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Aula 04

Noções de Direito Administrativo p/ INSS - Técnico do Seguro Social - Com videoaulas -

2016

Professor: Daniel Mesquita

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Direito Administrativo p/ INSS Técnico do

Seguro Social. Teoria e exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita Aula 04

exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 AULA 04: Atos administrativos. SUMÁRIO 1)

AULA 04: Atos administrativos.

SUMÁRIO

SUMÁRIO 1) INTRODUÇÃO À AULA 04 2 2) ATOS ADMINISTRATIVOS 2 2.1 C ONCEITO DE ATO

1)

INTRODUÇÃO À AULA 04

2

2)

ATOS ADMINISTRATIVOS

2

2.1

CONCEITO DE ATO ADMINISTRATIVO.

2

2.2

ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO; TEORIA DOS MOTIVOS

DETERMINANTES; PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO.

11

2.3

ATRIBUTOS (OU CARACTERÍSTICAS) DO ATO ADMINISTRATIVO.

42

2.4

CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS EXISTÊNCIA, VALIDADE, EFICÁCIA E EXEQÜIBILIDADE VINCULAÇÃO E DISCRICIONARIEDADE OUTRAS CLASSIFICAÇÕES DOS ATOS ADMINISTRATIVOS.

61

2.4.1

62

2.4.2

65

2.4.3

77

2.5

ATOS ADMINISTRATIVOS EM ESPÉCIE

86

2.5.1

ATOS ADMINISTRATIVOS NORMATIVOS

86

A.

DECRETOS

87

B.

INSTRUÇÕES NORMATIVAS, REGIMENTOS, REGULAMENTOS,

RESOLUÇÕES E DELIBERAÇÕES

88

2.5.2 ATOS ADMINISTRATIVOS ORDINATÓRIOS

90

2.5.3 ATOS ADMINISTRATIVOS NEGOCIAIS 2.5.4 LICENÇA E ALVARÁ 2.5.5 PERMISSÃO E AUTORIZAÇÃO

92

94

96

 

2.5.6 ADMISSÃO, APROVAÇÃO, VISTO E HOMOLOGAÇÃO 2.5.7 ATOS ADMINISTRATIVOS ENUNCIATIVOS 2.5.8 CERTIDÕES 2.5.9 PARECERES

97

98

98

99

 

2.5.10 ATESTADOS 2.5.11 APOSTILA 2.5.12 ATOS ADMINISTRATIVOS PUNITIVOS

100

100

100

3)

TEORIA DAS NULIDADES NO DIREITO ADMINISTRATIVO.

105

3.1

ATOS ADMINISTRATIVOS NULOS, ANULÁVEIS E INEXISTENTES. TEORIAS MONISTA (OU UNITÁRIA) E DUALISTA. VÍCIOS DO ATO ADMINISTRATIVO. DESCONSTITUIÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS INVALIDAÇÃO REVOGAÇÃO

105

3.2

107

3.3

108

3.4

112

3.4.1

113

3.4.2

122

3.5

CONVALIDAÇÃO (OU SANATÓRIA)

144

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 4) RESUMO DA AULA. 150 5) QUESTÕES 162

4)

RESUMO DA AULA.

150

5)

QUESTÕES

162

6)

REFERÊNCIAS

186

1)

Introdução à aula 04

Que bom que você veio para nossa aula de Direito Administrativo

para o concurso do INSS Técnico do Seguro Social.

Nesta aula falaremos sobre o seguinte assunto: 6 Ato

administrativo: validade, eficácia; atributos; extinção, desfazimento e

sanatória; classificação, espécies e exteriorização; vinculação e

discricionariedade..

Não se esqueça de que, ao final, você terá um resumo da aula e as

questões tratadas ao longo dela. Use esses dois pontos da aula na

véspera da prova!

Chega de papo, vamos à luta!

2)

Atos Administrativos

2.1 Conceito de ato administrativo.

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 Antes de conceituarmos ato administrativo, lembrando que

Antes de conceituarmos ato administrativo, lembrando que não há

conceito legal e sim doutrinário, devemos distinguir os conceitos de fato

e de ato, de modo que a ideia do ato administrativo fique clara.

Fato: é acontecimento sem qualquer interferência da vontade

humana, como no caso de eventos da natureza. Ato, por sua vez, é

manifestação de vontade praticada pelo homem.

Se “ato” é manifestação da vontade humana, “atos

administrativos” são declarações humanas (e não meros fenômenos

da natureza), unilaterais (as bilaterais constituem contratos), expedidas

pela administração pública ou por particular no exercício de suas

prerrogativas, com o fim imediato de produzir efeitos jurídicos

determinados, em conformidade com o interesse público, sob regime de

direito público e sujeitas a controle. Exemplos: aplicação de uma pena

de multa em razão do excesso de velocidade; a desapropriação de uma

área privada; o tombamento de um patrimônio de relevância histórica.

Fernanda Marinela destaca que os serviços ou atividades

controlados por computadores, como, por exemplo, as centrais

controladoras dos semáforos da cidade, hipótese em que a própria

máquina emite ordens de “pare” ou “siga”, são atos jurídicos e

administrativos, embora não decorram de uma verdadeira manifestação

de vontade humana.

decorram de uma verdadeira manifestação de vontade humana. Como já visto, ato é diferente de fato,

Como já visto, ato é diferente de fato, por isso não

confunda ato administrativo com fato administrativo (acontecimentos

que produzem efeitos jurídicos relevantes para o Direito

Administrativo), cujos exemplos são: a morte de um funcionário que

gera vacância de um cargo; a destruição de uma escola pública em

razão da chuva; a mudança de lugar de certo órgão público; a cirurgia

realizada por um médico em um hospital público; etc. Ademais, para

Maria Sylvia Zanella Di Pietro, se o fato não produz qualquer efeito

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 jurídico no Direito Administrativo, ele é denominado fato

jurídico no Direito Administrativo, ele é denominado fato da

administração.

Os atos administrativos podem ser anulados e revogados dentro

dos limites do Direito, em quanto os fatos administrativos não admitem

nem anulação nem revogação. Por fim, os atos administrativos gozam

de presunção de legitimidade, enquanto os fatos não.

Por outro lado, importante destacar o conceito trazido por Marinela

de ato da administração, que é todo ato praticado pela Administração

Pública, mais especificamente pelo Executivo, no exercício da função

administrativa, podendo ser regido pelo direito público ou pelo direito

privado. Note que esse conceito tem sentido mais amplo do que o de

ato administrativo, que necessariamente deve ser regido pelo direito

público.

A autora continua dizendo que os atos da administração podem

ser:

a) Atos privados da Administração. Exs: doação, permuta, compra

e venda, locação

b) Atos materiais: condutas que não contêm manifestação de

vontade, constituindo apenas em uma execução, configurando

fatos administrativos e não atos administrativos. Exs: demolição

de uma cassa, apreensão de mercadoria, realização de um

serviço

c) Atos administrativos

Ficam excluídos do conceito de atos da administração os atos

administrativos não praticados pela Administração, como é o caso, por

exemplo, de alguns atos praticados por concessionárias prestadoras de

serviços públicos.

por concessionárias prestadoras de serviços públicos. Prof. Daniel Mesquita Twitter: danielmqt

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 A prescrição e da decadência são institutos que

A prescrição e da decadência são institutos que produzem efeitos

jurídicos em razão da soma de dois elementos: o decurso do tempo e a

inércia do titular do direito. Assim, não representam nem evento da

natureza nem conduta material, tendo sido reconhecidos de forma

pacífica como fatos jurídicos em sentido estrito, ou fatos jurídicos

objetivos.

