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O Cristianismo na Era do Estado do PT e do Governo Lula (2003-2010).

[Parte 2]

“Uma análise reflexiva do processo de desconstrução dos preceitos e conceitos do ‘logos’ e


do ‘ethos’ Cristão empreendido pelas políticas públicas do PT e do Governo Lula.”

A tese que temos defendido nesta série de artigos, analítico-reflexivos, sobre a


Era do Estado Petista-Lulista é a de que, peremptoriamente, pelo que vimos se passar,
factualmente, ao longo desses oito anos de mandato e exercício do poder governamental
federal – tendo em vista, principalmente, as disposições executivas e legislativas apresentadas
e consecutadas, ano a ano (todas, aqui, objeto das nossas investigações, intelecções e ilações)
pelo governo do Presidente Lula – os valores absolutos do Cristianismo não se coadunam com
a grande maioria das políticas públicas, programas e projetos da plataforma governamental
e institucional do Partido dos Trabalhadores (PT).

Como vimos no artigo anterior, em linhas gerais, no primeiro mandato


presidencial petista (2003-2006), inspirado e fundamentado num modelo de ação gramsciano,
o Presidente Lula e seus aliados, de modo sibilino e latente, através de uma revolução
conceitual e intelectual quase que imperceptível, começaram, paulatina e sorrateiramente, a
construir uma nova mentalidade e intelectualidade em todos os segmentos sociais e setores
do poder estatal, a fim de assumir o controle ideológico e político do Estado brasileiro. E assim
o fizeram e tiveram bom êxito neste, por certo, maquiavélico – e pela malignidade iconoclasta
das marcas históricas empreendidas por seu autor maior, poderíamos adjetivar de “Lulista” –
projeto de tomada do (in)consciente coletivo.

E no que se constituiu esta nova mentalidade e intelectualidade? Poderíamos


responder a esta indagação – de acordo com as realidades do governo petista a que estivemos
submetidos nos últimos anos – sob várias perspectivas. Como por exemplo, a mentalidade
inescrupulosa e estapafúrdia dos agentes petistas estatais que fazem da máxima “os fins
justificam os meios” um princípio (anti)ético de conduta. Mas como nossa análise se centra,
precipuamente, sob o prisma do Cristianismo e seus valores fundantes, vamos respondê-la,
então, com fulcro, unicamente, neste ponto de vista. Assim sendo, lato sensu, a resposta à
interrogativa anterior é: a mentalidade e intelectualidade constituídas pelo Estado do PT e do
Governo Lula foram – e são – todas no sentido de promover a desvirtuação e desconstrução
do Logos (pensamento) e do Ethos (valores) do Cristianismo. Neste sentido, se o Senhor Jesus
Cristo foi – e é – o Caminho para a Verdade e para a Vida, o Governo Lula tem sido o caminho
para a Mentira e para a Morte. Se nos lembrarmos, tão-somente, de alguns poucos fatos
desses últimos oito anos, concordaremos – em gênero, número e grau – com essa asserção
ilativa (por exemplo, a questão do mensalão – quando os representantes do povo votavam,
mentindo e enganando o povo, e prostituindo suas próprias consciências; e a questão da
política abortista do Ministério da Saúde, o qual, mesmo brecado pela pressão da sociedade
brasileira, intenciona, ainda, a todo custo, promover a morte precoce do ser humano).

Esta nova mentalidade e intelectualidade – por certo, anticristãs – promovidas


pelo Estado do PT e Governo Lula assentam-se, sobretudo, além dos fundamentos teóricos
gramscianos já descritos por nós, em duas outras vertentes – também altamente anticristãs –
do pensamento filosófico pós-moderno: o Desconstrucionismo e as concepções QUEER.
Mesmo que grande parte da liderança e militância petista não tenha consciência dos termos e
significados desses quadros teóricos referenciais – e, por assim ser, na maioria das vezes,
realizam suas ações políticas sob o manto de uma alienação automatista – é fato que, em
verdade, grande parte dos fundamentos da anticristandade da plataforma político-
governamental petista aí reside. E no que consistem, então, o Desconstrucionismo e a
condição QUEER, como conceitos fundantes da ação petista-lulista?

Pois bem. A condição QUEER já a explicamos no artigo anterior. Trata-se da


infusão do pensamento relativista do Movimento GLBT em todos os segmentos sociais, no
sentido de promover a antinatural e anticristã idéia de que a sexualidade é uma questão
simplesmente cultural e não de gênero, de modo que, por exemplo, se um homem ou uma
mulher decide manter relações sexuais com um cavalo isso não se constitui num transtorno
mental, mas simplesmente uma forma livre, natural e normal de expressão da sua sexualidade,
que, portanto, deve ser respeitada e incentivada. Do mesmo modo, entende o pensamento
QUEER, que a pedofilia não é um problema a ser tratado e sim mais uma forma de expressão a
ser cultivada, porque, assim sendo, os adultos estariam demonstrando todo o seu afeto e
amor pelas crianças, da forma mais íntima possível. Esse é o pensamento QUEER. Ademais,
este termo queer é de origem inglesa e vem da apócope do termo queen – rainha, em inglês –
formando, com a supressão do “n” e o acréscimo do “r”, o adjetivo, também inglês, queer,
que, literalmente, significaria “estranho” (de fato, isso é muito estranho! Para não dizer bizarro
ou demoníaco).

