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ANTROPOLOGIA

CIENCIA DAS SOCIEDADES
PRIMITIVAS 7

J. COPANS
S. TORNAY

M. GODELIER
C. BACKES-CLÊMENT
:,

Título original: L 'Anlhropologie:

..

Science des sociéJés primitives?

@ Éditions E. P., 1971

Tradução de J. Pinto de Andrade
Capa de Edições 70

f

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Enquanto a psicanálise. nem os sociólogos. do conhecimento cientifico. que a estrutura económica da sociedade é a base real sobre a qual se ergue depois o edifício jurídico e político. diferenciada da~ sociedades. o papel dominante do parentesco em muitas sociedades primitivas e rurais só o confirma. a da história.la sociedade a que ele próprio pertence) . etc. segundo os modos de produção e as épocas hist6ricas. Por esta razão. ninguém ignora que já D. po~tanto. o antropologo deve pôr em questão a ideologia que investe de dentro a sua prática cientifica. das ideologias. 159 158 .científicos assumem uma grande importância e avivam incessantemente as querelas à volta do marxismo. e esse conteúdo e essa forma transformam-se com a história e pela história.9!. da política. as su~s formas de desenvolvimento. Compreende-se. necessárias a vários níveis da vida social. escrevia: «Segundo ele.a~ente em~enhada nessa via. Isto e.ralmente colonisadas pe. Estudar essas transformações. Segundo a expressão de Michel Foucault. o seu fraco nível de desenvolvimento nas sociedades primitivas. antropologia e psica'I' .. a minha opinião de que o modo determinado de produção e as relações sociais daí decorrentes. I.-' . o papel dominante de estruturas sociais que assegurem simultaneamente funções não económicas. ou seja da evolução. pelo próprio obJecto da s. e os resultados . impunha a cooperação dos indivíduos para assegurar a base material da vida social. estas funções existem com um conteúdo e uma forma determinados. pois.. Encontram-se.determinante em última instância da economia e. 93. É esta problemática Igeral que Marx havia equacionado quando. nem esta da política. Portanto. CIt:nClas que se erguem necessanamente na margem. Podemos supor que. Sob um outro aspecto. Antcs de mais. Muito longe de contradizer o papel determinante em última análise do económico sobre a vida social. que têm todas de jutar contra os preconceitos ideológicos que as investem dt dentro. pelo reconhecimento da instãncia incol). como .~ reinava o catolicismo. velhas e gastas. tal é a missão tanto da antropologia como da história. ClenCla. bem consideradas as coisas. é estranho que certas pessoas gost-em de supor que alguém ignore estas mani::iras de falar. ev?/ução ~anto da sociedade como dos indivíduos. . Mas uma coisa é clara: é que nem aquela podia viver do catolicismo. onde reinava a política. A primeira vista. a construir uma metodologia que seja ca~a ~ez m~ls descentrada em relação às perspectivas que a sua propna socleqade tem sobre as sociedades que estuda (sociedades g. que a antropologia seja um lugar privilegiado de combates teóricos. por razões mternas à sua prática cientifica. ao mesmo tempo que desenvolvem fragmentos de rigor que nem os teóricos.te e~!ud. pel~s propnas realidades que estud~. obrigado. nem para Atenas e Roma.» (Marx.. porque é que ali o catolicismo e aqui a política desempenham o papel principal. pelo con:rúr!Ü. mas não para a Idade Média. ciência que explica o movimento irreversível e smgular d:'S sociedades na história e que seria ao mesmo tempo teoria clentifica. na fronteira das ciências sociais. em ritos obscuros. onde a efervescência ideológica. de maneira que o modo de produção da vida material domina em geral o desenvolvimento da vida social. 1. livro 1. a antropologia constitui uma desfocagem da análise científica em relação à sociedade de referência do sábio *. a antropologia dev. essas relações de cooperação.. podemos supor que a estrutura das forças produtivas.0. as estruturas sociais das sociedades primitivas manifestam-se através dos comportamentos dos indivíduos e dos grupos envolvidos em relações d: parentesco complexas.lse sao ClcnClas marginaiS. numa palavra. Quixote teve de se arrepender por haver acreditado que a cavalaria errante era cOl1lpatíl'e1com todas as formas económicas da sociedade. se apres~~tam assim como dois fragmentos complementares d7 uma clen~la única. p. Desde que a humanidade existe. estranhos. Ora. Le Capital. a antropologia está já necessan. do. do estruturalismo.~pI. parentesco.segundo ele. As condições l!Conómicas de en'tão explicam. política e intelectual . quando nao absurdos. o antropólogo tem de descobrir a lógi~a oculta que explica o sentido desses comportamentos e o se~tldo dessas est~~tu:as. Vê-se. respondendo numa nota do livro primeiro de O ÚIpital (1867) aos ataques de um jornal germano-americano contra a Crítica da Economia Política.sciente da personalidade humana. Propnedades que não dependem das intenções e da con~os sujeitos históricos e que determinam as possibilidades de..sociai:. esta opinião está certa para o mundo moderno dominado pelos interesses materiais. publicada em 1859. A antropojogia encontra-se assim na primeira linha das ciências sociais. Antropologia e Ideologia Para r~alizar um~ tal mis~~o. por múlplicas razões.Qpnedades ~UJmLe!U:jQ!1ais das _estruturas..) Esta perspectiva permite eliminar o mito dc um cstado ~ humanidade em que os homens teriam vivido sem economlU ou sem relações dc parentesco ou sem representação do mundo. na fronteira das ciências sociais. sobre a Idade Média e a Antiguidade. deviam tomar a forma unificadora das relações de parentesco. na.. nem talvez • Ver o último capítulo da presente obra. .ua.e~s~_rcapB de d~es~ob!!L. as condições do seu aparecimento. De momento.a. e cujos efeitos teóricos e práticos atravessam todo o campo próprio dessas ciências. que.a psicanálise. ond. constitui uma desfocagem do olhar científico em relação ao sujeito. etc.

De um lado. Não podemos. do outro uma ambição mais modesta de ser uma ciência regional que trata de realidades sociais e históricas específicas. os proãíltór~s controlam os seus meioL9.:~:gIT1valenclaentre os bens e os serviços que circulan1 ._O_qu.oc\as necessidades do que para a busca ~rrLUtc.te _dcJer~ mmi(ms:de.-qutJ-G-difere...ªº-ªo-s.. na 161 .fundo de renda» por ~rte d.abaJhad. ..ç!1tre asp. Um r.dades ou um nívj::tdedêSOO~mento das fo!:£. da nossa análi~e havíamos descoberto a antropologia de certo modo dilacerada e solicitada entre duas tendências contraditórias.. gue a troca.seuser SOCial~ permutável com ta..Q. mas ao mesmo tempo já não se opõe à história.. «ser traballiador não é um estatuto em si mesmo e: o 'trabalho' não é uma categoria real da economia tribunal». CONDIÇÕES E FORMAS DE PRODUÇÃO E DE CmCULAçÃO DE BENS MATERIAIS NAS SOCIEDADES PRIMITIVAS E RURAIS 1 160 . Em nossos dias.oJ_ur-a1. I' 11 os' homens políticos podem ignorar: No início.J<._O_s~u~trabalh~ç..~. uma pretensão totalitária a ser síntese de todas as ciências do homem.)fio trabalho.gl!hdo:pr-incipj.. antes a completa. por um lado. No termo da nossa longa análise crítica.Ufal é um agricult(). com a ajuda de uma metodologia única. ..Q_.ã]~~I).!!tas_unidadeLde-uma-força ~~trabalho $-~RÇrsonalizada.e forma c~ítica d~ ~tl~~dor primitivo.ão_é_separáv.. que é a do materialismo histórico. seguir o caminho apontado e baseado nas análises prévias que acabamos de desenvolver.Im. ..-~xplo~~~~ Um pnmlbvo pode ser um agncultor ou um caçador.LQdlição..c... no âmbito deste estudo..nel!!-çULrelifÇãoaos produJo$. Por isso. Podç:sc_djzer ~g~q~!C..é-maiutl~ntada_para.. Esta análise vaí ao encontro da de Marx..a_s_atisfaç5. 9!mLem rel~çao a_s1J11e.. a antropologia surge como uma ciência regional... a nossa posição é que.mas em~ Jodº-~os cª-S_Qs_?-tr... esse estudo está ainda no inÍCio e encontra a cada passo dificuldades teóricas na elucidação do conceito de modo de produção e no inventário..-n:~!QL~e produção.R~O e o seu pró.ur. para darmos um apanhado de alguns problemas e de alguns resultados importantes da antropologia económica temos de nos resignar a seguir uma outra via.aspromrtivâs.)IU~_s_Q.ncia_d. que a P.QLpri!!iliivo não 'é aliena<!9. para formarem ambas uma ciência única da história e do homem..QLCJtI1.ãõ é _ nece~sariamente um tipo de activi.rJ~s.-dQLmiillJtiVõ'S[. Esse caminho é o do estudo sistemático dos modos de produção das ~ociedades primitivas e rurais. :g~antlu-existç~~~_e..el1} r~ç. das formas e das leis de correspondência estrutural entre economia e sociedade. ou pelo mcnos semiteórica.. que sublinhava que «a instituição do indivíduo como trabalhador é.eLdQ . O primeiro problema é disting'Jir entre primitivos e rurais. empírica. etc.cdistingue •.r.sm..nem.c\edadc primitiv&. e descritiva.osJ:ilLals._ Segundo a bela expressão de Marshall Sahlms.-E"ãRfQdilÇlo de l.