Voltando ao conceito de “ato administrativo”, para quem gosta de

demonstrar seu apurado conhecimento jurídico em provas subjetivas,

citando doutrinadores de renome, colacionamos a definição de ato

administrativo da professora Di Pietro:

“pode-se definir o ato administrativo como a declaração do

Estado ou de quem o represente, que produz efeitos jurídicos

imediatos, com observância da lei, sob regime jurídico de direito

público e sujeita a controle pelo Poder Judiciário” (2009, p. 196)

Na tentativa de melhor definir o ato administrativo, Marinela fixa

alguns pontos fundamentais, tais como: a vontade, que deve

necessariamente emanar de um agente público no exercício de sua

função administrativa, o que o distingue do particular; seu conteúdo,

que deve propiciar efeitos jurídicos sempre com um fim público; e, por

fim, o regime, que deve ser de direito público.

e, por fim, o regime, que deve ser de direito público. O aluno não pode se

O aluno não pode se esquecer de que, além do Poder Executivo, os

órgãos que compõem o Poder Judiciário e o Legislativo também editam

atos administrativos (ex: quando o Tribunal de Justiça realiza uma

licitação para a compra de papel e de impressora, quando a Assembleia

Legislativa contrata uma empresa de engenharia para fazer uma

reforma etc.). Também não pode se esquecer de que a Administração

Pública pode editar atos regidos pelo direito privado quando, por

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 exemplo, uma empresa estatal vende os bens produzidos

exemplo, uma empresa estatal vende os bens produzidos por ela no

mercado num ambiente de livre concorrência.

Assim, existem atos administrativos que não são atos da

administração e vice-versa.

Por fim, vale destacar a valiosa lição de Bandeira de Mello (2010,

p. 413-416) acerca do silêncio da Administração quando esta não se

pronuncia quando deve fazê-lo. Para o ilustre administrativista, o

silêncio não é ato jurídico, mas um fato jurídico administrativo, pois não

houve qualquer manifestação.

Para a doutrina majoritária, o silêncio administrativo não produz

nenhum efeito, salvo quando a lei reconhecendo o dever da

Administração de agir, atribui esse resultado, admitindo-se, nesse caso,

a possibilidade de uma anuência tácita, ou até, de efeito denegatório do

pedido, contrariando o interesse de peticionário. Nessas hipóteses em

que a lei atribui efeito ao silêncio o mesmo não decorre do silêncio e

sim da previsão legal.

o mesmo não decorre do silêncio e sim da previsão legal. Normalmente, o silência é um

Normalmente, o silência é um ato irregular da Administração, pois

o administrado tem o direito de obter uma resposta de suas solicitações

e requerimentos dirigidos à Administração. Essa resposta obrigatória

está prevista no texto constitucional (art. 5º, XXXIV), o qual define o

direito de petição, que abrange não somente a possibilidade de

requerer, como também a certeza de obter uma resposta,

caracterizando-se, dessa maneira, como um dever para o

administrador.

Assim, se após o prazo fixado em lei a Administração não fornecer

as informações solicitadas, o administrado pode questionar a conduta

do agente público junto ao Judiciário, pois ele descumpriu o dever legal

de decidir.

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 Atualmente, a Lei n. 12.527/11 (lei do acesso

Atualmente, a Lei n. 12.527/11 (lei do acesso a informação) regula

o tema da seguinte forma:

Art. 11. O órgão ou entidade pública deverá autorizar ou conceder o acesso imediato à informação disponível.

§

1o Não sendo possível conceder o acesso imediato, na forma disposta

no

caput, o órgão ou entidade que receber o pedido deverá, em prazo não

superior a 20 (vinte) dias:

I - comunicar a data, local e modo para se realizar a consulta, efetuar a

reprodução ou obter a certidão;

II - indicar as razões de fato ou de direito da recusa, total ou parcial, do

acesso pretendido; ou III - comunicar que não possui a informação, indicar, se for do seu conhecimento, o órgão ou a entidade que a detém, ou, ainda, remeter o requerimento a esse órgão ou entidade, cientificando o interessado da remessa de seu pedido de informação.

§ 2o O prazo referido no § 1o poderá ser prorrogado por mais 10 (dez) dias, mediante justificativa expressa, da qual será cientificado o requerente.

expressa, da qual será cientificado o requerente. O STJ manifestou- se: “1. O ‘direito de petição

O STJ manifestou-se: “1. O ‘direito de petição aos

poderes públicos em defesa de direitos e contra ilegalidade ou abuso de

poder’, assegurado pelo art. 5º, XXXIV, I, da CF, tem natureza

instrumental: é direito, assegurado ao cidadão, de ver recebido e

examinado o pedido em tempo razoável e de ser comunicado da

decisão tomada pela autoridade a quem é dirigido. Nele não está

contido, todavia, o direito de ver deferido o pedido formulado ( )”

(RMS 16.424/DF, STJ Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki,

julg: 05.04.2005, DJ: 18.04.2005).

Questões de concurso
Questões
de
concurso

(CESPE - 2013 - DEPEN - Especialista - Todas as

áreas) A função administrativa, ou executiva, é exercida

privativamente pelo Poder Executivo.

1.

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 Além do Poder Executivo, os órgãos que compõem

Além do Poder

Executivo, os órgãos que

compõem o Poder

Judiciário e o Legislativo também editam atos administrativos.

Gabarito: Errado.

2. (CESPE 2013 TJDFT Oficial de Justiça) A

designação de ato administrativo abrange toda atividade desempenhada

pela administração.

O ato administrativo não abrange toda atividade desempenhada

pela administração, representando apenas uma parcela da atuação da

administração.

Logo, está INCORRETA.

3. (CESPE - 2013 - DEPEN - Agente Penitenciário) Um

banco estatal que celebra com o particular um contrato para

fornecimento de cheque especial pratica um ato administrativo.

Se “ato” é manifestação da vontade humana, “atos

administrativos” são declarações humanas (e não meros fenômenos

da natureza), unilaterais (as bilaterais constituem contratos), expedidas

pela administração pública ou por particular no exercício de suas

prerrogativas, com o fim imediato de produzir efeitos jurídicos

determinados, em

conformidade com o interesse público, sob regime de

em conformidade com o interesse público, sob regime de direito público e sujeitas a controle. O

direito público e sujeitas a controle.

O ato praticado não visa o interesse público, mas de particulares,

por isso está errado!!

4. (CESPE 2010 - MPS Técnico Em Comunicação

Social Rel. Públicas) Quando um banco estatal celebra, com um

cliente, um contrato de abertura de conta-corrente, está praticando um

ato administrativo.

Cumpre ressaltar que nem toda ação da Administração Pública é

tida como ato administrativo. Os atos administrativos são

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 manifestações, unilaterais, quando a Administração age

manifestações, unilaterais, quando a Administração age como tal, tendo

assim, superioridade, prerrogativas e supremacia em relação ao

particular. As empresas estatais (empresas públicas e sociedades de

economia mista) são submetidas ao mesmo regime jurídico das demais

empresas privadas (regime jurídico de direito privado). Desta forma, os

atos praticados por estas não são considerados atos administrativos,

mas atos privados da Administração. Assim se enquadra o contrato de

abertura de conta-corrente.

Gabarito: Errado.

5. (CESPE - 2012 - ANATEL Analista) A formalização de

contrato de abertura de conta-corrente entre instituição financeira

sociedade de economia mista e um particular enquadra-se no conceito

de ato administrativo.

Vimos que atos de empresas estatais se enquadram como ato

privado da administração, pois não é unilateral e também não possui

prerrogativas.

Gabarito: Errado.

Analista Judiciário

Administrativa) Todo ato praticado no exercício da função

administrativa consiste em ato da administração.

6. (CESPE

2012

TJ/AL

Vimos que os “atos administrativos” são declarações humanas,

unilaterais, expedidas pela administração pública ou por particular no

exercício de suas prerrogativas, com o fim imediato de produzir efeitos

jurídicos determinados, em conformidade com o interesse público, sob

regime de direito público e sujeitas a controle. Os atos administrativos

são espécies do gênero atos da administração. Entre os atos da

administração temos: os atos de direito privado; os atos materiais da

administração; atos de conhecimento, opinião, juízo ou valor; os atos

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 políticos; os contratos; os atos normativos; e os

políticos; os contratos; os atos normativos; e os atos administrativos

propriamente ditos.

Gabarito: Certo.

7. (CESPE - 2012TJ/AL Analista Judiciário

Administrativa) Os atos políticos não se sujeitam ao regime jurídico

constitucional.

Todo ato da administração está sujeito ao regime constitucional.

Lembre-se de que os atos políticos não são considerados atos

administrativos.

Gabarito: Errado.

8. (CESPE - 2010 - CETURB/ES - Advogado) Atos praticados

pela administração valendo-se de suas prerrogativas e regido pelas

normas de direito público são exemplos de atos administrativos, não

podendo ser classificados, portanto, como atos da administração.

A primeira parte do enunciado está correta. No entanto, se os atos

citados são atos administrativas, consequentemente são atos da

administração, já que são espécies destes últimos.

Gabarito: Errado.

