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CRISE NO SISTEMA COLONIAL – PARTE 2

1. ATIVIDADES ECONÔMICAS E SOCIEDADE COLONIAL DIFERENTE
Portugal quis, antes de tudo, ocupar a Amazônia. A metrópole colonial
aproveitou, também, para desenvolver atividades lucrativas, como em qualquer
colônia.
A atividade mais importante era a da coleta de produtos florestais, já que
Portugal tinha perdido o comércio de especiarias na Ásia. A agricultura não chegou a
produzir, sequer, para o consumo local.
3.1. ATIVIDADE DE COLETA
O Estado do Maranhão e Grão - Pará não foi produtor de açúcar ou de metais
preciosos de muito valor, como acontecia com a colônia do Brasil. Mas, produzia as
“drogas do sertão”, como se chamavam na época os produtos florestais:
“Designação de certos produtos vegetais, entre os quais o urucu, a canela; o cravo, o
cacau, a castanha, a pimenta, que eram objeto de atividade extrativa na região
amazônica no Brasil colonial” (Aurélio).

Os índios sempre praticaram essa atividade de coleta. A floresta era rica de
plantas diversas. Eles conheciam a rica diversidade vegetal da mata tropical úmida e
davam a ela várias funções: curativa, comestível ou outra.
A coleta de produtos da floresta amazônica teve a preferência dos
portugueses, pois não dependia de investimentos, como máquinas de engenhos ou
construção de canais. Entre. tanto, essa coleta supõe uma forte organização, como
é descrita no texto abaixo, extraído de um documento de 1758:
“A todos os moradores que querem subir o Amazonas acima; e buscar nas suas
margens e matas as suas riquezas se concedem licença, não só para subir, passar
as fortalezas e navegar o Amazonas, mas também para tirar índios pelas aldeias e
missões; que ordinariamente são um ou dois ou pouco mais em cada aldeia; mas
todos juntos fazem muitas vezes o número de 40 ou mais índios, e com eles partem
para coleta do cacau, ou salsa ou cravo, etc”(Pe Daniel, 1976).

Um historiador completa as informações:
“O ponto de partida na organização de uma expedição de coleta era a
associação entre uma pessoa de posses, residente em Belém ou em alguma
das povoações próximas à foz do Amazonas; e um ‘sertanejo’ ou “cabo’;
futuro comandante da ou das canoas que se dirigiam ao interior. As despesas
a fazer eram consideráveis: material de escambo para pagamento dos índios
(basicamente tecidos), provisões (estoque) de farinha de mandioca;
ferramentas diversas, aguardente, eventualmente a compra ou aluguel das
próprias canoas” (C. F Cardoso, 1984)
“Tratava-se de atividade que fazia muitas fortunas; mas desfazia outras; já
que seus riscos eram grandes. Podia acontecer que o produto buscado não
frutificasse abundantemente no ano em questão. As vezes os índios
canoeiros se revoltavam e fugiam, ou então adoeciam, frustrando

contudo. nem das raízes. Barata. eram principalmente só os ricos e senhores de canoas e de escravos os que financiavam a busca das “drogas do sertão” (C F. fraca terá alguma significação.(inviabilizando) a expedição. O arroz será cultivado sobretudo na zona guajarina. sem alcançar. o tabaco. (M. e deitar abaixo um mato. Cava-se aqui e ali uma cova com a enxada.. Na ilha de Marajó será estabelecido o criatório (de gado). que ainda ficam por cortar. A agricultura não era a mesma em todas as partes da Colônia: “Apenas na párea do delta. essa agricultura incipiente. 3. na bacia do Acará. Por estas razões. valor econômico excepcional. Esta podia também sofrer ataques mortíferos de índios “bravos”.2 AGRICULTURA INCIPIENTE A agricultura destinada ao abastecimento local das famílias e dos vizinhos era a mesma dos índios. a cana-de-açúcar ganhará quase todo o círculo do golfão marajoara. Cardoso). com excelentes resultados”. e dispõe-se na terra a maniba” (Alexandre Rodrigues Ferreira. que estão por baixo da terra. ou na sua superfície. á força de machado e sem fazer caso nem das extremidades dos troncos. com tanto que se lance o fogo” a tudo. Além disso. como descreve um autor em 1751: “Plantar numa roça de maniba (maniva ou mandioca). no litoral haverá a exploração de pequenas salinas. o algodão nas cercanias de Belém. 1973) . perto de Cametá. 1783). a se aproveitarem as cinzas: está lavrado o terreno. o cacau permanecerá na calha do Tocantins. na terra firme.