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E D I T O R A A U T O R E S A S S O C I A D O S LTDA.

Uma editora educativa a serviço da cultura brasileira
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BarSo Geraldo | CEP 13084-008
Campinas - SP | Pabx/Fax: (55) (19) 3289-5930
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ENTRE A
Conselho Editorial "Prof. Casemiro dos Reis Filho"
Bernardete A. Gatti
Carlos Roberto Jamil Cury
Dermeval Saviani
Gilberta S. de M. Jannuzzi
Maria Aparecida Motta
Walter E. Garcia

EDUCAÇÃO FÍSICA
N A ESCOLA E A
EDUCAÇÃO FÍSICA

Diretor Executivo
Flávio Baldy dos Reis

D A ESCOLA

Coordenadora Editorial
Érica Bombardi
Assistente Editorial
Aline Marques

A educação física como componente curricular

Revisão
Ana Carla de Almeida - I a edição
Carolina Dutra Carrijo - I" edição
Fernando Ramos de Carvalho
Rodrigo Nascimento

Francisco Eduardo Caparroz
www.abdr.org.br
abdr§abdr.org.br
Denuncie a cópia ilegal

Diagramação e Composição
DPGLtda.

Capa
Baseada em Schema delle proporzioni dei corpo umano (1490) e Studio delia fisionomia
umana e Cavalieri, de Leonardo da Vinci, e em O pensador (1880-1881), de Auguste Rodin.
Fotos: "Criança no pneu": www.appai.org.br; "Cambalhota": www.academicadaamadora.pt;
"Bambolê": www.siemens.com.brcidadaniaempresarial.asp?canal=374&parent=367&grupo=2;
"Corrida": www.esec-mtorga-massama.rcts.pt/Jornal/ed29/j2909.htm

3 a Edição

C O L E Ç Ã O E D U C A Ç Ã O FÍSICA E ESPORTES

Criação
Bruno de Castro
Leiaute e Arte-ftnal
Bruno de Castro
Impressão e Acabamento
Gráfica Paym

|

A I a e d . foi i m p r e s s a p e l o C e n t r o d e
E d u c a ç ã o Física e D e s p o r t o s d a U n i v e r s i d a d e
F e d e r a ! d o Espírito S a n t o ( C e f d / U f e s e m 1997).

AUTORES
ASSOCIADOS V J I

UNIVERSIDADE

FEDERAL

PAÄ*

BIBLIOTECA CENTRAI
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Caparroz, Francisco Eduardo
Entre a educação física na escola e a educação física da escola: a
educação física como componente curricular / Francisco Eduardo
Caparroz. - 3. ed. - Campinas, SP: Autores Associados, 2007. - (Coleção
educação física e esportes)
Bibliografia.
ISBN 978-85-7496-157-6
1. Educação física - Brasil 2. Educação física - Brasil - História
I. Título. II. Série.
05-6719

CDD - 613.70942
índice para catálogo sistemático:

1. Brasil: Educação física na escola

613.70942

I a edição (Cefd/Ufes) - 1997
2 edição (Autores Associados) - dezembro de 2005
Impresso no Brasil - dezembro de 2007
Copyright © 2007 by Editora Autores Associados LTDA.
a

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dezembro de 2004, que revogou o Decreto-lei n. 1.825, de 20 de dezembro
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expressa do autor ou de quem o represente, ou consistir na reprodução
de fonograma e videograma, sem autorização do produtor ou de quem o"
represente:
Pena - reclusão de um a quatro anos e multa".

à memória da Angelica/
amiga, madrinha e irmã pelo seu sorriso,
carinho, coragem e dignidade (fue sempre
marcaram sua trajetória de educadora, mãe e
mulher e (jue a jizeram uma pessoa especial,
infinitamente úuerida e (fue estará sempre
presente em nossos corações.

I t B L i O T p r *

f>çw<»'

SUMÁRIO

AGRADECIMENTOS

ix

P R E F Á C I O À 2a E D I Ç Ã O

xi

PREFÁCIO

xv

I N T R O D U Ç Ã O

L

CAPÍTULO

UM

I N T R O D U Ç Ã O A O S A N O S DE 1 9 8 0 DA E D U C A Ç Ã O FÍSICA BRASILEIRA

CAPÍTULO

7

DOIS

E M BUSCA D O ESTATUTO C I E N T Í F I C O DA E D U C A Ç Ã O FÍSICA

17

1. A c a r a c t e r i z a ç ã o d a e d u c a ç ã o física: e n t r e c a m p o d e c o n h e c i m e n t o e

2.

prática social

19

O c o n c e i t o d e e d u c a ç ã o física e s c o l a r

52

CAPÍTULO TRÊS
E N T R E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA

75

1. A i n c o r p o r a ç ã o d a e d u c a ç ã o física p e l a i n s t i t u i ç ã o e s c o l a r e o s e u
desenvolvimento c o m o c o m p o n e n t e curricular

CONSIDERAÇÕES
O

83

FINAIS

" S A L T O " PARA FORA NA BUSCA DA IDENTIDADE PERDIDA

141

~ » t . r > w uw r n i i r
IO-1-ECA

CENTHAX

A G R A D E C I M E N T O S
63

ANEXO

l

Lista de documentos analisados
Lista das obras estudadas

163
169

BIBLIOGRAFIA

173

POSFÁCIO

185

ste trabalho é produto de uma longa trajetória na qual estiveram presentes pessoas e instituições com as quais pude manter uma rica relação, quer no âmbito acadêmico-profissional, quer no
âmbito pessoal. Relação esta permeada de ações e sentimentos diversos e adversos, que com certeza concorreram tanto para meu amadurecimento profissional quanto pessoal.
Ao Programa de História e Filosofia da Educação e a seus professores, especialmente à professora Nereide Saviani pelos apontamentos críticos que foram essenciais para a consecução deste trabalho.
Ao Lino e ao Medina, por terem mostrado a importância e a necessidade de aprofundamento dos estudos acadêmicos e pelo incentivo incondicional nesta trajetória.
Aqueles com quem pude debater minhas idéias e que sempre
estiveram disponíveis a isso, especialmente a Celi, Jocimar, Carmen
Lúcia, Helder, Renato, Walter e André.
Ao José Geraldo, primeiro pela sua competente, rigorosa e f u n d a m e n t a l o r i e n t a ç ã o q u e p e r m i t i u d e t e c t a r as l i m i t a ç õ e s e
potencialidades deste estudo,- segundo pelo incentivo e pela dedicação que desprendeu para comigo, compreendendo meus limites e mi-

x ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLAPREFÁCIOÀ2aEDIÇÃOx/lt

P R E F Á C I O

À

2A

E D I Ç Ã O

nhãs possibilidades,- terceiro pela convivência que, de início caracterizada por certas "tensões", foi ao longo sendo (re)construída por um
rico diálogo e por uma relação de respeito, que propiciou que eu reconhecesse nele mais que um orientador, um verdadeiro mestre e também um amigo.
Agradeço especificamente aos novos'e velhos amigos que
(re)encontrei no Espírito Santo e que cada vez mais, com suas críticas, sugestões, e principalmente pela sua dignidade e disposição em
construir um projeto para a educação física escolar brasileira, tornam
possível meus anseios políticos e profissionais para esta. Um forte e
fraterno abraço aos professores José Luiz, Nelson, Zenólia, Sandra,
Robson, Frade, Graça, Amarílio, Silvana,Valter e Fernanda.
E à Delma, porque com ela é mais fácil e prazeroso viver a carícia do tempo e construir cotidianamente o tempo da delicadeza.

I 1 iquei honrado com o convite para prefaciar esta reimpressão
JL
do livro de Francisco Eduardo Caparroz, realizada pela Editora Autores Associados. Aceitei imediatamente por amizade e reconhecimento ao potencial intelectual do autor, mas também com o desafio
de conferir "força" ao debate indiciado por este livro que é já um sucesso editorial.
Isso exige ler, reler, aprofundar o debate proposto, construir
novas interpretações, buscar outras fontes. Enfim, por intermédio deste
livro, procurar entender atualizadamente o objeto construído e sua
abordagem, o contexto de produção da obra, os vínculos profissionais
e de formação do próprio autor, bem como as iniciativas que se sucederam temporalmente no país, após sua publicação pelo Centro de
Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Espírito Santo
(CEFD-UFES),

em

1997.

Quero anuir a propriedade do prefácio à primeira impressão,
escrito pelo professor doutor José Geraldo Silveira Bueno. Resta-me,
então, para não ser repetitivo, polemizar com Caparroz. Em que medida o autor, que é ele próprio marcado em sua formação inicial e continuada pelas fontes e ambiência social que reuniu e interpretou, criou

xii

ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA

PREFÁCIO À 2 a EDIÇÃO x/lt

alternativas de pesquisa e intervenção àquelas presentes no período

la. A edição de livros qüe repercutem no debate sobre educação física

de verniz azevediano, do tipo, o que a educação física tem

escolar cresce, inclusive na variedade de instituições chanceladoras.

1980-1994,

sido, o que é e o que deveria ser?

Merecem destaque as publicações por grupos de pesquisa, mas, sobre-

Os achados do livro continuam a repercutir na produção mais
recente do autor (como em

CAPARROZ, 2 0 0 1 A

e b;

CAPARROZ

et al.,

tudo, a consolidação das coleções veiculadas para a área das editoras:
Autores Associados, Papirus e Unijuí.

que retoma questões e o suporte da história do currículo e das

A obra de Francisco Eduardo Caparroz, ao ser reeditada e

disciplinas escolares para reivindicar, agora, mais proximidade em pes-

lançada quase uma década depois, confere novas possibilidades de lei-

quisa e intervenção do universo do professor e da aula na escola. Es-

tura ao texto. Pode mesmo ser base para autores que foram fonte de

ses textos já revisam e ampliam o impacto social do livro e a meu ver

análise quando da sua feitura. Autores que foram criticados e estavam

2004),

compõem um conjunto temporal do pensamento do autor no interstício

distantes das posições sinalizadas no livro na ocasião do lançamento

entre mestrado no Brasil e doutorado na Espanha.

agora podem estar mais próximos ou caminhar na direção apontada.

E claro que a maturidade da obra e do autor envolve e está en-

Em algumas situações, será observado também um acirramento das po-

volvida pela produção de conhecimento na educação e na educação

sições, o que impossibilita qualquer tipo de diálogo científico a partir

física, em particular. No ano de lançamento do livro

das interpretações grafadas e que se confirmaram nos anos que se se-

(1997),

foi cria-

do o Grupo de Trabalho Temático: Educação Física, Esporte e Escola

guiram.

do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte, que se reúne

Este livro, como objeto e fonte viva de conhecimento, movimen-

bianualmente no congresso da entidade. Na Universidade Federal

ta-se. O autor e parte daqueles que lhe serviram de fontes também es-

Fluminense (UFF), é realizado o Encontro Fluminense de Educação

tão vivos e em franca movimentação no campo acadêmico da educação

Física Escolar, a cada ano. Na Universidade Federal de Minas Gerais

física. E desse rico e poderoso processo que um maior público da edu-

(UFMG), ocorre o seminário sobre educação física escolar. Os gru-

cação física brasileira terá oportunidade de participar. Para alguns, con-

pos de pesquisa consolidam-se pelo país, sendo referências produções

vido à leitura, para outros existe sempre espaço para releituras. Ler e reler

oriundas de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo,

pode gerar também o desejo de escrever e reescrever. E todos nós, que

Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Pernambuco e Bahia.

fomos constituídos e constituidores pela e da área de educação física,

A produção editorial amplia-se na forma de anais e periódicos

queremos, podemos e devemos assim proceder.

em diferentes suportes. Todavia, como sustenta o professor Caparroz,
se o foco hoje caminha necessariamente na direção de compreender

Amarílio Ferreira Neto

os saberes, as práticas dos professores, a intervenção nos modos de

Professor da Universidade Federal do
Espírito Santo ( U F E S ) e coordenador do PROTEORIA

fazer/teorizar com/na aula, faz-se mister que se recuperem os veículos estratégicos de disseminação do conhecimento da ambiência escolar: os periódicos de ensino e técnicos, uma vez que o típico do
periodismo científico é discursar sobre objetos que, se supõe, existiram ou que deveriam existir como prática da educação física na esco-

da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mas. por uma editora universitária. mais do que isso. cujo acesso à dissertação seria muito mais difícil. Motivo de satisfação e de orgulho por constatar que o trabalho que vimos realizando no Programa está gerando bons frutos. reconhecidos pela comunidade acadêmica e divulgados para públicos diversificados. na medida em que grande parte da produção teórica que sobre ela se debruça tem buscado seus fundamentos e efetuado suas críticas a partir dos determinantes externos que a conformaram e não na sua constituição histórica dentro da escola. na medida em que ele é fruto de sua dissertação de mestrado. produzida sob minha orientação e defendida no Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: História e Filosofia da Educação.P R E F Á C I O er convidado a prefaciar o livro de Francisco Eduardo Caparroz foi para mim motivo de satisfação e de orgulho. de estudo ousado e original que procurou verificar até que ponto a educação física praticada nas escolas tem sido estudada como componente curricular. O primeiro mérito deste trabalho foi o de procurar analisar a produção teórica sobre educação física escolar produzida a partir dos anos «yWIVERSIDÂOE F E D E R A L DO PA«* . por verificar a aceitação.

expõe as nortear estudos dessa natureza e que aponta para as possibilidades ex- fraquezas da área que parece ter incorporado acriticamente as discus- tremamente interessantes de estudo sobre a educação física escolar. via de regra. e mais. dura. instituir a "ciência pedagógica". porque esse se produz a partir da delimitação de objeto/método. efetuando como componente curricular. vantamento exaustivo da literatura produzida no Brasil. de fato. consegue tornar irredutível seu objeto de estudo. antes de mais nada. com base em critérios definidos para levantamento bibliográ- Nesse sentido. A crítica efetuada à visão de educação física escolar como conformada por instituições externas à escola (militar. Se quisermos efetivamente procurar responder o que ela tem sido. perdeu-se o que a educação física foi construindo. têm confundido e consistente. é preciso que nos dispamos de nossos "pré-conceitos" e adentremos à instituição escolar para verificarmos. séria sistência teórica desses estudos que. Em síntese. efetuou le- cadas não era a que efetivamente se dava dentro da instituição escolar. mas como produto de um con- junto orgânico de investigações que. na medida em que. efetua análise crítica da delimitação de seu objeto a partir dessas influências. Sociedade da PUC-SP. por decreto. na medida em que procura verificar como a literatura especializada Assim. exem- discurso prescritivo e exortativo sobre o que ela deveria ser. médica e esportiva) aponta para novos caminhos.xvi ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA PREFÁCIO À 2a EDIÇÃO x/lt de 1980. por considerar que essas não são externas mas se constituem no próprio campo em que a educação física escolar se forjou. tem tratado a educação física como campo de conhecimento. de aspectos que mostram a incon- divergir. O autor. da medicina e do esporte. em síntese. negativas do militarismo. José Geraldo Silveira Bueno Professor titular do Programa de Estudos PósGraduados em Educação: História. sões originárias do campo pedagógico que também procuraram. prática não muito utilizada em nosso meio. Por outro lado. incorporando mas aquela que os teóricos apontavam como expressão de influências livros e artigos publicados nos principais periódicos especializados. a educação física não se constitui em campo de conhecimento. a física escolar da qual se tanto falou e se escreveu nessas duas últimas dé- partir de critérios objetivos e explicitamente apresentados. mas. como efetuar crítica firme. a meu ver. para produzirem um A discussão efetuada no segundo capítulo é. Política. de fato. como ela tem se construído na prática pedagógica efetiva. a presente obra aponta para novas possibilidades de estudos sobre a educação física que se pratica nas escolas. o trabalho em questão nos aponta que a educação fico específico. plar. assim como a pedagogia. Mas. posição da qual o autor resolveu não só crítica acerba. . mas justa e metódica. mais do que todas essas críticas. calcada no princípio da pluralidade acadêmica que deve campo de conhecimento com prática social. em dado momento histórico. não porque o anunciemos a priori.

Caracteriza-se o mesmo como um estudo teórico e refere-se fundamentalmente à problemática da educação física escolar. t ^ i V E R S I D A D E F E D E R A L DO PAHM BIBLIOTECA CENTRAL .P U C .S P e Valter Bracht .P U C . da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). a análise da produção especializada sobre educação física produzida no período compreendido entre 1980 e 1994.N e r e i d e Saviani . Dessa forma. no Brasil. procurou responder à seguinte questão: de que modo a produção teórica sobre a educação física dos anos de 1980 concebe a educação física como um componente curricular? Três hipóteses nortearam o estudo-.I N T R O D U Ç Ã O ste estudo foi desenvolvido originalmente como dissertação' do curso de mestrado do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação-. D e f e n d i d a e m a g o s t o d e 1996 e intitulada A educação jísica como componente curricular: entre a educação Jísica tia escola e a educação Jísica da escola.C e n t r o d e E d u c a ç ã o Física e D e s p o r t o s da U n i v e r s i d a d e Federal d o E s p í r i t o S a n t o (CEFD/UFES). S e n d o a b a n c a e x a m i n a d o r a c o m p o s t a p e l o s p r o f e s s o r e s d o u t o r e s : J o s é G e r a l d o Silveira B u e n o .S P (orientador). Versa sobre a forma como a produção teórica dos anos de 1980 e início dos anos de 1990 tratou a questão da educação física como componente curricular. História e Filosofia da Educação.. 1.

basicamente no seu caráter instrumental.2 ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FlSICA DA ESCOLA INTRODUÇÃO 3 a) Embora os elaboradores da produção teórica sobre educação o período que interessa aos objetivos deste trabalho. O levantamen- física escolar estivessem centrando suas preocupações em uma to. 1 9 9 6 ) obras de referência sobre edu- cação física: considerei todas as obras em que o termo educação física ção que ela procurou estabelecer com uma produção que até então se pautava quase única e exclusivamente na perspectiva biologicista da aptidão física. bem como explicitar a importância que tal produ- dual de São Paulo (entre 1980 e 1994) e dos subsídios pedagógicos/ ção teve na perspectiva de avançar em direção ao redimensionamento curriculares de educação física também das redes municipal e estadual das concepções pedagógicas. efetuei a seleção e classificação das tido da caracterização da educação física como componente obras (limitando-me à análise sobre os livros e artigos) de autores na- curricular. obedecendo aos referidos critérios de seleção. utilizei como critério o levantamen- como operaram as análises a esse respeito e a que conclusão chegaram..s e n o A n e x o 2. não con- cia de 16 livros e 11 artigos em periódicos 3 . enfim da ruptura e supera- 1980 1980 e e 1994). explicar por que a educação física está presente no currículo. explicam sua incorporação e seu desenvolvimen- temas específicos.- cionais e que versassem sobre educação física escolar ou tratassem da b) Ao elaborarem a produção teórica sobre educação física esco- área da educação física em termos abrangentes. Para compreender como a produção teórica dos c) A educação física manteve uma intensa interlocução com a anos de 1980 caracteriza a educação física como componente curricu- educação. 1994). Atuais e n s i n o f u n d a m e n t a l e e n s i n o m é d i o ( r e s p e c t i v a m e n t e ) . como anatomia. dominante e tóricas específicas. 3. to da literatura especializada constante dos concursos públicos para Foi operada inicialmente uma breve discussão sobre as relações o o 2 professores de I e 2 graus das redes municipal e estadual de São que se travaram no âmbito acadêmico da educação física brasileira des- Paulo (ocorridos entre das propostas curriculares para de 1980. Isso significa que os lar. fisiologia. o modo vamente alguma influência na área. não to como componente curricular. justificam. aquelas editadas após 1980. visto que é este 2. utilitário. das abordagens metodológicas. A relação das o b r a s analisadas e n c o n t r a . E isso pode ser observado no Capítulo 1. apenas no âmbito das teorias educacionais. incorpo- lar. ainda. revelou a existên- educação física a ser desenvolvida dentro da escola. bioenergética etc. de modo mecânico. política e social em fa- está relacionada à compreensão do objeto em suas determinações his- vor do poder hegemônico. objetivando compreender o contexto em que a produção teó- a área de educação física de I o e 2 o graus das redes municipal e esta- rica fora elaborada. seguiram estabelecer uma interlocução com a educação no sen- Feitos os levantamentos. estivesse presente e. Com base no levantamento da bibliografia citada nos documentos. encontrei setenta (CAPARROZ. procurei descrever e explicar o motivo que levou os autores aqui es- Objetivando investigar a bibliografia que tenha exercido efeti- tudados a percorrerem a história da educação física escolar. . buscando uma fundamentação foram considerados para efeito de análise desta pesquisa. na sua de- A escolha do referencial teórico que fundamentou este trabalho terminação pela estrutura econômica. foi preciso empreender estudos sobre a forma como essa produ- rando os aspectos filosóficos. Assim. dos para- de São Paulo (entre digmas que balizavam a produção científica. sociológicos e psicológicos da ção analisa o passado da área e quais conseqüências ela traz à tona para educação.

sempre em virtude do seu caráter instrumental. política e social. sobre a conversão do conhe- via uma outra. as peculiaridades e parecia não distingui-la entre uma prática social.1 k N I K h A E D U C A Ç A Q FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA INTRODUÇÃO 5 O desenvolvimento das análises revelou que. por entender que. ha- sobre a especificidade do saber escolar. a educação física serviu sociais se daria exclusivamente em virtude do desenvolvimento cien- sempre aos intentos do poder hegemônico. tratando-a ora como uma prática social produzida historicamente cular. Constatei que. como determinação como controle social. nas Considerações Finais. que ocorre em dife- o significado daquilo que se denominou componente curricular. foi necessário detalhar como a educação física. seqüências que os autores retiram de seus estudos e o que levantam a Tomando por base as observações decorrentes dessa verificação. de uma área de conhecimen- se sentido. como campo de interesse científico. Nesse sentido. 1993). a análises que objetivaram indefinição conceituai da educação física. de um campo de interesse científico. e entendendo que a produção teórica sobre educação física escolar. Nesse sentido. objeto de estudo deste trabalho. uma característica marcante dessa literatura nas das instituições militar. considerando tais práticas apenas como campo de aplicação das do com as determinações/mudanças que o contexto lhe imprimia. Também procurei verificar. essa produção entende a incorporação da educação física pela sultado de uma indefinição do tratamento dispensado à educação físi- instituição escolar e o seu desenvolvimento como componente curri- ca. aponto as saídas propostas pelos diferentes autores. o que me levou a analisar como se processou sempre servindo ao ideário dominante. ora como campo de estudo. no meu entender anterior a essa. procurei verificar o que vem sendo produzido acerca da caracterização dos componentes curriculares. lancei mão das produções de Saviani (1994. tratamento dado à educação física como componente curricular. e que se referia à cimento em conteúdo curricular. no Capítulo 3. ou seja. médica e desportiva. Essa característica deu-se com base em um discurso ambíguo re- geral. San- to. foi es- percorrer a forma como essa produção caracterizou a área nos anos de tudada pela produção dos anos de 1980. de sua confor- pelo homem e que diz respeito às diversas formas que a atividade físi- mação irremediável pela estrutura econômica. Nes- rentes âmbitos de um campo de estudo. foi necessário realizar uma análise que compreendesse o particular como resultado de múltiplas determinações. Assim. entende que a edu- área de conhecimento. Re- respeito. Assim. de que forma foi caracterizada a educação física de 1980 acerca dessas influências possibilitou o entendimento das con- escolar. além da questão do corri aos estudos sobre a história das disciplinas/matérias escolares. 1995a). pois a literatura em questão compreender a constituição. enfim. levando a área a ficar parecia ser a do entendimento de que o aprimoramento das práticas aprisionada a um caráter utilitário. empreendi análise de forma a cou definir conceitualmente a educação física. sendo conformada de acor- tífico. ou seja. mas descobertas científicas. cação física sofre ao longo de sua trajetória histórica influências exter- Decorrente disso. Assim. explicam o passado e o presente dessa área no currículo e o que apontam em relação ao futuro dessa disciplina. que se caracterizaram fundamentalmente pelo que denominei "salto para fora". na medida em que praticamente toda essa produção pouco se debruçou no sentido de procurar descrever e explicar a trajetória histórica da educação física . é uma construção que não pode ser compreendida de forma isolada e desprendida do seu caráter histórico. tos (1990). de uma forma 1980. na literatura mais ampla da educação. den- O estudo sobre as análises produzidas pela literatura dos anos tro dessa discussão. essa discussão conceituai mais ampla. o desenvolvimento. Goodson (1990) e Forquin (1992. procurei compreender como essa literatura bus- Desta maneira. como componente curricular. de sua ca assumiu na sociedade moderna. foi possível entender como eles descrevem. objeto do Capítulo 2.

enfim da ruptura e superação que ela procurou estabelecer em relação a uma produção que até então se pautava quase que única é exclusivamente na perspectiva biologicista. aprofundar o entendimento do contexto em que a produção teórica fora elaborada. D A E D U C A Ç Ã O FÍSICA BRASILEIRA Enfim. mais que uma nova resposta a questões tão complexas. observa-se um efervescente período de denúncias. reconhecendo sua importância histórica . influenciada por instituições que não eram consideradas constituidoras de seu campo. determinante e opressor (MEDINA. dominante. da aptidão física. foi necessário dar um primeiro passo em direção à compreensão do movimento dos anos de 1980 e de 1990 dentro da educação física escolar no Brasil. revelações e descobertas do papel que a educação física vinha e vem desempenhando em favor de um poder hegemônico. Desde o final dos anos de 1970. Procurei. assim. conseqüentemente. não poderia haver outra saída para sua I N T R O D U Ç Ã O A O S A N O S DE 1 9 8 0 transformação que a da busca de bases externas a ela. A produção na área passa a ser intensa e versa. por isso mesmo. dos paradigmas que balizavam a produção científica. entendo que o mérito deste trabalho .tendo claro que a literatura sobre a qual me debrucei se materializou num determinado contexto. bem como a importância que ela teve na perspectiva de avançar em direção ao redimensionamento das concepções pedagógicas. endo o objetivo principal deste trabalho de pesquisa realizar um estudo sobre a produção teórica dos anos de 1980 e de 1990 que versa sobre educação física escolar.168ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA í A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLAANEXO169 C A P Í T U L O • UM como parte da cultura incorporada pela instituição escolar. 1990). das abordagens metodológicas. num dado momento histórico e. prin- . mas a entende como reflexo de determinações econômico-sociais e. e durante os anos de 1980. procurando analisar como essa produção caracteriza a educação física como componente curricular.é o de procurar estabelecer reflexão crítica que aponte para novas possibilidades de estudos sobre educação física escolar.

final dos anos de 1970. basicamente das teorias educa- ça da influência militar que se sobrepôs à área desde o início do sécu- cionais pautadas nas propostas de Paulo Freire. da pedagogia histórico-crítica (crítico-social dos conteúdos) nos anos de 1980. Ghiraldelli Júnior (1991). com to que a educação física que se tinha até então só servia para a manu- um movimento intenso de questionamento e contestação das práticas t e n ç ã o d o status cfuo. ao criticar um modelo quase único que E preciso ter claro que esse não foi um movimento isolado da e conformava a educação física e abrir a possibilidade de debate sobre ou- na educação física. tipos: higienista.. visando basicamente à formação de atletas e gulho mais intenso na análise das práticas pedagógicas efetivas e que ao desenvolvimento da aptidão física. os anos de 1980 aparecem como o nascimento se explicitou o descontentamento cada vez maior de parcela signifi- de concepções e práticas pedagógicas libertadoras. Essa produção revela também que se por base um referencial fora da própria área. autoritária. Foi o tempo em que Nesse sentido. tiveram o mérito de tensionar as relações vigentes na área. Essa crítica estabelecida nos anos de 1980 se. a educação física voltava-se para enquanto Castellani Filho (1988) refere-se a três concepções: biolo- a construção de um corpo ordeiro. heran- que ocorriam no campo da pedagogia. são travados importan- traziam em seu bojo uma nova proposta de educação física. a educação física brasileira esteve atrelada ao cepções de educação física: convencional. humano e não mais para as necessidades do capital.ao contrário. cipalmente. historicamente. sem que houvesse um mer- práticas desportivizadas. tomando- gências das técnicas do trabalho. modernizadora e revolucio- paradigma biológico e que. psicopedagogização e transformadora. pedagogicista. Nesse sentido. rantindo saúde e aptidão física ao trabalhador. ou seja. vis- cas. das discussões esse caráter instrumental estava impregnado de autoritarismo. As elaborações N o cenário da educação física nacional. os movimentos sociais organizados passaram ao analisar de forma mecânica a relação entre a escola e a sociedade. totalmen- tes debates e organizados movimentos que. as práticas desenvolvi- nária. nessa perspectiva. entre outras característi- te diferente de tudo o que havia sido pensado ou experimentado. por um lado. PA** . N o pectos biológicos. cativa da sociedade brasileira com o autoritarismo presente ao longo dos na perspectiva de desenvolver uma educação física voltada para o ser governos militares. por outro lado. que é o da redemocratização da sociedade brasileira. trouxe uma importante contribuição. acabou também por operar um certo reducionismo. posteriormente. militarista. Foi o tempo das reivindicações por entre a educação física e as exigências do trabalho. a serviço da classe dominante. Embora diferenciados. no surgimento de uma diversidade de WWIVERSiDApc FEDERAL DQ BIBLIOTECA CENTRA*. competitivista e popular. classifica-as em cinco das sustentaram-se pelo seu caráter instrumental em favor do status quo. e de Dermeval Saviani e José Carlos Libâneo. geral e irrestrita". pelas "Diretas Já". sobre as c o n c e p ç õ e s que historicamente dora. preparando-o para as exi- os autores aproximam-se na concepção da educação física. E nesse sentido que Medina numa visão histórica ou sociológica procurou operar a crítica mostran- (1983) no início dos anos de 1980 explicita a existência de três con- do que. enfim. Pautados principalmente na biologi- Nesse primeiro momento. da pedagogia liberta- lo passado. desenvolvida por meio de uma redundaram. ou seja. com a função única uma "anistia ampla. transformadoras. materializavam-se por intermédio de resumiu-se na denúncia do estabelecido. ele inseriu-se num movimento muito tras formas de compreender a educação física que não apenas pelos as- mais amplo. a crítica dos autores nos anos de 1980 zação do movimento humano. a clamar pela "abertura política". Foi o tempo. e das políticas públicas da época. a produção teórica que se inseria formatando e orientando as suas práticas. disciplinado. dicatos e demais associações. da "transição democrática". ga- gização. pela organização livre dos sin- de preparar o aluno para a atividade social ordenada.I N T R O D U Ç Ã O AOS A N O S DE 1 9 8 0 DA EDUCAÇÃO FfSICA BRASILEIRA85 1 4 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FfSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FtSICA D A ESCOLA vinham pedagogia tecnicista. forte e alienado.

