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ELETRICIDADE

BÁSICA

CAP 01 CIRCUITOS EM CORRENTE

CONTÍNUA

CAP 02

CORRENTE ALTERNADA EM REGIME SENOIDAL PERMANENTE

FEI 2S_2014

Sobre o Autor

Prof. Dr. Devair Aparecido Arrabaça.

Formação Acadêmica:

Graduado pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) com o título de:

“Engenheiro Eletricista Modalidade Eletrônica” Concluído em 1976.

Mestre em Engenharia Elétrica pela Faculdade de Engenharia Industrial, Título da Dissertação:

“Aplicação dos Diagramas de Fasores no Estudo de Retificadores Industriais”, concluído em 1995.

Doutor em Engenharia Elétrica na área de Sistemas de Potência, pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP), Título da Tese:

“Formulação Matemática da característica CC de Retificadores Trifásicos de Múltiplos Pulsos”, concluído em

2004.

Coautor dos livros:

Conversores de Energia Elétrica CC/CC para Aplicações em Eletrônica de Potência. e

Conversores de Energia Elétrica CA/CC Teoria, Prática e Simulação.

Coordenador do Curso de Eletricidade Básica na FEI

FEI_2S_201

1

FEI_2S_201

Sumário

2

CAPÍTULO 01 Circuitos em Corrente contínua

04

1. Teoria de Circuitos Elétricos em Corrente Contínua.

04

1-1. Postulados, Convenções e Definições Básicas.

04

Bipolo Elétrico, Circuito Elétrico

04

Ramo, Nó, Laço, Malha, Gerador Ideal de Tensão Elétrica

05

Corrente Elétrica

06

Característica Elétrica de Bipolos, Potência Elétrica

07

Convenção Elétrica de Gerador

07

Convenção Elétrica de Receptor

08

Associação de Bipolos Elétricos

08

Associação Série de Bipolos Elétricos

09

Associação Paralela de Bipolos Elétricos

08

Balanço Geral das Potências Elétricas

08

1-2. Análise de Circuitos Elétricos e as Leis de Kirchhoff.

09

1º. Lei de Kirchhoff

10

2º. Lei de Kirchhoff

11

Característica Elétrica do Resistor

12

Característica Elétrica da Fonte Real de Tensão Contínua

12

1-3. Análise de Kirchhoff e Maxwell para Circuitos Elétricos.

17

Análise de Kirchhoff

17

Análise de Maxwell ou Análise de Malhas

19

Circuitos com Duas Malhas

20

Circuitos com três Malhas

22

1-4. Solução de Circuitos com Uma, Duas e Três Malhas.

23

Circuitos com Uma Malha

26

Circuitos com Duas Malhas

32

Circuitos com Três Malhas

35

1-5. Exercícios Propostos.

40

1-6. Desafios.

46

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CAPÍTULO 02 Circuitos Monofásicos em Corrente Alternada

51

2. Circuitos Elétricos em Corrente Alternada Senoidal.

51

2-1. Característica Elétrica do Bipolo Ativo ou Fonte.

51

2-2. Característica Elétrica dos Bipolos Passivos ou Receptores.

53

2-2.1 Característica Elétrica do Resistor em CARegime Senoidal.

54

2-2.2 Característica Elétrica do Indutor Ideal em CARegime Senoidal.

56

2-2.3 Característica Elétrica do Capacitor Ideal em CARegime Senoidal.

58

2-3. Circuito R,L,C Série em Corrente Alternada Senoidal.

60

2-4. Circuito R,L,C Paralelo Corrente Alternada Senoidal.

64

2-5. Fator de Potência em Regime Senoidal Monofásico.

67

2-5.1 Cálculo do Capacitor para Correção do Fator De Potência.

69

2-6. Solução de Exercícios com Uma ou Duas Malhas.

73

2-7. Exercícios Propostos.

83

2-8 Desafios.

89

ANEXO A

94

ANEXO B

100

3

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CAPÍTULO 01

4

Circuitos em Corrente Contínua

Neste capítulo será estudado o comportamento dos circuitos elétricos com cargas puramente resistivas alimentadas por um ou mais geradores elétricos de tensão contínua. Serão introduzidos conceitos sobre: corrente elétrica, tensão elétrica, potência elétrica, característica de bipolos elétricos, as leis de Kirchhoff e análise de malhas. Para fixar os conceitos introduzidos serão apresentados exercícios resolvidos e exercícios propostos com respostas. Nesta obra não há a preocupação de apresentar informações detalhadas sobre a origem e o comportamento das grandezas elétricas envolvidas, a preocupação maior é a de ensinar o leitor a construir e resolver um sistema linear de equações, a partir do circuito elétrico fornecido, tendo como base os postulados, as convenções e as leis fundamentais da eletricidade. Espera-se que, após estudar a teoria apresentada e resolver os exercícios propostos nesse capítulo, o leitor tenha adquirido condições de analisar e dimensionar a maioria dos circuitos elétricos contendo resistores e fontes de tensão contínua.

1. TEORIA DE CIRCUITOS ELÉTRICOS EM CORRENTE CONTÍNUA

1-1. POSTULADOS, CONVENÇÕES E DEFINIÇÕES BÁSICAS.

Por questão de simplicidade de comunicação e de evitar redundâncias nos textos, ao citar os termos referentes à eletricidade, tais como; circuito(s) elétrico(s), bipolo(s) elétrico(s), corrente(s) elétrica(s), tens(ões) elétrica(s), gerador(es) elétrico(s), receptor(es) elétrico(s), potência(s) elétrica(s), serão, dentro do possível, subtraídas as palavras elétrico(s) ou elétrica(s).

Bipolo Elétrico: Qualquer componente elétrico com apenas dois terminais de acesso é denominado de bipolo elétrico. O bipolo é classificado como ativo quando ele gera potência (fontes ou geradores) e como passivo quando ele absorve potência (cargas ou receptores).

Circuito Elétrico: Um circuito elétrico é formado pela associação de bipolos elétricos. No exemplo apresentado na figura 1.1 o circuito é formado pela associação de quatro bipolos, dos quais B1é um bipolo ativo (gerador ou fonte) e B2, B3e B4são bipolos passivos (receptores ou cargas).

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FEI_2S_201 5 FIG. - 1.1 Exemplo de Circuito Elétrico  Ramo: Cada bipolo é considerado um

5

FIG. - 1.1 Exemplo de Circuito Elétrico

Ramo: Cada bipolo é considerado um ramo do circuito. O circuito desenhado na figura 1.1 possui quatro bipolos elétricos.

