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Textos de Apoio

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> design editorial online e offline

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>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> O design editorial na era dos tablets

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Desde a B í blia de Gutenberg, que marcou o início da produç ão em massa de livros impressos no século XV, e o advento da editora ç ão eletr ô nica na década de 80, o mercado editorial não passava por uma grande transformaç ão como agora com o surgimento dos tablets.

O lan ç amento do iPad, em abril de 2010, marcou o início desta nova era. O tablet da Apple não foi o primeiro a ser inventado, mas foi o responsável pela popularizaç ão e passou a ser imitado mundo afora. Foram vendidos 55 milhões de iPads desde seu lanç amento e, mesmo com o avanç o das outras marcas, a Apple detém 73% das vendas da categoria no mercado mundial. No Brasil, os números crescem a todo vapor e a previsão, segundo a empresa de pesquisa IDC, é que sejam vendidos 2,2 milhões de tablets em 2012.

Os e-readers (leitores de livros digitais) estão no mercado há mais de uma década, com a única funç ão de exibir textos estáticos em uma tela em preto e branco. Por isso, muito do sucesso dos tablets, como aparelhos para leitura de livros e revistas digitais, se deve à tela colorida, sensível ao toque e com controle de luminosidade e aos recursos grá cos interativos que trouxeram uma nova experiê ncia para o leitor. Para Mike Haney, editor executivo da revista Popular Science, o iPad foi “o primeiro aparelho pequeno o bastante e com uma tela grande o suciente para permitir que as pessoas o usem tão confortavelmente como uma revista impressa”.

Os desa os são muitos. Nunca se vendeu tantos livros digitais (e-books) nas lojas on-line, mas ainda são poucos os títulos brasileiros. Escolas e universidades, inclusive no Brasil, adotam cada vez mais os tablets como ferramenta

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pedagógica mas, no entanto, carecem de livros didáticos digitais e interativos para atrair a atenç ão dos alunos. Entretanto, o impacto da nova tecnologia tem sido maior para os jornais e as revistas, pois exige uma mudanç a de comportamento nas redaç ões. Jornalistas, designers e programadores agora precisam trabalhar em sintonia para dar conta do recado e produzir ediç ões que atendam a expectativa do leitor, ávido por conteúdos extras como vídeos e infográ cos animados.

Devido ao formato, os jornais digitais se parecem cada vez mais com os sites de notícias ou revistas digitais. Em fevereiro de 2011, foi lanç ado o “The Daily”, primeiro jornal diário criado exclusivamente para tablets, que envia automaticamente as notícias para o assinante toda manhã. Sua estrutura é o de uma revista dinâ mica, com matérias curtas e alta rotatividade de conteúdo.

Um dos contratempos do novo mercado de revistas digitais, que também acaba confundindo o leitor, é que não existe uma padronizaç ão. A maioria dos títulos oferece duas versões da mesma página de acordo com a orienta ç ão do tablet, horizontal ou vertical, o que exige trabalho dobrado dos designers mesmo que o conteúdo não seja idê ntico nas duas versões. Existe a perda da visão das tradicionais páginas duplas impressas. A sequê ncia de leitura pode se dar de forma horizontal, página a página ou matéria a matéria, ou no eixo vertical, “virando” as páginas para cima ou para baixo. O modo gestual como o usuário interage com a tela para acessar o índice, aumentar o zoom ou o tamanho das fontes também mudam de revista para revista, podendo ser realizados de formas diferentes ou não estarem disponíveis. A não-padronizaç ão exige que o designer crie símbolos e outras soluç ões para se comunicar com o leitor e determinar as áreas de toque, uma vez que com os dedos não é possível ver o cursor se alterar antes do “clique”.

