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SYLVIO ROMERO

ETHNOGRAPHIA
BRAZILETRA

ESTUDOS

CRÍTICOS

SOBRE

COUTO

DE MAGALHÃES, BARBOSA

RODRIGUES, THEOP1ÍILO

BRAGA E I.ADISLÁO NET-ÇO

KIÓ DE JANEIRO
I j i v r a r i a C l á s s i c a d e A l v e s «^
46 e 48, Rua de Gonçalves Dias, 46 e 48
1888

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A V.(\L.y APONTAMENTOS PARU Â HISTORIA DA LITTERATURA BRAZILEIRA NO SÉCULO XIX IV ETHNOGRAPHIt BRAZILEIRA .

i-rr DI • t n » n « n i n u i o i — «ioflBjJAxuco. .— ot.

SYLVIO ROMÉRO

ETHMRAPHIA
BRAZILEIRA

ESTUDOS

CRÍTICOS

SOBRE

COUTO

DE MAGALHÃES», BARBOSA RODRJGUES, THEOPHILÔ
BRAGA E LADISLÁO NETTO

RIO DE JANEIRO
L i v r a r i a C l á s s i c a d e J±.1+6B
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46 e 48, Roa de Gonçalves Dias, 4* e ,48
1888

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Conto de Magalhães .e os selvagens
brazileiros n

Quem não terá noticia das curiosidades que
sobre os indígenas, ainda ha poucos annos, de
toda a parte nos assaltavam.
A palavra curiosidades, que ahi fica, não exprime de modo algum que' scientificamente notáveis descobertas nos tenham sido reveladas ; refere-se ás abundantes inutilidades que então apanhavam-nos por todos os lados.
O romanticismo inane, desoÔTihecendo a primeira palavra de investigações positivas já muito
% * Região '. raças selvagens do Brazil, pelo Dr. Couto
de Magalhães, 1874. Memória reproduzida n ' 0 Selvagem,
r876.*w--Rio de Janeiro.

Os engano por estes produzidos dlo a prova. e as innocencias dos Selvagem d«*Brazil perante a historia. tinha entrado plenamente no domínio da sciencia. Esses escriptos até agora ficaram impunes e dominam ainda a quasi totalidade dos nossos litteratos. e é para notar que o primeiro motivo debatido. Nem a poesia levantou-lhe uma obra durável que lhe assegure títulos de nobreza .. neste século. o índio nâo era mais assompto de poesia. adiantara a serie dos trabalhos análogos.6 ETHXOORAPHM BRAZILEIRA espalhadas.multiplicou as extravagâncias e fez-nos do caboclo um ente formidável e rídicÜo! Entretanto.i primeira lauda de nossa vida pensante.' O poeta que escreveu esta memória. lá fora. e as cousas continuem no mesmo pé em que d'antes se achavam. A indiit-mania cresceu por fatalidade e acabou- . um artigo siquer que lhe trouxesse a luz definitiva. nem a crítica deixou um livro. nos Estados-Unidos por exemplo. nâo tenha feito o mais leve progresso. o da inspiração indiana de nossa poesia. entre os quaes destacam-se as paginas do Brazií e a Oceania de um outro nâo menos complacente e apaixonado. encomiada ainda boje. N. Nós outros por toda verdade tínhamos as ex1 quisitices do* dilettantes. isto é. está àoscripta essa questão e é muito dubitavel que se encontrem seis pessoas qoe lhe saibam do resultado.

a theon logia fecunda. J por ineonsciencia. as cousas mudaram de aspecto. Sem um motivo grandemente racional. é a verdade. Mas é exacto que o pátrio juizo -sente-se agora tomado de enjôo sobre esse ponto. de £Lartt. admiradores do tapuio. indicara que outro já é o rumo por . Haven e Mayer. Maur^í-e Fidel Lopes. resultado de suas <eabeças bem formadas. adjuntos aos de fitâsseur de Bourbourg^ Leon Rosny. não é qufe achasse o. Aqui na America mesma. ha muito. todos estes levianos avanços para o erro. o encanto a seus olhos. Si não temos idéas'seguras sobre a |8aio£_ parte das grandes indagações da sciencia Contemporânea. continuar a ser a nação mais atrazada sobre aquillo que constitue o nosso aaaior enlevo ! E esta. sua meia civilisação tão promettedora. e é ben> certo que a sua luz não chegou até cá. Os trabalhos' de Morton. .ESTUDOS CRÍTICOS . Vulgarisou idéas < iiiçorrectas sobre os aborígenes que a sciencia ainda não «orrigio entre nós.Nott e Gliddon.. estão por ser desfeitos neste paiz. Adam. Os grandes estudos anthropologicosje a critica religiosa desfizeram as trevas sobre aquellas inexactidões entre os que sabem pensar.„. e L.segredo do asitompto'*e elle tivesse perdido. não nos é licito a nos americanos. sem uma refutação inconcussa.onde tí&mpre caminhar. Essa poesia sublime de que erão dotados. Stephens.

Sem uma posse assas elevada dos últimos avanços do espirito no domínio da anthropologia e da lingüística. Couto de Magalhães. e somente por cila. Seu nobre autor ha de ter lido as extravagaa- . da critica mythologica e religiosa».. nem até um estudo convenientemente dirigido. ncar-se-hia bem perto do antigo terreno das velhas noçòes. e voltou-se para outra pane sem ura movei determinado. Não é menos exarto que para julga-la. mostra esse caracter em mui alto gráo. é preciso coraecer um pouco mais do que aquillo que (onstitue a provisão scientifica de algumas classes que se julgara muito adiantadas em nosso paia. somente pelo ínstincto da verdade. porém. Pela leitura da monographia do Dr. de certo ainda elle *c mostra abalisado para o trabalho que ctnprehendeu. Ainda esta não foi-nos de todo annunciada scientifi» amente. Nem o opusculo de que duu tonta. é um pouco arriscado pôr a mâo em cima do livro de que (alio. O espirito publico molesto» se de ser legado para o absurdo. Sem duvida o seu autor quiz encarar o selvagem pelo moderno racthodo e com as novas idéas. um producto acabado.. O seu livro nâo é.8 rruxocRamiA BRAZILEIRA * O caboclo foi dcsppareeendo das letras e hoj* nem todos sabem oo&e etle se achará!.

ESTUDOS CRÍTICOS

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cias, que a seu respeito, apparecêram de vários
pontos do paiz e deve-se ter" íncommodado. Alguns elogios traçados por quem evidentemente nada
entende do assumpto, alguns palavrões grotescos
por quem julga que a phrase desenxabida é a l d é a ,
devem-lhe ter deixado uma impressão desagradável.
Não é para menos. Quem publica um livro para o
qual despendeu grandes labores, quem atira á luz
o resultado de um estudo reflectido e recebe o
juizo desponderado do folhetinista estéril, tem estimulos para deixar de escrever neste paiz.
Não sei o. que será mais próprio para dar a»
prova do estado pouco lisongeiro da vida intellectual dos brazileiros, si os raros phenòmenos isolados de um ou outro producto no terreno da sciencia
sem côr e sem vida, ou si os juizos, as sentenças
absolutorias e elogiativas que arrancam do jornalismo incompetente.
Este ultimo symptoma parece de grande interesse para o diagnostico. Mas é t e m p # d e abrir
o livro do Dr. Couto de Magalhães.
Começa por umas paginas em que o escriptor
depôz as suas observações e reminiscencias de viajante. São de algum alcance para a geographia;
acho-lhes um certo ar de nobreza que faz amar as
regiões de que nos faliam.
São pouco abundantes e o autor é benemérito
das letras por ter poupado um grande sacrifício ao

IO*

KTHKOGRAPMIA BJRAZILEUU

seu leitor. Quero faBar da abstinência que tu de
toda a poesia impertinente, dos desvaríos romantí< (r> com que outro teria posto em prova o sen
gosto de meridional.
De rerto, dev rever sertões, fãllar das serras,
das mattas em que o selvagem se agita, e nâo soltar as rédeas ao corsd das falsas musas, é uma dignade que qualquer nacional nâo mostraria. Nâo é
que o comraedido autor nâo tivesse de longe em
longe as -*uas tentações que bem se deixam presentir...
A parte geographica do livro nâo é fcrtil em
grandes descobertas, nem tal ha sido o propósito
principal da empreza ; comtudo é a mais forte.
Descendo pelos assertos geológicos e, gradualmente, pelos anthropologicos e lingüísticos, é licito
parar aqui e acolá, fazendo algumas ponderações
que a leitura desperta. Tanto quanto um espirito
educado em uma das nossas faculdades de direito,
sem estudos altamente especiaes, pode-se achar em
dia com as questões que o assumpto requer, o nosso
escriptor se acha.
Uma das suas theses estimadas é a de cruzamentos pre-historícos de nosso caboclo com alguma
raça branca.
Nâo é nova: mas eis o que elk nos dia:
« . . . existindo nas raças indígenas do Brasil vestígios de antigos cruzamentos com o branco, sobre-

ESTUDOS CRÍTICOS

II

tudo, entre os que faliam a língua tupy, e não
existindo nessa língua os vestígios do sanscrito que
se encontram no quichúa, segue-se que a raça branca
aryana que com os Incas cruzou o tronco vermelho do Peru e America Central, não foi a que
cruzou com os nossos selvagens. » *
Este período encerra três pequeninas inexactidões... «não existindo vestígios do sanscrito».
O autor sempre que, referindo-se a Fidel Lopes, tem
de fallar de misturas de línguas aryanas com o
quichúa, aO bico de sua penna só chega o vocábulo sanscrito, como si as línguas, aryanas fossem
somente aquella. O escriptor platino em seu pretendido estudo de philologia comparada não se limita a mostrar o parentesco da lingua dos Pirhuas
só com o dialecto dos Vedas. Si o fizesse seria,
pelo menos, incompleto. Elle não se esquece do
zend, do gothico, do grego, do latim, e até do
islandez, do saxonio, do lithuanio e do moderno
allemão e inglez a par do sanscrito.
« . . . que com os Incas cruzou...» O emprego
exclusivo do termo Incas quando falia dos antigos
habitantes do Peru não- parece muito explicável.
O philologo acima lembrado nunca usa de semelhante palavra para expressar as raças peruanas;
em seu1 livro são abundantes... Quichúas, Pirhuase
* Pag. 36.

do Peru e America Central...13 ETHNOGRAPHIA BRAZILEIRA Purhuas e nâo Incas» que foram apenas uma dinastia e a ultima de todas. « ..a raça branca aryana que com os Incas cruzou o tronco vermelho do Peru.. mis é mister algum esquecimento para fallar de Incas como de uma naeãa. « .» Si o ethnologo brasileiro admitte.. a realidade de um ramo de população branca mesclada as tribus selvagens do Peru. «. » Nâo! as raças do Peru foram mui diversas das da America Central. de outro modo teria. notado a lucta que elle abre com Bsasseur de Bourbourg sobre a cegueira que tem este de transportar as idéas do México e da America Central para o resto do Continente ! Aquelle período nâo contém somente os três descuidos apontados que indicam a pouca dextresa do escríptor no manejo do assumpto.que nâo passaram. Parece que nunca será determinada a verdade sobre as migrações pre7historícas das raças peruanas. de últimos chefes da velha raça dos quichúas.. e esta — distineta dos quichoas. 'outro nâo foi senão esse mesmo dos Incas. O nosso autor parece que nâo leu bem o Fidel Lopes. como ficou notado... nâo foi a que cruzou com os .. Nâo é tudo. Um ponto decididamente esquisito é este... como claramente o faz.

pois a lingua tupy não mostra vestígio algum das linguas indo-germànicas. aliás pouco provável. não vejo que outra sahida possam ter para o problema sinão essas mesmas raças aryanas que. talvez. ha de convir também que não foi nenhuma das da-familia semitica. o árabe. porque nunca andaram pelo grande araxá central. porque o tupy não tem parentesco algum com o hebreu. o phenicio. admittindo com o illustre viajante este facto. a philologia e a sciencia das religiões entre as raças superiores só duas grandes famílias genuinamente brancas reconhecem : — a aryana e a semitica.. se dera o acontecimento. mas declara bem . » E qual seria então esta? Não existe quem ignore que a etimologia. Perfeitamente . É o que sustenta o Dr.. se estabeleceram no Peru. dizem. ou qualquer outra lingua do mesmo grupo. é devido á pequena escala em que. mas.ESTUDOS CRÍTICOS 13 nossos selvagens. O monographista diz que na lingua tupy não se deparam vestígios do sanscrito. Os que não se acham em estado de resolver directamente si entre as tribus selvagens brazileiras existem amostras de cruzamentos pre-historicos com o branco. Couto. Não foi um ramo qualquer aryano que por aqui passou. E si os vestígios que na lingua ficaram são raros. onde fervilha a grey cabocla.

elle (a raiz tep. et designe par consequent le pays situe à 1'est de linde. Nodal e Brasseur batia taber Ur. Veragua. Paraguasso. si houvesse pensado mais. Julgo ser isto muito pouco. Paraná» Paranaguá. Como explica o nosso ethnologo a presença de um radical sanscrito. veut dire en sanscrit 1'oríent^ Ia roer.14 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA alto que para a convicção dos resultados a que chegaram Fidel Lopes. etc. Brasil ou Para-sil. les montagnes d'or. em nome de paises onde se fâllou o tupy ou guarany e nâo o quichoa ? Ainda nâo basta.. le soleil. > Poderam-se-lhes juntar— Para. pois o nobre escriptor. avec tous ses caracteres principaux. tap. teria se recordado que na singular obra Les Rates Arytmus du Pêrou se lém cousas assim: > • Le nom que \^f tribus emigrantes donoerent á leur nouvelle patrie rat Pérü. Aussi le mêroe radical se rencontre-t'-il plus ou moins corrompu sur tous les poimít da eontínent sud-amerüain: Paraguay ou Parahuay. Pernambuco e cem outros. Parina. Tupak-Yupanki. Parahyba. Peru. segundo o autor invocado. Paria». Beragua ou Pera-hua. Dis mais o interessante livro: « Cõmme expression de lumiére créatrice. en effet.. Tonas» . /a/) entre dans une serie de noms royaux et nationaux: Tupak-Amart.

y . qui -(*) Veja-se um artigo de Max Miiller sobre o PopolVuh de Brasseur em o seu livro — Ensaios sobre a historia das religiões. que conhece o tupy. qui ne servent trop sòuvent qu'à proüver que ce que l'on veut et qui ne peuvent revéler ní Ia distance des temps ni Ia nature des événemerits. Quer parecer que si o autor das Races 'Aryennes du /Vraj^iapplicasse o seu methodo ao guarany e ao tüpy transformava-os. deve saber que nesta -lingua entra muito a raiz em questão. (*) Subscrevo de boa mente estas verdades proferidas por um naturalista: « Les systèmes édifiés de toutes pièces à'1'aide des donnés de Ia linguistique. em outras tantas línguas aryanas.ESTUDOS CRÍTICOS 15 Tupys et mille autres que se donnent les tribus et les chefs de 1'Amerique. E claro que as afiírmações tão cathegoricas a que elle chegou não devem ser tão facilmente admittidas. de prompto. bastando lembrar-se das palavras tupan. taba e até do 'próprio nome da raça tupy ! O caso é para lançar na perplexidade o mais sereno dos espíritos. O avesamento em abusar de certos processos lingüísticos como methodo scientifico tem contribuído para o descrédito dos estudos americanos a par do celebre Livro dos selvagens. como pensa o philologo brazileiro. » O nosso autor.

note-se. ou chegará a aceitar que o tupy e o guarany tem também resíduos dos idiomas indo-germanicos.. entre outras. É demasiado. NÃO deve eximir-se.l6 ETHXOGRAPHIA BRAZILEIRA ont produit les résultats constates".. o quichúa ou qualquer outra lingua americana seja aryana. das l>alavras Brazil e tupy .. nem até que os povos que as falláram estivessem. ont souvent inspire une legitime défiance. esse martyrio dos philologos. Couto de Magalhães mostra-se ]K>uco disposto a conter-lhe os exageros. O escriptor platino encontra aryanos por toda a America do Sul: e infelizmente o Dr. da obrigação de explicar a origem sanscrita. a grande origem. Porém. alguma < ousa de análogo i nebulosa de Laplace. lhe deve os seus mysterios !. Ou deixa de crer tão amplamente na theoria dos philologos. Lopes e Nodal. não creio que . Para o bom francez o Yucatan é o principio da vida. sobre a lingua americana que elles estudaram.. Até o velho Egypto. » For haver encontrado algumas semelhanças entre as linguas e doutrinas do México e Guatemala e os idiomas e factos indo-curopéus. em . com que conta explicar as transmutações do pensamento. o abbade Brasseur foi achar naquelles paizes a sonhada origem das civilisaçôes. comtudo. a pátria dos hyerogliphos e do copta.

Antônio José Pinheiro Tupinambá vai publicar um "livro que se intitula. (*_) {*) Fallo com as noções que actualmente possuo a res"peito das populações aborígenes do paiz. pensa de modo diametralmente opposto ao Dr. da solução deste depende. a seu ver. Couto de Magalhães quanto ao tupy. elle nos diz em seu prólogo: « Para patentear as excellencias da lingua aborígene da minha pátria. declaro que não é licito a um conhecedor exacto da anthropologia do indígena braziléiro a simples lembrança do problema: si o tupy é uma lingua aryana. 2 . porém que eu provarei pertencer á família aryana e ser affim do sanscrito. ao menos. e também o S».. dos povos que com elles se entrelaçaram. Aponto somente a inconsequencia do Dr. . ou. Posteriormente o Sr.ESTUDOS CRÍTICOS Í7 remotas épocas. O autor.. e emquanto alguma descoberta inesperada nâo me venha pôr em estado de reformar minhas idéas. pelo que se vê. Tupinambá. Anafyse Phiíologica das Vozes Radicaes da lingua Ario-Tupyou Idioma Tupinambá. Carlos Hennig. em çontacto com as raças daquella origem. a segurança a respeito da «ârigcm dos selvagens que povoaram o Brazil. Appolinario Porto Alegre sustentou a mesma idéa do Sr. problema da mais instante importância . Couto de Magalhães em jurar nas palavras de Fidel Lopes e não admittir a origem ária de muitas expressões tupys! EHe é significativo em sua opirnião. Por maior que seja o comedimento que deva conservar.> Não é possível aquilatar desde já do mérito de semelhante èscriptò. lingua inconvenientemente classificada pelos sábios entre as barbaras. O tupy para este escriptor é uma lingua aryana. Recentemente os jornaesdão noticia de "que o Dr. e declara o. grego.

Não será pre< iso grande esforço imaginativo. ( ) . levando o seu leitor atravez de artifkrios. qualquer philologo. >.» de Martin» e 0 . Keparenvse nas raut-s. (*) (*) O leitor poder »< ha c m vencer de <JU*O fundada é a 'suspeita diante de alguns e-pecimens que lhe ofereço. abram-se « o/. e o :*/•-. irá provar a sua inteira filiação ao grupo dos idiomas indo-gennanii-os. porém. >ào um exemplo que nào deve ser esquecido do quanto pôde uma idéa systemalica quando revestida de formulas e de arpH ias lingüísticas. ..c. nem jxir em concurrencia avultadas provas de enganosas j)onderaçôes. um pouco exercido na arte do sophysma. entre outros..:/.) . /".. chuva. conto o quichoa. pretendendo provar a irmandade das línguas semitica» e das aryanas.ir.. <lc possibilidade. Com referencia ao tupy. intercalla entre as duas consoantes uma vogai. nâo c só \x>r M uni guia seguro para a filiação das raças humanas. chover. ir.-irrj. correr.l8 KIIINOOKAHHIA BRAZILEIRA È certo que a philologia. Aquella stiencia.•„•:. sAN«KR mar. J'. tihuUirio Ans^uiíkúa At Fidel Lopes. trabalhos caprichosos de liirt/ e lielitzsch. prcmxos ou sumxo» dos termos seguintes: TVPY Paraná uu Pará. mal interpretada e dirigida.r. /'. . (Esta rai* tem derivados em R. NSo ha mister de ir muito longe para a c o u » mostrar ^laiütca \i<nx. pôde offcrcf er certas apparencíasque tragam a confiança na vista <ontraria.

Protestam a favor desta idéa as qualidades moraes do indi- Tupan. Mir. planície alta. Ara. Mas são cousas que nada provam. Deus. Por aquelle methodo fora fácil provar o parentesco de todas as linguas do mundo. Man. R. Mirim. ir. fallar. fallar. retirar-se. sabir. Nan. diminuir. tempo. nem tão pouco um cruzamento qualquer com ellas. pedaço. do sanskrito Ka. ferir. Monháng. Tub. Aç. Tem «. pensar. protector. água. responder. ararihua. e Pá. raiz que no latim formou — arare. Maenduaçaba. porção. altura. Para aquillo não é necessária a descendência dos selvagens pátrios . derribar. Um. água. Jucá. roçar. dia. de Kad. pai. afastar-se. tupana. pensar.das nações indo-européas. e decidir-me pela these do aryanismo das línguas americanas.. obrar. tr«vãoj raio. prenv der. fogo. Pat. acabar. Kud. toda a parte. arahua. Maem. pensamento. Tap. resplandecer. mundo. tomados ao acaso. pequeno. aratio. derrotar. matar. arator. fazer. ou Ka. cume de montanha. Ij. Y ou Yg. queimar. brilhar. xa ou cha. com o Suff. • Tap. Ya. Puir. executar. Tata. examinar. Man.ESTUDOS CRÍTICOS 19 Era bem possível multiplicar exemplos. ir. além do facto da uniformidade das leis que presidiram ao desenvolvimento do espirito humano por . attentar. marchar. ir. Araxá. em quichúa Yahu. e no quichúa — Arakacha. Ca. tomar. suff.' luz. lume. Tup. Acyquira. e Vang. destruir. . JVeeng. corrente.

Ma/r. muitos séculos antes de sua dispersão pela terra! Mas nem é preciso sahir do terreno da philologia para provar a disparidade do tupy e dos idiomas a que o pretendem filiar. aldeia. cabeça. Donde em latim—mater. tio desaccorde» das dos povos a que o querem referir. Ala. donde—Mamd. Tap. ara. água corrente e a raiz. dia. acamgaata ra. Donde qaôcbáa A/ir. Uira-pára. Caaracy. basta lembrar seu desconhecimento dos metaes. ornamento. Afendar. ganhar. dados todos estes de posse dos Aryás. canoa. mtSL — ar. Tapacora. donde Zarammm cm tend e Kmkan em quichaa. criança. pai. sol. 7 ata. Ara. A mesma raiz. chefe. Ia. donde ara/ia em latim. Aeanga. Iara ou Igara. tira. ou sua psychología. Tmp.ao ITHNOCRAPHIA BRAZILEIRA gena brazileiro. sol. alimentar. Paya. matrimônio. homem. Amka. vermelhidão e Hiramam. exceUente. calor. ornar. oniao. ninho. em quente Tapa. liga vermelhr. obter. * A/. e cm qnichaa—mtamani. Cenas. casar. canna. Donde —Achan—Kara Pm. do pequeno cyclo do tempo — a semana. e soas qualidades anatômicas e phvsiologtcas. mama dor. logo. arco de atirar flecha». Entre outros factos. primeiro. . mamar. A pinha. «ara. fios de oaro. Tap. flecha. muito WBiimiin no tupy e no sanskriux lira. pai Ari. laço. metidara. chapar. cabeça. varão completo. mamar. e a falta de animaes domésticos. enfeite de cabeça. ahi Atitanga. casa.

tomadas ao diccionario. 470.ccordes.ESTUDOS CRÍTICOS 21 está a sua grammatica como prova severa de sua independência.—Recommendo todo este capitulo da obra citada aos amigos das identidades mais desa. Este signal tem todo o peso. pag. son príncipe vital. (**) Idem. apparaient tout d'abord complètement fixes. antes de tudo* está a grammatica. Ouçamos ainda o mesmo escriptor. mais ses qualítés distinctives. par Ernest Renan. fal-lando dos meros encontros: « La plupart tombent sur des racines dont Ia ressemblance s'explique. elle peut acquérir. deixando de apontar o que mais de perto se dirige ao quichúa e ao quichêe. «Cest que chaque langue est emprisonnée une fois pour toutes dans sa grammaire.. soit par l'onomatòpée. d'élégance et de douceur. si j'ose le dire. son âme. . pag. ibid. soit par desraisons tirées de Ia nature même de. 1'idée. não são sufricientes para provar o parentesco das línguas. par suite des temps. Não é que ache provadas as immigrações de (*) Histoire Génêrale des langues semitiques. 447. plus de grace. que constituem dois problemas mais caprichosos e especiaes dos estudos americanos. » (*) Algumas semelhanças puramente etymologicas. » (**) No que digo refiro-me particularmente ao tupy e ao guarany.

ellas que são mais bem firmadas do que as doutrinas philologicas que as acompanham. é que nâo fa^em o objecto deste estudo. Couto sabe bem que os locas eram somente chefes dos Quichoas e não uma nação. Couto de Magalhães. existentes nos actuaes selvagens brazileiros. £ ' n'tim erro histórico que se manifesta bem onde se acham as raízes da repugnância que mostra em admittir que os vestígios dos suppostos cruzamentos com o •branco. recente. os historiadores sao accordes em dizer que a historia dos reis do Periu abrangia . que tem muito mais peso do que o inexacto chromsta peruano. que abraça tão completamente as thtorias novíssimas sobre certas línguas do continente. Lopes. estribado em Montesinos. e mais. Acho um pouco exquisito que o Dr. n. todavia não se exímio de escrever o seguinte: • O cruzamento dos Incas é um facto comparativamente. as affirmativas históricas do autor platino. É porque acredita que a historia do império civilisado daquelle paiz abrangia o diminuto período de 400 annos: É o erro de Garcilazo refutado victoriosamente por F.facilmente.22 ETHNOGRAPHIA BRAZILEIRA Ar> ás imaginadas por Fidcl Lopes e Brasseur. Com eftéitq. fossem provindos dos pretendidos ar> anos do Peru. O Dr.v> houvesse aceito.

