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Érica Karine Ramos Queiroz
Marli Silva Fróes
Pollyanne Bicalho Ribeiro
2ª edição atualizada por
Érica Karine Ramos Queiroz
Marli Silva Fróes

Linguística Geral

2ª EDIÇÃO

Montes Claros/MG - 2014

UFG. Humberto Guido – Filosofia.CEP: 39. José Geraldo de Freitas Drumond – Unimontes.Montes Claros (MG) Caixa Postal: 126 . Profª Rita de Cássia Silva Dionísio. Valencia – Espanha. Hercílio Mertelli – Odontologia. Luis Jobim – UERJ.UNIMONTES REITOR João dos Reis Canela VICE-REITORA Maria Ivete Soares de Almeida DIRETOR DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÕES Humberto Velloso Reis EDITORA UNIMONTES Conselho Editorial Prof.Unimontes. Prof.br . Profª Siomara A. Prof.Unimontes Ficha Catalográfica: 2014 Proibida a reprodução total ou parcial.Copyright ©: Universidade Estadual de Montes Claros UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS . Unimontes. Letras – Unimontes. Lafetá de Almeida Viviane Margareth Chaves Pereira Reis DESIGN EDITORIAL E CONTROLE DE PRODUÇÃO DE CONTEÚDO Andréia Santos Dias Camilla Maria Silva Rodrigues Fernando Guilherme Veloso Queiroz Magda Lima de Oliveira Sanzio Mendonça Henriiques Wendell Brito Mineiro Zilmar Santos Cardoso Catalogação: Biblioteca Central Professor Antônio Jorge .401-089 Correio eletrônico: editora@unimontes.Vila Mauricéia .Telefone: (38) 3229-8214 . UFOP. Prof. Prof. Prof. Prof. Manuel Sarmento – Minho – Portugal. – Univ. UFU. Antônio Alvimar Souza . Fernando Verdú Pascoal. Fernando Lolas Stepke. Unimontes. Prof. Silva – Educação Física. Os infratores serão processados na forma da lei. Silvio Guimarães – Medicina. Enfermagem – Unimontes. Profª Maisa Tavares de Souza Leite. EDITORA UNIMONTES Campus Universitário Professor Darcy Ribeiro s/n . Chile. CONSELHO EDITORIAL Ana Cristina Santos Peixoto Ângela Cristina Borges Betânia Maria Araújo Passos Carmen Alberta Katayama de Gasperazzo César Henrique de Queiroz Porto Cláudia Regina Santos de Almeida Fernando Guilherme Veloso Queiroz Jânio Marques Dias Luciana Mendes Oliveira Maria Ângela Lopes Dumont Macedo Maria Aparecida Pereira Queiroz Maria Nadurce da Silva Mariléia de Souza Priscila Caires Santana Afonso Zilmar Santos Cardoso REVISÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA Carla Roselma Waneuza Soares Eulálio REVISÃO TÉCNICA Karen Torres C. Profª Maria Geralda Almeida. Prof.

Unimontes João dos Reis Canela Vice-Reitora da Universidade Estadual de Montes Claros Unimontes Maria Ivete Soares de Almeida Pró-Reitor de Ensino/Unimontes João Felício Rodrigues Neto Diretor do Centro de Educação a Distância/Unimontes Jânio Marques Dias Coordenadora da UAB/Unimontes Maria Ângela Lopes Dumont Macedo Coordenadora Adjunta da UAB/Unimontes Betânia Maria Araújo Passos Diretora do Centro de Ciências Biológicas da Saúde . Tecnologia e Ensino Superior Narcio Rodrigues da Silveira Reitor da Universidade Estadual de Montes Claros .Ministro da Educação Aloizio Mercadante Oliva Presidente Geral da CAPES Jorge Almeida Guimarães Diretor de Educação a Distância da CAPES João Carlos Teatini de Souza Clímaco Governador do Estado de Minas Gerais Antônio Augusto Junho Anastasia Vice-Governador do Estado de Minas Gerais Alberto Pinto Coelho Júnior Secretário de Estado de Ciência.CCBS/ Unimontes Maria das Mercês Borem Correa Machado Diretor do Centro de Ciências Humanas .CCH/Unimontes Antônio Wagner Veloso Rocha Diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas .CCSA/Unimontes Paulo Cesar Mendes Barbosa Chefe do Departamento de Comunicação e Letras/Unimontes Sandra Ramos de Oliveira Chefe do Departamento de Educação/Unimontes Andréa Lafetá de Melo Franco Chefe do Departamento de Educação Física/Unimontes Rogério Othon Teixeira Alves Chefe do Departamento de Filosofia/Unimontes Ângela Cristina Borges Chefe do Departamento de Geociências/Unimontes Antônio Maurílio Alencar Feitosa Chefe do Departamento de História/Unimontes Francisco Oliveira Silva Jânio Marques Dias Chefe do Departamento de Estágios e Práticas Escolares Cléa Márcia Pereira Câmara Chefe do Departamento de Métodos e Técnicas Educacionais Helena Murta Moraes Souto Chefe do Departamento de Política e Ciências Sociais/Unimontes Maria da Luz Alves Ferreira .

Professora de Linguística. Mestre em Educação pela Universidade São Marcos – UNIMARCO. Morfossintaxe e Prática de Formação pelo Departamento de Comunicação e Letras da Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes. Marli Silva Fróes Doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF. Professora do Instituto Federal de Educação do Norte de Minas Gerais – IFNMG – Campus Januária-MG. Linguística Aplicada. Mestre em Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Leitura e Produção de Textos e Prática de Formação pelo Departamento de Comunicação e Letras – Unimontes.Autores Érica Karine Ramos Queiroz Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Especialista em Ensino de Língua Materna/Formação do Professor pela Universidade Federal de Viçosa – UFV. Professora de Linguística Aplicada. Mestre em Linguística pela Unicamp. Especialista em Metodologia do Ensino Superior pelo Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais de Minas Gerais – CEPEMG. . Pollyanne Bicalho Ribeiro Doutora em Linguística pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas. Sintaxe.

. . . . . . . . . . 55 Resumo . . . . . . . .2 Língua e lingua(gem) . . . .3 O estruturalismo em foco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 Unidade 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Introdução . . . . .3 Funções da linguagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 Referências . . .1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 2. . . . . . 11 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 Unidade 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 A Linguística diante do quadro histórico . . . . . . . . . 17 1. . . . . . 24 2. . . . . . . . . . . . . . . . . 21 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . 30 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 O programa gerativista em foco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 O funcionalismo em foco . . . . . .5 O interesse pelo estudo da linguagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .AA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 Unidade 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 3. . . . . . . . gerativismo e funcionalismo . 11 Língua e linguagem: alguns apontamentos . . . . complementares e suplementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 3. . . . . . . . . . . . . . . . . 15 1. . . .2 Psicolinguística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 Movimentos linguísticos: estruturalismo. . . . . . 61 Atividades de Aprendizagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 Tipos de gramática . . . . . . . . . . . . . . . 57 Referências básicas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 Algumas definições de lingua(gem) . . . . . . . . . . . . . .Sumário Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 1. . . 35 A Linguística. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . outros domínios e os fatos da linguagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Por fim. Operaremos com as várias vozes desses pesquisadores. A disciplina tem como objetivos: • Fazer um levantamento crítico das ideias que dominaram e/ou dominam a ciência da Linguística. então. De qualquer forma. Obviamente que cada prisma investigativo é marcado por fatores ideológicos e sociais que orientam o olhar do sujeito na atividade analítica. seja quando elas instaurarem uma relação de confronto. de reforço e/ou de complementação. Traremos à luz as várias correntes linguísticas. Haroldo Ramanzine (1990). é apresentar os movimentos linguísticos. elucidaremos reflexões sobre as abordagens sócio-históricas da prática comunicativa e seus efeitos para o modo de significar e compreender a atividade linguageira. A disciplina foi dividida em três unidades. reflexões e atividades que estejam focados no objeto língua/linguagem. várias foram as perspectivas através das quais se tentou explicar e analisar o fenômeno da linguagem. profissionais e futuros profissionais da educação. • Discutir os efeitos de uma dada corrente linguístíca para a compreensão da atividade comunicativa. Musalim (2004). Dessa forma. portanto.Letras Espanhol . • Confrontar as circunstâncias sócio-históricas com a emergência de uma determinada corrente linguística. compreendendo-o não só por um viés. visto que ela é plástica e dinâmica. adequada à demanda educacional da atualidade. Para tanto. saber em que consistem tais correntes e identificar as possíveis variações entre elas tornam-se imprescindíveis para aqueles que se interessam pelos estudos linguísticos. Desejamos que tais estudos possam de fato auxiliá-los nos trabalhos a serem empreendidos na prática docente. Ora. também o modo de entendê-la e/ou de investigá-la também é dado a mudanças. este estudo basear-se-á em teorias e discussões de diversos autores como: John Lyons (1987). Cada unidade está dividida em tópicos ou subunidade. temos como objetivo suscitar uma discussão a respeito dos movimentos linguísticos que corroboraram para o delineamento do objeto de estudo da Linguística: a língua verbal humana oral e escrita. teorias. pretendemos cooperar para a formação de vocês. É interessante já ressaltar que assim como a língua traz em si germes de mudança. visando confrontar as diversas tomadas de posicionamentos de estudiosos/pesquisadores da língua ao longo da história. mas pela multiplicidade de ângulos que lhe é peculiar. Nessa perspectiva.Linguística Geral Apresentação Neste caderno didático. 2000. A nossa proposta. Maria Helena Neves (1995. 2001). Acreditamos que o quadro configurado por tais movimentos linguísticos nos permite compreender a língua de uma maneira coerente e aprofundada. • Elucidar questões epistemológicas relacionadas aos movimentos linguísticos do século XX. Professora Érica Karine Ramos Queiroz Professora Marli Silva Fróes Professora Pollyanne Bicalho Ribeiro Bom estudo! 9 . entre outros. de modo a permitir que o leitor perceba o objeto língua/linguagem de maneira crítica e global. Fiorin (2002). entrecruzar os diferentes posicionamentos faz-se necessário para a satisfação dos objetivos traçados para esta disciplina. elucidando conceitos.

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E é na espécie humana que a comunicação atinge a sua maior complexidade. a brasileira ou a portuguesa estão devidamente documentadas na literatura científica. há um sujeito que fala e outro que escuta. cores ou odores. o mais conhecido é o filósofo russo Roman Jakobson. Esperamos que este material seja uma fonte rica de conhecimento para você. mas esses elementos não constituem a realidade em si. Alguns estudiosos apresentam suas teorias sobre o processo comunicativo. a regularidade. a intencionalidade e a produtividade.2013.br. pois todos os animais se comunicam de alguma forma.Linguística Geral UNIDADE 1 Língua e linguagem: alguns apontamentos 1. Disponível em www. Lyons(1987). O autor acima (2003. ao falar sobre língua e linguagem. encenação. discutiremos algumas questões sobre língua e linguagem. 11 . Este propõe um “esquema” comunicativo que você conhecerá no item 1.2013. Fonte: Wikipédia. música. produções vocais etc. a francesa. Borba (2003) também aponta os traços mais característicos da linguagem humana que são a simbolização.eti. Acesso 26 de out. significar a partir de elementos que representam a realidade. Entre estas últimas. As línguas de sinais ou línguas gestuais são também línguas naturais. essa troca produz reações à comunicação. A seguir. dado que a constância e a amplitude da comunciação estão ligadas ao meio que a espécie dispõe para tal fim. o termo lingua(gem) se aplica à aptidão humana de associar uma cadeia sonora (voz) produzida pelo aparelho fonador a um conteúdo significativo (significado) e usar o resultado dessa associação para interagir socialmente. O termo língua ordinária é por vezes usado como sinônimo da língua natural.1 Introdução Na primeira unidade desta disciplina. contam-se as linguagens de programação de computadores e as linguagens usadas pela lógica formal ou lógica matemática. sendo assim. hashcode. Weedwood (2004). artificiais. Você pode consultar as fontes citadas anteriormente para aprofundar o seu conhecimento. Ou seja. visto possuírem as mesmas propriedades e aracterísticas: gramática e sintaxe com dependências não locais. E o nome linguagem é dado para qualquer desses meios de comunicação. infinidade discreta e generatividade/ criatividade. seja por necessidade de sobrevivência. para SABER MAIS Língua natural: o termo é usado para distinguir as línguas faladas e usadas por seres humanos como instrumento de comunicação daquelas que são linguagens formais construídas. recorremos aos seguintes autores: Orlandi (2003). mas não são a realidade. cores. A simbolização diz respeito ao fato de a linguagem funcionar. dança. representa a ideia de Figura 1: Perspectivas da Linguagem Fonte: HASHCODE. Os homens servem-se desses e de outros meios para se comunicarem.2 Língua e lingua(gem) As noções de língua e lingua(gem) são centrais para qualquer estudo sobre a língua na perspectiva linguística. esses elementos representam a realidade. Borba (2003). Mais precisamente. tatuagens. roupa. p.org.wikipedia. Línguas de sinais ou gestuais como a norte-americana. Sendo que o objeto de estudo da linguística é a língua natural. seja por necessidades biológicas.Letras Espanhol . Travaglia (2001). dança das abelhas.2 a seguir. Acesso 26 de out. Borba (2003) inicia sua discussão sobre linguagem chamando atenção do leitor para o fato de que a atividade de comunicação é uma constante em qualquer vida animal. uma vez que a comunicação só é possível porque há um locutor e um interlocutor. 10) exemplica a simbolização através da sequência gambáque que lembra. Esta unidade é estruturada pelas seguintes subunidades: ◄ Língua e linguagem Funções da lingua(gem) Algumas definições de lingua(gem) O interesse pelo estudo da lingua(gem) Tipos de gramática 1. a articulação. Disponível em http:// pt. Ou seja. Os meios utilizados para a comunicação variam muito: gestos.

o autor supracitado esclarece que tudo o que tem uma forma real ou fictícia.dor → /dor/ → d/o/r . independementemente de já tê-la ouvido ou produzido anteriormente. a simbolização. mas ainda servem para distinguir outras unidades tal como: dor/ de cor/ de por/ de for. valor imperativo (Mate a barata). um animal. Essa definição é explorada por Chomsky (1996). no espaço e no meio social.12).Uma dor fina → uma / dor fina/ dor / fina 2. Exemplos: . como um papagaio. sul. Por fim. a mensagem que desejamos. sistema./m/ . a última característica da linguagem humana em questão é a produtividade. deixamos claro que a linguagem varia no tempo. amigo seu . Observem que. podemos discutir a segunda caracterísitca: a articulação. Ainda./a/ _ uva. conseguimos entender qualquer mensagem que tenha sido produzida de acordo com os fatores fônicos.uma → u/ma → u/m/a . no movimento gerativista. Isso é o processo de simbolização. O fator necessário para que tanto falante como ouvinte se comunique é que os dois compartilhem o mesmo código linguístico. Borba (2003. sintáticos e semânticos que estruturam a língua. . isto é. dor no coração. Outra característica citada por Borba (2003) é a intencionalidade porque. é representado por ela. PARA SABER MAIS Interlocução: acontece no processo comunicativo através da existência de um locutor (o sujeito que fala ou escreve) e do interlocutor. A linguagem permite produzir um número infinito de mensagens. Uma vez que você já compreendeu a primeira característica da linguagem humana. 12 Uma terceira caracterísitca da linguagem humana é a regularidade uma vez que “cada manifestação linguística tem uma significação permanente capaz de repetir-se idêntica a si mesma nas mesmas circunstâncias” (BORBA. meu pobre coração.2º Período DICA Para o maior entendimento do assunto. leme _ ave. o que não afeta o princípio da regularidade.fina → fi/na → f/i/n/a GLOSSÁRIO Idioma: é a língua falada por um povo ou nação. há sempre um objetivo estabelecido pelo locutor ao usar a língua. ata. Vocês percebem que as unidades acima são significativas por si mesmas. conforme vocês estudarão a seguir. Vale retomar aqui a informação de que é da intencionalidade que resulta a multimodalidade da linguagem.Uma → /u/ . necessariamente. . Sendo assim. A articulação é responsável pela complexidade da organização gramatical e é possível pelo caráter linear da mensagem linguística. vale observar que a criança não repete o que ouve. podemos dizer que toda a realidade passa para o universo linguístico através do processo de simbolização que filtra a realidade do mundo dos objetos. Ainda a respeito da produtividade. enquanto falantes. temos uma distinção de natureza mórfica e no exemplo 2 temos uma distinção de natureza fônica.12) afirma que a “possibilidade de articulação é instrumento de criatividade linguística na medida em que permite às unidades.Seu coração pequeno _ seu pai. no exemplo 1. remo. diante do fato de que a língua serve para comunicar e que só há comunicação se houver troca. _ o coração da amada. O personagem comunica mais com o corpo e gestos e passa a desenvolver uma linguagem regular depois do convívio com pessoas. mito. interação entre falantes. valor indicativo (Veja aquele avião). ou seja. compartilhem o mesmo idioma. conseguimos produzir a qualquer momento. morfológicos. assista o filme Nell. Ainda. ela cria suas frases a partir do modelo que aprendeu. se estrutura por meio de sistemas linguísticos que são conjuntos organizados e internamente coerentes. Exemplos: F + i = fi N + a = na → fi + na = fina Ainda. zulu _ mês. E o autor acima exemplica a multimodade citando alguns valores da língua: valor referencial (a lâmpada queimou). alguém a quem a enunciação é dirigida e supõe. da mesma forma que a sequência coragem representa um traço do comportamento humano. luva. Essa recorrência é possível porque a linguagem se manifesta. 2003. se recomporem em novas combinatórias”. uma vez independentes. os vários modos através dos quais a língua significa. abacate. a existência de uma situação de comunicação. Borba (2003) dá exemplos que explicitam os vários níveis de segmentação para articulação e que citaremos a seguir: 1.UAB/Unimontes . Ou seja. p. fora da linguagem. optativo (Que a injustiça sobreviva) etc. Vejamos que as unidades de um nível se combinam para formar unidades de nível superior até a formulação da mensagem. Em nota de rodapé. p. O papagaio repete o que ouve porque a sua linguagem não tem a característica da produtividade. Por isso.

• A mensagem a ser transmitida. • O código em que a mensagem é transmitida. Visto isso.com. também.). compreendemos que o emissor fala para um receptor. O sítio da Língua Portuguesa.html. entende-se que a linguagem cumpre funções. aparelho vocal humano etc. É o enunciado que produzimos ao comunicarmos.acesso em 26 de out.Linguística Geral Observem que as características acima servem para especificar a linguagem humana. em um esquema da comunicação: Mensagem Emissor ---------------|---------------Receptor Canal Então. 1. a seguir trataremos das funções da linguagem. para um determinado interlocutor. Para tanto. • O canal em que se dá a comunicação. a partir do esquema da comunicação acima. Disponível em http:// sapinhasfq. através de um canal (a língua) que produz a mensagem. Exemplos: textos jornalísticos. papel.br/ redacao/funcoes-linguagem-. É o sistema que é adotado pelos interlocutores. São eles os participantes de um ato comunicativo: • o emissor (também chamado de locutor ou enunciador) e o receptor (interlocutor ou destinatário). A primeira função da linguagem é a referencial em que o locutor comunica apenas o que está no enunciado. científicos etc. 2013 13 .blogs. é uma atividade voltada para uma finalidade.sapo. já estudaram as funções da linguagem anteriormente. Nessa relação. àquilo que é exterior à linguagem. • O contexto a que a mensagem se refere.html. O canal é o meio físico pelo qual circula a mensagem entre os interlocutores (ondas sonoras. Nessa perspectiva. faremos apenas alguns apontamentos. ou seja. em um determinado contexto. o código é sempre a língua portuguesa. provavelmente. Disponível em http:// www. Nas mensagens orais ou escritas. A linguagem se organiza. Essa função referencial também é chamada de denotativa porque a denotação remete diretamente ao referente.Letras Espanhol . com. recorremos à teoria da comunicação apresentada por Jakobson quando identificou seis elementos presentes em todas as situações de interlocução.portugues.youtube. Acesso em 26 de out. pt/4235. htm DICA Veja o vídeo sobre teoria da comunicação no seguinte link: www. É a situação ou o conte­údo que originou a mensagem. GLOSSÁRIO Enunciado: tem como objetivo comunicar algo.3 Funções da linguagem DICA Para saber mais sobre a teoria da comunicação acesse o link: http://educacao.uol.br/disciplinas/ portugues/teoria-da-comunicacao-emissor-mensagem-e-receptor. sem pretender mais do que aquilo. ainda é preciso informá-los de que a linguagem tem uma função. ◄ Figura 3: Função metalinguítica Fonte: PORTUGUÊS.2013.com/ watch?v=XzcW8y801xA ◄ Figura 2: Funções da linguagem no esquema da comunicação Fonte: O Blog das Sapinhas. Nesta subunidade. Vocês.

A função metalinguística se dá quando a língua fala dela mesma. Figura 7: Eni Orlandi ► Fonte: Blog Sérgio Freire.br/fichaTecnicaAula.com.mec. Exemplos: linguagem figurada apresentada em obras literárias. podemos compreender que todo ato de comunicação é composto por três elementos: quem fala. Em suma. 2013 Figura 6: Poesia ► Fonte: Portal do Professor.com/2012/02/poetica. Disponível em http://www. preocupando-se mais em “como dizer” do que com “o que dizer”. Disponível em http:// portaldoprofessor. memórias. é comum na literatura e privilegia a própria mensagem. cada palavra remete a outros sentidos.jpg&imgrefurl=http:/ Acesso em 26 Out. Exemplos: discursos. a função fática privilegia o próprio contato estabelecido. html?aula=15159 . A função poética. quando falamos. além do sentido referencial. Figura 8: Função ► metalinguística Fonte: Folha de São Paulo. Ou seja.coladaweb. subjetiva. . folha.wordpress.google. a tipografia. “oi”. evocando outras ideias associadas. 2013.br/ imgres?imgurl=http:// www. “sentem-se” etc. 2013. E a função conativa ou apelativa se justifica porque. 2013. geralmente.br/ imgres?imgurl=http:// redacaonocafe. função poética e metalinguística. na propaganda.Acesso em 26 out. Exemplos: autobiografias.Disponível em http:// www. Também. Ou. além das citadas acima: função fática. queremos provocar reações em nosso ouvinte. de que se fala e com quem se fala. layout etc.uol. a linguagem tem a função emotiva ou expressiva porque expressamos nossos estados emotivos ao comunicar.com. literal. Disponível em http:// www. Essa função emotiva também é chamada de conotativa porque.wordpress. conotativos. Sendo que.br/. textos de publicidade e propaganda. expressamos através de imperativos e vocativos. o ser humano não usa a linguagem de modo totalmente objetivo. as palavras e suas combinações. a linguagem tem três funções: uma focada no conteúdo ou assunto (função referencial). Disponível em http://blogsergiofreire. não queremos apenas dar informações (função referencial-denotativa) ou expressar nossas emoções (função emotiva. Sendo assim. pois.com. “pronto”. letras de música. Acesso em 26 out.conativa). Sendo assim. sermões. gov. para termos reações rápidas. virtuais.com/files/ funcao-fatica. 14 Como sabemos. 2013 Figura 5: Função fática ► Fonte: Google. outra que inclui a subjetividade do falante no conteúdo (função emotiva) e a terceira que foca a atitude do ouvinte (função conativa).2º Período Figura 4: Função ► poética Fonte: Google. por ser essencialmente subjetivo. de forma a chamar a atenção. Ou seja.google. evidencia a forma da mensagem. suas palavras estão impregnadas de emotividade.UAB/Unimontes . o interesse do falante é emitir e observar se a língua está comunicando. que são apenas sugeridos. em algumas propagandas. Segundo a autora acima. Orlandi (2003) fala de outras funções. o código linguístico é posto em destaque. poesia lírica e cartas de amor. Acesso em 26 Out. Exemplos: “alô”. Ou seja.files. com/2009/04/24/eni-orlandi-em-manaus/ Acesso em 22 out. de ordem abstrata. “tudo bem?” “boa tarde”.

