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Apresentação da
Disciplina Tecnologia
Aplicada à Educação
“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os
homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.”
Paulo Freire

Prezado Acadêmico (a),
Ainda que este Caderno seja intitulado Tecnologia, Educação e Aprendizagem, destina-se ao estudo da
disciplina Tecnologia Aplicada à Educação, que será estudada neste quarto período.
Nesta disciplina, discutiremos sobre as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e o seu papel
no desenvolvimento do ensino-aprendizagem e perspectivas da tecnologia educacional no Brasil, possibilitando a vocês, acadêmicos (as), condições de construírem conhecimento sobre o porquê e como integrar a
tecnologia à prática educativa.
Por isso, contamos com a participação de cada um de vocês nas discussões propostas.
Bons estudos!

Coordenação Pedagógica / CEAD

Centro de Educação a Distância Universidade do Estado de Santa Catarina Universidade Aberta do Brasil TECNOLOGIA. Educação e Aprendizagem FLORIANÓPOLIS CEAD/UDESC/UAB .

Caderno Pedagógico Governo Federal Presidente da República Dilma Rousseff Ministro de Educação Fernando Haddad Secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior Luis Fernando Massonetto Diretor de Regulação e Supervisão em Educação a Distância Hélio Chaves Filho Governo do Estado de Santa Catarina Governador João Raimundo Colombo Secretário da Educação Marco Antônio Tebaldi UDESC Reitor Sebastião Iberes Lopes Melo Vice-Reitor Antonio Heronaldo de Sousa Pró-Reitora de Ensino de Graduação Sandra Makowiecky Pró-Reitor de Extensão. Cardoso Pró-Reitor de Administração Vinícius A.Copyright © CEAD/UDESC/UAB. 2011 Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição Edição . Perucci Pró-Reitor de Planejamento Cecília Just Milanez Coelho Centro de Educação a Distância (CEAD/UAB) Diretor Geral Estevão Roberto Ribeiro Diretora de Ensino de Graduação Ademilde Silveira Sartori Diretora de Pesquisa e PósGraduação Sonia Maria Martins de Melo Diretora de Extensão Solange Cristina da Silva Diretor de Administração Ivair De Lucca Chefe de Departamento de Pedagogia a Distância CEAD/UDESC Rose Clér Beche Secretária de Ensino de Graduação Maria Helena Tomaz Coordenadora de Estágio Isabel Cristina da Cunha Coordenadora UDESC Virtual Gabriela Dutra de Carvalho Coordenador Geral UAB Estevão Roberto Ribeiro Coordenador Adjunto UAB Ivair De Lucca Coordenadora de Curso UAB Carmen Maria Cipriani Pandini Coordenadora de Tutoria UAB Fátima Rosana Scoz Genovez . Cultura e Comunidade Paulino de Jesus F.

Ana Cláudia Taú Melina Ayres Pablo Ramirez Chacon Patricia Montanari Giraldi Tecnologia. Educação e Aprendizagem Caderno Pedagógico 1ª Edição Florianópolis Diretoria da Imprensa Oficial e Editora de Santa Catarina 2011 .

– 3. Patrícia Montanari. Pablo Ramirez. Giraldi.20 ed. 28 cm. – III. Chacon. Ana Cláudia Tecnologia. Aprendizagem. Melina.Professores autores Ana Cláudia Taú Melina de la Barrera Ayres Pablo Ramirez Chacon Patricia Montanari Giraldi Design instrucional Melina de la Barrera Ayres Professora parecerista Ademilde Silveira Sartori Projeto instrucional Ana Claudia Taú Carmen Maria Pandini Cipriani Roberta de Fátima Martins Projeto gráfico e capa Adriana Ferreira Santos Elisa Conceição da Silva Rosa Pablo Eduardo Ramirez Chacón Diagramação Elisa Conceição da Silva Rosa Pablo Eduardo Ramírez Chacón Revisão de texto Roberta de Fátima Martins T222t Taú. 116 p. – IV.3078 . Tecnologia educacional. : il. . Educação a distância. Ficha elaborada pela Biblioteca Central da UDESC . ISBN: 978-85-64210-25-7 1. educação e aprendizagem: caderno pedagógico / Ana Cláudia Taú et al. Ayres. 2011. design instrucional Melina Ayres – Florianópolis : UDESC/ CEAD/UAB. – II. Inclui bibliografia. – I. – 2.Título CDD: 371.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115 . . . . . .O computador pessoal: histórico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . serviços disponíveis e plataformas educacionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 Seção 1 – Construindo uma compreensão de tecnologia . . . . sistemas operacionais e aplicativos. . . . . . . . 94 CAPÍTULO 4 . . . . . . .Novas tecnologias e ensino: algumas experiências . . . . . . . . . . . . . . . . .Pensando a inserção de tecnologias em contextos de ensino. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .A comunicação e linguagem multimídia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Mídias e leituras: um processo de construção. . . . . . . . 7 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 Seção 2 . . . . . . . . 90 Seção 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Sumário Apresentação . . . . . . 94 Considerações finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . educação e aprendizagem: reflexões iniciais. . . . . .Educação. . . . . . . . . . . . . . 85 Seção 1 . . . . . . . . .Introdução a informática aplicada à educação. . . . . . . . . . . . Comunicação e Linguagem Multimídia . . . . . . . . . . . . . 105 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .As tecnologias e a educação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 Seção 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 Seção 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103 Comentários das atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . 85 Seção 1 . . . . . 11 CAPÍTULO 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . .A utilização da multimídia em sala de aula . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . partes do computador. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 Programando os estudos. . . . . . . . . . . . . 111 Referências das figuras . . . . . 27 CAPÍTULO 2 . . . . . . . . . . . . . .Tecnologia. . . . . 101 Conhecendo os professores autores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 Seção 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Internet: histórico.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 CAPÍTULO 3 . .

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Bons estudos! Equipe CEAD\UDESC\UAB . Educação e Aprendizagem. dedicando-se a cada disciplina com todo o esforço necessário. Você está recebendo o Caderno Pedagógico da disciplina de Tecnologia. use sua autonomia para avançar na construção de conhecimento. Receba-o como mais um recurso para a sua aprendizagem. aproximando a teoria e prática. Faça leituras complementares. Ele foi organizado. Anote e problematize o conteúdo com sua prática e com as demais disciplinas que irá cursar. busca problematizar a realidade. a partir da ementa e objetivos que constam no Projeto Pedagógico do seu Curso de Pedagogia a Distância da UDESC. por meio do que se chama de transposição didática . didaticamente. organiza os saberes e conteúdos de modo a que você possa estabelecer relações e construir conceitos e competências necessárias e fundamentais a sua formação. ao primar por uma linguagem dialogada.Apresentação Prezado(a) estudante. a ciência e os conteúdos escolares. dedicando um tempo diário à leitura. Lembre-se que na educação a distância muitos são os recursos e estratégias de ensino e aprendizagem. Este material foi elaborado com base na característica da modalidade de ensino que você optou para realizar o seu percurso formativo – o ensino a distância. conforme sugestões e realize as atividades propostas.que é o mecanismo de transformar o conhecimento científico em saber escolar a ser ensinado e aprendido. realize seus estudos de modo orientado e sistemático. É um recurso didático fundamental na realização de seus estudos. Este Caderno.

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Anime-se a criar! . O educador tem mais do que uma necessidade de manter-se atualizado e conhecer as tecnologias. De forma que você possa utilizar. precisa entender a relação entre a educação e a comunicação. deve compreendê-las. na aplicação das possibilidades que as tecnologias e a comunicação trazem para a sala de aula. Nesse contexto.Introdução Prezado(a) aluno(a) seja bem-vindo(a)! A disciplina Tecnologia. rejeitar. nós lhe apresentaremos algumas sugestões de criação. questionar e criar possibilidades de aprendizagem com uso de diferentes linguagens e tecnologias . aceitar. Para isto. de softwares e exemplos de sucesso. Cada vez mais as novas tecnologias fazem parte da nossa vida diária. como professor. e aproveitar as possibilidades que elas lhe trazem para pesquisar e compartilhar conhecimentos. ao longo deste Caderno. questionador da inserção das novas tecnologias de informação e comunicação em contextos de ensinoaprendizagem. Educação e Aprendizagem visa apresentar um diálogo entre o processo de ensino-aprendizagem e as Tecnologias e Comunicação e Informação (TICs). Você. é central estimular um pensamento crítico. mantendo sempre um posicionamento questionador. indagar.

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Educação e linguagens multimídia. Tecnologia e educação. Ementa Comunicação e aprendizagem. professores e tutores. Tecnologias da educação e a promoção da aprendizagem autônoma e continuada. »» O Ambiente Virtual de Aprendizagem. dos quais depende seu desempenho. Informática educativa. sistemas operacionais e aplicativos. Faça sua própria organização e agende as atividades de estudo semanais. entre eles o Caderno Pedagógico. . »» O Sistema de Avaliação: avaliações a distância. a flexibilidade de horário e a organização pessoal.Programando os estudos Estudar a distância requer organização e disciplina. Tecnologias de tele e vídeoconferência. Internet: histórico. serviços disponíveis e desenvolvimento de páginas. que são: »» Recursos materiais didáticos. Portanto. »» O Sistema Tutorial: coordenadores. Para o desenvolvimento desta Disciplina você possui a sua disposição um conjunto de elementos metodológicos que constituem o sistema de ensino. O computador: descrição. presenciais e de autoavaliação. procure estar atento aos cronogramas do seu curso e disciplina para não perder nenhum prazo ou atividade. assim como estudos diários e programados para que você possa obter sucesso na sua caminhada acadêmica. Redes de comunicação e informação. As características mais evidenciadas na EAD são o estudo autônomo.

conforme sua agenda de estudos: 12 . »» Conhecer a linguagem multimídia e algumas ferramentas para aplicá-la em sala de aula. »» Compreender o papel das tecnologias na educação a partir de uma perspectiva histórica. do seu uso em sala de aula e as possibilidades de produção e aplicação. por meio de uma abordagem histórica das tecnologias. »» Conhecer algumas propostas com uso de novas tecnologias para o ensino escolar. Carga horária 54 horas/aula. »» Promover uma perspectiva crítica frente às tecnologias. »» Analisar algumas possibilidades do uso de novas tecnologias nos processos de ensino-aprendizagem. »» Estabelecer relações entre tecnologias e possibilidades de leituras (interpretações) em contextos de ensino. Anote as datas importantes das atividades na disciplina. »» Compreender a relação entre educação e comunicação. Específicos »» Problematizar o lugar e o papel das tecnologias na educação.Objetivos de Aprendizagem Geral Refletir sobre a relação entre as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e as práticas de ensino-aprendizagem.

você conhecerá os múltiplos conceitos de tecnologia e refletirá a respeito da sua importância no campo de educação.O segundo capítulo apresenta um resumo histórico das mudanças tecnológicas que estão ocorrendo no mundo. desde o surgimento do primeiro computador pessoal. seu componentes. o histórico da internet. pois correspondem ao conteúdo que deve ser apropriado por você e faz parte do seu processo formativo. a organização didática da disciplina.DATA ATIVIDADE TIPO Conteúdo da disciplina Veja. a seguir. adotando uma postura questionadora.Nesse capítulo inicial. dos navegadores e algumas possibilidades para criação de sites. distribuída em capítulos os quais são subdivididos em seções. Capítulos de Estudo: 4 Capítulo 1 . Você vai conhecer as características dos computadores. 13 . Leia-os com atenção. com seus respectivos objetivos de aprendizagem. Capítulo 2 . sistemas operacionais.

você conhecerá algumas experiências realizadas por professores da Educação Básica que aplicaram as novas tecnologias as suas práticas de ensino. Nele. Passemos. Capítulo 4 . . você aprenderá a importância da comunicação e das linguagens multimídia nos processos de ensino-aprendizagem.Nesse capítulo. web e vídeo conferências e objetos de aprendizagem. agora.O capítulo final do Caderno realiza uma articulação entre as tecnologias e as práticas pedagógicas. Conhecerá também algumas ferramentas e programas que lhe permitirão produzir webaulas. ao estudo dos capítulos.Capítulo 3 .

1 CAPÍTULO Tecnologia. Educação e Aprendizagem: Reflexões Iniciais Patricia Montanari Giraldi Nesse capítulo inicial. vamos discutir sobre o conceito de tecnologia e sua inserção no campo da educação. Essas discussões pretendem dar subsídios para a construção de uma perspectiva questionadora diante das tecnologias. . Vamos também problematizar algumas questões relevantes sobre tecnologias relacionadas aos contextos de ensino e aprendizagem.

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e conhecer alguns aspectos teóricos envolvidos em perspectivas críticas diante das tecnologias. Seções de estudo Seção 1 – Construindo uma compreensão de tecnologia Seção 2 – As tecnologias e a educação . Educação e Aprendizagem: Reflexões Iniciais Objetivo geral de aprendizagem Problematizar o conceito de tecnologia e sua relação com a educação.CAPÍTULO 1 Tecnologia.

é preciso aceitar. Ou seja. interesse. »» Compreender tecnologia como um termo com muitos significados. indagar. de uma mudança de perspectiva diante das possibilidades proporcionadas. dúvidas. muitas vezes. tendo em vista o papel das novas tecnologias no contexto histórico mais amplo no qual nos inserimos e sua relação com a escola. Bom trabalho! Seção 1 – Construindo uma compreensão de tecnologia Objetivos de aprendizagem »» Problematizar o uso do termo tecnologia. não basta aceitar a presença das novas tecnologias nos contextos de ensino.Iniciando o estudo do capítulo Desconfiança. trazemos aqui algumas contribuições que visam auxiliar na construção/afirmação desse posicionamento diante das questões tecnológicas colocadas à educação. No entanto. criticar. as novas tecnologias ficam timidamente limitadas a alguns espaços. Desse modo. Essas dificuldades e conflitos fazem parte da constituição de um novo processo. . empolgação. rejeitar. entusiasmo são alguns dos efeitos provocados em professores ao se deparar com as discussões sobre a inserção das novas tecnologias em contextos de ensino. é fundamental um posicionamento crítico diante dessas questões. medo. quando se trata de educação. Mesmo que as tecnologias façam parte da vida diária de muitos profissionais.

este termo é cada vez mais parte da nossa vida. sociedade da comunicação etc. As tecnologias transformam e são transformadas nas relações sociais e engendram mudanças culturais que produzem novos modos de ser e novas possibilidades criativas. Imagine. propagandas e mesmo artigos que vêm tratando da importância de que os professores e as escolas incluam as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) nas suas atividades pedagógicas. era da informação. era do conhecimento. blog e website são palavras que fazem parte do nosso dia a dia e que representam a presença ampla das tecnologias da informação e comunicação em nossas vidas. 19 . tais como: sociedade da informação. entre as pessoas e com o próprio trabalho. Você deve já deve estar bastante habituado a ouvir a palavra “tecnologia”. quando seus pais ou avós eram jovens. home page. Pense em todas as tecnologias de informação e comunicação que rodeiam a sua vida desde a infância. buscando uma compreensão mais ampla sobre essas questões na interface com a educação. Na sociedade contemporânea. Você já deve ter visto também alguns livros. era digital. é importante lembrar que tais tecnologias fazem parte da nossa história. seja no trabalho. sociedade do conhecimento. É na intenção de construirmos nossa reflexão a respeito desse tema que vamos aprofundar nosso olhar. por exemplo. Seja para entretenimento. como eram as relações sociais. coloca-se como questão importante também para a educação pensar em como essas transformações tomam parte das sociedades atuais e dos processos de ensinar e aprender. apesar da polêmica que este tema ainda gera. Desse modo. ao longo da história humana. Outros termos também são utilizados para designar o contexto sócio-histórico e econômico em que vivemos. relacionam-se entre si e com o mundo. Vamos iniciar nosso estudo aprofundando o conceito de tecnologia.CAPÍTULO 1 Tecnologia. No entanto. Educação e Aprendizagem Internet. novas e velhas tecnologias fazem parte das nossas vidas e mudam a forma como as pessoas.

é importante que 20 Universidade do Estado de Santa Catarina . Figura 1. educação é parte fundamental do processo de humanização marcado histórica e culturalmente.1 – Evolução do homem Comumente na atualidade. Assim. Para aprofundar esse conceito veja os livros: Pedagogia da autonomia e Pedagogia do Oprimido – ver referências. com sua evolução ao longo da espécie. fogo. As tecnologias são parte constitutiva de nossas relações com o mundo. Repare na figura a seguir. Hominização: processo de evolução física e intelectual do Homem. Assim como constituem nossa própria história e processo evolutivo (enquanto espécie). No entanto. têm-se utilizado os termos ciências e tecnologias de modo dependente e inter-relacionado. vestimentas. entre outros). podemos identificar diferentes artefatos tecnológicos (lança. para melhor compreendermos o conceito de tecnologia. podemos dizer que as tecnologias evoluem à medida que a humanidade evolui. ou seja. você já se perguntou sobre a origem e significado do termo tecnologia? Por que a tecnologia tem tanta evidência na atualidade? Como o desenvolvimento tecnológico influencia a forma de pensar e agir dos seres humanos ao longo da história? Qual o papel das tecnologias na educação? Quais seus limites? Os questionamentos podem ser muitos! E. neste capítulo.CAPÍTULO 1 Mas. veremos que o termo tecnologia possui diferentes interpretações e que as mesmas fazem parte do processo de hominização e humanização. Esse processo tem relação com o desenvolvimento filogenético dos homens. A partir dela. Humanização: para Paulo Freire. desde os primeiros hominídeos (primatas semelhantes ao homem) até ao homem atual (Homo Sapiens Sapiens).

eles passaram a integrar em suas práticas diárias e a contribuir para a produção de modificações no meio e na própria forma de pensar e de interagir. reflita sobre a importância da tecnologia na história do homem. Este é um filme revolucionário e instigante.2 . com a invenção e uso dos primeiros artefatos. CAPÍTULO 1 Tecnologia. Os primeiros hominídeos. Uma Odisséia no Espaço. ou seja. que nos leva a pensar nas intrincadas relações entre humanos e suas produções tecnológicas. construíram artefatos que modificam sua relação com o mundo. Como você pode ver. podemos dizer que são criados os primeiros instrumentos tecnológicos. que a partir daí começa a ser utilizado como matéria prima para a fabricação dos primeiros instrumentos. Figura 1.Filme 2001. “razão”/”pensamento”) é a ciência que tem como objeto o estudo sobre o homem e a humanidade de maneira totalizante. Com o uso destas invenções. em que um hominídeo apodera-se do maior osso do esqueleto de um grande herbívoro e começa a desferir golpes contra os restos desse esqueleto. Lançado em 1968 e dirigido por Stanley Kubrick. segundo a Antropologia. Uma Odisséia no Espaço. Como seria a sua vida hoje sem as tecnologias que estão ao seu redor? De que forma elas interferem no modo como você interage com as pessoas e com o mundo? 21 . transl. “homem”. logos. está diretamente relacionada à história do homem. A figura acima representa uma cena do filme 2001.possamos abordá-lo em sua particularidade. Assista ao filme: 2001. Educação e Aprendizagem Antropologia (do grego άνθρωπος. anthropos. ao fazerem uso de ossos de esqueletos de animais como instrumentos de caça e defesa. e λόγος. descobrindo uma nova função para este osso. Partindo da proposta do filme. Uma Odisséia no Espaço. abrangendo todas as suas dimensões. começando a pensar sobre a história das técnicas que.

que é saber fazer. Portanto. Pereira e Linsingen (2008). do transformar. como toda produção humana. construir. considerando as técnicas como os processos de construção de artefatos. que também deriva do verbo teuchô ou tictien. 1997). (LION. Por exemplo. com suas possibilidades e problemas diversos foi viabilizada pelo desenvolvimento de técnicas e tecnologias. do agir. Para sistematizar nossa compreensão. produzir. A palavra tecnologia provém de uma junção do termo tecno. (VERASZTO. O termo teuchos significa “ferramenta. 2001). por compreendermos que todo artefato tem uma história. 22 Universidade do Estado de Santa Catarina . razão. uma intencionalidade que levou a sua construção. a roda não podem ser considerados ferramentas neutras isoladas de contextos mais amplos ou de relações culturais. A Revolução Industrial. Portanto. do grego logus. Estes últimos. por exemplo. também produzem modificações nos contextos a partir dos quais são criadas. As tecnologias são produtos das ações humanas. Já tecnologia assume um caráter mais amplo e pressupõe tanto o estudo e desenvolvimento das técnicas articuladas a conhecimentos (científicos). tecnologia significa a razão do saber fazer. instrumento”. do grego techné.CAPÍTULO 1 O termo técnica tem sua origem na palavra techné. E. É importante destacar que esses termos podem ter diferentes interpretações e inclusive são usados com sentidos diferentes por diferentes autores. as tecnologias e os artefatos tecnológicos são carregados de relações de poder. quanto a possibilidade de articulação entre estas e contextos sócio-culturais. significam fabricar. V. (RODRIGUES. ao mesmo tempo em que são produzidas. et al. a escrita. dar à luz. vamos acompanhar os autores Bazzo. Em outras palavras. uma ponte. interesses e intencionalidades. um óculos.. 2008). o estudo da técnica. O estudo da própria atividade do modificar. são construções históricas que. e logia.

As tecnologias fazem parte de nossas práticas cotidianas. Dessa forma. Isso pode ser observado desde os primórdios do desenvolvimento humano. apenas como fonte de recursos naturais que agora se sabe limitados. a uma nova forma de consumo: produção em massa. provocando mudanças culturais e sociais. O desenvolvimento tecnológico permitiu a produção de diversos outros bens que também passaram a ser produzidos em linhas de montagem e. podemos perceber que as relações entre pessoas também são mediadas pelo trabalho. nos Estados Unidos. A produção realizada dessa forma possibilitou o barateamento de diversos produtos.CAPÍTULO 1 Tecnologia. consumidos em grande escala. Desse modo. Educação e Aprendizagem Homem. despreocupada. Uma visão de mundo um tanto perigosa. 23 . mas se dá também nas relações entre indivíduos que compõe uma sociedade. criou-se uma forma de relação com a indústria assustadoramente voraz. como por exemplo. Ao mesmo tempo em que se possibilita que pessoas com menos poder aquisitivo adquiram bens de consumo que trarão conforto para suas vidas. nossas relações interpessoais. tecnologia e trabalho Na intenção de garantir seu desenvolvimento enquanto espécie. com o uso e manipulação de ferramentas. de instrumentos que permitiam ampliar o poder de intervenção na natureza promovendo um aumento de produtividade. consequentemente. consequentemente. essa interação transformadora não ocorre somente na relação homem e natureza. Um caso exemplar. nossas relações de trabalho. uma vez que continuamos entendendo a relação com a natureza de forma distanciada. É por meio dessa prática produtiva que o homem marca e mantém sua existência. houve o estabelecimento de relações de poder vinculadas a essa prática. uma vez que o mesmo veio a constituir. ao longo do desenvolvimento histórico da humanidade. também conduziu (ao mesmo tempo em que foi conduzida). o homem desenvolveu uma forma particular de se relacionar com a natureza. foi o desenvolvimento da indústria de automóveis. consumo em massa. Essa forma de produção. No entanto. Na próxima seção. a base da organização social humana e. Instala-se aí uma nova visão de mundo em que produtos tecnológicos passam a fazer parte do cotidiano de boa parte da população mundial. por Henry Ford. Essa relação transformadora de intervenção e de interação sistemática com o meio na intenção de se produzir algo transformou-se no que entendemos por trabalho. vamos aprofundar essa discussão envolvendo os contextos de ensinoaprendizagem. podemos perceber a forte influência das tecnologias na sociedade atual de modo abrangente.

