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A Emergência da Reflexão sobre a Cidade

A moderna reflexão sobre a cidade como forma mais específica de organização social data do
século XIX, seja na área da historiografia, seja no campo do pensamento sociológico.
Nos períodos anteriores não houve uma sistematização sobre a reflexão da cidade em um campo
mais específico do saber.
No século XIX começam a surgir as primeiras obras preocupadas simultaneamente com a forma, a
funcionalidade, e seus desdobramentos soiciais. Uma época em que um mundo urbano em vias de
se superpovoar passava a ocupar nos destinos humanos com a emergência das sociedades
industriais. O terno urbanização aparece com o espanhol Ildefonso Cerda, em 1860, autor também
da primeira obra sobre o tema relacionado à industrialização, Teoria geral da urbanização (1867).
Para o afloramento destes vários interesses nos tempos modernos contribuíram, como se disse, os
processos acelerados de urbanização e industrialização.
O século XIX trouxera novas lutas sociais, utopias e ideais revolucionários, o positivismo e o
marxismo. Baseado nas ideias do evolucionismo de Charles Darwin, a cidade ocidental
apresentava-se como uma forma mais evoluída de urbanização, uma etapa evolutiva, um modelo a
ser alcançado inclusive pela cidades das sociedades orientais.
Num contexto diversificado, emergiram novas disposições estatais, novos mecanismos
institucionais, bibliotecas, arquivos, novas disciplinas nas universidades, como a “economia
clássica”, tudo para explicar ou encontrar uma racionalidade do mundo moderno. Marx também
contribui neste momento, na sua linha explicativa da ideia de luta de classes, lança as bases para
uma reflexão sobre relação dinâmica entre a cidade e o campo e coloca a história no centro das
possibilidades de compreender a trajetória e os destinos da humanidade.
Alguns autores mostram uma tendência a entender a cidade não como um estado derivado da
natureza, mas como uma parte da própria natureza. Para estes, a cidade parece se constituir
essencialmente, e por vezes até exclusivamente, em torno de instituições sociais.
A preocupação com as origens institucionais da cidade remete à Antiguidade. Fustel de Colanges
preocupa-se por exemplo com tres coisas fundamentadas e estabelecidas nas sociedades gregas e
itálicas: a religião doméstica, a família e o direito à propriedade, coisas que tiveram entre si, na
origem, uma relação manifesta e parecem ter sido inseparáveis. Este autor chama atenção para o
papel da religião como um dos fundamentos da cidade e foi o sentimentos religioso que fez agrupar
vários indivíduos em volta de um altar, primeiramente a família, depois em grupos que vão se
unindo cada vez mais, até atingir a tribo, a cidade, a pátria. Alguns críticos às formulações de Fustel
de Colanges começaram a surgir no sécull XX, como por exemplo o historiador francês Gustave
Glotz. Este tem o mérito de, por um lado, tentar estabelecer um “modelo conflitual de evolução da
cidade”. Por outro lado, introduz o indivíduo como elemento ativo na constituição do fenômeno
urbano, juntamente com a família e a cidade. Abarca tres momentos importates,, a saber: a família,
a cidade e o indivíduo.
Uma ampla produção historiográfica sobre períodos específicos, como o Medieval ou o da
Modernidade do Antigo Regime, discorrendo sobre as instituições citadinas e a organização
municipal, fez-se valer no século XIX.
Chama atenção a preocupação de Petit-Dutaillis em definir a cidade como um agrupamento voltado
para a gerência de interesses coletivos.
No século XX o sociólogo ou historiador fabrica imagens diversas da cidade, tais como “artefato”,
“produto da terra”, “ambiente”, “sistema”, “ecossistema”, “máquina”, etc. Novos conceitos como
“Armadura” ou “rede urbana” são desenvolvidos. Deste modo, os estudiosos passam a enxergar a
cidade sobre os mais variados aspectos do fenômeno urbano.