9. (CESPE

-

2012

TJ/AL

Analista

Judiciário

Administrativa) De acordo com os critérios objetivo, funcional ou

material, ato administrativo corresponde ao ato praticado no exercício

concreto da função administrativa que é editado exclusivamente por

órgãos administrativos.

Sabemos que o sentido objetivo, material ou funcional da

administração pública denota a própria atividade administrativa

exercida pelo Estado. Desta forma, por tal critério, o ato administrativo

surge do exercício dessa função que poderá ser editado por órgão ou

entidade administrativa, bem como pelos delegatários dos serviços

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 públicos, administrativa. ou seja, Gabarito: Errado.

públicos,

administrativa.

ou

seja,

Gabarito: Errado.

particulares

no

exercício

delegado

da

função

10. (CESPE - 2011 STM Analista Judiciário

Administração) Os atos administrativos têm origem no Estado ou em

agentes investidos de prerrogativas estatais.

Vimos que se pode definir o ato administrativo como a declaração

do Estado ou de quem o represente, que produz efeitos jurídicos

imediatos, com observância da lei.

Gabarito: Certo.

11. (CESPE - 2012 TJ/AL Analista Judiciário

Administrativa) Os atos administrativos incluem os despachos de

encaminhamento de papéis e os processos.

Os despachos não são manifestações unilaterais de vontade da

administração revestidas de prerrogativas públicas, ou seja, são

considerados meros atos.

Gabarito: Errado.

2.2 Elementos do ato administrativo; teoria dos motivos determinantes; procedimento administrativo.

O que vamos estudar agora são os elementos que constituem os

atos administrativos, sem eles o ato administrativo não completa seu

ciclo de formação ou são considerados, até mesmo, a depender do

elemento faltante, inexistente. Alguns doutrinadores preferem usar a

expressão requisitos”, outros a expressão “pressupostos”. Assim, se a

sua prova trouxer no enunciado o termo “requisitos ou pressupostos do

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 ato administrativo” saiba que a questão está tratando

ato administrativo” saiba que a questão está tratando dos elementos do

ato administrativo.

A doutrina do direito administrativo brasileiro diverge quanto aos

elementos que compõem os atos administrativos. Em razão disso, o

critério mais seguro para se utilizar em uma prova de concurso é o do

art. 2º da Lei nº 4.717/65. Para essa lei, os elementos do ato

2º da Lei nº 4.717/65. Para essa lei, os elementos do ato administrativo são: competência, forma,

administrativo são: competência, forma, objeto, motivo e finalidade.

Isso não quer dizer que o aluno deve marcar errado se

Isso não quer dizer que o aluno deve marcar errado se apresentada na questão que o

apresentada na questão que o sujeito, e não a competência, é um dos

elementos do ato administrativo.

O que você deve levar para a prova é que os elementos do ato

= Sujeito, objeto, motivo, forma e

finalidade; ou o

motivo e objeto.

Nesse ponto, Di Pietro (2009, p. 202) informa, com razão, que a

competência é um atributo do sujeito que pratica o ato e, além desse

administrativo são o

= Competência, finalidade, forma,

SUJOMOFOFI

COMFIFOMOB

atributo, ele deve ter a capacidade para realizá-lo. Desse modo, mais

adequado falar-se que o sujeito e não a competência é um dos

elementos do ato administrativos.

a) Sujeito ou competência (SUJ ou COM)

Sujeito é aquele que pratica o ato. Ele deve ter capacidade e

competência para a prática do ato. A primeira se verifica das normas

de direito civil (idade, sanidade mental etc.). Já a competência, no

direito administrativo, decorre da Constituição, das leis e atos

normativos. Esses diplomas não só definem o plexo de competências,

mas impõem aos seus titulares o dever de exercê-las em prol do

interesse público.

*Pensou em sujeito – pense em capacidade e competência!*
*Pensou
em
sujeito
pense
em
capacidade
e
competência!*

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 O sujeito competente deve ser necessariamente um agente

O sujeito competente deve ser necessariamente um agente

público, que é o conceito mais amplo encontrado na doutrina,

consistindo em qualquer pessoa que exerça de forma temporária ou

permanente, com ou sem remuneração, uma função pública, devendo

estar, de alguma forma, ligado à Administração Pública.

Além disso, é necessária a análise da capacidade jurídica desse

agente e do ente a que ele pertence, a quantidade de atribuições do

órgão que o produziu, a competência do agente emanante e a

inexistência de óbices à sua atuação no caso concreto, tais como

afastamentos legais, impedimentos e outros.

Aqui já entramos em um ponto que pode ser explorado natais como afastamentos legais, impedimentos e outros. prova: o estudo da competência para a prática do

prova: o estudo da competência para a prática do ato administrativo.

Portanto,

Segundo Marinela, entende-se por competência o conjunto de

atribuições das pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos, fixado pelo

direito positivo, representando a esfera de atuação de cada um deles; é

o círculo definido por lei dentro do qual podem os administradores

exercer legitimamente sua atividade.

SINAL DE ALERTA!

A competência para a prática de atos administrativosexercer legitimamente sua atividade. SINAL DE ALERTA! não se presume, dependendo sempre de previsão legal.

não se presume, dependendo sempre de previsão legal.

Importante observar as características da competência exercida

pelo sujeito que pratica o ato administrativo. Mencionamos aqui as

características da competência trazidas por Alexandrino (2010, p. 437),

com fundamento na doutrina brasileira, especialmente em Bandeira de

Mello:

de exercício obrigatório;

A competência representa regra de exercício obrigatório para

os órgãos e agentes públicos, sempre que caracterizado o

interesse público. Portanto, exercitá-la não é livre decisão de

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 quem administrador. a titulariza; trata-se de um poder-dever

quem

administrador.

a

titulariza;

trata-se

de

um

poder-dever

do

irrenunciável;

 

Com base no princípio da indisponibilidade do interesse

público, o administrador que recebe uma competência legal

 

não

pode renunciá-la para deixar de exercê-la.

 
 

Fundamenta-se em dois artigos da Lei nº 9.784/99:

Art. 2 o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de:

II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos.

intransferível;

 

O

exercício da competência não admite transação ou acordo,

descabendo repassá-la a outrem, salvo quando

expressamente autorizado por lei.

 

imodificável pela vontade do agente;

 

O

administrador

não

pode,

por

intermédio

de

ato

administrativo,

dilatar

ou

restringir

sua

competência,

considerando que sua fonte definidora é a lei, logo um ato

superior na estrutura do ordenamento jurídico.

 

imprescritível

 

O

não exercício não extingue a competência, ou seja, mesmo

que a competência não seja utilizada, independente do

tempo, o agente continuará sendo o competente.

 

improrrogável

 

Se o sujeito competente não exerce a competência, ela não

se transfere ao órgão incompetente que praticou o ato. Isso

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 porque, quem confere a competência é a lei.

porque, quem confere a competência é a lei. Assim, o agente

não pode revogar uma lei pelo seu costume.

Assim, o agente não pode revogar uma lei pelo seu costume. apesar CUIDADO: das O concursando

apesar

CUIDADO:

das

O concursando nunca pode se esquecer de

irrenunciabilidade e

intransferibilidade, a competência pode ser objeto de delegação e

avocação.

A delegação é um instrumento de descentralização administrativa

(art. 11 do Decreto-lei nº 200/67) e não importa em transferência de

competência, tanto é que a autoridade delegante pode avocar a

competência delegada a qualquer momento (art. 2º, parágrafo único,

do Decreto nº 83.937/79). Assim, o ato de delegação não retira a

competência da autoridade delegante que continua competente

cumulativamente com a autoridade delegada; tal transferência também

é passível de revogação a qualquer tempo, devendo também ser

publicado no órgão oficial.

Deve-se observar que a delegação de competência normalmente é

realizada para agentes de plano hierárquico inferior. Contudo, a lei

também a admite para o mesmo plano hierárquico, quando não

existirem impedimentos, sendo conveniente em razão de circunstâncias

de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial. Essa

que,

características

de

hipótese aplica-se à delegação de competência dos órgãos colegiados

aos respectivos presidentes (art. 12 da Lei nº 9.784/99).

