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Sustentabilidade Organizacional

Aula 06

O problema da sustentabilidade sob uma perspectiva global

Objetivos Específicos

• Conhecer o problema da sustentabilidade sob uma perspectiva global

Temas

Introdução

  • 1 Os limites da economia

  • 2 O que fazer para diminuir essa exploração? Referências

Professor

Ricardo Raele

Sustentabilidade Organizacional

Introdução

É comum nos perguntarmos quais são os limites da capacidade de suporte do planeta

tendo em vista a pressão que a economia humana faz sobre os ecossistemas. De fato, os

recursos sobre a face da Terra são finitos e as demandas humanas têm-se apresentado

crescentes. Quando tratamos da biosfera, a quantidade de energia (luz solar) que nela recai

é limitada e serve para manter a vida de todos os organismos vivos — salvo os que vivem nos

mais profundos oceanos. A energia solar que incide sobre o planeta é usada pelos vegetais

para produzir biomassa (madeira, celulose) além de açúcares e outros compostos químicos

complexos. Os demais animais se nutrem de alimentos vegetais, e os predadores, desses

herbívoros. Ou seja, para uma quantidade de energia finita que incide sobre o planeta, a vida

se mantém e se adapta (KORMONDI; BROWN, 2002).

Limitação também existe para os demais recursos naturais, como a água doce, os serviços

ambientais, a terra fértil disponível Os seres vivos compartilham desses recursos, e ao se

...

adaptarem distribuem-se em nichos ecológicos que provêm o suficiente para sobreviverem.

O ser humano também depende desses recursos para sua sobrevivência. No entanto,

sua sobrevivência rompe os limites da subsistência. A cultura produz utensílios, máquinas,

equipamentos, e estes tornam o ser humano capaz de conquistar para si uma porção cada

vez maior desses recursos naturais que estão sobre a Terra.

Como o avanço tecnológico não conhece limites, e as satisfações humanas variam da

subsistência até o limite do mais supérfluo dos bens, o planeta se vê em uma condição

delicada. Claro, se o ser humano tem a tecnologia para explorar os recursos naturais para si

e a vontade de fazê-lo para satisfazer suas necessidades (úteis ou fúteis) não tem limites, os

recursos naturais tendem a ser explorados até a exaustão.

E de fato é o que está acontecendo. A exploração da natureza não cessou de aumentar

um só ano nas últimas décadas. Perdemos florestas, água potável, rios, animais Duas

...

perguntas surgem perante esse problema:

A primeira é: “Quanto o planeta ainda aguenta ser explorado?”.

E a segunda é: “O que fazer para diminuir essa exploração?”.

O texto a seguir é uma introdução a essas respostas.

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1 Os limites da economia

Sustentabilidade Organizacional 1 Os limites da economia Para entender um pouco mais sobre as diversas perspectivas

Para entender um pouco mais sobre as diversas perspectivas da sustentabilidade empresarial, acesse o link disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem e leia as páginas 28 a 33 do Compêndio de Sustentabilidade, organizado por Anne Louette.

Sustentabilidade Organizacional 1 Os limites da economia Para entender um pouco mais sobre as diversas perspectivas

Vivemos num regime capitalista. A ordem do mundo é consumir. É por meio do consumo

que se estabelecem direitos e status social para a grande maioria das pessoas.

Se vivemos em uma sociedade de consumo, é de se supor que bens sejam produzidos

em larga escala, e de fato é o que acontece. Os bens são produzidos em série, para serem

consumidos em massa. E a demanda social por bens de consumo cresce a cada ano. É próprio

do regime capitalista, aumentar a base de consumidores, no sentido de garantir mercado.

Não há capitalismo sem o surgimento de novos consumidores. Há, portanto, que manter os

mercados já consolidados consumindo e criar novos mercados para que as empresas possam

crescer, e o capital se multiplicar.

Sustentabilidade Organizacional 1 Os limites da economia Para entender um pouco mais sobre as diversas perspectivas

Do ponto de vista material, quem paga essa conta é a natureza. Mesmo que a tecnologia avance, os processos industriais se aprimorem, existe uma questão de fundo que não pode ser esquecida.

Mesmo com o avanço tecnológico, a quantidade de matéria e energia que os seres humanos consumiram do planeta aumentou ou diminuiu?

