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Aula 02

Economia p/ ANAC 2016 - Especialista em Regulação (Área 03) Professores: Heber Carvalho, Jetro Coutinho

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Concurseiros Unidos Maior RATEIO da Internet Economia p/ANAC (Especialista em Regulação に Área 3) Teoria e

Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02

AULA 02 1.1. Teoria do consumidor: restrição orçamentaria, preferência e utilidade, taxa marginal de substituição, equilíbrio do consumidor, curva de demanda, efeito preço total (efeito renda e efeito substituição), teorema da preferência revelada.

SUMÁRIO RESUMIDO

PÁGINA

Teoria do consumidor (conceito e generalidades)

Restrição orçamentária

Utilidade e utilidade marginal

Preferências

Funções utilidade

Escolha ótima do consumidor

Efeitos renda e substituição

Preferência Revelada

Resumão da Aula

Questões comentadas

Lista de questões apresentadas na aula

Gabarito

01 03 13 15 30 34 46 46 59 64 88 94
01
03
13
15
30
34
46
46
59
64
88
94

Olá caros(as) amigos(as),

pesada, não?

Concordamos com vocês, mas saibam que ela é importante para o prosseguimento do curso, especialmente para a aula de mercados.

Hoje, estudaremos a Teoria do Consumidor. A nosso ver, esta aula é mais tranquila que a aula passada. Veremos como a escolha do consumidor acontece. Portanto, consideramos essa aula como importantíssima.

Ressaltamos apenas que, por motivos didáticos, transferimos o tópico 1.5 para a aula 10, ok? Acreditamos que, assim, facilitaremos o entendimento de vocês.

Como foram na aula 01?

É

uma aula um pouco

E aí, todos prontos? Então, aos estudos!

Profs. Heber e Jetro

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1. TEORIA DO CONSUMIDOR

Generalidades

Sem muitos rodeios, vamos direto ao ponto: do que trata a teoria do consumidor? É a parte da ciência econômica que estuda o comportamento do consumidor durante as suas decisões de consumo. Para isso, os economistas partem do pressuposto de que os consumidores escolhem as melhores coisas dentro daquilo que eles podem adquirir.

Para sustentar essa teoria, nossa atenção estará voltada para o que queremos dizer quando falamos em “melhores coisas” e “podem adquirir”. Inicialmente, descreveremos o que o consumidor pode adquirir. Depois, veremos como o consumidor escolhe o que é melhor (escolhe a melhor coisa). No primeiro caso, torna-se importante o estudo do conceito de restrição orçamentária, ao passo que, no segundo caso, o estudo das preferências. Iniciaremos pelo primeiro caso. No entanto, antes, devemos aprender o que são cestas de consumo.

Cestas de consumo

Antes de definirmos o que é restrição orçamentária, é importante falarmos sobre cesta de consumo ou cesta de mercadorias do consumidor. Uma cesta de consumo nada mais é do que uma combinação de diversas mercadorias, cada uma em uma quantidade.

Em nosso estudo (e também para concursos públicos), pela facilidade de argumentação e pela maior viabilidade de visualização dos fenômenos no gráfico, nós supomos que existem apenas dois bens (ou duas mercadorias) disponíveis para os consumidores. Nós representamos a cesta de consumo do consumidor por (q 1 , q 2 ), onde q 1 representa as quantidades do bem 1 e q 2 as quantidades do bem 2. Às vezes, ainda, podemos representar a cesta do consumidor por um único símbolo, como Q (é só um exemplo), onde Q representa a cesta (q 1 , q 2 ).

Imagine as cestas abaixo:

Cesta Q 1 Q 2 A 2
Cesta Q 1 Q 2 A 2

Cesta

Q

1

Q

2

A

2

Cesta Q 1 Q 2 A 2
Cesta Q 1 Q 2 A 2
 

3

B 2

5

C 0

4

D 6

0

  3 B 2 5 C 0 4 D 6 0
  3 B 2 5 C 0 4 D 6 0
  3 B 2 5 C 0 4 D 6 0

As

cestas

A(2,3),

B(2,5),

C(0,4)

e

representadas no gráfico abaixo:

D(6,0)

encontram-se

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Q2  quantidade do bem 2 Fig. 1 5 B (2, 5) 4 C(0,4) 3
Q2  quantidade do bem 2
Fig. 1
5
B (2, 5)
4
C(0,4)
3
A (2, 3)
2
1
D (6, 0)
0
2
4
6
Q1  quantidade do bem 1

Veja que a suposição da existência de apenas dois bens para cada cesta (bens 1 e 2) torna possível a representação das cestas no gráfico bidimensional, de dois eixos (o eixo X e Y, onde temos, respectivamente, Q 1 e Q 2 ). Este gráfico é chamado de espaço-mercadoria.

Muitos devem estar pensando que essa hipótese é muito simplificadora e não se aplicaria à vida prática. No entanto, a hipótese de dois bens é mais factível do que se pode imaginar. Isso porque, na maioria das vezes, podemos tomar um dos bens como uma representação de todas as outras coisas que o consumidor desejasse consumir.

Por exemplo, se quisermos estudar a demanda de carne do consumidor, podemos fazer com que q 1 represente o consumo de carne ao passo que q 2 represente tudo mais que o consumidor gostaria de consumir.

1.1. RESTRIÇÃO ORÇAMENTÁRIA

Nós vimos que a teoria do consumidor parte do pressuposto de que os consumidores escolhem a melhor cesta de bens que podem adquirir. Neste item, veremos o significado deste “podem adquirir”.

Os consumidores não podem consumir tudo o que querem de todos os bens e isso acontece porque eles são limitados pela sua renda. Assim, qualquer consumidor só consegue comprar as quantidades de bens que a sua renda ou orçamento permite.

Essa limitação imposta ao consumidor, que limita o seu poder de compra, é chamada de restrição orçamentária ou limitação orçamentária. Ela nos diz basicamente que o consumidor não pode gastar mais do que ele possui. Suponha, por exemplo, que o consumidor ganhe uma renda de R$ 1.000,00 e não tenha outros meios de conseguir dinheiro (não há empréstimos, financiamentos, compras à fiado, etc). A restrição

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 orçamentária deste consumidor diz que ele não poderá gastar mais que a sua renda, isto é, não poderá gastar mais que esses R$ 1000.

nós optamos por,

inicialmente, fazer uma abordagem mais algébrica. Caso, em algum momento, fique difícil de entender, parta para o exemplo numérico que está na página 11 e depois retorne à leitura do item. No exemplo numérico, acredito que os conceitos estão mais visíveis.

Suponhamos que o consumidor tenha uma renda m e queira consumir os bens 1 e 2, onde p 1 e p 2 são os preços, e q 1 e q 2 são as quantidades, respectivamente. Com estes dados, podemos escrever matematicamente a restrição orçamentária:

Nota

neste

item,

a

partir

de

agora,

orçamentária: Nota  neste item, a partir de agora, Preço do bem 1 R e n

Preço do bem 1

Renda (money)

agora, Preço do bem 1 R e n d a ( m o n e y

Quantidade do bem 1

m p 1 .q 1 + p 2 .q 2

Quantidade do bem 1 m ≥ p 1 .q 1 + p 2 .q 2 Quantidade

Quantidade do bem 2

Preço do bem 2

Nesta equação, p 1 .q 1 é a quantidade de dinheiro que o consumidor gasta com o bem 1, e p 2 .q 2 a quantidade que ele gasta com o bem 2. A restrição orçamentária do consumidor, representada pela sua renda m, impõe que a quantidade de dinheiro gasta nos dois bens não exceda a quantidade total de dinheiro que o consumidor tem para gastar (a renda R). As cestas de consumo (q 1 , q 2 ) que o consumidor pode adquirir são aquelas cujo custo não ultrapassa o valor de m. Esse conjunto de cestas de consumo que o consumidor pode adquirir aos preços (p 1 , p 2 ) e renda m é denominado o conjunto orçamentário do consumidor, ou conjunto de oportunidade (no sentido de que há a oportunidade de consumir as cestas que fazem parte deste conjunto).

1.1.1. A reta orçamentária

A reta orçamentária é o conjunto de cestas que custam exatamente m. Em outras palavras, é o conjunto de cestas que esgotam a renda do consumidor. Matematicamente, segue a representação da reta

orçamentária:

p 1 .q 1 + p 2 .q 2 = m

(1)

No segundo grau ou colegial, nas aulas de matemática, aprendemos

a construir gráficos a partir das funções. Estas funções são representadas pela letra y e a variável da função geralmente é x, então, consequentemente, os gráficos destas funções normalmente apresentam

o y no eixo das ordenadas do gráfico (eixo vertical) e o x no eixo das

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 abscissas (horizontal). Nota na aula 01, figura 06, nós construímos um gráfico nesta situação. Naquele caso, a função era y=x+1.

O que nós faremos agora é rearrumar a equação (1), de forma a isolar alguma das quantidades (q 1 e q 2 ). Isolemos então a variável q 2 :

┻ 圏

┻ 圏 噺 兼

┻ 圏

兼 伐 喧 ┻ 圏

岫穴件懸件穴件券穴剣 剣嫌 穴剣件嫌 健欠穴剣嫌 喧剣堅 喧

使

使 ┻ 刺

使

岫に岻

Fingindo que o q 2 faz o papel do y de uma função qualquer e o q 1 faz o papel do x, podemos construir o gráfico com a reta de restrição orçamentária, tendo q 2 no eixo vertical e q 1 no eixo horizontal:

q2 A B
q2
A
B
Inclinação da reta orçamentária: 伐 使 層 使 匝
Inclinação da reta
orçamentária: 伐 使 層
使

Intercepto vertical = m/p2

Fig. 2

Intercepto horizontal = m/p1

q1

Na figura 2, o segmento de reta AB representa a reta orçamentária. Qualquer cesta de consumo que esteja sobre a reta AB exaurirá a renda m. Por outro lado, as cestas de consumo localizadas dentro da área cinza (incluindo o segmento AB) representarão o conjunto orçamentário do consumidor (ou o seu conjunto de oportunidade).

Nota: Não confunda conjunto orçamentário com reta orçamentária. Qualquer cesta de consumo ao longo desta representa uma situação em que a renda é totalmente gasta, já uma cesta dentro do conjunto orçamentário representa uma situação em que a renda é maior ou igual ao que é gasto. Na figura 02, a reta orçamentária é a reta AB, já o conjunto orçamentário é a área cinza, que contém a reta AB.

Vejamos

agora

a

interpretação

dos

interceptos

(vertical

e

horizontal) e da inclinação da reta orçamentária.

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O ponto A (intercepto vertical) representa o ponto em que o

consumidor gasta toda a sua renda com o bem 2, ou seja, é o ponto em que, dada a renda m, q 2 é máxima e q 1 =0. Para descobrirmos o valor de q 2 no ponto A, basta fazermos q 1 =0 na equação (2), obtendo, assim, q 2 =m/p 2 . O raciocínio é este: qual a quantidade do bem 2 o consumidor poderia comprar se gastasse todo o seu dinheiro no bem 2. A resposta é, naturalmente, a sua renda dividida pelo preço do bem 2, logo, q 2 =m/p 2 .

O ponto B (intercepto horizontal) representa o ponto em que o

consumidor gasta toda a sua renda com o bem 1, ou seja, é o ponto em que, dada a renda m, q 1 é máxima e q 2 =0. Para descobrirmos o valor de q 1 no ponto B, basta fazermos q 2 =0 na equação (2), obtendo, assim, q 1 =m/p 1 . O raciocínio é este: qual a quantidade do bem 1 o consumidor poderia comprar se gastasse todo o seu dinheiro no bem 1. A resposta é a sua renda dividida pelo preço do bem 1, logo, q 1 =m/p 1 .

