Controladoria-Geral da União

Assessoria de Comunicação Social

11/02/2016
ATENDIMENTO – EDITORA SEGMENTO
- Nas prestações de contas relativas à educação analisadas, quais os principais problemas
encontrados? Em função do que eles ocorrem?
Primeiramente, informamos que a CGU não analisa as prestações de contas dos
convênios/contratos de repasse e similares, atividade que está a cargo de cada órgão
repassador de recursos.
Todavia, informamos que a CGU realiza fiscalizações para avaliar a execução dos programas de
governo contemplados com recursos federais. Na área da educação, por meio do Programa de
Fiscalização a partir de Sorteios Públicos, foram analisadas as seguintes Ações de Governo:
Apoio à Alimentação Escolar na Educação Básica (Pnae), Apoio ao Transporte Escolar na
Educação Básica (Pnate); Produção, Aquisição e distribuição de Livros e Materiais Didáticos e
Pedagógicos para a Educação Básica (PNLD), Dinheiro Direto na Escola (PDDE),
Complementação da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e
de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), dentre outras.
A seguir, as principais constatações identificadas nas fiscalizações realizadas:
Pnae:
Irregularidades/impropriedades nos processos licitatórios (direcionamento/simulação de
processo ou sobrepreço nas aquisições); armazenamento inadequado dos gêneros
alimentícios; fragilidades nos mapeamentos de preços; deficiências/ausência de controle de
estoque de alimentos; descumprimento/não elaboração dos cardápios; descumprimento do
parâmetro numérico de nutricionistas; fragilidades/ausência de prestação de contas;
Pnate:
Irregularidades/impropriedades nos processos licitatórios (direcionamento/simulação de
processo ou sobrepreço nas aquisições); veículos e condutores não atendem aos requisitos
estabelecidos no Código de Trânsito Brasileiro; ausência de comprovação documental dos
gastos realizados; desvio de finalidade (execução de recursos em itens que não possuíam
relação com o objeto do Programa); ausência de acompanhamento da execução dos recursos
do Pnate pelo Conselho de Acompanhamento e Controle Social - CACS/Fundeb; CACS/Fundeb
não emitiu parecer sobre a prestação de contas do Pnate;
PNLD:
Não distribuição dos livros para os alunos; falta de remanejamento de livros; não utilização de
livros pelos professores; entrega intempestiva dos livros; etc.

Auditoria Anual de Contas do FNDE:
Por meio da Auditoria Anual de Contas realizada no Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação (FNDE), relativa ao exercício de 2014, foi feita uma avaliação da gestão de
Transferências Diretas para verificar a atuação da Unidade quanto as seguintes atribuições: i)
fiscalizar a execução do objeto da avença, inclusive quanto à utilização de verificações físicas e
presenciais; ii) analisar as prestações de contas dos entes beneficiários/convenentes; iii)
adoção de providências em caso de falta de prestação de contas ou de identificação de
inconformidades nas análises efetuadas; iv) instauração da correspondente Tomada de Contas
Especial para os casos em que é cabível essa medida; v) adoção de providências para a redução
do estoque de prestação de contas pendentes de análise; e vi) avaliação quantitativa do
estoque, verificação do fluxo do processo de contas entrantes (que necessitam de
providências) e examinados (detalhando o montante que tiveram providências adotadas
pendentes de solução e concluídas).
De modo geral, foram verificadas vulnerabilidades nos controles internos administrativos da
área de gestão de transferências, impactando na implantação do Sistema de Gestão de
Prestação de Contas (SiGPC), na análise das prestações de contas apresentadas à Unidade e na
adoção de providências para instauração de Tomada de Contas Especial, conforme Relatório
publicado em: http://sistemas.cgu.gov.br/relats/uploads/7792_%20FNDE.pdf.
- Como analisam o dimensionamento do processo? Ele poderia ser mais simples? Como?
O FNDE, por meio da Resolução/CD/FNDE n.º 2, de 18 de janeiro de 2012, instituiu como
obrigatória, a partir de 2012, a utilização do Sistema de Gestão de Prestação de Contas (SiGPC)
para o processamento online de todas as fases relacionadas ao rito de prestação de contas dos
recursos repassados a título de Transferências Voluntárias e Obrigatórias/Legais, o seja, para
os recursos repassados pelo FNDE a partir do exercício de 2011, a apresentação de prestação
de contas deverá ser efetuada via sistema.
A equipe de auditoria da CGU constatou que o módulo de envio das prestações de contas do
referido Sistema estava disponível para alguns programas e que o módulo de análise dos
referidos instrumentos não está concluído.
Assim, atualmente, o FNDE realiza análises pontuais de prestações de contas quando há
demandas de órgãos externos (MP, TCU, CGU, etc).
Nas auditorias realizadas no FNDE, a CGU constatou que o atual processo ocasionou o
aumento do passivo de prestações de contas e o atraso na implementação do referido sistema
vem ocasionando em ausência de tempestividade na análise das prestações de contas dos
recursos transferidos aos entes federados.
- O programa Pró-Infância, do MEC, tem resultados que ficam muito aquém do prometido e
das necessidades de creches. Os municípios reclamam muito do processo, a começar dos
padrões "engessados" estabelecidos para as creches (construção, terreno). Qual o ponto de
vista da CGU?
Com base na Auditoria Anual de Contas (AAC) referente ao ano de 2014, podem-se enumerar
os seguintes pontos críticos acerca do Proinfância, conforme Relatório publicado em:
http://sistemas.cgu.gov.br/relats/uploads/7792_%20FNDE.pdf.

- inexistência de um plano sistematizado de riscos – principalmente no monitoramento,
controle e planejamento de respostas às ameaças – para assistir a execução de obras do
Proinfância. Não há adoção de providências efetivas para superar as ameaças que se
materializavam durante o andamento do Programa;
- repasse de recursos financeiros aos entes federados sem utilização ou sem garantia de que
seriam empregados no objeto firmado com o FNDE, refletindo, com isso, o descompasso entre
a execução física das obras e os recursos recebidos pelo ente federado. As análises das
prestações de contas do programa eram intempestivas, o que causava o retardo no exame e
no tratamento das inconformidades encontradas, em relação ao projeto-padrão, nas creches e
escolas construídas;
- manutenção do repasse de recursos financeiros para o Proinfância – mesmo ele
apresentando baixo índice de desempenho – sem a superação de deficiências detectadas, a
exemplo da baixa capacidade técnica e operacional dos municípios para realizar licitações,
executar e fiscalizar obras públicas;
- utilização de metodologias construtivas inovadoras não consolidadas na construção civil, as
quais geram dificuldades na aquisição de matérias-primas e mão de obra qualificada para a
realização de reparos e manutenções nas edificações;
- deficiência na prestação de assistência técnica contínua e presencial até a entrega definitiva
das obras. Não se observou a adoção de providências suficientes e tempestivas para solucionar
as irregularidades identificadas, sendo necessário reforçar o monitoramento frequente para
acompanhar a devida execução e tratamento das providências solicitadas pelo FNDE aos entes
federados.
- Há estudos e/ou projetos para simplificação da estrutura burocrática em curso? Em caso
positivo, quais são e o que afetariam?
A implantação do SiGPC é uma tentativa do FNDE em simplificar/agilizar o encaminhamento e
a análise das prestações de contas. Entretanto, foi salientado pela CGU em relatório
encaminhado ao FNDE que a implantação do referido sistema deve ser acompanhada de
revisão e adequação dos processos e da força de trabalho do Fundo.

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