é sorprendente da parte de quem deve estar informado de que uma grande civilisação não se improvisa em 400 annos.mesma de Garcilazo. e que * Pag. a ultima dynastia. que é quasi o.ESTUDOS CRÍTICOS 23 um período de. sem metter em linha de conta Roma. a Grécia e o Oriente!' O Dr. lia Sinchi-Roka avec Manko-Kapac. et supprima d'un trent de plume quatre mille ans de Vhistoire du Pérou.Laet. considera a pretenção de explicar a civilisação peruana só com os Incas. 400 annos antes da descoberta da America. altera Ia tradiction entière. que acabo de citar. Medite bem o escriptor o capitulo da Races Aryennes du Péron que se intitula Rêtablissement des dynasties perúviniennes e veja o que nos diz d'este pedaço : « Ia :legende elle même n'osa pas lier. Magalhães entende que as raças civilisadas do Peru foram para lá com os Incas 400 annos antes da descoberta da America. 279. e muito menos em uma pagina em que cita a Fidel Lopes! Repetir o #rro de. » Não esperava lêr este período no livro do distincto ethnologo. . le deuzième Piruha. l'histoire des Incas à celle des anciennes dynasties. jusqu'à Garcilazo. en Espagne. » * O autor. como explicar a civilisação européa só com Carlos Magno. qui.

devera ser tida em conta a sua posição entre as outras populações'indianas do continente. nâo escreviam. si aquelles ei vieram* deviam ter sido muito anteriores aos Incas. anteriores aos Qtiichúas com seus Incas. e depois delia. Sem duvida. desde épocas altamente immemoriaes. Depois é que vieram os Incas nos tempos ditos modernos. quefiguramna sua idade média. e os poucos monumentos do Peru.. e a dos Amautas. que reinaram na época chamada a antigüidade peruana. conforme a hypothese de Fiel Lopes. o nosso selvagem. ultima dynastia peruana. As raças indígenas da America nâo poderio jamais ter uma historia. Mas cumpre notar a talta de documentos positivos que nos tivessem restado de todas ellas. « Já se vê porque é que elle considera os brancoé que cruzaram com as raças selvagens brazileiras. mas não haviam de ser anteriores aos ditos aryanas. naquella parte da America. foi o seu primeiro?* chefe! Onde ficam a dynastia extensissima doa Pirhuas. se estabeleceram.94 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA Manko-Kapak.. muito anterior. II Para a explicação do estado particular de atraso em que permaneceu até i descoberta do Brazil. que. do México e de Guatemala são insufrkientes para tal . regularmente.

Os philologos em geral. Nem o phenomeno é estranhavel. Basta lembrar os exageros de Hamilton sobre a pátria dos Pharaós. Reconhece-lhes alguma cousa capaz de provar notável gráo de adiantamento. até para aquelles que mais-se têm empenhado no •estudo do problema. .ESTUDOS CRÍTICOS 25 desideratum. imbuídos da justeza das vistas que lhes fornece o estudo comparativo * Brachet. É inexcedivel como prova de vacillação.das idéas indianas. historia propriamente tal não existe. As asserções dos sábios são meras conjecturas. E a sua classificação é ainda incompleta por mais de uma face. como as do Egypto. a maneira porque explicam o gênesis. 34 e 35. que de definitivamente determinado conta a sciencia contemporânea sobre velhas populações altamente cultas.i Que sabe de positivo a sciencia européa sobre a historia das populações celticas antes de Júlio César? * Ainda mais. que arrancaram a um sério espirito a seguinte exclamação: «"It is a shame that such non sense should be written in the ninetheenth century ! » As difterentes theorias explicativas da origem e do desenvolvimento das raças americanas estão bem longe de ter um apoio sério da sciencia. Grammaire Historique de Ia langue française. pags. por exemplo? Hypotheses mais ou menos bem fundadas e nada mais.

competente no assurnpto. sem prova sufficiente. aventuram-se a explicar semelhantemente as línguas americanas. cumpre observar que ellas correspondem a outras tantas ordens de idéas. Chaignet — IJI Pbikjwphie de •» du Langagc. e A. Não o é tanto pelo que se diz do grupo das turánas que Iv Renan. econômica. também distinetas na esphera religiosa. A classificação das línguas desta região. Quando o digo. poude algum tempo passar porfirmementeestabelecida. no empenho de ver reproduzidas as exactidòes dos seus achado por li. . sr míticas e tu ra nas devida a Mflller. longe dahi. A philologia nio deve esquecel-o: sempre que qttizer.. maximé as indo-germanícas. e 494. artística. denomina engenhosa hypothese de lingüista allemáo.da linguagem. política. refiro-me «i idéa preconcebida de encontrar aqui na America justamente os mesmos três typos de linguagem que é costume deparar na Ásia.. Ed. estudo que tem por base Um bem a historia.26 ETHNOORAPHIA BRAZILEIRA das línguas asiáticas. * Admittidas as três grandes ramificações. applicar a trioÊa asiat ira ao resto do mundo. * llistoire (ièiK-rale ito Langues Semiiiqnes. não quero taxar de absurdo o emprego do mesmo methodo ás línguas do nosso continente. em aryanas.

entre si cotejadas. as línguas das differentes tribus do Novo Mundo devam ser classificadas em grupos distinctos. & preciso observar -também que as dessimilhanças podem ter sua raiz na simples physica das regiões que habitaram. que de longe em longe mostrarem com as populações do velho mundo. com toda a segurança. Ha quem recorra ao . turanas. na historia. e ha também quem nos falle de cruzamentos s-emiticos como causa bem provável. É presumível que. as religiões. Não assim na America. aquillo que çonstitue o fundo mesmo da espécie. De igual sorte. as velhas populações do continente são aryanas. não é mister somente procurar-lhes uma paternidade algures. Para certa classe de escriptores.ESTUDOS CRÍTICOS 27 corre o perigo de falsificar a sciencia. É o que vai fazendo em larga escala para a America. as idéas. além da lingüística. podem ser filhas disso a que chamam os allemães o factor humano. Não está. nem mais nem menos.elle positivamente provado. as similitudes. Uma cousa deve aqui ser dita: pára explicar as differenças das famílias americanas entre si. onde falta este elemento do moderno methodo. que até certo ponto pareçam ter um parentesco qualquer com-as do antigo continente. A filiação dos povos de cada um dos grupos daquelles idiomas asiatíco-europeus tem uma base.

pede também uma razão que a explique. aconselham os competentes. Ê necessário um principio superior que. A historia. como demonstração sufficiente. em uma palavra. mais espalhada*} de mostrar a origem das idéas e povos americanos—a de umafiliaçãocom os asiáticos e a de um prodocto espontâneo do continente. contenha a prova da multiplicidade das ratas. Daily. a lingüística e a philosopbia devem ser precedidas pelas sciencias physicas e naturaes.-e a anthropologia no homem. A explicação carece de prova. da vida em surama. sinio é sempre certo que desnaturam as idéas sãs sobre a humanidade.. e depois deites.. das idéas. * • Sobre outro» tyatemat . liando o motivo das dessimilhanças da religião. É uma theoria nascida com o romantismo e levada aos últimos assentos do exagero. para explicar as differenças de civilisaçôes e doutrinas. A lei invocada. . para dar o motivo de todas as variedades que apresenta o j>ensamento humano nos períodos primitivos da historia. Duas são as maneiras.'« explicação veja-se—E. a geologia na'terra.?8 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA principio da raça. Smr ttt Rata Imdigena et tmr rartiiakgk ém tttxiamt. Esta lei são as leis mesmas que a cosmographia descobre no mundo.

Buckle. e que se notam encontros sobre as línguas e idéas das tribus americanas e as de alguns povos da Ásia.. que se pôde aceitar a probabilidade de uma transmigração pela chamada ponte aleutica. Draper.ESTUDOS CRÍTICOS 29 Este ultimo methodo não é destituído de peso. tomados em absoluto e exclusivamente. * Vide W. de um lado. W. Si é certo.T. Physics and Politics. mas. quer os meio civilisados. sobretudo. depois que Buckle explicou as civilisações do México e do Peru do mesmo modo porque determinou' as do Egy. dos mesmos resultados. offerecem mais de um embaraço. or Taughts on the application of the principies of natural selection and inheritance to political society. H.pto e da índia" como productos naturaes. History of the intellectual development of Europe. * Os dous systemas de provas têm a seu favor bem ponderadas razoas. não o é menos a falta das mesmas tendências e. . Os povos americanos. Bagchot. quer os inteiramente selvagens. History of Civilization in England . E a idéa que tende a predominar. seguiram uma evolução totalmente desaccorde com a dos seus suppostos irmãos do velho mundo. Os philosophos imbuídos das vistas de Dárwin vão achar as inspirações dos povos primitivos na physica dos paizes que habitaram e até nestes a sua origem.

os conheciam—' Prova convincente de que nossos índios não foram provi ndos daquellas regiões. ao passo que os povos da Ásia. 7 9 .3O EIHSOORAPHIA BRAZILEIRA Os nossos ditos aryanas quanto distam dos.os fura nos também! Acima de outros argumentos. Muito antes da separação dos aryas.de lá. . elles e os semitas. pag. si é verdade que as leis natu* Lenonnant. sob as mesmas influencias de cultura. do desuso pelos verdadeiros selvagens americanos dos mefaes. 90. Quem não conhece os celebres dolmens druidicos <om que a poesia tanto nos embalou e quem não sabe que nunca foram construídos pelos sacerdotes dos celtas? Hao sido encontrados na Europa toda. Z. desde as épocas mais afastadas os empregavam. Motodron. I. O que prova esse facto ? Uma lei geral: — O homem.* Por outra parte. Nâo e necessária uma só origem de todas as raças para explicar estas normalidades. que seria possível produzir. Os polygenistas estribam-se era Cactos taes e de cerio nâo cumpre obsecarmo-nos por talvez menos estudadas apparencias. produz por toda a parte os mesmos resultados. i. basta lembrar o farto. nos altos centros do velho mundo. pag. e até nas costas da África e no centro da índia. Premiera Onãsa/iams. Dt tAiuienmeti de lltammtt 2** panie. já ponderado.

é arriscado contestar no todo o facto das descendências da Ásia. que conta tantos defensores e affirmações tão cathegoricas. vol. communs aos povos daquelle continente. I 99. . e é exacta a falta de certos phenomenos característicos entre os povos do continente. talvez. as in the case of the Tschutschi. e a repetição de alguns factos idênticos? Sei que os estudos lingüísticos da America estão bem longe de offerecer alguma cousa de análogo aos assertos scientificos de obras. também já referida. Os trabalhos archeologicos acham-se na mesma altura. »* É verdade que este caso pôde não passar de um facto isolado. History of Civilization in England. como a Grammatica comparada das línguas indo-germanicas de Bopp ou a Historia e systema geral das línguas semiticas de Renan.ESTUDOS CRÍTICOS 31 raes sabem dar o movei das direcções que uma civilisação tenha tomado. como negar a filiação de algumas línguas. qual a ausência dos animaes domésticos. porém. No estado actual da sciencia. who are found in both continents. suppostos descidos da Ásia. * Buckle. como esta: « \ve now know that the inhabitants of the north-east of Ásia have at different times passed over to the northwest of America.

Simonin. pag. • Pourquoi. les Indiens des prairies. donc. quer se supponha uma só origem para toda a humanidade. II. da détroit de Behrtng au detroit de Magellan ? •* Em todo o caso. mais ne viennement jamais dans les prairies. ne descendem jamais jusque sur les plateaux mexicains . nâo se excluem. noctnrna* impenetrável. |ar exemple. quer se considere que a espécie appareceu espontaneamente em vários pontos da terra. mais positivo e melhor esclarecido. como algures. de que tenho (aliado. quotquetrês nômades. des Indiens des contrées boréales communiquent bica. avec les tribus sibériennea • par le détroit de Behríng.aim. Na historia dos povos mais antigos. deve distinguir-se a época das primeiras appariçoes do homem. par L. antes devem caminhar unidos.JS ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA Ouçamos o que nos diz um dos mais francos seguidores de que o homem americano i um prp* dueto do solo americano: «Aujourd'bui mente. tous ces Indiens auraintTs autre fois tente les migrations que l'on suppose. eu julgo que os dous systemas relativos a America. Aqui. do tempo das transmigraçoes. . tão longe quanto é dado remontar • Lll^mmt-Amtri. et ainsi des autres. et chassant sur des étendues de ferrai ns considérables. les Indiens du Méxique ne quittent non plus jamais leur sol natal.

no plató de Pamir para o occidente e sul da Ásia e para Europa. É esta a l e i : — sempre a presença de ignota população. Cousa semelhante parece ir-se determinando para a America. tão longe quanto é dado aprecia-la. pois. desde datas extre- . dando avisos de uma população que devera ser diversa das existentes no tempo da descoberta: Acham-se. tão alto'. largamente mesclados os povos de todas as regiões do globo. Na alta antigüidade do Velho Mundo. são conhecidos os achados de Squier e Davis sobre os documentos pre-historicos do território da grande republica. autochtone. sempre as nações emigrantes encontraram mais velhos habitadores nos paizes para onde se dirigiam.ESTUDOS CRÍTICOS 33 no domínio de suas tradições e conjecturas. sempre se nos deparam vestígios de uma raça anterior no México e Peru. Este facto perdeu toda a possibilidade de ser posto em duvida pelo estudo das migrações dos cuschito-semitas e dos aryanos do antigo centro em que viveram. occupando as regiões para onde as suas marchas os conduziam. provalmente unidos. qualquer que possa ter sido o concurso posterior de novas raças. Para os povos selvagens dos Estados-Unidos o facto guarda toda veracidade. quanto sobe o pensamento nas antigüidades de aztecas e quichuas. sempre acha-se uma população primitiva.

*93- .mundo e a sua crescente obscurídade para o novo continente e para o Brasil. sobre a classificação morpkokgita das línguas. PS«. C Xou and Geo. admittir a existência de uma popolaçio originaria do continente no período do homeai geológico. Conto de Magalhães. O capitulo em que trata dos idiomas americanos o demonstra de sobejo. * Á luz destas idéas. III O nosso illustre viajante nâo tirou a limpo aquelles factos. e.34 ETHSOORAPHIA BRAZILEIRA mamente remotas para ser ainda possível o env prego de um meio exclusivo na determinaçio dos moveis 'de suas idéas e do problema de sua origem Na incerteza em que laboramos sobre as antigüidades americanas. é necessário. o escríptoxgasta duas laudas em repetir umas idéas de Max MOlkr. nem o podia. R. Gfiddon. algumas transmutações das t ri bus americanas entre si. deve ser apreciada a monogiaphià do Dr. by J. t ransmigraçoes talvez do Velho Mondo em épocas posteriores. por alguns symptomas. • Note-se que das duas classificações apresen* Typa # / A/amima". que denunciam a incerteaa dos estudos ethnographlcos do velho . finalmente. já ultrapassado. É evidente a falsa segurança de que se acha possuído sobre o objecto de seu livro.

que o philologo allemão suppõe ser o laço que devera prender os dous grandes ramos da família turana. quando é certo que idiomas de natureza intrínseca differente podem pertencer a um mesmo grupo e vice-versa. As línguas semiticas e as aryanas. o chinez. buscando um alvo a que ella não se presta. essa é justamente a que vinha menos ao caso na monographia do nosso compatriota. uma vez que o seu illustre autor. poude aproveita-la para mais nada. Ei-lo que nos diz•:' « quando a anthropologia estiver mais adiantada. não. Em um livro em que se procuram as relações •de descendências das raças e das línguas americanas. sua filha primogênita. a lingüística.ESTUDOS CRÍTICOS 35 tadas por este celebre professor. entroncam-se no grupo dos idiomas de flexão. é claro que a divisão dos idiomas em monosyllabicos. é monosyllabico. agglutinantes e de flexão pouco tinha que vêr. tão distinctas por sua grammatica e construcção intima. que a simples apreciação morphologica não adianta para a filiação das línguas. São idéas na posse de todos hodiernamente. quando a classe a que pertence é agglutinante. e elle o reconhece. É sabido. ha de fixar regras de uma classificação . Por outro lado.

assim se exhibe: « . onde os motivos de tamanha convicção? . entre o tupy.KIRA mais profunda das línguas. que ha de auxiliar a classificação da família humana. • Não duvido que o progresso almejado pelo esf riptor venha a ter logar um dia . por qualquer outra face.*. com uma segurança <jue certamente nâo lhe pôde assistir. aliás desculpavel nos escriptores que tratam de matérias poucos firmes e onde a confiança nâo pode ser perfeita. será certo que absolutamente..fl F.. semiticos e turanos.THNOORAPHIA BRAZII. tem o direito de perguntar . o facto de das»: sificar-sc o tupy e o guarany no grupo das línguas ttiranas não quer dizer que ella tenha o menor gré» de parentesco com as línguas asiáticas. mas nâo tratou dessa theoria pela luz que delia poderia tirar para o seu alvo. todavia.e as línguas turanas nâo exista afinidade alguma? O philologo brazileiro falia categoricamente.. o nosso autor se expressa. • Concedido. Sem duvida o nosso illustre viajante refere algumas vezes estas expressões . quanto a argumentos tirados da simples apreciação morphologica . âf vezes. K. mas o que lhe não era li< ito ev|ue< er era a classificação jâ existente dos idiomas em aryanas. Ponderando que a roorphologia das línguas não é sufTkiente para determinar-lhes O parentesco. mas qualquer. Sua linguagem guarda uma certa côr obscura.

Percebe-se. não aventou sequer essa questão . de prompto. e que pôr vezes irrompe e se derrama sobre o papel.. entre si e em cada classe. que o nosso autor tem alguma idéa preconcebida que não delucidou em seu escripto. O livro de que dou conta não mostra qual á doutrina de seu autor sobre o gênesis dos povos americanos. entretanto.. Ainda mais. o mantchu.ESTUDOS CRÍTICOS 37 As línguas semiticas são como as aryanas de flexão. nem pela sua descendência da Ásia. questa corre il pericolo . são os dous grupos perfeitamente distinctos. e não serão phrases improvadas que o decidirão certamente. Como que elle se acha nas condições prescriptas pelo sábio italiano : « Quando un sistema d'idée conquide Ia mente. o thibetano. porque ? A philologia não o tirou completamente a limpo. mas. ou deixa-se ler entre as linhas. elle não declarou-se pelo indigenismo das raças do continente. as línguas de cada um dos dous grupos não serão no todo parentas ? Ainda uma vez: quaes as razões do indianolõgo nacional para dizer-nos que o tupy não tem parentesco algum com o mongolio. de longe em longe. as paginas de sua Memória dão-nos fragmentos de um ar um pouco absoluto.

mas nâo foram mais bem avisados.W s .3Í ETHNOORAFH1A BRAZILEIRA de perdere Ia sua liberta relativa e de muoverst mai sempre in un'orbita da atei prescrita. o capitulo que se inscreve — O Homem no Brasil. de posse da agricultura. O autor diz-nos com a maior convicção: • é facto fora de duvida que nossos selvagens erâo já agricultores muitos annos antes da descoberta da America. lacuna que o ethnologo explica pêlo facto de ter elle atravessado aquetle estádio algures. u s as suas palavras conflrmadoras deste ultimo acontecimento: « Nâo ha o menor vestígio que esses homens.* tenham sido pastores. sem industria assignalavel. Aceitaram erronea• Mcola MaiseUl — La Seüma dtBa Sfria. sem monumentos. «oL L Pt. • Mais adiante: • Essa raça já tinha vivido em outra região o tempo necessário para transpor os primeiros períodos da barbaria. »* Toco ao ponto mais interessante do^ Ensaia da Antropologia. Sâo t . • É notável'. sem ter sido aqui pastor. Os membros do Instituto Histórico deram neste ponto prova de alguma reluctancia. a Eis o caboclo brazileiro na sua maior parte atrazadissimo. nem mesmo que tenham domeaticado espécie alguma zoológica brasileira.

reconhecendo. . teriam para sua nova residência trazido os achados de uma tal evolução? Pois q u e ! Na viagem ter-se-hiam esquecido de tal adiantamento ? Não é possível. Para o conhecimento exacto da posição das populações primitivas e selvagens. e entre ellas os seus animaes.. é necessário consultar mais de uma sciencia. Entre os aryanos e semitas quem ha ahi que ignore a generalidade do facto da posse dos mesmos animaes domésticos? Não vio o nosso autor que. que a objecção era séria!. Couto respondeu-lhes com vantagem. Importa um desconhecimento completo da ethnographia esquecer este principio. Para elle a cousa não é porque os animaes não existissem. além do exterior.. período pastoril. si os selvagens do Brazil houvessem em outra parte passado pelo. Admira como o anthropologista olvidou-se tanto de uma lei geralmente reconhecida: — sempre que as po pulações emigram levam comsigo as suas industrias. apontando como motivo da lacuna o não ter a região que habitavam animaes próprios á dojnesticação. sim porque o estádio fora em outras paragens atravessado.domesticados.ESTUDOS CRÍTICOS 39 mente que os nossos* selvagens fossem já agricultores. É preciso encaral-as pelo lado psychologico. todavia. que não pôde •admittir contestação. O próprio Dr. em differentes estados.