O ato de delegação exige publicação oficial e deverá especificar as

matérias e os poderes transferidos, definindo os limites de atuação do

delegado, a duração e os objetivos da delegação, além dos recursos

cabíveis e demais ressalvas que o delegante entender convenientes.

e demais ressalvas que o delegante entender convenientes. Prof. Daniel Mesquita Twitter: danielmqt

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 MUITO CUIDADO – EXCEÇÃO À REGRA DA DELEGAÇÃO
MUITO CUIDADO – EXCEÇÃO À REGRA DA DELEGAÇÃO :
MUITO CUIDADO – EXCEÇÃO À REGRA DA DELEGAÇÃO :

MUITO CUIDADO

MUITO CUIDADO – EXCEÇÃO À REGRA DA DELEGAÇÃO :

EXCEÇÃO À REGRA DA DELEGAÇÃO:

MUITO CUIDADO – EXCEÇÃO À REGRA DA DELEGAÇÃO :

A Lei nº 9.784/99 (art. 13), que regula o processo administrativo

no âmbito da Administração Pública Federal, proíbe a delegação da

competência:

(a)

de editar atos normativos;

(b)

de decidir recursos administrativos; e

(c)

das matérias de competência

exclusiva do órgão ou autoridade.

Por essa razão, os atos de delegação e os demais atos praticados

em razão dessa ilegalidade pela autoridade que a recebeu são

considerados inválidos.

pela autoridade que a recebeu são considerados inválidos. IMPORTANTE: Dos demais dispositivos da Lei nº 9.784/99

IMPORTANTE:

Dos demais dispositivos da Lei nº

9.784/99 e do Decreto nº 83.937/79, extraem-se as seguintes

conclusões que já foram cobradas em inúmeras provas de concursos,

são elas:

o ato de delegar pressupõe a autoridade para subdelegar;

pode haver delegação de competências a órgãos não

subordinados;

a delegação pode ser parcial;

ela deve ser feita por prazo determinado;

a autoridade delegante pode permanecer com o poder de

exercer a competência de forma conjunta com a delegatária.

Segundo Marinela, o fenômeno da avocação ocorrerá quando a

autoridade superior, que inicialmente era incompetente, atrai para a

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 sua esfera de competência a prática de um

sua esfera de competência a prática de um determinado ato. Enquanto

na delegação há transferência, na avocação há atração.

Importante ressaltar que, para a realização desse evento,

pressupõem-se um sistema de hierarquia e a inexistência de

competência exclusiva. Veja o art. 15 da Lei nº 9.784/99:

Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados, a avocação temporária de competência atribuída a órgão hierarquicamente inferior.

Por fim, com relação à competência, o aluno deve ter em mente

que, quando o agente público atua fora de sua esfera de competência,

ocorre o excesso de poder (Alexandrino, 2010, p. 440).

b) Forma (FO)

Além do elemento sujeito ou competência, existe o elemento

forma.

Conforme destaca Marinela, a exteriorização da vontade é condição

para que o ato administrativo produza efeitos no mundo jurídico,

considerada como instrumento de sua projeção, representando

elemento que integra a própria formação do ato e é fundamental para

completar o ciclo de existência.

Entretanto, para o ato administrativo ser válido, não basta a

manifestação da vontade, sendo necessário que seja realizado de

acordo com as exigências definidas pela lei (formalidades específicas do

ato), cuja ausência gera vício de legalidade, com sua consequente

invalidação.

Em regra, os atos administrativos representam o resultado de um

procedimento administrativo prévio, formado por uma série de atos

formais que levam a um provimento final, observando o princípio

constitucional do devido processo legal.

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 Para completar as exigências da forma, a doutrina

Para completar as exigências da forma, a doutrina aponta, ainda, a

motivação, enquanto correlação lógica entre o motivo, o resultado do

ato e a previsão legal. Isso mesmo! A motivação decorre da forma.

Com relação à motivação, Di Pietro (2009, p. 207) destaca que ela

tem duas acepções:

a) em sentido estrito: a forma é considerada como a exteriorização

do ato, ou seja, o modo pelo qual a declaração se apresenta;

b) em sentido amplo: a forma inclui “todas as formalidades que

devem ser observadas durante o processo de formação da

vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à

publicidade do ato”.

A regra, estabelecida no art. 22 da Lei n. 9.784/99, é o

informalismo do ato administrativo. Entretanto, esse princípio não

chega ao ponto de aplicar no direito administrativo o princípio do direito

privado da liberdade de formas. Pelo contrário, aplica-se o princípio da

solenidade, segundo o qual os atos administrativos devem observar os

procedimentos de formação previstos na lei.

Assim, o informalismo só se aplica se a forma ou o procedimento

formal não estiverem expressamente previstos em lei.

Interessante notar que a motivação pode ser feita por meio de

declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres,

informações, decisões ou propostas, que, nesse caso, serão parte

integrante do ato (art. 50, §2º, da Lei nº 9.784/99). É a chamada

motivação per relationem ou aliunde, na qual as razões para a

prática do ato não constam no ato em si, mas em um documento a que

o ato faz referência.

Os atos administrativos deverão ser formalizados por escrito,

independentemente de qualquer previsão específica. Contudo, essa

regra não é absoluta, admitindo-se que esses atos, excepcionalmente,

sejam praticados de outra maneira, desde que expressamente

autorizados por lei. Exemplos: gestos realizados pelo guarda de

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 trânsito; palavras da polícia de segurança; art. 60,

trânsito; palavras da polícia de segurança; art. 60, parágrafo único, da

Lei nº 8.666/93 (possibilidade de contrato administrativo verbal,

atendidas as condições legais).

Quanto ao vício na forma, vamos observar o que diz Marinela:

“Considerando que a forma dos atos administrativos é definida por lei, não se admite que o administrador deixe de observá-la, sob pena de invalidação do ato por vício de legalidade. Todavia, a adequação dessa forma legal exige sempre uma carga de comedimento e razoabilidade por parte do intérprete, do aplicador da norma, para evitar exageros desnecessários. Em algumas circunstâncias, o defeito de forma representa mera irregularidade sanável, o que ocorre quando o vício não atinge qualquer esfera de direito, merecendo, nessa hipótese, a correção pelo instituto da convalidação, como acontece com o ato administrativo formalizado por portaria, quando deveria ser por ordem de serviço, segundo a exigência da lei.”

c) Objeto (O)

Em seguida, ainda com relação aos elementos do ato

administrativos apresentados na Lei nº 4.717/65, destacamos o

objeto.

O objeto é o conteúdo material, o resultado prático, é o que o ato

realiza, é a resposta às seguintes perguntas: “O quê é o ato?”, “Para

quê serve o ato?”. O objeto deve ser lícito, certo e moral.

serv e o ato?”. O objeto deve ser lícito, certo e moral. O objeto é o

O objeto é o ato em si mesmo considerado, representa o efeito

jurídico imediato que o ato produz, o que este decide, certifica, opina,

atesta. Esse elemento configura a alteração no mundo jurídico que o

ato administrativo se propõe a processar. Exemplos: em uma licença

para construir, o objeto é o “permitir que o interessado edifique

legitimamente – o concedo a licença”; na aplicação de uma multa, o

objeto é a “aplicação efetiva da penalidade”; em uma nomeação, o

objeto é o “admitir o indivíduo no serviço público – atribuir um cargo a

alguém”.

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 Objeto e conteúdo são utilizados pela maioria

Objeto

e

conteúdo

são

utilizados

pela

maioria

dos

doutrinadores como expressões sinônimas.

maioria dos doutrinadores como expressões sinônimas. Segundo Marinela, o objeto pode ser dividido em: a) objeto

Segundo Marinela, o objeto pode ser dividido em:

a) objeto natural: é o efeito jurídico que o ato produz, sem

necessidade de expressa menção, é uma consequência natural

do ato;

b) objeto acidental: é o efeito jurídico que o ato produz, em

decorrência de cláusulas acessórias apostas ao ato pelo sujeito

que o pratica, como, por exemplo, o termo, a condição ou um

encargo.

d) Finalidade (FI)

Além do sujeito (ou competência), da forma e do objeto, a

finalidade é outro elemento do ato administrativo.

a finalidade é outro elemento do ato administrativo. Assim como a forma, a finalidade pode ser

Assim como a forma, a finalidade pode ser analisada sob duas

acepções (que já foram objeto de cobrança em concurso público):

a) em sentido estrito, a finalidade é o resultado específico que o

agente quer alcançar com a prática do ato, é o efeito que ele

deseja produzir ao praticar o ato; é a finalidade específica,

prevista pela lei, tendo em vista que, para cada propósito que a

Administração pretende alcançar, existe um ato definido em lei.