E a seguir.jpg Acesso em 27 out. gramáticas. Também. uma estrutura.ucm. molde do pensamento. ou seja. 15 . Em outras palavras. por um povo. p. Isso faz da definição dos autores acima restrita no que diz respeito ao papel da lingua(gem) na sociedade. 2013 1. por exemplo.” (LYONS. 2. Ainda. dá enfase à função social. edu.br/temp/image/ ASCOM/pedagodia. 5) Nessa definição. p. ao invés disso. ou idioma.es Acesso em 26 out. os termos “ideia”. o falante ao dar um sinônimo ou explicar o sentido de uma palavra. ◄ Figura 10: Linguagem e suas expressões Fonte: Universidad Complutense Madrid. Lyons (1987) chama a atenção para o fato de que ela não faz alusão à função comunicativa da lingua(gem) e. 1987. é pertinente esclarecer a diferença entre linguagem e língua. Também. a linguagem é fonte.4 Algumas definições de lingua(gem) Antes de apresentar para vocês algumas definições de linguagem. a linguagem é uma função cerebral que permite ao ser humano adquirir e utilizar uma língua particular. refere-se a um sistema. Sendo assim. gramática. a linguagem é uma atividade psicológica porque a comunicação está em estreita relação com o pensamento. Nesse ínterim. 08) Segundo Lyons (1987) tal definição apresenta alguns defeitos. Isto é.unipam. sendo esta de ordem mais particular. A linguagem é compreendida como algo mais geral do que a língua. Por fim. é através dos processos mentais que o homem filtra a realidade e conhece o mundo. Já a língua. ◄ Figura 11: Formas de Linguagem Fonte: Overmundo. Disponível em http://www.overmundo. (LYONS. por uma nação. Borba (2003) ressalta o caráter cognitivo e social da linguagem. textos que analisam textos. a linguagem está relacionada com a capacidade de comunicar. Disponível em www. a linguagem é social porque é produto de uma necessidade comunicativa e cultural.jpg Acesso em 28 Out. a um conjunto de palavras e expressões usadas a partir de regras próprias. “emoção” e “desejo” não são adequados porque há muito que se pode comunicar pela lingua(gem) e que não são cobertos por ele. Lyons (1987) questiona se as línguas são puramente humanas e não instintivas. 1987.“Uma língua é um sistema de símbolos vocais arbitrários por meio dos quais um grupo social co-opera. faz-se necessário trazer algumas definições de lingua(gem). retomaremos cinco definições que Lyons (1987) apresenta em seu livro: “A linguagem é um método puramente humano e não institivo de se comunicar ideias. emoções e desejos por meio de símbolos voluntariamente produzidos”.com. poemas que abordam o assunto da poesia. 2013.Linguística Geral ◄ Figura 9: Linguagem e seu caráter socioeducacional Fonte: Unipam Disponível em http://www. 2013 Exemplos dicionários.Letras Espanhol . ou seja.br/_agenda/ img/1158187424_exposicaojeancharles.

comunicativa.enscer. 16 . Nessa perspectiva. Disponível truções gramaticais ao longo dos tempos. 1987. são introduzidos os fatores de comunicação e interação. essas questões o incomodará de modo que desejará encontrar respostas para tais. Por exemplo. Lyons (1987) afirma que é preciso reconhecer que. Ao comentar essa definição.quase totalmente baseados em convenções puras ou arbitrárias”. ou não diz sobre a natureza simbólica dos elementos ou de suas sequências. orais-auditivos. que você é acadêmico do curso de Letras. 4. 3) A linguagem constitui um processo de interação humana. para o fato de que. É um fato social e convencional. Ou seja. o fato de que o vocabulário de uma possa sempre se Figura 12: Circuitos ► acrescer de outras palavras é menos importancerebrais para linguagem te do que o fato de poder surgir novas consFonte: Enscer. a linguagem além de expressar os pensamentos ou transmitir informações. pois não falamos sem usar a língua. levando em consideração o contexto sócio-histórico e ideológico. sendo que o termo oral-auditivo poder ser entendido como equivalente de “vocal”. 5“Doravante considerarei uma com. nessa definição. em tal e tal situação. Gerativismo e Funcionalismo. (LYONS. 10) Aqui. (LYONS. Inglaterra e Dinamarca. 1987. Você já refletiu sobre isso? Agora. 1) A linguagem como expressão do pensamento de modo que a linguagem é construída na mente e a fala ou escrita é a sua traduação. atua sobre o ouvinte/leitor. como fonte para transmitir uma mensagem. Nessa perspectiva. com membros amplamente conhecidos e atuantes no sul da França.jpg Acesso em 28 Out. o que caracteriza a linguagem é a sua propriedade dialógica (TRAVAGLIA. 2013 finito) de sentenças. 09) Lyons (1987) observa que. 2) A linguagem como instrumento de comunicação. não há nenhuma relação entre palavra e situações de modo que a linguagem é independente de estímulo. Lyons (1987) critica o uso do termo “habitualmente” por considerá-lo indadequado porque entende que o falante não utiliza um vocábulo. também age. Ainda. E. compartilhado pelos interlocutores. Também. Essa definição é adotada pelos estruturalistas e pelos gerativistas. De acordo com esse autor. a fala pressupõe a língua. temos: GLOSSÁRIO Modistae: Também chamados Modistas ou gramáticos especulativos. referenciar algo.br/material/livros/ lingua(gem) como um conjunto (finito ou inescola/imagens/cap7a. conhecida como Modismo. Também. 3-“A instituição pela qual os humanos se comunicam e interagem uns com os outros por meio de símbolos arbitrários. há uma estreita relação entre língua e fala de modo que uma não existe sem a outra. Enfim. as pessoas que não se expressam bem é porque não pensam. eram membros de uma escola de gramáticos do século 13. Travaglia (1996) discute três definições de linguagem. ou seja. p.UAB/Unimontes . em tal e tal situção. p. 1996. as definições de lingua(gem) apresentadas acima introduzem algumas propriedades sobre a língua/linguagem que vocês verão com mais profundidade na Unidade 2. Então. 21-23). num sistema. expressar bem está relacionado com adequação às regras da linguagem (prescritas na gramática tradicional) que devem ser seguidas para a adequação lógica do pensamento e da linguagem. cada uma finita em seu comprimento e construída a partir de conjunto finito de elementos”. por uma questão de hábito. alguns tipos de ampliação e modificação são mais interessantes do que outros. 1987. Alemanha. nas línguas naturais. ao fazer uma crítica à definição acima. Sendo assim. sim.2º Período Lyons também chama a atenção. em http://www. ao estudar os movimentos linguísitcos: Estruturalismo. Essa definição enfatiza as propriedades puramente estruturais da lingua(gem) e sugere que tais propriedades podem ser investigadas numa perspectiva matematicamente precisa. p. o autor enfatiza a flexibilidade e adaptabilidade da lingua(gem). p 6) O autor supracitado também chama a atenção para o fato de que essa definição não menciona a função comunicativa das línguas naturais. o falante utiliza uma palavra de acordo com a necessidade de comunicar. como vocês perceberão ao estudarem a unidade 2. (LYONS. habitualmente utilizados”.“As línguas são sistemas de símbolos .

.é inadmissível confundir o que éo o protuguês brasileiro do falantes com maior prestígio socioeconômico (norma culta) e aquilo que uma longa tradição prescritivo-normativa criou no imaginário lingüístico das pessoas.org Fonte: Revista Caros Amigos. com sua habitual preguiça de pesquisar. Sobre a confusão que muita gente faz entre norma culta e norma padrão. informa que na Grécia antiga os pensadores dedicavam-se a longas discussões para saber se as palavras imitavam as coisas ou se os nomes são dados por convenção.. ao passo que “eu o vi” é norma padrão.) Vamos repetir o mantra: “Norma culta e norma padrão não são a mesma coisa” e jogar de vez o bendito “coloquial” no lixo. O primeiro é norma culta. algum fato que envolve questões de linguagem e ensino. para nossa desalegria.5 O interesse pelo estudo da linguagem A curiosidade faz parte do ser humano e quanto à linguagem não é diferente. parecem conhecer para definir qualquer uso da língua que não corresponda à ideia confusa. mais pantanosa ainda: a norma coloquial. “eu vi ele” é norma culta. Ainda. Orlandi (2003).Linguística Geral 1. morfológicos e léxicos definiram os estudos linguísticos que se impuseram a segunda metade do século XIX. vaga e socialmente preconceituosa que eles fazem do que seja a língua “culta”. sobretudo das camadas privilegiadas da população (norma padrão). quando a linguística ainda não havia adquirido caráter científico.  são invocados por gregos e goianos a todo momento  quando o assunto é língua e ensino de  língua. (. a evolução histórica de seus aspectos fonológicos. do outro. língua de ninguém. O adjetivo coloquial é o único que os jornalistas.. Logo. Em pleno 2013. criticar. ironizar e combater os supostos defensores dessa “coloquialidade” que tanto parece assustá-los. A coisa piora quando tenham contrapor essa “norma culta” mal definida a uma outra. que as pessoas teimam e reteimam em achar que é sinônimo de norma padrão. 6. a ideologia linguística veiculada  pela tradição gramatical normativa. Box1 Tem dois termos que. escritor e professor da UnB. também sistematicamente. Aqui chegamos à beira do abismo. para se manifestar em situações de interação verbal qualificada de informais. Marcos Bagno é linguista. cultíssima. discutiam sobre a organização da linguagem. a classificação das línguas. quando vão abordar. língua artificial. porque assim falam todos os brasileiros das camadas privilegiadas da sociedade. prescritas nas gramáticas formativas. regionalismo e língua falada. setembro 2013 17 . os linguistas há 25 anos vêm tentando apontar a necessidade de distinguir.Letras Espanhol . ano XVII nº 198: Editora Caros Amigos Ltda: São Paulo. em sua ampla maioria. Inevitavelmente. Resumo: norma culta e norma padrão não são a mesma coisa! Assim. E toca a acusar os linguistas de serem defensores do “vale-tudo”. porque ele não pertence à terminologia científica da sociolinguística e só serve para atrapalhar o bom debate sobre língua. ao falar sobre o fascínio do homem pela língua. p. A (in)formalidade de uma situação não se vincula exclusivamente ao emprego (ou não) de forma gramaticais normatizadas ou de uma pronúncia “culta”: há muitos outros elementos verbais e não verbais que colaboram para conferir maior ou menor formalidade a um evento comunicativo. eles recorrem a essa palavra. para. que também aparece misturada com as noções de informalidade. as questões seguintes fazem parte daqueles que interessam por compreender o funcionamento da língua: Como falamos? Por que falamos? Para que falamos? Como a língua se estrutura? Por que falamos diferentemente a mesma língua? Por que temos sotaque? Por que temos vários idiomas e/ou dialetos? Antes do século XIX. Um falante altamente letrado pode perfeitamente se valer das formas padronizadas. sociedade e ensino.! É um erro teórico sério definir a norma culta ou mesmo a norma padrão como “linguagem formal”.. a realidade dos usos da língua  e.marcosbagno. E o segundo é coloquial ou coloquialismo. de um lado.

legitimada enquanto ciência no século XX. Daí questionamos: e a linguagem não verbal não é estudada? A ciência que estuda todos os signos (verbais e não verbais) é a semiologia. ao falar ou escrever. etc. 1. pois queriam estabelecer uma relação íntima com Deus através da palavra. as pesquisas sobre linguagem se dão através do objeto de estudo da Linguística (a linguagem verbal humana) e métodos próprios. retomaremos a discussão sobre a gramática. 1. aquela que estudamos desde quando iniciamos nossa caminhada acadêmica. de João de Deus. E com a criação da Linguística. que não permitem. Tem uma preocupação de não deixar a língua ser “corrompida” pela não adequação às normas ditas na 18 . no ambiente de trabaho ou escolar. A autora supracitada também traz a informação de que os antigos Hindus fizeram sofisticados estudos em épocas remotas e o que instigava a curiosidade desse povo eram interesses religiosos. Por fim. processo seletivo.jpg Acesso em 26 out. entenderam que a gramática tinha uma autonomia em relação à lógica. é inadequado usar o padrão informal da língua nas situações: entrevista para emprego. ao apresentar o objeto de estudo da Linguística. os Modistae tentaram construir uma teoria geral da linguagem. há contextos de comunicação que permitem o uso do padrão informal da língua e outros. Então. os contextos formais. Há sim o uso inadequado do padrão formal da língua de acordo com a exigência do contexto. Na Idade Média. Visto isso.2º Período ▲ Figura 13: Gramática da Linguagem Portuguesa/Gramática Rudimentar. Ou seja. o intelligendi (de pensamento) e o significandi (de significar). explicar todo e qualquer fato da língua verbal humana. citamos alguns conceitos de gramática que Travaglia (1996) apresenta. rituais que regulam as nossas práticas comunicacionais. a gramática normativa. Posteriormente. na Unidade 2. Então. num processo seletivo. os Modistae definiram três tipos de modalidades para explicar a linguagem natural: o modus essendi (de ser). 2013. Desse modo. Nesse momento. numa solenidade. pois entende que não há erro quando refletimos sobre a linguagem. A Linguística é parte da ciência semiologia porque recorta o signo verbal humano como objeto de estudo.UAB/Unimontes . Prestem atenção! O objeto de estudo da linguística é a linguagem verbal oral ou escrita e os estudos nessa área objetiva descrever e explicar a linguagem verbal humana. Isso porque na sociedade há regras. Os signos são suportes exteriores e materiais da comunicação entre pessoas e são meios pelos quais o homem estabelece uma relação com o mundo.org. em acordo ou desacordo com as normas prescritas pela gramática. É comum vermos esse equívoco. Vocês terão uma melhor compreensão sobre o signo ao estudarem o movimento linguístico Estruturalismo. Os fatos acima mostram para nós o antigo interesse do homem pela linguagem. posteriormente apresentado na Unidade 2. A primeira concepção de gramática.6 Tipos de gramática A linguística tem o interesse de descrever. os sinais que nós produzimos.vivercidades. sendo a ciência que estuda todos os sistemas de signos que estruturam as práticas sociais. tem como objetivo prescrever normas ou ditar regras de correção para o “bom” uso da língua. Em Saussure (1995). Fonte: Gramática da Língua Portuguesa. A linguística é parte dessa ciência. temos a preocupação de usar o padrão formal da língua. Disponível em http:// www. amigos não temos a constante preocupação de usar o padrão formal da língua. br/publique222/media/ gramatica_primeira. Ou seja. solenidade. no ambiente de trabalho ou escolar etc. mas numa entrevista para emprego. isto é. A seguir. torna-se necessário deixar claro que o estudo sobre linguagem não se confunde com o estudo da gramática normativa. inclusive a linguagem não verbal. há o uso formal ou informal da língua. encontramos a definição de semiologia (também chamada de semiótica). estuda a realidade cultural de uma comunidade e todos os signos que o homem construiu ao longo dos tempos. são chamados de signos linguísticos. retomaremos algumas definições de gramática para vocês compreenderem a diferença de uma perspectiva de estudo gramátical e outra linguística. Sabemos que ao conversar com os nossos familiares.

parte das evidências da língua para explicar a gramática implícita do falante. descritiva e internalizada. 4. c. Há a pretensão e a necessidade de excluir da língua tudo o que não seja. de modo metalinguístico. A gramática implícita é a gramática internalizada e implícita porque o falante não tem consciência dela. A gramática explícita ou teórica é uma explicitação do mecanismo linguístico (regras e princípios que regem a estruturação da língua) dominado pelo falante e que lhe possibilita usar a língua. normalmente. latina ou vinda de épocas remotas da língua. degenerações e. que nasce. É usada pelos estudiosos. Para essa concepção. erros. Esse tipo de gramática. se desenvolve e pode entrar em decadência. não atende à tradição. nesse caso. d. Ainda de acordo com o autor acima citado. Segundo Travaglia (1996). portanto. Além dos três tipos de gramática citados acima. política: nesse caso. já que “não se diz que não pertecem à língua formas e usos presentes no dizer dos usuários da língua e aceitas por estes como próprias da língua que estão usando”. apesar de ela estar na sua mente. ignora as características da língua oral. a gramática é um conjunto de regras que o falante de fato aprendeu e a língua é “um conjunto de variedades usadas pela sociedade de acordo com o exigido pela situação de interação comunicativa em que o usuário está engajado”. será facilmente dominada. Caçam-se e condenam todos os estrangeirismos. nessa perspectiva. com a ameaça à nacionalidade: se uma nação não mantém sua língua. acaba. A terceira concepção de gramática é chamada de gramática internalizada porque o “saber gramatical” não depende da escolarização. que a considera um organismo vivo. por isso. 7. os argumentos que justificam ou não as formas e usos da língua são: a. Então. 6. os critérios são basicamente o purismo e a vernaculidade. elitista e aristocrática: aqui o critério é a contraposição do uso da língua que é feito pela classe de prestígio ao uso das classes ditas populares. Este tem como modelo o uso consagrado pelos bons escritores e. no caso da Língua Portuguesa. a gramática seria vista como algo definitivo e absoluto (TRAVAGLIA. do prestígio cultural de quem estabelece as regras de bom uso da língua. Exige-se que as construções e o léxico escolhido resultem na “expressão do pensamento” com clareza. de origem grega. a variedade culta deve ser seguida. 1996). o critério para excluir formas e usos da norma culta é a tradição. à facilidade de compreensão. Travaglia (1996) diz que o critério de estudo da língua nessa concepção gramatical é linguístico e objetivo. de modo que todas as outras formas de uso da língua são desvios. separando o que é gramatical do que não é. comete o pecado do erro e juntamente com sua linguagem se deteriora. aqui. A segunda concepção de gramática. A gramática reflexiva se refere mais aos processos que constituem a língua do que aos resultados do uso da língua. Ressaltamos que essa concepção não considera o erro linguístico e sim a inadequação da variedade linguística usada em uma determinada situação comunicativa porque não houve um atendimento das normas sociais de uso da língua. juntamente com a sociedade que dele não cuida adequadamente. precisão e concisão. Inclui-se. Então. Travaglia (1996) fala de outros tipos que a seguir citaremos. mas da ativação e do amadurecimento dos princípios da linguagem e de suas regras. a concepção naturalista de língua. faz uma descrição da estrutura e do funcionamento da língua em uso. por permitir usar a língua automaticamente. gramática normativa.Letras Espanhol . a língua é a variedade culta. comunicacional: nesse caso. Nesse sentido. permitindo estabelecer uma comparação 19 . que é a principal marca de sua identidade. definha. b. é chamada no contexto escolar de gramática de uso. os critérios se referem ao efeito comunicacional. essa gramática é um manual de regras que devem ser seguidas para o bem falar. A gramática contrastiva ou transferencial é muito utilizada no ensino de línguas porque descreve duas línguas ao mesmo tempo.Linguística Geral gramática tradicional. 3. Na verdade. de acordo com o que este autor apresenta. Inclui-se também. histórica: com frequência. 5. a gramática descritiva. o critério da autoridade (gramáticos e bons escritores) que advém. a constituição e funcionamento da língua. a preocupação é com a dominação cultural. 2. para explicar a estrutura.

buscando encontrar pontos comuns. origem e uso. O conhecimento da língua. Lisboa: Caminho. (BORBA. Francisco da Silva. John. Referências BORBA. de modo comparativo. Linguagem e Linguística: uma introdução. WEEDWOOD. Bárbara. Luiz José et al. Introdução aos estudos linguísticos. Gramática geral é a que “compara o maior número posível de línguas. . Vejam quantos tipos de gramática temos. Ferdinand.. A gramática universal investiga. Rio de janeiro: LTC. CHOMSKY. São Paulo: Ed. Gramática e interação: uma proposta par ao ensino de gramática no 1º e 2º graus 6 ed. sua natureza. Eni Pulcinlli. Os mais conhecidos são a gramática normativa e a gramática internalizada. esse tipo de gramática permite mostrar as semelhanças e diferenças entre as variedades da mesma língua. p. 10. 2001. 2003. TRAVAGLIA. Trad. 1987. 2003. Trad. 13 ed. FIORIN. 2002. Brasiliense. 12. 8. Nem todos fazem uma distinção entre gramática comparativa e universal. São Paulo: Ed Contexto. LYONS.2º Período direta.Quixote. a evolução dos elementos fonológicos. No ensino de língua materna. Campinas: Pontes.Gramática histórica é aquela que estuda a evolução de um idioma. A gramática comparada estuda uma sequência de fases evolutivas de várias línguas.UAB/Unimontes . Janeiro de 1995. 1996. Luiz Carlos. 2004. 20 . Marcos Bagno. Introdução à linguística. 2003. ORLANDI. observamos a contribuição da gramática histórica quando apresenta a origem do Português no Latim vulgar. 11. as características comuns à todas as línguas do mundo. preocupando-se com a origem e a evolução de uma língua até o momento atual. 81) Essa gramática busca formular alguns princípios que todas as línguas seguem. São Paulo: Cortez Editora. História concisa da Linguística. São Paulo: Parábola. O que é linguística. SAUSSURE. Curso de Linguística Geral. mas todos os outros tipos apresentam contribuições importantes para a reflexão sobre a lingua(gem). Editorial D. com o fim de reconhecer todos os outros fatos linguísticos realizáveis e as condições em que se realizarão”. 7ª Edição. morfológicos e sintáticos e sobre a formação do vocabulário. Na gramática normativa. Noam. 9. de Eduardo Paiva Raposo.

