Foi para mim um choque quando li no Correio do Minho, esta afirmação “José Joaquim Leitão afirmou que os meninos e meninas desta turma devem ser objecto de preocupação para que não haja traumas no futuro. ‘Temos de nos esforçar para que estas situações possam ser ultrapassadas. Trata-se de jovens que são na sua generalidade bons alunos e que não podem transportar na sua vida uma situação de culpa que os pode vir a condicionar pela negativa’”.
Se se confirmar que estes alunos chamavam “cão” ao professor, que lhe davam “calduços”, e que lhe faltavam ao respeito de outras formas, não há que os responsabilizar? Não é importante, na educação das nossas crianças e dos nossos

A responsabilização dos jovens é uma necessidade…

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jovens, ajudá-los a perceber que as suas atitudes têm consequências? Não é importante ajudá-los a serem solidários, ajudá-los a crescer, percebendo que não existem isolados do mundo e que devemos ter em atenção o que outros podem sentir com a nossa atitude? E já não falo no respeito que não só merece cada adulto como no direito que tem a ser respeitado! Se assim não for, o que significa educar? Se assim não for, o que significa assinarmos a Carta dos Direitos Humanos? Com esta permissividade, estaremos de facto a educar crianças e jovens?!… O melhor que podemos fazer aos jovens desta turma é responsabilizá-los também por esta morte, sim, porque a atitude desrespeitosa que terão tido para com o professor, no mínimo, agravou o seu estado de saúde. Só com o assumir das responsabilidades será possível formar adultos sérios, respon-

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

sáveis, dignos e honestos! Se tiveram esta atitude, não será desejável ajudá-los a alterarem os seus comportamentos? Não será desejável travar a crueldade e a falta de respeito? E que outra forma há de agir, senão responsabilizar cada um pelos seus actos? E já agora, o que é que a formação do carácter tem que ver com o facto de serem bons alunos?!… Educar não é fácil, mas temos que ter a humildade de reconhecermos quando não estivemos bem porque também as nossas atitudes têm consequências… Notícias diárias de educação.

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Manual de más práticas pedagógicas: pagamlhes para ensinar estas vigarices?
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O Reitor, editor do blogue EducacaoSa, especializou-se em descobrir e divulgar pérolas do eduquês. Não é difícil fazê-lo porque todo o edifício da legislação escolar está minado de pérolas pedagógicas. Dá-se um pontapé numa pedra e aparece uma pérola. E andam a semear pérolas com o dinheiro dos contribuintes.
Hoje, o Reitor encontrou esta pérola: uma autêntica vigarice sobre como se deve lidar com a indisciplina e a violência escolares. Há quantos anos é que estes semeadores de pérolas não dão aulas? Notícias diárias de educação.

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Pode a criação de grandes centros escolares e o fecho das pequenas escolas estar
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

a alimentar a violência contra os mais fracos?
O Paulo Guinote pensa que sim e eu dou-lhe razão. Num post simultaneamente informativo e analítico, o editor do blog Educação do meu Umbigo põe o dedo na ferida. Será o agravamento do bullying e violência contra alunos uma herança da política lurdesrodriguista e socratina de racionalização do parque escolar com o fecho de cerca de 4 mil escolas e a criação de grandes

Pode a criação de grandes centros escolares…

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centros escolares para onde são despejadas crianças que chegam a fazer 50 quilómetros por dia para andar na escola? Será esse agravamento o resultado do convívio forçado, no mesmo espaço escolar, de crianças de 12 anos com crianças de 18 anos de idade, como terá sido o caso do Leandro (12 anos) e dos seus putativos agressores (com idades compreendidas entre os 15 e os 17 anos de idade)? Será a política de racionalização dos recursos humanos, com uma clara diminuição de auxiliares de acção educativa, a responsável pela morte do

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Leandro e a tortura a que são submetidos outros leandros deste país? Será este avolumar de casos dramáticos e declarada impotência das autoridades educativas para travarem o fenómeno do bullying a prova de que estavam certos os que criticaram o plano falsamente modernizador do fecho de escolas e construção de grandes centros escolares, bem equipados mas desumanizados? Terá o agravamento do bullying e da violência escolar alguma coisa a ver com o desenraizamento provocado pelo fecho de 4 mil escolas básicas?

Pode a criação de grandes centros escolares…

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Estão aqui perguntas que darão vários estudos para serem feitos pelos sociólogos que ainda não estão ao serviço do poder socialista.
Notícias diárias de educação.

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O que fazer com os directores que encobrem os bullies? Reflexão.
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O Ramiro lançou a questão “O que fazer com os directores que encobrem os bullies?” e penso que é um excelente ponto de partida para uma análise profunda sobre as questões centrais da Escola, do seu dia-a-dia e das respostas que já demos e das tantas que estão por dar.
Em primeiro lugar, pergunto por que motivo(s) não actuaram os directores, mas também os directores de turma e os professores de uma maneira geral que parece não terem actuado – será que tentavam integrar e dar oportunidades aos alunos mais problemáticos, evitando recorrer sistematicamente à suspensão da frequência das actividades lectivas, que muitas vezes é mais uma medida gasta do que a solução efectiva para os problemas que se colocam? Ou será que sentiam

O que fazer com os directores que encobrem…

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que, apesar de tudo, seria preferível que as crianças e os jovens estivessem na escola do que andassem “por aí”?!.. Ou será que, por vezes, perante um professor que podia ter menos “mão” na sala de aula, tentavam não penalizar mais, sobretudo os alunos com mais problemas de disciplina? Pode também ter-se dado o caso de não querer ver a sua escola nos “rankings” das escolas cujos problemas de indisciplina não têm resposta ou têm uma resposta pequena, ou ainda querer parecer mais do que aquilo que se é, ou ter dificuldade em aceitar que os problemas existem porque não se sabe mais o que fazer. Muitas razões podem existir. Não será legítimo que os professores se preocupem em tentar integrar as crianças e os jovens com mais problemas? Em minha opinião, claro que sim! Muitas vezes é na escola que estas crianças e jovens encontram quem tem tempo para eles,

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quem os acolhe, quem os ouve, quem os alimenta, quem lhes oferece material, quem lhes dá carinho… Mas, frequentemente, sentem-se duas coisas: por um lado, que para tentar salvar uns se perdem outros, e que muito frequentemente não se conseguem “salvar” todos ou nenhuns e que uns prejudicam outros; por outro lado e com alguma frequência, ao tentar “salvar” os alunos problemáticos, deixa-se de actuar de uma forma mais firme, como muitas vezes é necessário e que ainda se dá menos atenção aos outros alunos que, de uma forma diferente, também precisam dela. Outras vezes, quando já não restam mais alternativas, os professores vêem-se obrigados a suspender, mesmo sabendo que não é a solução, porque perante certos comportamentos, há que intervir, não pode ser de outra forma. Mas o problema continua por resolver porque não se actuou na sua origem… Não é fácil ser-se professor

O que fazer com os directores que encobrem…

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quando nos preocupamos com a pessoa que é cada criança e cada jovem! E não será humano tentar que os alunos estejam na escola em vez de andarem, muitos deles, a aperfeiçoar as suas aprendizagens de marginalidade fora dela? Também me parece que sim. São preocupações nobres, estas! Também compreendo, de alguma forma, que se tente não “sobrecarregar” demasiado os alunos com problemas disciplinares perante um professor que possa ter mais dificuldade em manter a disciplina. Contudo, a questão é mais vasta: com todas estas boas e genuínas intenções, sem dúvida, que códigos demos aos alunos? Em que é que a presença destes alunos na escola, contribuiu para que pudessem de facto, integrar-se na comunidade? Em que é que a sua vida mudou ou em que é que contribuímos para que tal pudesse vir a acontecer? Por um lado,

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

nem tudo depende de nós, mas, por outro, naquilo que depende qual foi o nosso contributo? Desculpar ou justificar será incluir ou colocar limites inclui mais? Mas como colocar esses limites de forma realmente pedagógica? Que acompanhamento se faz do processo? E impõe-se mais outra questão – quais as condições que tem a escola para poder de facto, ser mais um contributo válido para a integração destas crianças e jovens? E aqui reside um grande problema – é que não só os recursos são escassos, muito escassos, como muitas vezes são mal rentabilizados… Não pelas escolas mas pela própria tutela que mantém programas, não para serem resposta, mas para obterem “sucesso fácil”, falso sucesso! Afinal, qual a missão da escola? Integrar? Educar? Socializar? Ensinar? Ocupar? Entreter? O que é pedido à escola de

O que fazer com os directores que encobrem…

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hoje e que condições tem essa mesma escola a quem tudo é pedido? Convém ser-se rigoroso e exigente na avaliação das medidas que foram ou não tomadas para prevenir ou travar o bullying, a violência e a indisciplina escolar; contudo, convém também ouvir as preocupações dos professores porque, por falta de meios, podem ter-se cometido erros por se tentar dar resposta a legítimas e necessárias preocupações pedagógicas! A par com este cuidado, há que saber que tal não é desculpa para o protelar da violência nas escolas e para a falta de actuação. Uma certeza tem que existir – não pode haver branqueamento do bullying e da violência, manifeste-se ela de que forma for! E não podem ser permitidos na escola certos comportamentos às crianças e aos jovens, se queremos de facto contribuir para a sua educação. Mas também a certeza de que a tutela tem que

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ser real parceira das escolas e ajudar os professores, tanto a serem mais e melhor no seu dia-a-dia, como a combater a indisciplina / violência e por isso a construir uma escola em que se respire um ambiente sadio! Notícias diárias de educação.

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Branquear é premiar os agressores e insultar as vítimas

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Não é possível ignorar a onda de indignação que varre o país. As autoridades educativas não sabem lidar com o fenómeno do bullying e violência contra professores. Quando seria de esperar delas uma palavra firme de condenação dos agressores, ouvem-se palavras de compreensão que deixam no ar intenções de branqueamento.
A miséria política e moral em que os últimos anos de governação do PS mergulharam o país é a principal razão para esse fracasso. Há “professores com medo dos alunos e que pedem ajuda dos pais para tentarem impedir a indisciplina nas escolas”,

Branquear é premiar os agressores e insultar…

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denunciou ao CM o presidente da Federação Regional de Lisboa das Associação de Pais, Isidoro Roque. Na Escola Básica 2,3 de Fitares, Sintra, alunos de uma turma do 9º ano levaram o professor de Música ao desespero. Insultaram-no, bateram-lhe na cabeça e empurraram-no até cair no pátio da escola. A 9 de Fevereiro, o professor Luís Vaz do Carmo suicidou-se na ponte 25 de Abril. A directora da escola, Cristina Frazão, apesar de ter recebido sete queixas do professor, não puniu os alunos, acusou a irmã do professor, Maria Filomena Carmo, que considera a escola responsável pela morte do irmão. Numa primeira explicação para a ausência de relação entre o suicídio e a escola, o director regional de Educação de Lisboa, José Joaquim Leitão, referiu que o professor sofria de uma “fragilidade psicológica já há muito tempo”. O director

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

regional acrescentou que os alunos “não podem transportar na sua vida uma situação de culpa”. As agressões ao professor não surgem isoladas. Na última semana uma professora sofreu um traumatismo craniano na mesma escola. Fonte: CM de 14/3/2010 Após as declarações de José Joaquim Leitão, diretor da Drelvt, dificilmente posso acreditar na realização de um inquérito sério. Só um inquérito independente poderá dissipar as dúvidas e responder às interrogações. Se se provar a veracidade dos testemunhos recolhidos pelos jornalistas e o teor da carta de despedida do professor Luís, só há uma caminho a seguir: a demissão da diretora. E de José Joaquim Leitão. Cada vez me convenço mais de que a única solução para as escolas que se deixaram contaminar pela normalização da violência é o fecho com a distribuição dos alunos por outras

Branquear é premiar os agressores e insultar…

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escolas e acolhimento dos mais violentos em escolas de segunda linha especialmente criadas para acolher alunos incapazes de seguirem o ensino regular. . Notícias diárias de educação.

