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Disciplina: Economia Brasileira Professor: Msc. Marcelo Santos Oliveira Florianópolis 2º Semestre de 2013

Disciplina: Economia Brasileira

Professor: Msc. Marcelo Santos Oliveira

Florianópolis

2º Semestre de 2013

Sumário

Introdução a Macroeconomia

3

2. Controvérsias em Macroeconomia

3

Principais agregados macroeconômicos

5

Produto Nacional

5

Despesa Nacional

6

Renda Nacional

6

Identidade básica das Contas Nacionais

6

Valor adicionado

6

Outros agregados macroeconômicos: Produto Nacional Bruto, Produto Nacional Líquido e Produto Interno Bruto

7

Um olhar sobre as contas nacionais do Brasil

8

Composição do PIB brasileiro sob as três óticas – 2001-2005

8

Nível de atividade

9

Produto Interno Bruto

9

Percentual

9

Produto Nominal e Produto Real, Produto Per Capita

10

Agregados Macroeconômicos

11

Setor Público

11

Apresentando o Setor Externo

12

Algumas considerações sobre o cálculo do produto de um país

14

As Maiores Economias do Mundo 2012

14

Renda Disponível e Investimento: dois conceitos importantes

14

Consumo

15

As Três Óticas do Produto

16

Mercado de trabalho

17

Emprego e Desemprego

17

Conceito

17

Estrutura da população no mercado de trabalho

18

Tipos e Causas do Desemprego

19

Noções da teoria do desenvolvimento tecnológico: a importância da inovação

20

Políticas Econômicas

22

Política Fiscal

23

Política Fiscal no Brasil

24

Política Monetária

26

Moeda

26

Análise de Mercado Monetário

28

Política Cambial

30

Câmbio

30

Mercado cambial: definição e funcionamento

31

Detalhando o funcionamento do mercado cambial

31

Taxas de câmbio e regimes cambiais

34

Regimes Cambiais:

34

Efeitos do câmbio sobre as atividades econômicas

34

Taxa de câmbio nominal e real

36

Referencias Bibliográficas

37

2

ASSESC– 2º Semestre 2013 Disciplina Economia II – 2º Fase de Administração Professor Msc. Marcelo Santos Oliveira

Introdução a Macroeconomia

Você já deve ter percebido como a economia é importante em sua vida. Todos os dias, nos mais diversos meios de comunicação, você pode se informar sobre uma gama enorme de informações acerca da economia mundial, do país, de uma empresa ou região. O desempenho de uma economia pode ser avaliado através de indicadores que demonstram resultados específicos de determinada variável econômica. Por exemplo: um indicador muito conhecido e de grande importância é a taxa de inflação. Essa taxa demonstra o comportamento de uma variável fundamental para a economia: o nível dos preços. Sendo a economia uma ciência complexa e de extensas ramificações, ela faz uso de importantes instrumentos analíticos. Os economistas estão sempre preocupados em mensurar o mais perfeitamente possível os fenômenos econômicos. O perfeito entendimento de um fenômeno econômico passa obrigatoriamente pelo seu correto diagnóstico, o que só é possível com o conhe-

cimento dos principais indicadores de uma economia. Este tipo de estudo e muito importante, pois nos fornece elementos para saber por que um par de sapatos vale mais do que uma camisa ou o que acontecera se o governo cobrar impostos de indústrias poluentes. Entretanto, muitas vezes, ao acompanhar o noticiário econômico, as referencias são feitas a economia de um pais inteiro, e não a um mercado especifico. Desta forma, e muito comum nos referirmos à economia americana como sendo mais rica que a brasileira. Também falamos que a taxa de juros no Brasil e muito alta e, por isso, a economia não volta a crescer e o desemprego permanece alto. Outras vezes, lemos que

o consumo esta caindo e, dessa forma, não devemos

esperar que as coisas melhorem no próximo ano. Note-se que, na primeira afirmativa, não especificamos quais famílias americanas são mais ricas do que as brasileiras. Quando falamos de taxa de juros, não nos referirmos sobre que setor da economia pede dinheiro emprestado e em quais circunstancias, da mesma forma não definimos se o desemprego e de engenheiros ou de

pedreiros. Por fim, nada foi dito se o consumo que esta caindo e o de brinquedos ou o de alimentos. Em todas as afirmativas, referimo-nos a economia de um pais como um todo, simplesmente não nos preocupamos em diferenciar as famílias e as firmas que residem no mesmo pais. De certa forma, e como se estivéssemos falando da soma de todas as famílias e todas as firmas de um determinado pais. Certamente você já se deparou com essa idéia de tratar

a

economia de um determinado pais como um todo, isso

e

feito diariamente nas paginas de Economia de todos

os jornais. Quando aprendemos Contas Nacionais, vimos como medir o produto de todo um pais. Também foi visto como se calcula o consumo de toda uma economia, o que e investimento e como este se relaciona com a poupança e porque o gasto público e contabilizado em separado. Uma das grandes lições

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daquela unidade foi que o produto de toda a economia deve ser igual à soma dos gastos, ou seja, se somarmos o consumo das famílias com o consumo do governo e adicionarmos o investimento o total será exatamente igual ao PIB. Aprender a medir os agregados econômicos e um passo importante para entender o que se quer dizer quando no referimos a uma economia como um todo. Porem, em algum momento podemos ficar curiosos sobre a possibilidade de elaborar uma teoria que busque explicar o comportamento destas variáveis agregadas. A macroeconomia e parte da economia que estuda o comportamento das variáveis econômicas agregadas. Os macroeconomistas costumam estudar problemas como o crescimento econômico, a existência de recessões, a inflação, o desemprego e etc. A analise e sempre feita para a economia como um todo, não existe preocupação com os comportamentos individuais de cada agente. O Prof. Mario Henrique Simonsen costumava fazer uma analogia entre o estudo de economia e o estudo de uma floresta. Segundo este professor, a microeconomia e o equivalente a estudar as arvores individuais, sem se preocupar com a floresta como um todo. Por outro lado, a macroeconomia seria o equivalente a estudar aspetos da floresta como um todo, sem se preocupar com cada uma das espécies. Assim, classificar as espécies de uma floresta e determinar as famílias de cada uma seria associado ao trabalho de um microeconomista, enquanto caracterizar o ecossistema e discutir tópicos como grau de úmida de ou nível de preservação ambiental seria o equivalente ao trabalho de um macroeconomista. No restante desta unidade, vamos nos dedicar a estudar algumas teorias macroeconômicas. Nossa atenção direcionada a como se determina o PIB de um pais, quais os mecanismos que igualam a poupança e o investimento, como a moeda aparece na economia e quais as causas da inflação.Assim, neste contexto, você aprenderá quais são alguns dos principais indicadores econômicos de um país e o que eles representam ou objetivam demonstrar.

2. Controvérsias em Macroeconomia

Antes de seguirmos para uma discussão sobre os principais aspectos da macroeconomia, temos de tratar de uma característica marcante da macroeconomia que não costuma ajudar em nada os que estão se iniciando nesta ciência. Em geral, os macroeconomistas não possuem uma explicação consensual para os principais fenômenos macroeconômicos. Recentemente, uma revista de economia e finanças fez uma serie de propagandas onde apareciam manchetes com opiniões de vários economistas sobre temas de macroeconomia. O que chamava atenção e que as opiniões eram completamente incompatíveis umas com as outras, um exemplo e a taxa de juros. Na primeira manchete, um economista afirmava que a taxa de juros

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estava muito alta e causava desemprego, sua recomendação era baixar a taxa de juros. Na segunda manchete, outro economista alertava para necessidade de aumentar a taxa de juros como forma de evitar a volta da inflação. O anuncio terminava com um terceiro economista elogiando o Banco Central por manter a taxa de juros no patamar ideal. De fato, a discordância entre os economistas, em particular os que atuam na área de macroeconomia, e tão grande que já se tornou folclórica. Todos sabem que um par de economistas sempre possui pelo menos três opiniões distintas, e uma quarta para justificar os problemas das outras. As principais divergências entre os macroeconomistas remontam ao trabalho de um economista inglês chamado John Maynard Keynes, segundo alguns o maior economista do século XX. Keynes atou na primeira metade do século XX, participou ativamente dos acordos econômicos realizados ao final das duas grandes guerras e de certa forma foi o inspirador da ordem econômica vigente desde o final da Segunda Grande Guerra. Instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial devem seu nascimento ao trabalho de John Keynes. Alem de participar ativamente dos debates econômicos de sua época, Keynes fez uma critica teórica avassaladora, pelo menos foi o que se pensou a época, da teoria econômica então vigente. O fato que motivou a critica de Keynes foi a Grande Depressão de 1929. Naquela época, a lógica econômica partia da idéia de que o mercado sempre era capaz de Determinar um preço que igualasse a quantidade ofertada e demandada de qualquer bem ou Serviço. Isso deveria ser verdade inclusive no mercado de trabalho. Dessa forma, as famílias escolhiam quanto desejavam trabalhar e as firmas escolhiam o quanto contratar de mão-de-obra. O mercado então determinava o salário de equilíbrio, ou seja, o salário que fazia com que a quantidade de horas que as famílias desejassem trabalhar fosse exatamente igual à quantidade de horas de trabalho que as empresas desejassem contratar. Uma vez que o mercado determinasse as horas de trabalho, a tecnologia vigente determinava o quanto seria produzido. Como a despesa deve sempre ser igual ao produto, não havia nenhuma possibilidade de que não existisse demanda suficiente para tudo o que foi produzido. Note-se que, segundo esta lógica, as pessoas só não trabalhavam se achassem que o salário era muito baixo para compensar as horas de lazer perdidas, e as empresas nunca ficariam com estoques que não fossem desejados. Durante boa parte do século XIX e o inicio do século XX, essa lógica parecia impecável na sua explicação do funcionamento de uma economia, por isso e comum se referir a esta escola de pensamento como escola clássica. Porem, como justificar a Grande Depressão partindo do pressuposto que o mercado de trabalho sempre determina o salário de equilíbrio?

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Se este fosse o caso, por que existiam filas de pessoas desempregadas? Se as firmas eram capazes de vender tudo o que produziam, por que existiam tantos estoques indesejados? Como explicar que o Brasil estivesse queimando sua safra de café se sempre existia uma demanda para todos os bens produzidos? Segundo Keynes, a razão de tudo isto e que o modo de pensar dos economistas clássicos estava simplesmente

errado, ou, na melhor das hipóteses, só era valido para

o caso raro em que ninguém estivesse desempregado.

Primeiro, Keynes discordava da idéia que as famílias decidiam o quanto trabalhar comparando o salário com

o valor do tempo de lazer perdido. Dessa forma, a idéia

que as pessoas estavam sem trabalhar porque valorizavam o lazer não fazia qualquer sentido. Com isso, o conceito de equilíbrio no mercado de trabalho não tinha nenhuma aplicação pratica. Sem o equilíbrio no mercado de trabalho, Keynes teve de criar outra forma de determinar o produto, relacionada à demanda total de uma economia. Segundo Keynes, as decisões de despesas com consumo privado, investimento e gasto publicam eram quem condicionava a decisão da firma produzir. Se não existisse demanda, as firmas reduziriam a produção, causando desemprego e jogando o pais em uma recessão. Note-se que este raciocínio e exatamente o oposto da

lógica do modelo clássico. Em ambos os casos, o valor do produto deve ser igual ao da despesa total, isso e um resultado contábil e não pode discutido. Porem, no modelo clássico, e a quantidade produzida que determina a despesa, enquanto no modelo keynesiano

e a despesa que determina a quantidade produzida. Por

isso, as quanto contratar de mão-de-obra. O mercado então determinava o salário de equilíbrio, ou seja, o salário que fazia com que a quantidade de horas que as famílias desejassem trabalhar fosse exatamente igual à quantidade de horas de trabalho que as empresas desejassem contratar. Uma vez que o mercado determinasse as horas de trabalho, a tecnologia vigente determinava o quanto seria produzido. Como a despesa deve sempre ser igual ao produto, não havia nenhuma possibilidade de que não existisse demanda suficiente para tudo o que foi produzido. Note-se que, segundo esta lógica, as pessoas só não trabalhavam se achassem que o salário era muito baixo para compensar as horas de lazer perdidas, e as empresas nunca ficariam com estoques que não fossem desejados. Pela lógica keynesiana, durante uma recessão, o Governo poderia incentivar a recuperação da economia aumentando seus gastos e, dessa forma, contribuindo para o aumento da despesa total, o que levaria a um aumento da produção e o do emprego. Na lógica clássica, uma recessão era o efeito de um distúrbio passageiro na produção ou no desejo das famílias trabalharem. O melhor que o governo faz e reduzir seus gastos para adequá-los a possível perda de receita.

4

Assim como no caso da propaganda da revista citada anteriormente, são duas indicações contrarias sobre o mesmo tema. Agora sabemos que elas não são

conseqüências de implicância ou descuido, porem

partir de uma suposição: a existência de uma economia capitalista onde só existam famílias e empresas, ou seja, não haja governo nem comércio com outras nações.

refletem visões diferentes do funcionamento do sistema

As

famílias demandam bens e serviços das empresas e

macroeconômico.

adquirem os mesmos no mercado a determinado

No

decorrer desta unidade vamos encontrar varias

preço. Tal aquisição requer que as famílias paguem por

situações semelhantes, sempre que possível faremos referencias as abordagens da teoria clássica e da teoria keynesiana. Por enquanto, devemos ter em mente que meio século de debates entre macroeconomistas não foi capaz de levar uma conclusão sobre qual das escolas possui uma explicação correta para o funcionamento da macroeconomia. Não devemos tentar chegar a esta conclusão em uma unidade de um curso introdutório de Economia.

Principais agregados macroeconômicos

Inicialmente, você deve ter em mente que a economia

se divide em vários ramos ou campos de conhecimento.

Entre esses campos, destacam-se as finanças públicas,

a história econômica, o pensamento econômico, o

desenvolvimento econômico, a microeconomia e a macroeconomia.

A microeconomia é o ramo da economia que se

preocupa em explicar e compreender os fenômenos econômicos a partir de uma ótica que privilegia o comportamento das unidades individualizadas de um sistema econômico: uma pessoa, uma firma etc. A macroeconomia busca entender e explicar os fenômenos da economia a partir do comportamento geral do sistema, de modo agregado. Macroeconomia é a parte da ciência econômica que

focaliza o comportamento do sistema econômico como

ela e, para que isso ocorra, as pessoas precisam ganhar dinheiro de alguma forma. A maioria, então,

trabalha para outras empresas (que prestam serviços ou ofertam produtos para outras famílias), a fim de ganhar dinheiro e poder obter o que deseja no mercado. Portanto, é dessa mesma forma que todos procedem, inclusive as empresas. As empresas consomem produtos e serviços intermediários com vistas à produção de seu produto final. Exemplo: uma padaria consome forno e geladeira de uma indústria, objetivando a produção de pães, bolos e outros produtos.

O fluxo circular resulta na circulação contínua de

produtos e rendimentos que permitem observar o

desempenho macroeconômico de uma economia sob três óticas que culminam em três conceitos fundamentais: Produto Nacional (PN), Despesa

Nacional (DN) e Renda Nacional (RN). Analisamos cada

um a seguir:

Produto Nacional

O produto nacional é o valor monetário de todos os

bens e serviços finais produzidos em determinada economia em dado período de tempo. Você deve ter percebido que, na definição anterior

sobre produto nacional, algumas palavras foram destacadas. Entenda agora por quê:

um

todo. Têm como objeto de estudo as relações entre

(1º) O produto nacional é expresso em valores

os

grandes agregados estatísticos: a renda nacional, o

monetários, ou seja, sua representação ou quantificação

nível de emprego e dos preços, o consumo, a poupança

se

dá através de dada unidade monetária. Exemplo: o

e

o investimento totais. Esse direcionamento

produto nacional do Brasil alcançou os R$ 100 trilhões

fundamenta-se na idéia de que é possível explicar a

no ano de 2006.

operação da economia sem que haja necessidade de compreender o comportamento de cada indivíduo ou

(2º) O valor monetário que expressa o produto nacional corresponde ao somatório dos bens finais. Não há soma

empresa que dela participam.

de

bens intermediários, pois haveria dupla contagem.

Microeconomia é o ramo da ciência econômica que

Observe:

estuda o comportamento das unidades de consumo

Suponha que a produção final de um país seja apenas

representadas pelos indivíduos e pelas famílias; as

de

pães, e que o valor monetário da venda de pães

empresas e suas produções e custos; a produção e o preço dos diversos bens, serviços e fatores produtivos.

tenha sido de R$ 1.000,00 em determinado período de tempo, ou seja, o produto nacional desse país é R$

Em outras palavras, a microeconomia ocupa-se da

1.000,00.

forma como as unidades individuais que compõem a economia — consumidores privados, empresas co- merciais, trabalhadores, latifundiários, produtores de

Contudo, para produzir os pães, os padeiros gastaram R$ 500,00 com tudo o que era necessário para a produção dos mesmos. Pode-se concluir que gastaram

bens ou serviços particulares etc. — agem e reagem umas sobre as outras (SANDRONI, 1999, p. 388).

R$

O produto nacional desse país é R$ 1.000,00, e não R$

500,00 e venderam tudo por R$ 1.000,00.

A

macroeconomia tem como ponto de partida o estudo

1.500,00, pois os R$ 500,00 dos bens intermediários

do

fluxo circular da renda, que pode ser entendido como

para a produção de pães já estão inclusos no valor final

o

processo pelo qual a riqueza de uma economia é

da

produção feita pelos padeiros. A inclusão do valor

formada, distribuída e ampliada em determinado período de tempo. O fluxo circular pode ser entendido a

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monetário dos bens intermediários no cálculo do

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produto nacional acarretaria um erro, pois estaria sendo cometida dupla contagem. 3º) O cálculo do produto nacional é a expressão do fluxo circular de uma economia em determinado período de tempo. Só conseguimos analisar o produto nacional se indicarmos a que período de tempo ele se refere, como expresso em um exemplo anterior: o produto nacional do Brasil alcançou os R$ 100 trilhões no ano de 2006.

Despesa Nacional

Outro importante conceito é o da despesa nacional. O conceito anterior, produto nacional, observa a economia e seu desempenho pela ótica da produção, do fluxo de produção. Entretanto, o tamanho e a dinâmica de uma economia também podem ser analisados pela ótica das despesas e dos gastos realizados pelos agentes econômicos. Como assinala Fonseca (2004, p. 272), despesa nacional é o gasto dos agentes econômicos com o produto nacional. Revelam quais são os setores compradores do produto nacional. Nesse sentido, apresenta o mesmo valor do produto nacional, porém medido pela ótica de quem comprou o produto, e não de quem vendeu.

Renda Nacional

Para entender o conceito de renda nacional, cabe destacar a possibilidade de se mensurar o tamanho de uma economia através da soma dos rendimentos pagos às famílias, que são proprietárias dos fatores de produção, pela utilização de seus serviços produtivos. Ou seja, o produto pode ser calculado pela soma de salários, juros, aluguéis e lucros.