Nesse primeiro momento. ela seguiria princípios e normas imutáveis e alheias à vontade do homem. as escolhas dos linguístas contemporâneos. iremos elucidar os movimentos linguísticos e os seus efeitos para a compreensão da prática comunicativa.Linguística Geral Unidade 2 Movimentos linguísticos: estruturalismo. Evidenciaremos tanto em que consistem suas propostas. que subsidiaram as filiações. Um dos problemas centrais das discussões sobre a linguagem levantadas pelos gregos diz respeito à relação instaurada entre o pensamento e a palavra. gerativismo e funcionalismo 2. IV a. Caso se entendesse que a língua era regida pela natureza. sob os ensinamentos de Aristóteles (Séc. atentaremo-nos para os movimentos entendidos como Estruturalismo. quanto aos posicionamentos tomados. do contrário. Assim. notas etc. Alguns apontamentos depreendidos desses estudos se prestaram à condição de parâmetro para as futuras investigações que apoiaram a configuração do pensamento linguístico moderno (NEVES. os pilares. É sabido que na Grécia antiga estudava-se a língua tanto no nível estético (aspectos relacionados ao estilo). quanto no nível filosófico (aspectos relacionados ao pensamento). a gramática se 21 . portanto. Gerativismo e Funcionalismo. passível de mudanças. ou seja. Boa leitura! 2. a trajetória histórica da Linguística. O impasse se instaurava quando se queria saber se o que regia a língua era a natureza ou a convenção. a palavra gramática começou a ser utilizada no mundo ocidental. Para o referido pensador.Letras Espanhol .1 Introdução Na segunda unidade deste trabalho. entendendo-a regida pela convenção.) é relevante para a compreensão da disciplina “Linguística”.2 A Linguística diante do quadro histórico Antes de tratarmos especificamente dos movimentos linguísticos. C. A segunda unidade foi estruturada a partir das seguintes subunidades: • • • • A Linguística diante do quadro histórico O Estruturalismo em foco O Gerativismo em foco O Funcionalismo em foco Salientamos que toda e qualquer informação que elegemos para este Caderno Didático (sites sugeridos. ela estaria à mercê das relações sociais. brevemente. como os pontos divergentes/convergentes. não obstante continuar a discussão sobre a linguagem abordada na unidade anterior. exporemos. leituras complementares. entendemos que você terá mais condições de identificar as bases. Nesse contexto sócio-histórico.). 2002).

22 . na Lógica. que esses autores continuavam a analisar a língua sob o prisma da sua relação com o pensamento. Assim sendo. Em decorrência disso. Acesso em 30 out. C. 207). no entanto. que a fala coloquial. com/fotos/2006/10/25/25_ MVG_cie_aristoteles1. desvios dos iletrados. Ressaltamos que seus estudos sobre a linguagem não foram condensados em uma única obra. da sintaxe. isto é. 2013 Figura 15: Resquícios de ► arquitetura da Grécia antiga. É a partir dela que os sentidos emergem. ► Fonte: O Globo. a linguagem é imprescindível à medida que ela garante a sociedade política. saberweb.br/grecia/ arquitetura_da_grecia_antiga/arquitetura_da_grecia_antiga.UAB/Unimontes . p. 2002. 2013. Essa tomada de posicionamento. o conceito de sujeito e predicado. adequadamente a língua. que se baseia na definição e nas classificações. Disponível em<http://oglobo.jpg>. Fonte: Wkipédia.) desenvolveram ainda mais as contribuições oferecidas pelos estoicos. da morfologia. Eles ofereceram obras que tratavam da fonética. era de praxe publicar comentários de textos e tratados de gramática visando minimizar as possíveis dificuldades de leitura que poderiam inviabilizar a compreensão dos antigos poetas gregos. Os alexandrinos (séc. culminou em duas inadequações no que tange a estudos linguísticos: a cultura grega valorizou a escrita em detrimento da fala e avaliava que a língua dos escritores do século V a. era mais adequada. Assim. III a.htm Acesso em 30 out. “Seu procedimento geral de investigação. as sociedades são viabilizadas pela prática comunicativa. elementos essenciais para a compreensão da oração.2º Período constituía como uma ciência independente. C. mais elaborada. p. aplica-se também às formas de expressão e caracteriza. haja vista que o animal político está ligado à faculdade de falar. A partir das contribuições aristotélicas. pela faculdade de falar. C. Também foi Aristóteles quem estabeleceu.) propuseram uma organização da gramática vista como a sistematização da língua. a apresentação das entidades de linguagem” (NEVES. 61) Segundo Aristóteles. ação exclusivamente humana. tão somente as pessoas ditas cultas que usavam. III a. Figura 14: Aristóteles. as gramáticas escritas pelos filósofos tinham como propósito estabelecer e explicar a língua dos autores clássicos com o desejo de preservar o grego das possíveis imperfeições. segundo os alexandrinos. Os estudos alexandrinos constituíriam a base para as análises linguísticas dos romanos que mais tarde chegariam à Europa. eles se encontram dispersos em tratados aristotélicos sobre Lógica que receberam o nome de Organon. com a lógica. 2002. (NEVES. a partir daí. Na região da Alexandria. Ele também propôs o método que mais tarde subsidiaria os estudos defendidos pela gramática tradicional. Disponível em<http://www.com.globo. no entanto. os estoicos (séc. Vale ressaltar.

preposição. II-I a. No contexto da abadia francesa de Port-Royal. Outro gramático da Língua Portuguesa que se destacou foi João de Barros (1557). particípio. interjeição e conjunção) seguidas até hoje pelos gramáticos tradicionais. sua vez. As propostas desses estudiosos consistem na existência de uma estrutura universal (referindo-se aos precursores logicistas) e na adoção das tradicionais classes gramaticais. Em Roma. Nesse contexto. antes excluído por Prisciano. V e VI d. o referido autor propôs uma teoria normativa. Acento. por 2013. No séc. Trácia (séc. segue os parâmetros latinos. podemos identificar uma teoria gramatical dialogada com os autores gregos que o precederam. ganham destaque os estudiosos Antonie Arnauld e Claude Lancelot. II-I a. Terêncio inova quanto a distinção entre palavras variáveis e invariáveis.Letras Espanhol . Seguindo um pouco mais na história. interrogamos: e nossa gramática? Ora.). html. sobretudo. A primeira obra é a Gramática da Linguagem Portuguesa. Sublinhamos que esses autores avançaram particularmente quando procuraram identificar a unidade linguística subjacente às diferentes línguas e a construir esse universalismo com base na razão. Etimologia e Analogia. Outro autor que merece destaque é Prisciano. pronome. intitulada De Língua Latina. surgiu a chamada gramática especulativa (Alta Idade Média) que se configurou pela integração da descrição gramatical do latim. No início da idade medieval. antes proposta por Prisciano. Acesso em 25 out. reapresentando os pressupostos da gramática especulativa. XII.) que foi o primeiro autor a descrever explicitamente a língua grega. nesse caso. por ter elucidado as classes gramaticas (verbo. O autor abordou primeiramente a fonética. preposição. O problema identificado no âmbito da gramática especulativa é que havia um excesso de teoria e que os dados eram formulados pelos próprios gramáticos especulativos e não retirados de textos clássicos. incluindo o artigo. as vozes e os tempos do verbo. influenciaram as gramáticas de várias línguas modernas da Europa. etimologia e sintaxe. xão) para propor tal categorização. ganha destaque o docente Santo Tomás de Aquino (filosofia escolástica). séc. gramáticas latinas até o século XIII e essas. Ressaltamos o gramático Terêncio Varrão (séc I a. A partir do séc. há uma retomada da postura logicista. pelo lançamento da Grammaire Générale et Raisonée (1660). pronome. dividiu sua gramática em partes: prosódia. Na sua obra Téchne Grammatiké (A arte da gramática). C. portanto. cujo autor é Fernão de Oliveyra. os estudos de Port-Royal se aproximam da visão aristotélica sobre a linguagem.blogspot. A obra se restrigia aos estudos sobre Ortografia. depois a morfologia e.Linguística Geral Merece destaque entre os alexandrinos Dionísio da Trácia (séc. sobretudo. Apesar de aceitar as irregularidades da língua. 23 . Ele ainda apresentou um estudo sobre flexão do nome. os estudos gramaticais se voltavam para a adequação da terminologia grega à língua latina. e a interjeição. verbo. Em vários pontos. A obra de Dionísio inspirou a elaboração das com/2007_10_01_archive. Esse autor. no que tange a defender que a função das línguas consiste na comunicação do pensamento.C. por último. ela se origina em Portugal e. advérbio e conjun◄ Figura 16: Dionísio de ção. (obra: Institutiones Grammaticae). o autor elucidou as oito classes gramaticas: nome. criaram uma variedade de termos técnicos (taxionomia) para formalizar suas teorias. particípio. Tentava-se sustentar a tese de que a gramática é essencialmente a mesma para todas as línguas. em cuja obra. à filosofia escolástica. sendo que essa última se pautava nas flexões de gênero e número. sempre sob os moldes da gramática latina. viatgeixarxa. a sintaxe. XVII. ainda. C) Dionísio recorre ao critério da forma (fleFonte: Viatgeixarxa. Sua obra foi considerada um marco entre a transição da Antiguidade e da Idade Média quanto aos estudos linguísticos. sob forte influência do pensamento aristotélico. Os gramáticos especulativos avançaram à medida que buscaram dar validade universal às regras da gramática latina e. C. advérbio. encontravam-se gramáticas pouco originais que objetivavam apenas ensinar o latim. Daí resulta Disponível em http:// o desatrelamento da gramática da Filosofia. artigo.

a linguística deu ênfase ao estudo da linguagem em si mesma. fenômeno coletivo e social) e fala (realização individual da língua). e fundamentada em uma visão empírica. Ao invés de se concentrar na descrição histórica da língua. que vem impor uma visão menos historicista e estática e. garantido uma coerência. os estudos linguísticos do século XX elegeram uma nova abordagem em relação ao enfoque e ao objeto de estudo da linguística. Cada qual se distinguia uma da outra pela forma de abordar as proposições de Ferdinand Saussure. os estudos linguísticos deveriam se voltar na . surge a escola estruturalista. como queriam os gramáticos comparativistas. A referida dicotomia proposta instaurou dois caminhos distintos para análises no campo da linguagem: um relacionado à Linguística propriamente dita. e Leonard Bloomfield. Disponiseja. em Copenhague. visto que o referido autor é fundador da teoria estruturalista. Antes de falarmos mais detalhadamente a respeito das duas vertentes mencionadas. na Europa. antes sustentada.3 O estruturalismo em foco Com o progresso do método comparativista. deveria se estabelecer um estudo descritivo da língua. alguns linguístas defendiam a ideia de que. algo sistêmico e homogêneo. portanto. XIX. focada no estudo descritivo do sistema linguístico. considerando-a como estrutura e sistema através de um método de estudo sincrônico. nasceu o estudo científico da língua no mundo ocidental. Acesso em 25 ciência independente. cujos representantes foram Ferdinand de Saussure. por Dionísio da Trácia. influenciados pela out. e. na língua vista como objeto reflexo do penvel em http://es. Para ele. com muitas críticas nos meios intelectuais. a linguística daria maior ênfase ao estudo da linguagem em si mesma e a seu caráter estrutural. a língua deveria ser entendida como um sistema. nos Estados Unidos. Para Saussure. Nesse quadro. XVIII e início do séc. A partir dessa perspectiva. Jacob Grimm. não atrelada a uma base lógica. samento e da lógica e não como objeto de uma org/wiki/Ferdinand_de_ Saussure. Nesse contexto. Mas. alFigura 17: Ferdinand ► guns estudiosos da linguagem contestaram os Saussure. estudos baseados na gramática greco-latina. 2013. exporemos brevemente os ensinamentos de Saussure (1995) sobre a atividade comunicativa. a outra. e o outro concernente à Linguística da fala.UAB/Unimontes . (1816). Saussure propôs a oposição entre langue e parole. Saussure precisou encontrar. Esse autor inova quando propôs substituir a tradicional divisão quadripartite de gramática pela bipartite: lexiologia e sintaxe. com a obra Curso de Linguística Geral. (1822)).wikipedia. ATIVIDADE Com o progresso do método comparativista. sob o fulcro da gramática histórico-comparativa (Leroy. Nessa nova dinâmica instalada. surgiram muitos estudos. No final do séc. durante a primeira metade do século XX. ou Fonte:Wikipédia. A gramática passa a ser estudada como um conjunto de fatos. Bopp. os estudos linguísticos do século XX adotaram uma nova orientação e uma nova atitude com relação ao enfoque e ao objeto de estudo da linguística. os estudos linguísticos foram representados centralmente pelo estruturalismo. Revolução Francesa. A princípio.2º Período No Brasil. ou seja. isso significa dizer que ela é constituída por um conjunto de unidades que obedecem a certos princípios de funcionamento. que alavancaram a investigação da língua agora entendida como objeto científico. Foi Saussure (1916). em 1881. cujo objeto é a língua. como queriam os gramáticos comparativistas. Vamos discutir sobre essa perspectiva de estudo da lingua(gem) no fórum? 24 2. na linguagem. entre língua (sistema de signos. Assim. Ao invés de investir na descrição histórica da língua. a corrente estruturalista seguiu duas vertentes: a primeira defendida em Praga. surge a Grammatica Portugueza de Julio Ribeiro. não obstante prevalecer nessa época a abordagem histórico-comparativa. paralelamente ao estudo evolutivo da língua. mais sincrônica da língua. (1971). por exemplo.

necessariamente. as demais peças. 311). como. os estudos sobre o português atual. o foco não estaria nas “relações entre os termos coexistentes de um estado de língua. ele fez analogia ao jogo de xadrez. sofre transformações consideráveis em poucos anos. o estudo será necessariamente sincrônico. em seguida.174) A autonomia da língua consistia na tentativa de descrever a língua através de técnicas aplicáveis mecanicamente. que trazia como propriedade o caráter social e. p. 1995). encontram-se. Podem ser dez anos. Para os estruturalistas. p. e Mathesius que colocava a função da comunicação e expressão como central por considerar a linguagem como atividade dirigida para um fim específico.163). uma geração. ficando à margem dos estudos linguísticos vistos como científicos. elaborou-se uma teoria denominada Glossemática. cada peça cumpre um papel e possui regras específicas. 1995. portanto. Por vezes. As unidades linguísticas. os seguintes autores: Trubetzkoi. 102) afirmava. o foco da análise abarcaria tanto o nível da expressão (= substância fônica). Quanto aos representantes de Copenhague. 25 . vejamos em que consistem as diferenças entre os posicionamentos tomados no âmbito de uma e de outra. ◄ Figura 18: Arbitrariedade do signo linguístico. mas entre termos sucessivos que se substituem uns aos outros no tempo” (SAUSSURE. Disponível em http://faculty. 1995. destacou-se Hjelmslev. a investigação da linguagem comportava duas dimensões: uma. conforme o próprio Saussure (1995.edu/ dfoster/cf3324/Saussure. teria por objeto a parte individual da linguagem. em destaque. Nessa escola. mais ou menos longo. tal movimento influenciará. por exemplo. 2013. principalmente os de forma e substância (da expressão e do conteúdo). uma pode evoluir muito e outra quase nada. uma espécie de álgebra da linguagem. os estudos se limitariam a analisar a linguagem em um determinado período da sua existência. Assim. eram configuradas formalmente por meio de relações combinatórias de acordo com o modelo dedutivo. ele constrói uma teoria que se conforma numa rede abstrata de inter-relações. O Círculo Linguístico de Praga (CLP) abordava o liame entre sincronia/diacronia e a autonomia da língua. De duas línguas coexistentes num mesmo período. imprescindível. por conseguinte. nesse contexto. por assim ser. por ter como objeto a língua. O referido autor defende que: Na prática. abarcaria a fala. os quais se dedicavam. sobretudo. visto que. Considerando que a língua é uma estrutura. cumprindo uma função secundária. no outro diacrônico. a língua era entendida como um sistema de relações ou.Linguística Geral compreensão do objeto língua (Linguística propriamente dita). Nessa corrente. durante o qual a quantidade de modificações ocorridas é mínima. Na sincronia. uma língua evolui lentamente durante um longo intervalo e. mesmo mais. mas um espaço de tempo. De acordo com o referido autor. 2005. nesse jogo. que seria um modelo para a descrição de línguas particulares” (BORBA. um século. “a língua é um sistema do qual todas as partes podem e devem ser consideradas em sua solidariedade sincrônica” . sendo que. independeria do indivíduo. (SAUSSURE. no segundo caso. No tocante à diacronia. Fonte: Course In General Linguistic. uma entidade de dependências internas. e. htm. a Linguística da fala foi colocada em outro status. Jakobson. ou seja. Com a intenção de ilustrar o que consiste considerar a língua como um sistema de relações. quanto o do conteúdo (substância semântica). Outra dimensão. considerando que haveria o mesmo tipo de relações operando nos dois níveis. Acesso em 25 out. à fonologia. p. Tal teoria visava refinar alguns conceitos saussurianos. Retomando as duas vertentes de releituras saussurianas outrora elucidadas (Praga e Copenhague).Letras Espanhol . caso ocorra um único movimento.smu. um estudo da língua não é um ponto. inclusive a fonação e a psicofísica (SAUSSURE. p.

o sujeito. metalin► guística e poética. salientamos as contribuições de Vilem Mathesius. (ii) função expressiva. já que ela “ampliou o conhecimento das mais diversas estruturas linguísticas. Com a dicotomia língua/fala e os conceitos de sistema e sincronia. quanto à contribuição metodológica. sem qualquer análise do ponto de vista do significado. na Escola de Praga. br/2010/12/as-diferencas-entre-o-estruturalismo. p. Essas funções foram repensadas por Jakobson que ampliou o quadro para seis funções: emotiva. pois. desenvolveram as noções concernentes à atividade comunicativa.blogspot. 2013. complementarmente. A função conativa (iii) estaria voltada para o uso calcado em influenciar a pessoa a quem se dirige a fala ou quais as estratégias linguísticas a serem empreendidas para provocar determinado efeito de sentido. a língua tem uma forma. também são inegáveis as limitações dessa teoria. defendia-se a ideia de que a língua é.jpg. 1993. “pelas consequências advindas da exclusão da fala do campo dos estudos linguísticos” (BRANDÃO. enquanto a Fonologia voltaria para o som ideal. a cultura e a história. Acesso em 29 out. podendo ser desvelada independentemente da substância em que se realiza. sendo configurado pela arbitrariedade. ou seja. Alguns linguistas. estática. Disponivel em http://www. Jakobson. sobretudo. o referente. a não ser por convenção. encontram-se questões diversas de interesse linguístico.1949) Fonte: Glottopédia. evidenciando diferentes modos de uma língua expor suas funções. não interessariam para estudos propriamente linguísticos. 26 O conceito de funcionalismo foi cunhado no Círculo Linguístico de Praga. jpg/180px-Bloomfield. influenciados pelas (re)leituras dos pressupostos saussurianos. não obstante as contribuições elucidadas. que elucidou os estudos calcados na perspectiva oracional funcional. A função expressiva (ii) se relaciona à disposição de ânimo (vontade) ou atitude do locutor (ou escritor). acesse http://epistemologiedelalinguistique. Estruturalismo funcionalista DICA Para entender melhor. o estrutural (sistêmico) e o funcional.html Figura 19: Leonard Bloomfield (1887. em oposição à Fonética. Contudo. 315). aspectos relacionados à linguística geral. p. fazendo uma associação entre os elementos da teoria da comunicação e as funções expostas. Então. nenhuma razão para. sim. (iii) função conativa (ou instrumental). particularidades relacionadas à poética e ao estudo sociolinguística e especificidades das línguas eslavas. Entre os vários estudiosos da teoria funcional da linguagem.UAB/Unimontes . houve também a distinção funcional entre aspectos cognitivos e expressivos no contexto de trabalhos sobre estilística e crítica literária. visto que tais segmentos. outras questões foram refletidas pelos estruturalistas funcionalistas. Além da distinção entre as disciplinas Fonologia e Fonética. não havendo. o enunciado. Saussure elimina da linguística científica a fonologia. conativa. estariam para a fala. por considerar o aspecto funcional da sentença. portanto. fática. A função cognitiva (i) consiste no emprego da linguagem objetivando a transmissão de informação factual. 2005. por exemplo.2º Período Em decorrência de tal proposição. e.de/images/ thumb/e/e6/Bloomfield. Para os estruturalistas. Saussure defende a ideia do signo linguístico compreendendo duas faces: significante e significado. que categorizou três funções gerais desempenhadas pela linguagem: (i) função cognitiva. porém. apoiado por Trubetzkoy e Karcevsky. Segundo o autor.com. glottopedia. 9). a língua é uma totalidade viva. destacamos as contribuições do psicólogo alemão Karl Buhler. por exemplo. fundou a disciplina Fonologia. plano além das diferenças individuais de pronúncia e capaz de distinguir significados (fonema). referencial. elaborada em meio à Escola de Praga. por exemplo. aquele som efetivamente falado (fone). Ainda. no qual apresenta. Para essa distinção. como. Na obra Thèses (1929). segundo o autor. “cadeira” se chamar como tal. um sistema funcional. a Fonética teria como foco o som real. Nessa obra. . aperfeiçoou técnicas de coleta e de controle de dados e até demonstrou como certas estruturas são passíveis de um estudo mais abstrato e generalizante” (BORBA. Vale ressaltar que é inegável reconhecer o valor da teoria estruturalista.

particularmente entre os estudos chomskyanos. a um corpus. É nítida a influência da abordagem behaviorista na proposta de Bloomfield. ao contrário da vertente do estruturalismo. cada um deles com um sabor tradicional. a gramática gerativa não seria. um conjunto de relações entre estruturas. não levando em consideração a intuição do falante que tem competência para produzir um número infinito de sentenças nunca produzidas ou ouvidas anteriormente. emoção. A propósito. a Linguística norte-americana seguiu a tendência formalista. Nesse sentido. Muitas considerações dessa corrente norte-americana (por exemplo. então. a gramática gerativa. comecemos a explicitar em que consiste essa mudança de foco. visto como extremamente restrito a dados observáveis e de objetivos quase sempre taxionômicos. há muitas questões evidenciadas pela mudança de foco proposta pelo programa gerativista que merecem ser refletidas e analisadas. (CHOMSKY. 27 . como podemos observar nos prussostos apresentados anteriormente. tentaremos propor um diálogo entre os pesquisadores da temática em questão. no âmbito do gerativismo.121) “como é ponto pacífico para todos. favorecendo. a partir do excerto destacado. visto que o estudo da gramática gerativa tem sido guiado por vários problemas fundamentais. A preocupação básica consiste em determinar e caracterizar as capacidades linguísticas de indivíduos particulares. mas um conjunto de regras. 1971). eliminando toda e qualquer menção a categorias mentais ou conceituais. Assim. interessa compreender o mecanismo de geração em detrimento do resultado. percepção etc.4 O programa gerativista em foco Nos Estados Unidos. mas influenciado pelo pensamento saussuriano. ou seja. Tal corrente se configura por um esquema de processos que conduzem à identificação da gramática de uma língua ou. estabelece como cerne de estudos linguísticos o processo e não o produto. Para Sapir. Segue um modelo mecanicista no qual se tenta identificar ocorrências das partes do enunciado comparando-as umas as outras quanto ao seu contexto linguístico sem levar em conta o sentido. são várias as possibilidades de compreender o fenômeno da língua e linguagem. diferentemente de Bloomfield. Nessa perspectiva. ganhando força com Leonard Bloomfield. Enfim. os fenômenos linguísticos devem ser interpretados de acordo com ocorrências psíquicas. Em linhas gerais. uma técnica experimental de coleta de dados brutos. 1999. a objetividade científica e a pesquisa empírica através de corpus. dos objetos gerados a partir de tal procedimento. com Chomsky e foi chamada de gerativismo.Linguística Geral Estruturalismo norte-americano Influenciada pelo Estruturalismo europeu. Glossário Taxionomia: ciência baseada na classificação de coisas ou aos princípios subjacentes da classificação 2. “a essência da linguagem está em atribuir sons convencionais. Como se percebe. principalmente. limitando-se à estrutura superficial. p.. o que leva crer que se trata de uma vertente do estruturalismo. sobretudo. assim. a seguir. sem estrutura inata não há efeito do ambiente externo no processo de incrementação da língua (ou outro)”. a forma linguística é pré-racional e se origina a partir da intuição. reflexão. consequentemente. Assim. em 1933. voluntariamente articulados ou um equivalente desses sons aos diversos elementos de nossa experiência” (SAPIR.Letras Espanhol . Essa reação ganhou força. ou seja. iniciou-se uma reação ao estruturalismo tradicional.52). p. cujos apontamentos subsidiam análises até os dias atuais. pretendemos aprofundar os conhecimentos acerca do gerativismo e. como no estruturalismo. baseados no sistema psicológico (vontade. compreender o processo em que a “faculdade da linguagem” se insere sob o olhar dessa perspectiva. visando abordar o objeto de estudo de forma satisfatória. Isso porque. na década de 50. a teoria distribucionista) coincidem com o estruturalismo saussureano. Sua tese consistia na distribuição ou soma de contextos em que uma unidade pode emergir em oposição àqueles em que não aparecem. segundo Chomsky (2000. Chomsky (1957) se coloca contra o estruturalismo na medida em que a gramática estrutural fragmenta os enunciados.