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Violência escolar nas salas de aula está a aumentar, afirma a Coordenadora do
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Gabinete de Segurança Escolar
É um curta entrevista publicada no Expresso. As respostas da Coordenadora do Gabinete de Segurança Escolar são claras: a violência escolar dentro das salas de aula está a aumentar.
À pergunta do jornalista sobre se o alargamento da escolaridade obrigatória fará aumentar a violência nas escolas, Paula Peneda responde: “Vai com certeza”.

Violência escolar nas salas de aula está…

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À questão “que outros fenómenos têm surgido mais?”, a Coordenadora do GSE responde: “antes tínhamos muitas ocorrências nos recreios… Com o fim dos furos, as aulas de substituição e a escola a tempo inteiro passámos a ter mais ocorrências na sala de aula. Actualmente as crianças têm poucos recreios. Não estou a discutir nem é o meu papel dizer se as medidas foram boas ou más. O que constato é que há uma grande pressão e aumentaram as injúrias a professores”. Felizmente, o ciclo político de José Sócrates aproxima-se do fim e hoje foi dado um passo decisivo para pôr termo ao período mais negro da história da educação portuguesa. Paulo Rangel e Pedro Passos Coelho, um deles será, muito provavelmente, o primeiro-ministro de Portugal dentro de ano e meio.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Convinha que ambos fossem confrontados com estas questões: estão dispostos a pôr fim às aulas de substituição nos termos em que elas são feitas actualmente? Vão parar o enorme erro pedagógico que é o processo de alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos? Vão reforçar a autoridade dos professores, recuperando as faltas de castigo e as reprovações em consequência de um determinado número de faltas de castigo? Vão apostar na criação de um verdadeiro e sério ensino profissional a partir do 7º ou 8º ano de escolaridade? Vão dar instrumentos aos directores para travarem os alunos violentos e impedirem que continuem, impunemente, a torturar colegas e professores? Estão dispostos a criar escolas de segunda linha para acolher e educar alunos especialmente violentos? Defino

Violência escolar nas salas de aula está…

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“alunos violentos”: alunos que criam ou aderem a gangs nas escolas e que, de forma continuada, agridem, verbal ou fisicamente, colegas, professores ou funcionários, usam a condição de alunos para vender droga dentro ou à porta dos estabelecimentos de ensino ou expressam atitudes e comportamentos que configuram prática continuada de bullying sobre colegas ou professores. Estão dispostos a impedirem que estes alunos deixem de frequentar a escola regular? Para bem deles e segurança de todos. Notícias diárias de educação.

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As raízes do mal: por que razão fizemos da escola um lugar onde

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é cada vez mais difícil ensinar?
Somos todos culpados: por omissão, passividade, medo ou porque nos deixámos enganar pelos ideólogos que capturaram o currículo, os departamentos de formação de professores e os lugares de decisão.
A captura do currículo e dos lugares de decisão pelos ideólogos que olham para a escola como um lugar onde tudo é mais importante do que o ensino - escola-guarda-de-crianças, professor animador, escola-armazém e escola a tempo inteiro -

As raízes do mal: por que razão fizemos…

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tinha de dar nisto: é cada vez mais difícil ensinar numa escola que se foi tornando uma instituição hostil para todos os que a vêem como o lugar onde se transmite o Legado Cultural às novas gerações. Helena Damião captou, na perfeição, o fenómeno da transformação da escola num lugar impossível: Os discursos, sabe-se, dão respostas variáveis, mas, no seu conjunto, fazem passar a ideia de que as crianças e jovens vão à escola, não para adquirirem conhecimentos nem para desenvolverem a inteligência, mas para, autonomamente, aperfeiçoarem competências (que, numa certa gíria pseudo-pedagógica, não se esclarece o significado nem o sentido). E é para as competências sociais que se tende, com o argumento de que isso lhes proporcionará a integração em contextos vários.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Trata-se dum aspecto que não podemos desligar das contingências políticas e sociais, pois, é a primeira que o acolhe e legitima, e é a segunda que lhe dá força. Por exemplo, a pressão para se produzirem rápida e eficazmente diplomas-independentemente-do-valor-que-têm, não sendo aplaudida por todos, é tolerada por muitos. Deste aspecto não podemos excluir também o pensamento epistemológico dominante, no qual todo e qualquer saber disciplinar e axiológico, se relativiza, se subjectiviza e, portanto, se faz equivaler, não havendo outra possibilidade a não ser tomar cada sujeito como o referencial das e para as suas próprias aprendizagens, que se afirma terem de decorrer dos seus interesses e necessidades e de serem significativas, em função da sua individualidade. Fonte: De Rerum Natura

As raízes do mal: por que razão fizemos…

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É por tudo isto que é necessário regressar às funções básicas e eternas da escola: transmitir conhecimentos que valem a pena ser ensinados, centrar o ofício do professor no ensino, valorizar uma práxis assente no respeito, na responsabilidade, na exigência e no rigor. Para que esse regresso se faça, é necessário libertar as escolas das forças exteriores que a oprimem: regulamentação excessiva do ME e intromissão dos poderes políticos e económicos locais no funcionamento da instituição-escola. Notícias diárias de educação.

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Os do costume voltam a aplicar velhas receitas. Mas o ME, finalmente, vai acabar
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com as provas de recuperação
O Público dá hoje voz aos do costume: Domingues Fernandes, José Morgado e Daniel Rocha. Todos eles se manifestam a favor da manutenção e reforço das medidas que conduziram ao estado calamitoso em que se encontram as escolas públicas que servem populações de risco: faltas e mais faltas sem consequências; desresponsabilização total de alunos e famílias; deitar as culpas para cima dos professores qual

Os do costume voltam a aplicar velhas…

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burros que têm de carregar com todos os males da sociedade. Enquanto o ME ouvir estes especialistas, as escolas públicas não vão parar de perder alunos para os colégios privados. A classe média vai fazer como estes especialistas fizeram há muito com os filhos e os netos: colocar os filhos em escolas privadas a salvo da barafunda, confusão, burocracia, falta de respeito, bullying e violência.
Felizmente que a era lurdesrodriguista que, de forma radical e sectária, pôs em prática as receitas dos do costume, já passou e o ME tem agora à sua frente uma ministra que tem bom senso e realismo. E o bom senso da ministra da educação levaa a pôr fim às provas de recuperação. Medida justa e séria

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porque as provas de recuperação, aplicadas aos alunos absentistas, são prémios à preguiça de alunos e irresponsabilidade dos pais. Fora da cacofonia dos do costume, ressalta a voz avisada e sábia de Nuno Crato: Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, é peremptório: “Não deve ser possível dar um número de faltas ilimitado e, mesmo assim, passar de ano. A escola deve promover o sentido da responsabilidade”. Crato lembra que “a assiduidade é fundamental para manter um trabalho continuado” e que, sem ela, “a escola não pode produzir bons resultados”. Notícias diárias de educação.

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O bullying também é um problema dos adultos. Um post de Luís Silva
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O bullying está a ser visto como um problema das crianças e jovens. Na verdade este assunto ainda é bastante taboo. O bullying é um problema dos adultos. Os adultos fazem e são vítimas de bullying, quer na sua vida pessoal, quer na sua vida profissional. O que as crianças fazem é um reflexo das acções dos adultos, praticamente em tudo na vida. Para se resolver o bullying nas escolas podem-se e devem-se criar medidas de curto prazo mas é imperativo ter a consciência que este é um problema social. O bullying só será resolvido a partir do topo, ou seja, a partir dos adultos. Só quando estes deixarem de se

O bullying também é um problema dos adultos…

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violentar uns aos outros é que as crianças lhes seguirão o exemplo.
Esta forma de violência pode ser mais evidente nas crianças devido às agressões físicas, pois, os adultos usam entre si formas mais complexas de violência, nomeadamente, psicológicas mas não menos prejudiciais para a saúde das suas vítimas. Contra este tipo de violência, que se pode chamar moderna e actual, ainda não existe qualquer legislação, qualquer protecção, pelo que os adultos, tal como as crianças sofrem em silêncio, muitas vezes nem admitem que estão a ser alvo de malevolência e, devido ao seu sentimento de impotência, acabam por cometer as mesmas acções que os seus agressores. A solução para acabar com o bullying é complexa tal como este fenómeno e passa por acabar com este tipo de violência entre os adultos. Não é preciso ser-se um técnico especializado

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

para se perceber que as crianças que praticam estes actos são influenciados pelos adultos, principalmente, a sua família mais próxima e que ou são, elas próprias vítimas de maus tratos que descarregam nos outros, ou seguem o exemplo de bullying dos seus tutores. O bullying é um fenómeno social que existe entre os adultos e para o qual é necessário criar medidas que protejam as vítimas e punam os agressores. É necessária a criação de leis contra a violência psicológica e todas as novas formas de violência da sociedade actual que são complexas, tal como a sociedade é e estão fora do actual alcance legislativo, garantindo impunidade e muitas vezes vantagens aos agressores. Luís Silva Notícias diárias de educação.

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As faltas de castigo podem ter valor pedagógico? Pode o castigo ajudar o aluno
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a ganhar o hábito de ser responsável pelos actos?
O castigo - não estou a referir-me aos castigos físicos - pode ter valor pedagógico? Podem os castigos, quando proporcionais à falta cometida, ter um efeito reparador?
Devemos recuperar o valor dos castigos? Podem os castigos, quando proporcionais à falta cometida, ajudar o agente a

As faltas de castigo podem ter valor pedagógico…

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tomar consciência dos erros e a ganhar hábito de assumir a responsabilidade dos actos? Falta ao programa educativo e ao ethos das escolas públicas a introdução da noção de responsabilidade individual e da ideia de que os nossos erros produzem consequências em nós e nos outros e que devemos ganhar o hábito de reparar os efeitos nocivos causados pelos nossos actos? Acabei de ler e assinar esta petição online: «Pela reinstauração da Falta de Castigo nas escolas básicas e secundárias» http://www.peticaopublica.com/?pi=faltacas Eu pessoalmente concordo com esta petição e acho que também podes concordar. Subscreve a petição aqui http://www.peticaopublica.com/?pi=faltacas e divulga-a pelos teus contactos.

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Corre também por email um pedido de 1 minuto de silêncio, na sexta-feira, em memória do colega Luís, professor, português, 51 anos de idade, vítima de bullying. Notícias diárias de educação.

