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CORRELACIONANDO ORAÇÕES NA LÍNGUA PORTUGUESA

MARCELO MÓDOLO1
UNICAMP/ FAPESP
Será que as orações na língua portuguesa se relacionam apenas por coordenação e
subordinação? Na prática da análise, essas definições são precárias e insuficientes
para correlacionar orações.

Para aproveitar bem este texto, você deverá, antes, ler estes aqui, igualmente
disponibilizados neste Portal: o que é uma oração (“Refletindo sobre a língua portuguesa”),
de que modo as orações se relacionam (“Combinando orações”, “Coordenando orações”,
“Subordinando orações”).
Este texto focaliza um tipo especial de combinação de orações, a correlação.
Índice:
1. Será verdade que as orações se relacionam apenas por coordenação e subordinação?
2. Como se formam os pares correlativos no português
2.1 Correlata aditiva
2.2 Correlata alternativa
2.3 Correlata comparativa
2.4 Correlata consecutiva
2.5 Correlata proporcional
2.6 Correlata equiparativa
2.7 Correlata hipotética
2.8 Correlata diferençativa
3. Como se constroem os pares correlativos no português?
3.1 Correlação formada pela repetição do mesmo elemento conjuntivo: correlatas
espelhadas
3.2 Correlação formada pela repetição de elementos conjuntivos distintos: correlatas
não-espelhadas
1

Pós-doutorando no Departamento de Lingüística, Instituto de Estudos da Linguagem, Unicamp. Caixa Postal
6045, CEP 13084-971, Campinas, SP. E-mails do autor <modolo@usp.br>, <marcelomodolo@hotmail.com>;
Bolsista Fapesp de Pós-Doutorado, proc. nº. 2005/00483-5 .

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4. Para saber um pouco mais sobre as construções correlativas
5. Glossário
1. Será verdade que as orações se relacionam apenas por coordenação e
subordinação?

As gramáticas do português costumam definir a coordenação como a relação sintática entre
duas orações independentes e a subordinação como a relação sintática em que uma oração
subordinada completa o sentido de uma outra, chamada principal.
Assim, são coordenadas orações como
1. Erasmo chegou, tomou café e saiu,
e subordinada a segunda oração de

2. Erasmo disse que não vai mais tomar café.

Definições como essas são precárias, quando aplicadas à prática de análise. Em primeiro
lugar, porque o conceito de independência entre orações coordenadas é bastante discutível:
“independentes” segundo quais critérios? Em uma seqüência como (1), seriam realmente
independentes as três orações?

Em segundo lugar, a divisão entre coordenação e subordinação não é precisa, basta ver, por
exemplo, a confusão que muitos compêndios fazem com as orações tidas como
coordenadas explicativas e as subordinadas causais. O mesmo acontece na classificação dos
pares correlativos, que são classificados tradicionalmente entre as coordenadas e as
subordinadas, como neste exemplo:

2

Orações como (3) e (4) não podem ser consideradas nem coordenadas (pois não são independentes umas de outras). Sejam os seguintes os exemplos de correlação: 3 . E agora? Uma proposta mais coerente será substituir a dicotomia* coordenação e subordinação por um continuum*. Como se formam os pares correlativos no português Os estudos sintáticos registram dois tipos de ligação: a coordenação e a subordinação. Como se formam os pares correlativos no português. A coordenação e a subordinação ligam em geral (i) constituintes* de um sintagma*. 5. Erasmo tomou o café tão depressa que até engasgou. 2. Referências Bibliográficas. assim como tem feito vários autores de vertente funcionalista*. Ele está assim organizado: 1. e (iii) uma oração a outra. 4.3. Para saber um pouco mais sobre as construções correlativas “e”. 4. operadas geralmente por conjunções. 2. (ii) um sintagma a outro. a correlação é entendida como uma etapa intermediária recortando esse continuum e dividindo propriedades ora com as coordenadas. Como se constroem os pares correlativos no português. nem subordinadas (pois não são dependentes). Erasmo não só chegou como também tomou café. Assim teríamos: Coordenação Correlação Subordinação É de correlação que este texto trata. ora com as subordinadas. Nesse sentido. 3. Aspectos funcionais dos pares correlativos no português.

