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Introdução ao Direito Financeiro

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1.1 Papel do Estado para o Estudo das Finanças Públicas

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1.2 Ciências das Finanças

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1.3 Finanças Públicas e Finanças Privada

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2 Fins da Atividade Financeira e Necessidades Públicas

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2.1 Finanças Neutras e finanças funcionais

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4.3 Finanças Públicas

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4.4 Necessidades

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4.5 Satisfação das Necessidades Públicas

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4.6 Apontamentos sobre a complexidade das necessidades públicas e aumento da despesa

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5. Finanças Públicas e Direito Financeiro

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5.1 Finanças Públicas e Direito Financeiro e Relação do Direito Financeiro com os demais ramos do Direito
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5.2 Autonomia do Direito Financeiro

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5.3 Fontes do Direito Financeiro

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6. Normas financeiras e Federação

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6.1 Autonomia dos entes federativos

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6.2 Autonomia financeira

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6.3 Autonomia efetiva

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7. Moeda e atividade financeira do Estado

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7.1 Funções da moeda

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7.2 Emissão da moeda

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8. Noções ao Orçamento Público

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9. Receitas Públicas

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9.1 Formas de obtenção de recursos. Há receitas in natura?

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9.2 Entradas

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CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO

PROF. KANAYAMA

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1. Introdução ao Direito Financeiro
02/03/15
‘’There is no thing such as a free lunch’’ é uma frase do século 19 e revela-se como um
mantra do liberalismo. Tudo têm seu custo. Nas aulas de direito financeiro, isto será recorrente.
O Estado possui diversas obrigações - ele precisa cuidar de (garantir) direitos negativos e
possibilitar os direitos sociais, estes que possibilitam a dignidade humana. Mas para que isto
aconteça; para que todos os direitos sejam garantidos para qualquer classe social, o Estado
deverá despender recursos para dar contas destas demandas. A construção de Hospitais, a
manutenção da educação custa caro ao Estado. Um doutrinador prega que o dinheiro não nasce
em árvores. Os impostos seriam uma maneira de sustentar esta organização política.
O professor defende que a educação pública superior é caríssima - a UFPR, por exemplo,
tem orçamentos de quase 1 bilhão de reais, a quarta maior do Estado. Só em pessoal
(professores e técnicos), a Faculdade gasta 80% do destinado. A Cidade de Curitiba, por sua vez,
6 bilhões de reais e o Brasil; 2,5 trilhões de reais.
Há dois problemas no Brasil relacionado ao Direito Financeiros: políticos e econômicos.
O primeiro diz respeito, excluindo-se os escândalos de corrupção e analisando-se questões
orçamentárias, ao exercício financeiro (prazo de duração de um período financeiro, no qual há a
prestação de contas e criação de um novo planejamento ao final). O problema reside no fato que
há um entrave político, no âmbito da União, no ano de 2015 - não foi aprovado ainda. Por ter
força de Lei, depende-se da aprovação do Congresso Nacional (princípio da legalidade), o que
não foi realizado ainda, devido a questões de políticas (poder de barganha). Desta forma, o Poder
Legislativo controla o Poder Executivo. O PMDB, base de qualquer Governo, está se rebelando
com o PT, dificultando o relacionamento entre os Poderes. O segundo (a crise econômica), por
sua vez, resulta num menor consumo, que, por sua vez, gera menos impostos, e, então, menos
receitas ao Governo. Este, por sua vez, deverá imprimir medidas impopulares.
Um Estado pode ser mais ausente, com menos captação de recursos, mas com menos
auxílios e benefícios para a população. Por outra lado, ele pode ser mais presente (paternalista),
com maior captação de dinheiro. O professor assegura a necessidade de um Estado que se
localize no meio disto - num meio termo entre os dois.
❖ Legislação obrigatória
CF
*Lei Complementar 101/00 (Lei da Responsabilidade Fiscal)
*Lei 4.320/64 - Normas gerais do Direito Financeiro
Lei 4595/64
Lei 10.028/00
Decreto-lei 201/67
Lei 1.079/50
-> Código da RT Direito Adm laranja
❖ Programação
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Introdução
Receitas e despesas públicas
Orçamento público (PPA/LDO/LOA)
Dívida pública
Controle (abrange a atuação do PL e do TCU)

❖ Avaliações

CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO

PROF. KANAYAMA

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mas. que é pré-normativa (antes do Direito). esta visão foi parcialmente alterada. Seria.haja vista o descontrole monetário comum à diversos Estados naquele período. Pugnava-se.uma maior procura gerará uma maior produção por parte dos empresários. Atualmente. Logo após a II GM. No primeiro modelo. era uma das medidas. 1. as quais criticaram as posições de Say. aumentaria-se o juros. que passa a ser mais contundente. KANAYAMA 3 . pode-se pleitear por um Estado mais distante. surgiu uma nova maneira de governar. mas arrecadando mais dinheiro (via um programa de tributação mais pesado). além da maior tributação. existe um Estado presente no Mercado. estava aceito a necessidade do Estado intervir no mercado. verificar até que ponto esta atuação deve existir. portanto. Assim. a oferta e a procura estarão sempre equilibrados .Três avaliações objetivas e a última. aumentava-se a procura. dado que o risco do Estado não cumprir com seus compromissos é maior. fato o qual diminui a confiança perante seus investidores. Mas como isto era feito? A construção de obras públicas.. É necessário. a depender do Partido no poder. Criava-se a oferta e. contrata diversos funcionários. haverá efeitos tanto negativos quanto positivos. por isso gastando-se mais dinheiro do Estado. As ideias de Adam Smith não se comprovaram efetivas durante o século XIX e XX. Se o Estado confere benesses a uma categoria. Por isso. Será que precisamos de um Estado que normatize o Mercado.2 Ciências das Finanças Os autores de Direito Financeiro sempre iniciam suas teses tratando das Ciências das Finanças. que não é possível garantir a Lei de Say. com a necessidade de equilibrar a equação. A definição e a função do Estado trazida pela CF é uma decisão política. O Estado passou a se endividar para fazer a economia voltar a funcionar . Em 1930. agora. e. mas reduzindo o incentivo à atividade privada. não é jurídica. o que levaria a uma menor taxação. no Brasil.1 Papel do Estado para o Estudo das Finanças Públicas 09/03/15 A grande dicotomia que todos os autores tendem a usar quanto ao papel do Estado é o embate entre Estado e Mercado. defende-se que o açougueiro age para se beneficiar. criação de um artigo em grupos 1. empresas contratavam mais empresários e. A Crise de 1929. Este é o mantra neoliberal. Ou seja. pertencente ao ramo da Economia. endividando-o. estradas e usinas. que podem CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. trouxe consigo as ideias de John Maynard Keynes (‘’keynisianos’’). e o mesmo se sucede com a escassez de oferta ou procura. Não haveria a necessidade de regulação externa (do Estado). em prol de um bem maior? Ou nós podemos deixa que o Mercado se autorregule. de modo que favoreça os particulares? Jean Baptiste Say afirma que a oferta cria sua própria procura. sem contar a diminuição dos investimentos. especificamente ao endividamento do Estado e à circulação de dinheiro (fabricava-se cada vez mais dinheiro) . que irão disponibilizar tais produtos no mercado. a sociedade em seu todo também se beneficiaria. então. como portos. contudo. Por outro lado. menores seriam os gastos. ainda que bastante enviesadas ideologicamente. Se por um lado alguns ressaltam-se a imperiosidade de criar e manter mais direitos sociais. com o New Deal. período extenso de recessão. com isto. Nota-se uma nova perspectiva quanto à atuação do Estado numa dada sociedade. desta forma. do estudo dos fenômenos sociais e estatísticos.é o uso do dinheiro público para fomentá-la. Exemplificando.