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A banalização do mal. Cenas destas acontecem com frequência dentro ou
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à porta das escolas públicas
A isto eu chamo a banalização do mal. Com a agravante de as escolas públicas - que deviam ser espaços de denúncia e combate às raízes do mal - estarem a ser transformadas em ferramentas de banalização da violência.
O grau de tolerância das autoridades educativas face a actos desta natureza é demasiado elevado. Quase toda a gente mete a cabeça debaixo da areia numa estratégia suicida que o filó-

A banalização do mal. Cenas destas acontecem…

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sofo José Gil chama de não inscrição e de não verdade. O sistema de encobrimento da violência escolar foi montado graças a um modelo de avaliação externa das escolas que premeia o “show off”, a fabricação estatística do sucesso escolar e o silenciamento dos casos. O modelo de avaliação a que estão sujeitos os directores e adjuntos vai no mesmo sentido: encobrimento e silêncio. Idem para o modelo de avaliação de desempenho dos docentes. Quanto maior for a tolerância das autoridades educativas para com o fenómeno da violência escolar maior e mais rápida será a debandada de alunos das escolas públicas para os colégios privados. Os pais que realmente se preocupam com os seus filhos e têm poder de escolha não pensam duas vezes: colocam a segurança deles em primeiro lugar.

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Gladis Kiara, o aluno de 16 anos que sexta-feira sofreu três facadas por parte de um colega à porta da escola Braamcamp Freire, na Pontinha, Odivelas, está internado no Hospital Pulido Valente, em Lisboa, disse a mãe. Maria António está preocupada que algum órgão do aluno do 8º ano tenha sido atingido durante o duelo sangrento, que só terminou quando o jovem conseguiu escapar ao agressor. Gladis Kiara, mesmo a perder sangue, correu para o centro de saúde, de onde foi transportado de emergência para o Hospital Santa Maria. A escola não quis prestar ao CM qualquer esclarecimento sobre o brutal confronto. Fonte da PSP revelou que o agressor, também com 16 anos, foi detido uma hora após o duelo nas imediações da escola. Fonte: CM de 21/3/2010 Notícias diárias de educação.

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O Bullying, a violência escolar e a indisciplina e a

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falência das políticas sociais
Londres
Em conversas que tenho tido, apercebo-me que há colegas que pensam que a suspensão dos alunos deve ser da inteira responsabilidade dos pais e encarregados de educação e outros colegas que pensam que os problemas sociais nada têm que ver com a escola. Discordo destas posições por pensar que são radicais, contudo, penso que abordam uma questão fundamental que deve merecer toda a nossa atenção que é a distinção de papéis de cada interveniente no processo de ensino-aprendi-

O Bullying, a violência escolar e a indisciplina…

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zagem, com o natural reforço para o papel dos encarregados de educação. A tendência das sucessivas políticas educativas tem sido para atribuir à escola / professores a função de educar, quando, sem dúvida, ela compete aos pais / família. À escola compete “formar e transmitir conhecimentos” como tão sabiamente o filósofo José Gil refere em A violência da ignorância. Esta ideia tem que estar clara quando actuamos, caso contrário corre-se o risco de se falar em repor a autoridade dos professores e a dignidade da profissão, fundamental para o sucesso educativo, mas de, subtilmente, se actuar em sentido contrário. Concordo em absoluto com as acções de formação sobre Bullying, não só para os directores e directores de turma, mas para todos os professores, uma vez que ao lidarmos diaria-

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

mente com o problema, precisamos de saber agir, até para podermos também nós proteger as vítimas. Contudo, sem responsabilização dos encarregados de educação, a quem compete educar e acompanhar os seus filhos, e sem uma lei que claramente puna a violência na escola, estamos subrepticiamente, a dizer que a resposta ao gravíssimo problema que é o Bullying na escola portuguesa, passa apenas pela escola e pelos professores, o que é bastante grave… O mesmo pensamento se aplica à violência escolar e à indisciplina. Sabemos contudo, quanto mais não fosse por uma questão humana, que não nos podemos abstrair do facto de o Bullying, a violência e a indisciplina na escola também terem origem na família enquanto agressora da criança e do jovem, ou em contextos sociais graves que naturalmente os afectam tal como ao seu percurso escolar, embora estes não sejam de forma alguma

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os únicos motivos. A tendência tanto da tutela como dos professores é, muitas vezes, chamar à escola a resposta a estes problemas – a tutela porque cada vez mais estimula o professor faz-tudo, a quem responsabiliza pelos males da escola, tentando assim esconder que é inoperante. Os professores porque, preocupando-se com estas crianças e jovens, e não conseguindo deixar de ver nos seus alunos a pessoa que são, querem ajudá-los porque não se conformam com muitos dramas vividos no seu dia-a-dia. Claro que esta realidade aponta claramente para a falência das políticas sociais e, consequentemente, para a falta de responsabilidade política dos sucessivos governos que ao longo dos anos não se preocuparam com uma resposta verdadeiramente adequada aos diversos problemas.

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A Escola deve estar em articulação com a Segurança Social, com a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens e com todas as instituições que de alguma forma interferem com a segurança e educação das crianças e dos jovens mas não deve a tutela exigir que chame a si a resolução destes problemas porque não é competência sua e, ao fazê-lo, pode estar a contribuir para o perpetuar tanto da falência das políticas sociais como da falta de exigência que neste momento se vive na escola portuguesa. Esta parece-me ser outra linha de rumo a considerar nas decisões sobre Bullying, violência escolar e indisciplina: a distinção dos papéis de cada interveniente no processo de ensinoaprendizagem, para que a urgente actuação necessária a este nível possa ser pensada em função da responsabilidade que cada um tem.

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Aulas de 90 minutos versus aulas de 50 minutos. E por que não

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dar liberdade de escolha às escolas?
Tive conhecimento, através do blogue do Paulo Guinote de um peça jornalística publicada hoje no Público sobre a reestruturação curricular do 3º CEB. A peça jornalística não tem link pelo que tive de recorrer aos préstimos dos arquivos do Paulo Guinote. Não compro jornais nem revistas em papel. Por um lado, é bom: não tenho o trabalho de os deitar no lixo e de limpar as umbreiras das portas com Cif. Por

Aulas de 90 minutos versus aulas de 50…

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outro, é mau: fico privado de usar essas peças no ProfBlog.
Também não vejo televisão. Por um lado é mau: passa-me ao lado muita coisa que podia dar um bom post. Por outro, é bom: evito que os políticos de quem não gosto entrem em minha casa. É um sossego. Uma tranquilidade. Só vos digo: é muito bom viver sem televisão. O grupo de trabalho sobre reestruturação curricular do 3º CEB é coordenado por João Formosinho e está a trabalhar, em segredo, há cerca de 3 meses. Habituei-me a ver em João Formosinho uma excelente pessoa, um professor de eleição e um investigador invulgar. Não há em Portugal quem saiba mais de legislação escolar. Mas discordo dele na questão das aulas de 90 minutos. Ele diz que é mais sério não ouvir os professores do 3º CEB. Aparen-

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

temente, ouviu apenas os professores que usam a metodologia do movimento da escola moderna. Há muitos anos que João Formosinho é um fã da pedagogia do MEM e tem feito parcerias com a Escola da Ponte, a escola portuguesa que levou mais longe esse ideário pedagógico. João Formosinho tem toda a liberdade para apreciar a pedagogia do MEM, tal como eu tenho para a criticar. Errado é não querer ouvir os professores que estão nas escolas e que sabem, por experiência própria, que as aulas de 90 minutos potenciam as situações de indisciplina e de violência dentro da sala de aula. Há muitos alunos que estão na escola e não gostam desta ou daquela disciplina. Alguns nem sequer gostam de disciplina nenhuma. Outros têm tempos de atenção muito reduzidos. Forçá-los a aulas de 90 minutos é uma violência simbólica sobre alunos e docentes.

Aulas de 90 minutos versus aulas de 50…

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Não seria melhor João Formosinho propor ao ME que deixe nas mãos das escolas a liberdade de escolha entre aulas de 90 minutos ou de 45 minutos mais 45 minutos ou 50 minutos mais 40 minutos? Notícias diárias de educação.

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Três dicas sobre Educação para o futuro primeiroministro de Portugal
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

1ª dica: Se o projecto de lei do CDS de alteração ao Estatuto do Aluno for aprovado, bastam mais três medidas legislativas para colocar as escolas públicas nos eixos. Durante o ciclo da legislatura nem mais um diploma sobre Educação.
2ª dica: Um decreto-lei a alterar o Decreto-Lei 75/2008, de forma a garantir a eleição dos coordenadores de departamento pelos docentes. 3ª dica: Um decreto-lei a pôr fim aos exames a fingir (testes intermédios e provas de aferição) e a impor exames nacionais, com peso de 50% na classificação final, no final de cada ciclo de ensino. Um decreto-lei a eliminar, pura e simplesmente, as áreas curriculares não disciplinares e a conceder liberdade às escolas para a organização dos tempos lectivos no respeito

Três dicas sobre Educação para o futuro…

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pelos máximos de carga horária lectiva por área curricular estabelecidos pelo Ministério da Educação. Mais importante de tudo: não cair na tentação de legislar mais. Três decretos-leis em quatro anos e nem mais um diploma. Pedro Passos Coelho, deixe as escolas respirarem e liberte-as do controlo dos burocratas e dos políticos! Confie nos professores e nos directores das escolas e reduza o poder de intervenção das DRE e dos departamentos centrais do ME. Crie um sistema de exames nacionais que responsabilize as escolas e seja a única forma de prestação de contas. Notícias diárias de educação.

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Pérola do eduquês: escola básica coloca alunos a fazerem a apreciação dos testes
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

elaborados pelos docentes
No mínimo, é heterodoxo. Parece-me mais uma tontice do que uma coisa para levar a sério. É uma escola portuguesa que coloca os alunos a fazerem a avaliação dos testes elaborados pelos professores. Não acreditam? Leiam aqui.
Notícias diárias de educação.

