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INFIDELIDADE E TRAIÇÃO (PSICÓLOGO

ANALISA AS CONSEQUÊNCIAS PARA O CASAL)

Independentemente da era, modelo econômico e social, o
assunto da traição nos relacionamentos acompanha a própria
história afetiva e sexual do ser humano. Obviamente por seu
caráter de extremo sofrimento e dor, a matéria é sempre atual,
mesmo que determinados modismos tentem se impor no padrão
cultural de determinada época. Quero deixar claro que as idéias
apresentadas abaixo não possuem um caráter genérico, mas,
apenas observações de casos acompanhados clinicamente. A
primeira premissa para uma futura traição sexual ou afetiva é o
não acompanhamento da imagem psíquica que uma pessoa
formou acerca de seu companheiro, e se tal imagem é passível
ou não de satisfação plena. A estimulação da ilusão seja pela
sedução ou ausência é sinônima completa da traição, sem que
ocorra necessariamente um encontro sexual clandestino. Antes
da traição sexual propriamente dita, ocorre a fuga no plano
emocional, havendo a recusa da ajuda perante o
desenvolvimento das potencialidades amorosas de ambos os
parceiros; assim sendo, a traição máxima é o desânimo de estar
com alguém. A psicologia falhou no estudo deste tema, pois os
elementos destrutivos tão bem estudados pela mesma, se
aplicam diretamente à questão da traição. Digo isto, pois no
campo clínico notei que o desejo de trair alguém nasce muitas
vezes diante da fraqueza do parceiro; revelando os conteúdos da
agressividade, frustração e desejo de poder sobre o outro; que
irão catalisar a busca por novas pessoas.
Quanto maior a timidez de uma das partes envolvidas no tocante
a exposição da perda de seus sentimentos, maior será a
competição do companheiro para alterar ou recuperar a situação
anterior. Conclui-se que a traição está intimamente ligada à
disputa e competição. Do ponto de vista masculino é histórico o
desejo de ambição. Jamais podemos nos contentar com a falácia
do "enjôo" no relacionamento; o que ocorre é o transporte do
desejo de riqueza e acúmulo do âmbito social para a relação. O
amor masculino é cumulativo e age perante o desafio; e como a
mulher é sua posse pode a destratar o quanto quiser, após a
conquista; caso alguém duvide é só se lembrar das experiências
da adolescência em relação à competição grupal acerca de quem
iria sair com a mais bela garota da escola. O homem na maioria

A mesma ainda acusa o . O quadro cultural em que o ser masculino foi criado diz que o mesmo "ama quem não deseja" sua esposa. mas. já no caso masculino. A beleza talvez seja o ícone máximo da era moderna. a traição feminina encerra não apenas um componente de vingança frente ao que o homem resistiu em proporcionar a mulher. reforçando o caráter da competição citada acima. como foi exposto. Tal conclusão é verdadeira em parte. Diz ainda da delicada questão da beleza ou sensualidade e como se lida com ambas.seja uma amante ou aventura sexual qualquer. A mulher encara a beleza quase como uma "sobrevivência" de sua parte afetiva que clama por consideração. A mulher a nutre pela necessidade de ser cultivada e servida. embora reclame constantemente da obsessão e ciúme. O ser masculino a busca para esconder suas ambições ou decepções que não conseguiu efetuar. pois a questão ultrapassa este conceito. ou se outra pessoa consegue ir além de suas capacidades. tendo a necessidade da conquista do objeto sexual valorizado para satisfazer seu narcisismo perante o meio. o homem faz a leitura de que a traição feminina sempre fez parte de um desvio de caráter da mulher. ainda tenta entender o que aconteceu no relacionamento que acarretou tão trágico episódio. embora abaixo irei relatar alguns aspectos nocivos de como o ser feminino lida com tal aspecto. e "deseja quem não ama" . prestígio e status. Outro fator interessante é como cada um reage frente à traição. tentando evitar o abandono por parte de seu companheiro. O homem procura galgar poder e respeito perante seus pares. tentando se eximir de qualquer responsabilidade pessoal. Essa dicotomia afetiva novamente retrata o caráter ambicioso e bancário dos relacionamentos. Sua função psicológica é diminuir a angústia e sofrimento desesperador da rotina diária. A postura sexual da mulher não deixa de ser um "espelho" perante todo o histórico do comportamento de seu par. se associando a dinheiro.das vezes carrega esta dificuldade de não conseguir amar. A mulher por mais ferida que esteja. também guarda uma memória afetiva e sexual extremamente elevada sobre todas as situações vividas. O interessante é que o sofrimento feminino perante a traição remete a falta de amor de seu parceiro. a primeira leitura é sobre o desempenho sexual. A traição feminina segundo alguns psicólogos tem a finalidade de por fim a determinado relacionamento que há muito tempo está falido.