para a própria transformação dos livros didáticos (. século e metade do século ao qual o texto corresponde (1ª. ou 2ª metade). seja porque pouca gente tem melhores condições de negociá-lo do que o novo ministro da Fazenda. "Hoje eu tenho mais medo de economista do que de general." [SP/SP FSP 20 2].." [SP/SP FSP 20 2]." [SP/SP JT 20 2]2.). 4 . — Correlação comparativa 8.— Correlação aditiva 5. — Correlação alternativa 6. 2 As siglas entre colchetes — que acompanham os exemplos — informam: estado e cidade. "Ao obrigar a rede de 2º grau a preparar seus alunos para essas provas. — Correlação consecutiva 7. seja porque existe uma predisposição da sociedade nesse sentido. "Dona ministra e sua coleção de escudeiras capricharam tanto para a coletiva que a mistura de perfumes deixou a galera mareada. também. "Agora tudo indica que Fernando Henrique terá condições de obter o apoio político necessário. iniciais do nome do jornal." [SP/SP FSP 20 2].. a UNICAMP deu uma contribuição decisiva não só para a renovação pedagógica nos bons colégios públicos e privados mas.

Já em (6). pois há soma de dois complementos nominais de contribuição: "contribuição decisiva para a renovação pedagógica nos colégios públicos e privados" e "(contribuição) para a própria transformação dos livros didáticos (. a omissão de que tornaria a oração agramatical: (3b) * “Dona ministra e sua coleção de escudeiras capricharam tanto para a coletiva a mistura de perfumes deixou a galera mareada.. a conjunção que. interligando-se pelas conjunções. o que se comprova pela agramaticalidade* de (7a).. tenho uma correlação aditiva. na segunda. paralelas. em que omiti tanto3: (7a)* "Dona ministra e sua coleção de escudeiras capricharam para a coletiva que a mistura de perfumes deixou a galera mareada.” 4 Provavelmente essa oração seria gramatical na fala.As seguintes observações podem ser feitas sobre esses exemplos: Em (5). em que observo duas orações de estruturas iguais. Essa correlação é dada pelas expressões não só e mas também.seja.)”... que preservam sua integridade semântica. 5 . por conta de uma prosódia* distinta que seria possível imprimir a esse enunciado. vê-se que a primeira oração encerra o advérbio tanto. a correlação alternativa é sugerida pelas conjunções seja. Analisando (7). mas que não são sintaticamente autônomas. que exige."4 3 Do mesmo modo. obrigatoriamente.

mas também. seja. vejo que a oração (8). em que o advérbio mais funciona como o primeiro termo da comparação.. (7) e (8) mostram um tipo de conexão feito com dois elementos. (6). pois não há dependência de uma à outra. tanto. e diferente da subordinação. exigindo seu correlato do que. A omissão do sintagma verbal na segunda oração é fato comumente aceito na análise sintática do português. ausência ou forma assumida por um segundo elemento. No caso. conseqüentemente... Finalizando os comentários aos exemplos. isto é.. A interdependência sintática tem sido destacada na literatura como o traço característico da correlação. a estrutura das duas orações que se correlacionam está estreitamente vinculada por expressões conectivas. estabelecem um encadeamento indissolúvel. diferente da conexão por coordenação.que e mais. as conjunções: não só.seja. Assim. as orações (5). de que deriva em (7) a noção de conseqüência.do que. figurando este numa oração cujo sintagma verbal é normalmente omitido.Vê-se que tanto e que. como salientou BLANCHE BENVENISTE (1997: 100): 6 . Nos casos de dependência. Desse modo.. as orações correlatas exemplificam uma relação de interdependência... a presença ou ausência de um elemento ou a forma que ele assume num determinado ponto da oração está diretamente ligadas à presença. num outro ponto da oração. pois não há independência sintática entre as orações. Entendo aqui por dependência a ligação gramatical entre dois ou mais pontos diferentes em uma oração..