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A indisciplina e a violência escolar são boas para o negócio

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Agora que os media estão mais atentos para o problema do bullying e violência escolares e os directores e professores com menos receio de apresentar queixa das agressões não há dia em que uma notícia destas não apareça na imprensa:
Alguns encarregados de educação de crianças que frequentam a Escola do 1º Ciclo do Pego, em Abrantes, acusam dois alunos, de 8 anos, de agredirem os filhos no intervalo das aulas e exigem mais funcionárias. O problema já é antigo, mas nas últimas semanas tem atingido “proporções desmedidas”. O último caso verificou-se na segunda-feira, quando um dos alunos problemáticos fechou um colega na casa de banho “e o beijou na boca”. “Fiquei chocada quando soube do sucedido. Já não foi a primeira vez que

A indisciplina e a violência escolar são…

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o meu filho foi vítima do mau comportamento do colega”, disse ao CM Alzenda Vilhais, mãe do menino molestado, salientando que o agressor “já tinha sido transferido de outra escola por mau comportamento”. Outro pai refere, sob anonimato, que a enteada tem sido vítima de agressões. “Já foi pontapeada, já lhe espetaram um lápis na perna e cuspiram no prato da refeição. Isto não pode continuar assim”, refere, de forma revoltada. Os pais vão deixar passar as férias da Páscoa e, “caso a situação se mantenha”, ameaçam fechar a escola a cadeado. Alberto Salgueiro, vice—presidente do Agrupamento de Escolas D. Miguel de Almeida, disse que a situação “está a ser resolvida” e “já foi comunicada” à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Abrantes. Fonte: CM de 28/3/2010

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Entretanto os encobridores do costume vão continuar a espalhar as teses do costume: Não há mais indisciplina na escola, o que há é menos tolerância face à indisciplina. A violência na escola não se combate castigando os alunos problemáticos. O bullying e a violência escolares combatem-se com mais formação sobre o bullying e gestão de conflitos e não com castigos aos alunos problemáticos ou reforço da autoridade dos professores. Regra geral quem apresenta estes argumentos ou nunca deu aulas, há muito que fugiu das salas de aula ou é parte interessada no negócio provocado pela indisciplina e violência escolares. Em qualquer caso, não merece crédito. Tão pouco merecem crédito os estudos feitos por grupos de trabalho pagos

A indisciplina e a violência escolar são…

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pelo Ministério da Educação com a missão subliminar de mostrar à opinião pública que o fenómeno não é grave e até está a diminuir. Um pouco à semelhança do negócio em torno das empresas de segurança - que vivem dependentes do fenómeno da criminalidade e têm tudo a ganhar com políticas de segurança laxistas e frouxas - a indisciplina e a violência escolares proporcionam bons negócios. Notícias diárias de educação.

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O negócio em torno dos alunos, famílias e bairros problemáticos

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Perguntas nada inocentes:
Alguém já fez as contas ao preço por aluno dos CEF? Não é difícil adivinhar que um aluno dos CEF fica mais caro do que um aluno num colégio privado de elite. Há muitas turmas CEF que têm menos de 10 alunos. E muitas turmas têm mais professores do que alunos. Façam as contas, senhores economistas! Alguém sabe por que razão é legal suspender um aluno por 8 dias, em consequência de um processo disciplinar, e não se pode expulsá-lo da escola pública regular? Alguém sabe explicar por que razão há-de o Estado pagar apoios sociais escolares a pais de alunos que se recusam a exercer funções parentais e não querem colaborar com os professores na promoção da assiduidade dos filhos?

O negócio em torno dos alunos, famílias…

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Por que razão se há-de aceitar o princípio da socialização dos prejuízos e da individualização dos benefícios? Será justo colocar os recursos da escola pública ao serviço de alunos que não querem aprender, impedem os outros de aprender e usam os espaços escolares para agredirem colegas, funcionários e professores? Não seria preferível retirar esses alunos da escola pública regular, oferecendo-lhes programas alternativos para alunos incapazes de seguir um programa educativo regular? Problemático - Um bairro problemático não é, como se poderia pensar, um espaço cujas casas têm problemas nos alicerces ou nos telhados, mas sim um conjunto habitacional que, regra geral, saiu muito mais caro do que o previsto, foi inaugurado por detentores de cargos políticos que discursaram sobre o esforço necessário à concretização daquele projecto e

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

cujos residentes tiveram acesso a essas casas em condições muito favoráveis. Um bairro torna-se problemático quando, após a festa da inauguração, volta a ser notícia por ali se tolerarem situações que nos outros bairros e ruas deste país são consideradas crime. Assistentes sociais, ONG e muitos gabinetes municipais fazem o enquadramento nestes bairros e as soluções propostas passam sempre por pedir mais assistentes sociais, mais dinheiro para as ONG e mais gabinetes municipais agora dotados da novel figura do mediador cultural, para assim continuarem a fazer o acompanhamento dos bairros problemáticos, que, por sua vez, se desdobram em escolas problemáticas e famílias problemáticas. Política e profissionalmente, o problemático é um território de grandes oportunidades para gente com ambições. Helena Matos. Fonte: Público

O negócio em torno dos alunos, famílias…

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Notícias diárias de educação.

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Duas medidas de política educativa para o pós-socratismo

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

José Sócrates tem agora um adversário à sua altura: Passos Coelho. Por agora, sabe-se pouco do pensamento do novo líder do PSD sobre Educação. Não tenho a certeza se ele vai ser capaz de corrigir a pesada herança do socratismo na educação. Não o conheço de lado nenhum nem tenciono conhecê-lo. Mas deposito nele a esperança de o País se ver livre do socratismo. Por isso, atrevo-me a deixar-lhe duas sugestões que gostaria de ver integradas no programa de Governo do PSD:
Alteração do Decreto-Lei 75/2008. Portugal tem uma tradição de 30 anos de gestão democrática das escolas. Uma tradição interrompida em 2008 e que urge retomar. São neces-

Duas medidas de política educativa para…

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sárias duas correcções ao diploma de 2008: eleição dos coordenadores de departamento e liberdade de escolha das escolas entre uma direcção unipessoal e uma direcção colectiva. Eliminação pura e simples do modelo de avaliação de desempenho dos professores e do sistema de avaliação dos directores, sub-directores e adjuntos. Só deve haver um instrumento de prestação de contas: resultados dos exames nacionais a todas as disciplinas no final dos ciclos. Os ciclos de avaliação devem ser de 4 anos e com um carácter meramente formativo. Professores com classificação de insuficiente devem ser submetidos a um plano de formação, findo o qual serão objecto de avaliação sumativa com consequências. Duas classificações negativas obrigam a reclassificação profissional com mudança de funções. Os professores que queiram ganhar tempo na progressão na carreira devem submeter-se a uma

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avaliação externa com assistência a aulas de várias unidades, sem aviso prévio e a cargo de avaliadores externos com formação pós-graduada em avaliação e supervisão. Os professores que não queiram ganhar tempo na progressão na carreira só são submetidos a ciclos de 4 anos de avaliação formativa. Notícias diárias de educação.

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Mais uma pérola do eduquês: esclarecimento da

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

DGIDC ao Despacho Normativo 6/2010
É uma pérola do eduquês. Leiam o Esclarecimento da DGIDC ao Despacho Normativo 6/2010. Um esclarecimento explicando um despacho aos professores como se todos fossem louros não vá algum não conseguir ler o Decreto-Lei nº 3/2008 nem o Despacho 6/2010.
São paternalismos destes, executados por quem tudo gosta de controlar e pensa que os professores não sabem ler, que

Mais uma pérola do eduquês: esclarecimento…

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dificultam a vida dos directores, coordenadores de departamento e docentes. É através dos despachos, portarias e esclarecimentos que se vai anulando a escassa autonomia das escolas. Despejar sobre as escolas instruções é a melhor forma de atrapalhar o trabalho. Uma das primeiras tarefas do pós-socratismo será acabar com os serviços que atrapalham, enviando os professores que prestam serviço nas DRE e na DGIDC de volta às salas de aula. O colega Levy, editor do blog Lisboa-TelAviv, acrescentou esta informação: Repare que o despacho 6/2010 e a declaração de rectificação 406/2010 que veio a seguir foram fotocopiados para 150 mil professores. 1 200 000 fotocópias só nestas duas pérolas. Será no ME não têm noção das toneladas de papel inútil que gasta?

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Aumentam os impostos sobre a classe média com a justificação do PEC e dão o exemplo contrário. Notícias diárias de educação.

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Preparem-se: vem aí mais confusão curricular

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Vem aí mais confusão curricular. E tudo leva a crer que serão as disciplinas tradicionais que perderão espaço em favor das célebres tangas curriculares não disciplinares. A Área de Projecto é bem capaz de ficar com a parte principal, ganhando mais tempo e mais estatuto curricular. Ora leiam:
Isabel Alçada, que está esta tarde a ser ouvida na Comissão de Educação da Assembleia da República, afirmou que, no âmbito de uma reforma curricular que está a ser preparada para o 2.º e 3.º ciclos, a Área de Projecto vai deixar de ser uma Área Não Disciplinar. Segundo a ministra, será substituída por um conjunto de possibilidades, que caberá à escola decidir, tendo em conta o “reforço da autonomia pedagógica”. Assim, acrescentou, em

Preparem-se: vem aí mais confusão curricular…

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relação ao estudo acompanhado, a escola poderá optar por realizá-lo “para alguns grupos” de alunos ou para “alunos individualmente”. “Prevê-se também a existência de aulas de recuperação específicas sobre algumas matérias ou para alguns grupos” de alunos, disse Isabel Alçada, defendendo “apoios suplementares mais flexíveis”. A ministra admitiu também problemas ao nível do 3.º ciclo, nomeadamente a dificuldade dos alunos na gestão do número de disciplinas. “Vamos propor que as escolas escolham entre oferecer meio ano de uma disciplina, por exemplo História, e outra durante o resto do ano, como Geografia. Ou então manter as disciplinas anuais”, explicou. Fonte: Público de 30/3/2010

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

É o que dá criar grupos de trabalho com plenos poderes para “brincarem” ao desenvolvimento curricular. E era tão fácil melhorar o currículo que temos. Bastava extinguir as áreas curriculares não disciplinares e dar liberdade às escolas para optarem por aulas de 90 minutos ou aulas de 50 minutos. Aos pais dos alunos com poder de escolha só resta votarem com os pés, optando por inscrever os filhos nos colégios onde a bagunça curricular não entra. Mas receio que o ME obrigue as escolas privadas a seguirem este estranho menu. Quando o tempo do pós-socratismo chegar há muito inutilidade para remover. Notícias diárias de educação.

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Propostas simples para melhorar a escola

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Um dos problemas mais graves da escola actual é a excessiva complexidade e dispersão curricular. Há áreas curriculares a mais no 3º CEB. Os alunos passam demasiado tempo na escola. Os professores consomem tempo e energias em procedimentos burocráticos excessivos e complexos que exigem reuniões que duram tardes inteiras, actas do tamanho de lençóis, projectos curriculares disto e daquilo e relatórios sobre tudo e mais alguma coisa.
Quando os inspectores se deslocam à escola a primeira coisa que fazem é ir à procura dos papéis. Onde estão as actas? São suficientemente exaustivas? E os planos de recuperação? E os planos de acompanhamento? E os planos de melhoria? E

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onde estão os relatórios? E o projecto curricular de escola? Foi actualizado este ano? Se não foi, qual a razão de “tamanha” falta? E o projecto educativo? Foi actualizado este ano? Se não foi, qual a razão de “tão formidável” falha? E onde estão os planos de aula? E os planos curriculares de turma? E onde estão as estratégias e actividades transdisciplinares? Em vez de conversarem com os professores, os inspectores procuram papéis e exercem uma pressão intolerável para a produção e arquivo de mais pepéis. É isso que está a matar a pedagogia nas escolas e a secar a criatividade e a motivação dos professores. Se o ME quiser melhorar a qualidade das escolas públicas tem de dar ordens para que se acabe com a papelada inútil e reduza e simplifique a que é absolutamente necessária. Manter essa carga inútil de burocracia nas escolas é a mesma coisa que

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exigir aos polícias que passem os dias e as noites a redigirem planos de combate ao crime sem colocarem os pés de fora das esquadras. Se o ME quiser melhorar a qualidade das escolas públicas tem de acabar com as áreas curriculares não disciplinares: formação cívica, estudo acompanhado e área de projecto. São tempos curriculares que não servem para nada, onde não se ensina nada de útil e que estendem o tempo de permanência na escola dos alunos para além do tolerável. Notícias diárias de educação.

