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1.

INTRODUÇÃO

Flotação é uma técnica utilizada para separar partículas sólidas, com diferentes graus de

hidrofobicidade. Neste processo, ocorre a introdução de bolhas de ar na polpa (mistura

heterogênea onde as partículas estão suspensas), fazendo com que as partículas com maior

afinidade ao ar sejam levadas até a superfície do reservatório e assim possam ser removidas.

Geralmente é necessário adicionar-se substâncias para que a técnica apresente maior eficácia;

estes são denominados agentes modificadores, que possuem diversas funções, entre elas estão:

ajustar o pH, ajustar o potencial de oxirredução do sistema, facilitar e tornar mais seletiva a

ação do coletor e tornar uma ou mais substâncias hidrofílicas e imunes à ação do coletor [1] .

A flotação ocorre devido à tensão superficial e ao ângulo de contato formado entre as

bolhas e as partículas. A tensão superficial é a responsável pela formação de bolhas, ela pode

ser definida como a força por unidade de comprimento exercida por uma superfície do

liquido. O ângulo formado entre as bolhas e as partículas pode ser usado como uma medida da

hidrofobicidade/hidrofilifidade do sólido. Esse ângulo permite a quantificação dos vários

graus de afinidade intermediários entre esses dois casos extremos [2] .

Compostos orgânicos e inorgânicos são utilizados para controlar as características das

interfaces envolvidas no processo de flotação. De acordo com a função da flotação, os

reagentes são classificados em: coletores, espumantes e modificadores.

Os coletores têm a função de hidrofobizar as espécies seletivamente, tornando partículas

hidrofílicas em hidrofóbicas. Desta forma o reagente se deposita na superfície da espécie, de

modo que sobre a superfície da partícula forme um filme da substância. Ao entrar em contato

com as bolhas de ar, a superfície da partícula esta revestida da substância hidrofóbica.

Os modificadores tem ações distintas, como controlar o pH, modular o Eh, potencial

eletroquímico do sistema, controle do estado de agregação da polpa através da adição de

dispersantes e agregantes (coagulantes e floculantes), e ativar através da adição de reagentes

capazes de tornar a ação dos coletores mais eficaz.

Os espumantes tem a função de formar bolhas de ar, eles reduzem a tensão superficial

líquido-gás

e

retardam

a

coalescência

das

bolhas

dando

origem

a

espuma.

Eles

são

estruturalmente semelhantes aos coletores, distinguindo-se apenas pelo fato de que para serem

considerados coletores, esse deve aderir à superfície da partícula, o que não ocorre com os

espumantes [3] .

Pode-se calcular a potência exercida pelo motor para fluidos de diferentes densidades, em

um processo de escoamento em que o fluido é movido por um rotor acionado por um motor.

A potência aplicada deve superar as forças de resistência ao movimento do fluido [4] . O torque

aplicado, é portanto, proporcional ao coeficiente de arrasto.

É possível relacionar as diferenças de pressão do escoamento do fluido com a potência

consumida pelo impelidor para promover a agitação. A razão entre essas relação é igual ao

número de potência. O número de potência é um adimensional análogo ao coeficiente de

arrasto e pode ser relacionado aos números de Froude e Reynolds.

Em condições hidrodinâmicas com Reynolds baixo, forças viscosas são predominantes,

caracterizando o escoamento laminar. Neste caso o número de potência é inversamente

proporcional ao número de Reynolds [4] .

Quando o número de Reynolds é elevado, o escoamento é turbulento, o que proporciona

uma mistura dos componentes da polpa mais rápida. Neste caso o número de potência é

praticamente constante e independente da viscosidade do meio [4] .

2.

OBJETIVOS

Este experimento tem como objetivo a separação da mistura sílica e grafite e a

determinação da Curva Nº de potência versus Nº de Reynolds.

3.

MATERIAIS E MÉTODOS

No primeiro experimento, apenas demonstrativo, foi observada a separação do grafite da

sílica sem adição de espumante e posteriormente com a adição de espumante. A célula de

flotação foi preenchida de aproximadamente cinco litros de água, e também adicionou uma

mistura de sílica e grafite. Posteriormente ligou-se o motor e manteve-se uma vazão de ar

constante. Após observada a separação, foi adicionado três gotas de óleo de pinho, o agente

espumante, e observou-se seu efeito na separação.

No segundo experimento, inicialmente foram determinadas as densidades da água e da

glicerina através do picnômetro, posteriormente foram feitas medidas de diâmetro do rotor,

braço da alavanca e temperatura do fluido utilizado na célula de flotação através do termopar.

Após coletar todas as medidas, posicionou-se o dinamômetro de forma que o eixo de medição

do instrumento ficasse na mesma altura do braço acoplado ao motor, formando um ângulo de

90º com o mesmo e posteriormente o dinamômetro foi zerado. Adicionou-se a célula de

flotação cinco litros de água. O motor foi ligado e controlou-se a vazão de ar para que ficasse

constante em 6 L/min e assim controlou-se também a velocidade de rotação do motor, que foi

medida a cada variação através do tacômetro e também a força aplicado ao braço de alavanca

mensurada pelo dinamômetro. Posteriormente fez-se o mesmo para glicerina.

