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Em tempos de Tinder, Happn, OkCupid e afins, ainda existe o amor?

Ou apenas vivemos um jogo de deslizar perfis para direita ou esquerda?

Appaixonados
Relacionamentos amorosos
em um mundo conectado

JC RODRIGUES / PAULA CUNHA DE FARIA

Introdução

E HOJE EM DIA,
COMO É QUE SE DIZ
“EU TE AMO.”?
O verso da música “Vamos fazer um filme”, da saudosa
banda Legião Urbana, será eternamente válido conforme
pessoas mudam as formas e ferramentas de interação e,
consequentemente, como se relacionam umas com as
outras.
A principal consequência de um mundo conectado é o
crescimento exponencial da quantidade de informação
disponível. Incontáveis pontos de geração de conteúdo;
textos, fotos, vídeos, histórias, personalidades expostas em
uma rede onde a privacidade é uma preocupação
distante em detrimento da formação da opinião pública a
respeito de cada um de nós.

Mas, mais informação disponível não significa mais
tempo para consumi-la. E a alternância entre a
sincronicidade e a assincronicidade da comunicação é um
equilíbrio interessante de ser mantido. A conversa
cara-a-cara (síncrona) versus bilhetes enviados através de
mensageiros a cavalos (assíncrona), do primeiro email (em
1971) aos mensageiros instantâneos (IRC, ICQ , MSN
Messenger), que se tornaram não tão 'instantâneos' (Seen on
xx:xxh).

Como no diálogo abaixo, entre um casal de adolescentes
que havia acabado de se conhecer, descompromissadamente
escutado em um corredor de shopping:
- Qual seu celular?
- Ah, é 98455-xxxx...
- Tá bom, te mando um WhatsApp.

O que haveria de tão urgente neste shopping que os
impediriam de se comunicar ali, frente à frente, olho no
olho?

Em tempos de Tinder, Happn,
OkCupid e afins, os relacionamentos
pessoais e amorosos também lutam
para encontrar o equilíbrio entre a
interação imediata, demandando
maior velocidade de raciocínio, e o
prudente tempo de resposta que nos
permitem as ferramentas de
comunicação digital.

O medo da rejeição e a redução da capacidade em se
lidar com o processamento e resposta instantâneos transpôs
para os meios digitais assíncronos boa parte das relações
humanas.

A comunicação em duas vias e imediata é muito mais
arriscada. Exige um grau de concentração/foco, capacidade
de raciocínio e agilidade de pensamento linear (para
construção da melhor resposta a um questionamento, por
exemplo) que estão cada vez mais raros hoje em dia,
justamente pelo pensamento agora funcionar como
hyperlinks, onde as conexões não necessariamente pertencem
ao mesmo grupo repertorial. A jornalista Carol Nogueira
cunhou o apelido "geração DDA" para ilustrar a perda desta
capacidade argumentativa em função da incrível quantidade
de estímulos simultâneos a que cada um de nós está exposto
hoje em dia.

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Não há nada mais belo do que estudar nossa própria
natureza humana e entender a maneira como nos
relacionamos uns com os outros. Quando usamos a
imaginação, deixamos de lado a opinião pessoal sobre
determinada situação ou assunto e adquirimos, então, uma
capacidade analítica mais ampla.  A partir desta reflexão
inicial, estamos aptos a olhar para os relacionamentos
amorosos de outra forma, com uma visão mais analítica e
interessante do tema em questão.


Sabemos que estamos inseridos em uma sociedade cada
vez mais conectada.  O uso da tecnologia, como os
smartphones e computadores pessoais, mudou a maneira
como nos relacionamos. Se nos dirigimos a um determinado
estabelecimento social, como restaurantes e bares, e
observamos que a maioria das pessoas está com suas cabeças
baixas digitando mensagens ou vendo fotos em seus
respectivos aparelhos celulares, logo criticamos.

Obviamente esta reconfiguração do cérebro não
passaria incólume na maneira como as pessoas se
comunicam e, sobretudo, nos relacionamentos amorosos. E
isto abriu uma avenida de oportunidades para sites e
aplicativos que promovem o matchmaking pessoal.


A questão aqui não é criticá-los ou subverter o que já
está consolidado, mas atentar a como seu funcionamento está
adaptado à forma de consumo de qualquer conteúdo hoje
em dia.

