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Guerra da Cisplatina 1

Guerra da Cisplatina
Guerra da Cisplatina

Combate em Punta Colares.

Data 1825–1828

Local Sul do Brasil e Uruguai

Desfecho Interferência diplomática do Reino Unido, criação do Estado do Uruguai e manutenção do controle, pelo Império do Brasil, dos Sete
Povos das Missões.

Intervenientes

Império Brasileiro Províncias Unidas do Rio da Prata (atuais Uruguai e Argentina)

Principais líderes

Pedro I do Brasil Juan Antonio Lavalleja


Rodrigo Pinto Guedes Guillermo Brown
Marquês de Barbacena Bernardino Rivadavia
Carlos Frederico Lecor Francis Drummond
Carlos María de Alvear

A guerra da Cisplatina ou campanha da Cisplatina (espanhol: Guerra del Brasil) foi um conflito ocorrido entre o
Império do Brasil e a Províncias Unidas do Rio da Prata, no período de 1825 a 1828, pela posse da Província
Cisplatina, a região da atual República Oriental do Uruguai. Na historiografia argentina é denominada como Guerra
do Brasil ou Guerra Contra o Império do Brasil.
Foi o primeiro de quatro conflitos armados internacionais que o Brasil lutou pela supremacia sul-americana. Tendo o
segundo sido a Guerra do Prata, o terceiro a Questão Uruguaiana e o último a Guerra do Paraguai. Juntas, integram o
conjunto das Questões Platinas, na História das Relações Internacionais do Brasil.
O termo Cisplatina (cis, aquém, da parte de cá de + platina, relativa ao rio da Prata), indica a localização geográfica
do território da antiga província, a Leste daquele rio; em castelhano era conhecida como Província Oriental del Río
de la Prata, constituindo-se no atual Uruguai.
Localizada na entrada do estuário do Rio da Prata, a Província Oriental era uma área estratégica, já que quem a
controlava tinha grande domínio sobre a navegação em todo o rio, acesso aos rios Paraná e Paraguai, e via de
transporte da prata andina.
Guerra da Cisplatina 2

Antecedentes
História do Brasil

Eleições

Regionais

Generalidades

Bandeira da Província Cisplatina

O Império do Brasil (vermelho) e a Província da Cisplatina (listrado - verde e vermelho.

Conflitos na História do Brasil


- Império -

Primeiro Reinado

Guerra da Independência: 1822-1823

Independência da Bahia: 1821-1823

Confederação do Equador: 1824

Guerra contra as Províncias Unidas: 1825-1828

Revolta dos Mercenários: 1828

Período Regencial

Federação do Guanais: 1832

Revolta dos Malês: 1835

Cabanagem: 1835-1840

Farroupilha: 1835-1845

Sabinada: 1837-1838
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Balaiada: 1838-1841

Segundo Reinado

Revoltas Liberais: 1842

Revolta Praieira: 1848-1850

Guerra contra Oribe e Rosas: 1851-1852

Ronco da Abelha: 1835-1845

Questão Christie: 1863

Guerra contra Aguirre: 1864

Guerra do Paraguai: 1864-1870

Revolta dos Muckers: 1874

Revolta do Quebra-Quilos: 1874-1875

A região era disputada pelas Coroas de Portugal e da Espanha desde a fundação da Colônia do Santíssimo
Sacramento (1680), sendo objeto de vários tratados territoriais, dos quais os principais foram o Tratado de Madrid
(1750), o Tratado de Santo Ildefonso (1777) também chamado Tratado dos Limites e o Tratado de Badajoz (1801).
Na posse espanhola, com a independência da Províncias Unidas do Rio da Prata, constituiu-se em território daquele
país até 1816 quando foi invadida pelo General Carlos Frederico Lecor, comandante da Divisão de Voluntários Reais
do Príncipe, para a Coroa Portuguesa, na Guerra contra Artigas. Ali desenvolveu uma inteligente política de
ocupação, com a fundação das Escolas Mútuas do Método Lancaster e o apoio às elites Orientais. Em 1821 foi
incorporado ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves pelo Príncipe-Regente Português, com o nome de
Província Cisplatina. A anexação foi justificada, à época, pelos alegados direitos sucessórios que sua mãe, a Rainha
Carlota Joaquina, teria sobre a região.