A inclinação da reta orçamentária é p 1 /p 2 . Na aula 01, páginas 17 a 20, nós vimos que a inclinação de qualquer função é dada pela sua derivada. Assim, para sabermos a inclinação da reta orçamentária, basta calcularmos a derivada de q 2 (variável do eixo y do gráfico) em função de q 1 (variável do eixo x do gráfico). Vejamos:

┻ 圏

荊券潔健件券欠çã剣 穴欠 堅結建欠 剣堅ç欠兼結券建堅件欠 噺 つ圏

噺 穴圏 穴圏

ど 伐 な┻ 怠 態 ┻ 圏

怠貸怠

薩仔算残餐仔珊çã伺 纂珊 司蚕嗣珊 伺司ç珊仕蚕仔嗣司餐珊 噺 伐 使

使

Mais tarde, veremos que essa inclinação da reta orçamentária representa um dado importante para a teoria do consumidor. Ademais, essa inclinação tem uma relevante interpretação econômica. Ela mede a taxa à qual o consumidor está disposto a “substituir” o bem 1 pelo bem 2.

Por exemplo, suponha que o bem 1 custe R$ 100,00 e o bem 2 custe R$ 50,00. A inclinação da reta orçamentária será -2, o que nos indica que o consumidor troca 01 unidade do bem 1 por 02 unidades do bem 2. Veja que essa taxa de “troca” de 02 é exatamente o valor da inclinação da reta orçamentária (a inclinação para p 1 =100 e p 2 =50 será igual a p 1 /p 2 = -2). O sinal negativo da inclinação se justifica pelo fato de haver uma relação inversa entre as variações nas quantidades (para o consumo de um bem aumentar, necessariamente, o consumo do outro bem deve diminuir, e vice-versa).

Às vezes, também é dito que a inclinação da reta orçamentária mede o custo de oportunidade de consumir o bem 1. Deixe-nos, agora,

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 explicar o que é custo de oportunidade. Tudo que deixamos ou abrimos mão de fazer ao realizar uma escolha é chamado de custo de oportunidade. Por exemplo, ao comprar o curso de Economia para o APO- MPOG (ao preço de R$ 270,00), você deixou de comprar cerca de 7 DVDs. Neste caso, podemos dizer que o custo de oportunidade do curso de Economia para o APO-MPOG foi de 7 DVDs (estamos utilizando o DVD apenas como exemplo. Mas também podemos dizer que o custo de oportunidade deste curso é, digamos, de 01 livro acadêmico de Economia).

Outro exemplo: ao decidir ler esta aula de Microeconomia, você está deixando de aprender vários assuntos de Direito. Neste caso, o custo de oportunidade de ler esta aula de Microeconomia é o que você deixou de aprender de Direito. Veja que o conceito de custo de oportunidade é bastante amplo e aceita inúmeras situações, desde que, é claro, tenhamos um caso em que se abre mão de algo ao realizar uma escolha.

No caso da reta de restrição orçamentária, ao consumir mais do bem 1, é preciso deixar de consumir um pouco do bem 2. Este custo de oportunidade do consumo do bem 1 é representado pelo que se deixou de consumir do bem 2. No caso do bem 1 custar R$ 100 e o bem 2 custar R$ 50, o custo de oportunidade do consumo do bem 1 é o valor de 02 unidades de consumo do bem 2, ou seja, o mesmo valor da inclinação da reta orçamentária. Assim: custo de oportunidade do bem 1 = inclinação da reta orçamentária.

Nota A reta orçamentária também é chamada, em inúmeras obras, de linha do orçamento ou ainda reta de restrição orçamentária.

1.1.2. Mudando a reta orçamentária

A reta orçamentária poderá variar em função de dois fatores:

Mudanças na renda

Mudanças nos preços dos bens

1.1.2.1. Mudanças na renda

Verifiquemos o primeiro caso: mudanças na renda. Os interceptos das reta orçamentária são m/p 2 e m/p 1 . Caso m aumente para m’, os interceptos aumentarão respectivamente para m’/p 2 e m’/p 1 . Veja no gráfico:

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Fig. 3

q2 m'/p2 O aumento da renda desloca a reta orçamentária para fora. m/p2 m/p1 m'/p1
q2
m'/p2
O
aumento da renda desloca a
reta orçamentária para fora.
m/p2
m/p1
m'/p1
q1

Veja que o aumento da renda de m para m’ aumentou os interceptos deslocando a linha de orçamento para fora. É importante que fique claro que, no caso de aumento de renda, não existe alteração da inclinação da linha de orçamento. A inclinação é dada por p 1 /p 2 , ou seja, nota-se que ela não depende da renda, mas tão somente dos preços dos bens.

Por fim, vale ressaltar que, caso

haja redução da renda,

os

interceptos diminuirão e a reta orçamentária será deslocada para dentro.

1.1.2.2. Mudanças nos preços

Suponha que o preço do bem 1 aumente de p 1 para p’ 1 , enquanto o preço do bem 2, p 2 , e a renda, m, permaneçam constantes. De acordo com o gráfico da figura 2, o aumento de p 1 não alterará o intercepto vertical, mas reduzirá o intercepto horizontal, fazendo a reta orçamentária se mover ou rotacionar para dentro, conforme vemos na figura 4:

Fig. 4

q2 m/p2 O aumento de p1 fez a reta orçamentária ficar mais inclinada (ou mais
q2
m/p2
O
aumento de p1 fez a reta
orçamentária ficar mais
inclinada (ou mais vertical).
m/p’1
m/p1
q1

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O aumento de p 1 , ao reduzir o intercepto do eixo horizontal, faz a reta orçamentária mover-se para dentro. O raciocínio é este: ao aumentar o preço do bem 1, o consumidor, mantendo a renda constante, conseguirá consumir menos unidades do bem 1. Antes do aumento de preços, o consumidor conseguia consumir, no máximo, m/p 1 unidades do bem 1; após o aumento de preços, conseguirá consumir m/p’ 1 . Como p’ 1 é maior que p 1 , haverá redução no consumo.

Veja que a lógica é simples. Se você estiver gastando todo o seu dinheiro no bem 2, o aumento no preço do bem 1 não mudará a quantidade máxima do bem 2 que você poderia consumir logo, o intercepto vertical da reta orçamentária não muda. Por outro lado, se você estiver gastando toda a renda no bem 1, e ele aumentar de preço, seu consumo com este bem deve diminuir. Assim, o intercepto horizontal da reta orçamentária deve mover-se para dentro, conforme vimos na figura 4.

Caso o preço do bem 2 aumentasse de p 2 para p’ 2 , ocorreria o seguinte: o valor do intercepto no eixo vertical seria reduzido e o valor do intercepto no eixo horizontal não mudaria. O raciocínio é idêntico ao caso anterior. O aumento de p 2 faz reduzir o consumo máximo do bem 2 ao passo que o consumo máximo do bem 1 não é alterado. Acompanhe no gráfico:

Fig. 5

q2 m/p2 O aumento de p2 fez a reta orçamentária ficar menos inclinada (ou mais
q2
m/p2
O aumento de p2 fez a reta
orçamentária ficar menos
inclinada (ou mais deitada).
m/p’2
m/p1
q1

A inclinação da reta orçamentária, conforme já sabemos, é dada por p 1 /p 2 . Assim, somente mudanças no preço relativo 1 dos bens 1 e 2

1 Diz-se preço relativo tendo em vista que a expressão p 1 /p 2 nos mostra a relação p 1 /p 2 . Assim, a priori, quando falamos em preços relativos, estamos querendo falar de um preço dividido pelo outro.

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 poderão provocar alteração da inclinação da reta orçamentária. Enfim, a inclinação mudará somente quando a relação p 1 /p 2 mudar.

Imaginemos o caso em que os preços dos bens 1 e 2 variem ao mesmo tempo. Suponha que p 1 e p 2 sejam duplicados. Neste caso, não haverá mudança na inclinação, pois a relação p 1 /p 2 continuará a mesma. Os valores dos dois interceptos serão reduzidos pela metade (m/2p 1 e m/2p 2 ) e a reta orçamentária será deslocada de forma paralela para dentro, sem mudança na inclinação. Na prática, quando duplicamos os preços dos dois bens ao mesmo tempo, estamos, na verdade, fazendo o mesmo que dividir a renda por dois. Vejamos:

┻ 圏

髪 喧 ┻ 圏 噺 兼

Agora, dobramos os preços:

に喧 ┻ 圏

髪 に喧 ┻ 圏 噺 兼

Manipulando algebricamente, chegamos a:

に┻ 岫喧 ┻ 圏

┻ 圏

髪 喧 ┻ 圏 岻 噺 兼

髪 喧 ┻ 圏

Assim, multiplicar ambos os preços por dois teve o mesmo efeito que dividir a renda por dois. Podemos concluir, então, que ao multiplicar ambos os preços por uma quantidade qualquer t, isso será equivalente a manter os preços no mesmo patamar anterior, só que dividindo a renda pelo valor da mesma constante t. Em outras palavras, aumentar todos os preços em, digamos, 100% (multiplicá-los por 2) tem o mesmo efeito de reduzir a renda em 50% (dividir a renda por 2).

Se os preços dos bens 1 e 2 variam ao mesmo tempo e a variação em p 1 é diferente da variação em p 2 , aí sim haverá mudança na inclinação da reta orçamentária, tendo em vista que a relação p 1 /p 2 mudará.

E se os preços variarem de forma diferente e, ao mesmo tempo, houver variação na renda. Suponha que a renda diminua e os preços dos bens 1 e 2 aumentem. Se m diminui e p 1 e p 2 aumentam, os interceptos m/p 1 e m/p 2 devem diminuir. Isso indica que a reta orçamentária será deslocada para dentro. E a inclinação? Ela dependerá somente dos preços p 1 e p 2 . Se p 2 aumentar mais que p 1 , de tal modo que p 1 /p 2 diminua (considerando o valor absoluto ou o módulo), a inclinação será reduzida (a reta ficará mais deitada ou menos inclinada); se p 2 aumentar menos que p 1 , a reta orçamentária ficará mais inclinada.

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Se tivermos um ambiente de inflação perfeitamente estável, onde a renda e os preços variam exatamente na mesma proporção, a reta orçamentária não será deslocada, nem rotacionada. Veja por quê:

Conforme sabemos, a equação da linha de orçamento é:

p 1 .q 1 + p 2 .q 2 = m

Se você aumentar a renda e os preços na mesma proporção, a equação não mudará em nada, de tal forma que a linha de orçamento do consumidor permanecerá na mesma posição. Por exemplo, suponha que os preços e a renda sejam aumentados em 10% (inflação perfeitamente estável de 10%). A equação da linha de orçamento, após o aumento de 10%, será:

1,1p 1 .q 1 + 1,1p 2 .q 2 = 1,1m

Observe que as equações antes e depois do aumento são iguais. Basta simplificar a equação depois do aumento, dividindo todos os termos por 1,1. Assim, percebe-se que o aumento proporcional de preços e renda não altera (não desloca, nem rotaciona) a linha de orçamento. A inclinação não mudará, nem o valor dos interceptos.

A ideia é que você pegue o jeito de manipular as informações, sem precisar decorar. Segue agora um exemplo numérico que, de certa forma, reafirma de modo mais claro e menos algébrico o assunto.