Exemplo: não é possível remover um servidor com a finalidade

de puni-lo, ainda que se trate de autoridade competente para

praticar tanto a remoção, quanto a punição; o vício decorre do

descumprimento da finalidade específica da remoção que não é

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 punir, mas sim acomodar deficiências e necessidades do

punir, mas sim acomodar deficiências e necessidades do serviço

público.

b) em sentido amplo: a finalidade se confunde com o interesse

público, com o bem comum, qualquer que seja o resultado

esperado pelo sujeito, a finalidade dele é a consecução do

interesse público, representando o fim mediato do ato

administrativo (lembrando que o fim imediato é o objeto).

Exemplo: na nomeação de um servidor, o objetivo é aumentar o

quadro da Administração, buscando dar maior eficiência ao

serviço.

Portanto, se o ato administrativo perseguir interesses ilícitos ou

contrários ao interesse coletivo, estará eivado de vício de

finalidade, denominado desvio de finalidade, e deverá ser

retirado do ordenamento jurídico.

Se o agente se valeu de um ato para atender finalidade diversa da

prevista no ordenamento, esse ato será inválido em razão do desvio de

poder.

Bandeira de Mello (2010, p. 407) observa que o desvio de poder

pode se manifestar de duas formas: (a) o agente busca finalidade

alheia ao interesse público; (b) o agente busca uma finalidade de

interesse público, mas alheia à prevista para o ato que utilizou. O

desvio de poder (vício na finalidade) e o excesso de poder (vício na

competência) são espécies do gênero abuso de poder (Alexandrino,

2010, p. 440)

Assim, temos o importante quadro

SINAL DE ALERTA:

Abuso de poder

Abuso de poder Desvio de poder – vício na finalidade   Excesso de poder – vício

Desvio

de

poder

vício

na

finalidade

 

Excesso de

poder

vício

na

competência

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 e) Motivo (MO) O motivo é outro elemento

e) Motivo (MO)

O motivo é outro elemento do ato administrativo e pode ser

definido como a causa imediata do ato administrativo, representando as

razões que justificam a edição do ato; é a situação de fato (ocorrida no

mundo empírico, ou seja, conjunto de circunstâncias fáticas que levam

à prática do ato) e de direito (previsão legal ou o princípio) que

determina a prática do ato (Alexandrino, 2010, p. 444).

A análise da vinculação e da discricionariedade é de fundamental

importância no estudo do motivo e do objeto do ato administrativo. Nas

hipóteses de vinculação, a situação de fato já está delineada pela norma

legal, nada mais cabendo ao agente a não ser praticar o ato, tão logo

seja configurada. Ele atua como executor da lei, em virtude do princípio

da legalidade. Exemplo: licença para exercer atividade profissional em

todo o território nacional.

Quando da discricionariedade, a lei não delineia a situação fática,

mas transfere ao agente a verificação de sua ocorrência, atendendo a

critérios de caráter administrativo conveniência e oportunidade vale

dizer, é o agente que elege a situação fática ensejadora da vontade,

permitindo, assim, maior liberdade para definição do motivo do ato,

sem se afastar dos princípios administrativos. O autor do ato pode

traçar as linhas que limitam o objeto de seu ato, mediante a avaliação

do motivo declarado. Exemplo: autorização para funcionamento de um

circo em praça pública.

Exemplos: remoção de um servidor público que pode ter como

motivo a ausência de trabalho suficiente no local em que está lotado;

dissolução de uma passeata tumultuosa que tem como motivo a

perturbação da ordem pública o tumulto; interdição de uma fábrica

poluente que tem como motivo a existência real de poluição da

atmosfera causada por essa empresa.

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 Segundo Marinela, para a legalidade do motivo e,

Segundo Marinela, para a legalidade do motivo e, por conseguinte,

validade do ato administrativo, exige-se:

a) materialidade do ato, isto é, o motivo em função do qual foi

praticado o ato deve ser verdadeiro e compatível com a

realidade fática apresentada pelo administrador.

b) correspondência do motivo existente que embasou o ato com o

motivo previsto na lei.

c) congruência entre o motivo existente e declarado no momento

da realização do ato e o resultado prático desse ato, que

consiste na soma do objeto com a finalidade do ato.

ato, que consiste na soma do objeto com a finalidade do ato. É possível concluir que

É possível concluir que o motivo será ilegal e o ato

administrativo será inválido quando o fato alegado não for verdadeiro,

isto é, o motivo não existir; quando não existir compatibilidade entre o

motivo declarado no ato e a previsão legal; quando inexistir

congruência entre o motivo e o resultado do ato e, por fim, quando o

motivo depender de um critério subjetivo de valoração do administrador

e este extrapolar os limites legais, vale dizer, não for razoável e

proporcional.

legais, vale dizer, não for razoável e proporcional. CUIDADO PARA NÃO CONFUNDIR FINALIDADE COM MOTIVO NEM

CUIDADO PARA NÃO CONFUNDIR FINALIDADE COM MOTIVO NEM

COM OBJETO!!! O motivo do ato administrativo é composto pelas

razões de fato e de direito, que levam à prática do ato, portanto é uma

ocorrência que antecede ao próprio ato. De outro lado, a finalidade

sucede à prática do mesmo, porque corresponde a algo que a

Administração quer alcançar com a edição do ato. Por fim, o objeto

consiste no resultado da prática do ato, o que ele faz em si mesmo.

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 Motivo Razões de fato e de direito, que

Motivo

Razões de fato e de

direito, que levam à

prática do ato

Finalidade

objeto

Resultado específico

(o efeito) que

o

agente quer alcançar

com a prática do ato

O

mundo exterior.

que

o

ato

faz

no

A soma do objeto com a finalidade compõe o resultado do ato

administrativo. Ambos são vetores desse resultado, que é composto

pelo seu fim mediato a finalidade que é sempre o interesse público,

aspecto invariável do ato, e pelo seu fim imediato o objeto que é

variável, conforme o resultado prático buscado pelo agente.

Exemplos trazidos por Marinela: na hipótese da dissolução de uma

passeata tumultuosa, tem-se o motivo que é o tumulto, o objeto que é

a dissolução propriamente dita e a finalidade que é a proteção da ordem

pública; na hipótese de interdição da fábrica poluidora da atmosfera, o

motivo é a efetiva poluição com o prejuízo para o ar atmosférico, o

objeto é o fechamento da empresa e a finalidade é a proteção da

salubridade pública.

Em resumo, diante de certa situação de fato ou de direito (motivo),

a autoridade pratica certo ato (objeto efeito jurídico imediato) para

alcançar determinado resultado (finalidade efeito jurídico mediato).

resultado (finalidade – efeito jurídico mediato). Nesse tema, quatro pontos são relevantes para

Nesse

tema,

quatro

pontos

são

relevantes

para

concursos públicos: (I) diferenciar conceitualmente motivo, móvel e

motivação; (II) possível motivação posterior do ato administrativo, em

hipóteses excepcionais; (III) o fundamento da motivação dos atos

administrativos; e (IV) a teoria dos motivos determinantes.

(I) A diferenciação conceitual mais exata entre motivo, móvel,

motivação é dada por Bandeira de Mello (2010, p. 399).

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 Ele observa que motivo se distingue de móvel

Ele observa que motivo se distingue de móvel porque este designa

a representação subjetiva, psicológica, interna; a intenção do agente ao

praticar o ato. O motivo decorre da situação objetiva, real, empírica, ou

seja, ocorrida no mundo dos fatos e externa ao agente.

O mesmo autor ensina também que o motivo não se confunde com

a motivação, pois esta é a justificativa formalizada pelo agente para a

prática do ato e decorre do princípio da transparência.

a prática do ato e decorre do princípio da transparência. O motivo é o fato e

O motivo é o fato e o fundamento jurídico que

justificam a prática do ato, enquanto a motivação tem um enfoque mais

amplo. A motivação é a justificativa da edição do ato. Ela exige da

Administração o dever de justificar seus atos, de expor as razões do ato

para o mundo exterior, apontando-lhes os fundamentos de direito e de

fato, assim como a correlação lógica entre esses fatos ocorridos e o ato

praticado, demonstrando a compatibilidade da conduta com a lei. Enfim,

exige um raciocínio lógico entre o motivo, o resultado do ato e a lei.

lógico entre o motivo, o resultado do ato e a lei. temos o seguinte quadro conceitual:

temos o seguinte quadro conceitual:

Motivo

Móvel

Motivação

Causa imediata dos atos

Intenção do

Justificativa

administrativos ocorrida no

agente

ao

formalizada

pelo

mundo dos fatos.

praticar o ato.

agente para a prática

do ato.

