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ATUAÇÃO DO PROFESSOR UNIVERSITÁRIO:

ENSINO OU APRENDIZAGEM ?

PROFESSOR UNIVERSITÁRIO ênfase:

• ENSINO = centralizado na pessoa do professor, suas


qualidades e habilidades. Especialista em determinada área
do conhecimento, “arte da exposição”, programa, conteúdos e
critérios de aprovação/reprovação.

• ALUNOS = informações transmitidas coletivamente;

Verifica-se assimilação de conteúdos através de tarefas ou


provas individuais. “EDUCAÇÃO BANCÁRIA” ato de
transmitir, depositar ou transferir valores e conhecimentos
(Paulo Freire).

• APRENDIZAGEM = centralizada no aluno, suas aptidões,


capacidades, expectativas, interesses, possibilidades,
oportunidades e condições para aprender . O professor atua
como facilitador da aprendizagem; ensino mais eficaz quando
a aula tem a participação do aluno.

• ALUNOS = agentes do processo educativo.

ATENÇÃO: a segunda postura “visão humanista da educação”,


embasada nas modernas teorias e pesquisas educacionais,
gerou equívocos:

Professor valoriza de forma excessiva, qualidades pessoais


(amizade, carinho compreensão, tolerância, abnegação).
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Excluem de sua função a tarefa de ensinar, “ninguém ensina
ninguém” ... (Carl Rogers).

 Muitos professores universitários que aprendiam (fazendo),


não percebem essa polêmica. Não recebem preparação
pedagógica específica, raramente participam de cursos,
seminários ou reuniões sobre métodos de ensino e avaliação
da aprendizagem e não dispõem de informação sobre a
evolução pedagógica universitária, que progrediu com novos
conceitos e novos métodos.

 O papel do professor não se limita a explanar seus


conhecimentos, precisa reorientar a aula e garantir que seja
superior à leitura de um livro ou assistência de um filme,
mesmo porque “muitas aulas ministradas em cursos
universitários não passam de seções de leitura, diferindo de
aulas medievais apenas porque o livro utilizado pela gente
naquela época foi substituído pelas transparências projetadas”.
(GIL, 2007, p. 10).

O ensino, fenômeno complexo, prática social, uma situação em


movimento e diversa conforme os sujeitos, os lugares e os
contextos onde ocorre (PIMENTA, 2002, p. 48), são abordados
sob diferentes óticas.

MIZUKAMI definiu cinco abordagens:

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1. Abordagem Tradicional – o processo ensino aprendizagem
não se fundamenta em teorias empiricamente validadas, mas
numa prática educativa e na sua transmissão através dos anos.
É uma prática educacional que persiste no tempo, sob diferentes
formas e que fornece um quadro referencial para as demais
abordagens.
O ensino transforma-se na pura passagem de idéias
selecionadas e organizadas logicamente em uma relação
professor-aluno vertical que prioriza as situações da sala de
aula.
O ensino preocupa-se com a variedade e quantidade de
noções, conceitos, informações (Verbalismo do professor e
memorização do aluno).

2. Abordagem Comportamentalista – (empirismo) o


conhecimento é uma descoberta, nova para quem a faz, mas
estava presente na realidade exterior. Para os
comportamentalistas ou behavioristas, a experiência ou a
experimentação planejada são as bases do conhecimento. O
papel do professor consiste no planejamento e
desenvolvimento de um sistema de ensino-aprendizagem
orientado para a maximização do desempenho do aluno. A
educação tem, como função, a transmissão cultural em um
mundo objetivo, já construído, onde o homem é considerado
como produto do meio. O conhecimento é o resultado direto da
experiência.

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3. Abordagem Humanista – Enfoque no sujeito, como
principal elaborador do conhecimento humano; o ensino está
centrado no aluno.
O homem é visto de forma individualizada, em um processo de
contínua descoberta sobre si mesmo, a própria visão de mundo,
percepção sobre as experiências vividas (C. Rogers, psicologia
humanista – personalidade e conduta).
Instituição educacional cria condições que facilitem a aprendizagem,
promovendo o desenvolvimento intelectual e emocional do aluno.
O professor facilitador, não ensina, cria condições para que os
alunos aprendam.

4. Abordagem cognitivista- Estudo científico da aprendizagem,


como sendo mais que um produto do ambiente, das pessoas ou de
fatores que são externos aos alunos. Considera as formas como as
pessoas lidam com os estímulos ambientais, organizam os dados,
sentem e resolvem problemas, adquirem conceitos e empregam
símbolos verbais.
Preocupa-se com as reações sociais com ênfase na capacidade do
aluno de integrar informações e processá-las.
O conhecimento é um produto da interação entre o homem e o
mundo (perspectiva interacionista). O indivíduo, como um sistema
aberto, busca seu desenvolvimento de modo a obter a
máxima operacionalidade em suas atividades motoras, verbais ou
mentais.
O ensino baseia-se no ensaio e no erro, na pesquisa, investigação,
solução de problemas (perspectiva piagetiana).

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5. Abordagem sócio-cultural- Enfatiza aspectos socioculturais que
envolvem o processo de aprendizagem e como no construtivismo é
interacionista (o sujeito elabora e cria o conhecimento, inserido em um
determinado contexto histórico).
O conhecimento é uma transformação contínua e não transmissão
de conteúdos programados.
A educação verdadeira consiste na educação problematizadora.
Busca o desenvolvimento da consciência crítica e a liberdade como
meios de superar as contradições da educação bancária.
Educador e educando tornam-se sujeitos de um processo em que
crescem juntos (dialogicidade e transformação – Paulo Freire).