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Ana Cláudia de Melo Moura

Interpretação e Aplicação da Legislação Tributária:

Enquadramento dos serviços de instalação e montagem de produtos, peças, equipamentos, aparelhos e máquinas na Lista de Serviços contida na Lei Complementar 116/2003

2011

Agradecimentos

Às minhas filhas, pela compreensão pelo tempo despendido neste trabalho;

Aos amigos e colegas da Gerência de Tributos Municipais - GETM da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte Josias Pires Ferreira e Sandra Balbino, que me incentivaram e apoiaram no decorrer da pesquisa.

Discente:

Ana Cláudia de Melo Moura

Prof. Orientador:

Dr. Raphael Frattari Bonito

De acordo com o depósito.

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Ana Cláudia de Melo Moura

Interpretação e Aplicação da Legislação Tributária:

Enquadramento dos serviços de instalação e montagem de produtos, peças, equipamentos, aparelhos e máquinas na Lista de Serviços contida na Lei Complementar 116/2003

Monografia apresentada ao CAD – Centro de Atualização em Direito e à Universidade Gama Filho como requisito para a conclusão da do curso de pós– graduação lato sensu com especialização Auditoria de Tributos Municipais com início no 1º semestre do ano de 2008

Professor Orientador: Dr. Raphael Frattari Bonito

BELO HORIZONTE CAD- Centro de Atualização em Direito Universidade Gama Filho Curso de Pós-graduação em Auditoria de Tributos Municipais

2011

5

RESUMO

A lista dos serviços tributáveis pelo ISSQN foi se aprimorando ao longo

do tempo, e a lista hoje vigente, ou seja, aquela editada com a Lei Complementar

116/2003, traz os serviços especificados de forma mais clara. Todavia, muitas dúvidas ainda pairam quanto ao enquadramento de determinados serviços, dentre eles, os de instalação e montagem de equipamentos, que podem ser inseridos nos subitens 7.02 ou 14.06, gerando efeitos tributários diferentes.

A presente monografia teve por escopo geral compreender os aspectos

que determinam o enquadramento dos serviços de instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos, aparelhos e máquinas na Lista de Serviços contida na Lei Complementar 116/2003, através da análise crítica das normas positivas do Direito Tributário, da doutrina vigente e das decisões do judiciário.

Com a pesquisa foi possível definir os critérios que devem estar presentes ao caracterizarmos uma obra de engenharia para fins de tributação pelo Imposto Sobre Serviços: o critério de fixação ou não ao solo ou edificação; assim como a necessidade de projeto de engenharia.

O presente trabalho de monografia permitiu que o tema proposto ficasse bem melhor esclarecido, e constitui valoroso instrumento para todos que pretendam estudar casos semelhantes que envolvam o enquadramento de atividades na lista de serviços contida na Lei Complementar 16/2003.

ABREVEATURAS UTILIZADAS

AC – Acórdão

Art. - Artigo

Confea – Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura

CTN – Código Tributário Nacional

DJU- Diário de Justiça da União

ICM-Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias

ICMS–Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços

IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados

ISSQN– Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza

ISS – Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza

Min. Rel. – Ministro Relator

NUM - Número

RE – Recurso Extraordinário

REsp – Recurso Especial

7

SUMÁRIO

1-Introdução Teórico Metodológica

9

 

1.1

- Considerações iniciais

9

 

1.1.1

Tema Problema

10

 

1.2. Objetivo do Trabalho

10

1.3. Justificativa - A escolha do tema-problema

11

1.4.1 Marco Teórico

12

1.4.2 Procedimento Metodológico

13

1.4.3 Análise dos dados coletados

13

1.4.4 Estrutura do Trabalho

14

2.

Aspectos da Interpretação e Integração da Legislação Tributária

15

2.1

Métodos de Interpretação da Lei

15

2.2- Princípios Constitucionais e seus reflexos na Legislação

 

17

 

2.3

Interpretação e Integração da Legislação Tributária diante do CTN

18

3. Definição de Obra de Construção Civil, Hidráulica, Elétrica e Semelhantes

22

3.1 Breve Relato Histórico da Inserção dos Serviços de Execução de Obras

e Instalação e Montagem de Equipamentos nas Listas de Serviços

Tributáveis pelo ISS

22

3.2

Definições de Obras de Construção Civil, Hidráulica, Elétrica e

Semelhantes segundo a Doutrina

30

3.3

Definições de Obras de Construção Civil, Hidráulica, Elétrica e

Semelhante segundo o Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura

 
 

(Confea)

33

4. Enquadramento dos Serviços de Instalação e Montagem de Equipamentos

na Lista de

 

39

 

4.1.

Enquadramento dos Serviços de Instalação e Montagem de

Equipamentos Segundo a Doutrina

40

4.2- OS Serviços de Instalação e Montagem de Equipamentos em Alguns Dispositivos Legais Infraconstitucionais

43

5.

As Decisões dos Tribunais Pátrios

48

8

5.2

A Decisões do Superior Tribunal de Justiça

50

5.3.

Decisões do Tribunal de Justiça de do Estado de Minas Gerais

54

5.4

Decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

58

5.5.

Decisões do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul

60

5. Estudo de Caso

62

6. Conclusão

64

7.Referências Bibliográficas

70

ANEXO I

73

ANEXO II

86

9

1-Introdução Teórico Metodológica

1.1 - Considerações iniciais

A lista dos serviços tributáveis pelo ISSQN foi se aprimorando ao longo

do tempo, e a lista hoje vigente, ou seja, aquela editada com a Lei Complementar 116/2003, traz os serviços especificados de forma mais clara. Todavia, muitas

dúvidas ainda pairam quanto ao enquadramento de determinados serviços, dentre eles, os de instalação e montagem de equipamentos, que podem ser inseridos nos subitens 7.02 ou 14.06, gerando efeitos tributários diferentes:

7.02 Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador de serviços fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS).

14.06 Instalação e montagem de aparelhos, máquinas e equipamentos, inclusive montagem industrial, prestados ao usuário final, exclusivamente com material por ele fornecido.

A escolha do tema partiu do interesse da Autora, como operadora do

direito tributário, representante da Fazenda Pública como Auditora Técnica de Tributos Municipais, influenciada pela pré-compreensão do tema, numa tentativa de correlacionar a prática vivenciada ao debate teórico.

Através dos instrumentos metodológicos sintonizados com a reflexão, construiu-se esta pesquisa, partindo da compreensão de um problema encontrado na aplicação do Direito Tributário, interpretando e sugerindo a ele uma solução passível de ser colocada em prática sem qualquer alteração das normas jurídicas.

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1.1.1 Tema Problema

Pretendeu-se investigar o enquadramento dos serviços de instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos, aparelhos e máquinas na Lista de Serviços contida na Lei Complementar 116/2003.

1.2. Objetivo do Trabalho

O presente trabalho teve por escopo geral compreender os aspectos que determinam o enquadramento dos serviços de instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos, aparelhos e máquinas na Lista de Serviços contida na Lei Complementar 116/2003, através da análise crítica das normas positivas vigentes no Direito Tributário, da doutrina vigente e das decisões do judiciário.

Para operacionalizar a tarefa foi necessário atingir objetivos específicos, dentre eles: a) analisar o posicionamento dos serviços de instalação e montagem na evolução das Listas de Serviços editadas; b) identificar o tratamento dado pela doutrina pátria ao tema; c) identificar o tratamento dado pelo Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura ao tema c) pesquisar e comparar algumas regulamentações brasileiras acerca do enquadramento em questão; d) pesquisar na jurisprudência pátria critérios utilizados para caracterização das atividades estudadas, f) identificar e propor soluções para e enquadramento no alcance do escopo.

11

1.3. Justificativa - A escolha do tema-problema

O contribuinte quando presta serviços de instalação e montagem de equipamentos, na tentativa de recolher o ISSQN a eles pertinente, busca o enquadramento desses serviços na lista dos serviços tributáveis pelo ISSQN contida na Lei Complementar 116/2003. Entretanto, encontra tais serviços insertos em dois subitens, ou seja, no 7.02 e no 14.06, anteriormente transcritos.

O enquadramento em um ou outro subitem, de acordo com o art. 3º da referida Lei Complementar, gera efeitos tributários distintos, principalmente quanto ao local de incidência do ISSQN. Se o enquadramento se der no subitem tem 7.02, o imposto será devido ao Município onde foi prestado o serviço; se o enquadramento se der no subitem 14.06, o imposto será devido no município onde se localizar o estabelecimento prestador dos serviços.

Diante dessa situação de incerteza, o presente estudo se justifica na medida em que é necessário proporcionar ao cidadão, a segurança jurídica e a certeza de que da aplicação da lei vigente, não derivarão outras conseqüências além daquelas nela prevista.

Justifica-se, ainda, esta pesquisa, da necessidade de se captar a correta interpretação a ser adotado pelos Auditores Fiscais de Tributos Municipais, como operadores do direito, no papel de autoridade administrativa incumbida de lançar tributos.

12

1.4.1 Marco Teórico

O enquadramento de uma situação fática ao comando legal a ela correspondente exige antes, a interpretação dessa lei, identificando seu sentido e alcance.

Vários métodos de interpretação da lei são disponíveis, sendo os

principais:

a) Gramatical: analisa o conteúdo gramatical da lei;

b) Histórico: analisa a evolução da norma com o decorrer do tempo;

c) Sistemático ou lógico: busca uma avaliação da posição da norma em

uma conjuntura legal sistemática;

d) Teleológico: busca a finalidade pela qual a lei foi elaborada.

O tributarista Luciano Amaro, no esforço de estudar o assunto, ressaltou que diante de uma situação específica, é necessário considerar todos os métodos de interpretação.

O marco teórico no qual a pesquisa se fundamenta é a assertiva feita por Amaro (2008, p.208-209):

Assim sendo, o intérprete deve partir do exame do texto legal, perquirindo o sentido das palavras utilizadas pelo legislador (na chamada interpretação literal ou gramatical); cumpre-lhe, todavia, buscar uma inteligência do texto que não descambe para o absurdo, ou seja, deve preocupar-se com dar à norma um sentido lógico (interpretação lógica), que a harmonize com o sistema normativo em que ela se insere (interpretação sistemática), socorrendo-se da análise das circunstâncias históricas que cercaram a edição da lei (interpretação histórica), sem descurar das finalidades que a lei visa (interpretação finalística ou teleológica).

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1.4.2 Procedimento Metodológico

A pesquisa se valeu de conhecimentos de diferentes campos, pelo estudo de teorias doutrinárias do Direito Civil e do Direito Tributário, promovendo- se, entretanto, uma articulação desses conteúdos para se chegar a uma conclusão sólida sobre o objeto da pesquisa. Trata-se, portanto, de um trabalho interdisciplinar.

Por se basear na interpretação e aplicação de uma norma jurídica que está inserida no art.1º da Lei Complementar 116/2003, pode-se afirmar também que o presente trabalho pertence à vertente jurídico-teórica, seguindo o tipo de investigação jurídico-descritivo.

Do ponto de vista das técnicas de análise de conteúdo, tem-se uma pesquisa teórica, uma vez que o procedimento adotado para abordar o tema- problema é a análise de conteúdo de textos doutrinários, pareceres, normas e resoluções, embora se pretenda fazer uma pequena pesquisa de campo para se conhecer melhor a natureza dos serviços de instalação e montagem.

Fez-se também um estudo de decisões jurisprudenciais, analisando as posições dos Tribunais de Justiça de alguns estados, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal.

1.4.3 Análise dos dados coletados

Quanto à natureza dos dados, a pesquisa apresenta como dados primários as leis, resoluções e demais normas, bem como as jurisprudências dos Tribunais de Justiça de alguns estados, do Superior Tribunal de Justiça e do

14

Supremo Tribunal Federal relacionadas ao tema estudado, dados coletados para compreensão da execução material dos serviços em questão; e como dados secundários, as doutrinas contidas no Direito Tributário sobre interpretação da lei, enquadramento de serviços nas listas editadas, além daquelas específicas que abordam no Direito Civil, a definição de construção civil e obras de engenharia.

A Técnica utilizada foi de análise de conteúdo das fontes pesquisadas, indispensáveis à síntese teórico-conceitual na pesquisa objetiva da realidade.

1.4.4 Estrutura do Trabalho

No capítulo 1, tem-se uma introdução, oferecendo ao leitor uma visão geral do trabalho realizado.

No capítulo 2, procurou-se resumir os principais aspectos da doutrina no que diz respeito à interpretação e integração a legislação tributária.

No capítulo 3, foi abordada a definição de obra de construção civil, hidráulica, elétricas e semelhantes, para isso, buscando-se fundamentos na doutrina e na legislação.

No capítulo 4, estudou-se o enquadramento dos serviços de instalação e montagem de máquinas e equipamentos, procurando-se na doutrina e em alguns dispositivos legais infraconstitucionais, aspectos que poderiam determinar a tributação desses serviços no subitem 7.02 ou 14.06 da lista de Serviços contida na Lei Complementar 116/2003.

No capítulo 5, foram apresentadas e analisadas algumas decisões jurisprudenciais na tentativa de se encontrar um entendimento pacificador a respeito do tema.

Finalmente,

no

capítulo

6,

propostas para novos estudos.

têm-se

as

conclusões

do

trabalho

e

15

2. Aspectos da Interpretação e Integração da Legislação Tributária

2.1 Métodos de Interpretação da Lei

Apesar das limitações das competências tributárias estarem bem definidas no ordenamento jurídico, ocorrem na prática, diversas formas de interpretação que têm seus efeitos quando da aplicação da Legislação Tributária. A interpretação é necessária para que se possa aplicar a Lei às situações concretas que nela se subsumam, conforme ensina o mestre Luciano Amaro (AMARO, 2008, P.205:208):

Interpretar a norma jurídica consiste em identificar o seu sentido e

alcance a interpretação (ou exegese) é necessária para que se possa aplicar alei às situações concretas que nela se subsumam. A aplicação

da lei

seu significado e seu alcance. ( )

O processo de descoberta da vontade da lei diante de certo caso

freqüentemente demanda um trabalho muito mais amplo do que a mera

pesquisa no sentido do preceito legal, com base em algumas considerações de ordem léxica, lógica, sistemática, histórica e teleológica. O trabalho do intérprete (seja ele o administrador, o fiscal, o juiz, o doutrinador, o indivíduo) deve ir além e procurar quando necessário, preencher a lacuna da norma legal, ou corrigir eventuais excessos que poderiam ser provocados pela aplicação rigorosa do preceito legal. Integração é o processo pelo qual, diante da omissão ou lacuna da Lei,

se busca preencher o vácuo. A distinção entre interpretação e integração

supõe que a lei seja interpretada, vale dizer, que se identifica o

está em que na primeira se procura identificar o que determinado preceito legal quer dizer, o que se supõe, é claro, a existência de uma norma de

lei cujo sentido e alcance se possa desenvolver o trabalho do intérprete.

“Na segunda, após se esgotar o trabalho de interpretação sem que se descubra o preceito no qual determinado caso deva subsumir-se, utilizam-se os processos de integração, a fim de dar solução à espécie”.

Assim sendo, o interprete deve examinar:

- o sentido das palavras (interpretação literal);

16

- o sentido lógico (interpretação lógica); - evitar o absurdo;

- a harmonia com o sistema jurídico (interpretação sistemática)

- a circunstância histórica (interpretação histórica)

- e finalmente observar a finalidade da lei (interpretação finalística ou

teleológica).