Identidade básica das Contas Nacionais

Você viu que existem três caminhos para se medir o produto, o tamanho de uma economia. Essas três óticas permitem medir o resultado alcançado por uma economia em determinado período de tempo. Embora sejam diferentes por definição, as três óticas permitem que se alcance o mesmo valor numérico quanto ao tamanho de uma economia. Assim, produto nacional é igual à despesa nacional, que é igual à renda nacional. PN = DN = RN Veja a demonstração:

Supondo um modelo bem simplificado, em que não exista a ocorrência de estoques, ou seja, tudo o que se produz é vendido, temos que:

Produção (PN) = Vendas (DN) Se, no valor agregado, excluem-se as compras com bens intermediários, a empresa gasta com pagamentos aos fatores de produção o que ela recebe com a venda de seus bens ou serviços, e o que sobra é o seu lucro. Assim, os gastos da empresa representam a própria renda nacional, ou:

PN = DN = RN

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Valor adicionado

O conceito de valor adicionado, é o correto cálculo do

produto de uma economia, deve-se excluir do cômputo total os valores monetários dos bens intermediários, sob

risco de ocorrer dupla contagem. Um modo prático de evitar este risco é operacionalizar o cálculo do produto através do valor adicionado. O que seria esse valor adicionado? Valor adicionado seria o valor agregado a um produto ou serviço em determinado setor. Seria o quanto aquele setor adicionou de valor ao seu produto. O valor adicionado é obtido após deduzir-se do valor bruto da produção (o valor total com as vendas de um produto ou serviço) o consumo dos bens intermediários necessários à produção. Valor Adicionado (VA) = Valor Bruto da Produção (VBP)

– Consumo dos Produtos Intermediários.

Referimo-nos a bens e serviços finais. No processo de

produção, alguns bens possuem caráter intermediário:

são resultados de um processamento, mas voltam ao

circuito produtivo para dar origem a outros bens. Aço, petróleo, produtos químicos, fertilizantes, metais processados são alguns exemplos. Há três maneiras de computar o valor total da produção de bens e serviços finais:

Somando diretamente o valor dos bens e serviços finais; Somando o valor total da produção das empresas e descontando o valor total dos bens intermediários; ou fazendo este procedimento passo-a- passo; Calculando o valor de cada etapa do processo produtivo

e descontando o que as empresas pagaram aos

fornecedores da etapa anterior (p. ex., matérias-primas)

– esse procedimento é chamado de cálculo pelo Valor

Adicionado. Como Calcular o Valor Adicionado: Veja a tabela abaixo, que mostra um processo simples de fabricação de pão e calcula o Valor Adicionado:

de fabricação de pão e calcula o Valor Adicionado: O moinho e a padaria compraram bens

O moinho e a padaria compraram bens intermediários

(trigo e farinha, respectivamente) que devem ser descontados no cômputo geral. Se não fizermos isso, chegaremos a um valor errado de toda a produção (R$

230,00).

Nesse valor, contamos duas vezes a farinha e três vezes o trigo, os quais estavam embutidos nos preços das etapas posteriores. Descontando-os dessas etapas, estamos apurando o Valor Adicionado de cada etapa do processo de produção. Também é fácil observar que o valor do produto final (pão) é igual à soma dos Valores Adicionados.

6

Este último procedimento é mais adequado às

economias complexas, que envolvem inúmeras empresas em diversos setores produtivos e múltiplas transações entre elas.

A partir de agora, aceitaremos que as famílias podem

Outros agregados macroeconômicos: Produto Nacional Bruto, Produto Nacional Líquido e Produto Interno Bruto

O Produto Nacional Bruto (PNB) é o total de bens e

reservar parte de seus ganhos na forma de poupança e

serviços finais produzidos por uma economia, contando

que as empresas também produzem os chamados bens

os

bens e serviços produzidos para a reposição ou

de capital, que servem para a expansão da capacidade produtiva, com vistas ao consumo futuro. Poupança (S) é a parte da renda nacional não consumida em determinado período. S = RN – C Onde:

manutenção do capital, ou seja, a depreciação. O PNB contabiliza a riqueza gerada pelos agentes econômicos nacionais que estejam ou não operando dentro dos

limites territoriais nacionais. Assim, no cálculo do PNB estão inclusos os bens e serviços dos agentes econômicos nacionais que estão operando no território

S

= poupança

nacional, bem como os bens e serviços dos agentes

RN = renda nacional

econômicos nacionais que estejam operando no

C

= consumo

exterior.

O

produto nacional, como destaca Vasconcellos (2005,

O

PNB inclui a riqueza dos agentes econômicos

p. 209), é dividido em dois tipos de bens: a) os chamados bens de consumo (consumidos com um fim em si mesmos); b) os chamados bens de investimentos

(não consumidos; eles fazem parte do processo produtivo e têm como objetivo aumentar a produção e a riqueza). Assim, o investimento é uma variável de grande importância para se entender a dinâmica de uma economia. O investimento pode ser definido como o gasto em bens que objetivem aumentar a capacidade de produção de uma economia.

O investimento é igual ao gasto realizado em bens de

capital mais a variação de estoques. Vale destacar que

o investimento realizado na ampliação dos chamados

bens de capital é comumente conhecido por formação bruta de capital fixo (FBKF). I = Ibk + rE Onde:

I = investimento Ibk = gasto de bens de capital rE = variação de estoques

Chamamos atenção, também, para o conceito de depreciação, que pode ser definido como o gasto a que está submetido o capital físico em função de sua utilização ou manutenção. Além disso, um bem de capital sofre desgaste natural em sua composição física com o passar do tempo, e isso implica custo (custo de depreciação) ou investimento (investimento de reposição). Por exemplo: um táxi é o bem de capital de um taxista. Caso o taxista o utilize por todo um ano, ele terá o custo de manutenção das boas condições físicas desse bem resultante de sua depreciação. Mas, preste atenção:

mesmo que ele resolva não trabalhar com o táxi, ou seja, mantê-lo parado, ele terá que arcar com diversos custos, pois, mesmo inativo, seu bem de capital sofre depreciação. Com esses três conceitos, é possível derivar outros conhecidos agregados macroeconômicos, como produto nacional bruto, produto nacional líquido e produto interno bruto.

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nacionais que atuam em mercado doméstico e a riqueza

enviada do exterior por aqueles que atuam em mercado

externo. O Produto Nacional Líquido (PNL), por sua vez, é o total

de bens e serviços finais produzidos por uma economia

menos o valor referente aos bens e serviços produzidos para a reposição ou manutenção do capital. Então: PNL = PNB – depreciação PNB = PNL + depreciação Muito possivelmente, o conceito mais importante, em se tratando de agregados macroeconômicos, é o de

Produto Interno Bruto (PIB). Como você viu anteriormente, o Produto Nacional Bruto inclui tudo o que foi produzido por agentes econômicos nacionais. Em um território, como o brasileiro, diversas empresas estrangeiras atuam gerando renda e riqueza e contribuindo com o progresso econômico do país. Essas empresas remetem parte de seus lucros às suas matrizes no exterior, assim como as empresas

brasileiras que operam no exterior enviam parte de seus lucros para a matriz que está sediada no Brasil.

O Produto Interno Bruto (PIB) pode ser definido como o

total de riquezas geradas por agentes econômicos nacionais ou estrangeiros em determinado período de tempo. O Produto Interno Bruto (PIB) é igual ao Produto

Nacional Bruto (PNB) mais a renda líquida enviada ao exterior pelos agentes econômicos estrangeiros. Temos, assim, a seguinte relação:

PIB + RLFE = PNB PNB – RLFE = PIB PIB = Produto Interno Bruto RLFE = Renda Líquida de Fatores Externos PNB = Produto Nacional Bruto Mais analiticamente, podemos dizer que:

PIB + Rre – Ree = PNB ou PNB – Rre + Ree = PIB Rre = renda recebida do Exterior Ree = renda enviada ao Exterior RLFE = Rre – Ree = renda líquida de fatores externos

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Para finalizar esta etapa, destacamos que tanto o Produto Nacional (PN), como o Produto Nacional

Para finalizar esta etapa, destacamos que tanto o Produto Nacional (PN), como o Produto Nacional Bruto (PNB), como o Produto Nacional Líquido (PNL) e o Produto Interno Bruto (PIB) podem ser classificados como: 1) preços de mercado e 2) a custos de fatores. Tome como exemplo, o Produto Interno Bruto (PIB):

O PIB a preços de mercado (PIBpm) diz respeito aos valores transacionados no mercado. Dito de outra forma seria o PIB calculado pelos valores pagos pelo consumidor final. Por sua vez, o PIB a custo de fatores (PIBcf) diz respeito aos valores do custo da produção, ao preço da fábrica. Exclui impostos indiretos e possíveis subsídios concedidos pelo governo.

Surge, agora, uma nova relação:

PNBpm = PNBcf + Ii – Sub,

PNBcf = PNBpm – Ii + Sub,

pm = a preços de mercado

cf = a custo de fatores

Ii = impostos indiretos (incidentes sobre os

preços)

Sub = subsídios concedidos aos produtores

pelo Governo

Obs.: a relação acima vale tanto para o PNB

como para o PIB (ou seja, também usamos PIBcf e PIBpm).

Um olhar sobre as contas nacionais do Brasil

Preste atenção ao breve texto a seguir, extraído da publicação do IBGE intitulada Contas Nacionais do Brasil 2004-2005. Após o crescimento de 5,7% do Produto Interno Bruto – PIB em 2004, a economia brasileira enfrentou uma desaceleração, passando a uma taxa de 3,2% em 2005.

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Em valores correntes, o resultado alcançado foi de R$ 2,147 trilhões ( ) Esta informação mostra que, em determinado período (o ano de 2005) o crescimento percentual da economia brasileira, tendo como referência o PIB, foi de 3,2% e que, em termos monetários, alcançou a marca dos 2,147 trilhões. Primeiramente, é preciso assinalar que o crescimento de 3,2%, em 2005, tem como parâmetro de comparação o ano anterior, ou seja, 2004. No mesmo texto, temos a afirmação de que em 2004 a taxa de crescimento do PIB foi de 5,7%. Essa taxa foi calculada em relação ao ano anterior (2003). Em suma:

essas taxas dizem o seguinte: em 2005, a economia do Brasil se tornou 3,2% maior do que em 2004 e em 2004 ela aumentou 5,2% em relação a 2003. A seguir, você tem a reprodução de uma tabela retirada da publicação Contas Nacionais do Brasil 2004-2005, na qual você pode conferir a identidade: PN = DN = RN e conhecer um pouco mais os diversos componentes do cálculo do produto brasileiro pelas três óticas anteriormente aprendidas.

Composição do PIB brasileiro sob as três óticas –

2001-2005

pelas três óticas anteriormente aprendidas. Composição do PIB brasileiro sob as três óticas – 2001-2005 8
pelas três óticas anteriormente aprendidas. Composição do PIB brasileiro sob as três óticas – 2001-2005 8

8

Fonte: IBGE Nível de atividade A economia brasileira moderou a expansão em 2011, após crescimento

Fonte: IBGE

Nível de atividade

A economia brasileira moderou a expansão em 2011,

após crescimento vigoroso no ano anterior. Essa evolução mostrou-se compatível com as ações de política implementadas desde o final de 2010 e com o

cenário de deterioração do ambiente econômico

internacional, em especial a partir do segundo semestre

do

ano. Nesse contexto, o PIB registrou expansão anual

de

2,7% em 2011, ante 7,5% em 2010.

É

relevante enfatizar que, em ambiente de retração da

demanda externa, a expansão econômica foi sustentada

pela demanda doméstica, com ênfase no dinamismo do

consumo das famílias, que, refletindo, principalmente,

as condições favoráveis do mercado de trabalho e a

manutenção dos programas governamentais de distribuição de renda, registrou o oitavo crescimento anual consecutivo. Usualmente, o investimento e a poupança de um país são divulgados em termos percentuais, em forma de taxas, tendo como base o Produto Interno Bruto. No Gráfico a seguir, está apresentada a taxa de investimento da economia brasileira de 1947 até 2006.

Vale assinalar que a taxa de investimento é a razão en-

tre a formação bruta de capital fixo e o Produto Interno

Bruto. O Gráfico apresenta a taxa de poupança da economia brasileira (relação poupança/PIB) para o intervalo de 1995-2005.

Produto Interno Bruto

O PIB cresceu 2,7% em 2011, segundo as Contas

Nacionais Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, o PIB a preços de mercado atingiu R$4.143 bilhões no ano.

A análise pela ótica da demanda revela que a evolução

anual do PIB decorreu de contribuições de 3,4 p.p. do

componente doméstico e de -0,7 p.p. do setor externo.

Os investimentos, evidenciando a evolução favorável da

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construção civil e a absorção de bens de capital, cresceram 4,7%, seguindo-se as expansões do consumo das famílias, 4,1%, e do consumo do governo, 1,9%. A contribuição negativa do setor externo refletiu elevações de 9,7% nas importações e de 4,5% nas exportações. No âmbito da oferta, ocorreram elevações de 3,9% na agropecuária, de 2,7% nos serviços e de 1,6% na indústria. O resultado do setor agropecuário traduziu a expansão anual de 7% da safra de grãos e as variações respectivas de -2,8%, 6,6% e 9,4% nos abates de bovinos, aves e suínos. A evolução do setor de serviços foi impulsionada, principalmente, pelas

atividades serviços de informação, 4,9%; intermediação financeira, seguros, previdência e serviços relacionados, 3,9%; comércio, 3,4%; e transportes, armazenagem e correios, 2,8%, as duas últimas refletindo, essencialmente, as trajetórias dos setores agropecuárias e industriais. O desempenho da indústria

foi

sustentado, em especial, pelos segmentos produção

e

distribuição de eletricidade, gás e água, 3,8%;

construção civil, 3,6%; e indústria extrativa mineral, 3,2%, contrastando com o menor dinamismo da indústria de transformação, que cresceu 0,1% no ano.

da indústria de transformação, que cresceu 0,1% no ano. Taxas reais de variação do PIB –

Taxas reais de variação do PIB – Ótica do produto Percentual

de transformação, que cresceu 0,1% no ano. Taxas reais de variação do PIB – Ótica do

9

Fonte: IBGE

O

crescimento econômico em 2004 foi de 5,7% (frente

ao

4,9% calculado inicialmente); o de 2003, de 1,1%

ao 4,9% calculado inicialmente); o de 2003, de 1,1% Produto Nominal e Produto Real, Produto Per

Produto Nominal e Produto Real, Produto Per Capita

O Produto Real é apurado a preços constantes. Isso significa que multiplicamos os bens e serviços de um ano pelos preços do ano anterior (ou posterior), para compará-los com os desse outro ano. Assim, estamos medindo apenas as variações na quantidade produzida, evitando as distorções provocadas pela variação dos preços. Chamamos inflação a variação generalizada dos preços numa economia. A inflação é medida por índices

(frente ao 0,5% anterior); e o de 2002, de 2,7% (acima

do 1,9% divulgado antes).

Segundo o instituto, o novo sistema de cálculo leva em

conta estudos anuais econômicos e domiciliares, assim como informações tributárias das empresas, para permitir maior “precisão”. Entre as informações agora incluídas no cálculo do PIB, estão as oferecidas pelas declarações fiscais das empresas, o código de Classificação Nacional de Atividade Econômica, os resultados das Pesquisas de Orçamentos Familiares de 2003 e o Censo Agropecuário de 2006. Além disso, (o novo cálculo) atualiza conceitos e definições introduzidos nas últimas recomendações das Nações Unidas e de outros organismos internacionais”, afirmou o IBGE em comunicado.

O órgão também informou que o índice já revisado de

2004 ainda não é definitivo e o de 2005 é preliminar, porque ambos dependem de novos cálculos.

No

final de 2007, serão divulgados os dados definitivos

de

2004 e de 2005, e revisados os índices trimestrais

para 2006”, afirmou o IBGE.

O novo sistema de cálculo do PIB leva em conta 56

atividades econômicas e 110 produtos, enquanto o

anterior reunia dados de 43 atividades e 80 produtos.

O setor de telecomunicações, por exemplo, agora

incluirá informações sobre empresas de consultoria em hardware e software, processamento de dados, atividades de bancos de dados e distribuição on-line, atividades cinematográficas e até de agências de notícias.

O consumo de ONGs, igrejas e clubes também passará

a ter peso no cálculo do PIB.

As mudanças elevaram significativamente o peso do setor de serviços no PIB e reduziram o valor das atividades do Governo no cálculo do índice.

O mesmo critério pode ser aplicado ao PIB per capita

(por cabeça, em latim), que é o valor do PIB dividido pela população do país.

de

preços que captam as principais variações destes ao

O

enfoque do PIB per capita real permite observar se a

longo dos meses. Para manter os preços constantes, devemos, ou

produção física de bens e serviços está crescendo acima do incremento da população.

multiplicar o Produto Nominal do Ano 1 pela inflação

Este fato, quando positivo, indica uma possível melhora

acumulada no Ano 2, ou dividir o Produto Nominal do

na

qualidade de vida, já que aumentou a disponibilidade

Ano 2 pela inflação deste mesmo ano, voltando assim aos preços do Ano 1. Para isso, tomamos o índice de preços que representa a inflação do ano desejado em forma decimal, acrescido de 1.

de

Evidentemente, isso não é automático: a distribuição de renda pode ser perversa e concentrar os benefícios em camadas minoritárias da população.

bens e serviços por habitante, em média.

O

IBGE adotou em 2007 uma nova fórmula para

Mas o crescimento real per capita é sempre um objetivo

calcular do Produto Interno Bruto (PIB), e com isso revisou em alta o crescimento da economia do país entre 2002 e 2005. De acordo com os novos cálculos do instituto, a economia brasileira cresceu 2,9% em 2005, e não 2,3%, como divulgado no ano anterior.

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desejável para o PIB.

10

– O Cartograma mostra que Produto Interno Bruto per capita municipal 2010 demonstra que os

O Cartograma mostra que Produto Interno Bruto per capita municipal 2010 demonstra que os municípios de Mato Grosso e os do oeste baiano concentravam os maiores valores adicionados da Agropecuária. Nos Estados de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, cerca de 29,0% e 25,0%, respectivamente, dos municípios encontravam-se nas duas maiores faixas. Também se observa que as áreas com menor valor adicionado bruto da Agropecuária estavam localizadas nos Estados da Paraíba, onde 83,0% dos municípios encontravam-se na faixa inferior da distribuição; Piauí, 81,2%; e Rio Grande do Norte, 72,5%.

Agregados Macroeconômicos

Setor Público

Iniciamos relembrando um conceito central em contabili- dade nacional: o Produto Interno Bruto (PIB). O PIB pode ser definido como o total de riquezas gerada por agentes econômicos nacionais ou estrangeiros em determinado período de tempo.

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O setor público (também chamado de governo) é um

dos mais importantes agentes de uma economia e tem papel fundamental na determinação de diversos agregados econômicos, como o PIB, por exemplo. Assim, em termos de determinação dos agregados de

uma economia, devemos observar o cômputo, o somatório do setor governo. Dito de outra forma: como o setor público age na economia, na esfera nacional, estadual e municipal.

