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PERÍCIAS JUDICIAIS

Legislação

Eduardo Assis Módulo IV Tema 2

Colaboração: EDUARDA DE MELO ASSIS

OAB 127.502

1- Generalidades

Quando a prova de determinados fatos alegados pelas partes depender de conhecimentos técnicos ou científicos, o Juiz poderá designar um perito, que é considerado um auxiliar da justiça, atuando como um colaborador. (Art. 145, CPC).

O

perito

será

escolhido

entre

os profissionais de nível

universitário, e deverá estar devidamente inscrito no órgão de classe competente, ao qual compete expedir certidão comprobatória da

especialidade na matéria sobre a qual deverá opinar. (§§ 1° e 2°, art. 145,

CPC)

1- Generalidades

A Prova Pericial é aquela pela qual a elucidação do fato se dá com o auxílio de um perito, especialista em determinado campo do saber, devidamente nomeado pelo Juiz, que deve registrar sua opinião técnica e científica no chamado laudo pericial, que poderá ser objeto de discussão pelas partes e seus assistentes técnicos.

O perito não se coloca no lugar do Juiz na atividade de avaliação da

prova, cabendo somente ao Juiz analisar e valorar o resultado da perícia,

bem como de todos os outros meios de prova, considerando-os ou não. Não está o Juiz adstrito ao laudo pericial, podendo formar seu convencimento

com base em outros fatos ou elementos dos autos. (Art. 436, CPC)

2- DIREITOS, DEVERES E SANÇÕES

O Perito tem o dever de cumprir o ofício, observando os prazos

legais e empregando toda sua diligência. Pode, entretanto, escusar-se do

encargo, desde que alegue motivo legítimo, p.ex., impedimento e suspeição.

A escusa deverá ser apresentada (protocolada nos autos) dentro do prazo de 5 dias, contados da intimação ou do impedimento

superveniente, sob pena de se reputar renunciado o direito a alegá-la.

Artigos 146 e 423, Código de Processo Civil CPC.

Se o juiz entender que o motivo apresentado não é legítimo, pode

impor que o perito realize a perícia, sob pena da cominação da sanção do

Art. 14, parágrafo único, CPC. Mas a regra geral é de que o perito seja dispensado, visto que se obrigado a periciar, o resultado será um laudo de

baixa qualidade e de idoneidade questionável.

O perito que por dolo ou culpa prestar informações inverídicas

responderá pelos prejuízos que causar a parte, ficará inabilitado por dois anos a funcionar em outras perícias, e incorrerá na sanção que a lei penal

estabelecer. (Art. 147, CPC; Art. 342, C. Penal)

3- PERÍCIA EXTRAJUDICIAL

Além da perícia judicial, é possível cogitar, embora não haja

previsão legal, das chamadas perícias extrajudiciais ou amigáveis, que

seriam aquelas que as partes promovem fora do processo para elucidação

de dúvidas e questionamentos que surgiram ou possam vir a surgir sobre

fatos que lhe interessam.

Se produzida com o contraditório extrajudicial (direito de manifestação da parte contrária), com o assentimento de ambos, essa

perícia produzirá um laudo que poderá ser utilizado como prova em juízo,

com status bem semelhante ao de uma prova pré-constituída.

4- OBRIGATORIEDADE DA PERÍCIA

Há casos em que o legislador reputa indispensável a perícia, como ocorre nos casos de acidentes de trabalho e verificação de adicional

insalubridade e periculosidade. (Art. 195, § 2°, CLT)

São as chamadas perícias necessárias ou obrigatórias.

5- COMPROMISSO

Atualmente, apenas o perito nomeado pelo juiz está obrigado a

prestar compromisso para desempenhar sua função de auxiliar do juízo.

Já os assistentes técnicos atuam como meros ajudantes técnicos das partes, e nessa condição, não prestam compromisso.

6- LAUDO PERICIAL

O Laudo Pericial é o instrumento escrito apresentado pelo perito no

qual ele registra suas respostas aos quesitos, seus raciocínios e suas

conclusões, que devem ser expostos de maneira objetiva, abordando os

pontos controvertidos.

Para elaborar o laudo, o perito deve ter contato direto com as

fontes de prova (pessoas e coisas), analisando-as com base em métodos técnicos e científicos, e todos os outros elementos que se façam

necessários. (Art. 429, CPC)

percebê-los

tecnicamente e/ou emiti um juízo sobre eles, de acordo com seus

conhecimentos técnicos especializados.

Cabe

ao

perito

relatar

os

fatos

percebidos

e

6- LAUDO PERICIAL

Não pode o perito intrometer-se na tarefa hermenêutica, isto é, não cabe a ele opinar sobre questões jurídicas, interpretando leis ou citando jurisprudências. Sua atuação é eminentemente técnica, e recai tão somente

sobre fatos.

Só deverá emitir juízos baseados em sua especialidade profissional,

sobre questões de fato. Assim, p.ex., não pode opinar pelo deferimento de

um pedido de indenização por acidente de trabalho, conforme lei e

jurisprudência dominantes; todavia, pode fazer uma análise das condições

de saúde da parte e do ambiente de trabalho, para entender se os danos alegados foram decorrentes do serviço.

7- IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO

O Perito está sujeito aos mesmos motivos de impedimento e

suspeição que o magistrado. (Art. 138, III, CPC)

O perito poderá ele mesmo alegar motivos de impedimento ou de

suspeição, ou podem as partes interessadas alegarem tais motivos. Caso sejam arguidos pelas partes, o juiz irá instaurar um incidente processual, e

ouvirá o perito em um prazo de 15 dias, abrindo oportunidade para

produção de provas, proferindo sua decisão em seguida.

Se procedente a decisão, o perito é afastado e deverá pagar as despesas processuais do incidente. (Art. 314, CPC por analogia) Esta

decisão pode ser impugnada por recurso (Agravo).

Já o assistente técnico não se sujeita a esses motivos. Por essa razão, diferentemente do perito, não presta compromisso.

MOTIVOS DE IMPEDIMENTO:

Art. 134, CPC:

É defeso ao juiz exercer as suas funções no processo

contencioso ou voluntário:

I- de que for parte;

II- em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou como órgão do Ministério Público, ou prestou

depoimento como testemunha;

III- que conheceu em primeiro grau de jurisdição, tendo-lhe proferido sentença ou decisão; IV- quando nele estiver postulando, como advogado da parte, o seu cônjuge ou qualquer parente seu, consanguíneo ou afim, em linha

reta; ou na linha colateral até o segundo grau;

V- quando o cônjuge, parente, consanguíneo ou afim, de alguma das partes, em linha reta, ou, na colateral, até o terceiro grau;

VI- quando for órgão de direção ou de administração de

pessoa jurídica, parte na causa.

Parágrafo único: no caso do n° IV, o impedimento só se verifica

quando o advogado já estava exercendo o patrocínio da causa; é, porém, vedado ao advogado pleitear no processo, a fim de criar o impedimento

do juiz.

MOTIVOS DE SUSPEIÇÃO:

Art. 135, CPC:

Repute-se fundada a suspeição de parcialidade de juiz, quando:

I- amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes; II- alguma das partes for credora ou devedora do juiz, de seu

cônjuge ou de parentes destes, em linha reta ou na colateral até o terceiro

grau;

III- herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de alguma das

partes; IV- receber dádivas antes ou depois de iniciado o processo;

aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa, ou subministrar

meios para atender às despesas do litígio; V- interessado no julgamento da causa em favor de uma das partes;

Parágrafo único: poderá ainda o juiz declarar-se suspeito por motivo

de foro íntimo.

8- HONORÁRIOS E ADIANTAMENTO

Os honorários do perito serão pagos pela parte que requereu a

prova. Se a prova for requerida por ambas ou determinada de ofício pelo juiz,

as despesas serão suportadas pelo autor. (Art. 33, CPC)

Art. 790-B, CLT: A responsabilidade pelo pagamento dos honorários

periciais é da parte sucumbente na pretensão objeto da perícia, salvo se

beneficiária de justiça gratuita.

O valor dos honorários geralmente é estipulado quando da nomeação do perito. Deve o juiz consultar o expert de sua confiança para que ofereça a

proposta de honorários, que deverá levar em conta a complexidade e o objeto

da perícia.

As partes serão ouvidas. Se concordarem, prevalece o valor sugerido

pelo perito. Se discordarem, uma delas que seja, cabe ao juiz estipular um

valor razoável, que atenda minimamente aos interesses de todos os envolvidos

partes e perito.

8- HONORÁRIOS E ADIANTAMENTO (cont.)

Não há previsão legal para Adiantamento ou Depósito Prévio

de parte dos honorários periciais, embora este ocorra na prática forense.

Quanto aos honorários do assistente técnico, segue-se disposto na Súmula 341 do TST: a “indicação do perito assistente é faculdade da parte, a qual deve responder pelos respectivos honorários, ainda que vencedora no objeto da perícia”.

Após a realização da perícia e entrega do laudo, caso a parte responsável pelo pagamento não deposite o valor dos honorários, deve

o perito cobrar o quantum devido pelas vias executivas cabíveis e o

juiz puni-la pelo desrespeito às ordens judiciais. (Art. 14, parágrafo

único, CPC)

9- PERÍCIAS COMPLEXAS

Em se tratando de perícia complexa, que abranja mais de uma área de conhecimento especializado, pode o juiz nomear mais de um perito e a parte pode indicar mais de um assistente técnico. (Art. 431-B, CPC)

Perícia Complexa: é aquela cuja análise de fato, coisa ou pessoa

dependa de conhecimentos pertencentes a áreas diversas.

Não se trata de uma segunda perícia, mas sim de uma perícia única,

elaborada por mais de um perito.

10- SUBSTITUIÇÃO DO PERITO

Pode o perito ser substituído quando não tiver conhecimentos técnicos suficientes; quando não apresentar o laudo no prazo fixado; (constitui falta grave); quando sua escusa for aceita; quando é recusado pela parte.