4.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Primeiramente, o experimento de separação do grafite da sílica realizado foi apenas

demonstrativo. Um recipiente de aproximadamente cinco litros foi preenchido com água,

adicionando-se à ele a sílica e o grafite. Este recipiente foi acoplado a um sistema que

consistia em um injetor de fluxo de ar e um rotor para agitação e melhor dispersão da mistura.

Acionou-se o motor. Foi verificado visualmente a separação das partículas de grafite das

partículas de sílica no início do processo; ela deu-se devido o grafite ser molécula polar, e a

sílica, molécula polar. Como a sílica possuía maior afinidade com a água, esta ficou retida na

base da célula de flotação, e o grafite possuindo caráter hidrofóbico, aderiu-se as bolhas de ar,

sendo carreado por elas até a superfície do líquido.

Apesar de ser possível visualizar a separação, agentes modificadores comumente

são

adicionados no processo de flotação. No experimento foi adicionado um agente espumante,

que promove a formação de bolhas adequadas para o transporte das partículas apolares. Como

agente espumante adicionou-se óleo de pinho, que melhorou a estabilidade e adesão da

partícula sólida apolar, o grafite, na superfície da bolha. Antes de adicionar o espumante, foi

observado que algumas partículas sólidas ainda ficavam dispersas na mistura líquida. Após a

adição foi possível observar visualmente uma melhor separação do grafite do liquido, pois

este foi carreado pelas bolhas de ar para a superfície, promovendo uma separação mais

eficiente do grafite. Isso ocorre devido o espumante promover maior adsorção do grafite na

superfície da bolha de ar, o que facilita seu carreamento através desta para a superfície, onde

pode ser retirado o sólido por métodos simples.

Na etapa posterior, foram realizadas as flotações da água e da glicerina. A densidade da

água a 22°C, 998 kg/m 3 , foi determinada utilizando-se o picnômetro. A rotação do motor e a

força exercida no braço da alavanca para uma vazão controlada de ar de 6 L/min foram

determinadas pelo tacômetro e dinamômetro, respectivamente. O número de potência e o

número de Reynolds para cada rotação do motor foram determinados a partir das equações 2,

3 e 4 conforme cálculos apresentados no Anexo Memória de Cálculo e encontram-se na

Tabela 1.

Tabela 1: Dados obtidos para a água

 

Rotação

Potência

Número de

Força (N)

Reynolds

 

(RPM)

(W)

potência

1,17

1323

30,80

0,437

195034,5

1,40

1528

42,56

0,392

225255,3

1,52

1770

53,53

0,317

260930,5

1,71

1840

62,60

0,330

271249,8

1,84

1842

67,44

0,354

271544,6

1,90

1930

72,96

0,333

284517,4

Utilizando a glicerina, a densidade foi obtida similarmente à da água e o valor encontrado

foi de 1259,56 kg/m 3 à temperatura de 31°C. A rotação do motor e a força exercida no braço

da alavanca para uma vazão controlada de ar de 6 L/min foram determinadas similarmente à

da água. O número de Potência e o número de Reynolds para cada rotação do motor foram

determinados a partir das equações 2, 3 e 4 conforme cálculos apresentados no Anexo

Memória de Cálculo e encontram-se na Tabela 1.

Tabela 2: Dados obtidos para a glicerina.

 

Rotação

Número de

Força (N)

Potência (W)

Reynolds

 

(RPM)

de potência

0,88

764

13,38

0,781

238,3

1,03

900

18,44

0,658

280,7

1,2

1030

24,59

0,586

321,3

1,57

1311

40,95

0,473

408,9

1,76

1408

49,31

0,460

439,2

2,06

1650

67,63

0,392

514,7

De acordo com a literatura, o gráfico esperado para o número de potência versus o

número de Reynolds encontra-se na Figura 1:

versus o número de Reynolds encontra-se na Figura 1: Figura 1: Gráfico de Nº de Potência

Figura 1: Gráfico de Nº de Potência versus Reynolds reportado na literatura [5] .

Para a água, devido ao fato do regime ser turbulento o qual apresenta número de

Reynolds maior que 4000,

o número de potência deveria ser constante. Porém, pode-se

observar pelo gráfico apresentado na Figura 2 que os dois primeiros pontos distorcem do

esperado, fato justificado pela sensibilidade da fórmula utilizada no cálculo. Esses dois pontos

podem indicar erro na hora das medidas uma vez que o tacômetro apresentava valores que

oscilavam, o que levou a utilização de valores médios.