Nó: O encontro de dois ou mais bipolos definem um nó no circuito. Para efeito de equacionamento das correntes no circuito, serão considerados apenas os nós devido ao encontro de três ou mais bipolos no circuito, o nó devido ao encontro de, apenas, dois bipolos é considerado degenerado, ou seja, nele a corrente que entra é a mesma que sai, não havendo necessidade de equacioná-lo. No circuito desenhado na figura 1.1 há três nós, o nó “1”, degenerado, e os nós “2” e “3”.

Laço: Qualquer caminho fechado percorrido no circuito define um laço. O circuito elétrico desenhado na figura 1.1 possui três laços: B1, B2 e B3, B3 e B4e B1, B2 e B4.

Malha: Qualquer laço que não possui bipolos elétricos no seu interior é definido como malha. No circuito elétrico desenhado na figura 1.1 existem apenas duas malhas: “B1, B2 e B3e B3 e B4, observem que o caminho formado pelos bipolos B1, B2 e B4é laço porem não é malha, pois o bipolo elétrico “B3” está inserido no seu interior.

Gerador Ideal de Tensão Elétrica: É um bipolo que mantém a tensão nos seus terminais qualquer que seja a corrente solicitada, os exemplos mais comuns são: a bateria elétrica do carro e as pilhas alcalinas. Na figura 1.1 o bipolo elétrico B1simboliza um gerador ideal de tensão. A tensão elétrica também é denominada de diferença de potencial elétrico “ddp”, sendo representada no circuito por uma flecha cuja seta sempre indica o potencial elétrico positivo do bipolo. A unidade básica da tensão elétrica é o Volt (V) e os seus derivados mais comuns estão indicados na tabela 1.1.

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Tabela 1.1

Derivado

MV

   

kV

 

mV

   

V

 

Valor

10

6

V

10

3

V

10

3

V

10

6

V

10 3 V 10  3 V 10  6 V Nasceu na cidade de Como

Nasceu na cidade de Como na Itália, estudou em colégio Jesuíta e em 1800 construiu um aparelho com discos alternados de prata e zinco, separado por discos de cartão embebidos em uma solução salina, empilhados uns sobre os outros, que ficou conhecido como a Pilha de Volta. A unidade de medida de tensão, Volt, no Sistema Internacional, leva o seu nome.

6

Corrente Elétrica: é um movimento ordenado de cargas elétricas no interior de um condutor elétrico, provocado pela presença de uma diferença de potencial elétrico criada por um gerador de tensão elétrica e aplicada nos seus terminais. O sentido convencional da corrente elétrica em um circuito é sempre indo do potencial elétrico de tensão mais positivo em direção ao potencial elétrico de tensão mais negativo (movimento de cargas positivas). A unidade básica da corrente elétrica é o Ampère (A) e os seus derivados mais comuns estão indicados na tabela 1.2. Tabela 1.2

Derivado

MA

   

kA

 

mA

   

A

 

Valor

10

6

A

10

3

A

10

3

A

10

6

A

10 3 A 10  3 A 10  6 A Nascido em Lyon, dentre outros

Nascido em Lyon, dentre outros feitos pesquisou o magnetismo provocado por uma corrente elétrica dando origem a toda a teoria da eletrodinâmica. Foi professor de física, química e matemática em Paris, por volta de 1820 em Paris. Em sua homenagem, a unidade de medida de corrente elétrica, Ampere, no Sistema Internacional, leva o seu nome.

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Característica Elétrica de Bipolos: Qualquer bipolo elétrico é caracterizado por uma função característica do tipo V = f(I)”, onde a variável “V” é a tensão elétrica e a variável “I” é a corrente elétrica, aplicadas nos seus terminais. Por este motivo, analisar um circuito elétrico corresponde a determinar a tensão e a corrente elétrica em cada bipolo, ou ramo, deste circuito. Por exemplo, analisar o circuito elétrico desenhado na figura 1.1, corresponde a encontrar os valores das correntes I1, I2, I3e I4e das tensões V1, V2, V3e V4.

7

Potência Elétrica: Em qualquer bipolo elétrico o produto da tensão pela corrente elétrica nos seus terminais define a sua potência elétrica "P V I" , que é fornecida (gerada) ou recebida (dissipada ou útil) pelo bipolo. Essa potência será sempre fornecida se o bipolo for um gerador ou uma fonte e recebida, dissipada ou útil se o bipolo for um receptor ou carga elétrica. A unidade básica da potência é o Watts (W) e os seus derivados mais comuns estão indicados na tabela 1.3.

Tabela 1.3

Derivado

MW

 

kW

mW

 

W

 

Valor

10

6

W

10

3

W

10

3

W

10

6

W

W 10 3 W 10  3 W 10  6 W Nascido em Greenock Escócia,

Nascido em Greenock Escócia, aperfeiçoou a máquina a vapor e definiu a grandeza horse power (HP) que equivaleria aproximadamente a capacidade de elevar a um metro de altura uma massa de cerca de 76 kg em um segundo, observando a capacidade com que um cavalo levantava peso. Em sua homenagem, a unidade de medida de potência, Watt, no Sistema Internacional, leva o seu nome.

Convenção elétrica de Gerador: O bipolo será considerado um gerador elétrico se a corrente entrar pelo seu terminal de potencial elétrico negativo, (Corrente e tensão elétrica representadas com setas no mesmo sentido). Investigando o circuito elétrico desenhado na figura 1.1, se conclui que apenas o bipolo elétrico “B1” é um gerador ou fonte, pois nele as setas

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representativas da corrente e da tensão são concordantes em sentido. Portanto, ao analisar um circuito elétrico e concluir que as setas que representam a tensão e a corrente elétrica em um determinado bipolo deste circuito são concordantes, este bipolo é caracterizado como um gerador elétrico e o valor desta potência gerada é igual ao produto da tensão pela corrente elétrica neste bipolo.

8

Convenção elétrica de Receptor: O bipolo será receptor se a corrente entrar pelo seu terminal de potencial positivo, (Corrente e tensão representadas com setas discordantes em sentidos). Investigando o circuito elétrico desenhado na figura 1.1, se conclui que os bipolos “B2”, B3e “B4” são receptores ou cargas, pois neles as setas representativas das correntes e das tensões são discordantes em sentido. Portanto, ao analisar um circuito e concluir que as setas que representam a tensão e a corrente em um bipolo são discordantes, este bipolo é caracterizado como um receptor e o valor da potência recebida (dissipada ou utilizada) é igual ao produto da tensão pela corrente deste bipolo.

Associação de Bipolos Elétricos: Um circuito elétrico é formado por bipolos associados em série, em paralelo ou associação mista.