das riquez~s que se arriscavam a ficar acumuladas nas mãas de uma minaria àentra das camunidades . isto é. cansideradado ponto de vista ecanómica. Este exemp!a da t!abalho mostra de manelr~ impressianante que as categanas mais abstractas.as suas farmas de dependência em relação.~e primitiva. uma categaria muita simples e a ideia de trabalha em geral é tão. as classes <io'minautes não. As camunidades faram privadas das melh~r7s terras. das pradutares. e~ razão. 4.ã e_qu_e-!!!iliz~esses ex_cedent~s . campreende-se a multlphcldade ma das de praduçãa primitivos e rurais. p. difícil tirar canclusões gerais respeltantes a pn-. Em certas sacledades. ~e:saameflca. de cansiderar todas as. O trabalho é. pais. (Marx.. passaremas em reVIsta alguns prablemas das relações ecanómicas das saciedades primitivas e rurais.lo~~. de cerimónias e de redistribuições de ~restÍgia. eXIste uma grande variedade de saciedades primitivas e uma grande variedade de farmas de passagem ao Estado. Esta salução. a evaluçãa das sociedades de classes transformou incessantemente as candições de produção da campesinata e . embara passam existir m~ltiplas situações e estruturas de transição. marcar as cameças da Estada..s~_~roc~ãos ~I). Uma vez estabelecida esta distinção.asição~:cug""Járiã-~ção à aposiçfi. um praduta histórica . se estabeleciam nas cidades.sua nudez. que..ocI~dade naa praticam a agricultura. Desta salidariedade camunitária de fundamentos navos' decarrem a carácter fechada da vida camunitária e as práticas que forçam a uma redistribuição. entre as agricultares pnfi1ltlvoS e as rura!s.. de ultrapassados modas de produção que subsistem na ecanamia moderna. camunidades .I~rarqU!~~~a~ ser r.o~conseguinte.c a cidade e a campo é uma QP. aq2~as vivem numa saCiedade sem cla~s. Incapaz de transfarmar as suas farmas de praduçãa par falta de meias de investimento..nómica comareabdades arcaicas.a?a que marca.Le_. grande escala.om? y~rema~?~es . ameaçada d~ lDtenar coma da exteriar.qlle.. Pade-se. ~.L9. nas saciedades pnm!t. por autro. arientava as camunidades para navas farmas de preservar .. C.Q."!=esp~~ífiCõSCí~ f5'rnecem». e. parcialmente. cultivaaares CUjas excedentes «s2oatransfen30s a J!ID_gr~di~~gen~dS-do11Ííri. pois..os-segund~ltuenr "uma-classe 'daminadã"deiifrÕ de uma saci. abandonada de uma história ultrapassada. que se su~diam. obrig~das a fornecer trabalha às explarações COlanIals. sobre <'.~. quando. é de grau mas de natureza. entre pnnutivas e rurais.is que esta pode. Tadavia. de dentro.-par. arigens da campesin~~o. cama vestígio. Nusants.uu. mastrou que.IY~.) Se tirarmas as cansequências desta distinção. a salidariedad~ no inte~ rior da camunidade. antiga cama o mundo.qJJiifdã. par mais abstractasque sejam.Qr'llma~m:i'~q~e:::os. Nesses processas constituíram-se falsos arcaísmos que ainda enganam certos antropólagas e sociólagas rurais.Nestas candições também e face à apressãa calanial estrangeira. são. '~Ã_SQcit.dos_grupos: ç. da canquista.s cantradições internas à comunidade.dosSJJraiL é. sabre a varte das relações soci?. em mU1ta~ casas.eJlnidos_p. embara vábdas para todas as épacas.~damental enill as sa~i~qdes sem Estãdü e_ãs:sõciedades_cºm Estada. Nestas candições. ao. tadas as caracteres' de um vestígio. antes de mais. através de uma ecanamia cerimanial e de prestígio. ~a cantrário são.exceoe~es )2adem também.n~l. rçg!sl~~buI~Qs rurais!. em tada a sua simpliCidade. que deixava intactas as cantradições externas da camunidade. a sua integração canflitüa! e vialenta na QU2. na. ac!ua.aldeãs e as . moderna coma as relações que geram esta abstr~cçãa pura e simples. da transição. que «acampavam» siJ:npiesmen~ena m~io do campesinata Bahutu do R:uanda Uru. a termo.) E7""pals... num penetrante artigo.ue_na_s. a novas classes do~nantes. equilíbrio. Por um lado. Eric Walf. sobre as camunidades rurais da Mesoamérica e de Java. o trabalha é uma categaria tão. interesse em ma?-ter viva a estrutura camunitária. a terra se havia tarnada escassa e as . 'abrigada a preservar as seus equilíbrias . mantenda-se a papel das Cidades pauca impartante. nem par isso. Grúndrisse der Kritik der Politischen Okonomie. A oposição enjJ. da sua abst:acção.saciais par meia de 'uma inflação. par falta de capacldaoe de acumular para lDVeStlr. de facto.e.antigas hierarquias pré-colaniais haviam desaparecida sab a efeito. É. a maiLdas_vezes permufaõas âlrectamente entre as grupa~u entre asmembras. distinção que não. ?as 162 mitivos e rurais... a camunidade aldeã afundava-se a pauca e pauco nas aguas martas e estagnadas da história e revestia. Cada qual tinha. das camu~d~desnãa podia exis~ir em. 1966.crode um estada coíanial. p. verificaremas que~!!e_distingue_as_primitiws. l63 l . (Enc Wõ1f.. na quarta mllenáfl? na Próxima Oriente e no segunda nulenIa a. que parece.. É precisa afastar a tentação..a apançao do ~st. plenamente válidas nas limites destas».ed~dLhierªr. praduto de candições históricas e só são. paradoxalmente. o faraó estabelecia a sua capital temparana Junta da plramlde . as ex. cansegUlda sem a emergência e desenvalvimenta de zanas urbanas fartemente pavoadas.. as. .as frágeis equilíbrias entre as hamens e a terra ~ntr~ as necessidades e as recursos. a pragresso técnica na seio. mas devem ser sustentado.a_distribuir~a_peJas_gr~.farmas aldeãs de arganização eco.' a pader calonial espanhal as havia obrigado a arganIzar e preservar. realm~nte cantrolar. a integ~açãa palítica na quadro de um Estada parece ter Sido. cama as dirigentes Watus~i.que mandava canstruir em sua hanra. No Eglpt? Aanyga. deixam de ser. Entre as M~ias. Nestas candlções.~entes. para quem a abardava sem perspectivas históricas. as antigas comr:nidades rurais pré-calaniais. em ambas as casas a calanizaçãa havia remadelada.

. <iocontexto ecológico. Europa Ocidental e do Próximo Oriente.9!. cação. do movimento económico da sociedade? Esta tese foi apresentada no começo do século e refutada sob a forma daquilo que se chamou a crítica do determinismo geográfico. da densldad.r-----------------------------------------Relações entre economia e . () seu matejiali~mo revc!a-se insuficiente para explicar a complexidade dos factos históricos.dommlO ela hlstorIa da. De uma maneira geral. existem sociedades que vivem quase exclusivamente da exploração do sagueiro. Claro está que a sociedade nã~ é um sujeito e que a ideia de uma escolha é apenas uma metafora.o. enquanto o próprio homem se lança na génese de novas relações sociais.ões sociais.>giae ec~nomia. A mobilidade é. A quantidade de fécula armazenada num sagueiro maduro é enorme.s e o. Tudo se passa como sea relação vegetal-animal se tivesse transformado em relação entre nómadas prod~tores de cayne. constatamos que elas não têm qualquer dificuldade em encontra~. Pela domesticação das plantas e dos animais estabeleceram-se os modos de produção que exigiam uma constante assistência do homem para se produzirem. e os propnos chm~ses que praticam a horticultura complexa e a agncultura cereallfera. as roupas. no golfo da Papuásia. é precIso ver que a e~ologla àa China oferece quase tantas possibilidades de desenvolVimento da criação de gado como as zonas do. quantidades de recursos -. exploram diferentes materais da floresta. etc. cultura e s6 uma teoria científica da história poderá explicá-Ias. ecológico. Tudo se passa como se a civilização chinesa houvesse feito uma escolha para conter e limitar o desenvolvimento da criação de gado. que cresce espontaneamente em tufos muito densos e cuja reprodução é favorecida pelo homem. tanto mais a economia fica dependente das variações \-dascondiçôes exteriores. uma necessidade do seu modo de produção e traz consigo limites à 164 . onde as civilizações se desenvolvem numa base agro-pastoral.f "t r acumulação de bens que seria necessário transportar às costas dos homens ou das mulheres.. Rodcmos~arna~ o!Jtros .ient<:l.. Parece que esta estreita adaptação do homem a um só recurso impediu ulteriores transformações das técnicas e da sociedade. Todavia. Esta abordagem forneceu múltiplas informações novas. É assim que o factor li~itativo. plantas e animais lançam-se em novas transformações genéticas.isto é. Tais escoíhp. mas a sua fraqueza teórica está em privilegiar. não é sofrida como um incómodo . pârcce cada vez mais necc. bastantes pedras e madeiras utilizadas no fabrico das armas e dos utensílios. por conseguinte. J?or um caminho que seguiu durante vanos mIlemos e que pnvIlegiava o vegetal em relação ao animal. contradições entre quantidades .que permitam um acesso aos lençóis subterrâneos onde estes eXistem. podemos afirmar que.sário elaborar uma teoria da evolução social. Por aí. 165 .e mostram como os lin1!tes e as pressões que omelO_exe~. o. Quando observamos o modo de vida das últimas hordas australianas. e não explicação científica. É nesta dialéctica das relações do homem com a natureza que devemos analisar o peso da ecologia sobre a evolução humana. que o obriga a deslocar-se constantemente de um furo de água para outro._exer. possível.çãosão de. Enfim. Existirá um determlmsmo economlCO que seja a explt-.ue 1112.' de l~ite e de peles e que vivem no Norte da Chma.' O primeiro problema é..n(fcstaos limites da explicação através do determinismo. tenta hoje analisar as culturas como partes de ecossistemas dentro dos quais o homem é tratado como uma espécie natural. Tóda a vida social se acha assim caracterizada por esse limite que afecta o número e a importância das cerimónias comuns.quantidades de homens. Mas neste meio inóspito para o homem branco o que é escasso para o aborígene é a água. no entanto semidesértico. O habitat. Na Nova Guiné.não p~re~e. ao mesmo tempo multilinear e polifilética. os próprios utensílios. Sem nos determos na discussi'í'J de um tal exemplo maciço e compkxo c. representada por Roy Rappoport. Sem a assistência permanente do homem as plantas e os animais domésticos voltam ao estado selvagem e sem as plantas e os animais domésticos o próprio homem regressaria ao estado selvagem.e populacional e que i\Gprime determinado ntmo à Vida dos abongenes australianos parece ser a escassez da água. Neste processo. essas transformações dão-se quando plantas e animais são transferidos do seu meio de origem e se tornam necessárias invenções técnicas para assegurar uma nova adaptação. t!nha tomado. Para vencer estas dificuldades. pelos fins do neolítico. À parte a caça e os peixes. como tipo de contradição explicativa do movimento das sociedades. mas essa escassez não é tal . entre ecol<. ao mesmo tempo que lhe forneciam as condições de existência. O que a invenção da agricultura realizou foi uma transformação~ da natureza pelo homem.ecologia. a economi~ ~hine~a.~bre a vida econónlÍco e socialpassart1'sen1PÊe porum_c~rto níve~dãs forças produtivas.:'. em última análise. o modo de vida parece assentar sobretudo na exploração do vegetal. mas se contentam com a criação do porco e com a presença dos cães e das aves de capoeira. que por sua vez exig'~ uma re~ovação àa noção de adapt~ção. quanto mais fraco o nível das \ técnicas. a organização política. Em bastailtes casos uma adaptação demasiado ajustada do homem à natureza parece ser obstáculo a ulteriores progressos. não prestando atenção às contradições próprias das relaç. etc. A arqueologia e a história chinesas mostram-nos que. no seu ambiente. Peter Vayda.senão porque os aborígenes não dispõem de técnicas .1plOL. llrna explicação tirada do mei. Alguns exemplos bastarão para esclarecer este problema. das relaç~es. A escola ecológica americana. bastante carne de caça. uma grande quantIdade de sementes selvagens que serão trituradas e cozidas em bolos.