As tecnologias e a educação Objetivos de aprendizagem »» Problematizar o lugar e o papel das tecnologias na educação. que foi o inventor de muitas coisas. atribuiulhe o oposto de sua verdadeira função. você. à medida que julgasse as afirmações de Theuth bem ou mal fundamentadas. inclusive do número. vão receber uma quantidade de informação 24 Universidade do Estado de Santa Catarina . recebeu o deus Theuth. do cálculo. que irá aperfeiçoar tanto a sabedoria como a memória dos egípcios. Com isso. afirmando que elas deviam ser amplamente conhecidas e disponíveis aos egípcios. meu senhor rei. e de seu encontro com o deus Theuth. que é o pai da escrita. Portanto. pensar nas implicações para a educação. o descobridor de uma arte não é o melhor juiz para avaliar o bem ou dano que ela causará naqueles que a pratiquem. em vez de fazê-lo por meio de seus próprios recursos internos. Eu descobri uma receita segura para a memória e para a sabedoria”. Thamus replicou: . Vamos iniciar nossa discussão a partir do trecho destacado no quadro a seguir que narra a lenda de Thamus. Levaria tempo demais repassar tudo o que se relatou sobre o que Thamus disse a favor ou contra cada invenção de Theuth. confiarão na escrita para trazer coisas à sua lembrança por sinais externos. Theuth declarou: . O que você descobriu é a receita para a recordação. Thamus. Thamus indagou sobre o uso de cada uma delas.“Theuth. Theuth exibiu suas invenções para o rei Thamus.“Aqui está uma realização. Um dia. Tendo problematizado a compreensão sobre tecnologias. rei de uma cidade do Alto Egito. e enquanto Theuth discorria sobre elas. da astronomia e da escrita. »» Promover uma perspectiva crítica frente às tecnologias. da geometria. seus discípulos terão a reputação dela sem a realidade. a partir de agora. não para a memória. Aqueles que a adquirirem vão parar de exercitar a memória e se tornarão esquecidos. vamos. E quanto à sabedoria.CAPÍTULO 1 Seção 2 . o rei de uma grande cidade do Alto Egito. meu exemplo de inventor. inventor da escrita. Mas quando chegou à escrita. expressava aprovação ou desaprovação. por afeição ao seu rebento.

Toda tecnologia tanto é um fardo como uma benção. Destacamos que em nossa compreensão o processo educativo envolve construção e produção cultural de conhecimentos e valores. O que queremos destacar dessa lenda.CAPÍTULO 1 Tecnologia. podemos então supor que as tecnologias. problema quanto como benefício. e de sua discussão no livro de Neil Postman (1994). Retomando a noção de que as tecnologias são processos de relações e análises (de técnicas) construídas em intrincada relação com questões sócio-culturais. serão vistos como muito instruídos. Essa compreensão traz implicações importantes para pensarmos sobre o lugar e papel das novas e velhas tecnologias na educação. há muito. e não com a sabedoria verdadeira. tanto como prejuízo. não é uma coisa ou outra.14). já fazem parte 25 . podemos questionar: Qual o papel das tecnologias em processos educativos? Se pensarmos a tecnologia da forma como a descrevemos na seção anterior. p. quando na maior parte serão bastante ignorantes. E como estarão supridos com o conceito de sabedoria. como consequência. 1994. Para Postman (1994). (POSTMAN. e. toda tecnologia carrega esses dois aspectos. mas sim isto e aquilo. Educação e Aprendizagem sem a instrução adequada. 1994. pode ser lida e interpretada de diferentes modos. Nesse sentido. aproximamo-nos de Paulo Freire e da ideia da educação como prática transformadora. serão um fardo para a sociedade. é o fato de que toda tecnologia pode se configurar sob dois aspectos.” Fonte: POSTMAN. Nas palavras do autor: Podemos aprender com isso que é um erro supor que qualquer inovação tecnológica tem um efeito unilateral apenas. não apenas transmissão.

notícias de jornal impresso ou internet. Destacamos que um grande número de pesquisas da área de educação tem procurado refletir sobre as contribuições de abordagens que visam discutir as relações entre ciência. em círculo etc. a escolha de um vídeo interessante sobre o tema da aula). as pesquisas são desenvolvidas tendo em vista a aproximação entre conteúdos curriculares e as realidades 26 Universidade do Estado de Santa Catarina . LINSINGEN. o efeito é considerar que o que se refere à ciência e à tecnologia nada tem a ver com a vida cotidiana das pessoas. 2009). podemos promover gestos de leitura que levem a interpretações menos naturalizadas sobre o contexto (científico-tecnológico) em que estamos inseridos. a presença de revistas e jogos eletrônicos. que os conhecimentos desenvolvidos nesse âmbito são sempre positivos para a sociedade em geral. 2007. estão os trabalhos desenvolvidos na linha dos estudos Ciência. 2007. salvacionismo. autonomia. muitas vezes. são usados por eles nos momentos em que não estão em aula ou naqueles em que o professor “não está vendo!”. CASSIANI. o que nos remete à discussão proposta por Postman na lenda de Thamus apresentada anteriormente. RAMOS et al. são múltiplas as formas pelas quais as tecnologias se fazem presentes em processos escolares de ensino. LISINGEN. AULER e DELIZOICOV. Sob enfoques teóricos diferenciados.CAPÍTULO 1 do fazer pedagógico. tecnologia e suas implicações sociais.2006. verdade acerca da ciência e tecnologia. LINSINGEM. Também são múltiplos os nossos modos de interação com esses artefatos. 2007. a forma como a sala estará organizada – em fileiras. Ao trabalhar problematizando a evidência de sentidos. ou ainda. que vêem no desenvolvimento científico e tecnológico sinônimo de progresso e de desenvolvimento social. Interpretações estas que possibilitem o questionamento acerca das visões lineares e tradicionais de ciências e tecnologias. CASSIANI. a escolha dos materiais e metodologias de ensino (uso do quadro negro e giz. celulares levados pelos estudantes e que. Vamos pensar em tudo o que envolve a elaboração e implementação de uma aula: a seleção de materiais (livros. 2006. objetividade. que nas decisões envolvendo ciência e tecnologia (tomadas apenas por especialistas) não cabe a discussão pela sociedade de forma mais ampla. PEREIRA.).. Certamente esse tipo de visão contribui para que se (re)produzam sentidos de neutralidade. Na perspectiva que busca criticar essas visões. (AULER. Enfim.Tecnologia e Sociedade (CTS). Consequentemente.

também não deverá contemplar a concepção hegemônica de tecnologia. ou mais amplamente a educação em ciências e tecnologia. assume um papel diferente do tradicional. Por exemplo. (LINSINGEN. maior possibilidade de reflexão sobre esses temas tecnocientíficos e. p. 2007. no campo da educação. Em um artigo que discute a importância da abordagem CTS. possibilita a construção de uma perspectiva intercultural ou possibilita o reforço de preconceitos? E nesse sentido. Do mesmo modo. na intenção de contribuir para maior inserção nos processos sócio-culturais.17). com origem e fim social e por coerência. podemos nos colocar uma segunda questão: A inserção de novas tecnologias de informação e comunicação em processos de ensino garante a qualidade do processo de aprendizagem? 27 . mas como uma atividade social. consequentemente. que envolvem o conhecimento de outras culturas. seja econômica. maior participação social. que transformam e são transformadas nas relações sociais. Educação e Aprendizagem vivenciadas por educandos. ambientada para a reprodução do sistema dominante. mas para o atendimento de interesses acordados por um número cada vez mais significativo de atores sociais. em que medida o uso da internet em processos de ensino. neutra e independente. econômica e culturalmente comprometida e referenciada. ao lado do autor. compreensões que ultrapassem visões lineares de desenvolvimento científico e tecnológico. também política. que estão distantes de suposta neutralidade. proveniente de discussões do campo dos “estudos sociais da ciência e tecnologia” latino-americano para a educação. estando muito mais comprometida com uma formação não para a tecnologia como coisa em si mesma. sempre relacionadas ao social. quando consideramos a necessidade de abordagens. Linsingen (2007) aponta que: Nesse contexto. Colocamo-nos assim. é importante discutir o papel das tecnologias presentes em processos didático-pedagógicos.CAPÍTULO 1 Tecnologia. que concebem a tecnologia em suas múltiplas dimensões. política ou cultural. a escola. Tendo em vista que as tecnologias são carregadas de relações de poder.

destaca-se a necessidade de buscar caminhos que não neguem as novas tecnologias nem as coloquem em um status de “salvação”. Essas discussões apontam para a importância e significados das novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no contexto social atual e o desenvolvimento histórico das TICs e sua inserção cada vez mais forte em contextos de ensino. Esse desenvolvimento coloca-se como algo muito maior do que questões de ensino e tomam parte de nossas interações sociais em diversos âmbitos. aprendemos jogando um game etc. podemos perceber a força das tecnologias em nossa sociedade e as profundas mudanças produzidas por elas. Nesse aspecto. Cabe ressaltar que nem sempre esses avanços tecnológicos possibilitam mudanças significativas em processos de ensino. Nesse contexto. dar espaço e possibilitar olhares críticos sobre os materiais midiáticos. É necessário trabalhar com os estudantes de modo que possam explicitar as suas leituras dos materiais da mídia. Assim. falemos sobre a importância de levarmos os textos (sejam eles vídeos. por exemplo. considerando a questão da educação é interessante apontar para o uso das TICs como possibilidade de transformação. Esta perspectiva implica a compreensão de que aprendemos em diversos outros espaços que não apenas a escola. extrapolando o escolar. lendo um livro ou revista em quadrinhos. visões de mundo. como Rosa Maria Bueno Fischer. escritos. é fundamental considerarmos o espaço e o papel da mídia no contexto dos nossos alunos. Este caráter significa compreendermos que. têm destacado o caráter pedagógico da mídia. Mas isso deve ser mais do que apenas fazer uso de. a mídia ensina. documentários para ensinar sobre meio ambiente. mesmo que de forma não intencional.) da mídia para a escola.CAPÍTULO 1 É comum que nós. de reflexão e não apenas mera repetição. Neste ponto. Alguns autores. professores. imagens etc. conhecimentos científicos. mas que 28 Universidade do Estado de Santa Catarina . Nesse contexto é preciso questionar: O que estamos aprendendo? Aprendemos valores. Aprendemos vendo um filme.

CAPÍTULO 1 Tecnologia. Desse modo. o retroprojetor e as máquinas copiadoras. da portabilidade. Para pensarmos um pouco mais sobre essa inserção das novas tecnologias em contextos de ensino. Fonte: FONSECA e FERREIRA. para uma mudança nas formas de ensinar e aprender? Eu e o Alfredinho vamos nos casar. vamos analisar o quadrinho abaixo. Curioso? Engraçado? Inusitado? Esse quadrinho nos coloca de frente para uma questão bem interessante: que uso fazemos das novas tecnologias? De que forma elas estão ou não inseridas em contextos de ensino? Estamos usando as novas tecnologias como caminho para o novo. O diferencial em relação às “novas” tecnologias é o estatuto a elas conferido. mas eu serei uma dona de casa moderna! Nada de ficar na cozinha o dia todo! Não vou cair na mesma armadilha das nossas mães! Nós somos a geracão da tecnologia.Relação tecnologia e sociedade 29 .. a exemplo do projetor de slides.e todas as tecnologias não eletrônicas. possibilitando a conexão com a rede Internet.3 . que já ocupavam espaço no sistema escolar. Sempre estiveram no fazer pedagógico. e as máquinas de escrever. jornal etc. Educação e Aprendizagem permitam criar espaços para indagar tais tecnologias e as contribuições e limitações que implicam sua inserção em nossas salas de aula. como o lápis. da era digital. do acesso ilimitado a internet! Vou comprar um fogão autolimpante com acesso a receitas práticas e rápidas pela internet! Figura 1. 2006. indicando a existência de “velhas” tecnologias. é recorrente o uso do termo “novas tecnologias”. livro impresso. a presença de tecnologias na escola não é novidade. a álcool ou a tinta. como os mimeógrafos. anterior a chegada do computador. enquanto as “velhas” tecnologias são aquelas que utilizam sinal eletrônico analógico – como a televisão e a rádio analógica . “Novas” e “velhas” tecnologias na educação Atualmente. na educação. As “novas” são máquinas com circuito eletrônico integrado. Outras tecnologias ocupam espaços intermediários. o chip.

] Aquele que é ‘enchido’ por outro de conteúdos cuja inteligência não percebe. já em 1977. p. 28).. 30 Universidade do Estado de Santa Catarina . (1977. sem que seja desafiado. Nos próximos capítulos. [.] no processo de aprendizagem. Está aí o desafio e a possibilidade: trazer as novas tecnologias como forma de modificar as relações e posições de estudantes e professores nos processos de ensino-aprendizagem.CAPÍTULO 1 Certamente essas questões não têm respostas simples. não aprende. que. vamos discutir algumas possibilidades do uso de novas tecnologias para ensinar e aprender. trazemos outras discussões contemplando a inserção de tais tecnologias em contextos de ensino. só aprende verdadeiramente aquele que se apropria do aprendido. Um ponto chave para essa reflexão é a seguinte questão: As novas tecnologias ganham espaço para reforçar velhas práticas? Vamos a Paulo Freire. que possibilite práticas transformadoras. transformando-o em apreendido. onde educadores e educandos possam tornar-se autores e coautores dos conhecimentos produzidos em contextos de ensino... apontava que: [. ou como diria Paulo Freire. mas contribuem para pensarmos sobre essa importante discussão. Ao final deste material pedagógico. de modo que as mesmas tornemse menos verticais. de conteúdos que contradizem a forma própria de estar em seu mundo..

Educação e Aprendizagem Síntese do capítulo Nesse capítulo. internet ou outros artefatos semelhantes. tecnologia aparece como sinônimo de artefatos tecnológicos sofisticados. como os computadores. a partir da escolha e uso do quadro negro. por exemplo. »» A noção de que as tecnologias. no senso comum. e sempre fizeram. tivemos como intenção trazer algumas discussões e reflexões iniciais sobre o uso de tecnologias no ensino. »» As tecnologias fazem parte do desenvolvimento das sociedades humanas. »» O termo tecnologia pode representar coisas diversas. mas estão impregnadas das duas coisas. É importante adotar uma perspectiva crítica diante das tecnologias que pense suas contribuições e limitações nos processos de ensinar e aprender. apesar de não serem neutras. »» Não basta a presença de novas tecnologias para gerar processos de mudança.CAPÍTULO 1 Tecnologia. »» A tecnologia na escola não nasce com a presença e uso de computadores. na maior parte das vezes. Fazem. de determinados modos de organização das salas de aula. Você pode utilizar as linhas abaixo para produzir a síntese do seu processo de estudo: 31 . não trazem em si mesmas apenas contribuições ou problemas. parte dos contextos escolares.

br>. já em 1997. pense nas seguintes questões: De que forma os avanços tecnológicos modificam o cotidiano das pessoas? Que mudanças 32 Universidade do Estado de Santa Catarina . A partir da leitura da letra da música. Disponível em: <www.com. Acesso em: 01 set. Veja abaixo a letra da música Pela Internet de Gilberto Gil (Fonte: Gilberto Gil. 2011) : A letra da música trata de um efeito do avanço das novas tecnologias da informação e comunicação.gilbertogil.CAPÍTULO 1 Atividades de aprendizagem 1.

Procure identificar de que forma seu entrevistado vê a tecnologia. sugerimos que faça ao seu entrevistado a seguinte questão: Conte alguma experiência positiva envolvendo tecnologias em situações de ensino/aprendizagem. procurando conhecer de que forma seu entrevistado teve ou tem contato com novas tecnologias em contextos de ensino. estabeleça uma relação com a temática apresentada neste capítulo. Para tanto. qual a compreensão de tecnologia está presente em sua fala? Essa compreensão se afasta ou se aproxima daquela discutida neste capítulo? 33 . 2. Realize uma pequena entrevista com um colega. Educação e Aprendizagem acontecem? As novas tecnologias mudaram a sua vida e sua forma de comunicar-se e de compreender o mundo? Você considera que as novas tecnologias modificaram as formas de aprender? Elabore sua resposta na forma de um texto. de aproximadamente 15 linhas. Partindo da resposta dada por seu entrevistado.CAPÍTULO 1 Tecnologia. ou seja. procurando responder às questões propostas acima. professor ou familiar.

34 Universidade do Estado de Santa Catarina .CAPÍTULO 1 Escreva um texto de aproximadamente 15 linhas apresentando sua reflexão sobre essa questão.

São Paulo. Inglaterra: Uden Associates & BBC Televison. 35 . In: Educação e Realidade. SILVA. Os destinos das sociedades humanas.CAPÍTULO 1 Tecnologia. Desafios culturais da comunicação à educação. VI. p. Vani Moreira.br/educacaoerealidade/article/view/6844/4115>. Acesso em: 01 set. 2008. Henry. Acesso em: 01 set. J. 2000. ed. KENSKI. 1994. p.org/index. Comunicação & Educação. 4. Antônio A. Ezequiel Theodoro da (Coord. 2011. S. 2011 Assista ao filme: No ritmo do sistema de Henry Singer (1994) que aborda de forma interessante o silencioso espaço de poder das tecnologias na sociedade moderna a partir da era industrial: SINGER./ ago. A leitura nos oceanos da internet. color. Rio de Janeiro: Record. Documentário.. Disponível em:<http://seer. 18. Campinas-SP: Papirus. 2007. 2001. Armas. son.php/ comeduc/article/view/4108/3860>.). São Paulo: Cortez. 2008. n. mai.ufrgs. 2. Jesús. Disponível em: <http://www. MARTÍN-BARBERO. ECA-USP.univerciencia..31. Germes e Aço. Educação e tecnologias: o novo ritmo da Informação. ed. DVD (65 min). ZUIN. v.43-61. Para ampliar os conhecimentos adquiridos neste capítulo leia: DIAMOND. 51-61. Educação e Comunicação: uma abordagem históricofilosófica.revistas. Educação e Aprendizagem Aprenda mais. No ritmo do sistema. v.

o computador também permite conectar-se a um universo de conhecimento que pode enriquecer o processo de ensino/aprendizagem. . Mas.CAPÍTULO 2 Introdução a Informática Aplicada à Educação Pablo Ramirez Chacón ThinK Different. assim como um papel e uma caneta. pode servir para ensinar. não tenha medo do futuro. O computador é mais que uma ferramenta e. Este capítulo é um pequeno resumo histórico que deseja despertar sua curiosidade sobre as mudanças tecnológicas que estão acontecendo no mundo e na educação.

.

a partir de uma perspectiva histórica. descrição dos sistemas operacionais e aplicativos Seção 2 – Internet: histórico. serviços disponíveis e plataformas educacionais . o papel das tecnologias na educação. Seções de estudo Seção 1 – O computador pessoal: histórico. partes do computador.2 CAPÍTULO Introdução a Informática Aplicada à Educação Objetivo geral de aprendizagem Compreender.

Iniciando o estudo do capítulo Em entrevista à Revista Época de 12 de julho de 2011. estado ou país. por meio da Internet. o aluno é visto como mero expectador que recebe a informação. Estamos vivendo uma revolução em que toda pessoa pode ser geradora de conteúdo. As informações não são mais compartilhadas apenas entre educando e educador. ele deve compreender e aproveitar as possibilidades advindas dessa inovação para pesquisar e compartilhar conhecimentos.] trocar o caderno por artefatos modernos é ineficiente se o jeito de ensinar não mudar” (p. mas podem ser divididas com pessoas do mundo todo. em 2011.. A educação bancária permanece em muitas escolas ao redor do mundo e deixa evidente a necessidade de aplicar os conceitos sobre aprendizagem descritos por Paulo Freire. que ganham uma nova dimensão. ainda hoje. Para Weston. ela está pulverizada em milhões de usuários. o educador tem mais do que necessidade de conhecer a tecnologia. Hoje em dia. A informação não é mais privilégio de empresas e instituições.. o consultor educacional Mark Weston afirmou que “a tecnologia serve como mediadora [. . 64). em um bairro.

Introdução a computadores. Hardware e Software. ou seja. Educação e Aprendizagem Seção 1 – O computador pessoal: histórico. »» Conhecer o computador. Hardware refere-se às peças de um computador que você pode ver e tocar. impressora e outros componentes costumam ser chamados dispositivos de hardware ou simplesmente dispositivos. teclado. Três sistemas operacionais bastante conhecidos são o Windows. Software refere-se às instruções. inclusive o gabinete e tudo o que está dentro dele.a parte que converte as instruções e executa os cálculos. [2011] 41 . O computador é uma ferramenta eletrônica destinada ao uso de uma pessoa ou pequeno grupo de pessoas e que executa tarefas e cálculos através das instruções dadas por um programa. Itens de hardware como monitor. os tipos existentes e suas partes.CAPÍTULO 2 Tecnologia. Esse é o “cérebro” do computador . aos programas que dizem ao hardware o que fazer. mouse. e »» o software: que são os programas que dizem o que o aparelho deve fazer e permitem nossa interação com ele. FONTE: Windows. O sistema operacional é um software que gerencia o computador e os dispositivos conectados a ele. o OSX e o Linux. partes do computador. O computador é basicamente composto por duas partes: »» o hardware: que é a parte física. A peça mais importante de hardware é um minúsculo chip retangular chamado microprocessador. Um programa de processamento de texto que você pode usar para escrever no computador é um tipo de software. descrição dos sistemas operacionais e aplicativos Objetivos de aprendizagem »» Conhecer o início da transformação tecnológica.