Associação Série de Bipolos Elétricos: Dois ou mais bipolos estão associados em série quando forem atravessados pela mesma corrente elétrica. Na associação série a tensão total aplicada na associação dos bipolos é dividida entre os bipolos, por isso esta associação é denominada de divisor de tensão. Analisando o circuito elétrico desenhado na figura 1.1, os bipolos B1 e B2 estão associados em série, pois são atravessados pela mesma corrente elétrica, “I1 = I2”.

Associação Paralela de Bipolos Elétricos: Dois ou mais bipolos estão associados em paralelo quando estão submetidos à mesma tensão. Na associação paralela a corrente total que entra ou sai da associação se divide pelos bipolos, por isso esta associação é denominada de divisor de corrente. Analisando o circuito elétrico desenhado na figura 1.1, os bipolos B3e B4estão associados em paralelo, pois estão submetidos à mesma tensão, “V3 =

V4.

Balanço Geral das Potências Elétricas: A potência total gerada (fornecida) é sempre igual à potência total recebida (dissipada ou útil) no

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circuito, ou seja: uma vez analisado e selecionado quais são os bipolos geradores e quais são os bipolos receptores em um determinado circuito, o balanço das potências deve ser verificado.

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1-2. ANÁLISE DE CIRCUITOS ELÉTRICOS E AS LEIS DE KIRCHHOFF.

ANÁLISE DE CIRCUITOS ELÉTRICOS E AS LEIS DE KIRCHHOFF. Nascido em Königsberg, Alemanha, formado em física,

Nascido em Königsberg, Alemanha, formado em física, teve participação fundamental no entendimento e análise de circuitos elétricos, na teoria da ciência de espectroscopia e no desenvolvimento do estudo da emissão da radiação do corpo negro para aquecimento de objetos. Com base na teoria da conservação das cargas elétricas e da energia, em 1845 enunciou as duas leis básicas da eletricidade.

Dimensionar um circuito elétrico corresponde a determinar o valor da potência em cada bipolo elétrico deste circuito e então selecionar, junto aos fabricantes, os bipolos de forma que suportem, com segurança, estes valores encontrados para as potências. No final da análise do circuito sempre é possível fazer o balanço das potências, isto é, verificar que o valor da potência total fornecida é igual ao valor da potência total recebida.

Um circuito elétrico pode ser analisado praticamente em laboratório, através do uso dos instrumentos de medidas, ou então teoricamente através do seu equacionamento matemático fundamentado nas leis e postulados da eletricidade; em ambos os casos é preciso determinar o valor da tensão e o valor da corrente em cada bipolo, para finalmente determinar as potências envolvidas.

No caso do estudo prático (laboratório), o circuito elétrico já está pronto com os seus bipolos interligados, então a análise é feita utilizando-se instrumentos de medidas adequados, que no caso se restringe ao uso do instrumento denominado de Multímetro, que permite realizar vários tipos de medidas elétricas, dentre elas podem-se ressaltar as seguintes:

a) Medida de Tensão contínua: Nesta condição o Multímetro é denominado de Voltímetro e deve ser inserido em paralelo com o bipolo no qual se

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deseja determinar a tensão aplicada. Na maioria das aplicações ele pode ser considerado ideal, ou seja, é um bipolo que não dissipa potência do circuito. (Se trata de um instrumento com resistência elétrica interna muito grande e, consequentemente, com corrente desprezível). b) Medida de Corrente Contínua: Nesta condição o Multímetro é denominado de Amperímetro e deve ser inserido em série com o bipolo no qual se deseja determinar a corrente. Na maioria das aplicações ele é considerado ideal, ou seja, é um bipolo que não dissipa potência no circuito. (Se trata de um instrumento com resistência elétrica interna muito pequena e, consequentemente, com tensão desprezível).

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No caso do estudo teórico, realiza-se o estudo aplicando-se os conceitos básicos das duas leis de Kirchhoff e da característica elétrica “V=f(I)” de bipolos, obtendo-se um sistema de equações que, uma vez resolvido, permite obter os valores da tensão e da corrente em cada bipolo do circuito e, então efetuar o balanço das potências dimensionando corretamente este circuito. É possível fazer a seguinte afirmativa: Aplicando-se as duas leis de Kirchhoff e conhecendo-se a característica elétrica dos bipolos que constituem o circuito, é possível analisar e dimensionar qualitativamente qualquer circuito elétrico, motivo pelo qual se apresenta o estudo a seguir.

1o. Lei de Kirchhoff: Em qualquer nó (encontro de três ou mais bipolos) do circuito a soma algébrica das correntes é sempre igual à zero. Para

aplicar essa lei e obter as equações das correntes no circuito, adota-se um sentido arbitrário para representar a corrente em cada bipolo e considera- se que: a soma das correntes que entram em um nó é igual à soma das correntes que saem desse nó. De acordo com essa orientação, os nós (2 e 3) do circuito ilustrado na figura 1.1 fornecem as seguintes equações:

Nó “2”

->

I1= I2+I3

(01)

“3” -> I2+I3= I1

(02)

Como é fácil de perceber a equação do nó “3” é a mesma que a equação do nó “2” e não precisa ser considerada, pois não trás informação nova para o sistema de equações. Desta observação conclui-se que: Em um circuito com

“n” nós, não degenerados, apenas “n-1” equações de “nós” interessam para o sistema final de equações.” O nó não considerado no equacionamento é adotado como nó de referência e a ele é atribuído o potencial zero ou terra. Como no

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circuito da figura 1.1 existem dois “nós”, apenas uma única equação de nó é

relevante para o sistema final de equações, que é a equação (01) ou a equação

(02).

2o. Lei de Kirchhoff: Em qualquer laço (caminho fechado) do circuito a

soma algébrica das tensões pertencentes a esse laço é sempre igual à

zero. Existem alguns métodos para se aplicar corretamente essa lei e obter

o sistema final de equações das tensões do circuito. Nessa obra será

11

considerado o seguinte método:

1º. Caso não sejam fornecidos os sentidos para representação das

correntes e tensões no circuito, adotar arbitrariamente estes sentidos.

2º. Seleciona-se um determinado laço, percorre-se esse laço no sentido

horário somando-se algebricamente as tensões pelo caminho, atribuindo

sinal positivo para as tensões cujas setas representativas discordam do

sentido de percurso e sinal negativo para aquelas que concordam com o

sentido de percurso.