pois depende da captação de dinheiro e tem dispêndios. Fornece dados para os políticos antes que ele decida. PL. a fim de que outras pessoas com menor renda possa ter acesso a serviços públicos básicos. procura explicar os fenômenos ligados à obtenção e dispêndio do dinheiro necessário ao funcionamento dos serviços a cargo do Estado. que esta leva o poder a desempenhar. poderia ser taxado mais. ou seja. a administração indireta (PJ. no livro Finanças Públicas e Direito Financeiro. quem tem mais capacidade tributária. de acordo com este autor. ou de outra pessoa de Direito Público. informativa. se gesta e se dispende os recursos. as autarquias são aquelas que também podem executar as despesas públicas. Um autor americano chamado Philip Taylor afirma que o governo é o maior das empresas. » É possível saber. como se obtém. os meios disponíveis para o atendimento dos interesses públicos. O Estado. como a Caixa Econômica. extratos ou classes sociais se situam perante o poder. Baleeiro deixa claro que as Ciências das Finanças é do campo do regime Público. » O ponto central da ciência das finanças incide sobre a atividade fiscal. portanto. 1. Mas isto é parcialmente verdade. Trata-se de uma disciplina informativa. Nem toda administração indireta executa despesa privada. sobre os mais variados aspectos e municia os agentes públicos para que possam decidir sobre os mais variados temas. em Curso de Direito Financeiro. declara: « As Ciências das Finanças. em Uma Introdução às Ciências das Finanças. se beneficiando dos seus gastos ou suportando o respectivo custo. assim como os efeitos outros resultantes desta atividade governamental » R$ Gov. tal qual o CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. pela investigação dos fatos. assim como quem os recebe. PE). Por exemplo. bem como das tarefas e funções. Aliomar Baleeiro. poderia-se descobrir o estágio econômico de uma sociedade. que deve satisfazê-las. a desempenhada com o propósito de obter recursos para o custeio das atividades estatais. E do modo que os grupos. por sua vez. Procura os fenômenos econômicos que possam servir de incidência para alguma norma tributária. afirma: «  Poucos campos melhores que este são o verdadeiro termômetro das relações concretas entre o poder e a sociedade que o integra.3 Finanças Públicas e Finanças Privada As finanças públicas tem como principal características a ideia de satisfação das necessidades públicas. professor da USP. quem se beneficia com os seus lucros e os seus gastos. estuda as reais necessidades da sociedade. É o mote da disciplina. via o estudo das Ciências das Finanças. KANAYAMA 4 . A empresa. Tem relação com a atuação do Estado. Regis Fernandes de Oliveira. antes de tudo. apregoava que: « É a disciplina que. Antonio de Souza Franco. fornecendo meios arrecadatórios para o Estado.fornecer elemento para a estrutura da política financeira do Estado. Além disso. R$ Preocupa-se.

construção de obras públicas. e finalmente a despesa. a define do seguinte modo: «  A atividade financeira. como a definiríamos? CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. O mesmo pode ser feito por aquele . isto é. fixará a despesa de acordo com a receita existente. em síntese. por sua vez. seria o : « Produzir ou fazer produzir bens materiais ou imateriais para satisfazer as necessidade públicas » Antonio de Souza Franco. ou seja. distinta das atividades substantivas do Estado. KANAYAMA 5 . mas o Estado é too big to fail. tais como educação.. a obtenção de recursos patrimoniais. em regra.governo. também precisam de receitas.ele também pode ir ao Banco. não só porque capta compulsoriamente como pode emprestar compulsoriamente. etc. (atividades-fins) Novamente surge o termo necessidade comum. nela incluída como parte integrante da atividade tributária. A atividade financeira do Estado desenvolve-se fundamentalmente em três campos: a receita. A empresa. a atividade financeira consiste. econômicas. Já o Estado só poderá gastar (definir como despesa) um valor corresponde aos seus gastos.o Estado pode obrigar alguém a pagar os impostos. a gestão. Mas os gastos devem estar equilibrados. nem que seja complementada com empréstimos. etc. que visam diretamente a satisfação de certas necessidades sociais. visando a obtenção. obtenção. além da possiblidade de ir ao Banco requisitar um empréstimo. policiais. Ele pode equilibrar as receitas e despesas com mais facilidade que um particular. Atividade que se desenvolve no âmbito de ordenamentos políticos de natureza coercitiva» Rubens Gomes de Sousa traça um roteiro seguro para a separação científicometodológica da atividade financeira das outras atividades do Estado e para fixar sua posição no quadro geral das atividades estatais: «  Simultaneamente com as atividades políticas. sociais. é atividade orientada no sentido de obter os meios necessários para suprir as necessidades públicas. saúde. ou natureza adjetiva (atividade-meio). o Estado exerce também uma atividade financeira. o emprego de recursos patrimoniais para a realização dos fins visados pelo Estado » Em outras palavras. Uma empresa. na criação. que é a administração e conservação do patrimônio público. 2 Fins da Atividade Financeira e Necessidades Públicas A atividade financeira. quando gasta demais. irá a falência. educacionais. Existe uma diferença no tratamento das despesas de Governos e das Empresas? Esta gasta tudo o que capta. segundo o autor Dino Jarach. é considerada por alguns como o exercício de uma função meramente instrumental. A forma de obtenção delas seria a mesma para ambas? A diferença reside num só elemento: a tributação é compulsória . estradas. gestão e dispêndio do dinheiro público para a execução de serviços afetos ao Estado. a administração e o emprego de meios patrimoniais que lhe possibilitem o desempenho daquelas outras atividades que se referem à realização dos seus fins. Mas o que elas seriam? Se fôssemos governantes. que constituem a sua finalidade própria. administrativas. O Estado pode gastar mais do que pode suportar.

não considera a atividade financeira um simples instrumento ou meio de obtenção de receita. um interesse que convém à pessoa). sobretudo em matéria de protecionismo alfandegário. Outro exemplo é o do farol. Por que um Estado que tem mais condições de coibir uma praga de mosquitos? Se lutarmos sozinhos. além de abrir largas concessões ao intervencionismo. estímulo ao consumo. por isso. posso comprar produtos químicos (alto custo individual). Finanças Neutras As finanças neutras são próprias do séc.1 Finanças Neutras e finanças funcionais 16/03/15 1. instrumentais. O Estado. Todo governante deveria governar baseado nestes pontos. medidas de austeridade. o Estado provoca modificações deliberadas nas estruturas sociais. Se um particular utilizá-lo. pois não posso fornecer um CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. 2. A ideia é de que o Estado suporte os custos. uma pessoa com avião pode jogar o repelente por todo o território. Por isso que o Estado pode suportar tal trabalho. incentivo à formação de famílias. Através dela. um fator importantíssimo na dinâmica socioestrutural. Baleeiro diz que a chamada finança neutra obedece a uma diretriz conservadora.Segundo Richard Musgrave. Por isso que o Estado seria o mais capacitado para fornecer este serviço. O mercado é capaz de suprir a necessidade.3 Finanças Públicas As finanças públicas também visam a necessidade (algo que obriga. a saber: a satisfação de necessidade públicas. 2. É. tem maiores condições de suportar estes custos. A Economia está sob alguns ciclos econômicos. portanto. utilizável para o custeio da despesa pública. combate ao luxo etc. todos naquela região será beneficiado em cima de apenas uma pessoa. às vezes bonança. essas finanças neutras tem um viés não-intervencionista. haveria três fins para a atividade financeira. as finanças funcionais tinham o principal mote a intervenção. já que pode captar mais recursos. o que pode ocorrer com efeitos tanto por mudanças na receita ou no dispêndio. e contribuição à estabalidade econômica. portanto. A atividade financeira do Estado. dado que pode aumentar a captação dos moradores. incentivos aos estudos (conceder bolsas com mais facilidade). Captava-se a receita para realizar gastos. seria mais difícil . visa atingir escopos extrafiscais de intervencionismo estatal sobre as estruturas sociais. Esta doutrina (doutrina da extrafiscalidade) . para os adeptos da extrafiscalidade.ao contrário da concepção da finança ‘’neutra’’ . Finanças Funcionais Além disso. estímulos industriais. 4. Mas nem todos os custos devem ser suportados pelo Estado. Pode-se alterar estes gastos induzindo a inflação.podemos ficar trancados em casa. portanto. KANAYAMA 6 . resdistribuição financeira. Por que algumas necessidades devem ser satisfeitas pelo governo e outras não? Qual necessidade deve ser satisfeita? Ou seria apenas um jogo político? Antônio de Sousa Franco exemplifica utilizando uma história sobre uma praga de mosquitos. O Estado deve se adaptar às diferentes conjunturas. Em outras palavras. é um método pelo qual se exerce a influência da ação estatal sobre a economia (regulatory effects). posso me aliar aos vizinhos (eficácia duvidosa). São. que são. às vezes não. Alguns bens não seguem a lógica do mercado. Buscam produzir efeitos conjunturais. neoliberais. direitos alfandegários protecionistas. XIX e eram o suficientes para a manutenção da máquina administrativa.