Bill Gates e Paul Allen. É uma linguagem de programação. 42 A Apple (que significa maçã em inglês). eles decidiram fabricar os primeiros duzentos computadores a mão e vendê-los em lojas da cidade. Steve Jobs. usava chaves frontais para sua programação. É uma região na qual está situado um conjunto de empresas implantadas a partir da década de 1950 com o objetivo de gerar inovações científicas e tecnológicas. que tempo depois fundaram Figura 2. os únicos computadores existentes eram os mainframes. criada para fins didáticos. Até então. Estados Unidos. pelos professores John George Kemeny e Thomas Eugene Kurtz. O computador pessoal. como você pode ver na imagem ao lado. e de um jovem rebelde que transformaria nossa forma de interagir com a informática. Universidade do Estado de Santa Catarina . em uma garagem. desde seu nascimento. Wozniak tinha criado um computador pessoal com o único intuito de apresentar a seus colegas do clube de eletrônica. a maior contribuição no que se refere ao computador pessoal veio das mãos de um estudante de engenharia. No entanto. Em 1975. teve fins educativos. é criado o microprocessador Intel 8080. O Vale do Silício fica na Califórnia. o Intel 4004. criado em linguagem basic pelos estudantes de Hardward. em 1964. A linguagem basic é o Código de Instruções Simbólicas de Uso Geral para Principiantes. Eles serviam para processamento de grande volume de informações e tinham um custo de milhões de dólares Vendido originalmente como um kit para montar através da revista norte-americana Popular Electronics. com a criação do primeiro microprocessador. tal como fariam muitas empresas do ramo de informática do Vale do Silício.CAPÍTULO 2 Vamos conhecer um pouco da história do computador pessoal? Computadores de grande porte que chegavam a ocupar até um prédio inteiro e ficavam em salas refrigeradas de corporações e bancos. nasceu em 1 de abril de 1976. em 1970. Naquela época. o primeiro a ser utilizado em um computador pessoal: o Altair 8800. Diante da negativa das empresas. O processo de miniaturização do computador se inicia em 1970. em Dartmouth College. que era usado basicamente em calculadoras. Este computador foi também um dos primeiros a ter um sistema operacional.1 . o primeiro projetado foi chamado de Kenbak-1 e tinha como objetivo demonstrar como um computador funcionava. empresas já consolidadas do setor. uma das maiores empresas do ramo da informática. mas Jobs percebeu o potencial comercial do produto e tentou vender a ideia para a Atari e HP. se comunicava com o usuário por meio de luzes.Altair 8080 a Microsoft. O Altair 8080. Steve Wozniak.

era muito avançada para sua época. a Apple já era a empresa mais bem sucedida do ramo dos microcomputadores.Steve Jobs. o sucesso da empresa se inicia somente quando Figura 2. Foi esse potencial de crescimento que permitiu a abertura da empresa para venda de suas ações na bolsa de valores. No quadro a seguir.3 . 43 . Figura 2.CAPÍTULO 2 Tecnologia. Como você pode perceber. foram criados o Visicalc. se transformando em seu primeiro investidor. Mas. A interface é como um programa se apresenta visualmente para o usuário. já que podia ser conectada facilmente a um teclado e a um monitor. os documentos deixaram de ser datilografados em máquinas de datilografia e milhares de dados foram armazenados. Nesse momento as vendas da Apple chegam a 10 vezes o valor do capital investido no primeiro ano de comercialização. Steve Wozniak e o Apple II Nessa mesma época. a Apple lança o pai dos atuais computadores pessoais.2 . a Apple já inovara o design do PC em sua primeira criação. Educação e Aprendizagem O Apple I era uma placa de circuitos dentro de uma caixa de madeira. no entanto. você verá como surgiu a primeira interface do computador. os processadores de texto e as bases de dados.Apple I o vice-presidente de marketing da Intel decide apoiar a dupla Wozniak e Jobs. Surge assim a necessidade De criar o que conhecemos hoje por interface. de forma a permitir uma maior facilidade de uso. Com estas ferramentas os fluxos de cálculo deixaram de ser feitos manualmente. Em 1979. a primeira planilha eletrônica. mas ainda eram bastante difíceis de usar já que dependiam de conhecimento de linguagem de programação e erros de sintaxes invalidavam qualquer operação. seus produtos estavam presentes em casas e escolas da elite americana. Em 1977. o Apple II.

Esse contrato é um dos mais importantes do século XX. fundado em 1970 e transformado em uma companhia autônoma em 2002. da Apple. Esta visita marcou o nascimento das interfaces gráficas e o uso do mouse nos computadores. a IBM. Somente em 1980. O PARC foi o berço de invenções como a interface gráfica dos computadores pessoais. procura a Microsoft para criar o que viria a ser o sistema operacional PC-DOS. os proprietários da Microsoft. Mas. não tinham o produto e compraram da Seattle computer o sistema QDOS.CAPÍTULO 2 O PARC e a Interface Gráfica O Xerox Palo Alto Research Center (PARC) foi um importante divisão de pesquisa da Xerox Corporation. especialista em criação de sistemas operacionais. pois permitiu que a Microsoft deixasse 44 Universidade do Estado de Santa Catarina . o grande sucesso viria com o Macintosh. Entretanto. A habilidade em negociação de Gates permitiu ainda que o produto não fosse de uso exclusivo da IBM e sim apenas licenciado para seu uso. A empresa. decide lançar um computador pessoal. Bill Gates e Paul Allen. O primeiro computador que incluiu o mouse foi o Lisa. percebendo o potencial do negócio e após negociar com a Digital Research. Especulase que a empresa de Wozniak e Jobs estava desenvolvendo uma interface gráfica. mas a Xerox estava muito a frente neste campo. a maior empresa do setor dos supercomputadores da época. assim Jobs trocou opções de compra de ações da Apple por uma visita detalhada de três dias ao PARC. Você sabe o que é sistema operacional? É um programa ou grupo de programas que permitem gerenciar as funções do computador e fornecem a interface entre o computador e o usuário. os executivos do PARC não enxergavam o potencial destas invenções. O nascimento dos computadores pessoais e o uso do mouse estão associados a uma famosa lenda do mundo da informática que relaciona o PARC e a Apple.

Depois viriam as versões Windows 2. mas. e foi usada. em 1985. A expressão “Personal Computer” (Computador Pessoal) era de uso comum antes de 1981. após o lançamento do Apple Macintosh. o Windows. Jobs decide recrutar seus melhores técnicos e mudar-se para outro prédio da empresa. o que tinha sido um termo genérico passou a significar especificamente um microcomputador compatível com a especificação da IBM. na sua versão 1. O nome deriva de MacIntosh. Em 1984. É hasteada uma bandeira pirata e Jobs cria um espírito tão competitivo que leva o ódio entre as equipes do Mac e de outros projetos da Apple.0 e o 3. que não é considerado um sistema operacional já que funcionava em cima do DOS devido ao curto tempo de desenvolvimento. Steve Jobs é demitido de sua própria empresa pelo presidente que ele mesmo contratou. O Mac é um sucesso. um tipo de maçã. Todavia. afim de trabalhar no desenvolvimento do projeto Macintosh. John Sculley. Surge assim em 1985.CAPÍTULO 2 Tecnologia. o carro chefe da Microsoft.4 . devido ao sucesso do IBM PC. a IBM e a Microsoft perceberam a necessidade de deixar o DOS como sistema operacional e desenvolver uma interface gráfica para não perder mercado. Educação e Aprendizagem de ser uma microempresa de software para se tornar uma das empresas mais poderosas no ramo da informática. Queda e renascimento da Apple Figura 2. Macintosh ou Mac é o nome dos computadores pessoais fabricados e comercializados pela empresa Apple Inc.0. desde janeiro de 1984. Mas. aos 29 anos. 45 .Steve Jobs e o Primeiro Macintosh Após o fracasso comercial do projeto Lisa.0. em 1972. para caracterizar o Alto do Xerox PARC. a grande mudança em sistemas operacionais somente aconteceu nos anos 90. com o surgimento do Windows 95 e do MacOsX .

CAPÍTULO 2

Esse duro golpe na vida de Jobs será a
semente de duas importantes transformações
na forma de vermos o mundo atualmente.
Uma vez demitido Jobs compra a Pixar, que
até então era uma pequena divisão gráfica da
Lucas Films. A Pixar sob a proteção de Jobs
criou o primeiro filme feito inteiramente por
computador, “Toy Story”, que transformou
para sempre a indústria do cinema.
A segunda transformação foi a criação da
NeXT, uma empresa de computadores que
Jobs criou com um único fim, destruir de vez
a APPLE. A NeXT fracassou, mas foi comprada
em 1996 pela APPLE que estava falida, devido
Figura 2.5 - Toy Story
sua incapacidade de competir no mercado
com Bill Gates e seu sistema operacional
Windows. Esse fato colocou Jobs de novo a
frente da sua ex-empresa e o avançado sistema operacional da NeXT será a
base do OSX, o atual sistema operacional da APPLE.
Steve Jobs e a APPLE transformaram a indústria fonográfica com o ipod,
a telefonia ao criar o novo padrão dos smartphones como o iphone; e a
indústria do conhecimento com o ipad e os tablets que permitem ler em
alta definição, jornais, revistas e livros digitais.

Na atualidade são três as principais plataformas ou sistemas operacionais
dos computadores pessoais.
PRINCIPAIS SISTEMAS OPERACIONAIS
Windows
Lançado em 1993, pela Microsoft e com a versão
atual Windows 7.0, usado por 400 milhões de
pessoas, representa 89% do mercado mundial. Seu
sucesso se deve à compatibilidade, já que pode ser
utilizado por máquinas de qualquer marca inclusive
os computadores conhecidos como clones ou
genéricos.
Figura 2.6 - Microsoft Windows
46

Universidade do Estado de Santa Catarina

CAPÍTULO 2

Tecnologia, Educação e Aprendizagem

OS-X

Figura 2.7 - Apple OSX

Lançado em 2001, pela APPLE e com a versão
atual Lion, é usado por 22,5 milhões de pessoas e
representa 5,54% do mercado mundial. Atribui-se
sua menor popularidade ao fato de ser utilizado
apenas por computadores da mesma marca. Este
sistema operacional é muito popular entre designers,
cineastas, fotógrafos, músicos e artistas, mas está
se popularizando graças ao consumo dos outros
produtos da empresa mencionados anteriormente.
Linux

Lançado em 1991, pela Linux Fundation, com sua
versão atual Linux Kernel 3.0.4. Dos três principais
sistemas é menos utilizado. O Linux responde à
política de software livre e é um sistema operacional
aberto, ou seja, seus códigos são abertos para que
qualquer pessoa com o conhecimento técnico
adequado possa modificá-lo. Seu surgimento
teve início quando um estudante de computação
finlandês, Linus Torvalds, postou um comentário em
Figura 2.8 -Linux
uma lista de discussão da Usenet em que comentava
que estava desenvolvendo um núcleo de sistema
operacional e perguntou se alguém gostaria de auxiliá-lo na tarefa.
Agora que você já aprendeu sobre a história do computador, vamos
conhecer um pouco mais sobre tipos de computadores existentes e suas
partes?
Tipos de computadores
Os computadores variam em termos de tamanho e capacidade. Em uma
ponta da escala estão os supercomputadores, computadores muito
grandes com centenas de microprocessadores vinculados, que executam
cálculos extremamente complexos. Na outra ponta, estão os computadores
minúsculos embutidos em carros, TVs, sistemas de som, calculadoras
e eletrodomésticos. Esses computadores são criados para executar um
número limitado de tarefas.

47

CAPÍTULO 2

O computador pessoal (ou PC), como o próprio nome sugere, foi
desenvolvido para ser usado por uma pessoa de cada vez. Veja a seguir
um pouco mais sobre os vários tipos de computadores pessoais existentes
no mercado hoje: desktops, laptops, netbooks, tablets e smartphones.

Desktop
Os Desktops foram criados
para uso em uma mesa ou
escrivaninha.
Normalmente,
são maiores e mais potentes
que outros tipos de PC. Os
desktops
são
constituídos
por componentes separados.
O principal deles, chamado
unidade de sistema, é uma
caixa
retangular.
Outros
componentes (como monitor,
mouse e teclado) conectam-se à
unidade de sistema.

Figura 2.9 - Desktop

Laptops

®

Figura 2.10 - laptop

Os Laptops são PCs móveis mais leves com
uma tela fina. Costumam ser chamados
de notebooks por causa do seu tamanho
pequeno. Os laptops podem operar com
baterias, por isso você pode levá-los para
qualquer lugar. Ao contrário dos desktops,
os laptops combinam a CPU, a tela e o
teclado em uma única unidade de sistema.
A tela se fecha sobre o teclado, quando não
está em uso, o que facilita o seu transporte.
Netbooks
São um tipo de Laptops com menor quantidade
de recursos e capacidade de armazenamento.
Seu objetivo é possibilitar a navegação na
internet e permitir editar documentos de texto
e folhas de cálculo.

Figura 2.11 - Netbook

48

Universidade do Estado de Santa Catarina

Smartphones Figura 2. como os aplicativos que são executados em seu sistema operacional. etc.Tablets São computadores que não possuem teclado. a unidade de procesamento central além de seus principais periféricos. a interação se dá por meio de toques na tela (touchscreen). que você pode ver e tocar. um sistema de muitas partes funcionando em conjunto. por outro lado.iphone tipo de smartphone Telefones inteligentes (em tradução livre). Como vimos anteriormente. já deve saber que não existe uma parte única chamada “computador”. O software. são telefones que têm grande capacidade de armazenamento e várias funcionalidades similares aos computadores. Existe um mercado em expansão de desenvolvimento de aplicativos. (programas desenvolvidos para tablets e smartphones).13 .12 .CAPÍTULO 2 Tecnologia. Assim como os tablets. são denominadas coletivamente hardware. 49 . São utilizados para navegar na internet e para a leitura de e-books (livros eletrônicos). Seu sistema pode ter uma aparência um pouco diferente. filmar. Educação e Aprendizagem Tablets Figura 2. também possibilitam as ações de navegação e leitura de documentos eletrônicos além das funcionalidades comúns a maioria de celulares como fotografar. na verdade. se refere às instruções (ou programas) que dizem ao hardware o que fazer. vamos conhecer esse aparelho um pouco mais a fundo.. A ilustração a seguir mostra os dispositivos de hardware mais comuns em um sistema de computador desktop. Computador e seus periféricos Se você usa um computador desktop. Um computador é. mas provavelmente possui a maioria destas peças. as partes físicas. revistas e jornais em formato digital. Agora que você conhece um pouco mais sobre os diferentes tipos de computador.

guardando praticamente todos os programas e arquivos. Em geral. é uma caixa retangular que contêm os componentes eletrônicos que processam as informações. O mais importante desses componentes é a CPU (esta sigla em inglês em português significa Unidade de Processamento Central) ou microprocessador. normalmente eles funcionam como principal meio de armazenamento do computador. Como os discos rígidos podem reter uma grande quantidade de informações.CAPÍTULO 2 5 b 2 c a 3 4 Figura 2. Normalmente. A unidade de procesamento central é o núcleo de um sistema de computador. A unidade de disco rígido do computador armazena informações em um disco. que armazena temporariamente informações utilizadas pela CPU enquanto o computador está ligado. dispositivos que armazenam informações em um disco de plástico ou de metal. As informações gravadas na RAM são apagadas quando o computador é desligado. a unidade de disco rígido fica localizada dentro da unidade de sistema. Outro componente é a memória RAM.14 . O disco preserva as informações mesmo quando o computador está desligado. que é um prato rígido ou pilha de pratos com uma superfície magnética.O computador principais periféricos 1. 50 Universidade do Estado de Santa Catarina . a. que atua como o “cérebro” do computador. O computador possui uma ou mais unidades de disco.

As unidades de CD ou DVD usam lasers para ler (recuperar) dados de um CD / DVD. 3. 4. geralmente na parte traseira da unidade de sistema.b. c. Mouse é um pequeno dispositivo usado para apontar e selecionar itens na tela do computador. Bluetooth é um padrão global de comunicação sem fio e de baixo consumo de energia que permite a transmissão de dados entre dispositivos compatíveis com a tecnologia. Educação e Aprendizagem É um formato de disco óptico para vídeo de alta definição e armazenamento de dados de alta densidade. A tela de um computador pode mostrar imagens estáticas ou em movimento. Os novos mouses não tem fio e se conectam com o computador via Bluetooh. 5. endereços de internet. Quase todas as outras partes do computador se conectam à unidade de sistema por meio de cabos. o modelo mais comum se assemelha a um rato (por isso se chama “mouse”. ambos possuem tela plana e emitem imagens de ótima resolução mas o LED é ainda mais fino que o LCD e tem um consumo menor de energia. CAPÍTULO 2 Tecnologia. Ele possui teclas com letras e números que nos permitem interagir com o computador por meio de ordens escritas como. Webcam é uma pequena camera digital que tem como objetivo principal a transmissão da imagem do usuário pela internet para conversações com vídeo. textos e gráficos. poderá gravar cópias de seus arquivos em CDs/DVDs vazios. Os cabos são conectados às portas (aberturas) específicas. sendo conectado à unidade de sistema por um cabo comprido que faz lembrar uma cauda. Ele é pequeno e alongado. os novos computadores não possuem mais esta parte era a antiga unidade de armazenamento e foi extinta devido a sua baixa quantidade de armazenamento de dados. O leitor também serve para tocar CDs de música e rodar filmes em DVD ou Blu-Ray. Muitos mouses também têm uma roda entre os dois botões. e em muitos casos também gravam dados em CDs / DVDs. 2. HP entre outras nas quais o monitor e a unidade de procesamento central são uma única peça. por exemplo. O mouse geralmente possui dois botões: um botão principal (normalmente o da esquerda) e um botão secundário. que significa rato em inglês). comandos. 51 . O hardware que não faz parte da unidade de sistema é chamado de dispositivo periférico ou simplesmente dispositivo. Atualmente os formatos mais comuns no mercado são: os monitores de LCD (vídeo de cristal líquido) e os monitores de LED (diodo emissor de luz). Embora existam mouses de várias formas. Se você tiver uma unidade de disco gravável. Unidade de leitura de diskette. DVD e Blue-Ray está geralmente localizada na frente da unidade de sistema. Unidade de leitura de CD. Existem computadores das empresas APPLE. que permite percorrer as telas de informações. Monitor é um dispositivo de saída de informações por meio de imagens. Teclado é um dispositivo de entrada que permite digitar textos no computador.

Podem vir embutidos na unidade de sistema ou ser conectados com cabos. Impressora é um dispositivo de saída que transfere dados de um computador para o papel. Os dois principais tipos de impressora são a jato de tinta e a laser. Alto-falantes são usados para emitir som. poderá imprimir e-mails.15 -Outros periféricos 6. Igual ao Pen drive se conecta ao computador por meio da entrada USB. CDs e DVDs por sua facilidade de uso. baixo custo e capacidade de armazenamento. existem HDs externos que se conectam ao computador por meio de uma rede Wi-Fi (sem fio) 52 Universidade do Estado de Santa Catarina . Você não precisa de impressora para usar o computador. cartões. Pen drive é uma unidade de armazenamento portátil que se conecta ao CPU por meio de uma entrada USB (Universal Serial Bus). se tiver uma. As impressoras a jato de tinta são as mais populares para uso doméstico. convites.CAPÍTULO 2 6 7 10 8 9 11 Figura 2. Esta unidade de armazenamento está substituindo disquetes. As informações nele contidas podem ser guardadas por até 10 anos. mas. similar ao contido dentro do CPU. Sua principal finalidade é gravar respaldos de informações importantes ou o transporte de grandes quantidades de informação. As impressoras a laser são mais rápidas e tem melhor resolução. 8. fotografias e outros materiais. textos. São eles que permitem ouvir música e efeitos de som no computador. HD externo é uma unidade de armazenamento portátil que contém um HD de alta capacidade. anúncios. 7. 9. Na atualidade. Elas podem imprimir em preto e branco ou em cores e produzem fotos de alta qualidade quando usado papel especial.

Educação e Aprendizagem 10. Portanto. conheça agora o mundo de comunicação a que você pode ter acesso quando na posse de um computador. que antes poderiam levar semanas e até meses para serem feitas. Modem este dispositivo é o que permite a conexão com a internet. a era da Internet! Seção 2 – Internet: histórico. namoramos.CAPÍTULO 2 Tecnologia. de modo que o sinal pode ser captado por laptops. SWITCH é utilizada para montar uma rede interna de computadores e desta forma transferir dados de um computador a outro com facilidade. e este sinal é repassado para o computador. não seria possível no formato existente sem a ajuda da Internet. Os novos modems geralmente possuem uma antena pela qual transmitem este sinal sem fios. O curso que você está fazendo. compartilhamos. smartphones e alguns desktops que possuem esta tecnologia. nos comunicamos. Você já imaginou como seria o mundo de hoje sem a Internet?A Internet está cada vez mais presente no nosso dia a dia. nos divertimos. »» Conhecer as ferramentas que a Internet disponibiliza para apoio do educador. por meio de cabos. Por meio dela podemos realizar pesquisas instantâneas. aprendemos e podemos ensinar pela Internet. é preciso que você 53 . Seja bem-vindo(a) a esta nova era. Nele é conectado o cabo que vem da operadora do sinal de internet. um modem e um serviço de Internet. por exemplo. serviços disponíveis e plataformas educacionais Objetivos de aprendizagem »» Conhecer o conceito e histórico da Internet. 11. como professor é preciso estar conectado com as transformações provenientes do uso da Internet. Até aqui você conheceu os tipos de computadores e suas partes. tablets.

on-line. ou fórum. A Internet será uma mídia extremamente popular nesses próximos anos. de alguma forma. Existe um mundo de informação instantânea que antes era impossível de imaginar. hoje não imaginadas.as quais podem enriquecer seu conteúdo em sala de aula. é a mesma situação pela qual passou a televisão na década de 40. A Internet está ainda engatinhando. que você estudou na seção anterior. De acordo com Moran (2001). Quando chegou às universidades. mas em pouco tempo tem ficado mais e mais indispensável no dia a dia. porque ela. mas em alguns anos ela estará nos carros. o ENIAC disseminou a semente que geraria os computadores pessoais. com ferramentas como o “chat”. um espaço onde estão surgindo novos serviços virtuais. Universidade do Estado de Santa Catarina . vai-se ligar com todas as outras mídias. à facilidade e à interatividade provenientes da Internet . é uma nova mídia de comunicação.. na década de 60. a Internet também surgiu com objetivos bélicos. Mas.. e já não será acessada unicamente por um computador. 54 Foi por motivos de guerra que o ENIAC. A Internet ainda está numa fase embrionária. Assim como o primeiro computador. em nossas casas. o “e-mail”. se transformando na maior mídia de massa. Veja como tudo começou. haverá milhares de formas de acesso. A sua criação tinha por finalidade inicial decifrar os códigos inimigos. foi desenvolvido pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. em eletrodomésticos. A Guerra Fria é a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética. cuja palavra chave é a “busca” ou “search”. a Internet começa a ser um grande meio de negócios. um dos primeiros supercomputadores. Hoje já temos acesso a Internet pelo celular. fundamentalmente.CAPÍTULO 2 adapte suas aulas à velocidade. Dois dos principais motivadores do desenvolvimento da tecnologia foram: »» a guerra e sua sede de procura por formas de dominação. Certamente daqui a 10 anos ela será mais famosa do que a televisão é hoje. É também uma mídia de comunicação. mas também por outras tecnologias. a Internet é uma mídia de pesquisa. e »» a educação que procura a democratização e uso da tecnologia para o desenvolvimento dos povos. no período da Guerra Fria. em inglês.

tinha o objetivo de interligar as bases militares e os departamentos de pesquisa do governo americano. na California. ele já previa vários computadores interconectados globalmente. em 29 de outubro de 1969. desenvolvida no MIT. pelo meio dos quais todos poderiam acessar dados e programas de qualquer local rapidamente. com uma linha discada de baixa velocidade. Em 1970. O conteúdo do e-mail era a palavra “login”. No final de 1969. a rede ARPANET é liberada para o uso das universidades. na Califórnia. com um Q-32. com a diminuição da tensão entre Estados Unidos e a União Soviética. em 1962. a UCLA. Licklider. em 1969.Agência de Pesquisas em Projetos Avançados). A “mãe” da Internet. do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT). como no estudo das possíveis aplicações da rede. em Los Angeles) o primeiro computador da rede ou o primeiro nó.R. surgindo assim a ARPANET. Baseados nesse conceito e motivados pelo medo a um ataque soviético.C. Assim. Nesse momento. Em 1969. criando assim o primeiro computador de rede do mundo. Roberts e Thomas Merrill conectaram um computador TX-2. mas o computador de Stanford parou de funcionar após receber a letra “O”. foi testada essa tecnologia enviando-se o primeiro e-mail entre duas universidades. em Massachussets. nela eram realizados trabalhos focados tanto na rede em si. a ARPA abre uma licitação. mas entre dezenas de empresas a IBM decide não participar alegando que uma rede desse gênero nunca poderia ser construída. Em 1965. mas o grande número de acessos obriga a divisão da rede em duas: 55 . os Estados Unidos decidiram montar uma rede pela qual compartilhassem suas informações de forma segura. Educação e Aprendizagem Foi em agosto de 1962 que J. é enviado à UCLA (Universidade da Califórnia. e o Instituto de Pesquisa de Stanford. escreveu uma série de memorandos falando a respeito do conceito da rede Galáxica. desenvolvida pela agência Americana ARPA (Advanced Research and Projects Agency . quatro servidores ou nós já estavam conectados na ARPANET.CAPÍTULO 2 Tecnologia. Em 1968.

a Arpanet chega a 15 computadores todos vinculados a Universidades e centros de pesquisa. uma criação cultural”. a Arpanet deixa de existir ficando apenas a Internet. criada por Tim Berners-Lee.000 servidores conectados. a Earn. Mas o que é um vírus de Internet e como afeta os computadores? Um vírus é um programa com fins maliciosos. a Web. Como diria o Sociólogo Manuel Castells (2003. de Londres. Em 1971. em 1983. entre eles a NASA (Agência Nacional de Administração Espacial) Já em 1973. E o nome Internet só começa a ser usado a partir de 1982.CAPÍTULO 2 »» a Milnet com fins militares. que é a rede acadêmica européia financiada pela IBM. A partir de 1981. O ano de 1988 ficou marcado na história da Internet pelo primeiro ataque de vírus que infectou 10% dos 60. com a University College.32 ) “a Internet é. e o Japan Unix. começa a expansão acadêmica da rede e surgem várias alternativas como a Bitnet que se inicia em Nova Iorque. Em 1990. Em 1974. O termo e o funcionamento do WWW (World Wide Web) é criado pelo CERN (Laboratório Europeu de Física de Partículas). foi inaugurado o Telenet que é o primeiro serviço comercial da ARPA. em 1984. acima de tudo. e o Reino Unido. capaz de causar transtornos com os mais diversos tipos de ações. começam as primeiras conexões internacionais envolvendo três países: Estados Unidos. é o primeiro navegador e nasce como uma ferramenta para compartilhamento 56 Universidade do Estado de Santa Catarina . Noruega. com a Royal Radar Stablishment. »» a nova ARPANET para fins não militares. p. Somente após esta divisão foi possível o desenvolvimento da Internet até o nível atual.

