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Antonio Candido indica 10 livros para conhecer o Brasil – Blog da Boitempo

09/03/2016 18:37

Antonio Candido indica 10 livros para conhecer o Brasil

Posted on 17/05/2013 // 77 Comments

para conhecer o Brasil Posted on 17/05/2013 // 77 Comments

Antonio Candido indica 10 livros para conhecer o Brasil – Blog da Boitempo

09/03/2016 18:37

Quando nos pedem para indicar um número muito limitado de livros importantes para conhecer o Brasil, oscilamos entre dois extremos possíveis: de um lado, tentar uma lista dos melhores, os que no consenso geral se situam acima dos demais; de outro lado, indicar os que nos agradam e, por isso, dependem sobretudo do nosso arbítrio e das nossas limitações. Ficarei mais perto da segunda hipótese.

Como sabemos, o efeito de um livro sobre nós, mesmo no que se refere à simples informação, depende de muita coisa além do valor que ele possa ter. Depende do momento da vida em que o lemos, do grau do nosso conhecimento, da finalidade que temos pela frente. Para quem pouco leu e pouco sabe, um compêndio de ginásio pode ser a fonte reveladora. Para quem sabe muito, um livro importante não passa de chuva no molhado. Além disso, há as afinidades profundas, que nos fazem afinar com certo autor (e portanto aproveitá-lo ao máximo) e não com outro, independente da valia de ambos.

Por isso, é sempre complicado propor listas reduzidas de leituras fundamentais. Na elaboração da que vou sugerir (a pedido) adotei um critério simples: já que é impossível enumerar todos os livros importantes no caso, e já que as avaliações variam muito, indicarei alguns que abordam pontos a meu ver fundamentais, segundo o meu limitado ângulo de visão. Imagino que esses pontos fundamentais correspondem à curiosidade de um jovem que pretende adquirir boa informação a fim de poder fazer reflexões pertinentes, mas sabendo que se trata de amostra e que, portanto, muita coisa boa fica de fora.

São fundamentais tópicos como os seguintes: os europeus que fundaram o Brasil; os povos que encontraram aqui; os escravos importados sobre os quais recaiu o peso maior do trabalho; o tipo de sociedade que se organizou nos séculos de formação; a natureza da independência que nos separou da metrópole; o funcionamento do regime estabelecido pela independência; o isolamento de muitas populações, geralmente mestiças; o funcionamento da oligarquia republicana; a natureza da burguesia que domina o país. É claro que estes tópicos não esgotam a matéria, e basta enunciar um deles para ver surgirem ao seu lado muitos outros. Mas penso que, tomados no conjunto, servem para dar uma ideia básica.

Entre parênteses: desobedeço o limite de dez obras que me foi proposto para incluir de contrabando mais uma, porque acho indispensável uma introdução geral, que não se concentre em nenhum dos tópicos enumerados acima, mas abranja em síntese todos eles, ou quase. E como introdução geral não vejo nenhum melhor do que O povo brasileiro (1995), de Darcy Ribeiro, livro trepidante, cheio de ideias originais, que esclarece num estilo movimentado e atraente o objetivo expresso no subtítulo: “A formação e o sentido do Brasil”.

Quanto à caracterização do português, parece-me adequado o clássico Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda, análise inspirada e profunda do que se poderia chamar a natureza do brasileiro e da sociedade brasileira a partir da herança portuguesa, indo desde o traçado das cidades e a atitude em face do trabalho até a organização política e o modo de ser. Nele, temos um estudo de transfusão social e cultural, mostrando como o colonizador esteve presente em nosso destino e não esquecendo a transformação que fez do Brasil contemporâneo uma realidade não mais luso-brasileira, mas, como diz ele, “americana”.

