Você está na página 1de 2

PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO

A palavra “princípio”, no singular, indica o início, a origem, o começo, a causa
primária.
Com precisão, aduz Ruy Samuel Espíndola:
Pode-se concluir que a idéia de princípio ou sua conceituação, seja lá qual for o campo
do saber que se tenha em mente, designa a estruturação de um sistema de idéias,
pensamentos ou normas por uma idéia mestra, por um pensamento-chave, por uma
baliza normativa, donde todas as demais idéias, pensamentos ou normas derivam, se
reconduzem e/ou se subordinam.[1]
Nessa conceituação podemos visualizar e apontar os princípios como orientadores de
todo o sistema normativo, sejam eles positivados ou não. Dissemos positivados ou não
porque os princípios podem estar previstos expressamente em textos normativos, a
exemplo do que ocorre com o princípio da legalidade[2], ou outros que, embora não
positivados, são de observância obrigatória, razão pela qual são denominadosprincípios
gerais do Direito.[3]
Merecem ser transcritas as lições de Ivo Dantas quando, buscando conceituar os
princípios, diz:
Para nós, PRINCÍPIOS são categoria lógica e, tanto quanto possível, universal, muito
embora não possamos esquecer que, antes de tudo, quando incorporados a um sistema
jurídico-constitucional-positivo, refletem a própria estrutura ideológica do Estado, como
tal, representativa dos valores consagrados por uma determinada sociedade.[4]
Fábio Corrêa Souza de Oliveira, com argúcia, observa, ainda:
A par daqueles considerados válidos para toda forma de conhecimento, cada ramo do
saber pode instituir princípios particulares. Temos os princípios da Física, da Psicologia,
da Economia, da Teologia, da Sociologia, da Química, da Filosofia, do Serviço Social,
do Direito etc. A declaração dos princípios não é feita, em grande parte dos casos, num
clima de pacificidade. Inúmeras dificuldades e controvérsias existem mesmo nas
Ciências Exatas ou Biológicas. A evolução do entendimento e da tecnologia se
encarrega de derrubar princípios acreditados como absolutos e imperecíveis. Nas
Ciências Humanas e Sociais, os desacordos e os antagonismos são freqüentes. É de
ampla aceitação a tese de que os princípios se revestem de algum caráter de
relatividade, inclusive os estimados como universais. As disputas não se limitam apenas
sobre quais princípios são determinados, mas ainda sobre a maneira de compreendê-los
e aplicá-los.[5]

PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PENAL
Princípio da Reserva Legal ou da Legalidade – Sem legislação específica não há
crime. É uma forma de limitação do poder punitivo do Estado (Art. 5º, inciso XXXIX
da CF/88 e Art. 1º do Código Penal Brasileiro).
Princípio da Intervenção – Limita o poder de atuação do ente estatal. O direito
punitivo só será aplicado em observância ao princípio da reserva legal, com o fim social
de impedir o legislador de se exceder na construção do Direito Penal aplicável.

Com isso. Princípio do “in dubio pro reo” . cuida de prevenir um ataque ou perigo concreto sobre um bem tutelado pelo Estado.Princípio da Irretroatividade da Lei Penal – A lei penal só pode retroagir para beneficiar. Esse princípio protege o interesse social tutelado pelo Estado de um perigo de lesão (ou ofensa). não cabendo suposição de prática de ato delituoso. pois no direito penal a culpa tem que ser comprovada. deve ser excluída sua tipicidade penal. Princípio da Insignificância – Aferida a irrelevância de uma conduta delituosa.Na dúvida. XL da CF/88). não existe crime. Segundo esse princípio. o sistema penal se firma na sua capacidade de fazer frente aos delitos existentes em um meio social que absorva sua eficácia. o réu deve ser absolvido. ou sua insignificância (por exemplo a apropriação de bagatelas). Como exemplo. A retroação só pode acontecer se a lei nova for mais benigna ao agente do delito (Art. 5º. a auto-agressão contida no suicídio. . Princípio da Ofensividade – Aplicado na elaboração das leis. fica afastada a possibilidade de uma lei nova (mais rígida) prejudicar fatos pretéritos. Princípio da Alteridade – Não ofendido nenhum bem jurídico por ato meramente subjetivo. Princípio da proporcionalidade – Cabe ao Estado dar a seus cidadãos um mínimo de proporcionalidade entre a garantia de seus direitos.