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ESCOLA SECUNDÁRIA ALEXANDRE HERCULANO – FILOSOFIA 11º (2009/2010)

PLANO
LANO DE TRABALHO DE PESQUISA (III)
(II

TEMA: A Filosofia na Cidade

PROPOSTA DE TRABALHO: O mote deste nosso último trabalho é dado pela questão: “Quantas
cidades cabem dentro da minha cidade?” a partir da qual o aluno deverá reflectir sobre o
conceito de cidade, por um lado, e, por outro, explorar com um olhar crítico a realidade urbana
que o envolve.

INTRODUÇÃO: Com a sociedade industrial iniciou-se


inici se um processo de urbanização que trouxe
consigo uma série de mutações sociais, políticas
políticas e culturais que vieram alterar radicalmente a
forma como o homem se relaciona consigo próprio e com o mundo. No século XXI, pela primeira
vez na história da humanidade, ade, mais de metade da população mundial passou a habitar nas
cidades. E não são apenas as pessoas que aí se concentraram:
concentra m: também o poder e a riqueza
procuraramm as chamadas cidades globais e a própria cultura dominante é a cultura ocidental, a
mais urbana das culturas. No entanto, por ironia, também foi na cidade que se concentraram
concentra os
espoliados do poder e da riqueza e onde se geraram gera m correntes culturais subversivas e
contestatárias.
rias. É claro que existem cidades e cidades, da cosmopolita Nova Iorque, por exemplo,
exem à
pacata cidade do Porto vai uma distância onde cabe seguramente meio mundo. Mas todas têm
algo em comum que as liga e nos torna a todos, sem excepção, em urbanitas.
urbanitas Olhando para a
nossa própria cidade, vemos reflectidas
refle aí toda uma série de questões que são partilhadas por
todas as outras cidades e que acompanham o homem desde do início do seu processo civilizatório.
A própria filosofia ocidental é urbana, nasceu em Mileto e expandiu-se
expandiu se através da rede de
pequenas cidades da bacia mediterrânica
medite até chegar
gar a Atenas, a grande metrópole grega. Mais
Ma
tarde, a partir de Roma chegou a toda a Europa. Com os descobrimentos ntos e colonização,
colonização a Europa
exporta o seu próprio modelo de cidade e de pensamento…

TEMAS: Que problemas filosóficos podemos encontrar na nossa cidade? Deixo aqui apenas
algumas sugestões:

a) Arte urbana – Graffiti,


iti, stencil, tags e outras formas de expressão estética são omnipresentes em
todas as cidades. Todavia, não há consenso sobre o seu valor valor artístico e social. Há quem as
considere como um puro acto de vandalismo, sem valor estético que não respeita nem o direito à
propriedade privada, nem o espaço público. Mas também há quem defenda tratar-se tratar de uma nova
forma de expressão cultural, sustentada
sustentada em valores divergentes dos da maioria...

b) Património – O Centro Histórico do Porto foi reconhecido pela UNESCO em 1996 como
Património da Humanidade. O que significa isso de “Património”? Porque deve este ser preservado?
Como compatibilizar os usoss comuns da cidade com o património? Que valores fundamentam o
conceito de património?

c) Ambiente – Todo o nosso futuro passa pelas


pela cidades, esses grandes sorvedouros de energia
e e de
recursos naturais. A frente de combate ao aquecimento global e às alterações
alterações climáticas não será
tanto na amazónia ou no pólo norte, mas no ponto exacto em que habitamos e desenvolvemos a
nossa vida quotidiana. O que está a minha cidade para ajudar a resolver este problema? Quais os
fundamentos éticos do pensamento ecológico?

d) Cidade rica / Cidade pobre – A desigualdade é uma característica transversal a todas as cidades
do mundo e a nossa cidade não será uma excepção. As cidades são promotoras de desigualdade
social? Como se evidenciam essas desigualdades? Que propostas podem ser apresentadas para
tornar as cidades mais solidárias e promotoras da igualdade de oportunidades?

e) Cidade dos Velhos – O Porto perdeu (e continua a perder diariamente) muita população. Muitos
partiram em busca de melhores condições de vida e de oportunidades de trabalho, deixando para
trás os velhos. Para agravar a situação, o sentido de comunidade deteriorou-se e as redes sociais
informais e formais deixaram de funcionar pela força da desertificação dos centros urbanos,
abandonando os idosos à sua sorte. A isto devemos acrescentar ainda uma certa cultura
dominante depreciativa do valor social (e não só) dos mais velhos, a mesma cultura responsável
pelo culto da juventude e da novidade como valores absolutos…

MODALIDADE: Cada grupo de trabalho pode escolher um destes temas ou, em alternativa, propor
outro. Os temas foram intencionalmente apresentados de uma forma lacónica de forma a não
condicionar o trabalho de reflexão dos próprios alunos. Deve-se entender este trabalho como uma
espécie de trabalho final que marcará o culminar de um percurso de dois anos de frequência da
disciplina de Filosofia. Os alunos devem mostrar autonomia, espírito crítico, capacidade de
argumentação, compreensão da realidade envolvente, conhecimento de conceitos filosóficos
básicos, criatividade e capacidade de trabalhar em equipa. A apresentação do trabalho é livre,
podendo assumir a forma de um relatório crítico, de um ensaio filosófico, de um vídeo ou qualquer
outro formato que os alunos considerem o mais adequado para o tema escolhido.

FONTES: Os alunos devem trabalhar a partir das seguintes fontes: capítulo do manual “A Filosofia
na Cidade” (pp 253 a 274); conceitos apreendidos no 10º ano (“A dimensão ético-política –análise
e compreensão da experiência convivencial”); fontes específicas relativas ao tema escolhido e a
própria experiência pessoal dos membros do grupo de trabalho. Recomenda-se ainda a consulta
do fórum “Direito à Cidade” (http://cidades.forumeiros.com/) criado em 2008 pelos alunos da Esc.
Sec. Carolina Michaelis a propósito de um trabalho análogo para a disciplina de Filosofia.

CALENDARIZAÇÃO: Entrega até ao dia 4 de Junho.