Exemplo numérico:

Suponha que um consumidor possua renda total de R$1000 e sua cesta de consumo seja composta pelos bens vestuário e alimentos. O preço da unidade de alimento é R$10 e o preço da unidade de vestuário a ser consumida é R$20. Veja, na fig. 06, a reta de restrição orçamentária:

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Vestuário Figura 06 A 50 Linha de orçamento: renda=R$1000 Y 35 X 25 Z 20
Vestuário
Figura 06
A
50
Linha de orçamento: renda=R$1000
Y
35
X
25
Z
20
A’
Alimentos
30
50
60
100

Linha de orçamento (Preço do vestuário (PV)=20; preço do alimento (PC)=10; Renda=R$ 1000)

A linha AA’ representa renda total de R$1000. Isto significa que qualquer combinação de consumo entre vestuário e alimentos que esteja sob esta linha representará a utilização total da renda de R$1000 do consumidor. No ponto A’, o consumidor pode comprar 100 unidades de alimentos e nenhuma unidade de vestuário. No ponto A, o consumidor pode comprar 50 unidades de vestuário (R$1000/20) e nenhuma unidade de alimento. Nos pontos X, Y e Z temos outras combinações de vestuário e alimentos que exaurem os mesmos R$1000 da renda do consumidor.

Caso haja aumento de renda, a linha de orçamento será deslocada inteiramente para a direita. Caso haja redução de renda, a linha de orçamento será deslocada para a esquerda. Veja, na figura 07, as linhas de orçamento para as rendas de R$ 500 e R$ 1500:

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Vestuário Figura 07 Renda=R$1500 C 75 Renda=R$1000 A 50 Renda=R$ 500 B 25 B’ A’
Vestuário
Figura 07
Renda=R$1500
C
75
Renda=R$1000
A
50
Renda=R$ 500
B
25
B’
A’
C’
50
100 150

Linhas de orçamento (PV=20 e PA=10)

Alimentos

A linha BB’ representa todas as combinações de consumo de vestuário e alimentos que exaurem a renda de R$ 500. A linha CC’, todas as combinações de que exaurem a renda de R$ 1500. Observe que quanto mais alta a linha de orçamento, maior será o consumo do consumidor. Quanto mais baixa a linha, menor o consumo.

Para este exemplo, em que estamos trabalhando com os bens vestuário (V) e alimentos (A), a equação da reta orçamentária será:

Renda

(A), a equação da reta orçamentária será: R e n d a Preço do vestuário Quantidade
(A), a equação da reta orçamentária será: R e n d a Preço do vestuário Quantidade

Preço do vestuário

Quantidade de vestuário

m = P V .V + P A .A

Quantidade de vestuário m = P V .V + P A .A Quantidade de alimentos Preço

Quantidade de alimentos

Preço do alimento

m é a renda total. V é a quantidade de vestuário. P V é o preço do vestuário. P A é o custo/preço do alimento. A é a quantidade de consumo de alimentos. Vejamos quais as equações das linhas de orçamento (LO) AA’, BB’, CC’:

LO AA : 1000 = 20V + 10A 20V = 1000 10A V = 50 ½.A

LO BB : 500

LO CC : 1500 = 20V + 10A 20V = 1500 10A V = 75 ½.A

= 20V + 10A 20V =

500 10A V = 25 ½.A

(Para P A =10 e P V =20)

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A inclinação para as três linhas de orçamento é encontrada fazendo ─V/─A = dV/dA (derivada de V na variável A). Nos três casos, dV/dA = - ½. Este termo, ½, significa a inclinação da linha de orçamento. Note que todas as linhas de orçamento do nosso gráfico são paralelas, isto é, possuem a mesma inclinação. Desta forma, o valor de dV/dA deve ser igual para todas elas. Ao mesmo tempo, o valor de dV/dA representa a relação entre os preços das mercadorias. Veja que -1/2 é o preço do alimento dividido pelo preço do vestuário. Isso não é mera coincidência e, em todos os casos, essa regra valerá. Assim, concluímos que a inclinação da linha de orçamento é igual à divisão do preço do alimento (P A ) pelo preço do vestuário (P V ).

Nota a inclinação possui sinal negativo (-1/2), pois há uma relação inversa entre as variações nas quantidades consumidas dos bens vestuário e alimentos.

1.2. UTILIDADE E UTILIDADE MARGINAL

Apenas relembrando: os pressupostos da teoria do consumidor são de que o consumidor escolhe o melhor possível que ele pode adquirir. No item passado, vimos a explicação do “pode adquirir”, explicando o que é a restrição orçamentária. Agora, voltaremos nossos fogos para a análise do melhor possível”. Para isso, é necessário que entendamos os conceitos de utilidade e utilidade marginal. Vejamos o raciocínio:

Imagine que você passou a semana toda trabalhando 15 horas por dia e, quando chega o fim de semana, tudo o que você quer é tomar um(as) cerveja(s) gelada(s) para relaxar. Ou, no caso das mulheres, ir ao shopping fazer compras, com o cartão de crédito do marido, obviamente.

Ao tomar o primeiro copo de cerveja, certamente este copo trará uma grande satisfação/utilidade ao homem. Ao mesmo tempo, a primeira compra no shopping trará bastante utilidade/prazer à mulher. No segundo copo de cerveja, ainda haverá bastante utilidade adicional para o homem. Igualmente, a segunda compra também agregará satisfação adicional à mulher.

Se formos aumentando a quantidade de cervejas, no caso dos homens, e bugigangas compradas, no caso das mulheres, chegaremos ao ponto em que um copo adicional de cerveja e uma bugiganga a mais comprada representarão para o homem e a mulher, respectivamente, um benefício adicional tão pequeno que, para eles, será quase indiferente adquirir ou não esta unidade adicional de consumo.

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 Com este exemplo prático, podemos dizer que a utilidade total cresce com o aumento do consumo (por exemplo: quanto mais cervejas se tomam, maior é a utilidade total do homem. Ao mesmo tempo, quanto mais bugigangas se compram, maior é a utilidade da mulher Todavia, o valor acrescentado à utilidade total pela última unidade de consumo (último copo de cerveja, por exemplo) é tão menor quanto maior for o total consumido.

Em outras palavras, quanto mais se consome de um bem, maior é a utilidade total. Ao mesmo tempo, quanto mais se consome de um bem, menor é o acréscimo de utilidade decorrente do acréscimo de consumo. Daí, surge o conceito de utilidade marginal:

Utilidade marginal (Umg): é o acréscimo de utilidade (U) em virtude do acréscimo de uma unidade de consumo (q) de um bem qualquer. De forma matemática:

山仕賛 噺

志山

志刺

纂山

纂刺

À medida que aumentamos o consumo de um bem qualquer, a sua utilidade marginal, isto é, a utilidade ou benefício adicional de seu consumo vai diminuindo. Daí, concluímos que a utilidade marginal é decrescente. Em outras palavras, quanto mais temos de um bem, menos útil ele se torna. Isso acontece porque a sua utilidade marginal é decrescente.

Isto que nós acabamos de falar é chamado de lei da utilidade marginal decrescente: à medida que aumentamos o consumo de determinada mercadoria, a utilidade marginal dessa mercadoria diminui.

Então, ficamos assim:

Quanto maior é o consumo de um bem, maior será a utilidade

(total);

Quanto

maior

marginal.

o

consumo

de

um

bem,

menor

a

utilidade

De forma matemática, a Umg é definida como sendo a derivada da utilidade (U) em relação ao consumo (q) de determinada mercadoria (Umg=─U/─q=dU/dq). Na aula passada, nós vimos que uma das aplicações da derivada é a possibilidade de calcularmos o valor máximo de uma função. Para isso, basta derivarmos a função e igualar o resultado a ZERO. Pois bem, como a utilidade marginal é derivada da utilidade, nós podemos concluir que a utilidade máxima será atingida quando a utilidade marginal de determinado bem for igual a ZERO. Ou seja, é

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a mesma linha de pensamento da receita marginal (lembra da aula

passada? A receita total é máxima quando a receita marginal é igual ZERO, sendo que a receita marginal é derivada da receita total). Assim:

U MÁX quando Umg=0

Também podemos chegar a esta conclusão intuitivamente: ao consumirmos mais e mais de um bem, estaremos aumentando a utilidade total. Ao mesmo tempo, estaremos decrescendo o valor da utilidade

marginal. Quando esta atingir o valor NULO, se continuarmos a aumentar

o consumo, a utilidade marginal passará a assumir valores negativos.

Neste caso, o aumento de consumo reduzirá a utilidade total. Assim, o momento em que a utilidade é máxima acaba sendo quando a utilidade marginal é NULA.

Se, a partir do momento em que atingimos a utilidade total máxima, continuarmos a consumir mais o bem, a utilidade marginal continuará decrescendo (em virtude da lei da utilidade marginal decrescente). Como ela é igual a zero neste ponto de U MÁX , então, a partir daí, a utilidade marginal passa a ser negativa, de tal forma que o aumento de consumo irá trazer um acréscimo de utilidade negativo (utilidade marginal negativa), e irá reduzir a utilidade total.

Vale ainda ressaltar que, em concursos, a banca pode usar com o mesmo significado os termos: prazer, benefício, felicidade, satisfação e utilidade. Assim, benefício marginal é o mesmo que utilidade marginal, que é o mesmo que prazer adicional, e assim por diante.

1.3. PREFERÊNCIAS

Apenas relembrando, mais uma vez: os pressupostos da teoria do consumidor são de que o consumidor escolhe o melhor possível que ele pode adquirir. No item 1.1, vimos a explicação do “pode adquirir”,

explicando o que é a restrição orçamentária. No item 1.2, tivemos a noção de dois importantes conceitos que nos serão bastante úteis. Agora, iremos nos concentrar no estudo das preferências do consumidor, que é uma tentativa de verificar como ocorre a “escolha do melhor possível”.

No estudo das preferências, a todo o momento, nós comparamos as cestas de consumo, de modo que o consumidor tenha a possibilidade de classificar as cestas de consumo de acordo com o grau de satisfação que cada uma delas traz. Nesse sentido, será bastante comum ouvirmos, por exemplo, que a cesta X é preferível à cesta Y, ou ainda que o consumidor

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 é indiferente 2 entre o consumo da cesta X e o consumo da cesta Y. No primeiro caso, o consumo da cesta X traz maior prazer ou utilidade ao consumidor do que o consumo da cesta Y. No segundo caso, o consumo de X ou Y traz o mesmo grau de satisfação ou utilidade.

Antes de adentrarmos no assunto, devemos saber que a teoria do comportamento do consumidor inicia-se com quatro premissas básicas a respeito das preferências das pessoas por determinada cesta de mercado em relação a outra. Seguem essas premissas:

1. Integralidade ou exaustividade: as preferências são completas. Isso quer dizer que os consumidores podem comparar e ordenar todas as cestas de mercado. Assim, para quaisquer cestas que existam, o consumidor é capaz de ordená- las em uma ordem de preferência e dizer se ele prefere uma ou outra ou, ainda, se ele é indiferente a qualquer uma delas em relação à outra.

2. Transitividade: as preferências são transitivas (ou consistentes). Transitividade (ou consistência) quer dizer que, se um consumidor prefere a cesta de mercado A à cesta B e prefere B a C, então ele também prefere A a C. Por exemplo, se ele prefere picanha a alcatra e prefere alcatra a coxão duro, também, necessariamente, prefere picanha a coxão duro.

3. Quanto mais, melhor: a maior quantidade de um bem é sempre preferível à menor quantidade do mesmo. Este princípio também é chamado de princípio da não saciedade. Essa suposição também é às vezes chamada de monotonicidade de preferências, o que significa dizer que as preferências são monotônicas (mais é melhor).