De acordo com essa orientação, os laços (L1, L2 e L3) do circuito ilustrado

na figura 1.1 fornecem as seguintes equações:

Laço=Malha (B1,B2 e B3)

->

- V1 + V2 + V3 = 0

(03)

Laço (B1, B2 e B4) -> - V1 + V2 + V4 = 0

(04)

Laço=Malha (B3 e B4) -> - V3 + V4 = 0

(05)

Analisando este sistema de equações se observa que a equação obtida no

laço (B1, B2 e B4) é combinação linear das equações obtidas nos outros dois

laços, ou seja, somando-se as equações obtidas nos laços (B1, B2 e B3) e (B3 e

B4) obtém-se a equação do laço (B1, B2 e B4). Então se pode generalizar e

afirmar que: Em um circuito elétrico as equações de tensões que interessam

para o sistema final são aquelas obtidas pela aplicação da 2º. lei de Kirchhoff

aplicada apenas às malhas do circuito. Por exemplo, no circuito ilustrado na

figura 1.1 existem duas malhas e, portanto há duas e apenas duas equações de

tensões que interessam para o sistema final de equações, que são as equações

(03) e (05).

Obs: Os circuitos, aqui considerados, serão constituídos por fontes reais de tensão contínua e por resistores elétricos associados em série, paralelo ou misto. Para representar as correntes e as tensões nesses circuitos, basta lembrar que nas fontes a corrente e a tensão concordam em sentidos e nos resistores a corrente e a tensão discordam em sentidos.

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Característica Elétrica do Resistor: O resistor é sempre um bipolo elétrico receptor ou passivo, cuja equação característica V = f(I) é definida pela lei de Ohm, que estabelece a seguinte relação: V R I .

que estabelece a seguinte relação: V  R  I . Físico alemão nascido em Erlangen.

Físico alemão nascido em Erlangen. No ano de 1827 publicou o seguinte enunciado: "A intensidade da corrente elétrica que percorre um condutor é diretamente proporcional à diferença de potencial e inversamente proporcional à resistência do circuito". Até hoje conhecido como a Lei de Ohm. Em sua homenagem a unidade de resistência elétrica, Ohm, do Sistema Internacional, tem seu nome.

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A tabela abaixo apresenta de forma resumida, as principais considerações atribuídas ao bipolo resistor elétrico:

Bipolo Receptor

Característica

Potência Recebida

Símbolo

Resistência

Unidade

(Ohm -

)

V R I

P V I

V

2

R

R I

2

) V  R  I P  V  I  V 2 R 

Característica Elétrica da Fonte Real de Tensão Contínua: A fonte real de tensão contínua é um bipolo ativo que corresponde à associação série (mesma corrente) de uma fonte ideal de tensão com um resistor (perdas), conforme ilustra o desenho da figura 1.2, a tensão gerada “E” é denominada de “Força Eletromotriz” e a sua unidade é o Volts (V).

“Força Eletromotriz” e a sua unidade é o Volts (V). FIG. - 1.2 – Fonte Real

FIG. - 1.2 Fonte Real de Tensão Contínua A partir da segunda lei de Kirchhoff e da característica elétrica de bipolos, pode-se escrever as seguintes equações:

Vr V   E r   I Vr

(06)

(07)

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13

Combinando as equações (06) e (07), obtêm-se a equação característica

elétrica da fonte real de tensão contínua, estabelecida equação (08) a seguir:

V E r I

(08)

A equação (08) permite estabelecer as seguintes conclusões:

a) Em uma fonte real de tensão, a tensão fornecida ou útil “E” é igual à

tensão gerada “Vmenos a tensão perdida internamente “Vr.

b) Multiplicando-se a equação (08) pela corrente “I” que atravessa a fonte,

obtêm-se as expressões que representam as potências em fonte real de

tensão, conforme ilustra a tabela 1.4.

Tabela 1.4

Equação das Potências

V I E I r I

2

Potências envolvidas

Pu PgPd

 

Potência útil

Pu V I

 

Potência gerada

Pg E I

 

Potência dissipada internamente

Pd

r

I

2

Vr

I

A seguir são apresentados dois exemplos a título de fixação dos conceitos

apresentados.

1º. Dado o circuito elétrico desenhado na figura 1.3a, onde a tensão gerada pela fonte é igual a 60 Volts, responda as seguintes perguntas:

a) Indicar no circuito os sentidos reais da corrente e das tensões.

b) Qual o valor da potência dissipada no resistor de 10.

c) Qual o valor da potência total gerada.

de 10  . c) Qual o valor da potência total gerada. FIG. - 1.3 a)

FIG. - 1.3 a) Circuito fornecido. b) Circuito com indicações das correntes e das tensões.

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Como no circuito da figura 1.3a há somente uma fonte e lembrando que na fonte a corrente e a tensão possuem mesmo sentido, é fácil verificar que o realsentido da corrente no circuito é o horário e como os resistores são sempre receptores, o sentido das tensões sobre eles é o oposto ao da corrente, resultando as representações indicadas no circuito desenhado na figura 1.3b. Para determinar os valores das correntes e das tensões aplicam-se as leis de Kirchhoff e a característica elétrica de bipolos, obtendo-se equações a seguir:

Como há somente um laço no circuito, adotando-se o sentido horário de percurso obtém-se a seguinte equação das tensões:

V1V2 V3 V4 E 0

(09)

14

Como a tensão da fonte é igual a “60 Volts”, a equação característica de cada resistor é igual a “V=R.I” e que a corrente “I” é única no circuito, pode-se escrever a seguinte equação:

5I 5I 10I 5I 60 0

(10)

Dando como resultado o valor para a corrente:

I   2,4A

(11)

Como o sentido da corrente “I” foi “adotado corretamenteo resultado encontrado para a corrente foi positivo “+2,4A”, caso contrário esse resultado seria negativo, indicando que o sentido que foi “adotado” é contrário ao sentido real da corrente no circuito. Portanto, neste caso, a corrente percorre o circuito no sentido horário com módulo de valor igual a 4A. Em seguida se calcula a queda de tensão sobre cada bipolo do circuito, conforme a indicação feita no circuito desenhado na figura 1.4, obtendo-se as respostas procuradas.

a) Indicação e valores das correntes e tensões no circuito.

Indicação e valores das correntes e tensões no circuito. FIG. - 1.4 Circuito desenhado com as

FIG. - 1.4 Circuito desenhado com as indicações dos sentidos e valores das tensões e das correntes.

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b) Potência dissipada no resistor de 10 .

P10V3I

P10 242,4

c) Potência total gerada:

P10 57,6W

PTg 602,4 PTg 144W

(11)

(12)

15

Observações:

Como a potência total gerada ou fornecida (bipolos geradores ou fontes) é

sempre igual à potência total recebida (bipolos receptores) é prudente

verificar se o balanço confere:

PTr PTr   122,4 V1I V2I 122,4 V3I 242,4 V4I 122,4  

PTr 144W . (balanço de potências conferido)

(13)

Como os resistores são percorridos pela mesma corrente estão associados

em série e podem ser substituídos por um único resistor igual à soma

desses resistores, ou seja: 5 5 10 5 25. Generalizando, pode-se

afirmar que na associação série o resistor equivalente é igual à soma dos

resistores individuais, ou que:

R

eq

R

série

.