Conforme ensina Hugo Brito Machado, (MACHADO, 2007) na Teoria da Interpretação diversos métodos podem ser utilizados, sendo os mais relevantes e divulgados os seguintes:

a) Gramatical ou literal - limita-se ao texto legal; acaba não

satisfazendo plenamente devido aos diversos significados que uma palavra ou uma expressão podem ter, sendo, por isso, um método deficiente e precário.

b) Histórico- procura interpretar a regra, analisando as razões

que motivaram a edição da lei, verificando o contexto social, político, e cultural.

c) Sistemático- intenta observar o sentido da lei perante o

sistema jurídico no qual está inserida.

d) Teleológico- tenta-se compreender a finalidade da lei, o

escopo da norma.

Independente da sistemática empregada na interpretação e aplicação da Legislação Tributária alguns princípios devem estar presentes (CARVALHO,

2003).

legalidade;

anterioridade; indelegabilidade da competência tributaria; não cumulatividade; territorialidade e irretroatividade.

Princípios

Gerais

-

de

Direito

Tributário

-

estrita

17

- Princípios Gerais de Direito Público -, da igualdade; da legalidade; irretroatividade das leis; ampla defesa e do devido processo legal; da supremacia do interesse público sobre o particular.

- Princípio da Equidade - não podendo ocasionar a dispensa do tributo, conf. art. 108, § 2º, está ligada ao senso de justiça (ideal de justiça, não só na interpretação, mas também na integração). A equidade confere um poder discricionário ao juiz. A equidade é um ato só do judiciário, que revela o direito latente, naquele caso concreto.

- Princípios gerais do Direito Privado - a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos de direito privado não podem ser alterados.

2.2- Princípios Constitucionais e seus reflexos na Legislação Complementar.

A Interpretação e Aplicação da Legislação Tributária têm como paradigma basilar as limitações do poder de tributar estabelecidos na Constituição Federal. No texto constitucional encontramos o Princípio da Legalidade Tributária, disposto no artigo 150, inciso I.

Existe também o Princípio da Tipicidade Tributária, que implica em uma definição taxativa, completa, necessária e suficiente para a quantificação do tributo. Neste caso veda-se a interpretação extensiva e a analogia. Dispõe o artigo 97 da Lei Complementar 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominado Código Tributário Nacional (CTN) (BRASIL, 1966):

Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:

I - a instituição de tributos, ou a sua extinção;

II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;

III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito

passivo;

IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado

o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;

18

V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a

seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.

§ 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de

cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso.

§

2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso

II

deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de

cálculo.

2.3 Interpretação e Integração da Legislação Tributária diante do CTN

Dispõe o CTN:

Art.107

A legislação tributária será interpretada conforme disposto neste Capítulo

Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem

indicada:

I - a analogia;

II - os princípios gerais de direito tributário;

III - os princípios gerais de direito público;

IV - a eqüidade.

§ 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo

não previsto em lei.

§ 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido.

O aplicador do direito deverá se utilizar, segundo o art. 108 do CTN, os seguintes instrumentos:

a) A analogia- é o meio pelo qual o aplicador da Lei, diante de lacuna

desta, busca solução para casos semelhantes (MACHADO, 2007)

b) Os princípios gerais do Direito Tributário

c) Os princípios gerais do Direito Público

d) A eqüidade- é a justiça no caso concreto. Por ela corrige-se a insuficiência decorrente da generalidade da norma. A falta de uma norma específica para cada caso é que enseja a interação por equidade (MACHADO,

19

2007). Assim, ao aplicar a equidade o legislador busca a solução a partir da norma genérica, e não, de uma norma específica, como no caso da analogia.

Conforme disposto no art. 108, parágrafo 1.º, do CTN, a analogia não pode resultar na exigência de tributo não previsto em lei; e no parágrafo 2.º dispõe que o emprego da equidade não poderá resultar na dispensa de tributo devido.

Prosseguindo o estudo sobre formas de Interpretação e Integração da Legislação Tributária, apresentam-se a seguir dois importantes dispositivos do CTN.

Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários.

Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.

“O art. 109 muniu o legislador de meios para enfrentar o abuso das formas de Direito Privado não significando, conclusivamente, permissão para a interpretação econômica dos fatos geradores pelos intérpretes (juristas, funcionários do Executivo, e juízes). De se notar que a legislação fiscal não deforma o conteúdo e o alcance dos institutos conceitos e formas de Direito Privado, podendo apenas atribuir-lhes efeitos fiscais. A regra endereça-se ao legislador, nunca aos intérpretes oficiais da lei fiscal (Executivo e Judiciário).” (COELHO, 2006)

O artigo 110 proíbe o legislador de alterar os institutos, conceitos e formas do Direito Privado para estabelecer os limites da competência tributária (COELHO, 2006).

O art. 111 do CTN expressamente determina os casos em que somente caberá a interpretação literal da lei: suspensão, exclusão, outorga de isenção (que também é caso de exclusão do crédito) e, ainda, dispensa do cumprimento de obrigações acessórias.

20

Art. 111 - Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha

sobre:

I - suspensão ou exclusão do crédito tributário;

II - outorga de isenção;

III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias.

Para Sacha Calmon Navarro Coelho (COELHO 2006) interpretação literal não é interpretação mesquinha ou meramente gramatical, mas, sim, interpretação estrita sem utilização de interpretação extensiva. As exceções devem ser compreendidas com extrema rigidez.

O elemento literal é absolutamente insuficiente, visto que a regra do art.

111 há de ser entendida, conforme ensina Hugo de Brito Machado (MACHADO, 2007), no sentido de que as normas reguladoras das matérias ali mencionadas

não comportam interpretação ampliativa nem integração por eqüidade. Sendo possível mais de uma interpretação, razoáveis e ajustadas aos elementos sistemático e teleológico, deve prevalecer aquela que mais se aproximar do elemento literal.

O art. 112 nos remete à interpretação benigna da Lei, favorecendo ao

contribuinte nos casos nele descritos, desde que existam dúvidas quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou à materialidade do fato, à autoria, à imputabilidade, à punibilidade ou, ainda, quanto à natureza da penalidade aplicável ou à sua graduação. Dispõe o artigo 112 do CTN:

Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida

quanto:

I - à capitulação legal do fato;

II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;

III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade;

IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.

Para Sacha Calmon Navarro Coelho (COELHO, 2006) este artigo possui uma redação de inspiração jus penalista porquanto consagra o in dúbio pro contribuinte (interpretação benigna) na aplicação das matérias atinentes às infrações e penalidades. O renomado jurista defende a tese de que este artigo não é antinômico com o Art. 136, que trata da objetividade do ilícito tributário. No

21

Art.136 cuida-se da capitulação do ilícito, e no Art.112 da interpretação no julgamento pelos órgãos administrativos e judiciais, onde fica patente a necessidade da pesquisa do elemento subjetivo.

Rapidamente, os principais aspectos da interpretação e aplicação da legislação tributária foram abordados. Acredita-se que eles são suficientes para o entendimento do presente trabalho.

A base teórica aqui referenciada serviu de subsídio para a análise das decisões que fazem parte da amostra coletada na nossa pesquisa.

Importante finalmente observar, que ao pontuar os conceitos relativos à interpretação e aplicação da Lei jamais se pretende esgotar a temática teórica relativa ao objeto dessa pesquisa. Acredita-se que a bibliografia referenciada é o melhor caminho para aqueles que pretendem um maior aprofundamento sobre os aspectos da interpretação e aplicação da legislação tributária.

22

3. Definição de Obra de Construção Civil, Hidráulica, Elétrica e Semelhantes

Para se determinar a tributação pelo ISS dos serviços de execução de

obras de construção civil, hidráulica, elétrica e semelhantes e instalação e

montagem de produtos, peças, faz-se necessário se interpretar os itens e subitens

da Lista de Serviços hoje vigente correspondentes a tais atividades.

Para essa tarefa, inicialmente, cabe buscar a definição de obra de

construção Civil, hidráulica, elétrica e semelhantes, termos esses constantes na

redação do subitem 7.02 da Lista de Serviços da Lei Complementar 116/2003.

3.1 Breve Relato Histórico da Inserção dos Serviços de Execução de Obras e Instalação e Montagem de Equipamentos nas Listas de Serviços Tributáveis pelo ISS

A análise histórica dos critérios de uso da linguagem empregada pelo

legislador na listagem dos serviços passíveis de serem tributados é ponto de

partida importante para interpretação dos itens e subitens da Lista de Serviços.

(BARRETO, 2005, P.117:118)

Prossegue o autor, trazendo importante lição de Luiz Alberto Varat:

Indagar sobre o uso lingüístico ou modo de significar é realizar uma análise das alterações significativas que as palavras sofrem no processo de comunicação. Os significados socialmente padronizados possuem sentidos incompletos: são expressões em aberto, que apenas se tornam relativamente plenas em um contexto determinado. Assim, é impossível analisar o significado de um termo sem considerar o contexto no qual se insere, ou seja, seu significado contextual.

Dessa maneira, importante estudar os critérios de uso de linguagem

utilizados pelo legislador no contexto da evolução histórica das listas de serviços,

analisando-se o modo como nelas inseridas as atividades objeto deste estudo.

23

O ISS foi criado pela Emenda Constitucional nº 18, de 1965, que dispôs no parágrafo único de seu art.15, que Lei Complementar estabeleceria critérios para distinguir as atividades que ensejariam tal imposto.

Essas atividades foram elencadas pela primeira vez com a edição da Lei 5172/1966 (Código Tributário Nacional), mais precisamente no § 1º de seu

art.71:

Art.71. O imposto, de competência dos Municípios, sobre serviços de qualquer natureza tem como fato gerador a prestação, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo, de serviço que não configure, por si só, fato gerador de imposto de competência da União ou dos Estados.

§ 1º. Para os efeitos deste artigo, considera-se serviço:

I – o fornecimento de trabalho, com ou sem utilização de máquinas, ferramentas ou veículos, a usuários ou consumidores finais;

II – a locação de bens móveis;

III – a locação de espaço em bens imóveis, a título de hospedagem ou

para guarda de bens de qualquer natureza.

§ 2º. As atividades a que se refere o parágrafo anterior, quando

acompanhadas do fornecimento de mercadorias, serão consideradas de caráter misto para efeito de aplicação do disposto no § 3º do art.53, salvo se a prestação do serviço constituir o seu objeto essencial e contribuir com mais de 75%.

Ainda em 1966, o Ato Complementar nº 27, alterou o parágrafo único do artigo 71 do CTN, limitando-se, porém, a acrescentar mais uma atividade considerada serviço para fins de incidências do ISS: jogos e diversões públicas.

O Ato Complementar nº 34, promulgado em 30/01/1967, ampliou o campo de incidência do ISS, passando o parágrafo único do artigo 71 do CTN a vigorar com a seguinte redação:

§ 1º. Para os efeitos deste artigo, considera-se serviço:

I – locação de bens móveis;

II - locação de espaço de bens imóveis, a título de hospedagem ou para guarda de bens de qualquer natureza;

III – jogos e diversões públicas;

IV – beneficiamento, confecção, lavagem, tingimento, galvanoplastia, reparo, conserto, restauração, acondicionamento, recondicionamento e operações similares, quando relacionadas com mercadorias não destinadas à produção industrial ou comercialização;

24

V – execução, por administração ou empreitada, de obras hidráulicas ou de construção civil, excluídas as contratadas com a União, Estados, Distrito Federal e Municípios, autarquias e empresas concessionárias de serviços públicos;

VI

– demais formas de fornecimento de trabalho, com ou sem utilização

de

máquinas, ferramentas ou veículos.

Nota-se no inciso V acima, a atividade de execução de obras hidráulicas e de construção civil aparece pela primeira vez explicitada como fato gerador de ISS.

Logo em seguida, com o advento do ato Complementar nº 35, de 28 de fevereiro de 1967, esse inciso V passa a vigorar com a seguinte redação:

V – execução, por administração, ou empreitada, assim como as

respectivas subempreitadas, de obras hidráulicas ou de construção civil,

excluídas as contratadas com a União, Estados, Distrito Federal e

Municípios, autarquias e empresas concessionárias de serviços públicos.

`

Com a promulgação da Constituição do Brasil de 1967, em 24 de janeiro daquele ano, lei complementar passaria não mais a estabelecer critérios para distinguir as atividades que ensejariam tal imposto, conforme determinava a Emenda Constitucional nº 18/1965, mas sim a definir os serviços de qualquer natureza alcançados pelo ISS.

A definição, então, desses serviços alcançados pelo ISS, veio com a edição do Decreto-lei 406/1968, esse com força de lei complementar, onde se dispôs que a hipótese de incidência do referido tributo era a prestação, por empresa ou profissional autônomo, de serviço constante da lista anexa ao decreto-lei em questão.

Eis, então, a primeira relação de serviços tributáveis pelo ISS com o nome de “Lista de Serviços”.

Os serviços afetos à execução de obras de estavam presentes no item VI dessa lista, e que abaixo é transcrito com a retificação do Decreto-lei 406/1968 publicada em 04 de fevereiro de 1969:

VI- serviços, por administração, empreitada ou subempreitada, de construção civil, terraplenagem, demolição, conservação e reparação de

25

edifícios, e estradas, pontes e outras obras de engenharia, inclusive obras hidráulicas, serviços auxiliares e congêneres.

Ressalte-se que a expressão “outras obras de engenharia” foi incluída num mesmo item juntamente com as obras de construção civil, indicando que o legislador pretendia que todas as obras de qualquer ramo da engenharia estivesse abarcadas pelo item VI acima.

Por outro lado, a atividade de instalação e montagem de equipamentos

e máquinas não estava explicitada nessa lista.

Dirimindo incertezas quanto a determinadas atividades que não

encontravam enquadramento perfeito no rol de serviços contido Decreto-lei 406/68, nova lista de serviços, dessa vez mais ampla, contando com 66 (sessenta

e seis) itens, foi editada pelo Decreto-lei 834, de 08 de setembro de 1969.

Nessa nova lista, tinha-se nos itens 19 e 20:

19 - execução, por administração, empreitada, ou subempreitada, de construção civil, de obras hidráulicas e de outras obras semelhantes, inclusive serviços auxiliares ou complementares (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador do serviço, fora do local da prestação dos serviços, que ficam sujeitos ao ICM);

20 – demolição, conservação e reparação de edifícios (inclusive elevadores nele instalados), estradas, pontes e congêneres (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador dos serviços, fora do local da prestação dos serviços, que ficam sujeitas ao ICM).

Ressalte-se que a execução de obras volta nessa lista, a serem descritos com maior semelhança com a antiga descrição desses serviços contida no inciso V do parágrafo primeiro do artigo 71 do CTN, alterado pelo Ato Complementar nº 35/1967. A diferença aqui é que foi incluída a expressão “outras obras semelhantes, inclusive serviços auxiliares ou complementares”.

Já os serviços de instalação e montagem de aparelhos, máquinas e equipamentos foram pela primeira vez explicitados na Lista de Serviços editada pelo Decreto-lei 834/1969, como se vê na descrição do item 48:

48 – Instalação e montagem de aparelhos, máquinas e equipamentos prestados ao usuário final do serviço, exclusivamente com material por ele fornecido (excetua-se a prestação do serviço ao poder público, a autarquias, a empresas concessionárias de produção de energia elétrica)

26

Verificam-se três importantes detalhes na redação desse item:

- o serviço deveria ser prestado a usuário final;

- o aparelho, máquina ou equipamento deveria ser fornecido pelo tomador do serviço;

- não havia incidência do ISSN quando tais serviços eram prestados a empresas concessionárias de produção de energia elétrica.

A Lei Federal nº 7192, de 05/06/1984, limitou-se apenas a inserir na Lista de Serviços, o item “67- Profissionais de Relações Públicas”

Em 15 de dezembro de 1987, nova lista de serviços é editada através da Lei Complementar nº 56, aumentando o número de itens para 100 (cem).