Avanços e inovações para diminuir o impacto são válidos, mas no geral temos diminuído o impacto, ou os avanços e inovações que geraram ganhos de produtividade resultaram em um excedente de capital que aumentou o consumo?

Sustentabilidade Organizacional 1 Os limites da economia Para entender um pouco mais sobre as diversas perspectivas

Não há resposta simples para essa pergunta, mas o que os dados históricos mostram é

que o avanço tecnológico ainda não foi revertido em benefício para o planeta. Os avanços

tecnológicos que em teoria deveriam diminuir o impacto sobre a natureza, na realidade têm

aumentado esse impacto. Ao que parece as melhorias nos processos industriais em escala

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regional não se revertem em diminuição do impacto global. Tome como exemplo a quantidade

de impressões em papel. Com a popularização do correio eletrônico (e-mail), a quantidade de

consumo de papel aumentou em vez de diminuir. Temos aumentado a demanda por matérias-

primas, por água, energia, e os animais que dependiam desses recursos para sobreviver

morrem aos milhares. Os carros, o luxo, a vida sofisticada parece ter preço. E quem paga esse

preço é a natureza.

Para mostrar em dados concretos o que se está tentando explicar, basta compararmos

a quantidade de informação que circula no planeta (em bits por ano) e a quantidade de

energia consumida pela raça humana em uma mesma série histórica. Se o mito do avanço

tecnológico por si só fosse suficiente para salvar o planeta, como explicar que o aumento

do trânsito da informação através da internet, a maior conquista tecnológica das últimas

décadas, não diminuiu o impacto sobre a natureza, mais puramente expresso na quantidade

bruta de energia que consumimos em escala global? Mais uma vez, o fato de podermos fazer

videoconferências com o mundo todo, ao que parece, não diminuiu a quantidade de viagens

executivas internacionais. Os voos se intensificaram e a promessa da diminuição do impacto

ambiental gerado pela tecnologia não parece se ter concretizado. Acompanhe os gráficos a

seguir.

De fato, entre 1995 e 2006, o total do tráfego na Internet saltou de 10 terabites para

1.000.000.000 de terabites (ou 1 exabite). De acordo com a Cisco, a mesma fonte (Wired)

mostrou em suas projeções que o total do tráfego de 1 a 7 exabites entre 2005 e 2010 seria

alcançado. O eixo vertical do gráfico abaixo mostra essa evolução.

Já o gráfico 1, mostra o aumento do consumo de energia em exajaules pela raça humana

no planeta.

Gráfico 1 – Aumento da quantidade de informação circulante no mundo de 1990 a 2010

Sustentabilidade Organizacional regional não se revertem em diminuição do impacto global. Tome como exemplo a quantidadehttp://bits.blogs.nytimes.com />. Acesso em: mar./2014. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 " id="pdf-obj-3-54" src="pdf-obj-3-54.jpg">

Fonte: New York Times. Disponível em: <http://bits.blogs.nytimes.com/>. Acesso em: mar./2014.

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Já o gráfico 2 ilustra a evolução do consumo de energia em uma série histórica, veja abaixo:

Gráfico 2 – Consumo mundial de energia

Sustentabilidade Organizacional Já o gráfico 2 ilustra a evolução do consumo de energia em uma sériehttp://www.financialsense.com/contributors/gail-tverberg/world-energy- consumption-since-1820-in-charts >. Acesso em: abr./2014. Nota: A questão que os gráficos evidenciam é que, mesmo com o aumento da tecnologia, o consumo de energia absoluto no mundo aumentou, ou seja, a promessa de avanço tecnológico nem sempre se traduz em diminuição do impacto da atividade humana na natureza. Um terabite equivale a mais de um bilhão de bytes, precisamente 1.073.741.824 bytes. O byte é a menor quantidade de informação que um computador processa. Jaule é uma unidade de energia. Um exajaule equivale a um quintilhão de jaules (1018) Ver: http://en.wikipedia.org/wiki/Joule para mais detalhes. Como se pode constatar, o avanço tecnológico da Internet que poderia diminuir o impacto ambiental sobre o planeta — na medida em que potencialmente teria a capacidade de desmaterializar o consumo através do meio eletrônico — não diminuiu a quantidade do consumo de energia pelo ser humano, e consequentemente o impacto da atividade humana sobre a natureza. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 " id="pdf-obj-4-10" src="pdf-obj-4-10.jpg">

Nota: A questão que os gráficos evidenciam é que, mesmo com o aumento da tecnologia,

o consumo de energia absoluto no mundo aumentou, ou seja, a promessa de avanço

tecnológico nem sempre se traduz em diminuição do impacto da atividade humana na

natureza.

