Você está na página 1de 8

NECROPSIA

EM CRIANÇAS COM

AIDS

E DOENÇA PULMONAR

Artigo Original

ACOMETIMENTO
COMETIMENTO PULMONAR EM CRIANÇAS COM A SÍNDROME
DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (AIDS): ESTUDO CLÍNICO
E DE NECRÓPSIA DE 14 CASOS

I.T.R. Y PARRAGUIRRE*, C.C. S ANT ’A NNA , V.G.S. L OPES , K. M ADI
Hospital Universitário Antônio Pedro, Niterói e Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, Rio de Janeiro, RJ

RESUMO – OBJETIVOS. Descrever os aspectos clínicos, laboratoriais, radiológicos e anatomopatológicos encontrados em tecidos pulmonares de necrópsias de crianças com Aids e acometimento pulmonar.
MÉTODOS. Foram revisados, retrospectivamente, prontuários,
radiografias simples de tórax e laudos de necrópsias de 14 crianças
com Aids e acometimento pulmonar.
RESULTADOS. Oito casos eram do sexo masculino e seis do
feminino. As idades variaram de três meses a nove anos, mediana
de 1,2, sendo nove deles menores de dois anos. A transmissão foi
vertical em 10 pacientes, dos quais cinco mães tinham história de
contaminação por relação heterossexual; três, por hemotransfusão e em duas, ignorada. Pneumonia (n=8), candidíase oral
(n=8) e diarréia (n=5) foram as doenças prévias mais referidas.
Os sinais e sintomas observados à internação foram febre (n=12),
dispnéia (n=10), tosse (n=11), linfoadenomegalia (n=11), hepato
e/ou esplenomegalia (n=10), desnutrição (n=9), palidez (n=8),

INTRODUÇÃO
Praticamente, todos os órgãos e sistemas podem ser comprometidos na infecção
pelo vírus da imunodeficiência humana. O
envolvimento pulmonar é a manifestação
mais freqüente da síndrome, sendo responsável por dois terços dos sintomas apresentados por crianças menores de um ano de
idade (Hauger, 1991). As pneumonias bacterianas, geralmente, são recorrentes e
constituem a principal causa de internação.
As bactérias isoladas costumam ser as en*Correspondência:
Rua Santa Rosa, 134/702
Cep: 24220-120 – Niterói – RJ

Rev Ass Med Brasil 2001; 47(2): 129-36

cianose (n=5) e baqueteamento digital (n=2). Os achados radiológicos mais comuns foram infiltrados difusos (n=6) e condensações (n=5). As alterações histológicas pulmonares foram
compatíveis com pneumonia pelo citomegalovírus (n=9), por
bactérias (n=8), por Pneumocystis carinii (n=3), por Hystoplasma
capsulatum (n=1), por Toxoplasma gondii (n=1) e pneumonia
intersticial linfocítica (n=1). A associação CMV e bactéria foi
observada em seis casos.
CONCLUSÕES. Houve predomínio de menores de dois anos, de
transmissão vertical, de quadro clínico inespecífico de doença
pulmonar e de infiltrados e condensações à radiografia. Citomegalovírus e bactérias foram os agentes mais comuns, sendo freqüente a sua associação. Pneumonia Intersticial Linfocítica e
Pneumonia pelo P. carinii não foram causas freqüentes de doenças
pulmonares.
UNITERMOS: Pneumonia. Crianças. Aids. Necropsias.

contradas em crianças da mesma faixa etária
e sem imunodeficiência. Os indivíduos infectados pelo HIV também estão mais predispostos a pneumonias causadas por outros germes, geralmente oportunistas, tais
como protozoários, vírus, fungos e micobactérias (Bye, Cairns-Bazarin, Ewig,
1994).
Nos países em desenvolvimento, a dificuldade de acesso a métodos diagnósticos
invasivos para investigação de acometimento pulmonar em pacientes com Aids, principalmente em crianças, faz com que, na
maioria das vezes, a etiologia da doença
pulmonar seja baseada no quadro clínicoradiológico (Lambert, Nogueira, Abreu,

1996). Nessas circunstâncias, a realização
de necrópsia torna-se fundamental para o
reconhecimento dos agentes causais mais
prevalentes. Entretanto, a sua realização é
limitada, principalmente na infância, sendo
poucos os estudos clínico-patológicos desenvolvidos em crianças (Moran et al. 1994).
Em revisão bibliográfica, em fontes
como MEDLINE e LILACS, não registramos
trabalho brasileiro publicado sobre o estudo clínico-patológico de crianças com Aids
e acometimento pulmonar. Este trabalho se
justifica como um esforço preliminar para
obtenção de dados de uma população de
crianças internadas em hospitais universitários a fim de se reconhecer o perfil clínico129

