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Número 4 • Março/Abril de 2010 • Mensal

Obrigado Camaradas
Acreditem que não há nada mais estimulante reforma do acolhimento institucional, da
para quem acha que chegou ao fim do dia já Adopção e de algumas problemáticas rela-
sem forças, do que entender, pelo brilho nos cionadas com os Direitos das Pessoas com
olhos de quem se senta numa plateia, que Deficiência.
está ali para ouvir, mas sobretudo para Não podia desperdiçar estar oportunidade.
participar. Puro choque energético. Uma sala tão cheia de camaradas tão moti-
Idália Moniz Obrigada, camaradas! vados como pude posteriormente compro-
Impunha-se, neste momento de ataque var durante o debate, não se podia desper-
o último dia 25 saí da Praça de cerrado ao Partido Socialista e ao nosso diçar.

N Londres ao fim do dia e depois de


uma passagem por um jantarinho
rápido e calórico, fiz-me ao caminho com
Secretário Geral, que fizesse uma breve
análise da situação política.
O que encontrei na Secção do PS de
Alvalade?

um grupo de Amigos e rumámos ao Hotel


Roma.
Adepta das redes sociais, tinha recebido via
Facebook um convite de um camarada para
que “animasse” um encontro de militantes,
deixando-me a liberdade de poder escolher
o tema sobre o qual iria falar.
A noite era de futebol e para vos ser sincera,
não ia à espera de uma casa muito cheia.
Enganei-me!
A sala não só estava cheia como havia so-
cialistas de todas as idades e com ar de
quem estava à espera de ouvir mas também
de poder falar. Tocar a reunir! Uma estrutura muito dinâmica, dirigentes
Fazer entender que não ter medo que in- criativos e responsáveis e militantes envol-
O novo site da secção disponível em vestiguem o que suscitar investigação, não vidos, interessados e muito mobilizados
www.psalvalade.net significa violar grosseiramente as nossas para os temas que abordei naquele serão.
liberdades individuais. Se quero voltar?
Como tem sido apanágio da nossa Investigar não é mexericar! Obviamente que sim!
Secção, o Secretariado vem convidá-lo Mexericar é desviar as atenções dos reais Se estiverem uma vez mais disponíveis para
a celebrar connosco esta incontornável problemas do país e José Sócrates já disse partilhar resultados e para ajudar a
marca histórica, num jantar invocativo claramente não ter receios da investigação fortalecer um Partido Socialista cada vez
que decorrerá no próximo dia 23 de e estar ciente da responsabilidade que os mais activo, pensante e participativo que só
Abril, pelas 20h30 no restaurante do portugueses conferiram ao PS nas últimas conseguiremos reforçar com a vontade e
Sindicato Nacional do Pessoal de Vôo eleições legislativas: governar Portugal! com participação activa de todos e de cada
da Aviação Civil - SNPVAC, sito na Desenvolvi de seguida os temas da Pro- um de nós.
Avenida Gago Coutinho, n.º 90, em moção dos Direitos das Crianças, da Disponham, camaradas!
Lisboa.
Agradecemos que confirmem a V/
presença até ao dia 20 de Abril, através
dos seguintes contactos:
Margarida Afonso 966609119
Maria Otília 960110350
914607278
Miguel Teixeira 915685100

Venha connosco celebrar a República


e redescobrir a nossa Lisboa.
Venha festejar a Liberdade!
Dia 24 de Abril à tarde, com ponto de
encontro no Rossio, pelas 14 horas.
Passeio da Secção PS Alvalade
Roteiro Republicano
(ver anexo)
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Ética e Princípios em Liberdade


condenados a nada.Assim se juntem forças e vontades sob o signo
da Ética e dos Princípios. Só assim salvaguardaremos a Liberdade
que tanto custou a recuperar e que hoje serve de peneira para toda
a sorte de esquemas, manipulações, fraudes e mentiras, que
pululam do sector privado para as capas dos jornais, dos partidos
para o sector público, dos partidos para a justiça, continuando um
Paulo Ferreira
carrossel de destruição maldito que tem de ser interrompido.
É indigno para todos os militantes de todos os partidos, é injusto
para a esmagadora maioria dos funcionários públicos serem
“Bati-me sempre por coisas que iam além de mim e não olhei a tratados como joio em vez de trigo apenas porque é moda, apenas
sacrifícios. Fiz o que pude, e quem faz o que pode faz o que deve” porque fica bem, apenas porque assim convém aos Velhos do
Esta frase de Fernando Valle é hoje mais actual e mais importante Restelo que conluiam com o Adamastor!
do que nunca. O descrédito da sociedade em relação aos políticos Só dando bons Exemplos, demonstrando bons Princípios,
e à politica, a descrença na justiça e a desconfiança em relação ao promovendo e exigindo Ética, utilizando a Liberdade para
“Estado” e ao “aparelho partidário” atinge hoje níveis quase defender e promover a solidariedade, a igualdade de direitos, a
insuportáveis para a sustentabilidade do regime.Dizem mesmo justiça, a meritocracia, com verdadeira abertura à diversidade,
alguns comentadores e analistas, que estes tempos são até com real apoio à capacidade de iniciativa, à inovação e ao
comparáveis ao “fim do regime” a que “cheirava” pouco antes do progresso.
regicídio ou no estertor da I República! Tudo isto realizado de forma sinceramente transparente.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Só assim restauraremos a credibilidade e a honorabilidade dos
Os profetas (agora remunerados) da desgraça e os Velhos do políticos e do exercício da politica em nome do verdadeiro sentido
Restelo (versão banda larga em alta definição) há muito que de Missão, pelo Povo, em Democracia, no Partido Socialista, por
assombram este país e há muito que toldam o nosso desenvol- Portugal.
vimento. “Sou um homem modesto: não procuro, para as seguir, as opi-
Para mim é chegada a altura de dizer basta, a uns e a outros! niões dos grandes homens: bastam-me as minhas” – Agostinho
Não, não caminhamos para um abismo tenebroso, não estamos da Silva.