O conflito
Após a Independência do Brasil, alimentando pretensões de recuperar o território da Província Oriental ou
Cisplatina as Províncias Unidas do Rio da Prata ajudaram os patriotas orientais (uruguaios), liderados por Juan
Antonio Lavalleja, a que se levantassem contra a dominação brasileira na região. Para esse fim, os argentinos
ofereciam-lhes apoio político, além de suprimentos de boca e de guerra.
O conflito acabou eclodindo em 1825, quando líderes militares orientais, como Lavalleja e Fructuoso Rivera
proclamaram a independência da região. Lavalleja desembarcou com suas forças na praia da Agraciada e, com o
apoio da população, declarou a incorporação da Província Oriental às Províncias Unidas do Rio da Prata. Em
resposta, em 10 de dezembro, o governo imperial brasileiro declarou guerra às Províncias Unidas, que retribuíram a
declaração de guerra em 1° de janeiro de 1826.

Forças oponentes
O Brasil tinha uma significativa vantagem populacional em relação aos seus inimigos. A população brasileira era de
4,5 milhões de pessoas (incluindo 1,1 milhão de escravos), enquanto que a população das Províncias Unidas era de
600.000 (150.000 na Província de Buenos Aires) e a do Uruguai, 60.000.[1] O tamanho da população, entretanto, não
era uma medida adequada da força dos países. Muitos brasileiros estavam fisicamente e emocionalmente afastados
do conflito. Nas Províncias Unidas, somente os portenhos estavam interessados na luta. Apesar da maioria dos
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uruguaios terem lutado com os portenhos, alguns se aliaram aos brasileiros.


Tanto o Brasil quanto as Províncias Unidas tinham dificuldades em criar Exércitos nacionais. A espinha dorsal do
Exército brasileiro, que haviam lutado no Uruguai entre 1811 e 1821, eram portugueses. Depois que o Brasil
proclamou sua independência em 1822, as tropas portuguesas em Montevidéu retornaram à Europa em março de
1824, sendo substituídas por tropas brasileiras recém recrutadas. A partir de 1822, o Império Brasileiro começou a
criar um exército nacional com as unidades brasileiras que já existiam, mas ainda havia muito a se fazer.
O efetivo da tropa, entretanto, caiu muito além do que era necessário, obrigando o governo a determinar o
recrutamento forçado. John Armitage escreveu que:

“ Apesar de detestarem a vida militar, [os camponeses livres] erão agarrados como malfeitores, manietados, mettidos a bordo de immundas
embarcações, e mandados para as agrestes campinas do sul, soffrer os rigores de hum clima inhospito, e a tactica de hum inimigo
desapiedado. Grande numero adoecia e morria na viagem
[2]

Diante da dificuldade de recrutar brasileiros para servir no Exército, mercenários foram recrutados na Alemanha e
Irlanda, mas essas tropas não ofereciam ajuda imediata.[3]
O Exército brasileiro de 1826 contava com 10.000 homens, estando 6.000 deles na Banda Oriental: 2.500 em
Montevidéo, 1.100 em Colonia, 1.100 espalhados em guarnições ao longo dos rios Uruguai e Negro, e o restante em
outros lugares. Muitos desses 6 mil homens eram recrutas locais.
As Províncias Unidas também teve problemas para levantar um exército. O caudilho Juan de las Heras, governador
da Província de Buenos Aires levantou um exército de 800 homens sob o comando do General Martín Rodriguez
perto de Concepción del Uruguay, na Argentina. A nata da força humana da cidade havia sido enviada à a costa oeste
da América do Sul para enfrentar os Realistas, e as Províncias do interior não tinham o mesmo entusiasmo com a
guerra contra o Brasil quanto os portenhos e não enviaram tropas.
Embora a população uruguaia fosse pequena comparada às do Brasil e das Províncias Unidas, o país teve menos
dificuldade em levantar um Exército. A maioria dos uruguaios viviam nas planícies do interior eram apropriados
para servir como cavalaria irregular. Armitage descreveu o típico homem do front:


Armado unicamente com as bolas e os laços, e com a inseparável faca enfiada no cinto, todos [os gaúchos] são soldados por hábito; e
animados pelo espírito de nacionalidade, estão sempre promptos a entrar em luta

[2]