Porém em alguns instantes cometemos a mesma atitude
e somos criticados por alguém do nosso convívio próximo.
Existe hoje uma reflexão diária, observada em diferentes
grupos socioeconômicos e em gerações distantes umas das
outras, sobre o excesso da conectividade na vida das pessoas.
A presença expressiva desses aparelhos e recursos
tecnológicos afeta, hoje, positiva e negativamente o
relacionamento amoroso do indivíduo pós-moderno:

Pensar de maneira sociológica é cultivar nossa
imaginação e nossa curiosidade pela vida humana; e
enxergar além do nosso cotidiano pessoal, que inclui, por
exemplo, nossa família ou pequenos círculos de convivência.

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novas tecnologias no nosso cotidiano, refletindo diretamente
na maneira como nos comunicamos e nos relacionamos.

Em pesquisa também realizada pelo IBGE, porém deste
ano de 2015, dados comprovam que metade da população
brasileira está conectada à internet diariamente. Através
destes números expressivos, concluímos que com a mudança
do ambiente tecnológico onde realizamos nossas conexões
pessoais, ou melhor, de nossos meios de comunicação com o
mundo, veio também a mudança na maneira como nos
relacionamos amorosamente. Para atender aos solteiros à
procura de um relacionamento amoroso, sites de
relacionamento e aplicativos de paquera surgiram nos
últimos anos como uma solução rápida e fácil de conhecer
novas pessoas. Em entrevista recente para o Estadão, o
fundador do Tinder, um dos aplicativos de mais
popularidade no mundo, fala sobre o tema: “É o fim da
rejeição”.

O problema está na natureza da comunicação humana.
Pensamos nela como produto da mente, mas ela é feita com o
corpo: rostos se mexem, vozes entoam, corpos balançam,
mãos fazem gestos... Na internet, a mente está presente, mas
o corpo sumiu. Os receptores têm poucas pistas da
personalidade e do humor da pessoa [...] A confiança está
virtualmente na janela. É um negócio arriscado.

Com a utilização de aplicativos em smartphones e sites
de relacionamento que proporcionem conexões com outras
pessoas, tanto a oferta quanto a demanda de usuários tem
crescido consideravelmente, o que nos leva a refletir sobre a
sociedade em que vivemos e sobre nós enquanto indivíduos
emocionais e existenciais.

Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), no período de 2005 à 2011
observou-se, na população brasileira, um crescimento de
107,3% no uso de celulares e de 140% no acesso à internet.
Estes números endossam ainda mais a presença crescente de

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relacionamentos amorosos contemporâneos. Para esta
análise, o capítulo se divide em dois principais momentos de
estudo: os relacionamentos amorosos contemporâneos como
um todo, e os relacionamentos amorosos no contexto
específico das redes sociais na internet.

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Baseado nesta reflexão, o primeiro capítulo deste livro se
propõe a entender o contexto sócio-cultural em que estamos
inseridos e a analisar nossas características pessoais enquanto
indivíduos sociais. Sendo assim, o primeiro capítulo se divide
em três principais análises: um estudo da passagem do
período moderno para o pós-moderno, abordando as
principais características de cada tempo; um estudo
aprofundado e detalhado sobre o contexto social
pós-moderno, o qual estamos atualmente inseridos; e um
estudo sobre o indivíduo contemporâneo.

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O quarto capítulo explora os artifícios utilizados por
ferramentas de matchmaking para estimular seu uso
constante e recorrente.

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Após a análise realizada no primeiro capítulo, da
sociedade como um todo e do indivíduo contemporâneo, o
segundo capítulo explora as distintas facetas do que é o amor,
ou, dos diferentes tipos de atração que podem ser entendidas
como 'amor'.

O quinto e último capítulo traz algumas histórias
tragicômicas de usuários destas ferramentas, ilustrando suas
experiências e percepções sobre todo o processo de encontro
de seus pares e o desenrolar destes relacionamentos.

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A terceira parte tem como propósito refletir sobre o
impacto das redes sociais digitais na dinâmica dos
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Com isto, as questões que norteiam este livro:

Como as ferramentas digitais
para busca de relacionamento
capturam e mantém o interesse
de seus usuários?

Como as ferramentas digitais
 impactaram a dinâmica dos
relacionamentos amorosos
contemporâneos? 


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