“Pequenos Poderes”
mento chegou-se à conclusão que o número que com muita persistência, empenho e
de crianças acolhidas era inferior, em cerca paciência se conseguem derrubar porque
de 3.000, às indicadas pelas várias insti- não têm a razão do seu lado. Como referia
tuições que as acolhem. Ghandi nada é tão brilhante como derrubar
Referiu-se abertamente à forma como a força com a razão. Os pequenos poderes
determinadas comunidades étnicas, e que têm que perceber que a luta por um objec-
Cristina Marques membros dessas comunidades, deveriam tivo comum válido, com resultados e bem
ser abordados com o objectivo de uma sucedido é mais importante que a manuten-
integração mais bem sucedida. ção de ilhas que não aproveitam nem à
Elogiou o trabalho de diversas instituições sociedade nem à evolução e melhoria que é
e dos técnicos dessas instituições e do es- inexorável e imparável.
forço que lhes é cometido numa base diária. E esta questão dos pequenos poderes, con-
No dia 25 de Fevereiro, às 21h30m no Porém, foi um dos tópicos abordados que duz-nos ao início do debate, em que se dis-
Hotel Roma, a Camarada Idália Moniz, me causou uma imensa perplexidade. Pen- cutiu o delicado momento político, e se
acedendo a um desafio lançado pela secção sar-se-ia que, dado o cargo que ocupa, esta- falou da necessidade de coerência e de
do PS de Alvalade, juntou-se a uma sala ria nas suas mãos o desenhar de estratégias unidade que, mais do que nunca, são postas
repleta de camaradas para debater um tema e a aplicabilidade das mesmas. Porém, a à prova.
à sua escolha. nossa convidada lamentou dificuldades Esta coerência e unidade devem ser postas
Escolheu o tema “Crianças” nas várias ver- como as que aqueles que pretendem mudar ao serviço de um objectivo comum, seja a
tentes que o tema alcança, na sua actividade algo encontram numa base diária. A tenta- estabilidade política ou o apoio a um líder
como Secretária de Estado da Reabilitação tiva de manter o estado das coisas, a manu- que nos pode conduzir mais além... desde
do Ministério do Trabalho e da Solidarie- tenção de pequenas “quintas” e o simples que a evolução e a melhoria contínua sejam
dade. facto de, frequentemente, o ter o telemóvel um objectivo de todos, sociedade e mili-
Perante uma plateia atenta contou histórias de um outro técnico, com quem se trabalha tantes, e desde que se quebrem definitiva-
engraçadas, histórias comoventes, histórias e se partilha um objectivo, ser mais eficaz mente os “pequenos poderes” que nos man-
surpreendentes como o facto do primeiro que uma directiva ministerial enviada por têm isolados, fracos e distantes do sucesso.
recenseamento de crianças, em regime de fax em forma de circular normativa. Deno- Obrigada camarada Idália Moniz por umas
acolhimento, ter sido efectuado pela primei- minou-os “Pequenos Poderes” e indicou 3 horas repletas de interesse e temas que
ra vez em 2005, estando os resultados como estes pequenos poderes dificultavam respeitam a todos. A Reabilitação está, defi-
disponíveis em 2006. Após este recensea- a acção em prol de um bem comum, mas nitivamente, em excelentes mãos!
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Um dos apontamentos mais interessantes da História