entre o final dos anos de 1970 até mea- praxis para a construção de um "corpo democrático". entre o grupo da área lises críticas voltadas para o seu interior. "a participação do professor e do pesquisadores e de agências financiadoras de pesquisas sobre a cien- estudante de educação física nas entidades". um esforço livre". a Brasil?". os reclamos de a conjuntura da política nacional. "progressistas"'. Já no início dos anos de 1980. como em programas de educação) e depois voltando para as IES. Observam-se. teve trabalhos que procuravam analisar produzir teoricamente. que pare- Nesse sentido. Po- dicionantes socioistóricos que determinam os diferentes tipos de con- rém. por ocasião da eleição para a escolha da direção da Associação dos Professores de Educação Física (APEF-SP) para a ges1. e nesse sentido há necessidade de se entre vários temas abordados. p. capaz de se contrapor ao paradigma biológico hegemônico. houve a participação de um grupo de estudantes da Faculda- Nesse período iniciam-se os cursos de pós-graduação em educação fí- de de Educação Física de Santo André. com acirramento do debate em relação à produção do período. a partir de 1984. ocorreu a realização do I Encontro Nacional área passa a sofrer uma cobrança interna e externa quanto à sua legiti- (1980). da concentrado por parte de todos aqueles que se situavam no campo dos "consciência corporal". Ainda em 1980. em Guarulhos (SP). da "cultura corporal". em que se discutiu. houve a realização do III Congresso Brasileiro de dos intelectuais da área. e o debate travado em 1985. tificidade da área (ENEEF). das mesas. a pu- a surgir teorias explicativas da área à luz de diferentes referenciais teó- blicação do periódico ricos. promovido pelo Colégio trado e doutorado (tanto em programas específicos de educação físi- Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE). Há um intenso movimento Em 1983. destacam-se a realização de im- que a presença das questões políticas amplas continuem presentes.10 ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA INTRODUÇÃO AOS ANOS PE 1 9 8 0 DA EDUCAÇÃO FÍSICA BRASILEIRA 11 vertentes que clamam por uma educação física elaboradora de uma Pode-se observar que. possibilitando aná- puta acirrada pela hegemonia dentro do CBCE. da "expressão corporal". Outros fatos relevantes foram. Nesse mes- instituições de ensino superior (IES) já desde o final dos anos de 1970. numa ca. ingressando e realizando seus cursos de mes- Ciências do Esporte.Região Norte/Nordeste que discutiu temas relacionados física escolar nos anos de 1980 estão desenvolvendo seu trabalho nas aos aspectos sociológicos da educação física e do esporte. o tema "Desporto e desenvolvimento humano". 1988). 111). (BRACHT. do "movimento dos dos anos de 1980. mo ano. Começam consideradas progressistas. e que. ainda Nesse processo de contestação. o que é Educação Física no estudos pós-graduados no exterior. do "corpo como instrumento de libertação do homem". de Estudantes de Educação Física realizado na Bahia. E n t e n d e n d o progressista c o m o os que lutaram pelo processo de redemocratização d a s o c i e d a d e b r a s i l e i r a n o final d o s a n o s d e 1 9 7 0 e d u r a n t e o s a n o s d e 1 9 8 0 . to passa a priorizar no debate as questões mais específicas da área. por exemplo. . tão 1986-1988 (CASTELLANI FILHO. parece haver uma união de forças. mação enquanto área acadêmica. a área passa ce ter sido uma das principais alavancas impulsionadoras de uma dis- a demonstrar uma certa "maturidade" acadêmica. para a construção de um movimento renovador na da "percepção dos signos sociais do corpo". Esse movimento fez com que médica e aqueles que se inseriam ou se aproximavam de perspectivas os intelectuais passassem a explicitar suas diferenças teóricas. Corpo e Movimento. ainda. da Associação dos Professo- res de Educação Física de São Paulo. como o Congresso Brasileiro de Ciências do Espor- maioria dos formuladores/elaboradores das concepções de educação t e . A portantes eventos. parece que. 1 9 9 3 . em meados dos anos de 1980. sica no Brasil e estão voltando vários professores que realizaram seus apresentando trabalho intitulado "Afinal. observa-se que o movimen- cepção de corpo na sociedade". da "percepção dos con- área. na 32A Reunião Anual da SBPC. a partir da "transição democrática".

Já o C o l e t i v o d e A u t o r e s n o s revela: " N a s d é c a d a s d e 1970 e 1980 surgem m o v i m e n t o s ' r e n o v a d o r e s ' na e d u c a ç ã o física {. é nesse período que leira. núcleo comum física e sociedade ( C O L E T I V O DE AUTORES. valor.. p. Esse movimento ganha importância. pela alavanca cultural. v i n h a m i n f o r m a n d o a prática das a t i v i d a d e s físicas" (1993. tabelecido 1992). Entretanto. r e v e l a ç õ e s e d e s c o b e r t a s d o papel q u e esta área d o c o n h e c i m e n t o vinha e v e m d e s e m p e n h a n d o e m f a v o r d e u m p o d e r h e g e m ô n i c o . firmar posições que de- se esboçam os primeiros elementos no sentido de operar-se uma crí- veriam romper.INTRODUÇÃO AOS ANOS DE 1980 DA EDUCAÇÃO FfSICA BRASILEIRA125 1 4 ENTRE A EDUCAÇÃO FfSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FtSICA DA ESCOLA Após as considerações anteriores. primeiro. 107). A produção a respeito dessas concepções tem se dado por meio de dissertações. 17). construtivista. procurei estudar tal produção observando A análise operada pelos intelectuais desse período aponta para 2 um movimento auto-intitulado "renovador" da educação física brasi- qual o tratamento que esses dispensaram à educação física como componente curricular. p. d i a l e t i c a m e n t e p r o d u z i d o s e r e s p o n s á v e i s pela s u p e r a ç ã o dessa prát i c a " ( 1 9 9 4 . Diretrizes educação 1991). d o m i n a n t e . Educação física escolar: 1985). ao movimento auto-intitulado "renovador".. com olhar que per- ca com relação à educação física como componente curricular. fenomenológica. meramente aos condicionantes econômicos. o u seja. teses. valendo-se de análises que ficaram presas LETIVO DE A U T O R E S . Neste sentido. O m e s m o a u t o r .s e o b s e r v a r a idéia d e c o n s t i t u i ç ã o d e um m o v i m e n t o " r e n o v a d o r " e m alguns t r a b a l h o s e l a b o r a d o s n o final d o s a n o s d e 1980 e início d o s d e 1990. mas t a m b é m q u a n t o aos s e u s p r e s s u p o s t o s t e ó r i c o s . já apontadas para poder perceber esse movimento não só pela ótica que ou se a partir disso consegue operar em profundidade a análise teóri- seus sujeitos nos oferecem. Educação Educação uma abordagem gerais para o ensino de do ensino de educação física Educação 2o de física fenomenoló- grau-. colocam-se em cena diferentes concepções: desen- condicionantes. portanto. antropológico- de 1980 foi construída. políticos e sociais.] O s m o v i m e n t o s ' r e n o v a d o r e s ' na e d u c a ç ã o física d o qua! faz p a r t e o m o v i m e n t o d i t o ' h u m a n i s t a ' na p e d a g o g i a .. enfatizando preocupações com a educação (OLIVEIRA. p. ao fazer um balanço da área nos anos d e 1980. 1988a). P o d e . afirma: " E s t o u c o n s c i e n t e d e q u e a v a n g u a r d a da e d u c a ç ã o física n o Brasil está ainda pass a n d o p o r u m p e r í o d o p o r alguns c h a m a d o s d e ideológico. produzida apenas pelo embalo. mes- física escolar na perspectiva de tentar romper teoricamente com o es- mo quando tentavam se voltar para a análise do campo pedagógico. O l i v e i r a afirma: " P e r c e b e . t e n d o c o m o f u n d a m e n t o os limites e i n t e r e s s e s d o h o m e m e surge c o m o crítica a c o r r e n t e s o r i u n d a s da p s i c o logia c o n h e c i d a s c o m o c o m p o r t a m e n t a l i s t a s " (1992. 130). sua i d e n t i d a d e . histórico-social. nos periódicos específicos (principalmente a Y M I V Ê K S Í Í M P E F-ED£RAL Revista D O BIBLIOTECA CENTRAI. d e t e r m i n a n t e e o p r e s s o r " (1990. no sentido de possibilitar a visualização Centrando-me na análise do entendimento da educação física das principais características apresentadas pela produção teórica ela- como componente curricular. 1 9 9 1 ) . vão construir concepções. culares para o ensino de educação física nos estados e municípios. 1993). vale retomar algumas questões propulsora das mudanças políticas ocorridas no início desse período. pertencendo. porque vai gradativamente ocupando espaço acadêmico nas universidades. nos programas de pós-graduação da área mediante a produção de dissertações e teses. Brasileira f»AJt* . principalmente. e m o u t r o m o m e n t o . sistêmica e crítico-superadora. PoEducação dem-se observar algumas dessas concepções em produções como: física escolar: uma abordagem corpo inteiro: humanista gica teoria e prática (OLIVEIRA. h i s t o r i c a m e n t e . parecem negar esse pas- tica à sua função sociopolítica conservadora no interior da escola (CO- sado ou mesmo obscurecê-lo. superar o passado. um p e r í o d o d e d e n ú n c i a s . por parte dos que a analisaram teorica- borada nos anos de 1980. (MOREIRA. humanista. mas. artigos acadêmico-científicos. Essas concepções surgem no sentido de estabelecer algo novo na área. livros e propostas curri- 2. se c a r a c t e r i z a pela p r e s e n ç a d e p r i n c í p i o s filosófic o s e m t o r n o d o ser h u m a n o . p. Não é pretensão negar ou menosprezar a consideração desses Dessa forma. mente nos anos de 1980. histórico-crítica. 1989a) . - (BETTI.h i g i ê n i c o s q u e . Medina. O que se coloca em questão é se a produção dos anos volvimentista. Segundo seus formuladores. c o m e n t a : "Esta é p o c a indica a i n c o r p o r a ç ã o d e valores q u e s u p e r a r i a m a h e g e m o n i a d o s v a l o r e s m é d i c o . mita uma análise diferenciada.- física (CASTELLAN1 Metodologia et al. 5 5 ) . 1992).s e q u e a e d u c a ç ã o física n o s a n o s d e 1980 d e u u m salto q u a l i t a t i v o n ã o s o m e n t e e m r e l a ç ã o s ó a sua prática. desenvolvimentista (TANI da educação física (FREIRE. FLLHO. 1988).

. do componente curricular. mas não no sentido de penetrar nas pecu- devem ser observados para caracterizá-la como componente curricu- liaridades da própria área.1 4 ENTRE A EDUCAÇÃO FfSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FtSICA DA ESCOLA INTRODUÇÃO AOS ANOS DE 1 9 8 0 DA EDUCAÇÃO FfSICA BRASILEIRA 1 5 nos congressos. Educação t Sociedade. a saber. d a P U C . ao manter interlocução fundamentalmen- ção passa a estar presente nas bibliografias dos concursos públicos. desde o final dos anos de 1980. simpósios. apesar de estarem centrados na rículo. compilar. Essa interlocução entre ção. m a n t e n d o suas d i s c u s s õ e s r e s t r i t a s a p e r i ó d i c o s e s p e c í f i c o s d a área. d i v u l g a d o nas d é c a d a s d e 1970 e 1980. das questões de fundo sociológico e filosófico da educação. Fato que nos remete à idéia de que existe uma de Ciências do Esporte)3. pois. encontros. com o objetivo de verificar como entendem a trajetória histórica desta área no currículo e quais elementos retiram dessa trajetória como essenciais para explicar e justificar a educação física como componente curricular.S R r e a l i z o u p e s q u i s a coletiva c o m o b j e t i v o d e rastrear. faz com que não se aprofunde a compreensão da educação física como Terceiro. Observa-se que há uma interlocução entre ver uma discussão em torno dos aspectos pedagógicos necessários que educação física e educação. parte dessa produ- componente curricular. r e s e n h a r e analisar a p r o d u ç ã o científica s o b r e o p e n s a m e n t o p e d a g ó g i c o brasileiro. não conseguem promo- educação física da escola. das peculiaridades de uma norteadores de uma certa concepção. Entretanto. c u r r í c u l o . no exército. não parecem está se levantando aqui é que parece não haver. com objetivo de levantar-se o tratamento que deve ser dado e educação física escolar. na escola. O N ú c l e o d e E s t u d o s e Pesquisas P e n s a m e n t o E d u c a c i o n a l Brasileiro. porque. O que concepções é com a educação física escolar. buscam prioritariamente interlocução com a quais aspectos devem estar presentes para que se possa caracterizar a própria educação física. consegue olhar para o seu interior e visualizar as questões da prática pedagógica. ou. f o r m a ç ã o / a p e r f e i ç o a m e n t o d o c e n t e e livro d i d á t i c o . na escola ou em e municípios.G r a d u a d o s em H i s t ó r i a e Filosofia da E d u c a ç ã o . na academia. Em Aberto. Cadernos do CÍDBS. de estabelecer os traços principais do cur- lar. p o r m e i o d e p e r i ó d i c o s e s p e c i a l i z a d o s (PUC-SP/NEPPEB. não importando onde se pedagógicos elaborados por órgãos governamentais de vários estados desenvolve (se no clube. parece haver uma certa carência presente na produção teórica dos anos de 1980 quanto ao aprofundamento der. a p e s q u i sa e l e g e u c i n c o a s s u n t o s . Tem-se a impressão de que a educação física não 3. Segundo. aspectos necessários para a compreensão da educação física como componente curricular. s o b r e os quais as análises d e v e r i a m ser dirigidas. na produção teórica estar preocupados em caracterizá-la como componente curricular e sim dos anos de 1980 sobre educação física escolar. didática. versar sobre uma área que. Teoria e Educação. qualquer outro lugar). ain- porque grande parte dessa produção acadêmica foi convertida em li- da. está se fortalecendo a idéia que a edu- programas curriculares e de reorientação curricular e nos subsídios cação física enquanto prática social é única. um privilegiamento. que a educação e a educação física ocorre no âmbito das teorias gerais da educação. d e s s e s . nos te com a própria educação física. e quando buscam interlocução com a educa- educação física como componente curricular. Diante das questões apresentadas até aqui. a p e n a s u m p o u c o mais d e 1% ( 1 0 artig o s ) se r e f e r i a m à e d u c a ç ã o física. Parece que esses formuladores. Cadernos de Pesquisa. O q u e p a r e c e m o s t r a r q u e a e d u c a ç ã o física e s c o l a r p o u c o foi d i s c u t i d a n e s s e s p e r i ó d i c o s . conformariam a atuação concreta da educação física escolar. no sentido de buscar concepções que conformariam as práticas pedagógicas. se deve pautar nos princípios uma atenção maior em torno dos aspectos. da didática. 1995a). Foram analisados os s e g u i n t e s p e r i ó d i c o s : Revista Brasileira de Estudas Pedagógicos. entendi como necessário debruçar-me sobre tal produção. d i s c i p l i n a / m a t é r i a . I n t e r e s s a n t e o b s e r v a r que. Observa-se que a preocupação central dos formuladores dessas educação física na escola e não uma educação física da escola. D e n t r o d e s s e g r a n d e t e m a . D i s t o r e s u l t o u o l e v a n t a m e n t o d e 9 6 5 a r t i g o s . d o Programa d e E s t u d o s P ó s . o fazem privilegiando as teorias educacionais abrangentes. Assim. Revista da ANDE. Isso vros que passaram a ser adotados nos cursos de educação física das 1ES. Educação e Realidade. p e n s a m e n t o p e d a g ó g i c o brasileiro. Ou seja.

uma vez que boa parte dessa literatura.C A P Í T U L O • D O I S E M B U S C A D O ESTATUTO C I E N T Í F I C O DA E D U C A Ç Ã O FÍSICA A o me debruçar. a do próprio objeto. da ginástica como forma de aprimorar/manter a condição física do indivíduo. do*lazer. a parcela da literatura especializada produzida a partir dos anos de 1980 e. no meu entender.. principalmente. com o objetivo de verificar como ela tem sido tratada. qual seja. ao se voltar para o trato de diferentes questões sobre a área e. interferia em toda a trajetória dessa produção. do componente que faz parte do currículo das escolas etc. tem tratado a educação física de forma ambígua. a que busca uma conceituação mais precisa. Em outras palavras. deparei-me com uma questão que. a de uma indefinição conceituai mais ampla. não explicita a que educação física se refere: • se está tratando da educação física como prática social produzida historicamente nas relações entre os homens e que se consubstancia por intermédio do desporto. para a busca dessa definição conceituai. dentro dela. sobre a literatura especializada em educação física escolar. das mais variadas formas que a atividade física N VfUVurolDA^c r t U t f t ^ BIBLIOTECA CENTRAJL rMU> . isto é.

a edu- uma reflexão sobre a identidade da área.ou educação física em termos abrangentes e quando se trata da educação • se como um campo de estudo. como campo de conhecimento ou como prática social. no intuito de procurar analisar como a literatura especializada a tem tratado conceitualmente.. em boa parte da literatura. própria à instituição escola). ra sendo entendida como única expressão da segunda. física escolar. a produção teórica parece (uma vez que para esses a educação física é entendida como uma dis- colocar a educação física em xeque. que qualquer prática social que se pre- 1. enquan- A forma pela qual os autores analisados se referem à educação física. ção. auxilia-nos a pensar o modo pelo qual a própria área caminhou para a indefinição ou para definições que acabavam por negar a sua própria especificidade. A partir daí. para outros. que pretendeu buscar explicações sobre "o que é a educação física". como resultado de uma questão central na área-.). prescrições. terapêuticas etc. como área de conhecimento. acabou se confinando (quase que exclusivamente) naquilo "que ela deveria ser". Isso decorre basicamente de cação física escolar constitui-se em uma das expressões da educação dois fatores marcantes: um é o momento histórico sociopolítico. Pude observar que. Boa parte da literatura que se pretendeu científica. enfim. ora a educação física escolar sen- isto é. ENTRE C A M P O D A E D U C A Ç Ã O DE C O N H E C I M E N T O FÍSICA: E PRÁTICA SOCIAL demanda necessariamente. ora a primei- ganizados. marca a sociedade brasileira no final dos anos de 1970 e início dos anos de lazer. como se essas práticas se constituíssem meramente do. ora sendo confundidas. há de exposta. Essa literatura via de regra discute a área não a partir de uma unidade em torno do que ela seja. antes. que física mais abrangente (dentre outras ramificações como desportivas. surge uma outra. Essa ambigüidade no trato dos problemas relativos à educação Decorrente dessa indefinição inicial. bem como as considerações que são específicas e pertinentes a cada campo.EM B U S C A D O ESTATUTO CIENTÍFICO D A E D U C A Ç Ã O FÍSICA 1 9 1 8 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FLSICA N A ESCOLA T A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA foi assumindo na sociedade moderna e que foram se constituin- uma certa indefinição.. tanto por políticas governamentais em meados dos anos . um discurso ambíguo entre o que se constitui objeto de investigação científica (de descri- contrário. mas. explicação e generalização de achados sobre fenômenos ou sobre relações entre fenômenos) e o que se constitui objetò de normatizações. de 1980. do apenas como decorrência direta do desenvolvimento do conheci- há uma definição do objeto da educação física escolar? Nesse senti- mento científico. corretivas. A C A R A C T E R I Z A Ç Ã O tenda organizar com o intuito de se atingir determinados objetivos.. mas sim do que ela deveria ser.o outro é a necessida- O que pude verificar é que. Essa indefinição persiste quando se trata da d o no campo de atuação da educação física. apontando para a necessidade de ciplina pedagógica. Disso resultou. voltei-me mais especificamente para a educação física escolar. tratando-a como área de conhecimento ou como prática social. como campo de interesse científico. como objeto de interesse de estudos sistemáticos e or- do tratada como uma das expressões da educação física. to para alguns estudiosos a agregação do termo escolar é redundante Desde o início dos anos de 1980. no entendimento do que seja a educação física. isto é.pelo em campo de aplicação das descobertas científicas. orientações. a ambigüidade conceituai não é um dado a ser desprezado. revela a dificuldade em delimitar cada uma dessas instâncias. que se física não pode ser considerada negação do conceito de educação fí- refere ao fato de o aprimoramento das práticas sociais ser considera- sica escolar. com o processo de redemocratizaçãò.

.. a partir para explicitar as finalidades sociopolíticas da educação ( M E L L O 8C apontando. para concepções que traziam em seu desse período. do Sul a fundação do Colégio Brasileiro de Ciências do Essa p o s t u r a c o n s e r v a d o r a . 1 9 9 2 ) . emerge uma forte crítica ao "descompromisso político" de que se impregnara a área ao longo de décadas. o u n e o l i b e r a l . A o fazê-lo. com apoio gover- havia o q u e l h e c o n t r a s t a s s e . principalmente em sua segunda metade. locando assim a educação física em "harmonia com o momento atual". N e s s a é p o c a d e s p o n t a u m a g e r a ç ã o q u e c o - namental. a educação física que. de escola.a fundação do logo. a "abertura política" que Neste contexto. incorporara elementos da pedago- rica da educação física do período. assim. Entretanto. c o n - geiros. assumindo posições numa perspectiva de lecimento de convênios e intercâmbios com centros de pesquisas estran- crítica social. (CELAFISCS). a sua principal e s t r a t é g i a é u m a t e n t a t i v a d e d e s i d e o l o g i z a ç ã o d o d e - Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano b a t e e m t o r n o d a E d u c a ç ã o Física. 1 9 7 7 (BRACHT. que procuravam questionar a neutra- vinha sendo produzido hegemonicamente na área. A década de 1970. vai realizar estudos de pós-graduação no exterior. pela marca o início dos anos de 1980. Es- relação à fisiologia e à cineantropometria. passa. tão almejadas à época. Até o início dos anos lidade da educação no processo. Moacir Cadotti. em p.e o início da pós-graduação em educação física no veicula u m a visão d e m u n d o apoiada n u m a ótica d e c o n s e n s o . nas pesquisas realizadas. observa-se um interesse acentuado pelas questões de BRACHT. uma importantes para um redimensionamento da educação física nos anos o p o s i ç ã o s i s t e m á t i c a a o c o n s e r v a d o r i s m o . José Carlos Libâneo e Dermeval Saviani passam a ser incorporadas por di- . denotando assim a influência das bojo uma visão transformadora de mundo. fazen- se dos elementos das teorias da educação produzidas no final dos anos do emergir um tipo de produção teórica que vai se "contrapor" ao que de 1970 e começo dos de 1980. 25]. CO- Assim é que as produções de Paulo Freire. Assim. nos anos de 1980. influi diretamente na produção teó- influência da concepção tecnicista. E s t e ficava m a s c a r a d o . de conferir um nível de qualidade já alcançado em outras áreas. com o curso de mestrado da Escola de Educação Física da Uni- d e h a r m o n i z a r o inarmonizável. n o r t e a d a pela i d e o l o g i a liberal. 1993). por intermédio da didática. 1994. a fim de suprir as necessidades colocadas pelo mercado de trabalho em IES e prover a formação de quadros para o desenvolvimento da pesquisa em educação física (CARVALHO. histórico social político e econômi- de 1980. O movimento de redemocratização. i d e o l o g i z a m . 1 9 9 3 e OLIVEIRA. visto que ocorre uma série de fatos A E d u c a ç ã o Física brasileira n ã o tinha. nos anos de 1970. O s g r u p o s r e p r e s e n t a n t e s d o p e n s a m e n t o c o n s e r v a d o r . a apropriar- trava por toda a sociedade se instaura também dentro da área. I n c o n f o r m a d o s e d e s a c o s t u m a d o s c o m o diá- cineantropometria) em determinadas universidades.n o mais a i n d a . Parece haver necessidade de politizar o debate acadêmico. versidade de São Paulo.a organização de laboratórios de pesquisa (fisiologia. É a t e n t a t i v a Brasil. de homem. a t é o início d o s a n o s 1980. o sas teorias procuravam operar análises críticas de cunho progressista. há predominância dos aspectos biológicos. c o n t i n u a m a t u a n t e s . que indica a forte influência das ciências naturais. t u d o . ciências sociais e humanas (BRACHT.EM BUSCA DO ESTATUTO CIENTÍFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA19 21 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA T A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA de 1970 (principalmente em relação à pós-graduação). O intenso debate político que se gia. o estabe- meça denunciar o estabelecido. ordem pedagógica e sociocultural. marca de forma contundente a área. procurando dar-lhe um caráter político que contribuísse com o alavancamento das transformações sociais. 1988).. como pela comunidade acadêmica da área. concebendo a escola como veiculadora da ideologia burguesa. Esporte (CBCE). mascarando a luta d e classes [OLIVEIRA. principalmente em co. 1 9 9 3 e CASTELLANI F I L H O . pois n ã o de 1980: um número marcante de professores que. 1994).