Nos itens 32, 33 e 34 dessa lista, tem-se:

32. Execução por administração, empreitada ou subempreitada, de construção civil, de obras hidráulicas e outras obras semelhantes e respectiva engenharia consultiva, inclusive serviços auxiliares ou complementares (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador de serviços, fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICM);

33. Demolição;

34. Reparação, conservação e reforma de edifícios, estradas, pontes, portos e congêneres (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador dos serviços fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICM);

Verifica-se em relação à Lista de Serviços anterior, a do Decreto-lei 834/69 com alteração da Lei 7192/1984, que na descrição da atividade de execução de construção civil, obras de construção civil e outras semelhantes, foi acrescentado o serviço de engenharia consultiva relativa à execução dessas obras.

Já a atividade de instalação e montagem apareceu desdobrada em dois itens, não havendo mais a regra de não incidência do imposto quando os serviços fossem prestados a empresas concessionárias de produção de energia elétrica:

27

74. Instalação e montagem de aparelhos, máquinas e equipamentos, prestados ao usuário final do serviço, exclusivamente com material por ele fornecido;

industrial,

exclusivamente com material por ele fornecido.

75.

Montagem

prestado

ao

usuário

final

do

serviço,

A Lei Complementar 100/1999 alterou novamente a Lista de Serviços

contida no Decreto-lei 406/68, mas restringiu-se somente a acrescentar o item

101:

101- exploração de rodovia mediante cobrança de preço dos usuários, envolvendo execução de serviços de conservação, manutenção, melhoramentos para adequação de capacidade e segurança de trânsito, operação, monitoração, assistência aos usuários e outros definidos em contratos, atos de concessão ou de permissão ou em normas oficiais.

Por fim, em 31 de julho de 2003, a Lei Complementar 116, trouxe a Lista de Serviços hoje vigente, inovando na disposição dos serviços tributáveis pelo ISS, ou seja, em itens e subitens.

O renomado tributarista Aires F. Barreto assevera que:

Tributáveis são os serviços descritos nos subitens e não os gêneros que referidos nos grupos que os aglutinam, porque esse entendimento decorre da estruturação da própria lista. Com efeito, se assim não fosse, despiciendos seriam todos eles; bastaria listar os vários grupos sem necessidade de referir-se aos respectivos subitens. (BARRETO,

2005, p.119).

A atividade de execução de obras atualmente está inserida no subitem

7.02 da Lista de Serviços, por sua vez constante do item 7 , que abaixo está

elencado com todas as suas atividades:

7 – Serviços relativos a engenharia, arquitetura, geologia, urbanismo, construção civil, manutenção, limpeza, meio ambiente, saneamento e congêneres.

7.01 – Engenharia, agronomia, agrimensura, arquitetura, geologia, urbanismo, paisagismo e congêneres.

7.02 – Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador de serviços fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS).

7.03 – Elaboração de planos diretores, estudos de viabilidade, estudos organizacionais e outros, relacionados com obras e serviços de

28

engenharia; elaboração de anteprojetos, projetos básicos e projetos executivos para trabalhos de engenharia.

7.04 – Demolição.

7.05 – Reparação, conservação e reforma de edifícios, estradas,

pontes, portos e congêneres (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador dos serviços, fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS).

7.06 – Colocação e instalação de tapetes, carpetes, assoalhos,

cortinas, revestimentos de parede, vidros, divisórias, placas de gesso e congêneres, com material fornecido pelo tomador do serviço.

7.07 – Recuperação, raspagem, polimento e lustração de pisos e

congêneres.

7.08 – Calafetação.

7.09 – Varrição, coleta, remoção, incineração, tratamento, reciclagem, separação e destinação final de lixo, rejeitos e outros resíduos quaisquer.

7.10 – Limpeza, manutenção e conservação de vias e logradouros

públicos, imóveis, chaminés, piscinas, parques, jardins e congêneres.

7.11 – Decoração e jardinagem, inclusive corte e poda de árvores.

7.12 – Controle e tratamento de efluentes de qualquer natureza e de

agentes físicos, químicos e biológicos.

7.13 –

Dedetização,

desinfecção,

desinsetização,

imunização,

higienização, desratização, pulverização e congêneres.

7.14 – (VETADO)

7.15 – (VETADO)

7.16 – Florestamento, reflorestamento, semeadura, adubação e

congêneres.

7.17 – Escoramento, contenção de encostas e serviços congêneres.

7.18 – Limpeza e dragagem de rios, portos, canais, baías, lagos,

lagoas, represas, açudes e congêneres.

7.19 – Acompanhamento e fiscalização da execução de obras de

engenharia, arquitetura e urbanismo.

cartografia,

mapeamento, levantamentos topográficos, batimétricos, geográficos, geodésicos, geológicos, geofísicos e congêneres.

7.21 – Pesquisa, perfuração, cimentação, mergulho, perfilagem,

concretação, testemunhagem, pescaria, estimulação e outros serviços relacionados com a exploração e explotação de petróleo, gás natural e de outros recursos minerais.

7.20 –

Aerofotogrametria

(inclusive

interpretação),

7.22 – Nucleação e bombardeamento de nuvens e congêneres.

29

Cabe ressaltar que em relação ao antigo item 32 da Lista de Serviços da Lei Complementar 56/1987, o serviço de engenharia consultiva passou a constar do item 7.03 da nova lista.

A instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos passaram a figurar juntamente com a execução de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes no subitem 7.02 dessa nova lista.

José Eduardo Soares de Melo comentou que o item 7.02 passou a ser mais abrangente, inserindo a obra “elétrica”, e especificando o termo “obras semelhantes”, ou seja, “sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem, e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos”. (MELO, 2003, P.68)

Portanto, pode-se verificar que o legislador considerou a atividade de instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos como obra semelhante a obras de construção civil, hidráulica ou elétrica.

Observa-se, entretanto, que a atividade de instalação e montagem de equipamentos está, também, elencada no subitem, 14.06, mas com a ressalva expressa de que os serviços devem ser prestados ao usuário final, exclusivamente com material por ele fornecido. Vejamos:

14 – Serviços relativos a bens de terceiros.

14.01 – Lubrificação, limpeza, lustração, revisão, carga e recarga, conserto, restauração, blindagem, manutenção e conservação de máquinas, veículos, aparelhos, equipamentos, motores, elevadores ou de qualquer objeto (exceto peças e partes empregadas, que ficam sujeitas ao ICMS).

14.02 – Assistência técnica.

14.03 – Recondicionamento de motores (exceto peças e partes empregadas, que ficam sujeitas ao ICMS).

14.04 – Recauchutagem ou regeneração de pneus.

14.05 – Restauração, recondicionamento, acondicionamento, pintura, beneficiamento, lavagem, secagem, tingimento, galvanoplastia, anodização, corte, recorte, polimento, plastificação e congêneres, de objetos quaisquer.

30

14.06 – Instalação e montagem de aparelhos, máquinas e equipamentos, inclusive montagem industrial, prestados ao usuário final, exclusivamente com material por ele fornecido.

14.07 – Colocação de molduras e congêneres.

14.08 – Encadernação, gravação e douração de livros, revistas e

congêneres.

14.09 – Alfaiataria e costura, quando o material for fornecido pelo

usuário final, exceto aviamento.

14.10 – Tinturaria e lavanderia.

14.11 – Tapeçaria e reforma de estofamentos em geral.

14.12 – Funilaria e lanternagem.

14.13 – Carpintaria e serralheria.

3.2 Definições de Obras de Construção Civil, Hidráulica, Elétrica e Semelhantes segundo a Doutrina

È de Bernardo Ribeiro de Morais o mais extenso e profundo estudo

sobre a tributação pelo ISSQN dos serviços de construção civil.

O ilustre tributarista, à época da vigência da Lista de Serviços editada

pelo Decreto-lei 834/69, ao discorrer sobre os serviços de execução de construção

civil, de obras hidráulicas e de outras obras semelhantes, assevera que o os

mesmos correspondem à realização material (obra) de um projeto de construção:

(MORAES, 1978, P.231)

Portanto, podemos dizer que o item examinado grava a realização material (obra) de um projeto de construção. Em outras palavras, o item em apreço grava a construção. Construir (do latim construere) significa ação de “dar estrutura”, “edificar”, de formar uma obra material. Construção (do latim: constructio onis) é o efeito de construir, verbo que tem o significado de acumular, amontoar, dar estrutura, dar forma, erigir ou edificar. Construção vem a ser pois, o conjunto de operações empregadas na execução de um projeto ou realização material da obra. Construção também significa essa obra material.(Grifamos)

Prosseguindo, o Mestre diz que o legislador, não tendo definido, aceitou

o conceito de construção civil aceito pelo consenso doutrinário à época em que foi

feita a lista de serviços. (MORAES, 1978, P.237:238)

31

Em seguida, o citado autor traz a evolução do termo construção civil, dizendo que inicialmente o mesmo era usado para diferenciar as construções militares das não militares, realizadas pelo engenheiro civil. Com o tempo, houve a especialização das obras, e a engenharia civil se desmembrou em vários campos técnicos especializados (civil, naval, elétrico, químico, mecânica, etc.). Entretanto, essa evolução não ocorreu com o termo construção civil: (MORAES, 1978,

P.238:239)

Todavia, o mesmo não ocorreu com a expressão “construção civil”, que permaneceu com o mesmo nome até hoje, embora alcançando sistematicamente maior campo de ação. A construção civil continuou com

sua denominação tradicional e com seu objeto próprio (execução material

da obra), embora tenha recebido novas técnicas.

Portanto, obras de construção civil são as relacionadas com qualquer

ramo

especializado

de

engenharia

(civil,

naval,

elétrica,

eletrônica,

industrial, etc), da arquitetura ou do urbanismo. (Grifo nosso)

O citado autor considera também que o conjunto de obras mencionadas no antigo item 19 da Lista de Serviços refere-se a obras de construção civil em seu sentido genérico, explicando: (MORAES, 1978, P.241:242)

O conceito de construção civil tem duas acepções: a primeira, estrita,

específica, considerada como obra destinada a estruturar edifícios de habitação, trabalho, ensino, ou recreação; a segunda, genérica, de sentido lato, compreendendo todas as obras de engenharia.

Num sentido genérico, a construção civil abrange as obras de construção, reforma ou reparação relacionadas com os seguintes grupos:

primeiro grupo: obras de terra, abrangendo as sondagens, fundações e escavações;

segundo grupo: obras de edificação, onde se incluem as construções de edifícios destinados a habitação, ao trabalho, ao ensino, a recreação ou

ao culto;

terceiro grupo: obras de estradas e de logradouros públicos, atingindo as construções de estradas e de logradouros públicos;

quarto grupo: obras de arte, onde se encontram as construções de pontes, viadutos e outras;

quinto grupo: obras de terraplenagem, aterros, e a pavimentação, abrangendo a terraplenagem, aterros e a pavimentação;

sexto grupo: obras hidráulicas, que se acham relacionadas com a dinâmica das águas ou de outros líquidos, tendo em vista a direção, o emprego ou o seu aproveitamento;

sétimo grupo: obras de instalações, de montagens e de estruturas em geral, abrangendo as obras assentadas ao solo ou fixadas em edificações. (Grifo nosso)

32

Sobre a obra hidráulica, o eminente tributarista assevera que é espécie de obra de construção civil, e definindo o que sejam obras semelhantes, assim se pronunciou (MORAES, 1978, P.243:244):

Obras semelhantes, citadas no item 19, refere-se a obras semelhantes às capituladas no referido item, Isto é, a obras de construção civil e obras hidráulicas. Com tal expressão, o legislador não deixou fora do campo de incidência do imposto municipal nenhuma outra obra de construção civil (sentido genérico). O item em apreço abrange, assim, as demais obras de construção civil, assim resumidas:

a) as obras de terra, assim entendidas as sondagens, as fundações e as escavações. São as obras de exame e preparo do terreno, trabalhos topográficos e geofísicos, fundação (parte integrante da construção destinada a transmitir as cargas ao terreno), refundação (substituição de uma fundação por outra), estaqueamento (fundação de estacas), escavações e desmontes, sondagem de reconhecimento, etc.;

b) as obras de construção de estradas e de logradouros públicos. São as

obras relativas a estradas de ferro (ferrovias), estradas de rodagem (rodovias), abertura de caminhos, arruamentos, loteamentos, praças, etc.;

c) as obras de arte. São construções relativas a pontes, viadutos, túneis, muros de arrimo (construção destinada a manter em equilíbrio o talude do terreno, mirantes, decorações arquitetônicas, etc.);

d) as obras de terraplenagem e de pavimentação. São as obras de aterros, desaterros, pavimentação em geral (de estradas, ruas, praças ou de qualquer outro espaço urbano ou rural), etc.;

e) as obras de instalações e de montagens de unidades industriais e de

estruturas em geral

(Grifo nosso).

Sérgio Pinto Martins comenta todos os subitens da Lista de Serviços da Lei Complementar 116/2003, e especificamente quanto ao 7.02, preleciona sobre construção civil, obra hidráulica e obras semelhantes. (MARTINS, P.179:183,

2006).

Segundo esse autor, “a construção é o efeito de construir um bem material: a obra”, e a construção civil possui um sentido amplo, pois diz respeito a

de

instalações, montagens, de terraplenagem, de edificação, de estradas, de fundações, escavações, sondagens, etc.(MARTINS, 2006, p.181)

qualquer

ramo

da

Engenharia

e

a

qualquer

obra,

inclusive

hidráulica,

Define o tributarista acima mencionado, que a obra hidráulica é uma espécie do gênero construção civil, citando como exemplos as barragens, diques, drenagens, canais, adutoras, reservatórios, perfuração de poços artesianos, etc. A

33

obra elétrica, no entanto, diz respeito àquelas que envolvem fiação, quadros de força, caixas de luz, etc.(MARTINS, 2006, p.182)

Aires F. Barreto considera construção civil como uma ação do homem sobre o solo, a terra e as águas, conforme se depreende por sua explicação abaixo: (BARRETO, 2005, P.255)

A construção civil é, para o direito, uma ação direta do homem sobre o meio natural – o solo, a terra, as águas – com o intuito de criar um bem, quer pela mera adaptação do solo às suas necessidades, quer mediante um prolongamento artificial do próprio solo, objetivando seu melhor aproveitamento. Como exemplos, poderíamos mencionar a alteração dos cursos de água ou a implantação de unidades de distribuição de energia elétrica, a abertura de estradas, a construção de pontes, túneis, prédios, ou a instalação de máquinas de uma indústria ou de equipamentos para fixá-los ao solo, paredes, edifícios, silos, depósitos, torres, etc.

3.3 Definições de Obras de Construção Civil, Hidráulica, Elétrica e Semelhante segundo o Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (Confea)

Os artigos 109 e 110 do CTN fixam normas para a interpretação dos institutos, conceitos e formas constantes da legislação tributária:

Art. 109. “Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários.”

Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias."

Através desses dispositivos, conclui-se que norma tributária poderá se utilizar de um instituto, conceito ou elemento jurídico, próprio do direito privado, e a partir desses, com a mesma conformação do direito privado, a legislação tributária definirá seu campo de incidência.

34

Visto isso, buscando compreender o significado do termo “de obras de construção civil, hidráulica, elétrica e outras obras semelhantes” presentes na descrição do subitem 7.02 da Lista de Serviços anexa á Lei Complementar 116/2003, socorre-se primeiramente ao direito privado.