é um programa de computador que habilita seus usuários a interagirem com documentos virtuais da Internet. Em 1993. que em apenas 30 dias era usado por 90% das pessoas que estavam na Internet. e. demitiu-se para formar a companhia que seria conhecida mais tarde como Netscape Communications Corporation. Educação e Aprendizagem de informações entre os cientistas espalhados pelo mundo. Mozilla Firefox (Firefox Foundation). fundador da Silicon Graphics.0. A Microsoft também quis o potencial desse universo e iniciou o que seria conhecida como a Guerra dos navegadores.634%. O Mosaic foi disponibilizado gratuitamente para 12 pessoas e se espalhou como um vírus. se cria a INTERNIC que é o primeiro órgão a registrar os domínios dos servidores. A versão 1. mas que foi adequado para o Apple Macintosh e Microsoft Windows. a Netscape.0 do Mosaic foi lançada em setembro de 1993. os principais navegadores em ordem de popularidade são: Internet Explorer (Microsoft). como eu e você. Jim Clark. também conhecido pelos termos ingleses web browser ou simplesmente browser. grandes empresas começam a se interessar pela Internet. por isso sua importância. que é o primeiro navegador comercial. 57 . nesse ano a Internet experimenta um crescimento de 341. Marc Andreessen. logo depois. A Web explodiu realmente em popularidade com a introdução do NCSA Mosaic.CAPÍTULO 2 Tecnologia. A finalidade principal do navegador é ser o intermediário entre os usuários e os conteúdos da Web. o líder do projeto Mosaic na NCSA. surge o Netscape 1. o número de servidores chega a um milhão. Os navegadores Um navegador. em 1994. um navegador gráfico que funcionava no sistema operacional Unix. Na atualidade. junto com Andreessen. Com mais de 25 milhões de usuários. abrindo um novo mundo para o usuário comum. descobre o Mosaic e cria. Chrome do Google Safari (Apple) e o Opera (Telenor). O navegador é a porta que abre o mundo da Internet para pessoas comuns. também conhecidos como páginas da Web.

esta última após ser comprada por um grupo de investidores mudou seu nome para Submarino. mail que significa correio em português. Para o usuário ter seu e-mail não era preciso ter computador em casa. A empresa Netscape lança ações na bolsa de valores e elas adquirem um valor recorde. faturou 663 milhões de dólares. lançou-se a primeira empresa de e-mail grátis do mundo. 58 Universidade do Estado de Santa Catarina . no final do primeiro dia do pregão. Lojas Americanas. No Brasil. E-mail é um termo que surge do inglês. o Explorer 3. Magazine Luiza e Booknet. Jim Clark tinha investido cinco milhões de dólares e. Excite e Lycos. de eletrônico daria ao termo o seguinte significado : correio eletrônico. destaca-se Livraria Cultura. a pedido do Bill Gates. Entre as empresas pioneiras nas vendas on-line. Bastava se conectar através de qualquer computador.0. que eram grandes empresas da Busca na Internet. Nesse ano também surgiu a primeira loja virtual de relevância a americana Amazon. o Hotmail. mas que estava tendo um crescimento muito grande. o comércio eletrônico se iniciou em 1995. Este termo juntamente com o prefixo “E-”. Em 1996. que prevê pena para material inadequado distribuído na rede. Grupo Pão de Açúcar. mas no dia 4 de Julho de 1996. assim como o lançamento do primeiro navegador da Microsoft. Este ano também ficou marcado pela abertura de capital da Yahoo. com uma empresa que não tinha faturado nem um centavo e tampouco sabia como faturar. em qualquer lugar do mundo. O e-mail O e-mail existe desde o início da Internet. fundada por Jeff Bezos e que inicialmente foi criada para vender livros. logo depois da Internet comercial.CAPÍTULO 2 O ano da grande mudança na Internet é 1995. se inicia a discussão da legislação sobre a Internet.

Os dois fundadores do Yahoo! eram estudantes de Ph. reduzindo o tempo necessário para encontrar informações. inventado por Jonathan Swift na obra “As viagens de Gulliver”. motor de pesquisa ou máquina de busca é um sistema de software projetado para encontrar informações armazenadas em um sistema computacional a partir de palavras-chave indicadas pelo usuário. rápida e eficiente. Em março de 1995. por David Filo e Jerry Yang. diversas empresas se desenvolveram. os fundadores perceberam que eles tinham um negócio em potencial em suas mãos. e a ideia central por trás do Yahoo! estava criada. as listas de Jerry e David tornaram-se muito longas e desorganizadas.. Por causa do grande volume de tráfego e da entusiástica recepção que o Yahoo! estava tendo. O nome Hotmail (correio quente em tradução livre) está baseado na linguagem HTML.D. utilizada para produzir páginas na Web. rude e imperfeito. Os motores de busca surgiram logo após o aparecimento da Internet. fundadores da empresa que inspirados no povo Yahoo. Motores de busca ou buscadores CAPÍTULO 2 Tecnologia. chegando algumas a valer milhões de dólares. eles incorporaram o negócio e encontraram59 . em fevereiro de 1994. eles estavam dedicando mais tempo a sua lista caseira de links favoritos do que as suas dissertações de doutorado. com o intuito de catalogar sites de seu interesse pessoal na Internet. Entre as maiores empresas encontram-se a Google..> Um motor de busca. eles criavam subcategorias. com a intenção de prestar um serviço extremamente importante: a busca de qualquer informação na rede. Educação e Aprendizagem HyperText Markup Language. apresentando os resultados de uma forma organizada. Logo. de Engenharia Elétrica na Universidade de Stanford. o indiano Sabeer Bhatia e seu amigo.O Hotmail foi fundado por dois ex-funcionários da Apple. O Yahoo A Yahoo! nasceu como um hobby de estudantes e evoluiu para uma marca global que tem mudado a maneira como as pessoas se comunicam. que significa Linguagem de Marcação de Hipertexto. Com o tempo. e eles tiveram que separá-las em categorias. iniciaram seu guia em um trailer no próprio campus. Quando as categorias ficavam muito cheias. A partir desse preceito básico. a Yahoo. Jack Smith. A designação “Yahoo” foi criada em 1994.

O mensageiro instantâneo ou comunicador instantâneo. está on-line. Mensagem instantânea e os chats No final dos anos 90. que ligavam de volta para o site original.CAPÍTULO 2 se com dezenas de capitalistas de risco do Vale do Silício. quase virando o século se popularizam os programas de mensagem instantânea e os chats. Atari. é uma aplicação que permite o envio e o recebimento de mensagens de texto em tempo real. Hoje o Google é o mais importante portal de busca do mundo. Em abril de 1995. Oracle e Cisco. Eles chamaram essa nova tecnologia PageRank. quando ambos eram estudantes de doutorado na Universidade Stanford. que foi criado para indicar a quantidade de informação que o motor de busca podia processar. Mas atrás do Yahoo! nasceria um outro gigante que tomaria seu lugar como o buscador mais acessado do mundo. bem como pela importância dessas páginas. O Google O Google começou em janeiro de 1996 como um projeto de pesquisa de Larry Page e Sergey Brin. a Sequoia fez um investimento inicial de quase dois milhões de dólares na Yahoo!. a bem conceituada firma cujos negócios mais bemsucedidos incluíam Apple. Por meio destes programas o usuário é informado quando algum de seus amigos. cadastrado em sua lista de contatos. isto é. Enquanto os motores de busca convencionais exibiam resultados classificados pela contagem de quantas vezes os termos de busca apareciam na primeira página. que significa o número um seguido por cem zeros. os dois teorizaram sobre um sistema melhor que analisava as relações entre os sites. onde a relevância de um site era determinada pelo número de páginas. também conhecido por IM (do inglês Instant Messaging). conectou-se à rede. O nome Google provem de um erro ortográfico da palavra “googol”. 60 Universidade do Estado de Santa Catarina . Eles se decidiram pela Sequoia Capital.

blogs. comunicar-se e relacionar-se com outras pessoas e até mesmo namorar. às vezes web site. mas todos têm o mesmo objetivo: a comunicação virtual. Alguns permitem interação em tempo real. mas apenas trocavam mensagens pelo computador. O termo website ganhou a forma abreviada site. portanto. wikis e Redes Sociais A Internet também possibilitou a utilização de ambientes de interação: sites. wikis. e até outra forma física. redes sociais etc. começa a utilizar o termo “Internet 2. Os sites. a seguir. Veja.0” para designar uma nova era nas comunicações interpessoais na Internet. a explicação dos espaços de interação mais usados atualmente. wikis e redes sociais (como o Orkut e o Facebook) e universos virtuais compreendidos em jogos. passou a designar alternativamente um lugar real (no campo) ou virtual (na Web). é possível dividi-los em três grandes ramos: 61 . O blog atual é uma evolução dos diários on-line. Os primeiros blogs eram simplesmente componentes de sites. blogs. onde pessoas mantêm informações constantes sobre suas vidas ou interesses. Em 2004. por meio de sites. Os novos tipos de comunicação e relacionamento que estavam se desenvolvendo na rede permitiram que vários usuários começassem a gerar conteúdos de maneira independente. A Internet era um campo fresco para adquirir outra personalidade. Educação e Aprendizagem Com os chats e as mensagens se iniciaria uma nova forma de interagir. um conjunto de páginas virtualmente localizado em algum ponto da Web. A evolução das ferramentas que facilitou a produção e manutenção de artigos postados em ordem cronológica simplificando o processo de publicação. contribuiu com a popularização do formato. uma empresa de comunicação americana. Isso levou ao aperfeiçoamento de ferramentas e hospedagem próprias para blogs. Site. se origina para designar um sítio virtual. atualizados manualmente no próprio código da página. blogs. Surgem assim os primeiros namoros “virtuais” e também as primeiras decepções. que passou a ser uma segunda acepção do termo original. a O’Reilly Media. Existem diversos tipos de blogs atualmente. outros são assíncronos.CAPÍTULO 2 Tecnologia. Sites. do termo em inglês website. já que os usuários não se viam. Entretanto.

Sendo que eles podem apresentar conteúdos variados. informativos ou o de variedades. colaborativo e apoiado pela organização sem fins lucrativos Wikimedia Foundation. a Internet deixou de ser um ambiente em que a informação já vinha pronta de um determinado lugar como um portal de jornais e revistas. Facebook. notícias. Linked-in) são uma estrutura social composta por pessoas ou organizações. o Orkut e o Linked in. que significa “extremamente rápido” no idioma havaiano. opiniões políticas e poesias. Os wikis são denominados assim pelo termo “Wiki wiki”. conectadas por um ou vários tipos de relações. »» Blogs corporativos e organizacionais: muitas empresas vêm utilizando blogs como ferramentas de divulgação e contato com clientes. o conteúdo de um artigo se atualiza graças à coletividade. É possível corrigir erros. baseado na web. Universidade do Estado de Santa Catarina . contribuíram muito para estes avanços. com contos. Um exemplo fortíssimo de serviço de micro-blogging é o Twitter. Este software colaborativo permite a edição coletiva de documentos usando um sistema que não necessita que o conteúdo tenha que ser revisto antes da sua publicação. ou grupo de usuários. conhecidos como “tweets”) 62 Com o advento dos espaços virtuais de interação. »» Blogs de gênero: que tratam de um assunto dominado pelo o usuário. como humorísticos. um projeto de enciclopédia multilíngue livre. que é uma rede de relacionamento corporativo. que partilham valores e objetivos comuns. O que faz o “wiki” tão diferente das outras páginas da Internet é certamente o fato de poder ser editado pelos usuários que por ele navegam. As tecnologias de blogging e micro-blogging. Assim. para ser um meio de divulgação de conteúdos. complementar ideias e inserir novas informações. Twitter é uma rede social e servidor para micro-blogging. Estes são os blogs com o maior número de acessos. que permite aos usuários enviar e receber atualizações pessoais de outros contatos (em textos de até 140 caracteres. As Redes Sociais (Orkut. normalmente são usados como um tipo de diário com postagens voltadas para os acontecimentos da vida e as opiniões do usuário. As principais redes em ordem de importância são o Facebook. Um dos principais expoentes dos wikis é a Wikipédia.CAPÍTULO 2 »» Blogs pessoais: são os mais populares. uma vez que o usuário já não precisa compreender a estrutura de como aquele serviço foi desenvolvido – ele apenas o usa.

com seus alunos. Como criar um Blog A seguir. 1.live. É totalmente gratuito e não tem tantas ferramentas quanto o wordpress. Educação e Aprendizagem O compartilhamento é o grande valor da Web 2. um roteiro simplificado que serve como orientação para a criação de um blog. como por exemplo: »» Wordpress (http://wordpress. por exemplo. permite maior customização (personalização do visual do blog).com). »» Blogger (https://www. esse é o serviço de blog da google. Existem diversas empresas que disponibilizam as ferramentas para a criação de blogs e. portanto. está integrado às contas live e hotmail e é bastante fácil de montar já que tem módulos pré-configurados. Procure um site de hospedagem e criação de blogs gratuito. podem existir pequenas diferenças. É por meio do compartilhamento de informações que o seu perfil do Orkut ou no Facebook. 63 . Seus vídeos no YouTube estão disponíveis para quem quiser assistir e compartilhar o link. fundamentalmente. Destacamos que este guia simplificado tem como objetivo despertar sua curiosidade quanto a esta ferramenta de interatividade que pode ser utilizada para compartilhar conhecimento com outros professores e. YouTube é um site que permite que seus usuários carreguem e compartilhem vídeos em formato digital. Foi fundado em fevereiro de 2005 por três pioneiros do PayPal um famoso site da Internet ligado ao gerenciamento de transferência de fundos.com).0. você não precisa criar um novo cadastro se já possui uma conta de e-mail do tipo gmail.CAPÍTULO 2 Tecnologia. »» Window live Spaces (http://home. exitem dois tipos de serviço o gratuito com publicidade e o pago ou premium. pode ser visto por milhões de outros usuários em qualquer país. Tudo o que se faz na Internet é compartilhado com outras pessoas.com) esse é o serviço de blog da microsoft.blogger. o mais popular da internet.

64 Universidade do Estado de Santa Catarina . ou EaD como é conhecida. 3. Com toda essa tecnologia a disposição. o conhecimento se disemina rapidamente e contribui também para a área educativa. Envie o endereço de seu blog para as pessoas com as quais queira compartilhá-lo.livejournal. Ambientes Virtuais de Aprendizagem são softwares que auxiliam na montagem de cursos acessíveis pela Internet. o surgimento de novas formas de ensinar e aprender.com/) é uma comunidade virtual onde usuários registrados podem criar um blog gratuito e receber suporte constante de outros membros. 4. 5. Ambientes Virtuais de Aprendizagem A educação a distância. como é o caso da Educação a Distância. é possível construir a sua própria lista de amigos e ler as suas atualizações. com ferramentas que permitem acompanhar constantemente o progresso dos estudantes. permitindo. utiliza plataformas ou ambientes virtuais de aprendizagem na Internet que possibilitam a mediação pedagógica e consequentemente a aprendizagem. Em todos os serviços há várias opções de modelos de visualização de seu blog. Ele é personalizavel para quem tem conhecimento em programação. faça seu cadastro para poder ingressar ao serviço.CAPÍTULO 2 »» LiveJournal (http://www. Dentro do LiveJournal. Seu blog já está criado. entre outras coisas. Em caso de não possuir uma conta prévia. Escolha um modelo para seu blog. agora comece a realizar suas postagens (ou noticias que você queira publicar). veja aquela que se adapta mais a sua personalidade e ao conteúdo do blog. isto é fundamental para que as pessoas possam identificar o conteúdo do mesmo. Estes softwares foram criados para ajudar os professores no gerenciamento de conteúdos para seus alunos e na administração do curso. 6. 2. Crie um título para seu blog.

de apoio à aprendizagem. Este é um dos motivos pelos quais ressaltamos a importância de vocês conhecerem bem a ferramenta computador e o universo de possibilidades que ele oferece. No próximo capítulo. em termos pedagógicos) possa acontecer. 65 . você conhecerá um pouco mais sobre o conceito de comunicação e qual sua relação com a educação e a aprendizagem. como a Internet. Educação e Aprendizagem Exemplo Um exemplo de este tipo de software é o moodle que é a plataforma utilizada pela UDESC nos cursos por ela ministrados na modalidade a distância. executado em um ambiente virtual. É o ambiente virtual que permite a comunicação entre professor e aluno de forma síncrona e assíncrona. um software livre. esse recurso pode ser um instrumento de transformação social na educação. disponibilizando várias ferramentas de interação para que essa comunicação (ou mediação. que só existem por estarem disponibilizadas na rede (Internet) por meio do computador. Os espaços virtuais de aprendizagem reúnem todas as ferramentas de interação já explicadas aqui. O conceito foi criado em 2001. pois conectado a uma rede de comunicação mundial. Moodle significa Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment. educador e cientista computacional. por Martin Dougiamas.CAPÍTULO 2 Tecnologia.

redes sociais etc. OS-X e Linux. caixas de som. referente aos seus componentes e o software a parte operacional que permite o uso de programas.CAPÍTULO 2 Síntese do capítulo »» Neste capítulo você fez uma viagem sobre a história do computador e da Internet. você viu que com a Internet foi possível a criação dos ambientes virtuais de aprendizagem e que um dos mais utilizados é o Moodle. a rede ARPANET é liberada para o uso das universidades. 66 Universidade do Estado de Santa Catarina . Viu que o computador pessoal é uma ferramenta eletrônica destinada ao uso de uma pessoa ou pequeno grupo de pessoas e que executa tarefas e cálculos através das instruções dadas por um programa. »» Você viu que com o advento da Internet surgiram outras criações como: e-mail. »» Por último. os hardwares. modem etc. »» Você viu que na atualidade são três as principais plataformas (sistemas operacionais) dos computadores pessoais: Windows. O computador está basicamente composto de duas partes hardware e software. com a diminuição da tensão entre Estados Unidos e a União Soviética. unidades de CD. mouse. ou seja. O hardware é a parte física. blogs. câmeras. os computadores são formados por: disco rígido. DVD e Blu-Ray. Viu que a ARPANET foi a primeira rede de Internet criada e que em 1970. sites. buscadores. mensagens instantâneas. »» Você também estudou que a Internet assim como o computador surge com fim bélico no período da Guerra Fria. monitor. »» Você estudou que os primeiros computadores eram enormes e que foi somente em 1984 que aparece o primeiro computador pessoal na forma como o conhecemos hoje. teclado. navegadores. impressoras. »» No que se refere as suas partes físicas.

Educação e Aprendizagem Você pode utilizar as linhas abaixo para produzir a síntese do seu processo de estudo: 67 .CAPÍTULO 2 Tecnologia.

ligue com linhas os termos da primeira coluna com os da segunda: a b c d e f 68 Linux Firefox Mouse Facebook Tablet Apple Universidade do Estado de Santa Catarina 1 2 3 4 5 6 Parte do computador Rede social Tipo de computador Fabricante de computador Sistema Operacional Navegador de Internet . Baseando-se no que você estudou sobre o assunto. Você viu que o computador é formado por vários componentes.CAPÍTULO 2 Atividades de aprendizagem 1. um universo de possibilidades se abrem. A partir do que você aprendeu sobre como funciona um computador e a Internet explique qual é a diferença entre navegador e sistema operacional? 2. por meio de um PC. e pôde aprender que ao se conectar na Internet.

Os piratas do Silicon Valley. Figura 2.com. GUIMARÃES.html>.. A Verdadeira História da Internet: Guerra dos Navegadores. 2011. Educação e Aprendizagem Aprenda mais. Disponível em: <http://www. 2011. Disponível em: <http://revistaepoca.algosobre. um filme que conta a história do surgimento do Facebook.br/informatica/historia-do-computadore-da-Internet..com/watch?v=sEoY6QRJlPs&feature=player_embedded>.00A+LICAO+DIGITAL.html>.16 A Rede Social.17 69 . Discovery Channel. Figura 2. 2011. Um filme que narra o nascimento do computador pessoal e a rivalidade entre dois gigantes da informática.EMI242285-15228. Acesso em: 01 set. 2011. youtube.youtube. Revista Época. HISTÓRIA DO COMPUTADOR PESSOAL. Acesso em: 01 set. Acesso em: 01 set.. Você também pode assistir: Historia da Pesquisa na Internet.com/ watch?NR=1&v=DeEafmwRk6A> Acesso em: 01 set. Disponível em: <http://www. Algo sobre. Disponível em: <http://www. A lição digital. Microsoft e Apple.globo. Camila.CAPÍTULO 2 Tecnologia.com/Revista/Epoca/0.