Melo (1995. Taffarel e Escobar (1995). Coletivo de Autores (1992)'. 1995). Castellani percurso da comunidade acadêmica da área. socio- xão filosófica. implícita ou explicita- ção d o político ao acadêmico. Medina opera. o C B C E chega aos seus 15 anos c o m o q u e mente. provavelmen- renovador. histórico. (1983). parece ter gerado dois fenô- A produção dos anos de 1980 trouxe à tona questões impor- menos. mas um esclarecimento quanto ao fato de que a polarização ex- (1995). tuavam nesse "movimento renovador". p. E n t e n d o q u e essa entidade é a mais representativa dos professores d e educação física. Tani et al. que ao comentar o 1. Bracht (1989). expõe: vam postas. tremada. reunida em torno do Filho (1983). quando o debate acontecia. Cavalcanti (1984). Bracht (1989 e 1995). e n t e n d o q u e mesmo as posições conflitantes p o d e m e devem se fazer presentes n o d e b a t e . que se deu nos anos de 1980. b e m c o m o é a que tem p r o m o v i d o eventos e publicações (sistemática e periodicamente) nos quais os debates acerca das questões q u e foram colocadas acima se fazem presentes d e s d e 1978. mantendo interlocução entre si. apenas para o político e. emergente nos anos de 1980. de maneira nítida nos trabalhos de Oliveira (1984). Lovisolo (1995). principalmente em relação à influência médica e biológica sobre a área. 3. sociológico. Freire (1989a). Essa obra é usualmente citada dessa forma. a q u e se seguiu um p r e d o m í n i o ideológico com a sobreposi- lógico. Essa questão é mencionada em Bracht (1993. com a c o n s e q ü e n t e aversão à refle- cação física ganha destaque. 2. razão pela qual optei p o r esta forma de citação. que atuam n o meto acadêmico. Coletivo de Autores (1992).dos pressupostos epistemológicos com q u e 1990. ao observar o movimento ocorri- o que possibilitou o alavancamento de reflexões que antes não esta- do na área nos anos de 1980. antropológico e pedagógico.não ha- A contribuição dos intelectuais da educação física que se si- via predisposição para o debate acadêmico. N ã o a d v o g o aqui de forma alguma em favor de mediações consensuais. Carmo (1987). tais como Medina (1983). na medida em que a explicitação das nossas diferenças nos identifica. As produções de cunho filosófico. principalmente no que diz respeito coerente 3 . p r i n c i p a l m e n t e p o r q u e isso nos possibilita uma identidade.. Santin (1995). Soares (1990). progressista. CBCE 2 . O que ocorre nesse período então é quase "um diálogo de ao tensionamento da área e à polemização dos debates nela travados. a preocupação em relação à identidade da edu- d o s seus primeiros anos d e existência. ao contrário. esse redimensionamento da educação física parece ter-se dado a partir de discussões que ficaram circunscritas a um certo maniqueísmo em função do acirramento do debate político que aquele momento histórico proporcionava (MELO. 111). Ghiraldelli Júnior dade. . entre outros. nem sempre ocorria de forma sensata e tem uma importância indiscutível. Entretanto. Castellani Filho (1983 e 1988).EM B U S C A D O ESTATUTO CIENTÍFICO D A E D U C A Ç Ã O FÍSICA19 2 2 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA T A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA versos autores da educação física. trazem em seu bojo a pergunta: o que é educação física? Essa possuído pelo desejo de c o m p l e m e n t a r o c o n h e c i m e n t o das coisas c o m o preocupação percorre toda a década de 1980 e continua forte na de c o n h e c i m e n t o de si mesmo . e n t e n d e m o s q u e depois d e uma certa euforia e "ingenuidade" cientificista Nesse contexto. problemas. Gaya Isso não significa que se está aqui fazendo apologia à neutrali- (1994). e trouxe também sérios sua história. Não que elas não existissem. O segundo refere-se à ausência de posições diversas. pedagógico. 136-137). constituiu-se uma visão predominante em te obscurecidas nas décadas anteriores em função da hegemonia da relação ao modo de refletir sobre a área. surdos". (1988). enfatiza: Ghiraldelli Júnior (1991). Ferreira (1984). pp. O primeiro é que dentre os intelectuais d o movimento tantes no campo filosófico.

e quando o "ini- nidade acadêmica da educação física passa a exigir e vai conquistando migo comum". dispensando-lhe um Aliás r ó t u l o s foram o q u e n ã o faltaram na d é c a d a d e 80 [MELO. C o r r o o risco d e afirmar q u e a polarização d o s discursos. Organizam-se. mas fica patente a exis- Mas. antropológica. o que leva cada vez mais ao afastamento do cias da EF o u d o Esporte? Qual o o b j e t o desta ou destas ciências? E este diálogo entre os que têm pontos de vista diferentes. quando as tar que a educação física. Explicitam-se diferenças. Esse quadro geral dos anos de 1980 parece ter contribuído de tar multiplicidade d e opiniões e posturas q u e transitem entre esses extre- maneira decisiva para que as reflexões sobre a identidade da área fi- mos. ou oposição. médica em parte se desligam do CBCE. pedagógi- s o l e n e m e n t e ignoradas. i n c o e r e n t e m e n t e . ocasionou a cassem centradas mais num discurso prescritivo e/ou valorativo do que criação d e mitos e heróis e d e g r u p o s q u e se antagonizavam muitas vezes em análises teóricas mais aprofundadas e consistentes que refletissem mais p o r motivos pessoais d o q u e ideológicos. se achar d e t e n t o r e s da v e r d a d e . enquanto prática social. que se voltam para sentaram g r a n d e consistência teórica. fosse conformada de questões afetas ao processo de redemocratização já não estavam co- forma quantitativa e qualitativamente melhor. veiculação de um conhecimento específico. porque os intelectuais que q u e os órgãos d e f o m e n t o à pesquisa científica precisam e exigem classificá- têm sua produção com base nos conhecimentos de ordem biológica e la para reconhecê-la. para. t e n d o por objetivo congregar os profissionais e cultores desta área e d e ciências afins. p r e e n s ã o mais diversa e múltipla d e história. possibili- É preciso ter claro que. assim. A Sociedade Brasileira de Biomecânica foi criada em d e z e m b r o d e 1992. 136-137]. Assim. 1995. a ditadura militar. no momento em que este passa Embora sempre reclamadas.. d e n o m i n a d o s por Uma questão central a ser observada é a forma ambígua com que um r ó t u l o . ao final dos anos de 1980. . p p . então. pareciam. bem como passa a reivindicar a de um único bloco progressista. estas q u e s t õ e s foram a produção de ordem sociológica. G r u p o s .25 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA T A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA EM BUSCA D O ESTATUTO CIENTÍFICO D A E D U C A Ç Ã O FÍSICA19 Parece q u e em contraposição. por exemplo. impossibilitando uma c o m - o que é a área. mais (ou nunca se teve) dois blocos apenas (conservador sistas. ou seja. ". também. histórica. adentrar ao campo científico passa a solicitar/exigir esclarecimen- tência de vários grupos. Importante dizer o b j e t o o esporte. à história oficial factualreprodutora-acrítica surge uma unânime história crítica. a comu- locadas tão fortemente (como quando do seu início). Parece haver também um entendimento da necessidade emergente e urgente do desenvolvimento científico da área. os autores do período discutem a educação física. p e r m a n e c e n d o a área no plano d o q u e o sociólogo ca. as respostas a estas q u e s t õ e s nunca apre- a ser hegemonicamente conduzido por intelectuais. Nesse sentido. além d e riqueza d e detalhes". esses intelectuais que deixaram o CBCE não procuram manter interlocução com aqueles que estão a produzir teoricamente fora dos seus interesses de estudo. Parece ainda fal- voltam para a discussão. a atividade física ou o m o v i m e n t o h u m a n o ? L e m b r e m o s que esse diálogo se torna difícil. já havia sido deposta. vide a Sociedade Brasileira de Biomecânica4. o acirramento do debate políti- t o s ou respostas a questões d o tipo: EF é ciência? ou devemos falar em ciên- co-ideológico persiste. produção. por sua entrada nas instituições que progres- revolucionários). Entretanto. não se tem recursos necessários para o financiamento de tais pesquisas. entidades que se 4. Além disso. e por vezes.. ou reacionários versus versus acadêmico que a legitima. os in- status telectuais do movimento renovador não se agrupavam mais em torno desenvolvem a pesquisa científica. tratamento que confunde campo de conhecimento com prática social. basicamen- expansão e o aperfeiçoamento da pós-graduação para a área e ainda os te no que tange às concepções por eles adotadas.

c u l t u r a física. p. no que tange às pro- de senso comum e a pedagogia tradicional a influencia diretamente. enquanto a segunda a entende como educação por meio do físico. o autor entra numa discussão que se situa entre os pólos da alie- de científica. H á um clima d e t e n s ã o e n t r e o s p e s q u i s a d o r e s e p r o f e s s o r e s ( a p o i a d o r e s d o m o d e l o social vig e n t e ) . 6 que chama cultura do corpo e. nesse sentido. o teor f r a n c ê s P. Ao final do seu trae balho. da escola. aprofundada. férico.. Medina lança o livro "mente". v i v i d o à é p o c a . a educação física convencional matizada as reflexões acerca da educação física naquele momento e que fica circunscrita no nível da consciência intransitiva. Prevalece a visão influencia e alavanca esse movimento renovador. transitiva ingênua e transitiva crítica. cuida do corpo. e q u e v i n c u l a v a m . o esporte. por conseguinte.s e à uma p e r s p e c t i v a e x c l u s i v a m e n t e m é d i c o . intransitiva. apontando três níveis de consciência-. Assim p r o c u r a v a . p r o c u r a n d o vincular a a t u a ç ã o d o s profissionais d e e d u c a ç ã o física à d e n ú n c i a e à luta p o r t r a n s f o r m a ç õ e s s o c i a i s q u e f o s s e m c o n s o n a n t e s c o m o p r o j e t o d e r e d e m o c r a t i z a ç ã o social. dinâmico e mais amplo em que vive a sociedade brasileira" (MEDINA. assim. s e c u n d á r i o ou m e s m o irrelevante. desvalorizado em sua totalidade. c h e g a n d o ao e x t r e m o d e e n t e n d e r a área c o m o o mais p o d e r o s o i n s t r u mento nesse sentido.. 11). constituir bases científicas para a área. caracterizada pela falta de fundamentação mais sólida e nação e da conscientização. a visão dualista de homem é ressaltada.t e c n i c i s t a . Segundo o autor. O s a s p e c t o s psicológicos e sociais aqui o c u p a m u m papel peri- 5. apresenta três concepções que conformam. e a q u e l e s q u e buscavam se c o n t r a p o r à essa p e r s p e c t i v a . É p r e c i s o t e r clareza d o c o n t e x t o e m q u e tal d i s c u r s o é c o n s t r u í d o . grifos d o original].s e f a z e r da e d u c a ç ã o física u m a f e r r a m e n t a a mais d e l i b e r t a ç ã o . da educação física. logo na introdução da obra. num referencial teórico para o desenvolvimento de algumas posições Assim. p. de sua produção: "Serão considerações que pretendem se constituir 1993. o autor procura discutir uma fundamentação do Dessa forma. relacionando-as diretamente com os três níveis de ser considerada um importante marco.EM BUSCA DO ESTATUTO CIENTÍFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA19 26 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA T A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA E. morais. fundamentam a Essa obra pode educação física. que inicia de forma mais siste- consciência citados. 78. (MEDINA. 14). A diferença básica entre essa concepção e a anterior está no fato de a primeira entender a educação física como educação do físico. q u e h e g e m o n i c a m e n t e vinham f o r m a n d o e i n f o r m a n d o a área da e d u c a ç ã o física. pois o trabalho corporal fragmenta- de forma a operacionalizar tal discussão "dentro do contexto cultural se. bases para a renovação e transformação A educação da educação física física. H á ainda os q u e a r g u m e n t a m q u e esses a s p e c t o s intelectuais. duções da área. espirituais e sociais d e v a m ficar a cargo d e o u t r a s instância da E d u c a ç ã o [idem. bem como sua produção se caracteriza por pequena densida- Freire. Nela. Aponta. Entretanto. p. ao dade e da própria vida" procurar estabelecer. O a u t o r t r a t a ao l o n g o d o t e x t o o s t e r m o s c u l t u r a d o c o r p o . sendo o corpo Em 1983. sendo que aqui a ginástica. d e h u m a n i z a ç ã o e d e c o n s t r u ç ã o da cidadania. os auto- vância de discutir-se a questão da conscientização.d i s c u t i d o > [BRACHT. p. deixa claro. a rele- res o fazem via discurso político 5 e exortativo que se sobrepõe ao aca- A partir de um referencial teórico apoiado nas teses de Paulo dêmico. 1983. os jogos e a dança são tidos como instrumentos para promoção da educação num sentido amí'JO . não superando uma visão para além dos seus domínios biológicos. percebe-se que as discussões no sentido de conferir cien- que precisamos assumir diante da educação física. O s a d e p t o s d e s t a c o n c e p ç ã o d e f i n e m a E d u c a ç ã o Física s i m p l e s m e n t e c o m o um conjunto de conhecimentos e atividades específicas (fut visam o aprimoramento físico das pessoas.b i o l ó g i c a e / ou e s p o r t i v o . 6. da socie- tificidade à educação física ganham força e destaque. c u l t u r a c o r p o r a l e cultura s o m á t i c a c o m o s i n ô n i m o s . 1983. B o u r d i e u c h a m a d e d o x a (no p l a n o d o n ã o . 112]. A educação física modernizadora localiza-se no âmbito da consciência transitiva ingênua.

s o b r e t u d o . das regras construtivas d o diálogo. cuida do corpo e da mente [. quando ocorre a desestabilização das tradições. ou como uma situação social decorrente da mudança de padrões culturais. contemplando o indivíduo também em sua dimensão psicológica.. Também a educação física modernizadora não supera a visão dualista de homem. p. mesmo que o É preciso deixar claro que o autor não transpõe mecanicamente um conceito (os níveis de consciência) que se refere aos sujeitos SO- 7. de modo a dirimir as desigualdades sociais e estabelecer um modelo social mais autônomo e igualitário. a o analisar a referida o b r a d e M e d i n a . vinculam-se e concordam com uma determinada concepção inserem-se no nível de consciência correlato à referida concepção. 80). o primei- integral dos seres humanos. pois o entende de forma composta (corpo e mente). c o m e n t a q u e esse a u t o r ent e n d e q u e a crise da qual a e d u c a ç ã o física se r e s s e n t e se dará a partir d o mo- . É por intermédio dela que. denominada educação física revolucionária. auxiliam no desenvolvimento Neste sentido. o f u n d a m e n t a l d o s u p é r f l u o d e suas tarefas. o autor aponta uma crítica ao caráter conformista impregnado à área. segundo o autor. é possível superar a visão dicotomizada entre corpo e mente e avançar na direção de entender o homem em sua totalidade. sem contudo a superação das mesmas. dada concepção de uma determinada área. 8 1 . uma mudança na orientação do modo de viver. o c r e s c i m e n t o advirão m u i t o mais d o e n t e n d i m e n t o diversificado das possibilidades da Educação Física d o q u e através d e c e r t e z a s monolíticas q u e na v e r d a d e não passam. dois pontos merecem ser ressaltados-. Ao relacionar as concepsujeitos/indivíduos que defendem. vel saída para o desenvolvimento qualitativo da área7. É Essa perspectiva traz em seu bojo a compreensão de tornar a educação física um dos instrumentos de promoção de transformações/ mudanças na sociedade. o d e s e n v o l v i m e n t o . psicológicos e sociais. Na concepção modernizadora. p r e c i s o . através do movimento.. no sentido de compreender e agir sobre o humano como um todo. o faz sempre apontando que os A terceira concepção. fundamentada pela interseção de diversas ciências e através de movimentos específicos. Há. O l i v e i r a (1994). ou ainda como uma mutação dos valores. Precisa p r o c u r a r sua i d e n t i d a d e . Entendendo crise como uma perturbação que altera o curso ordinário das coisas. vincula-se ao nível da consciência transitiva critica. A E d u c a ç ã o Física Revolucionária p o d e se d e f i n i r c o m o a arte e a ciência do movimento humano tfue. grifos d o original]. p. A E d u c a ç ã o Física precisa e n t r a r e m crise u r g e n t e m e n t e .29 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA T A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA EM BUSCA DO ESTATUTO CIENTÍFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA19 pio. Precisa ser c a p a z d e justificar-se a si mesma. através de atividades específicas. d e n t r o . encarando crise como uma possí- p p .8 2 . precisa q u e s t i o n a r c r i t i c a m e n t e seus valores. Mas tem um caráter ingênuo. "Educação Física é a disciplina que. Não há a consideração dos elementos macroestruturais como determinantes das relações sociais. O p r o g r e s s o . é claro. por prescrição. E p r e c i s o q u e seus profissionais disting a m o e d u c a t i v o d o alienante. objetiva desenvolver o rendimento motor e a saúde dos indivíduos" (idem. que se supera na elaboração de novos hábitos por parte do grupo. d e superficiais o p i n i õ e s o u h i p ó t e s e s [idem. de seus intelectuais. para caracterizar uma O avanço ocorre por essa tendência não se limitar aos aspectos biológicos. assim. d i s c o r d a r mais.] é a área do conhecimento humano que. bre os quais a educação se volta (os indivíduos). a consideração dos aspectos biológicos. 35]. ções eòmo os níveis de consciência. do conceito filosófico do mundo ou da forma de agir diante dá vida. às vezes. renovando-os e transformando-os no sentido de sua auto-realiza- ro é que a educação física não entrará em crise pela simples vontade ção e em conformidade com a própria realização de uma sociedade mais justa e livre [idem. pois imputa as transformações mais no nível individual.

como a única saída possível para se encontrar a identidade da área. acaba por ser o mesmo ao longo dos anos. ca estava centrada no estreitamento da área com relação às bases bio- d o p r o f e s s o r d e E d u c a ç ã o Física. portanto. T e m o s d e criticar alguma coisa . como a que vivia f u t u r o s p r o f e s s o r e s [TANI. se ela estava sendo desenvolvida. independentemen- maticamente uma melhora qualitativa da prática pedagógica. to positivo de "alerta" e "contraposição" sobre a predominância de uma e muitas vezes inapropriados. uma entrada mais densa no tratamento demandava análises críticas coerentes. e bastante. incorren- agir s o b r e ela. expressando. o ensino desta estará comprometido. p. p o r t a n t o .a para q u e t a m b é m n o s t r a n s f o r m e m o s . O autor promove um atrelamento imediato do desenvolvimen- assim. quer.3 0 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA T A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA EM BUSCA DO ESTATUTO CIENTÍFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA anunciar dessa crise. seja ela qual for. de fundamenta- a t e n ç ã o à pesquisa. ao entender a necessidade de uma crise. suas interfaces. pode-se inferir que ele não considerava esses estudos como científicos. c o n t i n u a r á por m u i t o t e m p o a simples r e p e t i ç ã o e trans- ção teórica. parece haver um entendimento de que o desen- ensino e pesquisa de forma extremamente linear. c a p a z d e q u e s t i o n a r o s valores d e s s a área. do ensi- te do que faz. em nenhum momento. c o n t e ú d o s e m é t o d o s d e e n s i n o tradicionais. O segun- ç ã o Física. 19 rígidos a sociedade brasileira naquele momento. to da prática à pesquisa. O l i v e i r a alerta: " N ã o p o d e m o s p e r d e r d e vista q u e a mudança d e valores não ocorrerá pelo desenvolvimento puro e simples d o pensam e n t o c r i t i c o . e q u e a pesquisa é um e l e m e n t o i n e r e n t e à a t u a ç ã o . "tão necessária" à educação física. realizar pesquisa. Por outro lado. e mais importante. E n t r e t a n t o . O p r o c e s s o d e c o n s c i e n t i z a ç ã o é r e s u l t a d o dessa ação e resulta n ã o e m u m a c o n s c i ê n c i a qual- do também num tratamento ambíguo. 2 8 ] . Carmo (1984). traga o elemen- m i s s ã o d e o b j e t i v o s . consistentes. Entretanto. sem entretanto expor a uma delimi- ção física. parece que.n o c a s o aquilo q u e n o s o p r i m e . que se tinha até então. 1984. m a s t a m b é m o e n s i n o da p r á t i c a d e p e s q u i s a aos s e u s a l u n o s . ca como prática social. em detrimento da pesquisa. como criticar a falta de pesquisa. assim. no campo da fisiologia. dife- A forma como o autor discute a relação entre pesquisa e ensino rentemente do que coloca o autor. da atividade docente: meio da dicotomia teoria/prática. aponta apenas esta como sendo decorrência di- Tani (1984). n ã o s ó o i n c e n t i v o à p e s q u i s a científica e n t r e o s seus do. é que o autor parece confundir crise com aná- d o c e n t e s . O mais significativo. p o r t a n t o . visto que o conhecimento ao longo do tempo não mais é renovado e. a partir da ênfase dada ao ensino dentro da educa- reta do desenvolvimento daquela. sem o desen- tação clara do que entende por educação física em um e outro âmbito. pois uma das críticas que se fazia à épo- m e n t o . densas. é a forma genérica como trata Fica claro. Em outras palavras. falta de pesquisa na área. ao volvimento da pesquisa científica em educação física alavancada auto- concluir que o professor de educação física deve. elabora sua argumentação de forma semelhante a esse. mas e m u m a consciência de classe. do rendimento físico? Da forma como o autor trabalha. um entendimento entre Nesse sentido. Esta é a única consciência transformadora". a identidade da educação física não aponta. É de responsabilidade dos cursos de Educa- visão biológica. banaliza a investigação científica por no. q u e se não h o u v e r pesquisa n ã o haverá desenvolvi- a questão da pesquisa na área. tecnicista. lise crítica. de forma a explicitar seus meandros. múltiplas. volvimento da pesquisa na área. t r a n s f o r m a n d o . já que reclama da m e n t o e m q u e se d e s e n v o l v e r u m a consciência crítica. médica. entretanto. seus pressupostos. quando debate a mesma questão apontada por .e Tani. da educação física como área de conhecimento e nem da educação físi- que possibilitassem uma visão mais ampla e profunda da área. argumenta que. Se c o n t i n u a r a ê n f a s e a o e n s i n o c o m p o u c a lógicas e não à sua falta de cientificidade.

assinalando que o conhecimento que vem à melhoria da qualidade do ensino.vivendo um momento de questionamentos e mudanças que provocaram uma crise conjuntural que fazia florescer o perío- . embora em meiro e segundo graus. humanos e financeiros sejam gastos com pesquisas cujos Assim. que ocorre também por uma visão estreita. ao apontar o contexto em que se insere a sociedade brasileira . o autor critica o tipo de conhecimento pro- As afirmações e considerações permanecem no nível da prescrição: duzido na área e a relação direta desse conhecimento com a educação apenas se utilizada desta ou daquela forma a educação física se perpe- física enquanto atividade curricular. Entendo que essas necessitam ser consideradas. ao tuação desta área d e c o n h e c i m e n t o [CARMO. 103) parece incorrer nesse equívoco. 29].. como se esta dependesse quase que tuará como área de conhecimento. Carmo. que não consi- para ser socializado na busca da transformação da Educação Física c o m o dera diferentes abordagens sobre a área como forma de construir sua p r o c e s s o social. não sé p o d e admitir que quantidades enormes científica uma clareza sobre o que está sendo discutido em relação à educação física. Para Carmo. com justa razão. Enquanto a primeira existisse. p. que se dá à medida que certos autores. (se não única) exclusivamente do desenvolvimento daquele. parece não conferir essa autonomia à educação física. o que se coloca é a falta de preci- sendo produzido cientificamente na educação física de pouco serve são com relação à determinação de para a fundamentação da prática pedagógica dos professores de pri- educação física constitui-se como área de conhecimento. Ao longo do texto. Assim se esbarra no equívoco de se exigir um pensamen- i n s t r u m e n t o d e dominação? to único. se o c o n h e c i m e n t o p r o d u z i d o nas pesquisas é ideológico. principais responsáveis pela perpe- sobre ela. E nisso entra a des- Cabe ressaltar que o autor estabelece uma relação inversa à que Tani expõe em seu trabalho. ao contextualizarem a área num determinado momento histórico. afirmar que "a enorme variedade de abordagens sobre a educação física dificulta o estabelecimento de seus objetivos. área de conhecimento. o u é apenas um passaporte para a utilização d o saber c o m o identidade. ao contrário. então. de recursos materiais. p. Esse discurso dos anos de 1980 traz à tona outra questão importante. em t o d o s os níveis e graus. cri- área de conhecimento. em vez de se cobrar da comunidade acadêmico- N o estágio em q u e se encontra o ensino da Educação Física hoje no Brasil. garantisse a existência da educação física como área de conhecimento. estabelecendo uma ticar o uso indevido de recursos e aliar a produção de pesquisas na área relação direta entre essas. Medina (1983). Como se essa prática. ora tida como prática social. transita em seu texto ora pela educação física tida como EM BUSCA DO ESTATUTO CIENTÍFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA 3 3 Apesar de considerar que o autor procura.|r 1 68 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA í A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLAANEXO169 Assim. o fazem de modo a concebê-la como decorrência direta e mecânica das macrodeterminações. Propicia um entendimento de que ela se perpetuará como decorrência direta da prática social. por si só. Oliveira (1984.o problema é não conferir à área nenhuma autonomia em relação aos aspectos macroestruturais. 1984. a momento algum fique determinado qual seria efetivamente essa área. a segunda estaria garantida. Outra questão que marca a produção dos anos de 1980 e merece ser destacada é a sobreposição do acadêmico pelo discurso político- E e u q u e s t i o n o . acredita-se que a dificuldade de se estabelecer uma iden- resultados estão c o m p l e t a m e n t e d e s c o m p r o m e t i d o s política e socialmente tidade para a área deve-se ao fato de existirem diferentes abordagens com os professores d e Educação Física. coberta daquela identidade de que tanto carece". encarando-o basicamente como decorrência do desenvolvimento da pesquisa em educação física e desta como campo de conhecimento. Se este não confere autonomia ao ensino. unânime.

Assim. não explicitando o que os distingue. E a "busca de soluções" de quais problemas? Percebe-se que a produção nos anos de 1980. por meio das pesquisas em educação física. mas análises generalizadas. pois não aponta o objeto a que se refere a "denúncia" e a "crítica". física enquanto campo de conhecimento ou enquanto prática social. no qual deve sempre cumprir sua trajetória de maneira "disciplinada e comportada". para assim situar o momento vivido pela área: EM BUSCA DO ESTATUTO CIENTÍFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA19 Carmo (1984. já que não se operam análises precisas. discutindo-se aspectos diferentes. caberia ainda uma reflexão sobre a função destinada pela sociedade à educação física. incorre numa grave indistinção entre prática social e campo de conhecimento. a partir das macrodeterminações. Opera essa análise políticoideológica do "conhecimento-comprometido" de forma um tanto quanto abstrata. Outros questionamentos nesse sentido podem ser elaborados. p. Medina (1983. mostra a despolitização da educação física. mas comprometido com o social. ao discutir que há necessidade de que o conhecimento produzido. o autor equivoca-se ao não demonstrar que o que urge são análises críticas que tenham maior consistência e coerência teórica. na O autor não expõe se essa despolitização se refere à educação b u s c a d e s o l u ç õ e s c o n c r e t a s e m t e r m o s d e t r a n s f o r m a ç ã o social. ou se a ambas. tratando-os de forma genérica. n o s e n t i d o d e levar a o p r o - destinada na s o c i e d a d e [p. f e s s o r n ã o um c o n h e c i m e n t o s a g r a d o e d e difícil c o m p r e e n s ã o e aplicação. objetivas e densas a respeito do que seja a educação física como prática social e do que seja a educação física como campo de conhecimento. Ela v e m c u m p r i n d o d e m a n e i - t r a b a l h o s a t i n j a m d e f o r m a c o n s e q ü e n t e a g r a n d e massa d e p r o f e s s o r e s d e ra m a i s o u m e n o s e f i c i e n t e . Esse parece ser um fator determinante para uma indefinição do que vem a ser a educação física. não há explicações claras. Essa despolitização significa. d e v e r ã o m u d a r suas a b o r d a g e n s . como se essa relação fosse excludente. Dessa forma. Ao discutir "uma nova perspectiva para a educação física". 29). p. comenta: . Ou seja. com base numa análise da relação teoria e prática. sem mediações internas que ocorrem no seu movimento próprio de ação? A crítica a essa forma de pensar a educação física. quando ocorre. disciplinada e c o m p o r t a d a a Junção ifue a da foi I ° e 2 o graus. c o m a crítica. se os p e s q u i s a d o r e s da E d u c a ç ã o Física q u i s e r e m q u e seus e s t a r p e r t u r b a n d o m u i t o a E d u c a ç ã o Física. no entendimento do autor. segundo esses autores. Cabe questionar se é possível entendê-las de forma a não estarem politizadas. desconectados com a realidade brasileira? Seria ainda essa despolitização fruto de os profissionais de educação física não estarem conscientes e comprometidos com uma posição política? Na esteira dos questionamentos.35 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA T A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA do de redemocratização . que a produção.. p a r e c e n ã o A c r e d i t o que. 68). é elaborada com base num tratamento prescritivo e ideológico. chegue ao professor que atua na escola. 34. determinada de forma macroestrutural que lhe imputa um percurso. mas u m c o n h e c i m e n t o c o m p r o m e t i d o c o m a d e n ú n c i a . Além de operar uma análise prescritiva no sentido de que o conhecimento não seja de difícil compreensão. os estudos sobre educação física estariam fora de sintonia. de forma a confundi-los ou a entendê-los como decorrência exclusiva um do outro. grifo d o original]. ao contextualizar o momento histórico-político que se vive nos anos de 1980. aqui analisada. qual educação física o autor está aqui visualizando? Toda a educação física tem uma mesma função social. coloca: E n e s s e s e n t i d o q u e e n t e n d e m o s q u e a crise q u e c o s t u m a atingir q u a s e t o d o s os s e t o r e s da s o c i e d a d e q u e clamam p o r d e s e n v o l v i m e n t o . parece que a educação física passa a ter a obrigação de dar sua parcela de contribuição no que se refere ao processo de "transformação social".

desenvolvendo. e para tentar encontrar a "chave do mistério". mostra a sua íntima relação com a medicina.). sem negar. sem fazer (em ambos os casos) as devidas ponderações que tal reflexão exige. essa historicização revela uma visão anacrônica. a inclusão da educação física no Ginásio Nacional como se entende hoje e não como aquele contexto histórico exigia e/ ou permitia. estabelecer uma compreensão da educação física z e r q u e . Essas respostas. q u e r que a educação física no presente é decorrência de uma história. Assim. pergunta: "educação física é ginástica?". ao longo de vários séculos. logo em seguida. coloca a questão no que chama de "labirinto". "educação física é política?". entretanto. e m especial. Sua entrada na história objetiva basicamente pro- fora da e s c o l a e. no caso c o m o a t i v i d a d e q u e auxilie alguns a s p e c t o s d o d e s e n v o l v i m e n t o h u m a n o interpretada por ele. "educação física é ciência?". e critica a sobreposição da segunda em relação à primeira. com o objetivo de conferir historicidade ao corpo e entendê-lo com base numa construção socioistórica das atividades físicas. "educação física é jogo?". faz inicialmente uma historicização desta. uma vez que trazem à tona um tratamento que a visualiza ora como prática social. e. sua importância como uma área de referência para a educação física. agora. e analisa a inclusão da ginástica (no início do século passado. mas de o autor tratar a área. assim. ex- Num primeiro momento. por exemplo. com base em novos conhecimentos. ao discutir o que é educação física. I s t o se d e v e p r e p o n d e r a n t e m e n t e à falta d e d i s p o s i ç ã o crítica q u e tar os fatos históricos. Ao discutir a ginástica. antes de apresentar uma definição. expressam sua intenção de procurar compreender o homem em sua totalidade. Entende que há várias portas que necessitam ser abertas para que se possam esgotar as alternativas de resposta à questão. esporte etc. o autor discute a incapacidade de a educação física produzir justificativas que a legitimem no âmbito das práticas sociais (escola. de uma maneira geral. "educação física é esporte?". Busca. considerando de certa forma m e s m a . por exemplo. mediante seu movimento histórico. não tem condições de estabelecer uma compreensão de totalidade do homem. Entretanto. esta t e m s i d o incapaz d e j u s t i f i c a r a si atual. "educação física é medicina?". n o e s p o r t e d e alta c o m p e t i ç ã o ou d e r e n d i - var sua argumentação e não conferir se há possibilidade de reinterpre- m e n t o . p o d e m o s di- Procura. Procura desvelar o caráter reducionista que entende a educação física como conformada exclusivamente pela área médico-biológica. entendida apenas como uma determinada manifestação. que os indígenas em nada contribuíram para a educação física brasileira. t e m c a r a c t e r i z a d o e s t e campo específico do conhecimento [grifo m e u ] . mostrar que a educação física. n o c a s o da E d u c a ç ã o Física. ou seja. situa essa incapacidade na falta de disposição crítica que predomina na área. elabora diversas perguntas. de forma a contextualizá-las com base na visão de educação física posta hoje. o autor parece entendê-los como a mesma coisa. O que opera é uma transplantação da educação física de hoje ao passado. O modo pelo qual adentra esse labirinto revela as diferentes forisso. . O autor. pois as respostas às perguntas expressam a educação física e outras práticas/manifestações sociais que de encerrar de forma objetiva e clara essa questão. Argumenta. 1837) no currículo do então Ginásio Nacional (hoje Colégio Pedro II). "educação física é cultura?". plicação sucinta delas. no intuito de compreender o que possa ser educação física. muito mais no sentido de mostrar as relações entre Oliveira (1984). nas respostas a cada uma das perguntas anteriores. Em seguida. assim. q u e r c o m o disciplina f o r m a l e p r e d o m i n a n t e m e n t e educativa. o que denota um entendimento indistinto desses campos. Entende. ora como área de conhecimento. Em contraposição à hegemonia da medicina sobre a educação física.36 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA T A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA EM BUSCA DO ESTATUTO CIENTÍFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA19 D e l i m i t a n d o nossa área d e análise à r e a l i d a d e brasileira. como um campo específico de conhecimento. pois o autor analisa as atividades corporais ao longo da história. porém visualizando-a. o autor lança mão da cultura.