4. Reflexividade: as preferências são reflexivas. Em outras palavras, uma cesta de mercadorias é tão boa 3 quanto ela

mesma. Isto quer dizer que uma cesta X proporciona o mesmo prazer que outra cesta que seja exatamente igual à cesta X.

2 Por indiferente indicamos que qualquer uma das cestas deixaria o indivíduo com a mesma utilidade/satisfação.

3 Quando temos essa situação em que dizemos que uma cesta é pelo menos tão boa quanto ela mesma, isto pode ser representado assim: X(x 1 , x 2 )X(x 1 , x 2 ). O símbolo significa que o consumidor prefere fracamente X a X, ou seja, ele prefere ou mostra-se indiferente entre a escolha entre duas cestas que são iguais. Se dissermos que XY, então, este consumidor prefere ambas as cestas (X ou Y), ou ainda, mostra-se indiferente entre as cestas X e Y. Esta é a relação de preferência fraca, onde temos o símbolo . Por outro lado, se XY, nós temos uma relação de preferência estrita, onde o consumidor prefere estritamente a cesta X (não há possibilidade de haver indiferença, e entre escolher X e Y, sempre escolherá X, pois esta cesta é estritamente preferível à cesta Y).

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Essas premissas constituem um embasamento para a teoria do consumidor. Quando as condições (1) e (2) são satisfeitas, dizemos que as preferencias são racionais. Assim, a racionalidade das preferências acontece quando é possível examinar duas alternativas e declarar ou que se prefere uma à outra, ou se é indiferente, (premissa da completude) e quando as preferências são logicamente consistentes ou transitivas (premissa da transitividade).

Agora, prosseguindo em nossa aula, para tornar o estudo das preferências viável, partimos da premissa de que o consumidor tem à sua disposição apenas duas mercadorias. Adotaremos como exemplo a alimentação e o vestuário. Ou seja, a utilidade ou a satisfação deste consumidor é função da alimentação e vestuário. Algebricamente, isso é representado assim: U = f (A, V) (lê-se: a utilidade é função de alimento e vestuário).

Pois bem, agora que sabemos que a utilidade do consumidor é dependente do vestuário e da alimentação (apenas exemplo), podemos traçar um gráfico de modo semelhante ao que fizemos no item da restrição orçamentária. Neste gráfico, colocaremos no eixo das abscissas o consumo de alimentos. No eixo das ordenadas, colocaremos o consumo de vestuário.

É neste diagrama vestuário/alimentos que colocaremos as preferências do consumidor. Para compreender como elas podem ser dispostas no gráfico, suponha que um trabalhador que consumisse 50 unidades de vestuário e demandasse, ao mesmo tempo, 8 unidades de alimentos, estivesse com o nível de utilidade U 1 , no ponto A, da figura 08.

Vestuário C 120 Figura 8 A 50 B 30 U 1 4 8 12
Vestuário
C
120
Figura 8
A
50
B
30
U 1
4
8
12

Alimento

Obs: esta ordenação de preferências traçada na figura 08 é um mero exemplo, serve apenas para elucidação da teoria.

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 Este nível de satisfação ou utilidade está sendo chamado de nível de utilidade U 1 . Note que é perfeitamente possível que este trabalhador tenha outras combinações de vestuário e alimentos que também proporcionem o mesmo nível de utilidade U 1 apresentado no ponto A.

Assim, caso o indivíduo passe a consumir, por exemplo, 30 unidades de vestuário, ele certamente consumirá mais unidades de alimentos se quiser manter o mesmo nível de utilidade apresentado no ponto A. De outra forma, se for obrigado a consumir menos alimentos, será exigido um maior consumo de vestuário para, assim, manter-se no mesmo nível de satisfação.

No ponto A do gráfico, consumindo 50 de vestuário e 08 de alimentos, o nível de utilidade é U 1 . No ponto B, o consumo de vestuário foi reduzido em 20 (5030=20). Para se manter no mesmo nível de utilidade U 1 , foi necessário aumentar em 4 o consumo de alimentos. Observe que a nova quantidade consumida de alimentos passou para 12.

No ponto C, este indivíduo consumiu poucas unidades de alimentação (4 unidades). Para se alimentar menos e manter a mesma satisfação, será necessário consumir mais vestuário. No exemplo acima, o consumo de 120 unidades de vestuário garantirá a permanência do consumidor no nível de utilidade U 1 .

Se unirmos os pontos A, B, C e qualquer outro ponto que gere o nível de utilidade U 1 , traçaremos uma curva denominada curva de indiferença. Assim, podemos definir curva de indiferença: é uma curva que liga as várias combinações de consumo de vestuário e alimentos que proporcionam igual utilidade (a expressão curva de indiferença deriva do fato de que cada ponto na curva rende a mesma utilidade, logo, o consumidor será indiferente sobre qualquer cesta de consumo ao longo da curva).

Nota existe também o conceito de mapa de indiferença, que é o gráfico que contém um conjunto de curvas de indiferença mostrando as cestas de mercado cuja escolha é indiferente para o consumidor.

Observe também que nosso consumidor poderia atingir um nível de satisfação mais elevado se pudesse combinar, por exemplo, 08 unidades de alimentos com 120 unidades de vestuário, em vez de apenas 50. Neste caso, representado pelo ponto D, figura 9, estaríamos em um nível de satisfação mais alto, U 2 . Da mesma forma que acontece ao nível de satisfação U 1 , o consumidor poderia designar inúmeras combinações de vestuário e alimento que também renderiam o nível de utilidade U 2 . Essas combinações são designadas pelos s na figura 9, que são ligados por uma segunda curva de indiferença, U 2 .

ligados por uma segunda curva de indiferença, U 2 . Profs. Heber e Jetro www.estrategiaconcursos.com.br 19

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Vestuário Figura 9 C D 120 A 50 U 2 B 30 U 1 4
Vestuário
Figura 9
C
D
120
A
50
U 2
B
30
U 1
4
8
12

Alimento

A curva de indiferença, portanto, consiste em todas as cestas de bens que deixam o consumidor indiferente à cesta dada. Assim, uma curva de indiferença mostra apenas as cestas que o consumidor percebe como indiferentes entre si a curva de indiferença, sozinha, não distingue as cestas melhores das piores.

1.3.1.

Propriedades

comportadas)

das

curvas

de

indiferença

(bem-

As curvas de indiferença têm algumas propriedades que são refletidas no jeito pelo qual são traçadas. Veremos agora o caso geral que se aplica na maioria dos casos e das questões de concursos. Essas propriedades que refletem o caso geral nos remetem ao que chamamos de curvas de indiferença bem-comportadas. Vejamos quais são estas propriedades:

1. Curvas mais altas são preferíveis. O nível de utilidade U 2 representa mais satisfação que o nível U 1 , pois para a mesma quantidade de alimentos, o vestuário é maior em U 2 . Assim, quanto mais alta a curva, melhor. Em virtude disto, qualquer ponto na curva U 2 será, obrigatoriamente, preferível a qualquer outro da curva U 1 . Consequentemente, qualquer curva de indiferença mais alta que U 2 também será preferível a U 2 , e assim por diante.

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Figura 10 Vestuário U > U > U 1 3 V 3 U 3 2
Figura 10
Vestuário
U
> U > U 1
3
V
3
U 3
2
V
2
U
2
1
V
1
U
1
Alimentos
A

Essa suposição de que mais é melhor é chamada, conforme já explicamos nas premissas das preferências, de monotonicidade de preferências. A monotonicidade das preferências implica que as curvas de indiferença tenham, obrigatoriamente, inclinação negativa. Se mais é melhor, então, ao reduzirmos o consumo de um bem, devemos, com certeza, aumentar o consumo do outro bem para que nos mantenhamos indiferentes entre duas cestas de consumo. Isso só é possível se as curvas de indiferença tiverem inclinação negativa.

Acompanhe na figura 11. Se partirmos de uma cesta (q 1 , q 2 ) e nos movermos para algum uma posição que seja indiferente, devemos nos mover para a esquerda e para cima (aumenta o consumo do bem 2, aumentando q 2 , e reduz o consumo do bem 1, reduzindo q 1 ) ou para a direita e para baixo (aumenta q 1 e reduz q 2 ).

Figura 11 Cestas melhores (q 1 , q 2 ) Cestas piores
Figura 11
Cestas
melhores
(q 1 , q 2 )
Cestas
piores

q2

Preferências monotônicas:

- mais de ambos os bens é melhor;

-

-

menos de ambos os bens é pior;

Inclinação negativa da curva de indiferença

q1

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2. Curvas de indiferença não se cruzam. Esta é uma reafirmação da premissa da transitividade. Adotando o exemplo das cestas de consumo com vestuário e alimentos, nós temos que se as curvas de indiferença se cruzassem, o ponto de intersecção representaria uma combinação de vestuário e alimentos que proporcionaria dois níveis de utilidade diferentes ao mesmo tempo, o que seria um absurdo, veja na figura 12:

Vestuário Figura 12 C B A U 1 Alimentos A
Vestuário
Figura 12
C
B
A
U
1
Alimentos
A

U 2

As curvas de indiferença U 1 e U 2 têm uma cesta vestuário/alimentos

em comum (cesta A). Sendo assim, o consumidor seria indiferente

às cestas A e C (por pertencerem a curva de indiferença U 1 ) e às

cestas A e B (por pertencerem a curva de indiferença U 2 ). Logo, pela lógica, o consumidor deveria ser indiferente também às cestas

B e C. Entretanto, isso é impossível, já que C implica maior

vestuário que B, mantendo a mesma quantidade de alimentos. Ou seja, chegamos à conclusão de que é impossível duas curvas de indiferença se cruzarem.

3. As médias são preferidas aos extremos. Se pegarmos duas cestas de bens A (x 1 , x 2 ) e B (y 1 , y 2 ) e adotarmos uma terceira cesta C cujas quantidades de consumo dos bens 1 e 2 valham valores intermediários entre x 1 e y 1 e x 2 e y 2 , esta terceira cesta

será preferível a (x 1 , x 2 ) e (y 1 , y 2 ). Por exemplo, suponha as cestas

A e B com as quantidades dos bens 1 e 2: A (2, 6) e B (8, 3). Se

pegamos uma cesta C cuja quantidade do bem 1 esteja entre 2 e 8

e cuja quantidade do bem 2 esteja entre 6 e 3, esta cesta C será

preferível às cestas A e B. Assim, uma cesta C, digamos, com 5 unidades do bem 1 e 4 unidades do bem 2, C (5, 4), será preferível

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às cestas A e B, uma vez que 5 está entre 2 e 8, e 4 está entre 6 e

3.

Do ponto de vista geométrico, essa suposição de que as médias são preferidas aos extremos implica que essas curvas de indiferença serão convexas. Ou seja, a convexidade da curva é voltada para a origem do gráfico. Observe a figura 13:

Figura 13 q2 A Cesta média é preferível C B
Figura 13
q2
A
Cesta média é
preferível
C
B

q1

A cesta C (com valores médios das

quantidades dos bens 1 e 2 nas cestas A e B) é preferível às cestas

A e B, uma vez que ela está em uma

curva de indiferença mais alta (curva de indiferença cinza claro).

Isto ocorre porque as curvas de indiferenças são convexas.

A Cesta média não é preferível C B
A
Cesta média não
é preferível
C
B

A cesta C, neste caso, não será preferível às cestas A e B, uma vez que ela está em uma curva de indiferença mais baixa (curva de indiferença cinza claro). Isto ocorre porque as curvas de indiferenças são côncavas. Assim, para obedecermos à premissa de que as médias são preferíveis aos extremos, as curvas devem ser convexas e não côncavas como no caso acima.