O ideal seria que antes de tal catástrofe um dos dois discutisse não apenas sua ambição por outras pessoas. A sensação é de uma exigência que jamais alguém poderá cumprir. Já faz um bom tempo que a disponibilidade não incrementa a gratidão ou desejo do parceiro. O desejo de liberdade que eclode quando estamos num determinado relacionamento é fruto da baixíssima autonomia que possuímos na esfera econômica e social. Mas voltando ao tema da traição. o por que então da preocupação exacerbada com a aparência? A fortuna movimentada pelas clínicas estéticas mostra um outro lado. A dicotomia observada é se sentir confinado numa relação. como também a sensação de aprisionamento que a relação está produzindo. A beleza é o seguro mais atual contra todo o processo da fragilidade humana em todas as esferas. para obtermos determinadas satisfações básicas. o que fazer quando se descobre a mesma? Esta sem dúvida alguma é a pergunta que mais dilacera quem passou ou está passando por tal experiência. como a atenção ou afeto. o vício da mulher no tocante ao hábito de seduzir. Parece que qualquer tentativa de resolução leva ao caos psíquico. Se há o "perdão". infelizmente a maioria dos casais não consegue a comunicação de como isso deve ser feito na prática. e a mentira que algumas vezes passa ao tentar dizer que gostaria de algo mais profundo. É o mesmo processo que ocorre com alguém que detém extrema fama e se queixa do constante assédio e invasão de sua privacidade. O modelo social nos coloca a imposição da fama não apenas para sermos respeitados. mas o que é pior. aparecem os . clamando por liberdade para novas buscas versus o terrível medo da solidão. sendo a fama seu combustível diário. Uma das provas do amor é o desejo constante de servir. quando na maior parte do tempo alimenta apenas sua vaidade. abrindo caminho para pensamentos muitas vezes irracionais que a pessoa não possui nenhum tipo de experiência ou controle. mas. Mas é quase que tolice buscar sinceridade na atualidade. A dissimulação é generalizada quando se consegue uma substancial dose de valor ou importância. dissimulando o fato de que a maioria das pessoas tem um grave problema em estabelecer compromissos nos dias atuais.homem por seu caráter essencialmente erótico. isso sem contar a parte destrutiva que todos carregam na ânsia ou desejo de "amarrar" a alma de alguém. O fato é que a descoberta da traição não apenas levanta aspectos ou desejos de vingança. Transportamos determinadas faltas sociais para os relacionamentos. citando dois exemplos.

apenas uma troca atribulada da antiga segurança emocional pela disputa completa. quando se foge de determinados preceitos históricos e morais. reforçando a sedução de ser a vítima o tempo todo. Não há vencedores. apesar de que o perdão é o melhor instrumento para se aferir se houve apenas um conflito que o parceiro não soube lidar. ou se as atitudes desenvolvidas pelo mesmo fatalmente irão se repetir. equivaleria a uma . só potencializou a atuação destrutiva num nível além do alcance da maioria dos mortais. que tudo não apenas passou de ilusão. A traição é a exposição da carência ou bloqueio afetivo de todas as partes envolvidas. o cuidado deve ser extremo para que não se alimente a continuidade de algo essencialmente negativo. Uma das mensagens cruciais é que deveríamos sem dúvida alguma seguir em frente. A tentativa histórica e moral das religiões de coibir relacionamentos fora do modelo do casamento. e que temos de fazer uma certa lição de casa acerca de nossos sonhos e expectativas. embora até hoje não consigo visualizar alternativas de relação não neurotizadas. o arrependimento por tão radical decisão inunda a consciência. perante os fatos ocorridos. tendo que aprender a conviver com um "resto" de desilusão. ou a pessoa que originou o processo da traição. sendo que o sentimento de dívida ou a falha comportamental jamais poderão ser restaurados. Fazendo uma comparação em termos sociais. Porém. Seja a insatisfação do sujeito com a rotina. O perdão trará também a consciência que nem toda a mágoa ou escombro mental pode ser removido. isso sem falar na paranóia ou desconfiança que se instalam automaticamente no convívio diário. O mais dolorido nisso tudo é a nossa instabilidade para o prazer. A raiva resultante de uma traição possui um duplo sentido: primeiramente é fundamental que possa ser expressa para que ocorra a libertação psicológica de quem está completamente absorto no sofrimento. pois sempre teve medo de discutir as reais paixões humanas negativas. Se ocorrer a dissolução da relação. A decisão não cabe mais a ninguém. ou perceber se no decorrer de nossas vidas estamos apenas investindo em terrenos estéreis.mecanismos de poder. somente a determinada frase ou elemento de impacto que tire todos do caos. todos se encontram numa total escuridão acerca do futuro. A traição revela a outra faceta sempre negada de qualquer apego ou dependência. elemento irmão da paixão ou amor. Podemos inferir que a traição remete a nossa falta de experiência de como lidar com o ódio.