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Em relação às populações autóctones, ponho de lado qualquer clássico para indicar uma obra recente que me parece exemplar como concepção e execução: História dos índios do Brasil (1992), organizada por Manuela Carneiro da Cunha e redigida por numerosos especialistas, que nos iniciam no passado remoto por meio da arqueologia, discriminam os grupos linguísticos, mostram o índio ao longo da sua história e em nossos dias, resultando uma introdução sólida e abrangente.

Seria bom se houvesse obra semelhante sobre o negro, e espero que ela apareça quanto antes. Os estudos específicos sobre ele começaram pela etnografia e o folclore, o que é importante, mas limitado. Surgiram depois estudos de valor sobre a escravidão e seus vários aspectos, e só mais recentemente se vem destacando algo essencial: o estudo do negro como agente ativo do processo histórico, inclusive do ângulo da resistência e da rebeldia, ignorado quase sempre pela historiografia tradicional. Nesse tópico resisto à tentação de indicar o clássico O abolicionismo (1883), de Joaquim Nabuco, e deixo de lado alguns estudos contemporâneos, para ficar com a síntese penetrante e clara de Kátia de Queirós Mattoso, Ser escravo no Brasil (1982), publicado originariamente em francês. Feito para público estrangeiro, é uma excelente visão geral desprovida de aparato erudito, que começa pela raiz africana, passa à escravização e ao tráfico para terminar pelas reações do escravo, desde as tentativas de alforria até a fuga e a rebelião. Naturalmente valeria a pena acrescentar estudos mais especializados, como A escravidão africana no Brasil (1949), de Maurício Goulart ou A integração do negro na sociedade de classes (1964), de Florestan Fernandes, que estuda em profundidade a exclusão social e econômica do antigo escravo depois da Abolição, o que constitui um dos maiores dramas da história brasileira e um fator permanente de desequilíbrio em nossa sociedade.

Esses três elementos formadores (português, índio, negro) aparecem inter-relacionados em obras que abordam o tópico seguinte, isto é, quais foram as características da sociedade que eles constituíram no Brasil, sob a liderança absoluta do português. A primeira que indicarei é Casa grande e senzala (1933), de Gilberto Freyre. O tempo passou (quase setenta anos), as críticas se acumularam, as pesquisas se renovaram e este livro continua vivíssimo, com os seus golpes de gênio e a sua escrita admirável – livre, sem vínculos acadêmicos, inspirada como a de um romance de alto voo. Verdadeiro acontecimento na história da cultura brasileira, ele veio revolucionar a visão predominante, completando a noção de raça (que vinha norteando até então os estudos sobre a nossa sociedade) pela de cultura; mostrando o papel do negro no tecido mais íntimo da vida familiar e do caráter do brasileiro; dissecando o relacionamento das três raças e dando ao fato da mestiçagem uma significação inédita. Cheio de pontos de vista originais, sugeriu entre outras coisas que o Brasil é uma espécie de prefiguração do mundo futuro, que será marcado pela fusão inevitável de raças e culturas.

Sobre o mesmo tópico (a sociedade colonial fundadora) é preciso ler também Formação do Brasil contemporâneo, Colônia (1942), de Caio Prado Júnior, que focaliza a realidade de um ângulo mais econômico do que cultural. É admirável, neste outro clássico, o estudo da expansão demográfica que foi configurando o perfil do território – estudo feito com percepção de geógrafo, que serve de base física para a análise das atividades econômicas (regidas pelo fornecimento de gêneros requeridos pela Europa), sobre as quais Caio Prado Júnior engasta a organização política e social, com articulação muito coerente, que privilegia a dimensão material.