Foram observadas também membranas hialinas. O nível de significância considerado foi 0. hiperplasia do epitélio de revestimento de tais estruturas. A análise dos resultados foi feita através de estatística descritiva. sete. conferindo aspecto de “olho de coruja”. tosse e 10. RESULTADOS Os dados demográficos e a forma de transmissão do HIV nas 14 crianças estudadas encontram-se nas Tabelas 1 e 2. A pneumonia pelo CMV foi diagnosticada.1%) com acometimento pulmonar. circundada por halo claro e. desconforto respiratório à época da internação que levou ao óbito.YPARRAGUIRRE ITR ET AL. contendo. respectivamente. 1989-1996 IDADE (em Anos) 20 – 30 30 – 40 Ignorada TOTAL TIPO DE TRANSMISSÃO Heterossexual Hemotransfusão 4 1 1 2 5 3 mesmo paciente em vários casos. contendo célula aumentada de volume com inclusão basofílica intranuclear. tuberculose pulmonar em uma. também basofílicas. células com as características da célula citomegálica. patológico da Aids entre as crianças infectadas pelo HIV e com doença pulmonar de nosso meio. segundo à metodologia estatística clássica . hepatoesplenomegalia. febre em uma e sepse em uma. O exame anatomopatológico foi realizado em todos os casos (Tabela 3). Foi utilizado o processo de amostragem não probabilística. à histologia. baqueteamento digital. tendo sido encontrados 31 casos de crianças com Aids que foram submetidas à necrópsia. com presença de linfócitos e plasmócitos. 16 do HUAP e 15 do IPPMG. de 36 ± 18. ressaltando-se a ocorrência TOTAL Ignorado 2 2 4 1 5 10 de mais de um sinal numa mesma criança. de 15. consistência uniformemente aumentada e crepitação diminuída. descrita no prontuário. para tosse. hiperplasia do epitélio de revestimento alveolar. foram incluídos no estudo 14 casos (45. desnutrição protéicoenergética. conhecida como célula citomegálica. em áreas. com granulações grosseiras. duas. associado a espessamento septal. Para análise do intervalo de confiança do tempo de evolução dessas variáveis foram considerados somente os casos em que esse tempo era conhecido. Neste sentido. candidíase oral em oito. em nove casos. Ao exame físico à internação. o tempo médio de evolução. O estudo de sinais e sintomas mostrou que 12 crianças referiam febre. 1989-1996 IDADE (em anos) <1 11–14 51–19 TOTAL TIPOS DE TRANSMISSÃO TOTAL Vertical Hemotransfusão Ignorado Masculino Feminino Masculino Feminino Masculino Feminino 3 3 1 7 1 1 2 3 1 1 5 6 4 1 2 1 14 Tabela 2 – Distribuição por idade e tipo de transmissão do HIV em 10 mães de crianças com transmissão vertical-Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) e Instituto de Pediatria e Puericultura Martagão Gesteira (Ippmg).4. com nível de confiança de 95%.6 ± 7. Rev Ass Med Brasil 2001. oito. cianose.UFRJ que evoluíram para o óbito e foram submetidas à necrópsia entre janeiro de 1989 e dezembro de 1996. cinco. sexo e tipo de transmissão do HIV de 14 crianças com Aids-Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) e Instituto de Pediatria e Puericultura Martagão Gesteira (Ippmg). nove. internadas em hospitais universitários como o HUAP . por vezes. ocorreu pneumonia recorrente em oito. sendo 11 do HUAP e três do IPPMG Foi preenchido formulário através da revisão de prontuários e de laudos de necrópsias. as medidas de tendência central e dispersão. Quanto à história patológica pregressa de cada criança estudada. Havia mais de uma queixa numa mesma criança. descritivo de 14 crianças com Aids e acometimento pulmonar. em dias.05. revestindo luzes alveolares. Desta forma. diarréia em cinco casos. MÉTODOS Estudo retrospectivo.UFF e o IPPMG . da febre variou de 38. contribuindo para o melhor conhecimento do acometimento pulmonar da Aids em crianças que evoluíram para o óbito. 11 crianças apresentavam linfoadenome galia generalizada. 47(2): 129-36 .5 e de dispnéia. 10. de tosse. para febre utilizou-se nove casos. 11. Os pulmões desses pacientes apresentavam aspecto macroscópico em mosaico. palidez cutâneo-mucosa. Houve concomitância de mais de uma doença no 130 Tabela 1 – Distribuição por idade. na membrana nuclear. afluxo mononuclear em paredes brônquicas e bronquiolares. Desse total. oito e para dispnéia.3 ± 17. Para as variáveis discretas foram calculadas as distribuições de freqüência e para as variáveis contínuas.9.