A explicação intuitiva para este fenômeno reside no fato de que os consumidores preferem consumir cestas mais diversificadas, isto é, tendo quantidades equilibradas de cada bem. Para eles, é melhor um consumo mais diversificado de bens em vez de consumir cestas que tenham determinados bens em excesso. Por isso, a cesta C, para curvas bem-comportadas, que é o nosso caso normal, é

preferível às cestas A e B. Ou seja, a diversificação é preferível à especialização (consumo de determinado bem em excesso).

1.3.1.1. Taxa marginal de substituição (TMgS)

A TMgS como inclinação negativa da curva de indiferença:

Nós vimos que, em virtude da premissa do quanto mais melhor (preferências monotônicas), as curvas de indiferença bem-comportadas 4

4 Eマ ケ┌WゲデロWゲ SW IラミI┌ヴゲラゲが ケ┌;ミSラ Y a;ノ;Sラ ェWミWヴキI;マWミデW ゲラマWミデW Wマ さI┌ヴ┗;ゲ SW キミSキaWヴWミN;ざが devemos considerar que se trata, na verdade, das curvas de indiferença bem-comportadas. Daqui a pouco veremos, em nossa aula, exemplos de curvas de indiferença que fogem a essa regra.

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 são inclinadas negativamente. Veremos agora outra explicação para essa inclinação negativa. Voltemos, então, ao exemplo em que o consumidor possui cestas de consumo de alimentos e vestuário:

Se o consumo de vestuário aumenta, o consumo de alimentos é reduzido a fim de se preservar a mesma utilidade, e vice-versa. Veja a figura 14:

Figura 14 Vestuário A V A らV A inclinação da curva de B indiferença em
Figura 14
Vestuário
A
V
A
らV
A inclinação da curva de
B
indiferença em todos os
らA
V
B
pontos é dada por らV/らA.
らV
C
らA
V
C
らV
D
らA
V
D
らV
E
V
E
らA
U
1
Alimentos
A A
AD
A B
A
A
C
E

Observe que quando nos movemos do ponto A para o ponto B, a diminuição do consumo de vestuário (─V=V B -V A ) foi compensada por um pequeno aumento no consumo de alimentos (─A=A B -A A ), para que nos mantivéssemos no mesmo nível de utilidade (mesma curva de indiferença). Quando nos movemos do ponto B para o C, ocorre a mesma coisa, só que, desta vez, precisamos de mais alimentos (─A=A C -A B ) para compensar uma perda até menor de vestuário (─V=V C -V B ). Do ponto C para o D, ocorre o mesmo fenômeno. Do ponto D para o ponto E, precisamos de um grande aumento de alimentos para compensar uma pequena perda de vestuário, de forma que ─V/─A será um número bem pequeno (veja que do ponto A ao B, ─V/─A é um número mais alto que o V/─A do ponto D ao E).

Em primeira instância, o que ocasiona estas mudanças ao longo da curva de indiferença e a sua própria inclinação é o princípio da utilidade marginal decrescente. Quando nos movemos para a direita, aumentando o consumo de alimentos, por exemplo, a sua utilidade marginal decresce, fazendo com que o consumidor queira abrir mão cada vez menos de vestuário em troca de alimentos.

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 O declínio no consumo de vestuário permitido por um aumento no consumo de alimentos a fim de que a utilidade mantenha-se constante é chamado de taxa marginal de substituição (TMgS) entre vestuário e alimentos. É esta TMgS que determina a inclinação da curva de indiferença. Algebricamente, a TMgS pode ser definida como:

. Algebricamente, a TMgS pode ser definida como: Inclinação da curva de indiferença TMgS = ─

Inclinação da curva de indiferença

TMgS = V A

com a utilidade (U) constante

Veja que a TMgS será sempre negativa. Isto porque o numerador V (V FINAL V INICIAL ) é sempre negativo quando caminhamos da esquerda para a direita na curva de indiferença. Se caminharmos da direita para a esquerda, o denominador, A (A FINAL A INICIAL ), será sempre negativo. Assim, a TMgS sempre será negativa e, por conseguinte, a inclinação da curva de indiferença também será.

A TMgS explicando a convexidade:

A TMgS também nos ajuda a entender por que as curvas de indiferença são convexas. A convexidade das curvas de indiferença é plenamente visualizada ao notarmos o fato da curva ser bem mais íngreme à esquerda do que à direita. No ponto A (figura 14), onde a curva de indiferença é bastante acentuada, ou vertical, um grande declínio no consumo de vestuário pode ser acompanhado por um modesto aumento no consumo de alimentos. Ou seja, quando o consumo de vestuário é relativamente elevado e o consumo de alimentos é relativamente baixo, o alimento é mais altamente valorizado do que quando este é abundante e o vestuário relativamente escasso (precisa-se abrir mão de bastante vestuário para um ganho pequeno de alimentos, ou seja, o alimento é mais valorizado). Colocada dessa forma, a convexidade

das curvas de indiferença parece algo natural: ela diz que quanto mais temos de um bem, mais propensos estaremos a abrir mão de alguma quantidade dele em troca de outro bem.

No ponto E (figura 14), inversamente, a curva de indiferença é relativamente plana. Essa inclinação mais plana significa que um mesmo declínio no vestuário requer um aumento bem maior no consumo de alimentos para que a utilidade permaneça constante. Isto é, quando o consumo de vestuário é baixo e os alimentos são abundantes, o vestuário é altamente valorizado (a perda do vestuário requer um enorme aumento no alimento para que a utilidade permaneça constante). O princípio norteador do raciocínio é o mesmo em todas as situações: o que é

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 escasso é mais valorizado (neste caso, precisa-se de bastante alimento para compensar uma pequena perda de vestuário).

A TMgS é decrescente:

Do ponto A ao B (figura 14), temos uma TMgS certamente maior que 1 (─V>─A) em valores absolutos (módulo). Do ponto D ao E, entretanto, temos o módulo da TMgS certamente menor que 1 (─V<─A). Podemos perceber que do ponto A ao ponto E, o valor da TMgS diminui à medida que nos deslocamos para baixo e para a direita ao longo da curva de indiferença. Desta forma, a TMgS, além de ser negativa, possui o seu valor declinante ou decrescente quando se substitui, progressivamente, unidades de vestuário por alimentos. Concluindo: a TMgS é decrescente.

1.3.2. Preferências “mal” comportadas (casos especiais)

No item 1.3.1, nós vimos algumas premissas que nos remetem a preferências bem-comportadas e monotônicas. Vale ressaltar que o que foi visto no item passado deve ser considerado sempre quando falamos em preferências ou curvas de indiferença de modo genérico, sem especificar se são preferências bem-comportadas, monotônicas ou não.

Neste item, veremos alguns casos de preferências que não seguem o comportamento padrão estudado no item passado. Ou seja, são curvas de indiferença que seguem as premissas das preferências (monotonicidade, reflexividade, transitividade, integralidade), mas não seguem o comportamento das curvas bem-comportadas (TmgS decrescente e negativa, convexidade). Assim, você deve ter em mente que apesar destes casos especiais não seguirem o comportamento padrão de uma curva de indiferença bem-comportada, isto não significa, entretanto, que elas não obedeçam às premissas das preferências, vistas logo no início do item 1.3. Elas obedecem às premissas básicas das preferências, apenas não seguem o caso geral (as curvas de indiferença não têm o formato de curvas bem-comportadas).

Comecemos pelo caso em que os bens integrantes da cesta de consumo são bens substitutos ou complementos perfeitos:

1.3.2.1. O caso dos substitutos e complementos perfeitos

A figura 15 apresenta, no gráfico da esquerda, as preferências de um consumidor por coca-cola e pepsi. Para este consumidor, estas duas

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 mercadorias são substitutos perfeitos. Dizemos que dois bens são substitutos perfeitos quando a taxa marginal de substituição de um bem pelo outro é constante. Nesse caso, as curvas de indiferença que descrevem a permuta entre o consumo das mercadorias se apresentam como linhas retas (a inclinação de retas é uma constante ou seja, um número que não muda. Assim, a TmgS também será constante, já que a inclinação da curva de indiferença é dada pela TmgS).

Figura 15

Pepsi Sapato esquerdo 3 2 1 1 2 3 Coca-cola Sapato direito
Pepsi
Sapato
esquerdo
3
2
1
1
2
3
Coca-cola
Sapato direito

No gráfico da esquerda, a TmgS é -1, pois o consumidor substitui o consumo de uma lata de pepsi por uma lata de coca-cola em qualquer lugar da curva de indiferença. Mas, tome cuidado! A inclinação das curvas de indiferença (TmgS) não precisa ser igual a -1 para que os bens sejam substitutos perfeitos. Para que os sejam, basta que as curvas de indiferença sejam representadas por retas e tenham, portanto, a inclinação constante. Por exemplo, caso o consumidor acredite que uma lata de pepsi equivalha a duas latas de coca-cola (TmgS=─Pepsi/─coca=- 1/2), a inclinação das curvas de indiferença será -1/2, e os bens serão substitutos perfeitos pois a inclinação das curvas será constante (-1/2).

O gráfico da direita, na figura 15, ilustra as preferências de um consumidor por sapatos esquerdos e direitos. Para este consumidor, os dois bens são complementos perfeitos (ou complementares), uma vez que um sapato esquerdo não aumentará seu grau de satisfação ou utilidade, a menos que ele possa obter também o sapato direito como correspondente. Assim, a cesta (1 sapato direito, 1 sapato esquerdo) apresenta a mesma utilidade da cesta (1 sapato direito, 3 sapatos esquerdos). Ou seja, só haverá benefício adicional quando houver acréscimo na proporção no consumo dos dois bens, sendo que qualquer bem em excesso a essa proporção não gera nenhum benefício adicional.

Percebemos, então, que, no caso dos complementos perfeitos, as curvas de indiferença terão formato de um L, cujo vértice ocorre

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 onde o número de pés esquerdos iguala o de pés direitos. Na parte vertical do L, a TMgS será igual a infinito (o ─ SAPATO_ESQUERDO será um valor qualquer, enquanto o ─ SAPATO_DIREITO será igual a 0. Como qualquer número dividido por 0 é igual a infinito, a TMgS na parte vertical do L também será infinita). Na parte horizontal do L, a TMgS será igual a 0 (o SAPATO_ESQUERDO será igual a 0, enquanto o ─ SAPATO_DIREITO será igual a um valor qualquer. Como ZERO dividido por qualquer número é igual a ZERO, a TMgS na parte horizontal do L também será sempre igual a 0).

Por fim, note que, no caso dos complementos perfeitos, o consumidor prefere consumi-los em proporções fixas, não havendo necessidade de que a proporção seja 1 por 1, como no caso do exemplo dos sapatos direito e esquerdo. Por exemplo, se um consumidor consome sempre dois refrigerantes para cada sanduíche, e não consome refrigerante para mais nada, neste caso, os bens refrigerante e sanduíche serão complementos perfeitos e as curvas de indiferença terão o formato de L. Neste caso, as cestas que estarão nos vértices de cada L terão sempre o dobro de refrigerantes em relação aos sanduíches. A proporção no consumo dos bens será fixa, no entanto, teremos uma proporção de 2 para 1, em vez de 1 para 1, como no caso dos sapatos direito e esquerdo.

Nota os bens podem ser substitutos imperfeitos (o consumidor percebe alguma diferença entre eles) ou complementos imperfeitos (o consumo não será feito em proporções fixas). Neste caso, as curvas de indiferença tenderão ao formato convencional, apresentando algum grau de convexidade.