11- ASSISTENTE TÉCNICO

É um auxiliar da parte, e não do juízo.

Não presta compromisso.

A partir da análise do laudo apresentado pelo perito, emite seu parecer técnico, no qual registra seu juízo técnico-científico, que pode ser:

a)

de

subscrevendo-o;

b)

de

concordância

discordância,

com

o

devendo

raciocínios e conclusões diversas.

laudo

elaborar

pericial,

outro,

ratificando-o

com

críticas,

Em se tratando de perícias complexas, havendo indicação de mais de um perito, pode a parte indicar mais de um assistente técnico.

12- QUADRO COMPARATIVO

 

FUNÇÃO

INDICAÇÃ

PARCIALIDA

PARTICIPA

ATIVIDAD

INSTRUMEN

O

DE

ÇÃO

E

TO

PERITO

Auxiliar

Nomeado

Deve ser

Obrigatória.

Emitir

Laudo

JUDICIAL

Da

pelo Juiz,

imparcial.

juízos

pericial.

Justiça.

respeitando

Submete-se às alegações de

técnicos e

as exigências

científicos

legais.

suspeição e impedimento.

sob questão

sub

 

examine.

ASSISTEN

Auxiliar

Livre

É parcial. Não

Opcional, a

Fiscalizar o

Parecer

TE

Das

indicação das

se submete às alegações de suspeição e impedimento.

critério das

trabalho do

técnico.

TÉCNICO

Partes.

partes.

partes.

perito e

emitir sua

opinião para criticar ou apoiar o

 

laudo

pericial.

13- PROCEDIMENTO

É autorizada a incidência de preceitos do direito comum, do direito

processual comum e da Lei de Execuções Fiscais às hipóteses sem previsão

na CLT, desde que compatíveis com os princípios do direito e processo trabalhistas. (Arts. 8, § único, e 769, CLT)

A prova pericial poderá ser determinada de ofício pelo Juiz ou

requerida pelas partes.

Após a nomeação do perito, o juiz irá fixar prazo para entrega do

laudo pericial. O laudo deve ser apresentado dentro desse prazo, mas pode o perito solicitar a prorrogação do prazo, caso haja alguma razão relevante que impede o cumprimento no prazo fixado. (Art. 432, CPC)

As partes têm o prazo de 5 dias para apresentar os quesitos a

serem respondidos (pertinentes Art. 426, CPC) e nomear assistente

técnico. (Art. 421, §1°, CPC)

Pode haver a apresentação de quesitos suplementares (além do prazo, mas antes da realização da perícia), respeitado o contraditório. (Art.

425, CPC). O juiz também pode apresentar quesitos que entender

necessários para elucidação dos fatos. (Art. 426, CPC)

13- PROCEDIMENTO (cont.)

Para a realização da perícia, o perito e o assistente técnico

devem lançar mão de todos os meios de coleta de dados e elementos necessários para o desenvolvimento de seu raciocínio, p.ex., solicitar

documentos, obter informações, etc. (Art. 429, CPC)

É importante registrar onde, como e de que forma obteve as

informações e documentos utilizados.

Todos os elementos e dados levantados devem acompanhar o

laudo pericial para fundamentar suas conclusões.

É indispensável que se garanta o contraditório. Assim, deve o perito informar às partes (por meio próprio, idôneo) ou ao juízo (para que este informe às partes) acerca da data, local e horário da realização da perícia. (Art. 431-A, CPC)

13- PROCEDIMENTO (cont.)

Após a apresentação do laudo pericial, o juiz determinará a

intimação das partes para se manifestarem sobre ele (manifestação dos advogados e parecer do assistente técnico). (Art. 433, § único, CPC)

Caso necessário, estando insatisfeitos com o laudo, ou permanecendo dúvidas ou questionamentos, poderá o juiz, de ofício ou a requerimento das partes, ouvir o perito em audiência para prestar esclarecimentos, sendo o mesmo intimado para tanto. (Art. 827, CLT)

14- SEGUNDA PERÍCIA

Pode o juiz determinar, de ofício ou a requerimento de qualquer

das partes, a realização de nova perícia, quando a matéria não lhe

parecer suficientemente esclarecida. (Art. 437, CPC)

A segunda perícia segue as mesmas regras da primeira, e tem

por objeto os mesmos fatos sobre que recaiu a primeira.

Destina-se a corrigir eventual omissão ou inexatidão dos resultados a que esta conduziu. Pode também complementar a primeira, ampliando o assunto.

A segunda perícia não substitui nem invalida a primeira, cabendo

ao juiz apreciar livremente o valor de ambas.

O perito pode ou não ser o mesmo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

JR, Fredie Didier et al. Curso de Direito Processual Civl, volume

2: Direito Probatório, Decisão Judicial, Cumprimento e Liquidação da

Sentença e Coisa Julgada. Salvador: Jus Pudivm, 2009.

LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de Direito Processual do

Trabalho. 4ª ed. São Paulo: LTr, 2006.

SARAIVA, Renato. Processo do Trabalho. 4ª ed. São Paulo:

Método, 2008.