a vuelta mano do Chile.cooperação assenta eii11aços de parentesco. etc. o mingaco do Chile. A.. No caso da divisão do trabalho por sexos e por gerações o saber técnico está o mais das vezes ao alcance de todos os indivíduos. Parece que a festa e a prodigalidade das .mUltoforte" Está tacitamente convencionadoijüe se preste um dia de -trabalho por um dia de trabalho que foi dado. Ê assim que. nas formas de trabalho recíproco que terminam com uma festa a obrigação de prestar trabalho pelo trabalho recebido é mu'ito menor que no primeiro caso. e exerce-se no quadro de grupos de contornos sociais muitas vezes fluidos. âeYizTnfiança e até de simples amizade. despesas sumptuárias bastam para desobrigar as partes. S~ uma I?essoa recebeu ajuda para arrotear um campo. etc. etc. Habitualmente. Pode dizer-se que esta comida substitui aquela que o trabalhador voluntário teria de gastar para a sua própria subsistência nesse dia. A limpeza da vegetação rasteira é trabalho de um grupo de mulheres.ou colectivas. Mas esta transformação da sua função tem graus diferentes. o chefe recebe. que podemos agrupar em duas catcgcrir. O que conta é menos a identidade c01}. Os utensílios são simples e de fácil fabricação. /Avenfõü=se -ãlíipoteseae que a primitiva divisão do trabalho entre colecta reservada às mulheres e caça reservada aos homens podia explicar-se pelo facto de que a mulher deve cuidar das crianças de tenra idade e não tem assim a mesma mobilidade no espaço que o homem. Nestas condições. que assume as formas tradicionais da cooperação aldeã. { j . que ou lhes pagam ou os compensam organizando uma festa._Por exemplo. que se toma assim antes uma ocasião para demonstrar a riqueza e o prestígio de quem oferece. pode desenvolver-se uma verdadeira exploração do homem pelo homem. o processo de trabalho assume formas individuais . Em certos casos. Pelo contrário. mas de dimensão mais pequena que o que serviu para a derruba da floresta.amoeda»_é. entre os Incas.caç~~ !rabalh. ao passo que as diferentes o~raçõ~s da produ~o. o cambio de mano da Colômbia. Temos o exemplo dos grupos de trabalho do Daomé.ção de «pagar na ~sJll. nas mesmas comunidades e encontramos no Bornéu. por sexo e por idade. entre os Slang Dyaks. Mas muitas vezes os grupos de trabalho não rituais podem Sêr utilizados por um indivíduo que completerá o contributo deles com o recrutamento de vários trabalhadores assalariados pagos à tarefa. se dá uma festa de ~arácier muitas vezes ritual. a medida da reciprocidade é o tempo de trabal~o . com muita fre166 j . é também o caso ne Ha:ti. -Estas formas de reciprocidade podem igualmente servir de instrumento de exploração do homem. Em todas -estas sociedades existe uma dupla divisão do trabalho. porém. Nas sociedades de caçadores-colec!ores as t!lrefas da colecta-pertencem às mulh~~3!. e este facto opõe a habilidade técnica aos conhecimentos rurais e mágicos. N~s sociedades primitivas e rurais existem numerosas formas de cooperação no trabalho. o pagamento de um salário. e.am também o seu trabalho a indivíduos exteriores ao grupo. Os aldeões cultivam-lhe as terras e utilizam para isso as formas de cooperação que praticam entre si. o número dos participantes corresponde mais ou menos exacÜünente à tarefa a realizar.obriga. A reciprocidade no trabalho exciui o uso da moeda.cretadas tarefas do que a eguivalêneia -do dia de tI'aoalho. os grupos existem sob uma forma permanente e trabalham alternadamente para os seus próprios membros.categoriaõ ayni que se encontra no Per\!. agrícola pertencerão a uma forma de recIprocidade sem festIVIdade. Estas duas formas coexistem. No segundo.:~í_ -~f> quência. A construção de uma casa realtzar-se-á por meio de um trabalho comunitário e terminará com uma festa.r l Formas de organização económica Após esta rápida análise das condições ecológicas d~ pr. A construção da paliçada que protege os quintais dos animais predatórios.s: aquelas em que a recipr()ádade entre os par. No primeiro caso. A segunda pertencem o convite da Colômbia e do Equador. deve enviar alguém no seu lugar.a a classes etárias. Em numerosas comunidades aldeãs africanas o chefe da aldeia não participa directamente nas tarefas produtivas.mutas_equilibradas de serviço~e_de_traballt°' . pertencem à prime:ra . uma grande afluência de indivíduos que participam ou não na tarefa está presente e partilha a refeição. . retnbUlra esta ajuda no dia em que o vizinho repara o tecto. organizados com base na perten(. o beneficiário da entreajuda fornece comida e bebida àqueles que o ajudam.-0" ": . sachar o quintal e colher os tubércl).. se o beneficiário da ajuda é incapaz de cumprir esta obrigação pessoalmente.verificamos que-a.Baruyas da Nova duiné o c{)r"teinicial das-arvo:-es na floresta é tarefa de um grupo de homens que trabalham colectivamente. que muitas vezes são guardados por uma minoria.i o Estado tinha elaborado um sistema de prestações de trabalho que utilizava como modelo as obrigações comunitárias recíprocas que eram conhecidas e compreendidas por 167 . As operações para plant:lf.?dução. -- :.los são tarefas individuais realizadas POl" mulheres. Em troca dos serviços que presta à comunidade. A ~Imensão dos grupos nos dois casos não é a mesma. estas duas formas de trabalho recíproco aplica~ a diferentes tarefas produtivas. embora ofereç. Ê assim "que e~tfêôs .. mas o seu consumo não reveste forma cerimonial muito acentuada. Conforme a natureza das tarefas.ticipantes no trabalho toma a forma de uma permuta de quantIdades de \trabalho e de serviços mais ou menos equivalentes e aquelas em :que. porcos selvagens ou domésticos é obra de um grupo. em compensação da ajuda prestada. o trabalho desta. na Índia.melro caso. portanto. liQs_çl!~O~ depçr.~paraoshomens. No pri. passaremos em revista algumas formas de orgamzaçao económica nas sociedades primitivas e rurais. a minga bailada do Equador.

castas socioprofissionais. o Estado não se limitava a desempenhar um papel negativo de exploração.cor. à prática da luta.tmua_ p<i:~a_c~5nr o conJ!ill(Q_das_slJas_neG~ss. A antropologia permitiu distinguir melhor aquilo que diferencia as formas de dependência pessoal que se encontram nas sociedades primitivas e rurais das formas europeias de escravatura ou de servidão. ou varnas. sistemas de socalcos ou de Irngaçao onde não existiam.<tS comunidades Iúcais. plantar e fazer a colheita.. pois. 168 ao fim de. como na índia. o descendente de escravos tornava-se automaticamente. Calculou-se que meia hora diária de trabalho suplementar despendida na agricultura permitiria a um homem produzir um excedente substancial de mandioca. e.ihos produtivos ~ improdutivos que ultrapassavam 3. que. ou jatis. Como ficou demonstrado por John Murra. na índia. a forma de mercadorias. seg~ndo graus descendentes de pureza religiosa e ritual. Todavia. é que o __h. mas não o fazem. Em nossos dias. acompanhados de cân~lcos e de ~uslca. E tudo «sem nenhuma paga». Impunha a construção de. e. Obrigava os trabalhadores a virem ve~tidos de r. a forma que tomou nas sociedades grega e latina.' A escravatura não reveste. Foi assim que Salisbury descreveu na sua obra From Stone to Steel os efeitos da substituição do machado de pedra pelo machado de aço entre os Sianes da Nova Guiné. encontram-se numerosos exemplos de utilização de escravos na produção.ão e obrigou cada homem casado a fornecer uma certa quantidade de trabalho para cultivar terras atribuídas ao E~tado e à Igreja. à dança. Para a realização daqucles trabalhos que ultrapassavam os meIOs das comunidades locais era indispensável uma centralização do püdcr ecorrómico e político.!f. Em certas sociedades africanas. esta questão é retomada com base na observação directa das sociedades primitivas e a partir de estatísticas de tempos de trabalho e de produtividade baseadas em períodos mais ou menos longos. em formas tradicionais. O Estado fornecia as alfaias. Em quase lódos os casos~ãs sõêieôades prim:tiv"s pederiam produzir um excedente. em muitos casos. ao que parece. o que as situava erradamente no modo de evolução das sociedades ocidentais tomado como modelo universalmente necessário de evolução. após se ter apoderado de uma parte das terras das tribos subjugadas. O Estado inca. hierarquizadas desde o brâmane até aos sudras e aos intocáveis. ocupavam 80 % do tempo de trabalho dos homens quando estavam equipados de machados de pedra.se nas sociedades rurais. um homem livre. agrupadas em quatro grandes castas religiosas.:Ía amazónica. cujas mulheres muitas vezes são oleiras.lpa domingueira e em família. que praticam a agricultura em queimadas e a pesca. Consagram as restantes dez ou doze horas do dia ao repouso.Blas Valera chamava a esta reciprocidade a «lei de fraternidade» e acentu~va que todos os habitantes das aldeias Índias dos Andes se ajudavam mutuamente para arrotear. tirando as suas condições de existência do trabalho das populações subjugadas. que se baseavam na reciprocidade e na igualdade dos membros das comunidades índias. Outras fermas de divisão complexa do trabalho encontram. A produção de um excedente Uma das razões invocadas para explicar os progressos da divisão social do trabalho e o aparecimento de formas de exploração do homem pelo homem é a existência ou não da capacidade de produzir um excedente para além das necessidades dos produtores directos. etc.tc. fornecem \I quadro gerai da organização J::l saciedade.o_e_traQª!ha de f~çles. recenseou toda a populaç. A existência de um excedente potencial ou real não acarreta automaticamente um desenvolvimento económico.todos os membros das tribos'submetidas. escala o. em certos casos.oJ11e~ prim~t~? trabalhc:Y-21. que se tendia demasiadamente a projectar sobre as sociedades exóticas. Este mantém-se no estado potencial. às passeatas. onde o escravo era muito frequentemente o produtor essencial da riqueza material da sociedade e onde essa riqueza revestia. O teQlPo «ganho» 169 . O mais das vezes. infelizmente ainda pouco numerosos. Ao mesmo tempo. O resultado geral desses estudos. as sementes e a alimentação. esses escravos são cativos e a sua exploração exerce-se no âmbito de unidades familiares de produção. que implicam a exploração do homem pelo homem. É assim que Carneiro calculou que os Kuikurus da ba<. Desempenhava um papel positivo e alargava a base económica da s~ci~dad_e. A escravatura tem uma forma domé~tica. como entre os Songhals do Níger. Mesmo hOJe. Participando simultaneamente dos sistemas de castas e de classes.0'. não ocupavam mais de 50 % com o machado de aço. a análise teórica das condições de aparecimento e funcionamento do sistema das castas na índia (que por sua vez se desdobra num sistema de classes) encontra-se ainda no começo. Verificou-se que as actividades de subsistência.lQª-ªes. várias gerações. só àespendem três horas e meia em média por dia para assegurar a sua subsistência: duas horas para as actividades agrícolas e uma hora e meia para a pesca. os Kuikurus não têm nenhum motivo para produzir um tal excedente. como propendem a crê-lo muitos economistas. assiste-se aqUi a um esforço político e ideológico para vazar relações económicas novas. transformando-as assim em sociedades esclavagistas ou feudais. Uma das razões da passagem ao Estado c da diferenciação em classe dominante e classe rural par~ce ter sido a necessidade de c00rdcnar grandes traba. mas reveste imensa importância prática para compreender as condições de desenvolvimento futuro dessas sociedades. divulgava novas plantas cultivadas. Sãc as divisões em castas: castas de ferreiros em África.