mas são inexcluíveis. reduzindo o preço intencionalmente ( se o Estado possuísse um Banco inteiramente público.5 Satisfação das Necessidades Públicas Teixeira Ribeiro leciona que depende do momento e do Governo que está no Poder para definir quais são os bens que devem ser produzidos. como o combate a mosquitos. professor português. esta é a ideia principal. Ele teria mais autoridade. os fins colimados pela atividade estatal são variáveis no tempo e no espaço e nisto consiste. além das necessidades coletivas. outro particular não pode o comer. divide as necessidades da seguinte forma: (a) necessidades de satisfação ativa e (b) necessidades de satisfação passiva. D) Ele pode empreender mais esforços. gratuitamente ou a preço inferior ao custo. devo comprar comida. necessidades individuais a preço de custo ou a preço superior de custo. Continua seu pensamento afirmando que a definição constitucional deve estabelecer quais os interesses que ao Estado incumbe zelar. seria o caso . há necessidades públicas. Ele seria o maior autor nesta satisfação porque ele: A) Tem a perspectiva do interesse geral. necessidades individuais. Regis Fernandes de Oliveira esclarece que é o Estado é quem vai dizer no texto constitucional e nas leis posteriores. em Lições de Finanças Públicas. Contudo. É o caso do transporte coletivo e a Educação Superior. por outro lado.O Estado subsidia (redistribuição de renda). Afinal. a satisfação passiva. mas não é um player). o consumo. não dependem de uma atividade do consumidor. por exemplo. CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. pois o imposto é quem sustenta . Nesse caso. 4.serviço e cobrar dos usuários (exemplo do farol). KANAYAMA 7 . o Estado tem algumas prerrogativas. C) Ao defender o interesse público.’’’ 4. leva o estado a produzir três categorias de bens. a sua relatividade histórica. quais as necessidades que vai encampar como públicas. A primeira requer uma atuação do consumidor . motivo o qual o Estado não pode dar-lhes prioridade. o consumo dos bens é inexcluível (todos podem utilizar.no exemplo da comida. que devem ser satisfeitas pelo Estado. Estariam satisfazendo tanto interesses públicos e privados. pode ser irrival (por exemplo. ou seja. rival .várias pessoas podem usar o mesmo bem).o Estado controla o mercado. O consumo é excluível . O Estado é quem acaba suportando os custos. (2) bens que satisfazem.o Estado concorre com o Mercado. É ele quem suporta todos os custos (pela captação de recursos). de forma que pode suportar mais riscos. B) Tem uma perspectiva temporal mais ilimitada. O acesso a água e a educação ficariam em uma zona cinzenta. policiamento (segurança pública). até quem não pode pagar) e irrival (todos podem consumir o bem ao mesmo tempo. pois o Estado pode suportar mais riscos e se endividar mais e por mais tempo.se como o alimento. tem-se uma nítida configuração dos interesses privados. exclui-se o sujeito que não tem condições de pagar -. Neste caso. eventualmente. (1) bens que só satisfazem as necessidades coletivas (segurança).mudaria-se os preços para forçar o mercado a alterar preços . mas inferior ao valor de mercado . o cinema . como a iluminação pública). ‘’A passividade do consumo. A segunda. Se estou com fome. e (3) bens que satisfazem.4 Necessidades Teixeira Ribeiro. Para o Governo de Curitiba. precisamente. Neste campo. além de necessidades coletivas. o transporte coletivo é sustentado apenas por quem o utiliza.ele precisa agir para satisfazer sua necessidade (e por isso ativa).

(c) PIB (determinar o crescimento econômico de um país em determinado tempo). que decorrem da vida em sociedade (transporte. deve-se analisar as despesas públicas. Justiça). Exemplo: alteração demográfica CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. que são satisfeitas apenas pelo indivíduo. 4.(5) mudança na compreensão no Estado. satisfeita pelo processo do serviço público. nesses sentido. As causas dos aumentos das despesas públicas pode ser dado pelo (1) progresso tecnológico. apregoa que uma necessidade coletiva é aquela decorrente da vida coletiva. As despesas públicas.O professor Joaquim dos Santos Carvalho apregoa que: «  Existem as necessidades estritamente individuais. afirma que uma necessidade se torna pública por uma decisão de órgãos políticos: «  Necessidade pública é toda aquela de interesse geral. independentemente de viver em sociedade (ela já existe). que podem requerer a prestação de serviços públicos. (6) Efeito deslocamento. É a intervenção do Estado para provê-la. Alguns elementos devem ser considerados: (a) inflação (desvalorização monetária). as despesas sempre aumentam. revela-se extremamente complicado definir o que é uma necessidade pública ou não. A necessidade de se alimentar é uma atividade individual. comprou a tese de Wagner. Exemplificando. por sua vez. Contudo. na prática. que não podem ser retirados. (3) modificações demográficas (alterações na população). no estádio atual do conhecimento. onde houver serviço público. » Aliomar Baleeiro. o que lhe dá colorido inconfundível. pois a pessoa sente fome. Isso causaria a criação de novos direitos serviços. as individuais e coletivas. em termos reais. um critério válido. e as estritamente coletivas. (b) aumento populacional (analisar se o serviço tem o mesmo valor per capita). KANAYAMA 8 . (4) guerras. universalmente aceito. escolhas que traduzem preferências eventuais dos detentores do poder político ou das maiorias congressuais. que delimitam o raio de atuação do Estado. (2) ineficiência do serviço público. Nominalmente. as despesas. Marcello Caetano. Teixeira Ribeiro.6 Apontamentos sobre a complexidade das necessidades públicas e aumento da despesa Adolph Wagner trouxe a « lei do crescimento incessante das atividades estatais » (ou lei do aumento das despesas públicas). segundo aquele regime jurídico. comunicação. o professor leciona que o Estado fornece poucos serviços diretamente. perturbação social que provoca o aumento da despesa. em razão da complexidade das necessidades. são escolhas políticas. Em outras palavras. inexistindo. Para determinar se houve ou não um aumento efetivo. por consequência. para revelar quais as necessidades a serem providas pelo Estado e quais as que deverão ser satisfeitas pelos particulares.. em Tratado Elementar do Direito Administrativo. a necessidade torna-se pública por uma decisão de órgãos políticos » Portanto. sempre aumentariam. atualmente. também aumentariam. está sendo satisfeita uma necessidade pública. até onde analisado. À longo prazo. isto é. A despeito dos fugidios contornos econômicos.