Sustentabilidade Organizacional Já o gráfico 2 ilustra a evolução do consumo de energia em uma sériehttp://www.financialsense.com/contributors/gail-tverberg/world-energy- consumption-since-1820-in-charts >. Acesso em: abr./2014. Nota: A questão que os gráficos evidenciam é que, mesmo com o aumento da tecnologia, o consumo de energia absoluto no mundo aumentou, ou seja, a promessa de avanço tecnológico nem sempre se traduz em diminuição do impacto da atividade humana na natureza. Um terabite equivale a mais de um bilhão de bytes, precisamente 1.073.741.824 bytes. O byte é a menor quantidade de informação que um computador processa. Jaule é uma unidade de energia. Um exajaule equivale a um quintilhão de jaules (1018) Ver: http://en.wikipedia.org/wiki/Joule para mais detalhes. Como se pode constatar, o avanço tecnológico da Internet que poderia diminuir o impacto ambiental sobre o planeta — na medida em que potencialmente teria a capacidade de desmaterializar o consumo através do meio eletrônico — não diminuiu a quantidade do consumo de energia pelo ser humano, e consequentemente o impacto da atividade humana sobre a natureza. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 " id="pdf-obj-4-24" src="pdf-obj-4-24.jpg">

Um terabite equivale a mais de um bilhão de bytes, precisamente 1.073.741.824 bytes. O byte é a menor quantidade de informação que um computador processa.

Jaule é uma unidade de energia. Um exajaule equivale a um quintilhão de jaules (1018) Ver: http://en.wikipedia.org/wiki/Joule para mais detalhes.

Sustentabilidade Organizacional Já o gráfico 2 ilustra a evolução do consumo de energia em uma sériehttp://www.financialsense.com/contributors/gail-tverberg/world-energy- consumption-since-1820-in-charts >. Acesso em: abr./2014. Nota: A questão que os gráficos evidenciam é que, mesmo com o aumento da tecnologia, o consumo de energia absoluto no mundo aumentou, ou seja, a promessa de avanço tecnológico nem sempre se traduz em diminuição do impacto da atividade humana na natureza. Um terabite equivale a mais de um bilhão de bytes, precisamente 1.073.741.824 bytes. O byte é a menor quantidade de informação que um computador processa. Jaule é uma unidade de energia. Um exajaule equivale a um quintilhão de jaules (1018) Ver: http://en.wikipedia.org/wiki/Joule para mais detalhes. Como se pode constatar, o avanço tecnológico da Internet que poderia diminuir o impacto ambiental sobre o planeta — na medida em que potencialmente teria a capacidade de desmaterializar o consumo através do meio eletrônico — não diminuiu a quantidade do consumo de energia pelo ser humano, e consequentemente o impacto da atividade humana sobre a natureza. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 " id="pdf-obj-4-32" src="pdf-obj-4-32.jpg">

Como se pode constatar, o avanço tecnológico da Internet que poderia diminuir o

impacto ambiental sobre o planeta — na medida em que potencialmente teria a capacidade

de desmaterializar o consumo através do meio eletrônico — não diminuiu a quantidade do

consumo de energia pelo ser humano, e consequentemente o impacto da atividade humana

sobre a natureza.

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No entanto, é perigoso o que se vem fazendo com a natureza, porque, embora muitas

pessoas não saibam, a natureza é um conjunto extremamente complexo e organizado. Um

sistema que se auto-organiza. O grau de organização da natureza é tão grande que os cientistas

não sabem de sua complexidade, apenas têm indícios de como ela funciona.