Conforme afirma José Eduardo Soares de Melo, entretanto: (MELO, 2003, p.68)

A

legislação reguladora das atividades de engenharia é que permite fixar

o

devido conceito, para fins de responsabilidades e obrigações, uma vez

que o direito privado não apresenta elementos precisos e suficientes. O Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (Confea) apresenta a relação das atividades consideradas trabalhos, ou obras de engenharia, arquitetura ou agrimensura, que deve ser utilizada como diretriz para observância dos respectivos efeitos fiscais.

O Confea, através da Resolução 218, de 29 de junho de 1973, enumerou em seu artigo 1º, as atividades comuns a todas as modalidades de engenharia, quais sejam: Supervisão, coordenação e orientação técnica; Estudo, planejamento, projeto e especificação; Estudo de viabilidade técnico-econômica; Assistência, assessoria e consultoria; Direção de obra e serviço técnico; Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Desempenho de cargo e função técnica; Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Elaboração de orçamento; Padronização, mensuração e controle de qualidade; Execução de obra e serviço técnico; Fiscalização de obra e serviço técnico; Produção técnica e especializada; Condução de trabalho técnico; Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Execução de instalação, montagem e reparo; Operação e manutenção de equipamento e instalação; Execução de desenho técnico.

Verifica-se que a execução de obra pode ser realizada por quase todos os tipos de engenheiros, mas a natureza da obra é que determina o tipo de engenheiro competente para sua execução, conforme arrolado nos artigos 2º aos 22 do citado dispositivo.

Por exemplo, ao engenheiro civil ou ao engenheiro de fortificação e construção compete o desempenho de todas as atividades constantes do artigo 1º

35

da Resolução 218/1973 referentes a edificações, estradas, pistas de rolamentos e aeroportos; sistema de transportes, de abastecimento de água e de saneamento; portos, rios, canais, barragens e diques; drenagem e irrigação; pontes e grandes estruturas; seus serviços afins e correlatos.

Já em relação ao engenheiro mecânico, compete também a execução

de obras referentes a processos mecânicos, máquinas em geral; instalações industriais e mecânicas; equipamentos mecânicos e eletro-mecânicos; veículos automotores; sistemas de produção de transmissão e de utilização do calor; sistemas de refrigeração e de ar condicionado; seus serviços afins e correlatos.

É de se concluir, pois, que a citada Resolução nº 218/1973 do

CONFEA, fixa diretrizes para se compreender as atividades de engenharia, dentre elas a da espécie “civil”, mas como não traz o significado do que seja obra, torna- se necessário recorrer a outros dispositivos legais que cuidam da matéria.

Mais recentemente, ou seja, em 22 de agosto de 2005, o CONFEA editou a Resolução nº 1010, com a finalidade de estabelecer normas estruturadas dentro de uma concepção matricial, para a atribuição de títulos profissionais, atividades e competências no âmbito da atuação profissional, para efeito de fiscalização do exercício das profissões inseridas no Sistema Confea/CREA.

Assim como a Resolução nº 218/1973, essa resolução também elencou as atividades cuja competência pode ser atribuída aos profissionais de engenharia, mas dispôs no parágrafo segundo de seu art.2º, que essa atribuição decorrerá da análise pelo CREA do perfil profissional do diplomado, de seu currículo integralizado e do projeto pedagógico do curso regular, em consonância com as respectivas diretrizes curriculares nacionais.

O glossário contido no Anexo I da Resolução nº 1010/2005, traz o

entendimento de vários termos utilizados na referida resolução, dentre eles:

Obra – resultado da execução ou operacionalização de projeto ou planejamento elaborado visando à consecução de determinados objetivos.

Execução – atividade em que o Profissional, por conta própria ou a serviço de terceiros, realiza trabalho técnico ou científico visando à materialização do que é previsto nos projetos de um serviço ou obra.

36

Projeto – representação gráfica ou escrita necessária à materialização de uma obra ou instalação, realizada através de princípios técnicos e científicos, visando à consecução de um objetivo ou meta, adequando-se aos recursos disponíveis e às alternativas que conduzem à viabilidade da decisão.

Segundo a regulamentação do Confea é de se concluir que obra de engenharia resulta sempre da execução de um projeto de engenharia.

No Anexo II da referida resolução, tem-se a sistematização dos campos de atuação profissional e dos níveis de formação profissional para fins de atribuição de títulos profissionais, atividades e competências.

Nesse anexo, há uma tabela em que os campos de atuação são estabelecidos por categoria profissional, que por sua vez está explicitada para cada modalidade de profissional, e essa última, em setores.

Importante transcrever parte da tabela acima citada, no que diz respeito à engenharia civil, o que foi feito, e consta do Anexo I a este trabalho.

É de se ressaltar que a modalidade civil de engenharia está subdividida em vários setores de atuação, a saber: Construção Civil, Sistemas Estruturais, Geotecnia, Transportes, Hidrotecnia, Saneamento Básico, Tecnologia Hidrosanitária, Gestão Sanitária do Ambiente, Recursos Naturais, Recursos Energéticos, Gestão Ambiental.

Dessa maneira, pela primeira vez, o ramo “construção civil” está decomposto em suas várias atividades pela legislação reguladora das atividades de engenharia, auxiliando sobremaneira a interpretação desse termo como hipótese de incidência do ISSQN contida na Lista de Serviços anexa à Lei Complementar 116/2003.

Percebe-se claramente que o setor de construção civil refere-se a atividades ligadas a construções de edificações, rodovias, pistas, pátios, terminais, aeroportos, heliportos, compreendendo também a instalação de equipamentos, dispositivos e componentes hidro-sanitários, de gás, de prevenção e combate a incêndio, e instalações elétricas em baixa tensão para fins

37

residenciais e comerciais de pequeno porte, de tubulações telefônicas e lógicas para fins residenciais e comerciais de pequeno porte.

Já a engenharia civil é muito abrangente, e compreende também outros

setores:

-“Sistemas estruturas em geral;

Estruturais”,

que

engloba

as

atividades

relativas

às

- “Geotecnia”, que engloba as atividades de sondagens, fundações, obras de terra, contenções, túneis, poços, taludes;

- “Transporte”, que engloba as atividades de rodovias, metrovias, aerovias terminais modais, etc;

- “Hidrotecnia”, que engloba as atividades de obras hidráulicas como

barragens, diques, portos, captação de água para uso doméstico e industrial, etc.

Ressalte-se que as obras de sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem, e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos, citadas na redação

do subitem 7.02 da Lista de Serviços da Lei Complementar 116/2003 como exemplos de semelhantes a obras de construção civil, hidráulica e elétrica, estão incluídas na modalidade de engenharia civil. Algumas dessas obras, e, entretanto, conforme tabela do Anexo I a este trabalho, estão situados em setores diferentes

da construção civil.

Cabe esclarecer também, que a instalação e montagem de

equipamentos podem estar inseridas em outros campos, por exemplo, no campo da engenharia elétrica, mais especificamente nos setores Biomédica e Eletrônica

e Comunicação, conforme Anexo II a este trabalho, e na modalidade de

engenharia mecânica, setor Tecnologia Mecânica, de acordo com a parte não

transcrita aqui da tabela constante do Anexo II da citada resolução.

Oportuno também trazer aqui através do Anexo II a este trabalho, a parte da citada tabela constante do Anexo II da Resolução nº1010/2005 que explicita as atividades concernentes à engenharia elétrica.

38

Verifica-se que a engenharia elétrica diz respeito a vários setores, estando presentes atividades como instalação de equipamentos, controle e automação, etc.

Segundo o conteúdo aqui exposto da Resolução nº1010/2005 do Confea, pode-se chegar às seguintes definições:

Obra de construção civil:

Resultado material da execução ou operacionalização de projeto de engenharia visando obter: edificações; rodovias; pistas; pátios; terminais; aeroportos; heliportos; instalação de equipamentos, de dispositivos e componentes hidro-sanitários, de gás, de prevenção e combate a incêndio; e instalações elétricas em baixa tensão para fins residenciais e comerciais de pequeno porte, de tubulações telefônicas e lógicas para fins residenciais e comerciais de pequeno porte.

Obra hidráulica:

Resultado material da execução ou operacionalização de projeto de engenharia visando obter: captação de água para abastecimento doméstico e industrial, adução de água para abastecimento doméstico e industrial, barragens, diques, sistemas de drenagem e irrigação, vias navegáveis, portos, canais, sistemas para aproveitamento de recursos hídricos, obras hidráulicas fluviais e marítimas.

Obra elétrica:

Resultado material da execução ou operacionalização de projeto de engenharia visando obter: instalações de equipamentos elétricos, eletrônicos, eletromecânicos; sistemas de controle e automação; sistemas de controle automático de equipamentos; instalações de equipamentos de engenharia da computação; sistemas de comunicação e telecomunicações.

Quanto às obras semelhantes às obras de construção civil, hidráulica e elétrica, não há definição prevista pelo Confea.

39

4. Enquadramento dos Serviços de Instalação e Montagem de Equipamentos na Lista de serviços.

Conforme anteriormente já dito, os serviços de instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos podem ser inseridos nos subitens 7.02 ou 14.06 da Lista de Serviços contida na Lei Complementar 116/2003, gerando efeitos tributários diferentes:

7.02 Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador de serviços fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS).

14.06 Instalação e montagem de aparelhos, máquinas e equipamentos, inclusive montagem industrial, prestados ao usuário final, exclusivamente com material por ele fornecido.

Verifica-se de antemão, que para ser enquadrado como instalação e montagem de aparelhos, máquinas e equipamentos do subitem 14.06, dois requisitos são necessários:

- o serviço deve ser prestado a usuário final;

- o material deve ser fornecido pelo tomador do serviço.

Tais requisitos se fazem necessários para afastar a incidência de ICMS

e IPI.

Tendo em vista o disposto na lei, a seguir, serão expostas algumas posições doutrinárias e jurisprudenciais sobre o assunto.

40

4.1. Enquadramento dos Serviços de Instalação e Montagem de Equipamentos Segundo a Doutrina

A doutrina hoje dominante considera como fator de enquadramento dos

serviços ora discutidos num ou outro subitem, a fixação ou não da instalação ou

montagem ao solo.

Bernardo Ribeiro de Moraes ao enumerar o que seriam obras

semelhantes a obras de construção e hidráulica, cita as instalações e montagens

de unidades industriais e de estruturas em geral, e enfatizando, no entanto, que

essas operações devem fixar algo ao solo. (MORAES, 1978, P.244:245).

O

ilustre

tributarista

explica

que

as

instalações

de

máquinas,

equipamentos ou aparelhos consistem na: (MORAES, 1978, P.244:245).

- fixação em certo local sem que percam a sua individualidade, mesmo quando funcione em conjunto ou conectadas com outros elementos individuais, com o fim de colocar interligar ou de dispor para funcionar um complexo ou unidade industrial.

Quanto às montagens industriais, afirma que são:

Reunião de diversos componentes – partes, peças, produtos individuados – para a formação de um produto novo ou unidade autônoma

Relativamente às estruturas em geral, o citado autor diz que se referem

a estruturas de madeira, de metal ou de concreto armado.

Sérgio Pinto Martins, ao discorrer sobre serviços de instalação e

montagem insertas no subitem 7.02 da Lista de Serviços contida na Lei

Complementar 116/2003, traz-nos o os seguintes significados (MARTINS, 2006,

P.182):

Instalação é por algo para funcionamento. Pode ser elétrica ou hidráulica.

Montagem é a reunião de peças que se encontram separadas.

A instalação e a montagem dizem respeito a produtos, peças e equipamentos relativos à construção civil.

41

E mais adiante, o referido tributarista afirma que se a montagem importar aderência ao solo, estaremos diante de construção civil. (MARTINS, 2006, P.244).

Aires F. Barreto parte do conceito amplo de construção civil, ou seja, ação do homem sobre o meio para seu melhor aproveitamento, podendo até ser pelo prolongamento artificial do solo, para afirmar que a instalação de máquinas de uma indústria ou de equipamentos para fixá-los ao solo, paredes, edifícios, etc. é construção civil. (BARRETO, 2005, P.255)

Assim, pode-se dizer que também para Aires F. Barreto, os serviços de instalação e montagem de equipamentos que se agregam ao solo constituem aqueles serviços de construção civil a que se referem os subitens 7.02 e 7.05 da lista anexa à Lei Complementar 116/2003. (BARRETO, 2005, P.259).

Nesse ponto, poder-se-ia questionar se tais montagens ou instalações não se caracterizam como industrialização.

Esclarecendo o assunto, Bernardo R. Moraes assim se pronuncia:

(MORAES, 1978, P.244:245).

O que traça de maneira incisiva o perfil de tais obras como categoria de construção (e não de industrialização é o fato da operação ficar algo ao solo e ser efetuada fora do estabelecimento industrial (Parecer Normativo n.57, de 1973 da Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal). A Portaria n.80 de 1970 do Ministro da Fazenda consigna não ser industrialização, mas obra de construção civil, as seguintes:

a) edificação (casas, edifícios, pontes, hangares, galpões e semelhantes

e suas coberturas);

b) instalações de oleodutos e semelhantes, usinas hidrelétricas, torres de

refrigeração, estações e centrais telefônicas ou outros sistemas de telecomunicação e telefonia, estações, usinas e redes de distribuição de

força e luz;

c) instalação de complexos industriais, assim entendida aquela que se

limite a permitir a adesão da unidade ou complexo industrial ao solo.

Na nota de rodapé nº 7 da página 245 da mesma obra, Bernardo R. de Morais explica:

42

As instalações são excluídas do conceito de industrialização, quando se limitem a permitir a adesão da unidade ou do complexo industrial ao solo, conforme Parecer Normativo n.526, de 1971 da Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal. Instalam-se linhas de transmissão, torres, equipamentos em geral, máquinas, vasos, fornos, aquecedores, reatores, caldeiras, bombas, centrais frigoríficas, ventiladores industriais, etc.

Ao explicar a incidência do ISS e não do IPI sobre os serviços ora discutidos, Aires F. Barreto menciona também a Portaria nº 80 de 1970, para dizer que o Fisco Federal excluiu do conceito de industrialização a instalação de complexos industriais ao solo, a instalação de oleodutos, usinas hidrelétricas, torres, e estações e centrais telefônicas. (BARRETO, 2005, P.262).

E prossegue o tributarista, abordando também a não-incidência de

ICMS sobre essas atividades:

Enquadrada a construção civil como evento capaz de dar origem ao ISS, fica afastada, de plano, a incidência de IPI. Embora se imponha a dedução dos valores correspondentes ao material fornecido pelo prestador, também não se há falar, no demais, de incidência do ICMS. Genericamente, porém, caberá o ISS, máxime em se verificando a espécie de montagem descrita na lista de serviços. Em outras hipóteses, porém, a incidência do ISS, não mais se dará em função do item referente à instalação ou montagem. É dizer, nem sempre a montagem tem por estigma os serviços do mesmo nome. Agregada ao sol, passará a configurar serviço de construção civil.

O renomado autor, diferentemente dos outros anteriormente citados,

considera que para se caracterizar como obra de engenharia, além de os equipamentos montados e instalados agregarem-se definitivamente ao solo, deve a instalação ou montagem ser precedida de projetos de engenharia, e

resumidamente enumera: (BARRETO, 2005, P.256).

Para o enquadramento da atividade como construção civil, são necessários os seguintes requisitos:

a) que sua execução seja precedida de projetos de engenharia (como o exige farta legislação administrativa);

(b)que os serviços sejam efetivados fora do estabelecimento industrial que produziu os materiais;

c)que os serviços consistam na reunião de produtos, peças ou partes, de que resultem edificação, construção ou obra, inclusive de complexo industrial, integrado permanentemente ao imóvel (“agregado ao solo”).