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É bullying? Não, é violência consentida

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O recente caso trágico de Leandro é de extrema gravidade e constitui um claro exemplo da violência escolar, que teima em persistir nas escolas com a impunidade de todos.
O encobrimento deste fenómeno começa, desde logo, com a sua própria designação: “bullyng”. Este desnecessário estrangeirismo, substituto da palavra bem portuguesa “violência”, configura um eufemismo, figura de retórica que consiste em dizer de forma suave o que é desagradável, disfarçando perversamente um problema tão preocupante. Na verdade, à violência estão associados numerosos factores; a confusão, a indisciplina e a falta de respeito grassam nas escolas de maneira desenfreada e ultrapassam as convivências conflituosas entre alunos. Nem as principais figuras da

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educação conseguem escapar a este fenómeno: a recepção, com vaias e ovos, da ex-ministra Lurdes Rodrigues, numa escola de Fafe, foi um testemunho mediático de relevo. Não é, pois, por acaso que os ministros preferem visitar escolas ao fim-de-semana ou em períodos de férias. A difícil questão educativa enunciada, como se sabe, leva os docentes a esconder casos delicados, uma vez que os professores que denunciam situações anómalas ao funcionamento das aulas são marginalizados pelos seus colegas e pela restante comunidade escolar, considerando que os culpados são os próprios por não se darem ao respeito… A maioria dos directores, investidos de um poder imensurável pela legislação vigente, pouco ou nada fazem para prevenir ou resolver a violência escolar. A sua preocupação, num gesto politicamente correcto, parece que apenas reside em agradar

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aos pais e na avaliação docente, o que explica o ensurdecedor silêncio do Director da Escola EB 2/3 Luciano Cordeiro, em Mirandela, perante tão funesta ocorrência verificada com o Leandro. A resolução deste difícil problema passa pela responsabilização dos alunos e pais, pelo aumento de pessoal auxiliar, assim como por uma efectiva autoridade (não confundir com autoritarismo) dos professores perante alarmantes situações de indisciplina, que coloca indubitavelmente em risco a qualidade do ensino. Deste modo, é imperioso tomar medidas realistas e eficazes na eliminação desta alarmante barbárie com o fito de promover escolas seguras, onde todos os alunos se sintam bem, se respeitem, aprendam, bem como possam ter, de facto, a tão propalada igualdade de oportunidades.

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Afonso de Albuquerque Notícias diárias de educação.

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Medidas para combater o bullying na escola

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Muito me admira que o Estado continue a subsidiar alunos que vão à escola para aterrorizar e torturar colegas mais novos ou mais fracos.
Permitam-me alguma sugestões: 1. Castigos até dois dias de suspensão devem poder ser decretados pelo director da escola em processo sumário sem necessidade de levantamento de processo disciplinar. 2. Os pais têm o direito ao recurso mas apenas depois do cumprimento da sanção pelo aluno. Os efeitos da decisão do director são imediatos. 3. Os “castigos” do tipo “varrer o pátio” não têm eficácia. Devem ser substituídos por sanções mais eficazes e punitivas: suspensão de 1 a 8 dias de frequência das aulas. No caso de os pais não terem quem tome conta do aluno em casa, os serviços

Medidas para combater o bullying na escola…

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de segurança social devem providenciar o apoio necessário, recorrendo, se for necessário, a serviços especializados em apoio domiciliário para os casos de alunos com menos de 12 anos de idade 4. O director da escola deve ter poder para suspender o aluno da frequência das aulas até 8 dias. Quando os pais concordam com a sanção não há lugar a processos disciplinares. 5. Casos graves de bullying prolongado devem ser punidos com a transferência de escola dos agressores. A pedido dos pais, pode haver lugar à transferência de escola dos alunos vítimas de bullying. Essa transferência pode, em certos casos, ser feita para colégios particulares. Nestes casos, o Estado cobre as despesas das propinas. Notícias diárias de educação.

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Cef, Currículos Alternativos e Pief: lama para os olhos

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Muito se tem debatido sobre as diversas alternativas curriculares que têm sido oferecidas às escolas. Muitas delas têm-nas aceitado por assumirem que há problemas nas suas escolas e por terem esperança que algo de efectivo se possa fazer pelas crianças mais desfavorecidas. Outras escolas não têm sequer pensado no assunto por nem sequer pensarem em manchar a imagem que criaram. Outras ainda não o têm feito porque já há muito perceberam a triste e vergonhosa realidade que está por detrás dessas propostas.

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As políticas educativas inserem-se num contexto de política global que tem em vista apenas os interesses de alguns. Para tal, o desinvestimento na educação, o estímulo à falta de cultura e formação, a manipulação da forma de pensar e o progressivo minar dos valores básicos da sã convivência social, impõem-se. Cef, Currículos Alternativos e Pief, surgem assim como uma forma de iludir que se faz alguma coisa pelas crianças e jovens mais desfavorecidos. Na realidade, essas crianças e jovens estão a ser discriminados porque não lhes é dada a oportunidade de estudarem como os outros e de irem onde os outros vão. Para esses jovens e crianças, está reservada a certificação do mais baixo nível educativo, uma vez que são capazes de irem muito mais longe mas se baixa o nível até conseguirem “ser aprovados”. Para os que apresentam comportamentos disruptivos tudo lhes é “perdoado” – leia-se descul-

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

pado e justificado – porque tal interessa aos políticos, mas mais tarde têm a prisão como resposta… E ainda por cima nos querem convencer que é a esta prática que se chama pedagogia diferenciada… Se Cef, Currículos Alternativos e Pief fossem propostas consistentes, não teriam necessidade de existir porque consistente seria a educação de uma maneira geral, que dava na altura certa as respostas certas e estes problemas não se teriam acumulado desta forma. Poderíamos ainda supor que esta seria uma solução transitória para os problemas existentes mas olhando à volta e verificando que o estado da educação é cada vez pior, não se pode aceitar que quem é responsável por tamanha enormidade educativa seja também de propostas consistentes!

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Mas para provar tudo isto está a prática destes projectos e programas – basta analisar o perfil de entrada e o perfil de saída destes alunos e perceber que depois disso pouco ou nada muda, com algumas honrosas excepções, que dependem mais ou do perfil do aluno que não seria tão problemático à partida ou de alguma equipa que trabalhe de forma mais consistente, uma vez que estes programas foram criados para gerar falso sucesso e para enganar todos e até estas crianças e jovens que os frequentam, tal como os seus pais e encarregados de educação. Para provar tudo isto está também a famosa avaliação do Siadap para os extintos conselhos executivos, que premeia quem integrou estes projectos e programas nas alternativas curriculares que apresentou à população escolar – sem perguntar primeiro se a escola tinha população escolar que justificasse a sua existência e sem perguntar também de que forma

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foram aplicados, isso sim, talvez tivesse valido a pena caso fossem propostas sérias.. Basta de deixar sermos enganados e basta de máscaras e má política. Sem rumo social e sem rumo educativo não se vai a lado nenhum, e não vale a pena fingirmos que não vemos porque quanto maior for a bola de neve, mais difícil será travála e curar as feridas das suas consequências! Notícias diárias de educação.

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Fingir que muda para tudo ficar na mesma

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BragaNão tenho seguido com pormenor as negociações entre Alexandre Ventura e os representantes dos pais, alunos e professores. Tive, hoje, oportunidade de fazer uma revisão do que foi publicado, nos últimos dias, sobre o processo de negociações em torno das alterações ao estatuto do aluno. Todo o processo me parece um autêntico baile de máscaras. O ME, como seria de esperar, prossegue a política socratista de desresponsabilização dos agressores dos alunos mais novos e dos professores, teimando em fingir que muda para deixar o essencial na mesma.

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Naquilo que dói, o ME não toca. Nada de aplicar multas aos pais dos alunos absentistas ou agressores. Nada de reprovar os alunos absentistas que excederam o limite de faltas. Está visto que vai ficar tudo na mesma. Governo socratista contará com o apoio dos deputados do BE e do PCP para aprovarem alterações de faz-de-conta ao estatuto do aluno. Na hora da verdade, se conhecem os amigos dos professores. Finda a operação de cosmética, feita com a cumplicidade dos sindicatos - sobretudo da Fenprof tudo voltará ao que tem sido: alunos mais novos agredidos, professores insultados com os alunos

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absentistas, malcriados e bullies a manterem um elevado grau de impunidade. Tudo ficará igual: os directores receberão ordens para silenciar e encobrir sob pena de a escola ganhar má fama entre as equipas de apoio as escolas, na DRE e na IGE. Tudo isto é uma grande pouca vergonha. O país não vai longe se as escolas públicas continuarem a encobrir os crimes e a dar guarida à indisciplina e à má educação. Que o Governo socratista mantenha o rumo da desresponsabilização e encobrimento dos alunos absen-

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tistas e dos agressores, ainda se compreende, dado o historial dos últimos 5 anos. Está no código genético do socratismo. Mas que os sindicatos lhe sigam na peugada já é qualquer coisa de inexplicável. E lamentável. Ramiro MarquesNotícias diárias de educação.

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Os cúmplices do status quo

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Os partidos da esquerda parlamentar dão-se mal com a questão da autoridade. Isso é visível nas posições veiculadas sobre as alterações ao estatuto do aluno. Quando chega a hora de responsabilizar os alunos absentistas e castigar os agressores, os partidos da esquerda parlamentar dão um passo atrás invocando razões de ordem económica e social. Dessa forma dão argumentos à estratégia da vitimização e munições aos que pretendem destruir a escola pública. Quanto mais insegura for a escola publica, quanto mais tolerante for face à indisciplina e má educação

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menos serão os pais da classe media interessados em manter os filhos nas escolas do Estado. A cumplicidade dos partidos da esquerda parlamentar face aos pais irresponsáveis tem efeitos negativos na imagem da escola publica: dá força aos pais que não colaboram com a escola na educação dos alunos e aos que se colocam ao lado dos agressores contra as vitimas. Esta cumplicidade tem um efeito corrosivo sobre o ethos da escola publica. Estou em crer que o estatuto do aluno que vai sair deste processo negocial não vai melhorar grande coisa o actual status quo. Na hora da verdade, par-

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tidos da esquerda parlamentar e sindicatos de professores colocaram-se mais uma vez contra a escola publica, os professores e os alunos que querem aprender. Ramiro Marques Para saber mais
❋ ❋ Fingir que muda para tudo ficar na mesma Ricardo Silva (Apede): Sobre o estatuto do aluno, o currículo e os horários dos professores ❋ Seis meses de conversa fiada ❋ Proposta de Isabel Alçada, de alteração ao Estatuto do Aluno, é uma farsa Notícias diárias de educação.