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Durante o evento 4o LIDE - Linguagem, Informaç ão e Design Editorial, que aconteceu em São Paulo em Novembro de 2011, Jorge Oliveira, editor de arte da revista Superinteressante, e Gabriel Gianordoli, designer e infogra sta da revista Época Negócios, falaram sobre as diculdades enfrentadas com relaç ão ao tamanho dos arquivos de cada ediç ão digital, cheias de conteúdos “pesados”, e a lenta conexão da internet no Brasil, que faz com que muitas vezes seja mais rápido ir até a banca comprar um exemplar do que fazer um download. Com o lan ç amento recente da terceira geraç ão do iPad, que conta com uma tela de resoluç ão ainda maior, o dilema tende a piorar. Por este e outros motivos, os pro ssionais ressaltaram que a dica mais importante é “fazer valer a pena”, para que os recursos interativos sejam utilizados de forma consciente, acrescentando conteúdo real às matérias e não apenas decorativos.

Os conceitos essenciais para um bom design editorial impresso, são os mesmos para as versões digitais. O projeto grá co, seja na transposiç ão do impresso para o digital ou na criaç ão de uma ediç ão exclusiva para tablet, deve dar igual importâ ncia para os princípios de composiç ão, unidade e hierarquia da informaç ão. O formato e o modo de intera ç ão com a tela exigem a construç ão de um grid especíco e um estudo cuidadoso da tipogra a para garantir legibilidade e conforto visual.

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>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> O livro e suas capas

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Sabe aquela frase “você compra o livro pela capa”? Ela é verdadeira, mas de qual capa estamos falando?

Além da função básica de apresentar as informações de identicação da obra, as capas servem como um verdadeiro outdoor, onde a junção de elementos estéticos são incorporados a m de atrair a atenção dos leitores. Mesmo considerando que o livro não deve ser comprado apenas pela sua capa, a função de atrair e seduzir o usuário para que consuma seu conteúdo é explorado de maneira explicita, proporcionando uma guerra nas prateleiras das livrarias.

Se valendo de imagens, ilustradas ou fotográ cas, disposições variadas da tipogra a, ao diagramar o título, ou simplesmente explorando as cores como elementos compositivos, as capas oferecem um apelo de venda intrínseco, advindo das características promocionais do marketing, onde a função de embalar o produto trata os aspectos estético-formais de maneira a criar um objeto desejado, necessário, mesmo que apenas por ser atraente.

Entendendo a estrutura do livro

de maneira a criar um objeto desejado, necessário, mesmo que apenas por ser atraente. Entendendo a

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Um livro não é somente um monte de folhas presas pela capa. Ele possui partes, mais ou menos constantes em todos os títulos.

A capa e o miolo são os dois grandes segmentos que compõem um livro, mas cada um deles possuem partes especícas e complexas em sua elaboração.

o miolo

Folhear um livro é um ato simples e muito prazeroso, mas não é somente por ser o conteúdo, mas por sua apresentação visual, sua diagramação, seu projeto grá co, enm, o miolo do livro é a sua alma.

Estruturalmente ele não é somente uma porção de letrinhas que formam palavras (risos). Araújo (2000), descreve a estrutura dos livros, em quatro partes:

• Pré-textual: são elementos que antecedem o texto principal. Como elementos mínimos, que devem aparecer em uma obra, na seguinte ordem – falsa folha de rosto; folha de rosto; dedicatória; epígrafe; sumário; lista de ilustrações; lista de abreviaturas e siglas; prefácio e agradecimentos;

• Textual: o texto correspondente ao conteúdo da obra, o livro propriamente dito;

• Pós-textual: localiza-se depois do texto principal, elementos que a constituem podem ser as referências bibliográ cas, os anexos, o posfácio, a errata, o glossário, os índices – remissivo e/ou onomástico – e o colofão e;

• Extratextual: A capa e sua formatação especíca (capa, segunda-capa, terceira-capa, quarta-capa e orelhas).

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as capas

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A constituição da capa é feita para proteger as páginas internas, o miolo, geralmente feito com um papel mais no. Desta forma, remete ao princípio das embalagens na função de proteção e apresentação do conteúdo, para seu público/leitor (AMBROSE, 2009). Araújo (2000) de ne “sob a designação genérica de ‘capa’, encadernada (revestimento duro) ou brochada (revestimento exível)” esta parte extratextual que compõe o livro.