No

Brasil, o setor público é composto por três esferas

de

administração: a nacional (federal), a estadual e a

municipal.

O governo (em suas três esferas) realiza suas

transações via seus respectivos tesouros, e a composição destes se dá através da arrecadação de impostos, contribuições e taxas por parte do fisco. Esse

montante arrecadado é denominado receita fiscal. Assim, os impostos são a principal fonte de receita para

o setor governo e tem como objetivo maior permitir à autoridade pública a execução de bens e serviços necessários e fundamentais ao bem-estar geral da coletividade.

Os impostos podem ser classificados como diretos e

indiretos. Impostos diretos são aqueles que afetam a riqueza dos

contribuintes, incidindo diretamente sobre seus capitais

ou suas rendas, e depende da quantidade das riquezas

em possuídas ou das rendas ou salários recebidos. Exemplo: Imposto de Renda (IR). Impostos indiretos são decorrentes da produção e comercialização e geralmente, incidem sobre vendas, produtos industrializados, importação, etc. Exemplos:

IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados e ICMS – Imposto sobre Comércio de Mercadorias ou Serviços.

A receita fiscal do setor público é composta também

pelas contribuições em forma de encargos trabalhistas que trabalhadores e empresas recolhem aos cofres

públicos e por taxas, multas, aluguéis e outras receitas

às

quais o governo tem direito.

O

recolhimento dos valores monetários que formam a

receita fiscal tem como contrapartida a execução de

gastos por parte do governo. Você pode se perguntar:

“Como o governo gasta?” Em princípio, o governo gasta com a manutenção da chamada máquina pública, ou seja, o conjunto de órgãos que permitem o funcionamento da atividade governamental, com as empresas estatais e, muito especialmente, com transferências e subsídios que executa ao setor privado, como bolsas de estudos, programas de assistência social, aposentadorias e pensões etc.

A partir dessa discussão, chegamos a conceitos impor-

tantes:

Carga tributária – é o montante de dinheiro arrecadado

pelo governo através de impostos e taxas. A carga tributária pode ser classificada em carga tributária bruta

e carga tributária líquida.

11

• A carga tributária bruta é o valor total obtido pelo governo com a arrecadação tributária. • A carga tributária líquida é a carga tributária bruta menos as transferências e subsídios realizados pelo governo ao setor privado. Usualmente, a carga tributária é expressa na forma de índice percentual com base no PIB. Assim, você verá em muitas ocasiões informações do tipo:

“carga tributária alcança os 35% do PIB”, ou seja, a carga tributária tem sua magnitude expressa com percentual de uma grandeza maior no caso; o Produto Interno Bruto (PIB).

Apresentando o Setor Externo

Outro importante ponto a destacar quando estudamos a

contabilidade nacional é a relação de uma economia com o chamado setor externo. No Produto Interno Bruto, você viu que estão contabilizadas as riquezas e produtos gerados por estrangeiros em território nacional, bem como de brasileiros em território estrangeiro. Assim, entender como a economia nacional se comporta na estrutura econômica mundial é passo

fundamental.

É importante para um país ter o perfeito reconhecimento

de sua importância e tamanho na economia mundial, a fim de, por exemplo, orientar de modo mais preciso a organização de sua produção. Até o presente momento, analisamos o comportamento das contas nacionais a partir da idéia de uma economia “fechada”, ou seja, sem relações com o exterior. A partir de agora, analisaremos as relações dessa economia com o exterior, ou seja, o modelo que analisaremos corresponde a uma economia “aberta”. Dois são os conceitos centrais, em se tratando de rela- ções de uma economia com o exterior: exportações e

importações.

A. Exportações – são compras de bens e serviços

nacionais realizadas por estrangeiros. Em economia é convencionado indicar exportações pela letra X.

B. Importações – são as compras de bens e

serviços estrangeiros realizadas pelos agentes econômicos internos. Em economia, é convencionado indicar importações pela letra M. As exportações (X) correspondem à saída de bens e serviços e entrada de fluxos monetários, enquanto as importações correspondem à entrada de bens e serviços e saída de fluxos monetários. Uma economia aberta é aquela que mantém laços com- erciais e produtivos com o exterior, que faz parte dos fluxos comerciais, produtivos e financeiros mundiais. A balança comercial de um país é uma conta que traduz a posição do país frente ao comércio mundial. A balança comercial apresenta o resultado que um país obteve com o comércio mundial, ou seja, expressa os valores alcançados com as exportações (vendas) e importações (compras) de bens e serviços. Afirmamos que a balança comercial de um país é super- avitária quando o valor das exportações supera o valor

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das importações. Quando o inverso ocorre, ou seja, quando o valor das importações é maior que o das importações, afirmamos que a balança comercial é deficitária.

afirmamos que a balança comercial é deficitária. Vale destacar que os principais fatores que influenciam a
afirmamos que a balança comercial é deficitária. Vale destacar que os principais fatores que influenciam a

Vale destacar que os principais fatores que influenciam a balança comercial são: a ocorrência de variações nos preços das mercadorias comercializadas e variações nos volumes comercializados. Veja, a seguir, a reprodução da divulgação dos dados sobre a balança comercial brasileira para janeiro de 2013, realizada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC, 2013):

As exportações brasileiras, na terceira semana de janeiro (14 a 20), com cinco dias úteis, foram de US$ 3,216 bilhões (média diária de US$ 643,2 milhões). O resultado está 18% abaixo da média de US$ 784,6 milhões acumulados até a segunda semana, com registro de quedas nas exportações das três categorias de produtos. Entre os básicos (-25,3%), a redução foi maior para petróleo em bruto, minério de ferro, milho em grãos, carnes bovina, suína e de frango, algodão e farelo de soja. Nos manufaturados (-15,5%), os recuos mais acentuados alcançaram os automóveis de passageiros, açúcar refinado, polímeros plásticos, etanol, suco de laranja, óxidos e hidróxidos de alumínio, e laminados planos de ferro ou aço. Entre semimanufaturados (- 8,8%), os maiores declínios ocorreram nas vendas de açúcar em bruto, ouro em formas semimanufaturadas, celulose, produtos semimanufaturados de ferro ou aço e ferro fundido. As importações, no período, contabilizaram US$ 4,939 bilhões, com desempenho médio diário de US$ 987,8 milhões. Pela média, foi verificado aumento de 8,9% sobre o resultado até a segunda semana de janeiro e se explica, principalmente, pelo incremento nos gastos com combustíveis e lubrificantes, equipamentos mecânicos,

12

adubos e fertilizantes, produtos farmacêuticos, produtos siderúrgicos, e instrumentos de ótica e precisão. Na terceira semana de janeiro, o saldo comercial ficou deficitário em US$ 1,723 bilhão, com desempenho médio diário negativo de US$ 344,6 milhões, e a corrente de comércio somou US$ 8,155 bilhões, com resultado médio por dia útil de US$ 1,631 bilhão. Nos 13 dias úteis de janeiro (1° a 20), as exportações foram de US$ 9,493 bilhões, com média diária de US$ 730,2 milhões. Pela média, houve redução de 0,5%, em relação ao resultado de janeiro de 2012 (US$ 733,7 milhões).

ao resultado de janeiro de 2012 (US$ 733,7 milhões). Neste comparativo, houve recrudescimentos nos embarques de

Neste comparativo, houve recrudescimentos nos embarques de produtos básicos (-3,2%), por conta de soja em grão, petróleo em bruto, arroz em grão, carnes salgadas e farelo de soja; e de manufaturados (-0,8%), em razão de óleos combustíveis, máquinas e aparelhos para terraplanagem, partes de motores para veículos, aviões, bombas e compressores, calçados e partes, autopeças, e pneumáticos. As exportações de produtos semimanufaturados registraram aumento de 6,7%, puxado, principalmente, por alumínio em bruto, ouro em formas semimanufaturadas, açúcar em bruto e ferro fundido. Na comparação com o resultado diário do mês de dezembro passado (US$ 987,5 milhões), as exportações caíram 26%. Houve diminuição nas vendas produtos básicos (-34,1%), manufaturados (-23,9%) e semimanufaturados (-11,4%). As aquisições no exterior, em janeiro, estão em US$ 12,194, com média diária de US$ 938 milhões. O resultado está 18,3% acima da média de janeiro do ano passado (US$ 793,1 milhões), com crescimento, principalmente, nos gastos com aeronaves e peças (59,6%), produtos diversos das indústrias químicas (57,9%), combustíveis e lubrificantes (51,9%), produtos farmacêuticos (48%), químicos orgânicos e inorgânicos (25,3%), e plásticos e obras (24,3%). Sobre o resultado verificado em dezembro passado (US$ 875 milhões), houve acréscimo de 7,2%, com destaques nos seguintes produtos: equipamentos elétricos e eletrônicos (34,1%), plásticos e obras (28%),

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produtos diversos das indústrias químicas (26,1%),

aeronaves e peças (25,9%), combustíveis e lubrificantes (25,2%), borracha e obras (24,1%), e produtos siderúrgicos (17,7%).

A balança registra saldo negativo no mês de US$ 2,701

bilhões (média diária negativa de US$ 207,8 milhões). A corrente de comércio, no acumulado mensal, está em

US$ 21,687 bilhões, com desempenho médio diário de US$ 1,668 bilhão. As relações de um país com o exterior também devem contemplar o montante de lucros que as empresas estrangeiras que atuam em seu território enviam às suas sedes no exterior, bem como as remessas das empresas nacionais que no exterior também atuam.

Em uma economia aberta, é comum que empresas es- trangeiras atuem na estrutura produtiva doméstica, ou seja, interna. Essas empresas, de tempos em tempos, enviam aos seus proprietários parte dos lucros que auferem com a atividade em outras praças.

A chamada renda enviada ao exterior (RE) é a parcela

do que foi produzido internamente em um país, porém não pertence aos agentes nacionais. Parte do que foi produzido é enviado ao exterior sob a forma de lucros, juros, ressarcimento, compensações, etc. Por outro lado, a renda recebida do exterior (RR) é a parcela enviada do estrangeiro pelos agentes nacionais que lá atuam. É preciso estar atento para a seguinte questão: os lucros enviados ou recebidos não correspondem às exportações ou importações. Não representam comercialização de mercadorias, mas parte da renda gerada. Assim, não devem ser computadas na balança comercial. Assim, chegamos à seguinte conclusão:

balança comercial. Assim, chegamos à seguinte conclusão: Agora que você já conhece a importância do setor

Agora que você já conhece a importância do setor público e do setor externo em uma economia, nós poderemos determinar as fórmulas de cálculo do

produto considerando a economia como o setor público

e como o setor externo.

A fórmula da Despesa Nacional (DN) pode ser reescrita

levando em consideração os quatro setores, ou seja:

famílias, empresas, o setor público e o setor externo. Lembrando que a fórmula expressa os gastos (as

despesas) da economia de um país.

A fórmula completa da despesa interna bruta (DIB) é a

seguinte:

DIB (despesa interna bruta) = C + I + G + (X – M) Onde:

• DIB = despesa interna bruta

13

• C = consumo das famílias

• I = investimento realizado pelas firmas

• G = representa os gastos do governo

• (X – M) = é o saldo das transações externas

podemos visualizar como as

ou utilizam a renda gerada na

economia. A fórmula a seguir mostra como a renda é

consumida, poupada ou utilizada para pagamentos de impostos pelas famílias.

A fórmula da renda interna bruta (RIB) é a seguinte:

famílias

Pelo

lado

da

renda,

alocam

RIB (renda interna bruta) = C + S + T Onde:

• RIB = renda interna bruta

• C = consumo

• S = poupança

• T = impostos

Algumas considerações sobre o cálculo do produto de um país

O produto interno bruto de um país ou região é uma

importante medida do nível de atividade econômica. Quando afirmamos que os EUA têm um PIB maior que

o do Brasil e o da Noruega, estamos oferecendo uma

dimensão do tamanho e da diversificação dessas economias. Muito embora às vezes tomemos o PIB como indicador de riqueza de uma economia, devemos ponderar e tomar bastante cuidado ao utilizá-lo como instrumento demonstrador de bem-estar econômico e social. Por

quê? Primeiramente, pelo fato de ser o PIB uma expressão meramente quantitativa da atividade econômica; ele oferece sinais, mas não a garantia de elementos qualitativos. Por exemplo: a Noruega, muito embora tenha um PIB bem inferior ao dos EUA, possui uma qualidade de vida, de bem-estar social superior ao americano. Outros países, como a Suíça, possuem PIB menor que o brasileiro, porém as condições de vida são superiores.

O Quadro a seguir apresenta a relação com os 10

maiores PIBs do mundo em 2012. Observe que nem sempre a posição referente ao tamanho do PIB

corresponde à qualidade de vida.

As Maiores Economias do Mundo 2012

A grande surpresa na lista é o Brasil que ultrapassou o

Reino Unido e agora ocupa a sexta posição entre às

maiores economias mundiais.

a sexta posição entre às maiores economias mundiais. ASSESC– 2º Semestre 2013 Disciplina Economia II –

ASSESC– 2º Semestre 2013 Disciplina Economia II – 2º Fase de Administração Professor Msc. Marcelo Santos Oliveira

O Brasil tem se destacado no cenário econômico

mundial. Depois da estabilização da moeda ainda no

governo Itamar o Brasil pouco a pouco restabeleceu sua economia, o que foi mantido por governos posteriores.

O Brasil faz parte do BRIC, o grupo de países

considerados as maiores economias mundiais do qual fazem parte o Brasil, China, Rússia e Índia.

Ranking

País

Produto Interno Bruto

1

Estados Unidos

$15,524,180,000,000

2

China

$7,700,370,000,000

3

Japão

$6,108,630,000,000

4

Alemanha

$3,701,100,000,000

5

França

$2,932,040,000,000

6

Brasil

$2,618,760,000,000

7

Reino Unido

$2,601,680,000,000

8

Itália

$2,381,070,000,000

9

Rússia

$2,146,280,000,000

10

Índia

$2,001,140,000,000

Outro ponto a se destacar sobre as limitações e peculiaridades referentes à análise do PIB diz respeito aos bens e serviços que nele são computados. Primeiramente, é preciso chamar atenção que somente as atividades estritamente econômicas podem ser consideras no cálculo do produto. O que são atividades estritamente econômicas? Aquelas que são comercializadas no mercado. Assim, cortar a grama do vizinho é considerado uma atividade econômica; contudo, cortar sua própria grama não é um produto remunerado e que aparece no mercado, assim, não é um produto estritamente econômico. Por fim, chamamos atenção para o fato de não serem computados no PIB as chamadas atividades ilegais (contrabando, tráfico, prostituição etc.), e nada da economia informal (trabalhadores sem registro, serviço

de autônomos sem recibo etc.).

Renda Disponível e Investimento: dois conceitos importantes

O Consumo é um componente fundamental do PIB na ótica da despesa.

As famílias consomem de acordo com sua renda, o que

significa que variações na Renda Nacional afetam o Consumo agregado e, portanto, o PIB.

O conceito fundamental, nesse caso, é a Renda

Pessoal Disponível (RPD), que mede a parcela da Renda Nacional que fica efetivamente com as pessoas. Para chegar à RPD, partimos da Renda Nacional (RN) e deduzimos todas as parcelas não distribuídas às famílias: os Lucros Retidos pelas empresas (não distribuídos aos acionistas); os Impostos Diretos e as

14

Contribuições Previdenciárias, FGTS e assemelhados,

serviços educacionais, de transporte, de alimentação e

pagos pelas empresas.

de

turismo.

Por outro lado, acrescentamos os pagamentos de

O

consumo total de uma economia é chamado de

Transferências do governo (aposentadorias e pensões, seguro-desemprego, bolsas, etc.). Chegamos, assim, à Renda Pessoal (RP). Deduzindo os Impostos Diretos e contribuições previdenciárias e outras, pagos pelas pessoas físicas, encontramos a Renda Pessoal Disponível (RPD). Outro componente essencial do PIB na ótica da

consumo agregado e este é subdividido em consumo das famílias (ou pessoal) e consumo do governo (coletivo). Consumo das famílias – é o montante de bens e serviços adquirido em forma de consumo pelos indivíduos conforme suas necessidades e desejos. Consumo do governo – é o montante de bens e serviços

Despesa é o Investimento. Este possui uma importância fundamental na teoria

consumido pela coletividade através de ações do poder público. São os bens públicos oferecidos pelo governo,

macroeconômica, porque representa o fator-chave para

tal

como segurança, saúde, educação, limpeza pública

o crescimento e o desenvolvimento econômico. Chamamos Investimento o gasto das empresas com a aquisição de bens de capital, isto é, com o aumento da sua capacidade produtiva. Assim, o Investimento significa ampliação da oferta de bens e serviços no futuro. Por convenção, também denominamos Investimento o aumento dos estoques das empresas (por analogia, a redução de estoques é um desinvestimento ou investimento negativo). Assim, quando uma empresa realiza determinado volume de produção do qual apenas uma parte será vendida, o restante (novo estoque) passa a ser considerado na Teoria Econômica como Investimento - neste caso, um aumento na capacidade de consumo futuro. Portanto, Investimento representa a aquisição de bens

de capital, com a ampliação da capacidade física de

produção das empresas, mais a variação de estoques.

Se você teve dúvidas sobre o cômputo da variação de

estoques como Investimento, vamos admitir a hipótese simplificadora de que ocorram apenas variações desejadas dos estoques das empresas.

Consumo

O consumo é parte importantíssima da demanda

agregada de uma economia (país, estado, cidade etc.), respondendo em larga medida por sua dinâmica.

O consumo pode ser definido como parte da renda

destinada à aquisição de mercadorias (bens ou serviços) que visem à satisfação de necessidades dos indivíduos (GREMAUD, 2004, p. 142). As mercadorias consumidas têm finalidades e características diversas e de modo genérico podemos classificá-las como bens de consumo não-duráveis, bens de consumo duráveis e serviços. Os chamados bens de consumo não-duráveis são aquelas mercadorias cujo tempo de consumo é

relativamente rápido, tais como produtos alimentares e

de vestuário. Por sua vez, os bens de consumo duráveis

são aqueles utilizados por um período de tempo mais prolongado, tais como automóveis e eletrodomésticos.

Os serviços são aqueles bens que não se enquadram

nem como industriais nem como agrícolas e têm como uma de suas marcas a intangibilidade. São exemplos:

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etc. A Tabela 10.3 apresenta o PIB brasileiro e o consumo das famílias e do governo entre 2001 e 2005. Perceba que o consumo final representou quase 80% do PIB em

2005.

que o consumo final representou quase 80% do PIB em 2005. O consumo não é uma

O consumo não é uma variável independente, pelo con- trário, ela é muito sensível às mudanças observadas em outras variáveis da economia. Mas então quais são os

fatores que determinam o nível de consumo em uma economia? São vários, por exemplo: o barateamento de produtos importados por conta de valorização cambial resulta no aumento do consumo desses bens por parte das famílias; alterações no sistema financeiro nacional que permitam às pessoas um melhor acesso a créditos a taxas de juros mais baratas tendem a resultar em aumento do consumo. Outros fatores também estão associados ao aumento

do consumo: festividades religiosas (Natal, Páscoa etc.),

datas comemorativas (dias das mães, dos namorados), questões climáticas e culturais etc. Contudo, um fator determinante para o aumento do consumo é o nível de renda. Quanto maior a renda disponível de famílias e governos, maior tende a ser o consumo. E aqui chamamos atenção para um ponto: a renda disponível, no caso das famílias, é a renda bruta deduzida dos impostos e obrigações financeiras.