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Caracterizada a sociedade colonial, o tema imediato é a independência política, que leva a pensar em dois livros de Oliveira Lima: D. João VI no Brasil (1909) e O movimento da Independência (1922), sendo que o primeiro é das maiores obras da nossa historiografia. No entanto, prefiro indicar um outro, aparentemente fora do assunto: A América Latina, Males de origem (1905), de Manuel Bonfim. Nele a independência é de fato o eixo, porque, depois de analisar a brutalidade das classes dominantes, parasitas do trabalho escravo, mostra como elas promoveram a separação política para conservar as coisas como eram e prolongar o seu domínio. Daí (é a maior contribuição do livro) decorre o conservadorismo, marca da política e do pensamento brasileiro, que se multiplica insidiosamente de várias formas e impede a marcha da justiça social. Manuel Bonfim não tinha a envergadura de Oliveira Lima, monarquista e conservador, mas tinha pendores socialistas que lhe permitiram desmascarar o panorama da desigualdade e da opressão no Brasil (e em toda a América Latina).

Instalada a monarquia pelos conservadores, desdobra-se o período imperial, que faz pensar no grande clássico de Joaquim Nabuco: Um estadista do Império (1897). No entanto, este livro gira demais em torno de um só personagem, o pai do autor, de maneira que prefiro indicar outro que tem inclusive a vantagem de traçar o caminho que levou à mudança de regime: Do Império à República (1972), de Sérgio Buarque de Holanda, volume que faz parte da História geral da civilização brasileira, dirigida por ele. Abrangendo a fase 1868-1889, expõe o funcionamento da administração e da vida política, com os dilemas do poder e a natureza peculiar do parlamentarismo brasileiro, regido pela figura-chave de Pedro II.

A seguir, abre-se ante o leitor o período republicano, que tem sido estudado sob diversos aspectos, tornando mais difícil a escolha restrita. Mas penso que três livros são importantes no caso, inclusive como ponto de partida para alargar as leituras.

Um tópico de grande relevo é o isolamento geográfico e cultural que segregava boa parte das populações sertanejas, separando-as da civilização urbana ao ponto de se poder falar em “dois Brasis”, quase alheios um ao outro. As consequências podiam ser dramáticas, traduzindo-se em exclusão econômico-social, com agravamento da miséria, podendo gerar a violência e o conflito. O estudo dessa situação lamentável foi feito a propósito do extermínio do arraial de Canudos por Euclides da Cunha n’Os sertões (1902), livro que se impôs desde a publicação e revelou ao homem das cidades um Brasil desconhecido, que Euclides tornou presente à consciência do leitor graças à ênfase do seu estilo e à imaginação ardente com que acentuou os traços da realidade, lendo-a, por assim dizer, na craveira da tragédia. Misturando observação e indignação social, ele deu um exemplo duradouro de estudo que não evita as avaliações morais e abre caminho para as reivindicações políticas.

Da Proclamação da República até 1930 nas zonas adiantadas, e praticamente até hoje em algumas mais distantes, reinou a oligarquia dos proprietários rurais, assentada sobre a manipulação da política municipal de acordo com as diretrizes de um governo feito para atender aos seus interesses. A velha hipertrofia da ordem privada, de origem colonial, pesava sobre a esfera do interesse coletivo, definindo uma sociedade de privilégio e favor que tinha expressão nítida na atuação dos chefes políticos locais, os “coronéis”. Um livro que se recomenda por estudar esse

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estado de coisas (inclusive analisando o lado positivo da atuação dos líderes municipais, à luz do que era possível no estado do país) é Coronelismo, enxada e voto (1949), de Vitor Nunes Leal, análise e interpretação muito segura dos mecanismos políticos da chamada República Velha (1889-1930).

O último tópico é decisivo para nós, hoje em dia, porque se refere à modernização do Brasil, mediante a transferência de liderança da oligarquia de base rural para a burguesia de base industrial, o que corresponde à industrialização e tem como eixo a Revolução de 1930. A partir desta viu-se o operariado assumir a iniciativa política em ritmo cada vez mais intenso (embora tutelado em grande parte pelo governo) e o empresário vir a primeiro plano, mas de modo especial, porque a sua ação se misturou à mentalidade e às práticas da oligarquia. A bibliografia a respeito é vasta e engloba o problema do populismo como mecanismo de ajustamento entre arcaísmo e modernidade. Mas já que é preciso fazer uma escolha, opto pelo livro fundamental de Florestan Fernandes, A revolução burguesa no Brasil (1974). É uma obra de escrita densa e raciocínio cerrado, construída sobre o cruzamento da dimensão histórica com os tipos sociais, para caracterizar uma nova modalidade de liderança econômica e política.