da Humanidade, remete-nos para as conquistas
O Problema sociais do Homem enquanto ser humano dotado de
direitos, sobretudo de índole social. A Industriali-
da Educação zação trouxe consigo o crescimento e desen-
volvimento económico, mas também criou novos
problemas, como a contaminação ambiental e a
Bruno Maurício
compatibilização da vida laboral com a vida social,
Nos últimos anos, a educação tem sido alvo problema histórico e actual.
das mais variadas discussões na nossa socie- A Europa, berço civilizacional, foi pioneira em con-
dade. Ora porque o sistema está mais facili- quistas sociais. O direito à saúde é disso exemplo. Pela Europa, proliferam
tado, ora porque o sistema de avaliação dos sistemas de protecção na doença, com diferenças por vezes significativas,
professores não é o adequado, ora porque as tanto na cobertura assistencial, como na forma de financiamento.
escolas não têm as condições físicas apro- Em Portugal, o direito constitucional à saúde, é assegurado nos termos
Tiago Duarte priadas, entre outros. Julgo que esta será pro- dessa mesma constituição, por um Serviço Nacional de Saúde (SNS), geral
vavelmente uma das duas áreas mais impor- (abrange todas as tipologias de problema de saúde), universal (acessível a
tantes na nossa sociedade, juntamente com a todos os cidadãos), e tendencialmente gratuito.
justiça. Qualquer sociedade que tenha estas È notório e notável, que este serviço público, concebido pelo socialista
duas áreas a trabalhar correctamente, e com o mínimo de falhas António Arnaut, seja hoje aquele que melhores indicadores apresenta, e
será uma sociedade equilibrada. que melhor serviço presta aos cidadãos, apesar dos problemas existente em
Voltando à educação, folgo em ver que finalmente existe a exi- termos de resposta em alguns subsectores.
gência de uma boa escola, quer seja do ponto de vista da formação O SNS é uma das maiores conquistas sociais dos portugueses e uma fonte
de bem-estar maioritariamente consensual.
propriamente dita, quer seja das condições que ela oferece, seja ao
No governo de Cavaco Silva, foram iniciadas as primeiras experiências de
nível das condições físicas, mas também de recursos de apoio à
PPP´s na saúde, com o paradigmático e polémico caso da sociedade
formação, como são o exemplo de boas bibliotecas. O problema
gestora do Hospital Amadora-Sintra.
das discussões que temos assistido é que a forma como a avaliação António Guterres, iniciou então as primeiras experiências de empresa-
dos professores é feita é mais importante do que estes meios de que rialização no domínio exclusivo público, lideradas por Maria de Belém e
falei. O problema é que quando é pedido um esforço no sentido de mais tarde por Correia de Campos, na altura considerado um dos mais
não ocorrerem aumentos de salários no sector, é mais grave do que promissores ministros desse governo, um autêntico tecnocrata.
a ausência de condições nas salas de aula, levando que muitos dos Durão Barroso e o seu ministro da saúde Luís Filipe Pereira, iniciaram a
nossos alunos passem os seus dias em condições completamente primeira tentativa de delapidação do SNS, com a polémica lei de gestão
adversas. A educação é o espelho do nosso País, todos olham para hospitalar e a transformação de vários hospitais do sector público admi-
o seu quintal, mas ninguém se interessa com o quintal do vizinho. nistrativo em sociedades anónimas de capitais exclusivamente públicos
Se existe coisa em que nos podemos orgulhar do anterior e actual (Hospitais S.A.). Estava “semeada” a primeira tentativa de privação do
Governo, foi na forte aposta na educação, de onde destaco três eixos bem universal SNS.
principais: a remodelação do parque escolar, o incentivo à maior e José Sócrates e Correia de Campos, na defesa da matriz social do PS e do
melhor formação de todos os portugueses, e a exigência a todos os cidadão, inverteram esta tendência, como aliás se havia prometido na
intervenientes na área, sejam docentes, discentes ou outros. campanha eleitoral, e num sinal claro de defesa de um SNS público e
A remodelação do parque escolar é assumida por todos como um constitucionalmente acomodável, transformaram todos os hospitais
dos projectos prioritários, sendo que a única crítica que entendo sociedades anónimas em entidades públicas empresariais (EPE), alterando
assim o seu regime jurídico. O sinal político está dado e consumado. Os
está relacionada com os anos de atraso nesta iniciativa. Os
cidadãos agradecerão.
incentivos que hoje assistimos à formação cada vez maior de todos
A aposta nos cuidados de saúde primários e a criação da rede cuidados
os Portugueses são sem dúvida um dos factores positivos nesta área,
continuados foi pela primeira vez iniciada com pujança política. O discurso
quer seja através dos programas das novas oportunidades, quer seja de racionalização para melhorar a oferta é consensual entre a população,
no alargamento da escolaridade obrigatória, a ainda nos incentivos contudo o factor “emoção” não foi devidamente acautelado, e alguma falta
à frequência no ensino superior, com recurso a apoios sociais e/ou clareza politico-científica no caminho a seguir, apontou a substituição de
empréstimos de longa duração. Correia de Campos por Ana Jorge.
Por último, a exigência aos docentes e discentes tem que ser cada Ana Jorge tem um conhecimento profundo do sector e uma humanidade
vez mais eficaz. No caso dos discentes, estes têm que ser preparados que lhe permite contornar obstáculos numa pasta que será sempre
para uma sociedade exigente e com competência suficiente para problemática. Prossegue o programa de governo, tem o mérito de ter
marcar a diferencia para o que já existe. Os docentes têm de possuir iniciado a negociação das carreiras da saúde, que pecam por tardias, e
competência suficiente para os formar, e aqui faço um pequeno sempre foram parte do garante de qualidade assistencial no SNS. A sua
apontamento. A grande maioria dos nossos docentes possuem inexistência foi nefasta para a alocação de recursos humanos (médicos e
capacidades para levar adiante esta enorme tarefa, possuem as enfermeiros) em fuga para o sector privado. Ana Jorge tem procurado
competências necessárias. O problema claramente não está neles, inverter esta tendência.
está isso sim nos outros que se preocupam mais em ver os seus Neste segundo mandato falta terminar estas reformas, com as devidas
ordenados aumentados, sem que se lhe sejam exigidas melhorias na conexões, com os devidos canais de comunicação, com os devidos recur-
sua produtividade. sos e articulação, por vezes imperceptível e desconexa. Falta consolidar...
e não criar novos focos de tensão, sobretudo nas negociações das carreiras
De uma vez por todas temos todos que parar e pensar nos caminhos
da saúde, que poderão ser politicamente adversos.
que queremos seguir e que salvaguardem o nosso futuro. Se que-
O PS tem conseguido captar quadros competentes na área da saúde, ao
remos continuar com o facilitismo, continuando a dar maus exem-
contrário do PSD, que desde o “magistério” de Paulo Mendo tem vindo a
plos, então estamos no bom caminho. Temos todos de começar a perder qualidade.
olhar mais para os quintais dos nossos vizinhos, e conseguir de uma Importa criar uma dinâmica neste sentido, na proximidade com o militante.
vez por todas perceber que todos nós temos direitos, mas também Alvalade, com Miguel Teixeira, tem demonstrado abertura para um
temos deveres, e que estes muitas vezes são esquecidos. empenhamento forte neste sector.
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A importância do equilibrio entre


a Juventude e a Maturidade
É importante que quem partilhe as nossas dáveis e importantes sinergias entre os dois,
ideias e valores se sinta confiante em juntar- a energia e vontade da juventude e a
se a nós, que sinta fazer parte de algo maior experiência e conhecimento da maturidade,
que ele, mas ao mesmo tempo que se sinta o núcleo formado não só se torna compacto,
importante como pessoa. Neste sentido, uno, mas também produtivo, dinâmico,
todos são importantes. Sejam mais jovens, vivo, a transbordar de ideias, tem carisma,
Margarida Afonso ou mais velhos, homens ou mulheres... energia e acima de tudo capacita-se, não só
A juventude é um termo utilizado muitas para ultrapassar as dificuldades que se
vezes em sentido depreciativo, de desma- apresentem, mas também para sobreviver
zelo, rebeldia, inconformismo, irresponsa- aquelas que o derrubam.
xiste um eixo relativamente comum bilidade, mas também enquadra outros Actualmente, e dadas as actuais diversi-