(II) Para o entendimento majoritário da doutrina e da

jurisprudência, o que se registra adequado ao atual contexto legal, a

motivação é obrigatória em praticamente todos os atos

administrativos, ou seja, não é necessária a motivação em todos os

atos administrativos.

Nas hipóteses em que a motivação é obrigatória, é imprescindível

que ela seja prévia ou contemporânea à prática do ato.

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 A motivação posterior à prática do ato só

A motivação posterior à prática do ato só é admitida em hipóteses

excepcionais, conforme reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça no

seguinte julgado divulgado no Informativo STJ nº 529:

O vício consistente na falta de motivação de portaria de remoção ex officio de servidor público pode ser convalidado, de forma excepcional, mediante a exposição, em momento posterior, dos motivos idôneos e preexistentes que foram a razão determinante para a prática do ato, ainda que estes tenham sido apresentados apenas nas informações prestadas pela autoridade coatora em mandado de segurança impetrado pelo servidor removido. De fato, a remoção de servidor público por interesse da Administração Pública deve ser motivada, sob pena de nulidade. Entretanto, consoante entendimento doutrinário, nos casos em que a lei não exija motivação, não se pode descartar alguma hipótese excepcional em que seja possível à Administração demonstrar de maneira inquestionável que: o motivo extemporaneamente alegado preexistia; que era idôneo para justificar o ato; e que o motivo foi a razão determinante da prática do ato. Se esses três fatores concorrem, há de se entender que o ato se convalida com a motivação ulterior. Precedentes citados: REsp 1.331.224-MG, Segunda Turma, DJe 26/2/13; MS 11.862-DF, Primeira Seção, DJe 25/5/09. AgRg no RMS 40.427-DF, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 3/9/2013.

Concluindo, para os atos administrativos em que a motivação é

obrigatória e esta não for realizada, o ato será ilegal e deve ser retirado

do ordenamento jurídico, ocorrendo o mesmo quando a motivação é

apresentada após a prática do ato. De outro lado, para as hipóteses em

que a motivação é facultativa (porém aconselhável), a sua ausência não

prejudica a validade do ato, podendo ser apresentada posteriormente.

a validade do ato, podendo ser apresentada posteriormente. (III) O fundamento da motivação dos atos administrativos

(III) O fundamento da motivação dos atos administrativos é

tema que pode auxiliar o aluno no momento de julgar itens de alta

complexidade. Por isso, é de fundamental importância que o aluno

absorva esse ponto da matéria.

Para isso, partimos do voto do Ministro Ricardo Lewandowski, do

STF, no julgamento do RE 589998. Ao analisar a necessidade de se

motivar o ato administrativo que demite empregado de empresa

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 pública, afirmou o Ministro que a obrigação de

pública, afirmou o Ministro que a obrigação de motivar os atos

decorreria, “especialmente, do fato de os agentes estatais lidarem com

a res publica, tendo em vista o capital das empresas estatais

integral, majoritária ou mesmo parcialmente pertencer ao Estado,

isto é, a todos os cidadãos. Esse dever, ademais, estaria ligado à

própria ideia de Estado Democrático de Direito, no qual a legitimidade

de todas as decisões administrativas tem como pressuposto a

possibilidade de que seus destinatários as compreendam e o de que

possam, caso queiram, contestá-las. No regime político que essa forma

de Estado consubstancia, seria preciso demonstrar não apenas que a

Administração, ao agir, visou ao interesse público, mas também que

agiu legal e imparcialmente” (texto extraído do Informativo STF nº 576

o julgamento ainda não foi concluído em razão do pedido de vista do

Ministro Joaquim Barbosa).

Por fim, com relação ao elemento motivo do ato administrativo,

pedimos, mais uma vez, que o aluno ligue o

passamos a tratar da teoria dos motivos determinantes.

o passamos a tratar da teoria dos motivos determinantes. SINAL DE ALERTA!, pois (IV) A teoria

SINAL DE ALERTA!, pois

da teoria dos motivos determinantes. SINAL DE ALERTA!, pois (IV) A teoria dos motivos determinantes dispõe

(IV) A teoria dos motivos determinantes dispõe que a validade

do ato se vincula aos motivos fáticos e legais indicados como seu

fundamento. Os motivos enunciados pelo agente aderem ao ato e a sua

ocorrência deve ser provada e deve ser suficiente para justificá-lo. Caso

os motivos sejam inexistentes ou falsos, o ato será inválido. Esse é o

entendimento que se extrai do ROMS 29774, julgado pela 2ª Turma do

Superior Tribunal de Justiça, e do MS 11741, julgado pela 1ª Seção da

mesma Corte.

e do MS 11741, julgado pela 1ª Seção da mesma Corte. Prof. Daniel Mesquita Twitter: danielmqt

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 Seja o ato discricionário ou vinculado, o motivo

Seja o ato discricionário ou vinculado, o motivo declarado vincula o

ato para todos os efeitos jurídicos. A partir daí, os órgãos de controle

internos e externos podem avaliar a legitimidade do ato também com

relação aos motivos que ensejaram a sua prática, mesmo que

desnecessária a expressa declaração do motivo. Havendo

desconformidade entre os motivos determinantes e a realidade, o ato

pode ser retirado do ordenamento.

Foi isso que ocorreu no ROMS 29774, acima indicado. O STJ

declarou nulo o ato da administração de reduzir unilateralmente o valor

pago às escolas que realizam cursos para a obtenção da CNH em

percentual muito superior ao verificado como necessário pelo estudo

técnico da própria administração. Esse estudo foi, justamente, o

utilizado pela administração como motivação para a redução do valor do

contrato com as escolas.

para a redução do valor do contrato com as escolas. O administrador pode praticar o ato

O administrador pode praticar o ato administrativo

sem declarar o motivo nas hipóteses em que este não for exigido.

Porém, se ainda assim decidir declará-lo, o administrador fica vinculado

às razões de fato e de direito que o levaram à prática do ato. Exemplos:

1 - se um determinado administrador decide exonerar um servidor

ocupante de cargo em comissão, alegando como motivo a necessidade

de redução de despesas com folha de pagamento, cumprindo regra para

racionalização da máquina administrativa, prevista no art. 169 da CF,

ele não poderá nomear outra pessoa para o mesmo cargo, em

decorrência da teoria dos motivos determinantes, que exige a

veracidade e o cumprimento do motivo alegado; 2 - determinado

governador de um Estado tem uma filha que está namorando um rapaz,

servidor público estadual, que não é de seu agrado, fazendo com que

ele decida removê-lo para uma cidade bem distante, alegando

necessidades do serviço, quando, na verdade, o administrador deseja

prejudicar o relacionamento.

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 Importante lembrar que há uma situação excepcional em

Importante lembrar que há uma situação excepcional em que se

admite a possibilidade de mudança do motivo alegado, quando ficarem

mantidas as razões de interesse público. Isso ocorre no caso da

desapropriação. Se, por exemplo, o Estado resolve desapropria um

terreno para a construção de uma escola, declara essa razão no decreto

expropriatório e, posteriormente, decide construir um hospital no local.

No caso, o motivo se alterou, mas se mantiveram as razões de

interesse público. Houve o que a doutrina e a jurisrprudência chama de

tredestinação lícita, não representando violação à teoria dos motivos

determinantes.

violação à teoria dos motivos determinantes. Veja um julgado sobre a Informativo 331 do STJ:

Veja

um

julgado

sobre

a

Informativo 331 do STJ:

tredestinação

lícita,

divulgado

no

DESAPROPRIAÇÃO. TREDESTINAÇÃO LÍCITA.Cuida-se de recurso interposto contra acórdão do TJ-SP que entendeu não haver desvio de finalidade se o órgão expropriante dá outra destinação de interesse público ao imóvel expropriado. Para a Min. Relatora não há falar em retrocessão se ao bem

expropriado for dada destinação que atende ao interesse público, ainda que diversa da inicialmente prevista no decreto expropriatório. A Min. Relatora aduziu que a esse tipo de situação a doutrina vem dando o nome de “tredestinação lícita” - aquela que ocorre quando, persistindo o interesse público, o expropriante dispensa ao bem desapropriado destino diverso do que planejara no início. Assim, tendo em vista a manutenção da finalidade pública pecualiar às desapropriações, a Turma negou provimento ao recurso. Precedentes citados: REsp 710.065-SP, DJ 6/6/2005, e REsp 800.108-SP, DJ

20/3/2006. REsp

em

968.414-SP,

Rel. Min.