No circuito existem 5 bipolos: 1 gerador e 4 receptores, sendo que a

potência fornecida pelo gerador é, proporcionalmente, recebida, dissipada

ou utilizada pelos resistores.

2º. Dado o circuito elétrico desenhado na figura 1.5a, onde as forças eletromotrizes são, respectivamente, iguais a 60V e 85V, responda as seguintes perguntas:

a) Indicar no circuito os sentidos reais da corrente e das tensões.

b) Qual o valor da e a natureza da potência no bipolo E1.

c) Qual o valor da potência total gerada.

no bipolo E1. c) Qual o valor da potência total gerada. FIG. - 1.5 a) Circuito

FIG. - 1.5 a) Circuito Fornecido. b) Circuito com indicação dos sentidos adotados para a corrente e as tensões.

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No circuito da figura 1.5a os resistores são bipolos receptores, porem os bipolos E1 e E2 podem funcionar como receptor ou gerador, então adotando “E1” como bipolo gerador a corrente pelo circuito terá sentido horário e consequentemente as tensões nos resistores terão sentidos opostos ao da

corrente, como ilustra o circuito desenhado na figura 1.5b. Os sentidos das tensões nos supostos geradores (E1 e E2) sempre indicam o potencial positivo, independente do sentido da corrente no bipolo. De acordo com o circuito da figura 1.5b pode-se obter as seguintes equações:

Laço=Malha:

Característica:

Solução:

Portanto: I 1,0A

5I 25I V1 5I V2 25  10I V3 V4 5I E2  E1 8520 0 0

(14)

(15)

16

Como resultou um valor negativo para a corrente, o sentido “real” é o sentido oposto ao adotado, ou seja, sentido anti-horário e com o módulo de valor igual a 1A”. Conhecendo-se o valor e o sentido da corrente é possível obter as respostas procuradas:

a) Indicação e valores das correntes e tensões no circuito. Resulta o circuito desenhado na figura 1.6, onde estão representados os

valores e os sentidos das tensões e da corrente em cada bipolo.

e os sentidos das tensões e da corrente em cada bipolo. FIG. - 1.6 Circuito elétrico

FIG. - 1.6 Circuito elétrico com as indicações dos sentidos e dos valores das tensões e da corrente.

b) Potência dissipada no resistor de 10 .

P10V3I

P10 101

P10 10W

(16)

c) Potência total gerada:

 

PTg 851

PTg 85W

(17)

FEI_2S_201

OBS:

No circuito apenas o bipolo E2 é gerador, a princípio se imagina que há dois geradores, porem a corrente calculada entra pelo terminal positivo de “E1” caracterizando-o como receptor. Esta situação é possível quando se

está energizando (carregando) a bateria do carro.

17

Como a potência total gerada é sempre igual à potência total recebida é prudente verificar se o balanço confere:

PTr PTr   5151101V1I V2I V3I 51  V4I 601 E1I  

PTr 85W . (balanço de potências conferido)

(18)

No circuito existem 6 bipolos elétricos: 1 gerador e 5 receptores, sendo que a potência total fornecida é igual a 85W dos quais, 25W são dissipados nos resistores e 60W são recebidos pelo bipolo E1.

1-3. ANÁLISES DE KIRCHHOFF E MAXWELL PARA CIRCUITOS ELÉTRICOS.

a) ANÁLISE DE KIRCCHHOFF Em geral os circuitos elétricos podem ser analisados aplicando-se as duas leis básicas de Kirchhoff e o conceito de característica de bipolos. Assim sendo, considere o circuito desenhado na figura 1.7, onde uma fonte de tensão contínua fornece 110V a quatro resistores, 10kΩ, 2kΩ, 1kΩ e 1kΩ, de carga.

quatro resistores, 10k Ω, 2kΩ, 1kΩ e 1kΩ , de carga. FIG. - 1.7 Circuito com

FIG. - 1.7 Circuito com 5 bipolos. O sistema de equações que permite analisar este circuito pode ser obtido da seguinte maneira:

1º. Acrescentar os sentidos das correntes e das tensões em cada bipolo obedecendo as convenções de gerador e receptor, obtendo o circuito desenhado na figura 1.8.

FEI_2S_201

FEI_2S_201 18 FIG. - 1.8 Circuito com as indicações das correntes e das tensões. 2º. Aplicar

18

FIG. - 1.8 Circuito com as indicações das correntes e das tensões.

2º. Aplicar as duas leis de Kirchhoff e obter o sistema de equações das correntes e das tensões do circuito, de acordo com o seguinte procedimento:

- Selecione no circuito os nós não de referência, neste caso apenas o nó ”B”, e aplique a 1º. Lei de Kirchhoff obtendo a equação (19).

Nó B: Ia Ib Ic

Ib IaIc

(19)

- Selecione no circuito as malhas, neste caso as malhas “ABEF” e “BCDE” e aplique a 2º. Lei de Kirchhoff obtendo as equações (20) e (21).

Malha ABEF: 110 V1V2

Malha BCDE: V2 V3 V4

3º. Utilize a equação característica V R I ” aplicada a cada resistor do circuito, obtendo as equações (22), (23), (24) e (25).

V1V3 V2 V4   110 V2 0

(20)

(21)

V1 10k Ia

 

(22)

V2 2k Ib

V3 1k Ic

 

(23)

(24)

V4 1k Ic

(25)

Substitua

as

equações

características

nas

respectivas

equações

de

malhas, obtendo as equações (26) e (27).

10k 1k Ic Ia 1k 2k Ic Ib 2k 110 Ib 0

(26)

(27)

4º. Resolva o sistema final de equações, formado pelas equações (19), (26) e (27), que permite calcular as correntes do circuito e consequentemente dimensioná-lo. A seguir é feito os calculados dessas correntes. Substitua a equação (19) nas equações (26) e (27) e realize o tratamento matemático até obter o sistema matricial de equações (28).