ou desenvolve-se muito ientamente.s de condições -técni"cas. ou o poder nos antigos reinos das ilhas polinésias de Tonga. como já acentuámos. mas ocupa na economia um lugar central. Controla a utilização córrecta da maior parte dos recursos naturais essenciais.~~j~ir sem elas. revestem os atributos do homem e assim são pensados. membros das comunidades aldeãs ou tribais locais. embora não ignorem que os cuidados prestados por um horticultor à sua horta contribuem para o êxito da colheita. . o chefe trabalha e apenas lhe poupam os trabalhos mais duros. A crença na magia.t~das.. Contudo. Os indivíduos ou os grupos sociais. etc. do fogo. conquistar um imenso poder social baseado no seu controlo (imaginário) das forças sobrenaturais.. tempo livre.Ànxodutividade do trabalho não se mede apenas em termos técnicoo enã~d~penae apena. O homem pensa-se capaz de se inserir. a produção é orientada pelas necessidades e não para o lucro. os seus lugares na produção são profundamente diferentes. ..~~- foLconsagrado pelos Sianes não a multiplicar os seus meios materiais de subsistência.ãepende também das. p. sobrenãttirizâção-dolioIneni~ Ao-dotar -espontaneamente as-realidãdês-naturais com -os' atributos do homem. Espontaneamente. os produtores directos. Não vamos entrar aqui numa análise do pensamento mítico e das práticas mágicas. Ao considerar 170 t ~.f. etc. descrito por Malinowski. o homem por sua vez dota-se de uma realidade e de um poder sobrenaturais. X correlação simples outrora suposta entre existência de um excedente. com a diferença de que controlam o que o homem não controla. E-P-Qssivelque a dOIÍlestic"açàodas plantas e dos ani~nha acompanhado de um imCllso desenvolvimento da magia e da religião.. A partir destas observações. é talvez a expressão da afirmação de um estrito determinismo. deixam de dispor de meios materiais e dos incitamentos psicológicos ao desenvolvimento da sua própria economia. Entre os caçadores c colectores o pensamento mágico e religioso está orientado para o culto de donos dos animais e das plantas. origem da cozinha. considerados como senhores da chuva. invenção da cultura. o capivara. pelas suas práticas mágicas.. realidades naturais como o jaguar. Nestas condições. o dos chefes de Tikopia. a economia não se desenvolve.conaiçõ@s-sociãfs. descrito por Firth. O que se mantém. senhores das magias.-desigualdades_soCiais.do ~esf!lõ moâogue_este~nãõ_po~de. preparação do sagu. puderam talvez. Parece ter sido nessas condiçõcsque_se_ope.or_l.Ção. apesar da prosperidade do reino. com os quais se firmam uma espécie de contratos que impõem ao homem não matar os animais sem razão e não desperdiçar os recursos naturais. As espécies domésticas não podem ~.existirsem _o:homcp1..!!.hªIQQ_LIlelo~gJ:avameti. antropomorfização da natl. No processo de produção toma a iniciativa das actividades agrícolas e da pesca e assegura a direcção das actividades cooperativas: pesca comunitária.~ a natureza por analogia com a sociedade reduzida à rede das relações intencionais entre os homens. prevendo 171 .o.. Samoa. Em Oinarakana. na maioria dos cas~~_a_passagem àagricultura30i-acompaQ. Nessas sociedades. . . Taiti. Podemos supor que novas práticas mágicas e religiosas se desenvolveram aquando da domesticação das plantas e dos animais e da introdução dos sistemas económicos que se baseiam na agricultura e na pastorícia primitivas. muito longe de contradizer a crença na causalidade e no determinismo. por outro. a relação do homem com a natureza já não é a mesma. impondo tabus que os subtraem ao consumo imediato e os acumulam para o futuro. quando o tributo exigido pelo Estado asteca é demasiado oneroso. Limitamo-nos a lembrar que o homem primitivo imagina espontaneamente as causas ocultas e as forças invisíveis que controlam a natureza e a sociedade de maneira analógica ao homem. (lossacerdotés--como grupO de homen~Rarados da2£Q.-Quando aCõrVehCéxigiâa pe1oE~tado incaé demasiadamente pesada. da fertilidade d?s plantas e dos animais. Assegura a sua conservação. entretanto. Esta escolha no uso do excedente exprime de facto a estrutura profunda das relações sociais de uma comunidade primitiva e a hierarquia dos valores na qual essas relações se exprimem. ~ 'Secomparar:t. das artes domésticas. o macaco uivador. . mas a multiplicar as guerras. etc. nessas condições. as viagens. Esta é uma das razões da desigualdade do desenvolvimento das sociedades e da transformação dos diversos modos de produção.-d.-'.lreza. em Tikopia.Jllágiçº~e rituaLMãlii1õW'Sl<iIiiõStrou em pormenor como os habitantes oãSílhlls Trobriand.1malongamento do dia de tra.nõSõ poder aos chefes na sociedade de Omarakalla. o trabalho. assente é que a diferenciação social e a existência de classes e do Estado supõem que os produtores fornecem um sobretrabalho para além do trabalho necessário à reprodução das suas condições de existência. já não aparece hoje baseada nos factos e exige uma reinterpretação das condições de evolução da vida social e da história. não é uma realidade simplesmente económicq~as sociedades primitivas e rurais! o trabalho é umª -opegção dupia que tem~õ aspeCtofécrucoe l!. o chefe é ainda um produtor directo. progresso da civilização. o pensamento primitivo cria um duplo efeito. na cadeia das causalidades necessárias de ordem natural. Nas economias baseadas na exploração de plantas e àe animais domésticos. Em todas as formas de produção que enumerámos. O sagrado é por esta razão uma categoria prática e espontânea da experiência humana primitiva da natureza e da sociedade. arqueólogos e etnólogos reinterpretam em nossós dias a revólução neolítica e constatam que..ma~IKcJ. etc. acentuam que esse trabalho não basta e que a magia é indispensável para garantir a colheita. Por um lado.hada. 'verificamos nos três casos que esses chefes têm o monopólio dos mais fortes poderes mágicos que garantem a fertilidade e que eles põem ao serviço das suas comunidades. as festas.iou_o~arecjmento.

qual seja a das rela?ões dos homens entre si no controlo dos meios de produção ISto é. o chefe é aquele que segura constantemente o leme. mas nos três casos a aristocracia. O produtor directo conserva o uso da sua parcela de terra. os chefes deixam de trabalhar. André G. no domínio económico são sobretudo de graus». sendo todas estas operações permitidas pela dureza dos grãos. Relações entre economia e fvrmas de .a relação com a natureza: papel da ecologia o~. a prova de um bom governo é não ter mais de intervir na marcha da sociedade: para o mundo mediterrâneo. 'ete. dos utensílios e do homem. Haudricourt isola dois tipos de tratamento do homem. Opõe mesmo o tipo chinês ao tipo ocidental do chefe ideal. tal como era praticada no Médio Oriente e na região mediterrânea. relação das ideologias com o conteudo ~as relações do homem com a natureza nas economias a~ropa~to~ls ou hortícolas. não há nunca contacto brutal no espaço. «na esfera espiritual e social. O arroz. O chefe descende directamente da divindade e controla o uso do solo.-. os utensilios e o homem. da terra. A desigualdade de que goza o chefe em Tikopia é. mas não pode decidir nenhuma sanção material contra aqueles que lhe recusam assistência. A colheita faz-se desenterrando com cuidado o tubérculo e envolvendo-o depois em folhas. as desigualdades são de natureza e irredutíveis . A sua acção é positiva: escolhe o itinerário que impõe a cada momento ao rebanho. nestes três exemplos. detém o monopólio dos paderes sobrenaturais e constitui o intermediário privilegiado e obrigatório el1tr~ a sociedade e as forças sobrenaturais. O pastor acompanha dia e noite o seu rebanho. O segundo é característico da civilização ocidental. Uma espécie de amizade respeitosa existe entre os homens e as plantas. por um lado no seu aspecto técnico ..formas da divisão do trabalho trabalho individual. No caso da criação de gado. Exerce um direito de controlo último sobre as terras. .:r prosseguidas sistematicamente c permitirão descobrir as relações de cOITespondéilci:l mtem. podíamos entrar nã análise do problema das relações entre economia e formas de representação do mundo. sobretudo de carneiros. Esta cultura faz-se por uma espécie de acção indirecta negativa do homem sobre a planta. É um campo apenas começado a explorar e a que nos limitaremos a fazer algumas alusões. O homem comum não pode tocar em nenhum objecto utilizado pelo chefe: até mesmo a sua sombra não deve cair sobre a casa ou sobre as vestes deste.festas. pois. ' . mas pede ser espoliado se a gerir de maneira improdutiva ou se recusar contribuir para os trabalhos.agricultura. Faz-se uma lavra funda de terra vegetal e a seguir deitam-se-lhe inhames d~ semente. divisão em castas. defendê-los contra os lobos. Chegados a este ponto. Recebe e redistribuiu' uma grande quantidade de bens e estimula a sua acumulação para organizar grandes cerimónias que integram a sociedade a um nível mais vasto que o clã. «A sua acção é directa: contactos por meio da mão ou do cajado . 'etc. Paia os Chineses. Nos Até aqui analisámos o processo de produção. Semelhantes aníllises devem st. Como nota R. pelo contrário. Tem direito à assistência material dos membros desse clã. taros.por outro lad~ na su. o bom pastor. é o püstor que conduz a Cilda passo o seu rebanho.' Contrata especialistas eretribuiu-os para construírem os grandes canais marítimos e as grandes redes de pesca. as formas de desigualdade económica e social são profundamente diferentes. Há agora que analisar uma outra dlmensao Interna do processo de produção. exige um campo tão «fabricado» como uma lavra de inhames ou uma vala de taros: é preciso uma superfície bem nivelada cercada de pequenos diques.Udricourt recorda a propósito a idealização poética do pastor na literatura. Por assim dizer. trabalho colectivo.as entre formas do pensamento e de ideologia e o próprio conteudo das relações económicas e sociais. por arrancamento ou corte. batatas-doces.-- as' . Um número concisderável de tabus cerca a pessoa do chefe supremo.. O tratamento hortícola e o tratamento agropastoril. Pelo contrário. tem de escolher os pastos. os grandes canais e os bens mais preciosos do seu clã. temos um modelo de acção directa positiva do homem sobre a natureza. Haudricourt mostrou a oposição que existia entre diferentes tipos de actividades económicas e diferentes tipos de representação do mundo. o calcar de um rebanho na superfície do solo podia bastar para enterrar os grãos semeados a esmo. a minoria dominante. cão que mordisca o carneiro para dirigir. exceptuado o arroz. a agricultura de cereais. e. nem simultaneidade.» A partir destas análises. Depois de uma colheita brutal. Arbitra diferendos e às vezes recorre à força contra os grandes delinquentes. Em Hawai. e H:l. Firth. o confucionismo. etc. a ovelha tresmalhada de Os Evangelhos. O primeiro é característico da civilização chinesa é sobretudo da sua ideologia dominante. o homem que é lobo do homem dos latinos.eprescnt2ção começos da . dupla. a um mvel maIs complexo. é de novo o calcar dos animais que serve para debulhar e separar os grãos da palha. A agricultura vegetativa dos Melanésios baseia-se na cultura de tubérculos: inhames. do mar e das águas destinadas à irrigação. A documentação recolh!da sobre as formas de propriedade e de uso do solo nas SOCIedades primitivas e rurais é imensa 172 173 O controlo dos meios de produção: a terra.. no tempo com o ser domesticado.. transportar os cordeiros recém-nascidos nas passagens difíceis. Por conseguinte. pelo contrário. é caracterizada por relações «brutais» do homem com a planta.