por exemplo. Se o Estado existe. apoia-se no seu próprio patrimônio (o petróleo). enquanto o primeiro se preocupa com receitas (que podem ser tributário ou não tributários). ao passo que o Direito Fiscal. possui um regime autônomo e coerente. Alguns autores falam em Direito Fiscal. Aquele trata das finanças públicas a partir do art. segundo o argentino Samz de Bujanda e Aliomar Baleeiro) e a jurisprudência.1 Finanças Públicas e Direito Financeiro e Relação do Direito Financeiro com os demais ramos do Direito O direito financeiro e o direito econômico são ramos diferentes. A atividade financeira é uma complexa arbitragem de interesses. 163 da CF. alguém deve o sustentar. especialmente 165 e seguintes. O Direito Financeiro. Escora-se tanto em seu próprio patrimônio como de tributos. despesas etc. No início do séc.2 Autonomia do Direito Financeiro O Direito Financeiro é um ramo com bastante autonomia. aplica-se a receita de caráter compulsório » As finanças públicas são pré-normativas. Estas leis são limitadas ao tempo. O professor atentar para o problema da doença holandesa. são organizações sistemáticas que demonstram a autonomia. Estes interesses que estão arbitrados é a relação do Estado com o patrimônio do público privado. na medida em que moldam o entendimento do Direito Financeiro. por sua vez. 5.3 Fontes do Direito Financeiro As fontes do Direito Financeiro são: principalmente a lei (fonte primária quase exclusiva. ao passo que este. é necessário uma sistematização. Portanto. uma característica peculiar 6.). pois ele exerce uma forma específica de relação social (entre o público e o privado). Ora. Um autor afirma que a ideia de Estado fiscal é inerente à ideia de alguém que o sustenta. abrange o Direito Tributário. A Venezuela. KANAYAMA 9 . Em todos os anos uma lei orçamentária anual é apresentada aos órgãos políticos.ele trata do orçamento. sinônimo de Direito Tributário. bem como o Plano plurianual. 5. XX.5. A lei de diretrizes orçamentárias. O Direito Administrativo estuda como o Estado pode agir. possui institutos próprios. que fixa as despesas e prevê os ganhos. isto é. este estuda apenas os tributos. o Direito Financeiro estava englobado por este campo de estudo. Finanças Públicas e Direito Financeiro 5. da economia de um Estado. que se relaciona mais com o Direito Tributário do que com Direito Financeiro . Normas financeiras e Federação CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. está submissa ao Direito Constitucional Aliomar Baleeiro afirma que: « O direito financeiro é compreensível do conjunto de normas sobre todas as instituições financeiras (receitas. quando um Estado depende de apenas uma fonte de renda. Da mesma forma. Elas também são fontes importantíssimas.

Compete à União. temos: a) há competência concorrente em matéria de direito financeiro entre União. Cada qual tem seu campo próprio de conteúdo e de incidência.a conta do PJ é separado dos outros no Paraná. ou a capacidade financeira ou órgão público. No Brasil.direito tributário. há disposições sobre a competência concorrentes. pode criar o PPA. financeiro.2 Autonomia financeira Um município. 24. penitenciário. Estas duas características são decorrentes do princípio federativo. não podem pregar a secessão. a estadual estará revogada. a LDO e o LOA. O art. No tocante à autonomia financeira. a fiscalização orçamentária e financeira. ela pode ser delegada. por exemplo. para atender a suas peculiaridades’’.da União. isto é. será ou estará compatível com a norma federal. econômico e urbanístico.pode-se criar as próprias normas. dos estados e do DF. as entradas e receitas originárias. v. por conflito com a norma geral. Assim. c) a edição destas não exclui a competência dos Estados.eles podem ser autônomos em diversas características. para que possamos saber quando a norma estadual eventualmente editada. 6.g. 24 da CF. 23 dita as competências comuns da União. podem escolher em que conta depositar o dinheiro público. aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I . os Estados exercendo a competência legislativa plena. o orçamento. O conteúdo de tais normas somente poderá atingir o que diga respeito ao âmbito do Direito Financeiro. KANAYAMA 10 . 24). CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. e dispõe de questões administrativas. Administrativa dos entes federativos. Art.1 Autonomia dos entes federativos Os entes possuem autonomia.orçamento. um estado não pode legislar sobre Direito Penal. 24). A lei complementar 101/00 e a 1064/64 são exemplos de normas gerais. dos estados. Como se cuida da legislação concorrente. Esta é a medida dos poderes e das entidades públicas. no art. É que: ‘’a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados’’ (§2º do art. então. De acordo com o art. do DF e dos municípios. se existente. capacidade de se organizar internamente . tal qual nos EUA. pois. ou seja. Estados e DF. Complementa o §3º do mesmo dispositivo constitucional que: ‘’Inexistindo lei federal sobre normas gerais. E. em determinados casos. os Estados terão competência plena. também. Impõe-se. a recepção de fundos e sobre as formas de participação dos produtos arrecadados. Pode-se precisar. 24. As competências da União estão no art. Contudo. que não se pode falar em hierarquia entre as leis. política (podem eleger seus representantes) e financeira (capacidade de cuidar de seus negócios financeiros. A lei nacional somente pode dispor sobre normas gerais. Na questão do caixa. Desta feita. e e) sobrevindo legislação federal. localizam-se as competências privativas. os estados podem influenciar as decisões da União e organizar seus próprios orçamentos. por fim.6. 21. Já no próximo artigo.
 II . ao passo que a nível federal. e quantas contas podem ser criadas . legislativa (criar normas). há apenas uma: o Tesouro Nacional. ‘’a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais ‘’ (§1º do art. Há várias autonomias . d) caso não haja legislação federal. a despesa. desde que seja um banco público (BB ou Caixa Econômica). b) à União somente compete a expedição de normas gerais. de caixa e de crédito (é possível se endividar). que se saiba o que são as normas gerais. podem ter autonomia orçamentária. o crédito público.

a qualquer título. no mínimo. 6. Elas podem ser transferências constitucionais. e transferência voluntária. Há. § 4o. portanto. KANAYAMA 11 . Os entes federativos devem ter competências para ter receita. 158. os entes não conseguem sobreviver apenas com os próprios recursos . 7. eles necessitam de recurso próprio. 153. no caso dos Territórios. III .cinqüenta por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre a propriedade de veículos automotores licenciados em seus territórios. a qualquer título. Art. II . A recente explosão de municípios torna impossível o sustento de todos.um município muito pequeno não conseguirá arrecadar o suficiente.vinte por cento do produto da arrecadação do imposto que a União instituir no exercício da competência que lhe é atribuída pelo art. Moeda e atividade financeira do Estado O importante é preencher à mercadoria-moeda alguns requisitos físicos.3 Autonomia efetiva 30/03/15 Para que os entese sejam efetivamente autônomos.Lembrando-se que não há hierarquia entre entes federativos. IV . Parágrafo único. suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. serão criados apenas por Emendas Constitucionais. As parcelas de receita pertencentes aos Municípios. Pertencem aos Municípios: I . 157 e 158 da CF. incidente na fonte. 154. sobre rendimentos pagos. II .o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza. Seção VI DA REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS Art. portanto. na proporção do valor adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços.cinqüenta por cento do produto da arrecadação do imposto da União sobre a propriedade territorial rural. via tributos. incidente na fonte. sobre rendimentos pagos. a definição do rol de impostos definidos expressamente pela CF. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal: I . por eles. II . mas. a divisibilidade.g. O IPTU. mencionadas no inciso IV. sim diferentes competências. Ainda assim. Tais impostos. é de competência do estado-membro. v. relativamente aos imóveis neles situados. Outro instrumento existe para a aquirição da autonomia efetiva: é a transferência de receita dos entes maiores para os menores. a fungibilidade (liquidez) e outro requisito econômico: a capacidade de reserva de seu valor. por eles. I. III. Já o IPCMD. CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF.três quartos. da União.vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. cabendo a totalidade na hipótese da opção a que se refere o art. segundo o regramento do art. realizadas em seus territórios.até um quarto. suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. é do município. lei federal. 157. serão creditadas conforme os seguintes critérios: I . como o IR. de acordo com o que dispuser lei estadual ou. por sua vez.o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza. como a manuseabilidade.