As Marinhas eram outra questão. Apesar do Lorde Cochrane ter voltado para a Inglaterra, a Marinha do Brasil,
criada por ele e integrada principalmente por 1.200 mercenários ingleses, irlandeses e norte-americanos, permaneceu
praticamente intacta. Um terço dos Oficiais da Marinha do Brasil eram ingleses. A Marinha sofria por falta de
oficiais juniores. Em 1826, a Marinha do Brasil possuia um navio de linha, seis fragatas, dezoito brigues e
bergantins, além de umas vinte e cinco embarcações inferiores.
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A Marinha de Buenos Aires era categoricamente


inferior à brasileira. Inicialmente, consistia nas brigues
General Belgrano (14 canhões) e General Balacre (14
canhões) e algumas poucas canhoneiras. Também
foram comprados e equipados alguns navios mercantes,
sendo o mais importante a corveta Comércio de Lima,
que se tornou a 25 de Mayo (28 canhões). As
Províncias Unidas também compraram três belonaves
chilenas que estavam no dique à algum tempo — a
frigata O'Higgins (44 canhões), renomeada para Buenos
Batalha de Juncal, 1865.
Aires; a corveta Independencia (28 canhões); e a
corveta Chacabuco (20 canhões). Os navios zarparam
de Valparaíso em 25 de maio de 1826; o Buenos Aires, entretanto, naufragou no Cabo Horn após uma tempestade,
causando a perda de 500 vidas, e o Independencia encalhou, sendo perda total. Mais da metade dos cinqüenta e seis
Oficiais eram norte-americanos e britânicos. O Comércio regional estava crescendo e o potencial para prêmios em
dinheiro era grande. Por isso, encorajar os corsários era fácil.

Estratégias iniciais
O Brasil esperava que a demonstração de seu poderio naval antes do início das hostilidades moderasse as ações dos
portenhos e que os mesmos desistiriam de seu apoio aos uruguaios. A partir de abril de 1825, o Brasil começou a
enviar significativos reforços à sua pequena esquadra no Rio da Prata. O comando foi dado ao Vice-almirante
Rodrigo Ferreira Lobo.
Essa demonstração de força falhou no intuito de deter a guerra, então o Brasil esperou que um bloqueio à Buenos
Aires persuadisse os portenhos. O bloqueio do porto de Buenos Aires, entretanto, se mostrou uma missão muito
difícil. As águas imediatamente anteriores à enseada eram muito rasas para as belonaves brasileiras mais pesadas, e o
canal de acesso à enseada era estreito e tempestuoso. Além disso, havia poucos pontos de referênciadistinguíveis no
mar para auxiliar na navegação. Por essas mesmas razões, o bombardeio de Buenos Aires seria extremamente difícil.
A estratégia inicial das Províncias Unidas era furar o bloqueio através de rápidas incursões contra os boqueadores
utilizando belonaves menores e mais ágeis. As belonaves portenhas de pequeno calado zarparam de Buenos Aires,
tentando atrair os bloqueadores brasileiros para águas rasas, onde deveriam encalhar. Um vez encalhados, ele podiam
ser atacados com sucesso por belonaves menores. O plano de Buenos Aires também consistia garantir suprimentos
aos gaúchos uruguaios, aproveitando sua grande motivação de lutar contra as tropas brasileiras de ocupação.
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Desenrolar da guerra
Para apoiar as forças de Lavalleja, um
exército argentino atravessou o Rio da Prata,
estabelecendo acampamento em Durazno,
iniciando uma invasão do território
brasileiro pelo general Carlos Maria de
Alvear (1826). O visconde de Barbacena, no
comando das tropas imperiais, deu combate
aos argentinos na batalha de Ituzaingó.

Em apoio ao Exército Brasileiro, o


imperador Pedro I do Brasil enviou uma
esquadra para bloquear o estuário do Rio da
Prata, assim como o porto de Buenos Aires.
A Argentina revidou, atacando o litoral
gaúcho. Contudo, a pressão da Marinha do
Brasil conseguiu, com o tempo, estrangular
o comércio argentino.