FEI_2S_201

10k 1k Ic Ia 1k 2k Ic (Ia 2k Ic) (Ia  110 Ic) 0

12k Ia

2k

Ia

2k

4k

Ic

Ic

110

0

19

Organizando esse sistema de equações em forma de matriz, resulta o seguinte sistema matricial de equações:

2k

12k

2k  

4k

  Ia

Ic

110

0

(28)

A solução do sistema fornece os seguintes valores: Ia 10mA e Ic 5mA , que substituídos na equação (19) fornece o valor: Ib 5mA . Como todos os valores encontrados para as correntes são positivos, todas elas foram “chutadas” no sentido correto, então se calcula as potências em cada bipolo e em seguida se faz o balanço das potências. Resultam os seguintes valores:

Potência total gerada

PTG 1100mW

Potência total dissipada

P

TR

10 10

3

10 10

3

2

PTG

110 10 10

3

PTR 10k Ia

2

2 10

3

5 10

3

2

2k Ib

2

1k Ic

10

3

5 10

3

2

PTR 1100mW (Balanço conferido).

2

1k Ic

2

10

3

5 10

3

2

b) ANÁLISE DE MAXWELL OU ANÁLISE DE MALHAS

  3  2 b) ANÁLISE DE MAXWELL OU ANÁLISE DE MALHAS Nascido em Edimburgo,

Nascido em Edimburgo, Escócia, foi o físico que mais contribuiu para a física matemática, explicando os fenômenos físicos da época através de equações. Entre os anos de 1860 e 1865 elaborou a teoria do eletromagnetismo, ainda hoje ensinada como foi desenvolvida a mais de um século atrás. No estudo da eletricidade elaborou a análise de circuitos elétricos através das “Equações de Maxwell”.

FEI_2S_201

O método enunciado por Maxwell é uma simplificação das leis de Kirchhoff, cujo procedimento é o de se fixar para cada uma das mmalhas isoladas do circuito “mcorrentes fictícias, todas circulando no mesmo sentido (será considerado o sentido horário) e em seguida montar um sistema matricial com mequações e mincógnitas, que resolvido permite determinar os valores e os sentidos corretos dessas correntes fictícias. Uma vez conhecido os valores das correntes fictícias das mmalhas, por analogia é possível determinar o valor de cada corrente de ramo e então dimensionar os bipolos que constituem o circuito. Para mostrar praticidade da aplicação desse método serão considerados circuitos com duas ou três malhas e em seguida determinado os valores das correntes dos ramos destes circuitos a partir de um enunciado, passo a passo, para aplicação do método. Com isto espera-se que o leitor consiga estender o método para a solução de circuito com “m” malhas.

20

Circuitos com duas malhas. Considere o circuito desenhado na figura 1.7, antes resolvido pela aplicação das Leis de Kirchhoff, a solução por Maxwell é assim obtida:

1º. Identificar todas as Malhas do circuito. (Malha e Malha )

2º. Adotar obrigatoriamente todas as correntes fictícias de malhas no sentido horário (correntes e ). Resultando o circuito desenhado na

figura 1.9.

 ” ). Resultando o circuito desenhado na figura 1.9. FIG. - 1.9 Circuito com as

FIG. - 1.9 Circuito com as indicações das correntes de malhas.

3º. Obter um sistema matricial de duas equações a duas incógnitas com o formato indicado na equação (29):

R

R





R

R





   

 

 

E

E

(29)

FEI_2S_201

Onde os elementos em cada matriz são assim obtidos:

R ” é um elemento sempre positivo e igual à soma dos resistores que

pertencem a malha . No caso: R

= 10k + 2k = 12k

21

R ” é um elemento sempre positivo e igual à soma dos resistores que

pertencem a malha "". No caso: R

= 1k + 1k + 2k = 4k

R R ” são elementos sempre iguais entre si e negativos, com valor

igual ao da resistência comum às malhas "” e “". No caso: R R = 2K

E

é

um

elemento

sempre

igual

à

soma

algébrica

das

forças

eletromotrizes das fontes de tensões que pertencem à malha , sendo positivo se a corrente da malha sair pelo polo positivo da fonte e negativo caso contrário. No caso: E= + 110.

E ” é um elemento sempre igual à soma algébrica das forças eletromotrizes

das fontes de tensões que pertencem à malha "", sendo positivo se a corrente

da malha "" sair pelo polo positivo da fonte e negativo caso contrário. No

caso: E = 0, pois não há gerador na malha "".

Resulta então o seguinte sistema matricial de equações apresentado em (30), que é o mesmo sistema obtido em (28), sem passar pelas equações de Kirchhoff.

2K

12K

2K  

4K

  Ia

Ic

110

0

(30)

A solução do sistema fornece os módulos (valores) e os sentidos (sinais) das correntes fictícias de malha, ou seja: 10mA e 5mA , como os

sinais são positivos os sentidos adotados estão corretos, caso contrário se inverteria o sentido. As correntes de ramos (Ia, Ib e Ic) são iguais à soma algébrica das correntes fictícias de malhas (e ), obtendo as seguintes

relações:

Ia Ipois o ramo “a” pertence apenas à malha “” e o seu sentido no ramo

coincide com o sentido na malha, obtendo: Ia 10mA

FEI_2S_201

Ic I pois o ramo “c” pertence apenas à malha “e o seu sentido no ramo

22

coincide com o sentido na malha, obtendo: Ic 5mA

Ib I I pois o ramo “b” pertence simultaneamente às malhas “ ” e “”,

sendo que o sentido da corrente no ramo “b” concorda (sinal +) com o sentido da corrente da malha “ ” e discorda (sinal -) do sentido da corrente de malha ”, obtendo: Ib 5mA .

Circuitos com três malhas. Dado um circuito elétrico qualquer contendo fontes de tensão contínua e resistores formando três malhas " ,e " , pode-se, pela aplicação da análise

de Maxwell, obter diretamente o sistema matricial de equações que permite determinar os valores das correntes dos ramos, seguindo os seguintes passos:

1° - Adotam-se as correntes fictícias ,e nas respectivas malhas,

todas orientadas no sentido horário. 2° - Montar diretamente do circuito um sistema matricial de equações 3X3 conforme indicação a seguir:

 

R

R





R

 



R

R





R



  

R

R



R



  

 

 

E

E

E

Os elementos da matriz (3X3) de resistores e do vetor (3X1) das fontes são assim obtidos:

R é um elemento sempre positivo e igual à soma dos resistores que

pertencem a malha . R ” é um elemento sempre positivo e igual à soma dos resistores que

pertencem a malha "".

R ”é um elemento sempre positivo e igual à soma dos resistores

que

pertencem a malha "" R R ” são elementos sempre negativos e iguais entre si

e

à

resistência comum às malhas "” e “".

R R ” são elementos sempre negativos

e iguais entre

si

e

à

resistência comum às malhas "” e “".