40 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA As diíferentes sciencias dão-nos variadas classificações de i>eriodoi porque o homem tem passsdo. porém. subdivide aquelle primeiro em outras três épocas — a do naturalismo. Couto. O Dr. mais limitada ainda. sem prova bastante. que abrange um espaço muito mais limitado. segundo os testemunhos mais bem fundados. a sciencia do homem primitivo. metaphysiío e positivo . pastor e agricultor . no-lo dá no terceiro estádio da terceira classificação. a historia industrial dá as idades do homem caçador. quando falia deste m o d o : a elles (os americanos da Republica do norte) nâo podiam applicar o braço indígena senão na agricultura ou nas fabricas. Elle próprio encarTegou-se. Magalhães. I>e todas estas classificações o nosso gentio occii|»a sempre a primeira phase. depois de quatro séculos. de refutar-se quando nos diz que ainda hoje. depois de um tempo tâo considerável é que o descendente do caboclo é pastor! Prova-o o Dr. porque por uma lei traçada pela m i o .segundo o j>onto de vista em que se c o l l o c a m ^ . a idade da pedra e a dos metaes. a critica religiosa. a anthropomorphica e a monotheica. o índio e seu descendente são o vaqueiro por excellencia de toda a America do S u l ! Eis a h i .A philosophia estabelece os três grandes estados — theologúo. o indígena nâo se podia prestar a isso.

quando não indígenas do paiz ao menos das regiões em que passaram pela phase anterior ? Si vieram do Peru. O selvagem. porque.ESTUDOS CRÍTICOS 41 de Deus. por exemplo. que esta: — basta citar as suas perplexidades.'« não era por uma aversão á arte de dõmesticar. deixando o . é sim por outra causa! » Qual é esta ? O selvagem pátrio. sinão as suas contradicções. segundo Lubbock. como explica a ausência de animaes domésticos. e 'a que o branco esteve e está sujeito também. a vicunha e o guanaco ? O digno viajante pôde dizer-nos com algum mysterio. é uma opportunidade para estudar ao vivo as primeiras evoluções das idéas no homem. por sua posição. Elle que proclama que os selvagens conterrâneos erão agricultores. é como o homem pre-historico.hoje possuídas por todos os espíritos de qualquer cultura ! Porque. elle não podia ser agricultor sem ter sido pastor ou caçador ? » Para o ethnologo não é mister uma refutação mais severa do.não trouxeram a lbama. quasi excepcional entre os povos americanos. O nosso autor devia ser também philosopho e não mostrar-se um simples curioso a traçar-nos btbliographias escusadas e a repisar-nos noções lingüísticas e geológicas.

hoje vulgar. e superabundou a propósito da theologia dos selvagens ! Sâo dles para o philosopho uns theologos por excelkncia. o homem da idade de pedra. e reveloMnflaj alguma cousa extraordinário ? Suas asserçoes são ligeirissimas e sente-se qne elle se acha fora dos assumptos de sua predikcçâo. e Os selvagens de nosso paiz estavam no gzáo de atraso do homem geológico. Ainda assim. Seja-me dado repetir aqui o que eu jà tinha dito em outra parte. havia poucos annos. desconhecia totalmente os achados da sciencia hodiema sobre o homem nos períodos primitivos. acabrunhado por uma educação romântica. nâo penetrou-lhe no âmago das idéas. accorda-se com as idéas da crítica hodiema sobre a marcha evolucional do pensamento humano.4a ETHNOGRAPHIA BRAZILEIRA lado meramente industrial e exterior do caboclo. ha muitos annos. Nâo podiam ter uma religião que reco- . deu-nos este pedacinho. mas de uma verdade aproveitável: « a idéa de um Deus todo poderoso e único nâo foi possuída» pelos nossos selvagens ao tempo da descoberta da America. em um livro de supposta philosophia.^0 autor dos Pactos do espirito humano pretendeu refutar um' dito de Locke de que nossos Índios nâo possuíam a idéa de Deus. » Isto é bom. o exemplo de escrever uma pagina extravagante sobre este assumpto. O poeta Gonçalves de Magalhães tinha dado. É que aquelle espirito.

vivendo da caça e guêrreando-se. ainda hoje no seu descendente. a idade da astroiatria de que falia Com te. as tempestades.' . á luz de idéas: sãs e longe do influxo de certos prejuízos. O contrario é-desdenhar ou desconhecer os achados da critica moderna que assignala os differentes períodos da formação das mythologias. sem heróes. Caçador. Estavam pouco além da época de puro naturalismo em que o terror faz crer que as nuvens. usando da pedra para utensílios. e outras reunidas em paupérrimas palhoças. Umas tribus desgarradas pelos desertos e mãttas. das religiões e da poesia. vdl. são seres terríveis que se combatem. guaracy (*) Cours de Philosophie Positive. sem tradições. os trovões (tupana~). como o -homem das cavernas. entidades ferozes que se devem respeitar. 5. sem industria assignálavel. nem siquer estava adiante daquella segunda phase do período fetichico.ESTUDOS CRÍTICOS 43 nhecesse um Ser Supremo. sem historia. achava-se em um dos mais remotos degráos da escala da civilisação. não podiam possuir a noção da individualidade dq Ser Superior. como não podiam ter uma poesia.* Prova-o o seu culto do sol e da lua. encarada por todas as faces por que pôde se-lo pela sciencia. » A grei cabocla.

deixando á margem tudo aquillo que parece secundário diante das linhas directas que teve também em vista o illustre observador. Nâo cumpre somente dizer. Não o farei para nâo deturpar a intenção de vistas geraes sobre o indígena. taes como o voto de uma continuação de cultivo do indianismo pelo orgâo de nossa poesia. ainda um pouco indeciso. . é mister mostrar o que elle tinha sido. 1874. é verdade. poderá pegar o fio de algumas idéas inaceitáveis que se nos deparam na obra do distincto escriptor. como* -fez o Dr. Demonstra-o o complexo de sua intuição do mundo accordc com a dos povos ainda no mesmo estado. um dos mais recônditos da historia ondeé dado penetrar. que me propus. É claro que nâo era ainda fofytheista como talvez supponha o insigne indianologo. Couto. que o selvagem nâo fora monotheista. Antes de concluir.44 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA e jaey. E ' licito dizer que já havia passado a época do mais^ flurtuante naturalismo.

Çòutõ de Magalhães publicou em 1874. A brochura primitiva foi por nós-analysada no folheto Ethnologia selvagem. * O novo livro do Dr. A parte grammatical se nos antolha de pequeno alcance scientifico. um opusculo sob o titulo Região e raças selvagens do Brazil. uma contendo um curso de grammatica tupy e outra constante de vinte e três lendas ou contos indígenas com o original e traducção interlinear. Depois das grammaticas de An* O nosso folheto — Ethnologia Selvagem náo é outrosinão" o artigo atráz reproduzido n'este livro. como deixamos dito. Couto de Magalhães.II Couto de Magalhães e a influencia dos selvagens no Folk-lore brazileiro O Dr. é o que vimos hoje reparar. Nada dissemos então sobre as pequenas referencias que o autor alli fez á nossa poesia popular. addicionado de mais duas partes. . quanto á parte geral e anthropoíogica. Este trabalho foi reimpresso em 1876. consta de três partes bem distinctas. sob o titulo O Selvagem.

Muitos desses contos passaram ás nossas populações christâs. nada contém que a assimilhe ao grupo das línguas aryanas e pode talvez ser considerada uma lingua turana. Vicenzio e outros.46 ETHNOGRAPHIA BRAZILEIRA chieta. costumes e região dos selvagens. Montoya. e "»*» os Estudai u*re os Cantas t Cantas Populares da Brasil. comtudo. E' inútil encarecer a immensa importância de taes mythos primitivos. * Vide o» meus Cantas PapeOaru d» Sraxü. como já dissemos. Figucra. * Couto de Magalhães é sectário da idéa de Fidel Lopes e Charles Wiener de que a lingua quichúa é um indioma índo-germanico e que a lingua tupy. e qae nâo foram refutados.' A parte que contém as lendas selvagens é que é preciosíssima.já uma vez lhe apontámos. Elle. e vel-o-emos mais de espaço. o estudo do nosso indianologo nem veiu preencher' uma lacuna. tem os defeitos <|M>. Taes estudos são ainda hoje muito pouco firmes . nem agitar problemas novos. e que trata das origens. Foi o primeiro escriptor brasileiro que coUigín os contos dos selvagens e os publicou no* original. muito ao envez. . A secçâo reimpressa. nâo se decide neste sentido. precioso» documentos para a comprebensâo das religiões autochtones. Couto de Magalhães é benemérito das letras j*>r esta •<•< çâo de seu interessante livro. apezar de uma promessa solemne do' autor.

on voit figurer. como elle talvez supponha: Dando conta da sessão de Luxemburgo do Congresso Internacional dos Americanistas.ESTUDOS CRÍTICOS 47 ainda hoje apreciamos a singularidade de um Varnhagen e um Theophilo Braga. afnrmando que o tupy é uma lingua turana. descobrir parentescos e filiações no velho mundo para os indígenas da America. de 13 de outubro de 1877. Mas a cousa não é tão" liquida. três interessantes. nem cremos que o seja pelo meíhodo que taes escriptores vão seguindo.. Ia mention de mémoires dont le titre seul est regrettable sur 1'ordredu jour d'une assemblée sérieuse. Couto de Magalhães. A questão não está decidida. e de um Carlos Hennig.. Em 1874 clamámos contra semelhante cegueira. asseverando ser ella. um Appollinario Porto Alegre. um idioma ario.promettendo-nos resposta do alto de sua sciencia. traz este pedacinho de ouro. um Pinheiro Tupinambá. Que penser tout d'abord . deixou-se ficar calado. E' uma cousa terrível essa monomania de querer. pois o debate quanto ao quichúa não está também.. á viva força de despropósitos. sur le programme des séances. resolvido. e o Dr. depois de fallar de alguns trabalhos sérios alli apparecidos: « Á côté de ces Communications três substantielles.* Não é isto para admirar.. a Revue Scientifique de Paíiz. ao contrario.

M.48 ETHWOORAPHIA BRAZILEIRA d'un mémoire intitule : . avait appellé robinsonades les récits qu'on nous a donnés des prétendus voyages phéniciens dans le pays de 1'Atlantide. en faisant pis que de batailter contre des moulins. est-il une langue aryenne?(» ) G* mémoire. avait pour but de démolkt les doctrínet a"un certain M. da do Sr Varnhagen que os deriva dos habitantes da velha Caria. s'expose-t il á voir son travai] qualifié de Donauithotisme. l>opez. pourquoi M. . idiome de Pancien Pérou. da . Henry.le Quühua. il est vrai. Mais encore une fois. en suant sang et eau pour enfoncer des portes ouvertes? Ce genre de Communications devait être reserve â un Congrés oâ tom mettrait en discution le proèléme de Ia ouaJraturt du eemcle et ceha de Ia langue unsverseUe. Barboza Rodrigues. M. o que se poderá dizer da theoria do Sr.K-r«lrc un temi»s précieux á s'occúper de tettesbelliveiéett \x savant redacteur du Auslamd. • Si isto é dito de uma obra rerutatoria das idéas do certain M. Ir baron de Hellwaid. un des merobres fidétes aux sessions du Congrés des Américanistes. le professeur Blaise avait qualifié de chinaiseries les articles qu'on ne cesse de nous communiquer sur les voyages chinois au Mexique hoit ou neuf siécles avant banquete. sur les ratei aryennes du Pérou. dont 1'érudition parait solide et étendoe. potttqnoi. Lopes. que faz descender os tupis dos normamdos.

\ 4 . Couto de Magalhães. Porto Alegre e Tupinambá. desprezando os thesouros accumulados pela critica européa. que os fazem vir dos antigos Arjas? * Nestas matérias-o melhor é seguir o exemplo do nosso único americanista de senso e verdadeira "Ilustração. o sábio Baptista Caetano." Origines touranniennes _des Tupis-Caribes . e. na Gazeta de Porto-Alegre. Lopez. Somos hoje um pouco difnceis de maravilhar. vir espantar o mundo com inesperadas revelações í O tempo das velhas correrias scientificas" está passado. que tem estudado o guarany_ rude e tenazmente.0 artigo sobre a morphologia guaranitica. á força dê repetidas viagens entre os povos que a faliam. não foi estreme de alguma leviandade. que aceitou tudo quanto lhe deu a ler o certain M. a lingua em si. do 3.-se em haver-nos chamado a attenção sobre as nossas origens tupicas e em uma certa. sem emmaranhar-se em theorias phantasticas de suppostos parentescos.ESTUDOS CRÍTICOS 49 dos Srs. Não é só aprender mecanicamente uma lingua qualquer. Couto de Magalhães ãhi mostra todos os seus méritos e defeitos. O Dr. do 2. Mas vejamos o que O Selvagem nos revela sobre nossa poesia popular. ingenuidade sertaneja em nos fallar das producçõès * Vide do l. O Dr.° Os Ensaios de Sciencia. artigo sobre as antigüidades amazônicas. selvagem ou não. Os méritos cifrám.

muito mais lacônicas e muito menos analyticas do que as dos povos cultos. Concentrado por áam% em teu mundo »elvagem.. teve a cegueira comam* a quasi todos os viajantes em paizes desconheça*» — suppôr novidades verdadeiras velharias. A poesia de nossos selvagens é assim: o mais notável é que o nosso povo. notarão que de ordinário parece nâo haver nexo algum entre os diversos membros de uma quadra.estudar pouco os factos. fragmental-os e confundil-os. Ouçamol-o por miúdo: • Aquelles que estudam esthetica dizem que nas línguas dos povos bárbaros. modificou a sua poesia tradicional pela dos índios. que com os nomes de cateretê. dansa de minuanos e outras.. servindo-se aliás do portuguez. • Lendo eu uma analyse de cantos árabes.5o ETHNOGRAPHIA BRAZILEIRA anonymas. tive . vieram dos tupys incorporar-se tâo intimamente nos hábitos nacionaes. suppoe que quasi tudo nos veiu do caboclo. Nada diz de nossas origens portuguesas e africanas. as imagens succedem-se supprindo ás vezes um longo raciocínio. os defeitos . Aquelles que têm ouvido no interior de nossas províncias essas dansas cantadas.. cururõ. As suas observações a respeito da nossa poesia popular reduzem-se a ligeiras indicações sobre o caracter desta c a alguns considerandos sobre as modificações da lingua portugueza no Brasil.

que estamos acostumados a seguir ò pensamento em seus detalhes. quando. ou nos pantanaes do Paraguay. ás vezes de uma poesia profunda e de inimitável belleza. o critico que os citara dizia: — para nós. nas solitárias e desertas praias do Tocantins e dú Araguaya. sobretudo aos cantos daquellas populações mestiças. Appliquei esse principio de critica á nossa poesia popular. é quasi impossível perceber o nexo das idéas entre as imagens apparentemente destacadas e desconnexas. para os povos selvagens. meus camaradas ou os tripolantés das minhas canoas mitigavam com ellas as . Paulo.. e vinque effectivamente. uma de S. todas ellas ouvidas entre milhares de outras. pela energia das impressões-daquellas almas virgens.ESTUDOS CRÍTICOS 51 occasião de notar a estranha conformidade que havia entre aquelles e a poesia de nosso povo. esse nexo revela-se na pobreza de suas línguas. « Consintam-me que eu analyse debaixo deste ponto de vista três quadrinhas. nas longas viagens nos ranchos de S. onde-as impressões das raças selvagens gravaram-se mais profundamente. uma do Pará. apezar do tosco l^conismo da phrase. porém. Paulo e uma de Mato-Grosso. supprindo-se por palavras o nexo que falta ás imagens expressadas por elles em fôrmas lacônicas. revela-se um pensamento enérgico. para "quem a palavra falada é mais um meio de auxiliar a memória do que um meio de traduzir impressões.

. O homem pediu riqueza. dá-me uma pinha. de origem tapuia. 79 da a.) • Pinheiro. (Mato-G O Sehmfftm. Roseira. Paulo. ou as tristezas daquellas vastas c remotas solidôes.5a ETHKOCRAPHIA BRAZILEIRA saudades das famílias ausentes. são de genuína importação por. Eil-as: • Quanta laranja miúda. dá-me um abraço. O peixe pediu fundura. dá-me um botão . tugueza!. Quanto sangue derramado Por causa dessa paixão. Nos as ouvimos e colhemos na costa. Alagoas. Pernambuco. Que eu te dou meu coração. Couto de Magalhães escreveu sobre nossa poesia popular. em Sergipe. A mulher a formosura..) • O bicho pediu sertão. • (Pará. Quanta florinha no chão. As três quadrinhas. e Koserítz as colligíu no Rio Grande do SuL Não ha quem as nâo saiba de cór.» parte. Bahia e Rio de Jay neiro.. Morena. » Eis ahi tudo quanto o Dr. que dle comjara aos cantos árabes e que foi colher nas solidôes do interior. pag. a »(S.

Que eu lhe darei um abraço. pois. dá-me um agraço. o seu selvagismo levou-o a só vêr a côr vermelha de nossas canções. Quanto á outra. dê-me um beijo. dá me um figo. 44. Gpmmuns a todo o Brazil. Elle illudiu-se: aquejlas quadrinhas. lê-se: « O mar "pediu a Deus peixes. lê-se : « Oh figueira.ESTUDOS CRÍTICOS 53 * Ora. não vem directamente na collecçâo de Theophilo Braga. são de pura linhagem portugueza. a pag. » Bem vê o leitor que são as duas quadrinhas •brazileiras com rápidas difFerehças. » Á pag. Os peixes a Deus altura. No Cancioneiro. ' E' mister que o autor do Selvagem nunca tivesse siquer aberto o Cancioneiro Portuguez de Theophilo Braga. Oh figo. Oh menina. Couto de Magalhães julgava ter aportado a praias ignotas. mas o seu estylo é . para escrever tanto / palavreado estéril. As mulheres formosura. 60. Os homens a liberdade.

a nós que raramente nos dedicamos a observar estas cousas. Martins. Os nowos tndianista-s illudem-se ás vezes facilmente. como Celso de Magalhães exagerara as portuguez». como diz um escriptor. e menos ainda as africanas.-4' ETHWOCRAPHI V BRAZILEIRA genuinamente portuguez. a lingua e a poesia popular sofTreram a enérgica acçâo do contacto dessa raça. e no citado CancionetW encontram-se muitíssimas análogas. o leitor veria que essa acçâo do cruzamento revela-se em factos moraes muito mais extensamente. » * O autor tem em geral razão nisto que acaba de ai legar . mais difíceis de observarem-se. si me fora dado entrar na analyse das superstições populares do Brazil. . trouxe-os para mostrar o como. tendo estudado somente as tupicas» é • Pag. Prosegue elle : • Não < ito estes exemplos como especimens de litteratura popular. a par do cruzamento physico. Quem nâo se lembra do* casos de Alencar fazendo de Metejana. quanto mais communs os factos. nesse campo eu tenho em meus armamentos de viagem elementos para escrever um livro. de Jeromenha e o próprio Baptista Caetano. Não tendo estudado nossas origens portuguesas. do que a principio parece. de carapuça — três palavras tupys ?! Conto de Magalhães exagerou nossas origens tupicas. porque. mas de ordinário excede-se. *i.

essa modificação ha de cada vez ser mais sensível. para nos servirmos de uma expressão physica. dotados de forca própria e continuam a operar muito depois do desappareçimento da causa que. no caso da juxtaposição de duas raças.- 55 levado a. contacto com outra.ESTUDOS CRÍTICOS .' O operário ineonseiente desta transr formação é o povo illiterato. « Ha um verdadeiro cruzamento. 0 mesmo dá-se no hespanhol do Rio da Prata» e presumo que se dará no Peru . Tratando das alterações que vae soffrendo 9 portuguez no Brazil. e esse cruzamento da lingua é tão inevitável. quanto é inevitável. tal qual ha em uma raça posta em. attribuir a estas rriuitos factos que lhes são estranhos. e / ao passo' que os annos se forem accumulando. « E' por elle que as línguas soffrem as maiores transformações. que sobrevive. Os primeiros pro- . diavelmente modificado pelo tupy. O portuguez do Brazil está irreme. a propósito das modificações que soffre uma lingua posta em contacto com outra. Couto de Magalhães foz as seguintes considerações que devem ser citadas integralmente : « Uma série de factos curiosos existem por estudar. por assim dizer. os infiltrou no organismo da lingua. o cruzamento do sangue. nessa mesma círcrírastancia. porque os germens modificativos são. onde os cruzamentos europeus e indígenas se operam era grande escala.e nas outras colônias hespanholas.

Pouco a pouco. seus signaes característicos desapparecem para dar logar a um prodncto homogêneo. um especirnen curioso deste primeiro cruzamento é a seguinte quadra que ouvi muitas vezes cantada pelo povo do Pará: Te mandei um passarinho. que. Ora. os elementos se confundem . sem que estes soflram modificação. porém. Toda ella está em bom guarany moderno. . Patuá miri pupé. por nSo aproveitarem ao assompto. Iporaãga me iaui. isto é: as duas línguas entram na composição. * O autor refere-se a uns verãos goaranys. com seus vocábulos puros.e6 ETHMOCRAPHIA BRAZILEIRA duetos destes cruzamentos de línguas são grosseiro» j distinguem-se" facilmente os elementos heterogêneos que entraram na composição. A cançoneta. nâo sendo exactamente nenhum dos dous que entraram na composição. ha nellas a mistura primitiva e grosseira. que fica acima publicada * é um exemplo de um desses produetos. No entretanto a rima e o metro são hespanhoes. onde já é quasi imperceptível o cruzamento. O mesmo dá-se com o cruzamento do sangue. participa da natureza de ambos. Pintadinho de amarello. Eu tenho colligido no Brazil numerosas cançonetas populares onde se nota esse cruzamento. que vem ao •en livro e que nao citamos aqui.

Comprehende-se bem que cançonetas assim em duas línguas simultâneas pertencem. ou são mais suaves para o systema auditivo da raça què vae sobrevivendo.ESTUDOS CRÍTICOS 57 « Quer dizer: Mandei-te um passarinho. pois. Mandú sarará Como deu o passarinho." Mandú sarará Deixou a penna no ninho. algumas fôrmas grammaticaes è algumas alterações . Mandú sarará Bateu aza. e tão formoso como você. Pouco a pouco uma lingua predomina. para não ficarem outros vestígios delia sinão o estylo. Como especimen deste segundo período citaremos a Seguinte quadra popular do Amazonas : Vamos dar a despedida. « Finalmente. os yacabulos da lingua absorvida desapparecem na lingua absorvente. ao primeiro. e só ficam da outra algumas palavras que ou não têm correspondente na lingua que tende a absorver a outra. Mandú sarará. as comparações. Pertencem. pintadinho de amarello. ao da juxtapo(sição e do igual predomínio das duas raças. dentro de uma caixa pequena. ao período em que ellas eram igualmente populares. foi-se embora.

as quacs me parece que encerram o mesmo systema de imagens da que fica impressa acima. que ouvi em Ouro Preto em 1861. como pertencendo a este período. Adeus. foi dizendo: Mal de amores . ** i « Notam-se ainda boje no Brazil estes três per riodos de cruzamento lingüística • Nas províncias. Foi andando. Como deu a pintasilva. en* O autor refere-se ás três quadrinhas qaw acima Dotamos e provamos serem portognecas. apenas em um período mais adiantado de cruzamento: Vamos dar a despedida. ** Neste gosto colhemos alguma» qwarlriahas a e DO Rio de Janeiro. coração de prata. em que a população chrístt ainda está em contacto com a população tupy. * Citarei. Perdição da minha vida! Vamos dar a despedida. as doas seguintes quadras.nâo tem cura. Como deu a saracura . — A impressão abi í quasi toda pòrtagoeta. . São deste ultimo período as três quadias que eu citei atrás.58 ETHKOCRAPHIA BRAZILEIRA de sons. Vide meus Cantas Ptfmimnt éa Bramil. quando notei o facto da introducçâo de vocábulos e fôrmas tupis no portognss do Brazil.

142 e seguintes. especialmente nas de S. nas províncias que o autor viajou que o facto se repete. o mineiro.. porém..' Pará e Maranhão. « A musica. como em canções em que ainda uma lingua africana é empregada ao lado do portuguez. Paraná.. : — « Você gosta de mim ? ! Eu gosto de você. provas disso. são também muitos idiomas africanos falados no Brazil ha três séculos e meio.ESTUDOS CRÍTICOS 50 côntram-se versos compostos simultaneamente nasduas línguas. Eu colligi também. há uma verdadeira litteratura popular. -em todas as outras é elle uma realidade. nãoé só. e isto escapou ao Dr. pag. não é só o tupy que vae transformando a lingua portugueza . Ex. não só em uma multidão de termos africanos que nos passaram para a lingua popular. . Couto de Magalhães e a todos'os indianistas exagerados. Rio Grande. e em que ainda hoje cantam os que vagam pelas campinas do interior. é o caso das províncias do Amazonas. * O Selvagem. o rio-grandense de hoje cantam nas toadas em que cantavam os selvagens de ha quinhentos annos atrás." Paulo. O paulista. Não é só. » * Estas ponderações são exactas . Nas outras. um sem numero de canções no gênero das ultimas. Minas. essa quasi não soffreu alteração.

mussunga-i. Vejamos ainda o que dia o autor do Selvagem sobre as alterações do português brazileiro. lingua e no mais.. etc. Hartt enganou-se quando disse que em por- . ali. Oh!. meu bem.. Vou morar com você.. que a lingua portugueza foi cruzada pelo tupy e diz que temos nada menos de mil substantivos tupys aportuguesados nos nomes de animaes. logares. Passando aos verbos. ale. Oh. Elle sustenta. plantas. como vimos. Si me paga a casa... Eu caso coro você.. as idéas sâo de inspiração africana. Mussunga. AH. Existem muitos factos comprobatorios da influencia dos negros em nossos usos.. Si me dá de comer.6o ETHNOCRAPMIA BRAZILEIRA Si papac consentir. a intuição. canções.. Mussunga. contos populares. calunga. calunga. mussunga-i. Ali. Nestas duas estrophes o estylo. declara que o professor americano Carlos Fr. e o ritornello é evidentemente estropiaçâo de termos da África.. meu bem. Si me dá de vestir.

arremessar.. catingar por exhalar mau cheiro. donde vem enfocar. etc. espiar (geral) por observar. Maranhão) por apanhar peixe. entejucar por embarrear. apinchar por lançar. e temos spicio no latim. Maranhão) por abrir arrebentando. entre outros. por limpar o mato. * Ibid. êpier.ESTUDOS CRÍTICOS 6l tuguez só tínhamos um verbo de raiz tupica: — móquear. ou figuradamente por encolher-se. ponta. São Paulo) por jogar.me parece ser uma alteração de loca. <ie Couto de Magalhães: — espiar nunca teve raiz tupy. diz Couto de Magalhães. 76 e 77. loch em allemão. fugir á responsabilidade. em francez : é termo de raiz aryana. petequear (Minas. é genuinamente portuguez. bobuiar por fluctuar. gapuiar (Pará. os seguintes: espocar (Pará) por arrebentar abrindo. cutucar (geral) por tocar com ^. » * Ainda aqui vão alguns exageros. spioniren em allemão. tocaiar por esperar. . popocqr (Pará. já foi ponderado ao autor pelo Dr. « Citarei. encangar por metter os bois no jugo. Toca. — temos muitos outros. pags. perereear (geral) por cair e revirar. Canga e encangar são velhos termos portuguezes. entocar (em todo o Brazil) por metter-se em buraco. Gustavo Dodt. embiocar por entrar no buraco. capinar. e entrar dest'arte no vocabulário portuguez sem auxilio do tupy. como aliás.