manas sociais. Pedagogia etc. Essa visão romântica encontra eco nas análises sobre o esporte. de ética. de fortalecimento do caráter. fica mais o que influencia diretamente o desenvolvimento tecnológico do espor- fácil aceitar a E d u c a ç ã o Física c o m o ciência. por seu caráter lúdico O segundo problema dá-se pelo fato de compreender tais ma- (por si só). que é responsável pela aceitação da educa- c o n t a os fatos observáveis e mensuráveis. degenera os ideais esportivos em sua acepção da formulação de Aurélio Buarque de Holanda.EM BUSCA D O ESTATUTO CIENTÍFICO D A E D U C A Ç Ã O FÍSICA 1 9 3 8 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA T A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA Esse movimento de sobreposição de uma manifestação em relação à outra pela afirmação do que ela deveria ser. Já o terceiro problema reside na forma como elabora a resposta Entretanto. na é totalmente conformada por uma das suas manifestações. As possibilidades d e previsão te. Identificada c o m as ciências hu- ção física como ciência. Sua fundamentação dá- propicia é subvertido.n a d e s p r o v i d a d e valores. a educação jogo pautam-se numa visão romântica e idealista. Assim o autor expõe: tes regimes políticos. Um primeiro é que o autor ora lhe c o n f e r e uma d i g n i d a d e insuperável. ou melhor. cas sociais. a experiência dor etc. p o r suas. levada ao extremo.. As análises sobre o sado. produzindo um aparato técnico-científico cada vez mais sofistica- e d e generalização (leis) d ã o u m caráter c i e n t í f i c o à E d u c a ç ã o Física. favoreceria um melhor e maior desenvolvimento global do nifestações sociais sempre a partir de uma relação direta entre os indivíduo. Permanece ass\m na generaVvzação. 83). que a entende como "o mais pura. segundo o autor. nessa ótica. A o valorizar os as- Esse é um fator que leva ao acirramento das disputas esportivas. concepção espontaneísta e naturalista do jogo que. o jogo é visto como um rico instrumento de tra- determinantes macroestruturais e as formas de organização das práti- balho do professor de educação física. quando discute o jogo e o esporte. de superioridade em relação a outros regimes e povos. possa ser conferido à mesma o crédito científico dá-se pelo método em- Essa subversão dos ideais esportivos. especialmente os obtidos mediante a observação. p e c t o s m é d i c o s ou os resultados técnicos-esportivos d e alto nível. p. apesar de. Esse competitivismo desenfreado calca-se no tecnicismo. de alienação. só l e v a n d o e m que possibilita. p o d e m o s considerá-la c o m o ciência d e s t e o u d a q u e l e tipo. ora explicita medida em q u e há um envolvimento afetivo e de valores d o pesquisador c o m o entendimento da educação física como sendo uma dessas manifes- o seu o b j e t o . de forma que o primeiro sempre engendra o segundo. de congraçamento entre conjunto organizado de conhecimentos relativos a um determinado os homens. dá-se em função da conotação político-ideológica que lhe é impressa pelos diferen- (OLIVEIRA. mas do e moderno. de superação dos limites humanos. prevalecendo uma física era dessa forma e não de outra. E x a t a m e n t e a partir da c o n c e p ç ã o d o q u e seja E d u c a ç ã o Física. Aiém disso. D e i x a m . recorrendo ao entendimento de ciência a partir que. há a exigência de que a investigação do objeto ocorra por meio do método científico. Nessa visão. Afirma.próprias ca- . 1984. que dos fatos e um método próprio" passa a buscar a perfeição técnica e. o despontar de ta- que a determinação de uma área do conhecimento no sentido de que lentos esportivos. em que o autor repete o mesmo movimento. também. por uma visão competitivista se de forma incipiente. ainda. a Educação Física assume uma postura pedagógico-social q u e Aqui decorrem três problemas. Oliveira caracteriza esse processo como o tecnicismo lhe criam u m p r o b l e m a . com respostas construídas possível A psicologia. ou seja. A imparcialidade na o b s e r v a ç ã o é difícil. em detrimento do jogo. do lúdico. por meio desta. o caráter lúdico e o sentido de prazer que tal manifestação em relação à educação física ser ou não ciência. Nesse sentido. de voluntarismo ama- objeto. que usam o esporte como instrumento de propaganda de seu ideário. Filosofia. para o autor. ou por explicações do seu pas- ocorre. pregado. c a r e c e r da- discute a educação física como prática social que recebe influência ou quelas " c e r t e z a s científicas". a validação da experiência pela r e p e t i ç ã o é im- tações.

o que leva a um ponto inverso daquele que objetivava atingir. 105. TFWLVEKSIDÀDE F E D E R A L D O •IBLIÜTECA CENTRAI. ao encer- cias humanas. e fragiliza suas argumentações. por determinada ótica fica fácil aceitar a educação física como ciência. fincada numa concepção Essa característica continua presente em todo o texto. nesse sen- politizar a educação física e colocá-la em consonância com o momen- tido. Apesar disso. opera uma dicotomia entre uma educação física científica. O q u e p r o c u r a m o s é a v e r d a d e i r a n a t u r e z a da E d u c a ç ã o Física. Educação Física i Educação. v a l e n d o .é valendo-se dessa conceituação mínima que Oliveira pro- ra. na o b r a Consenso e conflito da educação física brasileira. revisita. de certa manei- dicionário. D e v e ser incluí- siderações explicitam uma visão reducionista no que tange ao método da. Procurando sendo objeto de estudo e de interesse de teóricos da filosofia. a elaboração do autor acaba limitando-se a uma série de c o n h e c i d o status. A sua essência. E uma ciência q u e d e v e c o n h e c e r as divisas e n t r e o ades- mental das ciências naturais. O u as c i ê n c i a s h u m a n a s e sociais n u n c a atingirão um re- educação física. a sua p r o d u ç ã o d o início d o s a n o s d e 1980. pois a objetividade e a gene- A c o l o c a ç ã o d o s c u r s o s d e E d u c a ç ã o Física n o s C e n t r o s e I n s t i t u t o s d e ralização são requisitos de qualquer ciência. a E d u - Ao encarar como difícil a imparcialidade na observação e sua c a ç ã o Física d e s e n v o l v e p o t e n c i a l i d a d e s h u m a n a s . a educação física é uma área de conhecimento. Essa p r o d u ç ã o r e c e n t e d e Oliveira é n e c e s s á r i a a t o d o s q u e b u s c a m c o m p r e e n d e r d e f o r m a ampla a e d u c a ç ã o física n o s a n o s d e 1980. Assim. o u o m é t o d o c i e n t í f i c o n ã o é uma c o n d i ç ã o sine tjua para considerações genéricas. n o s C e n t r o s d e C i ê n c i a s H u m a n a s e Sociais das U n i v e r s i d a - científico. p p . E n q u a n t o f e n ô m e n o s o - validação pela repetição. o que é educação física?". questiona: "Afinal. Entretanto. A q u i l o q u e r e a l m e n t e ela é. p o r t a n t o . q u e o a t i n j a m [idem. calca- to histórico-sociopolítico daquele período. uma vez que o entende como sinônimo do método experi- d e s a q u e p e r t e n c e m . E n q u a n t o p r o c e s s o individual. Essa a ç ã o e m p a r t e c o n t e m p l a algumas c r í t i c a s e x p o s t a s a n t e r i o r m e n t e . A o r e s p e i t a r o s seres na sua vez de elucidar pontos centrais que possibilitassem alavancar as refle- i n d i v i d u a l i d a d e e e m suas r e l a ç õ e s sociais.8 5 ] . Por outro lado. princi- pedagógica social. o que acabou por redun- da em resultados de ordem médica e técnico-desportivas (de alto ní- dar na elaboração de discursos meramente exortativos e prescritivos. grifos m e u s ) . suas con- S a ú d e s u b v e r t e u o s seus o b j e t i v o s . é que o autor não ultrapassa os limites do A forma como o autor opera sua análise revela. imprecisas e teoricamente inconsistentes. Essa conceituação é insuficiente quando se bem c o m o uma preocupação muito grande com a necessidade de pretende discutir ciência. e n ã o c o m o b j e t o s 8 Dessa forma. cação física como ciência humana social. O problema.s e d e análises críticas. rica.4 0 ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA EM BUSCA DO ESTATUTO CIENTIFICO DA EDUCAÇAO FÍSICA <i I r à c t e r í s t i c a s . sem qualquer sombra de dúvida. aqui. g r i f o d o original. sua visão redunda na perspectiva de que. a j u d a e s t e h o m e m a e s t a b e l e c e r relações c o m o g r u p o a q u e p e r t e n c e . com intuito de uma apreensão mais precisa das características da p r e v i s ã o científica. Em 8. p r e j u d i c a m aquela p r e t e n d i d a xões. O l i v e i r a ( 1 9 9 4 ) . e uma educação física não-científica. acaba por negar o caráter científico da edu- cial. da epis- sintetizar uma definição. c o m o p o r e x e m p l o a i n a d e q u a ç ã o e m d i s c u t i r a q u e s t ã o da cultura p e l o c o n f r o n t o c o m o s a s p e c t o s b i o l ó g i c o s d o ser h u m a n o . cura discorrer a respeito. o autor responde: temologia e da teoria da ciência. para o autor. 8 4 . t r a m e n t o e a e d u c a ç ã o . E. Não faz nenhuma consideração de que tal distinção vem rar o texto. T*AMP . a análise de Oliveira (1984) denota fragilidade teó- (idem. vel).. p. para assim distinguir as ciências naturais das ciên- palmente quando procura responder outras questões. E a ciência q u e lida c o m pessoas. que têm demonstrado a extrema complexidade da mesma. uma ingenuidade cientificista que marca o início dos anos de 1980. n ã o a t e n d e m a essa i m p o s i ç ã o .

de um nara anacrônica com os ares de redemocratização que a época então começava a soprar. ou seja. tem-se aqui uma pista impor- tos. modo geral. enquanto a área de saúde trata de obje- direta da macroestrutura. pois aponta uma discussão que de melhorar qualitativamente a atuação do profissional de educação confunde educação física com cultura.vs:!r»x> i s-t-i . de uma maneira ou de outra. há uma despreocupação em delimitar em que âmbito (prá- A idéia de saída pelas portas da cientificidade. por outro. mas Outro ponto que vale ressaltar é que sua análise explicita uma visão um tanto quanto maniqueísta. Ao discutir a necessidade de se levar a educação física a uma A segunda forma fica evidente quando se percebe que as obras perspectiva humanizante. mas permanece- que educação física é educação. Uma é que. outra questão a ca deve se situar nos centros de ciências humanas e sociais. a urgência a entendê-la praticamente como tudo. Isso é inaceitável para uma análise que pretende estabe- é sempre determinada pela macroestrutura e. pode ser compreendida também como física. essa cientificidade fica apenas no anúncio. bem como se tor- Até aqui foi possível observar três formas de tratar a educação física nos anos de 1980 pelos autores estudados. a superação de sua condição desenvolve potencialidades humanas e ajuda no estabelecimento de marginal ante as demais disciplinas acadêmicas e/ou curriculares/esco- relações com o grupo" é discutir sobre o óbvio. como se a sentido amplo ou num sentido restrito ao âmbito escolar. como se a educação física. incorrendo em equívoco inadmissível e numa indefinição sobre qual educação física se está falando. de forma que sua prática esteja "plenamen- apontam. com educação. para uma saída para o desen- te consciente de seu valor humano". Quando. por um lado. como tal. Entretanto. a que não favorecem uma compreensão mais objetiva e precisa em rela- necessidade de contribuir efetivamente para um projeto de humani- ção a uma definição do que é educação física. Aliás.o que se tente. entendida como tica social ou campo de conhecimento) se está tratando a educação única possibilidade de avanço. de modo a produzir uma nem respaldo teórico. alardeia-se a busca de uma são sobre os conceitos trabalhados. despolitizada e conformista. p.EM BUSCA D O ESTATUTO CIENTÍFICO DA E D U C A Ç Ã O FÍSICA19 43 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA T A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA As análises do autor gravitam num âmbito genérico. é por meio do ingresso no rol das educação física enquanto cada um desses campos. aos intentos de um projeto de transformação social. ao considerar que a educação físi- como fruto da vontade de seus intelectuais. Além da necessidade de ingresso nas ciências. cação física faz parte da educação. da educação. a superação de sua face alienante. se está se referindo à educação num já se constituísse em campo de conhecimento e. sobre generalidades lares. Nesse sentido. süa definição leva zação do homem e de transformação das relações sociais. As produções tra- ciências que se levará a educação físieaa se redimir dos "equívocos" zem em seu bojo uma discussão que os trata de forma ambígua. suas afirma- volvimento da educação física por intermédio das portas da cientifici- ções não são seguidas de uma fundamentação cientificamente consis- dade. Essa é uma justificativa que não encontra densidade argumentativa tante sobre a forma ambígua de tratar a área. afirma física independentemente do âmbito que se analisa. independentemente do âmbito de análise. sua constituição não fosse vista como produto das investigações. Medina (1983. já que se tem visão pobre e infundada da distinção entre os objetos da medicina e como pressuposto que ela. inde- cometidos ao longo de décadas. é perniciosa lecer reflexões acerca do estatuto científico de determinada área. Não há um aprofundamento teórico e conceituai do que seja a uma saída para a redenção. Afirmar que "a educação física fundamentação mais sólida e consistente. não explicita minimamente se a edu- se em análises generalizantes. de forma a clarear a discussão ou a imprimir nela maior preci- opera é uma pseudocientificidade. finida e idêntica. Isto é.. 50) aponta tanto UWtvP .»> • »A»* . justifican- ser apontada é o entendimento da educação física como decorrência do que ela trata de pessoas.

passa a ter condições de se tornar ciência. desde os anos de 1970. Assim. E possível inferir que. parece que as análises do autor caminham no sentido de decretar o fim da educação física e a constituição de uma nova ciência. como ciência autônoma. da forma como Medina trabalha a educação física. e de modo a lhe imputar todas as soluções para os problemas que a educação física vem enfrentando ou que por ventura venha a enfrentar. Assim. se comparada com o anacronismo em que se encontra a educação física. que desconsidera a reflexão epistemológica critica. Além disso. Manuel Sérgio Vieira e C u n h a é um autor d e origem portuguesa q u e nos anos d e 1980 influenciou significativamente a p r o d u ç ã o teórica da educação física brasileira.. uma fundamentação que viesse a auxiliar a compreensão das questões apontadas pelos autores aqui estudados. como uma possível saída que supere essa condição marginal e a vincule de vez à perspectiva apontada: A falta d e um volume d e séria reflexão em t o r n o d o significado mais a m p l o e p r o f u n d o da Educação Física t e m tirado dessa disciplina a o p o r t u nidade d e se estabelecer definitivamente c o m o uma verdadeira arte e ciência d o movimento h u m a n o [. coerente e significativa. de tradição positivista. 16) que. aponta o mote que o tem movido nessa empreitada: "a proposta de reconstrução epistemológica da impropriamente denominada educação física". Há uma crença na ciência. possibilitando assim a modificação e a ampliação considerável. apontando para a existência de dois pólos. 9. EM BUSCA D O ESTATUTO CIENTÍFICO D A E D U C A Ç Ã O FÍSICA19 pela sua própria trajetória. A autora aborda a questão da constituição da didática como área de conhecimento. opera uma análise que se dirige para a constituição de uma ciência da motricidade humana.4 4 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA T A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA uma das causas que tem impedido tal consciência. de forma extremada. conseguem apreender um determinado fenômeno que seja irredutível a outros campos de estudo. mas. a partir daquele momento que o autor está delimitando. Assim se prescreve e a receita é a reflexão em doses volumosas até tornar-se uma ciência e erradicar seus males. no seu artigo "O estatuto epistemológico da didática". enquanto ciência autônoma. . mostra que não há unidade em relação ao entendimento da didática como um campo de conhecimento. a da motricidade humana. Guardadas as devidas proporções. acredita-se que a reflexão (por si só) a levará a constituir-se como uma verdadeira "arte e ciência do movimento humano": Nesse sentido. sua análise gravita numa perspectiva genérica. reflete a constituição de campo científico como resultado da vontade de alguns e não como produto histórico das investigações que. travado dentro do campo da didática. as levantadas por Cunha. no caso. Busquei em Warde (1991). Percorrendo o debate a respeito. p. a partir da tentativa de elaboração de seu estatuto epistemológico. Essa saída da educação física pela porta da cientificidade tem seu extremo na elaboração de Cunha 9 (1991. não só de seu c a m p o d e e s t u d o c o m o t a m b é m d e seu c a m p o d e ação..] o m o m e n t o q u e atravessamos é propício para um r e p e n s a r e para uma t o m a d a coletiva d e posição mais clara nesta área. a educação física parece sofrer de algum mal grave e o diagnóstico indica a causa: falta de cientificidade. mais especificamente. E c o m u m e n t e c i t a d o n o Brasil c o m o Manuel Sérgio. pois o autor não trata desses aspectos de forma clara. ou seja. Adentra uma discussão sobre epistemologia. tratando-a primeiro como disciplina e depois tornando-a imediatamente numa ciência. no seu entender. Aqui é possível detectar também a indefinição entre prática social e campo de conhecimento. pois falta densidade à discussão em torno do que seria esse "volume de séria reflexão" e o que significa tornar-se "arte e ciência do movimento humano". sendo um hegemônico. trazendo à tona a forma como determinados autores tratam tal questão. logo na introdução. mais ampla.

p p .] p r o c u r a explicar n o s f u n d a m e n t o s . problemas e atividades. que bus- a sobrevivência da educação física. discute a educação física como área que apontam de forma convergente para o entendimento da epistemo- de conhecimento e parece entender que essa é condição logia enquanto interrogação sobre as "práticas das ciências". não é possível observar a ruptura da educação física com o quadro da pedagogia e ques- . significado e objetivo. se não estabelecer. argumenta que a educação física é na pedagogia geral um "processo unitário. p. sistematizar nas relações c o m as d e m a i s classes d o s a b e r científico. e e s t u d a r nas aplicações q u e os h o m e n s lhe p o d e m d a r " [idem. afim de então construir modelos de inteligibilidade que lhe propiciassem um status acadêmico-científico que viesse a extirpar seus equívocos e melhorasse substantivamente a qualidade do trabalho desenvolvido por seus profissionais. o d e s e m p e n h o que se revela pelos seus dade. obN a d e f i n i ç ã o d e A. planificado e sistemático da educação e formação desportivo-cultural da juventude (em sentido amplo)" ( C U N H A . 51. Tais argumentações ganham importância na medida em que tornam possível a compreensão do lugar em que Cunha opera sua análise. f i l o s ó f i c o [.4 6 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA T A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA EM BUSCA D O ESTATUTO CIENTÍFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA19 O p o s i t i v i s m o r e d u z a Epistemologia à Teoria da C i ê n c i a e à M e t o d o - renciais que vão de Popper a Marx.s e d o resultado jetivando abrir caminho para uma discussão sobre o estatuto episte- c o g n o s c i t i v o o b t i d o . quanto na perspectiva que visualiza a r e s u l t a d o s já são u m a r e s p o s t a à p e r g u n t a p e l o s e n t i d o d o c o n h e c i m e n t o epistemologia como forma de questionamento de práticas científicas. o autor incorre tanto num reducionismo positivista. sempre com base na perspectiva de imputar à área um estatuto epistemológico que venha a lhe conferir cientificidade. ao menos adentrar essa possibilidade. a da motricidade humana. reflexão teórica que percorre os debates travados em torno da episte- sine <\ua non para mologia). fundamentado em refe- Com intuito de explicar a impropriedade do termo educação física. 1 9 9 1 .5 1 ] . sem entretanto ter a intenção de estruturá-los como saber constituído ou a constituir-se. com base em tal argumento.. 5 0 . O u seja. ao longo da obra. cristalizado em determinada ciência. 3 4 ) . Aponta que. [WARDE.. se não prejudicial. a d m i t i d a p o r t o d o s . V. p . como saída exclusiva para a superação da condição marginal e anacrônica em que se encontra a educação física. o autor lança mão da epistemologia para justificar sua análise em torno do campo da educação física. passando por Merleau-Ponty e logia c u j a f u n ç ã o é a d e d e s c r e v e r os p r o c e d i m e n t o s da prática d a pesquisa Morin. pois sem isso a pesquisa em educação física continuaria a se ater apenas a questões. Citando Jorge Olímpio Bento. indiscutivelmente mológico da área. 1 9 9 1 . q u e o p e n s a m e n t o Para ele. grifo d o original]. e q u e p o r t a n t o f o r m a um ' o b j e t o ' . o autor adentra uma discussão que questiona se a educação física pode ser uma ciência ou apenas um aspecto da pedagogia geral. P i n t o . há concepções O autor. A E p i s t e m o - para o conhecimento de maneira a só considerá-lo enquanto conheci- logia c o m o reflexão e c o m o crítica. assim. imprópria. a fim de entendê-las enquanto "saberes autônomos" e assim constatar quais "os princípios e o sistema próprio de cada saber". a E p i s t e m o l o g i a " o c u p a . que olha e g e n e r a l i z a r as o p e r a ç õ e s d e alguma ciência paradigmática. é inócua. Circunscrito a um ecletismo filosófico. p o r - mento científico. Em contraposição ao reducionismo positivista. que para ele é uma denominação cam compreendê-las como "saberes autônomos" e detectar "os prin- equivocada. Nesse sentido pretende (com base numa cípios e o sistema próprio de cada saber". quando a chancela das ciências lhe confere legitimi- q u e a própria existência das ciências. ao querer constituir uma nova ciência. a única possibilidade de se saber com propriedade a que se refere essa área reside numa "revolução científica e numa mudança de paradigma".

mas em sua totalidade. grifos m e u s ] . rica da área. do alto de seu idealismo. n o m i n a d a m o t r i c i d a d e h u m a n a [idem. como de que a expressão ciência da motricidade humana é muito mais abrangente que educação física. A análise do autor é insuficiente e contraditória porque. pois é isso que to em que o sistema que a produz já tenha construído o seu próprio e possibilitaria compreender e explicar a motricidade humana enquan- autônomo objeto teórico. Ao percorrer o texto. A resposta vem em forma de negativa. pela qual ele se realiza como sujeito e manifesta sua capacidade e ciência da educação física. PAütr. E. se constitui como tal (como um corpo de conhecimento t de resultados) no momento em <fue o D e s t a f o r m a . . ela significa e x p r e s s ã o q u e n ã o a t e n d e a o rigor da l i n g u a g e m exigido p e l o desenvolvi- um recorte da realidade. t r a n s f o r m a . Entretanto. A partir S e a E d u c a ç ã o Física n ã o t e m d e e s t a r c o n d e n a d a a um a r t e s a n a t o t e ó - do entendimento de que o homem não deve ser visto de forma fragmen- rico. consistente. u m p r o j e t o e uma c o n q u i s t a e. possuidora da expressão do inédito e do absoluto" (idem. explicita ao longo de t o d o o texto que a constituição da ciência da motricidade humana está dada. queiramos ou não. por- ciências". s e n d o um valor a atingir. Entretanto. C i ê n c i a da Ecjucação Física alude a uma c o n s t r u ç ã o t e ó r i c a q u e n ã o p o d e se transf o r m a r e m q u a l q u e r m o d e l o d e s i t u a ç ã o real. pois f u n d e (e c o n f u n d e ) d e n t r o d e si c o n c e i t o s clara- ferentes ramos científicos que. p o r d e s a v i s a d o c a m i n h a r na d i r e ç ã o d e u m a C i ê n c i a da M o t r i c i d a d e H u m a n a . ciência da direito de elaborar uma situação pessoal e social de maturidade e de educação musical.s e e m itinerário obrigatório de todos os valores. E n t r e t a n t o . isso fica cada vez mais evidente. Ora. a m o t r i c i d a d e h u m a n a . p p . já que o autor não que a motricidade leva a uma expressão repleta de diferentes significa- visualiza a possibilidade de existirem ciências com designações como: dos. e mais por uma vontade iluminista e idealista do autor. n ã o m e p a r e c e irrenunciável. o estudo do homem foi produzindo di- m e n t o d a s ciências. O q u e j u l g a m o s ser possível é fazer dela ( c o m o u t r a d e s i g n a ç ã o ) a ver- Porém. 46). ciência da educação matemática.EM BUSCA DO ESTATUTO CIENTÍFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA 1 9 4 8 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA T A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA tiona se. porque uma ciência só lidade. que explicitem uma compreensão sobre a trajetória histó- Há de sua parte a intenção de demonstrar que a constituição de uma ciência da motricidade humana levaria tanto a uma clareza maior sobre o terreno em que se pisa na educação física. acaba por constituir uma ciência e transformá-la na totalidade do homem: a motricidade humana. coerente. tonomia se dê pela sua própria trajetória histórica. C i ê n c i a da E d u c a ç ã o Física é uma é compreensível omitir que. o autor vai argumentando que é por meio sica uma "ciência independente com assento cativo entre as outras da motricidade que o homem tem a possibilidade de se humanizar. p. c o m o tal. não haveria possibilidade de tornar a educação fí- tada. a t a n t o . sonho em que seja possível uma "existência liberta e libertadora. 34-35. Se a E d u c a ç ã o é u m a s p e c t o da Pedagogia Geral. grifos m e u s ] . ciência da educação visual etc. ao que suas análises indicam. ibidem. ao afir- O caráter voluntarista do autor expressa-se no seu entendimento mar que a constituição de uma ciência se configura a partir do momen- de que esse novo campo "terá de ser também ciência". terá d e ser t a m b é m ciência.s e e v i d e n t e q u e é n e c e s s á r i o p r o c e d e r a u m a r e v i s ã o d o s s e u s V K I V G R Ã I ^ À D E F E D E R A L DO BIBLIOTECA CENTRAL. não t e n t e p e d a g ó g i c a d e u m a nova ciência. ainda que se possa considerar válida tal preocupação. leva a pressupor que a construção dessa au- to realidade. t o r n a . qual possibilitaria a c o n s t r u ç ã o d e u m a t e o r i a q u e n o s colocaria e m c o r r e s c o m o b u s c a d e c o m p r e e n s ã o e explicação satisfatória d e s t a r e a l i d a d e d e p o n d ê n c i a c o m a realidade [idem. o autor. recortam essa rea- m e n t e d i s t i n t o s . É. menos por uma reflexão teórica densa. d e f o r m a sistema que a produz já construiu o seu próprio e autônomo objeto teórico. fundada em bases científicas sólidas. entretanto. qualquer que seja a ciência.