NECROPSIA EM CRIANÇAS COM AIDS E DOENÇA PULMONAR O achado de afluxo inflamatório constituído por polimorfonucleares neutrófilos. A coloração pela prata metanamina mostrou características morfológicas do pseudocisto do T. não foi possível tal análise. os estudos histopatológicos têm Prevention.4%) estudo retrospectivo de 58 óbitos de crian. permitiu o diagnóstico de broncopneumonia em oito pacientes. provavelmente. mais de um órgão e a ter recebido terapia falecendo durante os dois primeiros anos antiretroviral e antimicrobiana do que as de de vida (Courpotin. Em um caso havia espessamento septal com celularidade aumentada por afluxo linfo-plasmocitário e presença de diminutas formas arredondadas. permitindo a formulação do diagnóstico de Pneumonia Intersticial Linfocítica. No presente estudo. As crianças infectadas pelo HIV por via As crianças infectadas pelo HIV. 1989-1996 Pneumonia pelo Cmv 9 Broncopneumonia 8 DISCUSSÃO Pneumonia pelo P.faixa etária (Boletim DST/Aids. do tecido pulmonar. avium-intracellulare e Pseudomonas estudos de necrópsias e biópsias em crianaeruginosa. em Nova Iorque. independentemente do tipo para implementação de medidas profiláticas de transmissão. 1996). 1998). Tabela 3 – Achados histopatológicos das necrópsias de 14 crianças com Aids-Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) e Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (Ippmg). 1995. o grupo ticas. conseqüentemente. 1997). à setes. a idade do diagnóstico de Reik. compondo nódulos no parênquima pulmonar. de aspecto espumoso. 1996. com características de H. capsulatum. carinii foi estabelecido em três casos pelo exame microscópico de tecido pulmonar que evidenciou material eosinofílico. Rodriguez & Hensley (1995). CDC. 131 . 1996. nenhuma criança estudo. cuja maioria dos casos tinha transfaleceu por pneumonia pelo P. radiográficos. nas luzes alveolares. No presente 1990. especialmente a pneumonia pelo P. necrose de parede vascular e. carinii. brônquicas e bronquiolares.com a maior parte delas evoluindo de forma nham maior tendência a envolvimento de lenta. Joshi et infecção pelo HIV do grupo com transmis. Em um caso. de curso clínico mais rápido. idade. algumas células de revestimento alveolar aumentadas de volume. eram mais velhas. sendo que em seis estavam associados CMV e bactéria e em três. realizaram faixa etária mais baixa.. carinii. visando melhorar a sobre. CMV e Pneumonia pelo P. Capsulatum 1 relativamente há pouco tempo. mente estiveram associadas ao óbito foram Nossos resultados coincidem com outros M. menores de dois anos de idade. Carinii 3 Pneumonia Intersticial Linfocítica 1 Uma vez que a Pneumonia pelo T. confirmadas pela coloração pela prata. em meio à fibrina. BoleDe acordo com dados de revisão de tim DST/Aids.delas. cujo início dos carinii.1986). Gondii 1 Aids foi reconhecida Pneumonia pelo H. gasoRev Ass Med Brasil 2001. (1986). melhança da literatura (Parks. tenham encontrado predomínio são vertical foi por volta dos 18 meses de do sexo masculino. Johann-Liang. Joshi et al.sintomas é precoce e de pior prognóstico. refletindo. No grupo de 1996. até contribuído para o melhor conhecimento abril de 1998. Nosvida dos pacientes. contendo pontilhado negro à coloração pela H/E e pelo Grocott. Em um caso foi observado espessamento septal com afluxo linfo-plasmocitário. O diagnóstico de pneumonia pelo P. ocorreram nessa mesma e terapêuticas. Em nove casos foram encontrados mais de um patógeno ao exame histopatológico dos tecidos pulmonares analisados. até 1996. acrescido da presença de bactérias gram positivas ou negativas. tuído de população originária de períodos e Nossos resultados não mostraram difede duas instituições universitárias diferen. Os dados clínicos. por vezes. gondii. Aids pediátrica. da profilaxia para as infecções oportunís. a faixa etária mais acometida infecções oportunísticas que mais comu.rença de gênero entre os pacientes. linfopênicas. 63% dos casos notificados de da sua fisiopatologia e.foi a de menores de dois anos de idade. por ser consti. falecidas em vertical apresentam curso clínico bimodal. ocluindo parcialmente luzes alveolares. embora os estudos casos de Aids em crianças notificados ao anatomoclínicos de Moran et al. o estudo histológico mostrou espessamento septal e afluxo de mononucleares. Cervia & sa amostra constituiu-se de crianças com Noel (1997). com aproximadamente 80% do total Estudos anatomoclínicos em pacientes dos casos diagnosticados antes dos cinco HIV positivos têm mostrado que o quadro anos (Centers for Disease Control and clínico pulmonar costuma ser inespecífico. 1998). associado à inúmeros linfócitos aglomerados. Tais resultados demonstram os ças com infecção pelo HIV/Aids (Reik. ti. No Rio de Janeiro. com evidencia de microorganismos com características morfológicas de P. carinii e as missão vertical. Roavanços na terapia antiretroviral e a eficácia driguez & Hensley. Apenas 15% evoluem rapidamente. ças infectadas pelo HIV entre 1990 e 1996.al. sendo nove (64. com membrana celular espessada e com inúmeros microorganismos no seu interior. (1994). 47(2): 129-36 métricos e histopatológicos de todos os pacientes analisados estão listados na Tabela 4.