as duas partes são mutuamente dependentes : Ora ele chora." (Tradução minha. estabelecendo coesão entre orações e sintagmas. pode eventualmente ser utilizado como tal. interdependência. 2. A correlação exerce aí um papel importante."Em uma correlação. segundo o exemplo: (9) Não só Marilda socorreu a pobre família. e aparece principalmente nos textos enfáticos. Ora ele ri. 7 . muito mais do que por informarem com objetividade os acontecimentos.. seguindo a classificação adotada acima. a defesa de posições... ora ele ri. observo que a operação de adição realiza-se da seguinte maneira.. quando descreveu a correlação comparativa: "Correlação é um processo mais complexo em que há.) MELO (1954: 121) tinha ido nessa mesma direção.1 Correlata aditiva Tomando a construção não só. a intensificação de um dos membros da frase. vou concentrar-me nos aspectos funcionais dos pares correlativos. Dizer uma parte sem a outra faz o efeito de um enunciado interrompido. mas também adotou as duas órfãs. a busca de apoio. neste processo. é de uso relativamente freqüente quando se trata de emprestar vigor a um raciocínio. pois concorre para que se destaquem as opiniões expressas. A seguir. Dá-se. Nesse sentido.. a correlação. sempre conjuncional.mas também como o par mais prototípico*. intensificação que pede um termo" (de comparação). de certo modo.

. não só.. catalogadas por CHEDIAK (1971).. não somente. essa ainda com nítido valor etimológico de inclusão.senão... certas conjunções que encabeçam a segunda oração estão correlacionadas com expressões adverbiais de focalização da primeira oração. valores secundários de inclusão de indivíduos/ objetos em um conjunto.mas até.. conforme os exemplos: (10) Contrataremos mais trabalhadores para a indústria.. Os operadores dessa ligação são o advérbio de focalização* “só” e a conjunção “mas”. Relembro que mas deriva do advérbio latino magis. não só.como... não só. podemos ter as seguintes possibilidades de formação....mas ainda.A expressão não só da primeira oração é “denotativa negativa de restrição”. cujo valor semântico de base era estabelecer comparações de quantidades e de qualidades.. o falante é forçado a iniciar a segunda pela expressão mas também “denotativa de inclusão”. não somente.. não só. ainda.porém..mas.porém. não só.... (11) Ele tem mais bugigangas do que seu pai.. não só. ii) constituído de duas partículas na segunda parte correlacionada: não só . Assim. não somente. identificando-se nele....mas.senão. Assim. quando se inicia a primeira oração por não só.também.. não só. não somente. em textos de várias épocas: i) constituído de uma única partícula na segunda parte correlacionada: não só.como... no par correlativo aditivo.. Para as correlativas aditivas.senão 8 .mas também.

...... não somente.já. não somente..porém também.. seja.. iv) o termo intensificador interferindo no primeiro elemento da correlação: não tão somente.senão também.porém também... não só.que também. já se ri. não somente. não somente..nem. quer para exprimir a incompatibilidade dos conceitos envolvidos...como também...porém sim.... nem. (15) Já chora.quanto).que 9 .. ou. não só.. onde meu irmão tem uma casa de veraneio.mas até. uma superioridade (mais.. não só.ou. quer..seja. de três partículas na segunda parte correlacionada: não só.. não somente...... não somente..que ou do que). Há sempre uma única partícula compondo os elementos que se correlacionam: já. já se enfurece. não somente.mas.mas também. 2. quer para exprimir a equivalência deles. conforme os exemplos: (12) Quer chova.. (Camões) O quadro de opções formacionais das correlativas alternativas é reduzido.. quer faça sol.....senão que também. não só..senão que também..2 Correlata alternativa Basicamente.senão que.também. não somente...senão ainda. não só.. iii) constituída. irei à Ilha Bela.senão que..ora.quer. 2..3 Correlata comparativa A comparação correlativa pode manifestar-se estabelecendo uma igualdade (tanto. ora.mas ainda... esse tipo de conexão interliga as unidades correlacionadas matizando-as de um valor alternativo... uma inferioridade (menos... por cruzamento sintático.senão ainda. não tão somente..