15

Exemplo: dado um nível de renda de R$ 1.000,00, temos no momento “A” um consumo

Exemplo: dado um nível de renda de R$ 1.000,00, temos no momento “A” um consumo de R$ 800,00 e uma poupança de R$ 200,00. Sendo fixa a renda disponível, como posso aumentar em R$ 100,00 a poupança? Bem, como visto, somente deixando de consumir R$ 100,00, que serão então destinados à poupança.

As Três Óticas do Produto

Os bens e serviços subdivide-se: bens de consumo não

duráveis e duráveis, bens intermediários, bens de capital, serviços. Também observamos os fatores de produção envolvidos no processo. A subdivisão acima representa as categorias de uso dos bens e serviços.

acima representa as categorias de uso dos bens e serviços. Já constatamos que a Renda Nacional

Já constatamos que a Renda Nacional é constituída

pelas remunerações dos proprietários dos fatores de produção envolvidos no processo produtivo.

O estudo da evolução desses componentes e da sua

distribuição (por exemplo, a participação relativa dos

salários na renda nacional) é o foco desta abordagem.

A ótica de produção busca analisar o desempenho da

economia observando a evolução das categorias de uso, dos setores e sub-setores de atividade e comparando-as entre si e com o conjunto. Ela também observa os fatores de produção, sua escassez ou abundância relativa.

A distribuição do Valor Adicionado pelos diversos

setores e sub-setores é outra informação relevante,

assim como as inter-relações entre eles (quem vende para quem e compra de quem, em quais proporções). Ótica da Despesa Expressamos a Despesa Nacional – os gastos com a compra do PIB – através de uma expressão muito utilizada em Macroeconomia:

Y = C + I + G + (X – M)

Y = Produto ou Renda (no caso, falamos do Produto

Nacional)

C = consumo das famílias

I = investimento (compra de bens de capital pelas

empresas)

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G = gastos do governo (realizados com recursos retirados das famílias e empresas por meio dos impostos) X – M = exportações menos importações, ou seja, o saldo do comércio exterior.

Vamos entender o significado desta importante equação macroeconômica.

A despesa com o PIB compõe-se de bens de

consumidos pelas famílias; de bens de capital, cuja compra pelas empresas representa um investimento - isto é, ampliação da sua capacidade produtiva; de compras do governo, que retira recursos das famílias e

empresas por meio da tributação e despende-os na compra de bens e serviços, incluindo bens de capital (o governo também investe, é o chamado investimento público). Finalmente uma parte da produção nacional de bens e serviços é comprada por famílias, empresas e governos

no Exterior (passaremos a utilizar a expressão Resto

do Mundo).

Se fecharmos a equação assim, o resultado será maior

que o PIB, porque as famílias, empresas e o governo também consomem bens e serviços produzidos no Resto do Mundo (importados). Assim, somamos as exportações e subtraímos as importações para completar a fórmula da Despesa com

o PIB.

Renda Disponível e Investimento: dois conceitos importantes

O Consumo é um componente fundamental do PIB na ótica da despesa.

As famílias consomem de acordo com sua renda, o que

significa que variações na Renda Nacional afetam o Consumo agregado e, portanto, o PIB.

O conceito fundamental, nesse caso, é a Renda

Pessoal Disponível (RPD), que mede a parcela da Renda Nacional que fica efetivamente com as pessoas. Para chegar à RPD, partimos da Renda Nacional (RN) e deduzimos todas as parcelas não distribuídas às famílias: os Lucros Retidos pelas empresas (não distribuídos aos acionistas); os Impostos Diretos e as Contribuições Previdenciárias, FGTS e assemelhados, pagos pelas empresas. Por outro lado, acrescentamos os pagamentos de Transferências do governo (aposentadorias e pensões, seguro-desemprego, bolsas, etc.). Chegamos, assim, à Renda Pessoal (RP).

Deduzindo os Impostos Diretos e contribuições previdenciárias e outras, pagos pelas pessoas físicas, encontramos a Renda Pessoal Disponível (RPD). Outro componente essencial do PIB na ótica da Despesa é o Investimento. Este possui uma importância fundamental na teoria macroeconômica, porque representa o fator-chave para

o crescimento e o desenvolvimento econômico.

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Chamamos Investimento o gasto das empresas com a

aquisição de bens de capital, isto é, com o aumento da

sua capacidade produtiva.

Assim, o Investimento significa ampliação da oferta de bens e serviços no futuro.

Por convenção, também denominamos Investimento o

aumento dos estoques das empresas (por analogia, a redução de estoques é um desinvestimento ou investimento negativo). Assim, quando uma empresa realiza determinado volume de produção do qual apenas uma parte será vendida, o restante (novo estoque) passa a ser considerado na Teoria Econômica como Investimento, neste caso, um aumento na capacidade de consumo futuro. Portanto, Investimento representa a aquisição de bens de capital, com a ampliação da capacidade física de produção das empresas, mais a variação de estoques. Se você teve dúvidas sobre o cômputo da variação de estoques como Investimento, vamos admitir a hipótese simplificadora de que ocorram apenas variações desejadas dos estoques das empresas.

Mercado de trabalho

O Brasil debate-se com tais problemas há mais de uma

década.

Se, no mundo, não houve desde 1930 uma

situação calamitosa como a que afetou o mundo capitalista naquele período, nem por isso o problema deixou de se manifestar em escala mais ou menos importante em diversos países e atrair a preocupação dos economistas, dos governantes e de toda a sociedade.

Quebra da Bolsa de Nova York,

Leis trabalhistas na Gestão de Getulio Vargas

No desenvolvimento dos países, o mercado de trabalho

é muito importante por ajudar a delimitar a riqueza das nações e a distribuição de renda. O mercado de trabalho está passando por um problema que atinge todos os países, dos desenvolvidos aos subdesenvolvidos.

O problema de desemprego é mundial, e especialmente

a partir da década de 1970, quando ocorreram um forte

avanço tecnológico (com maior automação da

produção) e mudanças na organização do trabalho (com

a adoção de práticas de enxugamento de

trabalhadores), a situação foi agravada. Além do desemprego, o crescente aumento da informalidade é outro problema do mercado de trabalho, com muitos trabalhadores em atividades sem qualquer

registro. Esses não entram nas estatísticas, assim, não

é possível dimensionar ao certo o tamanho e o número de trabalhadores em um país.

Emprego e Desemprego

Como sabemos, os problemas referentes ao desemprego não foram exclusivos da época de Keynes, nem dos países desenvolvidos. O Brasil debate-se com

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tais problemas há mais de uma década. Se, no mundo, não houve desde 1930 uma situação calamitosa como a que afetou o mundo capitalista naquele período, nem por isso o problema deixou de se manifestar em escala mais ou menos importante em diversos países e atrair a preocupação dos economistas, dos governantes e de toda a sociedade. Vamos estudar primeiramente os aspectos técnicos relacionados ao conceito e ao cálculo do desemprego, para em seguida discutir suas possíveis causas.

Conceito

Define-se desemprego como a situação das pessoas que podem e querem trabalhar, mas não conseguem encontrar um emprego. Observe atentamente a definição, pois ela condiciona toda a metodologia de construção dos índices de emprego e desemprego. Ela também está na raiz dos debates sobre metodologias distintas de apuração desses indicadores. Define-se desemprego como a situação das pessoas que podem e querem trabalhar, mas não conseguem encontrar um emprego. Observe atentamente a definição, pois ela condiciona toda a metodologia de construção dos índices de emprego e desemprego. Ela também está na raiz dos debates sobre

metodologias distintas de apuração desses indicadores. Destacamos, primeiramente, as diferenças entre o mercado de trabalho formal e o informal.

a) Mercado de trabalho formal: contempla as relações

contratuais de trabalho, em grande parte determinadas pelas forças de mercado, e são objeto de legislação específica que os regula.

b) Mercado de trabalho informal: é o mercado em que

prevalecem regras de funcionamento com um mínimo de interferência governamental. No mercado de trabalho, no que se refere aos indivíduos que o constituem, classificamos a população segundo a atividade econômica que cada um exerce. Para tanto, iniciamos com a definição de força de trabalho (ou população economicamente ativa – PEA). A força de trabalho representa os elementos que irão constituir o mercado de trabalho, o qual por sua fez abastece as firmas no que diz respeito à necessidade de mão-de-obra. A PEA é um subconjunto da população em idade ativa (PIA). O critério para definir idade ativa varia de país para país, mas em geral se refere ao intervalo de dez a quinze anos. No Brasil, a PIA adotada é de dez anos ou mais de idade.

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Estrutura da população no mercado de trabalho

Estrutura da população no mercado de trabalho Construindo um Índice de Desemprego a) População em Idade

Construindo um Índice de Desemprego

a) População em Idade Ativa (PIA) e População Economicamente Ativa (PEA)

Começamos identificando as parcelas da população total de um país que não se encontram no mercado de trabalho. Basicamente, são as crianças, os adolescentes e os idosos que ultrapassaram o limite legal para aposentadoria. A população restante é considerada em idade de trabalhar e forma a PIA. No Brasil, a idade legal de ingresso no mercado de trabalho foi elevada de 14 para 16 anos há alguns anos. Essa mudança relaciona-se ao problema do desemprego e a questões associadas a ele. De um lado, procurou-se restringir a liberdade de as empresas substituírem trabalhadores adultos por adolescentes e jovens, o que limita a discriminação do mercado de trabalho contra pessoas acima dos 40 anos (ou até menos que isso). Por outro lado, reforçou-se com essa medida a prioridade do estudo para os jovens, antes de ingressarem no primeiro emprego. A médio e longo prazo, espera-se assim enfrentar a inadequação da força de trabalho no Brasil às exigências cada vez maiores das empresas e contribuir para reduzir a parcela de baixa escolaridade na força de trabalho, melhorando a distribuição de salários entre os trabalhadores (portanto, a distribuição de renda em geral). Ao mesmo tempo, a idade-limite para aposentadoria vem sendo aumentada, inclusive como resposta à crise crônica dos sistemas previdenciários no Brasil e no mundo. Uma das causas disso é que a expectativa média de vida tem crescido intensamente nas últimas décadas, graças aos progressos da medicina, do saneamento básico e da educação. Assim, a duração da vida de um aposentado tem crescido, pressionando o sistema previdenciário, cuja arrecadação tem caído ou estagnado devido ao próprio desemprego e ao aumento da informalidade no mercado de trabalho. Assim, a PIA representa o conjunto das pessoas acima do limite mínimo e abaixo do limite máximo de acesso ao mercado de trabalho. Esses limites são definidos pela legislação em vigor. No entanto, nem todas as pessoas em idade de trabalhar são consideradas integrantes da força de trabalho. Uma parte não está em condições de participar do mesmo, por razões de saúde física ou

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mental, invalidez, etc. Outra parte está desinteressada:

são as donas de casa, os estudantes bolsistas ou sustentados pela família durante o período de estudo e outros grupos semelhantes. Retirando essa parcela da PIA, obtemos a População Economicamente Ativa – PEA, que expressa o total da força de trabalho do país. Ou seja, a PEA é o conjunto das pessoas que podem e querem trabalhar. Podem, porque estão dentro dos limites legais do mercado de trabalho; querem, porque eliminamos do cálculo os desinteressados.

b) População Ocupada e Não Ocupada

A PEA inclui os empregados e desempregados. O termo

técnico utilizado é População Ocupada (PO) e População Não Ocupada (PNO). Os ocupados incluem não apenas empregados, como autônomos e empregadores. Isto é, todos os situados no mercado de trabalho formal. Os trabalhadores informais não são computados nas estatísticas de emprego. Fazem parte da parcela tida como desempregada. Alguns estudos apresentam os informais como subempregados, ou seja, com jornada parcial, salários inferiores aos equivalentes no mercado formal, exclusão dos direitos trabalhistas e previdenciários etc.

c) A Taxa de Desemprego

Podemos agora calcular o desemprego em termos percentuais. Ele representa a parcela da PEA que não consegue emprego. Ou seja, é a População Não Ocupada dividida pela PEA, multiplicada por 100 (para resultar em forma percentual). OU seja, Des = (PNO ¸ PEA) x 100 Considerando que a PEA é a soma da PO com a PNO, podemos também escrever:

Des = [PNO ¸ (PO + PNO)] x 100

Assim, quando ouvimos falar em taxas de desemprego, estamos sendo informados sobre a proporção da força de trabalho que não consegue colocação no mercado, embora deseje. Não é uma porcentagem da população total. Na verdade, essa taxa é obtida por sucessivas subtrações da População Total: primeiro, extraem-se os segmentos fora dos extremos etários legais para obter a PIA; em seguida, os impossibilitados e desinteressados em trabalhar, para chegar à PEA. Finalmente, esta é subdividida em Ocupados e Não Ocupados. Esta última parcela é, então, relacionada ao total da PEA para se obter a taxa de desemprego.

O mercado de trabalho manteve evolução favorável em

2011. A média anual da taxa de desemprego, divulgada pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, que abrange as seis principais regiões metropolitanas do país, atingiu 6,0% no ano, a menor da série iniciada em 2002, recuando 0,7 p.p. em relação a 2010. Essa evolução decorreu de aumentos anuais de 2,1% no pessoal ocupado e de 1,2% na população

economicamente ativa (PEA).

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A formalização do emprego se intensificou em 2011, registrando-se aumento de 6,2% no número de

A formalização do emprego se intensificou em 2011, registrando-se aumento de 6,2% no número de empregados com carteira de trabalho assinada e recuos respectivos de 5,3% e 0,6% nos contingentes de trabalhadores sem carteira e que trabalham por conta própria. Emprego formal – Admissões líquidas

por conta própria. Emprego formal – Admissões líquidas De acordo com o Cadastro Geral de Empregados

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) foram criados 1,6 milhão de empregos formais em 2011, terceiro melhor resultado desde o início da série, em 1985, mas 26,7% inferior ao observado em 2010. Destacaram-se, no ano as contratações líquidas registradas nos setor de serviços, 786 mil; no comércio, 369 mil; e na indústria de transformação, 175 mil.

369 mil; e na indústria de transformação, 175 mil. ASSESC– 2º Semestre 2013 Disciplina Economia II

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Desemprego Aberto e Oculto

O desemprego tem conseqüências conhecidas: queda

na renda, baixa da auto-estima, aumento da precariedade para as pessoas de baixa renda, depressões etc. Uma das conseqüências nem sempre muito divulgada, e cujo impacto na economia é relevante, é a desmotivação para sair à procura de um novo emprego. Uma parcela expressiva dos desempregados acaba

sentindo-se desmoralizada após diversas tentativas infrutíferas. Isso leva à falta de iniciativa e mesmo à descrença total na possibilidade de recolocar-se no mercado de trabalho. As pesquisas sobre emprego e desemprego levantam junto às pessoas escolhidas, o tempo no qual permaneceram em busca de emprego sem obter resultados. No caso, o desmotivado acaba respondendo que não tem ido à procura de emprego. Isso o coloca à margem da PEA, pois aparece como alguém que não quer trabalhar. Algumas instituições incluem pessoas nessa condição na categoria de desemprego oculto. Isto

é, a atitude desmotivada está ocultando o desejo de

trabalhar, dada a desmoralização do indivíduo.

Essa, por exemplo, é uma das diferenças metodológicas mais importantes entre a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Fundação SEADE em São Paulo

e o IBGE. Este último apresenta taxas sempre mais

baixas de desemprego do que a SEADE. A diferença está no desemprego oculto. Isto também responde por resultados aparentemente

contraditórios

Tipos e Causas do Desemprego

Os economistas costumam assinalar diversas causas para o desemprego, as quais representam tipos distintos do fenômeno.

a) Desemprego Conjuntural, Cíclico ou Involuntário

É o tipo clássico estudado por Keynes. Ocorre nas fases descendentes do ciclo econômico, quando o Produto fica abaixo do nível de pleno emprego (hiato deflacionário – Demanda Agregada inferior à Oferta Agregada). O receituário keynesiano baseado nas políticas monetária e fiscal aplica-se a esta espécie de desemprego.

b) Desemprego Estrutural ou Tecnológico

Esta modalidade resulta de transformações na estrutura da economia. Uma parte expressa trabalhadores sem

os requisitos técnicos ou educacionais necessários aos

novos empregos (por exemplo, migrantes da área rural para a urbana, ou parcelas da população de baixa renda nos grandes centros, em que as empresas adotam

tecnologias e métodos administrativos que requerem uma escolaridade mínima para serem acompanhadas pela força de trabalho). Outra parte refere-se a profissões e especialidades ultrapassadas pelas mudanças tecnológicas, tornando esses profissionais

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inúteis para os processos produtivos atuais. Este tipo de desemprego acentuou-se muito com as transformações tecnológicas e organizacionais das duas última décadas em todo o mundo, atingindo também o Brasil.

c) Desemprego Sazonal

Ocorre em função das variações no ritmo e na freqüência da atividade econômica em épocas típicas do ano. Nas áreas rurais, é uma situação bastante característica: durante o período de colheita, o emprego se expande, para se contrair em seguida. No meio urbano, o emprego no comércio durante o período das festas de final de ano é outro exemplo. Ninguém considera que a queda desse tipo de emprego em janeiro represente uma “crise de desemprego”, porque é um fato sazonal que se repete todos os anos.

d) Desemprego Friccional ou Natural

É aquele que ocorre na transição de um tipo de emprego para outro. Pessoas que perderam o emprego não encontram sempre outro no momento imediatamente seguinte; há uma “fricção”, uma dificuldade de adaptação e de informação até ocorrer a recolocação. Imperfeições na informação sobre as vagas existentes, dificuldades no deslocamento da força de trabalho (os economistas referem-se à “mobilidade imperfeita da mão-de-obra”) e fatores institucionais podem retardar o regresso à População Ocupada. Uma situação característica de imperfeição na mobilidade dos trabalhadores ocorre quando o emprego muda de lugar. Regiões marcadas por atividades antigas são substituídas por outras mais dinâmicas, mas leva tempo para a força de trabalho do local mais antigo se adaptar. As vagas existem, mas as pessoas estão distantes e têm dificuldades de se deslocar. Pode ocorrer durante muito tempo a coexistência de regiões com escassez de mão-de-obra e outras com alto desemprego. Em princípio, ocorrerá um progressivo movimento migratório, mas ele leva tempo. Isso, caso as vagas da outra região sejam compatíveis com os desempregados da região na pior situação (se não forem, estamos diante de uma situação de desemprego estrutural e não mais friccional). Outro exemplo, agora sobre as dificuldades institucionais, refere-se à documentação e aspectos burocráticos, que retêm o trabalhador recém-demitido, dificultando a sua liberação plena para procurar novo emprego. As exigências às empresas para contratar podem ser outro empecilho à rápida absorção desse contingente de desempregados “friccionais”. 6. A Curva de Phillips e a “taxa natural de desemprego” O economista inglês A . W. H. Phillips observou uma série estatística sobre a economia britânica entre 1861 e 1957, constatando uma forte relação entre épocas de maior crescimento econômico, tendências inflacionárias e aumento do emprego. Inversamente, nos períodos de maior fraqueza econômica, a inflação e o emprego recuavam. Seu estudo foi divulgado na forma popular de

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um gráfico que associa negativamente a inflação e o desemprego, com inclinação negativa. O significado é fácil de entender: o crescimento econômico aumenta a demanda por trabalho, causando elevação dos salários; estes pressionam os custos das empresas, que os repassam aos preços (principalmente em economias altamente oligopolizadas). Já a estagnação econômica leva o mercado de trabalho a ficar pressionado pelos desempregados, limitando, assim, as possibilidades de aumentos salariais com impactos de custos nas empresas. Assim, existe um “trade off” (troca) entre inflação e desemprego. “Durante certo tempo, a curva de Phillips teve aceitação quase total entre os economistas. Os mais conservadores usavam-na para execrar a ação dos sindicatos, cujas conseqüências inflacionárias seriam prejudiciais à economia. Outros usavam-na para propugnar por acordos entre empresas e trabalhadores, com coordenação do governo, buscando harmonizar metas de aumento de emprego e níveis salariais.” Contudo, os anos 1980 foram marcados, nos países avançados, pela coexistência inédita entre baixo crescimento econômico e taxas de inflação incomumente altas. Surgiu o termo “estagflação” (stagflation) para designar essa combinação esquisita. Ainda assim, a curva de Phillips permaneceu prestigiada pela Teoria Econômica. Continua-se a acreditar que o crescimento econômico traz consigo, ao lado do

aumento do emprego, a ameaça da inflação (o que a teoria keynesiana explica com a inflexibilidade da Oferta Agregada, uma vez atingida a barreira do pleno emprego) e que as políticas anti-inflacionárias, em geral voltadas a reduzir a Demanda Agregada, afetam negativamente o nível de emprego. Em certa medida, os dados econômicos posteriores não desmentiram essas crenças.