CARINII * Casos do IPPMG ** SIGLAS: DPC .ventilação mecânica PPC . cianose tosse. febre. DPC tosse. VM condensação VM hipóxia hipóxia infiltrado condensação e infiltrado ABT. SMZ/ TMP. DPC tosse.antibioticoterapia ANF.desnutrição proteico-calórica SMZ/TMP . dispnéia. febre.pneumonia CMV . ANF B SMZ/TMP ignorada ignorado PNM bacteriana e PMN CMV PNM bacteriana e PMN intersticial PNM pelo CMV e PNEUMONIA PELO P. DPC dispnéia. febre. Ganciclovir. CARINNI PNM pelo CMV PNM pelo CMV e PNM e bacteriana 1* A89/89 9 anos Ignorada 2* A 84/91 7 anos 3* A 46/95 3 meses Hemo transfusão Ignorada 4 F 91-16 3 meses vertical 5 6 F 93-95 F 95-147 5 meses 2 anos vertical vertical 7 F 96-160 9 meses vertical 8 F 91-04 5 meses vertical 9 F 95-215 3 meses vertical 10 F 95-175 9 anos vertical 11 F 96-09 6 anos vertical 12 F 90-247 7 anos vertical 13 F 94-178 ignorada 14 F 96-11 1 ano 7m 3 meses vertical dispnéia.B. SMZ/ TMP. febre DPC tosse. febre DPC tosse. SMZ/ TMP. copsulatum PMN pelo CMV e PNM bacteriana PMN por Gram negativo PNM pelo CMV e PNEUMONIA PELO P. DPC hipóxia ABT. VM PNM bacteriana PNM pelo CMV e por Gram negativo PNM pelo CMV e por Gram negativo PMN pelo T.pneumonia pelo P. DPC tosse.sulfametoxazol . RIP ABT. 47(2): 129-36 . cianose normal condensação hipóxia infiltrado ABT.YPARRAGUIRRE ITR ET AL.B .citomegalovirus VM . febre.B normal infiltrado ignorada ignorado ABT.B. Ganciclovir ABT. ANF. RIP hipóxia ignorado infiltrado e atelectasia ignorado ABT. febre.trimetoprim ABT . RIP condensação e alargamento mediastinal condensação ABT. cianose dispnéia. gondii e PNEUMONIA INTERSTICIAL LINFOCÍTICA PMN pelo H. DPC dispnéia. carinii PIL . Tabela 4 – Achados clínico-patológicos de 14 crianças com Aids-Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) e Instituto de Pediatria e Puericultura Martagão Gesteira (Ippmg). febre tosse. SMZ/ TMP.SMZ/ TMP. disonéia. cianose. ABT. dispnéia. dispnéia.VM ABT tosse. febre normal ignorado tosse. 1989-1996 Caso Número de Necrópsia Idade Transmissão Sinais Clínicos Gasometria RX (padrão) Tratamento Histopatologia tosse. Ganciclovir infiltrado ABT. dispnéia. SMZ/ TMP.anfotericina B PMN . ANF. tosse. SMZ/ TMP. CARINII PNM pelo CMV e PELO P. Amantadina. febre. ANF.pneumonia intersticial linfocítica 132 Rev Ass Med Brasil 2001. cianose ignorada hipóxia hipóxia ABT.febre. dispnéia. ANF.B.