43

4.2- OS Serviços de Instalação e Montagem de Equipamentos em Alguns Dispositivos Legais Infraconstitucionais

A já citada Resolução nº 1010/2005 do Confea traz no glossário contido

em seu Anexo II, os seguintes entendimentos:

Instalação – atividade de dispor ou conectar convenientemente conjunto de dispositivos necessários a determinada obra ou serviço técnico, de conformidade com instruções determinadas.

Equipamento – instrumento, máquina ou conjunto de dispositivos operacionais, necessário para a execução de atividade ou operação determinada.

Montagem – operação que consiste na reunião de componentes, peças, partes ou produtos, que resulte em dispositivo, produto ou unidade autônoma que venha a tornar-se operacional, preenchendo a sua função.

A legislação Federal, através do inciso VIII do art.4º do Decreto nº 7.212

de 15/06/2010, dispõe não ser industrialização, a operação efetuada fora do

estabelecimento industrial, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e

de que resulte:

(casas,

semelhantes, e suas coberturas);

a) edificação

edifícios,

pontes,

hangares,

galpões

e

b) instalação de oleodutos, usinas hidrelétricas, torres de refrigeração,

estações e centrais telefônicas ou outros sistemas de telecomunicação e telefonia,

estações, usinas e redes de distribuição de energia elétrica e semelhantes; ou

c) fixação de unidades ou complexos industriais ao solo.

Observa-se que a Legislação Federal não caracteriza os serviços acima

elencados como construção civil, apenas os deixa fora do campo de incidência do

IPI.

A legislação do Estado de São Paulo, por sua vez, para esclarecer o

que seriam obras de construção civil, e, portanto, onde não haveria incidência de

ICMS, dispôs no §1º do art.1º do Anexo XI do Decreto 45.490, de 30 de novembro

de 2000 (Regulamento do ICMS):

§ 1º - Entendem-se por obras de construção civil, dentre outras, as adiante relacionadas, quando decorrentes de obras de engenharia civil:

44

1 - construção, demolição, reforma ou reparação de prédios ou de outras

edificações;

2 - construção e reparação de estradas de ferro ou de rodagem, incluindo

os trabalhos concernentes às estruturas inferior e superior de estradas e

obras de arte;

3 - construção e reparação de pontes, viadutos, logradouros públicos e outras obras de urbanismo;

4 - construção de sistemas de abastecimento de água e de saneamento;

5 - obras de terraplenagem, de pavimentação em geral;

6 - obras hidráulicas, marítimas ou fluviais;

7 - obras destinadas a geração e transmissão de energia, inclusive gás;

8 - obras de montagem e construção de estruturas em geral. (Grifo nosso)

Verifica-se que a legislação do Estado de São Paulo restringe as obras de montagem e construção de estruturas em geral como obras de construção civil, àquelas decorrentes somente de engenharia civil.

Em Minas Gerais, o art.175 do Anexo VI de seu Regulamento do ICMS (Decreto 43.080/2002 com as alterações do Decreto 45.505/210), dá às de obra de montagem ou construção de estruturas em geral, o tratamento como obra de construção civil, hidráulica ou semelhantes, usando como critério apenas a restrição de que o serviço seja executado no respectivo canteiro de obras:

Art. 175 - Entende-se como obra de construção civil, hidráulica ou

semelhantes:

I - construção, demolição, reforma ou reparo de edificações;

II - construção ou reparo de estradas de ferro ou de rodagem, inclusive

os trabalhos concernentes às estruturas inferior e superior de estradas e

obras de arte;

III - construção ou reparo de pontes, viadutos, logradouros público ou de

outras obras de urbanismo;

IV - construção de sistema de abastecimento de água ou de saneamento;

V - execução de terraplenagem ou de pavimentação em geral, ou de obra

hidráulica, marítima ou fluvial;

VI - execução de obra elétrica ou hidrelétrica;

VII - execução, no respectivo canteiro, de obra de montagem ou construção de estruturas em geral. (Grifo nosso).

45

A legislação do município de São Paulo através de disposição contida no Parecer Normativo daquele município de nº 001/76, publicado no Diário Oficial do Município de 30/01/1976, citado por Aires F. Barreto, enumera os requisitos para que a instalação e montagem de equipamentos se enquadrem como construção civil, ou seja:

- que a execução do serviço seja precedida de projetos de execução de

obras;

- que os serviços sejam efetivados fora do estabelecimento industrial;

- que os serviços consistam na reunião de produtos, peças ou partes de

que resultem edificação, construção ou obra, inclusive de complexo industrial, integrado permanentemente ao solo. (BARRETO, 2005, P.263)

Mais recentemente, pode-se verificar no Anexo I da Portaria SF nº 14/2004 de 03/03/2004 daquele município, que a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos que se agreguem ao imóvel estão inseridas no item 7.02 da Lista de Serviços da Lei Complementar 116/2003

Já a legislação do município do Rio de Janeiro trouxe o entendimento do que sejam construção civil, obras hidráulicas, elétricas e semelhantes nos artigos 46 e 47 do Decreto nº 10.514 de 08/10/2001, com a redação dada pelo Decreto nº 23.753 de 02.12.200, abaixo transcritos:

Art. 46. Entende-se por construção civil, obras hidráulicas, elétricas e semelhantes, a realização das seguintes obras e serviços: (Redação dada pelo Decreto nº 23.753 de 02.12.2003)

I – edificações em geral;

II – rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos;

III – pontes, túneis, viadutos e logradouros públicos;

IV – canais de drenagem ou de irrigação, obras de retificação ou de

regularização de leitos ou perfis de rios;

V – barragens e diques;

VI – sistemas de abastecimento de água e de saneamento, poços

artesianos, semi-artesianos ou manilhados;

VII – sistemas de produção e distribuição de energia elétrica;

VIII – sistemas de telecomunicações;

46

IX – refinarias, oleodutos, gasodutos e outros sistemas de distribuição de

líquidos e gases;

X – escoramento e contenção de encostas e serviços congêneres;

XI – recuperação ou reforço estrutural de edificações, pontes e

congêneres, quando vinculada a projetos de engenharia, da qual resulte

a substituição de elementos construtivos essenciais, limitada

exclusivamente à parte relacionada à substituição, observado o parágrafo

único deste artigo.

Parágrafo único. Entendem-se por elementos construtivos essenciais os pilares, vigas, lajes, alvenarias estruturais ou portantes, fundações e tudo aquilo que implique a segurança ou estabilidade da estrutura

.

Art. 47. Consideram-se como de construção civil, se relacionados com as obras e os serviços de que trata o art. 46, os seguintes serviços:

I – sondagens, estaqueamentos, fundações, escavações, aterros,

perfurações, desmontes, demolições, rebaixamento de lençóis de água, dragagens, escoramentos, terraplanagens, enrocamentos e

derrocamentos;

II – concretagem e alvenaria;

III – revestimentos e pinturas de pisos, tetos, paredes, forros e divisórias;

IV – carpintaria, serralheria, vidraçaria e marmoraria;

V – impermeabilizações e isolamentos térmicos e acústicos;

VI – instalações e ligações de água, de energia elétrica, de proteção

catódica de comunicações, de elevadores, de condicionamento de ar, de refrigeração, de vapor, de ar comprimido, de sistemas de condução e

exaustão de gases de combustão, inclusive dos equipamentos relacionados com esses serviços;

VII – a construção de jardins, iluminação externa, casa de guarda e

outros de mesma natureza, previstos no projeto original, desde que integrados ao preço de construção da unidade imobiliária.

VIII – outros serviços diretamente relacionados com obras hidráulicas, elétricas, de construção civil e semelhantes.

Nesses últimos dispositivos legais, as instalações de equipamentos como obras semelhantes às de construção civil, hidráulica e elétrica, constam especificamente no item VI acima transcrito, mas genericamente pode constar também do item VIII.

O município de Belo Horizonte atualmente não conta em sua legislação tributária própria, dispositivo que esclareça a natureza dos serviços ora estudados. Vigorou, entretanto, até 30/12/2009, sendo revogado expressamente pelo art. 10 do Decreto nº 13.837, o art. 87 do Regulamento do ISSQN baixado pelo Decreto

47

4032/1981, que dispunha em seu inciso XI, ser considerada obra de construção civil, hidráulica e semelhante, a execução de montagens de estrutura em geral.

Tal dispositivo legal, todavia, não trazia requisitos para o referido enquadramento, dizendo apenas que a montagem em questão não poderia se referir àquelas de que tratava o item 74 da Lista de Serviços vigente anteriormente à Lei Complementar 116/2003, ou seja, da Instalação e montagem de aparelhos, máquinas e equipamentos, prestados ao usuário final do serviço, exclusivamente com material por ele fornecido.

48

5. As Decisões dos Tribunais Pátrios

Buscando identificar se existia um entendimento pacificador consolidado pelos tribunais que pudesse orientar tanto o Fisco como o contribuinte na tarefa de interpretar e aplicar a legislação tributária no tocante ao enquadramento dos serviços de instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos nos subitens 7.02 e 14.06 da Lista de Serviços contida na Lei Complementar 116/2003, efetuou-se pesquisa junto aos Tribunais de Justiça de alguns estados (Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul), ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal.

O estudo a seguir, sabe-se, é árido, pois envolve, como se pode observar nas decisões apresentadas, alguns aspectos técnicos da natureza dos serviços de obras de engenharia, além de conflitos de tributação com o IPI e o ICMS.

Nesta pesquisa, os aspectos concernentes à tributação por outros impostos que não o ISS não foram aqui trazidos com profundidade, visto que esse não era o objetivo do trabalho. Focou-se, portanto, nos elementos constantes das decisões que pudessem caracterizar a atividade como serviço, e especificar a natureza do serviço.

5.1 Decisão do Supremo Tribunal Federal

RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 106.915-5 – SÂO PAULO

RECORRENTE: ESTADO DE SÃO PAULO

RECORRIDA: PELSSEY DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA

EMENTA: - Centrais telefônicas. Sua instalação configura obra de engenharia, capaz de ensejar a incidência do ISS apenas sobre o valor da prestação do serviço e do ICM apenas sobre o equipamento fornecido, não se justificando a incidência deste último tributo (ICM) com base na operação global (item 19 da Lista anexa ao Decreto-lei nº 834-69)

49

Prolatada ao tempo de vigência do Decreto-lei nº 834-69, em 15 de abril de 1986, esta decisão ainda hoje é muito citada pela doutrina na discussão da tributação pelo ISSQN, ICM e IPI sobre a instalação ou montagem de equipamentos.

O relator, Ministro Octavio Galloti, em seu voto, citou conclusão do

perito judicial em prova pericial produzida em ação idêntica. Nesse texto, há a descrição das etapas de que se constituem a implantação dos serviços de telefonia, ou seja: projetos específicos, execução dos serviços de instalação propriamente ditos e testes de funcionamento e aceitação. Com isso, o profissional técnico concluiu que o serviço é uma autêntica obra de engenharia e não um mero segmento do processo de industrialização.

Ressalte-se que na conclusão do perito, o mesmo falou de obra de engenharia, e não de obra de construção civil.

O relator, na mesma esteira do perito, para classificar os serviços de

instalação de central telefônica no âmbito do item 19 da Lista de Serviços anexa ao Decreto-lei 834/69, considerou-os como obra de engenharia, e construção civil no seu sentido amplo, conforme transcrição a seguir:

Vale ressaltar que, segundo a doutrina especializada, as obras de “construção civil”, a que se refere a lista de Serviços, compreendem não só as edificações propriamente ditas, como também as atividades relacionadas aos vários campos de engenharia, quer civil quer eletrônica ou de telecomunicações. A generalidade da expressão “construção civil”, como compreensiva de múltiplas espécies, apresenta-se, portanto, como nota característica da exegese do referido dispositivo legal (B. RIBEIRO DE MORAES, “Doutrina e Prática do Imposto sobre Serviços”, pág.237 e seguintes; HELY LOPES MEIRELLES, “Direito de Construir”, pág.169 e seguintes).

A amplitude consagrada pela legislação demonstra-se, ademais, em consonância com a Resolução nº 112 de 26-8-1957, do Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura, que arrolou uma série de vinte e oito trabalhos considerados como obras de engenharia, arquitetura ou agrimensura, incluindo expressamente os serviços de telecomunicações (BERNRDO RIBEIRO DE MORAES, op. cit., pág.240)

O próprio legislador, ao tributar a espécie, mediante o critério da analogia fática, com a menção a outras obras semelhantes, realçou a intenção de ter em conta, não o conceito restrito ou específico de “construção civil”,

que resultou da evolução

mas a sua acepção

lata e abrangente,

50

experimentada, nos últimos tempos, pela engenharia em suas várias especializações. (Grifo nosso)

Nesta decisão, portanto, os critérios para se inserir o serviço de instalação e montagem como execução de obras de construção civil, hidráulicas e de outras obras semelhantes foram:

a) a natureza do serviço, que se constitui numa obra de engenharia,

demandando projeto de engenharia;

b) a espécie da obra de engenharia não é levada em conta;

c) o sentido amplo de construção civil, que não compreende só as

edificações propriamente ditas, mas as várias atividades relacionadas a outras

espécies de engenharia.

5.2 A Decisões do Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 122.202 - MG (97/0015748-2)

RELATOR : O SR. MINISTRO GARCIA VIEIRA

RECORRENTE: FAZENDA PÚBLICA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

RECORRIDO: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA REFRIGERAÇAÕ, AR CONDICIONADO, VENTILAÇÃO E AQUECIMENTO-ABRAVA

ADVOGADOS: DRS. MARCELO PÁDUA CAVALCANTI E OUTROS

ALFEU ALVES PINTO E OUTRO

EMENTA

ISS – FATO GERADOR – CONVÊNIO-PRELIMINAR-ILEGITIMIDADE

A preliminar de ilegitimidade foi examinada e afastada corretamente pelo MM. Juiz singular. O imposto sobre serviços de qualquer natureza, de competência dos Municípios, tem de fato gerador, a prestação por empresa ou profissional autônomo (Decreto-lei nº 406/68, artigo 8º). Não é lícito aos Estados modificar, através de convênios, o Decreto-lei nº 406/68. A montagem e a instalação de ar condicionado central é incluída no item 32 da Lista de Serviços anexa ao Decreto-lei 406/68.Recurso improvido.

51

No voto, o relator Garcia Vieira, sustenta que a montagem e a instalação de ar condicionado central é incluída no item 32 da lista de Serviços anexa ao Decreto-lei 406/68, estando de acordo com o acórdão anteriormente guerreado:

“Consoante o item 32 da nova listagem de serviços elaborada pela Lei Complementar nº 56/87, anexa ao DL Nº 406/68, mencionando na Resolução nº 2.285/92, a montagem e a instalação de ar condicionado central, executadas em decorrência de contrato de empreitada ou subempreitada, é atividade complementar de obra de construção civil e a

ele inerentes, sujeitando-se, apenas, ao ISS, não incidindo o ICMS pelo

fornecimento de mercadorias adquiridas por terceiros, (

)”

Como se vê nesta decisão, o jurista não mostrou o critério que o levou a considerar o serviço de montagem e instalação de ar condicionado central como atividade complementar e inerente a obras de construção civil.

RECURSO ESPECIAL Nº 188.760 – MG

RELATOR (A): MINISTRO JOÃO OTÁVIO DE NORONHA (1123)

ÓRGÃO JULGADOR: T2 - SEGUNDA TURMA

DATA DO JULGAMENTO: 08/03/2005

EMENTA

TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. ICMS. INSTALAÇÃO E MONTAGEM DE AR CONDICIONADO. SÚMULA N. 7/STJ. DECRETO- LEI N. 406/68. LISTA DE SERVIÇOS. ITEM 32.