Chegando aqui, verifico que essas sugestões sofrem a limitação das minhas limitações. E verifico, sobretudo, a ausência grave de um tópico: o imigrante. De fato, dei atenção aos três elementos formadores (português, índio, negro), mas não mencionei esse grande elemento transformador, responsável em grande parte pela inflexão que Sérgio Buarque de Holanda denominou “americana” da nossa história contemporânea. Mas não conheço obra geral sobre o assunto, se é que existe, e não as há sobre todos os contingentes. Seria possível mencionar, quanto a dois deles, A aculturação dos alemães no Brasil (1946), de Emílio Willems; Italianos no Brasil (1959), de Franco Cenni, ou Do outro lado do Atlântico (1989), de Ângelo Trento – mas isso ultrapassaria o limite que me foi dado.

No fim de tudo, fica o remorso, não apenas por ter excluído entre os autores do passado Oliveira Viana, Alcântara Machado, Fernando de Azevedo, Nestor Duarte e outros, mas também por não ter podido mencionar gente mais nova, como Raimundo Faoro, Celso Furtado, Fernando Novais, José Murilo de Carvalho, Evaldo Cabral de Melo etc. etc. etc. etc.

* Artigo publicado na edição 41 da revista Teoria e Debate – em 30/09/2000

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Antonio Candido é sociólogo, crítico literário e ensaísta.

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61 Comments on Antonio Candido indica 10 livros para conhecer o Brasil

1.

Maria Clara Vejarano // 17/05/2013 às 22:38 // Responder Mira. mira lo que me mandaron … me imaginé que si libros similares estuvieran escritos en Colombia, ya los habrías leído todos. besos leídos, tu María Clara

2.

Sergio Caldieri // 17/05/2013 às 23:42 // Responder América Latina – Males de origem, de Manoel Bonfim, relata a verdadeira história dos colonizadores portugueses e espanhóis, com suas barbáries e crueldades.

3.

Elizabeth Fisher // 18/05/2013 às 3:22 // Responder muito obrigada, Dr Antonio Candido.

4.

Elizabeth Fisher // 18/05/2013 às 3:32 // Responder muito obrigada, Dr. Antonio Candido. Recebi seu artigo atraves meu filho, Joao Francisco, que estuda Classics em Londres.Fui descobrir Julien Gracq, tambem por indicacao sua.

5.

Paulo Eduardo Cortez Trigueiro // 18/05/2013 às 10:33 // Responder Gostei das indicações, não tenho tanto conhecimento para fazer qualquer crítica ao Mestre das Letras, vou tentar ler mais sobre o assunto pois é necessário conhecer a nossa história. Parabéns.

6.

Elisabeth Spinelli de Oliveira // 18/05/2013 às 11:39 // Responder Obrigada, mestre querido e eterno.

7.

L. Augusto // 18/05/2013 às 12:49 // Responder Senti falta do livro História Econômica do Brasil, de Caio Prado Jr., mas toda ausência do mestre Antônio Cândido será perdoada

8.

Consuelo Pondé de Sena // 18/05/2013 às 13:02 // Responder Graças a Deus essas obras imortais sempre estiveram bem perto de mim. Acrecentaria outras , mas quem sou eu , grande Mestre ?

9.

Helival // 18/05/2013 às 13:56 // Responder Ficaram de fora: História Sincera da República, de Leoncio Basbaum; e, é claro, Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado.