” (CHOMSKY. por trás de questões meramente descritivas e aparentes sobre o funcionamento da linguagem. já em (ii) alguém agiria em relação a Regina. 2013. ▲ Chomsky suscitou o seguinte sobre a noção de competência linguística: Figura 20: O cérebro e as funções orgânicas Fonte: Guia de referência. cada uma finita em comprimento e construída a partir de um conjunto finito de elementos. o que significa dizer que seu caráter básico é um reflexo dos genes. 2000. (WEEDWOOD. tais estados são tão similares entre as espécies que. anteriormente.. Os falantes recorrem à competência de reconhecer e elaborar enunciados e de identificar erros de desempenho. que conhece sua língua com perfeição e não é afetado por condições gramaticalmente descabidas. 149) Daí se evidencia uma problemática que é a de identificar o equipamento inato que se presta a estabelecer a relação entre a experiência e conhecimento atingido – “ou sistemas cognitivos atingidos. é imprescindível refletir sobre os mecanismos internos envolvidos em pensamento e ação. elementos culturais. 133) Em outras palavras. (CHOMSKY. ou seja.2º Período Para o programa gerativista. htm Acesso em 30 Out. entre outros.heu. ao colocar no centro o processo. provavelmente. 2013. De acordo com o nível superficial. o maior propósito dos estudos concernentes ao gerativismo consiste em “oferecer um meio de análise dos enunciados que levasse em conta este nível subjacente da estrutura”. a linguagem era concebida como um conjunto de sentenças. Chomsky (2000. 65) Para o referido autor. se abstrairmos os requisitos específicos do conhecimento e generalizarmos a outros sistemas que envolvem crenças. Disponível em http://www. porém. há. então.. o que não quer dizer que os linguistas devam desprezar os aspectos externos.16) 28 . mudanças de atenção ou interesse e erros (casuais ou característicos) na aplicação de seu conhecimento de língua ao desempenho real (CHOMSKY.guia. 2002. Ao gerativismo. os gerativistas assumem que a linguagem deve ser entendida como um órgão. Nesse âmbito.) a teoria linguística ocupa-se de um falante ouvinte ideal numa comunidade de fala completamente homogênea. Para cada indivíduo. p. Como implicação da mudança de perspectiva. O cérebro tem um componente – chamemos isso de “a faculdade da linguagem” – dedicado à língua e ao seu uso.br/ fun%C3%A7oes_o_cerebro. p. compreensão. (. os dois enunciados divergem.UAB/Unimontes . outros aspectos mais. considerando a análise profunda/subjacente. Chomsky (2000) elucida acerca do tratamento dado à faculdade da linguagem sob a abordagem naturalística. Nessa razão. de maneira razoável. p. tais como limitações e memória. evidencia-se que. ao gerativismo interessa aspectos inatos da mente/cérebro que gera o conhecimento da língua quando há ocorrências experimentais em um determinado sistema de conhecimento. Deixando de lado patologias sérias. Assim. distrações. a faculdade da linguagem tem um estado inicial determinado pela capacitação biológica. ao contrário da gramática de superfície em que se mira aspectos fenomenológicos mediados por convenções. 1996. Tal autor sustenta a tese de que o estado inicial da faculdade da linguagem pode ser deduzido como uma propriedade comum a todos os humanos. Chomsky (1965) defende as propriedades estruturais da linguagem que podem ser analisadas numa perspectiva matemática (matematização da linguagem). 1996. cabe a descrição das regras que determinam a estrutura da referida competência humana (aspecto de nossa capacidade psicológica geral). Acesso em 25 out. p.121) chama a atenção para a relevância de se considerar a estrutura interna. uma rede complexa e seletiva de operações que orienta o desenvolvimento linguístico que se realiza biologicamente. Em decorrência dessa constatação. Chomsky (1999) defende análises sintáticas de frases calcadas na diferença entre os níveis “superficiais” e “profundo” da estrutura gramatical. haja vista que em (i) Regina quer agir. interpretação e. podemos abstrair o estado inicial da faculdade da linguagem como uma propriedade humana comum. p.nom. os enunciados (i)“Regina está ansiosa por agradar” e (ii) “Regina é fácil de agradar” poderiam ser analisadas de maneira semelhante.

dois sujeitos podem partilhar o mesmo conhecimento da língua. por exemplo. cabe aqui mencionar que não se trata de confrontar a perspectiva gerativa. Nessa perspectiva.Linguística Geral Vale elucidar que tal abordagem biológica não contraria a relevância do fator social e interacional no processamento da linguagem. estabelece como cerne de estudos linguísticos o processo e não o produto. org/Chomsky. Assim. Assim. mas a diferença se dá na capacidade em que cada um utiliza tal conhecimento em seu meio. a ciência da linguagem deve fixar sua base em um tripé composto por mente/cérebro/cultura. deve-se. explicitada anteriormente. neste prisma. 2000. para tanto. Acesso em 28 out. c) Para o programa gerativista é imprescindível refletir sobre os mecanismos sociais envolvidos em pensamento. no estado inicial. considerar/focalizar alguns aspectos mais centrais. marque a alternativa INCORRETA: a) Essa corrente leva em consideração a intuição do falante que tem competência para produzir um número infinito de sentenças nunca produzidas ou ouvidas anteriormente. Por fim.greenworldcenter. 2013. Ressaltamos que a mudança de foco do programa gerativista. consequentemente. A GU – Gramática Universal – apresenta-se como a teoria das línguas-I humanas. cognitivos. ou seja. sobre o Gerativismo..4. filosóficos. no entanto. Um elemento de estados transitórios da faculdade da linguagem relativamente estável. trata-se de uma propriedade do cérebro/mente. b) A gramática gerativa. universal. Cada expressão linguística (DE) gerada pela Língua-I inclui instruções para os sistemas de desempenho nos quais a Língua-I está inserida. é uma teoria que diz respeito à forma e ao significado de expressões da língua. Disponível em <http:// www. já que “a cultura é indispensável para a emergência do espírito e para o desenvolvimento total do cérebro. 2. humanamente acessíveis em situações normais. Figura 21: Avram Noam Chomsky. afirmam que só é possível saber uma língua se a priori tivermos uma representação interna do procedimento gerativo. a unicidade do sujeito. também garante. para que o estudo se torne satisfatório. Os gerativistas. cada ser utiliza a lingua◄ gem de forma peculiar. É preciso considerar o processo e. com o estruturalismo que concebe a língua como um sistema externo ao homem. e tal procedimento se revela em vários níveis de abstração dos mecanismos. Morin (1999) endossa tal entendimento ao propor que os estudos linguísticos não podem se afastar dos aspectos biológicos. isto é. então. Importa. ATIVIDADE Todos os domínios da Ciência Linguística são organizados/inscritos em quatro grandes escolas. (CHOMSKY. as quais só existem e ganham consistência na e pelas interações entre os espíritos/cérebros dos indivíduos”. Determina-se como Língua-I esse procedimento gerativo.jpg>. 66). a perspectiva gerativista se caracteriza pelo reconhecimento de estruturas intrínsecas nas operações mentais. frisar que o foco da abordagem gerativista é o fator natural (língua interna) e não o fator social (língua externa).Letras Espanhol . ao se propor uma determinada análise. o que nos leva. qualquer engrenagem interessa para a compreensão do funcionamento do aparato investigado. é. 29 . os quais são indispensáveis à cultura e à sociedade humana. em termos práticos. e) Chomsky elegeu a Gramática Transformacional (da teoria gerativa) como a que melhor responde às exigências necessárias para dar conta das estruturas (sintáticas) da linguagem. mas a noção da integridade não pode ser afastada. portanto. “I” advém de internalizado. entre outros. p. à medida que novos dados são incorporados em sua constituição. pois. faculdade essa entendida como um componente particular da mente humana. ao contrário da vertente do estruturalismo. sob a influência do meio social no qual está inserido. Fonte: Green Word Center. Deve-se superar a visão dicotômica ao analisar um determinado objeto de estudo/fenômeno da linguagem. como se sabe. considerar os aspectos da forma e do significado que são determinados pela faculdade da linguagem. d) Os gerativistas assumem que a linguagem deve ser entendida como um órgão. então. própria. a processos e princípios de organização na percepção e princípios inatos na aprendizagem. o que significa dizer que seu caráter básico é um reflexo dos genes utilizados na produção da linguagem. a afirmar que ao mesmo tempo em que a linguagem está atrelada a um órgão natural. Claro que necessário se faz.1 Língua: módulo da mente A gramática gerativa. constitui-se em um sistema de condições advindos do equipamento biológico humano que possibilita a identificação da língua-I. consiste mais especificamente em tirar do centro a língua-E (encarada pelos gerativistas como um epifenômeno) e colocar no centro a língua-I (estudo da língua atingido e internamente representado na mente/cérebro). Tal posicionamento vem de encontro à atitude empirista que defendia o papel da experiência e do controle de aspectos ambientais.

qualquer análise linguística que se faça de acordo com os pressupostos do funcionalismo deve levar em conta a pluralidade das funções linguísticas e os parâmetros de realização da atividade comunicativa. Tendo em vista. Os princípios seriam leis gerais. propósitos comunicativos. redes neurais). recorremos a Neves: A língua (e a gramática) não pode ser descrita como um sistema autônomo. Denomina-se sintagma a um constituinte sintático. então.UAB/Unimontes . a intencionalidade do locutor. conforme se observa da assertiva elucidada por Neves (2000). as condições de produção de sentido etc. definido geneticamente. processamento mental. portanto. isto é. em razão da dificuldade de se definir sua extensão. Quando os controles estão fixados de um modo.41). aquisição e evolução (NEVES 2002. ao considerar os estágios da faculdade da linguagem. Mioto (2004. células. que. aspectos culturais e sociais) importam e determinam a atividade comunicativa e. enquanto os controles são as opções a serem determinadas pela experiência. No entanto. tem-se o estado inicial. propício a poucas mudanças. ‘ Segundo Neves: 30 . Chomsky (1998) propõe uma analogia com um painel de controle atrelado a uma rede de relações fixas. podemos imaginar o estado inicial da faculdade de linguagem como uma rede de relações fixa conectada a um painel de controle. p. Por fim. constituída por princípios e parâmetros. quando estão fixados de outro modo. por conseguinte. Não podemos aqui deixar de elucidar como a sintaxe é concebida a partir da mudança de perspectiva proposta pelo programa gerativista. fatores comunicativos (imagens dos interlocutores. Sendo que se entende R-C como sistemas representacionais computacionais. Nesse sentido.24) define Gramática Universal como o estágio inicial de um falante que está adquirindo uma língua. Para esses estudiosos. então. Dessa forma. p. Essa rede de relações é constituída pelos princípios da linguagem. mudança e variação. além de um suporte empírico mais consistente que outros níveis (átomos. temos o bantu. Assim sendo. mas como processo/produto das situações comunicativas.03). as situações sócio-históricas. a produção de sentido. reivindica a ideia que esta não pode ser concebida como um objeto autônomo. interação social e cultural. contexto enunciativo. define constituinte como “uma unidade sintática construída hierarquicamente” e. De acordo com tal posicionamento. Assim. não se pode analisar um fato linguístico sem se considerar o sistema ao qual ele pertence. Trata-se de um nível da mente/cérebro do qual se percebe um alto poder explicativo. a sintaxe “procura delimitá-lo a partir de um núcleo”. comuns a todas as línguas naturais. já os parâmetros seriam propriedades que uma língua pode exibir ou não e que garantem a diferença de uma língua em relação à outra. Para que se possa entender o estado inicial da faculdade da linguagem. frequentemente é vista como um terreno movediço. Cada língua humana possível é identificada como uma fixação parti­cular dos controles – uma fixação de parâmetros. o constituinte compreenderia o núcleo e o conjunto de itens que desempenham as funções definidas por esse núcleo. à medida que se aprofunda nos estudos concernentes ao gerativismo. p. obscuro. p. evidencia o fato de que as línguas diferem uma da outra apenas marginalmente. conjuntos de células. exceto quanto ao léxico. Chomsky (2000. apresenta-se em vários estados na primeira infância. o processo gerativo. já que a gramática não pode ser entendida sem parâmetros como cognição e comunicação. na terminologia técnica. temos o japonês. Também. haja vista a imprecisão de quantos itens pertenceriam a ele.2º Período Mioto (2004. os funcionalistas levam em consideração todas as situações enunciativas. Isto. vale ressaltar que a abordagem gerativista.5 O funcionalismo em foco A teoria funcionalista entende a língua como um instrumento de comunicação e. Assim. ao longo do desenvolvimento. até chegar a um estado relativamente estável. descobre-se que há questões relevantes e instigantes que devem ser pensadas para o entendimento da atividade de linguagem. 77) define o termo sintaxe como “o estudo dos sistemas simbólicos das teorias R-C”. 2.

sendo que os ◄ Figura 22: Mikail funcionalistas estudam a língua em relação a Bakhtin. o sistema linguístico está intrinsecamente relacionado ao sistema social. conscientes ou não. de tópico ou assunto psicológico)” e o rema de um enunciado “a parte que veicula informação nova (o comentário ou predicado psicológico). porque interessa considerar as relações entre a língua e seu meio ou o contexto de uso.weedwoodbarbarahistoriaconcisadalinguistica 110121222407phpapp01 O texto.Linguística Geral O problema do falante é formular sua intenção de tal modo que tenha alguma chance de levar o destinatário a desejar a modificação da sua informação pragmática do mesmo modo como o falante pretende (NEVES. O que se coloca em pauta para a análise linguística é a competência comunicativa. Segundo Weedwood (2002.. salientamos que esse movimento se diferencia dos demais. Para Dik (1989). ou seja. o tema de um enunciado seria a “parte que se refere ao que já é conhecido ou dado no contexto (também chamado às vezes. Disponivel em propostos nas análises linguísticas.uk/ com dados da fala ou escrita retirados de conrussian_thinkers/ Acesso textos reais de comunicação. p. Para Halliday (1985). DICA Tenha acesso ao livro de WEEDWOOD.slideshare. Através do link: http://www.isfp. ainda. 2013. ao uso. 20). (WEEDWWOD. para satisfazerem os objetivos Thinkers. A Escola de Praga exerceu um papel decisivo para o desenvolvimento da teoria funcionalista atual. net/AnaEliliaCavalcanti/7243986. 142).) A consideração do sistêmico implica a consideração de escolhas entre os termos do paradigma. O sistema abarcaria todos os fatores indispensáveis para que a língua seja utilizada em uma situação concreta de fala. dito de outra forma. 2002. No campo da linguística. recorrer aos apontamentos funcionalistas para o estudo de uma língua natural significa analisar como “opera” o usuário dessa língua. portanto. Bakhtin critica as duas principais concepções de língua e de linguagem que dominaram os estudos filosóficos. Ressaltamos. fala de um determinado lugar social para um interlocutor também inscrito em um grupo social. falamos em duas tendências: universal e particular de abordagem dos fenômenos linguísticos e estas se identificam com as duas concepções de língua que Bakhtim critica. Trad. analisar as escolhas linguísticas/discursivas. em 19 dez. Assim. p. desatreladas de sua função na interação verbal. retomadas por Weedwood (2002). evitando.Letras Espanhol . p. p. haja vista que a capacidade linguística seria apenas uma das muitas capacidades que o sujeito utiliza no âmbito das práticas comunicativas. sem citar as contribuições de Bakhtin. Ainda não podemos encerrar a discussão. operam http://www. dos “outros” e do/no meio em que tais figuras estão envolvidas. Nesse sentido. sob a ideia de que escolha produz significado. dos interlocutores para o alcance dos propósitos comunicativos traçados.. História concisa da Linguística.co. deve ser entendido como fruto tanto do sistema linguístico. Um dos pontos chaves do funcionalismo pós-guerra concerne à distinção de “tema” e “rema” e a noção da “perspectiva funcional da frase” ou “dinamismo comunicativo”. 2002. Por “perspectiva funcional da frase” entende-se que. sua função social. (.59-60). que os Fonte: Gallery of Russian funcionalistas. Marcos Bagno. “a estrutura sintática da frase é em parte determinada pela função comunicativa dos vários constituintes e pelo modo como eles se relacionam com o contexto do enunciado”. indexado a um determinado grupo social.” (NEVES. Retomando a Neves: O sistema “configura uma teoria da língua enquanto escolha. a dinâmica discursiva é instaurada pelas relações estabelecidas no âmbito do “nós” (eu e tu). De acordo com essa premissa. daí decorre tentar compreender o percurso enunciativo de uma situação concreta de comunicação ou. por outros teóricos. como do sistema social. São Paulo: Parábola. o aspecto mais relevante que instaura a distinção entre o paradigma formalista do estruturalista está no fato dos formalistas estudarem a língua como um sistema autônomo. assim. 2002. ela forneceu subsídios para que a perspectiva avançasse para onde chegou a Linguística Contemporânea. sobretudo. O locutor. lidar com frases artificiais. 2002. Bárbara. 143). 31 . gramaticias e linguísticos até sua época.

4. como processo verbal e não como enunciado (perspectiva do “subjetivismo idealista”. Bakhtin também sintetiza essa concepção em algumas afirmações: 1. um processo criativo ininterrupto de construção (“energeia”). 58 ) Diante das críticas às duas concepções de língua acima citadas. 3.2º Período A primeira concepção é a chamada por Bakhtin de “subjetivismo idealista”. imutável. 2. Vejamos que este autor se antecipou. As leis da língua são essencialmente leis linguísticas específicas que estabelecem vínculos entre os signos linguísticos no interior de um sistema fechado Essas leis são objetivas em relação à toda consciência subjetiva. Mas são justamente esses atos de fala individuais que explicam a mudança histórica das formas da língua. língua é diálogo. (BAKHTIN. Entre o sistema da língua e sua história não existe nem vínculo nem comunhão de motores. do ponto de vista da língua. ou seja. fonética) se apresenta como um depósito inerte. A enunciação é compreendida por esse autor como uma unidade de base da língua. se todo signo é ideológico. simples refrações ou variações fortuitas ou mesmo deformações das formas normaliadas. impossível de verificação empírica: a língua (langue) entendida estrutura. que se materializa sob a forma de atos de fala individuais. conforme Bakhtin. de formas linguísticas submetidas a uma norma fornecida tal e qual a consciência individual e peremptória para esta. abstratamente construída pelos linguístas em vista de sua aquisição prática como ferramenta pronta para uso (WEEDWOOD. A língua é um sistema estável. É. Nessa perspectiva. do ponto de vista do sistema. universal. irracional e mesmo desprovida de sentido. sendo a ideologia definida como a relação do homem com o mundo. Essa crítica de Bakhtin se dirige à Saussure. 32 . nem vínculo artístico. Logo. como um reflexo das estruturas sociais.149). Os atos de fala individuais constituem. é interação social. As leis de criação linguísitca são essencialmente leis individual-psicológicas. a mudança é. 1986. Essa é a tendência de estudo formalista da língua. p. Não se encontra na base dos fatos de língua nenhum motor ideológico Entre a palavra e seu sentido não existe vínculo natural e compreensível para a consciência. cognitivos ou outros). essencialmente. 3. Segundo Bakhtin. A língua é uma atividade. na qualidade de sistema estável (léxico. Para essa concepção. Bakhtin propõe compreender a língua como uma atividade social (e não individual) em que sua existência se justifica pelas necessidades da comunicação. 2. gramática. Esta é a compreensão de língua como “atividade mental” que se preocupa em explicar o percurso linguístico da relação entre linguagem e pensamento. A segunda concepção de língua que Bakhtin critica é a que ele chama de “objetivismo abstrato”. Por fim. as variações linguísticas são inerentes à língua e refletem as variações sociais. 2002. enquanto tal. ideológica e contextual.) ou produto (perspectiva do “objetivismo abstrato”). na qualidade de produto acabado (“ergon”). p. a língua não está na mente. constante na língua. dialógica. à Sociolinguística que será discutida adiante. homogêneo. a língua é compreendida como um sistema de regras passíveis de descrição. ou seja. Os vínculos linguísticos específicos nada têm que ver com valores ideológicos (artísticos. uma atividade social. tal como a lava esfriada da criação linguística. essa compreensão de língua desconsidera a produção individual dos falantes: a fala (parole) e se concentra num constructo teórico abstrato. sistema. O sitema e sua história são estranhos um ao outro. nem é um sistema abstrato. busca explicar o que é único. em meio século. A língua. para Baktin. o importante é compreender a língua como enunciação. Weedwood diz que Bakhtin sintetiza essa concepção nas seguintes afirmações: 1.UAB/Unimontes . Sendo assim.