O a priori foi d e c r e t a d o q u e assim se fizesse. 52). em nosso país. p. esses t e m a s n ã o p e d e m s e n ã o um t r a t o m e t ó d i c o q u e p e r m i t a a sua educação física. de forma irredutível. que procura. quer pela pretensiosa posição de Cunha. s u b s t i t u i n d o . Ao operar análises genéricas sobre a educa- conhecimento. a m o t r i c i d a d e infantil. a educação motora (educação física) não é uma prática pedagógica au- nas concepções que a informam. q u e r d i z e r : c o n s t r u i r . redundam no apontamento de uma safda pela cienti- O s t e m a s q u e a D i d á t i c a h i s t o r i c a m e n t e v e m t r a t a n d o d e m a n d a m a sua ficidade. entendendo-a como campo de conhecimento. e m t e r - Todas as considerações anteriores e em especial aquelas voltadas m o s c i e n t í f i c o s .as conceituais . recorro mais uma vez a Warde (1991. Ao encerrar a crítica a essa visão . ideológico. que está aí a chave para o c o n s t i t u i ç ã o c o m o ciência a u t ó n o m a ? O u d o p o n t o d e vista t e ó r i c o e p r á - desenvolvimento tanto quantitativo como qualitativamente melhor da tico. pela vontade in- ção física.a p o r esta o u t r a : E d u c a ç ã o M o t o r a (o r a m o p e d a g ó g i c o de análise formalista e abstrata. mas de uma pseudocientificidade. é o seu entendimento de que da necessidade de mudanças urgentes na sua práxis.. e m c o m u n i - a considerou como ciência autônoma. quer seja pela visão de que ela já d a d e c i e n t í f i c a (e p o r isso s e m p r o s á p i a ) a ciência da m o t r i c i d a d e h u m a n a . quando ao questionar a tentativa de se configurar a didática en- que eles mesmo apontam.m e q u e a s e g u n d a p e r g u n t a é a única a c e r - completo. o t r e i n o . ora como prática social. pois sua análise demonstra que a prática é decorrência campo da prescrição. idealista. e com isso uma definição clara e diferente daquele traçado pelos intelectuais da educação.. durante os objetiva da educação física. nesse sentido. iluminista. principalmente. abolir a e x p r e s s ã o E d u c a ç ã o Física. t a d a e a ú n i c a q u e p e r m i t e u m a r e s p o s t a positiva.voluntarista. o e s p o r t e .. instituir uma nova ciência. ou a constituir-se a partir da delimitação de um dado momento p. a dança. ou já consti- telectual de alguns autores . valorati- l o g i c a m e n t e . confundindo-os ou entendendo-os como idênticos. Essa é a terceira forma de tratar a área. tuído. o circo. a partir sada. h i s t ó r i c a e Essa intenção. não é muito tente e de bases científicas sólidas. enfim para aquelas que residem no tônoma. mas pela sua instituição por decreto. a p a r t i r daí. Acreditando.5 0 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA T A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA EM BUSCA D O ESTATUTO CIENTÍFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA 19 q u a d r o s e p í s t ê i c o s e alertar para a tarefa prioritária d e c o n g r e g a r . o j o g o d e s p o r t i v o ( t í p i c o d o lazer e à obra de Cunha parecem demonstrar que a discussão conceituai sobre da r e c r e a ç ã o ) . que faz com que as reflexões teóricas e. a primeira p e r g u n t a n ã o t e m c a b i m e n t o : n e n h u m c a m p o d e vo. a ginástica. se constitui como ciência. ou. nos seus valores. busca conferir cientificidade à educação física não pela própria traje- É importante compreender que o percurso traçado pelos auto- tória de investigações que possibilitassem uma análise teórica consis- res da educação física nos anos de 1980. ao ficar presa a um discurso prescritivo. da C i ê n c i a da M o t r i c i d a d e H u m a n a ) [idem. Aqui o mecânica da ciência. que discurso prescritivo e/ou valorativo é enfatizado em detrimento do discurso descritivo/explicativo. de forma a dirimir os seus problemas quase que por c o m p r e e n s ã o científica? P a r e c e . acaba por levar a educação física a adentrar c o n h e c i m e n t o se c o n s t i t u i u e m c a m p o c i e n t i f i c a m e n t e a u t ô n o m o p o r q u e não as portas da cientificidade.afinal. escreve: tratamento a ambos os campos. 51]. de maneira a dispensar o mesmo epistemológico. Assim. p e r f e i t a m e n t e ultrapas- lisados. a importância de reflexões teóricas e conceituais sobre a educação física perde o fôlego para aquelas que apontam na direção O que se evidencia. expressas pela totalidade dos textos aqui ana- E. ao tratar a área ora como campo de co- quanto ciência autônoma. tanto como prática social como campo de anos de 1970 e de 1980. a e r g o n o - a educação física permaneceu basicamente nos limites de uma visão que mia e a e d u c a ç ã o especial e reabilitação. por meio da constituição de seu estatuto nhecimento.

possa ser mais bem compreendido. desportivas. todo o esforço conceituai deveria ser no sentido de distingui-la de outras práticas sociais que não são do seu âmbito. deve ter um mínimo de precisão que garanta que. existem duas posições teóricas ante a educação física escolar: uma que considera redundante o qualificativo escolar. contribuir para que esse fenômeno. aqueles que consideram a educação física como abrangendo práticas sociais diversificadas deveriam. pois reflete apenas diversidade de posições que procuram formas diferenciadas de explicação do mesmo fenômeno. Em síntese. verificar como a literatura especializada tem procurado identificar. com ambigüidades que dificultam a compreensão precisa. adentrar a forma como a produção teórica sobre educação física. quando se refira a esse determinado objeto não se esteja referindo a outro. que é a forma ambígua com que os autores tratam a questão. Isto é. EM BUSCA D O ESTATUTO CIENTÍFICO D A EDUCAÇÃO FÍSICA19 A questão que se coloca é até que ponto os autores dessa ou daquela posição têm analisado a educação física escolar para quer seja por uma vertente. enquanto a outra considera-a como abrangendo diversas práticas sociais. 2. as análises acabam por se referir basi- .5 2 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA T A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA sejam operadas com baixa densidade científica. e outra que considera a educação física como abrangendo diversas práticas sociais (escolares. à educação física que se efetua dentro das instituições escolares. quer seja por outra. N o entanto. exatamente. Nesse sentido. pelo menos. basicamente. a educação física escolar é uma das diferentes práticas que envolvem a educação física. ser caracterizado como problema. O CONCEITO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR A falta de precisão conceituai verificada na literatura especializada com relação à distinção entre educação física como campo de conhecimento e educação física como prática social amplia-se. Ao analisar essa literatura. no caso a educação física escolar. a educação física escolar. de lazer etc. ou seja. procurar explicitar/descrever/explicar o que as distingue. independentemente das diferentes abordagens ao se referir a ele. a educação física escolar. como no segundo (educação física abrangente) que merece uma atenção especial de nossa parte. sem contudo operar uma crítica de forma que apreendesse tais elementos para dentro da escola. pois se constitui no ponto de partida da problemática. Um determinado conjunto de estudos que se volta para um determinado objeto. do ponto de vista conceituai. a primeira entende-a unicamente como componente curricular. acabam por fazer uma análise de elementos de fora dela. O inverso também ocorre. isto é. na medida em que parte do princípio de que o termo educação física refere-se tão somente à disciplina/atividade que se dá na instituição escolar. A análise empreendida a partir de agora procurará.) e que. ao discutirem a educação física em outros âmbitos. verifiquei que. explicitar e explicar esse fenômeno. especificamente. a meu ver. se uma vertente considera a educação física como inerente exclusivamente à instituição escolar. na perspectiva de compreender a que se referem os autores quando discutem educação física. quando essa literatura se refere. terapêuticas. Há uma questão presente tanto no primeiro grupo (educação física restrita à instituição escolar). nos anos de 1980. em si. clara e objetiva dos conceitos sobre educação física. opera os conceitos de educação física e de educação física escolar torna-se extremamente relevante para os fins deste trabalho. Ao discutirem os elementos da educação física dentro da escola. conseqüentemente. o fazem apenas pela incorporação dos elementos externos aos internos. O fato de existirem posições diferentes ante o mesmo objeto de estudo não pode. A controvérsia conceituai não pode ser reduzida a uma questão semântica.

para o autor. colocando que "a educação física escolar tem sido a maior vítima dessa reprodução: uma neurótica luta contra segundos e a favor dos centímetros" ( O L I V E I R A . pessoais). 1 9 8 4 . A crítica do autor recai principalmente sobre a dicotomia educação física versus esporte. procurando definir o que é educação física (cf. Oliveira (1984) é um dos autores que partem da perspectiva de que a educação física se refere a práticas sociais diversificadas e não é apenas exclusiva à instituição escolar. de forma abrangente. pp. 1 0 5 ) .54 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA T A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA camente ao locus escolar. p e s s o a i s várias d e n o m i n a ç õ e s são (e f o r a m ) a d o t a d a s : e d u c a ç ã o d o m o v i m e n t o . Vale atentar para o fato de que a discussão do autor recai. tentando argumentar que a dicotomia é incoerente. da sua própria dinâmica. pois não há uma preocupação em discutir especificamente a educação física na escola. dentre a educação física (que não é esporte).ao analisar as características de sua trajetória como faltas e falhas comparadas às condições presentes. afirma ser essa prioritariamente educação e. Também não explica quais são as "fronteiras" que levanta em sua argumentação. É interessante observar que o autor trata o termo educação física. E n t r e t o d a s essas d e n o m i n a ç õ e s . enquanto tal. 1984. e s p o r t e é a q u e mais c o m p e t e c o m a tradicional e x p r e s s ã o E d u c a ç ã o Física. para citar algumas. incorrendo em reducionismo . É possível que essa indiferenciação se deva à forma pela qual o "movimento renovador" dos anos de 1980 produz a caracterização da área nesse período. p o l í t i c o s . O fascínio esportivo q u e t o m o u conta das últimas gerações criou fronteiras e n t r e o e s p o r t e e a E d u c a ç ã o Física [ O l i v e i r a . mas parece que perde o sentido. Oliveira explicita uma perspectiva abrangente para ela. uma necessidade de se responder o que é educação física. mas o interior de sua identidade. políticos. p. Entretanto. cultura d o físico e e s p o r t e . a educação física escolar. e d u c a ç ã o d o c o r p o . considerar a análise vinculada aos determinantes externos é relevante. dado que é mais ampla. deste capítulo). Ao descrevê-la entendendo a sua trajetória unicamente como reflexo de determinações macroestruturais. Há. se não for acompanhado de uma análise que reflita também as determinações internas. trata de forma pouco precisa a questão. no entendimento da educação física como determinada por interesses externos (nacionalistas. é urgente que se adentre uma discussão que clareie não só os contornos. que é a crítica à influência do esporte ou sua sobreposição à educação física. e não como um processo histórico que vai se constituindo. A c r e d i t a m o s q u e q u a l q u e r o u t r a n o m e n c l a t u r a t e n d e r á a rest r i n g i r o c a m p o d e a t u a ç ã o da E d u c a ç ã o Física. já que o esporte não deveria ser oposto à educação física. sem explicá-la). mas abarcado por ela.nacionalistas. EM BUSCA DO ESTATUTO CIENTÍFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA19 Ao apontar que qualquer outro termo/denominação/nomenclatura viria a restringir o campo de atuação da educação física. . Nesse sentido. O importante é que o autor faz uma distinção entre educação física e esporte (ainda que fique apenas no anúncio dessa distinção. Isso também se torna evidente quando o autor. Baseadas e m d i v e r s o s i n t e r e s s e s . estabelece uma discussão sobre o termo educação física. pois. 103-104]. necessita superar a reprodução de modelos da superestrutura. examinandoa na perspectiva de que são as condições atuais que servem de balizamento para essa análise. uma vez que não aponta maiores elementos para uma compreensão do porquê de o esporte ser uma expressão que compete com a educação física no que tange à questão terminológica. ao longo de todo o texto. perpassando por uma linha de argumentação que está muito presente também em outros trabalhos. mas não elabora em sua análise uma fundamentação que distinga/inclua/destaque. tópico 1. ou seja. em determinados momentos. o "movimento dos anos de 1980" não levou em conta a dinâmica interna da área no que diz respeito às mediações que se tenham dado no seu interior.ao imputar tudo o que ocorre nela como decorrência direta de determinações macroestruturais e em anacronismo . e d u c a ç ã o p e l o m o v i m e n t o . segundo ele. como se esse fosse praticamente o campo exclusivo de prática da educação física. Certamente.

resgatando sua origem no latim ce a alguém) e educere educare (aquilo que se ofere- (que expressa a intenção de conduzir para fora. tisfatoriamente à sua condição social preexistente. pelo período renascentista. Educere revela a pers- prática d e s t a s a t i v i d a d e s não caracteriza a educação. Assim.] [CUNHA. uma discussão acerca em todos esses tempos já existia. chegan- Entende-se assim que a educação física enquanto educação consiste em do a Locke e Rosseau. é Atente-se que a autora coloca que a mera prática dos referidos educação. Ao entrar na discussão específica da educação física. ao longo do texto. a autora expõe de forma enfática que: fazer aflorar. na direção de uma análise semântica. a autora utiliza. Parte. permanecendo em análises genéricas que não permi- ção física objetiva demonstrar que a neutralidade nunca esteve e não tem saber com clareza do que está tratando ao se referir à educação está presente no conteúdo da educação física. Dando prosseguimento à sua análise. talvez. isto tomando-a de forma tão ampla e abrangente que não se delimita subs- é. declara a necessidade de uma reflexão sobre sua história. pois. enquanto educação. nesse sentido. teúdo é encarado como ferramenta que auxilia na formação humana. leve a uma das possibilidades de se compreender a forma como a indefinição vai se apresentando. Isso se ratifica observan- que predominava nesses períodos. dependentes de estímulos para desenvolver-se.EM BUSCA D O ESTATUTO CIENTÍFICO D A E D U C A Ç Ã O FÍSICA19 57 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA T A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA mas em vários âmbitos: no esporte. o j o g o . considerando que a educação física é hoje tal como é. E e s t e é o a t r i b u t o q u e a diferencia das d e m a i s disciplinas. em todos do-se que. que. pois para a autora o con- física. É importante notar que. 11-12. a os períodos citados pela autora. para a autora. passando por Roma. Tenta. pode-se observar uma perspectiva ambígua. grifo meu]. to de uma história interpretada. a Isso. p p . educação e não educação física. A expressa a intenção de formar o indivíduo de maneira a adaptá-lo sa- ginástica. ela refere-se à educação física e não expressão "educação física como ato pedagógico" ou "educação física ¥WIY£*3ÍDA2E£ F E D E R A L DO BIBLIOTECA CENTRAL PA»* . o que leva a entender que tais práti- Opera tal discussão fazendo referências a passagens históricas cas podem se dar na educação física sem que sejam de fato educação. mas para jus- análise conceituai de educação. do termo. M a s a simples que traz em si significados diferentes. já S e m d ú v i d a n e n h u m a a c a r a c t e r í s t i c a básica da E d u c a ç ã o Física é o educare m o v i m e n t o . em várias passagens.. provocar a expressão). pois. Faz uma breve discussão etimológica tificar suas proposições ou intenções. Essa entrada na história da educa- desses campos. explicar a situação atual pela história da área. Fazer E d u c a ç ã o Física é pectiva de libertar as potencialidades latentes do indivíduo. mostrando qual era a visão de educação física "relacionar o movimento com a inteligência". de uma dem ser reinterpretados à luz de novos conhecimentos. sendo estas r e l a c i o n a r o m o v i m e n t o c o m a inteligência [. Tem-se a impressão de que a educação física tico e também no escolar. entretanto. como é hoje. nas academias. porque é fru- tantivamente seu campo específico de atuação. senão opostos. no âmbito terapêu- às atividades corporais. Não faz. Cunha (1984) pretende discutir a educação física como um ato a autora volta-se à história não para verificar se os fatos históricos po- pedagógico. desde Atenas. primeiro. A tentativa de possibilitar que a educação física adentre a comunidade acadêmica é gestada partir de uma concepção previamente determinada do homem que se quer formar. a única forma de se chegar às respostas para as questões referentes à elementos não se configuram como e que coloca o termo educação física como um ato pedagógico.. 1984. o e s p o r t e e a d a n ç a são os seus e l e m e n t o s . já havia sido sistematizada. Da mesma forma que Oliveira (1984). inclusi- dos elementos que possam distinguir a educação física em cada um ve conceitualmente. Aponta assim.

A autora entende educação como um fe- sica escolar em geral. essa intenção não se materializa. e a uma parte da população que pode ta. visto que a "atividade físi- que os elementos da educação física são o jogo. e n t r e estes dois g r u p o s d e educação física. passando pelo fortalecimento do sentimçnto nômeno educativo. para idosos. pois não consegue operar uma dantes numa concepção de educação física restrita ao âmbito escolar. Esse fato pode ser decorrência da indefinição com que a autora "corpo versus espírito". E isso leva à falta de precisão quanto cação física. não delimita es- física escolar uma das expressões da educação física. uma vez que tais expressões seriam redun- se fica presa de certo modo ao abstrato. Ao se referir às áreas de aplicação da educação física. o que pressupõe a aceitação da educação física ma a delimitar sua "extensão ao aspecto corporal-orgânico". Em f u n ç ã o dos o b - nômeno tanto interno. Assim não contextualiza. A questão é que. educação luntariamente no processo. em a dança etc. como externo. que manifesta a concepção daquilo que é possível perceber por exemplo. o que leva a supor a presença desses elementos no âmbito educa- usufruir de tal atividade nos clubes e academias. utilitária etc. cional. Aponta educação tendo raiz no verbo latino educere. tem a intenção de se voltar para uma discussão acerca do fe- senvolvimento do físico. a e d u c a ç ã o física militar. ao longo do texto. a ginástica. o esporte. educação física. o que é perceptível quando aponta do Brasil. até atingir a busca do riormente. que se situa na forma como ela conduz a análise. na educação física para execu- . conseqüentemen- As considerações da autora trazem à tona um problema relevante te. Alguns deles seriam. o u o s critérios d e o b j e t i v o s e d o s meios a idéia de "tirar de dentro". a educação fí- via dos sentidos. e isso se torna claro. no caso trata as questões em sua análise. vai apontar "os tipos de educação física e meros se a prática pedagógica pudesse ser concretizada sem se reportar a uma utilizados". em que f e r e n t e s tipos d e educação física. de um tipo de edu- ses elementos dentro da escola. para executivos etc. pois há uma série de fato- física terapêutica. definição mais objetiva do que significa educação e. por ao dualismo uma análise que explique a educação física fora do âmbito escolar. S e g u n d o o critério social. que expressa ca o u a o qual ele se d e s t i n a ) . diferencia-se e n t r e educação física recreativa. a matéria. distinguindo-os em si da educação. mas que. não p o d e m ser definidos agregar o termo físico a esse conceito de educação se especifica. de forma objetiva. a e d u c a ç ã o física infantil. por exemplo. Ao operar uma refle- Para ela. de for- clara e inequivocamente pois.59 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA T A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA EM BUSCA D O ESTATUTO CIENTÍFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA19 enquanto educação". pois há a necessidade de o indivíduo agir vo- jetivos p r o p o s t o s . a qual educação física a autora trata. Nesse sentido. de forma a se contra- ria uma educação física não-educacional. o cri- discute separadamente os termos educação e físico. mas de forma abstra- todos os seus graus de ensino. teríamos. po- res que independem do indivíduo agindo sobre ele. pela eugenia. que se colo- xão etimológica sobre o termo educação. Não traz. como demonstrado ante- de patriotismo e nacionalismo. não explicita o que se- desenvolvimento da integralidade do indivíduo. e físico ligado ao grego utilizados n o p r o c e s s o educativo. O s limites. como Nesse sentido. A autora também parte de uma análise etimológica. ao rém. p o r pbysis. independentemente da prática social a que se referem. em que deixa claro o seu entendimento de ser a educação determinada prática social. de alguma caram ao longo da história dessa área. Weissler (1981) basicamente recai no mesmo problema que Distinguimos vários critérios para uma classificação funcional d o s di- Cunha. para depois uni- tério social (qual é o g r u p o q u e pratica o respectivo tipo de educação físi- los. educação física formativa. vários são os objetivos da educação física.. p o r exemplo. "desenvolver". Esses objetivos vão desde o de- maneira. argumenta que essa deveria ser extendida a toda população. ca sistemática e educativa" tem se restringido ao sistema escolar. Tal análi- também em outros setores. leva a supor que.

Assim não fica claro. Uma é que se dá desde os tempos de Platão. com uma vida social ainda muito inserida nas condições da natureza. atribui à expressão educação física denominações e qualificativos. nesse período. contudo. dentro dela. procura compreender as atividades físicas. que é a "educação através do físico". o que diferencia a educação física infantil da educação física escolar. ao acreditar que podemos considerar "a existência da educação física desde o surgimento da primeira criatura que se movimentou". que é a "educação do físico". Ora. por exemplo. no mesmo anacronismo apontado neste trabalho em relação à obra de Oliveira. O que ocorre é praticamente uma transplantação da educação física de hoje ao passado.6 0 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA T A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA tivos. Seus . sem que seus objetivos sejam exclusivamente físicos. e a segunda voltada à concepção humanista. em que o homem aprendia fazendo. olha para um fenômeno num determinado período anterior sem considerar que as condições objetivas não podiam permitir que tal fenômeno estivesse ali posto. sem. já existia o fenômeno educação física. O agravante é que. em que explicita sua visão quanto à educação física escolar ser uma das expressões educação física: Educação Física é aquele c o m p o n e n t e d o processo educativo que utiliza c o m o meio principal a atividade p r e d o m i n a n t e m e n t e física. uma vez que busca compreender a educação física hoje pela sua história. contextualizando-as e buscando sua compreensão a partir do conceito de educação física que se tem hoje. considerando que a área no momento presente é decorrência de uma história totalmente interpretada. quando a vida se torna mais e mais artificial. para além da crença de que as condições do passado determinam o presente. era o movimento humano. Nesse sentido. suas afirmações podem ser interpretadas de forma a considerar que na pré-história. surge a necessidade de uma instituição específica. ou o que seria uma educação física formativa e uma educação física utilitária. Apresenta ao final do texto uma proposta de conceituação. que apontei em relação a Cunha (1984). grupo social ou ambiente. Assim. corporais. d e n t r o e fora d e sistemas escolares. a educação física. produto histórico da cultura produzida pelos homens. a meu ver. 40]. E aplicável a qualquer faixa etária. adentra-se na história. Vê. é o afastamento da espécie das condições naturais. D e a c o r d o com estes critérios (grupo. que vai determinando formas diferenciadas de educação: na sociedade moderna industrial. voltado para o desenvolvimento físico dos indivíduos. É relevante observar que a análise elaborada pela autora promove distinções formais. a escola moderna tal como se constitui e. ainda. mas para buscar também a validação de suas proposições ou intenções. objetivo. Essa perspectiva de historicizar o conceito incorre. na verdade. a educação física natural c o m o foi proposta p o r H é b e r t . a educação física apresenta características distintas em cada um d o s diferent-es tipos a p r e s e n t a d o s [WEISSLER. por exemplo. ou seja. ou. o o b j e t i v o d e c o m p e n s a r a falta d e atividades físicas c o m u m a este g r u p o social é um d o s objetivos expressos já através da própria seleção d o g r u p o destinatário. opera uma análise sobre um passado abstrato. A autora continua sua análise de forma a percorrer a evolução histórica do conceito. não faz nenhuma consideração que venha a expor as devidas peculiaridades das atividades físicas e corporais nesses períodos. ainda. A outra é a que encontra seu início com os educadores renascentistas. Pois. 1981. meio). a primeira mais ligada a uma concepção tradicional de educação. não a fim de verificar se os fatos históricos podem ser reinterpretados à luz de novos conhecimentos. enxergar a existência da mesma "já nos tempos de Platão". p. D e a c o r d o com os meios utilizados. ou seja. e outras. EM BUSCA D O ESTATUTO CIENTÍFICO D A E D U C A Ç Ã O FÍSICA 1 9 Mas incorre também numa perspectiva doutrinária. já que a espécie estava muito mais próxima da animalidade. explicar sua especificidade. p o d e m o s distinguir e n t r e a e d u c a ç ã o ffsica desportiva. quando. o que existia. renovadora. ou seja. Explica que basicamente a educação física tem se fundamentado em duas perspectivas.

de forma ob- da situação do atleta brasileiro. o que deve ser levado em conta na prática da educação física escolar é a situação do atleta brasileiro. não pode ser estendida a todos os praticantes de esporte. a educação física escolar deveria restringir-se à preparação de atletas. porém. p. sem h a b i t a ç ã o . ao não pormenorizar o que diferencia a educação física nesses âmbitos (restrita à escola ou abrangente). inócuas. p . assim. na verdade. consistentes e significativas. já que se está falando de educação ção física que se dá na escola e a educação física que se dá fora dela. c o m o já o são as v i g e n t e s . pois. sobre sua função no currículo. T o d o s as p r o p o s t a s d e E d u c a ç ã o Física. em si. que é o esporte. s e m v e s t u á r i o . acaba por circunscrevê-la a uma perspectiva extremamente larga e genérica. a partir da consideração atual relação eminentemente educacional. 1 9 8 1 . que pretende discutir a educação física no âmbito escolar. A crítica do autor também incide em generalidade. com a perpetuação de uma indefinição do conceito pois. ao tentar elaborar uma definição. Há entretanto um complicador nessa conceituação. se o s r e s p o n s á v e i s p o r esta d i s s e m i n a ç ã o . traz poucos elementos inerentes a essa prática social. acaba por fazê-la de forma tão genérica que. o hipismo. Na medida em que não opera qualquer análise interna sobre as questões pedagógicas. a sua argumentação é tão genérica que traça um perfil do atleta brasileiro (sem alimentação. física na escola e não de esporte? Por essa razão. na busca de estabelecer uma contextualização. o que. Para Carmo. poderíamos considerar que. nesse âmbito específico. 4 0 ] . se pode servir a uma parcela. É de se perguntar por que nais e não consegue delimitar e distinguir a diferença entre a educa- o atleta e não o aluno brasileiro. o r i u n d o d e família d e s a g r e g a d a pelas r e l a ç õ e s capitalistas d e p r o d u ç ã o [CARMO. Sua análise. já que é a situação do atleta que deve ser considerada. é demonstrativo da posição do autor: nada há que distinga a educação física escolar do esporte. 44. uma coerentes. única e exclusivamente. O autor critica a educação física que se desenvolve nas escolas. i n s t r u ç ã o . indiví- a e x i s t ê n c i a d e o b j e t i v o s e d u c a c i o n a i s [WEISSLER. mar que a educação física é um determinado componente do processo educativo. a vela. a prática da educação física na escola por um elemento extejrno.) que. Carmo (1987) expõe. Tem-se a impressão de que esse seria jetiva o que entende por processo educativo e por objetivos educacio- o problema maior da educação física escolar. o entendimento da existência de outros campos para a educação física que não o escolar. para o autor. Isto é. baliza. logo no início da obra. se t o r n a r ã o i n c o n s i s t e n t e s . 1987. mesmo nesse aspecto. sem vestuário etc. tais como o automobilismo. ainda que implicitamente. tendo em vista que não estabelece qualquer distinção entre o esporte como prática social e sua incorporação pela instituição escolar. . pois deixa transparecer que o ambiente escolar é apenas um dos espaços de atuação do profissional de educação física. em todo tipo de nada condição para que as propostas de educação física se tornem mais relação estabelecida dentro da educação física (seja ela qual for). descontextualiza seu objeto de análise. mas. ao afir- grifo meu]. acaba por colaborar. a natação etc. Essa discussão prende-se basicamente a uma análise das teorias educacionais e das determinações macrossociais que impactam sobre a prática pedagógica e sobre a formação do profissional de educação física. Não define. bem como um de seus elementos é a existência de objeti- É de se observar com atenção que o autor impõe uma determi- vos educacionais. Nesse sentido. de certa forma.6 2 ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA EM BUSCA DO ESTATUTO CIENTÍFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA 6 3 e l e m e n t o s c a r a c t e r í s t i c o s são: a t i v i d a d e física. A crítica assim se dá mais sobre o que é externo do que sobre o que é interno. s i s t e m a t i z a ç ã o e n ã o e n t e n d e r e m e n ã o levarem e m c o n t a a situação do atleta brasileiro. anunciando. d u o s e m a l i m e n t a ç ã o . pode-se inferir que a autora vê.

Nesse sentido é que adentra a discussão sobre educação.tomando-se por base uma análise materialista histórica e dialética.65 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA T A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA Percebe-se também. entretanto. e n f a t i z a d a c o m o imp o r t a n t e f u n ç ã o pela p e d a g o g i a d e s p o r t i v a ou da E d u c a ç ã o Física [idem. direciona a discussão para uma perspectiva ampla e não específica. grifos m e u s ] . Percebe-se que o autor pode estar falando de um ensino de educação física que se dê em diferentes planos. grifos meus). 24]. O objetivo do autor é operar criticamente uma análise sobre "o conteúdo sócio-educativo do ensino dos jogos desportivos nas escolas". seja ela qual for. o que faz com que sua reflexão gravite no campo genérico. mas basicamente no que tange à escola. como a escola. mesmo se considerando que. pois afirma que "a pesquisa é um elemento inerente à atuação. ao longo do texto. Ainda que não se proponha a isso. e assim por diante. principalmente ao se observar uma passagem do texto em que o autor expõe. A escola é uma das i n s t i t u i ç õ e s q u e p r o m o v e tal socialização. Traz. nessa obra. de forma reveladora. 28. a obra não coloca a que educação física se refere. ao discutir o papel social da educação e como esta é entendida pelos professores de educação física. que vem se fazendo presente no que se refere à função social da educação. como: "faz muitos anos que o professor diz a mesma coisa". Basicamente. Porém. esse é o mote que o move a operar as análises da educaVMVERSIDADÍÍ FEDERAL DD PAK* . inferir ou afirmar com certeza que o autor se refere à educação física escolar pode esbarrar em equívocos. o clube etc. bem como não apontar as características desse ensino e nem uma discussão mais aprofundada sobre a relação entre ensino e pesquisa em educação física. Mas. parece haver uma tendência a se visualizar uma discussão no âmbito da educação física escolar. mas uma justaposição do que é externo ao que é interno. Procura refletir . Entretanto. p. Port a n t o . a Educação Física parle integrante da Educação. Assim. 1988. o autor expressa comentários a respeito das aulas de educação física. A socialização d o i n d i v í d u o o u da criança se dá e x a t a m e n t e a t r a v é s da i n t e m a l i z a ç ã o d e valorçs e d e n o r m a s d e c o n d u t a da s o c i e d a d e a q u e pert e n c e . sem estabelecer delimitações que possam contribuir para uma definição do campo de àtuação da educação física. uma posição que parece estar diretamente ligada à questão da pesquisa/ensino (que trata ao longo do referido artigo) e que não nos permite visualizá-la somente em relação à escola. t e m ela t a m b é m u m a f u n ç ã o s o c i a l p o s i t i v a e i m p o r t a n t e [BRACHT. p o d e r í a m o s d i z e r q u e e n t r e o s p r o f i s sionais da E d u c a ç ã o Física i m p e r a a idéia ou a c e r t e z a da p o s i t i v i d a d e d o papel da E d u c a ç ã o e m nossa S o c i e d a d e . as discussões do autor sobre educação estão diretamente ligadas à escola. o autor estabelece suas análises sempre em relação ao âmbito escolar. Bracht (1988). Assim. p. considerações acerca da educação no que se refere às concepções e teorias que a fundamentam. em algumas passagens. no bojo dessas análises. 1984. quando se discute que na educação física há um hiperdesenvolvimento da perspectiva do ensino em relação ao desenvolvimento da pesquisa. a academia. Volta-se aqui à discussão entre educação no sentido lato (abrangente) e no sentido estrito (da instituição escolar). s e n d o inclusive. que não se consegue estabelecer um nexo interno de análise da educação física escolar. em determinados momentos. uma intenção de discuti-la ou pelo menos mencioná-la também num sentido amplo.sobre a reprodução dos valores da sociedade capitalista. o fato de o autor não especificar a que ensino se refere. EmTani (1984). p. o f e n ô m e n o da socialização ou a a p r e n d i z a g e m d o social t a m b é m o c o r r e nas aulas d e E d u c a ç ã o Física. 23. do professor de educação física" ( T A N Í . em contraposição a uma perspectiva funcionalista . Percebe-se. É provável que esse tipo de comentário seja muito mais comum nas aulas de educação física dentro da escola do que em outro locus qualquer. afirma: EM BUSCA DO ESTATUTO CIENTÍFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA19 D e u m a f o r m a b a s t a n t e rústica.

no âmbito escolar. provisoriamente. que realizar tal questionamento só se justifica se se perspectivar à compreensão de tal prática a fim de transformá-la. não se observa e d u c a ç ã o pelo m o v i m e n t o . inclusive de [—1 U m a teoria da prática pedagógica denominada Educação Física vai. contudo. o autor incorre necessariamente. com a consolidação da burguesia no poder. ç) Educação Física é e s p o r t e d e rendimento. mesmo considerando que as A resposta a "o que a educação física vem sendo" é apresentada com base em uma análise histórica.d) em nenhum momento uma explicitação de que o seu entendimento seja Educação Física é educação d o movimento. Alertam. o q u e a Educa- não consegue. Algumas respostas carecem de uma teorização mais ampla s o b r e os fun- Ao longo de todo esse histórico. como apontados em relação a outros autores. nem que sentido toma a educação nessa perspectiva. for- Chamo atenção para o fato de que. ao fazê-lo. . 1 9 9 2 . entendimento da educação física numa perspectiva abrangente. O Coletivo de Autores (1992) apresenta. dança. b) E d u c a ç ã o Física é uma das expressões da educação física. forma que delimite objetivamente sua abrangência. no seu segundo capítulo. e se toda educação física é encarada dessa forma. Entretanto. não existindo uma tentativa de buscar em sua história os elementos de mediação interna. Nesse sentido. tematiza formas d e suas análises a uma de suas expressões.. diremos q u e a Educação Físi- o autor esteja operando apenas um corte nesta. de forma evidente. ginástica. c o m o por exemplo: a) E d u c a ç ã o Fí- Esses autores parecem entender a educação física escolar como sica é e d u c a ç ã o p o r meio d e atividades corporais. da dialética e n t r e o velho e o novo. o fazem apenas partindo do ponto de uma análise macrossocial. ao longo dos tempos. Essa elaboração tem relevância na medida em que se constitui numa das mais importantes contribuições para uma melhor compreensão acerca da delimitação da educação física escolar. no â m b i t o escolar. ocupar-se da t e n s ã o e n t r e o q u e vem s e n d o e o q u e de- numa certa indefinição do que venha a ser educação física. d a m e n t o s da Educação Física escolar. explicitar o que significa ser parte ç ã o F í s i c a v e m s e n d o ? [COLETIVO DE AUTORES.e) Educação Física é educação da educação física exclusiva à escola. de forma a justificá-la ou não nessa instituição. isso ocorreu no mesmo período da constituição dos sistemas nacionais de ensino. no caso a escolar. ao colocar a educação física como parte integrante da educação. ou seja. Mas também não se observa o sobre o movimento. em que N o p r e s e n t e trabalho. tem sido conformada sempre a partir da macroestrutura. que reflete muito mais a influência da macroestrutura sobre a educação física escolar que a exposição de elementos que a expliquem no interior da escola. é possível observar de forma clara que a análise operada sobre a educação física se dá no sentido de demonstrar que. finição mais clara e precisa sobre o conceito de educação. uma reflexão sobre "questões terminológicas e conceituais". Afirmam ainda que várias são as produções que têm procurado responder tal questão. visto que veria ser. que remonta ao tempo em que os exercícios físicos passaram a integrar o currículo escolar. Dessa forma. sem contudo estabelecer uma de- mas estas q u e configuram uma área de c o n h e c i m e n t o q u e p o d e m o s chamar de cultura corporal. Segundo os autores. mas que. na Europa. do final do século XVIII e início do XIX. mais uma vez a pergunta "O que é educação física?" coloca-se presente. da sua própria dinâmica dentro da escola. esta. para poder restringir ca é uma prática pedagógica que. atividades expressivas corporais como: jogo. 5 0 ] . Mas.. pois o texto apresenta várias análises não estejam isentas de alguns problemas. p . esporte. ao tentarem demonstrar "o que a educação física vem sendo". não colaboraram de maneira substantiva para a "superação da prática conservadora existente". integrante daquela.EM BUSCA D O ESTATUTO CIENTÍFICO D A E D U C A Ç Ã O FÍSICA19 6 6 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA T A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA ção física basicamente no âmbito escolar.