1.3.2.2. Quando um bem é um mal

Quando um bem é uma mercadoria que o consumidor não gosta, dizemos que este bem, na verdade, é um “mal”. Se tivermos uma cesta com dois bens, um sendo um bem e outro sendo um mal, as curvas de indiferença serão positivamente inclinadas. Isto é, para se manter na mesma utilidade, ao aumentar o consumo do mal, deve-se também aumentar o consumo do bem.

Peguemos uma cesta que consista de duas mercadorias: o bem carne e o mal salada. Supondo que este consumidor não goste deste último (para este consumidor, o consumo de salada não traz utilidade ou prazer, logo, é um mal, e não um bem), se dermos a ele mais salada, o que deveríamos fazer para mantê-lo com o mesmo nível de satisfação (ou para que ele permaneça na mesma curva de indiferença)? Para mantê-lo na mesma curva de indiferença, será necessário mais carne para compensá-lo por ter de aturar a salada. Assim, este consumidor, que não gosta de salada e adora carne, terá de ter curvas de indiferença que se inclinem para cima e para a direita, conforme vemos na figura 16.

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Figura 16
Figura 16

salada

Aqui, as curvas de indiferença têm inclinação positiva. Para mantermos o mesmo nível de utilidade, à medida que aumentamos o consumo do mal salada, devemos consumir mais o bem carne.

carne

Neste caso, as curvas de indiferença mais para baixo e para a direita serão as curvas preferíveis, no sentido da redução do consumo de salada e do aumento do consumo de carne.

Uma importante observação a se fazer neste caso é em relação ao comportamento do “mal” (o bem que não traz utilidade). O consumo desta mercadoria não traz acréscimo de utilidade ao consumidor. Pelo contrário, o aumento de consumo do “mal” faz decrescer a utilidade do consumidor. Isto quer dizer que a utilidade marginal de uma mercadoria com esta característica será sempre negativa. Daí, podemos concluir que quando temos um bem que é um “mal”, que apresenta, para qualquer nível de consumo, utilidade marginal negativa (faz decrescer a utilidade do consumidor), então, as curvas de indiferença deste consumidor serão positivamente inclinadas, exatamente como mostrado na figura 16.

Esta conclusão não se confunde com aquela que foi inferida para as curvas de indiferença bem-comportadas, que possuem inclinação decrescente e negativa. Naquelas, o princípio da utilidade marginal decrescente (decrescente é diferente de negativa) faz com que a inclinação da curva seja decrescente e negativa. Neste caso da curva bem-comportada, a utilidade marginal, apesar de decrescente, não será negativa. Entretanto, se a utilidade marginal for negativa, então, a curva de indiferença será positivamente inclinada.

Nota no exemplo, desenhei curvas de indiferença representadas por retas, mas poderíamos também desenhar curvas convexas ou côncavas. O importante aqui é que as curvas que representam uma cesta composta por um bem e por um mal terão inclinação positiva.

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1.3.2.3. Bens neutros

Quando temos uma cesta composta por um bem neutro, isto é, um bem que o consumidor não se importa em ter ou não ter, as curvas de indiferença serão linhas verticais. Por exemplo, imagine um típico homem solteiro que mora sozinho e sua cesta de consumo seja composta do bem vassoura e do bem cerveja. Levando-se em conta que o típico homem solteiro que mora sozinho não varre o seu domicílio, nunca, podemos concluir que o bem vassoura é neutro, o consumidor pouco importa em tê-lo ou não. Isso quer dizer que o aumento do consumo de vassoura não aumenta a utilidade desta consumidor, apenas o aumento do consumo de cervejas terá este efeito. Veja na figura 17:

Figura 17 Curvas de indiferença
Figura 17
Curvas de indiferença

vassoura

Aqui, somente o aumento do consumo de cerveja conseguirá aumentar o nível de utilidade do consumidor. O aumento do consumo de vassouras não terá qualquer efeito sobre a utilidade.

cerveja

1.3.2.4. Curvas de indiferença côncavas

No item 1.3.1, premissa 3 das curvas de indiferença bem comportadas (figura 13), nós vimos que os consumidores preferem as cestas médias porque elas representam cestas mais diversificadas de consumo. Essa premissa, por sua vez, era responsável pela convexidade das curvas de indiferença.

Quando temos uma situação oposta, ou seja, os consumidores preferem a especialização à diversificação no consumo, as curvas de indiferença serão côncavas, ou seja, teremos a concavidade da curva voltada para a origem do gráfico. Assim, quando temos uma curva de indiferença côncava, isto quer dizer que este consumidor prefere se especializar no consumo de uma única mercadoria, em detrimento do consumo diversificado das duas mercadorias da cesta de consumo.

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Figura 18 A (1, 7) C (4, 4) B (7, 1)
Figura 18
A (1, 7)
C (4, 4)
B (7, 1)

Q2

Quando a curva de indiferença é côncava, o consumo das cestas A e B traz maior utilidade que o consumo da cesta C. Note que, nas cestas A e B, o consumidor se especializa no consumo de uma determinada mercadoria.

Q1

1.4. FUNÇÕES UTILIDADE (ordinal x cardinal)

Uma função de utilidade é uma expressão algébrica que atribui um valor ou um nível e utilidade a cada cesta de mercado. Suponha, por exemplo, que consumidor possua a seguinte função utilidade:

U (q 1 , q 2 ) = q 1 + q 2

O termo U (q 1 , q 2 ) está dizendo apenas que a utilidade é função (ou depende) das quantidades consumidas dos bens 1 e 2. Essas quantidades são representadas por q 1 e q 2 . Neste caso, uma cesta de mercado que tenha 5 unidades do bem 1 (q 1 =5) e 4 unidades do bem 2 (q 2 =4), terá uma utilidade de 5+4=9. Caso este consumidor, em outro momento, consuma 7 unidades do bem 1 (q 1 =7) e 2 unidades do bem 2 (q 2 =2), a utilidade também será igual a 9. Ou seja, as cestas (5,4) e (7,2) possuem a mesma utilidade e estarão, portanto, na mesma curva de indiferença deste consumidor. E como sabemos disso? Sabemos porque a função utilidade deste consumidor nos disse!

Nota esta função utilidade que eu utilizei é apenas um exemplo. Veremos mais tarde outros formatos para a função utilidade.

Suponha agora que este consumidor consumo 2 unidades do bem 1 (q 1 =2) e 1 unidade do bem 2 (q 2 =1). A utilidade será igual a 2+1=3. Assim, esta cesta (2,1) não será preferível às cestas (5,4) e (7,2) uma vez que a utilidade daquela foi menor que a utilidade destas últimas. Logo, a cesta (2,1) estará em uma curva de indiferença mais baixa que as cestas (5,4) e (7,2).

Assim, veja que a função utilidade fornece a mesma informação sobre as preferências que o conjunto de curvas de indiferença (mapa de

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 indiferença): ambos ordenam as escolhas do consumidor em termos de níveis de satisfação/utilidade.

Vale ressaltar que a função de utilidade apenas serve para ordenar as preferências. Ela não nos dá uma medida, um valor de utilidade. Deixe-me explicar melhor. Imagine que tenhamos uma função utilidade para um consumidor e, calculando diversas utilidades para diversas cestas, encontremos os valores de utilidades de 5, 10, 1000 e 2300 para as cestas A, B, C e D, respectivamente. O que estes números querem dizer? Eles querem dizer apenas que a ordem de preferência, da mais baixa para a mais alta, é A, B, C e D. Apenas isso! Assim, não podemos dizer que a cesta B tem o dobro de utilidade da cesta A, nem dizer que a cesta C é muito mais preferível à cesta B do que a cesta B é preferível à cesta A. Enfim, repetindo, os valores de utilidade que encontramos em funções de utilidade serve apenas para ordenar as preferências.

O mesmo vale para comparações entre consumidores diferentes. Por exemplo, suponhamos que a cesta A, na função de utilidade do consumidor Teodósio, tenha nível de utilidade igual a 10. Agora suponha que esta mesma cesta A, na função de utilidade da consumidora Jucicleide, tenha nível de utilidade igual a 100. Será que Jucicleide ficará mais feliz (terá mais utilidade) do que Teodósio se cada um deles consumisse a cesta A? Não temos como saber a resposta. Os valores numéricos servem apenas para ordenar as preferências de cada consumidor, não são medidas acuradas do quantum uma cesta torna uma pessoa feliz (apenas ordena, não quantifica).

Esta ordenação de preferências em que as utilidades são simplesmente ordenadas de modo a mostrar apenas a ordem de preferência é chamada de teoria ordinal. Caso a preocupação realmente fosse informar em valor numérico qual o grau de utilidade do consumidor, estaríamos trabalhando com a teoria cardinal. Assim, esta teoria do consumidor que estamos estudando, baseada na ordenação de preferências, é pautada em funções de utilidades ordinais, pois

verificamos apenas a ordem das utilidades e não o seu cálculo numérico propriamente dito.

Diferentemente das funções ordinais, uma função de utilidade cardinal atribui às cestas de mercado valores numéricos que realmente indicam o quantum de satisfação; elas, ao contrário das funções ordinais, não são apenas meios de ordenar as preferências. Por exemplo, se tivermos uma função de utilidade cardinal que indique que o consumo de uma cesta A nos remeta a uma utilidade de valor 10, enquanto a utilidade da cesta B é de valor 20, podemos afirmar que a cesta B traz o dobro de utilidade/felicidade ao consumidor. Se a função de utilidade fosse ordinal, poderíamos somente afirmar que B é preferível a A, nada além disso.

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 Dentro do estudo da teoria do consumidor, o objetivo é entender o comportamento dos consumidores, bastando saber como eles classificam ou ordenam as diferentes cestas. Assim, as funções utilidade com as quais trabalharemos serão do tipo ordinal. Essa é a abordagem padrão e é ela que é adotada pelos livros e pelas bancas de concurso.

Dependendo do formato da função utilidade, podemos inferir importantes conclusões sobre os bens da cesta de consumo e/ou sobre as preferências do consumidor. Vejamos então algumas funções de utilidade típicas:

1.4.1. Função utilidade para bens substitutos perfeitos

A função utilidade para bens substitutos perfeitos, em geral, pode ser representada por uma função de utilidade da forma:

U (q 1 , q 2 ) = a.q 1 + b.q 2

(1)

Onde a e b são números positivos. Veja que esta função utilidade nos diz que o que interessa para o consumidor é o número total de bens que ele possui. Ao mesmo tempo, note que esta função satisfaz a condição para a montagem da curva de indiferença para os bens substitutos perfeitos (a condição é a inclinação da curva de indiferença ser constante).

A curva de indiferença para bens substitutos perfeitos tem TMgS constante. Como a TMgS é a própria inclinação da curva de indiferença, então, a inclinação da curva de indiferença para bens substitutos perfeitos também é constante. Pois bem, se resolvermos para q 2 a equação apresentada, teremos:

戟 欠

Repare que se fossemos montar o gráfico de q 2 em função de q 1 (o gráfico da curva de indiferença), a inclinação deste gráfico seria constante (a inclinação seria dq 2 /dq 1 =-a/b). Portanto, a função com o formato colocado em (1) obedece à condição para os bens substitutos perfeitos:

TMgS e/ou inclinação da curva de indiferença constante.

1.4.2.