como também deve conservar o valor em si o valor. O Estado só se usa da moeda para pagar os seus serviços. usualmente utilizados pelos Estados-membro para a quitação de dívidas . Surge assim o preço. Quando tal não se dá. é uma forma (dar um bem para que se extingue). Salienta-se que emiti-la difere de fabricá-la. a moeda pode existir sem o correspondente do meio físico. atinja o máximo de objetividade a se impor nítida e insofismavelmente à sociedade. esta.1. O professor leciona que a moeda é um instrumento de medida de valor. O seu emprego faz com que. XI. Além disso. ele podem tranquilamente ser permutados. conatural ao próprio conceito de moeda é a de ela atuar como padrão do valor. porém.a vantagem seria o incremento na concorrência (pelo melhor dinheiro). o grau com o calor ou o bar com a pressão.  (Incluído pela Lcp nº 104. Cada instituição o faria. Seria. ele pode aceitar outros bens para extinguir do crédito tributário . incorporar permanentemente o valor original pelo qual foi aceita. colocada em circulação monopolisticamente pelo Estado são instrumentos essenciais para o exercício da liberdade.A definição de moeda confunde-se. Eventualmente. resta ao Estado escolher se deseja permanecer líquido (ter dinheiro em caixa) para poder suportar um imprevisto ou investimentos futuros ou aplicar o dinheiro em obras e investimentos. não é possível pagar tributos com bens. de tal sorte que quando dois bens apresentam o mesmo preço.1 Funções da moeda Um função. 156. sirva como tal. Em síntese. A dação em pagamento. por exemplo. como é o caso dos bitcoins. de troca. Extinguem o crédito tributário: XI – a dação em pagamento em bens imóveis. O dinheiro e a moeda. em síntese. deve não apenas conservar-se a si própria fisicamente. com a sua principal função: a moeda é um instrumento de troca. de pagamentos futuros e diferidos (parcelados) . analogamente ao que fazem o metro com o comprimento. a mera impressão.2001) 7. apenas a pecúnia é aceita. de 10. Ele nada mais vem a ser do que o valor econômico expresso em unidades monetárias e quantificado por elas. inc. CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF.aqui. É o caso típico da inflação.2 Emissão da moeda O Estado possui o monopólio da emissão da moeda. KANAYAMA 12 . Ainda. Hayek defende que o Estado não seja o único ente a emitir dinheiro .e de poupança (será possível guardá-lo sem a preocupação com o desgaste). mas é possível pagar tributos de outras formas. a desestatização do dinheiro. conforme o art. na forma e condições estabelecidas em lei. do Código Tributário Nacional: CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO I Modalidades de Extinção Art. 7. Ou seja. Para que ela. Aliomar Baleeiro afirma que « a regra hoje é o pagamento em moeda  ». pois. ela sofre uma disfunção. quer dizer. pois terão idêntico valor.mas são casos excepcionais. A moeda traduz ou mensura o valor de troca. o valor se quantifique. Enquanto aquela se refere ao ato jurídico de criação da moeda. em detrimento do Estado. ao seu turno. automaticamente. 156. lembra-se dos precatórios. uma espécie de doença monetária.

que abrange os subsistemas tributário. que sirva de meio de pagamento pelo valor nela estampado.As disponibilidades de caixa da União serão depositadas no banco central. imperativo será pô-lo em circulação. Entende-se por moeda a metálica ou o papel-moeda que expressem nominalmente.g. A Carteira da Ordem já foi produzida neste local .é apenas uma das atividades econômicas dela a impressão de papel-moeda. sem algum problema. § 3º . Além do Banco Central emitir moeda.. Outro método para inserir ou retirar dinheiro no mercado é pela compra e venda de títulos da dívida pública.         II . do Distrito Federal. as dos Estados. isto é. por intermédio do Banco Central. o BNDS. Fica a critério do Banco Central comprar e/ou vender moeda estrangeira (a fim de controlar a economia) e colocar o real em circulação. com efeito liberatório. Salienta-se que essa lei foi alterada pela Lei do Plano Real. e apenas elas. do sistema das finanças nacionais. será constituído:         I . direta ou indiretamente. 1º O sistema Financeiro Nacional. por exemplo. Além disso. assim entendido o sistema das finanças privadas e do seu controle pelo governo. e não intermédio. nada obsta de produzir outros itens.O banco central poderá comprar e vender títulos de emissão do Tesouro Nacional. Desta forma. coloca papel-moeda em circulação na economia ». o Banco do Brasil e as demais instituições financeiras são os atores do sistema financeiro nacional. Igualmente.do Banco Central do Brasil. A. A CF disciplina o sistema financeiro nacional. emprestar para estados. o Texto separa claramente o sistema das finanças públicas. por ser uma empresa pública. o Banco Central.do Banco Central da República do Brasil. de 28/02/67)         III . em ‘’Moedas.169). Ademais.do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico..         II . de caráter monopolístico.Marcos Cavalcanti de Oliveira. E isso é feito ao emprestar dinheiro para instituições financeiras. v. KANAYAMA 13 .         IV . Demonstra-se impossível. ressalvados os casos previstos em lei. Capítulo I
 Do Sistema Financeiro Nacional Art. 164. A principal tarefa do Banco Central. dos gastos públicos e monetário (arts. O art. ao manter a rigidez do sistema.do Conselho Monetário Nacional.do Banco do Brasil S. empréstimos ao Tesouro Nacional e a qualquer órgão ou entidade que não seja instituição financeira. dos Municípios e dos órgãos ou entidades do Poder Público e das empresas por ele controladas.         V . em instituições financeiras oficiais. O professor o critica. estruturado e regulado pela presente Lei. orçamentário. Seria possível uma outra empresa o fizesse. com o objetivo de regular a oferta de moeda ou a taxa de juros. A competência da União para emitir moeda será exercida exclusivamente pelo banco central. é a de emitir a moeda. o Banco Central tem a competência para emitir moeda. 145 .      (Redação dada pelo Del nº 278. § 2º . ➡ Composição do Sistema financeiro O Conselho Monetário Nacional. Juros e Instituições Financeiras’’. dado que emitir moeda não é colocar papelmoeda em circulação. O conjunto de moeda em circulação chama-se meio circulante.das demais instituições financeiras públicas e privadas. a compreender as instituições CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF.595/64. evita-se o colapso do sistema financeiro nacional. § 1º .É vedado ao banco central conceder. 4. isto seria a fabricação. tentaria-se controlar a inflação ou deflação. Isso decorre da Lei. certas quantidades da unidade do sistema monetário definido em lei. 164 da CF dita: Art. A fabricação da moeda é feita pela Casa da Moeda. apregoa « emitir moeda é o ato pelo qual o Estado. Desta forma.