1. Aplica-se a Súmula n. 7/STJ na hipótese em que a tese versada no

recurso especial reclama a análise dos elementos probatórios produzidos

ao longo da demanda.

2. A instalação e montagem de sistema de ar condicionado que compõe

os serviços de engenharia sujeita-se ao ISS, sendo indevida a incidência do ICMS (item 32 da lista de serviços anexa ao Decreto-Lei n. 406/68).

3. Recurso especial não-conhecido.

O Ministro João Otávio Noronha, para defender o mesmo tratamento dado pelo Tribunal a quo à instalação e montagem de ar condicionado central, ou seja, a tributação pelo ISS conforme item 32 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº 56/87, citou parte de decisão daquele Tribunal:

52

É o caso dos autos, em que as mercadorias não são de fabricação da

impetrante, adquiridas de terceiros, gravadas com ICMS, destinadas precisamente à instalação e montagem do ar condicionado central,

serviço

resfriamento na obra, de tal sorte que a ela adere.

Como a impetrante provou a subempreitada e a sua condição de não fabricante, configurado está que a incidência é de ISSQN, por força do item 32 da Lista de Serviços Anexa à Lei Complementar nº 56/87.

( )

Assim, tratando-se a instalação do sistema de obra que compõe os serviços de engenharia, a solução encontrada foi a mais correta, não sendo válida a comparação que se quis fazer em relação ao item 74 da mesma lista, para descaracterizar a hipótese de incidência. (Grifo nosso)

de

de

engenharia

que

provoca

a

agregação

do

complexo

De se ressaltar, portanto, que, nesta decisão, os critérios para se inserir o serviço de instalação e montagem como execução de obras de construção civil, hidráulicas e de outras obras semelhantes foram:

a) a natureza do serviço (de engenharia) ;

b) a agregação do complexo instalado na obra, de tal modo que a ela

se adere.

AgRg no RECURSO ESPECIAL nº 804.427 –DF (2205/0208641-4)

RELATOR : MINSITRO LUIZ FUX

AGRAVANTE : DITRITO FEDERAL

PROCURADOR:

CARLOS

AUGUSTO

FIGUEIREDO

SALAZAR

E

OUTROS

AGRAVADO: CETEST BRASÍLIA CONDICIONAMENTOS

EMENTA

TRIBUTÁRIO. ICMS. EMPRESA INSTALADORA E MONTADORA DE AR CONDICIONADO. EQUIPARAÇÃO ÀS EMPRESAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. MERCADORIAS ADQUIRIDAS. OPERAÇÕES INTERESTADUAIS. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA CONSAGRADA NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.

1. A atividade de instalação e montagem de ar condicionado central é

equiparada à atividade de construção civil, consoante se colhe do voto

condutor do acórdão recorrido, estando incluída no item 32 da lista de

serviços anexa ao decreto-lei nº 406/68, razão pela qual não incide o

ICMS.

2. "A montagem e a instalação de ar condicionado central é incluída

53

no item 32 da lista de serviços anexa ao decreto-lei nº 406/68" (REsp

122202 / MG; Rel. Min. GARCIA VIEIRA, DJ de 22.02.1999)

3. É assente na Corte que "as empresas de construção civil não são

contribuintes do ICMS, salvo nas situações que produzam bens e com eles pratiquem atos de mercancia diferentes da sua real atividade, como

a pura venda desses bens a terceiros; nunca quando adquirem

mercadorias e as utilizam como insumos em suas obras. Há de se qualificar a construção civil como atividade de pertinência exclusiva a serviços, pelo que 'as pessoas (naturais ou jurídicas) que promoverem a sua execução sujeitar-se-ão exclusivamente à incidência de ISS, em razão de que quaisquer bens necessários a essa atividade (como máquinas, equipamentos, ativo fixo, materiais, peças, etc.) não devem

ser tipificados como mercadorias sujeitas a tributo estadual' (José Eduardo Soares de Melo, in Construção Civil - ISS ou ICMS? in RDT 69, pg. 253, Malheiros)" (ERESP 149946/MS, Rel.Min. José Delgado, DJ

20/03/2000).

4. Agravo Regimental desprovido.

O Relator, nesta decisão, apenas afirmou estar de acordo com o acórdão recorrido, que manifestou que a natureza das atividades de instalação e montagem de ar condicionado central equipara-se à atividade de construção civil.

RECURSO ESPECIAL Nº 947.935 - RS (2007/0099953-4)

RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN

RECORRENTE : ALSTOM ELEC S/A

ADVOGADA: SIMONE CAMPETTI AMARAL E OUTRO(S)

RECORRIDO: MUNICÍPIO DE ARATIBA

ADVOGADO: WALDEMAR DE TONI JUNIOR E OUTRO(S)

EMENTA

TRIBUTÁRIO. ISS. USINA HIDRELÉTRICA. INSTALAÇÃO DE

TURBINA. CONSTRUÇÃO CIVIL. INCIDÊNCIA.

1. Hipótese em que se discute a incidência do ISS sobre a montagem de

turbinas em usina hidrelétrica que estava sendo construída no território do recorrido.

2. Inexiste controvérsia quanto aos fatos, o que afasta a aplicação da

Súmula7/STJ.

3. Tampouco se questiona a cobrança de ISS sobre os serviços de

construção civil e o recolhimento ao Município em que está localizada a obra.

4. O cerne da lide está na qualificação jurídica dos serviços de montagem

de turbinas e seu enquadramento no conceito de construção civil para fins de incidência do ISS. A empresa argumenta que não exerce essa atividade (construção civil).

54

5. Não há falar em usina hidrelétrica sem turbinas. Assim, é notório que a

instalação desses equipamentos integra necessariamente a construção da usina.

6. O STJ tem jurisprudência no sentido de que a instalação de equipamentos de ar condicionado central é equiparada a serviço de construção civil, para a cobrança do ISS.

7. Se a instalação de ar-condicionado central, que é equipamento não

essencial, configura serviço de construção civil, com muito mais razão a montagem de turbinas em usina hidrelétrica.

8. Recurso Especial não provido.

No voto, o Ministro Herman Benjamim assim se pronunciou:

É evidente que a construção da usina hidrelétrica configura serviço de construção civil para fins de ISS.

Nesse contexto, é notório que a instalação das turbinas é essencial para a própria construção da usina.

Nas palavras do TJ, a montagem das turbinas inserem-se no “complexo da construção civil” (fl.307).

De fato, não há imaginar usina hidrelétrica sem turbina energética.

Assim, não há falar em construção de usina hidrelétrica sem a instalação desses.

Verifica-se, portanto, que para considerar os serviços de instalação de turbinas em usina hidrelétrica como execução de obras de construção civil, hidráulicas e de outras obras semelhantes, o critério foi o fato de que o equipamento montado ser essencial para a finalidade a que se destina a obra.

5.3. Decisões do Tribunal de Justiça de do Estado de Minas Gerais

NÚMERO DO PROCESSO: 1.0000.00.122802-2/001(1)

NUMERAÇÃO ÚNICA: 122802

RELATOR: PINHEIRO LAGO

RELATOR DO ACÓRDÃO: PINHEIRO LAGO

DATA DO JULGAMENTO: 28/09/1999

DATA DA PUBLICAÇÃO: 12/11/1999

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EMENTA: Tributário. Instalação de centrais telefônicas. Submissão apenas ao imposto sobre serviços.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0000.00.122802-2/000 - COMARCA DE BELO HORIZONTE - APELANTE(S): 1º) JD DA 2ª VARA FAZENDA COMARCA BELO HORIZONTE, 2ª) FAZENDA PÚBLICA DO ESTADO DE MINAS GERAIS - APELADO(S): CONSTRUTEL PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA. - RELATOR: EXMO. SR. DES. PINHEIRO LAGO

O Relator Pinheiro Lago, em seu voto, caracteriza a instalação de centrais telefônicas como obras de construção civil sujeitas apenas ao ISS, muito bem argumentando:

Na situação analisada, após leitura atenta dos autos, não se pode negar

que os serviços prestados pela autora, de instalação de centrais telefônicas, constituem modalidade de construção civil, submetidas, pois, ao campo de incidência do imposto sobre os serviços, por prescindirem

seu

dimensionamento em função do tráfego previsto e limites toleráveis de congestionamento, previsão de demanda de assinantes, cálculos de transmissão, interligação com as redes adjacentes ou de longa distância e uma série de projetos complementares (plantas de localização, de ferragens, suprimento e distribuição de corrente contínua e de sinalização, cálculo de acumuladores, conforme anota Moisés Akselrad (apud José Eduardo Soares de Melo. Op. cit. pp. 83-84). (Grifo nosso)

de

um

projeto

de

engenharia

específico,

objetivando

Nesta decisão, portanto, o critério para caracterizar o serviço de instalação como execução de obras de construção civil, hidráulica e de outras obras semelhantes foi a necessidade de o serviço necessitar de um projeto de engenharia específico para sua execução.

NÚMERO DO PROCESSO: 1.0000.00.256065-4/000(1)

NUMERAÇÃO ÚNICA: 2560654-25.200.8.13.0000

RELATOR: EDIVALDO GEORGE DOS SANTOS

RELATOR DO ACÓRDÃO: EDIVALDO GEORGE DOS SANTOS

DATA DO JULGAMENTO: 29/04/2002

DATA DA PUBLICAÇÃO: 28/05/2002

EMENTA: De acordo com o item 75 do Decreto-lei nº 406/68, que alista os serviços sobre os quais incide o ISS - Imposto sobre Serviços, este será devido quando a obra constituir-se de

56

"montagem industrial, prestada ao usuário final do serviço, exclusivamente com material por ele fornecido", pelo que, se não foi o usuário final do serviço quem forneceu o material empregado, não se verificou a hipótese de incidência tributária.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 000.256.065-4/00 - COMARCA DE CONTAGEM - APELANTE(S): W LOPES ENGENHARIA INDUSTRIAL LTDA. - APELADO(S): FAZENDA PÚBLICA MUNICÍPIO CONTAGEM - RELATOR: EXMO. SR. DES. EDIVALDO GEORGE

Aqui cumpre ressaltar que a atividade discutida era a montagem de tubulação de unidade engarrafadora de gás, que foi classificada pelo Perito Oficial como sendo de construção mecânica.

O Relator Edivaldo George considerou:

que o só fato daquelas obras terem sido desenvolvidas “no

sentido de aderirem ao solo” (fls.296), não lhe atribuem o status de construção civil como entendeu S. Exª o juiz singular. Ora, obras de construção mecânica, podem , perfeitamente, serem afixadas ao solo ou não, sendo certo, também, que quando o são não se tornam, necessariamente, de construção civil.

) (

Nesta decisão, portanto, os critérios para não se inserir o serviço de montagem industrial como execução de obras de construção civil, hidráulicas e de outras obras semelhantes foram:

a) o sentido de construção civil utilizado foi seu sentido restrito, que compreende somente a construção de edificações.

b) O fato de a montagem se aderir ao solo não necessariamente caracteriza a atividade como de construção civil.

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NÚMERO DO PROCESSO:1.0024.04.427615-2/001(1)

NUMERAÇÃO ÚNICA: 4276152-89.2004.8.13.0024

RELATOR: ARMANDO FREIRE

RELATOR DO ACÓRDÃO: ARMANDO FREIRE

DATA DO JULGAMENTO: 06/07/2010

DATA DA PUBLICAÇÃO: 06/07/2010

EMENTA: REEXAME NECESSÁRIO. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DEVEDOR. ICMS. EMPRESA FORNECEDORA DE AR CONDICIONADO. VINCULAÇÃO A CONTRATOS DE EMPREITADA. INCIDÊNCIA APENAS DO ISSQN. LIVRE ACESSO À JUSTIÇA E AMPLA DEFESA. REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL. SUFICIÊNCIA. ÔNUS DE SUCUMBÊNCIA. CUSTAS PROCESSUAIS. REEMBOLSO. CONFIRMAÇÃO DA SENTENÇA. A empresa do ramo da construção civil que fornece ar condicionado vinculado a contratos de empreitada, realiza prestação de serviço, não se sujeitando à tributação do ICMS na aquisição das mercadorias necessárias à realização destas operações. Precedentes do STJ. Consoante os princípios constitucionais constantes do artigo 5º, XXXV e LV (CF/88), a juntada extemporânea de documentos no processo administrativo tributário não impede que os mesmos sejam devidamente analisados em sede judicial, mormente diante de sua relevância para a aferição da verdade real acerca da realização das operações tributadas.O julgador não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos, conforme inteligência do artigo 463, do CPC. Porém, tratando-se de prova de cunho técnico e não havendo elementos a determinar indícios de parcialidade pelo expert, sua conclusão possui grande valor probatório, salvo na existência de provas contrárias mais fortes. As pessoas jurídicas de direito público relacionadas no inciso I do art. 10 da Lei Estadual nº 14.939/03 estão isentas do pagamento de custas processuais. Entretanto, caso sucumbentes no processo, devem reembolsar custas e/ou despesas judiciais eventualmente antecipadas pela parte vencedora.

APELAÇÃO CÍVEL / REEXAME NECESSÁRIO N° 1.0024.04.427615- 2/001 - COMARCA DE BELO HORIZONTE - REMETENTE: JD 2 V FEITOS TRIBUTARIOS ESTADO COMARCA BELO HORIZONTE - APELANTE(S): FAZENDA PÚBLICA ESTADO MINAS GERAIS - APELADO (A) (S): TUMA ENGENHARIA TERMICA LTDA - RELATOR:

EXMO. SR. DES. ARMANDO FREIRE

No voto, há apenas a reiteração e citação de decisões anteriores do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a atividade de fornecimento e instalação de ar condicionado quando vinculada a contrato de empreitada deve

58

ser equiparada à atividade de construção civil, estando incluída no item 32 da Lista de Serviços do Decreto-lei 406/68.

5.4 Decisões do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

DECISÃO: 9096102-05.1998.8.26.0000

RELATOR: Candido Alem

ÓRGÃO JULGADOR: 10ª Câmara (Extinto 1º TAC)

DATA DO JULGAMENTO: 30/11/1999

EMENTA:

IMPOSTO – ISS- Instalação e montagem de estações telefônicas e afins – Incidência – Local da prestação do serviço – Recursos oficial e voluntários providos*

Cuidou esta decisão de considerar como serviços de engenharia civil, a instalação e montagem de equipamentos de telecomunicações, estações centrais telefônicas e outros sistemas de telecomunicações e telefonia e equipamentos afins. Isso se baseou em laudo pericial em que engenheiro, com fulcro em Resoluções do Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura, concluiu que esses serviços competem a engenheiro eletrônico, ou eletricista ou de comunicação.

Portanto, os critérios para se inserir o serviço de instalação e montagem como execução de obras de construção civil, hidráulicas e de outras obras semelhantes foram:

a) a natureza do serviço, que é de engenharia ,

b) o sentido amplo de construção civil, que não compreende só

as edificações propriamente ditas, mas as várias atividades relacionadas a outras espécies de engenharia.

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VOTO N° 1632

AGRAVO DE INSTRUMENTO N° 990.10.151998-4

COMARCA: SÃO PAULO

AGRAVANTE: FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO

AGRAVADA: TRANS SISTEMAS DE TRANSPORTES S/A

Juiz de Ia Instância: Domingos de Siqueira Frascino

AGRAVO DE INSTRUMENTO - Ação anulatória de débito fiscal- R. Decisão atacada que deferiu tutela antecipada para, independentemente de caução, suspender a cobrança do CMS descrito no auto de infração n° 3.003.425-5 – Atividade exercida pela agravada sujeita a incidência de ISS – Empresa contratada prestadora de serviço de engenharia que adquire e terceiro os equipamentos fornecidos para a obra que realiza - Atendimento aos requisitos do artigo 273 do Código de Processo Civil - Recurso desprovido.