cujos microorganismos encontrados são os habituais. 1991). Tem sido relatado também elevação de níveis séricos de LDH em pacientes com pneumonia pelo CMV (Waxman et al. já que a presença de anticorpos específicos para o CMV indica infecção. 1991). sendo rara a sua concomitância como causa de pneumonia em crianças com Aids (Cunningham. (1995). carinii é a infecção pulmonar oportunística mais freqüente (Cunningham. Crain & Bernstein. foi identificado P. como o pneumococo e o Haemophylus influenzae (Rubinstein. Mesmo sem terapia específica para o CMV nesses casos. 1991). radiografia simples de tórax com padrão intersticial difuso e. linfadenomegalia. 1996. de dosagem sérica de IgG ou de radiografia de tórax. os oito casos de broncopneumonia à necrópsia estavam associados a outros agentes etiológicos não bacterianos. Exames sorológicos usados para diagnosticar citomegalovirose podem ser pouco úteis. Na maioria dos casos de diagnóstico histo133 . Em crianças HIV positivas. carinii é entre três e seis meses de idade e é comum a hipoxemia e a elevação dos níveis séricos de LDH (Hauger. Outra doença geralmente observada nos pulmões de crianças. Em nossa amostra. Foi encontrado somente um caso de Pneumonia Intersticial Linfocítica em nossa amostra. as sorologias foram negativas. que apresentava. cuja evolução da doença respiratória foi aguda com tosse. Em nossa revisão bibliográfica não encontramos relato de faixa etária de maior acometimento de pneumonia pelo CMV. nem realização de gasometria. sem sintomas respiratórios (Kitchen et al. A idade de maior acometimento da pneumonia pelo P. Os casos de infecção pulmonar pelo CMV geralmente estão associados a pneumonia pelo P. 1991. ao exame físico da internação.. 1997). carinii em secreção de aspirado traqueal. Trabalhos têm evidenciado doença citomegálica em pulmões. Pitt. nove pacientes apresentavam achados histopatológicos de pneumonia pelo CMV. com contagens baixas de CD4. Nesse mesmo paciente. O hemograma apresentava anemia e leucopenia. Prosper et al. Morecki & Goldman. Este era um lactente de cinco meses de idade. e a sua confirmação diagnóstica só pode ser feita por estudo histopatólogico de tecido pulmonar (Cunningham. carinii.. 1985). porém em apenas um deles o CMV foi encontrado isoladamente. com hipóxia e hipergamaglobulinemia (Parks. Em nossa amostra. 1991). com valores dentro da normalidade. 1991. A dosagem sérica de LDH foi relatada em um desses casos. Crain & Bernstein. 1991. 1997). os pacientes evoluem sem agravamento do seu quadro clínico. Além disso. Pitt. Por isso. questiona-se a ação patogênica do CMV em pacientes com Aids e comprometimento pulmonar. um alerta quanto ao risco aumentado para infecções oportunísticas e um mau sinal prognóstico para crianças infectadas pelo HIV. À histopatologia. O nosso único caso correspondeu a criança de nove anos de idade. Este fato poderia ser explicado pelo predomínio da faixa etária menor que dois anos em nossa população. 1991). e raramente em adultos infectados pelo HIV. não necessariamente doença (Chadwick. esse vírus é isolado de secreções pulmonares obtidas durante broncoscopia de crianças HIV positivas. O CMV é freqüentemente encontrado em secreções respiratórias de crianças com Aids. observaram linfopenia CD4 grave associada à resolução completa dos achados radiográficos de Pneumonia Intersticial Linfocítica em cinco de 12 crianças infectadas pelo HIV. encontrou-se associação à pneumonia por T. gondii. 1997). 1997). é a Pneumonia Intersticial Linfocítica (Cunningham.. em crianças menores de seis meses. foram identiRev Ass Med Brasil 2001. o seu diagnóstico presuntivo baseia-se na presença de sinais e sintomas respiratórios de início agudo. dificultando a correlação entre os achados clínicolaboratoriais e o etiológico. em associação ao P. aumento de parótidas. Crain & Bernstein. Esses pacientes também são suscetíveis a infecções bacterianas. Pitt. Embora existam relatos de pneumonia pelo P. época em que a Pneumonia Intersticial Linfocítica incide pouco. Em nosso estudo. não tendo sido descritos aumento de parótida. É comum o achado de baqueteamento digital. 1991). 1991). carinii. A resolução da Pneumonia Intersticial Linfocítica poderia ser a primeira indicação de supressão imune grave. linfadenomegalia e hepatoesplenomegalia. infiltrados lobares. Pacientes com essa doença apresentam hipoxemia. 47(2): 129-36 ficados três casos de pneumonia pelo P. Hauger. No caso de pneumonia bacteriana. tem sido observado que a pneumonia pelo P. carinii. ocasional- mente. à gasometria observou-se hipóxia e à radiografia simples de tórax. febre e dispnéia. Nos três casos também foi identificado CMV à histopatologia. 1997). A faixa etária mais acometida pela Pneumonia Intersticial Linfocítica é de crianças acima de dois anos de idade. hepatoesplenomegalia e alterações radiográficas crônicas do tipo infiltrado difuso. baqueteamento digital. dispnéia e tosse (Marchevsky et al. As hemoculturas são mais sensíveis e específicas (Kitchen et al. carinii à histopatologia. na maioria dos casos a Pneumonia Intersticial Linfocítica oferece alguma proteção contra pneumonia pelo P. carinii e Pneumonia Intersticial Linfocítica ocorrendo simultaneamente.NECROPSIA EM CRIANÇAS COM AIDS E DOENÇA PULMONAR predominando febre. infiltrado bilateral. Crain & Bernstein. geralmente sem sintomas gerais sugestivos de doença pelo CMV (Chadwick. 1988). radiografia de tórax com infiltrados lobares e hemograma com leucocitose (Hauger.. e.