0.

katia // 18/05/2013 às 14:06 // Responder Um “farol de sabedoria” para nos guiar, principalmente em tempos de turbulência e escuridão intelectual…

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11. Esther Rezende // 18/05/2013 às 14:19 // Responder Engraçado…o mestre erudito exclue de sua lista o texto literário como possibilidade para se conhecer o nosso Brasil.Foi uma surpresa.

para se conhecer o nosso Brasil.Foi uma surpresa. Élida // 17/10/2013 às 22:40 // Responder Finalmente

Élida // 17/10/2013 às 22:40 // Responder Finalmente um comentário que pensa por si e não apenas repete o previamente estabelecido!

2.

Luiz Frazon // 18/05/2013 às 14:29 // Responder Os donos do poder, Raimundo Faoro.

3.

ramon koelle // 18/05/2013 às 14:31 // Responder A modéstia desse grande sábio não permitiu que ele se auto-indicasse, então eu indico “Parceiros do Rio Bonito” de Antonio Cândido, um maravilhoso e empolgante estudo sobre o universo caipira, que parte de um estudo de caso no município de Bofete e interpreta o universo caipira.

4.

Remy Corrêa de Andrade Jr. // 18/05/2013 às 14:32 // Responder Um verdadeiro roteiro para conhecer o Brasil.

5.

Fernando Antonio de Carvalho Dantas // 18/05/2013 às 15:15 // Responder Quanta lucidez; quanta responsabilidade com a história das nossas ideias; quanto compromisso com a emancipação humana!

6.

Roseli F Martins. // 18/05/2013 às 15:37 // Responder Obrigada pelas indicações mestre.

7.

Ana Lima // 18/05/2013 às 15:43 // Responder Professor, muito obrigada

8.

Sonia Dezute // 18/05/2013 às 17:21 // Responder Não sou nenhuma mestre mas Brasil, Nunca Mais assinado pela CNBB seria de bom esclarecimento sobre um holocausto que muitos ainda negam que existiu.

9.

DALILA SUANNES PUCCI // 18/05/2013 às 19:34 // Responder Pena que o livro OS EMBOABAS, de S.SUANNES não tenha sido incluido na lista.

0.

Laura Faria Costa. // 18/05/2013 às 21:15 // Responder Eu o conheci,quando dava aulas no Sesi,logo admirei esse ilustre professor Laura Faria Costa

1.

Flavia Maria Machado Pinto // 18/05/2013 às 21:47 // Responder Gostei muito das sugestões. Venho estudando estes temas a alguns anos.

2.

Rita Margarete // 18/05/2013 às 21:57 // Responder As indicações são preciosas. Muito obrigada, mestre Cândido

3.

Osni Valfredo Wagner // 18/05/2013 às 22:06 // Responder

Antonio Candido indica 10 livros para conhecer o Brasil – Blog da Boitempo

Conheço alguns dos livros boa indicação.

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maria helena fessel caldas // 18/05/2013 às 22:16 // Responder Obrigada Mestre, Prof. Antonio Candido. Só o enunciado das obras e justificativa dos critérios de escolha já foram uma Aula Magna. Que maravilha ! Quimeras mil – se os brasileiros estudassem esses livros ao invés de assistir apenas o Jornal Nacional e ler só a Revista Veja pensando que o Brasil é só aquilo.

5.

Li

os dois livros que mostra o Brasil sem maquiagem :”Casa grande e senzala” e “Os sertões”.

6.

Roberto // 19/05/2013 às 22:38 // Responder SALVE! Uma lista que, somente pela autoria da indicação, já merecem a leitura. Uma obra do próprio autor merece figurar entre estas citadas: Literatura & Sociedade.

7.

Valmor Arins Lopes // 20/05/2013 às 0:10 // Responder E as obras do Álvaro Vieira Pìnto?

8.

Ricardo Ferreira // 20/05/2013 às 1:16 // Responder Senti falta do Jose Murilo de Carvalho, “os bestializados” “a construção da ordem” . Os Sertões não retratam a verdadeira historia da guerra de Canudos.