Denise

Arruda,

julgado

11/9/2007.

Por fim, com relação ao conceito de procedimento

administrativo, mais uma vez invocamos a lição de Di Pietro. A

professora ensina (2009, 197) que determinados atos são preparatórios

de um ato principal, mesmo assim, esses atos são considerados atos

administrativos, pois integram um procedimento ou fazem parte de um

ato complexo.

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 Assim, procedimento administrativo seria o rito legal a

Assim, procedimento administrativo seria o rito legal a ser

percorrido pela Administração para a obtenção de efeitos regulares de

um ato administrativo principal.

Importante deixar claro que adotamos os elementos do ato

administrativo segundo a definição legal (Lei nº 4.717/65) e a lição da

maioria da doutrina do direito administrativo (Di Pietro, José dos Santos

Carvalho Filho, Vicente Paulo etc.).

Não ignoramos a lição de Bandeira de Mello de que há outros

elementos do ato administrativo, quais sejam: conteúdo (para o autor,

o conteúdo é o próprio ato, se diferenciando do objeto, porque este

seria sobre o que trata o ato), causa (relação entre o motivo fato e

o conteúdo do ato sob o enfoque da finalidade conferida pela lei),

requisitos procedimentais (percurso percorrido pelo ato até a sua

edição), formalização (modo específico pelo qual o ato administrativo

deve ser externado) e pertinência à função administrativa (só é ato

administrativo aquele que seja afeto às atividades administrativas).

Não abordaremos profundamente a lição desse doutrinador, pois

ele representa posição isolada no direito administrativo nesse ponto.

posição isolada no direito administrativo nesse ponto. 1) Súmula n º 510 do STF: “Praticado o

1) Súmula nº 510 do STF: “Praticado o ato por autoridade, no

exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado de

segurança ou a medida judicial”.

1. Segundo a Teoria dos Motivos Determinantes, em

havendo motivo para a edição do ato exoneratório, fica o Administrador

vinculado ao motivo, cuja existência e validade podem ser submetidas à

(RMS 27.520 (2008/0171892-6),

apreciação do Poder Judiciário. (

STJ Sexta Turma, Rel.ª Min.ª Maria Thereza de Assis Moura, DJe:

21.03.2012).

2)

“(

)

)”

Os atos discricionários da Administração Pública

estão sujeitos ao controle pelo Judiciário quanto à legalidade formal e

3)

“(

)1.

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 substancial, cabendo observar que os motivos embasadores dos

substancial, cabendo observar que os motivos embasadores dos atos

administrativos vinculam a Administração, conferindo-lhes legitimidade

e validade. 2. ‘Consoante a teoria dos motivos determinantes, o

administrador vincula-se aos motivos elencados para a prática do ato

administrativo. Nesse contexto, há vício de legalidade não apenas

quando inexistentes ou inverídicos os motivos suscitados pela

administração, mas também quando verificada a falta de congruência

entre as razões explicitadas no ato e o resultado nele contido’ (MS

15.290/DF, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, julg: 26.10.2011,

DJe: 14.11.2011). 3. No caso em apreço, se o ato administrativo de

avaliação de desempenho confeccionado apresenta incongruência entre

parâmetros e critérios estabelecidos e seus motivos determinantes, a

atuação jurisdicional acaba por não invadir a seara do mérito

administrativo, porquanto limita-se a extirpar ato eivado de ilegalidade.

4. A ilegalidade ou inconstitucionalidade dos atos administrativos podem

e devem ser apreciados pelo Poder Judiciário, de modo a evitar que a

descricionariedade transfigure-se em arbitrariedade, conduta ilegítima e

suscetível de controle de legalidade. 5. Assim como ao Judiciário

compete fulminar todo o comportamento ilegítimo da Administração que

apareça como frontal violação da ordem jurídica, compete-lhe,

igualmente, fulminar qualquer comportamento administrativo que, a

pretexto de exercer apreciação ou decisão discricionária, ultrapassar as

fronteiras dela, isto é, desbordar dos limites de liberdade que lhe

assistiam, violando, por tal modo, os ditames normativos que assinalam

os

confins da liberdade discricionária(Celso Antônio Bandeira de Mello,

in

Curso de Direito Administrativo, Editora Malheiros, 15ª edição). ( )

(AgRg no REsp 1.280.729/RJ, STJ Segunda Turma, Rel. Min.

Humberto Martins, julg: 10.04.2012, DJe: 19.04.2012).

4)

“(

)

3.

Em

um

ato administrativo discricionário, A

Administração Pública possui uma certa margem de liberdade para

escolher os motivos ou a postura a ser adotada. Todavia, onde houver a

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 necessidade de motivação, não poderá a administração

necessidade de motivação, não poderá a administração deixar de

explicitar quais foram as razões que lhe conduziram a praticar o ato. 4.

A necessidade de motivação ocorre em benefício dos destinatários do

ato administrativo, em respeito não apenas ao princípio da publicidade

e ao direito à informação, mas também para possibilitar que os

administrados verifiquem se tais motivos realmente existem. Não é

outra a ratio essendi da teoria dos motivos determinantes. (

(AgRg-

AG-REsp. 94.480, STJ Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins,

)

DJe: 19.04.2012).

Creio que, até o momento, podemos acertar cerca de 20% (vinte

por cento) das questões relativas a ato administrativo nos concursos.

Isso não é o bastante para a aprovação num certame. Por isso, vamos

em frente!

para a aprovação num certame. Por isso, vamos em frente! 12. (CESPE – 2015 – TCU

12. (CESPE 2015 TCU - Técnico Federal de Controle Externo

- Conhecimentos Específicos) Julgue o item seguinte, relativo ao

ato administrativo. Ao delegar a prática de determinado ato

administrativo, a autoridade delegante transfere a titularidade para sua

prática.

Para respondermos essa questão, devemos observar os seguintes

artigos da Lei 9.784/99 que dispõe sobre delegação de competências:

“Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. Art. 14. O ato de delegação e sua revogação deverão ser publicados no meio oficial. 1ºO ato de delegação especificará as matérias e poderes transferidos, os limites da atuação do delegado, a duração e os objetivos da

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 delegação e o recurso cabível, podendo conter ressalva

delegação e o recurso cabível, podendo conter ressalva de exercício da atribuição delegada. 2º O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante.”

Gabarito: Errado.

13. (CESPE 2015 FUB Administrador) Em relação aos

requisitos e às espécies de atos administrativos, julgue o item

subsequente.

A motivação, como elemento essencial do ato, cria para os

administrados possibilidades de terem conhecimento das razões de

determinada prática adotada pela administração pública, o que evita

obscuridades na decisão administrativa e cumpre uma das finalidades

da motivação, que é a de garantir a segurança dos administrados.

A questão está corretíssima.

Importante é destacar os ensinamentos da doutrinadora Di Pietro

sobre o assunto, (2009, p. 207) destaca que ela tem duas acepções:

1- Em sentido estrito: a forma é considerada como a

exteriorização do ato, ou seja, o modo pelo qual a declaração se

apresenta;

2- Em sentido amplo: a forma inclui “todas as formalidades que

devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da

Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato”.

Gabarito Certo.

14. (CESPE 2015 FUB Administrador) Julgue o item

subsequente, no que se refere a atos administrativos.Competência,

finalidade, forma, motivo e objeto são requisitos fundamentais do ato

administrativo, sem os quais este se torna nulo.

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 A doutrina do direito administrativo brasileiro diverge

A doutrina do direito administrativo brasileiro diverge quanto aos

elementos que compõem os atos administrativos. Em razão disso, o

critério mais seguro para se utilizar em uma prova de concurso é o do

art. 2º da Lei nº 4.717/65. Para essa lei, os elementos do ato

administrativo são:

Competência, forma, objeto, motivo e finalidade.

Gabarito Certo.

15. (CESPE 2015 TCU - Técnico Federal de Controle Externo

- Conhecimentos Específicos) Julgue o item seguinte , relativo ao ato

administrativo.É proibido delegar a edição de atos de caráter normativo.