Neste acórdão, os serviços de engenharia, projeto, fornecimento, montagem e instalação de sistema de telecomunicações, radiocomunicação e transmissão de fonia e fornecimento de equipamentos de sistema de controle de arrecadação e passageiros e console composto de bloqueios eletrônicos, dentre outros, foram classificados globalmente como serviços de engenharia.

E como serviço de engenharia, o Relator passou a enquadrar a atividade discutida como serviços inseridos no item 32 da Lista de Serviços da Lei Complementar 56/87, asseverando que a lista trazida pela Lei Complementar 116/2003 manteve as regras existentes naquela primeira, inclusive quando haja fornecimento de mercadorias, montagens de produtos, peças, na prestação de serviços de execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica ou de outras obras semelhantes.

VOTO N° 13.599.

APELAÇÃO CÍVEL SEM REVISÃO N° 994.09.294692-0.

COMARCA: MOGI GUAÇU

APELANTES: PREFEITURA MUNICIPAL DE MOGI GUAÇU

E OUTRO.

APELADO: SENGI SERVIÇOS DE ENGENHARIA

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INDUSTRIAL E CONSTRUÇÕES LTDA

EMENTA

Apelação Cível - Embargos à execução fiscal - ISS - Serviços de engenharia mecânica, elétrica e eletromecânica inseridos no conceito de "construção civil"- Realização de serviços ligados à finalidade principal da empresa - Tributo exigível sobre toda a atividade da empresa – Embargos improcedentes - Prosseguimento da execução fiscal - Inversão dos ônus sucumbenciais - Recurso provido.

A atividade discutida foi os “serviços de mão-de- obra para instalação de sala de micro, para fabricação de tubulação, para instalação de filtro, para montagem de tubulações, para montagem de guilhotinas”.

Laudo pericial concluiu que os serviços em questão tratavam-se de serviços de engenharia mecânica, elétrica e eletromecânica, ao que o Relator afirmou os mesmos estarem inseridos no contexto de construção civil.

Dessa maneira, os critérios para se considerarem os serviços de instalação e montagem como execução de obras de construção civil, hidráulicas e de outras obras semelhantes foram:

a) a natureza do serviço, que é de engenharia,

b) o sentido amplo de construção civil, que não compreende só as edificações propriamente ditas, mas as várias atividades relacionadas a outras espécies de engenharia.

5.5. Decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul

APELAÇÃO CÍVEL. Nº 70007414758

Comarca de Porto Alegre: 21ª Câmara Cível

APELANTE THYSSEN SUR S A ELEVADORES E TECNOLOGIA

APELADO: ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

AÇÃO DECLARATÓRIA. FABRICAÇÃO E INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. CONTRATO DE EMPREITADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DE ICMS E NÃO ISSQN.

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A produção de elevadores, mesmo que individualizada e conforme as características de cada prédio, não se acomoda ao item 32 da Lista. Também não serve para o pretendido enquadramento a circunstância de constituir-se empreitada a relação jurídica entre quem produz o equipamento e quem o encomendou.

Cuida-se de típica operação de compra e venda de mercadoria que se submete ao imposto estadual quando da circulação.

Apelo desprovido. Preliminar Rejeitada.

No voto, o Relator Des. Genaro José Baroni Borges não considera a produção de elevadores, mesmo que individualizada e conforme as características de cada prédio, como serviço, tampouco como aqueles inseridos no item 32 da Lista de Serviços.

Segundo o Relator, a conclusão acima se baseia no fato de que o conceito de construção civil deve ser compreendido em seu sentido restrito, ou seja, o de abranger somente as obras de edificação.

62

5. Estudo de Caso

Esta autora, como Auditora Fiscal de Tributos Municipais da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, nos trabalhos de homologação fiscal de determinada empresa, deparou-se com um contrato de prestação de prestação de serviços, que vale aqui ser estudado.

Devido ao sigilo fiscal obrigatório, contratante será denominada XX, a contratada, YY, e outras empresas, ZZ.

O referido contrato tinha como objeto: “a execução, pela CONTRATADA, sob o regime de empreitada por preços globais (verbas), dos serviços de projeto, fornecimento e instalação do Sistema de Segurança Patrimonial e UTR’s, DOS City Gates da Malha Sudeste, da ZZ, de acordo com as condições ora ajustadas e em observância às disposições contidas no Memorial Descritivo MD-4150.00-65000-853-PTG-004, ANEXO I do presente instrumento.”

Foram

anexados

os

relatórios

diários

de

obras,

onde

foi

verificado que para executar o serviço foi realizado:

escavações

para

colocação de canaflex, lançamento de cabos

nas valas abertas e posterior

compactação,

abertura de valas para encaminhamento elétrico de

sensores,

armação de ferragens

de

sustentação

de

bases de postes, preparação de ferragens para caixas de passagens.

confecção

de

tampas

das

Como se vê, a empresa YY foi contratada para fornecer, por encomenda de XX, um sistema de segurança patrimonial, especialmente ajustado às condições e necessidades do tomador do serviço.

Para isso, teve de projetá-lo, fornecer seus componentes e instalá- lo, configurando-se a prestação de serviços com o emprego de equipamentos.

63

e

na Lei”, pág. 235 e 236, preleciona sobre a incidência de ICMS/ISS perante tal

situação: (BARRETO, 2005, P235: 236)

Aires

F.

Barreto,

em

sua

obra

“ISS

na

Constituição

Diante de operação

entrega é a própria finalidade da operação. No caso de prestação de

o objeto do contrato: sua

mercantil a coisa é

serviço a

coisa

é

simples

meio

para

a

realização de um fim. A finalidade não é mais o

 

fornecer

ou

entregar

uma

coisa,

mas

diversamente,

prestar

um

serviço,

para

o qual o emprego ou aplicação de coisas (materiais) é mero meio. É

objetos

visível

distintos:

a

distinção

entre

os

dos

dois

negócios

a) operação mercantil e

b)

contrato

de

prestação

de

serviços.

No

primeiro (a), o objeto

é mercadoria. No segundo (b),

o

objeto é

a

atividade em que o serviço consiste, a qual pode requerer, como seu pressuposto, ou condição, a aplicação ou fornecimento de material, o qual não é o objeto do negócio.

Verificável o primeiro objeto, só pode incidir ICMS. “Diante do segundo, só cabe ISS.”

In casu, ocorreu a prestação de serviços descrita no objeto “b)” acima apontado, e em sendo assim, há somente a incidência de ISSQN.

Visto

isso,

fez-se

necessário

enquadrar

o

serviço

prestado na Lista de Serviços anexa à Lei Complementar 116/2003.

Como dito anteriormente, o serviço prestado constituiu-se no fornecimento de um sistema de segurança patrimonial, especialmente ajustado às condições e necessidades do contratante, em que a Requerente teve de projetá-lo, fornecer seus componentes e instalá-lo. Portanto, a atividade-fim pactuada foi a instalação dos equipamentos, que por sua vez demandou a elaboração de projetos de engenharia.

Dessa maneira, estamos diante de um serviço de instalação de equipamentos que foram agregados ao solo, e que demandou a elaboração prévia de um projeto de engenharia. Trata-se, portanto, de uma obra de engenharia.

A

Autora,

diante

dessas

argumentações,

considerou

os

serviços

enquadrados

no

subitem

7.02

da

Lista

de

Serviços

da

Lei

Complementar

116/2003.

64

6. Conclusão

Iniciamos nossa conclusão, observando que ao estudar a doutrina sobre a definição de obras de engenharia, verificamos que os mestres abalizam a teoria de que o conjunto de serviços mencionados nos itens das listas de serviços que tratam da execução de obras refere-se à construção civil em seu sentido amplo, genérico, qual seja, a construção de obra de qualquer ramo de engenharia.

Outra não pode ser a interpretação, pois como bem afirmado pelo Mestre Bernardo R. Moraes, o legislador, não tendo definido, aceitou o conceito de construção civil adotado pelo consenso doutrinário à época em que foi feita a lista de serviços. Esse conceito de construção civil era o de abarcar toda construção relacionada a qualquer ramo da engenharia.

Aceitando o conceito amplo de construção civil com base nos argumentos acima expostos, estamos usando de interpretação histórica, eis que foram analisadas as circunstâncias históricas que cercaram a edição da lei.

Um questionamento, entretanto, deve ser feito: se para os itens das listas de serviços anteriormente vigentes, que continham a execução de obras de construção civil, hidráulica, ou semelhante, já estava consolidado o entendimento de que englobavam todas as obras de engenharia, porque foi inserida a obra elétrica no subitem 7.02 da Lista de Serviços da Lei Complementar 116/2003?

A nosso ver, e usando de interpretação teleológica, o legislador pretendeu apenas aperfeiçoar a redação do subitem, realçando que a obra elétrica também está incluída no rol das obras de construção civil, hidráulica e semelhantes. Com o mesmo objetivo, aliás, foram explicitadas algumas obras semelhantes: sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos.

Ao se buscar a definição de obras de construção civil, hidráulica, elétrica e semelhantes junto à legislação reguladora das atividades de engenharia, verificamos que só muito recentemente, mais precisamente em 22/08/2005, com a

65

edição da Resolução nº 1010/2005 do Confea, é que o setor de construção civil foi explicitado pelo órgão regulador em suas várias atividades.

Com o advento da Resolução nº 1010/2005 do Confea, chega-se às seguintes definições:

- Obra de construção civil é o resultado material da execução ou operacionalização de projeto de engenharia visando obter: edificações; rodovias; pistas; pátios; terminais; aeroportos; heliportos; instalação de equipamentos, de dispositivos e componentes hidro-sanitários, de gás, de prevenção e combate a incêndio; e instalações elétricas em baixa tensão para fins residenciais e comerciais de pequeno porte, de tubulações telefônicas e lógicas para fins residenciais e comerciais de pequeno porte;

- Obra hidráulica é o resultado material da execução ou operacionalização de projeto de engenharia visando obter: captação de água para abastecimento doméstico e industrial, adução de água para abastecimento doméstico e industrial, barragens, diques, sistemas de drenagem e irrigação, vias navegáveis, portos, canais, sistemas para aproveitamento de recursos hídricos, obras hidráulicas fluviais e marítimas;

- Obra elétrica é o resultado material da execução ou operacionalização de projeto de engenharia visando obter: instalações de equipamentos elétricos, eletrônicos, eletromecânicos; sistemas de controle e automação; sistemas de controle automático de equipamentos; instalações de equipamentos de engenharia da computação; sistemas de comunicação e telecomunicações.

Cabe ressaltar, então, que desde a edição da primeira lista de serviços até a última lista, ou seja, a da Lei Complementar 116, que foi editada em 31/07/2003, o legislador não teve subsídios esclarecedores e suficientes por parte da legislação reguladora da atividade de engenharia do que seria exatamente uma obra de construção civil.

Nessa lacuna da lei, o que aconteceu foi que o legislador buscou na doutrina vigente à época das edições das listas de serviços, o conceito de

66

construção civil, que era amplo. Tal conclusão está de acordo com entendimento de Bernardo R. Moraes exposto no subitem 3.2. do capítulo 3.

Estando bem definidas pelo Confea, as obras de construção civil, hidráulica e elétrica, passamos ao conceito de obra semelhante a essas à luz da Resolução nº 1010/2005, o que não encontramos.

Visto isso, o termo obra semelhante fica como objeto de interpretação por parte do aplicador da regra de direito. E in casu, há de se valer da regra contida no inciso I do art.108 do CTN, ou seja, de se usar a analogia em primeiro lugar para se aplicar a legislação na ausência de disposição expressa.

Dessa maneira, é de se considerar como obra semelhante, as demais obras de engenharia, que não as de construção civil, elétrica e hidráulica, concluindo-se que também de acordo com a Resolução nº 1010/2005, que o subitem 7,02 diz respeito a obras de qualquer especialidade da engenharia.

Verificamos também através do estudo da jurisprudência sobre o tema, que a maioria das decisões considera o conceito amplo de construção civil, inclusive a do Supremo Tribunal Federal apresentada neste trabalho.

Portanto, concluímos, de acordo com a doutrina, e à luz da Resolução nº 1010/2005 do Confea, assim como da jurisprudência, que o subitem 7.02 da Lista de Serviços da Lei Complementar 116/2003 grava a construção de obra de qualquer ramo da engenharia, e que obra de engenharia demanda um projeto específico.

Passando, então, às conclusões especificamente no que diz respeito ao enquadramento dos serviços de instalação e montagem nos subitens 7.02 e 14,06, inicialmente, verificamos que a doutrina é uníssona ao considerar que tais serviços constituem obras de construção civil, hidráulica, elétrica ou semelhantes, quando o objeto da instalação ou montagem aderir-se ao solo ou à edificação.

Esse critério presta-se para afastar a incidência de IPI ou ICMS, pois se não aderida ao solo, a montagem ou instalação consistirá em industrialização, conforme visto no Decreto da União de nº 7.212 de 15/06/2010, e também em

67

circulação de mercadorias, conforme exemplificadamente demonstrado pelas legislações do Estado de São Paulo e Minas Gerais.

Sozinho, entretanto, o critério de fixação ao solo é insuficiente para caracterizar o serviço como execução de obra de engenharia, eis que, conforme anteriormente concluído, é necessário a essa última, um projeto de engenharia.

Aliás, se assim não o fosse, poderíamos considerar obra de engenharia a mera fixação de uma bomba hidráulica a uma caixa d’água de um prédio?

Nesse caso, não há serviço algum de engenharia, e ocorrerá serviço de instalação de equipamentos inserto no item 14.06 da Lista de Serviços contida na Lei Complementar 116/2003, se a bomba for fornecida pelo contratante da instalação, e este seja usuário final da instalação, caso contrário, haverá circulação de mercadorias, e não prestação de serviços.

Coadunamos com Aires. F. Barreto ao considerar que para se caracterizar como obra de engenharia, além de os equipamentos montados e instalados agregarem-se definitivamente ao solo, que a instalação ou montagem deva ser precedida de projetos de engenharia.

Tal posição, inclusive, está de acordo com a legislação município de São Paulo, exarada no Parecer Normativo de nº. 001/76, publicado no Diário Oficial do Município de 30/01/1976.

Após o estudo da doutrina e da legislação de alguns estados e municípios, passamos às decisões do Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande Sul, verificando-se que não há na jurisprudência, entendimento pacificador acerca do enquadramento em questão.

Nas decisões analisadas, a maioria considera que os serviços de instalação e montagem são enquadrados como obras de construção civil, hidráulicas e semelhantes, apenas pelo fato dos serviços constituírem em uma

68

obra de engenharia, e que o termo construção civil deve ser entendido em seu sentido amplo.

Foi constatado, entretanto, o critério de fixação ou não ao solo ou edificação, assim como o a essencialidade do equipamento montado à finalidade a que se destina a obra,e também a necessidade de projeto de engenharia. Houve até mesmo a posição de que a construção civil deva ser entendida em seu sentido restrito, e que o fato de a montagem ou instalação aderir ao solo não caracteriza uma obra de construção civil.

Finalizamos nossa conclusão, expondo os critérios para enquadramento dos serviços de instalação e montagem de produtos, peças, equipamentos, aparelhos e máquinas na Lista de Serviços contida na Lei Complementar 116/2003.