Acostumou-se a tratar por “capa” somente a primeira capa do livro, porém sua estrutura é mais complexa, conforme Araújo (2000):

sua estrutura é mais complexa, conforme Araújo (2000): • primeira capa (parte externa, geralmente destinada a

• primeira capa (parte externa, geralmente destinada a impressão das informações e gra smos – ilustrações, fotogra as, etc);

• segunda capa (verso da primeira capa, geralmente não é utilizada);

• terceira capa (verso da quarta capa, também não utilizada para impressão);

da quarta capa, também não utilizada para impressão); • quarta capa (ou contracapa, parte oposta da

• quarta capa (ou contracapa, parte oposta da capa, que pode ou não ter informações impressas);

• primeira orelha (dobra da primeira capa);

• segunda orelha (dobra da quarta capa);

• lombada (lateral do livro, parte visível quando o livro está posicionado em estantes) e;

• sobrecapa (cobertura opcional ao livro, normalmente promocional ou com apelo estético).

Assim, as capas se valem dos diversos materiais e acabamentos para transmitir de maneira única as informações da obra, sempre buscando um recurso diferenciado para ganhar a atenção nas livrarias. Com as

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tecnologias grá cas se desenvolvendo, relevos, vernizes, entre tantos outras formas, fazem um espetáculo a parte, construindo, novamente, capas dignas de objeto de exposição. Outras vezes, a simplicidade de apenas conter as informações textuais dispostas de maneira a torná-la uma imagem representativa, exerce o papel de diferenciar

a obra em meio a tantas opções.

Mas, basicamente, as informações contidas em uma capa são simples e objetivas, oferecendo uma grande gama de opções para organizá-las, deixando o designer livre para explorar sua criatividade e seus potenciais. Fawcett-Tang (2007), diz que é proporcional à tiragem, o investimento no projeto da capa do livro. Este fato faz com que as capas se transformem em projetos elaborados de design.

Criar uma capa com lombada

Na criação de uma capa, uma das tarefas que normalmente suscita algumas dúvidas, é na altura de calcular a medida da lombada.

Existem algumas formas de fazer esse cálculo, por exemplo, há quem faça um mono que corresponde a um exemplar dobrado em papel, quem acrescente 1 mm por cada caderno de 16 páginas com papel de 90g ou quem ache que se deva pedir sempre essa medida à grá ca.

A forma de calcular lombada que eu vos trago hoje, até à

data tem-se mostrado infalível.

Para este exemplo, pretendo fazer uma capa que tenha de largura 225 mm e altura 297 mm, com papel utilizado no interior de 80g e 160 páginas.

Em primeiro lugar, achemos a medida da lombada.

A fórmula: pega-se no número de páginas, dividimos por 2.

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Multiplica-se pela gramagem do papel. Divide-se por 100 e multiplica-se por 0,95 mm. Depois acrescenta-se 1 mm devido à cola da lombada.

No nosso exemplo as contas serão:

160:2=80×80=6400:100=64×0,95=60,8 arredonda-se para os 6,1 e mais 1 mm devido à cola e camos com o total de 6,2 mm.

Encontrada a medida da lombada, passamos para a paginação do documento.

Fazemos CTRL+N para abrir a janela de novo documento.

Fazemos CTRL+N para abrir a janela de novo documento. A – Inactivamos a opção Facing Pages

A – Inactivamos a opção Facing Pages

B – A medida da largura (width) terá que ter a dimensão de

duas páginas mais a da lombada (225+225+6,2)

C – 2 colunas para dividir os 512 mm em 2 partes, que na

realidade serão a capa e contra-capa

D – No Gutter, coloca-se a dimensão da lombada, ou seja,

6,2 mm

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E – As Bleeds ou sangrias são alguns milímetros que se

prolonga no documento para evitar que haja erros na hora do corte.

Por segurança nunca coloque menos que 3 mm.

F – Slug é uma área que denimos, fora da página, para

colocar elementos ou mesmo indicações importantes, podendo escolher na hora da prova, se queremos que seja visível no print ou não. É uma área que se utiliza para os mais diversos ns.