Há apenas uma conta para os órgãos e entidades da União.Propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros. obrigatoriamente (Caixa Econômica e Banco Central). a saber: pelo Ministro da Fazenda. nas diferentes regiões do País. as depressões econômicas e outros desequilíbrios oriundos de fenômenos conjunturais. sem motivação. A fixação das diretrizes . orçamentária. especialmente as de crédito.privadas. Os estados e municípios deverão depositar em Bancos Oficiais.170/01). tendo em vista a melhor utilização dos recursos em moeda estrangeira. 164. Orçamento e Gestão e o presidente do Banco Central. tendo em vista propiciar. CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. condições favoráveis ao desenvolvimento harmônico da economia nacional.         II . com vistas à maior eficiência do sistema de pagamentos e de mobilização de recursos.         VI . na ADI 2. Portanto.872). o que fará através da fiscalização permanente dos bancos e demais instituições financeiras. Entre as suas atribuições estão: Art. §3º da CF): O Banco Central tem natureza de autarquia (não é um órgão do sistema financeiro).Adaptar o volume dos meios de pagamento ás reais necessidades da economia nacional e seu processo de desenvolvimento. 21. 28.Regular o valor interno da moeda. o Banco Central é o depositário das receitas da União.mantém-se a qualidade da moeda). para tanto prevenindo ou corrigindo os surtos inflacionários ou deflacionários de origem interna ou externa. A diretoria é composta por 9 membros (1 presidente escolhido pelo presidente e sabatinado pelo Senado) e são exoneráveis ad mutum. creditícia. é possível o pagamento em qualquer banco que não o oficial (Agravo Regimental/ Reclamação 3. autorização do funcionamento das instituições financeiras.               VII . se assim desejarem (Medida Provisória nº 2. interna e externa. municípios e DF oficiais são os depositários (de acordo da Ministra Helen Greice. Cabe ressaltar que o Conselho Monetário Nacional é composto por três elementos. Além disso. O STF julgou que nos estados. tem autonomia e personalidade jurídica própria. do Planejamento. o Banco Central emite moeda. 3º A política do Conselho Monetário Nacional objetivará:         I . isto é. de forma a controlar o endividamento).Regular o valor externo da moeda e o equilíbrio no balanço de pagamento do País. ele é o Banqueiro da União (art. apenas a formulação de diretrizes estabelecidas pelo Presidente da República.Orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras. de forma a evitar a precariedade .competência decisória (formulação de parâmetros) é feita pelo Conselho Monetário Nacional.         III . Nas palavras do professor. câmbio e capitalização (art. fiscal e da dívida pública. portanto. Com relação à folha de pagamento. §2º da Lei da Responsabilidade). quer privadas. em síntese. executa os serviços do meio circulante (mantê-lo adequado. inclusive os bancos pertencentes aos poderes Públicos que operem sob a forma de pessoa jurídica de direito privado. por exemplo. Nesse contexto é que aparece o Banco Central como órgão estatal controlador e disciplinador da atividade financeira privada. KANAYAMA 14 . quer públicas.               IV . zelando pelo bom funcionamento do sistema.Zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras. Sendo a sua missão precípua a de emitir a moeda nacional não poderia faltar ao Banco Central a incumbência de controlar a velocidade de circulação do dinheiro. VIII). Não é mais possível o depósito no Banco Itaú.600).               V . Exerce a competência atribuída à União para fiscalizar as operações de natureza financeira. A lei autoriza que as empresas públicas depositem o dinheiro nesta conta. e realização de operações de redesconto (art. Compete. regulação do crédito (ele que pode controlar o período dos financiamentos.Coordenar as políticas monetária. como era feito pelo Governo do Paraná. intermediação da compra e venda dos títulos da dívida pública.

cada plano vige 4 anos . o plano plurianual é um plano de governo. 168 da CF). por isso.
 II . 165. têm-se três leis orçamentárias. A folha de pagamento dos entes federativos podem ser depositadas em bancos não-oficiais (Rcl 3. 165 da CF. A LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) é uma lei preparatória para a lei orçamentária anual. compreendidos os créditos suplementares e especiais. Será inconstitucional manter recursos presos além deste dia.
 III . sob a regência do Banco Central. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I . conta de equipamentos. KANAYAMA 15 . Lei ordinária. PPA.os orçamentos anuais. ser-lhes-ão entregues até o dia 20 de cada mês. interessada nas ações do governo. Esta não entrega deverá ser resolvida via Mandado de Segurança. PJ. A Lei orçamentária deve ser aprovada até o dia 22 de Dezembro. nem todo o recurso público é depositado no mesmo lugar. É um mecanismo de regulação do Estado. O STF entende que é Lei Federal que regula tal matéria (ADI 2. Ela é necessária para que existam diretrizes que outros Poderes a sigam. quais sejam. em duodécimos. Art. como também externamente. para que o próximo governo possua tempo para aprovar o seu plano. pois extrapola as competências dos poderes. Os orçamentos da Defensoria. não poderá haver a guarda em outras instituições bancárias. sim. todas as outras leis orçamentárias deverão respeitar este programa. No Paraná. ainda que inexiste hierarquia formal (todas são leis ordinárias). deverão estar no plano plurianual.se não houver tal exceção. 1/12 do valor previsto do orçamento (chamados ‘’duodécimos’’) devem ser entregues aos Poderes. proposto pela autoridade competente. Além disso. Noções ao Orçamento Público Em primeiro lugar. 168. ela é aprovada até a metade do ano no Congresso Nacional até 17 de Julho. obra pública. os programas de maior duração também constam nesse programa.O repasse para os órgãos do poder devem ser disponibilizados para uso no dia 20 de cada mês.as diretrizes orçamentárias. São as despesas mais vultuosas. Há este período que continua vigendo após o mandato para que haja uma certa coerência entre os governos e. Seção II
 DOS ORÇAMENTOS Art. No dia 20. Isso é a entrega de duodécimos (art. A ideia é que qualquer investimento. previstas no art. Ele serve tanto internamente (para a organização do governo). do Ministério Público e da Defensoria Pública. É possível que o depósito seja feito em outros bancos. § 9o. Os recursos correspondentes às dotações orçamentárias. que serve para orientar e coordenar o Governo por todo o seu mandato. Desse modo. Ele deve conter.AgR). mas.661) . PL CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. na forma da lei complementar a que se refere o art. Assim. 8.do primeiro dia do segundo mandato até o primeiro ano do mandato subsequente. Fica a critério das empresas depositar ou não os recursos nesta conta. destinados aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário. do MP. material. Normalmente. 165. esta conta foi criada há pouco tempo e. saiba o que a União pretende fazer. basicamente: (i) despesa de capital e (ii) despesas que tenham duração continuada (programas de duração continuada). desde que haja previsão legal. compras de participação em empresas etc. em segundo plano. LDO e LOA.o plano plurianual. na medida em que possibilita que qualquer pessoa.872 . 06/05/15 Todo o dinheiro é posto na conta única da União.