Função

utilidade

para

bens

complementares

perfeitos

Esse é o exemplo dos sapatos direito e esquerdo, lembra? Para estes tipos bens, o consumidor só se importa com o número de bens que ele possa consumir simultaneamente dentro da cesta (uma vez que os bens se complementam). Assim, ele só se importa com o número de

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 pares de sapatos que possui. Uma função utilidade que traduz essa condição é:

U (q 1 , q 2 ) = mín {q 1 , q 2 }

(1)

Para verificar se esta função realmente atende ao caso dos bens complementares perfeitos, vejamos um exemplo numérico. Imagine que o consumidor tenha uma cesta de bens como, por exemplo, (3, 3). Se acrescentarmos uma unidade do bem 1, obteremos (4, 3). Mas como os bens são complementares, o acréscimo de somente uma unidade do bem 1 não aumenta a utilidade, de forma que o consumidor estará na mesma curva de indiferença. Assim, a utilidade das cestas (3, 3) e (4, 3) é o mesma. Vejamos:

U

(3, 3) = mín {3, 3} = 3

U

(4, 3) = mín {4, 3} = 3

Se o consumidor consumisse os bens numa proporção diferente de 1 por 1, a função utilidade teria o mesmo formato. Por exemplo, o consumidor que toma dois refrigerantes para cada sanduíche consumido (e não usa o refrigerante para mais nada) terá uma função utilidade do tipo mín{q 1 ,½q 2 }, onde q 1 é o número de sanduíches e q 2 é o número de refrigerantes.

Assim, acredito que a representação mais fidedigna do que seja uma função utilidade para bens complementares será:

U (q 1 , q 2 ) = mín {q 1 , q 2 }

1.4.3. Preferências Cobb-Douglas 5

Este é

tipo de

seguinte formato:

função utilidade mais usado em provas. Tem o

岫刺 ┸ 刺 岻 噺

皐┻ 刺 ┻ 刺

Onde q 1 e q 2 representam as quantidades consumidas dos bens 1 e 2, a e b, os expoentes de q 1 e q 2 , e K são números positivos (a maioria

5 Paul Douglas era economista e também foi senador dos EUA. Charles Cobb era matemático. Esta forma de função foi desenvolvida inicialmente para explicar por que os ganhos entre as rendas dos donos do capital (empresários) e os donos da mão-de-obra (trabalhadores) apresentavam rendimentos constantes ao longo do tempo. Assim, a função Cobb-Douglas foi desenvolvida com o objetivo de explicar o comportamento da produção, mas hoje também é muito usada nas funções utilidade do consumidor. Maiores detalhes serão vistos na aula 03, onde estudaremos a produção.

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 das questões de prova coloca K=1, de tal forma que a função Cobb- Douglas tenha o formato: 山 岫刺 ┸ 刺 岻 噺 刺 ┻ 刺 ).

As funções Cobb-Douglas são o exemplo típico de curvas de indiferença bem-comportadas. Por isso, são as mais utilizadas nos livros e nas provas, pois representam o caso geral das preferências, justamente quando elas são representadas por curvas de indiferença bem-comportadas (curvas convexas, negativamente inclinadas, com TMgS decrescente, etc).

1.5. A ESCOLHA ÓTIMA DO CONSUMIDOR

Agora que já analisamos as preferências, a restrição orçamentária e a utilidade podemos falar da escolha ótima 6 do consumidor.

Supondo um nível de renda (m) de um consumidor que nos remeta a uma reta de restrição orçamentária, o consumidor encontrará seu equilíbrio no ponto em que esta linha de orçamento encontrar a curva de indiferença mais alta possível.

Assim, ele estará encontrando a maior utilidade possível, dada a sua restrição de renda. Graficamente,
Assim, ele estará encontrando a maior utilidade possível, dada a
sua restrição de renda. Graficamente, isto ocorre quando a reta de
restrição orçamentária toca/tangencia a curva de indiferença mais alta:
U3
Figura 19
Q2
U1
U2
A
m/p 2
Y
X
*
q2
U3
U1
Z
U2
A’
Q1
q1 *
m/p 1

6 Uma nomenclatura bastante comum também é: o equilíbrio do consumidor, tendo em vista que quando ele está no ótimo, não haverá tendência para mudar (ou seja, está em equilíbrio).

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 Onde q 2 e q 1 são as quantidades consumidas dos bens 2 e 1, respectivamente; q 2 * e q 1 * são as quantidades consumidas dos bens 2 e 1 no ponto ótimo (consumo ótimo); m/p 2 é o intercepto da reta orçamentária no eixo vertical e m/p 1 o intercepto no eixo horizontal.

Dada a reta de restrição orçamentária AA’ (que representa a restrição de renda), o consumidor escolherá a combinação de consumo dos bens 1 e 2 que proporcione a maior utilidade possível. Isto acontece no ponto X. Veja que nos pontos Y e Z, apesar de obedecermos à restrição de renda, estamos em nível de utilidade menor (curva de indiferença cinza clara - U 2 - mais baixa). Veja também que, apesar da curva de indiferença U 3 (curva tracejada) apresentar um nível de utilidade maior, ela não é viável para este consumidor, pois sua linha de orçamento AA’ não a toca em nenhum ponto, sendo impossível ter utilidade U 3 com a restrição de renda deste consumidor.

Desta forma, atingido o ponto X, o consumidor demandará q 2 * unidades do bem 2 e q 1 * unidades do bem 1. Bem, agora já entendemos que o consumidor toma a sua decisão de consumo a partir do ponto X, certo!? Agora, representaremos esta situação matematicamente.

No ponto X, a inclinação da curva de indiferença é igual à inclinação da linha de orçamento. Assim, basta igualarmos as expressões que determinam a inclinação de ambas. Esta igualdade nos dará o equilíbrio do consumidor e, por conseguinte, a quantidade de consumo ótimo dos bens 1 e 2:

conseguinte, a quantidade de consumo ótimo dos bens 1 e 2: Inclinação da CURVA DE INDIFERENÇA

Inclinação da CURVA DE INDIFERENÇA

TMgS = q 2 = p 1

equilíbrio do consumidor

─q 1 p 2
─q 1
p 2

Inclinação da LINHA DE ORÇAMENTO

Observe que podemos manipular o ─q 2 /─q 1 , de forma que, ainda assim, manteremos a igualdade:

1 , de forma que, ainda assim, manteremos a igualdade: Umg1 Umg2 ─ q 2 =
Umg1 Umg2
Umg1
Umg2

q 2 = q 2 /U = q 2 . U = U . q 2 = U / U

q 1

q 1 /U

─U

─q 1

─q 1

─U ─q 1
─U
─q 1

─q 2

Ao invés de multiplicarmos, invertemos a fração e a operação (multiplicação por divisão).

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Concluímos então que a TMgS, que é igual a (─q 2 /─q 1 ), é a razão entre as utilidades marginais dos bens 1 e 2. Isto porque ─U/─q 1 é a utilidade marginal do bem 1 (Umg1) e ─U/─q 2 é a utilidade marginal do bem 2 (Umg2). Assim, podemos reescrever a condição de equilíbrio do consumidor, dada uma renda (m) e os preços dos bens 1 e 2 (p 1 e p 2 ):

ÓTIMO DO CONSUMIDOR, envolvendo o consumo dos bens 1 e 2.

ÓTIMO DO CONSUMIDOR, envolvendo o consumo dos bens 1 e 2. Umg1 = p 1 Umg2
Umg1 = p 1 Umg2 p 2
Umg1 = p 1
Umg2
p 2

Preço do bem 1

Preço do bem 2

Assim, as pessoas irão escolher as unidades de consumo dos bens 1 e 2 a serem demandadas de tal modo que a razão das utilidades marginais seja igual à razão dos seus preços/custos. Ou ainda, podemos dizer que os benefícios marginais (utilidades marginais) sejam iguais aos custos marginais (preços).

Nota: na verdade, a TMgS é negativa (TMgS=-─q 2 /─q 1 =- Umg1/Umg2). A inclinação da linha de orçamento também é negativa (- p 1 /p 2 ). Como os dois termos são negativos, nós optamos por eliminar os sinais negativos e representar o equilíbrio do consumidor com sinais positivos, o que, algebricamente, tem o mesmo significado:

-Umg1/Umg2 = -p 1 /p 2 Umg1/Umg2 = p 1 /p 2

É interessante prestar atenção na maneira como é montada a expressão da taxa marginal de substituição. Se tivermos a taxa marginal de substituição do bem 2 pelo bem 1, então, teremos:

劇兼訣鯨 弘圏

噺 戟兼訣な

戟兼訣に

(observe que temos 2 sobre 1 no lado esquerdo da equação da TmgS, e 1 sobre 2 no lado direito. Não vá se confundir!)

Outro exemplo: se tivermos a taxa marginal de substituição do bem L pelo bem B, basta fazer a razão das suas utilidades marginais, da seguinte maneira:

劇警訣鯨

弘稽 噺 戟兼訣稽

戟兼訣詣

弘詣

Também devemos estar atentos pois a mesma coisa pode ser dita de inúmeras maneiras diferentes, de tal forma que é mais sábio tentar entender o real significado de uma expressão a simplesmente decorá-la.

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 Por exemplo, se manipularmos a expressão do ótimo do consumidor, envolvendo o consumo dos bens 1 e 2, chegaremos ao exposto abaixo:

Utilidade marginal do bem 1 por R$

ao exposto abaixo: Utilidade marginal do bem 1 por R$ Umg1 = Umg2 P 1 P
ao exposto abaixo: Utilidade marginal do bem 1 por R$ Umg1 = Umg2 P 1 P

Umg1 = Umg2

P 1

P 2

Utilidade marginal do bem 2 por R$

A expressão acima nos diz que a maximização da utilidade é obtida quando a restrição orçamentária é alocada de tal forma que a razão entre as utilidades marginais dos bens em relação aos seus respectivos custos sejam iguais. Podemos dizer também que a utilidade marginal por R$ despendido é igual para o bem 1 e para o bem 2 (mencionamos o termo utilidade marginal por R$, pois estamos dividindo a Umg por uma medida de preço, expressa em R$, que, no caso, será P 1 ou P 2 ).

Nota para compreendermos o fundamento desse princípio, suponhamos que os preços dos bens 1 e 2 seja iguais e que o consumidor obtenha mais utilidade gastando R$ 1,00 a mais com o bem 1 do que com o bem 2 (o lado esquerdo da equação ficará maior que o lado direito, pois Umg1>Umg2). Nesse caso, o consumidor continuará gastando com o bem 1 em vez de gastar com o bem 2. Enquanto a utilidade marginal obtida ao gastar uma unidade monetária a mais com o bem 1 for maior que a utilidade marginal obtida ao gastar uma unidade monetária a mais com o bem 2, este consumidor pode aumentar a utilidade direcionando seu orçamento para o bem 1 e afastando-se do consumo do bem 2 (veja que ele não está em equilíbrio). Por fim, à medida que ele adquire mais e mais o bem 1, a utilidade marginal do bem 1 vai acabar se tornando menor (porque a utilidade marginal é decrescente 7 , isto é, quanto mais consumimos do bem 1, menor será a utilidade marginal), até que os dois lados da equação fiquem iguais. Neste ponto, o consumidor estará em equilíbrio, pois a utilidade marginal por R$ despendido será igual para os bens 1 e 2. Este princípio é chamado de princípio da igualdade marginal e também será seguido quando estudarmos outros assuntos em nosso curso, só que em situações um pouco diferentes.

1.5.1. Calculando as quantidades ótimas

Em muitas questões de prova, é exigido que consigamos dizer as quantidades ótimas de consumo a partir das restrições de renda e da função utilidade. Ou seja, nestes casos, temos que encontrar a maior utilidade possível (curva de indiferença mais alta) dada a restrição de renda do consumidor (reta orçamentária). Matematicamente, isso

7 Para relembrar o porquê, veja o item 1.2.

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 equivale a dizer que temos que maximizar a função utilidade, que é sujeita à restrição de orçamento.