No presente estudo não houve casos desta associação. 1996).. Em crianças infectadas pelo HIV há poucos dados disponíveis sobre a infecção pelo M. e as conseqüentes providências terapêuticas oportunas. 47(2): 129-36 . 1985 ). A pneumonia pelo P. Até 25% dos pacientes. carinii. os agentes mais identificados ao exame anatomopatológico do pulmão de crianças com Aids. e P. 1994 e Reik. não foi observada correlação com os resultados da sorologia. tem sido descrita associada a outros patógenos. carinii e Streptococcus pneumoniae. O isolamento de mais de um organismo não possibilitou a identificação de um determinado patógeno como responsável pelo quadro clínico apresentado pelo paciente. Marchevsky et al. Rodriguez e Hensley. tuberculosis (Lambert. cujo órgão mais acometido foi o pulmão. CONCLUSÕES 1) O perfil das crianças com Aids analisadas neste estudo foi caracterizado predominantemente por: • faixa etária menor que cinco anos. • alterações pulmonares sugestivas de pneumonia viral ao exame anatomopatológico. quadro clínico constituído de tosse. carinii. 1997. provavelmente devido à maior difusão da profilaxia para pneumonia pelo P. a investigação diagnóstica não deve ser considerada completa caso não haja resposta clínica à terapia específica. no presente estudo. patológico de pneumonia pelo CMV... Rev Ass Med Brasil 2001.YPARRAGUIRRE ITR ET AL. carinii foi detectada em três pacientes e em todos eles estava associada ao CMV. principalmente. Rodriguez & Hensley. Joshi et al. carinii comprovada à broncoscopia. bacterianas e por micobactérias têm sido mais comuns do que pneumonia pelo P. virais. 1994. febre e dispnéia e exame físico de internação com desnutrição protéico-energética. carinii. sendo a associação do CMV e bactérias. com suspeita clínica de pneumonia pelo P. Em um caso. Em nosso estudo foi freqüente a associação de microorganismos à histopatologia pulmonar.. 1997. A pneumonia pelo P. com predomínio do CMV. em todos os casos. Joshi et al.. pelo achado freqüente de CMV em nosso estudo. • padrões radiológicos tipo infiltrado e condensação. Johann-Liang. Masini et al. Dessa forma. Candida sp. principalmente ao CMV (Chadwick. transmissão vertical do HIV. • anemia e hipóxia. mesmo nos casos em que a pneumonia pelo P. assim como da sua terapia empírica precoce. 1996). no qual observou-se também broncopneumonia. No presente trabalho. a freqüência com que achados histopatológicos de doença pulmonar pelo CMV foram observados. carinii é o único diagnóstico estabelecido por métodos não invasivos. foi o de Drut et al. encontrando. nos quais a alta freqüência de acometimento pulmonar. têm uma segunda infecção coexistente tratável. (1994). carinii e Pneumonia Intersticial Linfocítica. Glatman-Freedman et al. exceto no caso 5. ocorrendo em aproximadamente 50% dos casos (Moran et al. linfonodomegalia e hepatoesplenomegalia. como a nossa. relataram três casos incomuns de crianças com Aids infectadas simultaneamente com P. 1995. Em outros estudos as bactérias foram os agentes etiológicos mais comuns das pneumonias. (1998). e pela administração pouco difundida de terapia específica para tal patógeno na população com doença pulmonar e Aids.1995). Em relação à Pneumonia Intersticial Linfocítica. por falta do diagnóstico da infecção pelo HIV antes da internação estudada. Reik. sendo o CMV e as bactérias. na maioria dos pacientes infectados pelo HIV com acometimento pulmonar. poucos foram os casos que receberam profilaxia para pneumonia pelo P. a LDH se encontrava elevada. 1994. com maior freqüência. carinii é tão comum que Miller & Walker (1996) sugerem que. em que a IgM para CMV foi positiva. Vários microorganismos têm sido isolados a partir de fragmentos de pulmão de crianças com Aids. a mais encontrada. assim como a dificuldade em identificar o agente etiológico das pneumonias limitam o seu tratamento. Cervia & Noel. estudos clínicos e de necrópsias de crianças HIV positivas têm mostrado que a co-associação com tuberculose não é comum (De Cock et al. Enquanto altas taxas de infecção pelo HIV são relatadas em crianças com tuberculose em alguns países. A coexistência de outros patógenos com pneumonia pelo P. (1986) obtiveram resultados semelhantes aos nossos. o mais recente e com população de países latino-americanos. seguidos pelas infecções virais. Infecções fúngicas. o tratamento precoce da criança HIV positiva com antiretrovirais pode estar sendo o responsável pela queda em sua ocorrência entre os pacientes infectados pelo HIV (Drut. Estudos de necrópsias mais recentes têm sido diferentes daqueles da década passada. limitando qualquer tentativa de correlacionar a apresentação clínica com um agente etiológico específico. Nogueira & Abreu. À semelhança de Moran et al.. ficaria a sugestão de se valorizar a pneumonia por esse vírus em nosso meio. No entanto. (1997) que analisaram laudos de necrópsias 134 completas. carinii e/ ou drogas antiretrovirais Desses trabalhos anatomoclínicos. apontando para a valorização de estudos histológicos em pacientes HIV positivos. havia uma causa passível de tratamento não reconhecida durante a internação. 1997). 1986. carinii apresentam um outro diagnóstico e aproximadamente 18% dos pacientes com AIDS e pneumonia pelo P. Moran et al. deve levantar a suspeita dessa etiologia nos quadros de pneumonia em crianças com Aids acompanhadas nos serviços envolvidos.