Appollinaris Porto-Alegre. o jabuty e . Dodt e Macedo Soares o fazem africano. e a collecçâo de contos e mythos selvagens. No seu livro ha assumpto para três obras dinerentes: o curso de grammatica. aos três verbos: espiar. o jabuty e os macacos. encanga*OU eangar e entocar. que são aqucUas cm que o autor. e sobre as alterações de nossa lingua. o jaòuty e a anta. Couto de Magalhães tem pouco methodo cm seus escriptos . Ha alli. porém. como exercícios grammaticaes. vem a ser: — Como a noite oppareeeu . O Dr. o jabuty e a onça. O autor faria melhor em tratar com todo desenvolvimento tâo diversos problemas e dar-nos três livros em separado. é quanto se nos depara no interessante livro — O Selvagem. as observações ethnologicas sobre os índios . traz os textos de vinte e três lendas selvagens. como o nosso autor. o jabuty e o veado .62 ETHMOGRAPHIA BRAZILEIRA Quanto. Baptisu Caetano e Bcaurepaire Rohan o fazem. mistura e embrulha as matérias muitas vezes. o jabuty •e ainda a onça. o jabuty e outra onça . As vinte e três lendas colhidas por Couto de Magalhães. JXJÍS. urnas paginas inestimáveis. vocábulo de raiz tupica. e de que nos deu o original e a traducçâo. Sobre os grandes problemas do caracter e origens de nossa poesia popular. Quanto a catíngar. é de suppór que o autor áo Selvagem se tenha enganado.

— Estes contos passaram quasi todos para as. . a raposa e o homem. o jabuty e ó gigante. os meus Estudos sobre os Cantos e Contos Populares do Brazil. existem entrelaçados aos tontos de origem portugueza e de origem afrieana. a onça e o. Taes contos sustentam também a grande luta pela vida e soffrem adaptações aos meios. a raposa e a onça. a velha gulosa. Assim se vae operando por uma raça a assimilação dos contos de outra. casamento da filKa da raposa . o veado. eu ocolligi em Sergipe. que vão fazer uma casa. o veado e a onça. E' assim que o conto que Couto de Magalhães nos dá da onça e o veado. na cidade do Lagarto. o jabuty e o homem. * Cf.caminho da raposa: mais três sobre a raposa é a onça. que correm de bocca em bocca entre as nossas populações do interior. entre outras.ESTUDOS CRÍTICOS 63 a raposa. por um animal mais seu conhecido — o bode. com algumas alterações. * 1&79. a moça que vae procurar marido. ainda a raposa e a onça. e. a mudança de um dos personagens. E ' o que se dá na língua e em tudo mais. o veado foi subátituido pelo bode. nossas populações christãs. 'v O povo mudou o symbolo da destreza indiana. o jabuty e ainda a raposa. a onça e os cupins .

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III Barbosa Rodrigues e a questão da pedra nephrite i O immenso barulho feito pelo Sr. a descendência dos aborígenes brazileirôs. Tratei de munir-me dos escriptos ethnographicos do autor do Sertum Palmarum. E tal me aconteceu. erão de natureza a despertar a attenção dos amigos dos estudos americanos. o mesmo não se pôde dizer da apparatosa erudição histórica e scientifica do naturalista de Friburgo. Barbosa Rodrigues sobre o muirakitan ou aliby e a convicção nutrida pelo celebrado botanista pátrio de haver firmado definitivamente. Si as fantasias ethnologicas do escriptor brazileiro não têm a força de impor convicções. de um povo asiático. o conselheiro Henrique Fischer. por meio desse artefacto indígena. e das publicações do seu inspirador. .

. Felizmente o scepticismo é por demais resistente e nâo se deixa matar com qualquer arma. Pelo que toca ao Brazil. Meyer fez em março do anno passado uma conferência sobre a questão da nephrite. . Meyer. assume um caracter especial : — é um enigma archeologico addicionado a uma intrincada questão de raineralogia. Berlin. B. já de si espinhoso. como quasi todas as questões ethnographicas. Quem a lê fica habilitado a conhecer o estado da questão. A. Fischer parece mover-se abi a seu gosto e impor silencio aos profanos. Meyer. PrpUem. 18*3. Além de publicações detalhadas nas memórias daquelle Museu. * O mineralogista de Dresde combate as afirmativas de seu collega de Friburgo e as combate desapiedadamente. Barbosa aqui estaria para atirar os muirakitans em cima dos incrédulos. director do Museu Zoologico-AnthropologicoEtnographico de Dresde. (•) Dit Kepkritfragt — t e i a tthnalagistkts • .#6 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA O problema. Esta conferência corre impressa e chegou-me ás mãos. A theoria nscheriana achou um destemido e eompetentissimo adversário na pessoa do Dr. já de si vago e excessivamente complexo. B.

já ainda em uso entre povos incultos ou civilizados. ornatos. porque até o presente só chegou ao nosso conhecimento a existência de jazidas nativas do material bruto na Ásia e na Oceania. Que problema é esse? Perguntará o leitor. e é preciso responder-lhe desde logo. objectos. Meyer o faz nestes termos: « Por questão da nephrite deve entender-se o seguinte : — Encontram-se em muitos logares. e outros semelhantes. e cuja origem. sinão também provar què o nosso Rodrigues nada adiantou á questão e nem delia teve conhecimento antes de lh'o fornecer Fischer. levados uns para a Europa quando para ali deu-se a immigração dos povos. nas estações funerárias. taes como machados. já enterrados no solo. Ásia e Nova-Zelandia. « A hypothese foi principalmente architectada . e para a America os outros. dura.ESTUDOS CRÍTICOS 67 O fim que me proponho neste escripto não é só indicar as conclusões de Meyer. « Para a explicação deste facto formulou-se a hypothese de provirem da Ásia conjunctamente os objectos europeos e os americanos. as mais das vezes verde. em muitos casos. amuletos. objectos de uma pedra muito. Europa. é obscura. especialmente na America. sobre quasi toda a superfície da terra. nas cidades lacustres. quando foi ella povoada pelos asiáticos.

o nosso Rodrigues nada tem com dia: i. a sua originalidade está em prender a esses objectos um valor ethnograpbko. »* É isto Os taes objectos são de jade ou nephrite alguns. de jadeite — outros. suppondo-os originários da Ásia. Até ahi Fischer nada tem que vêr.* Porque suppox existentes no Brazil as jazidas nativas do material.* Porque quando vio os primeiros muirakitam suppôl-os de ouartso e de feUsfatho e nâo de jade nephritica e jadeite . sendo aliás partilhada por muitos outros investigadores notáveis. 3. Verdadeira ou nâo a theoria. tomemos as Jquatro theses na ordem em que foram enunciadas. .K to desde muito assignalado e de vulgar notícia.6g ETHNOGRAFHIA BRAZILEIRA pelo professor Henrique Fischer . Para maior clareza.de FriburgtWir Ém Baden. pag. A primeira vea (•) Mpkruyragt. e levantando-os á categoria de testemunhos irrecusáveis do povoamento do Occidente por povos do Turkestan e de Barata. a. O encontro delles pela Europa e America era f. 3.* Porque nâo lhes descobrio interesse ethnologico ao modo de Fischer . 4.* Porque só muito mais tarde começou a partilhar as idéas do escriptor allemão! Estes pontos devem ser esplanadas um a um.

ESTUDOS CRÍTICOS 69 que o Sr. assevera o nosso naturalista: « usavam ellas zarabatanas. e de quartzo os brancos. esverdeada. São opacos e lustrosos. que não tinham só os de feldspatho. e se não fabricam os seus muirakitans de feldspatho. azulada. elles também as usam. quartzo. 55 : « Os muirakitans ou pedras das Amazonas. 58 lê-se : « Os {muirakitans) que actualrmente usam estes Índios {Uaupés) são da mesma rocha. » Isto é claro. mais ainda temos maior clareza no que se vai seguir. teremos a confirmação . dos que também usavam as Amazonas. nenhuma differença apresentam os dos Uaupés. é por não* haver no logaí em que hoje habitam senão quartzo. » Passando a identificar a tribu dos Uaupés á das antigas Amazonas ou Icamiabas. têm todos elles uma côr amarellada como a do unicornio. A pag. ou branca leitosa. verdeescuro. ou pedras verdes. pelos que existem e se encontram soterrados.» Si passarmos do Relatório sobre o rio Yamunda para os Ensaios de Sciencia. Tive occasião de comparal-os. que tenho visto. São de um feldspatho laminar os verdes. Barbosa Rodrigues fallou nos muirakitans foi em 1875 no Relatório sobre o rio Yamunda. pelo contrario. Neste folheto lê-se á pag. os de quartzo erão mais vulgares.

Barbosa sobre os muirakitans. com o qual tem muitos pontos de contacto. são os denominados pelos naturaes muirakitans. Toda a tradição. « Tive oceasiâo de me certificar de que erâo usados por esssa tribu. Hoje são rarissimos esses enfeites. que quanto a nós é a mesma das Amazonas. que os índios Cunurys chamavam atiby. como já tive oceasiâo de fazer ver quando dellas tratei. • Uma tribu ainda hoje usa também de enfeites de pedra ao pescoço {chirimbüás). por tê-lo feito com algum desenvolvimento quando descrevi o rio Yamunda. é a dos Uaupés. attribuem-lhe virtudes milagrosas*. m Os índios hoje quando acham alguma soterrada. quer escripta. pag. verde. Erâo estes enfeites de um feldspatho laminar. que nunca foi vista. 121 : « Os {enfeites) de que até hoje temos noticias. dá a sua procedência de uma tribu que desappareceu.70 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA das antigas idéas do Sr. quer fallada. pelo que foram conhecidos por pedras verdes. quando descobri o logar em que existio a dita tribu. Os chirimbitás dos Uaupés . a que Francisco Orellana appelttdou Amazonas. £ deües deixo aqui de tratar. do Rio-Negro. nas exeavaçoes que fiz. de maneira que substitue o amuleto antigo. Em 1876 escrevia elle no i» numero dos Ensaios de Sciencia.

Heriarte. E ha mais uma circumstancia bem própria para fazer-nos scismar sobre as leituras do naturalista brazileiro. que tinha. e continuou a fallar-nos em quartzo e feldspatho. Alexandre de Humboldt. elle as vio e determinou-lhes a natureza. Barbosa Rodrigues sobre os celebrados muirakitans. assim como qualquer amador. diz Meyer. que se encontram quasi por toda a parte . observava: Tanto mais rara é esta qualidade de pedra. e outros a. La Condamine. dizem algo das singulares pedrinhas. não.ESTUDOS CRÍTICOS 71 são de quartzo. » Taes erão as primitivas crenças do Sr. quanto mais admira a grande porção de machados de nephrite. José de Moraes e outros fallarem em jade. que é tanto maior quanto é o enfeite. Os velhos chronistas e historiadores americanos fallavam nas celebres pedras verdes. e usados como symbolos de grandeza. o nosso naturalista não tirou dahi partido algum. Clavigero e Huraboldt não as desconheceram. Apezar de La Condamine. Ahi andam o Relatório do Rio Yamunda e os dous primeiros números dos Ensaios de Sciencia. José de Moraes. « Já. ou pedra nephritica. que se refere o próprio Rodrigues. é a seguinte : — o autor do Cosmos não falia a esmo em pedrinhas verdes. Tudo isto é authentico.trazid© do México um machado de jadeite bellamente esculpido e do comprimento de 25 m .

73 ETrlNOGRAMUA BRAZILEIRA onde se cavar um logar antigamente habitado^ desde o Ohio até as montanhas do Chile. director do Museu Mineralogico de Baden. importância que foi justificada pelo sábio conselheiro Fischer. De então em diante nunca mais deixou de fallar na sua immensa descoberta. 73: « Nâo -podia deixar de neste ponto tocar. pag. e estruge por esta fôrma á pag. UU. já desde i8ao Abel Rémusat tinha revelado á Europa. 17. Estava o autor do promettido Sertum Paimarum no feldspatho indeterminado e no quartzo. «**Vn pag. único (este único é impagável) que • Meyer. Em 1880.. Rodrigues. tendo sido eu o que primeiro no Brazil tratou desse ornato {muirakitmm) e lhe deu a importância que merecia. ** Nâo devemos também esquecer que Humboldt viajou na America em princípios deste século. o homem revela-se outro. *• Meyer. quando em 1877 Fischer soube que também elle tinha encontrado pedras verdes no Amazonas. 5.» * A existência de objectos de jade e jadeite no antigo e novo mundo era de vulgar noticia. Sua grande importância no Oriente. no terceiro numero dos Ensaios de Sciencia. e no anno seguinte escreveu-lhe. Desde então mudou a linguagem do-Sr. enviando-lhe os seus opusculos. especialmente na China. .

Dou o que quizerem ao Sr. • basta dizer-se que um é sempre (este sempre é agora muito opportuno) de jade. jadeite e chloromelanite.. de resina de jutahy.) As taes opiniões menos exactas são logo em seguida expostas pelo esperançoso naturalista brazileiro : 1. e o outro de quartzo compacto. entre o muirakitan e o tembetá. prosegue Rodrigues.. si no Relatório sobre o Rio Yamunda (1875) e nos dous primeiros números dos Ensaios de sciencia. que resiste á lima. » (Pag. * Para mostrar a differença.. como rende-lhe alguns elogios. . 54. a de Seyfried. » Soberbo!. feldspatho. a jadeite e a chloromelanite entram para qualquer cousa. Barbosa devia saber d'isto. Barbosa. ou de pao.". que suppunha o muiraki* Gonçalves Dias na memória sobre As Amazonas falia extensamente das pedras verdes.ESTUDOS CRÍTICOS 73 na Europa tem-se occupado com a jade e que em carta ao autor não só approva sua opinião. e si ali a jade.. ( 1 8 7 6 ) — os taes muirakitans não erão sempre de feldspatho e quartzo.' fez com que apparecessem opiniões menos exactas. No primeiro desses trabalhos o curioso botanista insurge-se até contra a opinião de La Condamine — de ser o muirakitan semelhante á jade oriental! « A rigidez do muirakitan.

4. de La Condamine fez um grande apreço dellas e pode ser que os lapidarios d e F r a n r a l h e s H«-«/-iihram al<mma« vírtnHMS. finalmente. (juc se approxima da do antecedente escríptor. Depois de fallar destes dons últimos. Eis os textos. reftitando-os. escreve Barboía : « La Condamine também diz que nâo fazem differença da jade oriental. 3. a de Bufam. de que se infere com grande evidencia ser algum barro. O padre José de Moraes. « E* certo que M. se faz tâo duro como um diamante.% a de La Condamine. molle debaixo d'agua e duríssima ao contacto do ar.- 4 ETHNOCRAFKIA BRAZILEIRA tan de uma terra verde. que pode haver. Mostrando-se uma dessas pedras a um lapidario em Lisboa. — . mas. se formam delle as figuras que querem. e nâo cede ao ferro e ao aço mais forte. e emquanto assim está. disse que pelo toque mostravam ser pedras .*. fiado na lenda. ha um lago donde se tiram umas pedras verdes com muitos e vários fettios. que se reduz mais ou menos á de Seyfried e de BufTon. depois de tirado d'agua. nas suas Memórias do Maranhão. tratando do rio Yamunda*: — Nas cabeceiras deste rio.finas. que o comparava á jade. . escreveu também {sic) o seguinte. que dentro d'agua (como coral) se conserva molle. a d-> padre fosé de Moraes. 2.

e a cabeça de cavallo de José de Moraes. já de posse da theoria de Fischer. que possuio uma com fôrma de pescoço e cabeça de cavallo (!) que foi para o museu do pontífice Benedicto xiv. continua o Sr. Passemos á segunda. 0 numero dos Ensaios de Sciencia (1880) o autor das Orchideas. começou. Barbosa. estando crente na fabricação indígena do muirakitan. e. II No 3. cabeça de cavallo que arrancou um formidável ponto de admiração entre parenthesis (!) da parte do Sr. Aquelle signalzinho orthographico tem ali um valor inestimável. a segunda serie de suas opiniões. pags. e isto mesmo quando enumera as opiniões menos exactas sobre o muirakitan ! Isto entre o barro molle de Buffon. »(*) Eis a h i .ESTUDOS CRÍTICOS 75 « Termina dizendo. . só uma vez falia o Sr. O nosso botanista sabe que o cavallo não foi conhecido pelos selvagens. Rodrigues. rio-se da amrmação do padre e com razão ! Temos provada a primeira de nossas theses. americanos. * Rio Yamunda. 54 e 55. como vimos. Barbosa nas 99 paginas de seu Relatório em jade.

especialmente o capitulo que se inscreve—Como conheci e porque liguei importância ao muirakitan—é insigne de auto-idolatria. estas pedras nâo existem na America» logo vieram da Ásia. jadeite e chloroma& lanite. mas o . finalmente. Mais tarde também o foi na Gazeta de Notícias. em o numero da Revista Amazônica de janeiro deste anno. ao que parece no desespero de revelar a sua originalidade. antecedendo-o das palavras: em 1872 dizia eu. e cortada fica por uma ves a questão do povoamento primitivo do Novo Mundo. no Cruzeiro. transcreve um trecho do afamado Relatório a que me tenho referido. Ahi chega o Sr.76 ETHNOGRAmiA BRAZILEIRA O muirakitan é de jade. ora..» Em dezembro de 1881. Barbosa. perfilhada pelo Sr. Ora. e dando noticia de amuletos também na America.. e. Nesta ultima publicação o egotismo é intolerável. E porque nâo? Rodrigues o diz claramente na Revista. Barbosa. a alterar datas. Tratando dos amuletos do velho mundo. Este começou em 1871» e o nosso Rodrigues logo no anno seguinte escrevia as mesmissimas doutrinas!. tonitruosamente exposta. o relatório tem a data de outubro de 1874 e sahio publicado no anno seguinte! A razão deste estratagema é approximar suas inspirações das de Fischer. para nâo dizer charlatanice scientifica. foi a doutrina de Fischer.

quando subi os rios TrpmbetaS e Yamunda. Fui informado de que no rio Iamari. Nossa segunda these é que o escriptor brazileiro suppôz existentes no Brazil as jazidas nativas do material dos muirakitans. Á pag. como vimos. mas não me foi possível. se encontram pequenas pedras verdes semelhantes ás de que sãofeitos os enfeites. 5"8 do Relatório lê-se: «Fiz esforços. que não percorri. ahi anda protestando traiçoeiramente. Entretanto. » Nada mais claro. A prova é facillima. Naturalmente existem {sic) em algum dos afluentes.ESTUDOS CRÍTICOS 77 diabo do Relatório.. ah ! quem o pudera queimar!.. Qual não foi a minha estupefacçãp vendo que a rocha de que era feita (jade) não tinha por pátria o solo brazileiro ! » O nosso savant julga-se em terra de cegos nas condições exigidas pelo adagio. para encontrar as rochas de que fazia os enfeites a tribu deste. porque elle próprio no-la -fornece. p naturalista pátrio exclama na Revista Amazônica : « Do lago Verde recebi uma. maior affluente. do Yamunda. Si desde o tempo em que recebeu o muirakitan do lago Verde tinha a respeito desse artefacto a mesma opinião de hoje. como se explicam as palavras do Relatório que ficaram citadas ? .

a todo o mundo cmfim. veja a Conquista aa Mtxka. Nem o Sr. no nm do 3* vohune. Si o Sr. por Prescott. decorrem de quanto havemos dito. A terceira e a quarta afirmações. nâo ligar o Sr. Isto é o principal e isto está provado. .* O essencial é que até 1878. referente a certas praticas supersticiosas. de que estão . Barbosa ignorava radicalmente a natureza intrínseca das deliciosas pedrinhas verdes. data da primeira carta de Fischer. Abi achará «m resumo das similitudc* notadas entre a civilização do antigo e do novo mundo. nem chloromelanite. Barbosa interesse ethnographico á maneira de Fischer ao muirakitan e só mais tarde ter aceitado as idéas do allemão. Quem se quiser ainda mais con* Taes cotejo* sio uma vulgaridade «cientifica. oeste sentido. I.78 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA Em todo este ultimo trabalho nâo se falia em jade. a saber.. á Europa. nem jadeite.amazônico ao Oriente. Nâo precisa ir mais longe. o Sr. e o autor do encantado Sertum Palmaram poderia dizer commum á África. Esse jiarallelo foi apenas feito quanto ao uso de amuletos. Barbosa Rodrigues quer ficar verdadeiramente maravilhado. á Oceania.in<>r.t cheias as paginas da Revista. cem vezes feito pelos anthropologistas. É um parallelo trivial e futil.. commum ao 'Oriente c á America. Barbosa filiou a sübsun< ia de que é fabricado o enfeite.* appendice.

é assim feita: vinte ou mais soldados guardados á vista por officiaes. tudo como vem nos escriptos de Fischer e no folheto de Meyer. iguaes informações sobre a jadeite.Fischer. em uma folha de papel faz-se um signal vermelho. No artigo appãrecem grandes descripções da nephrite. um inspector separa e marca as melhores. indicar o espalhafato praticado á custa de . . dellas precisa o imperador. e ao toque de um tambor. poem-se em linha e mergulham todos a um tempo. sua existência única em Yunnan. quando.si os quizessemos cotejar. Seria necessário transportar para estas paginas os dous escriptos de Rodrigues. aquelle que primeiro acha alguma. a pescaria das jades. tal é p nome que se dá na China. Barbosa ostenta uma erudição pasmosa sobre as cousas da China. o modo de colher esta pedra. que nunca attingem mais de . o que mostra também o seu apreço e o seu valor. escreve o pátrio savant. « Hoje. sua existência exclusiva no Turkestan. sahe. O Sr. Limitamo-nos a um trecho para. sob -a denominação de pedra Yu.ESTUDOS CRÍTICOS 79 vencer compare o seu artigo da Revista e as suas paginas do Relatório. sua importância na China. São cousas estas de que o Relatório jamais cogitou. «Acabada a pescaria.

•* Meyer — Ihr XepJkn/frmgr. Wallace * AVtwte Amaumüa. Traduzamos este ultimo. encontrou ali as pedras verdes.. Finalmente um inspector marcava os pedaços que chegavam ao tamanho de 40 centímetros. »* E' o que exactamente le-se em Fischer e Meyer. que erâo mui destros em conhecer. E. ]xrttr> em linha. seguenr depois para Pekim as jades. logo sahiam fora. *• O Sr. n. pags.go ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA 40 centímetros de comprimento. é bem preciso comprehender as cousas. decantadas por chronistas e viajantes. todavia. ck. • Já Rémusat descrevia a busca da nephrite. de officiaes c de um destacamento. atiravam-se ao mesmo tempo nagua. Escoltadas. atiravam-no â margem. Vinte ou trinta mergulhadores. Barbosa foi em 1871 ao Amazonas. A pnci era feita na presença de toldados. 5 c 6. • Tocava-se um tambor e dava-se um risco vermelho em uma folha de papel. e quando achavam algum pedaço de nephrite. A cidade de Yarkand enviava annualmente de 4 a 6 mil kilogrammos de nephrite para Khotan a serem exportados para a corte de Pekln. pag. 44. . ••• E assim por diante o ethnologista nacional aproveitou muito e muito de seu amigo de Friburgo. sabia o que A.