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Reorganização curricular que aí vem traz mais confusão e

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perda de estatuto das disciplinas nucleares
Constância Depois de 6 meses de conversa fiada, vem ai um pouco mais de confusão curricular. O resto fica na mesma Foram quase seis meses de conversa fiada. Sorrisos, muito diálogo e mimos para as organizações sindicais. Eu gostei da postura dialogante e da boa educação da nova ministra. Passados seis meses de con-

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versa fiada, cansei. O que ficou de tanta conversa fiada, sorrisos e diálogo com os sindicatos? Ficou quase tudo na mesma. E receio que o currículo do terceiro ciclo fique pior: mais confuso e menos centrado nas disciplinas nucleares que, ao que tudo indica, vão perder estatuto. Em matéria de estatuto do aluno, as mudanças são de mera cosmética. Em matéria de avaliação de desempenho, as ligeiras melhorias não são suficientes para justificar os aplausos dos sindicatos: mantém-se o ciclo avaliativo de 4 anos e a carga burocrática não sofre decréscimo.

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Os professores que fazem show off e que, em vez de ensinarem as suas disciplinas, passam o tempo em projectos, visitas de estudo, actividades lúdicas e recreativas - falsamente chamadas de culturais - continuam a beneficiar de um modelo de avaliação injusto e parcial. Em matéria de reestruturação curricular, temo o pior. A ideia tonta das disciplinas semestrais vai gerar confusão e perda de estatuto das disciplinas nucleares. Mau sinal a ministra ter-se referido à história e à geografia quando falou de disciplinas semestrais. A ministra esqueceu que o ano

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lectivo do ensino básico não se reparte em dois semestres mas em 3 trimestres. Quem julgava que as áreas curriculares não disciplinares iam ser extintas enganou-se. Provavelmente, a Área de Projecto vai ganhar estatuto de disciplina. Vem ai confusão da grossa. O eduquês ganha força e os sindicatos aplaudem. Lamentável! Ramiro MarquesNotícias diárias de educação.

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Uma pessoa lê e não quer acreditar!

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ConstânciaUma pessoa lê e não quer acreditar: a Fenprof diz que a responsabilização dos pais dos alunos absentistas, indisciplinados e bullies reforça a exclusão. Seria como dizer que as penas de prisão dos jovens delinquentes que fazem assaltos a mão armada, oriundos de famílias pobres, não se justifica porque esses jovens são vitimas da exclusão social. Infelizmente, os partidos de esquerda continuam a olhar o mundo como se estivéssemos na década de 70 do século passado. Ao defenderem a desresponsabilização dos que cometem infracções graves estão a dizer que a escola publica é um espaço que tolera

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todo o tipo de atitudes. A mensagem que deveria passar deveria ser a contraria: a escola pública é um local que exige a observância de uma linguagem e postura adequadas. Na escola pública, não se tolera linguagem obscena nem faltas de respeito para com os funcionários e professores. Quem persiste na expressão de linguagem obscena, insulta professores ou agride colegas não pode ter lugar na escola pública regular. E os pais que se colocam do lado dos agressores, desautorizam sistematicamente os professores ou não colaboram com estes no processo educativo têm de ser responsabili-

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zados. Só vejo duas formas de os responsabilizar: redução de subsídios ou multas. Mas isso é algo que o Governo socratista nunca fará. Ramiro MarquesNotícias diárias de educação.

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Como combater o bullying?

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O professor Allan Beane, hoje reconhecido internacionalmente como especialista em prevenção e interrupção do bullying, buscou na traumática experiência familiar uma forma de compromisso para evitar que outras pessoas passem pelo que sofreu. Aos 23 anos, Curtis Beane, filho do autor, morreu vitima de consequências do bullying, após enfrentar muito sofrimento no convívio social, desde a infância. Allan Beane, Ph.D, passou então a orientar crianças, pais e professores a prevenirem-se das agressões que acontecem com frequência em grupos de crianças e adolescentes. “Como crianças podem ser tão cruéis?”

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foi a pergunta que Beane fez e que norteou o seu trabalho de prevenção do Bullying “Havia dentro de mim um clamor por respostas. Eu queria saber se podia impedir o desenvolvimento da crueldade, e queria detêla depois de já ter se desenvolvido.”
Proteja seu filho do bullying descreve as principais características apresentadas por crianças que sofrem maus-tratos e oferece dicas para ajudá-las a lidar com os agressores e a evitar os ataques. A palavra inglesa bully significa valentão, provocador. Hoje, o termo é usado para descrever os alunos violentos que implicam com os menores ou mais fracos. O bullying (acto de intimidar, oprimir) é um problema em escolas de todo o mundo, mas vai muito além da sala de aula: as agressões podem acontecer na vizinhança, ou mesmo em casa.

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“Um adulto negar ou ignorar a existência da agressão é a pior coisa que pode acontecer para as crianças, a escola, a comunidade. Quando os adultos se envolvem e mobilizam a energia de funcionários da escola, pais, representantes da comunidade e crianças, o bullying pode ser prevenido e interrompido.” O trata aborda diferentes formas de crueldade entre crianças, inclusive o ciberbullying, um problema crescente: uso de telemóveis, computadores e outros aparelhos electrónicos para maltratar outras crianças. Neste livro, Allan Beane, Ph.D., ensina os pais a identificar, impedir e prevenir o bullying, evitando assim as trágicas consequências que os maus-tratos podem trazer para a vida das crianças. O autor também esclarece a diferença entre um conflito comum e uma intimidação, além de explicar como ajudar a criança a denunciarem as agressões.

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Resposta eficaz para o problema da violência escolar, precisa-se!

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Gerês
Segundo o Público no artigo Ministério receptivo a estatuto de autoridade pública para professor, Mário Nogueira manifestou-se satisfeito com a abertura do ME às propostas da Fenprof, nomeadamente no que diz respeito à atribuição de estatuto de autoridade pública aos professores e com o reforço da formação de professores no que respeita à gestão da indisciplina e de conflitos em sala de aula. Já tínhamos tido esta informação, pelo que parece nada ter avançado a este nível. Acrescento que concordo inteiramente com estas medidas porque penso que os professores, sendo uma das partes intervenientes no processo educativo, devem estar, tanto quanto possível, preparados para lidar com este tipo de problema. Eu própria já fiz várias acções de formação nesta área e considerei-as úteis, embora o formato deva ser repensado para ser mais eficaz.

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Contudo, embora refira números bastante diferentes dos apresentados pela tutela, no que respeita a casos de violência em que foi apresentada queixa, Mário Nogueira não diz uma palavra sobre medidas para alunos e encarregados de educação, como se a actuação do ME sobre indisciplina e conflitos só passasse por estratégias para os professores. Esta atitude é completamente incompreensível. Uma vez mais, tal como no que respeita às propostas para o Estatuto do Aluno, se está subtilmente a transferir a responsabilidade da indisciplina e da violência escolar, para os professores. Sem disciplina e sem o problema da violência escolar resolvidos, não há escola que possa funcionar devidamente. E se as causas da indisciplina e da violência são tão diversas, como se espera que sejam resolvidas com medidas tão curtas? Para saber mais

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❋ ❋ ❋ ❋

Como combater o bullying? Uma pessoa lê e não quer acreditar Palavra dos professores vai valer mais A unidade da classe não se constrói à custa de uma paz podre – uma crítica aos sindicatos Notícias diárias de educação.

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Educação sexual obrigatória a partir dos 6 anos. Não é um

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bocado cedo demais? E obrigatória porquê?
Saiu finalmente a famigerada Portaria 196A/2010 que regulamenta a Lei 60/2009. O mínimo que se pode dizer sobre a Portaria 196A/2010 é que introduz mais burocracia nas escolas (aumenta o número de reuniões do conselho pedagógico e dos conselhos de turma e exige mudanças nos projectos educativos) e acrescenta novas funções não lectivas

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aos professores. Vem aí mais trabalho inútil e responsabilidades para os professores.
É grave que os encarregados de educação dos alunos sejam impedidos de exercer liberdade de escolha. Numa sociedade democrática e pluralista, seria de esperar que a educação sexual fosse matéria optativa. Só dessa forma o Estado estaria a respeitar as opções religiosas e filosóficas dos pais dos alunos. Mas desde 2005 que o Estado português deixou de ser democrático e pluralista. Grave também é a importância excessiva que a Lei 60/2009 e a Portaria 196A/2010 dão a uma matéria que, sendo relevante, não é mais necessária do que, por exemplo, a educação rodoviária. Se quisermos ser rigorosos temos de afirmar que morrem mais portugueses por ano em acidentes de automóvel do que de doenças sexualmente transmissíveis. Não passa pela

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cabeça de ninguém impor uma disciplina obrigatória, a partir do 1º ano de escolaridade, sobre segurança rodoviária. Portanto, a questão da protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis não é um argumento válido para a imposição da obrigatoriedade da educação sexual a partir do 1º ano de escolaridade. O que está verdadeiramente em causa com o Lei 60/2009 é a imposição pelo Governo socialista de uma visão sobre a sexualidade que visa politizar o sexo e impor às crianças e adolescentes a ideologia que defende a propaga a igual legitimidade e validade de todas as orientações sexuais e o aborto a pedido, pago pelo Estado, como método contraceptivo legítimo. A Portaria 196A/2010 vai ao ponto de conceder redução da componente lectiva aos professores coordenadores da educação sexual, concedendo-lhes um estatuto de superioridade

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que vai criar mais clivagens nas escolas. Com esta inútil e perigosa legislação vamos ter nas escolas uma espécie de polícias do sexo que vão impor as orientações politicamente “correctas” e reprimir e pôr na ordem os professores que defendem posições tradicionalistas sobre a sexualidade. Com esta legislação, cria-se mais uns quantos obstáculos ao desempenho da missão da escola: transmitir às novas gerações o legado científico, tecnológico, literário e artístico da Humanidade. E dão-se mais uns tantos argumentos em defesa das escolas privadas. Notícias diárias de educação.

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Lá como cá, os políticos querem que os professores limpem

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

a sujeira que eles próprios criaram
O Público de hoje publica uma reportagem de duas páginas assinada por Bárbara Wong. A reportagem relata uma viagem aos EUA patrocinada pela Fundação Luso-Americana (FLAD).
A reportagem merece leitura atenta. Está bem escrita e reflecte uma parte da realidade escolar norte-americana. As políticas educativas promovidas pelo secretário de estado da Educação do Obama são muito semelhantes às que

Lá como cá, os políticos querem que os…

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Maria de Lurdes Rodrigues promoveu durante quatro anos e meio. Os políticos desestruturam as comunidades naturais, carregam as empresas e as famílias com impostos, lançam dinheiro dos contribuintes para cima dos problemas, aprovam legislação inimiga da criação de emprego, aumentam as desigualdades sociais e querem que sejam os professores a resolver os problemas que eles próprios criaram. E o modo como os socialistas, Obama incluído, gostam de “resolver” os problemas sociais, criados por eles, é fazendo pressão sobre os professores para que eles desempenhem as funções que as comunidades naturais deixaram de desempenhar por força das políticas erradas que as têm vindo a desagregar.

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E vai daí, a solução é mais avaliação de desempenho dos professores, mais burocracia sobre as escolas, mais funções de carácter social para os professores e pressões administrativas para que as escolas mantenham no sistema os alunos que não querem estudar. A reportagem da Bárbara Wong dá conta das pressões políticas para o fecho das escolas com piores resultados, demissão dos directores e despedimento dos professores incapazes de promoverem o sucesso escolar de todos os alunos. A parte boa das políticas educativas do Obama tem sido a promoção de incentivos à criação das charter schools. É um movimento que merece análise ponderada. Por um lado, as charter schools permitem criar alternativas de maior qualidade. Por outro, conduzem à morte lenta do sistema público de educação.