O conceito de “taxa natural de desemprego” surgiu

nesse contexto. Abandonada a idéia de que o pleno emprego era um destino natural das economias que seguissem o receituário keynesiano, certos economistas passaram a acreditar que existe uma taxa de desemprego que convive com taxas de inflação baixas e estáveis. Se o governo tentar estimular a economia além desse nível, a inflação recrudescerá; se tentar baixar mais ainda a inflação, é o desemprego que se intensificará. Assim, cabe conformar-se com a taxa natural, uma vez que as alternativas a ela são piores.

Noções da teoria do desenvolvimento tecnológico: a importância da inovação

O rápido desenvolvimento tecnológico no mundo, espe- cialmente nas duas últimas décadas do século XX, teve como conseqüências inúmeras transformações na vida

e no cotidiano das pessoas. A adoção rápida de

inovações nos transportes e nas comunicações mudou e ajudou o crescimento do turismo. Na teoria econômica, o autor que se debruçou sobre o desenvolvimento tecnológico, especialmente sobre a

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inovação, foi Joseph Alois Schumpeter. Para ele, a inovação é o motor propulsor do desenvolvimento capitalista dinâmico. As inovações resultam das iniciativas (das indústrias ou empresas) que provocam a reorganização da atividade econômica, marcando o desenvolvimento da economia com rupturas e descontinuidades. Uma inovação muda o estado anterior, deflagrando um novo momento no mercado, dinamizando e criando novas oportunidades. Para representar sua teoria do desenvolvimento capitalista dinâmico, Schumpeter utiliza o fluxo circular, baseado nas ondas longas dos ciclos de Kondratieff. Ciclos de Kondratieff são ciclos econômicos de longa duração, marcados por períodos de sessenta anos de ascensão ou declínio da economia mundial. Um ciclo econômico é a flutuação periódica e alternada de expansão e contração de toda atividade econômica (industrial, agrícola e comercial) de um país ou de um conjunto de países. Um ciclo típico consiste num período de expansão econômica, seguido de uma recessão, de um período de depressão e um novo movimento ascendente ou de recuperação econômica. Já na história econômica brasileira, o termo ciclo é usado para designar os períodos de predomínio de determinados produtos coloniais de exportação, como o açúcar, o ouro e o café (SANDRONI, 2000). Nesse fluxo do desenvolvimento, a inovação deflagra a recuperação da economia, chegando a um ápice (ou boom econômico); e, quando ocorre o esgotamento da inovação, começa a ocorrer uma recessão até a depressão econômica. Posteriormente, segundo o autor, ocorreria outra inovação, que moveria todo o processo novamente. Portanto, podemos concluir que o fluxo circular da teoria de Schumpeter possui quatro etapas:

1ª etapa: boom – ápice nas vendas do produto ou serviço inovador. 2ª etapa: recessão – queda na procura (demanda) do produto inovador, caracterizada pela conjuntura de declínio da atividade econômica, caracterizada por queda da produção, aumento do desemprego etc. 3ª etapa: depressão – fase do ciclo econômico em que a produção entra em declínio acentuado, gerando queda nos lucros, perda do poder aquisitivo da população e desemprego. 4ª etapa: recuperação – momento de inovação no mercado. As quatro etapas representam momentos nas ondas do fluxo circular. A recuperação é o momento de subida da onda, o boom é representado pelo ponto mais alto da onda, a recessão é o momento de queda e a depressão é a parte baixa da onda.

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de Administração Professor Msc. Marcelo Santos Oliveira Seguindo tal ciclo, quando surge uma inovação o produto

Seguindo tal ciclo, quando surge uma inovação o produto começa a ser vendido, levando a uma recuperação no ciclo. Chega um momento de ápice nas vendas, posteriormente as vendas começam a cair, representando uma recessão e chegando à depressão, caracterizada pelo declínio acentuado das vendas. Na Figura a seguir, observamos uma representação do que seria a aplicação do fluxo circular de Schumpeter. Levando em consideração o ciclo de vida de inovações na economia industrial, é possível identificar cinco ciclos de inovação, desde as primeiras fábricas têxteis inglesas até a revolução da informação.

têxteis inglesas até a revolução da informação. A Figura mostra as principais inovações relacionadas à

A Figura mostra as principais inovações relacionadas à energia e aos transportes, com destaque para as regiões do mundo onde surgiram. Portanto, o processo de desenvolvimento econômico, para Schumpeter, é caracterizado por uma ruptura do

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equilíbrio previamente existente e pela construção, coeteris paribus, de um novo equilíbrio. Segundo Schumpeter, a pessoa responsável pela inovação é chamada de empreendedor, uma pessoa criativa que pode ajudar a mudar o status quo. O fluxo circular só é quebrado pela ação de um indivíduo, capaz de introduzir inovações no mercado. É importante saber que existe uma diferença entre invenção e inovação. Quando algo novo é criado por uma pessoa, chamamos de invenção; quando tal produto chega a ser comercializado é denominado inovação. O rápido avanço das tecnologias de informação e comu- nicação mudou a estrutura de várias áreas no setor de turismo. Com o uso cada vez mais freqüente da internet, os turistas começaram a ter acesso mais direto aos fornecedores de serviços (como as empresas aéreas e os hotéis), o que propiciou um processo de quebra de alguns intermediários. Podemos observar algumas das principais inovações tecnológicas e o tempo necessário para serem utilizadas por mais de cinqüenta milhões de pessoas. Cada vez mais as inovações tecnológicas levam menos tempo para chegarem ao que podemos chamar de consumo de massa. A internet gastou apenas quatro anos, enquanto a eletricidade gastou quase cinqüenta anos para alcançar tantas pessoas.

gastou quase cinqüenta anos para alcançar tantas pessoas. ASSESC– 2º Semestre 2013 Disciplina Economia II –

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Políticas Econômicas

Introdução

A existência de políticas econômicas, ou a discussão sobre elas traz implícita a admissão de que existe intervenção do Estado na economia. A maneira como ela se dá é objeto de intermináveis discussões, nas quais as principais diferenças referem-se à profundidade e instrumentos. Como exemplificação, podemos citar a existência ou não de empresas estatais ou o setor de atuação dessas empresas, a concessão de benefícios fiscais, responsabilização pelo ensino básico, secundário ou universitário. Em outras palavras, a discussão passa pelo grau de efetividade do mercado em atender às necessidades humanas e suas limitações. Apesar do tamanho da controvérsia, há consenso de que a atuação do Estado é indispensável para o funcionamento da economia. Mesmo os mais ferrenhos defensores do livre mercado concordam que não há possibilidade de a economia funcionar sem que haja alguma ação governamental além das tradicionais funções de administração da justiça, segurança e educação. Isto ocorre porque existem ineficiências no mercado, como o fato de o vendedor de uma mercadoria ter mais informações a seu respeito que o comprador (o clássico exemplo do automóvel usado). Neste caso o Estado tem de fiscalizar o setor privado. Outro fator é a ocorrência de externalidades, o que quer dizer que fatores não relacionados diretamente a comprador e vendedor de uma mercadoria são afetados pela ação econômica destes. Uma indústria que não trata os seus efluentes tem custos de produção mais baixos, o que lhe possibilita lucros mais elevados e até preços de venda mais baixos que seus concorrentes que os tratam. A sociedade como um todo, por outro lado, será afetada pela poluição ou pelo custo de recuperação do meio ambiente. Há necessidade, portanto, de que alguém discipline estas ocorrências, o que exige o poder governamental para regulamentar o assunto. Um terceiro caso de necessidade de participação do Estado na economia, no papel de regulador, decorre da existência de monopólios naturais, como a distribuição de energia elétrica ou os serviços de água e esgoto. Independentemente do posicionamento quanto à participação do Estado na Economia, na história econômica recente, especialmente a partir dos anos 30 do século passado, o Estado passou a ter participação mais direta na administração da economia. Isto foi fortemente influenciado pela impotência do mercado em corrigir os efeitos da grande depressão. É claro que esta interferência do Estado nunca foi unânime, mas é generalizada nas economias contemporâneas.

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Os objetivos gerais a serem alcançados pelas políticas econômicas confundem se com os próprios objetivos da sociedade:

1) Desenvolvimento econômico 2) Estabilidade do nível de atividade 3) Pleno emprego 4) Estabilidade de preços 5) Equilíbrio do balanço de pagamentos 6) Distribuição de renda Estes podem ser encarados como os objetivos de longo prazo da sociedade, e deveriam nortear todas as decisões adotadas na condução da economia. No curto prazo, os objetivos de política econômica podem ser diferentes dos enumerados acima, por privilegiar-se algum deles num primeiro momento. Um exemplo é a famosa frase do Ministro da Fazenda do governo Médici, Delfim Netto: "Primeiro é preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo." Neste caso a ênfase foi sobre o crescimento da economia em detrimento da distribuição de renda. Outro caso é a utilização de importações baratas para controlar o nível de preços internamente, como foi feito durante o Plano Real. A conseqüência foi um desequilíbrio no balanço de pagamentos. Estava na base dos planos de combate à inflação que utilizavam tabelamentos e congelamentos de preços, além de regulamentações sobre salários. Como é difícil controlar os preços da infinidade de mercadorias que são produzidas, as políticas de rendas podem ter efeito no curto prazo, mas estão fadadas ao fracasso no médio e longo prazos. Um aspecto primordial da discussão sobre políticas econômicas é o fato de elas serem inter-relacionadas, o que torna a sua sintonia ainda mais importante para a coerência na sua condução. Toda medida tomada terá impactos sobre outras variáveis, e este efeito tem de ser avaliado, daí a importância de se conhecer como as políticas são operacionalizadas e interagem na economia. Resumidamente a políticas econômicas se referem às ações e medidas do governo para regular e controlar a atividade econômica, ou seja, princípios político- administrativos que refletem a ideologia dominante e as metas a serem atingidas. De acordo com algumas medidas, temos a seguinte divisão:

Política Fiscal

A política fiscal diz respeito diretamente à arrecadação e gastos do governo. No caso da política tributária, definem-se os impostos, as alíquotas dos impostos, quem os pagará e quem estará isento. Também são determinados os incentivos fiscais, setores e regiões geográficas abrangidas, o tamanho desta renúncia fiscal e suas diferenciações. A política tributária envolve, portanto, os aspectos relativos à arrecadação efetiva do governo bem como as suas desistências de arrecadação, caracterizadas pelos incentivos fiscais, que na realidade são subsídios

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aos setores que deles se beneficiam. Os gastos públicos são os que o governo tem com o seu custeio, seus investimentos e transferências ao setor privado (aposentadorias, pensões, juros). Por ambos os lados da política fiscal, os membros da sociedade serão afetados: pagarão ou deixarão de pagar impostos, serão beneficiados ou não pelos gastos efetuados pelo governo. Não se pode esquecer que os benefícios ou custos não ficam restritos ao setor que sofreu o seu impacto

diretamente, mas são transferidos a outros setores através do encadeamento das transações entre fornecedores e clientes na economia. Por exemplo, um incentivo fiscal para a agricultura pode ter como efeito final a redução de custos da alimentação para o consumidor urbano. Igualmente, um aumento das alíquotas do imposto de renda da pessoa física pode ter como efeito a diminuição da demanda não só de produtos finais, como também dos insumos necessários

à produção destes produtos finais. Em resumo, aqueles

que forem atingidos por uma elevação de tributos (novos ou com aumento de alíquotas) reagirão, procurando evitar o pagamento ou transferir os custos decorrentes. Como a capacidade de reação e organização da sociedade não é uniforme, haverá grupos que se beneficiarão mais ou se prejudicarão menos neste processo de negociação. Por outro lado, todos os segmentos procurarão beneficiar-se dos incentivos fiscais, e a riqueza de argumentação para justificá-los é inimaginável. Este é o contexto da discussão sobre a reforma tributária e explica a dificuldade de sua implementação. Também não deve ser menosprezada a importância dos gastos do governo

na economia do país e a influência desses gastos sobre

o nível de atividade econômica.

Em termos teóricos há um relativo consenso de que os instrumentos de política fiscal não devam ser usados para alcançar objetivos de curto prazo, por provocar alterações de custos em toda a cadeia produtiva, prejudicando o planejamento de gastos, vendas e investimentos de empresas e indivíduos. As decisões de política fiscal têm conseqüências sobre as decisões de gastos e de produção na economia, mas os efeitos não são imediatos, porque envolvem contatos e negociações com fornecedores, planejamento de produção, contratação ou dispensa de empregados, o que vai se estender ao longo do tempo. Objetivos de longo prazo, entretanto, podem levar à sua utilização. Isto não impede que no Brasil sejam criados impostos ou aumentadas alíquotas em prazos exíguos com o objetivo de aumentar a arrecadação. O efeito da política fiscal sobre a economia do país se dá pela influência sobre a demanda e daí sobre a produção. Uma redução dos gastos ou aumento das alíquotas de tributação gera diminuição do nível de atividade da economia, ou seja, tem efeitos recessivos. Por outro lado, aumento de gastos e redução de impostos, ao disponibilizarem mais recursos para a

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população, tenderão a ocasionar elevação da renda do

país, desde que exista capacidade produtiva disponível. Caso não haja possibilidade de aumento imediato da produção, o efeito provável é o aumento das taxas de inflação.

É importante destacar que qualquer medida de política

fiscal, seja pelo lado dos gastos, seja pelo lado da arrecadação também tem efeitos sobre a distribuição de

renda. Por isso, a reforma tributária que é anunciada

freqüentemente como a salvação para todos os males não é tão simples de ser feita, já que a reforma que cada segmento da sociedade quer é diferente. Mesmo medidas pontuais não são facilmente implementadas, por causa dos ganhos e perdas envolvidos. A conseqüência é que sempre haverá conflitos de interesses quando se tratar de medidas de política fiscal. Resumidamente podemos definir como Política Fiscal como as decisões governamentais referentes à tributação, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

O caminho para uma ativa participação do governo na

economia por meio da política fiscal. Esta se manifesta

basicamente de duas formas.

A primeira é a participação do governo na demanda

agregada, por meio de consumo e de investimento por parte da esfera pública.

É razoável esperarmos que o governo se dedique mais

aos investimentos do que ao consumo, para criar a base

(a infraestrutura) sobre a qual a sociedade vai se desenvolver no longo prazo. Mas o governo também pode ativar a economia por meio do consumo, por exemplo, na forma de aumento de salários para o funcionalismo público. Esta é uma forma de consumo do governo que é oferecida gratuitamente à população: o

governo compra os serviços dos professores, dos médicos, dos fiscais, dos policiais, ou seja, ele paga por serviços que são consumidos pela população.

A segunda forma de participação do governo é o

financiamento destes gastos. Este financiamento é, em um primeiro momento, sustentado pelos impostos e subsídios à atividade econômica. Uma parte dos impostos é retornada às atividades econômicas por meio de subsídios. Estes subsídios são auxílios correspondidos pelo governo que fazem com que os preços de bens e serviços sejam reduzidos para a sociedade, na medida em que o governo considera que estas atividades são importantes para a população. Os impostos devem ser vistos de forma líquida. Os impostos líquidos determinam qual a riqueza que fica com o Estado e aquela que fica com a sociedade. Se a riqueza permanecer com a sociedade, aumenta o consumo e o investimento por parte dela. Se ela permanecer com o Estado, determina o poder de compra deste nos mercados de bens de consumo e de bens de capital (para investimento).

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Falarmos de políticas fiscais implica em uma série de questionamentos. Tem havido certa relutância na sua aplicação devido aos hiatos de tempo que vão desde a decisão de implantar estas políticas e o seu efetivo impacto na sociedade. Por um lado, os aumentos de gastos do governo e o aumento de arrecadação estão ligados à aprovação pública, em geral, negociados

politicamente com o legislativo. É um processo lento até a aprovação das leis e sujeito a barganha política que pode introduzir outras ações de política pública não inicialmente planejadas pelo gestor do governo. Em alguns casos existem princípios constitucionais que fazem com que os impostos só possam ser aplicados no exercício fiscal subseqüente àquele em que foram aprovados. Os planos de ação, principalmente em termos de obras públicas. Os efeitos de obras públicas sobre a economia podem ser dados em até dois anos,

ou mais, após a opção pública por políticas fiscais ativas

(maiores investimentos por parte do governo).

Política Fiscal no Brasil

Quando o governo arrecada mais do que gasta, obtendo superávits orçamentários, está retirando dinheiro de circulação da economia. Superávits orçamentários ocasionam redução e déficits geram aumento da quantidade de dinheiro em circulação na economia. Isso indica que há uma forte relação recíproca entre a política fiscal e a política monetária. Reflexo dessa inter-relação é que o impacto das contas públicas sobre a economia pode ser avaliado pela sua influência na quantidade de dinheiro em circulação. Como o Banco Central está preocupado com o volume de moeda circulante, efeitos do campo fiscal podem gerar medidas compensatórias na política monetária. Uma boa medida destes impactos é obtida pelo desdobramento das variações da base monetária em seus fatores condicionantes, publicados mensalmente pelo Banco Central do Brasil. Por enquanto podemos considerar a base monetária como a moeda emitida pelo banco central. É importante ressaltar que o impacto do Tesouro Nacional (órgão do Ministério da Fazenda encarregado de controlar a execução orçamentária do

governo federal) sobre a base monetária pode ser associado ao resultado orçamentário primário ou déficit público primário. Neste conceito o resultado observado nas contas do governo não inclui os juros sobre a dívida pública. O déficit público que inclui os juros da dívida é chamado de déficit operacional. A distinção entre resultado primário e operacional é feita para isolar os efeitos do passado do que está ocorrendo no momento.