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Comunicação e Linguagem Multimídia Ana Cláudia Taú Melina de la Barrera Ayres Neste capítulo. .3 CAPÍTULO Educação. webconferências e objetos de aprendizagem. você aprenderá a importância da comunicação na educação e as características da linguagem multimídia. entre elas destacam-se: vídeo aulas. Conhecerá também algumas ferramentas que lhe permitirão aplicar a linguagem multimídia em sala de aula.

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CAPÍTULO

3

Educação, Comunicação e Linguagem
Multimídia
Objetivo geral de aprendizagem
Compreender a relação entre educação e comunicação e
conhecer a linguagem multimídia para aplicá-la em sala de aula.

Seções de estudo
Seção 1 – A comunicação e a linguagem multimídia
Seção 2 – A utilização da multimídia em sala de aula

Iniciando o estudo do capítulo
Em pleno século XXI, no nosso dia a dia, parece impossível refletir sobre
educação e comunicação como aspectos separados e independentes. A
cultura deste século tem como base a comunicação, tanto interpessoal
– face a face-, como a comunicação mediada por tecnologias. Assim, a
internet e toda a gama de possibilidades que ela permite – sites, chats, webrádio, blogs, vídeos etc.-; a televisão, o rádio, o cinema são tecnologias que
fazem parte de nossas rotinas, de tal forma que, muitas vezes, é impossível
imaginar-nos sem elas.
Tendo em vista esta realidade, é imprescindível refletir sobre a relação
entre os conceitos de comunicação e educação. Esta reflexão requer um
amplo debate, que não seria possível abarcar somente em um Capítulo.
O objetivo aqui é introduzir o tema, de forma que você tenha ferramentas
para refletir sobre esta questão e conhecendo algumas das características
da linguagem das mídias você possa produzir seus próprios materiais
didáticos. É por essa razão que este Capítulo se apresenta um pouco mais
extenso.
Vamos lá!

Seção 1 – A comunicação e a linguagem multimídia
Objetivos de aprendizagem
»» Conhecer a relação entre os conceitos de comunicação e
educação.
»» Compreender o conceito de multimídia e sua aplicação em
sala de aula.

CAPÍTULO 3

Tecnologia, Educação e Aprendizagem

Ao pensarmos sobre o conceito de comunicação, muitas relações, objetos,
situações nos parecem evidentes. Podemos pensar na interação que,
diariamente, estabelecemos com as pessoas. Podemos pensar, também,
em publicidades que vemos na rua, colocadas em grandes outdoors; ou
em reportagens jornalísticas e vários tipos de mídia, como o rádio, a TV e o
cinema. Podemos pensar ainda em uma comunicação mais direta, mediada
pelo computador, como é o caso da comunicação em rede através do uso
da internet. Todos esses são elementos ou situações que fazem parte do
processo de comunicação.

Mas, afinal, para você, o que realmente é a comunicação?

Em uma perspectiva ligada às Ciências da Comunicação, podemos dizer
que a comunicação é um processo de intercâmbio de mensagens, tanto
verbais como não verbais, entre dois ou mais interlocutores. As mensagens
verbais se transmitem por meio de símbolos linguísticos (verbais ou escritos),
enquanto as mensagens não verbais estão relacionadas a condutas, ações,
situações não verbalizadas, como é o caso, por exemplo, dos gestos etc..

De modo que, por exemplo, quando estamos em sala de aula,
não só a nossa fala está comunicando, os nossos gestos, o
nosso olhar, a roupa que estamos usando, o modo como nos
movemos, e inclusive o espaço físico da sala e a forma como os
móveis estão organizados nesse espaço, também comunicam.

Área de conhecimento interdisciplinar, que aborda
a comunicação a partir do
cruzamento de diversos
saberes, entre eles:
ciências cognitivas e neurociências que estudam a
comunicação em relação à
memória, à percepção e à
linguagem; ciências sociais
e humanas, que estudam
a comunicação nos grupos
ou nos indivíduos; assim
como as engenharias e
as ciências físicas, que
estudam as tecnologias
aplicadas à comunicação
tanto entre homens, como
entre homens e máquinas
etc..

Toda comunicação implica a presença de três elementos básicos:

75

1983. Por esta razão. Portanto. A comunicação implica uma reciprocidade que não pode ser rompida. a mensagem enviada ganha um novo sentido. e buscar uma maneira de fazê-lo (um como).CAPÍTULO 3 1. visto que não somente recebe a informação. e elaborar o que pretende transmitir (um quê). de acordo com Thompson (2011). pode dizer-se que a comunicação é um processo circular. e não linear. Pensando por esta perspectiva note como o ato de comunicar-se está extremamente relacionado ao ato de educar. que também pode ser chamado de interlocutor. Uma mensagem que une emissor e receptor num “instante comunicativo”. mas interage com o seu emissor ao decodificar e processar a mensagem. 2. Vale destacar aqui. O processo de comunicação pode dar-se. para logo responder. mas um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados (FREIRE. reconstruindo-a. no processo de comunicação não há sujeitos passivos. Um emissor que deve ter uma intenção (um para quê). onde o intercâmbio é constante. etc. pois é neste momento que. na medida em que educação não é transferência de saber. suas preferências. p. 3. sua cultura. diferente ao pretendido por quem a enviou. mas aspectos como o contexto no qual se encontra o interlocutor. é diálogo. É por isso que Paulo Freire vai além e afirma: A Educação é comunicação. em muitos casos. basicamente de três maneiras: 76 Universidade do Estado de Santa Catarina .46). a importância desse processo de reconstrução da mensagem por parte do receptor. Um receptor. Neste processo de interpretação entram em jogo não só as mensagens enviadas.

por exemplo. Não há um “penso”. Se você pensar em uma situação de sala de aula presencial. E isto vai além do simples fato de um sujeito revelar um significado de uma coisa a outro sujeito. para que haja uma comunicação eficiente é preciso que professor e aluno construam um pensamento conjunto sobre o que se pretende comunicar. O sujeito pensante não pode pensar sozinho. em um diálogo. veja a importância de refletir também sobre a comunicação mediada pela tecnologia. ou seja. 1983. uma conversa através do telefone ou e-mail. os sujeitos devem compartilhar um contexto histórico-cultural comum. E nessa comunicação entram em jogo não só elementos da linguagem verbal e da não verbal. ou no sentido freiriano. correto? Certamente. em uma sala de aula virtual. que se dá. »» A interação quase-mediada que é aquela que se estabelece através dos meios de comunicação de massa. (FREIRE. É por este motivo que Freire preocupado em rompermos com a ideia de que comunicação é transmissão de conhecimento lembra-nos que para que haja uma comunicação eficiente entre os sujeitos de um diálogo. na educação.44). 77 . Imagine como se dá a comunicação. é importante que ambos compartilhem de um quadro significativo comum. em que a fala de um seja efetivamente compreendida pelo outro. associará o tipo de comunicação que se estabelece ali com a interação face a face. na qual a presença física não é necessária como. Nesse sentido. como o rádio e a TV. em um primeiro momento. É o “pensamos” que estabelece o “penso” e não o contrário. p. Esta co-participação dos sujeitos no ato de pensar se dá na comunicação. mas um “pensamos”. mas há uma troca entre os interlocutores. não pode pensar sem a co-participação de outros sujeitos no ato de pensar sobre o objeto. e não permite uma troca de informação direta e imediata entre os interlocutores. Como destaca Freire. quando conversamos com alguma pessoa que está do nosso lado. »» A interação mediada. a educação propriamente.CAPÍTULO 3 Tecnologia. por exemplo. Educação e Aprendizagem »» Através da interação face a face. Este tipo de comunicação implica que as pessoas que estão interagindo estejam juntas no mesmo lugar e tempo. pois a comunicação faz parte do processo de ensino-aprendizagem.

A diferença está em que. onde estiver. uma superfície de contato. Universidade do Estado de Santa Catarina . surgem novas formas de saber e novos modos de ler e de ver. As informações já não chegam só a alguns poucos privilegiados. podemos saber o que está ocorrendo agora. duas realidades diferentes. O Sistema Wireless (wire=fio. professores e alunos deverão compartilhar signos num ato comunicativo. para isso. ou ainda. nesse ambiente. ou seja. e não se restringem aos livros e jornais. De modo que é provável que nessa comunicação não estejam vendo os rostos ou gestos um do outro. Interface é. pois ela é mediada por uma tecnologia.CAPÍTULO 3 Neste caso. Como. alunos e professores não estão em um mesmo espaço físico. 78 A sala de aula na sociedade midiatizada Uma vez que a sociedade incorpora as mídias a sua rotina. less=sem) permite a conexão entre diferentes pontos de acesso a internet sem a necessidade do uso de cabos (nem de telefonia. E. que transmitem informações via ondas de rádio. nesse processo de comunicação mediado por tecnologia. mesmo do outro lado do mundo. no processo de ensino-aprendizagem. conforme Lévy (1993). por exemplo. a informação está onde nós estivermos: por meio da internet. TV a cabo ou fibra ótica). que não saibam em que ambiente ou contexto se encontra quem está do “outro lado”. Por exemplo. pelo que chamamos de interface. A comunicação é realizada por um sistema de antenas interligadas entre si. o professor pode utilizar o computador e algumas ferramentas disponíveis na internet. podemos pensar em uma terceira situação: a comunicação em sala de aula hoje (neste caso estamos falando de sala de aula presencial) não se restringe à comunicação face a face. não é preciso um complexo computador. de articulação entre dois espaços. Hoje em dia. podendo se estabelecer em diversos níveis. a comunicação já não se estabelece face a face. Neste capítulo. Além disto. e deverão lidar com as possibilidades e as limitações que a tecnologia proporciona. a comunicação ou o ato de educar se daria então? Assim como em uma sala de aula presencial. você conhecerá algumas das características e ferramentas que permitem aplicar a tecnologia à educação. Um telefone celular equipado com wireless e conectado a internet permite a troca de informações com quem se quiser.

ou nunca vimos pessoalmente etc. O vídeo. Segundo Moran: A televisão e o vídeo partem do concreto. ela revolucionou o nosso cotidiano e agora faz parte dele. Atualmente. do close. (MORAN.CAPÍTULO 3 Tecnologia. já haviam produzido uma revolução midiática no nosso cotidiano. a imagem se tornou mais do que um instrumento de registro. o outro. realça um detalhe do nosso dia a dia ou um grande evento. Mexem com o corpo. interpretada. principal forma de linguagem da TV. Educação e Aprendizagem É de extrema importância que você compreenda que. com a pele – nos tocam e “tocamos” os outros que estão ao nosso alcance através dos recortes visuais. a troca de informação citada aqui. com o advento da internet e a popularização das câmeras digitais e celulares. do próximo – daquilo que toca os sentidos. é a informação vivenciada. do imediato. do visível. nós mesmos. relacionada e processada. Antes de darmos continuidade a esta abordagem. tecnologias originárias do século XX. 2001. é importante que você saiba. A imagem. Na década de 1960. do visível. sempre partiu do concreto. Essas características estruturaram uma forma de comunicação mais dinâmica e por vezes mais atraente. 79 . a diferença entre informação e conhecimento. sempre teve um efeito poderoso sobre o homem. a um dado. Enquanto informação diz respeito a um fato. o mundo. faz parte do processo de comunicação.37). o conhecimento é um processo cognitivo. Além disso. de modo geral. lembre-se que a informação não implica necessariamente conhecimento. Nesse contexto. mas que o processo de comunicação é mais amplo que a troca de informação. A linguagem audiovisual tomava forma e fazia da imagem um grande aliado da comunicação. Ela registra um momento. entre outras consequências. O cinema e a TV. nos permite conhecer lugares que nunca pisamos ou pessoas que não conhecemos. Pela TV e pelo vídeo sentimos experiências sensorialmente. do som estéreo envolvente. a televisão já entrava na casa das pessoas levando informações e entretenimento de forma jamais pensada. p. do imediato. a imagem ganha grande destaque.

portanto. gráfico). é preciso. animações e tantos outros recursos possíveis. um dos reptos mais sérios que o mundo da comunicação apresenta ao sistema educativo”. fotografia. elementos gráficos. mediadas através do computador ou outro meio eletrônico. efeitos digitais. é importante que você conheça a seguinte diferenciação. toda linguagem multimídia inclui a linguagem audiovisual. artes visuais. Já a linguagem multimídia implica a combinação de pelo menos um tipo de mídia estática (texto. no contexto do século XXI. Essa conceituação do audiovisual começou a ser aplicada em 1930. infográficos. com pelo menos um tipo de mídia dinâmica (vídeo. transformou-se literalmente na chamada “linguagem total”. simulando. A linguagem audiovisual resulta da combinação de duas linguagens: a linguagem visual e a linguagem sonora. dialoga com textos. a linguagem audiovisual. 80 Universidade do Estado de Santa Catarina . incorporar novas linguagens ao processo de ensino-aprendizagem. Portanto. cada vez mais. com nossos sentidos. animação). Nessa nova realidade. porém. áudio. sons. deixando-a mais próxima do concreto. Para entender o que é multimídia.CAPÍTULO 3 Com a democratização do vídeo digital e dos computadores domésticos. fotografias. o aprendizado já não se dá por meio da linearidade do texto escrito. A aprendizagem. Imagens. mexem. nem toda linguagem audiovisual é multimídia. Segundo Martín-Barbero. Nesse universo de possibilidades. “a atual diversificação e difusão do saber constitui. que ao se fundirem dão a linguagem um caráter multimídia. cada vez mais. (2001. em que a mídia e as imagens fazem parte do modo como nos relacionamos com o mundo e interagimos com o nosso entorno e com as demais pessoas. e é utilizada até os dias de hoje. nos Estados Unidos. sendo este o grande desafio da educação hoje. entre outros. p. para referir-se aos meios de comunicação que se dirigiam simultaneamente aos sentidos visual e auditivo. (re)criando a realidade. 59). hipertextos.

é pela pluralidade de textos e de tipos de leituras que se constroem os cidadãos “[. musicais. corporais. a linguagem multimídia. lúdicas.. Se for este o seu pensamento. ele está equivocado. programas de rádio ou TV. Diferentemente de linguagens. 32). não estamos deixando para trás os livros ou substituindo a figura do professor por novas tecnologias.. 62). p. as audiovisuais. Educação e Aprendizagem Estamos vivendo um momento no qual. entender como funcionam essas novas tecnologias e como elas se articulam com a comunicação. as telemáticas. Você deve estar pensando agora: o uso de filmes. mesmo porque essas por si só não garantem interação e muito menos aprendizado. Este papel mais ativo no processo de comunicação denomina-se interatividade. revistas e jornais.”(2001. um filme. as textuais. p. portanto. videoclipes e hipertextos”. as orais. como a sonora. 81 . permite que o aluno tenha um papel mais ativo no processo ensino-aprendizagem. como instrumentos de apoio ao ensino. por exemplo.] que saibam ler tanto jornais como noticiários de televisão. O que estamos vivenciando é um momento no qual é necessário articular todas as formas de aprendizagem. podem ser entendidas como uma aplicação da multimídia. videogames. (MARTÍN-BARBERO. 2001.CAPÍTULO 3 Tecnologia. ou a combinação de ambas (a audiovisual) e de suportes como. a imagética. não se está substituindo uma forma de aprender por outra. Precisamos. De acordo com Moran: “Um parte importante da aprendizagem acontece quando conseguimos integrar todas as tecnologias. pois como destaca Martín-Barbero.

por exemplo. a multimídia permite. de participar. um CD ou DVD etc. seja ela. »» Permite uma ação ativa por parte do usuário. quando estão presentes duas ou mais pessoas. na interatividade. Assim. escolha. o termo interatividade é utilizado como sinônimo de interação. a interatividade tem outras implicações. ou até crie. Dito isso. há uma mediação das tecnologias.. voltamos para a abordagem da multimídia. decidindo ou alterando a mídia. s. por exemplo. »» Possibilita a modificação de conteúdos. pois é um termo muito utilizado atualmente. mas co-criação da própria mensagem e da comunicação.).p. “o aluno não está mais reduzido a 82 Universidade do Estado de Santa Catarina . altere a ordem da sequência de apresentação dos conteúdos. mas tem a possibilidade de interagir. No dizer de Silva. mas apesar de que compartilham alguns aspectos. estes termos não possuem o mesmo significado. p. os personagens etc. Em alguns casos. entre elas: »» Implica a interação de uma pessoa com uma determinada tecnologia de informação e comunicação (TICs) ou de duas ou mais pessoas se comunicando por meio de uma TIC. como argumenta Maia “O termo interatividade surgiu no contexto das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação” (2007.] ator e autor fazendo da comunicação não apenas o trabalho da emissão. (2001. Enquanto a interação faz parte de todas as relações humanas. modificando. ou seja. que o usuário navegue por um ambiente livremente. linguagem por meio da qual o aluno não só recebe uma mensagem (ou várias). De acordo com Silva o usuário passa a ser “[. e que gera muitas controvérsias.CAPÍTULO 3 Sobre o estudo do uso da multimídia é importante refletir sobre o conceito de interatividade. um computador. Em alguns casos.. Ou seja.2).

deve-se considerar que a incorporação da multimídia ao processo de ensino-aprendizagem também provoca mudanças nas práticas de professores e alunos. pode haver um pequeno filme. p. Uma vez que o uso da multimídia não implica somente o uso de um produto midiático. aplicar os conhecimentos adquiridos em um jogo. das suas formas mais imediatas de compreensão. constrói. não somente se incorpora uma nova linguagem e um novo suporte. ouvir. e sua função deve constar no plano de ensino. de palavras-chave. De modo que é função do professor reconhecer essa complexidade e dialogar com ela em sala de aula. Hoje. ou saber mais detalhes escolhendo cenas e clicando sobre objetos que aparecem na tela. as informações chegam a nós através de diversos meios e o livro já não ocupa um lugar de primazia. é preciso não só usar a multimídia como apoio para o ensino. o uso da multimídia se faz necessário devido ao contexto sócio-cultural no qual vivemos. Segundo Moran: As crianças e os jovens estão totalmente sintonizados com a multimídia e quando lidam com texto fazem-no mais facilmente com o texto conectado através de links. 21). buscando sempre o processo de interação. o hipertexto. copiar e prestar contas. é preciso transformar 83 . aliando a linguagem aos conteúdos a ser apresentados.9). Educação e Aprendizagem olhar. Veja que o mais importante ao usar qualquer multimídia em sala de aula é explorar as várias linguagens e suportes que ela permite.CAPÍTULO 3 Tecnologia. mas também a interação. (SILVA. aumenta e. Um exemplo bem simples do uso da multimídia em sala de aula é o CD-Room. está competindo com outras mídias mais próximas da sensibilidade deles. Em segundo lugar. (2001. assim. Nele. Por isso o livro se torna uma opção inicial menos atraente. sua aplicação no ensino traz a necessidade de algumas reflexões. Em primeiro lugar. 2001. torna-se co-autor”. o seu uso deve ter uma justificativa didático/pedagógica. Para isto. mas logo o aluno poderá responder as questões sobre o filme. No dizer de Rosa. p. Ele cria. modifica.

ele saberá interpretar um texto. O processo de decodificação também deve ser apreendido. Pense na seguinte situação: Você leva todos os seus alunos para um laboratório de informática e pede a eles que entrem em um site onde é reconstruído o ambiente de um laboratório. pois..] a morte do professor narcisicamente investido do poder”. p.. Portanto. Nesse novo contexto o professor é um “conselheiro”. A autora aponta ainda que devemos considerar que toda linguagem implica em um determinado processo de codificação e decodificação. a incorporação da multimídia implica também o ensino das ações necessárias para sua compreensão. (ROSA. (id.. 84 Universidade do Estado de Santa Catarina . Ao analisar essa situação note que o aluno pode ter o conhecimento inicial sobre a ferramenta. como destaca Silva (2001). ter algum tipo de interação com esta linguagem. eles não necessariamente saberão qual é a função desses instrumentos.] a prática educativa em espaços efetivos. gera um novo posicionamento do professor em sala de aula (seja ela presencial ou virtual). e das possibilidades de interatividade trazidas por ela. 9). Isto requer. não se pode partir do pressuposto. Ib. É importante você notar também que a inserção das mídias. 34). mas é o professor que os ajudará a explorar esse ambiente. quais as suas relações. aja. Assim. nas palavras de Silva. se o aluno sabe ler. um “facilitador”. para que o aluno crie. ao incluir uma multimídia em sala de aula.CAPÍTULO 3 [. ele não necessariamente saberá como interpretá-la. “[. o professor já não é um contador de histórias ou o detentor de todo o conhecimento. nos quais o processo de aprendizagem desenvolva-se através da construção de conhecimentos sobre os conteúdos mínimos a serem trabalhados em cada nível de ensino. 2000..). abre o caminho. de que. interprete. ele mostra. promovendo a diversificação de linguagens. e assim por diante. Apesar de muitos de seus alunos saberem introduzir o endereço do site no navegador e saberem utilizar o mouse para mexer nos instrumentos do laboratório virtual. em seu cotidiano. prazerosos e qualificados. (2001. Dessa forma. p. é necessário pensar também que apesar do aluno.

deve pôr as bases para essa segunda alfabetização que nos abre às múltiplas escrituras. dentro e fora da sala de aula. O uso destes recursos altera o ritmo de apresentação e discussão de um tema. É importante lembrar que o uso da multimídia não implica o não uso de outros instrumentos e ferramentas. Educação e Aprendizagem O uso da multimídia é. a educação é comunicação. a multimídia é mais um instrumento. O livro é a base para nossa educação. como destaca Freire (1983). como se dá a aplicação prática de multimídias e da informática no uso didático-pedagógico. (2001. Conforme destaca Barbero. O livro continua e continuará sendo a chave da primeira alfabetização formal que. um grande desafio e. Chama a atenção dos alunos de um modo diferente. Nesse contexto. 85 . p.CAPÍTULO 3 Tecnologia. 62). ela também traz inúmeras vantagens. sem a necessidade de sair da escola etc. por exemplo. Estes recursos são muito interessantes. a seguir. Vejamos. sem dúvida. conhecer novas culturas e interagir com elas. hoje conformado pelo mundo audiovisual e da informática. Ele está presente em nosso dia a dia. para abordar temas que não podem ser representados ou reconstruídos em sala: a multimídia nos permite viajar a planetas desconhecidos. vale destacar que o processo de comunicação é um intercâmbio de mensagens. e é partindo desta concepção que devemos pensar as práticas educativas e o uso das tecnologias e mídias em sala de aula (seja ela presencial ou virtual). buscar soluções e pensar criticamente etc. já que os instiga a interagir. Finalmente. em vez de se fechar sobre si mesma.

para uma prática pedagógica em que esses elementos possam efetivamente trazer a comunicação eficiente entre professor-aluno e/ou aluno-aluno promovendo aprendizagem. »» Conhecer a aplicação das ferramentas de videoconferência e webconferência. facilitando a assimilação de um conhecimento novo. equipamentos de informática (hardware e software). Acompanhe. Você verá. como exemplo: sites da Web. 86 Universidade do Estado de Santa Catarina . seja ela presencial ou a distância. a utilização das novas tecnologias de comunicação em sala de aula está sendo incorporado à prática pedagógica. »» Compreender o uso dos objetos de aprendizagem. banco de dados etc. no contexto das TICs. No entanto. ou seja.CAPÍTULO 3 Seção 2 – A utilização da multimídia em sala de aula Objetivos de aprendizagem »» Aprender sobre o uso do vídeo em sala de aula. no uso educacional. a seguir. na educação. telefonia. As TICs. algumas das possibilidades da utilização das TICs na prática pedagógica. Como você viu anteriormente. podem abrir um leque de inúmeras possibilidades no processo de ensino-aprendizagem promovendo o desenvolvimento de diferentes habilidades para quem está aprendendo com o uso delas. É lógico que a figura do professor torna-se central no que se refere à exploração destes recursos. Elas são parte de um processo contínuo de desenvolvimento tecnológico que culminou com o computador e o uso da internet. As Tecnologias de Informação e Comunicação são tecnologias que oferecem múltiplas perspectivas. é preciso que ela seja utilizada de forma a dialogar com o novo contexto em que vivemos. Podemos citar vários desses recursos.