não existia nas.grn_mais gg[{Jjdas instituições g~governam a posse. as árvores plantadas.. outras vezes. sociedades primitivas. tal como vimos atrás que para o homem primitivo o trabalho era vivido e pensado como a unidade interior e indivisível da magia e do saber técnico. que a noção de propriedade tem um campo de aplicação muito mais vasto que o f..JE!e que o clã controla os outros-grupos dependentes.e apresenta um quadro de infinita variedade. a todos os indivíduos uma garantia de acesso a esse recurso fundamental. a saber. exclusivo de qualquer outro direito concorrente. Deve-se notar igualmente o facto signifidativo de entre os Sianfs a terra ser colocada na mesma categoria das plantas sagradas e dos conhecimentos rituais. Várias formas de propriedade coexistem. ou do chefe do grupo familiar ou de um chefe de terras. a rede de caça.Em toda a parte existe um controlo social sobre a terra. etc.ro. Aqui vemos aplicar-se està noção a co~bccimeJ1tos rituais.Um indivíduo tem direitos de tipo meraf~ sobre u~ J objecto se é.. Para dar um exemplo da complexidade das formas de apropnação dos factores de produção escolheremos os Sianes da Nova Guiné. Como acentuou Carl Briiíkmann «a atribuição âa posse oa-terra' a um indivíduo enquanto . (Artigo «Land Tenure». Esta relaJão de. e atribuíram-lhe a propriedade do solo: o que permitiu a esse chefe de aldeia ou de grupo familiar desenvolver formas de exploração dos membros do seu grupo que não lhe eram possíveis antes da chegada da potência coloni~1. . Marx.raestes.uma e~c.c. Esses bens são apropriados pessoalmente e podem ser transfe.pnaçao mdlVldual.des~e século. Por exemplo. A existência de direitos comunitários sobre o solo.nlli os dois tipos de direil<Lm.fim_e_a!LCabo. dos conhecimentos rituais.Lno_c_ontrolQ. Vemos assim quantas interpretações erróneas cometeram mais ou menos voluntariamente as potências coloniais quando descobriram fn~mas de úroüriedade comum do solo. à manipulaçí'io de objectos sagrados.<LQr. da terra.tor-desse-slsteJ. demonstrar que a fórmula do comunismo primitivo.>: O conjunto 3õSistema combina.a!. fundiária».. machados. por meio da p. as contradições que . roupas) ou imateriais (conhecimento I ritual) são de dois tipos: \ . d.o. É responsável por ele perante a comunidade e os seus antepassados. -:. descobria-se que o mo do solo dependia das decisões do chefe da aldeia.uadro das sociedades muito mais compl:x. a noção de propnedade comum do solo não implicavàãüsêiíCiadedíréitos preci~os eo. como observou Lowie.efinidos do indivíduo soore o solo.sJ. pois.que na maioria das sociedades primitivas e rurais existem sistemas de «direitos combinados».!QPJ~.mesmo--9lJjecto. .. a enxada de pau das mulheres. que pode haver dois direitºs~de_propriedadJ:.~ os Sianes..se_ªp'licam . En.é eyl:dentemente a re. limitando._sobre-a-mesma-coisª. as flechas envenenadas dos caçadores.Os 'nteresses do grupo e os do indivíduo. É essa a regra de apropriação da terra. arranjando assim um pretexto legal para se apoderarem delas e constituírem terras de «coroa». 174 . O mesmo aconteée com a posse fundiária enquanto direito individual.. etc.. Maine. P~l. as armas. os utensílios. e. como um pai em relaçao aos filhos. esta noção de comunismo primitivo era uma caricatura do pensamento de Maur7r. identificando-se assim com a presença viva dos antepassados mortos e de todas as potências sobrenaturais._pam além do trabalho.obre o indivíduo.a saber. oferece. Com efeito. as regras de a]?-r02riação dos objectos I' materiars-(terra. Verifica-se. a p'ertença ao £!!!Ilo ~.ta:UQ. O que pode parecer uma contradição nos termos em relação à noção de propriedade do direito romano ou do direito civil moderno .. Umas vezes afirmaram que o solo . . ] é um conceito muito moderno que não pode ser aplicado totalmente.a~ym. .que é o funda~ento ~o sistema do.e. \ ridos.ieda<k. ou mais_iUOOa. no âmbito das economias mais primitivas de caça e de colecta. in Encyclopedia of lhe SociiirSCiences.er distinto de um grupo social [.:mples domínio das relações ecoilómicas. mais ainda.dade-coexistem na.. Um indivíduo tem direitoamfonka sobre um' objecto se .Ille~ma sociedade e várias formas qe-PIopr.q~priQcípío 3!!r_e. Entre estes dois tipos 'de regras existe uma relação de ordem: ~ se se tem com o solo uma relação de tipo merafo. Esses objectos podem ser as roupas.g.e. Kovalevski. ou seja a uma «relação amfonka». nas sociedades em que existe um direito.nã~ tinha proprietário e que as terras estaV<im «vagas».~. Qrd~.. No começo .ê1o. são propriedade individual e reconhecidas como tal. dei ap!~ulto~e ~~iadores de gado verifica-se gue a propne~..pr. tudo é de todos. os porcos. Deve-se' notar também. garante às gerações futuras a herança desse mesmo recurso. mesmo numa economia capitalista.9ill:. E significativo ver que a terra e 05 conhecimentos rituais pertencem à mesma categoria de propriedade.Q. ~.. das plantas sagradas. em relação a esse objecto..) . comii'iiíffii'o de uso do solo para a caça ou para a colecta. ou seja as casas 3enomens e as-liüliagens e afinal .9~d~nl~Jn~!:gt . como a onteceu na Austrália.sAireitos. Malinowski pensou ter alcançado uma grande vltóna sobre os teóricos do século XIX ao.~oJo_é.ade d? .L. . crendo ver russo uma objecção contra o materialismo histórico. controlo que «encarna» em t 17S . a zarabatana..ó-pri01iíéITvwiÚ. poiS'. esse objecto é como a sua sombra.rupo.epçãQ. J!Q. muito lonue de significar uma restrição e um impedimento ao uso do sol~ pelos indivíduos. então só o tra\ba!ho_ e~pr~~e na plant~ção das árvores dá direito à sua apro.. segundo a expressão de Malinowski. Váriasjormas de P.prlva(ia... De novo encontramos essa relação entre o homem primitivo e a natureza que tem sempre uma dimensão sagrada e impede de ver na terra um recurso «meramente» económico e material. pelo contrário. bens cuja tutela lhe per\ tence e que não pode transferir ou alienar..s.

No século XIX. é preciso primeiro partir d~ uma distinção entre categorias d~ produtos. J)entro. Para analisar este domínio.ão fortem~n te compartimentadas. sociedades primitivas os hens são_clas. E Louis Dumont. ou quatro grupos familiares de vinte a trinta pessoas.e:::a=&lia-p~-a_circuJa窺-s. tinha em toda a parte dl~el~os sobre a terra e esse direito sobre a terra fundava o seu dIreIto de colectar u'm imposto que por isso não. No século VI. Quando se arroteavam terras novas. O fact~ I~p~rtante e que. duas categori2. O clã já não era apenas um grupo de parentes. no quadro de uma história única da evolução agrária da humanidade. Cora Dubois distinguiu. há um grupo social com maIs dIreItos sob:e ~ terra do que os outros.dêSSãScategofiãrQuanoõ"fôi Introduzida a moêàa europeia. A propna aldeia.. estabelecido uma diferenciação da comunidade entre ricos e pobres.por um~<>. De uma maneira ~ na:. por exemplo. Entre os Tives da Nigéria os bens estavam divididos em três categorias: bens de subsistência. .a-por-umaêõji<. É neste contexto que o direito de tutela do chefe do clã sobre as terras comuns pôde transformar-se em instrumento de espoliação das terras da comunidade e de apropriação individual.Q"mas não se podia converter os oens oeprimeira categoria na segunda.º1!. personificar os interesses comuns da sociedade e transformar a pouco e pouco o seu poder de função em poder de exploração económica e social. os bens de subsistência e os bens de prestígio. de denominador comum entre estas três categorias de bens. c.múltiplas instituições. transformam as antigas formas de propriedade nos seus contrários e que a antropologia económica deve descobrir e analisar. Baden Powel1.. mtltulado Homo Hierarchicus. A determinação das diferenças e semelhanças entre essas formas de organização agrícola permitiria articular a antropologia económica com a sociologia rural.chefe de um. os prados em redor da aldeIa. \ desde:. se distingui~ daquilo a que se chama renda fundiária.d4s~=s. Nenhuma moeda servia.~t_IQcar um bem dêsubsistênei. n? seu estudo. pois. no seIO de cada aldeia exercia uma função semelhante à função real no mecanismo' geral do sistema de castas e do regime político do Estado indiano. de certa maneira. membros de clãs 176 estrangeiros que haviam deixado estabelecer~se como cultivadoresniediante O pagamento de certas taxas ao chefe do clã. os currais de gado e os ~uintais constituíam um eSlaç? chamado faichte. a estrutura social tradicional dos Tives ficou ameaçada. tin~a tentado . consoante o direito de propriedade era partIlhado entre vanos interesses como seja o governo ea comunidade aldeã. com as suas ptopriêdades de equivalente universal dos bens e do trabalho humano. metais) e mulheres. Paul Bohannan empregõli<JterflHH<mU'ltic~ntrãOa» para caracterizar a estrutura económica das sociedades primitivas e diferenciá-la do mercado e da produção mercantil.". Mas o facto fundament~1 .era que o Estado. homens livres adoptados de outros grupos familiares. transformaram a pouco e pouco uma parte desse património comum em propriedade sua. ou às vezes sistemas em que quatro grupos partIlham o direito de propriedade do solo. a qual formava a base de uma nova estratificação social em termos de classes. Até ao século VI d. os Irlandeses começaram c. os celtas p-ram criadores de gado que se deslocavam à maneira das tribos germânicas descritas por César dentro dos distritos pertencentes ao seu clã. bens de prestígio (escravos.de-cada~£. a floresta.alegoria um objecto podia ser tr~<!2.sificados em categorias lfier. Havia-se.m:q. e os Tives tentaram salvar a estrutura 177 . para nos voltarmos agora para as formas de circclação do produto social no seio dessas mesmas sociedades. chamavam-se seehter-faichte. A terra cultivada. Para dar um exemplo europ~u. Cada alJeía era composta de três. que ao mesmo tempo sugerem os resultados e os problemas da análise dos processos de produção no seio das sociedades primitivas e rurais. que resl?I8. mostrou que o dommante._por_exemplo. que era propriedade comum da aldeia.ha_pt:&Giesa. de maneira demasiado rígida mas útii. São estes mecanismos de diferenciação social que. O trabalho era praticado em comum. e o trabalho eaTeffa (içâv@iJR.~.. . em cada aldeia. Um dos problemas fundamentais da antropologia e da história económica é explicar como uma minoria social conseguiu encarnar. personificado no rei.an:ulias. na su~ grande obra Land Systems of British India. '~po fainiliar a!é ao rei de certos reinos' africanos:'ou dos antIgos remos germanicos. . ' o arrematante dos impostos régios e a com~ntdade aldeã. citemos o caso das comunidades célticas irlandes<ls. mas incluía escravos. estabelecer-se em aldeias sedentári~s e a praticar a agricultura. Cada grupo familiar podia fazer pastar o seu r~banho e utilizar a madeira da floresta segundo as suas necessIdades.:n em aglomerados separados dentro da mesma aldeIa.o. que áté então administravam as terras comuns em nome do clã. portanto.classlficar os tipos de propriedade fundiária na índIa eI? vános mod~l?s. O exemplo da antiga posse fundiária céltica que acabamos de mencionar mostra-nos também a existência de elementos comparáveis entre as organições agrícolas primitivas e as organizações rurais. . Não se pode. o trabalho fazia-se.s dt bens que circulam nas sociedades primitivas e rurais. ?u o governo. A partir do século VII verifica-se que os chefes de clã. nem na terceira.ulz-ª. gado. Formas não mercantis de circulação do produto social Fiquemo-nos por estas poucas observações.. sem recorrer à comunidade... que era propnedade de cada uma das .:m comum e depois as terras eram atribuídas a cada grupo famIlIar para seu uso individual.