Barbosa Rodrigues não é um homem sem merecimento. — « Nào existe hoje. a relatar o que observou. De seus estudos de botânica é-me impossível fallar . a tentar theorias. Quando entra a * philosophar. O Sr. e consignou-as no Relatório. a procurar filiações.ESTUDOS CRÍTICOS * 8l t tinha dito dellas.a descrever em summa. Tildo isto é verdade e em tudo vai algum mérito. diz o professor de Iena. quando se reduz": a dizer o . » A theoria nephriticà de Fischer parece estar em tal caso. Por semelhantes desmantêlos é que a ethnologia arrancou ã Haeckel duras palavras. um districto da sciencia em que mais extravagantes hypotheses -levantem a cabeça tão facilmente. . a ter formulado a theoria ethnographica de Fischer vai uma distância que uma selva inteira de palmeiras não chega para encher. Barbosa é simplesmente detestável. enviado ao Governo Imperial annos mais tarde sobre 6 rio Yamunda. porém.^ Dahi. comquanto copie muito dos chronistas e viajantes que o antecederam. não deixa de ter prestimo. um espirito superior. porém.que vio. Não é. falta-me a competência. Em ethnographia. como a anthropolpgia* e a ethnologia. .

na Sibéria e em Xova-Zelandít» e de jadeite em Barma (grande região ao nordeste da Indo-China). que nem somos mineralogistas. ellas. Barbosa repete-o. Perdeu-se certamente o conhecimento das jazidas originárias do mineral. O Sr. Já vê o sábio brazileiro que estes assumptos nâo são tão simples. porém. Qual dos dous allemâes tem razão? Que diz o Sr.8a ETHJÍOCRAFHIA BRAZILEIRA O professor de Friburgo declara que em jazida geológica existe a nephrite somente no Twkestas. Não basta ter ido ao Amazonas. Afhrma a existência de jazidas nativas de nephriie no Turkestan. ao norte da cidade de Bhama. devem . O professor de Dresde contesta. É necessário um preparo sdentifico altamente custoso. Barbosa? Terá elle competência para decidir no pleito? Tem tanta como qualquer de nós. Contente-se o nosso viajante com às exterioridades. É o seu domínio. Pelo que diz respeito á America. ter visto alguns tapuias e algumas pedrinhas verdes. no Monte Viso na Europa e em Nova Guiné na Oceania. nâo saia do descriptivo. e a jadeite somente no districto de Yunnan. para acordar um dia ethnologo profundo e inventor de theorias irrefutáveis. preparo que o nosso viajante nâo possue. nem viajámos por aquellas afastadas regiões. Meyer argumenta valorosamente. como ingenuamente suppoe.

paginas de um homem competente. é melhor lêl-as nas. São três considerações de peso. China. é -inverosknil que servisse de moeda . : 18S4 •„ . observa ainda o sábio autor.ESTUDOS CRÍTICOS . Ora. paiz.e. abre-se-nos diante um illi mirado horizonte de hypotheses. em todo caso. uma prova -de serem preparados no. uma -substancia que se não encontrasse no próprio império. "-. . Demais. ha improbabilidade manifesta de. no caso de importação da Sibéria. ao menos no México e na região amazônica. Nota mais a cifcumstancia de ser o tributo de muitas províncias do império obrigatoriamente pago em jadeite. Barbosa Rodrigues. o professor de Dresde nota que os objectos ali encontrados têm todos em sua esculptura um caracter puramenfe local e indígena. Pelo que se refere especialmente ao antigo império dos Aztecas. como Meyer. jamais a nephrite. México a jadeite e .Recommendo o opusculo do professor de Dresde. Como vê o meu leitor.83 existir no continente. do que atormentar-se a gente com as impertinentes compilações do Sr. Japão ou Indo China. somente chegar ao .

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vindo ambos convergir ao sul dá Europa. . tratando do lyrismo do sul da Europa ' em suas relações com a litteratura brazileira. teproduzido ampliadamènte nas Questões de Litteratura e Arte Portugueza * Braga acredita que o lyrismo da Europa meridional teve uma origem commum. Questões de litteratura e arte portugueza—de pagsr 18 a zò. um que fez viagem pelo norte da Europa. Foi no prólogo dò Parnaso Portuguez Moderno. Na America deu-se uma semelhante marcha de povos turanianos. em dous grandes grupos.^-0 artigo é de 1877. e outro que a fez através da África. A brachycephalia do basco fran*. Esta fonte geral foram populações turanas descidas da alta Ásia. fez algumas referencias aos selvagens de nosso paiz. divididas.IV TheopMlo Braga e o tnranismo dos indígenas brazileiros O conhecido escriptor portuguez — Theophilo Braga.

Pruner-Bey e Varnhagen. A hypothese de Theophilo Braga. americanos. assenta em presumpçôes. o que nâo é nada fácil. A supposta dolychocephalÍB* das raças da America do Norte e a prete bra< hy< cphalia geral das da America Meridk demonstram o phcnomeno para o novo continente Tudo iito é muito vago e também muito aventoroso . e ai ha-se até cm desaccordo com factos demonstrados. etc.. MOller que "os povos do mundo se dividem em asyanos. semitos e turanos.(.. Ikll^guet. empresa diflicil ante a lingüística dos povos uralo-altaicos. <. que o escriptor portuguez chama ás vezes em sen auxilio. e a dwlyctKxwphalia do baaco hespanhol. para ser aceita. tirada das idéias de Rct/ius. .gfi ETIISOOBAPHIA BRAZILEIRA . africanos.não está nada provado. deveria justificar os seguintes factos: a) o monogenismo das raças humanas e soa origem commum na Ásia. no estado actual da sciencia e diante justamente dos trabalhos de Paulo Broca. provam o facto para a Europa. polynezios. c) a immigraçâo dos tutanos pam a Americai * Vide na Revista de Antropologia de Broca os adaairavei» trabalho* aobre o mtammgtmxxma e pnfygmium das raças humanas e sobre a kybridafOa. b) a veracidade da tríada de Max.

e os povos que nessa remotíssima época habitavam nella eram da mesma raça que os que no tempo do descobrimento ahi habitavam. pois que. Estes dous resultados na verdade pouco. do Brazil. / ) emíím. é) a ausência entre as tribus do Brazil daquelles conhecimentos metalúrgicos e astronômicos que passam pelos caracteres mais notáveis da civilisação turana . demonstrar a identidade do desenvolvimento das raças americanas e asiáticas. se harmonisam com as idéas geralmente adoptadas sobre a origem dos habitantes desta parte d® mundo. o Dr. conservando ao mesmo tempo os seus antigos habitantes os seus caracteres nacionaes. um impossível a olhos vistos. a America já era habitada em tempos em que os primeiros raios da historia não tinham ainda apontado no horizonte do velho mundo. quanto mais se vai afastando a época do seu primeiro povoamento.. « A America. Antes que se haja feito o que ahi indicamos» tudo que se disser sobçe a these do asiatismo dos povos americanos é pintar n'agua ou escrever na arêa. diz. o homem que melhor co-riheceu a pre-historia . Lund.ESTUDOS CRÍTICOS 8j d) a reducção dos poyos deste continente a esse ramo único . tanto mais vai-se des- .

phenomeno cem vezes * Revista do Instituto. antes de tudo. á medida que afastamo-nos dos tempos modernos. que. mal estudado. Quanto distava a sobriedade do grande Lund da afouteza charlatanesca de uns pretenciosos nossos conhecidos que andam aqui no Brazil a dizer que os Tupys erâo os Canos. Desapparecem assim o velho estribilho de uma pretensa grande cultura dos povos do Brazil. de outubro de 1844. provando com as suas descobertas archeologicas.88 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA vanecendo a idéa de uma origem secundaria ou derivada. ou da America Central. ou os Phenicios. retrogradaram. como disse um sábio europêo. ou os Mangoes. O encontro de um ou outro artefacto cerâmico. no valle do Amazonas. é um facto isolado. 23. ces ridicules robinsonades. po| immensas catastrophes. n. . muito diverso do que devia dar-se no resto do paiz. a differenciaçâo cada vez mais crescente entre os povos brazileiros primitivos e as raças chamadas mongolicas. é. e nâo sei mais que povos que colonisaram a America! E' possível uma certa interraittencia na arte entre os povos amazonenses. ou os Normandos. ou das Antilhas. um facto explicável pela proximidade da civilisação do Peru. O sábio Lund prosegue. e a enfadonha these do mongolismo.

Os estudos scientificos sobre as raças americanas começam apenas no Brazil. Não existem ainda factos demonstrados. os Normandos. tal a 'incapacidade philosophica de alguns desses savants.ESTUDOS CRÍTICOS I 89 ' repetido no curso da historia de todas as artes. Eu não quero contestar um tal ou qual conhecimento pratico de nossos pretendidos savants sobre um ou outro assumpto referente aos selvagens. os materiaes sâo até ainda limitadíssimos. Andam á cata de theorias como Paturot á busca de fortuna. já temos dúzias de theorias para explicar a origem dos Tupys-guaranys. entretanto. e t c . que os seus escriptos merecem ir para o fogo. os Egypcios.. Uma boa interpretação dos factos leval-os-hià. para filiarem os pobres Tupys. mas é tal a falta de senso critico.... de mythographia. . a conclusões diversas. os Judeos. Que prova isto ? O turanismo ? Uma velha civilisação brazileira? Absolutamente não. de ethriographia. para os Polynezios. Reduzem-se por ora a pequenos trabalhos sobre craneologia. Appellam para os Chinezes. Querem uniformisar tudo. tal a ignorância dos modernos processos de lingüística.. os Tartaros.. por certo. lingüística. os Püenicios. o diabo. buscar para tudo um similar no velho mundo. para os Japonezes. os Carios. e archeologia artística e industrial.

immensos são os pontos de contacto entre os produetos alli descriptos e aquelles que se encontram no Pará. . ofgreen jadeüke material. e chegando ao interior do Brazil. das costas da America Central c da acíual republica de Venezuella. figuras humanas. T. Uma das marc Itas migratórias dos antigos |<jvii. Mason. do anno de 1876. Despertam especial atténçâo os amuletos representando animaes.nn nellas um prodm to deste solo . americanos. reconheo% riam migraç. e tantos outros facto?. Mason. partindo di-> Antilhas. que paretem mais esclarecidas anualmente. estacionando vastamente no valle do Amazonas. semelhante ao jade. e especialmente de uma pedra verde. e ao mesmo temps» vcri. comprehenderiam melhor a semi-cultura antiga d> valle do Amazonas. caraibas das Antilhas. diz o Dr. fabricados de matérias diversas. São evidentemente as muirakitans do Amazonas. sua filiação á cultura idêntica do. Dentro da pro» . inserto no Annuai Report <>/' the Smithsonian Institution.OO ETIIMOGRAPHIA BRAZILEIRA Acabariam com a mania de reduzir a um typo único as raças americanas. simples em si e obacurecidos por fantasiosos system^. sobre as antigüidades de Porto Rico.v••> diversas entre os povos do continente . O estudo comparativo das antigüidades das Antilhas e da região do Amazonas demonstrará talvez o facto. No valiosissimo escripto de Otis.a de uma corrente de norte a sul. e t c .

prova de seu atrazo em semelhante assumpto. Desprezemos de uma vez as theorias fantasiosas e que lembram o velho biblicismo. 1882 .ESTUDOS CRÍTICOS QI pria "America acham-se os elementos para a explicação do que se encontra ao norte do Brazil. Theophilo Braga. Tal o turanismo do Sr.

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Quinet. sabido da Universidade cheio das doutrinas contradictorias de Hugp. tendo accumulado com estes parcos elementos no decennro de 1860—a 70. a que juntava em menor escala alguma cousa de Renan. o Sr. Foi o diabo. nâp tendo tempo de verificar. fez a obra de Lenarmant parir-lhe uma Historia Universal e outros . Michelet. pôr intermédio de Littré e com a archeologia e ethnographia do Oriente por intermédio de Lenormant. dúzia e meia de volumes de omni re scibili. Theophilo Braga travou no decennio seguinte e quasi ao mesmo tempo conhecimento com o positivismo. Chassangr Du Méril. foi uma visão formidável que veio ainda mais perturbar o estado cahotico das idéas do açoriano.V Ainda Tlfeophilo Braga e otoanismodos indígenas brazileiros Homem de ler um livro para delle tirar dois. Fiel ao seu systema. Alfredo Maury e Max-Müllèr. reflectir. cotejar.

il entasse les induerjons sur les digressions. Só muito depois é que. Tk. A este respeito escreveu Em. Era tarde.• Dans ses introduetions. Braga poude ver a falsidade do turanismo. avec une emphase toute meridionale. é certo. de lingüística e de anthropologia. Braga . e tínhamos a apreciar contristados essa lucta estéril cm que se debate. n'outros livros de historia. mais. em que se anniquila um espirito presumpçoso e confuso. M.-Ç4 ETHNOCRAPHIA liKAZILEIRA voluniitos mais. de Saint-AIbin no Polybiblion . foram postos em contribuição c vieram ajudar a gestação da mesma Universal Historia e de outros volumaços mais! Estava feita a liga entre a positividade e a utramãade. vide — meu opuscaJo intitulado— Uma Esoertaa ou as Canto sj Contos Populares do Brasil e o St. Começou o desespero para conciliar seus velhos erros com os factos verídicos da sciencia. Braga nessa obra. Littré e alguns poucos |>ositivistas. Braga parle peu des chants et des contes du Brésil. les citations sur les généralisa(*) Sobre irregularidades praticadas por Tn. fiel ao seu systema. Neste espirito é escripto o infeliz artigo que tem por titulo Sobre a Novelüstüa brazileira que elle poz como Introaucção aos meus Contos Populares do Brasil {*). porém nâo de todo inútil.

' . entra o homem desassombradamente no turanismo. et vpus fait assister à un defilé d'Aryens et de Touraniens. A noticia sobre. « Uma d'estas civilisações proto-historicas é a das nações Scythv-mongolicas. As taes difficuldades. .ESTUDOS CRÍTICOS 95 tions. Nas doze paginas consagradas ás tradições dos selvagens (XXIV—a—XXXVI). e em 1879 analysamos o seu livro d'O Selvagem. moins propres à renseigner le lecteur qu'à le stupéfler ». da mesma fôrma que os anthropologistas propõem o nome de Syro-Arabes em vez de Semitas e IndoEuropeus em vez de Árias ». a nós que em 1874 escrevemos sobre elle uma brochura.Couto de Magalhães. .É isto mesmo. (P.. XXVII). de dolichocéphales e brachycéphales.Couto de Magalhães antolha-se-jios de todo inútil. .desnecessário. as duas primeiras são consumidas com impertinentes generalidades sobre as difficuldades que se deparam ao collector de contos populares e com uma noticia incolor e íutil sobre o Dr. exageradas por Braga. quando publicou o seu livro da Região e Raças Selvagens do Brazil. são de todos conhecidas e não vale mais a pena-gastar papel em consignal-as. Após esse preliminar. nome que talvez seja preferível para exprimir as raças turanianas.

ou vil-o fallar em Morton. o ousado refutador de Rétxius.. mas nâo é tal. de Pruner-Bey e dos sectários da velha doutrina que reduzia os habitantes ante-aryanos da Europa a uma raça brachycephala geralmente espalhada desde "a Hespanha até á Finlândia. o chefe da escola contraria. nâo é raro .í precedendo os Contos populares do Brazil. nâo é raro. Morton o chefe daquella pleiada brilhantíssima de anthropologistas indigenistas que encerra em seu seio homens como Nott. que elle nunca leu sinâo desfigurado em Prichard.. dizemos. Não é raro ouvil-o fallar de outiva em Morton. e tantos outros. — em Theophilo isto é trivialissiroo. Agassiz.96 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA É a ouvertura da opereta buffa do turanisntf. ao que se dizia. o celebrado chefe da escola do autochtonismo dos indígenas d'America. além de Prichard. nos finneses e n*outros povos da supposu família turaniana. Brautz Mayer. nos bascos. Haven. raça ainda hoje representada. a escola do asiatismo. Parece absurdo. É tirada de Broca e ao mesmo tempo é contraria ao pensamento do anthropologista francez. Pickering e o coronel §mith I. Nâo é raro também ouvil-o fallar em Broca. cujos principaes sectários na America. mas uma ouvertura de sanfona ilhôa desafinada e martelante. Gliddon. A passagem citada é insigne de confusão e despropósito. são Forrey.

e é ao mesmo tempo -contrario ao espirito do distincto anthropologista. adversário decidido das suas idéas predilectas !. e sem citação da fonte. é tirado de Broca.turanos por toda a parte. disse eu. (*) É contrario ao espirito de Broca. 234 e seguintes. não tinha ainda lido nada contra o türanismo... além da expresssão elle combateu o facto. porque este não se limitou. raças turanas. Braga. 7 . vol. Broca foi muito adiante. levado por Müller e Lenormant. Mais_ tarde chegaram-lhe aos tíuvidos as -criticas á engenhosa hypothese do philologo allemão. É um meio de illudir aos incautos. porque é o resumo de parte de suas idéas expostas no artigo intitulado : Examen de quelques questions de nomenclature anthropologique. a censurar este neologismo por Omalius d'Halloy empregado limitadamente e por -Bunsen e Max-Müller desviado de seu primitivo sentido e estendido a todos os povos não aryanos e semitas. pag. insurgiu-se contra as phantasias daquelles. Eu o provo. em sua critica da expressão turanismo. e entre taes criticas iam algumas dirigidas contra a própria palavra (*) Vide—Mèmoires a'Anthropologie de Taul Broca. É filado de Broca. na phrase dê Rerian. O pedaço citado.ESTUDOS CRÍTICOS 97 ouvilro invocar falsamente o testemunho do polygenista francez. I. quando começou a ver .

si julga que ahi temos apenas uma questão de titulo. deixou de lado o essencial.'. da expressão. proposto por -Whitney. senão no todo. Pois ainda desconhece que o primeiro termo daquella fórmula. ou finno-hmngarmt (*) Vide A. o pleito é muito mais grave e nâo é cousa para se resolver com a expressão de raça scytho-mongolica em vez de raça turana. nâo pôde ser acceito. Sayce.. Muito ingênuo é o professor portuguez. ao menos em grande parte aryanos ? (*) Ainda nâo sabe que o segundo termo da fórmula também nâo pode ser acceito.08 ETHNOGRArtilA BRAZILEIRA turano... e o compilador portuguez. o Sr. porque muitos auctores competentissimos excluem os povos mongolicos da família turana. La Linguistiqut. Hovelacque. Nem até essa expressão é bem escolhida. e apegou-se á questão insignificante da palavra. e A. que fica simplesmente reduzida ao grupo uralo-altaico. cousa sanavel diante de um titulo melhor. Pnilologü Comporte. Theophilo mostra ignorar totalmente o pé em que se acham estas cousas. da designação da grande e pnantasiada raça. desnorteado nisto como em quasi tudo. Nâo. que é a irreductibilidade dos povos nâo aryanos e semitas a uma só família. . porque ha quem considere os scythas. H. questão secundaria diante de cousa muito mais séria que anda envolta no debate.

Si o nome furano é repellido por prestar-se a interpretações cpntr^dictorias-. hoje existentes sobre os dous termos que o compõem. Ainda hoje vive-nos a repetir. é* 'também um ancião decrépito em lingüística e anthropologia. {*) V i d e — Z a Vye . p a g . Mas tudo isto é ainda secunclario. Temos cousas muito mais galantes naquelle próprio trecho citado. . Pois quem tal pensar— illude-se redondamente. Max-Müller. voici trente ans que M. Theophilo abandonou o seu turanismo 'exagerado e ferrenho e é hoje um turàni-'sante .exagerando-os. « •Voiçi trente ans que M. O. em critica litteraria^ em poesia-.du Langage. homem continua a ser turanisador vermelho e intransigente. os sonhos de Max-Müllér.-G-aidoz.duvidas ainda. porque é igualmente obscuro.moderado.ESTUDOS CRÍTICOS 99 É desta opinião o próprio Whitney (*).philosophiâ. Max-Müller —jnventait Ia famille des langues touraniennes dans Ia quelle il enfermait tòute langue qui n*était ni aryenne ni semitique. escreve um homem competente — H. 194. é •siísceptivel de induzir-nos a enganos diante das . Ainda' Koje aquelle espirito não é só um atrazado em. Quem lè aquellas palavras é induzido a crer que o Sr. . o nome sçytho-mongolico é ímpresAayel também.

pretos e amarellos. Whitney. rir-nos ainda ó Sr. Ia théorie touranienne — dont aujourd'hui on ne parle plus — ne servit qu'â embrouiller les *iées. m Depois de Frederico Müller. numa capital.a Europa... Malheureusemcnte Ia variété de Ia nature ne se prête. depois dos mais illustres anthropologos terem auxiliado os lingüistas nessa demonstração.lOO ETHNOGRAPHIA BRAZILEIRA Cela donnait une dívison symétrique des langues du monde entier en une tríade de familles. (*) Métutim*—S. Schleicher. de Broca. de Virchow. sémitique et touranienne. Mal sabe o francez que alli r. (*/Como se illude Gaidozl O turanismo de que não se falia mais!. Sayce. . Para elle ha-os de toda a t ór. de Vogt. Theophilo Braga atormentar cora velhas momices. de Gliddon. aryenne.» 5—s aout—1884. vive ha quinze annos um pretencioso professor atordoando todo a gente com os ruranos. que fizeram o seu tempo. Hovelacque e trinta outros terem mostrado irrefutavelmente a impossibilidade de reduzirem-se a uma só família todas as línguas extrasemiticas e aryanas.. é contristador. et á retarder les progrés de Ia scieme ethnographique ».. l<as á une catégorísation aussi simple . Renan. vermelhos. brancos. de Nott. depois de Morton.

vamos citar os trechos em que elle filia no seu turanismo toda a gente do antigo e do novo mundo que sae fora dos. trad. como notou Broca.. H. Hoje falla-se delia como de uma doença que passou. revela-nos também o caminho por onde o turanismo da Ásia entrou no sul da Europa. A. E para que se não pense. Paris. a coincidência da dolichocephaliado basco hespanhol com o berbere. patranha desappareceu.ESTUDOS CRÍTICOS IOI Hoje o nome turano é synonimo de ugro : finnico ou uralo-altaico e mais nada. vindo através da África. velha..o indiano dos Pelles-Vermelhas.até ao ehinez e . ser algum exagero de nossa parte.aryanos e semitas. de Pbilologie Comparèe. « Já chegamos a ter uma família turana. do inglez A. foi das raças nômadas dá Alta Ásia que se destacaram essas migrações que entraram na Europa antes dos Indo-Eurcpéus.. pag. frac. » São palavras . um dos grandes apaixonados pelo estudo do idioma accadico. (*) Príncipes 1884. (*) Pois bem. 82. Sayce. desde o turco e o tamul. onde uma parte estacionou. e que se conhecem pelo typo -brachycephalo do basco francez. na qual havia-se reunido tudo o que . Aqui vai uma leva : « .não era semitico ou aryano. . n'este abandonado ponto de vista acha-se ainda o encantado Braga.