Os sistemas complexos (sejam naturais, sejam artificiais) possuem uma característica

que se chama resiliência. Ou seja, quando são perturbados, esses sistemas se “esforçam”

para voltar a seu estado natural, seu estado de “equilíbrio”. Imagine um bosque com muitas

árvores e pássaros. Os pássaros dependem das árvores para morar e comer, e as árvores

dependem dos pássaros para espalhar suas sementes. Supondo que uma madeireira corte

metade das árvores desse bosque. Nas próximas décadas, várias clareiras serão abertas onde

haverá luz disponível. Haverá mais pássaros por árvore que sobrou para espalhar sementes.

Ou seja, as sementes serão espalhadas intensamente, e as que caírem onde existe luz, mais

provavelmente germinarão.

Dependendo de suas características, em oitenta ou cem anos, o bosque poderá ter

reencontrado seu estado de equilíbrio novamente (para uma descrição detalhada desse tipo

de processo consulte Gurevitch et al. 2009). Ou seja, sua capacidade de resiliência fez com

que ele voltasse a seu estado natural.

Suponha que se cortem oitenta por cento das árvores. Sobreviverão pássaros ou todos

morrerão devido ao estresse alimentar? Haverá folhas suficientes no chão para apodrecer e

nutrir o solo ou o solo irá se empobrecer a ponto de não ter nutrientes para o nascimento de

novas sementes?

Nesse ponto, podemos nos perguntar, será que o bosque terá “força” para se reerguer?

É como uma doença em uma pessoa. Até que ponto a pessoa tem força para se restabelecer

e voltar a seu funcionamento normal? Há um ponto para além do qual os sistemas complexos

não conseguem mais se reorganizar. Ou o sistema se desfaz por completo ou ele encontra

outro padrão de organização completamente diferente do primeiro. Este é o ponto em que se

quebra a resiliência do sistema, ou seja, a capacidade do sistema de se auto-organizar.

Com o planeta se dá o mesmo. O aquecimento global está mudando o regime dos ventos,

das marés, com isso milhares de seres vivos estão sendo impactados. O lixo, os poluentes

gerados pelos seres humanos, comprometem os ecossistemas e os desorganizam. Até que

ponto o planeta vai conseguir se reorganizar?

De fato, a vida no planeta não acabará, por mais que os seres humanos desorganizem

os ecossistemas. O que tende a acontecer no pior quadro é o planeta se desorganizar de tal

forma que, ao se reorganizar daqui a milhares de anos, ele atinja um estado de equilíbrio (de

temperatura, composição química do ar etc.) que seja desfavorável a vida de muitas espécies,

inclusive a humana. Nesse ponto, o que preocupa não é o resultado desse reequilíbrio, mas

o processo. Imagine se as geleiras derreterem com o aquecimento global (causado pela

poluição) e todas as cidades costeiras do mundo sejam inundadas. É o caos completo.

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O preço pelo desequilíbrio dos ecossistemas é pago todos os dias, desde o lixo entupindo

os bueiros e alagando ruas, até os índices crescentes de doenças como diabetes e câncer.

Mas o sistema planetário ainda está prestando seus serviços ambientais, com um regime de

chuva estável, estações do ano definidas Mas isso não está mudando?

...

Não se sabe se já ultrapassamos a capacidade de resiliência do planeta e ele rumará para

uma reorganização completa nos próximos séculos. Entretanto, isso não exclui o fato de que

devemos cuidar dele para minimizar os impactos nesse desequilíbrio, porque, como foi dito,

o processo de reorganização dos sistemas naturais é imprevisível, e pode se dar de forma

violenta diante da fragilidade da vida.

Teóricos como Daly (1973) defendem a imposição de um limite para o crescimento

econômico, e que, como não sabemos o limite de impacto que o planeta suporta, o mais

prudente é respeitá-lo. Para Daly, conhecê-lo na prática não parece ser um comportamento

dos mais inteligentes.

2 O que fazer para diminuir essa exploração?

Veiga (2010) coloca de forma perspicaz que todo processo de desenvolvimento ocorre

sobre duas bases. Uma razão instrumental (tecnologia) e uma razão valorativa (cultura). Ou

seja, a cultura cria valores, cria na imaginação aquilo que desejamos para nós mesmos, e a

tecnologia nos dá os meios materiais para tornar essa “imaginação” uma realidade concreta.

