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Recolha e Selecção de

Luísa Ducla Soares


Rei, capitão…

Rei
Capitão
Soldado
Ladrão
Menina
Bonita
Do meu
Coração.
Quantos são ?

No alto da Cachoeira
Vinte e cinco cegos vão,
Cada cego leva o seu moço,
Cada moço leva o seu cão,
E cada cão leva seu gato,
E cada gato leva o seu rato,
E cada rato leva sua espiga,
E cada espiga leva seu grão.
Diga-me agora a menina quantos são.
Sola, sapato

Sola, sapato Que vai ter


Rei rainha Até à França,
Foi ao mar Os cavalos
Buscar sardinha A correr
Para a mulher As meninas
Do juiz A aprender.
Que está presa Qual será
Pelo nariz; A mais bonita
Salta a pulga Que se vai
Na balança Esconder?
A chover e a dar sol

A chover a a dar sol


Na cama do rouxinol.
O rouxinol está doente,
Bebe um cálice de aguardente.
Seis Maria dos Reis
Um Pum Sete pega no canivete
Oito vai ao biscoito
Nove dá esmola ao pobre
Um pum Dez vai lavar os pés
Dois bois Onze os sinos de Mafra são
Três inglês bronze.
Quatro arroz no prato
Cinco Maria do brinco
João Coelho

Pega, pega João Coelho,


Com seu barrete vermelho,
Sua espada de cortiça
Para matar a carriça.
A carriça deu um berro
Que se ouviu no castelo.
Toda a gente assustou,
Só a velhinha ficou.
A velhinha achou um rato
e meteu-o no sapato.
Foi levá-lo a S. Vicente
Para comer com pão quente.
Glin-glin

Glin-glin que tens ao lume?


Glin-glin tenho papas.
Glin-glin dá-me delas.
Glin-glin não tenho sal.
Glin-glin manda-o buscar.
Glin-glin não tenho por quem.
Glin-glin por João Branco.
Glin-glin está manco.
Glin-glin quem o mancou?
Glin-glin foi o pau.
Glin-glin que é do pau?
Glin-glin o lume o queimou.
Glin-glin que é do lume?
Glin-glin a água o apagou.
Glin-glin que é da água?
Glin-glin o boi a bebeu.
Glin-glin que é do boi?
Glin-glin foi moer trigo.
Glin-glin que é do trigo?
Glin-glin a galinha o comeu.
Glin-glin que é da galinha?
Glin-glin foi pôr ovos?
Glin-glin que é dos ovos?
Glin-glin o frade os comeu.
Glin-glin que é do frade?
Glin-glin foi dizer a missa.
Glin-glin que é da missa?
Glin-glin já está dita.
Glin-glin que é da campainha?
Glin-glin está aqui! Está aqui! Está aqui!
Meu caracol

Meu caracol
Meu caracolinho,
Meu anel de ouro
No dedo mindinho.
Um, dois três, quatro

Um, dois, três, quatro


Quantos pêlos tem o gato
Acabado de nascer?
Um dois, três, quatro.
Tão balalão

Tão, balalão,
Cabeça de cão,
Cozida e assada
No caldeirão.
Dez e dez

- Dez e dez
São vinte
Vai ao diabo
Que te pinte.
- Já lá fui
Não me pintou
Disse que lá fosse
Quem me lá mandou.
Nove vezes nove

Nove vezes nove


Oitenta e um
Sete macacos
E tu és um
Fora eu
Que não sou nenhum.
A criada lá de cima

A criada lá de cima
É feita de papelão,
Quando vai fazer a cama
Diz assim para o patrão:
Sete e sete são catorze,
Com mais sete vinte e um,
Tenho sete namorados
E não gosto de nenhum.
Eu fui a Viana

Eu fui a Viana
A cavalo numa cana,
Eu fui ao Porto
A cavalo num burro morto.
Eu fui a Braga
A cavalo numa cabra,
Eu fui ao Douro
A cavalo num touro.
Meio-dia

Meio-dia batido
Panela ao lume
Barriga vazia
Macaco pintado
Vindo da Baía
Fazendo caretas
À dona Maria.
Horas

- Quantas horas são?