dos tratados de paz e das festas religiosas. os seus filhos.m~ir.-gessQ... um antílope pode ser repartido entre sessenta ou cem indivíduos. discursos. Não é esse o caso dos Kwakiult. do artesanato. O possuidor da flecha não é forçosamente o caçador que a atirou. Numa economia de mercado. óleo de palma.a repartição é feita entre os próprios caçadores e o pro~ne~n? da flecha q~ando este é diferente daqueles. Á inexistência de um modo único de circulação dos bens em numerosas sociedades primitivas e rurais explica-se. se acrescentava às outras três e ~ra pe~utada ape~as pelos bens europeus importados ou por SI própna..s. distribuições e descrições ostensivas de bens. praticam-se a partilha e a dádiva recIproca.e. ~ -social. A tentativa falhou completa e rapidamente. uma terceIra dIStribuição se opera. Entre os Sianes.ch-é. as prestações segtlldas de redistnoUlçao pe~o bel1efi'ciário da prestação e o tributo. Semelhante interpretação desfigura alguns caracteres importantes do potlatch.. Uma pri. porcos que entram nas despesas ntuaIS por ocasião dos casamentos.9.ellLtestemunba-s-âa-àe-menstFayãG-de--prerreogatiy.. a dádiva transformava-se num empréstimo a juros que era pago a uma taxa usurária. depoIs.<. no fim desta série de sucessivas redistribuições. As dádivas constavam de cobertores. Em suma. objecto carregado de uma página de história e de mitos.:"" das suas trocas fazendo dessa moedaeuropeia uma quarta categoria que. entre os membros produtivos e improdutivos da sociedade. a carne é dIstnbUIda crua. Devemos distmgmr as formas nao mercantIs das formas mer~ Cjcaniis. o crédito é primeiro utilizado para o financiamento das empresas e o empréstimo é utilizado em actividades produtivas que permitirão tirar lUcro e reembolsar o empréstimo e os juros. Nas sociedades de caçãOores-cclectores. ~ssi.iais dos baleeiros. um~ivai mais_õg. os que receberam esta carne redistribuem-na uma segunda vez entre os seus parentes ~róximos e antes de mais os seus ~ogr~s. Entre as formas não . mas desta vez a carne pode ser. que interpretava essas cerimónias como uma especulação de bolsa. primitivas e rura. animais cosidas umas às outras e posteriormente 'çgm fadas aos estabelecimentos comen.conchas. E. originalmente fabricados a partir de cascas de cedro ou { de peles de. senão eliminadas. sem excluir a existência de nume~1ra:Lformas de circul~. 'a dádiva. propunha-se em lugar deles um objecto precioso de cobre.convidad_~. ao mesmo tempo. Cada categoria tinha pois. Nesta perspectiva. ao passo que no potlatch é o credor que dá o primeiro passo forçando o rival a aceitar as dádivas. descrito entre os Índios Kwakiult da Colômbia britânica por Boas no fim do séc. destruindo-o ceIjIJ1onialmente~-Muitas teorias foram aventadas para explicar o potlatch. os seus aliados. 'Estas cerimónias davam lugar a festas. Os caçadores áçam os animais grandes em grupo. cozida. Além disso.um cobre único no género e proclamava o seu triunfo sobre os rivais. Nenhum bem de uma categoria podia ser trocado por um bem de uma outra categoria.. a dádiva pode assumir a forma directa de um instrumento de com e ..-t~.. sobretudo. que são em número iimiado dentro dessas sociedades.ª!lll~~. entre as gerações.~al. b. As flechas são emprestadas entre caçadores e marcadas com um sinal de reconhecimento. uma forma própria de circulação. por um lado. que a distribuirá.Çfãdenecessária anõbcrt~Quarlao o número de cobertores a dar ou a devolver se tornava demasiadamente elevado. os bens sumptuários .91::ver e em LOrrsegU1T--aj1:iGa dos._nªQ mercantil dos ~s." segundo Barnett. noz de pandano. .e~os aI partilha. A carne pertence ao possuidor da flecha envenenada que atingiu primeirro o animal e o matou. m~chados ornamentais. ~>ª-º-d>e_indiv~s cerimoniosamente. estas operações de partilha e de dádiva indicam que as relações sociais são pessoais e que a sociedade não perdeu o controlo dos produtos do seu trabalho. os bens preciosos . torna-se a pouco e pouco dádiva pura e simples entre pessoas presentes. numa economia de mercado'.. da Nova Guiné os bens estavam divididos igualmente em categorias heterogéneas: os bens de subsistência _ produtos da agricultura. seus parentes ou aliados para ªfumular a g!!11nti.os bens na~ sociedades..:mteTia-dév. das iniciações. Vamos procurar apresentar rapidamente uma tipologia das formas de c!r~ulaç. plumas de aves do paraíso.z.. Através destas partilhas e destas dádivas exprimem-se as obrigações recíprocas entre os sexos. Quando um caçador atira uma flecha . a ausência ou o fraco desenvolvimento de uma verdadeira produção mercantil. sal. A tktica consistia em d~r a. como a dos Bosquímanos Kung do deserto de Kalahari. A escalada continuava até ao momento em que um indivíduo ou um grupo julgava estar na posse de .(l~:'l'. o principal 179 . O exemplo mais célebre da dádiva agonística é o pot[(ltch. e as quantidades distribuídas tornam-se cada vez maIS pequenas. e às Y£.. da colecta. e. Entretanto.is. é sempre o devedor que toma a iniciativa da divida. as suas esposas.ara -S$:r.ªl>Jamiliares)} .uenas suas primeiras fases parece imposta pelas relaçõ~ 178 de produção e de parentesco. XIX. tal como a do próprio Boas.potlaJ. e. Nestas formas de partilha e de dádiva as obrigações recíprocas dos parceiros sociais são solvidas e as tensões sociais reduzidas.tabaco..partilha •.ão d. por outro lado pela necessidade de controlar o acesso às mulheres ou aos es~tutos socüús privilegiados. pelo carácter limitado das trocas.que não lhe pertence sabe que dá a propriedade da caça abatIda ao pOSSUIdor da flecha.mercantis. o potlatch _O •.

J. vemos agora como certas formas de dádiva puderam transformar-se em iributos. um home'm deve dar ao marido de sua irmã-as pflí11ÍCÍ'i1:n!"as co~eitas. gado na Antiguidade ou entI:e os criadores nómadas.st"'a dádiva ao cunhado chamava-se urigl.cacau ou peça de teCido entre os Astecas. com o aparecimento \ de classes sociais exploradoras e do Estado. era praticada a taxas fixas. pimentos.ssas dádivas acumulava-se entre as suas mãos uma quantidade excepci~nal de bens que lhe permitia promover gra~ldes cerimónias e em geral integrar um certo numero de aldeias dentro de uma economia de distrito.a. chamada wasi.. Devemos distinguir dois tipos de permuta com moeda. interpretar a dádiva como um fenómeno que exprimia a estrutura total da sociedade. Mauss reteve do potlatch apenas as cerimónias em que se exprimiam rivalidades de partido. em que o aspecto agonístico sobrelevava todos os outros. sociedade matrilinear.ce?er bens de subsistência e dar em troca.. Na sua célebre teoria sobre a dádiva. Por meio ~(.i dade.ill. ou pelo menos a taxas que variavam normalmente conforme as estações. -. Ao mesmo tempo. por exemplo. Entre os bens permutados.id~ráveis quantidades de bens de subsistêI1Ci?. É nesta perspectiva que podemos analisar algumas formas de tributo que caracterizavam. que não pretende esgotar o inventá:-io das formas não mercantis de circulação dos bens. que depois eram trabalhadas. Só os chefes têm o direito d~ ser polígamos. isto ~. superando assim o carácter :stanque d. os astecas baseavam a riqueza do Estado num gigantesco sistema de cobranças de impostos às pessoas do povo pertencentes à sua própria sociedade e a todos os membros dos reinos e dos grupos tribais que haviam subjugado. Por essa via.{motivo do potlatch é a busca do prestígio honorffi~. 11 200 túnicas de mulher. assim como vimos as formas de propriedade I~omunitária do solo transformarem-se em formas de exploração dO homem pelo homem. e não a acumulação de riqueza matenal. o funcionamento da sociedade asteca.rt.rmJ. entre_os_Trobrian~. .de~a'!. sem que a competição pela repartição dos produtos preciosos tenha deixado de desempenhar um papel importante. conchas. . etc. a função é sempre a mesma. de receber e de restItUir sempre em proporção maior que a dádiva rec~b~da. Ao lado destas formas de troca existem formas de circulação simples com moeda. a fortiori. como o cunhado glorificado c glcrioso de toda a comunidade._tcmps formas de troca e por. sofrendo por vezes excepções devidas à abundância ou à penúria de um bem de troca. l~ preciso distinguir as formas simples dc circulação das mercadorias. com ou sem moeda.E.' ( Mais uma vez.lbu.!~ionar um-estatuto que. Formas mercantis de circulação dos bens i i I I i I Depois deste apanhado.m_b. 'E..~ategorias de bens que distinguem numerosas SOCiedadesprImitivas. Quando_se-pmduze. o chefe tornava-se instrumento de uma economia mais vasta que a de uma aldeia e. Esta permuta..s.) suficiente para sustentar 25 000 pessoas (funcionários. há um que ~se especializa na função de equivalente geral de todos os outros. no mana dos obJe~to~. ~. diversos objectos preciosos) para o domínio ?a repartição dos factores de produção entre os membros da socle- 180 J f ! . passaremos em revista algumas formas mercantis de circulação.I-ª. o fundamento dessas obrigações de dar. cortesãos.quiri:lo ou de criá-lo. que a das unidades familiares que são o quadro directo da produção. servidores._q~e se deve -encontrar o fundamento dessas obrIgações. das formas capitalistas de circulação das mercadorias.cto. por exemplo.í a 181 . Ji.a_p~e.do esta\ tuto político. 625 fardas de guerreiro. Grande parte deste tributo era composta de matérias-primas (plumas. Todos os anos. bens preciosos. parece que não ~ coisa. ouro e prata. etc. 3580 feixes de plumas e alimentação (milho. etc. pois. Sej~ qual for a natureza material desse bem .no~_descreveu como. metais preciosos).. em certas clrcunstanclas.enLP. «co~o um fenómeno social total».doscom. «Que força existe na coisa que se dá que faz dom que o beneficiário a restitua?» ~auss procurava numa propriedade mágica. num regime de corveias. pelos artesãos de Tenochtitlan. conseguinte de circulação mercantiLsenl-moeda. Acontece assim que recebem dos seus numerosos c:uílhe.:e os Tróbrialids:-MãliüõWSk:j-descreveu uma permuta regular de peixes por inliame entre as populações da costa e as populações agrí~olas do interior da ilha. e 'isso depois de a chegada dos brancos ter provocado uma queda brutal da demografia e introduzido uma enorme quantidade de moeda e de bens de ostentação. o chefe era o único que I?odia r. Mas procurou no própno obJecto a razão que forçava a dar e a restituir. Enquanto os Incas baseavam a riqueza do Estado e o poder da classe dominante antes de mais em prestações de trabalho. mas nas r~lações soclals.as.-uão perml!tados_cQJlloJrne_taxa-s-a€eites. ~~.). Já foi notado que o que Boas havia observado era u-m-potlatch' «enlouquecido». Procurou. O chefe apr~sentava-se. '_ Devemos também acentuar que as funções de redl5tnbUIçao dos bens através das dádivas têm uma grande importância e~onómica e social uas sociedades primitivas e rurais. e com razão. e tambem que o poJjãtcJi é"n1aisummeio de. 320 peles de aves. o soberano recebia dos trezentos e setenta e um grupos citados no códex Mendoza 123 400 vestidos de algodão ou de fibra. Podemos considerar a hipótese de o desenvolvimento de novas possibilidades produtivas nas sociedades tribais ter deslocado o centro estratégico da competição social do domínio da repartição dos elementos mais valorizados do produto social (plumas.