A dificuldade e timidez no tocante aos fatores emocionais constituem outro caos emocional de nossa atualidade. O desafio se torna uma meta de vida silenciosa e ilegal. Tal emoção visa não apenas distrair a pessoa de suas mágoas ou frustrações. Há uma tentativa avassaladora de despotencializar o parceiro por completo. tornando uma pessoa especial por se conhecer e lidar com todo o tipo de conflito. A traição diz de uma pessoa totalmente mimada. sem que os reais motivos de tal acontecimento fossem explicitados. embora não possa concordar plenamente que a traição reside apenas numa determinada ambição. sendo que seu desejo de poder está longe de ser concluído. Por outro lado. pois tenta sugar o máximo possível na esfera afetiva e sexual. nega-se peremptoriamente à divisão de qualquer experiência íntima. se sentindo sobrevalorizado inconscientemente perante o episódio. é a tragédia de nossa época.demissão no âmbito profissional. isso sem falar do álibi que alguém traído pode usar contra todas as faltas do outro. assim como a pessoa traída irá buscar a prova de seu valor pessoal por todos os meios possíveis. Odeia falar de si. se tornando uma espécie de passatempo que preenche por completo a alma de alguém. fugindo de suas pendências psicológicas. psíquica e sexual. A pessoa que trai julga não apenas estar insatisfeita. após certo tempo de experiência. Ser traído equivale a uma espécie de falência emocional. o sofrimento acarretado por tal disputa nasrcísica levará ao "nojo" ou degradação daquilo que era estimado. O tímido como observei exaustivamente em outros estudos*. uma espécie de inveja por não ter incorporado elementos que lhe dariam mais poder ou segurança. pois há muito tempo já deveríamos saber da nossa intolerância no terreno emocional. a felicidade remete à unicidade. A disputa pelo objeto de desejo gera uma total ambigüidade: o narcisismo consciente ou não de quem traiu. Uma questão importante no tocante à traição. usando sua dificuldade social para fugir de suas responsabilidades afetivas. A expectativa de uma miserabilidade seja no campo econômico ou pessoal. O ódio se instala seja pela traição ou qualquer característica que se vê no parceiro que gere conflito. O importante a frisar novamente é a sedução de sentir ódio em qualquer situação afetiva. O contrato afetivo que quase ninguém consegue estabelecer é o preço a ser pago pela convivência a dois. O ódio é o mais puro comportamento cotidiano. A hipocrisia é plena na matéria afetiva. é que a mesma remonta a sobrevivência do ego. Sua meta é .