enquanto a segunda oração também traz um membro destacado por meio de uma marca formal.mas também.) (18) Vós a conheceis tão bem quanto eu.ou do que) entre duas realidades ou conceitos. (AGP) Apud NEVES (2000: 898) (“Mais” intensificador de “importa”. da mesma natureza que o primeiro. a voz agora menos agressiva que antes. (AC) Apud NEVES (2000: 899) (“Mais” quantificador de “coragem”. 10 .) ii) Na primeira oração um termo é destacado. implicando uma adição correlativa do tipo não só. por uma marca formal. Tais construções são sempre de igualdade. como primeiro membro de um cotejo. que se soma a uma comparação. Nesse tipo de comparativas.) (19) Tenho mais coragem do que muito homem safado. A tipologia das correlativas comparativas é rica e variada. (REP) Apud NEVES (2000: 898) (“Menos” intensificador de “agressiva”. enquanto na segunda oração há apenas um segundo termo da comparação. (CAR-O) Apud NEVES (2000: 899) (“Tão” intensificador de “bem”..) (17) Afinal quem é este Madruga. encontramos basicamente duas construções: i) Na primeira oração há intensificação* relativa de um processo (verbo). de uma circunstância (advérbio) ou quantificação* relativa de um elemento (substantivo). Exs. de uma qualidade (adjetivo). conforme se pode atestar pelo quadro coletado por CHEDIAK. o segundo membro do cotejo (da mesma natureza que o primeiro)..: (16) Tecnologia importa mais que capital. que segue mais abaixo.

quão.como..quamanho.. tão.. quanto mais.tal..quanto. tal. tão.quanto. quanto maior.......da mesma arte. poderíamos ter com (20a) a idéia de adição: (10a) Não só Dozinho como também Rodopião tinham morrido por vaidade Igualmente para as correlativas comparativas. outro...assim...também.....quão.... tanto mais.tanto.tal..quanto. como.tanto... assim como.qual. tamanho.. quanto menos..como.. tão. também catalogadas por CHEDIAK (1971) em textos de várias épocas: i) Os esquemas que realizam a igualdade podem apresentar-se com um só elemento em cada membro. assim.... quanto. como.como.. assim....desta arte. tal. quão..tão..quanto.tão.eis.desta arte...melhor.. quão.desta guisa... qual. tanto menos. tão..... bem como. (ANB) Apud NEVES (2000: 899) Assim...tal.. 11 ......desta arte.. assim como.quanto. quanto menos.. assim.. tamanho..tal.que.qual.que. tal. quanto mais.desta arte... qual. assim..senão.. bem como..como.... assim.mais. tão... tão... qual.que.como.. tanto.deste modo.... qual.tanto. temos as seguintes possibilidades de formação...... outro.assim. qual......assim. assim... qual.. tão... outro..... tamanho.menos.como.assim.que...menos.. tanto.mais. como nestas combinações: assim. ii) Ou com dois elementos no primeiro membro e um no segundo: assim como..que... como.assim..(20) Tanto Dozinho quanto Rodopião tinham morrido por vaidade.qual.. tanto. tal... quanto.como.assim. tanto... tanto....mais..

. mais. quanto mais.tanto menos.de que...que.... menos.tanto mais.tanto pior. que formam o paralelismo dos esquemas de comparação de igualdade: assim como.iii) Ou ainda... quanto maior.de.. que ele publicou o artigo.. mais.de que. o esquema menos produtivo de todos: mais.. melhor. tanto menos.tanto menor.quanto mais.tanto menos..... tanto mais. quanto mais.assim também.... antes.quanto menos. quanto.tanto maior...de.. mais.que. Ex.que. quanto menos..4 Correlata consecutiva A construção mais prototípica é tanto.tanto mais...... Essa ênfase é representada por meio do advérbio intensificador tanto..do que.. tanto mais. Esse intensificador 12 .... a conseqüência resulta de uma ênfase referida ao fato causador.... também são numerosos os tipos de membros pares.....do que.assim também.: (21) Tanto o incentivei....... quanto melhor.tanto menos..que. mas..tanto mor.assim também.. A segunda oração “que ele publicou o artigo” exprime a conseqüência de outro fato dado como causa.. antes . 2.....quanto mais.do que.de que.. quanto melhor. quanto mais...quanto menos. iv) Entretanto. antes. quanto mais. menos. quanto mor. v) Para as comparativas de superioridade e de inferioridade teríamos as seguintes possibilidades: mais..tanto mais.tanto mais. quanto menor. quanto mor. com um elemento no primeiro e dois no segundo... qual. menos. antes. menos.....de.. bem como..tanto pior..quanto mais.