9.

Maria da Conceição Carvalho Barros // 20/05/2013 às 6:35 // Responder Adorei!!!Só de ser uma indicação do grande Antonio Cândido merece todo o nosso crédito e respeito. Gostaria que fosse listado Parceiros do Rio Bonito, de autoria desse Mestre…

0.

Marcos Ferreira // 20/05/2013 às 16:34 // Responder Uma alegria rever o digno e ilustre professor. A. Cândido é um exemplo de acadêmico: sua erudição, clareza, coerência e simplicidade lhe conferem um lugar muito especial na memória científica e cultural deste país. Precisamos de mais personagens deste calibre.

1.

Maria Inês da Rocha e Silva Lacey // 20/05/2013 às 20:39 // Responder De fato é uma Aula Magna esse texto de Antonio Cândido, a quem eu amo e agradeço por ser quem é e continuar vivo e engajado. Depois de ter visitado a exposição no novo museu do Rio, MAR, quero ler e reler esses clássicos e entender melhor nossa história, especialmente aspectos escondidos e encobertos. Menciono como exemplos monumentos, novas praças e até cemitérios antigos (de escravos), que reapareceram e podem ser visitados, resultado de escavações arqueológicas na região portuária do Rio. Mas é importante também conhecer a história dos judeus perseguidos pela Inquisição trazida a luz pela historiadora Anita Novinsky e tantos outros, alguns dos quais foram seus discípulos.

2.

Alfredo Gomes de Azevedo // 20/05/2013 às 20:40 // Responder

A modéstia, aliada a lhaneza, impediu este monumento de nossa cultura de elencar entre estes

maiores, ou melhores, o seu próprio nome, como autor que, junto aos mencionados, ajudou a desvendar a verdadeira face deste ser meio que esfíngico, que é o brasileiro. Apenas como

exemplo, não se compreenderá de forma clara o imenso caminhar do brasileiro do meio rural

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para o urbano – o êxodo rural – sem uma leitura atenta do livro do professor Antonio Cândido, “Os Parceiros do Rio Bonito”. É um brasileiro de tal estatura moral, cultural, que nos obriga, mesmo ao mais pessimista, a sentir orgulho de pertencer a mesma pátria comum.

3. Luke // 21/05/2013 às 1:46 // Responder J-sus, será que nem o maior crítico do Brasil tem… neutralidade crítica??? São todos livros fortemente comprometidos ideologicamente… Puxa, vida… como eu queria ouvir um crítico que recomendasse leituras com pontos de vista altamente contraditórios… que considerasse o leitor suficientemente capaz de encontrar a sua própria opinião bem ali… no meio (“do redemunho”, se desejarem…).

Wu Ming // 21/05/2013 às 13:34 // Responder Vai catar coquinho…. 21/05/2013 às 13:34 // Responder Vai catar coquinho….

Luke // 21/05/2013 às 13:55 // Responder Talvez seja uma boa idéia. E um jeito de fazer 21/05/2013 às 13:55 // Responder Talvez seja uma boa idéia. E um jeito de fazer os frutos irem pra um pouco mais longe da árvore… Obrigado por responder!

Estou de acordo

que mais o agradam. De fato pode ser um ângulo de visão bem limitado.

mas pelo menos ele admitiu que o principal critério era indicar os livros

Élida // 17/10/2013 às 22:42 // Responder Tô contigo. 17/10/2013 às 22:42 // Responder Tô contigo.

Dmítri Cerboncini Fernandes // 01/11/2013 às 0:10 // Responder Senhor candidato a Max Weber, qual seria então a “linha 01/11/2013 às 0:10 // Responder Senhor candidato a Max Weber, qual seria então a “linha única” em que se enquadram livros ideologicamente tão díspares, como Raízes do Brasil e Formação do Brasil Contemporâneo? Ambos são “comunistas”? Vá ler Reinaldo Azevedo, que tem muito mais a ver com sua apreciação de “neutralidade”, e deixe A. Candido e seus seguidores doutrinados e imbecis, como eu, prá lá.