História concisa da Linguística. Francisco da Silva. Edward. O conhecimento da língua. ____. Trad. Florianópolis: Insular. Ferdinand. ed. V. K. O programa minimalista. Introdução a análise do discurso. Edward Arnold. RS: Editora Sulina. KOCH. 1990. ed. 7. Introdução aos estudos linguísticos. TRAVAGLIA. Lisboa: Caminho. 1999. ____. ____. de Eduardo Paiva Raposo. JAKOBSON. MORIN. 1971. M. ed. Lisboa: Caminho. Porto Alegre. Maria Helelena de Moura. Rio de Janeiro: Acadêmica. Roman.: O conhecimento do conhecimento. O Método 3. Edgar. Dordrecht-Holland/Providence RI. 1998. Linguagem e mente: pensamentos atuais sobre antigos problemas. Carlos. (Voloshinov. História. BRANDÃO. 1996. 1985. teoria e análise. 2004. 33 . Hucitec. BORBA. Campinas: Pontes. Ingedore Villaca. São Paulo. New horizons in the study of language and mind. Novo manual de sintaxe. Bárbara. Trad. Trad. 14. São Paulo: Parábola. 2005. An introduction to functional grammar. 1995. Linguística e Comunicação. Maria Helena Nagamine. HALLIDAY. Simon C. CHOMSKY. 2005. sua natureza. WEEDWOOD. SP: Editora da Unicamp. Brasília: Editora Universidade de Brasília. Curso de Linguística Geral. 2. DIK. 2000. The theory of functional Grammar. MIOTO. SAUSSURE. Marxismo e filosofia da Linguagem. A Coerência Textual. ensino. Cambridge University Press. de Eduardo Paiva Raposo. 2002. Maria Cristina. Gramática. A linguagem-introdução ao estudo da fala. Ruth Elisabeth Vasconcelos. Luiz Carlos. 2002. A. Noam. NEVES. 1999. LOPES. São Paulo: Contexto. FIGUEIREDO SILVA.Letras Espanhol . São Paulo:Contexto.Linguística Geral Referências BAKHTIN. M. (1985). de Lúcia Lobato. Trad. São Paulo: Cultrix. Campinas. New York. 1989. 1986. Marcos Bagno. origem e uso. Editorial D. N. SAPIR.Quixote. 1993.

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unicamp. os processos de produção. Disponível em http://images. recepção. de textos.com. Dessa teia de relações com outros saberes surgiram a Sociolinguística. cada vez mais está em diálogo com outras áreas de saberes. 2013. a fala. Isto é.Letras Espanhol . se a dicotomia saussureana delimitou que a língua é o objeto de estudo da Linguística. pt/arquivo/Teia_na_chuva. por isso./publicacoes/textos/ h00002. heterogêneo. Análise da Conversação. Fonte: Blog Garatujando.Acesso em 25 out. br/imgres?imgurl=http:// garatujando.google. continuamente.Linguística Geral UNIDADE 3 A Linguística. a partir dos postulados.blogs. essas outras novas disciplinas ampliam suas pesquisas. enfim os elementos extralinguísticos como objetos de estudos. ◄ Figura 23: Errar é humano Efeitos de sentido na interação verbal Fonte: Unicamp.htm Acesso em 25 Out. heterogêneo e. sempre em constructo. em processo de mudanças. multidisciplinar. pelo surgimento de novas disciplinas. 2013. a relação linguagem e sociedade. sendo concebido como um fenômeno sociocultural. considerando a linguagem. que. Pragmática. em diálogo com outras áreas dos saberes. o fenômeno linguístico. a Neolinguística. ◄ Figura 24: A linguística e outros domínios: uma rede produtiva de relações interligadas. o discurso. a cognição. Linguística Textual. possibilitando a ampliação do escopo da Linguística..1 Introdução Inegavelmente. disciplinas as quais apresentaremos a seguir. Cada vez mais a Ciência da Linguagem tem se tornado um campo vasto. rompem com certos limites dos tradicionais estudos da linguagem.. Análise do Discurso. br/. 35 .sapo. a Psicolinguística. outros domínios e os fatos da linguagem 3.jpg&imgrefurl=http:// garatuj . Disponível em www.

classe.UAB/Unimontes . Inaugura-se. ele privilegia o aspecto formal e estrutural do fenômeno linguístico. khail Bakhtin. de modo que a linguagem é inseparável da sociedade. produziu importantes reflexões sobre a relação linguagem e sociedade.1 Sociolinguística Figura 25: Texto ► manuscrito. se ocupará a estilística. Da fala. Apesar de óbvia relação linguagem e sociedade. Já Bakhtin (1986) considera o fenômeno social da interação verbal como a verdadeira substância da língua. em termos saussureanos. Benveniste. da utilização da língua que o homem constrói sua relação com a natureza. 2013. que o indivíduo e sociedade se determinam mutuamente” (BENVENISTE. o que impele aos estudiosos. Vários autores do século XX se notabilizaram por fazer essa relação: língua. http://media. assim. Marcel Cohen defende que os fenômenos linguísticos se realizam no contexto variável dos acontecimentos socais.1.jpg. o estudo das relações entre as divisões de classes sociais e as variedades linguísticas: variedades rurais. no sentido de que é resultante de um sistema convencional. histórica e cultural na observação. desenvolvido de forma precária. o canal e o código. que. como por exemplo. a chamada abordagem imanente da língua. p. cultura Figura 26: Émile ► e sociedade. o compromisso e o papel decisivo nessa consideração de natureza social. fruto do convívio social. referência na Linguística francesa contemporânea. a mensagem. mais amplamente. p. a língua. é o sistema invariante que pode ser abstraído das múltiplas variações observáveis da fala. profissionais. a saber: remetente. diferenit/medianews/thubnails/ te de seu mestre. a Linguística Externa. grupos culturais etc. uma não pode ser concebida sem a outra. ao seu sistema. urbanas. esse autor identifica os fatores constitutivos de todo ato da comunicação. define-a e é definida por ela.tipsimagens. especialmente na Análise do Discurso. significa afastar tudo o que lhe seja estranho ao organismo. ou. sendo que cada um desses fatores determinam uma função de linguagem (questão já amplamente vista na unidade anterior). descrição e análise do fenômeno linguístico. MiBenveniste. por exemplo). tais como Antoine Meillet. há estudos que não consideram essa relação (como a tradição estruturalista. contrariando. 27). Jakobson (2010) privilegia os aspectos funcionais da linguagem: o processo comunicativo. Acesso em 19 dez. dessa forma. 1989. mais concretamente. Meillet foi aluno de Saussure e. Tânia Maria Alkimim nos relembra: É Saussure quem define a língua. remetendo a aspectos da fala infantil. com outros homens. os postulados de Saussure na concepção de que a língua é um sistema abstrato de formas linguísticas. Na visão do autor. línguas seria indissociável da história da cultura e da sociedade. formas de tratamento. Émile BenvenisFonte: Disponível em te e Roman Jakobson. linguagem de grupos (jargão de estudantes. destinatário. Dessa forma. Isto significa considerar que é pelo exercício da linguagem. 2006. Fonte: Autoria desconhecida. defende que a história das RDA00005043. 36 . A Linguística. (ALKIMIM. a língua é o sistema subjacente à atividade da fala. No artigo intitulado “Linguística e poética”. ou seja. o contexto. 23) Apesar de Saussure considerar a língua um fato social.). propriamente dita.2º Período 3. estilos de linguagem (formal ou informal). e pela língua. terá como tarefa descrever o sistema formal. por oposição à fala como o objeto central da Linguística. atualmente. a saber: Em Problemas de Linguística Geral Benveniste afirma que “é dentro da. propõe um estudo sociológico da linguagem. Marcel Cohen.

fazem dela.blogspot. interpretar tanto a natureza quanto a experiência.Letras Espanhol . Disponível em http:// tiras-hagar. Benveniste afirma que a língua permite que o homem se situe na natureza e na sociedade e revela o uso particular que os homens. ◄ Figura 29: Tiras do Hagar Fonte: Tiras do Hagar. ao evidenciar o semantismo social. Disponível em (II) Benveniste acrescenta que a língua é o instrumento utilizado para descrever.com. definindo-o e caracterizando como uma nova área de estudo cujo objeto seria a diversidade linguística e os fatores que as determinam.2 A constituição e consolidação e o objeto da Sociolinguística O termo Sociolinguística se fixou em 1964. leia a tirinha que se segue.Linguística Geral Um bom exemplo dessa relação pode ser observado na tirinha que se segue. Assim. sob o título geral Sociolinguistics. (III) Por fim. Linguística). as designações. Remeto-lhes a essa reflexão pela tirinha que se segue. 2013. o julgamento social que os falantes fazem do próprio comportamento linguístico e sobre o dos outros. A esse propósito. a língua dá forma à sociedade. 37 .1.gif Acesso em 30 out. grupos ou classes.sjdr. acentuando as diferenciações no interior de uma língua comum a uma sociedade. Resultante desse evento. o contexto social. no congresso realizado na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). as relações de poder que se manifestam na e pela linguagem. concebe a diversidade linguística e inscreve-se nas correntes teóricas de orientações contextuais.br/wp-content/uploads/2008/05/ hagar61. Bright introduz o termo. ou seja. ◄ Figura 28: Tiras do Hagar Fonte: Tiras do Hagar. Disponível em http://elcabron. Nessa publicação. organizado por William Bright. ◄ Figura 27: Tiras do Hagar Fonte: Tiras do Hagar. 3. 2013. as atitudes linguísticas. identidade social do receptor ou ouvinte. tais como identidade social do emissor ou do falante. para ilustração. Tem na sua origem a prática interdisciplinar (busca contribuições da Etnologia.com/ Acesso em 25 out. Psicologia. A Sociolinguística compreende a questão da relação entre linguagem e sociedade. Bright publica os trabalhos apresentados.

os estudos sobre a variação linguística tem sido a tônica da sociolinguística. no aluno. 3. Atualmente. Montes Claros. A título de ilustração. somente no século XIX surge o estudo científico do cérebro. cabendo ao professor despertar no aluno a consciência para a questão da adequação das formas às exigências comunicativas. por exemplo). No entanto. em situações reais de uso. No entanto. Sociolinguística Variacional. foi quem introduziu a linguagem entre as faculdades mentais localizadas no cérebro. .com. Conforme Morato (2004). 2013. a repulsa pela língua. São Paulo.asp?artigo=172 .bastidoresdoradio. Acesso em 30 out.3 Neurolinguística: Constituição da disciplina A ocupação com o cérebro como um órgão ligado a sensação e a inteligência data desde a antiguidade. Jackson. em detrimento de outras variedades. Assim. como Lordat e dos críticos do localizacionismo (ideia de que cada função cognitiva está ligada a uma área do cérebro). o objeto de estudo da Sociolinguística é a língua falada. com/noticias_julho_08. que aparece na graduação e pós-graduação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Disponível em www. A sociolinguística defende que todos os padrões devam ser trabalhados. do incorreto. oncotô. no início do século XIX. 2013 38 Aqui.br Acesso em 28 out. Freud. Os estudos de afasiólogos. só recentemente os linguistas passaram a se interesse pela análise mais abrangente do fenômeno afásico. Foi um trem doidimais! Quascaí dendapia! Fiquei sensabê doncovim. especialmente as do modelo padrão. com o propósito de comprovar ou testar suas teorias.2º Período Dito de outro modo. Qua scaí de susto. era sessetembro. E. em 1861. que afetaria o aspecto expressivo da linguagem.1. quando a psique deixa de ser considerada um atributo divino e se torna um atributo humano. além de ser um ato violento. timidamente. Registra-se que. proncovô. observem a tirinha seguinte que exemplifica bem a questão das variações linguísticas: Figura 30: Quadrinhos ► do Maurício de Sousa Fonte: Planeta Educação. os surfistas. o que derivou o nome. a Neolinguística é um dos campos mais recentes da Linguística.UAB/Unimontes . A receita mandopô midipipoca denda galinha prassá. esse estudo. em sua monografia intitulada Anatomia e fisiologia do Sistema Nervoso em geral e do cérebro em particular .doutrina que recebeu nome de Frenologia. o francês Paul Broca foi quem descreveu os primeiros casos de afasia motora. na primeira metade do século XX. Importante enfatizar que a Sociolinguística entende a variedade linguística como fenômeno constitutivo da linguagem. PARA SABER MAIS Papo mineiro Sapassado. os linguistas iniciam. parecenum tidiguerra. Os médicos e neuropatologistas foram os primeiros a diagnosticar e classificar as afasias. de modo a não serem perpassados por valoração. os sociolinguístas buscam uma comunidade linguística como elemento contextual (comunidade de falantes em Los Angeles. e não um problema. com. descrita e analisada em seu contexto social. O forno isquentô. Figura 31: Osmar dos ► Santos Fonte: Bastidores do Rádio. Os ianomâmis. Acesso em 30 out. como Charcot. e o interesse pela cognição aparece no período do Iluminismo. no entanto. deram origem à moderna Neuropsicologia e à Neurolinguística.br/novo/ artigo. htm .portaldohumor. o mistorô e o fiofó da galinha ispludiu! Nossinhora! Fiquei branco quinein um lidileite.64k. vale lembrar que na escola ainda predomina a supervalorização da variedade padrão.planetaeducacao. pode gerar. taveu na cuzinha tomando uma pincumel e cuzinhando um kidicarne com mastumate pra fazer uma macaronada com galinhassada. na eleição do correto. Dito de outra forma. Nessa perspectiva. Oiprocevê quelocura! www. observada. 2013. a tradição pedagógica ainda idealiza as manifestações verbais escritas. Ao se impor um padrão e discriminar outro(s). no Estado do Amapá. Gall foi o primeiro a relacionar a área lesada a manifestações clínicas de pacientes neurológicos. Recife. www. quandoví um barui vinde dendoforno.

ao tratar das relações entre linguagem e cérebro. Antes. os métodos diagnósticos e terapêuticos.. 154) Desse modo.Linguística Geral em 1980. O sujeito. concebendo que determinadas estruturas do cérebro têm relação com os distúrbios ou aspectos específicos da linguagem. quanto de outras áreas afins. Essa combinação conferiria unidade linguística ao sistema de linguagem. a afasia Vale a pena ler matéria no link . pois inicia os estudos da relação processos linguísticos. 3.br | inap@pnl. quanto interpretativo (relacionado com a compreensão e com o reconhecimento de sentidos). a apraxia (distúrbio da gestualidade). o Circulo Linguístico de Praga). cérebro humano. alterações). Como o próprio nome sugere. Os problemas de linguagem. Na afasia deve ser considerada a falta de recursos próprios da linguagem. a agnosia (distúrbio do reconhecimento) a anosognosia (falta de consciência do problema por parte do sujeito que tem o cérebro lesado). p. cognitivos. 2004. no entendimento dos tipos de afasia descritos e metodologicamente com dicotomias clássicas. percepção. a Linguística e a Neurociência. seja normal ou patológico. dessa forma. no Rio de Janeiro. a eficácia no uso da linguagem. funcionamento. portanto.br/040804/p_124.br o que sabemos na atualidade sobre a atividade cognitiva indica que há uma relação estreita entre linguagem e cérebro. E o que isso significou? Segundo Morato (. observem. em virtude de acidentes vasculares cerebrais (AVCs). Para conhecer as atividades do: INAP-INSTITUTO DE NEUROLINGUÍSTICA APLICADA acesse www. em algum momento anterior de sua vida. 2004. funcionariam cada qual com um sistema dinâmico e flexível cujas regularidades não são determinadas a priori (ou seja.net/ ElaineAgnello/roman-jakobson-lingstica-e-comunicao-wwwlivrosgratisnet 39 . focando o ponto de vista linguístico. causada por lesão estrutural adquirida no Sistema Nervoso Central. estabelecendo dois grandes eixos de relações (simbólicas) projetadas um sobre o outro.) Jakobson ampliou. com. Linguagem e cérebro. tendo como pano de fundo o estruturalismo e o funcionalismo linguístico (sob sua forma mais produtiva.Letras Espanhol . A Neolinguística vem desenvolvendo pesquisas para se compreender melhor o funcionamento da cognição humana. 157) DICA Para sabe mais sobre afasiologia leia http://pt. estão na dependência de diferentes fatores que orientam nosso entendimento e nossa ação no mundo. As fronteiras entre essas duas áreas são movediças. deve ter experimentado. ancorada na inter-relação de diferentes áreas do córtex e na interdependência de múltiplos processos ou funções cognitivas (como memória.slideshare. não são fixadas de maneira inata ou biologicamente predeterminadas).1.med.med.http://veja.abril. evocando Coudry (1998). No entanto. estrutura. tanto produtiva quanto interpretativa. etc. há que se observar o crescente interesse nos estudos anátomo-fisiológicos da linguagem e seus distúrbios. duas formas de organização da linguagem. (MORATO. traumatismos crânio encefálicos (TCEs) ou tumores. a afasia pode estar acompanhada de hemiplegia (paralisia de um dos lados do corpo). Ainda não se pode defender que haja um acordo acerca da inter-relação entre linguagem e cérebro. aciona dois campos do conhecimento. para ser considerado afásico. por parte tanto da Neolinguística. p. não são estruturas fechadas e autônomas (ou seja.3. a Neolinguística.pnl. nas deficiências mentais e auditivas ou nas demências e nas amnésias não são considerados afasias. essa relação cérebro-linguagem é recente. (MORATO. Segundo Edwiges Morato.(MORATO. mas DICA Indico o Instituto de Neurolinguística Aplicada. data do início do século XIX (chamado inicialmente de Frenologia). É um campo em constructo. Esse linguista pretendia formular uma teoria geral da linguagem (aquisição.) que atuam em nossas várias formas de perceber e interpretar o mundo. manifestados nos esquizofrênicos ou autistas.1 A afasiologia: um pouco de histórico DICA A afasiologia – estudo das afasias (problemas de linguagem decorrentes de uma lesão nos sistema nervoso central) – oferece bases para a Neolinguística. que conforme já apontamos. 2004. linguagem. conforme adverte Morato. tanto do seu aspecto produtivo (relacionado com a produção de fala. Jakobson foi o primeiro linguista a dedicar-se ao estudo das afasias. A Neolinguística é o estudo das relações entre cérebro e linguagem. algumas das ideias de Saussure. html é uma perturbação da linguagem em que há alteração de mecanismos linguísticos em todos os níveis.. da investigação no campo das patologias cerebrais. sintagmático/metafórico (responsável pela combinação de unidades). p 144) Caros leitores. não obedecem a padrões estáveis e homogêneos de existência).