Os países árabes e a Venezuela. afirma Regis Fernandes de Oliveira. a receita dependerá das Receitas Públicas. enquanto outros entende apenas a dação em pagamento. Em síntese. doações. o que não causa ilegalidades (dependerá da evolução econômica e eficiência para a atividade arrecadadora) . Salienta-se que a despesa também é prevista.não importa o momento em que é arrecadada. empréstimos O pagamento de tributos só se faz em pecúnia. Revela-se como uma antiga discussão da doutrina. Aliomar Baleeiro leciona formas de obtenção de receitas: extorsões de Estados estrangeiros. Revela-se como uma previsão de receitas e fixação de despesas. Ele vige. por um ano. o oferecimento desses bens deverá se recebida apenas via licitação. indica que é possível tributo in natura ou in labore. assim como a contabilidade. mesmo que a despesa se concretize em outro exercício financeiro. Receitas Públicas Destinando-se determinada entrada a permanecer. rendas produzidas pelo Estado (exploração de seu patrimônio). se utilizam das próprias receitas para pagar o que é devido . Eventualmente. ao seu turno. independentemente do que acontecer após este lapso temporal. dos impostos.320/64). em definitivo nos cofres públicos. Além disso. O pagamento sempre se fará com dinheiro. poderá haver tanto déficit quanto superávit. como o nome diz. « Prever ». As receitas atendem ao chamado Regime de Caixa. 9. as despesas pertencem ao exercício em que foram empenhadas.1 Formas de obtenção de recursos. em « Teoria Geral do Direito Tributário ». Em consonância o art. Qualquer entrega de recurso ao Estado deverá ser em dinheiro. Tabasco 9. Gastos não poderão ser iniciados se não estiverem previstos nesta Lei Orçamentária Anual. Baleeiro é mais específico ao afirmar que tributos em pecúnia que inexistem. CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. Este gasto a mais resulta em problemas para o administrador público. «  Fixação  » de despesas porque os gastos é aquilo fixo . « Manual das Ciências das Finanças  » apregoa que receita in natura não existe mais.a curto prazo. A Lei Orçamentária Anual (LOA) é a lei orçamentária por excelência. Contudo.a despesa ainda pertencerá à 2015. deve coordenar a execução da LOA. Ela cessa. Estevão Horvath e Teresa C. O professor leciona que a única forma que não em pecúnia é a dação em pagamento.e PE devem estar em consonância com ela. penalidades (multas). Por sua vez. por exemplo. A atual legislação não autoriza a arrecadação de tributos in natura (em outro bem) ou em in labore. ex. KANAYAMA 16 . pois trás as receitas e as despesas do exercício financeiro (equivale a 1 ano civil . mas jamais gastar mais. Empenha-se a despesa (2015).ao final do ano. A LDO vige por aproximadamente 18 meses (p. Já as despesas.posso gastar menos. e não à 2017. sempre em dinheiro. ao Regime de Competência. é uma estratégia válida. além disso. pois o Estado pode captar mais ou menos receitas. de Julho de 2014 a Dez de 2015). Há receitas in natura? No Estado Fiscal. Este é um mecanismo para controlar o recurso público. e a receita do Estado será em recursos. Alberto Deodato.tem ela a denominação de receita. mesmo que outra LOA não sobrevier. haverá nulidade das despesas e acometimento do crime de responsabilidade. mas o pagamento ocorre em outro ano (2017) . a dação em pagamento poderá apenas ser realizada em bens imóveis. isto é.de 1º de Jan a 31 de Dez). a receita pública é apenas em pecúnia. tributos. Alfredo Augusto Becker. 3º da CTN assim define tributo: Alguns autores entendem que isto permite que o Estado cobre em in natura. Receitas e despesas possuem tratamento diferenciado pelo ordenamento (Lei nº 4. C. Ela. Elas diferem entre si na medida em que a Receita pertence ao exercício financeiro a que ela foi arrecadado .

É provisória a entrade de dinheiro arrecadado a título de empréstimo compulsório.no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional. pelo tempo afora. 148. efetiva ou potencial. d) tomam ou forçam empréstismo. KANAYAMA 17 . observado o disposto no art. de guerra externa ou sua iminência. seja dela de taxa ou em decorrência da realização de obras públicas (contribuição de melhoria). Nem todo ingresso constitui-se em receita. e) fabricam dinheiro metálico ou de papel. III. 145. seja independentemente de qualquer imposto. As primeiras são as entradas que possuem correspondência no passivo. 150. 148 preconiza: Art.isto é. podendo.2 Entradas Ensina Aliomar Baleeiro que: « para auferir o dinheiro necessário à despesa pública. A União. provisória e definitiva. As definitivas são as que advêm do poder constritivo do Estado sobre o particular. decorrentes de calamidade pública. A União. socorrem-se de uns poucos meios universais: a) realizam extorsões sobre outros povos ou deles recebem doações voluntárias. denomina-se entrada. portanto. por sua vez. Aliomar Baleeiro. ou seja. III . prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição. decorrente de obras públicas.9. em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização. novamente: «  Entrada definitiva é a que. II . que já possuam destino de saída . c) exigem contidamente tributos ou penalidades. CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. ao passo que as definitivas. vem acrescer o seu vulto como elemento novo e positivo ». Empréstimo não é receita pública pois não aumenta o patrimônio do Estado. ela a que título for. destinam-se a serem desenvolvidas. poderá instituir empréstimos compulsórios: I . » Toda e qualquer dinheiro que ingressa para os cofres públicos. de serviços públicos específicos e divisíveis. receitas. Portanto. integrando-se ao patrimônio público. b) recolhem as rendas produzidas pelos bens e empresas do Estado. o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I . 145 da CF. O professor rememora que nem todo tributo é receita. nos temos do art.impostos. sem quaisquer reservas. As entradas provisórias também são chamadas de movimentos de caixa. mediante lei complementar.taxas. condições ou correspondência no passivo. podendo permanecer ou não.para atender a despesas extraordinárias. tal como o art. são aquelas sem correspondência no passivo.contribuição de melhoria. os governos. As segundas. os Estados. "b".é o caso do empréstimo e os depósitos temporários ao Estado (licitações). O professor explica que qualquer entrada aos cofres públicos é uma entrada. ser utilizadas da forma que convier ao Estado . ou autores classificam esta entrada: ela poderá ser de duas ordens. quais sejam. II . TÍTULO VI
 DA TRIBUTAÇÃO E DO ORÇAMENTO CAPÍTULO I
 DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL Seção I
 DOS PRINCÍPIOS GERAIS Art. Há entradas que ingressam provisoriamente nos cofres públicos.

quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. 11 . para a segurança pública. As ordinárias são aquelas recebidas em todos os anos. destinados a atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e. patrimonial. transporte público. § 2º . mas empréstimo (entrada provisória).São Receitas Correntes as receitas tributária.5. (2) administrativo de interesse geral.Parágrafo único. dentro de uma regularidade. deve ser devolvido. (Redação dada pelo Decreto Lei no 1. Aos bancos. além de um determinado custo político.2.1982) Basicamente. (Redação dada pelo Decreto Lei no 1. mas exlcuíveis. (3) exploração industrial e comercial sobre livre concorrência. Assim. o ingresso é provisório. Se se afirma que todo tributo é receita. No caso do transporte público. quem paga é o usuário. agropecuária. o tributo mais adequado é o imposto. preço e imposto. e. por ser empréstimo. não é receita pública. o superávit do Orçamento Corrente. como atividade econômica. taxas. por sua vez. em espécie. de bens e direitos.São Receitas de Capital as provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de constituição de dívidas. da conversão. (3). 9. em condições que a lei prever. de 20.939. Em sendo assim. (Redação dada pelo Decreto Lei no 1. de 20. É compulsório porque o particular não pode recusar-se a pagá-lo. ainda.1982) Não é permitido usar receita de capital para o pagamento pessoal. um administrativista francês classifica (de maneira muito antiga) da seguinte forma: (1) os administrativos de interesse geral.1982) § 1º . as Receitas Correntes são aquelas arrecadas regularmente.A receita classificar-se-á nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. dado que não há como determinar o grau de benefício para cada pessoa. ao passo que a extraordinária.939. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição. 9. as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado. Todavia. bancos. seriam os preços.5. Finalmente. Empréstimo compulsório. doações e herança vacante. essa afirmação não é verdadeira. KANAYAMA 18 . (4) exploração industrial ou comercial sob o regime de monopólio. CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. a PETROBRAS. de contribuições. industrial.320/64 classifica as receitas em correntes e de capital: Art. Encontra problema pois dependerá do período. de 20. ainda.939. por isso. A Lei nº 4.2. já que o Governo o manteria artificialmente. (4) exploração de petróleo (PETROBRAS).2 Conforme serviço público prestado Gaston Jèze.5. se for considerado tributo. de serviços e outras e. (2). poderia-se indicar ao Estado a melhor forma de tributação e sustentação dos serviços. O caso (1) seria a segurança pública. Ora. os recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado.1 Quanto à regularidade Podem ser classificadas em ordinárias (regular) ou extraordinárias. justamente para evitar a dilapidação do patrimônio público.