CAPÍTULO 3

Tecnologia, Educação e Aprendizagem

O uso de vídeo em sala de aula
Ao se propor o uso do vídeo em sala de aula, estamos nos referindo a um
universo de possibilidades, pois essa categoria abrange desde filmes de
cinema até programas de televisão, videorreportagens, videoclipes e até
mesmo as videoaulas, as quais falaremos mais adiante.

O vídeo, explica Machado (1993), é um sistema híbrido, pois opera
com códigos significantes distintos, parte importada do cinema,
parte importada do teatro, da literatura, do rádio, e, atualmente, da
computação gráfica.

O uso do vídeo em sala de aula permite exemplificar conteúdos com riqueza
de detalhes e informações, promovendo assim uma maior compreensão do
aluno sobre os conteúdos das aulas. Porém, não se deve apenas apresentar
um vídeo na aula. Quando você escolhe um vídeo para ser inserido no seu
plano de aula é preciso que seu uso esteja relacionado a um objetivo de
aprendizagem. De outra forma, o uso deste material de apoio didático
pode perder o sentido e se transformar em algo apenas ilustrativo, vazio de
conteúdo, ou até mesmo em um “tapa buraco”, refletindo a desmotivação
do professor que passará esta postura para seus alunos.

Portanto, ao usar o vídeo em sala de aula, o professor precisa explorar
essa nova linguagem e isso ele conseguirá como o uso do recurso
adequado, ou seja, o professor deve buscar aqueles vídeos que apontam
questionamentos que fazem sentido ao universo do aluno e que tenham
um caráter motivador para a aprendizagem.

Sendo assim, quando você pesquisar um vídeo para utilizá-lo em sala de
aula deve observar os seguintes aspectos:
87

CAPÍTULO 3

»» Avaliar se há uma relação direta do vídeo escolhido com os
objetivos de aprendizagem da aula.
»» Perceber a importância do uso didático do vídeo, ou seja, avaliar se
o vídeo é importante para a construção do conhecimento ou o seu
é apenas ilustrativo.
»» Buscar fontes seguras, evitando problemas com direitos autorais
ou até mesmo com a permanência/vigência do vídeo livremente
na rede.
»» Procurar vídeos curtos e objetivos, lembre-se que o uso do vídeo é
para dinamizar a aula e não para torná-la cansativa.
»» Verificar se o conteúdo do vídeo dialoga com um universo
compreendido pelo aluno.

Usando vídeos do YouTube
Hoje, com o crescimento do fenômeno de vídeos na Web, em especial no
YouTube, ampliou-se o repositório de conteúdo que pode ser acessado.
Nunca antes foi tão fácil localizar, produzir e distribuir vídeos on-line, o que
abre interessantes possibilidades para seu uso educacional.

O YouTube
Criado por Chad Hurley e Steven Chen em 2005, este repositório de vídeos
online possui dados de acesso que têm impressionado especialistas.
No inicio de 2006, ele atingiu a marca de 40 milhões de vídeos exibidos
diariamente. Em junho do mesmo ano, alcançou a média de 100 milhões de
exibições diárias, com uma média de 65 mil novos vídeos sendo enviados
diariamente. Nos dias atuais tornou-se praticamente impossível mapear o
volume e rapidez das postagens e disponibilizações e utilizações de vídeos
na rede social. Com isso, o mercado audiovisual ganhou, efetivamente, um
novo espaço alternativo, de caráter massivo e democrático. (FORTES, 2006).
Acesse o Youtube através do endereço: www.youtube.com

88

Universidade do Estado de Santa Catarina

O YouTube pode ser uma excelente ferramenta de apoio didático. Nele é
possível encontrar vídeos curtos, complementares de conteúdos, que se
inserem facilmente em uma aula, seja ela presencial ou a distância.
Porém, os vídeos disponíveis na rede devem ser usados com cautela,
pois como se sabe a internet ainda é “terra de ninguém” e os conteúdos
disponibilizados no YouTube, na maioria das vezes, não são de livre acesso.
Ao usar vídeos do YouTube, o professor deve verificar sempre quais são as
fontes originais de modo a avaliar se o vídeo retirado do repositório é de
fonte segura, com abertura para uso livre.

Videoaula e webaula

CAPÍTULO 3

Tecnologia, Educação e Aprendizagem

É recomendável usar vídeos curtos, pois são menos
maçantes e permitem um
tempo para uma discussão
posterior a sua apresentação. Na EaD, recomenda-se o uso de vídeos entre 4
e 10 minutos. Lembre-se
que o vídeo tem uma
linguagem dinâmica em
que é possível passar
muita informação em
pouco tempo.

A videoaula também pode ser chamada de webaula uma vez que sua
principal veiculação hoje é a internet e não mais o sinal digital e/ou
analógico da TV.
Como os conceitos de videoaula e webaula são muito próximos, uma vez
que a sua criação é pautada nos conceitos que ancoram a produção de um
vídeo comum, neste Capítulo, por uma razão metodológica, passaremos a
usar o termo webaula para designar este recurso didático.

A webaula é uma modalidade e/ou ferramenta tecnológica de apoio
didático. Geralmente, se refere às aulas gravadas em estúdio por
instituições educacionais.

A webaula é considerada um excelente recurso audiovisual utilizado
para atingir objetivos específicos da aprendizagem, e é mais utilizada na
modalidade de educação a distância.
O recurso da webaula pode ser oferecido em diferentes formatos de
linguagem, tais como:
»» aula gravada em estúdio, com cenografia customizada;
»» em cenários reais ou locações vinculadas ao conteúdo do curso;
89

uma possibilidade de produção mais doméstica. composta por: roteiristas. como computadores. psicólogos. como já abordamos anteriormente. não focaremos nossos estudos na produção de uma webaula produzida em estúdio. Veja a seguir. »» vídeos curtos para apresentação de conteúdo (conceitos específicos). »» vídeos de curta duração como apoio didático-metodológico às interações presenciais. pedagogos. você pode produzir uma webaula sozinho(a). cinegrafistas. »» entrevistas. pois. é importante ressaltar que para uma produção mais formalizada sempre é necessária uma equipe de apoio. »» debates. semi-presencias ou a distância. se você realizar uma webaula sozinho(a) deverá representar os papéis de todos esses profissionais em sua produção.CAPÍTULO 3 »» documentários. designers instrucionais. como professor(a). softwares de edição etc. »» matérias pré-produzidas. Apesar disso. 90 Universidade do Estado de Santa Catarina . Para isto. a revolução tecnológica popularizou esse recurso e sua linguagem. Portanto. disponíveis hoje para um grande público. mesmo que ela seja feita em casa com aparelhos simples. webcams. entre outros. pois envolve recursos e uma equipe técnica especializadas. profissionais da comunicação. Como um dos objetivos deste conteúdo é abordar as possibilidades do uso didático do vídeo em sala de aula.

inicie seu trabalho no Programa propriamente. Educação e Aprendizagem Utilizando o Windows Movie Maker na produção de uma webaula doméstica: O Windows Movie Maker é um software de edição de vídeos da Microsoft. Veja: 1. textos) que você utilizará para abordar cada um deles. Parta da ideia de uma lista de diversos temas que você deseja abordar na sua aula. 91 . você poderá controlar a duração de toda sua aula e o tempo dedicado a abordagem de cada um dos tópicos escolhidos. gráficos. prevendo a sequência de todos os elementos (fotos.) que você utilizará. Este software geralmente vem instalado junto com o Windows dos computadores. entre quatro e seis minutos.CAPÍTULO 3 Tecnologia. Com o pré-projeto na mão. O roteiro não precisa ser um suporte complexo. Procure realizar um vídeo pequeno. Você conseguirá marcar o tempo com o uso de um relógio. músicas. Para produzir uma webaula no Windows Movie Maker. »» Organize o seu roteiro por temas. gráficos. »» Escreva um roteiro com o texto que você falará durante a webaula. o roteiro marque o tempo de sua fala e da aula como um todo. Abra o Movie Maker e importe para a biblioteca todas as fotos e vídeos que utilizará na sua aula. Ao marcar o tempo. »» O ideal é que além da lista de temas. Acompanhe: »» Inicie a construção desta aula apontando os objetivos de aprendizagem e separando as diversas mídias (fotos. você deve anteriormente fazer um pré-projeto de sua aula. isso garantirá um vídeo mais dinâmico e objetivo. músicas etc.

Realize todas as gravações de suas falas em takes (cortes. grave sua imagem e fala na webcam. pedaços) na biblioteca do programa. insira os seus vídeos na ordem prevista no roteiro. Em seguida. é só gravar seu projeto e visualizar sua aula inteira na prévisualização do vídeo. 3. Se você deseja aparecer na sua webaula. Agora. Figura 3.CAPÍTULO 3 Figura 3. como indicado na figura. Sugerimos que crie uma pasta para a biblioteca de seu projeto.2 – Inclusão de vídeos no Windows Movie Maker 4.1 – Destaque para a ferramenta de inclusão de vídeos e fotos no Windows Movie Maker 2. como indicado na figura. 92 Universidade do Estado de Santa Catarina .

6. incluir animações. Educação e Aprendizagem Figura 3. você pode explorar a ferramenta de acordo com a sua criatividade. como indicado na figura: Figura 3. Caso a sua webaula não tenha ficado como você esperava.3 – Pré-visualização do vídeo no Windows Movie Maker 5. Você pode adicionar música. mas lembre-se de não utilizar imagens e sons apenas como ilustração. procure sempre associar o uso dos recursos multimídia de seu vídeo com objetivos didáticos. realize as alterações e grave a versão final de seu projeto. efeitos de transição.4 – Guardando o Projeto no Windows Movie Maker 93 .CAPÍTULO 3 Tecnologia.

há muita gente oferecendo esse recurso livremente na internet. Como são ferramentas de comunicação a distância. você pode salvar seu filme no formato que desejar e pronto. Acompanhe. a comunicação é feita pela transmissão de dados por meio da internet. utilize sua webaula (videoaula) em suas aulas! Figura 3. A principal diferença entre elas está na tecnologia que intermedeia esta comunicação. com a versão final do seu projeto. o uso desses recursos é mais recomendado para a educação a distância. 94 Universidade do Estado de Santa Catarina . Videoconferência e webconferência Ao contrário da webaula. a videoconferência e a webconferência são conceitos bem diferentes. Veja. Agora. Na videoconferência.CAPÍTULO 3 7. por esta razão busque realizar suas próprias produções e caso não seja possível procure webaulas disponíveis na rede. outra possibilidade de aula mediada pela linguagem audiovisual. Ambas são formas de comunicação à distância mediadas por tecnologias específicas que possibilitam uma comunicação síncrona entre as partes envolvidas no diálogo. a comunicação é feita por sinal de vídeo e áudio e na webconferência.5 –Escolha do formato do vídeo no Windows Movie Maker Como você pode ver as possibilidades para se produzir uma webaula são muito variáveis. a seguir.

equipamentos auxiliares etc.. A International Telecommunication Union (ITU-T) define videoconferência como “um serviço audiovisual de conversação interativa que provê troca bidirecional e em tempo real de sinais de áudio (voz) e vídeo. câmeras. iluminação. permitindo a interatividade dos dois lados. 9). Educação e Aprendizagem Videoconferência Essa forma de comunicação já foi muito utilizada na educação. micro-ondas. é bidirecional e atinge menor número de pessoas (as duas mídias. A transmissão se dá via cabo. 2002). as videoconferências são realizadas em salas de aulas. Considerando o fator tempo. A duas mídias chegam ao usuário no formato televisivo.CAPÍTULO 3 Tecnologia. principalmente no que se refere à modalidade a distância. (OLIVEIRA. 1996. As videoconferências exigem ambientes físicos especialmente montados e equipados com microfones. A videoconferência. Neste caso. p. a comunicação é síncrona. contudo. Considerando o fator espaço. satélite e outras formas que a tecnologia vem aperfeiçoando. na educação a distância. atingem maior número de alunos do que a sala de aula convencional). (SILVEIRA. Geralmente. A diferença fundamental é que a teleconferência (como a televisão convencional) é unidirecional. simulando o ambiente da aula presencial. os sinais de áudio e vídeo são transmitidos nos dois sentidos (emissor e receptor). já que o professor e os estudantes estão separados geograficamente. A tecnologia faz da videoconferência uma ferramenta que tem características tanto do ensino presencial quanto do ensino a distância. em dois ou mais locais distintos”. 95 . Na videoconferência. a videoconferência é um meio semelhante à educação presencial. A videoconferência é também entendida como um tipo de teleconferência. a videoconferência é um meio semelhante aos demais. entre grupos de usuários. e atinge uma massa enorme de espectadores. pois professor e estudantes comunicam-se ao mesmo tempo. porquanto se caracteriza pela interação de pelo menos dois interlocutores simultâneos e com igual capacidade de comunicação. por sua vez.

distantes geograficamente. os termos fazem referência a sistemas que permitem a comunicação em tempo real. os termos web conferencing e computer conferencing eram. Webconferência Webconferência deriva do inglês webconferencing e refere-se ao ato de conduzir apresentações ou encontros remotamente por meio da internet. áudio. durante uma videoconferência. Na webconferência.6 –Webconferência o diálogo é realizado em uma sala virtual. A webconferência é uma ferramenta de comunicação e colaboração síncrona e assíncrona que pode ser usada como um recurso adicional para a educação a distância. utilizados para referenciar discussões realizadas através de painel de mensagens. que pode ser tanto instalado na instituição que formaliza a webconferência quanto alugada de companhias que provêem o serviço de aluguel de salas virtuais. compartilhamento de arquivos e tela de computador. faz dela uma ferramenta de trabalho a distância. e Figura 3.CAPÍTULO 3 A separação de ambientes físicos entre as pessoas. por meio de um software específico. imagens. quase sempre de forma assíncrona. podendo utilizar diversos recursos: texto. cada participante permanece em seu próprio computador. Promove encontros virtuais entre dois ou mais participantes em locais diferentes. Antigamente. frequentemente. A conexão com outros usuários é feita através de um sistema central (uma aplicação). vídeo. quadro branco etc. Hoje. 96 Universidade do Estado de Santa Catarina .

»» possui quadro branco para anotações e desenhos. »» possui recursos multimídia. 97 . vídeos e documentos. »» palestras. »» suporte remoto ao funcionamento da infraestrutura de redes e das aplicações de comunicação e colaboração utilizadas nos cursos. Educação e Aprendizagem O serviço de webconferência possibilita colaboração via internet para: »» aulas. »» sessões de tutoria. como up-load de apresentações. »» possibilita gravação de reuniões. »» reuniões de caráter administrativo.CAPÍTULO 3 Tecnologia. »» dispensa equipamentos específicos e pode ser feita com uma webcam comum. »» permite chat. »» treinamento a distância na utilização dos recursos didáticos e pedagógicos empregados nos cursos. Algumas vantagens da Webconferência são: »» dispensa instalação de software cliente. Veja um pouco mais sobre esta ferramenta. Hoje uma das ferramentas mais usadas para webconferência na EaD é o Adobe Connect.

»» personalizar apresentações.Computer Based Training . O SCORM é um modelo de referência (conjunto de padrões) para criação de objetos de aprendizagem (pequenos conteúdos autocontidos). »» publicar em Flash. Neste programa. a possibilidade de executar o mesmo conteúdo em diversos ambientes de aprendizagem Como um conjunto de padrões. O conteúdo criado a partir deste recurso conta com o certificado para o SCORM 1. 98 Universidade do Estado de Santa Catarina .2 e SCORM 2004 é compatível com AICC (Aviation Industry CBT. a ferramenta Adobe Presenter permite: »» adicionar ou editar áudio. o termo Capturar é utilizado para representar a ação de gravar o vídeo com uma webcam. a ferramenta conhecida como Adobe Connect permite a comunicação síncrona através da internet. Dentre tantos recursos. uma entidade americana que especifica padrões para conteúdos e treinamentos da indústria de aviação. PDF ou no servidor Connect.7 . deriva do padrão da AICC. Esta ferramenta acaba sendo também um recurso para produção de webaulas.CAPÍTULO 3 O Adobe Connect na produção de webaulas e webconferências Derivada do produto anteriormente conhecido como Macromedia Breeze. pois permite a utilização Figura 3. O Adobe Connect dialoga com outra ferramenta disponibilizada no Programa Power Point conhecida como Adobe Presenter. esta parte de rastreamento do aluno do SCORM. A ferramenta Adobe Presenter cria apresentações em flash e cursos de e-learning a partir do Power Point. Quando usada para fins educativos. Sua principal característica é a portabilidade. imagens e vídeos em flash. ou seja. Como no Adobe Connect.Committee).hoje encontrado em 98% dos computadores conectados à rede. toda webconferência pode ser gravada em flash. »» criar questionários e pesquisas interativas. mais completa. »» capturar e editar vídeo. no entanto. esta ferramenta permite montar uma sala de aula similar a da aula presencial. Ela permite levar apresentações multimídia à web por meio de animações Adobe Flash Player .Interface do Adobe Connect de vários arquivos de texto.

Adobe Connect funções gravar e capturar A ferramenta Adobe Presenter permite também criar questionários on-line de forma dinâmica e interativa: Figura 3. a seguir.CAPÍTULO 3 Tecnologia.9 – Questionário no Adobe Presenter Como você pode ver. onde estão destacadas as funções gravar áudio e capturar vídeo. adicionadas de recursos da linguagem audiovisual. pois estes já não precisam estar no espaço físico da sala de aula. produzir tanto um vídeo como uma webconferência revolucionaram as aulas convencionais e democratizaram o espaço de estudo ao atingir uma quantidade maior de alunos. Figura 3. Essas ferramentas permitem uma comunicação síncrona e. Veja. outra linguagem 99 . Educação e Aprendizagem Veja na imagem a seguir a tela do Adobe Presenter. proporcionam maior interatividade entre aluno-aluno e professor-aluno.8 .

CAPÍTULO 3 audiovisual. Objetos de Aprendizagem Ao abordar os objetos de aprendizagem. • [. portanto a qualquer material ou recurso digital apresentado isoladamente 100 Universidade do Estado de Santa Catarina . Como você pode verificar. Nesse sentido. neste caso. A principal idéia dos Objetos de Aprendizado é quebrar o conteúdo educacional em pequenos pedaços que possam ser reutilizados em diferentes ambientes de aprendizagem. Considerando que estamos falamos de EaD e. primeiramente devemos lembrar que existem vários conceitos a respeito do tema.1). o uso dos objetos de aprendizagem estão diretamente ligados à internet é interessante partirmos do seguinte conceito: Objetos de aprendizagem (OA) são tipos de multimídia que servem como material pedagógico e que possam ser disponibilizado eletronicamente por meio da internet. (MUZIO et al.] qualquer recurso digital que possa ser reutilizado para o suporte ao ensino. esta sim. Segundo Bettio e Martins (2004) existem diferentes definições para objetos de Aprendizagem o que resulta em confusão e dificuldade de compreensão sobre esse novo campo de estudo. 2001. Estes objetos vão desde mapas e gráficos até demonstrações em vídeo e simulações interativas. as animações. p. MONSO. Algumas definições destacadas por estes autores são: • Objeto de comunicação o qual é designado e/ou utilizado para propósitos instrucionais. usados para apoiar a aprendizagem presencial e a distância.. em um espírito de programação orientada a objetos. apud WILEY. totalmente originária da computação gráfica que permite uma interatividade ainda maior. apud SOUTH. os estudiosos dessa área ainda não chegaram a um consenso quanto a uma definição desse conceito. 2001). (BECK. Referem-se.. podemos dizer que OAs são recursos digitais modulares.

programa atualmente está disponível para download no site Cmap tools.10 – Exemplo de uso do Cmapstools 1. organizando conteúdos e mesclando textos e imagens. é preciso inicialmente fazer o download do programa que está disponível gratuitamente na internet. vídeo. Uma interessante ferramenta disponibilizada gratuitamente na internet. no Cmaptools. aplicativo. que pode ser utilizada para produzir objetos de aprendizagem de forma simples. Para produzir um objeto de aprendizagem.ihmc. a seguir.CAPÍTULO 3 Tecnologia. animação com áudio e recursos mais complexos. disponível em: <http://cmap. Temos como exemplo: texto. A utilização desta ferramenta é bem intuitiva e há vários tutoriais disponíveis na rede que ensina a utilizá-la passo a passo. Educação e Aprendizagem ou agregados com um objetivo educativo.us/ download/>. um exemplo de uma aula de arte utilizando esta ferramenta: Utilizando o Cmpatools para criar objetos de aprendizagem e produzindo os seus próprios objetos de aprendizagem Figura 3. Este recurso permite a criação de mapas mentais. curso. Veja. 101 . é o Cmaptools. hipertexto.

sugerimos que pesquise nos sites de busca um endereço atualizado programa. como é a interface do programa para cadastro: Figura 3. e caso você não encontre esse endereço disponível.12 – Interface Cmapstools 102 Universidade do Estado de Santa Catarina . Quando instalação do programa estiver concluída.11 – Interface Cmapstools 3. Uma vez que você inseriu seus dados. a seguir.CAPÍTULO 3 2. Veja. Como endereços eletrônicos oscilam muito na internet. você poderá começar a usar o programa que tem a seguinte interface: Figura 3. o programa iniciará o download automaticamente.

13 – Criando um arquivo no Cmapstools 5.CAPÍTULO 3 Tecnologia. o que lhe fornecerá um espaço onde você poderá introduzir o nome do conceito principal da sua aula. como indicado na figura: Figura 3. Educação e Aprendizagem 4. passo inicial. Com o arquivo criado. clicando em ‘arquivo’ e em seguida selecionado “Novo Cmap”. Retomando o exemplo da aula de “Arte na Diversidade” mostrada anteriormente. comece a colocar em prática o projeto do conteúdo que deseja trabalhar no Cmaptolls e inicie sua produção. como indicado na figura: Figura 3. você pode iniciar seu projeto clicando duas vezes no espaço em branco. Você pode começar a realizar seu objeto de aprendizagem no Cmaptools. 103 .14 – Montagem do mapa no Cmapstools.

Cabe a você agora seguir ampliando este leque de infinitas possibilidades! 104 Universidade do Estado de Santa Catarina . Como a própria figura sugere. novos conceitos. como indicado na figura: Figura 3. que as ferramentas apresentadas não são as únicas que permitem criar ou produzir recursos multimídias aplicados à educação. destaca-se que a discussão da relação entre comunicação e educação apresentada aqui. Tudo dependerá de sua criatividade! Anime-se a elaborar uma aula com esta ferramenta! Para finalizar a abordagem deste Capítulo. não pretendeu ser conclusiva. você deve clicar novamente sobre a imagem e arrastar a setinha para onde deseja começar a desdobrar seu mapa conceitual. trabalhar as cores de fundo de cada balão etc. tanto teóricas como práticas. estas são apenas algumas sugestões. Vale lembrar também.15 – Montagem do mapa no Cmapstools Você pode introduzir figuras. Este foi um primeiro passo para refletir sobre as inúmeras implicações e perspectivas. que esta relação implica.CAPÍTULO 3 6.