O resultado primário é refere se apenas a ocorrências

do momento, enquanto os juros são reflexos de déficits

primários ocorridos em períodos anteriores. Quando analisamos os fatores condicionantes da base monetária estamos, portanto, verificando o impacto do resultado primário, não considerando os efeitos da dívida contraída anteriormente.

24

O impacto do Tesouro Nacional sobre a base monetária

não é idêntico ao resultado primário divulgado pelo governo, mas tem a vantagem de medir o seu efeito

final sobre a quantidade de moeda em circulação na economia. Uma distinção importante é que no resultado divulgado pelo governo como o superávit ou déficit primário não estão incluídas as receitas obtidas com privatizações ou concessões de serviços públicos. Nos efeitos sobre a moeda, entretanto, estes recursos são considerados. Quando o governo arrecada com a venda de uma empresa, por exemplo, o pagamento que

o comprador faz reduz a quantidade de moeda em

circulação. Ambas as formas de calcular o resultado primário, entretanto, geram resultados que ficam muito próximos. Para aprofundar a análise desses dados é interessante observar a participação do Tesouro Nacional na variação total da base monetária e o coeficiente de correlação do Tesouro Nacional com outros fatores

condicionantes. A participação relativa nos dá idéia da influência do Tesouro nas variações totais do volume de dinheiro em circulação.

O coeficiente de correlação indica como variações de

duas séries de números estão relacionadas. É um número que varia entre -1 e 1. Quando está próximo de 1 significa que as duas séries movem-se no mesmo sentido e quando está próximo a -1 em sentidos opostos. Já um coeficiente de correlação próximo de

zero indica que os movimentos nas duas séries não estão relacionados. Utilizar o coeficiente de correlação para ver rapidamente o que acontece com séries de dados é muito prático, porque o cálculo é muito simples através de funções já prontas em planilhas eletrônicas.

A primeira tabela do anexo a este capítulo mostra o total

anual de cada fator condicionante da base monetária e

a variação da própria base. Os fatores condicionantes

podem ter efeitos contracionistas sobre a base monetária, quando a reduzem (sinal negativo) ou expansionistas, quando ampliam o volume de recursos

em circulação. No caso específico do Tesouro Nacional, pode observar-se que teve efeito contracionista de 1992

a 2000, exceto em 1996. É claro que existem

consideráveis diferenças entre os meses. Isto significa

que não considerando as despesas com juros o Tesouro Nacional está arrecadando mais recursos do

que gastando. Em linguagem técnica, o governo federal está obtendo superávits primários durante a maior parte

do tempo. Um detalhe importante é que os dados da

tabela tiveram eliminado o efeito da inflação e podem, desta forma, ser comparados.

Os

detalhes sobre correção de valores estão explicados

no

quadro Índices de Preços, Inflação e Atualização de

valores, no capítulo sobre a política monetária brasileira.

A participação relativa do Tesouro no total da variação

da base monetária, tanto em sentido contracionista

como expansionista, por outro lado, vem aumentando.

A maneira de chegar aos números da participação

relativa, apresentado nas tabelas do anexo a este

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capítulo podem ser encontrados em detalhes no artigo de SAMOHYL e MEURER (1997). Em síntese, a participação relativa compara o valor absoluto das variações da base monetária de cada fator com a variação total da base monetária.

O aumento da participação do Tesouro Nacional nas

variações da quantidade de moeda em circulação na economia reflete o aumento da arrecadação do governo, que não é acompanhado pelo aumento de gastos. Os dados da primeira tabela do anexo mostram que a arrecadação do governo entre 1998 e 2000 é muito maior do que nos períodos anteriores. Este resultado de maior arrecadação do governo, que explica o superávit primário alto que o governo está obtendo pode ser visto também se analisarmos o comportamento da participação dele no total da renda da economia. A carga tributária bruta, composta pelos impostos, taxas e contribuições arrecadados em todas as esferas de governo tem aumentado consideravelmente, como mostra o gráfico.

tem aumentado consideravelmente, como mostra o gráfico. Fonte: IBGE Outro aspecto a ser analisado é o

Fonte: IBGE Outro aspecto a ser analisado é o comportamento do Tesouro Nacional comparativamente a outros condicionantes da base monetária. Em geral os

coeficientes de correlação são baixos, o que indica que

os resultados do Tesouro Nacional não têm um padrão

em relação à variação total da base. Uma outra maneira

de ver isto é que os gastos e a arrecadação do governo

não têm sido o instrumento pelo qual se está controlando a quantidade de moeda em circulação na economia brasileira. Isto é coerente, porque a política monetária é a maneira adequada de se controlar a moeda na economia. Entretanto, o coeficiente de correlação relativamente elevado entre as operações com títulos públicos e o

Tesouro Nacional já pode mostrar-nos uma importante interrelação entre políticas econômicas. Este coeficiente é bastante estável para os diferentes períodos, seja com inflação elevada, seja com inflação baixa. Para o período 1999-2000, entretanto, o coeficiente de correlação cai à metade. Este é um resultado que exige análise mais detalhada, mas provavelmente está relacionado com a mudança na política cambial de janeiro de 1999.

O resultado primário do Tesouro Nacional tem uma

relação clara com o comportamento da dívida pública, o

que será discutido detalhadamente quando analisarmos

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política monetária. Intuitivamente, entretanto, já podemos perceber que quando o governo arrecada mais do que gasta, ou seja, tem superávit primário, a dívida pública irá cair ou, pelo menos, não irá subir tanto. O efetivo comportamento da dívida pública dependerá, entretanto, da taxa de juros, o que gerará o resultado operacional do governo. Os resultados constantes das tabelas do anexo serão retomados quando da análise das demais políticas econômicas, permitindo um aprofundamento da sua compreensão, inclusive quanto à política fiscal.

Fatores condicionantes da Base Monetária - 1992 A 2000 Resultados Acumulados No Ano (Em Milhões de Reais De Dez/2000)

Acumulados No Ano (Em Milhões de Reais De Dez/2000) Política Monetária Diferentemente da política fiscal, a

Política Monetária

Diferentemente da política fiscal, a política monetária pode ser usada para atingir objetivos de curto prazo, o que é evidenciado pelas constantes mudanças das

taxas de juros, seja no Brasil, seja no resto do mundo. A política monetária relaciona-se com as variáveis que influenciam a quantidade de dinheiro em circulação na economia. A importância deste aspecto já pode ser vislumbrada se lembrarmos que o preço das mercadorias é influenciado pela quantidade disponível.

O preço neste caso é a taxa de juros, uma das

principais variáveis a ser considerada no funcionamento

da economia. Quem utiliza crédito paga por esse adiantamento

de dinheiro. Não devemos esquecer, também, que em

todos os países do mundo a emissão de moeda é controlada pelo Estado, seja diretamente pelo poder executivo, seja através de um banco central independente do executivo, mas integrante da estrutura estatal. Entre os instrumentos de política monetária, merece destaque o depósito compulsório, que limita a capacidade de criação de moeda por parte dos bancos.

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Moeda

A moeda e uma forma genérica que costumamos chamar de dinheiro. Vamos discutir o conceito e os atributos da moeda e qual seu papel na economia. Também entraremos no tema da principal doença da moeda: a inflação. Você vai conhecer a definição, as medidas (os índices de preços) e as causas apontadas

pela teoria econômica para a sua ocorrência. Falaremos um pouco da política monetária, observando os instrumentos que o governo utiliza para controlar o volume de moeda em circulação. E daremos uma olhada geral sobre o sistema financeiro no Brasil, no qual circula a maior parte da moeda existente na economia. Características e Funções da moeda A moeda cumpre três funções econômicas fundamentais:

conta ; ¯ Re s e rva de

valor. Como meio de troca, ela intermédia todas as transações econômicas, tanto de bens e serviços, quanto de fatores de produção (é usada para pagar salários, lucros, juros e aluguéis). Somente se tiver aceitação generalizada, ela pode cumprir essa função. O governo impõe o uso da moeda nacional em todas as transações – daí dizer-se que a moeda possui curso forçado. Como unidade de conta, a moeda é usada em todos os cálculos de preços, rentabilidade e comparações de valores. Como reserva de valor, ela permite guardar valores ao ser poupada, isto é, não utilizada imediatamente no consumo. Guardar moeda significa guardar valor para consumo ou investimento futuro. Os problemas da moeda – e da economia – começam quando ela perde uma ou mais dessas funções. Houve época, no Brasil, em que ninguém guardava moeda, pois era o mesmo que gelo: derretia. As contas também eram feitas usando outro padrão – geralmente, o dólar. Só assim podia-se comparar

¯Me io de troca ; ¯ Unida de de

preços, lucros, salários, etc, sem incorrer em equívoco. Estivemos a um passo de ver nossa moeda nacional perder até a função de meio de troca, sem o que ela deixaria de ter qualquer significado econômico. Esse trabalho destrutivo foi feito pelo maior dos males que pode acometer uma moeda: a inflação. Assim, para cumprir as funções devidas, a moeda precisa ter as seguintes características físicas:S¯e r fa cilme nte divisível (divisibilidade);S ¯e r ba s ta nte portátil

(portabilidade); ¯ S e r duráve l e m

(durabilidade). O governo possui o monopólio da emissão da moeda e tem a tarefa de assegurar essas características físicas e, principalmente, as três funções descritas mais acima. Para isso, ele precisa defender o valor da moeda, combatendo a inflação. Também deve evitar o oposto, a deflação (queda de preços). Esse problema causa tantos ou mais horrores econômicos quanto a inflação. Deflação associa-se a depressão econômica: queda do PIB, falências e desemprego. Por isso, a função estabilizadora do governo é tão importante e reconhecida por economistas de todas as tendências.

te rmos

fís icos

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Por enquanto podemos considerar a base monetária como a moeda emitida pelo banco central. É importante ressaltar que o impacto do Tesouro Nacional (órgão do Ministério da Fazenda encarregado de controlar a execução orçamentária do governo

federal) sobre a base monetária pode ser associado ao resultado orçamentário primário ou déficit público primário.

O objetivo de estabilizar o valor (ou poder aquisitivo) da

moeda nacional é perseguido pelo governo através da

política monetária. Esta compõe-se de diversos instrumentos.

A política monetária busca manter estável o valor da

moeda nacional. Há dois conceitos de moeda muito utilizados para mensurar o seu volume na economia (tanto o governo como os analistas privados estão sempre acompanhando as alterações nesse volume). O primeiro é chamado de Meios de Pagamento; consiste na soma da moeda em poder do público e dos depósitos à vista nos bancos comerciais. Representa-se os meios de pagamentos pelo símbolo M1. Conceitos mais amplos de meios de pagamento são também utilizados, acrescentando-se ao M1, sucessivamente, os depósitos em poupança e em títulos privados (o resultado chama-se M2), os depósitos em fundos de renda fixa (M3) e os títulos públicos (M4). Todos esses títulos ou aplicações são considerados, em maior ou menor grau, como moeda, porque podem ser nela convertidos com margens variadas de facilidade. A maior facilidade de um título ou um ativo, de ser convertido em moeda, é denominada liquidez. Assim, do M1 ao M4, estamos incorporando ao cômputo dos meios de pagamento ativos com níveis cada vez menores de liquidez - mas que funcionam parcialmente como moeda, especialmente em situações de inflação elevada. O segundo conceito, mais restrito, é o de Base Monetária. Ela consiste na moeda em circulação e nos encaixes bancários, isto é, o total da moeda em poder do público e no caixa dos bancos (moeda em circulação), mais os depósitos dos bancos junto à autoridade monetária (no caso brasileiro, esta é o Banco Central). Esses depósitos são em parte voluntários, e em parte obrigatórios. No quadro que representa os agregados monetários a seguir podemos referenciar os seguintes itens que o compõem:

podemos referenciar os seguintes itens que o compõem: Comparando os dois conceitos, percebemos que: a) os

Comparando os dois conceitos, percebemos que:

a) os depósitos à vista nos bancos comerciais não fazem parte da Base Monetária e sim dos Meios de

Pagamento;

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b) o papel-moeda mantido em caixa pelos bancos está

na Base Monetária, mas não nos Meios de Pagamento;

c) os depósitos dos bancos comerciais junto à autoridade monetária (Banco Central) estão na Base Monetária, mas não nos Meios de Pagamento.

Os dois primeiros componentes – depósitos à vista e

caixa dos bancos – são fundamentais para entendermos

o que se chama de moeda escritural. Ela é constituída

pelos depósitos e circula na forma de cheques (os depósitos, e não os cheques constituem, à moeda escritural). Os bancos a utilizam para emprestar dinheiro. Retêm uma parte dos depósitos em caixa, a partir de estimativas de quanto os depositantes costumam retirar em curto prazo. O restante é emprestado aos demandantes de crédito (empresas e pessoas físicas). Ao realizar empréstimos, os bancos expandem os meios de pagamento. Parte desses empréstimos retorna à rede bancária, possibilitando novos empréstimos (da parcela não retida pelos próprios bancos para atender os saques dos

depositantes). Assim, há uma proporção de recursos que volta ao fluxo da produção e do consumo. Por isso, dizemos que os bancos criam moeda, na forma escritural. O multiplicador dos meios de pagamento é a proporção em que os depósitos retornam ao circuito econômico na forma de empréstimos, novos depósitos, mais empréstimos e assim por diante. Assim, quando o governo emite moeda, está ampliando a base monetária. Mas ele pode evitar que os meios de pagamento cresçam na mesma proporção, fazendo os bancos depositarem parte dos novos recursos junto ao Banco Central. Esses depósitos são parte da base monetária, mas não dos meios de pagamento, pois não estão circulando na economia através do crédito bancário. O multiplicador dos meios de pagamento será reduzido, expandindo o crédito numa proporção menor.

O potencial inflacionário da nova missão é parcialmente

esterilizado com esse procedimento, pelo menos por

certo tempo. Falaremos mais adiante do Banco Central

e dos instrumentos de política monetária, que

possibilitam esse tipo de ação do governo. A inflação:

conceito, causas e medidas. Inflação significa a perda

do poder de compra da moeda de um país. Ela se

traduz numa alta generalizada dos preços dessa economia (os preços “inflam”, daí o nome). O problema com a inflação é que ela não ocorre uma vez e acaba; mesmo nesse caso, as conseqüências seriam danosas, mas ela é persistente. Depois de se instalar, é difícil de remover e as políticas conhecidas para isso são sacrificantes para boa parte da sociedade. A inflação causa graves problemas ao funcionamento da economia, destacando-se os seguintes:

a) altas de preços generalizadas produzem distorções econômicas, porque os preços não sobem todos ao mesmo tempo, há uma dispersão dos preços relativos: a relação entre os preços sofre mudanças pulverizadas e eles deixam de ser referências válidas para decisões dos agentes econômicos.

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b) a inflação causa concentração de renda, porque os

mais pobres têm maiores dificuldades de se defender, enquanto os ricos podem reajustar suas rendas, ganhar

no mercado financeiro, dolarizar seus ativos, etc. c) ambientes de alta inflação, ao dificultar o cálculo de ganhos, perdas e comparações, e também por atiçar ganhos especulativos e levar a altas taxas de juros como meio de defesa do governo, inibem o investimento produtivo, causando impasse no crescimento econômico. Os mais importantes instrumentos da Política Monetária são os seguintes:

a) Emissões: seu volume e limites são definidos pelo

CMN e sua execução está a cargo do Banco Central. O governo deve emitir moeda para acompanhar o crescimento dos negócios. Quando se observa excesso

de moeda e o governo tenciona reduzir seu volume ou aumentá-lo sem novas emissões, os demais instrumentos entram em ação;

b) Compulsório: são depósitos obrigatórios dos bancos

comerciais junto ao Banco Central, de um percentual

dos depósitos à vista de seus correntistas. O objetivo é evitar que os bancos utilizem o dinheiro desses depósitos no crédito, ampliando os meios de pagamento. O governo varia a porcentagem dos depósitos cujo recolhimento é obrigatório e com isso amplia ou reduz o crédito privado ao consumo e ao investimento (o compulsório rende juros abaixo do

mercado);

c) Redesconto: é um empréstimo de última instância do

Banco Central aos bancos comerciais que se encontram descobertos ao final de suas operações diárias. Aumentando ou reduzindo a taxa desse empréstimo, o BACEN estimula ou desestimula a ousadia dos bancos comerciais na concessão de crédito (maior ousadia

implica em maior risco de terminar descoberto e ter de recorrer ao redesconto);

d) Taxa de juros: ao fixar os juros que pagará pelos

seus próprios títulos, o governo (através do Banco Central) estabelece um piso no mercado de crédito. Ninguém lançará títulos a taxas mais baixas que as dos

títulos públicos, pois estes são muito mais garantidos e

os aplicadores recusarão taxas mais baixas. instituições

financeiras (depósitos a prazo, etc), estas precisam competir com o governo na captação de recursos de aplicadores para obterem os fundos que utilizarão no crédito, na outra ponta. Juros altos desestimulam os

tomadores de crédito e esfriam os negócios, dificultando

a prática de aumentos de preços; e) Operações de

mercado aberto (open market): o governo negocia seus títulos com objetivos ligados à política monetária. Se desejar reduzir os meios de pagamento, vende títulos ao mercado e esteriliza os recursos obtidos (não os utiliza em despesas ou em crédito, impedindo-os de voltar ao fluxo monetário); se desejar aumentar os meios de pagamento recomprará seus próprios títulos. Em geral, o combate à inflação é feito com elevação da taxa de juros, aumento das porcentagens e prazos de

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recolhimento dos compulsórios, aumento da taxa de redesconto e operações de enxugamento de moeda via open market. O combate à recessão utiliza os instrumentos opostos (baixa dos juros, redução do compulsório e do redesconto, ampliação dos meios de pagamento através do open market). As doses de cada instrumento e a combinação final de todos eles dependem dos objetivos mais específicos do governo,

além do estudo de seus impactos sobre outras variáveis (déficit público, dívida pública, câmbio, etc). O Regime de Metas de Inflação Desde 1999, a política monetária brasileira segue o regime de metas de inflação. Sinteticamente, ele funciona com base em decisões do CMN sobre a inflação desejada no ano corrente e nos seguintes. O COPOM analisa os indicadores da conjuntura econômica para observar se a inflação está caminhando em direção à meta definida ou, ao contrário, está se afastando dela. Além dos indicadores da economia real e dos índices de preços, também é observada a previsão dos principais agentes financeiros do mercado, porque ela forma expectativas dos agentes econômicos que se refletirá em suas políticas de preços. Com base nesse conjunto de informações, o COPOM decide mensalmente a taxa de juros dos títulos públicos (denominada Selic), influindo sobre o conjunto das taxas de juros do mercado. Os demais instrumentos também podem ser acionados, mas nos últimos anos a taxa de juros tem sido, de fato, a arma principal do governo no combate à inflação. As críticas a essa concentração da política monetária na taxa de juros partem de economistas que não a consideram como o instrumento mais eficiente, devido a seus efeitos colaterais. De fato, aumentos na taxa de juros fazem crescer a dívida interna do governo e ocasionam novas despesas, pressionando os déficits públicos. No final do processo, pode-se ter mais inflação. Além disso, taxas muito altas – como tem ocorrido no Brasil – desestimulam os investimentos produtivos. Sem estes,

é impossível manter o crescimento do PIB em bases

sustentáveis. Se o PIB não cresce, as receitas tributárias também ficam estagnadas, obrigando o governo a aumentar a carga fiscal – o que acaba prejudicando de novo o crescimento econômico – ou a incorrer em novos déficits. Essa crítica parte de um diagnóstico de inflação de custos, para a qual as restrições de política monetária são pouco eficazes, a não ser para evitar a propagação dos efeitos a toda à economia.