temos uma 'circulação da moeda como capital. feijão.. Era pr~ibido vender os produtos fora dos lecais de mercado. Uma CtrCUlaçao de bens entre as terras altas produtoras de milho.ociedadesorimitivasnão eram poJ2. Por exemplo. deferenciação étnica d. pelos chefes ou pelas reIs).. com hmltes determinados pela própria estrutura das relações sociais ~ '.m~ caplt:t~lsta de mercado. capitalista. de circu. po. Pode então aparecer uma \categoria profissional especializada tendo por função comprar Ou vender bens.. cortar e trazer. notamos que a produção era aqui mais rigorosamente organizada pelo poder central e que esta economia centralizada quas~ não dava margem ao desenvolvimento de uma classe de negociantes. compensações p~r hOD~JcldlOS 0. . que ligam os produto!es locais à sua economia nacional e através dela ao mercado mundial. Aparentemente.L~~C!.0so-s-daLs. múltiplas análises de mercados. Os comerciantes gozavam de grandes privilégios polít~cos e ec?nóm. quando os permutavam. Um dos pontos críticos desta dlscussao e a anahse das chamadas moedas primitivas. onde os produtores de bens complementar~s pod~m permutá-los numa base regional. q~er entre comunidades. algodão. Os dias oe mercado eram feriados. de venda ?ete:minado.r exemplo.. .~~pr-odução~e_d. o mais das vezes nunca por terra e por trabalho..econo. resolviam os conflitos cnüe vendedores e compradores. extstc~ Ciclos de merca?os que se realizam todos os dias num local diferente.mericanos e asiáticos permitem começar a distmgUlr vanos tIpos de mercado. a fim de cnar uma relação social (casamento. que a sua clrcu~ação entre os individuos e os grupos não trazIa um.ssuiam. De uma maneira geral. O produtor de uma M 1 venae-a e com o dinhetro _compra. a dificuldade teórica reside em evitar projectar sobre todos os tipos de mercados e para além das formas mercan~is (dá.s~cie~ dadS:llcomo fi. como. para reparar uma ruptura nas relaç.e-poder.ic. etc...indivíduo não podia colher nos recifes.os negoc!antes e dos . Em nossos dias. VII?. . e o chefe dos negociantes fixr. A venda realizava-se à peça ou por medida.1l~e as mercadorias.-l '. esses bens preciosos desempenhavam o papel da nossa moeda mas a breve trecho não se pôde ignorar que essas «moedas). os modelos tirados da .Em.cial. Cortez descreveu os imensos mercados de TenochtItlan. J?rovocava as actividades de uma classe especializada de negoctantes. . um capital.va o preço das mercadorias. etc.Malalta.Todavia. Os dentes de golfinho vinham dos Laus. socIaIs (oferendas aos antepassados. objectos de luxo acumulados e re?istribuíd?s pelos h?mens impor~antes. controlados pelos negociantcs.os.que o' dinhe. Este era também o caso dos mercados rurais na China tradicional. a~rica~lOs. Tribúnais especiais. na sociedade . quando num mercado alguém se apresenta com dmhetro para comprar mercadorias e revendê-las com lucro. : à antropologia económica deparam-se os. que as exportavam para os seus vizinhos..as sociedades preocupadas com a acu~ulação de objectos precIOSOS(adornos de plumas. cada produto tinha um lugar.0 ofensas). de golfinho..a mercadoria M 2 que ele não produz. dentes de porco. A permuta na? é onentada {para o lucro e o dinheiro não funciona como capttal. um valor de troca . quer dentro de uma comunidade. > 183 . entrada numa sociedade secreta. como acontece com a acumulação do capital nas sociedades mercantis capitalistas . Esperava-se deles um comportamento «humilde» e às vezes os bens dos comerciantes ricos eram confiscados pelo Estado. as braças de moeda de pérola branca vmham dos KwalOs.o:s.e este pode existir dentro dos mais diferentes modos de produção: modos de produção asiático. papel do regateio. pérolas.!:o "é_\}tilizado-como_sim~lesmeio. mas de usa e clrculaçao compartimentados.~o. etc. e. eB-ramenteJuncionavcrn de_ntrº_dessas.. e pc.consumidores ou dos produtores (negoctantes chineses na Ásta. por exemplo. portanto. pescadores de uma notável habilidade que viviam em pequeninas ilhas onde não se podia prat~car a agricult.ca_o comércIO estava extremamente desenvolvido..omplexo. etc._eJ!. Aqui. problemas clássicos da economia política: problema da formaçao dospre- I 182 ços num ~ercado regional.~e~valor_si-rnbólico_l~O ~ c.~es0ll. ~tc.:elOsae~permuta . A forma mais antiga de capital é o capttal mercantil. Se compararmos esta situação com a que reinava entre os Incas.) e com a s~a transformação num «fundo de poderes». As mós de pedra de Yap provinham de Ilhas mUlt? dtsta~tes e exigiam autênticas expedições marítimas para as tr extrair.Mas cram mal vistos se faziam alarde de nqueza e ae glcna. Aqui. Na sequência de Boas e Malinowski foram descobertas muit. muito mais ricas e fornecedoras de cacau. polir e perfurar maIs de duas braças de pérolas (no máximo) por mês. A esses mercados opõem-se as redes de mercados.oeda ou cO!11~Jroca~comercial. a~iança :p~lítica entre tribos).a Carl~s V. sirio-libaneses na África ladinos na Mesoamérica.). <?bjectos para exigir.ura e que trocavam esses dentes por por?os e ah~ent~s vegetais. -OJLQblectos:Rrecl.t:. etc. esclavagista. ou obtidos à custa de um grande trabalho ou. permuta~de_stinada ~ sati~~c. pri~itivas rarament~ se permutavam.). os pochteca.ne~ssida4~s. feud~l.. de compensações muito importantes em produtos raros. esquece-se geralmente que todos esses objcctos precIOsos e'ram fabricados. e as terras baixas da costa tropical.Eunciõiiavam como n. proporcIOnando assim a unificação de uma região económica. Nestes mercados.aste. redistribuição. para dar ou para redistribuir. Numa carta célebre . plumas de aves para adornos.div~. Nestas condições. os mercados sectori~is. Pe~o ~ntrário. desenvolVImento geral das forças produtivas. Esta circulação mercantil aumentava a circulação dos mesmos produtos sob a forma de tributo ao Estado asteca de que falámos atrás. ". para criar ou simbolizar uma posiçao SOCIalsupenor (potlatch. em meIOSde acesso as funções e aos estatutos mais valorizados dentro dessas sociedades.

por um lado.simples ou complexa. Pode-se compreender. Ora. acrescentemos duas breves anotações. mercadorias que às vezes se tornavam moeda e sÍm- f r • Pequenos búzios que serviam de moeda e que naz zonas de IIngua portuguesa são conhecidos por zimbos ou jinhos (do quimbundo njimbu). pois. consoante são permutados entre os grupos ou circulam den\ tro deles. ou seja \ m"s estruturas do parentesco e do poder.. em certas circunstâncias. ao nível dos próprios factos. finalmente. o que tornou confusas a apreensão e a análise dos próprios factos.fundo mais intimo das estruturas sociais. cujas funções não se confundiam. Nova Guiné circulavam cauris * provenientes das.s das suas duas funções a segunda é dominante.. pode-se compreender por que é que tantas análises ou afirmações de economistas e antropólogos a propósito das moedas primitivas são contraditórias ou parecem sê-lo..como por exemplo da índia. ma. Resumindo.multaneamente mercadoria e não mercadona. desde a Antiguidade até aos nossos dias. pois.gocá-lo por várias mercadorias de tipo diferente. por que é que a maioria dos povos primitivos manifestou. . objecto~ de permut. Dentro de cada sociedade circulavam o mais das vezes não já como mercadorias. essas contradições podem ter duas origens: ou porque. A existência de formas de produção e de 'circulação mercantis nãõindiéã por si só a natureza profunda dos diversos modos de produção dentro dos quais as encontramos.. determinados pelas próprias estruturas das sociedades primitivas. finalmente. da produção e do poder. organizados em tribos sem poder central. e que eram adquiridos para a troca de produtos locais raros. desde os primeiros contacto$. que. tornar-se-ia necessária e possível uma releitura cuidadosa da enorme documentação acumulada sobre as «moedas primitivas». ou sobretudo como objecto de adorno ou de dádiva. moeda. a ser exacta. 185 . porque se enraíza e toma sentido nas exigências d~s estruturas dominantes da organização social primitiva. ou com o modo de produção diversificado da sociedade asteca centralizada. no próprio pensamento do antropólogo. um objecto de peímuta social. e n:io dado uc redistíibuído. e nesse caso funcionava como moeda. O mesmo objecto muda. de função.muItifuncionais. «ético».sentido do . ou por alimentos crus ou cozidos.s também cada vez que é permutado entre meI?bros de um arupo. com base nestas distinções. ou porque. Se isto é exacto. sinais visíveis) da . \ Deve-se. e que circulavam sempre dentro de limites estreitos. Com efeito.a social. Nesse caso. notar que um objecto precioso não funciona como mercadoria apenas quando é importado ou exportado entre grupos. onde o trabalho e sobretudo a terra nunca se transformavam em mercadorias que se podem adquirir a troco de outras mercadorias.?nha sido manipulada come um capiial que é investido rara produzir lucros e <lcumulá-los. ~ É preciso ainda uma condição suplementar: que seja posslvel \. Vimos formas de circulação mercantil. todo o interior da •África.doria para se tornar um~ «moe~a» . mesmo quando se sobrepunham e se combinavam.' poiconseguinte. mas como objectos para dar ou para redistribuir no próprio processo da vida social. objecto de permuta social. alguns dos seus objcctos preciosos formas arc:ücas da nossa moeda.objectos . por que é que. Para concluir este rápido esboço das formas não mercantis e mercantis de circulação dos bens nas sociedades primitivas e rurais. quando circulam dentro de um grupo atraves do mecall1sm~ das dádivas e de outras formas de redistribuição. 184 bolos. Funcionam primeiro como mercadorias se se é obrigado a importá-los ou se são produzidos para exportação.. circula dentro desse grupo como mercadoria. e por outro lado qHC se ter. embora conservando durante muito tempo um aspecto «tradicional». as distinções teóricas entre mercadoria. das relações de parentesco. à entrada ou à saída de cada uma dessas sociedades. na maioria dos casos os objectos preciosos que circulavam entre as sociedades primitivas e no seu seio eram simultaneamente objectos de perm\lta comercial e objectos de permuta social. . tiravam:o seu . Portanto. ma. não eram claras. (Nota do tradutor). ou. Deve-se. um objecto para dar. Por exemplo. Funcion~m depois como objectos de prestigio.I I em. «moeda» e o ?bjecto para ~ dar. Por conseguinte. aliás. o objecto descrito pelo antropólogo foi apreendido quando funcionava sobretudo como mercadoria permutada. costas longínquas. a nossa análise. dá Ásia e da. esses objectos preciosos tomavam proviso~ riamente a forma de mercadorias trocadas a taxas fixas ou de fraca flutuação. embora possa aí circular o mais das vezes como uma não-mercadoria. sendo sl. precisar que não basta que um obJecto (~recioso circule como merc<:.eenàia a lógica das dádivas e ao mesmo tempo a da troca c da circulação simples <iasmercadorias. sua moeda t. que comp. embora rarame:1te a. esses objectos se despiram cada vez mais do seu carácter dominante de objectos para dar e se especializaram de forma dominante em objectos de comércio. como às vezes se diz.ham encontrado el1.hist6riá dos individuos e dos grupos. Eram. coexistir com um modo de produçãoi de horticultores melanésios. Pode-se também compreender. etc. bens para trocar e bens para exibir e para dar. obnga a conclUir que muitas vezes os objectos preciosos que encont~amos nas sociedades primitivas têm uma dup~a natureza. em Malaita um colar de pérolas rubras era trocado por porcos ou por utensílios de pedra lascada.