6 8 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA T A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA EM B U S C A D O ESTATUTO CIENTÍFICO D A E D U C A Ç Ã O FÍSICA 1 9 referências à educação física no âmbito escolar.. de forma objetiva uma reflexão teórica que estabelecesse q u e ela está submetida aos acasos das "relações d e força simbólicas" e a uma análise conceituai clara e densa sobre educação física. embora determinadas. h o m o g e n e i d a d e . titui tanto dentro como fora da escola. Há ainda no próprio his- prática pedagógica que na escola tematiza formas de atividades expres- tórico que elaboram o apontamento da existência da educação física sivas corporais [. como toda e qualquer práti- c o m o um patrimônio simbólico unitário e imperiosamente c o e r e n t e . que ela é imperfeita. e l e m e n t o s d e cultura. não ultrapassam os limites do plano ideológico e mecanicista. considerada diferenciadas que. entendendo dada. como a escola opera tal seleção e se é A resposta ao que é educação física não é exposta de forma ob- toda a cultura corporal que é apropriada pela escola. no que concerne à definição sobre educação física. irregular citam o que realmente a constitui. ditam que os elementos constantes no histórico que apresentam ve- quando discute a relação entre escola e cultura. isso não que lhe imputam uma dinâmica que impede a sua imposição aos indi- ocorre. ou seja. como já citado. compreenda a educação física como um conjunto de práticas sociais Isso significa dizer q u e a educação jamais transmite a cultura. ser d e épocas dife- parece que a análise sobre o que a educação física vem sendo prescin- rentes. e n t r e os quais não há f o r ç o s a m e n t e ver. Discorrem dessa forma sobre o que sentido d o s etnólogos e d o s sociólogos): ela transmite. algo da a educação física vem sendo para. bem como redundam em conceituações/definições genéricas e impre- Bracht (1989) é praticamente o único autor. t e r o g ê n e o s e não r e c o r r e r aos m e s m o s p r o c e d i m e n t o s d e l e g i t i m a ç ã o a que fins e interesses tal prática se tem reportado. como ela se cons- [FORQUIN. o b e d e c e r a princípios d e produção e lógicas de desenvolvimento he- de de um tratamento que possibilite verificar como isso se tem dado. A meu ver. lacunar. sempre em análises macroestruturais.. assim. vulnerável nos seus m o d o s de transmissão e perpetuação. a seu ver. vale lançar mão das análises de Forquin (1993). respondem a interesses e necessidades varia- s e q u e r d i r e m o s q u e ela transmite fielmente uma cultura ou culturas (no dos. fun- víduos de forma homogênea. existe na área o que denomina "caos conceituai". Os autores acre- Nesse sentido. que p o d e m provir de fontes diversas.] que podemos chamar de cultura corporal". 14-15]. N e m ca. inconstante nas suas prescrições normativas. pela macroestrutura. no máximo. a partir dessa constatação. prescre- c u l t u r a . É preciso ter claro que as análises operadas pelo Coletivo de Autores. sem adentrar. jetiva ao final do capítulo (referido anteriormente). fruto do entendimen- . ou seja. e t e r n o s conflitos d e interpretação. uma vez que a entendem sempre como resposta às conformações macroestruturais. não operam uma análise que nas suas formas. 1 9 9 3 . que vem a ser cultura corporal. entre os aqui estudados. apontar o que a educação física deveria ser. como por exemplo quando afirmam que: "a educação física é uma materialização também em outros campos. que aliás contribuiu para a inclusão daquela observa porém uma reflexão teórica que possibilite a compreensão do neste. pouco expli- nas suas mensagens. procura refletir sobre o conceito de educação física na medida em que. Não se fora do âmbito escolar. ao se referirem ao que é a educação física. o que pressupõe a sua cisas. Entretanto. expondo que é neces- nham a fundamentar uma perspectiva superadora no que se refere à sário compreender a cultura a partir de uma complexidade de fatores elaboração de uma resposta à questão anterior. No artigo "Educação física: a busca da autonomia pedagógica". que carecem ser elucidados. p p . que procura operar uma elaboração no sentido de circunscrever a educação física como uma disciplina exclusiva à instituição escola. visto que tal resposta se circunscreve a uma visão genérica. ambígua Assim. que mediações ocorrem entre as relações micro e macroestruturais etc.

os jogos. p o r t a n t o a expressão Educação Física será utilizada no seu sentido restrito c o m o definido acima. até a ginástica d e academia. de certa forma. a academia de ginástica. 28]. todas as manifestações culturais ligadas à ludomotrícidade humana. Inconveniente ao meu ver. em favor de uma terminologia para a educação física apenas no seu sentido restrito. é q u e teríamos q u e nifestações culturais ligadas à ludomotrícidade humana" (que na sua substituir o t e r m o Educação Física no seu sentido restrito. dificultando assim a "comunicação científica e a reflexão teórica". o clube de recreação. como uma questão corporativista (de exigências de mercado pelo professor). já q u e m e parece compreensão seriam melhor expressas pelos termos "cultura corporal" u r g e n t e eliminar a ambigüidade [idem. nessa perspectiva. N o seu s e n t i d o "restrito".m e melhor abarcadas por termos c o m o cultura corporal ou cultura de movimento.derivando-se daí a falsa conclusão de que o t e r m o Educação Física seria mais "abrangente" d o que os d e Esporte. Estas atividades estavam desde logo presentes nos currículos d e f o r m a ç ã o de professores d e Educação Física n o Brasil. para superar possíveis indefinições. a dança. N o seu sentido "restrito". Assim.. afirmando entretanto que a d e q u a d o q u a n t o d e cultura corporal para designar o c o n j u n t o d e ativida- o considera inadequado no que se refere à designação de "todas ma- des corporais d e movimento. porque os compreendia. o t e r m o Educação Física abrange as atividades pedagógicas. a ginástica etc. advoga. p.71 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA T A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA to da educação física ora num sentido restrito. a confusão deve-se ao fato d o profissional d e n o m i n a d o professor d e Educação Física ou licenciado em Educação Física. sem contudo deixar de visualizá-la enquanto fruto de uma construção histórica de determinada área. em uma das notas de sua Introdução. sendo redundante falar em educação física escolar. Em parte.até aí nada demais. colocando que esse termo se refere ao conjunto das atividades corporais que fo- . a clínica de reabilitação etc. reside basicamente no fato de seus professores "requererem para si o direito de atuação profissional com todas as atividades corporais de movimento". entendendo tal abrangência. que no seu c o n j u n t o p a r e c e m . vê o termo educação física como se referindo exclusivamente à escola. Ginástica. (recreação) etc. d o n d e a célebre afirmação de que o esporte. . EM B U S C A D O ESTATUTO CIENTÍFICO D A E D U C A Ç Ã O FÍSICA19 movimento corporal na escola. a associação esportiva. Ao imputar que a confusão em decorrência desse "caos conceituai". o t e r m o Educação Física a b r a n g e as atividades pedagógicas. pela dança. Mas vale atentar que. requerer para si o direito d e atuação profissional com todas as atividades corporais d e movim e n t o . t e n d o c o m o tema o m o v i m e n t o corporal e q u e toma lugar na instituição educacional [BRACHT. entre o sentido amplo e o sentido restrito da educação física. t e n d o c o m o tema o m o v i m e n t o corporal e q u e toma lugar na instituição educacional. o que interessa é observar a forma como o autor opera a distinção dos sentidos "restrito" e "amplo" da educação física. 32].da Educação Física. ou seja.. alerta: É importante observar que. ao apontar a existência de um sen- Poderia aqui ser contra-argumentado q u e o t e r m o Educação Física é tão tido "amplo" para o termo educação física. são meios da Educação Física . que implicou na formação de um profissional com atuação em diferentes campos como a escola. opera uma crítica em relação à abrangência dè atuação da área. seria necessário estabelecer um entendimento comum em relação à utilização do termo educação física. Para o autor. ou "cultura do movimento"). N o seu sentido "amplo" tem sido utilizado para designar. p. que se refere às práticas pedagógicas sobre o tema do Bracht preocupa-se em distinguir a educação física. para os propósitos deste capítulo. bem como dos fundamentos que lança mão a fim de justificar sua análise. Assim. 1989. N e s t e escrito. inadequadamente a meu ver. ora num sentido amplo. passando pelo esporte.

se se reportava à educação física como prática social ou como campo de conhecimento. via de regra. e da produção científica sobre essa mesma prática. apesar de todo o seu mérito histórico. para sua manutenção em patama- para este espaço. formalista. tem sido tratada pela literatura caracteriza a educação física dentro da escola. na medida em que o especializada. essa literatura enfatizou quase sempre os determinantes externos. quando se referiu a este último o fez ou para considerálo uma realidade já constituída. Com relação à educação física que se realiza na escola. O que parece estar claro com relação a essa produção é que.. portanto. e dentro delas delimitar a educação física escolar como aquelas exata- Na perspectiva de buscar não o que ela não é mas. ela enveredou por caminhos que se caracterizaram pela falta de uma conceituaçãó mais sólida de sua trajetória como prática social. na medida em que procurou explicitar o que a educação incluindo as incorporadas pela instituição escolar. por um lado. o autor denomina cultura corporal ou cultura de res de baixa densidade conceituai. mesmo que de for- rais que estão fora da escola e que. de rompimento com uma tradição . A questão parece redundar mesmo o que ela tem sido. Além de essa literatura não ter explicitado. não foram pedagogizadas ma inconsciente e não-intencional. essa literatura representou um avanço. Logo. pois se poderia chamar o conjunto de práticas sociais. Esse conjunto de práticas corpo- em análises genéricas e ideológicas. de um profissional que não procurava efetuar reflexões a respeito de sua prática . ou produto da vontade de seus inteUNIVERSIDADE F E D E R A L mrcr» DO ^CMTItAL P A » / . ao procurar superar vidas. passando essas por um tratamento pedagógico que lhes confere a visão inicial. ao contrário. não pode ser confundido o termo cultura corporal com o termo educação física. . contribuindo. mecanicista. sua discussão paréce circunscrever-se ao permaneceu ainda dentro de um âmbito extremamente genérico e âmbito formal. mente incorporadas pela escola. Entretanto. permaneceu escola como componente curricular. física escolar é pela delimitação do que ela não deve ser. como um de seus componentes curriculares. Isto é.por um lado calcada somente nos conhecimentos oriundos da biologia e. não efetuando uma crítica que explique o que física. no percurso histórico de sua incorporação pela num certo formalismo terminológico já que o autor não analisa de for- escola. como componente curricular. embora procurasse problematizar a área. de educação física.7 2 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA T A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA EM BUSCA D O ESTATUTO CIENTÍFICO D A E D U C A Ç Ã O FÍSICA19 ram assimiladas e sofreram um tratamento pedagógico para entrar na lectuais. Embora se deva considerar que. movimento. quer oriundos do que se resolveu denominar corporais é que se apreende as que no âmbito escolar serão desenvol- cultura corporal. é que no próxi- ma mais substantiva que elementos são fundamentais para se operar a mo capítulo buscarei analisar mais detalhadamente como a educação distinção uma da outra. quer se- Sua análise é correta ao afirmar que do conjunto de práticas jam macroestruturais. modo como distingue a educação física da cultura corporal parece ser apenas o locus onde essas se concretizam. por outro. especificidade. por outro.

Neste terceiro capítulo. quer como uma das expressões da educação física). fundadas basicamente na cultura letrada (ciência. em busca de caracterizar teoricamente a educação física escolar (quer como manifestação única da educação física. até certo ponto formalista.literatura. o que redundou no segundo capítulo. Iín- . produziu a respeito desse campo.y ma ambígua e indefinida como a educação física escolar tem sido conceituada. independentemente do fato de se entender desta ou daquela forma. senti a necessidade de compreender o que a literatura especializada. Essa ambigüidade parece revelar mais que apenas uma dificuldade de conceituação. Isso significa entender que. no segundo capítulo deste trabalho. Tal tarefa demanda compreensão clara de que. que é a educação física escolar. procuro avançar na análise sobre educação física escolar. num dado momento histórico. superando a discussão. nesse período. além das disciplinas escolares clássicas. acerca da for- •i.C A P Í T U LO ENTRE A EDUCAÇÃO E A EDUCAÇÃO ' TRÊS FÍSICA FÍSICA NA DA ESCOLA ESCOLA 7 ] iscorreu-se. a educação física. Partindo de minha preocupação principal. há uma certeza: a educação física existe de fato na escola. Parece revelar o modo pelo qual seus intelectuais procuraram conformá-la a partir dos anos de 1980.

bem como a explicitação de outros elementos que venham possi- Para Saviani (1994. com trajetória própria. e n v o l v e n d o fa- elevado de entendimento sobre educação física escolar. o papel e o valor relativo de cada matéria) d a d o e seu lugar na hierarquia das matérias que o c o m p õ e m . cular. procurei verificar como. uma história " a u t ô n o m a " . conflitos. E. c u j o o b j e t i v o é investigar as a ela. bem como contribuir para a desmitificação massa' [. É mais comum aindisciplina. 14-15) aponta que-. E m b o r a seja possível e s t u d a r a e v o l u ç ã o d e s t a ( s ) ou daquela(s) disci- plina (s) na história d e d e t e r m i n a d o ( s ) currículo(s). houve a incorporação de mais um componente que teria como da visão linear que explica tal percurso de forma estática. análises da literatura recente que se referiam se. também. a cultura corporal (aquilo que o homem faz e pensa so- Nesse sentido Saviani (1995a. pois além de significar e identifica os conteúdos do currículo.. procurei em- t o r e s e s p e c í f i c o s e s o f r e n d o / e x e r c e n d o influências peculiares. O fato de recorrer a tais estudos se deu. principalmente de contradições. c a n d o " f a t o r e s mais d i r e t a m e n t e ligados às m u d a n ç a s d e c o n t e ú d o e mé- Para que a compreensão de tal análise pudesse se dar de forma t o d o s d e e n s i n o " [. caso as reflexões sobre a forma como a literatura especi- téria de ensino alizada tem tratado a educação física como componente curricular se da. "Existe reciprocidade de influências bilitar a busca de alternativas para que ela possa se configurar como tal. C o n s t i t u i - preender. bre o seu próprio corpo) entrou na escola. p. recorri aos estudos mais recentes que procuram discutir ques- N u m a p e r s p e c t i v a histórica.. . En- Dessa forma.. 14).136 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA137.] as disciplinas escolares 'são criações espontâneas e origi- . na perspectiva de alcançar um grau mais sua vez. assim como as demais áreas da cultura por ela incorporada.isto é. para que a análise referida anteriormente não incorresse em possíveis redu- A e x p r e s s ã o componente curricular é s i n ô n i m o d e matéria escolar.. p o r Nesse sentido é que. identifi- componente curricular. a utilização do termo dessem apenas sobre ela mesma. a crítica aqui empreendida procura desvelar questões po em que são formadas tomando-se por base valores e necessidades importantes para uma melhor compreensão do percurso que a disci- socioculturais. cada disciplina tem. a partir dos anos de 1980.. tem também uma conotação essa literatura especializada discute a educação física no seu percurso de estabelecimento de regras e normas que visam disciplinar a condu- histórico de incorporação pela escola. com o intuito de verificar de que forma tem sido tratada como " t r a n s f o r m a ç õ e s o c o r r i d a s numa disciplina ao l o n g o d o t e m p o " . Ao mesmo tem- Assim. neste capítulo. em que não se faz presente nenhum tipo de contradição. pré- preocupação fundamental a atividade física. no meio escolar. como um de seus componen- ta dos indivíduos. nesse sentido. o movimento. o definida. (SAVIANI. sua instauração n u m c u r r í c u l o sição (o lugar. constituiu-se. "também contribuem para uma certa 'aculturação de plina segue no currículo. componente curricular. p. o e s t u d o d e tais f a t o r e s p e r m i t e a análise tões afetas ao processo de conformação do currículo. corpo. embora a expressão disciplina escolar seja fundamentos que permitissem uma crítica substantiva ao tratamento hoje mais utilizada para designar uma determinada matéria do currí- que vem sendo dispensado à educação física como componente curri- culo.]. ampla. Essa verificação deu-se no sentido de se trazer à tona pela ordem estabelecida. ao adentrar a escola. pois. pp. 1995a. tretanto. ou seja. ma- cionismos. entre as disciplina escolares e a cultura da sociedade". num c a m p o d e e s t u d o s e pesquisas. relações de poder e prestígio envolvidos no os que se debruçam sobre as transformações operadas na sua compo- p r o c e s s o d e c o n s t i t u i ç ã o d e uma disciplina. matéria escolar. em componente curricular. de modo que se enquadrem nos padrões exigidos tes curriculares. gua). 57). este último revela um sentido dúbio. regular.

as reflexões sobre as disciplinas escolares devem cimentos. e r e s p e c t i v o s p r o g r a m a s . p. sua d i s t r i b u i ç ã o p e l o s níveis escolares. 1995a): tornando-se um objeto cultural em si e. a visão d e q u e sua p r e s e n ç a no currí- para fins de ensino" Isso significa que a disci- culo. atitudes. Saviani afirma também que "as disciplinas escolares constituem t e ú d o s s e g u n d o p r i o r i d a d e s e s t a b e l e c i d a s e d e a c o r d o c o m as e x i g ê n c i a s um conjunto peculiar de conhecimentos. de forma que é possível a sua na cultura da sociedade interferência na própria história do currículo.a c o n s t a t a ç ã o d e q u e seu valor re- ber científico e o saber escolar etc. c o n s o l i d a ç ã o . E n q u a n t o tal. podem sofrer os impactos peculiares e inerentes à sua conforma- que convertem. que possui um potencial de intervenção confere um poder às suas características. sistematizando-as em uma forma específi- ção. d e s a p a r e c i m e n t o . ela consegue contudo se D e m o d o geral. D e n t r o d e uma escola e d e n t r o d e u m a ram p r o d u z i d o s e m o u t r o s locais. A escola não se presta exclusivamente à transmissão de conhe- Dessa forma. tem além disso a tarefa de desenvolver hábitos. r e s s u r g i m e n t o e n - considerando as características do seu público. aponta que os estudos sobre as matérias escolares deveriam seio da c u l t u r a . o que não significa que (SAVIANI.o p r e s s u p o s t o d e q u e sua matização com base naquilo que é particular da instituição escolar. convicções. c o n s i s t i n d o n u m a " r e i n v e n ç ã o da cultura". c o m o s i s t e m a s sociais s u s t e n t a d o s p o r r e d e s d e c o m u n i c a ç ã o . dispostos especificamente d e c o n t r o l e d o p r o c e s s o e d u c a t i v o . as relações entre o sa- v o l v e m c o n f l i t o s e s o l u ç õ e s negociadas. revelando seu poder criativo ao in- deixar de ser vistas como elementos integrantes de currículos que.] Examinar as m a t é r i a s t a n t o d e n t r o da escola q u a n t o na n a ç ã o em g e - t i p o p a r t i c u l a r d e saber. d o s a g e m d o s c o n - SAVIANI. 2 3 ] . u m a e s p é c i e d e " r e i n v e n ç ã o da cultura". 60-611. Assim afirma que: lativo n o c u r r í c u l o o b e d e c e a d e t e r m i n a d o s p a d r õ e s . q u e r e s u l t a n u m [. 1 9 9 4 . que ca de saber. para a sala d e aula. Esse tipo específico de saber compõe uma linguagem que "adquire imediatamente sua autonomia. p.. organizam. baseado nas considerações de Musgrove.o de formar indivíduos. 1995a. O c u r r í c u l o . 1994. apesar de um certo descrédito que se deve ao fato de sua origem escolar. c o n s t i t u i ç ã o . ao mesmo tempo que for- os s a b e r e s d e r e f e r ê n c i a [SAVIANI. nais do sistema escolar': revelam seu caráter eminentemente criativo' las disciplinas e s c o l a r e s na sua b u s c a (inglória) d e c a m i n h a r l a d o a l a d o c o m e seu duplo papel . 57). e m c o m p e t i ç ã o e e m c o l a b o r a ç ã o e n t r e si. o s s a b e r e s tais c o m o f o - c u r s o s materiais e p o r ideologias. c o m seu p r o g r a m a . d i d a t i c a m e n t e ... 58).. o saber escolar. a história de uma se confunda com a outra (SAVIANI. d e f i n i n d o e d e f e n d e n d o suas . às v e z e s d i t a d o s m u n - (SAVIANI. e x a m i n a r as m a t é r i a s c o m o c o m u n i d a d e d e pessoas. ser operadas com base numa via de mão dupla. 1994. o saber escolar.136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA137. c o n s t i t u e m uma c o n v e r s ã o da c u l t u r a da s o c i e d a d e global. alteração. valores. isso.i n c l u i n d o o c o n j u n t o d a s m a t é r i a s d e e n s i n o . p r e s s u p õ e uma seleção realizada no seio da cultu- plina escolar opera sobre os conhecimentos uma organização e siste- ra. 1994). ma uma cultura"(idem. por corporar os conteúdos culturais e conformá-los nas matérias escolares. p. seu v a l o r r e l a t i v o q u a n t o à carga h o r á r i a e r e c u r s o s . p p . E dá a d i m e n s ã o d o p r o b l e m a v i v i d o p e - s o c i e d a d e mais ampla.p r o d u t o d e uma s e l e ç ã o realizada n o É nesse sentido que Goodson (1990). pois elas não podem habilidades. Mas também devem ser vistas com uma certa autonomia. d i a l m e n t e [SAVIANI. valem para o e s t u d o das disciplinas escolares as consi- infiltrar subrepticiamente na cultura da sociedade global" (Chervel d e r a ç õ e s feitas para c a r a c t e r i z a r os p r o c e s s o s d e e l a b o r a ç ã o e i m p l e m e n - apud t a ç ã o curriculares: a idéia d e organização. p. 58). seqiienciação. Isto d e s m i s t i f i c a a idéia d e q u e a es- ral. p o r r e - cola t r a n s p õ e .

educacional tem produzido a respeito. 24]. 230]. portanto. qual seria. a partir dos anos de 1980. por intermédio de novos aportes. nos anos de 1980 • estabelecem uma interlocução com a educação quase sempre no perdia o seu "chão". os professores inse- romper com o passado. Esses autores operam suas análises sobre a educação física escolar com base em. • consideram a educação física escolar como resposta às deter- Esse parece ser o ponto de partida necessário para se operar a análise sobre a educação física como componente curricular. cabe interrogar o que havia mudado.] ciíefinem o que é passível de novador. Ao que parece. ção tem dado na perspectiva de lhe conferir uma identidade. densa da própria instituição escola.136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA fronteiras. Não buscam apre- desvendar criticamente o que eia era na escola.. embora a educação fí- instituições. bem como o lugar e valor no cur- do de negar as concepções anteriores. mas muito mais para retificá-la. determinar outro objeto que não o da saúde física. no que minações macroestruturais. ou seja. já que tais "comunidades de matérias" têm a tarefa por retirar do próprio campo social em que tais práticas se rea- de organizar o conhecimento. Assim. p. 1990. rículo [SAVIANI. que apontavam o que a educação física deveria e de como se constitui um componente curricular. que seria vital para a análise substantiva da educação física como componente curricular. fundamentalmente. Ao que parece. com base numa visão dicotômica entre "práticas que respondem aos interesses dominantes" versus tange à forma como essa vem sendo tratada pela literatura especializada "práticas que superam esses interesses". o que seria "re- munidade da educação física. a produção teórica apontava para a negação do objeto da disciplina até então. cobrando fidelidade d e seus membros e conferindo-lhes um senso de identidade. ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA137. tem tratado novado". A leitura das respostas produzidas nas obras abriu um leque de interpretações sobre o que deveria ser a disciplina educação física.. quadas à comunidade. num movimento que foi autodenominado re- rem-se na organização d o conhecimento!-.- como disciplina que ganhava sua institucionalização. Esse movimento acabava por percorrer a história da área. A educação física escolar é discutida pelos autores no senti- ser ensinado/aprendido na sua disciplina. observando operam análises de forma a se apropriar daquilo que a literatura sua entrada na escola. 1995a. não ser. há uma forte necessidade de C o m o "porta-vozes de comunidades de matérias". e compreendê-lo de forma mais abrangente e menos Nesse sentido. p.. nos anos de 1980. Dessa forma. [Musgrove apud COODSON. acabam nos anos de 1980. três eixos: A identidade da área entrava em crise. torna-se importante verificar de que forma a co- específica. na medida em que se procura. elaborando assim regras e reconhecen- lizam os conflitos e as contradições que são expressas pelas for- do certas autoridades imbuídas de legitimar as ações pertinentes e ade- mas pelas quais essas práticas são construídas historicamente. mas sim análises pres- ender elementos que fundamentam uma compreensão do que é critivas e/ou valorativas. em função de análises que não se pautavam em âmbito geral/macro das teorias educacionais. ou seja. caracterizando-se mais como • ao se referirem à educação física escolar o fazem valendo-se de perda da identidade constituída do que como esforço de reconstrução uma crítica às influências que essa tem recebido de diferentes e consolidação dessa identidade. o objeto da educação física escolar e essa área como componente curricular e que contribuição tal produ- como poderia ser compreendida nos anos de 1980. Não fazem entretanto uma análise substantiva e sica já tivesse penetrado na escola enquanto sistema de ensino nacional. interpretáÜNÍVER3JDADE FEDERAL DO BIBLIOTECA CENTRAL PA** .