FEI_2S_201

R R ” são elementos sempre negativos e iguais entre si e à

resistência comum às malhas "” e “".

sempre igual à soma algébrica das forças

eletromotrizes das fontes de tensões que pertencem à malha , sendo positivo se a corrente fictícia da malha "" sair pelo polo positivo da fonte e negativo caso contrário. E” é um elemento sempre igual à soma algébrica das forças

eletromotrizes das fontes de tensões que pertencem à malha "", sendo

positivo se a corrente da malha "" sair pelo polo positivo da fonte e negativo

caso contrário. E” é um elemento

eletromotrizes das fontes de tensões que pertencem à malha , sendo

positivo se a corrente fictícia da malha sair pelo polo positivo da fonte e

negativo caso contrário.

das forças

E” é um elemento

sempre igual à soma algébrica

Exemplos de aplicação:

23

a) Dado o circuito desenhado na figura 1.10 determine as correntes fictícias das

malhas e desenhe o circuito com os sentidos e valores corretos das correntes

dos ramos.

com os sentidos e valores corretos das correntes dos ramos. FIG. - 1.10 Circuito com três

FIG. - 1.10 Circuito com três malhas.

(8

2)

 

2

0

10

2

 

2

10

0

4

 

2

(2

4

4)

4

0    

4

 

20  

    

 

0

4

(4

10

  12

  44

20

    

 

6)  

  

 

 

20

8

28

8

16

28

Cuja solução fornece os seguintes valores fictícios:

1, -1e  2 a partir dos quais se determinam as correntes de

ramos, ou seja:

FEI_2S_201

Ia  Ia 1A

Ib  - Ib 1-(-1) Ib 2A Id Ie  -  Id  Ie 2A (-1)-2 Ie -3A

Ic  Ic -1A

24

As correntes com resultados positivos foram “adotadas” no sentido correto e as correntes com resultados negativos foram “adotadas” no sentido inverso e, portanto o sentido correto é o oposto do sentido “adotado”. Desta forma, obtém-se o circuito da figura 1.11 com as indicações corretas das correntes dos ramos. Observe que o bipolo de “8V” funciona como receptor, pois a corrente entra pelo seu terminal de potencial positivo.

a corrente entra pelo seu terminal de potencial positivo. FIG. - 1.11 Circuito com as indicações

FIG. - 1.11 Circuito com as indicações corretas das correntes nos ramos.

b) Dado o circuito desenhado na figura 1.12 determine as correntes fictícias das malhas e desenhe o circuito com os sentidos e valores corretos das correntes dos ramos.

e desenhe o circuito com os sentidos e valores corretos das correntes dos ramos. FIG. -

FIG. - 1.12 Circuito com três malhas.

FEI_2S_201

(5

20

5

5

10

10)

5

10

0

(5

15)


  

5 10    

 

  45

  40

5

10


20  

0

 

   20

30

0

  

10      

 

0

  

(10

10)  

20

20

  40

 

25

40

Cuja solução fornece os seguintes valores fictícios:

25

 -2, -1e 1 a partir dos quais se determinam as correntes de

ramos, ou seja:

Ia Ib   - Ia Ib -(-2) -2-(-1) Ia  2A Ib (sentido -1A (sentido correto) invertido) If Ie   - -  If Ie 1-(-2) 1-(-1)   If Ie   3A 2A (sentido (sentido correto) correto)

Id  Id -1A (sentido invertido)

Ic  Ic -1A (sentido invertido)

Então resulta o circuito desenhado na figura 1.13 com as indicações corretas das correntes dos ramos.

1.13 com as indicações corretas das correntes dos ramos. FIG. - 1.13 Circuito com as indicações

FIG. - 1.13 Circuito com as indicações corretas das correntes nos ramos. OBS: Verifique o balanço das potências.

FEI_2S_201

1-4. SOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS COM UMA, DUAS E TRÊS MALHAS.

A) Circuitos com uma malha.

26

A01 Dado o circuito elétrico desenhado na figura 1.14a, pede-se responder as seguintes perguntas:

a) Desenhar o circuito com as indicações corretas dos sentidos e valores das correntes e tensões.

b) Calcule o valor da potência dissipada no resistor de 10.

c) Calcule o valor da potência total gerada.

Solução:

. c) Calcule o valor da potência total gerada. Solução: FIG. - 1.14 a) Circuito elétrico

FIG. - 1.14 a) Circuito elétrico b) Indicação do sentido adotado para a corrente.

Como há somente uma malha, obtém-se apenas uma equação matricial, ou seja:

1510  6040  4 I  I 4A (sentido correto)

a) Indicação e valores da corrente e das tensões no circuito.

e valores da corrente e das tensões no circuito. FIG. - 1.15 Circuito com as indicações

FIG. - 1.15 Circuito com as indicações de corrente e tensões.

FEI_2S_201

b) Potência dissipada no resistor de 10 .

P10 V I

P10 404

P10 160W

c) Potência total gerada

PTg 604 404 PTg 400W

OBS: Verifique o balanço das potências.

27

A02 Dado o circuito elétrico desenhado na figura 1.16a, sabe-se que o resistor de 15dissipa 240W, pede-se determinar:

a) O valor da força eletromotriz “E”.

b) O valor da tensão VABentre os pontos A e B.

c) O valor da tensão VCAentre os pontos C e A.

d) O valor da potência total recebida.

os pontos C e A. d) O valor da potência total recebida. FIG. - 1.16 a)

FIG. - 1.16 a) Circuito elétrico b) Indicação do sentido adotado para a corrente.

Solução:

Equação obtida a partir da malha “152 8  60E

(31)

Equação obtida a partir da potência

Combinando as equações (31) e (32) obtém-se as respostas indicadas em (33):

 2

PR R I

240 15 

2

(32)

4 ou 4

(33)

É necessário verificar se as duas respostas são possíveis:

Para Para 4 4   15152 2   84 8  4 60E 60E

E=40V (resposta válida)

E=-160V como “E” deve assumir

um valor positivo, esta resposta deve ser descartada. Portanto as respostas procuradas estão calculadas a seguir:

FEI_2S_201

a) Cálculo do valor da tensão VAB VA VBentre os pontos A e B.

28

 V AB  V A  V B  entre os pontos A e B.

Separando o circuito em duas partes, conforme figura acima, e adotando

o sentido horário para percurso do laço, obtêm-se os seguintes resultados:

Circuito 1

Circuito 2

Os resultados são iguais, mostrando que uma vez dividido o circuito em partes, no caso duas, o resultado independe da parte selecionada para análise, bastando equacionar uma delas para obter a resposta procurada. Escolher para análise a parte mais simples, que neste caso é o circuito 2.

b) O valor da tensão VCA VC VAentre os pontos C e A.