Por exemplo, o ser humano sente a vontade de voar, e assume o fato de voar como

sendo de grande valor. Ele alimenta sentimentos profundos na vida subjetiva. A tecnologia,

por sua vez, é aquilo que tornará possível a fabricação de um avião. Estas duas forças

motrizes, a razão instrumental e a razão valorativa, ao interagirem constroem o processo de

desenvolvimento de uma sociedade. Cada sociedade operando dentro de sua cosmologia e

recursos disponíveis.

É fácil imaginar que esse processo de desenvolvimento pode assumir infinitas formas,

criar as mais diferentes tecnologias e costumes. Esquimós cortam gelo com costelas de baleia,

norte-americanos trituram gelo com eletrodomésticos, e índios sul-americanos desconhecem

o gelo, mas sabem caçar com venenos de sapos.

Portanto, existem culturas em que a razão instrumental e a razão valorativa (ou simbólica)

geram maiores impactos no ambiente, e culturas que geram menores impactos no ambiente.

Ou seja, a natureza é vista de formas diferentes pelas culturas e operada instrumentalmente

de maneira diferente por cada uma delas.

Para diminuir o impacto ambiental de cultura capitalista seria preciso primeiramente

mudar a razão valorativa do regime. O ideal seria que bens não materiais tivessem maior

valor e gerassem mais status que bens materiais. Com isso, o consumo material de supérfluos

perderia boa parte do sentido. A valorização da arte, da ciência, da filosofia em detrimento da

cultura do consumo seria uma primeira saída.

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Por outro lado seria interessante financiar o desenvolvimento de tecnologias que

desmaterializassem o consumo, como o teletrabalho, a indústria do software, o transporte

público (em vez da cultura automobilística), a reciclagem do lixo, das soluções de geração de

energia e da captação de água em microescala.

Em conjunto, essas atitudes ajudariam a transformar a lógica de consumo que impomos

ao planeta inaugurando uma dinâmica baseada em valores mais abstratos e subjetivos no

sentido de organizar a hierarquia social de valores econômicos e políticos.

Em nosso dia a dia, tentar adotar um estilo de vida que traduza essa mudança é um

desafio real e necessário para aqueles que realmente querem se comprometer a mudar a

maneira com a qual nos relacionamos com a natureza.

Na prática, indicadores climáticos e biológicos vêm apresentando transformações

preocupantes ao longo das últimas décadas, e tudo indica que por razão da atividade humana.

Caso os cenários de mudança climática e poluição, projetados pelos cientistas, se confirmem,

teremos graves problemas no futuro, a começar pela água e pela energia.

Figura 1 – Disponibilidade de água naturalmente renovável no mundo

Sustentabilidade Organizacional Por outro lado seria interessante financiar o desenvolvimento de tecnologias que desmaterializassem o consumo,w w w . u n e p . o r g / d e w a / v i t a l w a t e r / a r ti c l e 7 9 . h t m l >. Acesso em: mar./2014. Segundo a ONU, a disponibilidade de água renovável, ou seja, água reposta por serviços ambientais como a chuva em rios e lagos, é um dos principais indicadores de risco de conflitos por acesso à água. Em São Paulo, o sistema Cantareira atingiu níveis críticos em fevereiro de 2014, o que gerou tensão entre os governos de São Paulo e Rio de Janeiro, visto que o então governador de São Paulo anunciou a transposição de um curso de água que abastece a população fluminense. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 " id="pdf-obj-7-36" src="pdf-obj-7-36.jpg">

Fonte: ONU. Disponível em: <www.unep.org/dewa/vitalwater/article79.html>. Acesso em: mar./2014.

Segundo a ONU, a disponibilidade de água renovável, ou seja, água reposta por serviços

ambientais como a chuva em rios e lagos, é um dos principais indicadores de risco de conflitos

por acesso à água. Em São Paulo, o sistema Cantareira atingiu níveis críticos em fevereiro

de 2014, o que gerou tensão entre os governos de São Paulo e Rio de Janeiro, visto que o

então governador de São Paulo anunciou a transposição de um curso de água que abastece

a população fluminense.