102

E T H N O G R A P H I A BRAZILEIRA

É j)or isso que se torna legitima a comparação
das canções provehçais com os- cantos accadUoi e
chinetes, bem como o phenomeno da persistência
da modinha brazileira, e o mesmo processo leva a
grandes resultados, approximando o romanceiro
peninsular ou as Aravias dos cantos históricos otf
faravis do Pegú. »
Ahi estão bascos, berberes, accadicos, chinezes,
provençaes e peruanos....
Mais outra multidão: « . . . a Proto-Historia
deve comprehender as civilisaçoes rudimentares
Accadica. Kuschita, Mexicana, Peruviana, Etrusta
e Chinesa... compete aos Ethnologistas o desenvolver a Proio-Historia pelo estudo comparativo
dessas cív.i;sações improgressivas, produzidas principalmente nas raças turanianas ou mais propriamente Scytho—Mongolicas. • Eis ahi — mexicanos,
peruanos, kuschitas, etruscos, accadicos, chineses,
scythas e mongolicos...
Ainda mais.
« Entre as civilisaçoes isoladas, que por esta
condição se tornaram improgressivas, occupam um
logar importantíssimo, depois do Egypto e da China,
as duas civilisaçoes do México e Peru... devem ser
estudadas antes do apparecirnento das raças aricas,
e sob um critério comparativo, como o vestígio mais
completo da capacidade social do elemento turaniano. »

ESTUDOS CRÍTICOS

103

Ninguém se engane, além de peruanos, ehinezes. e
mexicanos, temos os egypcios...
t Agora surge toda a multidão dos Pelles-Veimelhas:
« Esta circumstancia casual que conduziu Colombo á descoberta da America, explica-nos também como o continente americano,chegou a ser
habitado por uma raça colonisadora, que nas suas
expedições marítimas abordou inconscientemente
á America pela corrente do Gulf-Stream. Essa raça
primitiva ê turartiana, e por isso os gráos do seu
progresso, mythos, litteratura e arte têm profundas
analogias com as creaçôes do gênio chinez. » E a
cousá: ehinezes e americanos são da mesma laia,
são. irmãos, filhos do grande Tur...
Parece que estamos ouvindo um jesuíta do
século -XVI, ou algum biblicista fanático á maneira
de lord Kingsborough !...
;
Novas legiões: «... a superstição de não bolir
no lume com uma faca é turaniana, e por isso é
commum aos tartaros, aos índios Sinx da America
do Norte e aos habitantes da extremidade nordeste
da Ásia, entre os habitantes do Kamschatcka. »
Vejam bem : são os tartaros, os sinx e os kamschatckenses... Finalmente chega o resto da cabilda:
« Antes da civilisação aryana existiu na Ásia
a civilisação turaniana, que lhe serviu de base de

I04

ETHNOGRAPHIA BRAZILEIRA

desenvolvimento; nos costumes do México conservam se também muitas fôrmas coramuus ás raças
fartara e basca, que são de origem mongoloide;
além dí>so na rviropa oi elemento) basco, turco,
magyar e finlandês sa > os restos da primitiva cívtlisa<,io Proto-Historica-turaniana. • Que tal a lembrança do homem em dar-nos os turcos e magyares,
povos modem issimos na Europa, como restos de
primitiva civilisaçãof Ah: Sr. Theophilo!
Por todas c-u> citações vê-se que Braga é ainda
mais exagerado do que o próprio Max MOller.
Este ao menos |»ara a explicação das semelhanças^
notadas entre povos do antigo e do novo continente recorria muit-is vezes ao factyr humano, quero
dizer, á identidade dos processos, fundamentaes da
humanidade por toda a parte. Braga insurge-se
contra cs>a concessão de MOller e mostra-se mais
realista do que o rei. No próprio escripto que
analysamos vem um exemplo d'esse rigorismo de
turanidade orthodoxa da parte do auetor açoriano.
É o caso que o professor de Oxford narra-nos
a existência na Allemanha, índia e America Central
do conto dos dous irmãos, que, ao retirarem-se
para fora de seu paiz, planta cada um o seu arbusto
como annuncio de sua prosperidade ou desventura,
conforme o arbusto conservar-se viçoso ou murchar.
MiUler declara que bastam os recursos nativos e
espontâneos do sentimento humano para produzir

. ou na côr da epiderma.mesmo tempo no antigo e em o novo mundo. as conclusões da sciencia contemporânea. nem semiticas. e grita-lhe : « Engana-se ! Deante da descoberta dos monumentos accadicos e da construcção da • civilisação turaniana a verdade está do lado da realidade histórica ! » (. -Effectivamente. tem pelo contrario em seu desfavor todas. a pretenção de grupar num só e grande todo as raças históricas e ante-historicas..Braga. ou nas qualidades mentàes. ou nos caracteres lingüísticos. Vê o leitor qual é o turanismo do phantasioso ' . ou nos baseemos nas fôrmas craneanas.XXXV) -Forte cegueira. sempre. é terrível. ou na côr dos olhos. ao .Theophilo Braga. pucha pelas orelhas o velho lingüista. .e sempre será . ou na' côr é fôrma dos cabellos.ESTUDOS CRÍTICOS J05 aquelle thema. Vimos a sua extensão e intensidade. sem ser preciso recorrer-se a .relações pre-hístoricas entre tão afastados povos. que não são nem aryanas. é um velho arrojo desajuizado. intratável. é. O turanismo do meu adversário não se funda em bases scientificas. Será preciso refutal-o ? Digamos.sempre algumas palavras. o mosarabe turanisado. ' Qualquer qué seja o ponto de vista em que nos colloquemos para classificar as raças humanas.Pag.

213 a 257. . lingüistas. isto é. Vejam-se especialmente os dous artigos capitães —Sur les caracteres anatomiques de Phomnte prehistorique (*) Les crânes des Efsies et Ia thtorie esthonienne (**) sem fallar nas memórias sobre os bascos. No antigo continente a anthropologia. brachycephalia commum. Anthropologos. e naturalistas estão neste ponto de accordo. de provas irrecusáveis contra a brachycephalia primitiva dos europêos. aos Finnezes e Bascos e representativa de urna velha raça ge neralisada pela Europa e da qual esses dous povos seriam os representantes actuaes.lOÓ ETHNOGRAPKIA BRAZILEIRA uma empreza absurda e irrealizavel a reducçâo de tantos povos a uma raça única." («*) Idem. da brachycephalia geral dos habitantes ante-aryanos da Europa. O turanismo braguista tem duas faces: a do velho continente e a americana. í*) a* vol. pelo órgão de Paulo Broca. defendida por Pruner-Bey. a velha idéa de Retzius. As Memórias de Anthropologia estão cheias de factos decisivos. 115 a 150. pag. pag. Nâo será necessário transcrever para estas paginas os textos de Broca. reduziu á poeira uma das bases do systema. ao que se afirmava.

o nosso Theophilo não duvida mais. apenas. elle é dos diabos. como Haeckel. a Começar põr uma fortemente dolichõce'phála é dahi por diante sempre este e o typo bfâchycephalo a succedeíern-sê. por seus órgãos mais auctorisados. o parentesto da pequena" família uralo-altaica.. (*) 2o voL pag. pronuncia-se a favor. A glottica admitte. recohhece a^ impossibilidade de reunir n'uma só família línguas isolantes. . Bascos. Esta gente ainda duvida e são sábios orien-talistas!. basco. também repdlemó turanismo geral dó velho mundo (**). " Sobre a .. opiniões dos competentes. como as dos americanos. há-os 'de um e outro typo.. Broca ridicularisou fortemente õ mongolismo europeu de Pruner-Bey (*). A lingüística. 223. (**) Vide na Historia Natural da úreaçào a classificaçãodas raças humanas. por exemplo.. màgyar e turco de modo a espantar. finlandez. por exemplo. no meio do infinito turanismo de Braga. como P chiriez. Sabe accadeano.entrada de accadeano' neste grupo ainda se acham divididas as. Frederico Müller e Renan duvidam com força. Sayce. .. e polysynthéticãs. Naturalistas.ESTUDOS CRÍTICOS ÍO7 Dõá estudos dó sábio anthropologista sahe a confirmação ná Europa dé diversas raças pre-historicas. As raças pre-historicãs fios ãpparecem já tão baralhadas como as históricas.

Em favor desta tlu-v. rochas nâo existentes em estado nativo si não na Ásia. Neste ponto seria necessário acompanhar o açoriano quasi linha a linha. de nephrite e jadeite.< tario do asiatismo dos povos americanos. Pode-se desviar o golpe. considerados como primos do homem. o professor portuguez ignora-os ainda hoje de modo radical.108 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA Passemos á America. por descenderem de um ante-passado commum. Os dous grandes argumentos novos a favor de asiatismo americano. Anda-nos ainda a citar Prichard. este argumento e o outro tirado do encontro na America de artefato. Revela-se pelo contrario pasmosamente atrazado em questões americanas. chimpazé. gorillo. digo eu. gasta e imprestável. orang. O primeiro é uma applicaçâo má da doctrina darwiniana ao problema das origens dos americanos. advertindo que até para o transformismo mais rigorista nunca o homem foi considerado um filho. estes dous novos argumentos. o que dá o velho continente como a pátria primitiva da espécie humana. um tirado da au-cn< ia na America dos anthropomorpbos. O professor do Curso Superior de Lettras é s. gibbon. como quem diz novidades. porque os erros formigam aos cardumes. nâo adduz um só argumento novo. um descendente dos anthror t / \ m e\ m K sic .

1884. Oceania e no território d e Alaska na America (*). (*) Vide o nosso artigo — Barbosa Rodrigues e a questão da pedra nephrite: vide de A. é precipitada e improcedente. Tendo nós ^divulgado no Paiz a theoria de Meyer. não se dá só na America^ dá-se por toda a parte. Além -de 'tudo o animal que Darwin suppõe ter sido o progenitor immediato do homem não foi ainda encontrado em parte alguma da terra. Meyer. Meyer o opusculo — Die Nephritfrage kein ethnologisches Problem. 1883. também não é irmão. 1884. Sinão é filho. . . é .ESTUDOS CRÍTICOS . Lacuna.d e Friburgo. B. B. Barbosa Rodrigues. como reino de creação. 1883.um primo em terceiro ou quarto gráo.naturalista allemão . na phrase de Agassiz. naturalista em Dresde. Rohjadeil aus der Schweiz. A illação tirada contra o Novo-Mundo.collateral* afastado. A outra doutrina desenvolvida por Henrique Fischer. Ásia. foi "victoriosamente _batida por A. . Ein zweiter Rohnephritfund in Stèiermark. e adoptada ultimamente pelo Sr. Ueber Nephrit und aehnliches Material' aus Alaska.IOQ É apenas considerado um parente . Jazidas 4 e nephrite e jadeite foram encontradas na Europa. Sua existência num ponto dado não implica necessariamente a apparição da longínqua parentela collateral. este sábio enviou-nos mais os quatro opusculos seguintes: — Ein neuer Fundort von Nephrit in Asién. 1883. si ahi existe.

Diz Braga ter Broca achado serem bja^hpr? phalos os bascos do norte e dolichocephalos-os do sul. XXX).. No próprio terreno dos pontos de contacto entre as < ivilisaçóes da Ásia e a» da America o letrado portuguez nada sabe de proveitoso. pela-obliqüidade dos olhos peculiar dos mongolios.. K singular. XXIX).110 ETHMOCRAPHIA BRAZILEIRA O Sr. Torna a repetir na pagina seguinte: «Ma America do Sul a brachycephalia também leva á comprehensâo de analogias excepcionaes já observadas pêlos anthropologistas. Theophilo Braga desconhece tudo isto» ignora também radicalmente os trabalhos da escola de Morton. (Pag. Acompanhemol-o. .. Depois de referir a clssájn^ firaçâo das raças da America do Sul estabelecida por d'Orbigny e citada em Prichard. Nott e Gliddon e mette-se a fallar da America e dos americanos com os velhos subsídios de Prichard... tendo numerosas analogias ethnicas com as raças : da alta Ásia .. ter Morton provado sesem ilulii lirnirintiaUT m americanos do norte e bxachycephalos os do sul. a (Pag. passa a dizer-nos que as raças da America do Sul são brachyccphalas e as da America do Norte são dotíchocephalas. facto análogo ao estabelecido por Broca entre os bascos francezes e hespanhoes.. • De facto as raças do sul caracterísanvse também pela sua brachycephalia.

Não. Theophilo ? Que applicações faz ao seu turanismo ? Eram os bascos francezes de uma rpoa diversa dos hespanhóes? Ou eram da mesma raça e cruzados com tím povo differente? Quanto aos americanos. são as condições dos estudos e experiências de Broca e as suas idéas íundamentaes. a ponto de tornal-osemprestaveis até para aquillo que se pretende defender? O que o escriptor portuguez esconde. Dizia-se geralmente no tempo em que p notável anthropologista começava suas investigações. ou são os da America do Sul? São da mesma raça ou de raças diversas ? Para que desfigurar os factos. por andar em desaccòrdõ com . •Veio Broca Ê inteípoz o seu juízo fundado nà observação.. que pensa. porque lhe ^convém occultar. Attenda-me o leitor. os do norte são brachycephalos e os do sul dolichocephalos. a theoria não tem razão de ser.são um resto dessa velha população. retrucou elle. embrulhal-os sem vantagem. e. Theophilo? Os índios da America do Norte são os turanos. e 03 bascos.ESTUDOS CRÍTICOS TXX Qu e conseqüências tira dahi p Sr. ha tal. quanto aos próprios bascos. houve na Europa raças dolichocephalas anteriores aos aryanos. que pretende concluir o Sr. .a Europa foi habitada antes dos aryanos ppr uma raça brachycephala.

o mais que poude os selvagens da Ausenta do Norte. Em j«rte alguma estabeleceu o erro do predomínio da brachycephalia dos selvagens da America do Sul. Em jurte alguma dof seus escriptos o sábio anglo-americano usou dos termos da classificação «raneana de Retzius. Que fez Morton. Em parte alguma estabeleceu jamais uma divisão dualistica sob aquelle ]>onto de vista entre as raças do norte e as do sul do Novo Mundo. negros. reproduzindo algumas informações inexactas de vários viajantes do prin* < ipio d'este século. . brachycephalia. o celebre polygenista americano? Estudou. Tal o resumo das doutrinas do sábio francez.. bem como entre as raças pré-históricas eas artuac em uma confusão e mistura inextricavets. Quanto aos selvagens da America do Sul. dolichocephalia.112 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA os factos. nâo o. reconhecendo nelles carat terc que os afastam das raças mongolicas em que são infundadamente filiados..conheceu direcumente. mesaticepbalia. nem sempre bem informados. Ha quem tenha ido adiante de Broca e haja negado o valor das fôrmas craneanas na classificação das raças humanas. desde que todos os typos se t-íHoiiírani entre brancos. vermelhos e amarcllo^.

Creia que deve ter mais cuidado quando escrever sobre a America. suppondo-se muito adiantado. e de Baptista de Lacerda O Homem dos Sambaquis. o atrazado antagonista de Morton. nos Archivos do Museu Nacional.que não são o Selvagem de Couto de Magalhães ou a Historia Natural do Homem de Prichard. É um estudo psychologico interessante.ESTUDOS CRÍTICOS ri3 É este um ponto definitivamente esplanado ' pelos dous conhecidos discípulos brazileiros do grande Lund. . modernos dé sei vagens brazileiros resalta irrèvogavelmente o predominio da dolíchocephália na America do Sul (*). Rodrigues Peixoto e Baptista de Lacerda. como ferrenho biblicista. » Já vê o Sr. verificar o motivo pelo qual Theophilo. Na ethnographia do Velho Mundo ainda é. Temos aqui uma multidão de problemas que andam agitados numa vasta collecção de livros . é hoje um pes.fontes braguistas sobre os povos americanos. sonhador portuguez. e que deixo aos seus "adeptos. as duas grandes . adorador da descendência do phantasiado patriarcha (*) Vide de Rodrigues Peixoto Novos Estudos Craneologicos sobre os Botocudos. não passa do defensor de velharias caducas. Ssmpre o contrario das affirmações gratuitas do.. Dos interessantes estudos destes naturalistas sobre craneos antigos e. "Theophilo que o velho Prichard. simo guia.

Já vimos ser isto um formidável erro diante das investigações dos Srs. nem amrmou jamais semelhantes despropósitos em desaccordo com os factos. Avança lambem que o sábio americano estabeleceu a dolichocepkalia dos povos do norte deste continente. em sua-perpetua precipitação. no Mundo Novo acha-se no ponto de viste dos jesuítas dos séculos XVI e XVII. 1839. É a obra inicial da escola . by Samuel George Morton. Nem este anthropologista poderia usar de taes expressões devidas a Retzius em época posterior á publicação* dos Çrania Americana.escola (*). to tratek is preftxtd an tssay of tkt kmman sperits. <>r a romparath* ratar af the SAulls of various abonginal nattons-of Morta amaf Sami America. K um outro aleive levantado ao pobre Morton. foi justamente o chefe da escola que repelle as idéas agora desastradamente advogadas pelo escriptor portuguez. ignora radicalmente as conclusões dessa . Peixoto e Lacerda. no indigenista Morton. O illustre sábio foi adversário decidido do mongoUsmo dos americanos . por citações desfiguradas de Prichard: Diz o Sr. Este. Braga que o naturalista americano reconheceu a sonhada brachycephalia dos habitantes da America do Sul. E tem a coragem de fallar em Morton. (*) Vide Crania Americana.114 ETHNOGRAPHIA BRAZILEIRA Tur.

eseulptura. cerâmica. que. "pelos ehinezes. Gliddon. inteiramente. or S%etches. 1856. approximando-se na estruetura grammatical. e originados indubitavelmente na America. pelos gregos. moraes e physicos. 2. Nott and G. testemunham uma avançadissima antigüidade iudigenista nos Estados Unidos." — Taes raças estavam.Historicaland Bibliographical. e mais especialmente Types òf Mankind. by J. Nesta mesma corrente de idéias. 3.L — O continente americano foi desconhecido pelos antigos egypcios.ESTUDOS CRI-TICOS 115 Eil-as aqui.~Haven. como se vê pela architectura. hebreus e romanos. 4. distanciavam-se nos vocabulários. no cap. of the Progress of hformation and Opinion respecting Vestiges of Antiquity in the~ United States. C." — Estas raças fallavam muitas centenas de línguas. 5. by Samuel H. R. estabelecidas por Nott e Gliddon. IX do celebre livro Typef of Mankind: « i. especiaes." — Por oceasiâo do descobrimento este continente era povoado por milhões de homens que se pareciam e mostravam traços característicos. i«57- . cercadas por toda a parte de • animaes e plantas especifiçadamentè distinetos dos do velho mundo. e em perfeito contraste com os habitantes do velhomundo." — Seus monumentos. vide também — Archceology of the United States. e eram radicalmente distinotas dos idiomas do velho mundo. bancos de conchas.

nem verdadeiro systema de escripta phonetica." — Os indígenas americanos nâo possuíam nem alphabeto.<.— Seu systema arithmetico era único em o gênero. Theophilo Braga jamais leu e só conhece de outiva ou de notinhas pilhadas doidamente pelas livrarias de Lisboa. 7. como autochtones: porque os craneos americanos antigos e modernos nâo se parecem com os de qualquer outra raça antiga ou moderna . 8. determinadamente.1. e seu calendário nâo se parecia com nenhum dos pertencentes aos povos antigos ou modernos do outro hemispherio -. a estructnrs anatômica particular do pequeno numero de craneos restantes. suas plantas agrícolas eram indígenas. disseminação e numero incalculável . quando este insigne . sem a menor sombra de duvida. nem a mór parte das artes do henuspheVio oriental. Taes as notabilissimas conclusõesfirmadaspela escola americana. 6. provam que os constructores destas obras eram não só antiquissimos. nâo possuíam nenhum dos animaes domésticos.Il6 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA por sua extensão. seus conhecimentos astronômicos eram. E ter elle o desconchavo de chamar em auxilio do turanismo a Broca em o Velho Mundo. e.— O estado de decomposição dos esqueletos dos tumuli. de origem cisatlantica. que o Sr.

o nptabilissimo adversário daqueíla moléstia pá em nosso continente!.ESTUDQS CRÍTICOS 117 anthropologista foi'quem alli. Um facto vale o outro.matou a velha tolice turanisante. E ter elle a veleidade de invocar na America a favor da mesma extravagância a Morton.. Não conheço em tudo quanto tenho lido em minha vida igual exemplo de desconcerto e exquisitice.'... 1885 ..

.

e. lá estampadas pêlo" Sr. é um vasto ensaio de sciencia indígena. por isso. das Investigações sobre a archeologia brazileira. é um como prolongamento da não esquecida Exposição Anthropológica. Ladisláu-Netto. O grosso volume encerra quatro estudos. dois de craneologia. os elogios que o receberam foram e são em grande parte bem merecidos.paginas alli deixadas por_Carlos Hartt."VI Ladisláu Netto e a archeologia brazileira O'apparecimento do 6. digo eu. um archeologico e outro de ethno- . a mesma cousa não se poderá dizer. O alentado infolio é consagrado a assumptos de casa.° volume dos Archivas do Museu Nacional foi saudado com festivos gabos pela imprensa brazileira. porque si as . são realmente interessantes em uns pontos e admiráveis em outros. Em grande parte e não em totalidade. por exemplo.

No estudo dos nossos selvagens teve o bom senso de apegar-se de preferencia aos phenomenos intellectuaes e moraes que se chamam a linguagem. a mais fecunda organisaçâo scientifica que já uma vez o Hrazil teve a seu serviço. de um senso lingüístico e de um senso histórico admiráveis. porém. a origem da arte ou a evolução da ornamentação. e mythologia dos Índios do Amazonas. precipitadas por vezes. suggestivas sempre ! Especialmente esplendidos são os capítulos — Apontamentos sobre o fabrico da lauta de barro entre os sehaçens. oc< upando-se especialmente de assamptos mythicos e artísticos. lendas e mythos. os contos. aprendeu com maravilhosa facilidade o idioma dos nossos índios e penetrou pasmosamente no sentido de seus contos.120 ETHÍÍOCRAPHIA BRAZILEIRA logia geral brazileira. F. Hartt era especialmente geographo e geólogo. Lêm-se e tornamse a lêr uma e mais vezes aquellas paginas escriptas com o mais apurado desalinhe. Hartt. dotado. Si tivesse continuado a viver. as artes. as tradições. Outros têm-se entregado a pesquizas sobre caracteres mais . ter-se-ia tornado um dos primeiros mythologos de nosso tempo. ermas de phrases e cheias de idéas. os mythos. Com elles o moço sábio lançou os verdadeiros alicerces da ethnologia brazileira. Este ultimo é uma colleccâo de notas deixadas* por aquelle moço naturalista americano C.

As conclusões deste scientista brazileiro são ainda muito vacillantes. escreveu um trabalho de craneometria hodiema. Os tupys do norte são para o nosso auctor um povo totalmente diverso. qué é incontestavelmente mais preparado na especialidade. O que é talvez mais interessante é a supposição de terem ainda aquellas duas raças directos representantes actuáes.. uma nos bugres do Paraná e outra nos botocudos do Espírito Santo. o campo de • suas investigações foram os actuaes botocudos. Versa elle sobre os craneos fosseis dós sambaquis. como as formas do esqueleto e especialmente do craneo. seguidor de Peixoto nestes estudos.ESTUDOS CRÍTICOS 121 exteriores. Baptista Lacerda. Elle parece suppôr ter sido o Brazil primitivo habitado por duas raças principaes: — o homem da Lagoa Santa e o homem dos sambaquis. O Dr. aliás importantis- . deu-nos um trabalho de craneometria archêologica. Qualquer que. não creio que das investigações. Os Drs. Como quer que seja. não se poderá contestar a Rodrigues Peixoto a gloria de haver iniciado no Brazil o ramo de anthropologia em que se tem de preferencia exercitado e *não se lhe poderá contestar bastante senso scientifico.seja o futuro reservado a esta hypothese. O primeiro. Rodrigues Peixoto e Baptista de Lacerda são deste numero. O auctor é mais um clinico e physiologista do que um anthropologo de nota.