- Faltam dez reis
Para meio tostão
E uma sardinha
Para um quarteirão.
- Olha o burrinho,
Como sabe a lição.
Arco da velha

Arco da velha,
Tira-te daí,
Menina donzela
Não é para ti,
Nem para Pedro,
Nem para Paulo,
É para a velha
Do rabo cortado.
Serra Compadre

Serra compadre,
Serra comadre,
Serra gatinha
Da nossa vizinha.
Tu com a serra
E eu com a agulha
Ganhamos dinheiro
Como faúlha.
As refeições

- Que é o almoço?
- Cascas de tremoço.
- Que é o jantar?
- Bordas de alguidar.
- Que é a ceia?
- Morrões de candeia.
Menina bonita

Menina bonita
Não sobe à janela
Que bicho papão
Carrega com ela.
Se quer alvos ovos,
Arroz com canela,
Menina bonita
Não sobe à janela.
A cara

Este queixo
Queixorreiro,
Esta boca comedeira,
Este nariz narizete,
Estes olhos de pisquete,
Esta testa de melão,
Estes cabelinhos de ouro,
Foge, rato, que te estouro.
Reu, reu

Reu, reu
Vai ao céu,
Vai buscar
O meu chapéu.
Se ele é novo
Traz-mo cá.
Se ele é velho
Deixa-o lá.
Que está?
- Que está na varanda?
- Uma fita cor de ganga.
- Que está na janela?
- Uma fita amarela.
- Que está no poço? - Que está na chaminé?
- Uma casca de tremoço. - Uma preta a coçar o pé.
- Que está na pia? - Que está na rua?
- Uma casca de melancia. - Uma espada nua.
- Que está no telhado’ - Que está atrás da porta?
- Um gato pingado. - Uma velha morta.
- Que está no ninho?
- Um passarinho.
Os dedos

Este menino um ovo achou,


Este o assou,
Este sal lhe deitou,
Este o provou
Este o papou.
Dedo mindinho
Seu vizinho
Pai de todos
Fura bolos
Mata piolhos.
Um, dó, li, tá

Um, dó, li, tá


Cara de amendoá
Um soleto
Coloreto
Um dó li tá.
A bola é redonda

A bola é redonda
Em cima duma pomba
A pomba é branca
Em cima duma tranca
A tranca é de pau
Berim-bim-bau.
À morte ninguém escapa

À morte ninguém escapa,


Nem o rei, nem o papa.
Mas escapo eu.
Compro uma panela,
Custa-me um vintém,
Meto-me dentro dela
Então a morte passa e diz:
E tapo-me muito bem. - truz, truz! Quem está aí?
- Aqui, aqui não está
ninguém.
- Adeus meus senhores,
- Passem muito bem.
Anani, ananão

Anani, ananão
Ficas tu e eu não
Serra Madeira Sapatinhos de borracha
Para a minha comunhão.
Serra madeira
Carapinteira;
Debaixo do chão
Está um mocetão
Vendendo figuinhos
A meio tostão.
Pico, Pico

Pico, pico, maçarico,


Quem te deu tamanho bico?
Foi a vaca chocalheira,
Que póe ovos em manteiga
Para a filha do juiz,
Que está presa na cadeira
Pela ponta do nariz.
Domingo

Amanhã é Domingo
Toca o sino
O sino é de ouro
Mata-se o touro
O touro é bravo
Ataca o fidalgo
O fidalgo é valente
Defende a gente
A gente é fraquinha
Mata a galinha
Para a nossa barriguinha.
O castelo de Chuchurumel

Aqui está a chave


Que abre a porta
do castelo
de Chuchurumel.

Aqui está o cordel


Que prende a chave
Que abre a porta
do castelo
de Chuchurumel.
Aqui está o sebo
Que unta o cordel
Que prende a chave
Que abre a porta
do castelo
de Chuchurumel. Aqui está o rato
Que roeu o sebo,
Que unta o cordel
Que prende a chave
Que abre a porta
do castelo
de Chuchurumel.
Aqui está o gato
Que comeu o rato
Que roeu o sebo,
Que unta o cordel Aqui está o cão
Que prende a chave Que mordeu o gato
Que abre a porta Que comeu o rato
do castelo Que roeu o sebo,
de Chuchurumel. Que unta o cordel
Que prende a chave
Que abre a porta
do castelo
de Chuchurumel.
Aqui está o pau Aqui está o lume
Que bateu no cão Que queimou o pau
Que mordeu o gato Que bateu no cão
Que comeu o rato Que mordeu o gato
Que roeu o sebo, Que comeu o rato
Que unta o cordel Que roeu o sebo,
Que prende a chave Que unta o cordel
Que abre a porta Que prende a chave
Que abre a porta
do castelo
do castelo
de Chuchurumel.
de Chuchurumel.
Aqui está a água
Que apagou o lume
Que queimou o pau
Que bateu no cão
Que mordeu o gato
Que comeu o rato
Que roeu o sebo,
Que unta o cordel
Que prende a chave
Que abre a porta
do castelo
de Chuchurumel.
Aqui está o boi
Que bebeu a água
Que apagou o lume
Que queimou o pau
Que bateu no cão
Que mordeu o gato
Que comeu o rato
Que roeu o sebo, Que unta o cordel
Que prende a chave
Que abre a porta
do castelo
de Chuchurumel.
Aqui está o carniceiro
Que matou o boi
Que bebeu a água
Que apagou o lume
Que queimou o pau
Que bateu no cão
Que mordeu o gato
Que unta o cordel
Que comeu o rato Que prende a chave
Que roeu o sebo, Que abre a porta
do castelo
de Chuchurumel.
Aqui está a morte
Que levou o carniceiro
Que matou o boi
Que bebeu a água Que bateu no cão
Que apagou o lume Que mordeu o gato
Que queimou o pau Que comeu o rato
Que roeu o sebo,
Que unta o cordel
Que prende a chave
Que abre a porta
do castelo
de Chuchurumel.
Sapateiro remendeiro