Sem ele.que.. de tal sorte. o advérbio tal pode ser elidido: de feição.constitui o primeiro termo da correlação.que. lat.. elevado. assim e.que.a. quam magnu 'quão grande'.. também catalogadas por CHEDIAK (1971) em textos de várias épocas: i) A correlação consecutiva apresenta normalmente como primeiro elemento conjuntivo tanto. ver mag-. iii) Às vezes... de sorte. por tal guisa. de guisa. tão. podemos ter as seguintes possibilidades de formação..... substantivo ou advérbio.que. por forma.. ii) Formas substantivas entram na composição do primeiro membro da consecutiva. de forma.. por modo.: (22) Ele se mostrou tão carinhoso... (23) Declamou com tanta graça. como segundo a conjunção que..que.. Exs. quamanho5.que...que.. não há como prender a segunda oração à primeira. de tal feição. com o elemento tal claro. comp....que... de jeito.que.. sXIV quamanho. Igualmente para as correlativas consecutivas....que. alto'. que os deliciou. em tal maneira. mas também a adjetivo. por tal figura... de maneira.que.que. sXV camanhas 13 .que. pode ligar-se ao verbo. de modo. tal.que. quão.um 'grande.. 5 Segundo HOUAISS (2001): snt. tamanho. de quam 'quanto... sXIII quamanna. como' e de magnus. que a todos agradou. por maneira. sXIV quamanha. como no exemplo acima. f.que. que a todos comoveu.que. antecedido de preposição: de tal arte.hist. O intensificador. (24) Discursou tão bem. além disso.

340) p. pág. a correlação equiparativa acontece quando o segundo termo é posto à altura do primeiro. está a noção conformativa. 2. Sermões.7 Correlata hipotética São construídas apenas com um elemento conjuntivo em cada membro..2. implicando “um acordo” entre as asserções das duas orações correlacionadas. tanto mais conflitantes elas lhe iam parecendo. 14 .. no mesmo pé de igualdade: (26) “Assim como nas matérias do sexto mandamento teologicamente não há mínimos. A tipologia resume-se apenas a “se. Ex.5 Correlata proporcional Sobrepondo-se à noção de proporção. III. então de onde vinha? (ANA) Apud NEVES (2000: 837) Nesses casos.: (27) Se não vinha da Itália. a natureza factual da construção condicional vem realçada por um elemento conclusivo/ resumitivo (então) que ocorre na segunda oração. assim os deve não haver politicamente nas matérias do sétimo.: (25) Quanto mais conhecimento o cético adquiria das filosofias. (CET) Apud NEVES (2000: 928) OITICICA (1952: 29) rotulou tais construções de quantitativas progressivas.então”.6 Correlata equiparativa Segundo MELO (1954). Ex. 127” 2. (Vieira.

. pelo menos figura a par dos mais importantes. e ambas escriptas no senlido(sic) liberal.ora.. se não é o primeiro desta capital. que um muito estimavel. e o segundo como menos importante mas certo. sei que tudo que d’ali sahe é preparado com o maior escrupulo. seja.ou. que possue.) [RJ/RJ RB 19 2] 3.. quer.ao menos.2. ou pelo menos” apresenta o primeiro termo como mais importante mas negado.. é senão o seu Redactor.. 15 . e filantropo habitante de São João d’ElRey que ja deu áquella Villa a Biblioteca. Louvores lhe sejão dados.. quando formadas por elementos conjuncionais distintos. (28) A Provincia de Minas Geraes ja conta duas Folhas Periodicas. Não nos parece mal escripto o — Astro de Minas.nem.. repetindo-se os mesmos elementos conjuncionais e ii) não-espelhadas.8 Correlata diferençativa Esse par correlativo “senão.... e sabemos.quer. que.seja.. as correlações constroem-se de duas maneiras: i) espelhadas. ora... nem. conhecendo intimamente o laboratório do Senhor Carneiro. 3. (. Como se constroem os pares correlativos no português? Formalmente.. indubitável..já. ao menos seu protector. ou. [SP/SP FP 19 1] (29) E finalmente porque.1 Correlação formada pela repetição do mesmo elemento conjuntivo: correlatas espelhadas Todas as correlatas alternativas formam-se por espelhamento: já..