Lá como cá, os políticos querem que os…

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Os estudos sobre os efeitos das charter schools (escolas do Estado com gestão privada) no desempenho dos alunos são contraditórios, embora a maioria se incline para a existência de alguns ganhos significativos. Portugal segue o caminho dos EUA em matéria de educação pública: os alunos das classes alta e média frequentam escolas privadas e os alunos pobres andam nas escolas públicas. O processo de privatização da educação pública e criação de um sistema dual (escolas públicas para pobres e escolas privadas para a classe média e os ricos) é irreversível. Notícias diárias de educação.

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Três medidas para salvar os adolescentes que não querem estudar e violam
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sistematicamente as regras de convivência social
O sistema público de educação vive há duas décadas o sonho da escola inclusiva. Uma ideologia pedagógica centrada na tese do bom selvagem e na putativa superioridade das metodologias construtivistas e românticas.

Três medidas para salvar os adolescentes…

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O sonho virou pesadelo. Por mais pequenas que sejam as turmas, por mais computadores e quadros interactivos que se coloquem nas salas, há cada vez mais alunos que andam na escola mas aprendem muito pouco e - pior do que isso - andam por lá a impedir que os outros aprendam. O sistema público de educação, carregado de ideologia igualitária, condena esses alunos a uma vida de marginalidade, abuso de drogas, delinquência, crime, desemprego, subsidiodependência e pobreza. Esses alunos passam pela escola sem aprenderem os mínimos, sem desenvolverem capacidades de trabalho e - o pior de tudo - adquirindo maus hábitos e desenvolvendo um carácter deficiente. O que fazer para salvar esses adolescentes?

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Criar um sistema dual com escolas do ensino técnico e escolas de “artes liberais” - vulgarmente chamadas de liceus -, com o propósito de preparar os alunos para seguirem cursos universitários de elevada exigência. Os adolescentes que violem grosseiramente e de forma continuada as regras de convivência social, seja expressando comportamentos de bullying, insultando professores ou agredindo fisicamente os colegas, devem ser separados dos restantes. Os alunos referidos no parágrafo anterior têm direito à educação e formação profissional, ainda que o acesso a tal direito exija a transferência para escolas de retaguarda, em regime de internato, com códigos de conduta mais rigorosos e meios suficientes e apropriados para corrigir deficiências de carácter e transmitir bons hábitos. Esses alunos precisam de formação profissional a sério. Mas ainda precisam mais de algo que as

Três medidas para salvar os adolescentes…

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escolas públicas regulares não são capazes de lhes darem: aquisição de bons hábitos de trabalho, nomeadamente respeito pela pontualidade, assiduidade, cumprimento de regras, obediência e capacidade para prestar atenção e seguir as instruções dadas pelos professores. Sem a aquisição desses bons hábitos de trabalho é impossível salvar esses adolescentes da pobreza, do crime e do desemprego. Notícias diárias de educação.

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Ambientes escolares frouxos potenciam o bullying. Verifique se a sua escola está
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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

organizada para promover o bullying
Há uma relação directa entre ambiente escolar frouxo e a ocorrência de bullying. Uma boa forma de verificar se a sua escola está organizada para promover o bullying é percorrer as situações descritas a seguir e anotar aquelas que estão presentes na sua escola:
Baixo moral dos professores e funcionários Alta rotatividade dos professores

Ambientes escolares frouxos potenciam…

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Não há padrões de comportamento pré-estabelecidos Cada professor tem os seus critérios de disciplina Não existe um código de conduta explícito Existe um código de conduta que integra generalidades e não aponta sanções Falta de limpeza nas salas, corredores e recreios Falta de funcionários para supervisão dos corredores, banheiros e pátios Os novos alunos não são acompanhados e apoiados nem por alunos mais velhos nem por docentes A escola tem paredes grafitadas e ninguém se preocupa em limpá-las Não há orientações claras para lidar com incidentes relacionados com o bullying

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Os funcionários e os professores ignoram os insultos e as agressões com medo de represálias Se a sua escola tem mais do que duas destas situações, é provável que esteja organizada para promover o bullying. Notícias diárias de educação.

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A escola pública vive esmagada pelo peso das ideologias

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pedagógicas erradas e irrealistas
O declínio da escola pública agravou-se com a crescente captura do currículo pelos teóricos da didáctica e da pedagogia romântica e construtivista.
Esta captura subalternizou a transmissão de conteúdos das disciplinas e áreas do conhecimento, reduzindo o espaço para o seu ensino na formação de professores, no último ciclo da escola básica e na escola secundária, e formatando os projectos educativos, projectos curriculares de escola, projectos curriculares de turma, articulações curriculares e pedagógicas e ava-

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liação das escolas e dos professores na obediência a metodologias erradas e irrealistas. Há anos que essa captura produz efeitos nefastos na organização pedagógica das escolas, na formação inicial e contínua de professores, nas orientações pedagógicas veiculadas pela DGIDC, pelas DRE, pelas equipas de apoio às escolas e pela IGE. Tem sido uma gigantesca lavagem ao cérebro com semelhanças aos processos de controlo das consciências usados durante a Grande Revolução Cultural Proletária Chinesa nos anos 60 do século passado. Não houve assassinatos. Apenas suicídios, fuga em massa dos professores mais velhos, burn out, exaustão, depressão e muito consumo de valium e de prozac. Essa gigantesca lavagem ao cérebro assenta em três pilares ideológicos. Todos falsos. O primeiro é a ideologia da escola

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inclusiva. Os efeitos nefastos sentem-se a todos os níveis mas particularmente na falta de apoios qualificados a muitos alunos com NEE que foram obrigados a seguir o ensino regular. Outro exemplo nefasto é a integração à força nas escolas regulares - a partir de agora até aos 18 anos de idade - de alunos que não querem estudar, não gostam de estudar e andam na escola a impedir que os colegas aprendam. Como é evidente, esses alunos não andam a fazer nada nas escolas regulares. O Estado está a privá-los do acesso a uma educação e a uma formação profissional capazes de corrigir deficiências de carácter e maus hábitos. Esses alunos precisam de frequentar escolas de retaguarda, com meios para impor o respeito pelas regras de convivência social e a formação de bons hábitos: assiduidade, pontualidade, respeito, consideração pelos outros, compaixão, justiça, obediência, perseverança e gosto pelo trabalho bem feito.

A escola pública vive esmagada pelo peso…

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Os outros dois pilares ideológicos são o romantismo pedagógico e o construtivismo. Sem espaço para desenvolver aqui esses dois pilares, deixarei essa tarefa para futura oportunidade. O fim do socratismo vai exigir um recomeço na educação pública. E a primeira medida a tomar é pôr fim à captura do currículo, do sistema de formação de professores e da administração educacional pelos teóricos do eduquês, os especialistas em didáctica e os cruzados da pedagogia romântica e construtivista. Sem essa tarefa estar concluída não é possível começar a recuperação da escola pública. Notícias diárias de educação.

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Dicas de sobrevivência profissional retiradas da minha segunda Página do Facebook:
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facebook.com/ ramiromarques2
Dedico cada vez mais tempo às minhas Páginas do Facebook. Como afirmei no post anterior, a minha Página do Facebook atingiu os 5 mil subscritores e a Facebook não permite mais adesões. Criei, por isso, uma segunda página: facebook.com/ramiromarques2 para poder alojar os mais de 600 pedidos de adesão que me chegaram na última semana.

Dicas de sobrevivência profissional retiradas…

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A minha segunda Página do Facebook -facebook.com/ ramiromarques2 - tem conteúdos originais. Para além de álbuns de fotografias, tem mais comentários, debates sobre temas educativos e dicas de sobrevivência profissional e para o bem-estar pessoal. Sempre que se justifique, publico no ProfBlog algumas dessas dicas de sobrevivência. Se quiser aderir à minha segunda página no Facebook, clique em “become a fan” que se encontra na caixa colocada no fundo do ProfBlog, à direita. Ramiro Marques Dica #4: Se é director de turma e tem pais que fazem queixas de professores, não tome partido; diga apenas que toma nota e que vai ouvir a outra parte. Não formule juízos de valor antes de apurar evidências junto de todas as partes envolvidas. há cerca de uma hora · Comentar · Gosto

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O eduquês como instrumento de controlo ideológico dos professores

Maria Rosa Santos e 2 outros gostam disto. Eliminar Ramiro Marques Dica #3: Nunca fale mal de colegas à frente dos seus alunos. Esta dica é válida também para quando estiver com os encarregados de educação. há cerca de uma hora · Comentar · Gosto Zulmira Braga e Agripina Maltinha gostam disto. Eliminar Ramiro Marques Dica #2: Nunca se deixe envolver em confrontos físicos com os seus alunos. Não perca a calma. Chame um funcionário para ajudar a separar alunos quando eles se envolvem em cenas de pancadaria. há cerca de uma hora · Comentar · Gosto Eliminar

Dicas de sobrevivência profissional retiradas…

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Ramiro Marques Dica #1: Fale devagar com os seus alunos, nunca levante a voz e evite repetições inúteis. Notícias diárias de educação.

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Dicas do meu Facebook sobre sobrevivência profissional. Mais dicas em
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facebook.com/ ramiromarques2
Ramiro Marques Dica “5: Se quer ser respeitado pelos seus alunos não se coloque ao nível deles. Eleve-se sempre um pouco mais do que eles quer na linguagem, postura e atitudes quer no vestuário. Ramiro Marques Dica “6: Se quer ser respeitado pelos seus alunos, peça ao director da escola que mande colocar nas salas de aula um estrado e uma secretária para o professor. A ideia de que o professor

Dicas do meu Facebook sobre sobrevivência…

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deve estar ao nível dos alunos, usando uma mesa igual à deles, só pode criar equívocos na cabeça dos alunos, debilitando a autoridade… Ramiro Marques Dica “7: Se quer ser respeitado pelos seus alunos, nunca deixe que eles entrem na sala de aula antes de si ou o façam atropelando-se uns aos outros. O ritual de entrada na sala de aula tem de ser respeitado: primeiro, entra o professor e depois os alunos, em fila.
Se quiser ter acesso a mais dicas sobre sobrevivência profissional e bem-estar pessoal, siga a minha Segunda Página no Facebook. Pode seguir a minha segunda página no Facebook, clicando em “become a fã” na caixa que eu coloquei no fundo do Prof-

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Blog. Infelizmente, a Facebook não deixa ter mais de 5 mil subscritores pelo que tive necessidade de abrir uma segunda página para poder aceitar os novos pedidos de adesão.Estou a dedicar tanto tempo às duas páginas do Facebook como o ao ProfBlog. Publico no Facebook muitos conteúdos originais e é lá que comento, respondo aos comentários e converso no “chat”. Notícias diárias de educação.