J F Sousa // 04/03/2015 às 16:35 // Responder Dmítri, bom mesmo é ler livros de linhas díspares. O 04/03/2015 às 16:35 // Responder Dmítri, bom mesmo é ler livros de linhas díspares. O ruim mesmo é quando se lê somente livros de uma única linha, o que é o caso da maioria dos “intelectuais” de esquerda, que só leem livros de inspiração marxista. Desculpe, mas você está cometendo o mesmo erro, só que ao contrário. Sérgio Buarque e Caio Prado merecem ser lidos como clássicos. Aliás, o Raízes do Brasil é o melhor livro da área de humanas já escrito no Brasil. Não há nada de doutrinação nele. Pode lê. O do Caio Prado só peca no final, quando analisa o fim da colônia usando uma “lei da história” marxista.

Assis Rondônia // 14/01/2016 às 19:43 // Responder COMO PODE ALGUÉM, tão pequeno e reles desejar criticar Antonio 14/01/2016 às 19:43 // Responder COMO PODE ALGUÉM, tão pequeno e reles desejar criticar Antonio Cândido, ou dizer que esta ou aquela obra, por trazer uma interpretação marxista, é menor? É muita estupidez do ser incongruente até no ato de respirar.

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Sempre indiquei, para começar a conhecer o Brasil, Caio Prado, Ser Burque, Raymundo Faoro, Celso Furtado, R. Simonsen, G. Freyre,

Aelton Leonardo // 01/11/2013 às 23:22 // Responder Cara, não é bom falar do que você não entende. 01/11/2013 às 23:22 // Responder Cara, não é bom falar do que você não entende. Gilberto Freyre, por exemplo, é um autor conservador, e tá aí. Euclides da Cunha é tudo menos marxista, e tá aí também. Mesmo no pessoal mais à esquerda, quero ver você conciliar as análises de um marxista ortodoxo como Caio Prado Jr com o livro de Darcy Ribeiro. A ânsia de falar mal da esquerda leva muita gente, como você, a falar bobagens sobre temas que desconhecem.

como você, a falar bobagens sobre temas que desconhecem. Luke // 25/07/2014 às 15:55 // Responder

Luke // 25/07/2014 às 15:55 // Responder Agora releia meu comentário cogitando que eu li a maioria das obras, e das que não li as próprias, li ensaios relevantes. Considere também que não mencionei o termo que o senhor inscreve aí. Nem explicitei meu alinhamento político. Enfim, leia o comentário. Lembre que ele foi escrito na atualidade.

Fauzi Achoa // 31/05/2015 às 13:58 // Responder É fácil Luke, leia a Revista Veja. 31/05/2015 às 13:58 // Responder É fácil Luke, leia a Revista Veja.

4. direitoemidia // 21/05/2013 às 2:55 // Responder Que maravilha é a generosidade intelectual. Obrigado, Mestre! Tanta coisa a ler, sempre e sempre e sempre.

5. Mílton Ribeiro // 27/05/2013 às 20:27 // Responder Convido-os a ler o livro, excelente, do prof. Vicente Salles (in memorian) sobre a formação do Pará a partir dos negros:

6. Jorge Solivellas // 28/06/2013 às 19:11 // Responder Há mais de 50 anos que estudo o Brasil na leitura do povo e suas obras e acontecimentos político,socio,culturais e nas leituras dos citados livros que refletem a alma dos autores. Um livro é como estrela no firmamento. Descubrir a diferença depende da luz do olho que observa, pensa e sente.

7. Ophelia // 29/10/2013 às 20:11 // Responder Caro Antonio Cândido…bebi nessa fonte e quase na maioria dos indicados, inclusive Os Parceiros do Rio Bonito e são minhas referencias para voltar a beber nessa fonte. Obrigado.