Fácil foi observar para logo as falhas deste novo critério. . o progresso da lingüística em os primeiros annos deste século veiu substituir um mais valoroso no tocante ás relações subjectivas e psychologicas: a linguagem.122 ETHWOORAPHIA BRAZILEIRA simas.issifir ações c migrações das raças humanas. A este ponto de vista. Appareciarn então as primeiras exhumações das industrias e dos homens*primitivos. O mais antigo critério.. attendendo-se á mescla e confusão em que se acham os mais diversos povos. Veiu então a idéa de classificar as raças humanas pelas mais primitivas manifestações de suas industrias. sob este [articular aspecto. puramente physico. os primeiros machados de sílex foram desenterrados e ao par com os primeiros craneos humanos e os primeiros ossos do mammouth e do urso das cavernas. possa resultar a final solução dos enigmas do amcricanismo brazileiro.. a pré-historia lançava os seus primeiros vagidos. "Mas. a mais velha base para a classificação das raças era a cõr da epiderma. Nosso sc<-ulo ex|>erimentou \iius ou três dece]>çúcs tremendas no especialissímo problema das i l. Base fundamental fraquissima é essa. oh decepção: por toda a parte foram encontrados objectos inteiramente idênticos. dos dous craneometrologos nacionaes.

esta sciencia do. a principio enganadores. dos olhos. Parece dever-se de tudo isto concluir que a . Peixoto e Lacerda a deliciosa .anthropologia meramente anatômica é insuficiente para fornecer hoje base ppsitiva para a distincção das raças humanas. na Austrália. .Mas com as pontas de sílex e com os ossos da renna — appareciam também os craneos do homem primitivo. *É uma mistura verdadeiramente infernal. Nasceu e prosperou a anthropologia craneometrica. pois. por assim dizer retardataria e posthuma. entraram a surgir de toda a parte e a ser encontrados. Ao lado. Mas.homem. Enchamo-nos do mais auspicioso optimismo e supponhamos aos Srs.. nas regiões dos pólos—os mesmos productos! Abandonou-se a idéa. das classificações pelos caracteres do craneo appáreceram as classificações firmadas nos caracteres do cabello. no valle do Amazonas.pretendendo haver achado a base ultima -e definitiva'das classificações das muitas variedades da espécie humana.procurando reconstruir phenomenos sociaes passados ha muitos e muitos millenios.ESTUDOS CRÍTICOS I23 Nas costas • d'Africa. no centro da índia. Dos seus assertos e dos seus achados. etc. não pôde tirar conclusões validas para elucidar a vida histórica e moral da humanidade. oh dor! os brachycephalos e dolichocephalos. entre as populações mais radicalmente dessemelhantes.

n<lusâo a que chegarão? Nâo será outra senão. Nâo devo. pré-colombianas e pré-historicas do Brazil. valiosos sob um ponto de vista muito geral para a historia natural do homem tomado em globo. porém. . Como característico especial.. ortognatas e prognatas. É um trabalho que tem dous lados.134 ETHSOGKAPHIA BRAZILEIRA ventura de haver medido os craneos de todas as raças actuaes. Ladisláu Netto. asserções. qual a <«. A parte descriptiva e representativa dos objectos nâo é cousa que se possa apreciar sem o minucioso exame do original de cada um dos objectos confrontado com a sua figura e descripçâo nos Archivos... e depois?.. como indicio t-xclusivo para determinar e reconstruir a natureza e índole das gerações extinctas de um dado paiz. Iilo mesmo é o que *e dá por toda a parte. nada de {«articular se poderá concluir. hypotheses e conjecturas do auctor sobre as populações auctoras daquelles artefactos. sáo de todo inconcludentes. Taes estudos -ào. que tivemos e temos por aqui indivíduos brachycephalos e sub-brachycephalo$% doJuhoapii.ilos c sub-dolychocephalos. platitephalot e mesatícephalos. portanto. é um espelho de duas faces: — descripçâo de objectos indígenas existentes em nosso museu. distanciar-me do objecto deste artigo : — as Investigações sobre a archeologia brazileira do Dr.

critica. é a micrologia em toda a sua fatuidade esterilisante. Muito pelo contrario . para nada prestam. 'Não sei si o Sr. . Deixo a averiguação a quem interessar. além dè ser paupérrimo de vistas suggestivas e de generalisações fecundas.que os prenda e unifique numa synthese geral. muda muito a cousa de aspecto. sem nexo» nem lei.. . quero dizerr quanto á parte theorica. É a e^pecialísação-em excesso. não quero. Quanto ás conjecturas. nem espíritos theoricos. Sua instrúcção é. A esterilidade e em grande parte a incompetência do gracioso savant são manifestas.mais de um ponto haja equívocos e ihexaétidões.ESTUDOS CRÍTICOS 125 I É de suppor que em . deixar -crer que o dirèctor do nosso museu seja um grande especialista. de nada valem. um homem technico em certas matérias. O trabalho não tem philosophia nenhuma. nem por sombra. Ladisláu Netto comprehenderá esta espécie de. é dàquelles que nem são bons e prestimosos práticos. como a mór parte dos assumptos de'que anda elle agora a oecupar-se. II \ Três ou quatro pontos principaes em que o enr cantado botanista haja tomado phantasias por factos. Talvez 6116" não saiba ainda que certos conhecimentos de detalhes. um empirismo desesperador. demasiado problemática.Quando assim me exprimo.

sem fazer caso do que sábios estrangeiros. dentro ou fora do paia. desconhci mdo radicalmente os trabalhos nacionaes sobre os selvagens brazileiros. Martins e Lund. Contra semelhante ataque ao direito de outros devemos protestar em nome da verdade histórica. Seja logo o primeiro aquelle em que. primorosas pela veracidade. Sem fallar nas múltiplas e variadas noticias e observações. como D'Orbigny. disse quasi tudo quanto havia a dizer sobre os índios amazônicos. nâo era licito ao Sr. diz em voz sonora e tom altivo. cpie semelhantes estudos foram neste paiz iniciados por elle em 1867. experimentada por elle. nâo esquecendo os ceramios que hoje tanto nos maravilham. de firmar um pouco mais os pés no terreno escorregadio em que se foi postar. que durante os três séculos coloniaes se oecuparam deste paiz: sem lembrar os espantosos estudos de Alexandre Rodrigues Ferreira.* vol. dos Archivos: no prefacio anteposto ao livro e na advertência que antecede o estudo de nosso naturalista. que nos fins do século passado.. escreveram sobre as raças actuacs e pré-históricas do Brazil. ha cem annos justamente. que se nos deparam nos escriptos dos chronistas e viajantes.. Ladisláu Netto esconder na mão e atirar para . É isto por duas vezes afnrmado no 6.I2Ó ETHNOGRAPHIA BRAZILEIRA serão sufficientes para mostrar-lhe a necessidade urgentissima.

nos que t. "O Brazil intellectual para quasi todos nós não será comparável a uma vegetação centenária fincada em terreno fértil e viçoso...ESTUDOS CRÍTICOS 12 7 um canto valiosissimos estudos nacionaes. onde novos e indefinidos rebentos vão brotando progressivamente e alastrando. Si quizesse.extirpada a vegetação primitiva.do paiz. em matéria de americanismo é unr erro perniciosíssimo. parece. e affectam alimentar o espirito somente das maravilhas da Europa!. praz-me explicar o facto por sua falta de leitura. De tudo esquecemo-nos de pressa. realisados aqui entre nós.da cabeça de alguns predestinados.udo brotou hoje.. E' possível que elle se julgue apto a pertencer a certo numero de indivíduos que desdenhosamente deitam de lado quanto se escreve no Brazil. como si não tivéssemos tradições. estudar a historia. scientifica .-a dactar de 1860. como é de seu dever. Ladisláu Netto . será antes equiparavel a uma capoeira rachitica.. sobre o magno assumpto. como indigno de ser lido. Em outros assumptos Será talvez de pouca inconveniência assim proceder. as várzeas visinhas. Não quero attribuir á má fé o singular esquecimento do director do museu . brotada no terreno calcinado onde foi uma velha roça e de onde tinha sido. qüe parecem ser um povo sem memória. Deu neste ponto prova dessa-leviandade dos brazileiros. o Sr.

publicado pela Revista do Instituto em 1867. cultor devotado do indianismo da litteratura brazileira. lia o interessante livro — O Brazil e a Oceania. Si os processos nâo são de todo scientificos. Outro poeta muito mais habilitado para o mister. que o seu livro é uma leitura' fortemente instructiva. Gonçalves Dias. encerrando noticias variadas sobre os tapuias e seus successores Tupys. crenças. apto a despertar a attençâo sobre o muito que devemos aos primitivos incolas da pátria. Origens. O poeta. Th. Alves Nogueira publicou em 1865 a dissertação — De Americanarum gentíum origine. costumes. tudo o cantor dos TymUras interpeUa. bem antes de sua morte. estuda os seus velhos antepassados com extremo . quanto modesto germanista brasileiro Dr. opusculo digno de leitura. usos. Em 186o o poeta Gonçalves de Magalhães publicou a memória— Os indígenas do Brazil perante a historia.carinho filial. E' um pequeno escripto de caracter polemico. a facilidade das intuições e a lucidez do escriptor maranhense são taes. E* um escripto eruditissimo. cheio de factos colhidos nas velhas chronicas. . migrações. O tão illustrado.I28 ETHNOGRAPHIA BRAZILEIRA notaria que o ultimo quarto de século tem sido notavelmente ubertoso de publicações dignas do mor apreço.

No terreno da anthropologia paleontologiea em 1871 o Dr. E' quando "apparece sobre a scena da sciencia qrazileira a figura por ciricoenta títulos sympathica de Carlos Hartt. classificação dos indígenas sul-americanos ainda hoje geralmente admittidã. justamente no decennio em que iniciávamos a melhor serie de nossos trabalhos neste' assumpto. mas é facto característico a publicação de suas excellenfes contribuições. com- .ESTUDOS CRÍTICOS" I29 E ' impossível neste ponto passar em silencio o nome venerando de Felippe de Martius que em 1867 deu ao publico as admiráveis Beitrãge zur Ethnogj-apliie und Sprachenkunde Ameriak's zumals ': Brasiliens. Martius formulou uma enumeração dos selvagens brazileiros que não foi ainda destruída totalmente. Contractado pelo governo imperial para levantar a carta geológica do paiz. apezar de abalada num ou noutro ponto . Si D'Orbigny deu a. Martins nâo era brazileiro.Martius é ein extremo lacunosa.secundário. Si a parte lingüística em. cujo primeiro volume. investigação indispensável á nossa pré-historia. o que se-refere á ethnographia geral é de relevante merecimento. Carlos Ráth apparecia com a — Noticia èthnologica sobre um povo que já habitou a costa e o interior do Brazil. rançou as bases da ethnologia desta parte do mundo. Era a iniciação do estudo dos Sambaquis.

este ultimo nâo conhece quatro palavras dos dialectos brazilicos!.. Reclamo do publico a attençâo para este signal vigorosamente característico e só por si apto a mostrar-nos a ditTerença entre Hartt e o Dr. Contos. que poude affoitamente penetrar na psjrchologia indígena e no gênio da raça extincta ou prestes a extinguir-se. na imprensa do paiz e na dos Estados-L"nidos. As primeiras escavações archeologicas realizadas no valle amazônico foram feitas por elle. Desde 1872 começaram a apparecer. O material accumnlado por . ou por «eus auxiliares. em poucos annos apoderou-se tão intimamente da lingua selvagem.»30 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA mettimento scientifico de que nos julgamos indignos. Os primeiros. geologista e zoólogo. desde 1870. igualmente distincto como geographo. Lasdiláu Netto . o naturalista americano. intuições artísticas. trabalhos sérios de archeologia brazileira datam dahi. tanto que o dispensamos depois de iniciado. mythos. tudo obedeceu ao olhar investigador do moço geólogo. esta nota é digna de ser conservada de memória. fez repetidas viagens ás regiões habitadas pelos indígenas brazileiros.. as primeiras communicaçôes de Carlos Hartt sobre as antigüidades brazileiros e sobre a mythologia de nossos selvagens. Para quem avalia o valor positivo da linguagem em ethnologia.

Dois annos depois era novamente publicada a brochura addicionada de uma grammatica tupy e de um punhado de. e nos próprios Archivos deste instituto scientifico elle.') Bem.Hartt foi parar ao Museu Nacional^ cujo pessoal Veiu mais tarde a contar em seu numero o professor americano. Deste numero era primus inter pares o professor Derby. O livro: tomara o titulo de -*. Este é o verdadeiro iniciador dos estudos -mythicos e archeologicos do BrariJ. Hartt chamava a attenção de todos.para a coílecção archeologica do museu. escreveu um trabalho. tinha um certo numero de amigos e discípulos que o idolatravam. No -museu Hartt não ficou inactivo. Em 1874 o Dr. Entretanto. contos indianos. . Ladisláu Netto. sobre o assumpto.mais activa. logo no primeiro numero em 1876. cá fora proseguia o ènthusiasmp pelos estudos americanos. e mais tarde outros. atirava ap mundp o celebrado opusculo — ídolo amasonica achado no rio Amazonas. ainda que de intelligencia muito-.O Selvagem. (Pudera não! havia de ser amazônico achado no Rio da Prata.se . tão mal preparado como o Dr. Couto de Magalhães despertava a attenção geral sobre certas particularidades do homem brázileiro com a sua memória Região e raças selvagens do Brazil. Em 1875 u m botanista brázileiro.

Ladisláu Netto.. A primeira amostra foi logo digna do pulso gigante que teve bastante forca para levantar aquelle admirável monumento lingüístico que de uma vez para sempre illuminou as paginas dos Annaes da BibHotheea Nacional. em se tratanto de umas figurinhas de três palmos que entulham ahi a galeria litteraria. sei passar inclinado ante elle. Onde quer que encontro o mérito. No anno seguinte nos Ensaios de sciencia Barbosa proseguiu em suas publicações de archeologia amasonua. dizem. Ninguém. sou apenas inimigo intransigente da charlataneria litteraría.. tâo cordialmente inimigo do Sr. Quero crer que assim seja. tem neste paiz dado a este instrumento — a critica — uns tons tâo rudes. Lastimo nâo poder agora definir o conjuncto de suas idéas. e eu não tenho o menor embaraço em declarar nâo ter para com elles reservas o meu enthusiasmo. Quando encontro um gigante nâo lhe applico polegadas. Baptista Caetano foi desta espécie: Carlos Hartt igualmente foi. . Eu passo por pessimista e maldizente.I-J3 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA vft que fallo do Sr. Barbosa Rodrigues. a medida deve ser outra: os homens de cent coudies medem-se ás braças. como eu". Nesse anno e naquella mesma revista appareceram os primeiros estudos de Baptista Caetano. Não ha tal.

Gonçalves Tocantins. appareceu-nos elle com o insignificante estudo sobre os Tembetás. Para que nada faltasse. Ladisláu Netto. naquelle anno de 1876.ESTUDOS CRÍTICOS 133 Tenho pressa de concluir este histórico para fazer outras observações ao Sr! Ladisláu Netto. Mais tarde. livro phantastico. sob o ponto. Ladisláu Netto tenha contribuído com a mais insignificante lucubração de seu espirito. c agora oito arinos depois. Em 1876. publicou o seu livro das Origens turanas dos americanos tupys 'carahibas. com as Investigações archeologicas brazileiras. F. "de vista archeologico e cerâmico. e os Drs. si o quizerem. pelo menos. n o n m do anno. Assim fechou-se o anno de 1876. o celebre botânico Freire Allemão. .edição de Montoya. nosso historiador deu-nos a. Não falia. fez diversas publicações sobre os indígenas sob o ponto de vista medico. seriamente quando faz remontar a seus esforços de 1867 o desenvolvimento nacional dos estudos americanos. mas que nãP o é mais do que certas exquisitices do Sr. Rodrigues Peixoto e Baptista de Lacerda inprimiram seu primeiro estudo de craneometria. a quem a • sciencia brazileira já era devedora de vários artigos e communicações interessantes sobre õs npssos aborígenes. Adolpho Varnhagen. De memória de homem não consta que o Sr. Só em 1877.

e por elles classificado. Todos nós conhecíamos o nosso amável Ladisláu. só por nol-o ter descripto e mandado figurar xylographicamente. A' primeira ninguém irá attríbuir grande valor intellectual. Qualquer curioso. moço vivo e curioso.. Derby. O director do Museu é merecedor de limitada reverencia. disse eu. Primeiramente. Ladisláu nâo se mostra escoimado de erros e desatinos. O material tinha sido desencavado por homens como Hartt. Ladisláu Netto consta. Rumbelsperger e outros. iria facilmente fazer aquillo.• 34 ETHNOCRAFHIA BRAZILEfRA III O escripto do Sr. munido dos indispensáveis auxiliares.. nâo será cousa para abalar céus c terra e agitar Israel e Judá dizer-lhe muito á puridade que elle nâo é de competência provada em 'anthropologia e sciencias connexas. de duas partes inteiramente distinctas: a descripçâo do material archeologico existente no Museu Nacional e as intuições theoricas do auctor. cheio de habilidades para o desenho. . hábil e paciente. Na parte das conjecturas e intuições originaes o Sr. Ferreira Penna. no longo período de três annos.

Liais. é affoito e gratuitamente affirmativo em pontos gravíssimos. até no terreno da ethnographia e es- . orientalista. Não é esta uma observação banal.se. da noite para o dia.. o governo imperial. trocando a arte pela sciencia. Percebe-se dé prompto não se haver o scientista pátrio preparado regularmente para emprehender o seu trabalho. semitologo * e americanista..ESTUDOS CRÍTICOS 135 Aproyeitando-o. sorprendentes e decisivos. Nada. O seu longo escripto é sem methodo e disconnexo em grande parte. alguns estudos de botânica. fez. onde elle. Escreveu nesta matéria duas -ou três pequenas brochuras e cPmmunicações secundarias^ que valeramlhe a nomeação para o altíssimo cargo de director do primeiro estabelecimento scientifico do Brazil!. por influencia do Sr.apparece-nos '• agora apthropologo.nesta especialidade. si as suas Investigações não nos estivessem. mandou-o á Europa. por publicações sérias e decisivas. nos estudos em que o governo o mandara habilitar. o Sr Ladisláu . ao que se diz.seria. Vacillante em pontos secundários. por largas brechas. Sem haver ainda firmado definitivamente sua competência e seu nome. mostrando claramente o atropello em que se agita lá dentro o estimavel savant. A sciencia tem realisado progressos tão rápidos.

ladisláu Netto nâo evitou nem um só destes inconvenientes. 454 e seguintes. como cousas similares.) Outras vezes mette a índia e a Indo-China no meio. sinâo idênticas. reunidas e irmanadas agora impensadamente. já em arte. Elle reúne cousas entre si de todo diversas e repel lentes.136 ETHNOGRAPHIA BRAZILEIRA tudos affins. . unir a China ao Egypto. E' uma prova disto o estado cahotúo em que se agitam suas idéas sobre a anthropologia do velho mundo. finalmente. (Pag. E' deste numero a insistência em ligar. já em idéas e instituições. que é pena vêl-o levantar-se molestado da queda. por outro. lingua e escriptura. E' uma confusão inextricavel de raças e civilisaçoes diversissimas. que um preparo geral bastante forte é indispensável a quem se dispõe a entrar em seus combates. e. não passamos pelo desgosto de vir attribuir novidade a factos e noções já em via de ene ane»er. nâo assistimos ao espectaculo de erros grosseiros. o conhecimento das verdades provadas é um correctivo ás hypotheses disparatadas e perturbadoras. em pontos aliás simplissimos de ethnographia geral. Escorrega e precipita-se tâo facilmente em erros graves. O Sr. Uma tríplice vantagem provém dahi: por um lado.

estendeu-se pela Indo-China. e attingiu longínquas iíhas da Malásia. si a chamitas e a ehinezes ligarem-se os aryanos da índia e os povos bárbaros da. não se prende á longínqua civilização da China. a différença é. parallela e em parte inspiradora das civilisaçoes da Assyria. invadiu a China.Indo-China. ethnographia.difficil de dissimular-e esconder. a civilisação. nada tem que vêr com a extrema cultura oriental dos chins. nem houve jamais -quem as irmanasse. Em lima e noutra hypothese. religião.que se encarem os dous povos. Seria como identificar gregos e malaios. Egypto. arte. durante muitos annos considerados como simples variedade dos primitivos Semitas. Babylonia. religião altamente pfedicante e proselitista. Sob qualquer aspecto por.ESTUDOS CRÍTICOS 137 A civilisação do Egypto. Maior é ainda a confusão. progressiva e brilhantíssima do.semitico. Estudos recentes tendem a independentisar o grupo chàmitico*do . mater prodigiosa da civilisação Occidental. Descobertas recentes no Cambodge revelaram-nos grandes restos de uma ciyili- . lingüística. Phenicia.e Grécia. Sabemos hoje que o buddhismò. Qual o critério para tanto? Nenhum absolutamente. Os egypcios são os mais illustres representantes desse grupo ethnolpgico designado sob o nome de Chamitas. demasiado .

é cousa igual á confusão do padre Anchieta com um caboclo da capitania de S. • de origens não somente americanas sinâo também egypcia e chineza». « com as figuras chinezas e egypcias ». levadas para alli pela mania extravagante do turanismo. Quanto á China. « enlaça a grande família americana com as nações do Nilo e da Indo-China». fazer para ellas o que Leo Reinisch fez para os idiomas chamiticos.. portanto. • como na escriptura chineza e egypcia ». chinez. línguas americanas e outras. os aryanos que levaram a essas paragens a fé buddhica e os povos que os escutaram.. confuso e indistincto !. Quando vemos um homem como Heinrich Winkler levar o verdadeiro espirito seientífico ao grupo das línguas uralo-altaicas. e expulsar de seu seio as intrusas. o facto é já ha muito conhecido. viciosos os dizeres do Sr. é desagradável vir o nosso Ladisláu enchergar tudo escuro. Ladisláu... etc. Vicente. Confundir. tibetano... São. quando repetidas vezes tomam esta fôrma: • A mesma idéa tem esta figura em chinez e egypcio >. birmanio.138 ETHNOGRAPHIA BRAZILEIRA saçâo buddhista. quando todos os progressos nestes estudos vâo nos levando cada vez mais a novas differenciações. porém. etc. • intimo parentesco egypcio entrelaçado com estas feições indo-chinezas ». .

x . çraneologia. e imprPprio paro a edificação. mythographia.para não fazer classificações erradas.ESTUDOS CRÍTICOS 13^ Falta-lhe a nota de seu tempo> seus processossãõ gastos e imprestáveis. mais poderosos. de Tschudi. Felizmente não é assim.norte-americanas. Destas. O Sr. de Baptista Caetano são definitivos. Não é só no velho mundo qiíe elle baralha e confunde as cousas! Na America é semelhante a sua marcha.. os estudos de L. sinão armado de factos. de Buschmann. Os estudos 'americanos seriam uma cousa frivola e condemnada a completo abandono. Ladisláu devia consultar as publicações. averiguados. especialmente em anthropologia e antigüidades. estes com os Tollç-aztecas. Especialmente em lingüística. Por mais vacillante que seja o americanismo. estes com os Chibchasmuyzcas. estes com os Mayas-quitchés. ninguém vai hoje desconhecer a justeza de factos. Ninguém vai confundir os Brazilio-guaranys com os Aymaras-quichúas. antigüidades. Adam.. — ainda o terreno lhes fosse de todo movediço. si depois de enormes trabalhos em todos os domínios. —lingüística. a mais intolerável é a de confundir os Mayas com os Aztecas e Toltecas. existem certas idéas e certos factos definitivamente adquiridos.

408). ou pelo menos infinitamente gratuitas. só pelos caracteres religiosos e sociaes. . nunca mais se desapegou das pesquizas da sciencia livre. Inaugurado no século XVI pelos jesuítas. Ladisláu Netto passou por tudo. resolvido a systematisar a confusão. contesta a identidade originaria do aymara e do quichúa. si Tschudi. Este esquecido resíduo de orthodoxia bíblica ahi ficou a perturbar as mais decisivas conquistas do americanismo. .1JO ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA Não ha um só americanista que' nâo distinga os Mayas dos Aztecas por cem títulos diversos. Deixemos estes reparos e penetremos no espirito geral do estudo submeti ido á nossa analyse. como vem o director do Museu amarrar num só bolo Mayas e Aztecas e Toltecas? Esta confusão espalha se por toda a extensão das Investigações.763) • grandes simües entre os Mayas e Aztecas» (pag. Proposições errôneas. apezar das affinidades das línguas. IV É ainda o velho e esterilisante espirito de procurar a todo custo parallelos e filiações no velho mundo para os americanos. com os Mayas e com os mound-builders » (pag. Ha ph rases assim: • a maior afinidade com os Toltecas. Si os próprios Aztecas sâo por muitos distinguidos dos Toltecas. O Sr. na sua recente obra — Organismus der Khetsua — Sprache.