Para conseguir realizar esse cálculo, existem duas maneiras. Resolveremos uma questão de concurso expondo as duas formas de cálculo:

Exemplo numérico: Considere o seguinte problema de otimização condicionada em Teoria do Consumidor:

Maximizar U = X.Y Sujeito à restrição 2.X + 4.Y = 10 Onde U = função utilidade;

X = quantidade consumida do bem X;

Y = quantidade consumida do bem Y.

Com base nessas informações, as quantidades do bem X e Y

que

respectivamente:

a) 8 e 0,5

b) 1 e 2

c) 2 e 1

d) 1,25 e 2,0

e) 2,5 e 1,25

maximizam

a

utilidade

do

consumidor

são,

Resolução:

Em primeiro lugar, a questão nos deu uma função de utilidade do tipo Cobb-Douglas. Como eu falei, ela é o principal tipo de função utilidade e é a mais abordada em provas, pelo fato de ela representar curvas de indiferença bem-comportadas (convexas, inclinação decrescente, etc).

Na função utilidade da questão, temos X (que é a quantidade consumida do bem X) e Y (que é a quantidade consumida do bem Y). Na restrição orçamentária, podemos identificar que P X =2 e P Y =4, enquanto

a renda m=10. Veja que o formato da restrição orçamentária para o nosso problema é este: P X .X + P Y .Y = m

Utilizando o método dos multiplicadores de Lagrange:

Nota: para concursos, é o pior método, pois é o mais trabalhoso.

A primeira maneira de resolvermos o problema é através do uso do multiplicador de Lagrange. O teorema de Lagrange é demonstrado nos livros de Matemática aplicada à Economia. Para os nossos objetivos, só precisamos saber como utilizá-lo.

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 Primeiro, escrevemos o lagrangiano do problema. O lagrangiano é a função a ser maximizada (neste caso, queremos maximizar a utilidade) menos uma variável (que chamaremos de ┡ lê-se lambda) multiplicada pela restrição (aqui, a restrição orçamentária). Então, o lagrangiano será:

L = U(X,Y) – ┡.(P X .X + P Y .Y m)

Nota a restrição orçamentária é P X .X + P Y .Y = m. Se colocarmos todas as variáveis do mesmo lado, temos P X .X + P Y .Y m = 0 (é a parte esquerda da equação que irá para a fórmula do lagrangiano)

Assim, para a nossa questão, teremos que maximizar L. Segue o nosso lagrangiano (L) já com os dados da questão:

L = XY - ┡.(2X + 4Y - 10)

Segundo, para resolver, devemos derivar L em função de X, derivar L em função de Y e derivar L em função de ┡. Devemos igualar todas essas derivadas a 0. Assim:

詣 噺 隙桁 伐

膏┻ 岫に隙 髪 ね桁 伐 など岻

穴詣

穴詣

桁 伐 に膏 噺 ど

岫に岻

隙 伐 ね膏 噺 ど

岫ぬ岻

穴詣

伐に隙 伐 ね桁 髪 など 噺 ど

岫な岻

岫ね岻

Se simplificarmos as equações (2), (3) e (4), teremos:

桁 噺 に膏

隙 噺 ね膏

に隙 髪 ね桁 噺 など

Terceiro, substituímos os valores de X e Y acharmos o valor de ┡:

na equação 4 para

に┻ 岫ね膏岻

ぱ膏 髪

ね┻ 岫に膏岻 噺 など ぱ膏 噺 など

膏 噺 ど┸はにの

Quarto, substituímos o valor de ┡ nas equações (2) e (3), achando, assim, finalmente, as quantidades de X e Y que representam a cesta ótima deste consumidor:

桁 噺 に膏 噺 な┸にの

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 隙 噺 ね膏 噺 に┸の

Assim, a cesta ótima é (2,5; 1,25).

Utilizando a condição de equilíbrio do consumidor:

Outra maneira de resolvermos a questão é através da condição de equilíbrio do consumidor, onde sabemos que a inclinação da curva de indiferença é igual à inclinação da reta orçamentária. Assim:

劇警訣鯨 噺

鶏捲

戟兼訣桁

岫な岻

Façamos os cálculos para calcular as utilidades marginas de X e Y (lembre que U=XY):

戟兼訣隙 噺

戟兼訣桁 噺

穴戟 穴隙

穴戟 穴桁

Substituindo os valores das utilidades marginais e os preços em (1), teremos:

桁 に

馨 隙 噺 に桁

Substituindo o valor de X na equação da restrição orçamentária, teremos:

に隙 髪 ね桁 噺 など に岫に桁岻 髪 ね桁 噺 など

桁 噺 な┸にの

Como X=2Y, então X=2,5. Assim, a cesta ótima será (2,5; 1,25).

Veja que encontramos a mesma cesta utilizando o método do lagrangiano. A forma de calcular na hora da prova é sua. Eu, particularmente, prefiro o segundo método, comparando com o método do langrangiano. Existe ainda um outro método que se aplica somente quando temos funções utilidade Cobb-Douglas. Uma vez que a avassaladora maioria das questões de concurso trazem utilidades do tipo Cobb-Douglas (preferências bem-comportadas), é interessante também aprender este método (é o mais rápido e fácil!), que está exposto no item 1.5.2, letra d.

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1.5.2.

A

preferências

escolha

do

consumidor

nos

a) Substitutos perfeitos

casos

especiais

das

Se os bens forem substitutos perfeitos, isto é, se um bem substituir o outro com perfeição, é natural que o consumidor tenda a gastar toda a sua renda com o bem que esteja mais barato. Assim, o bem que tiver o menor preço será consumido ao passo que o bem mais caro não terá qualquer consumo. Desta forma, a escolha ótima do consumidor se situará na “fronteira” (dizemos também que temos uma solução “de canto”):

Fig. 20

também que temos uma solução “de canto ”): Fig. 20 Linha d o orçamento Nota :

Linha do orçamento

Nota:

em

q2 Curvas de indiferença O
q2
Curvas de indiferença
O

q1

Quando os dois bens são substitutos perfeitos, o consumidor opta por consumir apenas aquele que está mais barato. Neste caso, só consumirá o bem 1.

SOLUÇÃO DE CANTO

soluções

de

canto,

a

inclinação

da

curva

de

indiferença não é igual à inclinação da linha do orçamento.

No gráfico acima, as linhas escuras são as curvas de indiferença ao passo que a reta cinza claro é reta orçamentária. O ponto O é o ótimo do consumidor, em que ele consumirá apenas o bem 1. Assim, temos o

seguinte para os bens substitutos perfeitos: se p1<p2, então o consumidor gastará toda a renda com o bem 1. Se p1>p2, o consumidor gastará toda a renda com o bem 2.

Se p 1 <p 2 => q 1 =m/p 1 e q 2 =0

Se p 1 >p 2 => q 2 =m/p 2 e q 1 =0

dizer que q 1 =m/p 1 , estamos dizendo que o

consumidor estará gastando toda a sua renda com o bem 1. Quando q 2 =m/p 2 , estará gastando toda a renda com o bem 2.

Lembre que, ao

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 Por fim, ressaltamos que quando temos uma solução de canto, o ótimo do consumidor não representa uma situação em que TMgS = p 1 /p 2 . Logo, para soluções de canto, no equilíbrio, as inclinações da curva de indiferença e da reta orçamentária não são iguais. Assim, podemos concluir que não é em todos os casos que a expressão TMgS = p 1 /p 2 será representativa do ótimo de um consumidor. Ela se aplicará no caso geral (preferências bem-comportadas), mas não em todos os casos.

b) Complementos perfeitos

Quando os bens são complementos perfeitos, o consumidor buscará consumi-los na mesma proporção. Pegando o exemplo dos sapatos direito e esquerdo, sabemos que as cestas ótimas de consumo terão sempre q 1 =q 2 . Assim, teremos o seguinte:

q 1 = q 2

(1)

p 1 q 1 + p 2 q 2 = m

(2)

Substituindo q 2 na equação (2):

p 1 q 2 + p 2 q 2 = m

=>

q 2 (p 1 + p 2 ) = m

q 1 = q 2 = m/(p 1 +p 2 )

Graficamente, o equilíbrio será atingido nos vértices dos L:

Fig. 21

O
O

q2

q1

Quando os dois bens são complementos perfeitos, o consumidor deverá manter a mesma proporção em seu consumo.

Por fim, ressaltamos que aqui, neste caso, no equilíbrio, NÃO temos TMgS = p 1 /p 2 .

c) Preferências côncavas

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 Quando a preferência for côncava, teremos uma solução de canto (uma escolha de fronteira). Para estas preferências, o consumidor prefere se especializar no consumo de um bem a diversificar a sua cesta de consumo.

Reta

orçamentária

Q2 Figura 22 X Escolha ótima Escolha NÃO ótima O
Q2
Figura 22
X
Escolha
ótima
Escolha
NÃO ótima
O

Veja que o ponto ótimo (O) é uma solução de canto. Não podemos dizer que o ponto X é o equilíbrio, uma vez que há uma curva de indiferença mais alta para a mesma reta orçamentária.

é

uma

SOLUÇÃO DE CANTO

Q1

No ponto O, a exemplo do que acontece para os bens substitutos e complementos perfeitos, TMgS ≠ p 1 /p 2 .

d) Preferências Cobb-Douglas

Em primeiro lugar, devemos ter ciência que as preferências Cobb- Douglas indicam o caso geral das preferências. Ou seja, temos curvas de indiferença bem comportadas (convexas). Quando temos este tipo de preferência (que é a que mais aparece em provas), existe uma fórmula para encontrar os valores da cesta ótima.

Supondo uma função de utilidade Cobb-Douglas do tipo u(X, Y)=X a .Y b os consumos ótimos dos bens X e Y serão:

散 噺

桟 噺

珊 髪 産 皿姉

珊 髪 産 皿姿

Ou seja, o consumo ótimo de X será o expoente de X sobre a soma dos expoentes de X e Y multiplicado pela renda dividida pelo preço de X. O mesmo raciocínio se aplica ao Y. A quantidade ótima de Y será o expoente de Y sobre a soma dos expoentes de X e Y multiplicado pela renda dividida pelo preço de Y.

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Economia p/ANAC (Especialista em Regulação Área 3) Teoria e exercícios comentados Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 02 Lembra a questão resolvida no item 1.5.1? Tentemos resolver utilizando esse bizú. Sabemos, pelos dados da questão, que P X =2, P Y =4, m=10, a=1 e b=1 (a é o expoente de X e b é o expoente de Y). Vejamos:

隙 噺

など

欠 髪 決 鶏捲

な 髪 な

桁 噺

欠 髪 決 鶏検

など

な 髪 な

噺 に┸の

噺 な┸にの

A cesta ótima será (2,5; 1,25), assim como foi encontrada nos cálculos do exercício resolvido no item 1.5.1. Essa fórmula pode facilitar bastante a nossa vida nestas questões, mas lembre-se que, para isso, a função utilidade deve ser do tipo Cobb-Douglas.

saiba que quando

temos uma função utilidade e uma restrição orçamentária e, a partir delas, calculamos as quantidades ótimas de consumo dos bens, na verdade, nós estamos extraindo a sua expressão da demanda (afinal, o consumo ótimo indica qual será a demanda ou quantidade consumida do bem). Por exemplo, suponha a função utilidade Cobb-Douglas U=X a Y 1-a e seja P X