áudio. fotografia. visto que não é uma transferência de saber. mediadas através do computador ou outro meio eletrônico. porém. Educação e Aprendizagem Síntese do capítulo »» Comunicação e educação são termos que devem ser pensados conjuntamente. gráfico). animação).CAPÍTULO 3 Tecnologia. »» O uso da linguagem multimídia em sala de aula implica determinadas reflexos. »» Vídeos em sala de aula permitem exemplificar conteúdos com riqueza de detalhes e informações. »» Vivemos um momento de diversificação de linguagens. mas uma troca entre sujeitos que buscam significação dos significados. entre dois ou mais interlocutores. o uso das mídias em sala de aula é central. »» A comunicação é um processo de intercâmbio de mensagens. 105 . »» Educação é comunicação. »» Linguagem audiovisual: resulta da combinação de duas linguagens: a linguagem visual e a linguagem sonora. »» Há três tipos de interações no processo de comunicação: interação face a face. tanto verbais quanto não verbais. traz inúmeros benefícios. pois possibilita uma participação mais ativa dos alunos ao interagir com as mídias. »» A webaula é um a modalidade e/ou ferramenta tecnológica de apoio didático. com pelo menos um tipo de mídia dinâmica (vídeo. e ela não só não invalida como retifica o uso dos livros. permitindo uma ação ativa por parte do usuário. interação mediada e interação quase-mediada. »» Multimídia: implica a combinação de pelo menos um tipo de mídia estática (texto.

( ) O uso de recursos midiáticos em sala de aula não invalida o uso dos livros. b. mas não necessariamente precisa da mediação de um suporte eletrônico. vídeos. ( ) A linguagem multimídia implica a comunicação de textos. 106 Universidade do Estado de Santa Catarina . Você pode utilizar as linhas abaixo para produzir a síntese do seu processo de estudo: Atividades de aprendizagem 1. Justifique as alternativas falsas. Partindo do que você aprendeu sobre a relação entre comunicação e educação.. animações etc. ( ) A comunicação quase-mediada é aquela na qual duas ou mais pessoas se encontram fisicamente no mesmo tempo e lugar. c. »» Objetos de aprendizagem (OA) são tipos de multimídia que servem como material pedagógico e que possam ser disponibilizado eletronicamente por meio da internet. aponte se as frases listadas a seguir são Verdadeiras (“V”) ou Falsas (“F”). Este é o recurso central no processo de ensino-aprendizagem. a.CAPÍTULO 3 »» Videoconferência e a webconferência são formas de comunicação à distância mediadas por tecnologias específicas que possibilitam uma comunicação síncrona entre as partes envolvidas no diálogo.

d. Educação e Aprendizagem 2. CAPÍTULO 3 Tecnologia. você decide criar um recurso multimídia como forma de introduzir a questão. Imagine a seguinte situação: Você está ministrando presencialmente a disciplina de Língua Portuguesa para o Ensino Médio e na próxima semana ensinará aos seus alunos algumas regras gramaticais. Partindo deste contexto. um objeto de aprendizagem? Justifique a sua resposta 107 . Para tanto. e. que tipo de recurso seria mais adequado para este caso: uma vídeo/webaula. ( ) A webconferência é uma ferramenta de comunicação unicamente síncrona. ( ) A videoconferência é uma ferramenta de comunicação bidirecional.

COSTA. Disponível em: http://galaxy. n. M. p. maio/ ago.org. n. 2001. 15. Disponível em: <http://revistas. 7. p. 7-16. 15-20. 2001. Sala de aula interativa: a educação presencial e a distância em sintonia com a era digital e com a cidadania. 2011. Revista Comunicação & Educação. CITELLI.univerciencia. São Paulo: Senac. Maria Cristina Castilho.CAPÍTULO 3 Aprenda mais. São Paulo: Edições Loyola. K..). Sociedade Informacional.php/comeduc/article/ view/4157/3896>. São Paulo.pdf.br:8180/dspace/bitstream/1904/4727/1/NP8SILVA3. maio/ago. Maria Aparecida. Campo Grande /MS. 24. 108 Universidade do Estado de Santa Catarina .. A. Marcos.. BACCEGA.. 15. São Paulo. Comunicação e educação: a linguagem em movimento. Acesso em: set. Comunicação e educação: caminhos cruzados. Revista Comunicação & Educação. 2011. (Org. In: CONGRESSO BRASILEIRO DA COMUNICAÇÃO. M. vol. vol.org/index. Acesso em: 10 ago. KUNSCH. 1986 SILVA. 21. intercom.. Da comunicação a comunicação/educação. 2000.

Com este objetivo apresentam-se algumas experiências produzidas por professores da Educação Básica que certamente contribuem para uma reflexão sobre o papel que as novas tecnologias podem ocupar nos espaços de ensino formal e não formal. . faremos uma articulação entre tecnologias e práticas pedagógicas em suas possibilidades de leituras.CAPÍTULO 4 Pensando a Inserção de Tecnologias em Contextos de Ensino Patricia Montanari Giraldi Neste capítulo.

.

4 CAPÍTULO Pensando a Inserção de Tecnologias em Contextos de Ensino Objetivos de aprendizagem Estabelecer relações entre tecnologias e possibilidades de leituras (interpretações) em contextos de ensino de forma a conhecer algumas propostas com o uso de novas tecnologias nos processos de ensino-aprendizagem. Seções de estudo Seção 1 – Mídias e leituras: um processo de construção Seção 2 – Novas tecnologias e ensino: algumas experiências .

Nesse sentido. por exemplo. rediscutir o papel da escola. Assim. Todas essas mudanças transformam muito mais do que nossos modos de relação com o mundo. construir nos espaços educativos novos modos de ensinar e aprender. necessária a todo texto.Iniciando o estudo do capítulo Ao longo deste Caderno Pedagógico. faz-se necessário repensar práticas pedagógicas. o estudante que temos hoje em nossas escolas traz experiências e formas de se relacionar e interpretar o mundo que são diferentes daquelas do século passado. destacamos o papel das novas tecnologias e as mudanças produzidas por elas em nosso cotidiano. transformam também nossa cultura. ou na mobilidade telefônica que temos hoje. discutiremos possibilidades de ensinar envolvendo novas tecnologias e leituras de mídias. Traremos alguns exemplos que pretendemos que sirvam de inspiração para pensar futuros trabalhos pedagógicos. Boa leitura! . Atualmente é incontestável. Neste capítulo. basta pensarmos no tempo empregado na escrita e envio de mensagens via correio tradicional e o tempo empregado no envio de um correio eletrônico (e-mail). a velocidade de circulação de informações. questionar sobre as possibilidades das novas tecnologias. sempre tendo em vista a leitura crítica.

CAPÍTULO 4 Tecnologia.] há quem leve a vida inteira a ler sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura. A Caverna. a margem a que terá de chegar. nos ajudam a pensar na leitura de forma mais ampla. se estão ali é para que possamos chegar à outra margem. A relação do aluno com o universo simbólico não se dá apenas por uma via – a verbal -. Para a autora Eni Orlandi. Educação e Aprendizagem Seção 1 – Mídias e leituras: um processo de construção Objetivos de aprendizagem »» Discutir a possibilidade de trabalho envolvendo novas tecnologias. muito mais do que decodificação ela é interpretação. »» Promover uma perspectiva crítica envolvendo leitura de mídias. 2000. José Saramago. Se considerarmos a linguagem não apenas como transmissão de informação mas como mediadora (transformadora) entre o homem e sua realidade natural e social. linguista e professora da Universidade Estadual de Campinas (SP). [. mas de partida para a produção de compreensões sobre o mundo do qual somos parte. ele opera com todas as formas de linguagem na sua relação com o mundo. a outra margem é que importa. a sua própria margem. »» Estabelecer relações entre mídias e ensino. ficam pegados à página. A leitura vista desse modo coloca-se como prática cultural. e que seja sua. é produção de compreensões.. mas muitas. As palavras de José Saramago. não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio. a leitura deve ser 113 . que cada pessoa que lê seja. Inspira-nos a compreender a leitura como parte de um processo que não é ponto de chegada. ela. A não ser que esses tais rios não tenham duas margens.. escritor português.

A criticidade. Veja dicas de algumas leituras sobre esses temas em “Aprenda mais”. educação para as mídias. Em seus estudos. é aquela que busca construir leituras menos ingênuas. contribuindo para a compreensão das mídias de um ponto de vista cultural. se faz necessário criar espaços nos quais os sujeitos sejam levados a trabalhar formas de leitura que ampliem suas possibilidades de reflexão. (ORLANDI. como a disponibilidades de computadores e técnicos nas escolas. educomunicação. Nesse caso. tem-se discutido as possibilidades das tecnologias no acesso ao conhecimento e nas transformações culturais. Iniciamos essa abordagem indicando uma noção de leitura entendida como interpretação.CAPÍTULO 4 considerada no seu aspecto mais consequente. nossas reflexões na disciplina Tecnologia. Um autor interessante para aprofundar esta questão é Douglas Kellner. além de promover discussões e perspectivas críticas sobre tecnologias e educação. educação e aprendizagem estão envolvidas pela intenção de. 1998. cibercultura. educação para a informação. músicas. 38). que entendemos como um importante aspecto a ser trabalhado no contexto da educação. o autor realiza análises de filmes. circulação e apropriação de informações. suas preocupações centram-se em aspectos relacionados à produção. surgem novos conceitos e campos de conhecimento como: alfabetização e letramento digital. Nessa perspectiva. visa promover processos de educação por meio dos quais os sujeitos possam construir formas de participação social e mudanças. infoeducação. partimos de pelo menos duas premissas: 114 Universidade do Estado de Santa Catarina . Alguns autores têm trabalhado na perspectiva da produção de leituras críticas das mídias. Tecnologias e educação Alguns autores têm destacado as complexas relações entre tecnologias e educação. propor alternativas que venham a contribuir para a construção de um ensino mais preocupado em abordar as mudanças trazidas pelas novas tecnologias. Assim. mas da compreensão. p. programas televisivos. que não é de mera decodificação. Para além dos aspectos materiais. De modo que.

um com criações que nos levam a pensar além e outro científico e por assim ser. com vistas para além dos muros da escola. saber interpretar e ter a consciência de que. 115 . Cristhiane Cunha Flôr (2009). direto. Um exemplo interessante da possibilidade de produzir diferentes leituras é destacado por uma pesquisa desenvolvida pela professora da Universidade Federal de Juiz de Fora. p. autor de seu próprio texto. Consideramos que os sentidos esperados pelo professor devem ser trabalhados como um dos constituintes da produção das leituras. Ao solicitar que os alunos se posicionassem e levantassem as diferenças sobre leituras dos textos “Cem anos de Solidão” de Gabriel Garcia Marques (literário) e da Wikipédia (internet). Creio que expandir conhecimentos. a fim de contribuir para a formação do leitor. Educação e Aprendizagem »» Na leitura de textos (imagético. sem dificuldades. imagéticos e fílmicos. mas sim ler algo que proporciona a pessoa buscar novos horizontes. obtemos dois textos de gêneros diferentes. mas não como o único constituinte. Como possíveis contribuições desse tipo de abordagem temos: »» A possibilidade de intertextualidade: o trabalho com textos que circulam socialmente e que abordam os temas estudados em sala de aula. (FLÔR. já que todo texto é passível de interpretação. Esta forma de olhar a leitura leva mais em conta a relação do sujeito com o texto. No caso. com um único objetivo é a sociedade capitalista de hoje. os estudantes disseram: Ler não basta. que contribuem para a constituição de diferentes formas de relação entre sujeitos-leitores e textos. os dois sobre Alquimia. Nesta perspectiva. consideramos adequado explorar os vários sentidos que podem ser atribuídos a conceitos/fenômenos que fazem parte do currículo escolar. 139). O sentido não está dado ou fixado pelo texto. não seria somente ler um texto quimicamente correto. 2009. escrito. »» O uso de diferentes linguagens: trabalhamos com textos escritos. assim como um texto repleto de conclusões. »» Na leitura (interpretação) de textos científicos há possibilidades de intervenção na história de leitura.CAPÍTULO 4 Tecnologia. Precisamos compreender o que se foi lido e para isso precisamos também debater sobre. gestual…) há sempre interpretação.

. O que você vê nessa imagem? Um general? Uma moça e um velho? As duas? Dependerá da forma como olha. surgida no início do século XX. Portanto. enfim. é processo de atribuição de sentidos. outdoors. Em livros. não estão coladas aos textos (ORLANDI.1 – Gestalt 116 Universidade do Estado de Santa Catarina Essa imagem que coloca em dúvida aquilo que vemos é bastante utilizada na perspectiva da psicologia Gestalt. em uma multiplicidade de textos. ou um texto literário pode ter diferentes leituras para diferentes leitores. sendo assim. escola de origem alemã. As leituras são produzidas por sujeitos localizados em contextos históricoculturais. As posições assumidas pelos sujeitos ao interpretarem. circulam discursos. Um exemplo interessante das diferentes possibilidades de leitura é a imagem a seguir. 2010). Essa afirmação nos remete à consideração de que ler é mais do que decodificar símbolos localizados em um texto escrito. ao que é possível ler a partir de determinada perspectiva. uma conversa com um colega. Essa perspectiva implica em problematizar a visão naturalizada do que seja ler e escrever na escola. Uma compreensão para leitura A leitura da qual falamos não é fruto exclusivo do leitor. programas de televisão. Uma dica: o corpo da moça é a orelha do general. Uma peça publicitária da década de 1940 pode ser lida de forma diferente hoje. em certas condições de produção que são também sóciohistóricas e que possibilitam a atribuição de certos sentidos àquilo que se lê. filmes. Os sentidos produzidos estão ligados ao modo de olhar. mas se dá em um contexto. fruto do trabalho da própria pesquisadora junto ao grupo de estudantes.CAPÍTULO 4 É interessante perceber a postura crítica que assume esse estudante ao falar sobre suas leituras. Figura 4. a leitura é um processo que articula o individual (construção psicológica do sujeito) e o coletivo (a cultura) e é construída histórica e socialmente. 1996). jornais. revistas. (GIRALDI. de interpretações diante dos textos com os quais tomamos contato. colocando-nos invariavelmente na posição de leitores desses textos. internet. também constituem os sentidos produzidos.

inseridos em um contexto do qual as novas tecnologias fazem parte e no qual somos colocados na posição de leitores das mesmas. sabemos que o acesso e oportunidades não são homogêneos. internet. Ou seja. um audiovisual pode ser usado de maneiras diversas. mais um desafio a se pensar. é possível compreender que inserir de modo efetivo.aprendizagem. como recurso. novas tecnologias no ensino de modo que contribuam para a formação dos estudantes. deve propiciar práticas relevantes para os estudantes. estão cada vez mais presentes em nossa cultura e podem ser usados de forma integrada nos processos de ensino. não é diferente quando se trata de novas tecnologias e das diferentes mídias. Facebook. No entanto. televisão. Um ponto importante que precisamos considerar se refere ao fato de que independentemente da escola (ou de outros espaços educativos). É a partir da perspectiva de educação que iremos orientar nossas práticas. tenhamos claramente os objetivos de seu uso e o planejamento das atividades que queremos realizar. estamos todos. Assim. Educação e Aprendizagem Se a leitura é uma experiência cultural. Youtube. entre outros. Há educadores que preferem o caminho do risco. não basta que os estudantes sejam incentivados a fazer pesquisas na internet. Twitter. diariamente. Segundo Soares. apresentada nesta seção. ao inserirmos uma nova tecnologia como parte do ensino. por exemplo. O que nos leva a pensar que um mesmo recurso. é importante que essa pesquisa esteja articulada e inserida em um processo mais amplo da qual faça parte. requer organização e planejamento. sempre pensando a articulação entre teoria e prática.CAPÍTULO 4 Tecnologia. games. MSN. Dessa forma. vamos refletir sobre algumas implicações. Assim. estudantes e professores. materiais on-line. por exemplo. o caminho da apropriação. não há como deter a tecnologia quando esta assegura a possibilidade de se promover o desenvolvimento da 117 . Para eles. podemos nos perguntar: de que forma essas questões podem estar articuladas ao ensino? Baseados na perspectiva para leitura. é essencial que.

em usuários atentos e críticos: se é verdade que o jovem brasileiro tem sido aquele que mais se identifica com os mecanismos de relacionamento propiciados pela tecnologia digital. capaz de se tornar sujeito da sua história. cabe à educação apropriar-se do processo. conhecimentos anteriores. como nos ensina Paulo Freire. é o da convivência com o fenômeno. nada como uma negociação entre os educadores e os educandos para que se encontre o ponto de equilíbrio. no contexto da nova condição civilizatória. criando condições para que os jovens transformem-se. Quanto aos abusos. 2007. •• as relações com diferentes áreas/disciplinas escolares.CAPÍTULO 4 sociabilidade dos educandos. valores). eles mesmos. considerando sua formação de um ponto de vista amplo. Assim. 118 Universidade do Estado de Santa Catarina . como ser humano. O caminho mais saudável. »» Planejar envolve considerar diferentes aspectos. ensinar é possibilitar construção de compreensões com constante intermediação do professor e dos recursos escolhidos por este. p.2). •• a forma de avaliação (do processo e não apenas dos estudantes). interesses. no caso. conhecimentos sistematizados. e. •• recursos que podem ser utilizados para ajudar a alcançar os objetivos. devemos considerar alguns aspectos importantes: »» O papel da escola em promover oportunidades adequadas de aprendizagem aos estudantes (de procedimentos. •• os objetivos (de ensino e de aprendizagem). •• a relevância do tema a ser ensinado para a vida dos estudantes. como: •• as características dos estudantes (faixa etária. meio cultural). (SOARES. »» A compreensão de que a aprendizagem se dá em um processo do qual o estudante toma parte como sujeito ativo. Desse modo.

CAPÍTULO 4

Tecnologia, Educação e Aprendizagem

Uma perspectiva de trabalho interessante pode envolver o uso de novas
tecnologias no desenvolvimento de projetos. Um projeto é um trabalho
estruturado que pode ser orientado a temas relevantes para a vida dos
estudantes, que estimule a articulação de saberes (escolares e não
escolares). Segundo Prado:
Na pedagogia de projetos, o aluno aprende no processo de
produzir, levantar dúvidas, pesquisar e criar relações que incentivam
novas buscas, descobertas, compreensões e reconstruções de
conhecimento. (2003, p. 2).

Vale destacar também que acesso à informação não garante construção
de conhecimentos ou leitura crítica. O papel do professor, nesse sentido, é
fundamental. Ele é o orientador do trabalho que terá as relações professor/
alunos enriquecidas pelo uso das TICs.

Essa relação será ainda mais produtiva quando envolver uma relação
democrática de troca de saberes entre estudantes e professores. É
importante lembrar que, muitas vezes, os próprios estudantes podem
conhecer recursos e usos de TICs, que o próprio professor desconhece.
Além disso, o trabalho articulado com toda a equipe pedagógica da
escola é muito importante para o sucesso no ensino e aprendizagem.

Tendo em vista essas questões, podemos detalhar alguns aspectos
envolvidos no trabalho com TIC na forma de projetos de ensino:
»» A escolha/definição da temática a ser trabalhada. Pode, por exemplo,
partir de uma investigação junto aos estudantes, elencando temas
de interesse e selecionando aqueles que mais se relacionam aos
conteúdos a serem desenvolvidos junto a determinadas faixas
etárias.
»» Problematizar o tema, ou seja, propor questionamentos, reflexões
que levem ao desenvolvimento do trabalho.

119

CAPÍTULO 4

»» Orientação para o desenvolvimento de pesquisas: busca e seleção
de informações, indicação de fontes (vídeos, sites, livros, blogs).
»» Sistematização do trabalho: que análises serão realizadas, o que
é relevante de ser destacado sobre determinados temas, relações
com o contexto dos estudantes (local e global).
»» Produção e divulgação dos resultados da pesquisa: textual,
imagética, audiovisual (para comunidade escolar: pais, professores,
funcionários, estudantes).
»» Avaliação do trabalho desenvolvido (do processo, tanto na
orientação e desenvolvimento, quanto dos resultados divulgados
pelos estudantes e autoavaliação).

Dicas de recursos para sala de aula
O portal do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação
Comunitária, disponível em: <http://cenpec.org.br/tic-e-educacao>, reúne
variadas indicações de recursos digitais (sites, softwares, e-books, entre
outros) que podem ser acessados e utilizados por você na elaboração e
implementação de suas aulas.
O portal TV Escola, vinculado ao Ministério da Educação, apresenta vídeos
e dicas que podem ser utilizados em sala de aula. O site é voltado para
professores que atuam na Educação Básica e é uma ferramenta pedagógica,
seja para complementar sua própria formação ou para ser utilizada em
práticas de ensino. Você pode acessar vídeos e outras informações ligadas à
TV Escola no site da TV escola, disponível em: <http://tvescola.mec.gov.br>.
No Portal Domínio Público, do Ministério da Educação, está disponível um
acervo de textos (científicos e literários), sons, imagens e vídeos que você
pode acessar para leitura. São publicações em domínio público ou que
tiveram sua divulgação autorizada. Confira o site, disponível em: <http://
www.dominiopublico.gov.br>.

Destacamos que todo processo de ensino-aprendizagem deve envolver
planejamento. Não é diferente em processos que envolvem inserção de
novas tecnologias. Já comentamos que ao realizarmos ou planejarmos
nossas práticas mobilizamos conhecimentos, conceitos, valores que
envolvem nossa compreensão de educação, de ensino, do que seja
aprender, e a própria compreensão de temas das tecnologias.
120

Universidade do Estado de Santa Catarina

CAPÍTULO 4

Tecnologia, Educação e Aprendizagem

Ao longo deste caderno, destacamos que um uso meramente instrumental
das tecnologias pouco ou nada contribuem para processos educativos e
argumentamos sobre a importância de que tenhamos uma perspectiva
indagadora frente às novas tecnologias e sua inserção em contextos de ensino.
Queremos aliar a esta perspectiva a ideia de que planejar é repensar o
papel e o lugar nas novas tecnologias nos contextos de ensino nos quais
estamos inseridos. Para tornar essa discussão menos abstrata e mais
palpável, na próxima seção traremos algumas possibilidades de uso das
novas tecnologias no ensino a partir de alguns relatos de experiência de
professores da rede pública de ensino.