anseios de poder frustrados. seguindo o mesmo procedimento que ocorre na esfera econômica e social. como nossa mente aprendeu a se concentrar. muito pelo contrário. Mas o leitor irá se perguntar qual a vantagem de se produzir um sofrimento quase que insuportável? Medo do envolvimento pleno. onde tudo é prometido antes: encontro de casais. Não que deseje passar a mensagem que todos devem procurar a solidão. repetição de relacionamentos familiares destroçados e principalmente investimento apenas numa imagem egoísta e narcisista de caráter. apoio social e tradições. o medo da perda caminha em paralelo com a dificuldade de se expor à gratificação ou não no convívio com determinada pessoa. O casamento se tornou uma espécie de "venda". mas um ponto que quero ressaltar é que a traição é uma forma de nivelar todos os envolvidos pelo desespero. Quanto maior o apego. pois. sendo assim. Porém. Todos têm o dever de aprender as equivalências dos processos onde estão envolvidos. a insegurança é a mola propulsora inconsciente que pode trazer à tona o desejo de trair em ambos os parceiros. estará muito próximo da arte do amor e satisfação quase que plena. assim sendo. Não que as pessoas que mais cometam uma traição sejam necessariamente tímidas. O ciúme acarreta o mesmo efeito.obstruir o "sonho do outro". fuga. maior a possibilidade de uma traição. abrirá caminho para todo tipo de situação neurótica e de futuro desprazer. aquele que aprendeu não somente a depender de si. A saída de todo esse processo de terror seria a não intimidação perante o vício de competir. sufocar e não dar a mínima chance para que a pessoa possa mudar de idéia ou fazer outra escolha. e nunca se abater ou contaminar por processos que já eram viciados desde seu início. pois. terá um compromisso de retribuição que não deseja efetuar. não há inocentes nesta matéria. que é sinônimo do modelo social e que acaba com a relação gradativamente. mas principalmente a abertura e possibilidade no dia a dia de aprender. Quem não consegue depender de si próprio. após certos conflitos as pessoas se encontram absolutamente desamparadas. O leitor poderá questionar se não é um tanto religioso o modelo . caso alguém atinja o "clímax" com ele. Talvez a coisa eterna e saudável em nossa vida não é a lembrança corriqueira de algo negativo. sendo também receptivo às possibilidades de trocas genuínas. orientação religiosa ou matrimonial. O auto respeito é nunca trocar a segurança pessoal por uma imagem ou cópia de idiossincrasias coletivas.

Para o sujeito que sofreu a traição. a traição subliminarmente está dizendo de alguém que se tornou uma espécie de "nômade" afetivo. ou uma tola ilusão de que uma pessoa poderia se encaixar num perfil desejado? Alguém exige a fidelidade por um real compromisso amoroso. Ao invés de se alimentar essa paranóia. com todas as conseqüências danosas que conhecemos. no máximo fez uma péssima escolha. que seu objetivo máximo de vida era apenas delatar ou encontrar provas da infidelidade do parceiro. seria interessante que as pessoas lidassem profundamente com seus sentimentos de desamparo e abandono. já que o mandamento máximo imposto por uma era de solidão e desespero é a não cobrança de desejos ou afetos. seja por fatores estéticos ou comportamentos neuróticos que remetem a um passado mal resolvido. A indústria dos detetives ou flagrantes de uma suposta traição movimentam um mercado de grandes somas econômicas. A verdade é que as pessoas se usam o tempo todo. a coisa não funciona de modo diferente. "Tudo pode acabar a qualquer instante". Quem possui plenamente afeto ou amor jamais poderá se considerar como traído. O fato é que se não há nenhum parâmetro de diálogo ou convivência afetiva. como uma espécie de "confissão" emocional. ou não admite nenhum arranhão em sua imagem egóica? Certamente tais perguntas são cruciais no desvendamento do problema apresentado. ou se apenas tudo não passou de um ensaio acerca do que seria realmente sua satisfação pessoal? A obrigação de relacionamentos duradouros que antigamente faziam parte do cotidiano deu lugar à absoluta incerteza de quanto uma relação irá perdurar em nossos dias. Deveríamos prestar mais atenção ao que realmente perdura em nossas vidas. Não seria a própria instituição matrimonial um desafio a fatídica questão da morte como essência humana? Peço apenas a reflexão para tal ponto.aqui apresentado de expor todas as insatisfações. Para tudo se cria a possibilidade de ganhar dinheiro. Talvez muito mais do que um aspecto ético ou religioso. Na traição. a pergunta é se realmente o mesmo sentia a felicidade de estar com a pessoa. A discussão sobre o que é duradouro é fundamental para aprofundarmos a questão da traição. e o relacionamento se assemelha a estar em determinado emprego sempre à espera de uma oportunidade melhor. A traição seria realmente a perda de um investimento emocional profundo. o narcisismo exacerbado de um dos parceiros triunfará sobre qualquer possibilidade de troca verdadeira. Cansei de observar pessoas totalmente inseguras. A .