embora não raro os constitua em monopólios ». Isso se dá pois há uma relação contratual entre os particulares e o Estado.3 Quanto à origem 1. de atividades que não são regidas pelo Direito Público Disponível (Régis Fernando de Oliveira assim nomeia). portanto Se se doa ao Estado ou se o Estado aluga um imóvel. portanto. que os explora à semelhança dos particulares. bens vacantes. também. será possível determinar a melhor forma de adquirir receita. É a exploração do Estado por seus próprios bens (doações.2. Não há coercitividade. preços públicos).Classificação quanto ao serviço público Administração de interesse geral Segurança Pública Imposto Administração de interesse geral. ou a utilização dos serviços que os justificam. nem imprimir coercitividade à exigência de pagamentos. como é o caso da iluminação pública. segundo Vèze. segundo o professor. Aliomar Baleeiro leciona. será de Direito Privado. Originárias: Decorrem do próprio patrimônio do Estado. CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. Interesse particular Preços Coleta de lixo Esgoto Taxas Interesse público O professor salienta que é difícil qual receita irá sustentar terminado serviço. mas excluíveis Transporte Público Taxa Exploração industrial ou comercial sob a livre concorrência Banco Preço Exploração industrial ou comercial sob regime de monopólio Petrobras Preço + impostos De acordo com a vantagem que o particular obtém e de acordo com o interesse público. há receita originária. 9. Pode vir. KANAYAMA 19 . sem exercer os seus poderes de autoridade. nesse sentido: « Compreende as rendas provenientes dos bens e receitas comerciais ou industriais do Estado. prescrição aquisitiva. A relação.

62. § 2º da CF é expressa: CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. As receitas obtidas nem sempre podem ir direto para o concessionário . O professor Vieira diz que qualquer outra forma de criação de lei é inconstitucional. O art. o fará por meio de decreto. Nesse caso.1 Receitas originárias As receitas originárias o Estado as obtém de seu próprio patrimônio. no sentido formal .comum em restaurantes e banquinhas localizadas nas calçadas. O Estado pode.3. quando recebe receitas dos preços.é preço. Derivadas: Provém do patrimônio do particular (por isso derivado). 3. ou seja.2. O regime é de direito privado. aqui. São chamadas de originárias pois derivam do obtido do patrimônio dos particulares. A definição do valor a ser cobrado pelo Estado pode se dar de várias formas. Se o Estado explora as suas vias públicas para a utilização (estaR). Elas são as receitas que advém de outros entes federativos. O Estado define uma tabela de preços para atender a um serviço. pode definir o preço conforme o mercado. Difere-se das receitas das concessões porque estas nem sempre vão direto para o Tesouro. Transferidas: Na doutrina mais antiga. Os exemplos são os impostos/taxas.2 Receitas derivadas As receitas derivadas. KANAYAMA 20 . algumas empresas como a nordestina de lingerie . Mas se o Estado explora seu patrimônio (via pública e calçadas). Advém da lei em sentido estrito. Antigamente. coercitivamente. A definição do valor é contratual .por isso. Se ele explora uma atividade econômica. e não taxa. Por exemplo.e sempre decorrerá. são obtidas pelo Estado valendo-se do seu poder de autoridade . e cobra um preço. Para que haja a manutenção do pacto federativo. neste momento a imposição do regime público. as multas e as contribuições de melhoria. a alienação de bens é baseada em preços.a lei aprovada pelo PL. impor aos particulares o pagamento . também incorre nesse tipo. Ocorre quando o Estado presta serviços em igualdade ao particular ou presta atividade econômica. Embora o serviço do estaR é definido por lei. 9.2. são aquelas transferidas pela União aos Estados e Municípios.para extraí-las do patrimônio ou da renda dos particulares. Caracterizam-se pelo fato de o Estado não necessitar valer-se do seu poder de império sobre os cidadãos para arrecadá-las. Temos uma relação de direito público.sempre exercido na forma de lei . Preço político: ocorre se o Estado mantém artificialmente um preço para suprir uma necessidade (utiliza-se dos impostos para ocultar deste preço) III. as receitas são transferidas.dependerá da situação. Se ele permite o uso do espaço público.2. inexistia. tendo uma receita originária. As concessões desse serviço público quando recebem tarifas ou preços tarifados. Tem-se. há compulsoriedade e decorre de lei . mesmo que a CF permita a criação de impostos por medida provisória. ao revés das originárias. também há exploração do seu patrimônio público . de seus bens e empresas comerciais ou industriais.3. ou dos Estados aos Municípios. Preço público ou tarifa: é o preço tabelado. Esta receita é contratual. será o decreto que ajusta o preço. O preços podem ser igualmente classificados: I.eram prestadas pelo Estado. 9. ele reajusta a cada ano. Preço econômico: é aquele baseado na livre concorrência. o Estado faz as roupa e as vende. II. pois utiliza-se do seu patrimônio . Então.há o constrangimento legal para que haja o pagamento.

A CPFM era vinculada à atividade estatal. só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. mas era uma política pública de saúde (e por isso. 62. KANAYAMA 21 . pois ela acaba abarcando todos os tributos. efetiva ou potencial. 153. exceto os previstos nos arts. É um tributo. devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. taxas e contribuição ou melhoria. como as multas. seriam os vinculados a uma atuação Estatal e não-vinculados a uma atuação estatal. decorrente de obras públicas. II. e tributos). (Redação dada pela Emenda Constitucional no 32. o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I .taxas. Para os adeptos do escopo quadripartido. 145. I. segundo o professor.contribuição de melhoria. Eduardo Sabag enxerga seis espécies. de serviços públicos específicos e divisíveis. Em caso de relevância e urgência. tripartida (Paulo de Barros Carvalho) ou quadripartida (Ricardo Lobo Torres). como a antiga CPMF) e empréstimos compulsórios. 145: Art. contribuição ou melhoria. Os primeiros são aquelas que o Estado presta um serviço e pago por eles . que seriam as cinco supracitadas mais a iluminação pública. Ataliba é o mais adequado. em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização. II. de 2001) § 2o Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos.Art. Baleeiro enxerga 5 espécies. ao seu turno. mas para os Cartórios (privados). indica que existem três espécies de tributos: impostos. Qualquer receita derivada da compulsoriedade é derivada. V. II . taxas. Os segundos seriam os impostos. contribuições especiais (demais. sem qualquer vinculação com o Estado. e 154. É o caso das custas e emolumentos (taxas. Eles podem ser classificados a partir de uma visão bipartida (classificação de Geraldo Ataliba). (Incluído pela Emenda Constitucional no 32. existem os impostos. Carvalho. e nem todo tributo entra nos cofres públicos. prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição. III . baseando-se no art. e Sabag enxerga 6 espécies. que são os impostos. com força de lei. o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias.são as taxas (vinculados). os Estados. que seria espécie sui generis. e que conta com o endosso do professor. contribuições e empréstimo compulsório. Para Ataliba. ainda que nem todo tributo é receita. que não vão para o PJ. vinculado). Há várias classificações tributos. CADERNELLI DE DIREITO FINANCEIRO PROF. pois já há correspondência no passivo (o Estado deverá devolver). Aliomar Baleeiro classifica os tributos em cinco. O STF julgou desta forma em ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 138284 (julgado em1992). não trazendo benesses a quem paga (seria não vinculado). mas não uma receita. A União. de 2001) Os tributos são o principal exemplo. Nem todo tributo é receita (quase todos são). taxas. IV.impostos.