24 VAB 40 154 VAB 84 0 60 VAB 0 32V VAB 32V

  60 V AB  0  32V  V AB  32V Adotando o

Adotando o sentido horário para analisar a parte selecionada, obtém-se o seguinte resultado:

VCA VCA 60154 0V 0

OBS: Verifique que o resultado se mantém caso se faça a análise utilizando a outra parte do circuito.

c) O valor da potência total dissipada. Os resistores são os bipolos receptores, portanto a potência total dissipada é obtida pela seguinte equação:

PTd 15 8 2 4

  2

PTd 400W .

A03 No circuito desenhado na figura 1.17a o resistor de 10dissipada 160W. Pede-se determinar a polaridade e o valor da força eletromotriz “E” do bipolo ativo ideal ligado entre os pontos “A e B”. Sinalize a corrente e as tensões nos possíveis circuitos que satisfazem essa condição.

FEI_2S_201

FEI_2S_201 29 FIG. - 1.17 a) Circuito elétrico b) Indicação do sentido adotado para a corrente.

29

FIG. - 1.17 a) Circuito elétrico b) Indicação do sentido adotado para a corrente.

Solução:

Equação obtida a partir da malha “:

7 8 10 40 E

Equação obtida a partir da potência:

P10 10 

2

Para Para 4 4

160 10 

2

 4

  7 7   8 8 10 104 4 40 40 E E

E=+60V

E=-140V

Resultam então os circuitos desenhados na figura 1.18 que satisfazem a condição imposta pelo exercício. Estão indicadas em cada circuito os valores e sentidos da corrente e tensões.

cada circuito os valores e sentidos da corrente e tensões. FIG. - 1.18 Circuitos que satisfazem

FIG. - 1.18 Circuitos que satisfazem a condição do exercício A-03.

Obs: Como a força eletromotriz “E” sempre é um valor positivo a polaridade o bipolo ativo ideal do circuito “B” possui polaridade invertida em relação ao do circuito “A”. Confira o balanço das potências.

FEI_2S_201

A04 Considere o circuito desenhado na figura 1.19 e calcule o valor do resistor “R” para que o mesmo dissipe 240W.

30

do resistor “R” para que o mesmo dissipe 240W. 30 FIG. - 1.19 a) Circuito elétrico

FIG. - 1.19 a) Circuito elétrico b) Indicação do sentido adotado para a corrente.

Solução:

Equação obtida a partir da malha “:

R 4 6 60 160

(34)

Equação obtida a partir da potência dissipada em “R”:

2

  2

2 240

R

PR R    

R 10

2

240 R    (100)

2

A equação (34) pode ser assim reescrita:

2

(35)

(36)

Combinando as equações (35) e (36) obtém-se os seguintes resultados apresentados em (37).

R

10

2 240

R

10000

240

240

3 R

R

2

2

65 5200 4800 R 300   R R

R R

2

 

24000 24000 0

65



65

2

4

3 300

R 15

ou

6

R

20

3

 

0 10000 R

R

65

25

6

(37)

Como os resultados são positivos, ambos atendem a exigência do exercício. OBS: Verifique que substituindo “R” pelos valores encontrados a potência nele dissipada é igual a 240W. Confira o balanço das potências.

FEI_2S_201

A05 Considere o circuito desenhado na figura 1.19a, estudado no exercício anterior, e determine o valor da potência que o resistor “R” deve dissipar para que se tenha um valor único para “R”.

Solução:

Equação obtida a partir da malha “:

R R  10100 4 6 60 160

(38)

31

Equação obtida a partir da potência dissipada em “R”:

PR R  

R

P

R

2

2

(39)

Substituindo a equação (39) na equação (38) obtém-se equação (40) a seguir:

  

 

 

 

 

P

R

2 10

   

100

P

R

10

 

2

    100

P

R

2

10

  

2

   100

 

10  

2

2

10

 

100 0,1   PR

PR

0

0

10



10

2

4

0,1

P R

 

6

 

 

(41)

Então, para que a resposta da equação (41) seja única o seu discriminante ” deve ser nulo, obtendo-se o resultado apresentado na equação (42):

10

2

4

0,1

PR

0

PR 0.4  PR 250W. 100

(42)

OBS: Como exercício, desenhe o circuito correspondente e indique o valor da corrente e das tensões nos bipolos. Verifique o balanço das potências.

FEI_2S_201

B) Circuitos com duas malhas.

32

B01 Considere o circuito desenhado na figura 1.20a e responda as perguntas:

a) Desenhe o circuito com os valores e as indicações das correntes e tensões em cada bipolo.

b) O valor da potência dissipada no resistor de 10 .

c) O valor da potência total gerada.

resistor de 10  . c) O valor da potência total gerada. FIG. - 1.20 a)

FIG. - 1.20 a) Circuito elétrico b) Indicação do sentido adotado para a corrente.

Solução:

Equações das malhas:

25

0

0    

 

 

20

60

60

40

40

A solução do sistema fornece os valores das correntes fictícias:

 4 e  5 I2 

I3 

I1 

Obtendo-se os seguintes valores para as correntes de ramos:

I1 4A (sentido real concorda com o sentido adotado)

I2 5A (sentido real discorda do sentido adotado)

I3 9A (sentido real concorda com o sentido adotado)

a) O circuito desenhado na figura 1.21 mostra a indicação das correntes e

tensões reais nos bipolos:

a indicação das correntes e tensões reais nos bipolos: FIG. - 1.21 a) Circuito com as

FIG. - 1.21 a) Circuito com as indicações das correntes e tensões.

FEI_2S_201

b) Potência dissipada no resistor de 10.

R I1 P10 104

P10

2 2

P10 160W

33

c) Cálculo do valor da potência total gerada.

Há três geradores no circuito, portanto a potência total gerada é obtida somando-se a potência em cada um deles:

PTg PTg   900W 604 409 605

OBS: Verifique o balanço das potências.

B02 Determine o valor da resistência “R” indicada no circuito desenhado na figura 1.22a, para que a tensão sobre ela seja igual a 25V. Desenhe o circuito resultante com as indicações das correntes nos ramos.

resultante com as indicações das correntes nos ramos. FIG. - 1.22 a) Circuito elétrico b) Indicação

FIG. - 1.22 a) Circuito elétrico b) Indicação do sentido adotado para a corrente.

Há dois casos a serem considerados: Chamando de “A” e “B” os terminais do resistor “R” a tensão sobre ele poderá ser:

b) a) VBA VAB   25V 25V

Equações das malhas:

25

0

0

(R

15

   

 

 

R 15100

10

60

50

40

40

(43)

(44)

FEI_2S_201

Para a condição em que VAB