É trágica a preguiça coletiva de se perceber o significado de . Há ainda o fator da construção de bens materiais para supostamente serem desfrutados a dois. A verdade é que somos quase que totalmente ineficazes para estabelecer o ponto ideal de quando deveríamos ir embora. prova disso são as constantes sensações de culpa ou arrependimento. ou potência pessoal e criatividade. pois uma pessoa que se sente sobrecarregada irá tentar desafogar o peso extra de alguma forma. Esta árdua tarefa é outro fator gerador da traição. paralelamente ao desejo de "pensão" ou aposentadoria no âmbito afetivo. A frustração cega por completo qualquer tipo de esperança acerca do futuro. A traição soa como uma volta temporal no relacionamento a determinado estágio onde não havia vínculo ou compromisso. sem que haja perdas ou situações bombásticas. ao invés da análise de futuras possibilidades e sobre o que estamos atraindo para nossa vida. O grande dilema é o que aceitar ou escolher para o curso de nossas vidas: dor. O que não se percebe neste exemplo é que todas as expectativas são direcionadas para uma ilusão de prazer no futuro. O lamentável é que poucos sabem interpretar tais fatos. fica exposta totalmente à fantasia ou pensamento obsessivo de uma incompletude que parece que jamais poderá ser preenchida. ou que produza um constante estado de liberdade. porém. desespero. A traição é a recusa completa na crença de que o convívio afetivo poderia ser ocupado por uma pessoa muito mais qualificada. ódio. sendo que não se percebe que na maioria das vezes tal meta apenas esconde a própria insatisfação pela permanência da relação. se esquecendo por completo da carência do presente. este último se tornou o antônimo dos compromissos como estava dizendo no começo do estudo.morte sempre dá sinais antecipados de sua futura ocorrência. Parece que apenas a perda nos mostra como sempre estamos distantes das pessoas que julgávamos amar. Uma relação na nossa atualidade parece como uma escolha que sempre acarreta a sensação de clausura. estive falando sobre ambição. amargura. quando escolhem viver com uma pessoa. Temos o hábito milenar da concentração na vingança e reparação. posse e outros sentimentos que geram ou são gerados pelo poder. Até o momento. Parece que todos vivem a contradição de desejarem ser livres. Outra questão importante a se levantar é a dificuldade de se manter ou cultivar uma relação que é até agradável. como se perdêssemos totalmente a segurança que achávamos que detínhamos. desprovida de uma seqüência criativa.

Portanto. e descobrimos que na área da pessoalidade. quando na verdade quase ninguém consegue realmente acompanhar o âmago de uma relação. Quando indago meus pacientes acerca do que seria a relação perfeita escuto como respostas: companheirismo. assim como nossa tarefa de sobreviver. quando podemos decidir por algo no tempo livre que nos resta. tão propagado pelos jovens não passa de uma insípida proteção contra o desejo . Penso que a solução mais viável para todos os problemas apontados seria o equilíbrio energético. surgem a ansiedade e angústia como inibidoras de algo novo. Toda sociedade ou cultura acaba desenvolvendo mecanismos de defesa contra o sofrimento. ou fugir do medo. O centro do conflito de qualquer relação afetiva é o temor de expor hábitos ou comportamentos que ainda não foram passíveis de compreensão ou solução pelo indivíduo. assim como para coisas negativas do tipo: rotina e tédio). que requer manutenção ou investimento diário. Todos fomos treinados desde cedo para o esforço. causando vergonha e humilhação quando percebidos a dois. Deveria haver espaço para tudo (sexo. A contradição é imediatamente instalada. ou suas constantes atribulações. nunca nossos desejos se tornaram tão reféns de outras pessoas. alegria. O que se chama de "amor" quase sempre se transforma num labirinto. mas do engano pessoal potencializado. Consumimos a maior parte de nosso tempo em coisas forçadas ou que estão desprovidas de um sentido mais profundo. Talvez poucos estejam atentos para o fato de que o esforço pessoal de uma pessoa muitas vezes é dirigido para uma área que compense aquilo que a mesma está em déficit há anos. O chamado "ficar". Um ideal ou imagem é meramente uma construção psicológica para acomodar a mente num suposto prazer. Na prática passa pela conscientização de que um relacionamento ou amizade é algo vital. se recusando a lidar com seus complexos. este talvez não seja a ferramenta mais eficaz. a retenção de algo supostamente de valor acarreta invariavelmente a desvalorização completa do mesmo. A lição básica é a aferição do presente em qualquer tipo de encontro ou relação. pois. nossa alma carenciada valoriza uma constância de prazer inatingível. Apesar disto. O medo será sempre um tipo de seguro sobre se devemos um não doar algo especial sem nenhuma garantia de retorno. sua perda nunca será a raiz da traição. cumplicidade e fidelidade. Porém. Confesso que se torna um tanto irritante ouvir tais conceitos absolutamente genéricos. diversão. onde seu centro é nossa ferida emocional sempre aberta.determinados processos.

