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Grupo Municipal de Lisboa

RECOMENDAÇÃO

SITUAÇÃO FINANCEIRA DA EPUL

A EPUL, EPE – Empresa Pública de Urbanização de Lisboa, foi fundada em 1971, através de
Decreto-Lei, por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, com o objectivo de auxiliar e
desenvolver a acção da autarquia no estudo e execução de projectos urbanísticos.

A empresa tem revelado, particularmente nos últimos anos, um desnorte no que respeita a
medidas que levem, na realidade, ao encontro do seu objectivo principal e, pior ainda, não tem
conseguido equilibrar as suas contas. Ou seja, nem obra nem resultados são visíveis.

Os últimos acontecimentos relativos ao concurso de sorteio de habitações para jovens nos


empreendimentos da Praça de Entrecampos e Paço do Lumiar e as sucessivas alterações
procedimentais são um dos muitos exemplos que podem ilustrar o futuro de descalabro
financeiro e o evidente descaminho de atingir os propósitos para a qual foi constituída.

Aliás, estes últimos factos também revelaram a falta de diálogo e de articulação entre a Câmara
Municipal e o Conselho de Administração, alheio às recomendações e advertências do Vereador
do Urbanismo, Arq. Manuel Salgado.

Há meses, a CML apresentou uma proposta de alteração dos estatutos da empresa, adicionando a
reabilitação aos objectivos da empresa, proposta essa que não obteve o consenso da Assembleia
Municipal. Ora, o momento que se vive no tecido empresarial municipal é preocupante e a
oposição da Assembleia à alteração dos estatutos conforme apresentados revelou-se, mais uma
vez e com as últimas notícias sobre a empresa, mais do que premente e sustentado.

Entretanto, e com este desnorteio, a Câmara nomeou o Conselho de Administração e aprovou,


em sede de reunião camarária, um perdão de dívida à EPUL no valor de € 9,5 milhões,
argumentando que o perdão iria fazer com que a empresa pudesse encerrar o ano de 2009 com
resultados líquidos positivos.

Com a apresentação do Relatório de Gestão e Demonstrações Financeiras, a EPUL


fechou o ano de 2009, pelo terceiro ano consecutivo, em situação de falência técnica e
sem levar adiante os projectos urbanísticos já propostos, protelando o seu sucessivo
atraso.

“O endividamento bancário aumentou em € 18,1 milhões de euros, passando para € 95,6 milhões de euros,
reflectindo o recurso aos empréstimos de conta-corrente para financiar os empreendimentos em curso”, refere o
Relatório e Contas da empresa que fechou 2009 com resultados operacionais negativos da ordem
dos € 4,4 milhões.

Não deixa de ser irónico o facto de, em Setembro de 2009, o Plano de Actividades apresentado à
Câmara Municipal previr um cenário muito diferente do que se está a assistir: € 8,6 milhões de
euros de resultados positivos, dando bem conta do desnorte de gestão da empresa e da
ineficácia da orientação municipal sobre a mesma.

Note-se que no âmbito do quadro legal criado pela Lei n.º 2/2007 de 15 de Janeiro (LFL) pelo
Regime Jurídico do Sector Empresarial Local (RJSEL), as empresas municipais devem apresentar
resultados anuais equilibrados.

Tal obrigação apela a uma consolidação financeira real e efectiva, convertida agora em obrigação
legal e não meramente de boa gestão, com implicações nos sócios e nas suas obrigações de
cobertura dos prejuízos.

No cumprimento dessa obrigação, convém relembrar que a Câmara Municipal de Lisboa


transferiu ou perdoou, em 2009 para a EPUL, os seguintes montantes:

- Cobertura de Capitais Próprios – € 1,20 milhões;


- Subsídios de investimento – € 0,90 milhões;
- Subsídios de exploração total – € 1,29 milhões;
- Perdão de dívida – € 9 milhões.

Verifica-se, então, a transferência/perdão no valor total que ronda os € 12 milhões. Em


2009 a EPUL auferiu 5,7% do total de subsídios que a Câmara transferiu para o Tecido
Empresarial de Lisboa.

Para além do Regime Jurídico do Sector Empresarial Local, a EPUL é regida pelo Código das
Sociedades Comerciais que, no seu art.º 35º refere a necessidade de manter os capitais próprios
ao nível de, pelo menos, metade do capital social.

Mas o que verifica é que a EPUL encerra 2009 em situação de desconformidade em


relação a esta disposição legal associada à reposição da regularidade dos capitais
próprios, totalizando cerca de € 33,6 milhões de euros, situação já reportada no Relatório
de Gestão de 2008.

Atento o exposto, não pode senão começar a questionar-se para que serve afinal e ao certo esta
empresa que, alegadamente criada com objectivos previdenciais, se revela como um saco sem
fundo das transferências financeiras municipais.

Na verdade, o CDS não compreende o silêncio e a complacência do executivo perante


uma empresa que há muito deixou de contribuir de forma directa e eficaz para a
melhoria da qualidade de vida dos lisboetas e não pode deixar de perguntar-se para que
serve afinal, e neste quadro, a EPUL?

Face ao exposto e porque a Assembleia Municipal de Lisboa não pode descurar do rigor e
eficiência da gestão do sector empresarial municipal, o Grupo Municipal do CDS-PP propõe à
Assembleia que, ao abrigo do disposto no Art.º 38º, n.º 1, alínea f) do Regimento deste
órgão, delibere:

1. Recomendar à Câmara Municipal que apresente, com urgência, um Plano de


Saneamento Financeiro da EPUL que se não limite à previsão de transferências
destinadas a cobrir o passivo da empresa mas antes corresponda a um Plano que
permita, se necessário com reformulação do próprio objecto da empresa, que esta
desempenhe um papel importante na vida da cidade;
2. Recomendar à Câmara Municipal que faça reflectir estas preocupações no âmbito
da reformulação da proposta de alteração dos Estatutos da EPUL, a qual deve ser
efectuada num largo consenso entre as forças políticas representadas na Câmara
Municipal e na Assembleia Municipal;

3. Solicitar à Comissão Permanente de Administração, Finanças, Património,


Desenvolvimento Económico e Turismo que, face aos novos dados financeiros da
empresa, inquira o Conselho de Administração da EPUL e o Vereador Manuel
Salgado para esclarecimentos.

Lisboa, 27 de Abril de 2010

Pelo Grupo Municipal do CDS/PP

João Diogo Moura