Análise de Mercado Monetário

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos

(M1) atingiu R$280,5 bilhões em dezembro. O aumento de 0,3% registrado em relação a igual período de 2010

resultou de variações respectivas de 7,9% e -5,4% nos saldos médios do papel-moeda em poder do público e dos depósitos à vista. Considerando dados deflacionados pelo IPCA, o M1 recuou 5,8% no ano. A velocidade

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renda do M1, razão entre o PIB a valores correntes e o saldo médio do agregado, aumentou cerca de 10% no período.

saldo médio do agregado, aumentou cerca de 10% no período. O saldo médio diário da base
saldo médio do agregado, aumentou cerca de 10% no período. O saldo médio diário da base

O saldo médio diário da base monetária somou R$206 bilhões em dezembro, ressaltando-se que o aumento anual de 4,4% assinalado no indicador evidenciou as variações respectivas de 8,2% e -7,1% nos saldos médios do papel-moeda emitido e das reservas bancárias.

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de Administração Professor Msc. Marcelo Santos Oliveira Considerados saldos de final de período, a base monetária

Considerados saldos de final de período, a base monetária restrita totalizou R$214,2 bilhões em 2011, elevando-se R$7,4 bilhões no ano. Os principais fatores de expansão monetária foram os resgates líquidos de R$70,2 bilhões de títulos do Tesouro Nacional e as compras líquidas de R$85,2 bilhões realizadas pelo Banco Central no mercado interbancário de câmbio. Em oposição, ressaltem-se os impactos contracionistas decorrentes dos fluxos de recolhimentos compulsórios, R$21,8 bilhões, e da movimentação da conta única do Tesouro Nacional, R$125,6 bilhões. A base monetária ampliada, composta pela base restrita, depósitos compulsórios em espécie e títulos públicos federais fora do Banco Central registrados no Selic, totalizou R$2,7 trilhões ao final de dezembro. O aumento anual de 12% refletiu, em grande parte, a valoração a preço de mercado da dívida mobiliária federal em poder do mercado.

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O conceito M2 dos meios de pagamento cresceu 18,7% no ano, impulsionado por expansões de

O conceito M2 dos meios de pagamento cresceu 18,7%

no ano, impulsionado por expansões de 30,6% no saldo

dos títulos privados, que registraram captações líquidas de R$30 bilhões na modalidade em depósitos a prazo, e de 10,9% no saldo dos depósitos de poupança, que apresentaram captações líquidas de R$14,2 bilhões.

O agregado M3 cresceu 18,8% no ano, totalizando R$3

trilhões, registrando-se aumento de 18,8% no saldo das quotas de fundos de investimento, que acumularam captações líquidas de R$64,7 bilhões, no período, ante R$89,4 bilhões em 2010. O M4, que agrega ao M3 os títulos públicos de detentores não financeiros, apresentou expansão anual de 16,8%, atingindo R$3,6 trilhões em dezembro. As projeções estabelecidas trimestralmente pela programação monetária para os principais agregados monetários foram estritamente cumpridas em 2011.

agregados monetários foram estritamente cumpridas em 2011. ASSESC– 2º Semestre 2013 Disciplina Economia II – 2º

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Política Cambial

São as ações reguladoras da taxa de câmbio e das condições de entrada e saída de capitais externos no país; Instrumento da política de relações comerciais e financeiras entre um país e o conjunto dos demais países. Os termos em que se expressa a política cambial refletem as relações vigentes entre os países, com base no desenvolvimento econômico alcançado por eles. A política cambial é constituída pela administração das taxas (ou taxas múltiplas) de câmbio, pelo controle das operações cambiais, tendo como objetivo central o mercado externo, no sentido de manter equalizado o poder de compra do país em relação aos outros com os quais este mantenha relações de troca.

Câmbio

Introdução

Certamente você já notou que as informações relativas ao comércio global vêm ganhando destaque nos diversos meios de comunicação e estão se tornando, cada vez mais, objeto de interesse dos cidadãos comuns. Embora poucos trabalhem efetivamente com o comércio global, é crescente o número de pessoas interessadas em informações sobre este assunto. Exportações, importações, balanço de pagamentos e câmbio são conceitos que vão invadindo nossas vidas e ganhando projeção, mesmo quando aparentemente nada en- tendemos ou não trabalhamos com eles. Assim, em um primeiro instante poderíamos nos questionar:

“Como os aumentos das exportações brasileiras de café podem atingir uma costureira desempregada?” “Como o crescimento da economia chinesa afeta uma jovem que quer arrumar emprego de vendedora em uma loja de brinquedos na cidade de São Paulo?” “De que modo um vendedor de cocos de uma praia nordestina ou uma grande rede hoteleira da cidade do Rio de Janeiro são atingidos por um dólar (US$) valorizado?” Todas essas questões apontam para uma realidade presente em nosso dia-a-dia: a economia mundial vem passando por um forte processo de integração, em que as economias nacionais estão se tornando cada vez mais interdependentes. Junto a essa integração, a necessidade de troca de moedas vem se tornando um processo cada vez mais complexo e central para as economias capitalistas. O mercado cambial, um dos mais dinâmicos mercados da atualidade. Aprenderá as principais noções do funcionamento e de sua importância para a economia de um país.

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Mercado cambial: definição e funcionamento

Há uma infinidade de bens e serviços sendo comercializada no mercado mundial. Estas transações envolvem agentes econômicos dos mais diferentes tipos em todas as regiões do planeta. Governos, multinacionais, pequenas e médias empresas e consumidores são exemplos de agentes que buscam na economia mundial oportunidades de negócios e lucros maiores. As trocas internacionais (compras e vendas) são realizadas por agentes econômicos de nacionalidades diversas, o que implica a existência de mais de um regime monetário em cada transação. Cada país tem seu regime monetário e, normalmente,

este tem uma unidade monetária nacional, a chamada moeda local. Por exemplo: o regime monetário do Brasil tem como moeda local (ou nacional) o real. Nos Estados Unidos da América, a moeda é o dólar; na Espanha, na Alemanha e em outros países da Europa, a moeda é o euro. Entre as mais importantes moedas da atualidade, o euro (€) é a mais nova. É a moeda única de 15 países membros da União Européia. A região formada pelos países que adotaram o euro é conhecida como Zona Euro. O euro faz parte de um longo esforço europeu de integração econômica. Foi criado em 1999, mas passou a circular somente em 1º de janeiro de 2002. Então pense em uma empresa brasileira importando um equipamento dos Estados Unidos. A empresa norte- americana que produz o referido equipamento só o vende por sua moeda nacional, ou seja, o dólar. A empresa brasileira precisa de dólares para comprar o equipamento; e, já que não o pode fazer com sua moeda nacional (o real), ela deve adquirir dólares no mercado.

A aquisição de dólares no mercado, no exemplo dado,

ocorrerá com a troca de uma quantidade determinada

de real por uma quantidade determinada de dólar. O

mercado no qual ocorrerá esta troca se chama mercado

cambial.

O mercado cambial ou de câmbio (troca) é o “espaço”

onde são transacionadas moedas nacionais. Este mercado é o espaço de compra e venda (câmbio) de moedas de nacionalidades diferentes.

Voltando ao exemplo da empresa brasileira que deseja

a aquisição de um equipamento norte-americano,

suponha que o preço do equipamento seja de US$

1.000,00 (mil dólares) e que no dia da compra a unidade

de dólar esteja sendo vendida no Brasil por R$ 2,00

(dois reais).

ASSESC– 2º Semestre 2013 Disciplina Economia II – 2º Fase de Administração Professor Msc. Marcelo Santos Oliveira

de Administração Professor Msc. Marcelo Santos Oliveira Preste atenção: Considere, com as informações
de Administração Professor Msc. Marcelo Santos Oliveira Preste atenção: Considere, com as informações

Preste atenção:

Considere, com as informações anteriores, que no mercado cambial brasileiro, em determinado dia, o dólar esteja custando dois reais! Assim: → US$ 1,00 é igual a R$ 2,00. Quanto custará o equipamento, em reais, para a empresa brasileira? O equipamento custará o equivalente ao seu preço em dólares multiplicado pela taxa de câmbio do dia, ou seja:

1.000,00 X 2,00 = R$ 2.000,00. Taxa de câmbio é o valor resultante da razão entre duas unidades monetárias. É o valor que a moeda de um país tem em relação à moeda de outra nação. Por exemplo: no dia 11 de agosto de 2008, o preço do dólar fechou, no mercado cambial brasileiro, em R$ 1,61. Ou seja, US$ 1,00 valia R$ 1,61. No mesmo dia, o euro valia, em reais, 2,40, em dólares, 1,49. Então € 1,00 valia R$ 2,40 ou US$ 1,49. Qual é a principal função da taxa de câmbio? Ela permite realizar as transações entre diferentes países. Importadores e exportadores precisam cambiar moedas para realizarem de forma efetiva seus negócios. Veja o exemplo:

Um exportador de soja brasileiro vende seus produtos no mercado americano. Há duas saídas para ele executar seu negócio naquele mercado:

1ª) Ele aceita receber o pagamento pela soja vendida em dólares. Neste caso, ele terá de trocar (cambiar) no mercado cambial brasileiro os dólares, recebidos por moeda nacional (o real), já que as transações em solo brasileiro devem ser feitas, por força de lei, em moeda nacional. 2ª) Ele não aceita receber em dólares. Só aceita receber em reais. Neste caso, para efetivar o negócio (a compra da soja), o importador estrangeiro terá de comprar reais, ou seja, trocar dólares por reais.

Detalhando o funcionamento do mercado cambial

O mercado cambial é composto por agentes que demandam moeda e por outros que a ofertam. Pensando em termos de Brasil e EUA e suas moedas, temos como exemplos (Quadro) de agentes demandantes e ofertantes de moedas no mercado cambial brasileiro:

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Demanda e oferta no mercado cambial

Demanda e oferta no mercado cambial Analisemos alguns desses casos. No que se refere aos importadores

Analisemos alguns desses casos. No que se refere aos importadores de mercadorias no caso do mercado norte-americano, eles terão de adquirir no mercado cambial brasileiro dólares para comprar os produtos desejados. Enquanto isso, os exportadores para o mercado norte-americano estarão trocando os dólares recebidos por moeda local (real). Nesse caso específico, como se comportaria a taxa de

câmbio?

1) Se a oferta de dólares, por parte dos exportadores,

fosse menor que o desejo (demanda) dos importadores, haveria uma tendência de desvalorização cambial, pois

a oferta seria menor que a demanda e o preço do dólar

(dado em reais) tenderia a subir. Neste caso, seria necessária uma maior quantidade da moeda nacional, o real, para comprar a mesma quantidade de dólar. Por isso, afirmamos que a moeda nacional perdeu valor em relação à estrangeira, e assim ficaria desvalorizada. S (oferta) de US$ < D (demanda) de US$ → desvalorização cambial 2) Se a oferta de dólares, por parte dos exportadores, fosse maior que o desejo (demanda) dos importadores, haveria uma tendência de valorização cambial, pois a oferta seria maior que a demanda e o preço do dólar (dado em reais) tenderia a cair. Seria necessária uma menor quantidade da moeda nacional, o real, para comprar a mesma quantidade de dólar. Por isso, afirmamos que a moeda nacional

ganharia valor em relação à estrangeira, e assim ficaria valorizada. S (oferta) de US$ > D (demanda) de US$ → valorização

cambial

No caso dos turistas, teríamos a seguinte situação:

brasileiros que planejam visitar os EUA demandam

dólares, pois lá não se aceita real. E turistas americanos em visita ao Brasil precisam trocar seus dólares por reais. Eles ofertam dólares, enquanto os brasileiros demandam dólares. É preciso ter em mente que este mesmo processo acontece em todos os mercados cambiais do mundo. Por exemplo: um turista brasileiro em visita à Itália trocará seus reais por euro. O contrário um italiano pode fazer: pensando em vir para o Brasil, ele pode trocar seus euros por reais no mercado cambial de seu país.

A integração dos mercados dos diversos continentes do

mundo

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de Administração Professor Msc. Marcelo Santos Oliveira Graças à crescente integração dos mercados e a algumas

Graças à crescente integração dos mercados e a algumas características dos mercados cambiais globais, os valores de uma mesma moeda se mantêm praticamente equilibrados em diferentes mercados. Você deve anotar as seguintes características do “produto” desse mercado:

a) Homogeneidade → a moeda vendida em um

mercado é a mesma vendida em outros mercados:

euros vendidos no Brasil são iguais aos euros vendidos

nos EUA.

b) Transparência → mercados têm tendência ao

máximo de acesso às informações por parte dos agentes. c) Pulverização → há grande quantidade de agentes, o que auxilia no livre desenrolar da oferta e da demanda. Essas características tendem a tornar o mercado equilibrado em escala global, ou seja, os valores relativos das moedas permanecem os mesmos em diferentes mercados nacionais. Assim, se a moeda A vale o dobro da moeda B e se a moeda B vale o dobro da moeda C, então a moeda A vale o quádruplo da moeda C. Se A = 2 x B, se B = 2 x C, então A = 4 x C. Outra situação: se a moeda A vale o dobro da B e se A vale o dobro da C, então C e B estão em situação de paridade cambial. Se A = 2 X B, se A = 2 X C, então B = C. Esse processo de equivalência e equilíbrio dos valores comparativos das moedas nacionais ocorre quase que de modo automático nos mercados cambiais do chamado processo de arbitragem. O processo de arbitragem consiste basicamente da compra de determinada moeda em um mercado e sua venda em outro, por preço maior. Como salienta Sandroni (2005, p. 30):

Tal atividade tende a igualar o preço nas duas praças em questão, exercendo assim uma função reguladora e estabilizadora nos mercados. Isso ocorre porque o aumento da demanda de uma mercadoria ou de uma moeda numa praça onde o preço é mais baixo faz com

que este aumente, ocorrendo o inverso na praça onde o preço é mais elevado.

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Observe a seguir a relação das principais moedas mundiais e suas respectivas cotações para o dia 12 de agosto de 2008. Principais moedas e cotações em US$. No dia 12 de agosto de 2008;

moedas e cotações em US$. No dia 12 de agosto de 2008; Fonte: Agência Reuters, 2008.
moedas e cotações em US$. No dia 12 de agosto de 2008; Fonte: Agência Reuters, 2008.

Fonte: Agência Reuters, 2008. Você deve ter notado a existência de duas taxas de câmbio para as moedas expostas na tabela anterior. Viu que existem dois preços: um de compra e um de venda. Isso não é anormal nem incomum, pelo contrário, faz parte da realidade do mercado cambial e resulta da complexidade de operação do sistema, assim como das inovações e desdobramentos desse mercado. Procure pensar a partir da ótica de uma instituição financeira oficial que execute compras e vendas de dólares, um banco, por exemplo. O banco objetiva lucrar nesse mercado, por isso ele vende o dólar a um determinado valor, enquanto que o compra por outro valor, esse normalmente inferior àquele. Pense no seguinte exemplo:

Um exportador quer trocar 1.000 dólares recebidos do exterior (após a realização de alguma venda) no banco “X”. O banco estabelece que o preço de compra do dólar seja de 1,65 reais. O exportador receberá 1.650 reais em troca dos 1.000 dólares trocados. Logo depois, um importador vai ao mesmo banco para comprar 1.000 dólares. Ele precisa dessa quantidade para comprar matérias-primas de uma empresa norte-

americana. O banco determinou que a taxa de venda do seu dólar é de 1,70 reais, ou seja, o importador gastará

1.700 reais para adquirir os dólares de que necessita.

Pela transação anterior, você viu que o banco ora

compra, ora vende. Ele comprou 1.000 dólares em dado momento por 1.650 reais e em um momento posterior vendeu essa mesma quantidade por um preço superior,

1.700 reais. Com essa transação, o banco ganhou 50

reais. Nessa diferença, estão embutidos os custos gerais do banco e o que “sobra” pode ser considerado o seu lucro com a operação. Esse é o velho objetivo do

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comerciante: comprar barato agora para vender mais caro depois. Chegou o momento de chamar sua atenção para um importante ponto sobre o mercado cambial. Em razão de sua importância, dos volumes negociados e de seu dinamismo, o processo de transação de moedas se tornou um dos mais conhecidos “negócios” do sistema capitalista. Assim como outras mercadorias, as transações envolvendo moedas atraem agentes em

busca de ganhos financeiros. No mercado cambial mundial, a principal moeda é o dólar norte-americano. A importância do dólar (US$) é um reconhecimento do valor, da importância e do papel

de liderança que a economia de seu país detém.

Para simplificar a explicação, usaremos os exemplos a seguir tendo por base o mercado cambial brasileiro e a moeda mais transacionada, obviamente, o dólar. No Gráfico, você pode conferir as taxas médias anuais do dólar entre 2000 e 2007. Valor médio do dólar (em reais)

dólar entre 2000 e 2007. Valor médio do dólar (em reais) Fonte: Banco Central do Brasil

Fonte: Banco Central do Brasil Temos na prática mais de um “tipo” de dólar. Esses

dólares são o dólar comercial, o dólar turismo e o dólar paralelo. Na realidade, o dólar é uma moeda única, como todas são. É uma mercadoria homogênea. Quando falamos de “tipos” de dólar, não estamos dizendo que a moeda tenha diferença de um tipo para outro. O que difere e cria esses “tipos” é o modo como

se

dá a comercialização dentro do mercado cambial.

O

dólar comercial é o dólar normalmente usado pelas

empresas na realização de suas exportações ou importações, bem como para pagamentos diversos ao

exterior, como de serviços. Esse é o dólar oficial, já que

é utilizado pelo governo em suas transações com o

resto do mundo ou em suas reservas. Seu valor é estabelecido livremente, pela interação das leis de mercado (oferta e demanda). O Banco Central do Brasil pode atuar no mercado cambial, a fim de manter ou

alterar a estabilidade cambial, conforme as orientações

de

sua política econômica.