e que poderiam se ajudar na superação dos mesmos. este comportamento de tentar retirar alguém de nosso caminho apenas delata nossa angústia por procurar algo novo. Por pior que sejam os acontecimentos ocorridos num relacionamento. que quase sempre se deriva da coletiva. mas reflete por natureza uma ambição íntima de uma espécie de "contrato" que gostaríamos de estabelecer com alguém para ocultar o nosso caminho não percorrido. seja a continuidade ou separação do relacionamento. Como a sobrevivência no plano material ocupa a cada dia mais espaço. Este não é a essência da libido como muitas escolas da psicologia acreditaram por décadas. Quando se inicia um namoro ou relação. como conseqüência apenas é solicitada uma mera companhia. será que sofremos por não termos . embora de origem diversa. Qualquer relação por mais ínfima que seja carrega o peso de duas almas que procuram ajuda e ainda não perceberam tal fato. A ajuda profissional é fundamental não como um juízo de valor perante o ocorrido. Não nos tornamos neuróticos por estarmos fixados na disputa contra um dos genitores por mais atenção e amor que gostaríamos de receber do outro. Enfim. ocorre um relaxamento no plano da pessoalidade. a experiência clínica e análise do inconsciente comprovam que o casal se completa totalmente no sentido de que cada um possui bloqueios semelhantes. Se aceita tranqüilamente que o aprofundamento pode levar a dor. O terrível é que a falta da franqueza irá esconder o potencial de cada um no tocante a carência extrema do outro.oculto de traição de ambas as partes. A solidão é vista como uma doença terrível. poucos a percebem onde a mesma ocorre verdadeiramente. Apenas o bom senso e discernimento são os instrumentos válidos para que tipo de ação tomarmos diante da traição. mas para "escavar" as causas que originaram todo o histórico. sendo que o remédio é tomado apenas pela metade. A premissa romântica tão propagada da procura da "alma gêmea" possui um cunho de verdade. O quase centenário conceito do complexo de Édipo se ajusta no que foi dito. qual o propósito de arriscar uma rejeição afetiva contra estranhos. porém. inclusive fantasias eróticas? O complexo de Édipo apenas prova o medo do erro fora do círculo familiar. já que a dívida ou compromisso é evitado. a mesma é quase sempre movida pela atração ou desejo sexual. A inversão de prioridades tem sido a tônica dos dias atuais. se podemos forçar que nossos pais nos dêem tudo. A traição é a imposição sobre nossa consciência para que lidemos com a dor da injustiça pessoal.

mas com toda ênfase afirmo que está sob nosso controle a administração das seqüelas e nossa esperança de um recomeço mais maduro e harmonioso. e se o obtemos muitas vezes não resta apenas o vazio existencial? Qualquer ato de transformação só será válido quando se inicia pelo íntimo.atingido um sonho. QUALQUER ORIENTAÇÃO SÓ É POSSÍVEL PESSOALMENTE E ATRAVÉS DE CONSULTA PSICOLÓGICA . Podemos ou não ter a sorte de encontrarmos alguém que realmente nos amou. * Vide site central com vários estudos sobre a timidez POR RAZÕES ÉTICAS. * ESTE TRABALHO FOI TOTALMENTE PRODUZIDO PELA EXPERIÊNCIA CLÍNICA DO AUTOR. tal questão infelizmente foge completamente de nossa vontade.