Ladisláu persiste ainda nesta velha teima. laboram numa terrível eontradicçâo intrínseca. uralo-altaieos. Adam. Ladisláu Netto. Mayer. Lund. buscam á força uma filiação aos americanos. como algumas das conclusões de Morton. Rósny e L. todos hão sido convidados para essa paternidade mysteriosa. ethno' lógica e culturalmente.. têm sido invocados como pais dos americanos. Gliddon. "semitas.. idéa adversa puderam estabelecer os poucos. _ Deste numero é por certo o seguinte: os trabalhos tentados nesse espirito não chegaram a resultado algum satisfaetorio. O Sr. porque mysteriosa influenciasse hão de identificar nas plagas do novo mundo para produzir os americanos? .. e nenhum tem aceitado a vergonhosa incumbência. egypcios. Stephens. chins e índo-chinezes são entre si diversos. deslembrado de alguns factos bem significativos.factosaté hoje scientifieamente reconhecidos do americanismo. Aquelles que. e vem a ser prõcural-a ao mesmo tempo entre povos inteiramente diversosentre si.do velho mundo. dos cinco ou seis grupos principaes. aryanos. Squier. drawidianos. ao passo que os inspirados da.ESTUDOS CRÍTICOS I41 Todos os povos . cfiamitas. no velho mundo. á maneira do Sr. Nott. Baptista Caetano. Si no velho continente — hindus. Buschmann. mongóes.

e isto é capital. neste assumpto. O nosso Ladisláu é daquelles que nâo se contentam com uma Só origem. ser-lhe a victoria da hypothese monogenista inaprovertavel. Quer isto dizer que. Declara na advertência serem as suas conclusões mais em favor do monogenismo das raças humanas do que em prol do seu pofygenismo. mostram armei les que se apegam a um povo só. ainda concedendo de barato a veracidade da hypothese monogenista. Nâo vê. elle procura logo três ou quatro.143 ETHWOORAPHIA BRAZILEIRA Muito mais senso. porquanto foi tâo diversa a marcha histórica dos povos dos dous continentes. Nâo percebeu que o transformismo evolucionista mudou as condições deste problema.. que a * . como Varnhagen com os Carios e Berlioux com os Lybias ou At/antes do norte d'Africa. Esta circunstancia é levianamente posta de . porque ella deslocaria e nâo resolveria o problema da co-relaçao dos actuaes povos da terra. nâo estaria ipso facto decidida a filiação dos americanos num qualquer dos povos do velho mundo. separação dos americanos do tronco commum deveria infallivelmente ter sido anterior á formação das raças actuaes em todo o globo. Ainda se acha no acanhado terreno da velha disputa de monogenistas e polygenistas do terceiro e do quarto decennio deste século. insoluvel histórica e archeologieamente..

chamados reinos de creação por Agassiz.. entpn tecidos atraz de filiações.. em lamúria. nem na America. Ladisláu. tão differentes da índole das nações do antigo continente! O prestigio de uma palavra os cega e com ella julgam a sciencia feita.ESTUDOS CRÍTICOS 143 lado pelos ethnologos empíricos da categoria do Sr. desconhecem os caracteres psychplogicos. elle será verdadeiro . por exemplo. Tivemos uma só origem ancestral na ordem dos primatas.. o parentesco.enario. Que haverá de particular a concluir com lelação aos americanos? Absolutamente nada. Poderemos concluir que sejam elles descendentes dos chins ou egypcios. a evolução que produziu o homem. O monogenismo l Sim.. e moraes dós povos americanos. das actuaes raças humanas. E' que o monogenismo refere-se exclusivamente á origem primitiva e immensamente longínqua do . muitas vezes mil. e depois ? Nada resolverá. Azafamados. concedamos. fornecerá quando muito á sciencia a magra idéa de um parentesco primitivo. Ladisláu Netto? Nem por sombra.. nem em qualquer outra parte. deu-se sò no velho mundo. entre aquelles dous povos lá no antigo»» aaaiundo ninguém se lembraria de propor. Admitíamos esta ultima hfp&&e&e. si. Seguindo os que não admittem vários reinos de apparição-. por enemplo. como pretende o Sr.

poderá alguém filiar na China as oleira-> de Marajó. que. quanto poderá filiar Perícles na Holtentotia.144 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA homem. Ladisláu. ha talvez oito ou nove que partem . ou George Sand na Polynesia. Pecca a maior parte delles pela ignorância das línguas indígenas. «multado coinplicadissimo de innumeras transformações operadas na longa noite da pré-história. nâo se refere ás raças proto-historicas. assim se exprimiu na Sociedade Americana de França no mesmo anno em que se inaugurou aqui a decantada pilhéria da Exposição Anthropologica: • A pouca animação concedida aos estudos de archeologia americana provém evidentemente da falta de critica e de methodo que caracterisa infelizmente os trabalhos de um grande numero de americanistas. De dez autores que se occupam com os tempos pre-colombianos da historia do Novo Mundo.éon de Rosny. e por um desejo incrível de chegar logo a resultados ruidosos. I. e é o que inconscientemente pratica o Sr. igualmente preparado no que se refere á ethnographia do extremo Oriente e no qt«c diz respeito ao americanismo. firmado somente na idéa vaga e imprestável da unidade de origem. E' a mesma cousa. Não é que valentes protestos contra tâo viciosa tendência nâo tenham sido muitas e muitas vezes levantados por autores criteriosos e competente*. pois. Já se vê.

semelhantes doutrinas não gozam por muito tempo dos seus primeiros triumphos. e os sábios que tiveram o trabalho de occupar-se com ellas en • 10 . logar nas obras phantasticas e imaginárias.factos mais ou menos comprovados. judias ou gregas na costa oriental do Atlântico. vasos e até inscripções vêm em auxilio destas bellas theorias. Os escandinayos não deixaram vestígios duradouros" de sua estada . não tiveram a menor influencia no desenvolvimento moral e intellectual das populações Índias. judias e queijandas só têm até hoje obtido. e fogo é toda a gente forçada a voltar á simples noção. As inscripções orientaes. cuja descoberta foi tão pomposamente annunciada. ou até da Europa e da África. As pretendidas viagens phenicias. segundo a qual não havia na America antes de Colombo mais nada além de americanos e civilisaçoes americanas. entre os dous oceanos. 'Infelizmente. Si são precisos monumentos esculpidos.ESTUDOS CRÍTICOS 145 da idéa preconcebida de tirar a America seu povoamento e sua civilisação primitiva da Ásia.. e. Torturam os . chegam a encontrar. entregam-se a approximações mais ou menos audaciosas . os indícios de migrações chinézas ou indianas sobre a vertente dos Andes ou das Cordilheiras. e vestígios de migrações phenicias. 4* Oceania. com taes processos.

nâo recua ante as mais extravagantes afirmações. e americanista instruído nos antigos idiomas de Yucatan. facilmente illudido aqui ha annos atraz com a celebre inscripçào phenicia da Parahyba. e agora com um pratinho que diz ter sido achado em Marajó e soppõe conter caracteres egypcios e ehinezes.VOORAPHIA BRAZILEIRA •ont ité pour leurs frais a édition.I46 ETH. onde pretenderam ver caracteres ehinezes. A pedra semitica . cuja legenda é em caracteres incontestavelmente chineses. Rosny... a Este pedaço de sensato americanismo parece ter sido escripto com endereço ao nosso ladislân Netto. especialmente em chinez e japonês. mostra todos aquelles escrúpulos. Prefere á sciencia" séria as romarias ao acaso. O americanismo é para elle . mente si a curta inseripçâo apresentada pela legenda não foi soldada posteriormente numa outra obra da estatuaria incasica. Ladisláu.de Grave-Creek nâo é mais authentica do que o monumento de Benton-Rock.. parece testemunhar antigas relações entre a China e o Peru. porém ainda nâo se estabeleceu definitiva-. um simples curioso. O mesmo se dá com todas as outras obras da arte européa attribuidas á antigüidade americana. patuscas e ruidosas. autoridade em línguas orientaes. O bronze do Conde de Guaqui.

existentes nas •prodücções artísticas de vários povos. Elle emprehe"hde equiparar os louceiros do Amazonas ao que de mais distincto produziu a arte antiga entre. os phenicios. nada provam . os hindus. excepção feita dos trabalhos de xylographia. Ladisláu levanta por demais acima do positivo prestimo^ como documento da. Tomando o seu escripto em totalidade. contrastado pela má applicação que dellas faz o scientista nacional. E' uma tentativa -filha da preoccupação de ligar os americanos a um povo qualquer do velho -continente. pontos de contacto. deixa-nos no espirito uma dupla impressão contradiçtoria: um perpetuo exagero do valor das antigüidades brazileiras. os egypcios. A comparação não é um simples capitulo de historia das artes pelo systema das acareações. O Sr. De entre todas parece que lhe cahiram "mais em graça as gentes do Nilo. Entretanto. os etruscos.ESTUDOS CRÍTICOS I 4J um caçavanear de beduinos vistosos. base central de suas idéas. os ceramios daquella "ilha. os gregos. que lhe não pertencem. mas vagos e enganadores como as miragens dos areiaes deu > sertos. O exagero vem da preoccupação dás filiações. os chins. etc. Reclamo a attenção sobre este ponto. mentalidade dos povos de Marajó.

e é esta: o complexo das idéas de nossos aborígenes. pinturas e cem outmsj cousas. No caminho de suas comparações. no Egypto. Neste ponto ha uma consideração para mim decisiva. na Troada.148 ETHNOCRAPHIA BRAZILEIRA em prol da idéa de uma descendência. que ahi ficaram para a «estar todas as civilisaçoes extinetas.. é de caracter puramente fetichista. e que escapou completamente ao Sr. até daquelles que fabricaram a louça de Marajó. badisláu. na índia. . palácios. no Yucatan. Mal se comprehende como por tâo pouco já os querem filiar n'alguns dos mais distinetos povos que têm honrado a humanidade. porque elle nâo tem cultura philosophica. o nosso autor esqueceu-se de duas cousas essenciacs: a existência de monumentos de toda a casta. estatuas.. Especialmente na cerâmica e nas artes de desenho o facto repete-se á saciedade. na Mesopotamia. cidades» templos. no Cambodge. no Peru. na Phenicia. na Grécia.na Pérsia. Isto conhece-se justamente pelo estudo da cerâmica figurada nos Archivos. cuja civilisação existe ainda hoje toda inteira. e a inexistência de tudo isto no Brazil! Os nossos aborígenes nâo tinham passado ainda da acanhada e utilitária arte cerâmica rudimentar.. para nâo fallar na China. no México.

nem fprtaleceu nenhuma das doutrinas conhecidas. capaz de fazer cadinho. que se chama Ladisláu de Souza Mello e Netto.. Isto só por si invalida todas as conclusões do nosso Ladisláu. nem ser equiparado a nações muito mais avançadas em cultura. . Nesse andar de beduinismo anthropologico. como já disse.. A firmal-o já é muito . hypothese nova sobre a origem dos americanos... deixando o trilho do bom senso.. nem elle fortaleceu algumas das antigas ' hypotheses sobre a civilisação americana. Dest'arte. diante da necessidade imperiosa que me impõe o dever 'de tomar todas as sahidas a essa audaciosissima encarnação da fofice humana.. mas é nada ainda. perdeu-se' em divagações nocivas . nem poderia ter todo o adiantamento que lhe suppõe o pretendido e ignorante naturalista brazileiro. elle nem formulou.e cahiu na verbiagem fácil de certo scientificismo ao alcance hoje até dos caixeiros das confeitarias.ESTUDOS CRÍTICOS 149 Orá. -' O director do Museu Nacional em suas longas e massudíssimas Invesligações sobre a archeologia brazileira.nova. nem produziu doutrina. um povo ainda naquelle primitivo estadia do pensamento'*.

Ladisláu destes e dos empregados da casa vai pilhando o que pode. tendo apenas o trabalho de a arrumar a seu modo. Elk-. ou qualquer outra lingua moderna. pertencentesa três grupos ethnographicos diverso-!. duas categorias de auxüiares.. aroroçoado por nâo sei que maligno demônio. Lidisláu. que lhe fornecem a sciencia' feitinha.150 ETHNOOSJAPHIA BRAZILEIRA Em vez de limitar-se a descrever o material archeologico sujeito á sua analyse.. fornecendo assim aos sábios europeus suicídios para comparaçoSé futuras. entrou a hypnotisar nos em chinez e egypcio. Onde e quando os estudou.. A primeira categoria são sábios e escriptotesjfespecialmente daquelles que vieram ter ao Brazil e por alguma circurostancia foram parar ao Museuem um caracter qualquer.. segundo é fama. D'este professor ficaram notas e papeis queque em parte hão sido publicados. A tal numero pertenceu. e quem foram os seus mestres ? Ladisláu possúe. Carlos Hartt.. em seus engenhosos gatimanhos lingüísticos e anthropologicos. perseguido.. e levado ao desespero e á morte. como já dantes nos embasbacara cm phenif io e hebraico ! E' um mágico. que é incapaz de es» crever vinte linhas certas em francez. . arrotando agora quatro idiomas orientaes dirrkilli 11 >>.

insigne talento com o qual explicou algunsdos mais intrincados problemas de nossa geologia e de nossa ethnologia. 151 De Hartt plagiou o Sr. escrevendo uma serie de banalidades. e Ladisláu quiz também fazer a sua pequena Iliada. O professor americano elucidou •definitivamente o ponto. Isto não é um phenomeno simples. Carlos Hartt. Escreveu então paginas de grande fineza psy-chologica sobre «esse facto. os traços delicados das mãos da mulher na face muda e millenaria da cerâmica prehistorica. pag. VI. depois de Homero.'ESTUDOS CRITJCOS .innocentes. 404 e seguintes). determinando-o. por meio de profunda erudição {Archivos. Ladisláu Netto as melhores paginas de suas Investigações. 79 a 94). E não é só o facto da influencia da mulher que é pedido' de esmola ao finado sábio de Ithaca: a descripçâo dos processos do fabrico da louça é também devorada pelo anthropologo brazileiro. commettidos áhi diária- . além* disso. Quero fallar daquellas em que salienta o papel e a influencia da mulher no fabrico e amanho da cerâmica selvagem. com aquelle maravilhoso talento de observação e analyse. onde apenas aproveitam-se as idéas tomadas a Hartt. Tace principal de sua potente organisação scientifica. um desses 'Plágiosinhos . sorprendeu a acção feminil. (Pags.

Neste grupo filia-se também quem quer que lhe forneceu as notas sobre os antigos caracteres egypcios.. A este numero ha de pertencer quem quer que lhe deu o sentido da inscrípçâo phenicia da Parahyba..I52 grWlfOGBAHtlA BRAZILEIRA mente por poetas j | . Da afnnnaeào da ignorância absoluta do director do Museu Nacional—o Sr. Renan. basta conversar com elle dez minutos. uma capiangagem praticada por quem arrota ser uma grande superioridade na sciencia!. tomo eu a responsabilidade histórica ex auctoritate qua fungor. ao menos para o mundo inteiro. . E' a appropríaçâo do trabalho alheio. atirado á margem e levado ao abatimento. a traducçâo deUa em hebraico e mais sabedorias que se lêem. Um pouco de esforço irá talvez descobrir ahi esta gente. si nâo para Ladisláu Netto. E é uma apropriação. nâo deixa traços e é de difficil elucidação. por míseras intrigas. E para tanto. A outra categoria de auxíliares do nosso arranjador é obscura. suas comparações com os caracteres do pratinho. Nâo. Ladisláu de Souza Mello e Netto — em qualquer dos ramos das línguas orientaes. a principio protegido pelo governo brazileiro.. fotbjfinjstas madraços. praticada contra um homem. A cousa é grave. hypotheses doidamente empregadas nos Archivos. na maravilhosa Lettre à M. e mais tarde. Mas deve existir..

Desenvolveram sua civilisação na bacia do Mediterrâneo. porém. chegaram ás Antilhas. e por seu intermédio vieram para a America algumas praticas das margens do Nilo. e influencia nelles das gentes do Nilo. onde foram os mound-builders do Golfo Mexicano. sóméftie a «taes àuxiliares que se soccorre notfe joli petit savant.dos mound-builders do Amazonas e do Mississipi. A theoria" deste escriptor é que os próto-civilisadores -da Europa foram os Atlantes. á America. sob o nome de Lybios. Valentes. senhoreando especialmente o norte da África. povos irmãos mais velhos dos Pelasgos e Etruscos. segundo Ladisláu. E' a these de Ladisláu em todos os pontos capitães :—identidade . Nas suas horas e para certas theorias elle sahe de casa e serve-lhe o primeiro livro que pega. povoaram muitas ilhas do Atlântico . F. ousados guerreiros e navegadores.ESTUDOS CRITICOU 153 Não é. . do Mississipi e do Amazonas.de !Atlas Primitif ou Introduction à VHistoire de l'Europe. Neste caso acha-se a obra de E. conquistado o Egypto. Já dantes tinham. e anostremos-lhe as imppssibilidades. Examinemos a direcção das migrações." Berlíoux — Les Atlantes — Histoire de VAttantis et.

ao Umgo das costas. O interessante é que os que estavam na foz do Amazonas seguiram rio acima. na região. dividiram-se. fervilhou o grande viveiro de |>ovos a que pertenceram os cliff-dwellers e os mound-builders e também os Toltecas. . e o Rio Grande e o Colorado de outro. que pela sua superioridade numérica. e os que se achavam nas cabeceiras desceram rio abaixo. compr< hendida entre o Mississipi e o Missuri de um lado. Dahi provieram os incas do Peru. Foi então que vieram muitas turmas de emigrantes e estabeleceram-se na região amazônica. Aqui chegados. sinão pela sua ferocidade. remontando o Magdalena e o Orenoco. outras.I 54 ETHíÇOGRAPSm BRAZILEIRA VI A hypothese ]»erfilhada pelo au< tor das Investigações archeologicas é a seguinte : Povoada a Ameri* a do N«rfte por povos oriundos da Ásia ou da África. os oleiros de Marajó. Aztecas e Mata» Dentre estes partiram colônias a devassar os mares e as terras do sul. puzeram-se em lueta com populações locaes. A cousa é assim: Mas o grande' rio era povoado de cabildas bravias. indo uns para o Rio da Prata e outros para as regiões andinas. umas. os carahybas das Antilhas e os guaranys do Brazil e do Prata.

ainda que rudes e selvagens. ou desceram o rio. Os que estayam no -curso superior. mesclando-se aos bárbaros da terra. não fracos empeços. deviam constituir numerosas. em cujo valle. » (Pag.. ou ao sul. mais tarde.ESTUDOS CRÍTICOS 155 oppunham. seus descendentes. . é facto velho na sciencia. . abraçaram o só alvitreq u e s e lhes ante-offereceu : os que se achavamj'tentoá foz -do Amazonas transpuzeram-o e seguiram ao longo da costa para o sul. Uma hypothese não deve abrir lutas com factos provados."ao domicilio dos invasores. 417)È este o esplendido resultado do ingentissimo esforço do Sr. não podendo regressar para as regiões donde haviam emigrado. o Yapurá ou o Ucayali. 'Aquelles que dentre estes se viram perseguidos. ou tomaram o Madeira. até Marajó.em pleno desaccordo com os factos e nada mais. nacionalidades. Um tal ou qual parentesco entre as tribus do Mississipi e Missuri com os Aztecas e Toltecas. e foram erguer assim a sua tenda de prostripção nasencostas orientaes dos Andes. "nas margens dos tributários do Rio da Prata. Ladisláu. o Beni. si não vem abroquelada em motivos mais poderosos* E' o que não acontece á grosseira: miragem de Ladisláu Netto. ou remonta?'am o grande ri-o attingindo assim as~ súas cabeceiras. Uma phantasia. até as regiões platinas. algumas "vezes ou em^âíguns pontos d o curso do rio. o Purús.

. E isto fizeram a seu bel prazer. „ As fkrovas pulam-nos ahi diante dos olhos. é um avanço gratuito diante da disparidade cultural de um lado e de outro. etc. Quic-huas e í^iaranys. Identifical-os aos Mayas é ainda mais aventuroso.. Eis as .. em Cundinamárca — muizcas. O Sr. etc. no Amazonas «r-marajóaras. sem pátria. emigrando para o sul. Nos seus delineamentos essencíaes nâo se apaga jamais. ainda nâo praticaram o sacrilégio de distinguir-se de si mesmos. Ainda mais estravagante é ligal-a aos Muizca-. em todas as zonas e entre todas as raças. e se fizessem no Peru — quichúas. Sabe-se como é persistente a «aracteristica fundamental de uma raça. vagueiam de terra em terra. O parentesco dos actuaes peauxrouges. de costumes e modos. náufragos de um velho mundo.. na costa do Brazil e no Prata — guaranys. cpmprehendem nem amam. e dos antiquissimos moumibuilders. Ha cinco ou seis mil annos. e ainda nâo perderam sua feição própria. Ladisláu pretende que as gentes do México e America Central. esses restos da pre-historia. e Jiào é preciso lembrar mais nenhuma além da que se pôde drar do isiganos. é certo. atirados no meio de civilisaçoes que nerq. mudassem de pelle.. sem organisaçâo e sem leis.I56 ETHNOORArHIA BRAZILEIRA fundado apenas. no fragilissimo critério lingüístico. e mui de caso pensado!.. tão distantes entre si:.

simplê-^bonsens. 417). ?> (Pag. para este encantadissimo savant tudo isto é convencional. e todo o impulso representativo-'das forças ethnicas. de sciencia verdadeira. todo esse ' dynamisnto determinista. que só por si é capaz de dispensar-me do trabalho de anaíysar as ideas do Sr... 1'Empereur de rappeller M. . vive ahi o director do Museu a illudir o publico incauto.. que bem se pôde -chamar a àcção feflexa no organismo da civilisação.. e todas as energias inconscientes da historia. e todo o capital tradicional e evolutivo immobilisado e trahsmittido pela hereditariedade. e. Ladisláu Netto au .. apezar da caracterisação de que cada grupo se foi propositalmente revestindo. Proposição enorme de que não encontro ha muito a sua igual.. algumas dellas feitas talvez per elle mesmo.. Oh! pour le coup. proposição monstruosa.. para mais depressa atlingir o seu casual ou convencional individualismo.ESTUDOS CRÍTICOS 157 palavras typicas: « Explica-se assim essa maior ou menor analogia que sabemos haver sido manifestada entre os diversos povos civilisados da America do Sul com os da America Central. M. quasi diariamente com carrinhas ou noticias elagiativas pelos jornaes. Na falta. para este homem. je somme S. Ladisláu. Para este homem toda a açção cósmica e mesologiça.

é nâo menor desssrachavo attribuir caracter raillenario e pre-histonco a objc< to achado quasi á flor do solo.QS^de My< enas e Troya. acham-se a« trinta e quarenta metros abaixo da supernuie. (ara nada presta. como aquella do machadinho Jc bronze enviado de S. por exemplo. o mesmo não se dava com outras nações do Novo-Mundo. Além de tudo. onde o bronze em particular era de uso* commurrsa Em totalidade e em definitiva : A leitura dos trabalhos do Sr. é um erro suppõr a impossibilidade de explicai-o sem sahir da America. sem sciencia technica c sem phi- . Depois. é dislate inqualificável querer fundar ind^icfâo sobre um facto só. ora ao Mitre. estando indevidamente á frente de um grande estabelecimento suentifko do paiz. nomeadamente o Mnxftco. ou outros quaev[ticr elogiadores em disponibilidade. Paulo e sobre o qual fez cíncoentaconjecturas disparatadas.. Primeiramente.• preparasse seriamente para não cahir cm esparrellas. Ladisláu Netto deixa a quem a faz a impressão de um espirito rombo. mal preparado.. dado que o machadinho fosse positivamente pre-historico. Si é verdadeiro o desconhecimento dos metaes pelas tribus brazileiras.158 KTHNOORAPHIA BRAZILEIRA Ora vai ao Internuncio. *. Fora melhor que. quando . pesadâo. Isto nada vai.

1886. FIM . soffredor .sadas. que conhece bem a sua gente e o paiz onde vive. si não foram apenas espertezas de um realista.ESTUDOS CRÍTICOS 159 losophia. e tanto que habita uma torre de pretenções tão ou.de um egotismo incurável. que algumas dellas teriam visos de encantamento.

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. 65 IV Theophilo Braga e o turanismo dos indígenas brazileiros . 85 V Ainda Theophilo Braga e o turanismo dos indígenas brazileiros . . «.. 5 II Couto de Magalhães e a influencia dos selvagens no Folk-Lore brazileiro. 93 VI Ladisláu Netto e a archeologia brazileira... 119 . 45 III Barbosa Rodrigues e a questão da pedra nephrite. .ÍNDICE I Couto de Magalhães e os selvagens brazileiros. . .

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— . . . . Ensaio» de Crítica Parlamentar — 1883. 1878.. » . ti Contai* ttopularc» do Brazil — 1883. II lltjmo» lfar|>ej.Distribuição do APONTAMENTOS PARA A HISTORIA DA LITTSRATURA KKAZILEIRA NO SÉCULO XIX: I II III IV V A Philoaopbk no Brazil — f 878. . M-«M |. . IV Uma esperteza U Os Cantos e Contos Popnlare» do Brazil e n Sr.> . * > • ... Ktbnographia Brazileira — 1888. III Estudo» sobre o» Cantos e Ctx*a*fco\*dMt* do Brazil — 188». . .. Tbeopliilo Braga — 1887.. CONTRIBCTCÒES PARA O ESTVDO DO fOLK-LORE « RRAZILEIRO: I Canto» Populares du Bafei! .* — 1883. POESIA : 1 Cantos do Uni do Secalo _.. .1881.• . HISTORIA LITTERARIA : I Historia da ljtteratura Branleba — 1888. » . • . Estudo» de I jiteratara Contemporânea — 1884. A Lttteratnra Brazileira e a Critica Moderna— 1SS0.. ..4..

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