Seção 2 – Novas tecnologias e ensino: algumas
experiências

Objetivo de aprendizagem
»» Conhecer propostas de uso de novas tecnologias nos
processos de ensino-aprendizagem.
Na intenção de contribuir para futuras práticas envolvendo TICs e educação,
apresentamos a seguir algumas atividades envolvendo novas tecnologias
desenvolvidas junto a estudantes da Educação Básica.
Os exemplos que seguem foram desenvolvidos em escolas públicas
no município de Florianópolis (SC) e referem-se a relatos de práticas de
professores preocupados em desenvolver perspectivas críticas diante das
tecnologias e das possibilidades de leituras.
Os relatos apresentados a seguir foram retirados do artigo de Karat, Cunha
e Filho (2011), publicado nas Atas do V Encontro Regional Sul de Ensino
de Biologia. IV Simpósio Latino Americano e Caribenho de Educação em
Ciências do International Council of Associations for Science Education (ver
referências). A seguir destacamos alguns trechos:
121

é fundamental que o professor tenha clareza dos objetivos e das relações que poderá estabelecer 122 Universidade do Estado de Santa Catarina . temos um exemplo interessante do uso integrado de recursos diferentes: textos impressos. associando com a evolução da ciência. tecnologia e produção de artefatos eletrônicos. sobre os padrões e necessidades de consumo. Discutimos também. e o acúmulo de resíduos tóxicos.html>) que considera quantos hectares produtivos seriam necessários para recompor os recursos gastos pelo homem para manter o seu padrão de consumo. fazendo intervenções. Em seguida assistiram a dois filmes: “História das Coisas” e “Comprar. contendo metais pesados. Na atividade descrita acima. repensar. Para estimular o debate. imagéticos).2 .blogspot. Ao selecionar determinados textos (impressos. os impactos sociais e ambientais do excesso de “lixo” e ainda. as diferenças entre o “lixo” dos ricos e o “lixo” dos miseráveis. consumo e descarte. incentivando o consumo desenfreado. complementado pelos dois filmes. A partir da descrição podemos perceber o importante papel mediador assumido pela professora ao longo da atividade. como já destacamos. os estudantes fizeram o teste da “pegada ecológica” (disponível em: <http://labbioiee. desencadeou a discussão sobre as relações entre produção. vídeos. computador. Figura 4.Pegada ecológica Na sequência. tais como celulares. com/2009/05/pegada-ecologica-o-que-e-isso. televisores. os estudantes fizeram a leitura do texto “Hábitos de consumo e lixo produzido”. promovendo e orientando discussões. sugerindo leituras. Retomamos aqui a ideia da importância de planejar. O texto. os estudantes responderam perguntas acerca das responsabilidades pela geração dos resíduos. sobre a proposta dos cinco “Rs” (reciclar. entre outros. reduzir. computadores. Para aprofundar as discussões. reutilizar e recusar produtos que agridam o meio ambiente).CAPÍTULO 4 Leitura numa perspectiva crítica A primeira atividade da sequência teve como objetivo promover uma reflexão crítica sobre os hábitos de consumo da sociedade contemporânea. descartar. se é possível continuar consumindo sem causar danos ao meio ambiente. como as mídias utilizam imagens e valores para criarem novas necessidades. comprar: a obsolescência programada”.

As leituras possibilitadas a partir desse tipo de prática extrapolam os muros das escolas e permite que se estabeleçam novas relações entre ensino e aprendizagem escolar e os contextos sócio-históricos vivenciados por alunos e professores. se forem para o lixo doméstico. (KARAT. Aplicando a webquest Outra atividade ocorreu na forma de uma webquest (disponível em: <https:// sites. 2011. O vídeo está disponível em: <http://www. se optam por tecnologias menos tóxicas etc. recursos.google. 123 . com informações sobre origem das principais substâncias que o compõe e os riscos para a saúde e meio ambiente. significa busca (quest) na rede de hiperligações (web). As atividades são preparadas pelos professores e a maioria dos recursos para resolver as tarefas pode ser encontrada na web. processo. Os recursos disponibilizados pela webquest incluem um link para o site que disponibiliza uma animação.com/watch?v=dX-ND0G8PRU>. disponibilizados na webquest. Veja a “cara” do site criado para a webquest na imagem abaixo.com/site/bioquests/>). avaliação e conclusão. na qual um celular se abre em suas várias partes.youtube. Assista ao vídeo “Criança: a alma do negócio” de Estella Renner (2008) e reflita sobre o papel da mídia. onde as tarefas propostas incluíam paródias musicais na forma de vídeo. consumo e infância.3 . onde e como descartar corretamente o lixo eletrônico. dão Figura 4.. Acesso em: 01 out. a partir das reflexões realizadas durante as aulas das várias disciplinas.Webquest informações sobre tipos de pilhas e baterias. tais como: pesquisar se o fabricante de celulares e computadores arca financeiramente com o destino final de tudo que produz. Educação e Aprendizagem entre cada texto ou recurso escolhido. 2011).CAPÍTULO 4 Tecnologia. além de dicas. Webquest ou Aventura na Web ou Desafio na Web é geralmente constituída por seis componentes: introdução. Outros sites. sendo um recurso tecnológico digital com metodologia criada em 1995 por Bernard Dodge e Thomas March. Essa animação também oferece informações sobre a reciclagem adequada e inadequada dos seus componentes. tarefa.

Consideramos importante desenvolver um trabalho que considere o ensino de forma não tradicional. seus vídeos e que os mesmo devem ser levados para fora da mesma. Todos os textos. nas disciplinas que participaram desta experiência pedagógica. vídeos. As práticas educacionais comportam elementos diversos. fotos. histórias em quadrinhos. a escola pode ser pensada como espaço de reflexão. Tanto a exposição das produções no prédio da escola quanto a divulgação das ações na internet. esse tipo de atividade pode ser interessante para ajudar na orientação de fontes. Desse modo.com/site/reciclaiee/>). Destacamos mais uma vez o papel do professor na organização e seleção de materiais interessantes aos objetivos do trabalho que está sendo realizado.blogspot. em que os alunos tocaram e cantaram ao vivo as paródias produzidas pelas equipes. Relações com a comunidade escolar O encerramento das atividades culminou em uma exposição no hall de entrada da escola. vídeos e paródias. Pensar no ensino enquanto prática educacional envolvida por diversos elementos que a constituem e influenciam foi um dos objetivos deste Caderno. circulação e produção de textos em suas diversas linguagens. nesse sentido. suas imagens. os 124 Universidade do Estado de Santa Catarina . informações relevantes para o desenvolvimento de determinadas atividades de pesquisa pelos estudantes. As escolas. testes e simulações foram disponibilizados no site (<https://sites. que se constituem como importantes objetos de análise e reflexão. Alguns vídeos produzidos pelos estudantes estão postados no site e no blog do projeto (<http://reciclaiee. filmes etc.CAPÍTULO 4 Tendo em vista a diversidade de informações que são disseminadas na web diariamente. nos levam a refletir também sobre a importância do envolvimento da comunidade escolar nesse processo.com/site/bioquests/> e conheça a webquest descrita na atividade exemplo. mas também da própria escola produzir seus textos. Diversos autores têm destacado a importância de não apenas levarmos textos (imagens. com produções variadas: panfletos.com/>).). Visite o site <https://sites.google. cartazes. criado especialmente para o desenvolvimento dessas atividades e utilizados para discussão com os estudantes. incluindo uma parada musical. de fora da escola para dentro dela.google.

Educação e Aprendizagem visa contribuir neste sentido. Síntese do capítulo Nesse capítulo. portanto. entre outros fatores que possam contribuir para um maior entendimento das relações que ocorrem no espaço das escolas de Ensino Básico. os papéis dos atores da educação. procuramos apontar caminhos possíveis para o trabalho com uso de novas tecnologias no ensino. como os recursos. sua história de leituras. a partir de discussões e alguns exemplos. audiovisuais. »» Ler criticamente implica considerar o estudante e seu contexto histórico-social. hipertextos. as múltiplas ações educativas tornam-se. alvo de leituras mais críticas. torna-se relevante um olhar para estes elementos. à luz de muitas teorias. as diferentes perspectivas de trabalho realidades. »» Imagens. é processo de interpretação. Quando começamos a pensar o ensino atual e sua articulação com as novas tecnologias. Podemos resumir alguns aspectos: »» O uso de novas tecnologias e das mídias como recursos de ensino deve estar articulado a uma perspectiva de leitura crítica desses materiais. Educação e Aprendizagem estudantes. objetivos educacionais. a partir da discussão de elementos comuns à prática educativa.CAPÍTULO 4 Tecnologia. 125 . a história da educação no país. um primeiro contato que estimule a reflexão dos futuros professores e os instigue a pensar a prática educativa de maneira crítica e progressista. »» A leitura envolve muito mais elementos do que decodificação. A disciplina de Tecnologia. são passíveis de interpretação porque dependem da forma como o leitor se relaciona com os mesmos e com a própria história de leitura dos sujeitos.

site) que fale. revista. queremos com essa atividade provocar a realização de análises à luz do que discutimos até agora: Escolha um recurso (audiovisual. sobre meio ambiente. impresso.CAPÍTULO 4 »» A inserção de novas tecnologias e leituras de mídias em contextos de ensino deve ser realizada com planejamento e objetivos adequados. e realize uma análise do material considerando dois aspectos: 126 Universidade do Estado de Santa Catarina . »» Não basta a presença de novas tecnologias para gerar processos de mudança. Você pode utilizar as linhas abaixo para produzir a síntese do seu processo de estudo: Atividades de aprendizagem 1. É importante adotar uma perspectiva crítica diante das tecnologias que pense suas contribuições e limitações nos processos de ensinar e aprender. por exemplo. Consideramos que a análise crítica é sempre muito importante para o planejamento e desenvolvimento de toda atividade pedagógica. Assim. blog.

As análises devem ser compor um texto de até 20 linhas.CAPÍTULO 4 Tecnologia. 127 . subsídios para suas considerações. Lembre-se de buscar nos autores lidos. você pode ficar à vontade para incluir outros aspectos que considere relevantes. No entanto. Educação e Aprendizagem a) Quais são as limitações do material para uso articulado em uma proposta de ensino? b) Quais são as possibilidades e contribuições do material para o ensino? Esses dois pontos indicam aspectos interessantes que podem ser considerados na análise.

Planejamento das atividades Tema geral: Objetivo(s): Desenvolvimento trabalho do (descreva a sequência de atividades): Recursos necessários: Ao final do curso o aluno deve: Avaliação: 128 Universidade do Estado de Santa Catarina . pensando nos seguintes aspectos. elabore um planejamento de ensino envolvendo novas tecnologias.CAPÍTULO 4 2. Lembre-se de seguir as orientações que constam neste capítulo do Caderno Pedagógico. Planejando uma atividade: Tendo em vista a discussão e os exemplos de atividades apresentados neste capítulo.

v. SHARE. 129 .cca... fala sobre “o que é cibercultura”. O que é Cibercultura. Brincando e aprendendo nos mundos virtuais: O potencial educativo dos games de simulação. n.educared. 687-717.. Educação & Sociedade. VIDEOS EDUCARede. J. M. NÚMERO??? (n.XX). Departamento de Comunicação e Artes Disponível em: <http:// www. a seguir.. p. ILHA. USP. André. Campinas. Comunicação & Educação.13. Educação e Aprendizagem Aprenda mais.php/comeduc/ article/view/7725/7129>. p. democracia radical e reconstrução da educação. Educação para a leitura crítica da mídia. Disponível em: <http://www.univerciencia. da Universidade Federal da Bahia.br/educom_na_rede/lista/52/keyword>.1 -8.Acesso em: 01 out.org/index. Visite o site. Aceso em: 01 out.eca. out. CRUZ.cfm?pg=comunidade_ virtual. Campinas.publicacao&&id_comunidade=0&ID_PUBLICA=6994>. v. D. e veja dicas de leituras e notícias de projetos voltados à educomunicação. Para ampliar os conhecimentos adquiridos neste Capítulo: Assista ao vídeo em que o professor André Lemos.org/educa/index. 29.revistas. 2008. P. 2008. Acesso em: 01 out. D. 2011. 2011. 104.usp. LEMOS. A. 2011 KELLNER. Disponível em: <http://www.CAPÍTULO 4 Tecnologia.

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para esta discussão que é realmente vasta. tanto presencial como a distância. Este é o início de uma discussão que se renova praticamente todos os dias. cada uma de nós buscou contribuir. . Patrícia e Professor Pablo. Você aprendeu alguns conceitos de tecnologia e sua relação com a educação. com o surgimento de novas tecnologias e práticas de ensino. a partir de seus conhecimentos teóricos e práticos. desde o início. foi de apresentar-lhe uma discussão sobre a relação entre as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e o processo de ensino-aprendizagem. webconferências e objetos de aprendizagem em sua prática pedagógica. e todo o leque de possibilidades que se abriu com a internet. Você também refletiu sobre a importância da comunicação e a linguagem multimídia em sala de aula. conheceu o histórico das tecnologias desde o surgimento do computador pessoal. Ao longo do Caderno. conceitos e situações implicadas. e aprendeu como criar e utilizar recursos como webaulas. Finalmente conheceu algumas experiências de sucesso no uso das TICs em contextos de ensino. Melina. Cabe a você seguir ampliando este leque de infinitas possibilidades! Sucesso! Professoras Ana Cláudia. A abordagem apresentada aqui buscou apontar diversos caminhos nesta discussão. O objetivo. Sabemos que pela abrangência da temática é impossível dar conta de todos os processos. seus componentes.Considerações finais Chegamos ao final do estudo deste Caderno Pedagógico.

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Atualmente é Designer Instrucional e Professora da Universidade do Estado de Santa Catarina. pela Universidade Católica do Uruguai (2006). Possui experiência na área do audiovisual. Atua nos seguintes temas: Ciências Sociais. atua também como Professora das Faculdades Integradas ASSESC de Florianópolis. Antropologia Visual. Possui experiência em design de produto. Melina de la Barrera Ayres Doutoranda Interdisciplinar em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina (2011). mestrado e doutorado em Educação Científica e Tecnológica pela Universidade Federal de Santa Catarina (PPGECT/UFSC). Pablo Eduardo Ramirez Chacón Possui graduação em Desenho Industrial Projeto de Produto pela Universidade Federal do Paraná (1998) e mestrado em Arquitetura pela Universidade Federal de Santa Catarina (2006). Licenciatura Plena. principalmente em EaD. Sociologia da Cultura. e professor colaborador na área de desenvolvimento de material didático no no Centro de Educação a Distância da Universidade do Estado de Santa Catarina. em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Santa Maria (RS). Tem experiência com ensino na Educação Superior e Educação Básica. e Bacharel em Comunicação Social. Atua na área de .Habilitação Jornalismo. Mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (2009). Educação e EaD. multimídia. Teoria da Comunicação. Atualmente desempenha a atividade de Designer Instrucional da Unisul Virtual e no Centro de Educação a Distância da Universidade do Estado de Santa Catarina. televisão e estudos de recepção. Tem experiência na área de Sociologia. jornalismo. Atualmente é consultor do SEBRAE-SC para a área de Inovação. Patrícia Montanari Giraldi Possui graduação. É pesquisadora do Núcleo de Antropologia Visual da Universidade Federal de Santa Catarina e Pesquisadora Associada à ANII Uruguai (Agencia Nacional de Investigación e Innovación). Sociologia e Educação.Conhecendo os(as) professores(as) autores(as) Ana Cláudia Taú Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (2000) e mestrado em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (2005). Cinema e Crítica. design gráfico e webdesign.

Professora Parecerista Ademilde Silveira Sartori Licenciada em Física pela Universidade Federal de Santa Catarina. educação a distancia. recebeu bolsa da CAPES para formar-se mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina. é Diretora de Ensino de Graduação do centro de Educação a Distância da Universidade do Estado de Santa Catarina. fez estágio pós-doutoral na Universidade Complutense de Madri. Atualmente é professora na Universidade do Estado de Santa Catarina.pesquisa e ensino em Educação nos seguintes temas: ensino de Biologia. especialista em Gestão da Educação a Distância pela Universidade Federal de Juiz de Fora.EUA. da Universidade Complutense de Madri. . ensino de Ciências. coordena o Laboratório de Mídias de Práticas Educativas LAMPE/FAED/UDESC e coordena o GP Comunicação e Educação. com ênfase em tecnologia educacional e formação de professores. Tem experiência na área de Educação e Comunicação. da INTERCOM. Califórnia . Atualmente. tecnologia educacional. atuando principalmente nos seguintes temas: comunicação e educação. doutorou-se em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. Espanha. durante o mestrado realizou estágio no Exploratorium Museum. linguagem do/no ensino de Ciências e Biologia e implicações sociais da ciência e tecnologia na educação. foi duas vezes bolsista da Fundación Carolina para realização de pesquisa junto ao Departamento de Ciências da Informação.

com.Comentários das atividades Capítulo 1 1. de aproximadamente 15 linhas. Acesso em: 01 set. A partir da leitura da letra da música.br>.gilbertogil. Disponível em: <www. já em 1997. os bares do Gabão Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular Que lá na praça Onze tem um vídeopôquer para se jogar A letra da música trata de um efeito do avanço das novas tecnologias da informação e comunicação. . Veja abaixo a letra da música Pela Internet de Gilberto Gil (Fonte: Gilberto Gil. procurando responder às questões propostas acima. pense nas seguintes questões: De que forma os avanços tecnológicos modificam o cotidiano das pessoas? Que mudanças acontecem? As novas tecnologias mudaram a sua vida e sua forma de comunicar-se e de compreender o mundo? Você considera que as novas tecnologias modificaram as formas de aprender? Elabore sua resposta na forma de um texto. 2011) : Pela Internet Gilberto Gil Criar meu web site Fazer minha home-page Com quantos gigabytes Se faz uma jangada Um barco que veleje Que veleje nesse infomar Que aproveite a vazante da infomaré Que leve um oriki do meu velho orixá Ao porto de um disquete de um micro em Taipé Um barco que veleje nesse infomar Que aproveite a vazante da infomaré Que leve meu e-mail até Calcutá Depois de um hot-link Num site de Helsinque Para abastecer Eu quero entrar na rede Promover um debate Juntar via Internet Um grupo de tietes de Connecticut De Connecticut acessar O chefe da Macmilícia de Milão Um hacker mafioso acaba de soltar Um vírus pra atacar programas no Japão Eu quero entrar na rede pra contactar Os lares do Nepal.

procurando conhecer de que forma seu entrevistado teve ou tem contato com novas tecnologias em contextos de ensino. 2. espera-se que você realize uma reflexão sobre as diferentes compreensões de tecnologia. Partindo da resposta dada por seu entrevistado. que extrapolam contextos formais de ensino. ou seja. professor ou familiar. sugerimos que faça ao seu entrevistado a seguinte questão: Conte alguma experiência positiva envolvendo tecnologias em situações de ensino/ aprendizagem. Realize uma pequena entrevista com um colega. Você viu que o computador é formado por vários componentes. Além disso.Com a atividade espera-se que você relacione a dimensão cultural e inovações tecnológicas. por meio de um PC. discuta as novas tecnologias como possibilidades de produzir e compartilhar conhecimentos. aponte as diferentes formas e possibilidades de apropriação de novos conhecimentos. qual a compreensão de tecnologia está presente em sua fala? Essa compreensão se afasta ou se aproxima daquela discutida neste capítulo? Escreva um texto de aproximadamente 15 linhas apresentando sua reflexão sobre essa questão. A partir do que você aprendeu sobre como funciona um computador e a Internet explique qual é a diferença entre navegador e sistema operacional? O navegador serve para acessar as páginas da Internet e o sistema operacional é o conjunto de programas que permite conectar-se com o hardware do computador por meio de uma interface. um universo de possibilidades se abrem. Baseando-se no que você estudou sobre o assunto. 2. e pôde aprender que ao se conectar na Internet. Capitulo 2 1. Para tanto. compreendendo o papel das novas tecnologias na estrutura e organização da sociedade moderna. relacione os seguintes termos: 136 . Procure identificar de que forma seu entrevistado vê a tecnologia. Com essa atividade. estabeleça uma relação com a temática apresentada neste capítulo. a importância de uma perspectiva crítica diante da mesma. pretende-se que você seja levado a refletir sobre as implicações das compreensões de tecnologias nos processos de ensinoaprendizagem.

a. A linguagem multimídia implica a comunicação de textos. A comunicação quase-mediada é aquela que se estabelece através dos meios de comunicação de massa como o rádio e a TV. Partindo do que você aprendeu sobre a relação entre comunicação e educação. você deve mostrar que domina os diversos recursos e possibilidades de produção de uma multimídia aplicada à educação. e precisa sempre da mediação de um suporte eletrônico. e-3. c. c-1.. V. e não permite uma troca de informação direta e imediata entre os interlocutores. Partindo deste contexto. Capitulo 3 1. vídeos. Justifique as alternativas falsas. que tipo de recurso seria mais adequado para este caso: uma vídeo/webaula. 2. d. b. Imagine a seguinte situação: Você está ministrando presencialmente a disciplina de Língua Portuguesa para o Ensino Médio e na próxima semana ensinará aos seus alunos algumas regras gramaticais. f-4. aponte se as frases listadas a seguir são Verdadeiras (“V”) ou Falsas (“F”). você decide criar um recurso multimídia como forma de introduzir a questão. F . um objeto de aprendizagem? Justifique a sua resposta.a b c d e f Linux Firefox Mouse Facebook Tablet Apple 1 2 3 4 5 6 Parte do computador Rede social Tipo de computador Fabricante de computador Sistema Operacional Navegador de Internet a-5. F . Nesta questão. V. d-2. b-6. o importante é que fique claro que 137 . A webconferência é uma ferramenta de comunicação tanto síncrona como assíncrona. e. F. animações etc. Para tanto. Não há uma única resposta para esta questão.

Lembre-se de buscar nos autores lidos. Capitulo 3 1. 2. você pode ficar à vontade para incluir outros aspectos que considere relevantes. Assim. 138 . Consideramos que a análise crítica é sempre muito importante para o planejamento e desenvolvimento de toda atividade pedagógica. uma possível abordagem interdisciplinar. a perspectiva da leitura. a compreensão de que o uso de tecnologias em si não garante um processo de ensino adequado. elabore um planejamento de ensino envolvendo novas tecnologias. subsídios para suas considerações. sobre meio ambiente. revista. o uso de uma vídeo/webaula será mais adequado.tipo de abordagem será realizada. com o uso das palavras. Espera-se que construa um olhar analítico para o recurso pedagógico escolhido identificando as limitações e as potencialidades do mesmo para o ensino. por exemplo. site) que fale. se a abordagem da temática será mais expositiva. Se a intenção do professor é que o aluno interaja diretamente. No entanto. por exemplo. a necessidade de mediação por parte do professor. As análises devem ser compor um texto de até 20 linhas. impresso. e realize uma análise do material considerando dois aspectos: a) Quais são as limitações do material para uso articulado em uma proposta de ensino? b) Quais são as possibilidades e contribuições do material para o ensino? Esses dois pontos indicam aspectos interessantes que podem ser considerados na análise. queremos com essa atividade provocar a realização de análises à luz do que discutimos até agora: Escolha um recurso (audiovisual. Nesta questão você deverá articular as discussões do capítulo como. blog. um objeto de aprendizagem seria a escolha mais acertada. Planejando uma atividade: Tendo em vista a discussão e os exemplos de atividades apresentados neste capítulo. Por exemplo.

139 .pensando nos seguintes aspectos. Lembre-se de seguir as orientações que constam neste capítulo do caderno pedagógico. ele poderá variar de acordo à disciplina. Lembre-se que não há uma única forma de produzir este planejamento. Com este exercício você deve colocar na prática a discussão apresentada ao longo do capítulo e produzir um planejamento de ensino com o uso das novas tecnologias. ao(s) tema(s) e aos objetivos que você defina.

140 .

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