Para a nossa capa iremos utilizar essa área com 5 mm (só em top e bottom), para incluir as marcas de corte da nossa lombada.

e bottom), para incluir as marcas de corte da nossa lombada. E aqui temos a estrutura
e bottom), para incluir as marcas de corte da nossa lombada. E aqui temos a estrutura

E aqui temos a estrutura da capa quase nalizada, bastando apenas incluir as marcas de corte da lombada, colocando em cada extremidade da lombada (em baixo e em cima), um lete de 0,5 pt em preto.

Temos a base da nossa capa nalizada e não se esqueça, para que estas marcas sejam incluídas no seu print ou PDF nal, tem que activar a opção “Include Slug Area” em “Marks and Bleed” na janela de print (CTRL+P).

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os grids

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O que é um grid? Um grid é uma malha composta essencialmente por linhas guias, colunas e margens. Esta rede serve para de nir as relações de alinhamento, proporção e posicionamento dos elementos de um layout. A intenção do grid é facilitar a diagramação de grandes quantidades de informação e guiar o olhar do leitor.

De onde surgiu o conceito de grids? Existem registros do uso de grids desde a idade média para diagramação de livros e documentos antes mesmo da invenção dos tipos móveis. Algumas das estruturas criadas naquela época permanecem até hoje como o grid de colunas. Na foto abaixo temos, na ordem da esquerda para direita, uma incunabula impressa em latim de 1483, ao lado de uma cópia do jornal Edinburgh Evening Courant de 1774 e uma screenshot do aplicativo do The New York Times em um iPad. Séculos separam estas publicações, mas a estrutura do grid permanece a mesma.

do The New York Times em um iPad. Séculos separam estas publicações, mas a estrutura do

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Depois da segunda guerra mundial um grupo de designers europeus inuenciado pelos ideias modernistas ajudaram a formalizar e propagar o uso da ferramenta. O grid – levado ao extremo e utilizado de maneiras inusitadas como diagonalmente – acabou sendo um dos ícones do design da Suíca nos anos 50. Um dos principais designers deste estilo foi Josef Müller–Brockmann que inuencia designers até hoje.

Müller–Brockmann que in fl uencia designers até hoje . Por que utilizar um grid? São muitas

Por que utilizar um grid? São muitas as vantagens na criação baseada em grids. Organizar informações é a principal função, mas podemos citar orientação da atenção do leitor através de focos visuais, simplicação do processo de criação, estruturação de hierarquia e agilidade de produção como outros benefícios. Grids aumentam a precisão de um layout e são ótimas ferramentas para criar dinamismo.

O que eu posso fazer com um grid? Simplesmente colar o texto neste espaço caria meio entediante em um meio tão dinâmico quanto a internet, certo? Por isto é necessário criar contrastes: largura variável dos módulos de conteúdo e diferenças em matizes de cores.

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Outro exemplo de grids aplicados a webdesign é o layout do Pinterest, uma rede social que reune conteúdos visuais de diversas origens. O grid utilizado aqui é bem restritivo, com colunas, imagens e blocos de texto sempre do mesmo tamanho. O aparente desalinhamento do eixo horizontal das imagens é o que torna o layout interessante e dinâmico.

imagens é o que torna o layout interessante e dinâmico. Grids podem ser úteis para a

Grids podem ser úteis para a criação de patterns. Como neste poster criado para a Schweppes Club of Good pelo designer Daniel Niño.

úteis para a criação de patterns. Como neste poster criado para a Schweppes Club of Good

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Ou até mesmo para reforçar uma identidade visual como na caso da Microsoft que criou um grid multi-plataforma unindo o visual do Windows 8, Windows Phone e Xbox Live.

unindo o visual do Windows 8, Windows Phone e Xbox Live. Os grids podem (e devem)

Os grids podem (e devem) ser utilizados para qualquer tipo de produção grá ca como livros, revistas, cartões de visita, folders, etc.

É possível traçar linhas divisórias imaginárias em todo tipo de produto. Grids estão presentes em esportes como grids de largada em corridas de carros, maratonas e jardas de futebol americano. Você pode encontra-los em jogos analógicos como Xadrez ou até mesmo em games como o RPG Dofus ou viciante Candy Crush. Grids estão por toda parte!

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