2º Período Os estudos de Jakobson serviram de incentivo aos linguistas que passaram a se interessar pelas patologias. que envolvem não apenas as várias zonas cerebrais. o comportamento e a linguagem. surdez etc. com a formação do Comitê sobre Linguística e Psicologia. Dessa interface configurou-se a Neolinguística. que tem se ocupado. psicologia cognitiva. diagnosticar os dados linguístico-cognitivos. 2. que procurava entender o comportamento linguístico por um mecanismo de estímulo–resposta. Tanto a linguagem quanto a memória são processos complexos. a subjetividade. A psicologia busca fundamentos da Linguística. em parte. as propriedades interativas e dialógicas que orientam as práticas humanas. para os psicólogos. cognitivo e análise do metadiscursos clínico-médico sobre as patologias e as orientações de condutas terapêuticas. e teorizar sobre a inter-relação dos vários níveis linguísticos.2 Psicolinguística O termo Psicolinguística foi cunhado por N. estudo dos processos discursivos relativos à linguagem e à cognição. mas diversos fatores nas atividades simbólicas humanas. arte. b. Inicialmente. especialmente aquelas mais direcionadas a atividade cerebral e os processos da memória. em outras palavras. há muitas perguntas que não foram respondidas ainda. por outro lado. por princípios psicológicos. devido às barreiras da própria tecnologia e da ciência. de orientação norte-americana. clinicamente. contribuiu para a interface Linguística e Neurociências. ciência). pois. estudo dos aspectos éticos e socioculturais relacionados ao contexto patológico. estudo do processamento normal ou patológico da linguagem por meio de modelos elaborados pela linguística e pelas neurociências. 3. neuropsicologia. e. A teoria da informação. aderiram às ideias de Wundt. na Universidade Cornell (1951). cognitivas ou sensoriais. dirigido pelo psicólogo C. o processos ideológicos. condições histórico-discursivas que mobilizam essas ações. com o campo de investigação que interessa pelas seguintes investigações: a. principalmente os históricos. entre linguagem oral e a escrita. intersubjetivos que integram a linguagem e a cognição. Desse diálogo surgem duas correntes: a mentalista. a neurofisiologia). neuropsicológicas. discursivas. Osgood. 40 . oferece fundamentos epistemológicos para a Psicolinguística. c. H. por ser um modelo mecanicista. que sustentou e demonstrou que a linguagem podia ser explicada. esses estudos eram denominados Psicologia da Linguagem e abordava o relacionamento entre o pensamento. bem como da neuroplasticidade (dominância cerebral para as funções cognitivas (como a memória e a percepção. nas relações formais. tais como afasias. Proncko (como um campo interdisciplinar: psicologia e Linguística). estudo sobre os processos alternativos de significação verbal ou não verbal dos sujeitos afetados por patologias cerebrais. Apesar dos avanços dessa disciplina. d. Há que se mencionar dois movimentos importantes: 1. a demência. que envolvem as experiências significativas da vida em sociedade. estudo sobre a sustentação ou comprovação dos estados patológicos do/no funcionamento da linguagem. na Universidade de Indiana (período denominado período formativo). em geral. de orientação europeia. os processos civilizatórios (cultura. E por um segundo seminário em 1953. ao postular que a unidade de comunicação era formada por fonte → /transmissor/codificador → canal → receptor/ decodificador e → destinação. consciência.UAB/Unimontes . e. era preciso entender os funcionamentos da linguagem a fim de entender o funcionamento da mente humana. A fundação da Psicolinguística se dá com várias ações: o Seminário de Verão de pesquisa em Ciência Social. a dimensão interativa das ações humanas. de modo a avaliar. surgida após a segunda Guerra. A Linguística busca fundamentos da Psicologia a partir de Wundt. culturais. (que buscava explorar o pensamento através do estudo da linguagem) e a corrente comportamentalista. de fortes acentos comportamentalistas. Os linguistas.

o processamento de unidades amplas da linguagem. Nas pesquisas psicolinguísticas.Linguística Geral Segundo Balieiro Jr: A Psicolinguística desse período era um amplo painel de pesquisas oriundas da Psicologia e orientada para a Linguística e de pesquisas oriundas da Linguística e orientadas para a Psicologia. Decorrente desse postulado. pipocando pesquisas em que a teoria se encontrava em grande parte implícita na pesquisa. p. dos fatores pragmáticos discursivos e centralização. que de certa forma tem relação com os estudos da Psicolinguística. que se ideias/disse.psc. A instituição da International Society of Applied Psycholinguistics (ISA- 41 . sua neurofisiologia e os prejuízos do processamento causados por lesão cerebral. por extensão. ao lado de uma forte contestação ao comportamentalismo e propõe uma abordagem mais racionalista e dedutiva para a ciência. Nas pesquisas sobre as estruturas linguísticas e o processamento mental. tratar da performance. (BALIEIRO JR. a memória. e que há trocas ativas de informações entre esses níveis. a não modularista. numa sintaxe. tal qual a questão do processamento da linguagem e do funcionamento da mente humana. 176) Em 1957. à Psicolinguística. 2013. Linguagem O modelo gerativo de Chomsky propuFonte: Caleidoscópio. perfeições etc. havendo mecanismos de interface entre esses módulos). dos processos de codificação e decodificação. etc. com inúmeros trabalhos interdisciplinares e a questão da realidade psicológica ganha status. as relações entre linguagem e pensamento.br/ por meio de regras transformacionais. ou seja. concebe que não há limites definidos entre os níveis de conhecimentos linguísticos. caleidoscopio. perficiais) derivavam das estruturas profundas. seria algo inato no indivíduo. com bastante influência no Brasil. 2004. então. lapsos. Coube. o período cognitivo. ainda. Importante destacar que a Gramática Universal impulsionou fortemente os estudos sobre aquisição da linguagem. 182-183) Além da pesquisa e da construção de teorias por parte da Psicolinguística. são recorrentes as seguintes questões: a relação entre linguagem e cérebro. Enquanto os linguistas tratavam preferencialmente dos “estados dos comunicadores”. Em 1992. esse estudioso distingue os termos competência (o conhecimento que o falante/ ouvinte ideal tem de sua língua) e performance (a atividade do falante/ouvinte numa situação comunicativa (problemas. Chomsky apresenta os fundamentos da Gramática Gerativa. No entanto. como o texto e o discurso. na questão da competência. 2004. os estudos e escritos de Kess instituem novo período na linguística. a própria Gramática Gerativa Transformacional encaminhou revisões que assinalaram certo declínio a alguns de seus postulados. há uma corrente de nome Psicolinguística Aplicada que se ocupa da resolução de questões de aplicação das descobertas de campo. imperfeições. e a aprendizagem de outras atividades ou sistemas linguísticos como a leitura e a escrita. há duas vertentes de análise e experimentação psicológica: uma de nome modularista (defende que a mente é um sistema composto de módulos. como um produto do sistema cerebral. também considerado uma Gramática Universal (GU). ou dela emergia timidamente. os sistemas de processamento mental da linguagem. Havia. A outra vertente. e. p. que possibilitou a ampliação dos estudos da Psicolinguística. Esse componente sintático. os quais processam as informações de maneira independente. (BALIEIRO JR. sem um esforço amplo de definição da Psicolinguística como disciplina. organizavam numa gramática. Disnha que as sentenças faladas (estruturas suponível em http://www. o que abala os fundamentos da ◄ Figura 32: Esquema de Pensamento e Psicolinguística. Uma questão problemática dos postulados de Chomsky seria a desconsideração da semântica. As contribuições de Piaget e Vygotsky foram importantíssimas pelo fato de eles terem dedicado ao entendimento do relacionamento entre pensamento e linguagem. o conhecimento do mundo.). a Psicolinguística se apresenta em transição.html. incluindo os fundamentos biológicos da linguagem..Letras Espanhol . apenas. incluindo os subsistemas psíquicos como a percepção. Acesso em 19 dez. Atualmente. muita dispersão teórica.

br/~pead/ imagens/codigo. com realização de congressos. Primeiro momento Fase em que predominou a análise transfrástica. a Linguística Textual está na construção de uma linguística para além dos limites da frase. como esforço teórico para a constituição de uma linguística para além dos limites da frase. Figura 34: Funções da ► Linguagem Fonte: Linguagens e suas funções. No Brasil.2. Denise Maldidier. Figura 33: Coesão e ► Coerência Fonte: Núcleo de Estudos de Educação de Jovens e Adultos e Formação Permanente de Professores. isto é.usp. linguagem de sinais e comunicação não verbal. que fazem uma espécie de estudo (estado de arte). na década de 70. A chamada linguística de texto não se desenvolveu de modo homogêneo.UAB/Unimontes .em texto intitulado “Discurso e ideologia: bases para uma pesquisa”. 2013 3. Para exemplificar.ufrj. grafêmica. teoria e metodologia psicolinguística. um dos quais. patologia da fala e tradução. A Linguística Textual começou a se desenvolver na década de 60 na Europa. Disponível em http://acd. discurso.1 Linguística textual A Linguística Textual tem como principal área de interesse o estudo dos processos de produção.gif Acesso em 28 out. isto é. vem solidificando a área. considerando as relações entre essas frases como constituidoras da unidade de sentido. que publica um periódico importante.fe. Dito de outro modo. uma linguística que se ocupasse da exterioridade da linguagem. o estudo que parte da frase para o texto. Nesse sentido. Disponível em http://www. Claudine Norman e Régine Robin. recepção e interpretação dos textos. temos os trabalhos de Ingedore Koch (1994). proferida no LXVI Seminário do Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de São Paul. em seu texto Linguística Textual: retrospecto e perspectivas e a Conferência de Luiz Antônio Marcuschi. na relação entre frases. desenvolvimento de primeira língua. br/sigepe/informacoes/upload/M3U6%20 coer%C3%AAncia.jpg. alguns estudiosos perceberam que havia fenômenos linguísticos que não poderiam ser explicados nem sintática ou semanticamente.2º Período PL). ensino de língua estrangeira. Acesso em 28 out. o International Jorunal of Applied Psycholinguistics. o sujeito e a situação de comunicação. ocasião em que foram apresentados trabalhos em bilingualismo. enumerando os diversos autores que constituíram a primeira geração de autores que propunham o texto como unidade dos estudos linguísticos. leitura. mais precisamente na Alemanha. isto é. fazem um breve histórico da constituição do campo dos estudos do discurso. em junho de 1998. e sim no interior de um texto. Ela gostou muito da linguagem roseana. desenvolvimento de segunda língua. A origem do termo encontra-se em Cosériu. .nea. Rumos atuais da Linguística Textual (1998). nos enunciados: 42 (1) Karen leu o livro “Noites no sertão”. embora tenha sido empregado pela primeira vez por Weirnrich. mas é possível delimitar três momentos: I. 2013. realizado na Alemanha em 1987.

2006. a produção e a compreensão dos textos em uso. a capacidade qualificativa (capacidade de tipificar e de produzir um tipo particular de texto. Para exemplificar: (2) Karen não fez o artigo: fez uma resenha. O texto. porque há a unidade de sentido: ◄ Figura 35: Tirinhas do Garfield – Jim Davis Fonte: Tirinhas do Garfield.] é capaz de resumir e/ou parafrasear um texto. podem ser designadas por competência textual.. 2013. O que esses autores defendem em comum. p.] não há uma continuidade entre a frase e o texto porque há entre eles. A coesão referencial é também elemento importante para garantir a unidade de sentido. nesse segundo momento. argumentação.. a unidades menores a serem classificadas. uma diferença de ordem qualitativa e não quantitativa. 249-250) Evocando Charolles (1989). a capacidade transformativa (reformular. a exemplificar. atribuir-lhe um título ou produzir um texto a partir de um texto dado. reconhecendo como textos os orais e escritos com unidade de sentido. Bentes apresentará as três capacidades básicas do falante. é concebido como um complexo de proposições semânticas. Tais habilidades. Dijk (1972.Letras Espanhol . da construção de uma gramática textual. segundo Bentes: [. narração. 1977). descrição etc. Dressler (1972. html Acesso em 25 Out. a Linguística Textual ocupa-se das questões da competência textual do falante.. definidos a partir dos seguintes as- 43 .. A exemplificar. Um falante nativo [.] como também sabe reconhecer quando um conjunto de enunciados constitui um texto ou quando constitui em apenas um conjunto aleatório de palavras ou sentenças. Lang (1971.. vamos considerar que a relação de substituição do nome “Karen”. aquela que leu o livro “Noites no sertão”. tais como a capacidade formativa (compreender um número elevado e limitado de textos inéditos e avaliá-los). II. o que validaria a criação de uma gramática textual cujas tarefas seriam. um produto de uma competência linguística social e idealizada. pelo pronome “ela” “fornece ao leitor uma instrução de conexão “gostou muito da linguagem roseana” e o sintagma nominal Karen. condições em que se manifestação a textualidade. teríamos um texto. a partir do texto primeiro).. na tirinha abaixo. [. Embora não haja conectivo. com/2007/08/pescaria. 1973) e Petöfe (1972. sabemos que a relação é adversativa.. Importante observar que. O leitor ou ouvinte estabelecer-se-ia uma relação argumentativa adequada entre esses enunciados. 2013.] Por último consideram que todo falante nativo possui um conhecimento acerca do que seja um texto. os estudiosos concebiam o texto como uma estrutura acabada. estabelecer relações interfrásticas etc. a partir da qual seria possível chegar. O pronome ela é co-referente de Karen. Acesso em 28 out. verificar o que faz com que o texto seja um texto. já que a significação de um texto. Disponível em http://tirinhasdogarfield. avaliar o texto. [. Essa corrente também se interessou pelas relações de sentido entre as frases. 1973. o funcionamento. fatores responsáveis por sua coerência.Linguística Geral Adotando-se uma perspectiva textual. Segundo Momento Sob a influência da gramática gerativa. (BENTES. Há que se destacar a proposta de gramáticas textuais. constitui um todo que e diferente da soma das partes. seus princípios de constituição. perceber se ele está completo ou incompleto.. decorrente dessas atividades. seguindo uma orientação de Weinrich (1971).. resumir.. os critérios para a delimitação de textos e a diferenciação de várias espécies de textos.).] o texto é a unidade linguística mais elevada. segundo Lang (1972). propõe investigar a constituição. [. com ou sem conectivos. no primeiro momento. por diferentes autores. enfim. parafrasear. 1976). 1972). segundo Fávero & Koch (1983).blogspot. por meio de segmentação.

recepção e interpretação dos textos. Os estudiosos ocupam-se das condições externas de produção. devendo se contemplar a sua produção e a recepção. observe os diferentes efeitos de sentidos que podem transcorrer na tirinha abaixo. 2013 3.. ocupam-se do contexto pragmático. acrescenta que Poder-se-ia.gif Acesso em 26 out.2. O texto é considerado um processo. intencional. por sua vez. Disponível em http://www. encontram-se interligados. assim. (KOCH.UAB/Unimontes . a delimitação por interrupções significativas na comunicação. do seu conhecimento de mundo. presentes na superfície textual. p. de modo a permitir aos parceiros. por isso.usp. conceituar o texto. Terceiro Momento O terceiro momento é caracterizado pelo estudo do texto no seu contexto de produção. Estes. pragmática e interacional. A esse propósito. firmando sequências veiculadoras de sentido. não verbal. como uma manifestação verbal constituída de elementos linguísticos selecionados e ordenados pelos falantes durante a atividade verbal. Ela pode ser situacional ou exofórica (isto é. Koch (2000). 2000. que produzirá determinados efeitos de sentidos nos interlocutores. na interação. 44 . ou seja. cultura. mas como um processo que envolve as operações comunicativas. não apenas a depreensão de conteúdos semânticos. pragmática e interacional do texto.. a produção textual é uma atividade verbal consciente. III. os processos linguísticos em situações sociocomunicativas. 2000.1 Coesão e coerência textuais Koch define coesão como o fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos linguísticos. (KOCH. Resumindo. conhecimento de contexto situacional. o status do texto como maior unidade linguística. nea. sociocognitivos e culturais. O texto passa a ser compreendido como um produto não acabado. a partir da linguagem verbal. por meio de recursos também linguísticos.2º Período pectos: uma sequência coerente e consistente de signos linguísticos. Halliday e Hasan (1976) afirmam que a coesão depende de cinco categorias de procedimento: 1. ou seja. [. p. bem como os objetivos de quem produziu esse texto: Figura 36: Charge ► Fonte: Núcleo de Estudos de Educação de Jovens e Adultos e Formação Permanente de Professores. uma prática de ação.1.] como também a interação (ou atuação) de acordo com práticas socioculturais. estarão inseridos em contextos situacionais.22) Koch (Ibid) reitera a função consciente.br/sigepe/informacoes/upload/M3U6%20 coer%C3%AAncia. É uma atividade verbal. a serviço de certos fins sociais. Referência: deve ser entendida como a relação de um signo a um objeto extralinguístico. 35). extratextual) e textual ou endofórica (que subdividem em anafórica e catafórica).fe.

um marco de ousadia. suspensão adequados para estradas com buracos. 2013. vias públicas no Brasil. Promovendo uma leitura de entrelinhas. em Coesão e Coeponível em http://www. deformações. por isso mais prático.br rência textuais. na propaganda. cognitivos. que o Fusca é um carro que não necessita de água. e com estrutura. há. Disponível em www. também. avanço das ciências.Linguística Geral 2. mas um salto gigantesco para a humanidade”. quando Neil Armstrong pisou o solo lunar e disse a célebre frase “um pequeno passo para um homem. Os sentidos do texto estão na correlação dos elementos linguísticos. A substituição pode ser nominal (feita através de nomes. 3. 4. só para citar alguns. autores como Beaugrande & Dressler (1981) defenderão que o texto incoerente é aquele em ◄ Figura 38: O Fusca que o receptor não consegue descobrir uma Fonte: Volkspage. haja vista a imagem e a época em que a propaganda foi produzida: a ida do homem à lua a 20 de julho de 1969. Acesso em 26 out. um contexto sociocultural. A partir da propaganda do Fusca que se segue. isto é. Fávero (2003) apresenta um Acesso em 26 out.Letras Espanhol . conhecimento do conteúdo sociocultural – conhecimentos denominados genericamente por estratégias cognitivas – a leitura de entrelinhas. Léxico: a coesão lexical é a reiteração de itens lexicais idênticos ou que possuem o mesmo referente. O conhecimento partilhado. ou em um sentido mais amplo.com. Substituição: é a colocação de um item no lugar de outro(s) ou até de uma oração inteira. entre conhecimento e universo cognitivo. elementos proadverbiais. 5. inferências e a intertextualidade são requisitos importantes na leitura e compreensão de textos. Fonte: Charge Duke. Com relação à questão da coerência. pronomes. seleção de artigos. indefinidos) ou verbal (verbos). Conjunções: são os elementos conjuntivos entre orações. em um contexto mais amplo. numerais. anáfora. DisVale destacar que. dukechargista. Elipse: é a omissão de um item lexical recuperável pelo contexto. há uma remissão à ida do homem à lua. tirinha em que os interlocutores partilham um mesmo conhecimento de mundo sobre o carnaval: 45 . quadro dos fatores de coesão que é bastante elucidativo e representa um dos estudos de vanguarda sobre a questão. conhecimentos ativados. Para Koch & Travaglia (1990). o que se pode denominar de critérios de textualidade. Abaixo. podemos perceber um contexto imediato e outro mais amplo: Em um contexto mais imediato ressalta-se. socioculturais e interacionais. períodos e parágrafos. uma crítica sobre as condições das estradas. Halliday e Hasan (1976) elencam treze fenômenos estruturais que podem ser considerados fatores de coesão. sucesFigura 37: Charge Duke são dos tempos. E. a textualidade é o que faz do texto uma sequência linguística com uma unidade significativa global.volkspage. continuidade de sentido pela discrepância de net. pronomi▲ nalização. Koch e Travaglia (1990) ainda advertem que uma dada situação comunicativa tanto pode ser entendida em um contexto mais imediato da interação. ou pela inadequação 2013. implícitos.

Saibam que o conhecimento de mundo do receptor se dá por meio de modelos cognitivos globais. tais como: a) frames (mecanismo de armazenagem de conhecimento por computadores. A apresentação teórica desse caderno didático sinaliza para a necessidade de posteriores aprofundamentos e estudos mais detalhados. de maneira sucinta.2. Acesso em 26 out. isto é. com vários propósitos superpostos). uma vez que esse personagem acionou o seu conhecimento particular de mundo. Disponível em http://tiras-hagar. mas tomado de empréstimo para a Linguística Textual. planetagibi. onde o Chico Bento aparecia pela primeira vez. . a Linguística Textual através da menção de alguns dos principais autores. o uso concreto da linguagem. 2013. e) scripts (modos de agir altamente estereotipados em uma dada cultura).html Acesso em 22 out.net/. o sortudo.2º Período Figura 39: Tira do ► Hiroshi e Zezinho. d) cenários (conhecimento de contextos e situações como constituidores do cenário de um texto).UAB/Unimontes . sinaliza para um comportamento/entendimento não esperado. A esse propósito. no ano de l963 Fonte: Planeta Gibi. o que provoca humor na tirinha. o comportamento de Eddie.2 Pragmática 46 Em um primeiro momento. 2013. a Pragmática foi definida como a ciência do uso linguístico. considerando-se os seus usuários e as condições que governam essa prática. que dispostos em sequência ordenada. ligada por relações de proximidade temporal e causalidade. O último quadrinho. a partir do uso da expressão “impor ritmo”.htm. Enfim.blogspot.com/2007_04_01_archive. conceitos e estudos da área. a fala de Eddie. são os modelos globais que contêm o conhecimento comum sobre um conceito primário: natal. esse texto pretendeu apresentar. Figura 40: Tiras do ► Hagar Fonte: Tiras do Hagar. fixos determinados e ordenados. vejam. b) esquemas (modelos cognitivos globais de eventos ou estados. não compartilhando com o conhecimento de mundo de Hagar.). leitores. Disponível em http://www. carnaval imposto de renda etc. são previsíveis. 3. c) planos (modelos de comportamento exibido por pessoas.

1 Correntes da pragmática A Pragmática é conhecida como a ciência que discute. L. Sintaxe . Fonte: Wikipédia. P.ocuparia da relação entre as expressões e seus significados. Sua maior contribuição está no postulado sobre a tríade pragmática.trataria da relação entre essas expressões e seus locutores e locutoras. a Pragmática centraliza os estudos na linguagem. A partir da revisão da noção clássica de verdade.2. queremos que ela seja”. 3. com a evolução de seus trabalhos. a língua na sua produção social. confirma a doutrina pragmática de Peirce. nada mais é que aquilo que todos e todas nós. Peirce. Morris. Pragmática . A seguir. acabaram por migrar para outros campos de estudos. considera-se que a Pragmática americana tem a sua raiz nos estudos semiológicos de James. “já que a verdade. signo. em 1898. Para ampliar os estudos de Austin. objeto e o interpretante. por isso detentora da verdade. situações criativas no processo de uso da linguagem (uso linguístico). o dizer fazendo ou o fazer dizendo. respectivamente. com a publicação de “Foundations of the theory f signs”. Semântica . 3. na sua proposição sobre os Atos de fala. 2004. conceito entendido como a relação entre o que se diz e o que se faz. Decorrente dessa percepção.Linguística Geral Diferente da tradição saussureana. a relação entre o signo. William James defenderá que a pessoa que fala seria a detentora do significado. Austin. numa perspectiva marxista. isto é. como por exemplo. descreve a linguagem em situação de uso. em 1938. Apesar de suas ideias ganharem repercussão somente no Século XX. Pierce. focalizando o conceito de manipulação linguística.). Grice. palavra-chave na compreensão da relação entre mundo e linguagem. considerando a fala. 2013.2. a Semântica Argumentativa e a Análise da Conversação. foi o primeiro a utilizar a palavra pragmatics. as contribuições de J.org/wiki/ Charles_Sanders_Peirce. Morris entra em contato com o círculo de filósofos de Viena e percebe uma proximidade entre os postulados de Pierce e a proposta de Rudolf Carnap em dividir as investigações sobre a linguagem em três campos: ◄ Figura 41: Charles S. William James e Charles W.2.2 O Pragmatismo americano O Filósofo americano Charles S. cunha a palavra pragmatism e inaugura o pragmatismo americano. inseridos/ as numa comunidade. veremos que existem várias correntes dessa teoria. Alguns desses autores. 47 . há que se destacarem os estudos de Mey (1985) que debate o lugar da linguagem na sociedade. Disponível em http:// en. Morris foram os dois principais seguidores de Pierce. Acesso em 22 out. Essa divisão corresponderia à tríade peirceana. assim.wikipedia. isto é.2. Émile Benveniste classifica os atos de fala (ordenar. W. Na Pragmática. p. comandar.53) A grande questão problemática é que James relativiza a noção de verdade. (PINTO. escreve o ensaio “Philosophical coceptions and practical results”.Letras Espanhol .trataria da relação lógica entre as expressões. 3. significado (objeto) e interpretante. 1. a verdade ficaria no terreno do imprevisível: as pessoas sociais. 2. inclusive as inovações. William James a partir das ideias de Peirce. como uma correspondência entre mundo e a palavra. pois duvida da confirmação no mundo. em seu artigo “How to make our ideas clear” (1878). decretar etc. que integraram inicialmente os estudos da Pragmática. Também são referência os autores Oswald Ducrot (francês) e o americano H. levando em consideração os interlocutores e contexto comunicativo.