E a todos nós, definido, mas não


completamente hermético nas suas
fronteiras que permitiu que nos uníssemos
conceitos como, imaginação, dinamismo,
pró actividade, energia, inovação. Matu-
ridade, não sendo completamente oposto, é
dades que o país enfrenta, verifica-se que
cada vez mais o colectivo deve agregar
forças e coordena-las no sentido de uma
em torno de ideias, valores e esperanças que muitas vezes, em sentido comum, visto militância com visão, com estratégia, e
almejamos para nós, para os nossos e para com tal. coesão orgânicas por forma a atingir os
aqueles que partilham connosco o nosso Um ultimato entre os dois obrigaria, impre- objectivos não só do Partido mas também,
país, cidade, freguesia, secção, rua, café, ou terivelmente, a perdas significativas não só e principalmente do País.
outro espaço no qual a vivência do dia-a- de ideias e de acções, como de uma vasta Tal implica, invariavelmente, que todas as
dia seja continua. camada de militância, distanciando esta da camadas etárias e todos os géneros centrem
Nesta comunhão procuramos levar adiante realidade do país. Tal revela-se, obviamen- os seus esforços numa militância efectiva,
as nossas ideias e partilhar os resultados que te, um erro crasso que deve ser evitado a pró-activa e dinâmica, que permita encon-
delas provêem. É neste sentido que me todo o custo. trar soluções para os actuais problemas,
atrevo a dizer que a união faz a força. Tal É assim essencial encontrar um equilíbrio bem como para aqueles que se avizinham.
traduz-se no número, mas também na pre- entre ambas as realidades, porque estas são Esperamos assim, que as qualidades
disposição do mesmo número para a acção. aquelas que nos rodeiam, e encontrar res- inovadoras da juventude auxiliadas com a
Quando estes dois conceitos se juntam postas para elas implica estar no seu sapiência dos mais experientes permitam
surge movimento, movimento este que é epicentro. E ninguém se encontra melhor construir mais e melhor militância. Quanto
catalizador de transformações que permi- preparado para conhecer os problemas dos mais heterogéneo for o grupo, mais dis-
tem que as ideias, os valores e as esperanças jovens como os jovens, da mesma forma cussão existe mas também mais soluções se
sejam granjeados com mais vontade, que ninguém se encontra mais conhecedor apresentam.
sabendo que não estamos sós, que temos da realidade dos indivíduos mais maduros Finalizo este artigo almejando uma mili-
connosco camaradas que desejam o do que os mesmos. tância de esquerda activa, mobilizada, sau-
mesmo. Não só temos mais coragem, como Neste contexto, entre juventude e maturi- dável e produtiva, em defesa dos nossos
temos mais capacidade e acima de tudo, dade, encontrar um equilíbrio é por vezes valores ideológicos, em prol do nosso par-
uma capacidade produtiva. difícil, no entanto, quando se criam sau- tido, para bem do nosso País!

Igualdade de género entre a juventude


Apesar do progresso jovens nas questões da igualdade de género, (NESIST). No programa do projecto estão
verificado nas últimas foi criada em 2000 a Rede Portuguesa de previstas a realização de tertúlias, workshops
décadas, as questões da Jovens para a Igualdade de Oportunidades com actividades de educação não-formal
igualdade de género entre Homens e Mulheres. Um dos seus dinamizados por pessoas de destacada
continuam a ser perti- projectos é o “De Mulher para Mulher”. Este relevância na área (João Paiva, Miguel Vale
nentes. Assiste-se ainda projecto, no qual participam 15 raparigas de de Almeida e Maria do Céu Cunha Rego) e,
Adriana Delgado à imposição de papéis Lisboa e 15 do Porto, tem várias compo- no fecho do projecto, uma “Festa da
de género, incutidos nentes, das quais a mais importante é o Igualdade”. Estas actividades estarão incluídas
desde a infância, e desi- desenvolvimento de um projecto intervenção numa campanha (com cartazes, flyers, pins,
gualdade em várias por cada grupo de 2 ou 3 raparigas. flash mobs) na qual contamos ainda com a
áreas como sejam o trabalho e a parentalidade. Eu, Adriana Delgado, militante da JS, optei colaboração do Núcleo de Cinema do IST,
O envolvimento dos jovens é essencial, por desenvolver este projecto em conjunto que elaborará duas curtas-metragens.
especialmente numa altura em que se assiste a com uma colega da JS, Mafalda Gonçalves, O nosso objectivo é alertar a população
um retrocesso da igualdade de género entre as que é tal como eu, aluna do Instituto Superior estudantil para a pertinência deste tema e,
populações, como atestam os níveis crescen- Técnico (IST). Ao partilharmos estes dois sobretudo, envolver os jovens nesta luta, não
tes de violência doméstica entre esta camada espaços de trabalho, decidimos desenvolver o só raparigas como também rapazes, que de-
da população. nosso projecto na faculdade em parceria com vem compreender que este tema diz
Para abrir um espaço para a participação dos o Núcleo de Estudantes Socialistas do IST respeito a todos e não apenas às mulheres.
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Em entrevista ao
Semanário Sol e em