O

dólar turismo é o dólar transacionado com fins de via-

gem ao exterior. É o dólar de referência em emissão de

passagens, débitos e créditos em moedas estrangeiras etc. Muitos agentes o utilizam como meio de aquisição de dólares para fins de poupança ou investimento pessoal, muito embora a legislação brasileira proíba

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esse tipo de ação. A formação dos preços também é dada pelo mecanismo de mercado.

O dólar paralelo, antigamente conhecido por câmbio

negro, é utilizado em larga escala por pequenos investidores desejosos por mais uma fonte de lucros. Este tipo de dólar é muito utilizado pelos setores da chamada economia subterrânea, ou seja, aqueles setores que incluem atividades ilícitas, tais como narcotráfico, contrabando, lavagem de dinheiro, pois não há um controle do governo do montante nem dos fluxos transacionados. Nesse mercado, ganha projeção a figura dos “doleiros”, que são agentes não autorizados que compram e vendem dólares sem passar pelos mecanismos de controle oficiais. Normalmente, as taxas empregadas pelos doleiros são diferentes das oficiais: bem superior em caso de vendas e bem abaixo em caso de compras.

Taxas de câmbio e regimes cambiais

Em páginas anteriores, você viu que uma moeda nacional pode estar valorizada ou desvalorizada. Uma moeda está valorizada quando o seu poder de compra em relação a uma moeda estrangeira aumenta. Uma moeda está desvalorizada quando o inverso acontece:

seu poder de compra em relação a uma moeda estrangeira diminui. Se, por exemplo, a taxa cambial brasileira em relação

ao dólar subir de R$ 1,70 para R$ 2,00, teremos um quadro de desvalorização do real frente ao dólar, pois precisaremos de uma maior quantidade da moeda nacional para comprar a mesma quantidade de dólar. Se, em sentido oposto, a taxa cambial brasileira em relação ao dólar caísse de R$ 3,00 para R$ 2,00, teríamos uma valorização do real frente ao dólar, pois seria necessária uma menor quantidade de real para comprar a mesma quantidade de dólar. Basicamente, há dois tipos de taxa de câmbio:

O primeiro é a taxa de câmbio nominal, que é a que

você viu até o momento. Corresponde ao valor que uma moeda tem em relação à outra. Quando dizemos que um dólar custa dois reais, estamos apresentando uma taxa de câmbio nominal.

O segundo tipo é a taxa de câmbio real, que considera a inflação dos países em questão. A taxa de câmbio real é

a taxa de câmbio nominal deflacionada pela razão

obtida entre as inflações doméstica e exterior. A taxa de câmbio nominal corresponde ao valor que uma moeda tem em relação à outra. E a taxa de câmbio real é a taxa de câmbio nominal deflacionada pela razão obtida entre as inflações doméstica e exterior, considera, portanto, a inflação do país. Finalizamos, chamando atenção para os regimes cambiais. Regime cambial também é chamado de sistema cambial, que vem a ser o conjunto de regras e instituições que acompanham e regulamentam os meios de pagamentos internacionais e que permitem o funcionamento do mercado cambial.

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Regimes Cambiais:

1) Regime de câmbio fixo: neste tipo de regime cambial,

a taxa cambial de um país é fixa. A quantidade de

moeda ofertada e demandada é ajustada (em geral pelo banco central do país) de modo a manter o preço da (taxa cambial) moeda em determinado patamar. Assim, se há um excesso de oferta, o banco central “enxuga” parte dessa oferta, comprando moeda à taxa fixada, em caso de excesso de demanda, ele vende moeda,

aumentando a oferta. 2) Regime de câmbio flutuante: a taxa de câmbio oscila livremente e é formada pela interação das forças de mercado. O governo pode atuar no sistema, comprando

e vendendo moeda estrangeira, ao preço estabelecido

pelo mercado. 3) Regime de flutuação suja: na verdade a flutuação suja (dirty floating) não é um regime cambial, mas uma variação do regime de câmbio flutuante. Nesta variante,

o governo, através do banco central, atua no mercado

cambial de modo pontual, objetivando anular ou minimizar volatilidades. Em caso de estabilidade, o

banco central deixa o regime funcionar como flutuante;

em caso de bruscas oscilações, ele atua ofertando ou

demandando em busca de um patamar de taxa desejado.

4) Banda cambial: outra variação do regime flutuante.

No sistema de banda cambial, o governo estabelece

“bandas” para a taxa de câmbio. As bandas são limites (inferior e superior) que formam um intervalo no qual a taxa cambial poderá oscilar livremente. O governo intervirá quando a taxa alcançar esses limites. Quando há um processo de desvalorização e a taxa é conduzida ao limite inferior, o governo vende moeda estrangeira. Quando há valorização, ele faz o processo inverso. Isso é o que ocorre na maioria dos países que praticam a flutuação cambial – incluindo o Brasil na atualidade. Assim, aqui o Banco Central entra comprando ou vendendo divisas no mercado de câmbio para inverter ou bloquear a tendência de variação cambial além dos limites. Finalizamos, chamando atenção para os regimes cambiais. Regime cambial também é chamado de sistema cambial, que vem a ser o conjunto de regras e instituições que acompanham e regulamentam os meios de pagamentos internacionais e que permitem o funcionamento do mercado cambial.

Efeitos do câmbio sobre as atividades econômicas

A política cambial é instrumento vital para o

desempenho econômico de um país. Ela deve estar conjugada à política macroeconômica do governo e deve servir aos interesses de desenvolvimento nacional. Ao apresentamos algumas questões referentes a pessoas e ramos diversos da economia brasileira, fica evidente que o câmbio tem impacto na vida dos mais variados tipos de pessoas e ramos econômicos. Essa realidade não poderia ser diferente em uma economia mundial cada vez mais integrada.

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Veja alguns exemplos de como o câmbio pode afetar o dinamismo da economia de um país. é R$ 10.000,00. Pelos preços dos dólares dados no exemplo anterior, em qual situação o turista norte-americano gastaria menos, em 2002 ou 2007? Veja:

Em 2002, quando o dólar custava R$ 2,90, ele gastaria cerca de US$ 3.448,00 para comprar o pacote de R$ 10.000,00. Em 2007, quando um dólar custava 1,95 reais, o mesmo pacote sairia a US$ 5.128,00. Resultado: em 2002, o pacote sairia mais barato em dólares! Por fim, é preciso destacar que uma desvalorização cambial tende a conceder maior dinamismo ao setor exportador. No caso do turismo, há o estímulo ao setor doméstico, já que os preços nacionais ficam mais baratos que os internacionais.

A taxa de câmbio é o valor da moeda do país em relação às moedas estrangeiras, ou destas últimas em relação à primeira. No Brasil, utilizamos o primeiro

procedimento: você já deve ter visto a cotação do dólar,

do euro e do yen japonês em reais. Isto significa que

medimos quantas unidades da nossa moeda compram uma unidade da moeda estrangeira. Já nos EUA e na Grã-Bretanha, o procedimento é inverso: a taxa de câmbio mede quantas unidades de moeda estrangeira (por exemplo, euros) compram um dólar ou uma libra

esterlina (a moeda nacional naqueles países). Como você pode perceber, o mercado de câmbio no

Brasil é regulamentado pelo Banco Central. Como em todos os mercados, aqui observamos a ação da oferta e

da demanda de divisas estrangeiras. A demanda de

moeda estrangeira provém dos importadores e dos devedores nacionais a instituições estrangeiras:

tomadores de empréstimos e financiamentos que

devem pagar o serviço de sua dívida, filiais de empresas estrangeiras que devem remeter lucros e dividendos.

A oferta de moeda estrangeira é formada pelos

exportadores e pelos fornecedores de recursos externos

a empresas nacionais. Quando a moeda nacional perde

valor frente às moedas externas, dizemos que houve uma desvalorização ou depreciação cambial.

Quando ocorre o contrário e ela passa a valer mais na troca por divisas estrangeiras, dizemos que houve valorização ou apreciação cambial. Desvalorizações do câmbio favorecem as exportações e encarecem as importações. Imagine, então, uma saca

de

café cujo preço de venda no Brasil seja R$ 100,00.

Se

o câmbio for de R$ 2,00/ US$ 1.00, ela custará US$

50.00 no exterior. Caso o câmbio aumente (desvalorize) para R$ 2,50/US$ 1.00, seu preço externo poderá cair

para US$ 40.00, pois o exportador brasileiro continuará

a receber os mesmos R$ 100,00. Por outro lado, um bem importado por US$ 20.00 custava R$ 40,00 ao

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câmbio anterior e aumentou para R$ 50,00 após a desvalorização. Podemos concluir, então, que no sentido oposto, a valorização ou apreciação do câmbio prejudica as exportações e barateia as importações. Façamos as contas: se o dólar cair de R$ 2,00 para R$ 1,60, a mesma saca de café citada acima passará a custar US$ 62.50 no exterior, perdendo competitividade (ou então, para manter o preço externo, o exportador terá que se

contentar em receber R$ 80,00, perdendo lucratividade).

Já o produto importado custará agora R$ 32,00, em vez

dos R$ 40,00 de antes.

A valorização cambial foi amplamente utilizada nos

primeiros anos do Plano Real como estratégia antiinflacionária, com bastante sucesso. A invasão de importados quebrou a política de preços de muitos oligopólios e forçou a concorrência interna. Os efeitos colaterais foram a quebra de empresas nacionais, a modernização forçada de outras, para competir com os importados, e um déficit crescente nas

transações correntes do Balanço de Pagamentos (coberto, como já dito, por entradas líquidas de capitais externos, com um peso crescente dos investimentos em carteira). Já a desvalorização ocorrida duas vezes seguidas, mais tarde – em 1999 e em 2002 – deu origem à recuperação dos saldos da Balança Comercial

e das Transações Correntes, impulsionando a retomada

parcial do crescimento econômico a partir das exportações, que passou a ocorrer desde o último trimestre de 2003. Olhando pelo lado da Balança de Capitais, as desvalorizações cambiais podem atrair novos investimentos externos, porque os ativos brasileiros ficam mais baratos para o investidor externo 1. Em compensação, os devedores de créditos externos são

penalizados, pois necessitarão de maiores pagamentos em moeda nacional para saldar seus débitos no exterior. Além disso, os investidores externos já estabelecidos poderão sentir-se prejudicados, pois haviam projetado as remessas de lucros e dividendos

às matrizes na antiga taxa e agora elas se reduzirão em

moeda estrangeira. O inverso se verifica na apreciação

cambial: capitais externos se desinteressarão, pois os ativos nacionais encareceram em moeda estrangeira; os devedores terão um alívio em seus débitos; e os investidores externos já existentes poderão remeter mais divisas às suas matrizes, pelo mesmo volume de moeda nacional. Como você vê, a política cambial é complexa, porque os interesses envolvidos são díspares, sofrem conseqüências divergentes e até opostas a cada medida adotada e seus reflexos para o conjunto da economia nacional precisam ser estimados para buscar

o melhor resultado líquido.

Isso depende de cada conjuntura econômica e dos objetivos macroeconômicos perseguidos pelo Governo. Da mesma forma que todo bem tem um valor, as moedas nacionais também têm seu valor, seu preço -

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que é a taxa de câmbio - que expressa o preço da moeda externa em relação à moeda nacional. Se a taxa de câmbio hoje é 2.34 R$/US$, significa dizer que o preço do dólar americano, em termos do real brasileiro, é de R$ 2,34 para cada dólar.

Como todo preço, a taxa de câmbio é basicamente determinada pela “lei da oferta e da procura”. Se a procura é maior que a oferta, o preço do dólar, em reais, sobe. Se a oferta é maior que a procura, conseqüentemente, o preço cai. São vários os fatores que podem influenciar a oferta/demanda por dólares, daí a dificuldade que os economistas têm em prever o comportamento da taxa de câmbio. O Banco Central é quem define o que os economistas chamam de política ou regime cambial. Existem duas políticas cambiais extremas. Na primeira, chamada de política de câmbio fixo, que é uma taxa com que os países se comprometem a manter

o mesmo poder de paridade, comprometendo-se o

Banco Central a satisfazer qualquer oferta ou demanda por dólares que o mercado possa necessitar. Isto é, o Banco Central entra no mercado de câmbio e diz que, para ele, o dólar vale dois reais e trinta e quatro centavos (2.34 R$/US$), e garante a compra ou venda de qualquer quantidade de dólares que o mercado

ofertar a esse preço. Neste caso o dólar fica parado em

2.34 R$/US$, porque o Banco Central anula, comprando

ou vendendo dólares, qualquer seja a pressão de

aumento ou queda de seu preço. A principal vantagem

da taxa de câmbio fixo está na integração dos mercados

internacionais em uma rede de mercados conexos, que não têm incerteza e nem são especulativos. O outro tipo de política cambial é definido pela ausência do Banco Central no mercado de câmbio. As taxas flutuam livremente, respondendo aos efeitos da oferta e da procura. Temos, neste caso, o regime de câmbio flutuante, que possibilita o equilíbrio contínuo do balanço de pagamento. Existe, ainda, um outro tipo de política cambial, que seria intermediária entre o câmbio fixo e o câmbio flutuante, que é a política de bandas câmbio, na qual o

Banco Central não define um preço único para o dólar, e sim um intervalo (banda), dentro do qual ele pode flutuar livremente. Se a banda, por exemplo, for fixada entre

2.20 R$/2.50 R$, o Banco Central só entra no mercado

se o dólar cair a R$ 2.20, entra comprando dólares, ou

subir a 2.50 R$, entra vendendo dólares. Quando um país, através do seu Banco Central, faz opção por um regime de câmbio fixo ou flutuante, é de suma importância que se tenha uma noção abalizada do valor correto do câmbio para a economia naquele momento. O conhecimento desse valor (que os economistas chamam de câmbio de equilíbrio) é o referencial que pode definir o sucesso de um regime de câmbio fixo, ou mesmo o bom funcionamento de um regime de câmbio flutuante.

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Taxa de câmbio nominal e real

A variação nominal da taxa de câmbio pode ser

calculada imediatamente e de forma direta. Por exemplo, se ocorrer uma mudança da taxa de R$ 3,00 /

US$ 1.00 para R$ 2,70 / US$ 1.00 (ou seja, uma valorização do real frente ao dólar), essa variação será

de [(R$ 2,70 – R$ 3,00) / R$ 3,00] x 100, isto é, -10%

(no caso, ignoramos o sinal e dizemos que o real se valorizou 10%). No caso oposto (por exemplo, uma variação de R$ 3,00 / US$ 1.00 para R$ 3,30 / US$ 1.00), terá ocorrido uma desvalorização de 10%: [(R$ 3,30 – R$ 3,00) / R$ 3,30] x 100.

Será que esse resultado nos diz automaticamente o que ocorrerá no comércio exterior brasileiro? Ou seja, podemos, por exemplo, supor que uma valorização de 10% de nossa moeda acarretará uma perda média de competitividade de 10% de nossos produtos no mercado norte-americano e um ganho de preço em reais dos produtos importados daquele país, na mesma

proporção?

A resposta é não. Precisamos primeiro saber se houve inflação no Brasil e nos EUA, porque ela distorce os resultados do câmbio. O exemplo mais fácil pode ser visto no caso da desvalorização. Pelo mesmo raciocínio do parágrafo anterior, esperaríamos que a desvalorização de 10% do real frente ao dólar

barateasse nossos produtos naquele país em 10% (em média) e encarecesse os importados dos EUA no Brasil pela mesma taxa média. Porém, se tiver havido aumento de preço em real, o efeito sobre as exportações será diluído. Imaginemos um par de sapatos brasileiro exportado aos

EUA. Vamos imaginar uma desvalorização como a citada (o dólar sobre de R$ 3,00 para R$ 3,30, ou seja, 10%). O par de sapatos custava R$120,00 (cento e vinte reais), mas agora, devido ao aumento dos custos de produção, passa a custar R$ 132,00. Ao câmbio anterior, R$ 120,00 representavam US$ 40.00. Ao câmbio após a desvalorização, os R$ 132,00 representarão exatamente os mesmos US$ 40.00.

O que concluir? A inflação brasileira absorveu toda a

vantagem proporcionada pela desvalorização cambial, anulando-a. Mas se, por hipótese, tivesse ocorrido inflação de 10% também nos EUA, ela contrabalançaria esse efeito, porque nosso produto estaria competindo num mercado onde os preços subiram, em média, o mesmo que aqui. Além disso, ocorreria com os produtos importados dos EUA pelo Brasil o mesmo efeito que com os nossos sapatos lá. Assim, podemos supor que os resultados do comércio exterior não teriam sido alterados com a desvalorização cambial. No exemplo citado, a desvalorização nominal foi de 10%, mas a desvalorização real foi 0% (zero por cento). Não houve mudança real nos preços dos bens transacionados. É fácil perceber isso no exemplo, porque usamos a mesma taxa para a desvalorização

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cambial e a inflação no Brasil e nos EUA. Na realidade, essas taxas divergem. Precisamos, portanto, calcular a taxa de câmbio real, ao lado da nominal, para saber o que irá ocorrer de fato no comércio exterior. A fórmula de cálculo da taxa de câmbio real é simples e pode ser deduzida do exemplo acima. A variação da taxa de câmbio precisa ser multiplicada pela inflação internacional (ou do país com quem transacionamos) e dividida pela inflação doméstica. Formalmente, temos o seguinte:

∆ =∆

er

en

Pi

= Pn

temos o seguinte: ∆ =∆ er en ∆ Pi = ∆ Pn O sentido da fórmula

O sentido da fórmula é de fácil compreensão. A inflação internacional (nos nossos parceiros comerciais) nos favorece, porque os produtos domésticos daqueles países ficarão mais caros. Nossas exportações, sem qualquer alteração, tornar-se-ão mais baratas ali e nossas importações daqueles países, também sem qualquer outra mudança, ficarão mais caras no mercado nacional. Ou seja, a inflação externa funciona como uma desvalorização cambial para nós, aumentando a competitividade das exportações e protegendo a produção nacional ao encarecer os importados. Já a inflação brasileira tem o efeito oposto, encarecendo nossas exportações e tornando a produção nacional mais cara frente aos importados. Portanto, ela atua como uma valorização do câmbio. Se dividirmos a primeira pela segunda, obteremos o efeito líquido de ambas as inflações sobre o comércio exterior do país, independentemente de uma mudança concreta na taxa de câmbio. Esse efeito deve ser acrescentado à mudança nominal do câmbio para revelar o efeito completo no comércio exterior desses três processos: a variação do câmbio nominal, a inflação doméstica e a inflação externa. Isso também é válido para os efeitos no fluxo de capitais para o exterior. Assim, as observações feitas no item anterior, sobre os impactos de uma depreciação ou uma apreciação cambial sobre os diversos componentes do Balanço de Pagamentos, estão baseadas nas variações reais, e não nominais, da taxa de câmbio.

Referencias Bibliográficas

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Campus, 1999.

NOGAMI, Otto & PASSOS, C.R.M. Princípios de Economia. 3 ed. São Paulo: Pioneira, 2003.

ASSESC– 2º Semestre 2013 Disciplina Economia II – 2º Fase de Administração Professor Msc. Marcelo Santos Oliveira

PINHO, D. B. (coord.). Manual de Economia – equipe de professores da USP. São Paulo: Saraiva, 2003.

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