assim. procura questionar as finalidades sociais da educação físi- suceder de respostas acríticas aos processos de dominação. à pauta da de entender o percurso histórico da educação física escolar como um sociologia. tica das contribuições/determinações. para uma afirmação da identidade em torno do objeto da educação física escolar. almejava-se a formação de um homem forte. zados pela influência (nefasta) do militarismo. Essa perspectiva "crítica" aparece. 136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA la de forma a confirmar certos pressupostos que tais análises apontavam. apto a empreender as atividades que aquele contexto passava a exigir. na maior Um elemento de consonância que se observa entre os autores parte das obras. curou superar o que considerava uma visão estreita e ideologicamente ou então para negá-la. através deles. em função das transformações sociais ocorridas nesse período.não contribuindo. aqui estudados é a sua concordância com a concepção que entende a questionando os fins sociais da disciplina e se referem à influência das educação física constituindo-se e desenvolvendo-se na escola como instituições militar. tomando-se por base uma abordagem sociológica. Trata-se de uma abordagem que. Isso parece não ter permitido a apropriação crí- comprometida da educação física que se desenvolvia nas escolas. médica e desportiva. mas pelo transplante de seus elementos de forma mecânica para dentro da área . A I N C O R P O R A Ç Ã O decisivas para a conformação da educação física como componente cur- ESCOLAR ricular ao longo da história. então. trouxe como conseqüência a busca de soluções no que se pode Ao discutir a entrada das atividades corporais no âmbito escolar. na pedagogia. que foram 1. te. Assim. passaram a ser e n t e n d i d o s c o m o "receita" e "remédio". na antropologia — não como ferramentas teóricas que pudessem contribuir para uma análise interna mais consistente. truturas macrossociais.). Estabelecida a interlocução entre as obras. visto que o florescimento de um novo modelo social. criando cisões e indefinições durante todo o período dos anos de 1980 no Brasil. Nesse sentido. procurar encaminhar a superação de uma "concepção biologizante estreita" (que se valeu ao longo de sua trajetória histórica do autoritarismo e do tecnicismo para se firmar) por meio da busca de fundamentação na filosofia. e sem mudar as c o n d i ç õ e s ma- . identificando o utilitarismo no qual essa área sempre esteve inserida. exigia um arquétipo de homem que se adequasse à sociedade emergente. basicamente a partir da determinação das es- Essa característica da produção teórica da área nesse período. caracteri- ca. como micro (da própria escola. o Coletivo de Autores (1992) aponta que essa se deu entre a passagem do século XVIII e XIX. no caso o capitalismo.ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA137. tanto a nível macro. Julgava-se que. vale a pena nos debruçarmos sobre essa literatura com objetivo de verificar de que forma e sobre que argumentos ela pro- O s exercícios físicos. a fim de superar as necessidades e os desafios que o contexto impunha. isto é. a "identidade histórica" da disciplina CURRICULAR E O SEU DA E D U C A Ç Ã O DESENVOLVIMENTO FÍSICA PELA C O M O INSTITUIÇÃO C O M P O N E N T E era desfeita. dinâmico. na sociologia. da medicina e do espor- voltada para a manutenção de um poder hegemônico. das instituições de formação profissional de educação física etc. Logo. pode-se sintetizar o Seu caráter instrumental e sua conformação irremediável pelas estruturas macrossociais movimento dos anos de 1980 na educação física como de "crítica" às perspectivas anteriores. sadio. denominar "salto para fora dos muros da educação física escolar". dos intelectuais e demais profissionais da área. na psicologia. componente curricular.

que faz com que a importância das práticas corpo- ço d o poder hegemônico. assim c o m o com a prosperidade da pátria. C o m a implementação dessas e sua difu- da constatação de que a educação física (ginástica) adentra o âmbito são em nível mundial. passado mais d e um século. tes com o ideário dominante. o francês A m o r o s e o alemão A. que passa a concebê-lo s u e c o P. Surgem as primeiras sistematizações sobre os exercícios físicos d e n o - N e s t e sentido. 52]. 1992. uma vez que as propostas até então ela- d e trabalho. O u seja. médi- objetivo de formar nessa um conjunto de hábitos e atitudes consonan- cos c o m o R Tissié e ainda professores de música c o m o J. portan- O s autores mostram que. estariam mais se social h e g e m ô n i c a naquele p e r í o d o histórico. com o ções advindas t a m b é m d e fisiologistas c o m o C . 136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA teriais d e vida a q u e estava sujeito o trabalhador daquela época. 51]. p. É p r e c i s o ressaltar que. 51]. ágil e disciplinado exigido peia nova socie- cas corporais. construir um ou e d u c a ç ã o física na escola à garantia de um espaço d e respeito e consi- corpo ideal e necessário aos intentos da sociedade capitalista. forma de associações livres. que em si gera saúde. Ling. passam a exigir a inclusão da ginástica no ensino formal. moldar. argumentam os autores. esse q u a d r o p o u c o se alterou em boradas se referiam a outros âmbitos que não a escola. o trabalho corporal co- minados d e M é t o d o s Cinásticos. as atividades físicas. p. em relação às condições d e vida e culiares da instituição escolar. e uma das razões para a sua existência [idem. rificar c o m o as práticas corporais se organizavam e se materializavam . Dessa maneira. países c o m o o Brasil [COLETIVO DE AUTORES. dirige política. uma das f u n ç õ e s a serem desempenhadas pela Educação Física no sistema educacional. ao longo do século XVIII. Entretanto. Spiess. práticas pedagógicas c o m o a Educação Física foram p e n - tante instrumento de aprimoramento físico d o s indivíduos que.. sadas e postas em ação. além das via a d e n t r a d o os limites do âmbito escolar. C o n f o r m e to. na Parece que tais elaborações ficam presas ao campo da denúncia. seria pos- Há a necessidade de sistematizar esse conhecimento. explicam. ou seja. d o s exércitos. p. deração da área perante o s demais c o m p o n e n t e s curriculares. a educação física ministrada na escola c o m e ç o u a ser vista c o m o impor- S e n d o assim. já havia a preocupação de incluir as atividades corporais na escola. sem contudo verificar que outros fatores rais seja cada vez mais reconhecida. Demeny. E. uma vez q u e correspondiam aos interesses da clas- "fortalecidos" pelo exercício físico. concorrendo c o m o fator decisivo para isso a criação de escolas de ginástica. no que tan- basicamente nos países em que os sistemas nacionais de ensino estão ge à compreensão da incorporação da educação física pela escola. Desenvolver e fortalecer física e moralmente os indivíduos era. a classe social q u e a p t o s para contribuir com a grandeza da indústria nascente. os exercícios físicos passam a sofrer um grande escolar única e exclusivamente em função dos seus préstimos a servi- desenvolvimento. as atividades físicas são enten- Esses autores tiveram o mérito d e aliar o desenvolvimento da ginástica didas c o m o ferramentas utilizadas para forjar. Dalcroze. Marey. foram relevantes em relação à constituição da ocorresse deu-se pelo desenvolvimento das escolas de ginástica. essa prática não ha- foram decisivos para tal entrada e que outras contribuições. intelectual e m o r a l m e n t e a nova s o c i e d a d e [idem. que área como componente curricular.a pressão para que isso que apontam os autores. t e n d o c o m o autores mais conhecidos o meça a ser visto com interesse pelo Estado. com contribui- como uma rica possibilidade de intervenção junto à população. de acordo com as características pe- d a d e capitalista. H . as práti- sível adquirir o c o r p o saudável. só no século XIX tal preocupação se materializa.ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA137. Isso ocorre Creio ser extremamente importante e interessante. ve- consolidados ou em consolidação.

pois somente quando os processos industriais assumem determinado refinamento. pela educação física. é preciso ter claro que. praticar atividades ção física sendo incorporada como componente curricular. é que se inicia a preocupação com a sua reposição. a quem as escolas de gi- Essas elaborações pautam-se em análises abrangentes. a natação. São as elites que têm acesso às práticas corporais tradicionais oriundas da nobreza. Aliás. dáse inicialmente junto às elites e gradativamente é incorporada pelas camadas populares. físicas sistematizadas em alguma associação? Além disso. durante boa parte do século XIX. Em suma. Deve-se considerar ainda as condições obje- escolas de ginástica para a inclusão da educação física no âmbito es- tivas da época. a especialização. ou seja. que a influência exercida pelo movimento das que da classe subalterna. o remo e até mesmo o futebol. um trabalhador mais forte e sadio. Ora. se incorporando à escola. para só então se popularizarem. que tra- nástica se voltavam. como as corridas. não parecem operar a partir do concreto. e nesse sentido é altamente questionável . por meio de práticas sociais concretas. São elas que passam a produzir novas práticas. mulheres e crianças trabalhas- operadas pelos autores restringem-se apenas aos fatores externos. o tênis. com jornadas supe- levando em conta os internos. da atividade física. como a esgrima. assumindo formas desportivizadas. então. na medida em que. pois ainda que afirmem levar em conta as formas concretas como os homens se organizam na produção. o rúgbi e o futebol nos colégios tradicionais da Inglaterra. somente tais escolas. a educação física. como se mostrou anteriormente. o basquete e o vôlei nas associações cristãs de moços nos EUA. os autores acabam incorrendo num certo reducionismo. tendo em vista a grande oferta de mão-de-obra e a pouca qualificação necessária para o trabalho. Então por que o capital se preocuparia em. a preparação da mão-de-obra. antes mesmo de se debruçarem sobre os fatos históricos: que a disseminação das atividades físicas e sua incorporação pela escola respondiam exclusivamente aos interesses das classes dominantes de construir.136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA137. Vale questionar. com grande resistência dessas elites. que fazia com que homens. mas para afirmar aquilo que já pressupunham. um trabalhador poderia ser substituído facilmente. Na verdade padecem generalizações. nessa época. essa literatura volta à história não para procurar verificar como a atividade física foi se constituindo como prática social valorizada e. não acabavam por agrupar mais os elementos da burguesia do entender. em relação à questão de sua produtividade. como tal. E pertinente realizar estudos no sentido de verificar se as c o m o um novo componente curricular. em que a qualificação do trabalhador passa a ser essencial. não sem em espaços e tarefas totalmente insalubres. conformando- qüentadores. no que tange à compreensão da educa- riores a 12 horas diárias. A segunda metade do século XIX e o início do século colar é fruto apenas do controle social. ainda que em tese estivessem voltadas para toda a popu- como reflexo mecânico das determinações macroestruturais. consonante com as necessidades de produção impostas pelo capital. preparar a mão-de-obra? O u t r a questão que deve ser levantada é que a valorização do corpo. havia pouca preocupação com a saúde d o trabalhador. Assim. Assim. a equitação. vale lembrar que vários esportes coletivos tiveram sua origem no final do século XIX em instituições de ensino que serviam aos filhos da burguesia. C o m o poderiam. por exemplo. desconsiderando a existência de qualquer outro fator que tives- péssimas e aviltantes condições sociais e econômicas impostas pelo se m o t i v a d o tal m o v i m e n t o para esse i n t e n t o . exercido pelo poder hegemô- XX caracterizam-se pelo acirramento da luta do proletariado contra as nico. o tiro. não foi algo que ocorreu de imediato e de forma "mágica" com o advento da indústria. Parecem lação.foi antes um processo gradual.. por exemplo. as análises capitalismo. a que classe social pertenciam seus fre- tam a incorporação pela escola das práticas corporais. com base no ideário capitalista.

p. elabora crítica à perspectiva sociológica de análise dos con- D e m o d o geral. aponta que: são dessa prática social na escola. podemos dizer que os estudos e pesquisas na área da teúdos escolares. As limitações desses estudos estariam no fato lectual. Se a burguesia near e unilateral. do corpo de uma forma atividade física como valor social. política editorial na área. 23). ou mesmo de inculcar neste os valores e pressupos- da área de estudos. Ora. po- D e f e n d e a idéia d e que as mudanças nos conteúdos escolares poderão lítica e social. uma análise que física um instrumento para a preparação ou construção de um corpo empreenda esforços concernentes aos fatores internos. organização e evolução das associações d e profissionais e preparação. baseados educação física escolar. Neste sentido. 22]. desconsideram a trajetória histórica da incorporação da movimento. imputar à educação física um papel primordial de contribuir com tal profissionais. o que redunda na pro- dir esse volume de conhecimentos formando inclusive novos quadros dução de um discurso ideológico em substituição a outro. com tal especialização. p. surgimento de c e n t r o s acadêmicos d e prestígio na formação de d e eles trabalharem apenas no plano horizontal. Santos (1990. afirmando que esse autor: em teorias mais abrangentes. argumentando ridas em uma disciplina são considerados altamente relevantes os chama- que. tais como: emergência de grupos de liderança inte- dessa perspectiva histórica.136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA137. o que pode ter sido fator relevante para pleitear a inclu- Santos (1990). Não há. que interesse teria em fazer da educação externos. parece que os autores. p. orientados por teorias de UNIVERSIDADE f E D E R A L DO PAR* BIBLIOTECA CENTRAL . e mesmo nas escolas frequentadas pelos trabalhado- o que se observa nas análises do Coletivo de Autores é uma visão li- res é preciso verificar se havia aulas de educação física. por trabalhador? exemplo. adequar a saúde dos a tais fatores é dependente do grau de desenvolvimento da referi- do trabalhador. dentre outros [SANTOS. assim como do "contexto educacional e do regi- tos da burguesia. Também não há considerações sobre o democratização das condições de saúde) do liberalismo por outra (de surgimento de líderes intelectuais que passaram a sistematizar e difun- resposta aos interesses da classe dominante). enfim. geralmente. profissionais. na forma de componente curricular. ao discutiras perspectivas de análise da história das disciplinas curriculares. permeada geral. não se observando. 1990. Trabalhos esses. que parece ser importante e oportuna para uma me- história das disciplinas escolares representam uma reação a trabalhos no lhor compreensão das reflexões produzidas nos anos de 1980 sobre a campo da sociologia do currículo. em nenhum momento. a p r o d u ç ã o na área da história ser melhor analisadas a partir de uma abordagem histórica. construída historicamente. r e c o r r e n d o às elaborações de Ivor Goodson. Reagindo a esse modelo. em que os fenômenos educacionais são quase q u e exclusivamente interpretados em função da estrutura econômica. que atribui importância exclusivamente aos fatores é que tinha acesso à escola. de lume de conhecimentos mais substantivo acerca da atividade física. é um tanto quanto paradoxal pensar a educação física sendo incorporada pela escola no final do século XIX e A autora alerta para o fato de que o valor e a relevância imputa- início do XX como um instrumento para melhorar. do certo modo. das disciplinas escolares mostra que para a explicação das mudanças ocor- ele faz também uma crítica à sociologia do conhecimento. 21). ao elaborarem análises que. uma vez que o acesso à escola era praticamente res- me político e tradição cultural que o circunscrevem"(idem. trito às elites. os estudos nesse campo apresentam falhas por falta dos fatores internos. das práticas corporais. nenhuma consideração sobre o desenvolvimento de um vo- Assim. acabam por substituir uma doutrina (de importância desse fenômeno. N o caso brasileiro. freqüentemente. que tivesse feito com que a sociedade passasse a reconhecer a de conflitos e contradições.

aponta que a produção a esse d e q u e t i p o s d e relações. bem como o seu desenvolvimento ao longo da história.s e a c a p - denúncia de influências externas. 136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA e s t r u t u r a ou d e o r d e m social. consensual. percorrendo os estudos sobre a história do cur- i n t e r i o r d e u m a disciplina. n e g a n d o . 1995a. das aos conflitos. 62).a s à p e r s p e c t i v a sem sobre a trajetória da educação física no âmbito escolar. . inclusive para identificar falhas em t r a b a l h o s q u e analisam as (SAVIANI.. A o c o n c e b e r e m o c u r r í c u l o c o m o i n e v i t a v e l m e n t e d e - tas a uma compreensão da sua gênese .que talvez possibilitasse um t e r m i n a d o p o r i n t e r e s s e s d e r e p r o d u ç ã o e c o n ô m i c o . relaciona- o Í3z a história. as produções dos anos de 1980 vão pautar-se pela As obras analisadas apresentam uma forte unidade em relação à avaliação da sua identidade nos vários momentos de sua história. mais do que estudos que se debruças- t a n t e fértil. as análises produzidas nos anos de 1980 sobre a incorporação da educação física pela escola como componente curricular. é f u n d a m e n t a l analisar c o m o d i f e r e n t e s a b o r d a g e n s se articulam n o Saviani (1994). 1994. grifo do original). p. q u e s t õ e s c u r r i c u l a r e s " [SAVIANI. Concorrem para tal processo tanto os fatores internos como os externos. um corpo teórico.s o c i a l . que redundam em soluções negociadas" (SAVIANI.ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA137. que aponta a sobreposição de certas tar "o m o d o p e l o qual as alternativas d e m o c r á t i c a s p o d e m a p r o v e i t a r um instituições em relação à educação física. numa visão d e entendimento mais preciso das razões de sua existência e permanên- " c o n s p i r a ç ã o " [. desenvolvimen- r e s u l t a m . contribua pouco no que diz respeito à sistematização de um conhecimento. ou da noção de que basta ao Essa idéia de c o n s t r u ç ã o social marcada p o r d e c i s õ e s n e g o c i a d a s é bas- ensino montar-se para denunciar os mecanismos de exploração" 1994. Assim. Assim. com vis- d o c o n t r o l e social. a autora afirma que: De um modo geral. nesse âmbito específico. De Santos (1990). r e d u z i n d o . O d e s e n v o l v i m e n t o d e uma disciplina d e v e ser c o m p r e e n d i d o c o m o O s momentos fundamentais de constituição da área. incorrem de certa forma numa visão mecanicista. na qual impera "a idéia da irremediável determinação do processo pedagógico por interesses dominantes. referem-se às in- questão. quais o s t i p o s d e r e l a ç õ e s q u e elas p r o d u z e m e rículo e a evolução das matérias escolares. 1990. do Império à r e s u l t a n t e das c o n t r a d i ç õ e s d e n t r o d o p r ó p r i o c a m p o d e e s t u d o s . que a definisse como componente curricular. c o n t r a d i ç õ e s e m u d a n ç a s q u e o c o r r e m na sociedade. p. foram sintetizados em influências das instituições militar. e não e m um p l a n o vertical e e v o l u t i v o c o m o r e f l e t e e m e d i a t i z a d i f e r e n t e s t e n d ê n c i a s d o c a m p o e d u c a c i o n a l . 2 1 ] .. de modo a conformá-la com a l e g a d o h i s t ó r i c o e as possibilidades d e n e g o c i a ç ã o e d e i n t e r p r e t a ç ã o das ideologia dominante. tais p o s i ç õ e s limitam-se a d e n u n c i a r "a f o r m a pela qual cia no currículo o p r e s e n t e se relaciona c o m t r a d i ç õ e s d e b a s e histórica". elas respeito tem revelado que o processo de instauração. também pondera a respeito dessa maneira geral. p. D e s t a f o r m a . caracterizando-a de forma que escolares necessitam ser examinadas numa perspectiva socioistórica. a análise da e m e r g ê n c i a e d e s e n v o l v i m e n t o d e uma disci- to e transformações/modificações (incluindo o surgimento e desapa- plina d e v e articular o e d u c a c i o n a l ao social e lidar c o m c o m p l e x a s r e l a ç õ e s recimento) das disciplinas escolares não ocorre de forma linear e e x i s t e n t e s e n t r e esses d o i s níveis [SANTOS. o qual República. d e n t r o d o c a m p o d e e s t u d o s e da s o c i e d a d e .]. p. c o n t i n g ê n c i a s ligadas às q u e s t õ e s curriculares. ao realizarem esse balanço histórico. mostrando que as modificações por que passam as matérias fluências de "fora" para dentro da área. C o m base nos argumentos de G o o d s o n (1991) e Englund (1991). 60. 2 7 ] . que fazem com que esse se dê "em meio a contradições e conflitos. em sua análise.

pelo deno- tos reducionismos.5 7 ] . Não que as considerações a esse respeito estives- senta nas afirmações dos diferentes autores. no que se refere às influências das instituições d e E d u c a ç ã o Física da Escola Militar d e Joinville-le-Pont foi a bíblia da militares. questio- e coordenada pela instituição militar. o que levou a área a se apropriar nando as bases próprias da educação física escolar. ainda. 1984. A d o t a d o nas Forças Armadas. verificar o modo como encaram essa relação e explicitar elementos que P. 1. dos códigos de tal instituição. não se trata disso. a sua obrigatoriedade foi estendida à esfera escolar (1931). a educação física escolar fica "apri- Uma preocupação que está fortemente marcada nas obras estu- sionada" à instituição militar. ao demonstrar os fatores marcantes que in- nesse sentido. mas também destroem tal unidade crítica de Oliveira em relação à influência da instituição militar sobre quando operam análises sobre seu presente e futuro. já que há apenas e tãosomente um movimento (paradoxalmente) estático e linear de reprodução da ideologia dominante. mas sim de mostrar que operar aná- fluenciaram a educação física brasileira. com o fito de Educação Física brasileira d u r a n t e mais d e duas décadas [OLIVEIRA. Originário. foi totalmente calcada 1990 procura constituir-se numa ruptura com esse passado. inclusive os civis." O Regulamento los autores aqui estudados. como acreditar que o processo histórico é total- minado "método francês": mente determinado pela macroestrutura. referindo-se aos métodos ginásticos. de um modo geral apresentam críticas à in- médica e desportiva parecem fundamentar-se numa visão mecanicista. Pode-se inferir que as reflexões acerca dessas ins- ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA137. educação física brasileira. auxiliem a compreensão dos processos pelos quais a literatura dos anos de 1980 conforma a trajetória da educação física no âmbito escolar. ou interior da instituição escolar. as análises da influência das instituições militar. Em relação à instituição sem totalmente equivocadas ou que não se devessem operar análises militar. comenta que tal instituição lises única e exclusivamente nessa perspectiva leva fatalmente a cer- conforma a educação física escolar. pela educação física. ao longo de décadas. tudadas apresentam uma unidade quanto ao que podemos chamar de Bracht (1989).1 A crítica à influência da instituição militar tituições apontam para a percepção de que seu próprio processo de constituição configurou a área de acordo com suas necessidades específicas. próprios da instituição militar. para conformá-la irredutivelmente no gógico da educação física na escola são totalmente influenciados. Oliveira (1984). segundo o autor. de forma que o método utilizado e os dadas é a necessidade de denunciar a absorção. As obras aqui es- acriticamente. próprios professores (instrutores) que desenvolvem o trabalho peda- dos signos dessas instituições. torna-se fundamental percorrer as análises elaboradas pe- t o não for criado o M é t o d o Nacional d e Educação Física. arrastando-a para dentro do seu campo. fluência da instituição militar sobre a educação física no âmbito esco- de determinação da educação física com objetivo de reproduzir o lar. "enquan- Assim. a educação física: UNIVERSIDADE FEDERAL DO PA** BIBLIOTECA CENTRAL . N o entendimento do autor. Os autores aqui estudados.136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FLSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA médica e desportiva. empreendendo análises sobre a trajetória histórica da Nesse sentido. que procuraram compreender a identidade da área. Explica ainda que a formação dos pro- A produção científica dos anos de 1980 e meados dos anos de fessores de educação física. d e Joinville-le-Pont. médicas e desportivas sobre a educação física. Isso levaria então a crer que não há espaço para as contradições e conflitos. Vale ressaltar que essa é uma característica marcante e que se apre- ideário hegemônico. reafirma a "acerto de contas com o passado". foi trazido por militares franceses q u e vieram servir na Missão Militar Francesa.

Ora. uma crítica que se pode racterização d o s papéis fica explícita a transferência mecânica d o s c ó d i g o s estabelecer é que sendo a academia militar .. normas e valores próprios da instituição militar [. num t r e i n a m e n t o n o interior da instituição métodos haviam. que outra possibilidade objetiva concreta O Coletivo de Autores (1992) também apresenta os elementos ratificadores da questão da influência marcante do militarismo na constituição da educação física no Brasil.] As f u n ç õ e s atribuídas ao instrutor eram as d e apresentar os exer- cos de inspiração militar sendo absorvidos pela escola. em maior ou menor grau ela é a N o Brasil. A socialização d o instrutor. à época. o b e diente.a institui- da formação física militar para a Educação Física [BRACHT. por ex.]. Tudo indica que não. também não está ainda presente [BRACHT. o sujeito que poderia desempenhar d o Estado N o v o [. tal tarefa. Ao aluno c o m p e t i a repetir e cia exclusiva do poder que essa instituição possuía e imprimia não só cumprir a tarefa atribuída pelo instrutor.. que traziam para essas instituições os rígidos mé- A pergunta é. os prováveis fatores que impediram sua absorção pela escola. especificamente nas q u a t r o primeiras décadas d o século XX. ç ã o da i d e n t i d a d e p e d a g ó g i c a da E d u c a ç ã o Física escolar. ou seja. não desenvolveu a este t e m p o um c o r p o d e Constrói-se. sobre a escola. instrução física militar. nesse sentido. calcada nas d o papel atribuído à escola e à Educação Física pelos interesses dominantes. os autores não apon- o p r o c e s s o p e l o qual o sujeito assumia o papel d e i n s t r u t o r d e ginástica tam por exemplo que outros processos sistematizados. e se existiam. ção precursora de uma educação física sistematizada e da preparação e formação de instrutores. f u n d a m e n t a l m e n t e . quais outros consistia. Mas não s o m e n t e os m é t o d o s ginásticos d e inspiração militar foram. mas sobre toda a sociedade. m a n t e r a o r d e m e a disciplina. Seu e n t e n d i m e n t o c o m o atividade emi- e da Instituição Militar.- haveria para que a educação física fosse conformada na instituição escolar? Bracht (1989) questiona as tentativas. levadas à tões que não são respondidas ao longo dos textos. no sentido de contribuir para a formação da identidade da educação física: As aulas de Educação Física nas escolas eram ministradas p o r instrutores físicos d o Exército. Ressalta-se que o auge da militarização da escola n e n t e m e n t e prática colabora também para impedir a reflexão teórica em seu c o r r e s p o n d e à execução d o p r o j e t o d e sociedade idealizado pela ditadura interior.136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA137. Parece-me no entanto claro q u e a nível da ca- relações mantidas dentro da instituição militar.] [idem. A figura d o professor. c o m o t a m b é m os próprios instrutores ou "aplicadores" d o s m é t o - por exemplo a crítica que operam quando apontam os métodos ginásti- d o s [. c o n h e c i m e n t o s q u e a diferenciasse f u n d a m e n t a l m e n t e da instrução física militar. p. A sua identidade e o seu desenvolvimento são total- foi marcante no sistema educacional a influência dos M é t o d o s Ginásticos m e n t e determinados a partir de fora. ou seja. . se neste quadro acabou sendo desenvolvido algo c o m o uma t o d o s militares da disciplina e da hierarquia. possíveis... p r o f u n d o respeitador da hierarquia social. em que eram fundamentados e quais os militar ou numa Escola d e Educação Física militar. Poderíamos analisar ainda. submisso. 29].. p. como decorrên- cícios. 1989. de estabelecimento de uma compreensão crítica da influência militarista. p.basicamente . A Educação Física não é ela mesma. em concordância com os demais autores.. Esse fato é a base da constru- ação teórico-prática que propiciasse a recepção crítica da influência militar. ou seja. 29]. a característica d o f e n ó t i p o típico Em relação à absorção dos instrutores militares pela instituição para o instrutor d e ginástica. conformando a relação professor/aluno de acordo com as e n t r e instrutor e aluno etc. 1989. um p r o j e t o d e h o m e m disciplinado. dirigir. a relação educacional. É de se questionar escola. As análises dos autores estudados acabam gerando algumas ques- p r i n c i p a l m e n t e nas q u a t r o primeiras d é c a d a s d e n o s s o século.. 53]. as habilidades técnicas necessárias.

mas parece-me que dessa comprovação não se pode retirar que não se tenha feito reflexões sobre ela. outra possibilidade. dos códigos militares. ao comentar a influência da instituição militar: do campo da educação física e conseqüentemente da educação física escolar. ser observada no Coletivo de Autores (1992. o estabeleci- em uma ampla reflexão sobre as atividades físicas naquele dado con- mento mecânico da sobreposição das instituições militares à educação texto. Azevedo está preocupado em garantir uma formação ao pro- um elemento constituidor (talvez o mais importante e fundamental) fessor de educação física que atuava na escola mais adequada e funda- . de certa forma. f a t o e s t e q u e c o n t r i b u i u para não diferenciá-la militares. que deve ser além de psicólogo avisado. n o s e n t i d o d e d e s e n v o l v e r um Deve-se observar também a crítica apontada sobre o fato de se c o r p o d e c o n h e c i m e n t o c i e n t í f i c o q u e p u d e s s e imprimir uma i d e n t i d a d e encarar a educação física como atividade predominantemente prática. t a m b é m não h o u v e uma ação teóri- ma. especialmente a escolar. p. o <jue tem sido co que deveria ser. esse au- que não restou à educação física outro caminho. ou seja.p r á t i c a d e crítica ao q u a d r o a p o n t a d o . Há. tor preocupa-se. de um certo modo. década de 1910 e posteriormente na década de 1920. é imperativo observar que já na ção militar. um Essa visão mecanicista acaba por levar os autores aqui estuda- 'engenheiro biologista'" (AZEVEDO. Parece que isso decorre do não reconhecimento que a educação física militar tenha sido a gênese da educação física brasileira. porque militar não é educação física. por exemplo. — . c o . Nesse sentido. a E d u c a ç ã o Física escolar era e n t e n d i d a c o m o ativida- cação física militar. para os au- riosa de uma formação mais consistente e lançada em bases científicas tores. engendrada de forma predeterminada e tão competentemente desse profissional. ainda. no que da instituição militar. observa-se que a crítica operada nesse sentido diz respeito a uma produção teórica que procura compreendê-la e não contempla uma discussão a respeito das possíveis contribuições justificá-la no âmbito escolar. ção da educação física.ou ainda de apontarem que a educação física não é ela mes- d a i n s t r u ç ã o física militar. 53). 1960.ou de considerarem que a educação física se confunde com a própria edu- N e s t e p e r í o d o .ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A t ü U L A Ç A U i-ian-ft u n u ^ u ^ ^ - 9 6 ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA 7 . Ora. Fernando Azevedo lança em 1916 a obra dessa instituição. O que O s autores reclamam da dificuldade para operar-se uma crítica parece ocorrer é que. a educação física de que tratam não é a dos d e e x c l u s i v a m e n t e prática. pois entende-se que a des de instrução física militar. p. peculiares.. C e r t a m e n t e . ou seja. do terreno da institui- N o concernente a essa questão. não há nenhuma considera- que contribuísse para a constituição de um "corpo de conhecimento ção sobre o movimento histórico da época concernente ao conjunto dos científico" da educação física escolar que a diferenciasse das ativida- fatores internos. muito mais por caracterizarem-se como atividades práticas. A mesma consideração pode. em garantir aos professores de educa- que não obedecer à trajetória para ela traçada pelo militarismo reinante ção física "uma sólida instrução teórica e prática" a partir da orienta- à época. em relação à afirmação da identidade da educação Da educação física como componente curricular.. Ainda que sob forte influência biológica. e inclusive dedica boa parte dessa para discutir "o papel do pro- física: o cjue eia c. que se constitui física. de forma a conformá-la irredutivelmente no espaço escolar. A constatação disso é importante. A fessor de educação física". ção de "um educador. ao que tudo dos a entender que a educação física militar não se apresentava como indica. p e d a g ó g i c a à E d u c a ç ã o Física n o c u r r í c u l o escolar. é o militarismo. mostra a necessidade impe- absorção dos signos. então. parece ter sido. a educação físi- Ao analisar as elaborações anteriores no que tange à influência ca recebe grande atenção. principalmente dos escolanovistas. 90). específicos da área. atribuindo a essa dificuldade de separa- única característica que marca a educação física.