Desorienta-me entrevista à TVI 24, o


Tenente-General Pil-
oto Aviador Eduardo
Silvestre apelou a um
André Moz Caldas golpe militar. Com-
parando a pretensa
instabilidade política (que só ele vislumbra)
e clamando para que “as forças armadas
tomem o destino do país em mãos”, este
insigne militar defendeu a instauração de
Gustavo Gouveia uma ditadura militar ou de um regresso a
uma democracia tutelada do género da
nossa até 1982. Comparando-se à geração
de Abril, lamenta Sua Excelência que os
militares tenham entregue o poder aos civis
m amigo com quem em tempos de As posições mudam de matéria para maté- ao mesmo tempo que lamenta o que os

U adolescência partilhei um blog


(nomes falsos, temas controversos,
discussões ad eternum numa tentativa de
ria, de tema para tema, de debate para
debate. Só na tentativa de aglomerar um
conjunto de opiniões numa só é que sur-
civis fizeram com ele.
De facto, o pensamento deste senhor tem
barbas. Não é diferente do dos cultores da
auto-descoberta em suporte cibernauta – giram tais conceitos e resultaram ditadura militar que sucedeu ao 28 de Maio
talvez um teste psicotécnico do século XXI, inevitavelmente na origem de falácias e de 1926 e que mergulhou o país em 48 anos
para compreender qual a nossa aptidão erros de linguagem. Erros de compreensão. de obscurantismo fascista, de cujos resquí-
ideológica, ou como prefiro designá-la, Então partidos e movimentos adoptaram as cios ainda não nos libertámos. Não é
moral) falou-me que ia iniciar um novo terminologias da moda e nem assim diferente do reaccionarismo de Kaúlza de
projecto em formato bloguistico mas desta encontraram consensos, necessitando da Arriaga, ou até mesmo de Spínola, que bem
vez de índole estritamente política. Anuí, criação (em linguagem corrente) de puta- queriam que o poder lhes ficasse nas mãos
com um sorriso, apesar de ter estranhado a tivas ‘alas’ nos Partidos, divisões não e na ponta das armas que elas seguram.
ausência do convite que esperava sabendo oficiais que permitiriam a divergência nas Este pensamento, do alto da sua enorme
ele que gosto de escrever, ainda para mais matérias mais fracturantes. arrogância, desconsidera que é ao povo que
sobre tanta coisa (ou como me ensinaram Sabemos, contudo, que tal divisão não se pertence o poder e que os militares devem,
num corredor da A.R. ‘um político terá de dá em função do gradiente ideológico mas por isso mesmo, obediência ao poder civil
saber um pouco de tudo, para que possa sim sob o critério das afinidades pessoais. democraticamente legitimado. Na verdade
debater todo e qualquer tema. Só assim Observámos passivamente a um coup-de- é esse o dever dos militares e não o de
saberá tomar as melhores decisões, já que état no partido da oposição, e todos os que combater por uma pretensa Pátria que
estas afectam todo o tipo de quadrantes. De o reportaram tentaram encontrar uma imaginam desonrada. Este é o raciocínio de
todos os cidadãos’). Respondeu-me seca- viragem ideológica - quando a metamor- quem acha que sabe História porque viveu
mente ‘Tu és de esquerda’ e ele queria um fose foi essencialmente geracional! Mas há, uma parte dela, esquecendo-se de que essa
blog de direita, que defendesse pontos de sente-se uma necessidade basilar de cate- parte é necessariamente diminuta. Contudo,
vista da direita e se pautasse com um estilo gorizar politicamente os diferentes grupos estas ideias disseminam-se pela ignorância
literário... aparentemente dissonante do de poder na expectativa de os identificar, dos ensinamentos da História nos outros,
meu. comparar ou compreender. Aliás, se tiver- jovens ou velhos, e pela forma como dei-
Fiquei estarrecido. Como é possível deli- mos em conta que apesar da possível dife- xámos que crescesse uma timidez envergo-
mitar de tal ordem as opções de cada um, renciação entre linhas de acção governativa nhada em relação à memória da resistência.
reduzir um conjunto de conceitos indivi- obliquas, assumimos a conservação do Assim foi quanto à António Maria Cardoso
duais à dicotomia ‘esquerda : direita’ sobre modelo social europeu - e falo no plural e à Escola Técnica da PIDE/DGS e assim
a qual poucos estão sequer de acordo: Os incluindo todos os elementos do espectro queriam que fosse (e ainda parecem
partidos de esquerda assumem-se liberais partidário português - afiremos que os querer!) em relação à Boa-Hora.
quanto aos direitos do cidadão, os partidos mesmos conduzirão em todo o caso uma Porém, estes cérebros têm armas nas mãos
de direita dizem-se liberais em matérias gestão primordialmente de esquerda. e põem em perigo a democracia quando
económicas... afinal, quem é que é liberal? Mas num momento político em que o PCP saem à rua com o intuito de ganhar o poder.
E se a diferença estivesse entre o situa- apela à importância das PME’s e o CDS-PP Na nossa retina ficou a impressão do Por-
cionismo/vanguardismo e o pensamento divaga sobre política social e direitos dos tugal de Abril e do bem que as Forças
progressista/revolucionário, como me disse trabalhadores, esbatem-se as diferenças Armadas nos fizeram, mas não nos esque-
há meses um camarada, então qual seria a ideológicas em prol de uma visão comum çamos de que também fora pela força que
situação ideológica de quem promovesse - para a sociedade portuguesa. Estou em crer Portugal ficou prostrado. Se eu estiver
digamos - a penalização do consumo de que essa, a de fazer política de qualidade e enganado, venham a terreiro retractar-se,
canabinóides na Holanda ou a perca do postura, hasteia uma bandeira que talvez pois.
direito ao IVG na Rússia, exemplos não seja rosa azul ou laranja, mas vermelha Há dois anos atrás, o camarada Mário
de defesas revolucionárias face às tradições e verde em nome de todos nós.. Soares alertou-nos: cuidado, portanto.
vigentes nos países que referi? (ainda que
em Portugal sejam vistas enquanto posições Jornal Oficial da Secção de Alvalade do Partido Socialista
conservadoras) Director: Paulo Ferreira • Sub-director: André Moz Caldas
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A Nova Abordagem
De facto, a falta de discussão, que se sente têm um interesse profundo pela sociedade e
não só mas sobretudo no espaço público, pelos assuntos que a afectam, seja a igual-
sobre políticas estruturais e de longo prazo dade de género, o tema do casamento ho-
e sobre posições ideológicas esclarecedoras mossexual, as condições de trabalho, a
resulta, nos mais jovens, na impressão que solidariedade social, etc.
a política é politiquice, e que esta nada lhes Não é que eles, os jovens não se interessem
Jorge Franco oferece. pelos assuntos políticos, eles consideram é
O estudo supracitado sugere que é por que a classe política não debate nem traba-
demais necessário que os partidos políticos lha sobre os assuntos que lhes interessam.
mudem de paradigma e que encetem uma Esta realidade tem de mudar sob pena de
nova tipologia de comunicação com as deixarmos de contar com uma geração que
camadas mais jovens da população, uma muito tem a contribuir para o futuro do país,
política, num sentido global, e a ac- conversa que se centre no futuro e naquilo politica, social e profissionalmente.