O que agora importa analisar é o consumo não directamente produtivo.e. É assim que o estudo das economias de caça tornou evidente o facto âe que nela:. à produção e à actividade mercantis.nte com fins lucrativos. A moeda é então o elemento e a finalidade da troca.ão completa das necessidades era pouca (já apontámos que era uma média de quatro horas por dia) e não confirmava a imagem tradicional de primitivos esmagados pela procura da subsistência. S'Odal. um tratamento sistemático das sociedades primitivas perturba logo as ideias feitas e as antigas evidências. capo 10. As necesssidades «socialmente» necessárias de um trabalhador irlandês. mas subsistem ainda imensas lacunas. voltada para a produção agrícola. em que via «uma arte de adquirir que não põe limites à riqueza e à aquisição . (Aristóteles.s. mas não o leite? Estas perguntas põem em evidência um elemento ideológico. c estes pontos já foram tratados aquando da análise da produção nas sociedades primitivas e rurais. qu. . por exemplo. relações comunitâiia. Para tanto.de uma maneira filosófica. nas sociedades capitalistas europeias. . realizada . esses pedaços de história que irão desaparecer para sempre. Vejamos... mas não a carne? Por que é que outros consomem a carne. por conseguinte.(je. comportam variantes culturais que a antropologia deve analisar...sistematicame. É difícil fazer um balanço completo das investigações em antropologia económica. . poucos trabalhos aprofundados.. Depois de Aristóteles. ou as que assentam na pesca como actividade dominante.que . É uma tarefa complexa que faz com que as análises finais dos modos de consumo se desenvolvam lentamente.'É ~ produção mercantil.. e para definir uma arte de bem viver . francês.) Opunha assim a produção para a satisfação de necessidades à produção para a troca e verificava que esta era uma ameaça para o equilíbrio da cidade grega... . maioria das sociedades primitivas desapareceu rapidamente. As informações que se lhe referem não têm a variedade e a diversidade das que tratam de sociedades de agricultores. Livro I. estabelece-se e desenvolve-se um \ prõCesso'""11eacumuhlção desigual das riquezas. desta vez mortais. A Política.. destrói '"as antigas re1ações comunitárias . • I . e a riqueza resultante desta arte de adquirir não tem limites». Outras surpresas teóricas surgirão certamente de inquéritos sistemáticos nos próximos anos. É assim que. deve ser capaz de apreender as relações de correspondência entre ideologia e . a história demonstrou à saciedade a legitimidade desta análise. e por conseguinte da manutenção da forma de trabalho. Por que é que certos povos consomem o leite do seu gado..~'. . . do mesmo modo que os clássicos e Marx haviam acentuado a importância do elemento «moral e histórico)+ na determinação do salário.outro lado. grego. Esses inquéritos são tanto mais necessários quanto é verdade que li. uma moral cívica. A este problema liga-se um outro. Depois de terem sobrevivido ao desenvolvimento de novos modos de produção baseados na escravatura ou noutras relações de dependência. aquele que mantém e renova a existência e a força de trabalho dos membros de uma sociedade. um trabalho teórico essencial da antropologia consiste em acumular. Grandes progressos foram já realizados no conhecimento das sociedades primitivas e rurais. Sobre este ponto existem poucos trabalhos..organização social e económica. A conclusão teórica que se impõe em nossos dias é que as sociedades primitivas apresentam uma diversidade de formas de produção e de organização social igualou superior às das 186 187 Formas do consumo .produção:ou:de Vida.> nos diversos processos de produção. Ora. Aristóteles opunha a economia «natural» das unidades domésticas. as formas de economia baseadas na criação de gado nómada.'DPor. Embora seja difícil conceber que este movimento pare ou que 'se possa verdadeiramente travá-lo. fundamental. Não pretendemos aqui analisar as í0rmas de consumo prcdutivo implicada. italiano. informações precisas sobre essas formas de vida social. Há aqui dificuldades específicas que exigem que se tome em conta toda a configuração cultural das sociedades.: . Certas formas de produção continuam mal conhecidas ou são mal estudadas. o mais depressa possível. . ~~ 10 e 17.:: é o das condições ele reprodução dos diversos sistemas eccn6micos. e também prático.que contribui para ~ diferenciação social e ameaça as antigas. em dois séculos de expansão capitalista industrial as sociedades primitivas recuam em todas as frentes e sofrem golpes. pelo menos. A DIVERSIDADE DAS SOCIEDADES PRIMITIVAS Convém terrrúnar este resumo dos problemas da análise das formas económicas primitivas e rurais com um estudo das formas do consumo. Conclusão' '. na análise do consumo. ou. a quantidade de trabalho necessário para a satisfaç. não é i circulação mercantil em geral. C9m ela.

. Todavia.rótulo único. o parentesco ou a religião podem funcionar. que.iais. e talvez r::es~o ajudar a resolvê-los.. da ideologia.piídefuii~. um poder tribal centralizado. Mais que qualquer outra ciência humana . E a funçãc política presen te nas antigas relações de parentesco que se desenvolve com base em problemas novos. os povos primitivos do mundo não são «pobres».:':~''"o . passam para um lugar diferente.. é preciso ao mesmo tempo desenvolver a teoria científica do parentesco.• ". que é o de saber por que e como é que numerosas sociedades sem classes evoluíram para relações de castas e classes e para o Estado. vêm ocupar o lugar central deixado livre. É estar pronto a reconhecer que...ao pôr em evidência a lógica original das estruturas e dos comportamentos económicos dentro de numerosas sociedades da África. Finalmente.. deve rejeitar as evidências aceites e inventar novos ~o. com o tempo. . sair dck e opor-se a ele. divórcio e oposição que foram necessários no começo do século para sair dos impasses e dos esquematismos impostos por uma rígida abordagem evolucionista das realidades primitivas e rurais.mas sem que esta missão lhe pertença em exclusivo -. directamente e de dentro.. do lugar ocupado por cada uma dessas estruturas segundo os tipos de modo de produção e o estudo das funções destes.. completamente a profissão de antropólogo. "1 . .e a sua existência não se limita a «subsistir». poderia contribuir para o desenvolvimento económico e social dessas regiões. Em termos técnicos. os bens de que têm necessidade não são «escassos». a antropologia pode dedicar-se ao problema central da história universal. como elemento e forma das relações de produção. não há para o Homem um Destmo Traglco.. em certas sociedades tribais sem autoridade central aparecem relações políticas novas.~. pois. c7'. passam a desempenhar um papel dominante. carregadas de novas funções. o marxismo poderá demonstrar a sua capacIdade de dirigir tanto as revoluções teóricas como as revoluções so:. Responder a esta pergunta equivale a esclarecer a evolução diferencial das sociedades e o destino singular das sociedades ocidentais. Em nossos dias. a antropologia. Nestas condições. Porque. descobrindo os obstáculos e indicando alguns elementos da estratégia necessária para os eliminar com o menor custo social.ju'ritã-l~s "sob -um' . Nãô?. mais do que o estudo das funções. verifica-se o fim do divórcio e da oposição entre a antropologia e a história.f-ro:'_~ ~-:'''<. E para os explicar. de maneira permanente. praticada nesta perspectiva marxista. da Ásia. 188 189 .sco que se transforma misteriosamente em relações polític:as. O estudo científico da evolução das estruturas sociais não é.. isto é. praticar. a antropologia económica.::. que parecem prolongar o parentesco. este problema reduz-se 'a saber por que e como é que as relações de parentesco deixaram de desempenhar na vida social o papel dominante e por que é que a partir de um certo limite se construíram fora do parentesco novas relações sociais.... das formas. e contanto que se desembarace de tod? o dogmatismo.. Por conseguinte. há apenas dramas históricos.'" -.Uríií( das'larefa'sqéófiêâs: da antropologia é analisar e explicar essas diversidades e esclarecer as diversas formas de evolução e de passagem de certas sociedades primitivas sem classes a certas sociedades de classes. a antropologia económica lembra à economia política os limites da sua realidade teórica e à cultura ocidental o fundo dos seus preconceitos ideológicos. Estudar a causalidade da economia sobre o modo de organização e sobre a evolução da vida social não é praticar um materialismo sumário.de classes . Mas não é o parentc.. em certas condições. sccundário na vida social. Efectivamente. da importância.d?s de pensamento para penetrar na lógica profunda da HlstorIa do Homem. como se fez no século XIX classificândo~as nàcategoria de «comunismo priniitivo>}. . a um nível prático imediato.. da América e da Oceânia. sociedades . para explicar estas. A antropologia económica.': -:0"0 . e novas relações sociais. vemos hOJe claramente que só quando se multiplicaram as riquezas produtivas da humanidade é que apareceram e se opuseram riqueza e pobreza e que as riquezas apareceram como «naturalmen~e» esc~s~as.-:. como qualquer ClenCla. As relações de parentesco não desaparecem. 'o' . Por exemplo. não é pois uma disciplina que trata simplesmente das infra-estruturas. De facto. da politi ~a.