Chrystal G. Markedly reduced mortality associated with corticosteroid therapy of Pneumocystis carinii pneumonia in children with acquired immunodeficiency syndrome. 4) Pneumonia Intersticial Linfocítica e pneumonia pelo P. Reik RA. Lung. AGRADECIMENTOS 12. Adauto Dutra Moraes Barbosa. Eight were males (57%). foram os agentes etiológicos mais freqüentes das doenças pulmonares. 3. 1996. 7. [Rev Ass Med Brasil 2001.). 1005-1010. Cytomegalovirus and bacteria were the most common etiologic agents. Moran CA. Gill VJ et al. being their association frequent. KEY WORDS: Autopsy.html> Boletim DST/AIDS. Necroscopy. Infect Dis J 1997. 1996. v. Pediatr Clin North Am1991.. Cairns-Bazarian AM.miller/a39. Age less than two years old. Pavlova Z. 11. A practical approach for diagnosing AIDS. Kitchen BJ. radiological. Cervia JS. Odita JC. In: Nelson. Goldman H.com/SCP/TAR/ 1996/v06.NECROPSIA EM CRIANÇAS COM AIDS E DOENÇA PULMONAR 2) O CMV. Cunningham SJ. 17.miller. n. 9. Centers for Disease of Control. Rubinstein A. REFERÊNCIAS 1. 1990-1993.1. 14. Hum Pathol 1985. Ledlie S. Hauger SH. RESULTS. 16: 659-670. Morecki R . 6:145-50. The most frequent signs and symptoms on admission were fever (n=12). 16:1145-50. Pulmonary complications of the acquired immunodeficiency syndrome: a clinicopathologic study of 70 cases. [online]. contrastando com os dados da literatura. Programa Nacional de DST/ AIDS. between 1989 and 1996. Nelson textbook of Pediatrics. Noel GJ. Cytomegalovirus infection in children with human immunodeficiency virus infection. Mullick FG. Pneumocystis carinii (n=3). Lymphocytic interstitial pneumonia and pneumonia by P. 16. Lambert JS. SUMMARY NECROSCOPIC STUDY OF 14 CHILDREN AIDS AND PNEUMONIA BACKGROUND . Place of pulmonary complications. 15. five mothers were contaminated from heterosexual relations. Omene JA. oral candidiasis (n=8). Abreu TF (Edit. [06/07/97]. Disponível na Internet: <http://HIV. Wkly Rep. Pathology of opportunistic infections in children with acquired immunodeficiency syndrome. p.4%) w ere younger than 24 months old. MATERIAL A ND METHODS . 6. 38: 89-95. Clinical significance of resolution of chest X-ray 135 . [online]. Prosper M. 47(2): 129-36] 5.. The AIDS Reader. Rodriguez MM. Pediatr Pulmonol 1997. The HIV transmission w as vertical in 10 (71%) children.7: 32-37. 148: 638-41. 6. Miller KD.gov. inespecific clinical presentation of pneumonia. Chadwick EG. B. Bernstein LJ. Hensley. Parks W. The microscopic lung characteristics were compatibles with pneumonia by cytomegalovirus (CMV) (n=9). 2: 877-82. Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira.16:197-198. Koss MN. carinii não foram causas comuns de doenças pulmonares. 3) A ocorrência de múltiplos patógenos foi um achado relevante ao exame histopatológico de fragmentos pulmonares. [19/12/98]. Saunders. The median age was 1. respiratory distress (n=10). 45. W. GT. eds. J. Hystoplasma capsulatum (n=1) and Lymphocytic interstitial pneumonia (n=1). cough (n=10). 9: 507-17.16: 358-363. 4. Pediatr. Pitt. 19.1/4546. Engler HD. professor da Universidade Federal Fluminense. carinii were not common causes of pulmonary disease. <http:/ /www. Toxoplasma gondii (n=1). 46. W. PEN.associated pulmonary disease. v.n02/a391. were revised in a retrospective survey. 15: 269-281. Rio de Janeiro: Fogarty Foundation.2 years old (from three months to nine years). and Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira Universidade Federal do Rio de Janeiro..com/govmt/CDC/MMWR/ 1996/nov/4546/4546. Joshi VV. Suster S. Niterói. 16: 190-191. Brasília: Ministério da Saúde.United States. 1996. 47(2): 129-36 (n=6) patterns. Rio de Janeiro. RJ. 119: 25-33. RJ. n. and malnutrition (n=9). Children. [06/07/97]. Pneumonia (n=8). 1996. and diarrhea (n=5) were the most common previous conditions. Human immunodeficiency virus. Walker RE. ges in the lung in children with acquired immunodeficiency syndrome: an autopsy study of 36 cases. p. Johann-Liang R. Cytomegalovirus pneumonitis in children with AIDS. Disponível na Internet: <http://www. 1998. The association between CMV and bacteria w as observed in six cases. 2. and infiltrates and condensation patterns at the x-rays w ere the predominant characteristics .aids. Approach to the pediatric patient with HIV infection and pulmonary symptoms. 5865. Infections in children with Human Immunodeficiency Virus/Acquired Immnodefficiency Syndrome: an autopsy study of 30 cases in South Florida. Mortal. C ONCLUSIONS. Pediatr Pulmonol 1997. 18. Oleske JM. To describe clinical.Universidade Federal Fluminense. Aids. 71.medscape. 2. Kleinerman J. Lymphocytic intersticial pneumonia.medscape. Morb. Evaluating the HIV-infected child with pulmonary signs and symptoms. [online]. Philadelphia. HIV infection in children: what’s new in 1996. n. Pediatr Pathol Lab Med 1995. Ao Departamento de Doenças Infecciosas do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Clin Chest Med 1988. bacteria (n=8). Nine children (64. Pediatr Em Care 1991. and histopathological lung findings from necroscopy of aidetic children with pulmonary disease. E. Manual para o acompanhamento da criança infectada pelo HIV . Pediatr Infect Dis J 1997. Saad S et al. peripheral lymphadenopathy (n=11). ressaltando-se a associação do CMV com bactérias. Bye MR.html> Marchevsky A. Rosen MJ. 916-919. J Pediatr 1991. vertical transmission. Characteristics of human immunodeficiency virusinfected children at the time of death: an experience in the 1990s. Ewig JF. Disponível na Internet. em especial à Dra Thalita Fernandes de Abreu e ao Dr. Nogueira SA. Arch Pediatr Adolesc Med 1994. e a seguir bactérias. 3. The spectrum of pathological chan- 13. In these cases.br> Courpotin C. 1996. 8. UFRJ. Crain EF.. 15th ed. Pulmonary disease in infants and children. hepatomegaly and/or splenomegaly (n=10). AIDS among children . Hum Pathol 1994. 10. The chest x-rays findings were condensation (n=5) and diffuse infiltrates WITH Rev Ass Med Brasil 2001. laboratorial. Fourteen children admitted at the Hospital Universitário Antônio Pedro . Pediatr Pathol 1986.