A ção política, em sentido mais estrito


(estreito ou restricto), correm um
sério e grave risco de perder, definitiva-
que dele podemos fazer.
Existe, em muitas pessoas na nossa classe
política, a noção que os jovens não se inte-
Em Alvalade estamos a fazer a nossa parte
na resposta a esta problemática. As gera-
ções mais jovens encontram aqui um espa-
mente, o interesse e a participação das ressam pelo debate político. Na minha opi- ço onde podem aprender com quem tem
gerações mais jovens. Este fenómeno nião, os jovens não se interessam é pela mais vivência e mais experiência. Aqui
ocorre, sobretudo, devido ao facto da acção tipologia de discussão que os políticos pro- encontram debate e discussão; aqui é-lhes
política mediatizada concentrar-se, quase tagonizam, não se interessam pela teoria do dada a possibilidade de pensar e de fazer
única e exclusivamente, na "política de "marcar pontos", nem pela intriga, nem Política. Aqui, todos nós contribuímos para
curto prazo", é pelo menos este o resultado pelos jogos de palavras. A realidade é que a sua formação política, social e pessoal.
do último estudo intitulado "Anatomy of estes mesmos jovens têm um interesse Esta é uma aposta e uma resposta que
Youth" do "Think Tank" britânico Demos. profundo pela discussão política, ou seja, continuará sempre forte.

Novo site
da secção www.psalvalade.net
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A crise para lá da economia


mas representa paralelamente uma elevada da reeleição de um homem tão imoral que
despesa para todos nós. O primeiro man- não deveria poder concluir o mandato para
dato de José Sócrates (2005-2009) ficou- o qual foi sufragado. A sua demissão deve-
-nos gravado como tendo sido recheado de ria ser exigida de imediato e o governo
polémicas; um governo durante o qual entregue a um partido com menor votação,
foram tomadas difíceis decisões que jamais contrariando visivelmente o princípio em
obteriam o apreço de todos os portugueses. que se baseia esta república e ao qual
Gustavo Gouveia
A popularidade do governo desceu ao longo chamamos de Democracia!
dos quatro anos e essa queda foi registada As metodologias, teor e formatos em que
na reeleição em 2009 onde os resultados, os ataques ao chefe de governo foram
apesar de positivos, não corresponderam ao executados ultrapassam em larga escala o
triunfo obtido em 2005. Mas apesar da exagero e têm como objectivo a deposição
e arriscarmos alguns minutos nas impopularidade de algumas medidas, nunca de José Sócrates. Mas são também ataques