8. Daniele // 29/10/2013 às 21:22 // Responder Meu mestre querido! Tua sugestão é uma ordem!

9. JOTACE // 30/10/2013 às 10:14 // Responder Então críticos, antes de fazer uma lista ele estabeleceu algumas premissas bastante claras. Leram?…”…. Depende do momento da vida em que o lemos, do grau do nosso conhecimento, da finalidade que temos pela frente. Para quem pouco leu e pouco sabe, um compêndio de

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ginásio pode ser a fonte reveladora. Para quem sabe muito, um livro importante não passa de chuva no molhado. Além disso, há as afinidades profundas, que nos fazem afinar com certo autor (e portanto aproveitá-lo ao máximo) e não com outro, independente da valia de ambos. Por isso, é sempre complicado propor listas reduzidas de leituras fundamentais. Na elaboração da que vou sugerir (a pedido) adotei um critério simples: já que é impossível enumerar todos os livros importantes no caso, e já que as avaliações variam muito, indicarei alguns que abordam pontos a meu ver fundamentais, segundo o meu limitado ângulo de visão. Imagino que esses pontos fundamentais correspondem à curiosidade de um jovem que pretende adquirir boa informação a fim de poder fazer reflexões pertinentes, mas sabendo que se trata de amostra e que, portanto, muita coisa boa fica de fora.”

0. Silvio Barreto Almeida Castro // 30/10/2013 às 11:05 // Responder Faltou “1964 – A Conquista do Estado” de René Armand Dreyfuss e “Os Donos do Poder” de Raymundo Faoro.

1. Valdemagno Torres // 31/10/2013 às 1:53 // Responder Mestre, incluiria na lista dois de Darcy Ribeiro: O Povo Brasileiro e O Brasil como Problema!!!!!

2. Tiago // 17/11/2013 às 16:01 // Responder Tá precisando atualizar essa bibliografia. Particularmente não gostei. As indicações são muito tradicionais, apegadas aos clássicos. A maioria tem um viés muito economicista e macropolítico.

3. Arnóbio Alves Viana // 02/02/2014 às 4:18 // Responder Fernando Henrique Cardoso leu essa orientação e idealizou seu novo livro: “Pensadores que inventaram o Brasil”. Coincidências demais, entre as obras sugeridas e as insertas nas análises de FHC, não acham?

4. Jorge Isper Abrahim Filho // 05/07/2014 às 1:47 // Responder Indicações preciosas, mas acrescentaria “O Capitalismo Tardio”, “Rumos e Metamorfoses”, “Uma Nação Mercantilista” e “Capitalismo de Laços”.

5. Vitoria Soares // 21/12/2014 às 11:31 // Responder É sempre bom ler quem ler tem um bom dezenpeio na escola, e saber bem sobre o Brasil.

6. cadê rogê // 06/03/2015 às 15:24 // Responder Republicou isso em cadê rogêe comentado:

Sábias orientações do mestre Antonio Candido!

7. Maria Olinda C Silva // 06/11/2015 às 22:00 // Responder Uma bela lista, mas não se conhece o Brasil sem Monteiro Lobato e Graciliano Ramos; para mim o livro fundamental da sociedade brasileira é Capitães da Areia de Jorge Amado. O Brasil é imenso e imensos seus talentos, devem haver 1000 livros essenciais ao Brasil, jamais 10,

Antonio Candido indica 10 livros para conhecer o Brasil – Blog da Boitempo

09/03/2016 18:37

9 . E laine F. A. Corradello // 09/01/2016 às 20:35 // Responder Muito obrigada, Mestre A. Cândido; conheci-o numa palestra no IEL/Unicamp/92 e todos lá enriquecem suas ementas com muuuuito Antônio Cândido, que sorte a nossa! O Sr. é valioso!

0. Marcelo Faviere // 05/03/2016 às 23:32 // Responder Republicou isso em Excêntrico Psicopata.

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