O Império Brasileiro iniciou a ofensiva


terrestre a partir do final de 1826, por meio
da concentração de tropas no Sul do país. Operações do Império Brasileiro em fevereiro de 1827.
Essas tropas eram formadas, em sua
maioria, por voluntários e por algumas unidades de mercenários europeus.
A dificuldade do imperador em reunir forças para o conflito deveu-se, em grande parte, ao fato de que seu governo
estava enfrentando à época várias rebeliões populares e levantes militares nas províncias do recém-independente
Brasil (inclusive na capital Rio de Janeiro).
A falta de tropas atrasou em muito a capacidade de resposta brasileira ao apoio de Buenos Aires ao levante no Sul.
Por volta de 1826 esse apoio não era mais somente político e logístico: já havia a convocação de tropas para lutar
contra o Império.
A guerra foi marcada por diversos encontros de pequena monta e por escaramuças de grupos armados de ambos os
lados. Estes encontros em nada contribuíram para a solução do impasse político e militar.
Somente as batalhas de Sarandi e Passo do Rosário se constituíram em encontros militares de maior vulto. Em
ambas, o exército imperial foi derrotado. Contudo, graças à falta de recursos humanos e logísticos também por parte
das Províncias Unidas como da Província Oriental, para explorarem estas vitórias, elas foram de pouco proveito.
A guerra prosseguiu, por terra e mar, com vantagem para as forças imperiais, que derrotaram as forças republicanas
na decisiva Batalha de Monte Santiago (1827).
Na primeira metade do ano seguinte, Fructuoso Rivera reconquistou para a Província Oriental (e para as Províncias
Unidas) o Território dos Sete Povos das Missões que passou ao Império Português em 1801 (ver Tratado de Badajoz
(1801)). Após esta vitória dos argentinos e orientais, dado o impasse em terra, o bloqueio naval brasileiro, os altos
custos para os beligerantes da continuação da guerra, a pressão britânica para que um acordo fosse firmado, além da
precariedade militar e política dos países em conflito, a paz começou a ser negociada, com a mediação da França e
da Grã-Bretanha.
Desse modo, o Império do Brasil e a República das Províncias Unidas do Rio da Prata, pela Convenção Preliminar
de Paz, assinada no Rio de Janeiro, renunciaram às suas conquistas e reconheceram como Estado independente a
Província Oriental, que passou a se chamar República Oriental do Uruguai.
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Consequências
A perda da Província Cisplatina foi um
motivo adicional para o crescimento da
insatisfação popular com o governo de D.
Pedro I. Na realidade, a guerra era
impopular desde o início, pois para muitos
brasileiros representava aumento de
impostos para o financiamento de mais um
conflito.

Quando o Império do Brasil assinou o


acordo pela independência da região, muitos
utilizaram isto como argumento para tornar El Juramento de los Treinta y Tres Orientales, 1877.
ainda mais impopular o governo, alegando
que o imperador havia depauperado os cofres públicos e sacrificado a população por uma causa perdida.
Entretanto, a guerra da Cisplatina não foi uma causa direta para a abdicação do imperador, em 1831. Ela se insere
dentro de uma conjuntura que concorreu para a sua queda. Entre as causas da abdicação, sem dúvida, o estilo
centralizador de governar foi o principal.

Bibliografia
• CARNEIRO, David. História da Guerra Cisplatina. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1946.
• DONATO, Hernâni. Dicionário das Batalhas Brasileiras. São Paulo: Editora Ibrasa, 1987.
• DUARTE. Paulo de Q. Lecor e a Cisplatina 1816-1828. v. 2. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1985.
• SCHEINA, Robert L. Latin Amercica's Wars: the age of the caudillo, 1791-1899, Brassey's, 2003.
[1] Kirkpatrick, Latin Amercia, 155; Hubert Herring, A History of Latin America (New York: Alfred A. Knoff, 1955), 601; Vale, "The Creation",
67.
[2] ARMITAGE, John. Historia do Brazil, desde a chegada da real família de Bragança, em 1808, até a abdicação do imperador D. Pedro I, em
1831. Trad. de Joaquim Teixeira de Macedo. Rio de Janeiro: Typ. Imp. e Const. de Villeneuve e Comp., 1837. pág. 173.
[3] W. H. Koebel, British Exploits in South America (New York: The Century Company, 1917), 327-29; Armitage, The History of Brazil, 1:
260-61; Levene, A History of Argentina, 381.

Ver também
• Batalha do Passo do Rosário
• Batalha de Rincón
• Batalha de Sarandi
• Batalha de Umbu
• Batalha de Vacacai
• Capitão-de-Fragata Luís Barroso Pereira
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