S escolas, nos cafés, nos escritórios de


qualquer empresa sediada numa
qualquer capital de distrito pelas 9:40 da
o governo arredou pé das suas posições
revelando coragem e frontalidade, e não as
estratégias eleitoralistas a que fomos acos-
a um estado democrata, tentativas de pro-
ceder a uma eleição que não foi a preterida
pelos portugueses. A questão que se coloca
manhã, à medida que se folheiam os tumados. O país mudou, efectiva objectiva é: se acoplado a José Sócrates, indivíduo,
matutinos iremos apanhar do ar um tema verdadeiramente e no meu ver, mudou para vem o cargo que este ocupa, de primeiro-
apenas explorado e discutido até à exaustão: melhor. ministro, com a seriedade do primeiro posta
as falhas, políticas, do actual governo e as Contudo, será provavelmente a primeira em causa como será possível o segundo
falhas, pessoais, do seu primeiro-ministro. vez na história da república em que a comandar os desígnios da nação? Fazer-se
A postura crítica dos portugueses face aos personalidade e o carácter mais prováveis respeitar, garantir um rumo consistente para
seus governantes, sentida com maior do que a capacidade governativa. Associada o país assegurando que este não o põe cons-
intensidade nas cidades mais desenvolvi- ao primeiro ministro a palavra polémica tantemente em causa? Será possível con-
das, é uma tradição nacional cuja docu- não encontra, em qualquer motor de busca servar o respeito e a obediência por parte
mentação histórica remonta aos primórdios da internet, uma resolução controversa do dos cidadãos enquanto a opinião publica,
do Liberalismo – época a partir da qual, o primeiro mas sim um sem-número de acu- moldada com as suspeitas levantadas pela
acto de discordar, deixou de ser menos sações que visam a sua honestidade e comunicação social, mostra-se cada vez
aconselhável à integridade do praticante e integridade moral. Segundo essas acusa- mais descrente com o poder? E de que
que coincidiu com a abertura da imprensa ções, o líder do governo de Portugal, nunca maneira um próximo primeiro-ministro
em 1820, o término da censura e extinção deteve qualquer actividade lícita, desde que (caso seja militante do PPD) pode incutir
da Inquisição em Portugal. Os governantes nasceu. Observámos a concretização dessas algum brio ao seu gabinete, depois do
- as vedetas do universo politico - tornaram- acusações durante a campanha legislativa e partido em causa haver cilindrado o
se figuras publicas com o ónus de, ao desde então se têm vindo a adensar – antecessor no lugar?
contrário dos toureiros de outrora e dos convictos de que conseguirão derrubar o Não pretendo fazer um apelo ao segui-
futebolistas do século XXI, os seus decretos actual governo, figuras eminentes do dismo, mas sim sublinhar quão importante
e propostas de lei serem obviamente mais principal partido da oposição e muitas mais para um povo é o conceito de chefia. De
polémicos do que os remates à baliza ou as que lhe são próximas têm vindo a apontar que forma pôr em causa a liderança go-
pegas no Campo Pequeno. novos crimes aparentemente da autoria do vernativa acarreta consequências desas-
Polémica será a implementação de uma secretário-geral do Partido Socialista, trosas para a moral da nação. Uma crise de
reforma na educação a avaliação dos muitos dos quais haverão sido executados liderança, enfraquecendo o país como um
docentes – se por um lado deverá em sensu enquanto este chefiava o governo; mais todo, revela-se mais paralisante e desolador
latu ser apoiada pelos encarregados de recentemente, crimes praticados utilizando do que qualquer crise económica – afecta o
educação pois permite certificar e qualificar os meios governativos para alcançar desempenho de todos os cidadãos na sua
o ensino público, incomoda por outro lado determinada vantagem pessoal. actividade produtiva tanto no campo pú-
os professores: desde os mais diligentes É impreterível que se analisem as conse- blico como privado, mostra-se destrutiva
temerosos de uma avaliação negativa, aos quências nacionais que esta forma de para a consciência cívica dos portugueses;
mais orgulhosos que recusam a rigidez da conduzir uma oposição pode acarretar. e a crise que vivemos, gerada/agravada
norma a implementar. É natural. Polémica Afinal a crítica estende-se aos eleitores, i.e., pelas forças da oposição, apresenta aos
será a comparticipação de medicamentos revelam-se diariamente motivos para poucos e poucos resultados que se revelam
genéricos visto representarem uma vanta- desacreditar a escolha dos portugueses, na forma como olham os portugueses para
gem económica para utentes e farmacêu- logo a falha é nossa - minha e de todos os José Sócrates. Este, conservando a postura
ticos, e uma dificuldade para os médicos demais compatriotas que votaram em José de um verdadeiro líder, manteve-se superior
entranhadamente adversos aos genéricos; Sócrates para primeiro-ministro depois de às acusações que lhe lançaram cingindo a
será polémica a introdução de um trans- sermos contemplados com tantas das suas sua intervenção pública às necessidades das
porte de alta velocidade no país, que facilita infracções. Aliás, a falha é do próprio funções que desempenha. Conseguirá
as trocas comerciais com o exterior do país sistema político evidentemente permissório aguentar até ao fim?
anexo

