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SEDIMENTAÇÃO HOLOCÊNICA E REGISTROS DE EVENTOS ASSOCIADOS À
MEGAENCHENTE EM UM SISTEMA ESTUARINO-LAGUNAR NO NORDESTE
BRASILEIRO
Diego de Arruda Xavier¹, Roberto Lima Barcellos², Rubens Cesar Lopes Figueira³, Carlos Augusto
Schettini4
¹Laboratório de Oceanografia Geológica – Departamento de Oceanografia – Universidade Federal de Pernambuco. ²
Laboratório de Oceanografia Geológica – Departamento de Oceanografia – Universidade Federal de Pernambuco.
³Laboratório de Química Inorgânica Marinha – Instituto Oceanográfico – Universidade de São Paulo. 4Laboratório de
Hidrodinâmica Costeira – Departamento de Oceanografia – Universidade de Pernambuco.

Os sedimentos são importantes por preservar o histórico ambiental de uma bacia de drenagem
registrando todos os eventos ocorridos neste ambiente. As ações antrópicas, através do desenvolvimento
urbano, agricultura e mudanças hidrológicas causam alterações na composição do sedimento, essas
alterações são registradas nos processos de sedimentação (Sanders et al., 2006). O complexo estuarino
da Bacia do Pina está situado no Recife (PE) (8°03’S/34°55’W) formado pela confluência dos rios
Capibaribe, Tejipió, Jiquiá, Jordão e Pina, e é de grande importância ecológica, econômica e social para
a Região Metropolitana do Recife. O estudo tem como objetivo de identificar o registro de eventos
extremos associados à enchente (megaenchentes) por meio dos parâmetros de susceptibilidade
magnética (S.M), granulometria, 210Pb e concentrações de Alumínio ([Al]) e Ferro ([Fe]). Em novembro
de 2012, foi recuperado um testemunho (160 cm) localizado na Bacia do Pina (8°4’S/34°52’W) e
subamostrados para as análises em intervalos de 2cm. Os resultados de susceptibilidade magnética
foram obtidos com o medidor da marca Bartington MS 2C. As análises granulométricas foram realizadas
em intervalos de 2 cm e com a utilização de um granulômetro por difração a laser Malvern® Mastersize
2000 pertencente ao Laboratório de Sedimentologia do Instituto Oceanográfico da USP, as análises
estatísticas de classificação granulométrica obedeceram as propostas por Folk e Ward (1957). As
análises das taxas de sedimentação através do 210Pb e de metais pesados no Laboratório de Química
Inorgânica Marinha pertencente ao Instituto de Oceanográfico-USP. O resultado da taxa de
sedimentação foi de 0,45 cm.ano-1 . A variação vertical dos resultados de granulometria, susceptibilidade
e concentrações de Al e Fe estão descritos na Figura 1. As concentrações naturais de metais pesados
num ambiente estuarino dependem da composição mineralógica e a granulometria (Dai et al., 2007)
dependem também da intensidade das atividades antrópicas além dos níveis de poluição desse ambiente
(Kylander et al., 2005; Zhang et al., 2008). A granulometria é um fator significante na concentração de
metais pesados em sedimentos estuarinos e marinhos, Al e Fe geralmente apresentam correlação positiva
com sedimentos lamosos, indicando a influência do aporte continental e maior adsorção com as frações
finas (Reitermajner et al., 2011). A correlação entre a taxa de sedimentação e os maiores picos dos
parâmetros analisados evidenciaram registros de megaenchentes de 2004 e 1975, além de outros eventos
similares ocorridos nos séculos XIX e XX. A correlação entre os parâmetros analisados demonstra que
os eventos extremos de megaenchentes estão associados com o aumento da susceptibilidade e do
diâmetro médio. E que consequentemente, ocorram acréscimos nas concentrações de alumínio e ferro,
indicando a contribuição continental devida a lixiviação das margens do rio e seus tributários (Tabela
1). As modificações ambientais podem estar relacionadas com o uso e ocupação de áreas no entorno do
rio Capibaribe somados também aos períodos climáticos com períodos de maior e menor intensidade
pluviométrica, influenciando diretamente na composição do sedimento depositado. Como a meia-vida
do 210Pb é de aproximadamente 100 anos, observou-se uma tendência no acréscimo das concentrações
de Al e Fe os últimos 100 anos. O crescimento urbano associado às megaenchentes ocorridas na região
potencializam as concentrações desses elementos no sedimento ao longo dos anos e podem ser utilizados
como ferramentas para o registro de eventos climáticos extremos.

Imbé, outubro de 2015

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