(.tanto.assim.. com a espada desembainhada! [PE/RE DP 19 2] Há também correlatas comparativas de igualdade.. sejam as discordâncias ligeiras.) [MG/OP OU 19 1] (32) Rogamos á Soares de Souza que se digne indicar quaes forão essas ameaças.... [ilegível] da arbitrariedade. já quanto aos assumptos da ordem publica a que aborda.KURY (1997: 68) (2) Sejas tu ou seja eu.) [SP/SP FP 19 1] (31) O Senhor Bicalho até certa epocha se limitava á escrever cartas com xoradeiras aos collectores pedindo votos para seus amos ora affagando.. seja6 dada entre os assomos d’essa heroica loucura que se chama suicidio.. e odio ás novas instituições. MIRA MATEUS et alii (2003: 566) (3) Fossem amoras (ou). a moléstia atacava tudo o que era fruto.. qual.qual. nem deu jamais provas. sejam de peso. quem. como cahem os bravos. fossem pêssegos. que ficou aqui uma vez muito escandalizado e espantado de que se dessem Vivas á Liberdade:(.. [SP/SP CP 19 2] (33) Seja sua queda dada entre as mãos dos alliados. pois temos certeza de jamais haver ameaçado quer à sua pessoa quer à sua entidade. Essa locução conjuntiva ainda se apresenta em processo de gramaticalização (cristalização) e.: (1) Sempre discordam de tudo. e o tyrano cahirá. ignorancia. [SP/SP AP 19 2] Menos o Chefe do Batalhão.. MIRA MATEUS et alii (2003: 566) 6 16 . com caráter verbal marcado. que se formam por espelhamento: tal. já quanto ao seu desenvolvimento intellectual e material na redacção e administração. Ex.. assim. alguém tem de encontrar a solução do problema.. ora ameaçando os devedores da fazenda publica.(30) O decano da imprensa paulistana tem nestes ultimos tempos tomado feição sympathica.. flexionada.quanto... senão de sua Grosseria. tanto. que nem é Paulistano.tal.. quanto.quem. às vezes. ella se realisará.

vende os objectos acima mencionados por preço mais commodo do que em outra parte.2 Correlação formada pela repetição de elementos conjuntivos distintos: correlatas não-espelhadas Seguindo essa classificação. tão. (.. [BA/SM A 19 1] 17 . assim como lhe foi arrancada. assim lhe pode..... as comparativas (salvo alguns tipos de comparativas de igualdade.). as correlatas aditivas. ali o marquez de Caxias. os freguezes acharão uma grande differença no preço.. ser restituida.. as equiparativas.tão.) e concerta qualquer umbrella.. tal é o designio do governo de Sua Magestade o Imperador.assim).... quanto pesa na balança universal a honra do Imperio de Santa Cruz! [PE/RE DP 19 2] (36) A agua do chafariz.. da lavoura. (. como tal. escreveram na historia patria brasileira novas paginas de immorredóro renome. tal será o constante alvo de todos os meus esforços.) mas tambem da educação popular. [PR/CUT DD 19 2] (35) Ali os nossos generaes. as proporcionais.) e encaminhar os espiritos a harmonia e concordia de que aquelles bens essencialmente dependem. onde os vindouros aprehenderão quanto vale o nome brasileiro. da industria.. [SP/SP CP 19 2] 3. das artes e das lettras. (37) O nosso jornal não tem só por missão tratar da politica.. [OP/MG CM 19 2] (38) (.(34) (. assim. as hipotéticas e as diferençativas são formadas de pares não espelhados.tal. as consecutivas.

as lagrimas e o desespero! [RJ/RJ CC 19 2] 4. para tentarem a fortuna em extranhas plagas. As análises de OITICA surpreendem pela descrição e sistematização dos fatos da linguagem. sobretudo no que diz respeito a fatos de descrição problemática e à análise de construções irregulares. ao menos conseguiremos um lenitivo para aquelles desgraçados que abandonando a patria. assim os deve não haver politicamente nas matérias do sétimo. tanto mais conflitantes elas lhe iam parecendo. então de onde vinha? (ANA) Apud NEVES (2000: 837) (43) É sobre um d’estes lamentaveis factos. a familia. (CET) Apud NEVES (2000: 928) (41) Assim como nas matérias do sexto mandamento teologicamente não há mínimos. Recomendaria. III. 18 . a leitura de OITICA (1952) e de MÓDOLO (2004). sobretudo. [SP/SP CP 19/2] (40) Quanto mais conhecimento o cético adquiria das filosofias. Para saber um pouco mais sobre as construções correlativas Ainda não há muita literatura sobre as construções correlativas. (Vieira. Sermões. n’estas só encontrão a fome. 340) p. pág. numa fase em que predominava nas análises lingüísticas o método histórico-comparativo. não deve servir| nem para a lavagem do corpo. que vale a pena ser conferida. Leitura saborosa.(39) Temos tanto liquido de diversas naturesas que realmente a agua deve ser banida de uma vez. se não alcançarmos a extincção completa da mizeria que reina n’esta inditosa classe social. Ainda hoje a intuição lingüística de OITICICA surpreende o leitor. que pretendemos occupar algumas linhas deste jornal com a esperança de que. 127 (42) Se não vinha da Itália.