E. Para exemplificar. Assim. Com a conferência How to do thins with Word. Moore (que assistiu a cursos proferidos por Wittgenstein) faz repercutir esses estudos filosóficos. ao ouvir-se um nativo dizer “gavatai”. Austin. 2004. Quine (1980). Quine dá prosseguimento às ideias de Peirce e de James. poderíamos interpretar esse ato somente de maneira pragmática. Assim. uma atividade construída pelos interlocutores. John Langshaw Austin e Peter Frederick Strawson.55) 3. influenciando Gilbert Ryle. os americanos Donald Davidson e Richard Rorty. acrescentam uma perspectiva historicista aos estudos pragmáticos americanos. elabora a teoria da coerência interna (1986). ao expressar “aqui”. Davidson.com. e Eddie. ao discutir a materialidade e historicidade das palavras.UAB/Unimontes . tem como referência a existência. a partir do dizer. Disponível em http://www. não poderíamos traduzir ao certo. a tirinha abaixo. rompendo com a ideia clássica de verdade e correspondência. ‘parte do coelho’. formata sua teoria. exclamações. (c) A moça subiu a escadaria. sentenças que expressassem comandos. o referente foi interpretado de maneira diferente. pouco importa o valor de verdade. (d) João venceu a luta. Desse modo. ultrapassando a ideia de encontrá-lo no mundo. proferida em 1962 e publicada em 1990. poderíamos traduzir a expressão como ‘coelho’. Dadas as sentenças: 48 (a) Eu ordeno que você cale. uma vez que a expressão “gavatai” não nos traz um referente preciso. para os quais a coerência interna é que sustentaria a interpretação e não a verdade.2. Quine (1968) apresenta uma dada situação linguística: numa pesquisa de campo. falam de algo. a partir dos trabalhos dos filósofos James Dewey e L. ao tratar da noção da referência para o qual determinar o objeto referido por uma expressão seria uma questão séria.2º Período No entanto. o americano Willard V. desejos e concessões. Estes realizam uma afirmação. ‘coelho andando’. Enfim. Wittgenstein. p. Observe. o bar onde eles se encontravam no momento. defenderá que seja qual for a expressão que utilizemos. na qual concebe a linguagem como ação. defende que a referência é impenetrável. se há coerência. sendo respaldada por Rorty (1994). Assim. como a expressão “aqui” é entendida entre os interlocutores: Figura 42: Tiras do ► Hagar Fonte: Tiras do Hagar. . Assim “qualquer uma das atitudes proposicionais do/da falante é verdadeira se ela é coerente com o conjunto de atitudes proposicionais desse/a mesmo/a falante.php?option=com_ content&task=view&id=6 93&Itemid=54 Acesso em 26 out. aqueles realizam ações.2. apontando para um coelho que passa. 2004) Para ampliar os estudos de Quine. procurou refletir sobre a possibilidade de uma teoria que explicasse questões. No entanto. com a sua tese da inescrutabilidade da referência. Hagar. a interpretação/tradução só pode ser feita a partir da prática linguística que o produziu. não é possível determinar a referência. (b) Proclamo-o vencedor.telaquente.br/portal2/ index. (PINTO. 2013.” (PINTO.3 Atos de fala: os estudos de atos de fala propostos por Austin A teoria dos Atos de Fala surge a partir do movimento conhecido como Filosofia Analítica ou Filosofia da Linguagem Ordinária: G. não se pode determiná-la com certeza. por exemplo. Uma distinção importante construída por Austin foram os enunciados performativos e os enunciados constativos.

Linguística Geral Os enunciados (a) e (b) são enunciados performativos porque praticam uma ação enquanto é enunciado. de gênero. atos perlocucionários – aqueles que produzem certos efeitos e consequências sobre os/ as alocutários/as.html Acesso em 24 out. que introduz o conceito de cooperação.2. 3. Pelo contrário. há que de destacar que o próprio Austin. sobre o/a próprio/a locutor/a ou sobre outras pessoas (esses três níveis atuam simultaneamente no enunciado). “Eu estudarei em sua casa hoje” pode provocar agrado. os níveis de ação linguística através dos enunciados: a. de afirmação. “Eu estudarei em sua casa hoje” estaria na ordem de uma promessa e uma afirmação.2. Assim. ▼ O grupo dos estudiosos em Comunicação seria um híbrido das correntes anteriores. entende ou prefere entender como uma indicação de bondade da mulher em lhe poupar das atividades domésticas: ◄ Figura 43: Tiras do Hagar Fonte: Tiras do Hagar. Dada a sentença: Eu estudarei em sua casa hoje. de classe. as regras que deveriam estar presentes no sucesso de todo e qualquer ato de linguagem. É a força que o enunciado produz. tanto uma promessa ou ameaça etc. pela proposição que diz alguma coisa sobre “eu”. que não se atenta à gravidade do desabafo/convocação e crítica de Helga. Disponível em http://tiras-hagar. Disponível em http://capinaremos. que pode ser de pergunta. de raça e de cultura. Nesses estudos. Austin propôs. Veja. atos ilocucionários – aqueles que refletem a posição do/da locutor/a em relação ao que ele/a diz. incluindo as questões sobre as relações sociais. b. destaca a produção de Grice. 2013.blogspot. desagrado. Como consequência. na tirinha abaixo. c. com/2008/01/a-revanche-continua/. Não há nenhuma performatividade.aqueles que dizem alguma coisa.Letras Espanhol . presentes na atividade linguística. ele elabora. desconforto. para o qual a cooperatividade seria requisito imprescindível entre os usuários.4 Estudos da comunicação Figura 44: Tira em Quadrinhos Fonte: Site do Capinaremos. Acesso em 24 out. de promessa etc. depois defende a impossibilidade da distinção constativo-performativo. um exemplo de efeito inusitado da fala de Helga direcionada a Hagar. 49 . ainda. Os enunciados (c) e (d) são enunciados constativos porque realizam uma afirmação de algo que já ocorreu. com renovadas leituras. com forte inspiração marxista. no alocutário. Hagar assume uma atitude cômoda de permanecer sentado e não ajudar a esposa. No entanto. ou seja. uma vez que o constativo nada mais é que um performativo mascarado. Temos um ato locucionário.com/2006_08_01_archive. em 1960. como por exemplo. 2013. um quadro de implicaturas conversacionais. atos locucionários . Importante destacar que os Atos de Fala podem produzir um efeito ambíguo.

fruto da manifestação individual de cada falante. macronível – nível que estuda as fases conversacionais. Emanuel Schegloff e Gail Jefferson. A AC. a Pragmática e a Linguística textual. nível médio . Dismonível em http:// images. isto é. que advém da análise da língua como sistema sincrônico abstrato. o analista ocupa-se dos detalhes e conexões estruturais existentes no processo interativo. . teve origem na década de 1960. o tema central e subtemas da conversação (tópicos da conversação). a conversação deve ser entendida como todas as formas de interação verbal. vivo e dinâmico. a abertura.3 Análise da conversação A Análise da Conversação (AC). isto é. professor/a/aluno/a. a análise da Conversação procura responder “como a linguagem é estruturada para favorecer a conversação”. diferente em Saussure.2. são notórias.investiga o turno conversacional. veja a tirinha: A tirinha exemplifica bem o conflito entre os sexos. Para elucidar. a organização do texto conversacional. b.) As reflexões de Bakthin fornecem bases para a constituição da Análise do Discurso. o signo é sinal inerte. através de cada enunciado.UAB/Unimontes . por esse estudioso. interlocutor é um sujeito ativo na constituição do significado.google.1 Análise do discurso A Análise do discurso é uma área interdisciplinar que retoma os estudos de Saussure para questionar concepção dicotômica entre língua e fala (uma questão problemática. Hilgert (1989) aponta três níveis de enfoque da estrutura conversacional: a. a sequência conversacional. micronível – analisa os elementos internos do ato de fala. os atos de fala e os marcadores conversacionais.2.3. ligada aos estudos sociológicos. Assim. especificamente aos trabalhos de Harold Garfinkel. se realiza a intersubjetividade humana. 3. um exemplo de que relações sociais podem ser percebidas pela linguagem. isto é.blogspot. em que os conflitos sociais (homens/mulheres. sua estrutura sintática. as tomada de turnos. A AC. foi lançada com o livro “A Análise da Conversação” do professor Luiz Antônio Marcuschi. isto é. a valorização da língua no seu aspecto interno. c. a língua é algo concreto.com. ocupar-se-ão da exterioridade da linguagem. A conversação é definida como as formas de interação a que estamos expostas. assim como a Análise do Discurso. Outra contribuição bakthiniana importante está na concepção do signo como dialético. Essas reflexões à valorização da fala. a parte central. o objeto de estudo da linguística é a língua (objeto abstrato e ideal a constituir um sistema sincrônico e homogêneo). em que o tópico central da conversação foi deslocado (por incompreensão) da parte da personagem Eddie o sortudo: Figura 45: Tiras do ► Hagar Fonte: Tiras do Hagar. Basicamente. ou seja. à etnometodologia.br/ images 50 3.) podem ser identificados linguisticamente. com/2006/08/tiras-clssicas. brancos/as/negros/as etc. 2013. A esse propósito. Disponível em http:// tiras-hagar. lexical. Ainda para Bakthin. fonológica e prosódia. PARA SABER MAIS Para Saussure. uma vez que exclui a fala do campo dos estudos linguísticos. Harvey Sacks. veja o exemplo da tirinha abaixo. Ele reitera que o processo de interação verbal constitui realidade fundamental da língua. fechamento.2º Período Seguindo uma linha crítica de Jacob L. para esse genebrino. Mey (1980). interior. Decorrente dessa preocupação. isto é. em nosso país. pois. Assim.html Acesso em 20 out. especialmente por este estudioso considerar que a língua é um fato social cuja existência se funda nas necessidades de comunicação. os pragmaticistas vêem a comunicação como trabalho social.

p. 4. Porém. práticas discursivas. lexicólogo famoso. ao mesmo tempo. a interlocutores concretos. Lacan – com sua leitura das teses de Freud sobre o inconsciente (com formulação de que ele é estruturado por uma linguagem). daqueles que a empregam (é dialógica por natureza). segundo vozes. 1986. memória discursiva.Linguística Geral Resumindo. Materialismo histórico como teoria das formações sociais e duas transformações (compreendida como a teoria das ideologias). Assim. (BAKTHIN. pontos de vista. Para concluir. a linguagem é o lugar em que a ideologia se manifesta concretamente. apontar como referências fundadoras da Análise do Discurso: DICA Para conhecer mais a teoria da Análise do Discurso leia: http://www.2. Em Pecheux (1969). Ambos eram ligados ao Marxismo. Teoria do discurso – determinação histórica dos processos semânticos. Os trabalhos de Jakobson e Benveniste sobre a enunciação também contribuem para a formatação de uma teoria do discurso. 2. é lugar privilegiado para a manifestação da ideologia (Linguagem é o lugar de conflito. a AD é um campo de articulação entre três regiões: 1. não podendo ser estudado fora da sociedade. buscando adaptar-se ao contexto imediato do ato da fala e. Linguística como teoria. de natureza psicanalítica. para Bakthin. e se caracteriza pela plurivalência. Por isso. 2. Essas três regiões são atravessadas e articuladas por uma teoria da subjetividade. Foucault – com a noção de formação discursiva. por Harris. pois. pois comporta um plano linguístico e extralinguístico (o discurso é o ponto de articulação dos processos ideológicos e dos fenômenos linguísticos.3. A partir dessas reflexões foi possível cunhar o termo discurso. seu estudo não pode ser desvinculado de suas condições de produção.Revuz). de confronto ideológico. A linguagem enquanto discurso não constitui universo de signos que serve apenas para comunicação ou suporte de pensamento. Michel Pêcheux publicou o livro “Análise Automática do Discurso” em que inaugura 51 . um lingüista. 1. do livro Discouse Analysis (1952).scielo.scribd. 3. que representa o marco inicial da AD. O Outro revela as relações intrínsecas entre o linguístico e o social.10) Para Bakthin. sobretudo. a palavra é a arena de luta de vozes (põe em evidência a divisão de classes). vemos apresentação de que a AD tem dupla fundação: Jean Dubois. a materialidade para a ideologia se objetivar.). não é neutro. da qual se derivam outros conceitos tais como interdiscursos. com a publicação. 3. a linguagem é interação social. é o lugar privilegiado para a manifestação da ideologia. via Authier. Então. a palavra é o signo ideológico por excelência.Letras Espanhol . dos processos sócio-históricos). em que o Outro desempenha papel fundamental na constituição do significado. 3. vocês precisam saber que o discurso é a interação e um modo social. e Michel Pêcheux. Althusser – com sua releitura das teses marxistas.2 Bases fundadoras da análise do discurso (AD) A década de 50 é considerada decisiva para a constituição de uma Análise do Discurso enquanto disciplina. é.br/ scielo. O percurso que o indivíduo faz da elaboração mental do conteúdo a ser expresso à objetivação externa – a enunciação – desse conteúdo é orientado socialmente. didaticamente. desse modo. dos mecanismos sintáticos e dos processos de enunciação. Assim. reconhecido como uma instância situada fora da dicotomia saussuriana.php?script=sci_ arttext&pid =S01044060 2009000300018 DICA Saiba mais sobre a teoria de Benveniste através dWo link: http://pt. Dito de outro modo. a obra ainda não considera as condições sócio-históricas de produção do discurso. Podemos. retrata as diferentes formas de significar a realidade. pois é produto da interação social. filósofo ligado a Althusser. Bakhtin – fundamento dialógico da linguagem (leva a AD a tratar da heterogeneidade constitutiva do discurso.com/ doc/37365509/EMILE-BENVENISTE-topicos • Michel Pêcheux (fonte primeira) – com a noção de que o discurso é o lugar de enfrentamentos teórico-metodológicos.

2 Segundo pilar – Michel Foucault Em Arqueologia do Saber (1969). para proposição do sujeito como sendo clivado. Em A ordem do discurso (1971). evocando uma teoria linguística. isto é. análise das não coincidências do dizer e outros.2. controles.UAB/Unimontes . Assim. uma teoria da história e uma teoria do sujeito.1 Primeiro pilar: Althusser Althusser defenderá que o modo de produção da vida material determina o social. médicos e jurídicos para verificar os dispositivos de interdições.3.3 Terceiro pilar: Mikhail Bakhtin Na obra Marxismo e Filosofia da linguagem. muito mais impacto nos estudos literários que linguísticos. o Marxismo e a linguística presidiram o nascimento da AD. por conteúdos já colocados para o sujeito universal. o discurso é construído sobre (um “já-lá”. 3.2.4 Quarto pilar: Lacan – formações imaginárias. Assim. pelo discurso do Outro.3.3.2º Período a abordagem transdisciplinar. formas de incorporação do outro à linguagem. sempre atravessadas pelo Outro. de dispersão de sujeitos). com um novo objeto. por isso seria o efeito da linguagem e não o senhor da linguagem.2. interdiscurso.2. Pela perspectiva de Althusser. os dizeres e os fazeres inserem-se em FD. que vigiam o aparecimento. vozes etc. Bakhtin inclui a história e o sujeito nas reflexões sobre a linguagem. simbólico. com nova metodologia. especialmente as noções de intradiscurso. a reflexão sobre alteridade constitutiva da linguagem. nos trabalhos de Authier-Revuz. Dessa forma. No entanto. organizada e redistribuída por procedimentos que visam a eliminar toda e qualquer ameaça a esse poder. cujos elementos são regidos por determinadas regras de formação. dividido. esse filósofo faz a análise de discursos literários. aparelhos ideológicos. Assim. contribuiu para a incorporação de Bakhtin nos estudos da AD. A noção lacaniana é que o inconsciente é uma cadeia de significantes estruturados como linguagem. o inconsciente é o . Pêcheux adotava uma base marxista. a circulação de sentidos na sociedade (daí a ideia de descontinuidade. estabelece a relação língua e ideologia. inicialmente. propõe uma teoria não subjetiva do discurso (não há sujeitos individuais no discurso.3. Dessa base econômica surgem classes sociais (nelas estariam implicadas a ideologia). Foucault define que o discurso é uma prática que provém da formação dos saberes e que se articula com outras práticas não discursivas. conteúdos estabelecidos para/pela memória discursiva). selecionada. Por isso. heterogeneidade do discurso. o discurso _ entendido como uma articulação entre o linguístico e o histórico. éticos. há formas-sujeito produzidas pelo assujeitamento à ideologia).2. 3. a enunciação. intelectual de uma sociedade. carnavalização. político. Pêcheux elabora o conceito de condições de produção do discurso. Assim. a produção do discurso gerador de poder é controlada. já Pêcheux defendia que a AD era modelo sociológico para entender a análise linguística. inconsciente 52 O pensamento lacaniano é pilar da Ad na revisão do conceito de sujeito. A partir dessas ideias.2. as formações ideológicas. entre consciente e inconsciente. Seus estudos têm. 3. que tem o seu estatuto de homogeneidade questionado. isto é. concebendo que o sujeito detém a ilusão de ser o dono do seu discurso (o que ele denomina de efeito do assujeitamento ideológico).2. especialmente os conceitos de cronotopo.2. seria um novo campo. 3. religiosos. Dubois considerava que a AD seria uma continuação da Linguística.

na obra “Elementos de Idéologie”. ilusão.2. abstração e inversão da realidade. ARE (Aparelhos repressores): constituído pelo governo. escola. política. o marcadamente ideológico. O reconhecimento se dá no momento em que o sujeito se insere a si mesmo e as suas ações. Assim. Dessa forma. família. prisões etc. na coesão do grupo: 1. isto é. com o meio ambiente.2. ou seja. Marx e Engels apresentam o conceito com carga semântica negativa. isto é. eliminam-se as condições entre força de produção. por isso era perigosa para a ordem estabelecida. Assim define: a. fundar estratégias do discurso. na constituição do sujeito.Linguística Geral lugar de onde emanam os discursos do pai. A manobra camufladora vai fazer com que o discurso. a ideologia tem existência material nos aparelhos e nas suas práticas. é conceituada como uma atividade científica que procurava analisar a faculdade de pensar ideias. porque a classe dominante faz com que suas ideias passem a serem ideias de todos. que designam o lugar que o destinador e destinatário atribuem a si mesmo e ao outro. os ideólogos não estariam diretamente vinculados à produção material das condições de existência. que vêm a configurar os nossos discursos e identidades. de acordo com essa antevisão do “imaginário” do outro. em Ideologia e aparelhos ideológicos do Estado. tribunais. Por isso. em todo processo discursivo. direito.5 O Conceito de Ideologia na constituição da AD: perpassando por vários conceitos A Ideologia (termo criado pelo filósofo Destuff de Trary (1810). No discurso. a ideologia interpela indivíduos como sujeitos. o sujeito é visto como representações. relações sociais e consciência de classe. podemos compreender que a ideologia não se reduz à função de erro. polícia.3. a imagem que eles fazem de seu próprio lugar e do lugar do Outro. A separação trabalho intelectual e trabalho material é expressão pura da dominação da classe que está no comando. se caracterize pela presença de “lacunas”. “brancos”. 53 . fenômenos naturais que exprimem a relação do corpo humano. as relações entre as posições-sujeito objetivamente definíveis acham-se representadas por uma série de “formações imaginárias”. a função geral da ideologia é mediar na interação social. da mãe. A ideologia é ilusão. o autor defende que a classe dominante gera mecanismos de perpetuação ou de reprodução das condições materiais. Em Althusser (1974). Dito de outra forma. III. IV. a interpelação e o re/conhecimento exercem papel importante no funcionamento de toda ideologia. mentira. AIE (Aparelhos ideológicos): constituído pela religião. O Homem produz/cria formas simbólicas de representação da sua relação com a realidade concreta. 1974. Os sujeitos acham-se representados por uma série de “formações imaginárias”. Então. “silêncios”. sem fundamento objetivo. para os quais as ideologias são centradas na inversão.Letras Espanhol . da lei. exército. que figuram propriedades diferenciais. em práticas reguladas pelos Aparelhos ideológicos (ALTHUSSER. a ideologia representa a relação imaginária de indivíduos com suas reais condições de existência. conceito que nos interessa.. 28). isto é. administração. a ideologia era vista como uma doutrina irrealista e sectária. isto é toda ideologia tem por função constituir indivíduos concretos em sujeitos. A ideologia perpetua um ato fundador inicial e é a distância que separa a memória social de um acontecimento. o desvio de percurso que consiste em partir das ideias para se chegar à realidade. enquanto organismo vivo. II. por exemplo. cultura. sindicato. ideológicas e políticas de exploração. os lugares sociais – espaços ocupados por indivíduos –. p. o emissor pode antecipar as representações do receptor e. a ideologia é instrumento de dominação de classe. pois os teóricos. 3. Para Napoleão. b. Segundo Althusser: I. informação.

UAB/Unimontes - 2º Período
2. A ideologia é dinâmica, é motivadora, impulsiona a práxis social, motivando-a;
3. A ideologia é operatória, ela opera atrás de nós. É a partir dela que pensamos;
4. É devido a esse estatuto não reflexivo e não transparente da ideologia que se vinculou a
ela a noção de dissimulação, de distorção;
5. A ideologia é a conservação e resistência às modificações, pois o novo põe em perigo as bases
estabelecidas pela ideologia.
a. Função de dominação: a ideologia é ligada aos aspectos hierárquicos da organização social, que procura se legitimar por meio de seus sistemas políticos;
b. Função de deformação: O fenômeno ideológico é aquilo que nos faz “tomar a imagem
pelo real, o reflexo pelo original”.
Através de uma noção mais ampla, a ideologia é uma visão/concepção de mundo de uma
determinada sociedade numa determinada circunstância histórica. O estado dos fenômenos da
linguagem e da ideologia é imperante porque está materializada na linguagem.

3.2.3.2.6 Conceito de discurso na constituição da AD

Figura 46: Tirinhas do ►
Gió
Fonte: Tirinhas do Gió.
Disponível em http://fotolog.terra.com.br/tirinhasdogio:232
Acesso em 28 out. 2013.