Para se caracterizar como obra de engenharia, e assim ser enquadrada no subitem 7.02 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar 116/2003, independentemente de os materiais serem ou não fornecidos pelo prestador do serviço, a instalação ou montagem deve:

- ser precedida de projeto de engenharia de qualquer modalidade;

- resultar em instalação ou montagem agregada definitivamente ao solo ou edificação;

- ser efetivada fora do estabelecimento industrial que produziu os

materiais.

Para se caracterizar como instalação e montagem de aparelhos, máquinas e equipamentos, inclusive montagem industrial, e ser enquadrada no subitem 14.06 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar 116/2003, a instalação ou montagem:

- deve ser prestada a usuário final;

- deve ter o material fornecido pelo tomador do serviço;

- não deve ser precedida de projeto de engenharia.

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A seguir, apresentamos proposta para a realização de novo trabalho que busque aprofundamento a respeito do tema pesquisado.

Tem ocorrido na prática, casos complexos em que a empresa de engenharia é contratada para fornecer o equipamento industrial já instalado, abrangendo além da etapa de estudo, uma fase de execução, ou seja, a construção e entrega de uma instalação industrial em funcionamento.

Tais contratos são chamados de Turn Key, e trata-se da compra e venda de equipamento já instalado, acionado, testado e agilizado na produção (comissionamento do sistema).

José Eduardo Soares de Melo apresenta detalhado estudo acerca do assunto, sustentando haver embasamento jurídico para incidência do ISSQN, apesar da legislação caracterizar, em alguns casos, a atividade como industrialização. (MELO, 2003, P.75:76).

Para o deslinde da matéria, entretanto, ter-se-á que se passar pelo estudo acerca industrialização sob encomenda, assunto polêmico, como se sabe, assim como pelo aprofundamento da questão da incidência do ICMS.

70

7. Referências Bibliográficas

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COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de Direito Tributário Brasileiro. 5.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000.

DIAS, Maria Tereza Fonseca; GUSTIN, Miracy Barbosa de Sousa. (Re)Pensando a Pesquisa Jurídica. Belo Horizonte: Del Rey, 2002.

FONSECA, Maria Juliana de Almeida. Conflito de Competência Tributária: ICMS e ISSQN. Belo Horizonte: Del Rey, 2005.

72

MACHADO, Hugo de Brito Machado. Curso de Direito Tributário. 28.ed. São Paulo:

Malheiros, 2007.

MANGIERI, Francisco Ramos. ISS: Teoria, Prática e Questões Polêmicas/ISSQN – Imposto sobre serviços de qualquer natureza. 3ed. rev.atual. e ampl. nos termos da Lei Complementar nº 116, de 31.07.2003.Bauru:EDIPRO, 2003.

MARTINS, Ives Gandra da Silva. ISS Lei Complementar Nº 116/2003. Curitiba: Juruá:

2004.

MARTINS, Sérgio Pinto Martins. Manual do imposto Sobre Serviços. 7.ed. São Paulo:

Atlas, 2006.

MELO; José Eduardo Soares de Melo: ISS- Aspectos Teóricos e Práticos: 3.ed. São Paulo: Dialética, 2003.

MORAES, Bernardo Ribeiro de. Doutrina e Prática do ISS. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1984.

73

ANEXO I

1. CATEGORIA ENGENHARIA

1.1 - CAMPOS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL DA MODALIDADE CIVIL

Nº DE ORDEM DO SETOR

SETOR

Nº DE ORDEM DOS TÓPICOS

TÓPICOS

1.1.1

Construção Civil

   
 

1.1.1.01.00

 

Planialtimetria

   

1.1.1.01.01

Topografia

   

1.1.1.01.02

Batimetria

   

1.1.1.01.03

Georreferenciamento

 

1.1.1.02.00

 

Infraestrutura Territorial

   

1.1.1.02.01

Atividades Multidisciplinares referentes

Planejamento Urbano no âmbito da Engenharia Civil

a

   

1.1.1.02.02

Atividades Multidisciplinares referentes

Planejamento Regional no âmbito da Engenharia Civil

a

 

1.1.1.03.00

 

Sistemas, Métodos e Processos de Construção Civil

   

1.1.1.03.01

Tecnologia da Construção Civil

   

1.1.1.03.02

Industrialização da Construção Civil

 

1.1.1.04.00

 

Edificações

   

1.1.1.04.01

Impermeabilização

   

1.1.1.04.02

Isotermia

 

1.1.1.05.00

 

Terraplenagem

   

1.1.1.05.01

Compactação

   

1.1.1.05.02

Pavimentação

74

Nº DE ORDEM DO SETOR

SETOR

Nº DE ORDEM DOS TÓPICOS

TÓPICOS

 

1.1.1.06.00

 

Estradas

   

1.1.1.06.01

Rodovias

   

1.1.1.06.02

Pistas

   

1.1.1.06.03

Pátios

   

1.1.1.06.04

Terminais Aeroportuários

   

1.1.1.06.05

Heliportos

 

1.1.1.07.00

 

Tecnologia dos Materiais de Construção Civil

 

1.1.1.08.00

 

Resistência dos Materiais de Construção Civil

 

1.1.1.09.00

 

1.1.1.09.00

Patologia das Construções

 

1.1.1.10.00

 

1.1.1.10.00

Recuperação das

Construções

 

1.1.1.11.00

 

Equipamentos, Dispositivos e Componentes

   

1.1.1.11.01

Hidro-sanitários

   

1.1.1.11.02

de Gás

   

1.1.1.11.03

de Prevenção e Combate a Incêndio

 

1.1.1.12.00

 

Instalações

   

1.1.1.12.01

Hidro-sanitárias

   

1.1.1.12.02

de Gás

   

1.1.1.12.03

de Prevenção e Combate a Incêndio

 

1.1.1.13.00

 

Instalações

   

1.1.1.13.01

Elétricas em Baixa Tensão para fins residenciais e com. de pequeno porte

75

Nº DE ORDEM DO SETOR

SETOR

Nº DE ORDEM DOS TÓPICOS

TÓPICOS

   

1.1.1.13.02

de Tubulações Telefônicas e Lógicas para fins residenciais e comerciais de pequeno porte

1.1.2

Sistemas

   

Estruturais

 

1.1.2.01.00

 

Estabilidade das Estruturas

   

1.1.2.01.01

Estruturas de Concreto

   

1.1.2.01.02

Estruturas Metálicas

   

1.1.2.01.03

Estruturas de Madeira

   

1.1.2.01.04

Estruturas de Outros Materiais

   

1.1.2.01.05

Pontes

   

1.1.2.01.06

Grandes Estruturas

   

1.1.2.01.07

Estruturas Especiais

 

1.1.2.02.00

 

Pré-Moldados

Nº DE ORDEM DO SETOR

SETOR

Nº DE ORDEM DOS TÓPICOS

TÓPICOS

1.1.3

Geotécnia

   
 

1.1.3.01.00

 

Sistemas, Métodos e Processos da Geotecnia

 

1.1.3.02.00

 

Sistemas, Métodos e Processos da Mecânica dos Solos

 

1.1.3.03.00

 

Sistemas, Métodos e Processos da Mecânica das Rochas

76

Nº DE ORDEM DO SETOR

SETOR

Nº DE ORDEM DOS TÓPICOS

TÓPICOS

 

1.1.3.04.00

 

Sondagens

 

1.1.3.05.00

 

Fundações

 

1.1.3.06.00

 

Obras de Terra

 

1.1.3.07.00

 

Contenções

 

1.1.3.08.00

 

Túneis

 

1.1.3.09.00

 

Poços

 

1.1.3.10.00

 

Taludes

Nº DE ORDEM DO SETOR

SETOR

Nº DE ORDEM DOS TÓPICOS

TÓPICOS

1.1.4

Transportes

   
 

1.1.4.01.00

 

Infra-estrutura Viária

   

1.1.4.01.01

Rodovias

   

1.1.4.01.02

Ferrovias

   

1.1.4.01.03

Metrovias

   

1.1.4.01.04

Aerovias

   

1.1.4.01.05

Hidrovias

 

1.1.4.02.00

 

Terminais Modais

 

1.1.4.03.00

 

Terminais Multimodais

 

1.1.4.04.00

 

Sistemas Viários

 

1.1.4.05.00

 

Métodos Viários

77

Nº DE ORDEM DO SETOR

SETOR

Nº DE ORDEM DOS TÓPICOS

TÓPICOS

 

1.1.4.06.00

 

Operação

 

1.1.4.07.00

 

Tráfego

 

1.1.4.08.00

 

Serviços de Transporte

   

1.1.4.08.01

Rodoviário

   

1.1.4.08.02

Ferroviário

   

1.1.4.08.03

Metroviário

   

1.1.4.08.04

Aeroviário

   

1.1.4.08.05

Fluvial

   

1.1.4.08.06

Lacustre

   

1.1.4.08.07

Marítimo

   

1.1.4.08.08

Multimodal

 

1.1.4.09.00

 

Técnica dos Transportes

 

1.1.4.10.00

 

Economia dos Transportes

 

1.1.4.11.00

 

Trânsito

 

1.1.4.12.00

 

Sinalização

 

1.1.4.13.00

 

Logística

Nº DE ORDEM DO SETOR

SETOR

Nº DE ORDEM DOS TÓPICOS

TÓPICOS

1.1.5

Hidrotécnia

   
 

1.1.5.01.00

 

Hidráulica Aplicada

   

1.1.5.01.01

Obras Hidráulicas Fluviais

   

1.1.5.01.02

Obras Hidráulicas Marítimas

78

Nº DE ORDEM DO SETOR

SETOR

Nº DE ORDEM DOS TÓPICOS

TÓPICOS

   

1.1.5.01.03

Captação de Água para Abastecimento Doméstico

   

1.1.5.01.04

Captação de Água para Abastecimento Industrial

   

1.1.5.01.05

Adução de Água para Abastecimento Doméstico

   

1.1.5.01.06

Adução de Água para Abastecimento Industrial

   

1.1.5.01.07

Barragens

   

1.1.5.01.08

Diques

   

1.1.5.01.09

Sistemas de Drenagem

   

1.1.5.01.10

Sistemas de Irrigação

   

1.1.5.01.11

Vias Navegáveis

   

1.1.5.01.12

Portos

   

1.1.5.01.13

Rios

   

1.1.5.01.14

Canais

 

1.1.5.02.00

 

Hidrologia Aplicada

   

1.1.5.02.01

Regularização de Vazões

   

1.1.5.02.02

Controle de Enchentes

 

1.1.5.03.00

 

Sistemas, Métodos e Processos de Aproveitamento Múltiplo de Recursos Hídricos

Nº DE ORDEM DO SETOR

SETOR

Nº DE ORDEM DOS TÓPICOS

TÓPICOS

1.1.6

Saneamento

   

79

Básico

   

1.1.6.01.00

 

Hidráulica Aplicada ao Saneamento

1.1.6.02.00

 

Hidrologia Aplicada ao Saneamento

1.1.6.03.00

 

Sistemas, Métodos e Processos de

 

1.1.6.03.01

Abastecimento de Águas

 

1.1.6.03.02

Tratamento de Águas

 

1.1.6.03.03

Reservação de Águas

 

1.1.6.03.04

Distribuição de Águas

1.1.6.04.00

 

Sistemas, Métodos e Processos de Saneamento Urbano

 

1.1.6.04.01

Coleta de Esgotos Urbanos

 

1.1.6.04.02

Coleta de Águas Residuárias Urbanas

 

1.1.6.04.03

Coleta de Rejeitos Urbanos

 

1.1.6.04.04

Coleta de Rejeitos Hospitalares

 

1.1.6.04.05

Coleta de Rejeitos Industriais

 

1.1.6.04.06

Coleta de Resíduos Urbanos

 

1.1.6.04.07

Coleta de Resíduos Hospitalares

 

1.1.6.04.08

Coleta de Resíduos Industriais

 

1.1.6.04.09

Transporte de Esgotos Urbanos

 

1.1.6.04.10

Transporte de Águas Residuárias Urbanas

 

1.1.6.04.11

Transporte de Rejeitos Urbanos

 

1.1.6.04.12

Transporte de Rejeitos Hospitalares

 

1.1.6.04.13

Transporte de Rejeitos Industriais

 

1.1.6.04.14

Transporte de Resíduos Urbanos

80

   

1.1.6.04.15

Transporte de Resíduos Hospitalares

   

1.1.6.04.16

Transporte de Resíduos Industriais

Nº DE ORDEM DO SETOR

SETOR

Nº DE ORDEM DOS TÓPICOS

TÓPICOS

   

1.1.6.04.17

Transporte de Esgotos Urbanos

   

1.1.6.04.18

Tratamento de Águas Residuárias Urbanas

   

1.1.6.04.19

Tratamento de Rejeitos Urbanos

   

1.1.6.04.20

Tratamento de Rejeitos Hospitalares

   

1.1.6.04.21

Tratamento de Rejeitos Industriais

   

1.1.6.04.22

Tratamento de Resíduos Urbanos

   

1.1.6.04.23

Tratamento de Resíduos Hospitalares

   

1.1.6.04.24

Tratamento de Resíduos Industriais

   

1.1.6.04.25

Destinação Final de Esgotos Urbanos

   

1.1.6.04.26

Destinação Final de Águas Residuárias Urbanas

   

1.1.6.04.27

Destinação Final de Rejeitos Urbanos

   

1.1.6.04.28

Destinação Final de Rejeitos Hospitalares

   

1.1.6.04.29

Destinação Final de Rejeitos Industriais

   

1.1.6.04.30

Destinação Final de Resíduos Urbanos

   

1.1.6.04.31

Destinação Final de Resíduos Hospitalares

   

1.1.6.04.32

Destinação Final de Resíduos Industriais

 

1.1.6.05.00

 

Sistemas, Métodos e Processos de Saneamento Rural

   

1.1.6.05.01

Coleta de Esgotos Rurais

81

   

1.1.6.05.02

Coleta de Águas Residuárias Rurais

   

1.1.6.05.03

Coleta de Rejeitos Rurais

   

1.1.6.05.04

Coleta de Resíduos Rurais

   

1.1.6.05.05

Transporte de Esgotos Rurais

   

1.1.6.05.06

Transporte de Águas Residuárias Rurais

   

1.1.6.05.07

Transporte de Rejeitos Rurais

   

1.1.6.05.08

Transporte de Resíduos Rurais

   

1.1.6.05.09

Tratamento de Esgotos Rurais

   

1.1.6.05.10

Tratamento de Águas Residuárias Rurais

   

1.1.6.05.11

Tratamento de Rejeitos Rurais

   

1.1.6.05.12

Tratamento de Resíduos Rurais

   

1.1.6.05.13

Destinação Final de Esgotos Rurais

   

1.1.6.05.14

Destinação Final de Águas Residuárias Rurais

   

1.1.6.05.15

Destinação Final de Rejeitos Rurais

   

1.1.6.05.16

Destinação Final de Resíduos Rurais

1.1.7

Tecnologia

   

Hidrossanitária

Nº DE ORDEM DO SETOR

SETOR

Nº DE ORDEM DOS TÓPICOS

TÓPICOS

 

1.1.7.01.00

 

Tecnologia dos Materiais de Construção Civil utilizados em Engenharia Sanitária

 

1.1.7.02.00

 

Tecnologia dos Produtos Químicos e Bioquímicos utilizados na Engenharia Sanitária

82

 

1.1.7.03.00

 

Instalações, Equipamentos, Dispositivos e Componentes da Engenharia Sanitária

1.1.8

Gestão Sanitária

   

do Ambiente

 

1.1.8.01.00

 

Avaliação de Impactos Sanitários no Ambiente

   

1.1.8.01.01