A n° Lei 9.784/99 dispõe quais os atos que não podem ser objeto

de delegação: “Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: I - a

edição de atos de caráter normativo; II - a decisão de recursos

administrativos; III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou

autoridade.”

Gabarito Certo.

Segurança

Institucional e Transporte) O servidor responsável pela segurança da

portaria de um órgão público desentendeu-se com a autoridade superior

desse órgão. Para se vingar do servidor, a autoridade determinou que,

a partir daquele dia, ele anotasse os dados completos de todas as

pessoas que entrassem e saíssem do imóvel.

Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue.

Na situação apresentada, a ordem exarada pela autoridade superior é

ilícita, por vício de finalidade.

16. (CESPE

2015

MPU

- Técnico do

MPU

-

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 Ocorre o abuso de poder na modalidade DESVIO.

Ocorre o abuso de poder na modalidade DESVIO. O agente tem

poder para tal, porém o faz com finalidade diversa.

Gabarito Certo.

17. (CESPE 2015 -DPE-PE - Defensor Público) Julgue o item

que se segue, a respeito de atos administrativos.

Em obediência ao princípio da solenidade das formas, o ato

administrativo deve ser escrito, registrado e publicado, não se

admitindo no direito público o silêncio como forma de manifestação de

vontade da administração.

Pessoal, o silêncio da administração pública só pode ser ato

administrativo se na lei houver previsão legal. Simples assim!

Gabarito Errado.

18. (CESPE 2009 - TRF 5ª Região - Juiz Federal

Substituto) Analise a seguinte situação hipotética: Pedro, autoridade

superior, delegou determinada competência a Alfredo com o propósito

de descentralizar a prestação do serviço público e assegurar maior

rapidez nas decisões, uma vez que Alfredo tem um contato mais direto

com o objeto da delegação.

Nessa situação, Alfredo somente pode subdelegar a competência se

Pedro deixou essa autorização consignada de forma expressa no ato de

delegação.

O art. 11 do DL 200/67 dispõe que “a delegação de competência

será utilizada como instrumento de descentralização administrativa,

com o objetivo de assegurar maior rapidez e objetividade às decisões,

situando-as na proximidade dos fatos, pessoas ou problemas a

atender”.

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 Ocorre que, o Decreto nº 83.937/79, que regulamenta

Ocorre que, o Decreto nº 83.937/79, que regulamenta o

dispositivo, afirma, em seu art. 6º que “o ato de delegar pressupõe a

autoridade para subdelegar, ficando revogadas as disposições em

contrário constantes de decretos, regulamentos ou atos normativos em

vigor no âmbito da Administração Direta e Indireta”. Assim o item está

errado.

19. (CESPE - 2011 - TJ-ES - Analista Judiciário -

Taquigrafia - Específicos) Nem todo ato administrativo necessita ser

motivado. No entanto, nesses casos, a explicitação do motivo que

fundamentou o ato passa a integrar a própria validade do ato

administrativo como um todo. Assim, se esse motivo se revelar inválido

ou inexistente, o próprio ato administrativo será igualmente nulo, de

acordo com a teoria dos motivos determinantes.

A teoria dos motivos determinantes de aplica tanto aos atos

vinculados quanto aos discricionários. De acordo com Hely Lopes

Meirelles o ato discricionário confere ao administrador uma margem de

liberdade para fazer um juízo de conveniência e oportunidade, não

sendo obrigatória a motivação. No entanto, se houver tal

fundamentação, o ato deverá condicionar-se a esta, em razão da

necessidade de observância da Teoria dos Motivos Determinantes.

Resposta: certo.

20. (CESPE - 2013 - TJ-RR - Titular de Serviços de Notas e

de Registros) A competência, irrenunciável, pode ser delegada a

outros órgãos ou titulares, ainda que estes não sejam hierarquicamente

subordinados ao órgão originalmente competente, quando for

conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social,

econômica, jurídica ou territorial.

Observem que essa questão caiu para Titular de Serviços de Notas

e de Registros e que vocês tem pleno conhecimento para responder. É

um boa questão, pois tem um peguinha interessante. Não confundam a

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 característica “irrenunciável” com “exclusiva”. Eu

característica “irrenunciável” com “exclusiva”. Eu explico. Todas as

competências administrativas são irrenunciáveis. O agente não

pode simplesmente abrir mão delas.

Acontece que algumas competências são delegáveis, enquanto

outras jamais poderão ser delegadas, ou seja, são exclusivas (ex:

decisão de recurso e elaboração de ato normativo).

Se alguém pensou em marcar a questão como errada por conta do

termo “irrenunciável”, deve lembrar que essa é uma característica de

todos os atos.

Portanto, a resposta está correta

.

21. (CESPE/2011 PC/ES Perito Papiloscópico) O poder

legal conferido ao agente público para o desempenho específico das

atribuições de seu cargo constitui um requisito do ato administrativo, ou

seja, o requisito da competência.

A competência é de fato o requisito ou elemento do ato

administrativo que se traduz no poder legal conferido ao agente público

para o desempenho específico das atribuições de seu cargo.

Gabarito: Certo.

22. (CESPE - 2011 - TCU - Auditor Federal de Controle

Externo) A decisão de recurso administrativo pode ser objeto de

delegação.

Abra o olho! Você não pode errar esse tipo de questão destacada

em aula!

A Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito

da Administração Pública Federal, proíbe a delegação da

competência:

(d) de editar atos normativos;

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 (e) de decidir recursos administrativos; e   (f)

(e)

de decidir recursos administrativos; e

 

(f)

das

matérias

de

competência

exclusiva do órgão ou autoridade.

 

Gabarito: Errado

23. (CESPE - 2012 DPE/RO Defensor Público) A

competência, um dos elementos do ato administrativo, é irrenunciável,

salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos; entre as

hipóteses cabíveis de delegação inclui-se a edição de decretos

normativos.

É verdade que a competência é um dos elementos ou requisitos do

ato administrativo, sendo irrenunciável, salvo os casos de delegação e

avocação legalmente admitidos. No entanto, a Lei nº 9.784/99, que

regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública

Federal, proíbe a delegação da competência de editar atos normativos.

Gabarito: Errado.

24. (CESPE - 2011 - TJ-ES - Analista Judiciário) A

delegação da competência para a realização de um ato administrativo

configura a renúncia da competência do agente delegante.

Como disse em aula, a delegação é um instrumento de

descentralização administrativa (art. 11 do Decreto-lei nº 200/67) e

não
não
administrativa (art. 11 do Decreto-lei nº 200/67) e não importa em transferência de competência, tanto é

importa em transferência de competência, tanto é que a autoridade

delegante pode avocar a competência delegada a qualquer momento

(art. 2º, parágrafo único, do Decreto nº 83.937/79).

Gabarito: Errado.

25. (CESPE - 2010 MPS Agente Administrativo) A

competência é delegável, mas não é passível de avocação.

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exercícios comentados. Prof. Daniel Mesquita に Aula 04 De acordo com o art. 11, da Lei

De acordo com o art. 11, da Lei nº 9.784/99, a competência é

irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi

atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação

legalmente admitidos. Portanto, é possível tanto a delegação quanto a

avocação de competência.

Gabarito: Errado.

26. (CESPE - 2013 - TCE-RO - Agente Administrativo) A

motivação de um ato administrativo é o pressuposto fático e jurídico

que enseja a prática do ato. O motivo de um ato administrativo é a

exposição escrita da razão que determinou a prática do ato.

 

Motivo

Motivação

Causa

imediata

dos

atos

Justificativa formalizada pelo

administrativos

ocorrida

no

mundo

agente para a prática do ato.

dos fatos.

Gabarito: Errado.

27. (CESPE - 2012 TJ/AC Juiz) O motivo, como

pressuposto de fato que antecede a prática do ato administrativo, será

sempre vinculado, não havendo, quanto a esse aspecto, margem a

apreciações subjetivas por parte da administração.

O motivo pode ser expresso em lei ou a lei pode dar margem para

escolha (decisão). Portanto, o motivo pode ser um elemento vinculado

ou discricionário.

Gabarito: Errado

28. (CESPE - 2013 - MJ - Analista Técnico) O motivo do ato

administrativo não se confunde com a motivação estabelecida pela

autoridade administrativa. A motivação é a exposição dos motivos e

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