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Para Foucault, o discurso é dispersão (formado por elementos que não tem princípio de unidade) porque a História não é discurso contínuo (ruptura e descontinuidade), ou seja, o discurso
é um conjunto de enunciados que se remetem a uma mesma formação discursiva, nos seus princípios de regularidades. Assim, a Formação Discursiva (FI) seria a composição de certa regularidade discursiva, de um sistema comum de temas e teorias.
Que relação teria o sujeito e o discurso? Foucault considera que o sujeito é uma função vazia
(um espaço a ser preenchido por diferentes indivíduos que o ocuparão ao formularem o enunciado, por isso deve se rejeitar qualquer concepção unificante do sujeito.)
Assim, só para exemplificar, temos a função sujeito escritor, professor, governador, pai, filho, aluno etc.
O discurso é atravessado pela dispersão do sujeito, em que diversas posições de subjetividade podem manifestar-se, redimensionando o papel desse sujeito no processo da organização da
linguagem, eliminando-o como fonte geradora de significações.
Um enunciado terá uma função de acordo com o espaço ocupado. Um mesmo enunciado
em um romance é diferente no cotidiano: terá função enunciativa diferente de acordo com espaço institucional ocupado.
Para concluir, o discurso, para a AD, é o jogo estratégico e polêmico, não pode ser analisado
simplesmente sob seu aspecto linguístico, mas como jogo estratégico de ação e de reação, de
pergunta e de resposta, de dominação e de esquiva e também como luta.
O discurso é o espaço em que saber e poder se articulam, uma vez que, quem fala, fala de
algum lugar, a partir de um direito reconhecido institucionalmente. Esse discurso, que passa por
verdadeiro, que veicula saber (o saber institucional) é gerador de poder, e é o espaço em que
emergem as significações.
Enfim, sobre a Análise do discurso faz-se relevante assinalar que essa teoria considera a língua como a materialidade do discurso, por isso, as marcas do sujeito estão na língua. O objeto de
estudo da AD é o discurso, por isso, mais que estrutura, o discurso comporta elementos extralinguísticos reveladores das relações de poder e saber entre os sujeitos.

Letras Espanhol - Linguística Geral

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haja vista sua importância no contexto desta disciplina. a linguagem é uma atividade psicológica porque a comunicação está em estreita relação com o pensamento. vimos os tipos de gramática: gramática normativa. gramática reflexiva. E. com a criação da Linguística. a linguagem é social porque é produto de uma necessidade comunicativa e cultural. gramática implícita. Por fim. E. a flexibilidade e capacidade de modificação. Saussure. outra que inclui a subjetividade do falante no conteúdo (função emotiva) e a terceira que foca a atitude do ouvinte (função conativa). Trouxemos à discussão vários pontos na área da Linguística que interessam para nossa formação e para a nossa prática educativa.Linguística Geral Resumo Chegamos ao final da nossa disciplina “Linguística”. gramática geral. gramática comparada. O termo língua natural foi explicado para distinguir as línguas faladas por seres humanos e usadas como instrumento de comunicação daquelas que são linguagens formais construídas. algumas propriedades citadas nas definições foram a arbitrariedade. Neves. Lyons. legitimada enquanto ciência no século XX. molde do pensamento. Outro aspecto apontado foi o caráter cognitivo e social da linguagem. Chomsky. a linguagem é fonte. O conteúdo proposto pelo programa foi dividido em três unidades e subdivididas em subunidades para viabilizar o nosso estudo e nossa compreensão. gramática descritiva. os estudos linguísticos se desenvolviam sob o escopo da Filosofia (Lógica). sendo que a maioria das definições trazem uma visão de que as línguas são sistemas de símbolos projetados para a comunicação. as reflexões e as dicas de estudo foram de suma importância para o aprendizado. gramática contrastiva ou transferencial. de que se fala e com quem se fala. indepedência de estímulo e dependência estrutural. Recorremos a vários autores para que esse Caderno Didático fosse consistente e significativo. é através dos processos mentais que o homem filtra a realidade e conhece o mundo. gramática universal. Mussalim são alguns deles. ainda. Agora já vocês já sabem que a linguagem tem três funções: uma focada no conteúdo ou assunto (função referencial). seguem alguns pontos que merecem destaque. 57 . Estudamos as várias vertentes da Linguística configuradas ao longo da História. Esperamos que ao chegar nesse ponto tenhamos contribuído para reflexões sobre as abordagens linguísticas e seus efeitos para a compreensão da prática comunicativa. Unidade I Ressaltamos a relação entre língua e linguagem. gramática explícita ou teórica. Isto é. elucidamos o antigo interesse do homem pela linguagem. Para fins de sistematização. Fiorin. Sendo assim. gramática histórica. As leituras complementares sugeridas cumpriram o papel de ampliar os estudos e as discussões sobre os nossos temas. Unidade II Vimos a importância de se considerar os movimentos linguísticos para a compreensão do objeto de estudo língua/linguagem. Também. acreditamos que os objetivos propostos na Introdução desse Caderno Didático foram alcançados adequadamente. gramática internalizada. Nesse sentido. ou seja. as pesquisas sobre linguagem se dão através do objeto de estudo da Linguística (a linguagem verbal humana) e métodos próprios. na primeira unidade.Letras Espanhol . Ressaltamos que as atividades propostas. As funções da linguagem foram apresentadas porque todo ato de comunicação é composto por três elementos: quem fala. Na Grécia. Ainda.

sendo concebido como um fenômeno sociocultural. vem impor uma visão menos historicista e estática da língua. porque além de não ser possível. Psicologia. preposição. com a obra Cuso de Linguística Geral. particípio. de modo a facilitar pesquisas futuras. e abordava . concebe a diversidade linguística e inscreve-se nas correntes teóricas de orientações contextuais. retomamos as definições das disciplinas.) propuseram uma organização da gramática vista como a sistematização da língua. pronome. ramificações da linguística. Outro autor que merece destaque é Prisciano. No estruturalismo funcionalista. O estruturalismo norte-americano se configurou por um esquema de processos que conduzem à identificação da gramática de uma língua ou. heterogêneo e. verbo. A partir das contribuições aristotélicas. o que sinaliza para a necessidade de aprofundamentos autônomos por parte do acadêmico. Os gerativistas assumem que a linguagem deve ser entendida como um órgão. os estoicos (séc III a. A Psicolinguística foi. Linguística Textual. Salientamos que é um texto de apresentação. sob forte crítica nos meios intelectuais. A Sociolinguística compreende a questão da relação entre linguagem e sociedade. inicialmente. cada vez mais está em diálogo com outras áreas de saberes. Jakobson. ao gerativismo interessa aspectos inatos da mente/cérebro que gera o conhecimento da língua. Os funcionalistas levam em consideração todas as situações enunciativas. Neolinguística. V e VI d. A seguir. em situações reais de uso. Na sua obra Téchne Grammatiké (A arte da gramática). Para os estruturalistas. então. Psicolinguística. No Brasil. Saussure (1916). a intencionalidade do locutor.2º Período Sob os ensinamentos de Aristóteles (Sec IV a. isto é. particípio. seguidas até hoje pelos gramáticos tradicionais. elementos culturais. descrita e analisada em seu contexto social. uma técnica experimental de coleta de dados brutos. o que significa dizer que seu caráter básico é um reflexo dos genes. possibilitando a ampliação do escopo da Linguística. (obra: Institutiones Grammaticae). em oposição à Fonética. pelo surgimento de novas disciplinas: Sociolinguística. interjeição e conjunção). quando a psique deixa de ser considerada um atributo divino e se torna um atributo humano. artigo. não é nosso propósito. apresentamos autores importantes de cada movimento linguístico. o objeto de estudo da Sociolinguística é a língua falada. O fenômeno linguístico.C. C. continuamente. C. Tem na sua origem a prática interdisciplinar (busca contribuições da Etnologia.) foi o primeiro autor a descrever explicitamente a língua grega. observada. mesmo porque é impossível não mencionar as correntes que serviram de base para os movimentos ligados à enunciação. as relações de poder que se manifestam na e pela linguagem. fundou a disciplina Fonologia. as condições de produção de sentido etc. Unidade III 58 Retomamos brevemente alguns aspectos abordados nas unidades anteriores. Análise da Conversação. a palavra gramática começou a ser utilizada no mundo ocidental. Observamos um crescente interesse nos estudos anátomo-fisiológicos da linguagem e seus distúrbios. em processo de mudanças. surge a Grammatica Portugueza de Julio Ribeiro. pronome. Neolinguística surge no século XIX com o estudo científico do cérebro. e o interesse pela cognição aparece no período do Iluminismo. apresentadas nessa unidade. advérbio. Fica o convite pela busca individual daquilo que representa para você uma inquietação em torno da linguagem. em 1881. advérbio e conjunção. a língua era entendida como um sistema de relações. II-I a. apoiado por Trubetzkoy e Karcevsky. Ao contrário da gramática de superfície em que se mira aspectos fenomenológicos mediados por convenções. por ter elucidado as classes gramaticas (verbo. Não esgotamos as discussões. Pragmática. preposição. Dionísio da Trácia (séc. foram elucidadas as oito classes gramaticas: nome. séc.UAB/Unimontes . Análise do Discurso. as situações sócio-históricas..). Linguística). entre outros. denominada de Psicologia da Linguagem. Dito de outro modo. C. o estruturalismo. Sinalizamos caminhos pelas indicações bibliográficas. por parte tanto da Neolinguística quanto de outras áreas afins.

em um primeiro momento. desenvolvimento de segunda língua. através de cada enunciado. o analista ocupa-se dos detalhes e conexões estruturais existentes no processo interativo. a valorização da fala. Assim. situações criativas no processo de uso da linguagem (uso linguístico). especificamente aos trabalhos de Harold Garfinkel. o uso concreto da linguagem. a Análise da Conversação procura responder “como a linguagem é estruturada para favorecer a conversação”. considerando a fala. A Linguística Textual tem como principal área de interesse o estudo dos processos de produção. por esse estudioso. Emanuel Schegloff e Gail Jefferson. especialmente por esse estudioso considerar que a língua é um fato social cuja existência funda-se nas necessidades de comunicação. isto é. assim a língua é algo concreto.Linguística Geral o relacionamento entre o pensamento. assim como a Análise do Discurso. ligada aos estudos sociológicos. Com essas reflexões. a psicolinguística a ocupa-se de questões tais como: o bilingualismo. A AC. fruto da manifestação individual de cada falante. a Pragmática centraliza os estudos na linguagem. leitura. Harvey Sacks. teoria e metodologia psicolinguística. A Análise da Conversação (AC).Letras Espanhol . E ainda para Bakthin. A Pragmática foi definida. o comportamento e a linguagem.) As reflexões teóricas de Bakthin fornecem bases para a constituição da Análise do Discurso. recepção e interpretação dos textos. Recentemente. discurso. patologia da fala e tradução. Reitera que o processo de interação verbal constitui realidade fundamental da língua. se realiza a intersubjetividade humana. a Pragmática e a Linguística textual. a organização do texto conversacional. interlocutor é um sujeito ativo na constituição do significado. como a ciência do uso linguístico. considerando-se os seus usuários e as condições que governam essa prática. a Linguística textual está na construção de uma linguística para além dos limites da frase. Nesse sentido. grafêmica. isto é. A Análise do Discurso é uma área interdisciplinar que retoma os estudos de Saussure para questionar concepção dicotômica entre língua e fala (uma questão problemática. uma vez que exclui a fala do campo dos estudos linguísticos. ensino de língua estrangeira. linguagem de sinais e comunicação não-verbal. isto é. isto é. teve origem na década de 1960. inclusive as inovações. Esperamos que tenham apreciado o material produzido!!! Bons estudos!!! 59 . Ainda. Basicamente. é notória. o sujeito e a situação de comunicação. a língua na sua produção social. desenvolvimento de primeira língua. à etnometodologia. ocupar-se-a da exterioridade da linguagem.

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BORBA. BAKHTIN. Anna Christina (Orgs) Introdução à linguística 1 – Domínios e fronteiras – 6. Emile. V. Tradução: Eduardo Guimarães et al. São Paulo: ICONE. Gramática. Trad. Ari Pedro. 13. 1993. 1986. Cambridge University Press. Problèmes de linguistique générale. In MUSSALIM Fernanda. ___________A gramática funcional. Noam. Noam. Maria Hlelena de Moura. Introdução à Linguística Moderna. Linguística Textual. Trad. 1989. ed. 245-287 BENVENISTE. (Voloshinov. 14. 2002. Roberto Gomes. 2003. 1986 BALIEIRO JR. Introdução aos estudos linguísticos. São Paulo: Cortez. Campinas: Pontes. 49-75 CHOMSKY. ____. Marxismo e filosofia da Linguagem. ed. São Paulo: UNESP. 1987. 1974. 2006.Linguística Geral Referências Básicas LYONS.171-201 BENTES. 2005. N. São Paulo. 2004. de Eduardo Paiva Raposo. Anna Christina (Orgs) Introdução à linguística 1 – Domínios e fronteiras – 6. ensino. Campinas: Pontes. Introdução a análise do discurso. p. Francisco da Silva. Gramática de usos do Português. __________. ____. RAMANZINI. N. Edição brasileira: Problemas de Linguística Geral II. O conhecimento da língua. Gallimard. São Paulo. 1996. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília. Linguagem e Linguística: uma introdução. In MUSSALIM Fernanda. CHOMSKY.. Anna Christina. ed. São Paulo: Cortez. Psicolinguística. M. In MUSSALIM Fernanda. CAMPINAS: Pontes. 2. São Paulo: Martins Fontes. Maria Helena Nagamine. BRANDÃO. In MUSSALIM Fernanda. BENTES. Marxismo e filosofia da Linguagem. BENTES. p. Lisboa: Presença. História. Rio de janeiro: LTC. New horizons in the study of language and mind. Haroldo. Sociolinguística: Parte II. de Eduardo Paiva Raposo. SP: Editora da Unicamp. BAKHTIN. p. teoria e análise. 2006. São Paulo: Cortez. (Voloshinov. 1998. Anna Christina (Orgs) Introdução à linguística 1 – Domínios e fronteiras – 6. Louis. Lisboa: Caminho. Hucitec. ed. de Lúcia Lobato. Francisco da Silva. Trad. 2000. CAMACHO. . Tânia. Hucitec. São Paulo:Contexto. 2006. Lisboa: Caminho. BENTES. ed. origem e uso. São Paulo: Cortez. 2000. Introdução aos estudos linguísticos. Linguagem e mente: pensamentos atuais sobre antigos problemas. BORBA. 61 . 1996. John. origem e uso. Ideologia e aparelhos ideológicos do Estado. NEVES. 2. V. Complementares ALKMIM. O conhecimento da língua. 21-47 ALTHUSSER. Paris. M. ed. sua natureza.. Campinas. p.Letras Espanhol . 1997. 1990. Sociolinguística: Parte I. Anna Christina (Orgs) Introdução à linguística 2 – Domínios e fronteiras – 4. BENTES. sua natureza. 1974.

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br/charges-engracadas-de-educacao-ensino-critica-alunos-e-professores/. 2013.xpg. ao mostrar a relação contraditória entre o diploma e rolo de cabelo. A tirinha acima nos permite interpretar que a imagem. 2013.Linguística Geral Atividades de Aprendizagem . e depois teça algumas considerações sobre a contribuição desse tipo de análise interpretativa para a prática de leitura e interpretação no contexto escolar. Disponível em: http:// www.AA 1) Analise a seguinte charge. analise as afirmativas abaixo: ◄ Figura 48: Charge 2 Fonte: Essas & Outras. com.essaseoutras. Disponível em: http:// www. ressalta a diferença entre a mulher diplomada (moderna) e a dona de casa sem diploma (tradicional). Acesso em 28 out.br/charges-engracadas-de-educacao-ensino-critica-alunos-e-professores/. I.com. ◄ Figura 47: Charge 1 Fonte: Essas & Outras. 2) Leia o texto abaixo e responda: A coerência está necessariamente ligada à coesão? A pesca O anil O anzol O azul O silêncio O tempo O peixe A agulha Vertical Mergulha A água A linha A espuma O tempo A âncora O peixe A garganta A âncora O peixe A boca O arranco O rasgão Aberta a água Aberta a chaga Aberto o anzol Aquilíneo Ágil claro Estabanado O peixe a areia O sol (Afonso Romano de Sant‘anna) 3) Sobre a tirinha abaixo. 63 . xpg.essaseoutras.Letras Espanhol . Acesso em 28 out. na perspectiva da Análise do Discurso.

5. 1. as formações discursivas etc.Regularidade ( ) Diante do fato de que a língua serve para comunicar e que só há comunicação se houver troca. Assinale a alternativa CORRETA. considerando as posições-sujeitos. independementemente de já tê-la ouvido ou produzido anteriormente.Produtividade ( ) São os vários modos através dos quais a língua significa. O efeito humorístico da tirinha é produzido ao mostrar o desapontamento no olhar de Mafalda para o papel da mãe. 5) Sobre as características da linguagem. então.Multimodalidade 64 ( .com. como falantes. significar a partir de elementos que representam a realidade. ao usar a língua. analise a seguinte constatação “O discurso é o jogo polêmico em que as relações de poder e saber se articulam”. I. a qualquer momento. II e IIII são verdadeiras. Figura 49: Charge 3 ► Fonte: www.2º Período II.Intencionalidade ( ) Essa recorrência é possível porque a linguagem se manifesta. 3. pelo locutor. os valores ideológico-culturais. A tirinha apresenta uma oposição entre donas de casa que se limitam ao trabalho doméstico e aos cuidados com a beleza (discurso machista) e aquelas que procuram fora de casa outros meios de aperfeiçoamento pessoal e profissional (discurso feminista). A tirinha nos permite compreender que a relação de sentido entre o diploma e a beleza insere a polêmica sobre a liberdade através da emancipação feminina. faça uma análise discursiva da tirinha. Especificamente. há sempre um objetivo estabelecido. 4.UAB/Unimontes . A) B) C) D) E) a proposição I É a única verdadeira.googleimagens. interação entre falantes. 4) Na tirinha abaixo. 2. Acesso em 30 out. ) A linguagem permite produzir um número infinito de mensagens. 6. 2013. mas esses elementos não constituem a realidade em si. Todas as proposições são verdadeiras. IV. Nenhuma proposição está correta. por isso. A tirinha contrasta.Disponível: Google Imagens.Simbolização ( ) É responsável pela complexidade da organização gramatical e é possível pelo caráter linear da mensagem linguística. se estrutura por meio de sistemas linguísticos que são conjuntos organizados e internamente coerentes. As proposições II e III são verdadeiras. a tradição do trabalho doméstico e a expansão do trabalho para as mulheres. numere a 2ª COLUNA de acordo com a 1ª. III.br. a mensagem que desejamos. conseguimos produzir.Articulação ( ) Diz respeito ao fato de a linguagem funcionar.

( ) Analisa como a linguagem é estruturada para favorecer a conversação. objetivos. como se organiza. psicologia cognitiva.Análise do Discurso 5. temos os movimentos linguísticos que se distinguem. dados seus interesses. neuropsicologia. Nessa perspectiva. à Sociolinguística.Psicolinguística ( ) Analisa o uso concreto da linguagem.Linguística Geral 6) Na história da linguística. ( ) Interessa o estudo do processamento normal ou patológico da linguagem por meio de modelos elaborados pela linguística e pelas neurociências. e estudo dos aspectos éticos e socioculturais relacionados ao contexto patológico.Análise da Conversação 4. 7) A partir da charge abaixo. isto é. com/search?updatedmin=2007-0101T00%3A00%3A0002%3A00&updatedmax=2008-0101T00%3A00%3A0002%3A00&max-results=50. Disponível em http:// blogdolute. análise linguística e experimentação psicológica como critério de analise. 65 . nível médio e no micronível. responda: a.Pragmática 3. ( ) Tem o seu foco na interação entre as estruturas linguísticas e o processamento mental. distinga o estruturalismo do gerativismo. como é a estruturação conversacional no macronível. 8) Faça a correlação das áreas de estudo às proposições adequadas: 1. conflitos sociais. ( ) Considera como parte constitutiva do sentido o contexto histórico social. Acesso em 04 nov. Podemos considerar que a enunciação abaixo constitui um texto? E que aspectos linguísticos dessa charge poderiam interessar à Pragmática.blogspot. pelo estudo sobre a sustentação ou comprovação dos estados patológicos do/no funcionamento da linguagem.Letras Espanhol . os processos ideológicos resultantes de embates. estudo sobre os processos alternativos de significação verbal ou não verbal dos sujeitos afetados por patologias cerebrais. isto é. à Linguística Textual e à Análise do discurso? ◄ Figura 50: Charge 4 Jornal Hoje em Dia. 2013. métodos de estudo. considerando seus usuários na prática linguística e as condições que governam essa prática. modo de compreender a língua(gem) etc. cognitivas ou sensoriais.Neolinguística 2. cognitivo e análise do metadiscursos clínico-médico sobre as patologias e as orientações de condutas terapêuticas.

B) ( ) O nome linguagem é dado somente para a comunicação não verbal. A) B) C) D) E) ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) A proposição I é a única verdadeira. cores ou odores. produções vocais etc. C) ( ) O termo linguagem se aplica à aptidão humana de associar uma cadeia sonora (voz) produzida pelo aparelho fonador a um conteúdo significativo (significado) e naõ usar o resultado dessa associação para interagir socialmente. As proposições I e III são verdadeiras. IV e V são verdadeiras. II. E) ( ) A comunicação só é possível porque o ser humano possui um código linguístico. Foucault contribuiu com a noção de formação discursiva da qual deriva conceitos. II e IIII são verdadeiras. marque as opções VERDADEIRAS. música. Lacan contribuiu com sua leitura das teses de Marx sobre a divisão de classes sociais e de poder no estado. D) ( ) A comunicação só é possível porque há um locutor e um interlocutor. IV. com o desenvolvimento da noção de sujeito. Althusser contribuiu com sua releitura das teses psicanalistas. Marque a alternativa CORRETA. I. As proposições II e III são verdadeiras. As proposições I. práticas discursivas. A) ( ) Os meios utilizados para a comunicação variam muito: gestos. Bakhtin contribuiu com o fundamento dialógico da linguagem que leva a AD a tratar da heterogeneidade constitutiva do discurso. encenação. tatuagens. V. As proposições II.UAB/Unimontes . cores. dança das abelhas. 10) Entre as afirmações abaixo. Michel Pêcheux contribuiu com a noção de que o discurso é o lugar de enfrentamentos teórico-metodológicos. 66 . dança. roupa. III.2º Período 9) Leia algumas afirmativas sobre os autores fundadores da Análise do Discurso e faça o que se pede. memória discursiva. tais como: interdiscursos.