: (11) 3884-2916 136 Rev Ass Med Brasil 2001.132: 169-171. 276: 1502-1507. 20. Masini T. JAMA 1996. 23. 21. Glatman-Freedman A. Binkin NJ. Research issues involving HIVassociated tuberculosis in resource-poor countries. J Pediatr 1998. Klin Pädiatr 1994. Brett-Smith H. 17: 569-576. 206: 45-49. Castro KG. Simultaneous Pneumocystis carinii and pneumococal pneumonia in human immunodeficiency virus-infected children. Opportunistic infections in pediatric HIV infection: a study of 74 autopsy cases from Latin America. Anderson V. 11:128-134. Zuber PLF. Gullota F. De Cock KM. Glaser JH. findings in HIV-infected children with lymphocytic intersticial pneumonitis (LIP). Mitsudo S. Cytomegalovirus as a primary pulmonary pathogen in AIDS. Dobroszicki J. 47(2): 129-36 . 24. Chinaglia D. Drut R. 22. 25: 243-246. Matthay RA. Leon-Bojorge B et al. Goldie SJ. Gutiérrez C. Ghidoni P. Greco MA.YPARRAGUIRRE ITR ET AL. Tappero JW. Waxman AB. Pediatr Pathol Lab Med 1997. Pediatr Radiol 1995. Arte Brasileira Dila – “ Chafariz”” – Galeria Jacques Ardies – Tel. Ewig JM. Autoptic findings in HIV-1 positive children. Chest 1997.