Sapateiro
Remendeiro
Come tripas
De carneiro;
Bem lavadas;
Mal lavadas,
Come tudo
Às colheradas.
Senhor condutor

Senhor condutor
Ponha o pé
No acelerador,
Se chocar
Não faz mal
Vamos todos
Para o Hospital,
Hospital de Santa Maria
Que é uma grande porcaria,
Hospital de São José
Que cheira sempre a chulé.
A velha e a bicharada

Era uma velha


Que tinha um gato,
Debaixo da cama o tinha;
O gato miava,
A velha dizia:
Estou só, estou só
Estou só de uma banda só.
Era uma velha
Que tinha um cão
Debaixo da cama o tinha;
O cão ladrava,
O gato miava,
A velha dizia:
Estou só, estou só
Estou só de uma banda só.
Era uma velha
Que tinha um galo
Debaixo da cama o tinha;
O galo cantava,
O cão ladrava,
O gato miava,
A velha dizia:
Estou só, estou só
Estou só de uma banda só.
Era uma velha
Que tinha um porco
Debaixo da cama o tinha;
O porco roncava,
O galo cantava,
O cão ladrava,
O gato miava,
A velha dizia:
Estou só, estou só
Estou só de uma banda só.
Era uma velha
Que tinha um burro
Debaixo da cama o tinha;
O burro zurrava,
O porco roncava,
O galo cantava,
O cão ladrava,
O gato miava,
A velha dizia:
Estou só, estou só
Estou só de uma banda só.
Era uma velha
Que tinha um boi
Debaixo da cama o tinha;
O boi berrava,
O burro zurrava,
O porco roncava,
O galo cantava, A velha dizia:
O cão ladrava, Estou só, estou só
O gato miava, Estou só de uma
banda só.
• Era uma velha
• Que tinha um velho
• Debaixo da cama o tinha;
• O velho falava,
• O boi berrava,
• O burro zurrava,
• O porco roncava,
• O galo cantava, A velha dizia:
• O cão ladrava, Estou só, estou só
• O gato miava, Estou só de uma
banda só.
O gato caíu ao poço

O gato caíu ao poço


E as tripas ficaram lá.
Gira o copo, copo, copo,
O gato caíu ao poço
Gira o copo, copo cá.
E as tripas ficaram lá.
Baralhoco, copo, copo,
Baralhoco copo cá.

O gato caíu ao poço.


Um dó li tá.
Horas de sono

Quatro horas dorme o santo,


Cinco o que não é tanto,
Seis o caminhante,
Sete o estudante,
Oito o preguiçoso,
Nove o porco,
Mais só o morto.
Pique, pique

Pique pique
Eu piquei,
Grão de milho
Eu achei,
Fui levá-lo
Ao moinho
Não moeu,
Foram lá os ladrões
Que me levaram os calções.
O senhor é parvo
O senhor é parvo
Parvo é o senhor
Senhor dos passos
Paços do concelho
Conselho de ministros
Ministro de guerra
Guerra Junqueiro
Junqueira Alcântara
Alcântara Mar
Mar da China
Xian-Kai-Xeq
Xeque-mate
Mate o senhor
O senhor é parvo….
……………………….
Era, não era

Era, não era


Deitou os bois às costas,
Andava lavrando Pôs o arado a correr.
Recebeu carta Quis saltar um valado,
Do seu tio Fernando. Saltou um arado.
Seu pai era morto, Se não era cão
Sua mãe por nascer. Mordia-lhe um cajado.
Entrou numa horta
Que havia o moço
Viu um pessegueiro
de fazer?
Carregado de maçãs,
Tirou-lhe avelãs.
Veio o dono dos pepinos:
Ladrão dos meus marmelos!
Atirou-lhe uma pedra,
Acertou-lhe num artelho:
Escorreu-lhe o sangue
Até ao joelho.
E depois ?

E depois ?
Morreram as vacas,
Ficaram os bois.