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A poluição da atmosfera com gás carbônico (emitido com a queima de gasolina e óleo

diesel nos motores dos carros e processos industriais) é o principal fator para o aquecimento

global. O acúmulo de gás carbônico na atmosfera age como uma estufa, retendo a radiação

solar e aquecendo o planeta. Com isso, desde 1860 a temperatura do planeta subiu cerca de

10 graus Celsius. O gráfico 3 mostra a evolução da temperatura no planeta.

Gráfico 3 – Variação da temperatura global da terra perto da superfície

Sustentabilidade Organizacional A poluição da atmosfera com gás carbônico (emitido com a queima de gasolina ew w w . b b c . c o . u k / p o r t u g u e s e / e s p e c i a l / 2 2 5 3 _ g r a fi c o s c l i m a />. Acesso em: abr./2014. Ao que parece, iniciativas têm falhado no sentido de mudar as “regras do jogo” e o consumo só tem aumentado. Por isso, alguns teóricos têm insistido na necessidade de impor um limite ao crescimento econômico, ou ainda mudar a estrutura de valores culturais que regem nossa sociedade. Seria mudar de uma sociedade de consumo para uma sociedade existencial. A tecnologia deve ainda andar em conjunto com essa possível mudança, dando suporte para que a informação e os bens imateriais transitem pelo globo sem causar impacto ambiental. Considerações finais Este texto apresentou algumas reflexões sobre a pressão que a atividade econômica impõe na biosfera, e tratou do problema da resiliência dos ecossistemas enquanto capacidade que o planeta tem de se recuperar dos impactos humanos. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 " id="pdf-obj-8-18" src="pdf-obj-8-18.jpg">

Fonte: Centro Hadley, publicado pela BBC Brasil. Disponível em: <www.bbc.co.uk/portuguese/especial/2253_ graficosclima/>. Acesso em: abr./2014.

Ao que parece, iniciativas têm falhado no sentido de mudar as “regras do jogo” e o

consumo só tem aumentado. Por isso, alguns teóricos têm insistido na necessidade de impor

um limite ao crescimento econômico, ou ainda mudar a estrutura de valores culturais que

regem nossa sociedade. Seria mudar de uma sociedade de consumo para uma sociedade

existencial.

A tecnologia deve ainda andar em conjunto com essa possível mudança, dando suporte

para que a informação e os bens imateriais transitem pelo globo sem causar impacto

ambiental.

Considerações finais

Este texto apresentou algumas reflexões sobre a pressão que a atividade econômica

impõe na biosfera, e tratou do problema da resiliência dos ecossistemas enquanto capacidade

que o planeta tem de se recuperar dos impactos humanos.

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A economia de mercado parece valorizar o consumo acima de todos os valores, sem

considerar a capacidade que os ecossistemas possuem em suprir as demandas por matéria e

energia que a produção em escala global demanda.

Nesse sentido, não se conhece qual é o limite tolerável pelo planeta para que ele seja

explorado e poluído e, ainda assim, continue a prestar seus serviços naturais de suporte à

vida, como a purificação das águas através das chuvas e da filtragem em aquíferos, o regime

de ventos e marés, a dispersão de sementes etc.

O que cabe aos profissionais que lidam com sustentabilidade nas organizações é servir-

se de dados e consultorias técnicas para que as soluções adotadas nas empresas em que

trabalham atendam ao triple bottom line (TBL) para além de uma lógica burocrática, ou seja,

normativa. É preciso, portanto, que análises técnicas apoiem decisões empresariais no sentido

de salvaguardar os ecossistemas de perturbações que comprometam os serviços ambientais

que eles prestam. Ou seja, dependendo da situação e da decisão a ser tomada, um estudo

técnico pode ser interessante.

Ao apoiar as decisões de sua empresa com bons relatórios técnicos, os ecossistemas

estarão mais seguros, e as operações da empresa a longo prazo também.

Referências

DALY, H. E. Towards a Steady State Economy. San Francisco: W.H. Freeman, 1973.

GUREVITCH, J.; SCHEINER, S. M.; FOX, G. A. Ecologia Vegetal. 2.ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.

KORMONDY, E. J.; BROWN, D. E. Ecologia Humana. São Paulo: Ateneu, 2002. p. 5013.

VEIGA, J. E. Sustentabilidade: a legitimação de um novo valor. São Paulo: Senac, 2010.