Implantação da República
Roteiro Lisboa
A
Proclamação da República Portugue- ROSSIO LARGO DO CARMO
sa foi o resultado do Golpe de Estado A Rendição O quartel do Carmo albergava a Polícia Mu-
do Partido Republicano, mais conhe- Ao fim da manhã, as forças leais ao Rei, co- nicipal, descendente da Guarda Real da
cido como Revolução de 5 de Outubro de mandadas por Paiva Couceiro, atacam a Ro- Polícia considerada parte do Exército Por-
1910 que, naquela data, pôs termo à monar- tunda quer pelo Rossio quer pelo lado da tuguês, mas estava dependente do Ministério
quia constitucional em Portugal, com a revolta Penitenciária, mas sem grande sucesso. Cou- do Reino para todos os assuntos respeitantes à
republicana que já se avizinhava no contexto ceiro retira com dificuldade. Entretanto os Segurança Pública.
da instabilidade política. navios “Adamastor” e “S. Rafael” bombar- Depois do golpe de 5 de Outubro de 1910, o
Embora muitos envolvidos se tenham esqui- deiam as Necessidades, chegando a destruir nome da Guarda Municipal foi alterado para
vado à participação - chegando mesmo a pa- com um tiro o Pavilhão Real. Assustada a Fa- Guarda Republicana. De notar que a Guarda
recer que a revolta tinha falhado - esta acabou mília Real foge para Mafra. Os mesmos bar- Municipal foi a última força monárquica a
por suceder graças à incapacidade de resposta cos vão encurralar as forças leais no Rossio. render-se aos republicanos, sendo, por isso,
do Governo, que não conseguiu reunir tropas curioso o facto de se ter transformado talvez
que dominassem os cerca de duzentos revo- TERREIRO DO PAÇO / na única instituição pública portuguesa com o
lucionários que na Rotunda resistiam de armas / RUA DO ARSENAL título de “Republicana”.
na mão. O Regicídio Este último reduto ficará para sempre na nossa
1 de Fevereiro de 1908, Praça do Comércio. história na defesa da monarquia, na defesa da
ROTUNDA As carruagens partiram a trote curto pela rua república, na defesa da ditadura salazarista.
Outrora chamada de Rotunda, foi aqui que ocidental do Terreiro do Paço, e as diferentes
tiveram lugar os acontecimentos decisivos que pessoas, que iam e vinham ao longo da arcada FIM DO ROTEIRO
levaram à Proclamação da República Portu- e pelos passeios, tiravam respeitosamente o Quando D. Carlos subiu ao trono, no fim do
guesa em 5 de Outubro de 1910. chapéu, a que o rei correspondia fazendo a ano de 1889, corriam tempos difíceis. O País
A moral encontrava-se baixa entre as tropas continência militar e conservando nos lábios o atravessava uma grave crise económica. Ti-
monárquicas estacionadas no Rossio, devido seu sorriso atraente. O cocheiro tomou um nham falido bancos, empresas, e o desempre-
ao perigo constante de serem bombardeadas pouco o governo da parelha para descrever a go alastrava. As classes trabalhadoras ganha-
pelas forças navais e nem as baterias de Cou- curva e entrar na rua do Arsenal. vam muito mal e os horários podiam ultra-
ceiro, aí colocadas estrategicamente, traziam Nesse momento um dos regicidas, o Manuel passar as dez horas por dia. Nas fábricas, nas
conforto. No quartel-general discutia-se a Buiça, afastou-se de um quiosque pintado de minas e no campo empregavam-se crianças
melhor posição para bombardear a Rotunda. verde, que fica mesmo dentro da arcada, tirou porque trabalhavam quase tantas horas como
O diplomata alemão, acompanhado de uma debaixo do varino a carabina Manlicher com os adultos e recebiam um ordenado muito
ordenança com a bandeira branca, dirige-se à que se munira, e sereno, apontou, puxou pelo inferior. Não é pois de se espantar que por
Rotunda para acertar o armistício com os gatilho e a bala penetrou no pescoço do mo- todo o lado rebentassem protestos, manifes-
revoltosos. Mas eis que estes, vendo a ban- narca e esfacelou-lhe as vértebras cervicais. tações, greves.
deira branca, julgaram que a força opositora Simultaneamente com o ímpeto que só a Grassava o descontentamento.
se rendia, pelo que saem entusiasticamente cegueira da alucinação proporciona, Alfredo Para complicar a situação, em Janeiro de 1890
das fileiras e juntam-se ao povo, que sai das Luiz da Costa, do lado direito da carruagem, os portugueses sofreram uma humilhação pela
ruas laterais e se junta numa grande aglo- subia a capota do landau, e, receando que o Inglaterra: o Ultimato Inglês.
meração gritando “vivas” à República. primeiro tiro não tivesse atingido o soberano, A primeira revolução republicana realizada a
De madrugada, as forças monárquicas ataca- desfechava o seu revólver, com a fúria dum 31 de Janeiro de 1891, no Porto, tinha fracas-
ram a Rotunda. Soube-se do suicídio de Cân- iconoclasta que despedaça o seu ídolo. sado mas o descontentamento manteve-se, o
dido dos Reis o que desanimou alguns repu- O Terreiro do Paço foi marcante para a histó- que facilitou a tarefa aos republicanos. Gente
blicanos. Sá Cardoso convoca os conspira- ria da revolução. A Marinha teve um papel de todas as classes sociais quis aderir ao Par-
dores; a maioria quer terminar a tentativa de decisivo na vitória. Fica célebre o seu desem- tido. E muitos monárquicos, desiludidos com
golpe. No entanto, Machado Santos e a barque. a atitude do rei, aliaram-se a esse movimento.
Carbonária decidem continuar. O próprio Paiva Couceiro, que defendera o rei Anos mais tarde, em 1907, desta vez em
A revolução está nas mãos dos civis. Aumenta até ao limite, viu-se obrigado a reconhecer a Lisboa, começou a preparar-se clandestina-
a adesão popular e constroem-se barricadas. derrota. mente a segunda revolução republicana. As
coisas tinham de ser feitas em segredo e com
RESTAURADORES/AVENIDA PALACE PAÇOS DO MUNICÍPIO muito cuidado pois, ao mínimo deslize, ia
Intervenção do Embaixador alemão Leitura da Declaração de José Relvas tudo para a cadeia.
O novo representante alemão, chegado na Na manhã do dia 5 de Outubro de 1910, José Na organização do golpe participaram diri-
antevéspera, instalara-se no Avenida Palace, Relvas e outros membros do Directório do gentes do Partido Republicano, da Carbonária,
lugar de residência de muitos outros estran- Partido Republicano Português, à varanda da da Maçonaria, e dissidentes monárquicos.
geiros. A proximidade do edifício da zona dos Câmara Municipal de Lisboa e perante mi- Lutava-se pela Liberdade, Igualdade, Frater-
combates não o poupou a estragos. Perante lhares de pessoas, proclamaram a República. nidade.
este perigo o diplomata tomou a resolução de No mesmo dia, o rei D. Manuel II e a família Lutava-se por um Portugal Melhor!
intervir. Dirigiu-se ao quartel-general e pediu real embarcaram na praia da Ericeira com
ao general Gorjão Henriques um cessar-fogo destino a Gibraltar. Venha connosco celebrar a República e redescobrir a
nossa Lisboa. Venha festejar a Liberdade!
que lhe permitisse evacuar os cidadãos estran- O último rei de Portugal seguiu depois para o Dia 24 de Abril à tarde, com ponto de encontro no Rossio,
geiros. Sem comunicar ao governo e talvez na seu exílio na Inglaterra. pelas 14 horas.
esperança de ganhar tempo para a chegada Acabavam, assim, mais de sete séculos de Passeio da Secção PS Alvalade
dos reforços da província, o general acede. monarquia em Portugal. Roteiro Republicano