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Mais 10 dicas do meu Facebook sobre sobrevivência profissional. Mais
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dicas em facebook.com/ ramiromarques2
Frutaria de Nova Iorque, 2010
Criei uma segunda Página no Facebook com o objectivo de poder aceitar novos amigos para além dos 5 mil que esgotaram a minha primeira página. Na minha Segunda Página no Facebook - facebook.com/ ramiromarques2 - criei uma secção sobre “Dicas para a Sobrevivência Profissional”. Tenha acesso à minha segunda

Mais 10 dicas do meu Facebook sobre sobrevivência…

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página no Facebook, clicando em “become a fan”, na caixa do Facebook que eu coloquei no fundo fo ProfBlog. Para além das Dicas sobre Sobrevivência Profissional, a minha Segunda Página no Facebook divulga, diariamente, novos álbuns com fotos e os posts que eu publico nos blogues. É lá também que pode conversar comigo via chat do Facebook. Ramiro Marques Esteja atento às minhas dicas para fazer amizades no local de trabalho. Dica “1: Diga olá e sorria. Dica “2: Seja um bom ouvinte Dica “3: Seja gentil com os outros Dica “4: Seja sincero. Dica “5: Voluntarie-se para ajudar os outros. Dica “6: Admita os erros e corrija-os. Dica “7: Coopere com os outros.

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Dica #8: Assuma a responsabilidade pelos fracassos. Dica “9: Nunca recolha para si os louros de um trabalho que foi realizado por outros. Dica “10: Seja generoso.Notícias diárias de educação.

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Mais duas dicas do meu Facebook sobre sobrevivência profissional. Se você
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lidera um grupo, tome nota. Mais dicas em facebook.com/ ramiromarques2
Se quiser ter acesso a estas e a muitas outras dicas sobre sobrevivência profissional e bem-estar pessoal no local de trabalho, subscreva a minha Segunda Página do Facebook: facebook.com/ramiromarques2.Pode subscrever, clicando em “become a fan”

Mais duas dicas do meu Facebook sobre…

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na caixa do Facebook que eu coloquei no fundo do ProfBlog. Recordo que essa é a única forma de aceder aos meus textos, fotos e comentários no Facebook porque a minha primeira página no Facebook atingiu o limite dos 5 mil amigos.
Ramiro Marques Mais duas dicas para a sobrevivência profissional: Dica “1: Se você lidera um grupo, tome nota: Quando o grupo trabalha bem e consegue bons resultados, seja o último a reivindicar os louros. Dica “2: Quando o grupo trabalha mal e os resultados são medíocres, seja o primeiro a assumir responsabilidades. Infelizmente, é vulgar os líderes de grupo - directores de turma, coordenadores de departamento, coordenadores de ano e de ciclo e directores de escola - fazerem o contrário: dei-

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tarem as culpas do que corre mal para cima dos outros e reivindicar para si os louros do trabalho feito pelos colegas. Quando isso acontece, está aberto o caminho para criar mal-estar na escola.Notícias diárias de educação.

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Tudo grátis para os CEF. A elite precisa de descamisados e estes resignam-se com
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viagens e refeições gratuitas e um futuro de RSI
A cena passa-se numa escola pública do distrito de Santarém. Quase todos os dias, a escola requisita e paga 3 autocarros para estarem ao serviço das turmas CEF. Porquê quase todos os dias? Porque há dinheiro para estoirar nas turmas CEF e porque a única

Tudo grátis para os CEF. A elite precisa…

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forma de manter os alunos CEF na escola é levá-os diariamente a passear de autocarro…sem pagarem.
Os outros alunos pagam quando viajam em visitas de estudo. Também pagam quando adquirem uma sanduíche no bar ou uma refeição na cantina. Os motoristas da empresa de camionagem que serve os alunos CEF não gostam do serviço mas suportam-no. Habituaram-se a ser insultados durante as viagens. Mas os professores que acompanham os alunos CEF nestas viagens pelo Ribatejo e Lisboa habituaram-se à ideia de que é melhor serem insultados dentro de um autocarro do que dentro de uma sala de aula. E sabem, por experiência própria, que é mais fácil suportar a má educação e a agressividades dos alunos CEF quando os levam a passear…à borla, do que quando os têm dentro de uma sala de aula durante 90 minutos.

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Esta situação cria mal-estar entre os alunos que não são CEF e que têm de pagar do seu bolso as visitas de estudo, as sanduíches e os almoços. Mas estes alunos habituaram-se à ideia de que não vale a pena protestar. As coisas são assim, ficaram assim e dificilmente virão a ser diferentes. E se protestarem ninguém lhes dará atenção. Provavelmente, serão acusados de racismo social, conservadorismo e direitismo. Eles sabem: por isso, não protestam e deixam que os recursos da escola sejam colocados ao serviço dos que violam as regras, não querem estudar ou se dedicam a impedir que os professores ensinem. Os recursos do Estado foram capturados por uma elite política que serve dois amos: o grande capital e os descamisados. Os autocarros que todos os dias estão à porta da escola ao serviço de alunos que se habituaram a faltar às aulas sem

Tudo grátis para os CEF. A elite precisa…

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consequências, a desrespeitar professores e a insultar motoristas e funcionários são o preço que a elite paga para ter os votos dos descamisados. Um preço que não pára de aumentar. A elite sabe que o futuro dela e a manutenção dos seus privilégios dependem do aumento do número de descasmisados a quem o Estado oferece viagens e refeições gratuitas. A elite política alimenta-se dos votos dos descamisados. Estes sossegam e resignam-se à sua (pouca) sorte com refeições e viagens gratuitas. E sabem e aceitam o que o futuro lhes reserva: uma vida imersa na ignorância e a sobrevivência física assegurada pelo Rendimento Social de Inserção. Notícias diárias de educação.

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A liberdade de escolha das escolas pelos pais conduziu à criação de

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1000 novas escolas na Suécia
Há um debate em toda a União Europeia - com excepção de Portugal - em torno da questão da livre escolha das escolas pelos pais. A Suécia é o país que mais longe levou o conceito e com resultados muito bons:
Since the free schools programme was established in Sweden, over 1,000 new schools have opened. They have been founded by foundations, charities and others – and they have

A liberdade de escolha das escolas pelos…

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attracted pupils by offering better discipline and higher standards. Because any parent can take the money the Swedish Government spends on their child’s education and choose the school they want, standards have risen across the board as every school does its best to satisfy parents. Fonte: The Conservative manifesto Não consigo compreender como o Ministério da Educação e o Ministério das Finanças continuam a lançar dinheiro para cima de escolas incapazes de criarem ambientes de aprendizagem seguros, ordeiros e sérios. Façam as contas ao preço a que custam os alunos dos CEF em centenas de escolas deste país e comparem esses custos com os resultados dos alunos. Há milhares de turmas CEF com menos de 1o alunos. Há milhares de professores que têm, durante o ano, menos de 20 alunos (turmas CEF). Há milhares de alunos CEF que faltam

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sistematicamente às aulas, que vão à escola apenas para beneficiarem de refeições gratuitas ou quando há “visitas de estudo” à borla. O interior das salas de aula de algumas turmas CEF é uma autêntica caixa negra onde tudo é possível, incluindo insultos sistemáticos a professores, entrar e sair da sala quando apetece e todo o tipo de batalhas campais. Notícias diárias de educação.

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5 Dicas do meu Facebook para lidar com os pais dos alunos agressores (bullies)
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Prometi dar continuidade à rubrica “Dicas de Sobrevivência” e aqui estou a fazê-lo. As dicas são originalmente publicadas na minha Segunda Página no Facebook -facebook.com/ramiromarques2.
Se quiser ter acesso à minha segunda página no Facebook, clique em “become a fan” na caixa do Facebook que eu coloquei no fundo do ProfBlog. Só assim poderá subscrever a página e ter acesso a todos os conteúdos. Ramiro Marques Dicas para para lidar com os pais dos alunos agressores (bullies): Dica #1: Não telefone, procure falar face a face; Dica #2: Fale com calma e limite-se a relatar os factos; Dica #3: Mostre que quer ajudar os pais do aluno agressor a lidar com o problema;

5 Dicas do meu Facebook para lidar com…

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Dica #4: Não culpe os pais do agressor; Dica #5: Foque o comportamento do agressor e não o seu carácter. Para saber mais Segunda Página no Facebook Notícias diárias de educação.

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Os professores não devem recear a liberdade de escolha das escolas. Só têm a
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ganhar com as melhorias no ethos da escola e no código de conduta dos alunos
Eu sei que a defesa da liberdade de escolha das escolas é uma tese impopular entre os professores. Sucede que eu não alimento este blogue com o objectivo primeiro de ser popular. Saúdo a inclusão desta questão no discurso político da oposição pela

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voz de Passos Coelho. Até agora, apenas o CDS advogava, de forma tímida, a liberdade de escolha. O PSD foi sempre um irmão gémeo do PS em matéria de Educação, repartindo ambos as responsabilidades pelo estado em que se encontram as escolas públicas. Vai deixar de ser? Não sei. É preciso esperar para ver.
Conheço vários países onde a liberdade de escolha das escolas é uma realidade aceite e que não oferece grande contestação. É o caso dos EUA, onde vivi e que visitei uma dezena de vezes nos últimos vinte e cinco anos. É o caso da Irlanda, da Inglaterra (em certa medida), da Holanda e da Suécia. As charter schools são um evidente caso de sucesso. Boston, Nova Iorque, Chicago e muitas outras cidades dos EUA estão cheias delas. O que é que os professores e os alunos ganharam? Mel-

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hores ambientes de aprendizagem, mais tranquilidade nas salas de aula, mais respeito e espaços mais seguros. A Suécia, outrora um país socialista, foi o país que mais longe levou o conceito de livre escolha. Mas há outros países noutras partes do Globo que também concretizaram o conceito: Austrália e Nova Zelândia, por exemplo. Com excepção dos estudos conduzidos ou financiados por investigadores e centros de investigação marxistas, quase todos os outros estudos concluem pela existência de ganhos na aprendizagem dos alunos. É verdade que há muitos estudos a provar a inexistência de ganhos significativos. Mas isso é assim porque a maior parte dos investigadores e centros de investigação em Educação adoptam uma perspectiva marxista na análise do fenómeno. Há um preconceito ideológico de base que contamina, em muitos casos, os resultados.

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Há duas formas de levar à prática a livre escolha das escolas: uma boa e outra errada. A primeira inclui o exercício da actividade reguladora independente com o objectivo de assegurar que as escolas que beneficiam dos programas de livre escolha não utilizam o critério “rendimentos familiares” como método de selecção dos candidatos. A segunda - errada - é a desregulação total. O que acontece na Suécia, onde nos últimos anos foram criadas cerca de mil novas escolas ao abrigo do programa de livre escolha, insere-se no primeiro caso. Espero que seja essa a opção de Passos Coelho. Não é preciso inventar nada. Aplique-se, em Portugal, com as necessárias adaptações, o modelo sueco. Que é aliás o modelo que o Partido Conservador defende para a Inglaterra e o País de Gales.

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Os professores não têm de recear a aplicação do modelo sueco de liberdade de escolha das escolas. Mantêm o estatuto de funcionários públicos e conservam o estatuto da carreira docente. O que podem esperar de diferente diz respeito ao clima de escola e ao código de conduta dos alunos. Num caso e noutro, só podem esperar melhorias. E podem esperar também pelo fim da impunidade dos alunos violentos. Esses alunos excluem-se do programa de livre escolha das escolas. Na Inglaterra e País de Gales, há escolas de retaguarda, com programas específicos, para acolher esses alunos. Notícias diárias de educação.

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