E o Desconstrucionismo no que se constitui como conceitos fundantes da ação


petista-lulista? Trata-se de uma teoria filosófica desenvolvida pelo pensador franco-argelino
Jacques Derrida – um dos maiores, se não o maior, iconoclasta anticristão do século XX – a
partir da leitura e interpretação que ele faz da filosofia do, não menos, anticristão, pensador
alemão, Martin Heideger (1889-1976), sobretudo da obra “Sein und Zeit” (“Ser e Tempo”),
publicada em 1927. Martin Heideger, inclusive, foi o filósofo que introduziu os textos de
Friedrich Nietzsche (1844-1900 – o homem que quis matar Deus e morreu cedo de
pneumonia) na filosofia acadêmica do século passado, sendo, assim, um dos principais
filósofos que propagou a ideia de se destruir a metafísica teológica clássica e todo
pensamento que tivesse fundamento em algo transcendental, isto é, em ultima ratio, em
Deus. Foi Heideger, desse modo, o principal responsável pela introdução do discurso de que
não existem verdades absolutas, isto é, o Logos de Deus; e, por assim ser, não existem
verdades objetivas, tudo é uma questão de performance de linguagem. Eis a famosa e
apóstata virada linguística filosófica. Eis o pensamento anticristão de Martin Heideger: a
tentativa de Destruktion do Logos e Ethos do Cristianismo e da tradição moral, judaico-cristã,
da civilização ocidental, escrita em “Sein und Zeit” (1927).

Jacques Derrida, bebendo dessas fontes anticristãs, construiu a ideia filosófica de


que, em nenhuma escritura, existe o sentido objetivo, real e verdadeiro das palavras ali
expressadas. Isto é, como disse em sua obra Gramatologie (1967), tudo que encontramos na
linguagem e nos textos escritos é um sistema de diferenças múltiplas e sutis de onde emergem
os significados, de modo que a filosofia se equivoca ao buscar a verdade essencial que estaria
na “essência das coisas”, porque, de fato, como disse Martin Heideger, isso não existe. Em
síntese: interprete você mesmo os textos e falas como quiser, porque a sua interpretação será
válida e verdadeira de qualquer modo e em qualquer situação. Eis aí o relativismo de formas e
conteúdos da pós-modernidade. E, assim, Derrida influenciou todo o pensamento filosófico,
científico e universitário, conclamando todos a desconstruírem as verdades que as escrituras –
incluindo aí as Escrituras Sagradas – afirmam existir. Se a palavra de ordem de Heideger foi a
Destruktion do Cristianismo, a de Derrida foi Déconstructivisme do Cristianismo. Em síntese:
um foi mais radical, tentou a destruição dos valores e pensamento cristão e não conseguiu,
embora conseguisse, de fato, destruir 6 milhões de judeus no holocausto nazista (regime que
ele ajudou a legitimar); o outro, tentou a desconstrução ou reinterpretação das verdades do
pensamento cristão. E é, exatamente, isso que tentou fazer o Estado do PT e do Governo Lula
de 2003 a 2010.

Assim, o Estado Petista-Lulista, sob o fulcro das concepções Desconstrutivistas e


QUEER, fez proposições legislativas e executou políticas públicas e programas de governo que
visaram à desconstrução – e, às vezes, destruição, como propôs Heideger – de valores e
conceitos basilares da moral cristã, tais como, o significado bíblico e cristão de Família,
Casamento, Vida, Verdade, Liberdade, Pátrio Poder, Autoridade, Hierarquia, Propriedade,
Ordem, Direitos e Deveres humanos, e etc. Hoje, no nosso país, não sabemos mais identificar o
que é o Bem, o que é o Belo e o que é a Verdade, porque esses são valores dissipados na
mentalidade soberba do ser humano que se arvora, arbitrariamente, mesmo sem ter
condições de exercício pleno para isso, no direito de se considerar a medida de todas as coisas,
das que são e das que não são.

Destarte, como dissemos em outro escrito, nos termos gramscianos,


heidegerianos, derridarianos y “lgbtianos”, eis a “Revolução Iluminista” do Estado do PT e do
Governo Lula de 2003 a 2010: a formação de um Brasil laico, anticristão, a(i)moral, corrupto
(onde os fins justificam os meios), adepto de uma democracia do tipo ditatorial-plebiscitária,
onde a “sociedade” (nós) é menos importante que o “movimento social”, de tal modo que a
maioria do ser social – suas crenças, valores e convicções cristãs – é subjugada pelas políticas
ditatoriais de uma minoria, engajada e abertamente, anticristã.

Uziel Santana dos Santos


[Professor da UFS, Advogado, Mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e
Doutorando em Direito pela Universidad de Buenos Aires]
http://www.uzielsantana.pro.br
e-mail: ussant@ufs.br

Artigo publicado no Jornal Correio de Sergipe em 23 de abril de 2010.