0,5 0,45 0,4 0,35 0,3 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 0 0 50000 100000 150000
0,5
0,45
0,4
0,35
0,3
0,25
0,2
0,15
0,1
0,05
0
0
50000
100000
150000
200000
250000
300000
Re
Nº potência

Figura 2: Gráfico número de potência versus número de Reynolds para a água

Para o cálculo do número de Reynolds para a glicerina, utilizou-se a Equação 1 para obter

a viscosidade da mesma. Os resultados obtidos ficaram compatíveis com os valores de

referência pelo fato de que à medida que a rotação do motor aumentava a força exercida no

braço da alavanca também aumentava uma vez que a mesma apresentava regime laminar, ou

0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 0 100 200 300 400
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0
0
100
200
300
400
500
600
Re
Nº de potência

Figura 3: Gráfico número de potência versus número de Reynolds para a glicerina

A comparação entre as curvas das Figuras 2 e 3 nos mostra que os valores para o número

de potência para os dois ensaios encontram-se próximos porém devido ao fato de uma maior

viscosidade da glicerina em relação à água, os valores do número de Reynolds para o

experimento com a glicerina são muito menores que para o experimento com a água.

5.

CONCLUSÕES

No processo de flotação realizado, constatou-se uma lenta separação da sílica e do grafite

devido à ausência do espumante, no caso o olho pinho, e de outros agentes coletores e

depressores. Com a adição do espumante, observou-se uma separação imediata desses

componentes ocorrendo um grande carregamento de grafite para superfície do liquido. O

mesmo se deve à estabilização das bolhas de ar, o que provoca uma melhor adsorção das

partículas de grafite nas bolhas de ar. Com os dados coletados, obteve-se uma curva de

número de Potência versus número de Reynolds e constatou-se que, para o experimento com a

água, os dados estão relativamente fora da curva padrão uma vez que ocorrem oscilações dos

valores medidos no equipamento, o que torna difícil a determinação de valores exatos no

experimento. Já para o experimento realizado com a glicerina, os valores estão muito

próximos dos valores ideais, ou seja, a curva de número de Potência versus número de

Reynolds está muito próxima da curva padrão ideal.

6.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1]

CHAVES,

Arthur

Pinto

(org.). Teoria

e

prática

do

tratamento

de

minérios: a flotação no Brasil. 2.ed. São Paulo: Signus, 2009. v.4. 484 p.

[2] ] MASSI, L.; SOUSA, S. R.; LALUCE, C.; JAFELICCI JUNIOR, M. Fundamentos e

Aplicação da Flotação como Técnica de Separação de Misturas. Química Nova na Escola,

n. 28, maio de 2008.

Disponível em: <http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc28/05-CCD-7106.pdf>.

Acesso em 21/11/2014.

[3] CUSTÓDIO, E. A. C. Controle da Altura da Camada de Espuma em uma Coluna de

Flotação. 2008. 55p. Monografia (Graduação em Engenharia de Controle e Automação) –

Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP, Ouro Preto, 2008.

[4] ] RODRIGUES, W. J. Mecanismo de Flotação de Partículas Grossas em Células

Mecânicas: Influência das Variáveis Hidrodinâmicas e suas Implicações Cinéticas. 2010.

131p. Tese (Doutorado em Engenharia Mineral) – Universidade de São Paulo, USP, São

Paulo, 2010.

[1] CHAVES, A. P. Teoria e prática do tratamento de minérios: a flotação no Brasil.

edição, Signus.2009. 484 p.

[5] PEREIRA, F. M. Agitação e Mistura. Operações Unitárias II. Escola de Engenharia de

Lorena. Universidade de São Paulo (USP).

Disponível em: http://www.dequi.eel.usp.br/~felix/agitacaomistura.pdf.

Acesso em: 16 de novembro de 2014.

[6] FOX R. W.; Mc Donald, A. T.; Pritchard, F. J. Introdução à Mecânica dos Fluídos. 7ª

edição, LTC. 2011. 704 p.

7.

ANEXO MEMORIA DE CÁLCULO

Viscosidade da glicerina

Para o cálculo da viscosidade da glicerina utiliza-se a fórmula abaixo:

μ

= 4,29 . ( ,

)

μ = 4,29 . ( , ) = 0,57 /( . )

Cálculo de potência

Onde:

=

.

.2 .

F

= força exercida no braço da alavanca (N);

d

= comprimento do braço da alavanca (m);

n

= rotação do motor (rps).

Substituindo os valores para a primeira medição da água, temos:

= 1,17.0,19.2

22,05 = 30,80

Substituindo os valores para a primeira medição da glicerina, temos:

= 0,88 .0,19.2

12,73 = 13,37

Cálculo de número de potência (np)

Onde:

P

= potência do motor (W);

D

= diâmetro do rotor (m);

n

= rotação do motor (rps);

=

ρ

= densidade do fluido(kg/m³).

Substituindo os valores para a primeira medição da água, temos:

=

30,80

22,05 . 0,092 . 998 = 0,437

Substituindo os valores para a primeira medição da glicerina, temos:

=

13,37

12,73 . 0,092 . 1259,55 = 0,781

Cálculo de número de reynolds

Onde:

=

ρ

μ

= viscosidade do fluido (kg/(m.s));

D = diâmetro do rotor (m);

n = rotação do motor (rps);

= densidade do fluido (kg/m³);

Substituindo os valores para a primeira medição da água, temos:

= 0,092 . 20,05.998

0,000955

= 195034,5

Substituindo os valores para a primeira medição da glicerina, temos:

=

0,092 . 12,733 . 1259,55

0,570

= 238,3