• Continuum . deixando para um segundo plano a formulação de regras formais. para além de suas propriedades puramente estruturais. Estudo das unidades linguísticas que leva em conta seus propósitos como atos de fala. • Funcionalismo . 5. desempenhando funções na comunidade de fala.Ramo da Linguística que consiste em descrever e explicar as unidades lingüísticas vistas como veiculadoras da comunicação e como produtoras de sentido. você poderia buscar nos textos de Língua falada e de Língua escrita. investigando os correlatos discursivos e semânticos das unidades gramaticais. em que cada um difere minimamente do elemento subseqüente. Glossário Texto: Será verdade que as orações se relacionam apenas por coordenação e subordinação? (Link1) • Dicotomia .Classificação em que se divide cada coisa ou cada proposição em duas. Tendência dos estudos gramaticais em que se ultrapassa o limite da sentença. comentar e aprofundar o que aqui ficou dito.Série longa de elementos numa determinada seqüência.Com base nas conjunções correlativas estudadas neste texto. disponíveis neste Portal. escolhas e tendências de uma língua. Texto: Como se formam os pares correlativos no português (Link2) 19 . Estudo das preferências. daí resultando diferença acentuada entre os elementos iniciais e finais da seqüência. outros tantos exemplos para descrever.

• Sintagma . a sentença e a unidade discursiva têm todos o mesmo arranjo estrutural. A sentença é um somatório de sintagmas. como. como em [o filho do vizinho] . cada qual ocupando um lugar previsível em sua estrutura. havendo assim . sentença. uma margem esquerda (preenchida pelos Especificadores) e uma margem direita (preenchida pelos Complementizadores). um adjetivo. p. um nome. traço semântico) que ocorre como componente de uma construção mais ampla. como em *não eu meu hotel sei fica onde. sintagma.Construção que não foi formada de acordo com princípios e regras de uma determinada gramática. como se pode ver em O filho do vizinho devorou a sobremesa deliciosa muito depressa. A designação do sintagma dependerá da classe da palavra que preenche seu núcleo. morfológica. como em [devorou a sobremesa] .Unidade estrutural de natureza fonológica. Um sintagma é portanto um somatório de constituintes. Não se confunde com ininteligível: uma sentença pode ser inteligível apesar de agramatical.Unidade da análise sintática composta de um núcleo (um verbo. assim representável: unidades linguísticas  Margem Esquerda + Núcleo + Margem Direita.• Constituintes . como em [muito depressa] . a sílaba. como em [do vizinho].sintagma verbal (o núcleo é um verbo). como em [deliciosa] . Texto: Correlata aditiva (Link3) 20 . Texto: Correlata alternativa (Link4) • Agramaticalidade .sintagma nominal (o núcleo é um substantivo). eu não saber onde ficar meu hotel. sintática ou semântica (respectivamente. fonema. uma preposição). palavra.ex. o sintagma.sintagma preposicional (o núcleo é uma preposição). Devido à propriedade da recorrência*.sintagma adverbial (o núcleo é um advérbio).sintagma adjetival (o núcleo é um adjetivo).. um advérbio. morfema.

Texto: Correlata comparativa (Link5) • Intensificação . mais intenso um processo (verbo). poucos. muitos homens estavam em poucas salas). coletivamente denominadas intensificadores. uma qualidade (adjetivo) ou uma circunstância (advérbio).. ex. muitos. 21 .Destaque que se dá a algum elemento da sentença ou do enunciado.• Prototípico (não consta.Processo que se utiliza de um quantificador (símbolo lógico correspondente a vocábulos como todos. • Quantificação . seria 'protótipo'?) • Focalização .Processo para tornar mais forte. por meio de classes próprias. alguns etc.) com o objetivo de determinar a generalidade ou extensão quantitativa de um sujeito e / ou predicado em uma proposição (p. por apresentar a informação nova mais importante.