opera uma reflexão que auxilia a compreensão sobre a incorporação. se O magistério dessa disciplina recrutava-se. citado por Santos (1990. Goodson. A questão que se coloca é a necessidade de verificar como ela foi recebida à época pela área. destinada a preparar professores de educação escolar é. no Distrito Federal e em Pernambuco (1928). p .. nos anos de 1920. 82]. Reforma Anísio Teixeira (1928). e n t r e nós. 23). p. p. mostra- Afirmar que não ocorreu nenhuma ação teórico-prática no que se ram interesse na "formação do professor de Educação Física" e que "a refere ao desenvolvimento de um volume de conhecimento científico reforma do Distrito Federal previa a criação de uma 'escola profissio- que garantiria uma identidade pedagógica à educação física no âmbito nal de educação física'. no mínimo... rigorosamente i n t e g r a d o n o p l a n o geral d a e d u c a ç ã o [. contribuindo.s e à c a t e g o r i a d e p r o f e s s o r d e ginástica. no Ceará. p. o desenvolvimento e a conformação da educação física como componente curricular. sim. em São Paulo. ao discutir "A educação física na escola brasileira". s e n ã o n o m i n a l m e n t e . e sem q u a l q u e r e s q u e m a d e o r g a n i z a ç ã o [Aze- Esse autor mostra que. nós. discutindo o desenvolvimento da educação física no âmbito escolar atrelado às determinações da estrutura econômica. elaborada por Fernando Azevedo no Distrito Federal. na Bahia e Reforma Fernando de Azevedo (1928). tendo em vista que "ao considerar os conteúdos escolares como não mais que construtos socioistóricos de uma época específica [. 84). a crítica sociológica ainda é limitada. . a educação física. p. pelas instituições militar e escolar. 1991. política e social. afirma que mes- alguns escolanovistas entendiam que-. Não se pode deixar de considerar que a área. de acordo com as exigências e necessidades que tal atividade demandava. para o alavancamento de análises que venham a superar a linearidade e unilateralidade das elaborações que. 1991. ainda que de forma eminentemente prática.] é severamente injusta com todos aqueles grupos envolvidos no seu desenvolvimento e promoção ao longo do tempo". principalmente quando da reforma do ensino. havia sido o r g a n i z a d o e l a n ç a d o em b a s e s científicas um plano sistemático d e e d u c a ç ã o física. onde explicitava que: Em n e n h u m a legislação escolar. injustiça com certos autores daquele momento física para os estabelecimentos de ensino" (idem. e r i g i n d o . Esse autor revela. no Distrito Federal" 1991. Betti (1991). Mostra. uma vez que histórico. 64). e que desdobramentos se deram em função dela. a n t e s da r e f o r m a d e 1927.Reforma Francisco Campos (1927-28). se fez presente em várias das reformas educacionais implementadas sob a batuta dos escolanovistas... assim. o autor traz à tona elementos que permitem visualizar tal desenvolvimento permeado de conflitos e contradições.. então. tudo indica que houve.Reforma Carneiro Leão (1922-26). à época de tais elaborações. que os escolanovistas. tais como "a Reforma Sampaio Dória (1920). dentro do contexto amplo da formação docente para o ensino secundário.136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA137.]. que a Escola Nova também se debruçara sobre análises teóricas da educação física.. o u a q u e l e q u e " n ã o dava para o u t r a coisa" o u o artista a p o s e n t a d o nos palcos d e feira o u n o s t e a t r o s d e província [ A z e v e d o a p u d BETTI. ao contrário do que aponta a maioria dos autores aqui estudados. de um modo geral. na F e d e r a ç ã o ou em q u a l q u e r d o s Est a d o s . ain- v e d o a p u d BETTI. da denominada ginástica.Reforma Lourenço Filho (1922-23). ainda. em Minas Gerais. (BETTI. n o r e b u t a l h o d o p r o f e s s o r a d o . mo estando correta numa determinada perspectiva. estava constituindo-se. mentada cientificamente. 8 4 ] . Assim. uma produção teórica sobre educação física na escola. Ainda que pautando suas análises numa perspectiva abrangente. A e d u c a ç ã o física n ã o existia q u a s e e n t r e fizeram presentes nos anos de 1980.

ao ser incorporada pela escola. que para ele eram os reais inimigos dessa inclusão. outra causa. levaram à consecução de soluções negociadas que acabaram conformando essa área no currículo. outro autor que fornece importantes elementos para a compreensão do desenvolvimento da educação física como componente curricular.. quando este comenta o parecer de Rui Barbosa sobre a inclusão da ginástica nas escolas. em um determinado momento histórico. "a repugnância" com o q u e foi recebida pela opinião pública. não se pode negar também que a educação física. o c o n s e l h e i r o J o s i n o d o rio. à d e Cinástica. ou seja." [CASTELLANI FILHO. é preciso refletir sobre a entrada da educação física na escola e questionar se ela poderia ter ocorrido de outra forma. mesmo com o risco de perderem o ano e a carreira [. por acinte... do que aquele de entrada da educação física na escola. como poderia se esperar a produção de grandes quantidades de reflexões a respeito? ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç A O FÍSICA D A E51ULA i u i Tal contrariedade. levando ao ressurgimento da valorização do corpo. A repulsa votada à Reforma de Rui. deixaram de ir. assinala em seu relató- Assim. o currículo.1100 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FlSICA D A ESCOLA dentro da escola.. 4 6 . uma vez que essa entendia ser a atividade física perniciosa à educação de cunho exclusivamente intelectual que então era extremamente valorizada. por exemplo. tem sua gênese aí. A repercussão de tal incorporação.. Castellani Filho (1988). a escola. no edifício da Escola. a aula d e Cinástica. mais do que influenciada.] N ã o se acalmaram os espíritos . N a s c i m e n t o Silva.com as instruções provisórias. pode ser observada tanto em Betti (1991). como novamente em Castellani Filho (1988) ao elaborar crítica à produção de Carlos Sanches de Queirós. em que o ensino é marcadamente pautado pela tradição jesuítica e bacharelesca. em uma sociedade conservadora desenvolvida sob a égide católica.ao desenvolvim e n t o das faculdades mentais q u e eles supunham altamente prejudicadas . parece-me relevante refletir. p o r já terem o s pais se a c o s t u m a d o à idéia da Cinástica para os ho- Outra questão que deve ser colocada é a necessidade de uma reflexão acerca dos nexos históricos da educação física referente ao período que estão tratando. da província d o Rio d e Janeiro. E q u e o sent i d o espiritual da Educação Física não conseguira ainda i m p r e s s i o n a r os H o m e n s positivistas d e então. mas . "[.dizia o conselheiro . basicamente. aliás com boa freqüência nas outras aulas. é possível que essa área. acerca dos possíveis impactos que devam ter ocorrido quando da incorporação pela escola de atividades que se voltam para o desenvolvimento físico do indivíduo. s e g u n d o nos conta Inezi! [MARINHO. os exercícios ginásticos tais os quais se ensinavam e eram prescritos.] q u e algumas alunas. pois. m e n s em razão d o s exemplos oriundos das instituições militares. Assim. tendo o cuidado de não se cometer o equívoco de procurar entender a educação física.. É bem provável que o fato de a educação física adentrar a escola não tenha tido a aprovação de certos setores da sociedade.. tomando por base outro contexto (geralmente o atual). em virtude das mediações ocorridas no seu campo.. ter c h e g a d o a tal p o n t o a oposição à Cinástica.foi preciso suspender a execução e ainda assim houve pais que proibiram às suas filhas. quando comenta que ainda nas décadas de 1930 e 1940 a educação física era pauta de discussões entre católicos e renovadores. tenha gerado conflitos que. não ao d e s e n v o l v i m e n t o da filosofia cristã. mostrando que as resistências a tal inclusão não partiu da Igreja católica.. histérica q u a n d o a intenção d e sua prática se estendia a o sexo feminino. p p . se era diminuta em relação aos alunos d o sexo masculino. tem.4 7 ] . todavia. revela que a introdução da ginástica nas escolas gerou um certo furor entre a elite dominante. 1 9 8 8 . a educação física é própria da instituição militar. se fazia Afirmar que a educação física na escola recebe forte influência da instituição militar é fato que não se pode negar. 1945]. principalmente a que se referia ao curso d e alunas: "[. Assim. Em 1874. Entretanto. dentro da Igreja.]" Diz ainda Josino. mas sim dos positivistas. ficando.reparai bem . q u e neta viam forças contrárias e hostis.

e r e s t r i n g i n d o . Para o au- exemplo quando opera a crítica aos escolanovistas no que se refere à tor.v i m e n t o d i s p o n í v e l da E d u c a ç ã o Física nacional. perniciosas a essa área. d e s - O m o d e l o p e d a g ó g i c o q u e v i n h a s e n d o a b s o r v i d o pela E d u c a ç ã o Físi- c o n s i d e r a d o em f u n ç ã o d e ser d e s t i n a d o aos s e g m e n t o s e s c r a v o s . cola N o v a . Betti (1991) explicita que. mesmo conc o r d a n d o em alguns pontos. c o m b a i x o nível d e r e f l e x ã o t e ó r i c a . n ã o se c o a d u n a v a c o m as idéias da E s c o - p o r t a n t o . v o l t a d a q u a s e q u e e x c l u s i v a m e n t e para litares e desenvolvida exclusivamente por instrutores dessas institui- o físico. rijo. pois para os positivistas era imperioso "for- clusivamente de influências externas. d e o r i g e n s militares.] p r e t e n d e n d o i m p r i m i r a o G i n á s i o nacional uma f e i ç ã o mais c o n d i - tar acabou prevalecendo. [ Q u e i r ó s ma consensual. mais p r e c i s a m e n t e n o m e n o s p r e z o p o r ela. os diferentes setores interessados no c o da E d u c a ç ã o Física. a resistência à incorporação das atividades físicas no currículo dava- sua contribuição para o desenvolvimento da educação física.l h e m u i t o mais uma a b o r d a g e m b i o l ó g i c a d o q u e psicológica. o que levava a se travarem cer- a t r i b u í a . 53). não em função ex- equivoca-se em sua análise. elite. desenvolvimento da educação física no âmbito escolar tinham enten- O p r ó p r i o F e r n a n d o d e A z e v e d o .] só ciência.. entretanto. p o r isso. E e n t u p i u o c u r s o s e c u n d á r i o tro do âmbito escolar. em que a consideração dos limites tanto macro como mi- t o d a v i a a d m i t i a . não t r e p i d a r a m e m c o l o c a r a E d u c a ç ã o Física n o o s t r a c i s - clui que. afirmando que: elite colonial. O s apontamentos do autor poderiam levar z e n t e c o m o e s p í r i t o positivista.f i s i o l ó g i c o . P o r t a n t o . ainda b a s t a n t e primitivo. que d e s e n v o l . nada d e c o r p o [. v i s t o . que Carlos Sanches de Queirós senvolvimento da educação física no âmbito escolar.. t e v e d e a c e i t a r o nível d e possíveis avanços que o contexto da época permitia. apesar dessas contestações. mas sim dentro de um contexto em a p u d CASTELLANI FILHO. d e c a r á t e r mais c i e n t í f i c o .. mais r e f l e t i d o e c o m m a i o r visão d e t o t a l i d a d e d o h o m e m . .o desenvolvimento da educação física den- N a d a d e artes. d i s c i p l i n a d o r a . a hegemonia da tendência mili- m o [.s e a v e r o h o m e m s o b o p o n t o d e vista a n á t o m o . p . As análises de Betti abrem a possibilidade de entender-se o de- O autor entende. c o m o ' c o i s a ' m e n o r . 5 2 ] . ao t e o r i z a r s o b r e a E d u c a ç ã o Física. 53]. Mostra. exclui d e seu c u r r í c u l o a G i n á s t i c a [. que aponta elementos que auxi- trução de um país também forte. U m a E d u c a ç ã o a orientação da educação física calcada. em busca do progresso" (CASTELLANI liam a compreensão de sua gênese e de sua conformação num movi- Assim.4 1 0 2 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA 1 0 3 c o m a e x e c u ç ã o das m e d i d a s p r o p o s t a s . dimentos nem sempre convergentes. e p o r o u t r o l a d o o nível d e d e s e n v o l v i m e n t o t e ó r i - Ao longo de sua análise. não relacionada a ela. observan- se por parte da d o de forma interessante os limites que se colocavam para tal contri- FILHO. ao i n c o r p o r a r p i o n e i r a m e n t e n o c r o e s t r u t u r a i s se fez presente. principalmente na perspectiva dos país a E d u c a ç ã o Física à sua t e o r i a e d u c a c i o n a l . buição... mas sim jar o homem disciplinado. que as mediações se deram em meio a conflitos e contradições. era em certo p o n t o contestada por alguns educadores. a escola nova. linear e unilateral. as quais associavam à idéia d e t r a b a l h o manual. 1 9 8 8 . O u seja. não redundou numa for- c o m c á l c u l o integral. assim. . elo indispensável à corrente de cons- com base em sua trajetória histórica. Mas con- c a ç ã o nacional. q u e tas disputas. p e q u e n a . nos métodos mi- Física militarizada. p.) ao entendimento de que. u t i l i z a n d o m e i o s ( M é t o d o . m e c â n i c a racional e sociologia c o m t i s t a . afeita la N o v a . ca. havia uma d e f a s a g e m e n t r e o nível d e a b o r d a g e m da Es- aos t r a b a l h o s i n t e l e c t u a i s [idem. c o m o por como importante instrumento para atingir-se tal propósito. o s r e s p o n s á v e i s pela E d u - ções. elite.. a l i m e n t a d o às a t i v i d a d e s físicas. nesse mesmo período. a educação física no currículo escolar é vista m e n t o dinâmico p e r m e a d o de c o n t r a d i ç õ e s e conflitos. c o n t u d o . 1 9 8 8 . basicamente. p .

no decorrer de sua critica. pp. 86]. por Todavia..136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA 137 . os bispos r e p r o v a m "a fantasia exaltada marcante. mesmo de publicar tal elaboração. ao discutir a educação física durante o Governo Vargas na escolanovistas. o próprio autor. a discussão s o b r e a E d u c a ç ã o Física não se c a r a c t e r i z o u p e l o sexo. e a t é m e s m o m a n i f e s t a ç õ e s d e a p o i o r a m e n t o . que parece ocorrer Igreja e a educação física". julgavam "ter resolvido o p r o b l e m a " da Educaç ã o Física feminina. se encarregou ções geraram soluções negociadas. 1 9 9 1 . bem como não pode "tolerar o crasso materialismo que só aceita a educação física do corpo" (BETTI. e por da Igreja em relação à educação física. ao avançar na discussão da referida obra. A E d u c a ç ã o Física foi. 1991. o g r u p o e d u c a c i o n a l e s c o l a n o v i s t a e os UNIVERSIDADE FEDERAL DO BIBLIOTECA CENTRAL . que mostram uma posição da Igreja diametralmente oposta à dos Assim. o autor prefere entender que as diferenças entre os meio da Divisão da Educação Física (DEF). Francês) q u e d i f i c i l m e n t e atingiriam os o b j e t i v o s educacionais globais p r o - Creio ser relevante observar. revela elementos do estabelecimento de um acordo consensual. sim. n ã o t e n d o sido u m p o n t o i m p o r t a n t e d e d e b a t e . 87-88]. acaba por relação à educação física eram tão próximas a ponto de gerar consen- impedir o avanço dessa compreensão. por que então a Igreja se debruçou sobre a área para elaborar uma não caminham para um entendimento de que os conflitos e contradi- posição a respeito. no debate ideológico que se deu sobre a política educacional d e c e r t a s a u t o r i d a d e s " que. divulga a publicação "A grupos foram superadas com base num consenso. área tenha estado presente. no debate ideológico travado entre conservadores e progressistas. não deve se pautar num intelectualismo exagerado". pois se as posições desses grupos em Entretanto. que essa na escola secundária [BETTI.] O e p i s c o p a d o paulista e n t e n d i a ainda q u e a E d u c a ç ã o Física t e r a t u r a registra p o u c a s p o s i ç õ e s f o r t e m e n t e contrárias d o g r u p o c a t ó l i c o deveria "assegurar sólida saúde. pois queriam as moças d o s colégios e ginásios "sadias d e c o r p o e santas m e s m o radicalismo. através da DEF.. A li- d e alma" [. c o n s t i t u i ç ã o r o b u s t a e equilibrado t e m p e - à i m p l a n t a ç ã o da E d u c a ç ã o Física. 87). p o r t a n t o . um p o n t o d e c o n v e r g ê n c i a e n t r e o g r u p o e d u c a c i o n a l c o n s e r v a d o r . década de 1930 e principalmente no período denominado Estado Novo. p.l a s a n t e s para as lutas d o s e s t á d i o s d o q u e para os s a g r a d o s católicos) e progressistas (em que se alinhavam os escolanovistas): d e v e r e s d e m a t e r n i d a d e " . p . que trazia em seu bojo a posição favorável em função da necessidade de garantir a educação física na escola. já que está a serviço dos in- resse a essa área dentro da escola. e por que o MES. p . se a educação física não era ponto impor- que divergentes. e as concepções. 1991. n o m e s m o d o c u m e n t o . ressaltando que a "filosofia cristã teresses dominantes. de forma Porém. na medida em que suas análises so. o autor coloca que a educação física não se fez presente. tomando-se por base a preocupa- p o s t o s pelos escolanovistas é q u e foi efetivamente implantada. Betti revela que o Ministério da Educação e Saúde (MES). n o t a d a m e n t e ção da Igreja em relação à educação física apontada pelo autor. 1 9 9 1 . para facilitar as a t i v i d a d e s h u m a n a s s u p e r i o r e s " [BETTI. [BETTI. e p e d e m "uma e d u c a ç ã o física a p r o p r i a d a " para aquele C o n t u d o . mas sim que os interesses. 8 7 ] . bem como o seu apoio e inte- essa área não demandar muita discussão. ao obrigar as moças "a se exibirem seminuas" e entre os setores conservadores (nos quais havia a forte presença dos a o " a d e s t r á . levaram os tante e muito menos passível de discussão? E interessante que o pró- vários grupos interessados a convergir para um mesmo ponto por meio prio Betti. ainda que diferentes.

De um modo geral. q u a n d o da apreciação d o ant e p r o j e t o a p r e s e n t a d o pelo Ministro da Guerra em 1929 (Associação Bra- 1. contradições t o s psicossociais. "Saúde Física" e "Saúde C o r p o r a l " [CASTELLANI FILHO. limitando- tras fontes. ao co- tos fundamentais para compreendermos a trajetória histórica da área. foi antes uma atividade considerada objetivamente útil pelo Estado. mostrando desse. na constituição de sua identidade centrada na ginástica. 88-89]. em especial. como a de Fernando de Azevedo. a preparação militar e o nacionalismo foram os núcleos d e convergência dos grupos interessados na implantação da Educação Física [BETTI.s e dessa associação. Tais análises parecem ter redundado no apontamento da "falta de identidade da educação física como componente curricular" e não [. A crítica à influência da instituição médica é outra característica que se apresenta constantemente nas análises sobre a evolução da educação física como matéria escolar. a a d o ç ã o d e um m é t o d o ú n i c o e as feições militarescas d o m é t o d o escolhido.mesmo quando trazem à tona elemen- Castellani Filho (1983) opera crítica à instituição médica. d e r i v a n d o . os autores aqui estudados acabam por não passarem desapercebidas. aliada à influência militar. a própria Escola N o v a p o u c o abor- captar esse movimento. . dessa forma. N a verdade. em muito contribuiu para associar sua imagem à área médica. mentar a influência des*a ímpactando sobre a educação física. se a criticar a centralização administrativa. 1991. Essa Esse tipo de análise encontra-se presente em outros autores. 1983. para buscar novos elementos que possibilitassem o entendimento da complexidade das relações sociais entre os fatores internos e externos que estiveram presentes ao longo do desenvolvimento dessa área no currículo. não podendo. os impactos decorrentes palmente no âmbito escolar. com regras e práticas rígidas e disciplinadoras. c o n o t a ç õ e s dela com a saúde p r o p r i a m e n t e dita. a higiene/saúde. 1 3 6 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA interesses d o Estado e d o sistema militar. ao longo da história.] a c o n s t a t a ç ã o d o fato d e que a maioria d o s Trabalhos publicados sobre Educação Física nos t e m p o s d o Brasil Império tenha sido escrito p o r médicos em defesas d e teses apresentadas à Faculdade d e Medicina d o Rio d e Janeiro. 96]. É possível que a falta d e uma re- foi a sua gênese como componente curricular e que provavelmente se flexão séria e p r o f u n d a sobre a Educação Física. 1952). p. Os autores não se aprofundam em estudos histórico-sociais sobre a educação física escolar da época..2 A crítica à influência da instituição médica sileira d e Educação. quando tratam do desenvolvimento da educação física no currículo. princi- o processo de sua incorporação pela escola. de cunho eminentemente prático. N ã o foi a Educação Física objeto de profundo interesse teórico..ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA 1 3 7 . educação física. Daí o e n t e n d i m e n t o da Educação Física c o m o a " E d u c a ç ã o d o Físico". sendo sempre tratada em separado nos currículos escolares. As análises dos autores . desde o período do Império. a sua conformação no currículo . A eugenia. de seus aspec- construiu a partir de negociações permeadas de conflitos. tivesse feito as nuances ideológicas da Educação Física e choques culturais. avaliar as distin- d o u o caráter ideológico da educação e t a m b é m não c h e g o u a questionar ções entre as produções elaboradas pelas instituições militares e ou- profundamente a Educação Física que foi implantada pelo Estado. os autores estudados apontam que a abordagem higiênica e eugênica. conforma a incorporação e o desenvolvimento da educação física como componente curricular.continuam presas a uma visão que a relação entre educação física e medicina sempre esteve muito mecanicista de sobreposição das determinações macroestruturais à próxima. que visava ao aprimoramento físico com objetivo de promover a saúde. Assim. pp.

tais análises avançam no sentido de revelar que a O u t r a f o r t e razão era o seu caráter científico d a d o a partir d o r e f e r e n cial o r i u n d o das ciências biológicas. com o intuito de colocá-la a serviço da ideologia dominante. "em função dos favores prestados à saúde. De modo geral. essa área voltava-se para consolidar o projeto de higienização e Essas análises parecem concorrer para o entendimento de que a eugenia engendrado pelo Estado brasileiro. Ficam apenas na denúncia de que a referida influência se deu em face do engendramento ope- N o d e s e n v o l v i m e n t o d o c o n t e ú d o da Educação Física escolar. o médico. as obras estabelecem crítica à subordinação dos conhecimentos específicos da educação física aos conhecimentos da medicina e da biologia.]. ainda. Essa característica emprestava um valor que não estava presente na própria área. o autor expõe a função a ela atribuída. 5 2 . a partir de uma abordagem histórica. influência da área médica sobre a educação física ocorreu em função da necessidade de conformá-la. o carát e r c i e n t í f i c o c o n f e r i d o à E d u c a ç ã o Física constituía-se em fator d e t e r m i n a n t e para a sua c o n s i d e r a ç ã o e respeito no interior d o sistema educacional {. função da conformação que as determinações macroestruturais imputavam a ela.. Ao discutir a educação física no final do século XIX e no início do XX. rado sobre ela pela estrutura econômica. ao longo da história.5 3 ] . e mais e s p e c i f i c a m e n t e o m é d i c o higienista. fisiologia e outras disciplinas afins. Foi. como resposta às necessidades de assistência médica. de contribuição fundamental para a consolidação dos propósitos dominantes. O pri- torna importante se há a pretensão de verificar quais elementos foram meiro. "prática demais" e "pouco teórica". de preparação e orientação da saúde. que já datava desde o período do Império. mostrando que. 1 9 9 2 .no entanto. 65-66) compreende a entrada da educação física no sistema nacional de ensino. que o professor de educação física adquiriu status profissional". Entretanto. assim. a partir de conhecimentos sobre anatomia. pela influência médica e biológica. a década de 1970. não procuram discutir aqueles conhecimentos que se constituíram como conteúdos de referência ou de formação da própria área. p o r q u e e x e r c e uma "autoridade" perante um c o n h e c i m e n t o d e o r d e m biológica p o r ele d o m i n a d o . política e social. referencial esse q u e sustenta seu cont e ú d o d e ensino. pp.. Esse profissional passa a ser um personagem quase indispensável.. os M é t o d o s Ginásticos. sempre em Oliveira (1984. p p . Esse c o n h e c i m e n t o vai orientar a f u n ç ã o a sec d e s e m p e n h a d a pela E d u c a ç ã o Física na escola: desenvolver a aptidão física dos indivíd u o s [ C O L E T I V O DE AUTORES. N u m a s o c i e d a d e o n d e a ciência transformara-se em uma nova "religião". as atividades físicas foram incluídas nos currículos escolares. O autor opera suas reflexões de modo a evidenciar o valor da educação física na instituição escolar. Há o entendimento claro de que a educação física foi incorporada pela escola e teve seu desenvolvimento socioistórico exclusivamente pelo seu caráter utilitário. Castellani Filho (1983) procura explicitar as características que conformaram a educação física no âmbito escolar. constituindo-se como disciplina curricular. c o m p o s t o s d e séries d e exercícios elaborados a partir dos critérios rígidos próprios daquelas ciências. t e m um papel destacado. o Coletivo de Autores aponta: ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç A O FÍSICA D A E51ULA iu i relevantes para tal incorporação e quais as mediações que permearam tal movimento.1100 ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FlSICA D A ESCOLA Ao comentar as razões que levaram à inclusão da educação física no sistema educacional. E isso se vedo (principalmente) tiveram destacada atuação nesse intento. por suas proposições por intermédio de pareceres (no final do . Suas análises percorrem desde o início do século XIX até um período mais recente de nossa história. Mostra que tanto Rui Barbosa como Fernando de Aze- e desenvolvimento da educação física no currículo escolar. do final do século XIX até instituição médica foi um elemento fundamental para a incorporação meados do XX. pautada na legislação brasileira.

.136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A E S C O L A E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA137.. s a m e n t o refletiu-se em vários outros d o c u m e n t o s legais promulgados no t r a n s c o r r e r d o t e m p o . educação. 96]. serviços de saúde etc. no caso d o s homens. na sua compreensão. doentia.ou seja. higiênica e plástica. pela elaboração (nas primeiras décadas des- mães robustas. 5 8 ] . Assim. Uma questão que se coloca como relevante é perceber que tanO autor avança nessa discussão. Tal p e n - gências da maternidade. as futuras gerações. relacionando a preocupação em to as considerações de Rui Barbosa como as de Fernando Azevedo en- estender a educação física ao sexo feminino com o projeto de eugeni- contram seus fundamentos numa concepção liberal. a seu ver.a necessidade cial atenção à participação da mulher nas atividades físicas. p. a rege- trução Pública". Mostra que o referido escolanovista dedicava espe- s o r a d o e nas escoias primárias d e t o d o s os níveis (inciso 2) . ção Física t e m r e f o r ç a d o o p e n s a m e n t o d o m i n a n t e sobre o papel da mu- abrangendo com os trabalhos manuais os jogos infantis. teriam mais configuradas concretamente pela baixíssima qualidade de vida (moradia.o segundo.. alimentação. os quais p o r sua vez. comprometendo cada vez mais pressupostos do poder hegemônico da sociedade brasileira da época. cingir-se exclusivamente aos j o g o s e esportes m e n o s violen- c o n c e b e n d o a idéia d e " m u l h e r " quase que s o m e n t e associada à d e "mãe". não eram as condições estruturais (sociais. 1 9 8 3 . e. n i n o [CASTELLANI FILHO.) . a das que compunham as camadas subalternas. o autor estabelece crítica. se pecífico da sociedade brasileira. ções d e gerarem filhos f o r t e s e sadios. no caso es- se de uma importância significativa à medida que. ao se debruçar sobre a questão da Foi ainda no mencionado parecer que Rui Barbosa deixou transparecer - eugenia e educação física. t o s e d e t o d o compatíveis com a delicadeza d o organismo das mães [. revestir- autores a considerar que o problema da saúde da mulher. mulheres fortes e sadias teriam mais c o n d i - das mulheres . ção. te século) de princípios filosóficos norteadores da atuação político-pedagógica do profissional de educação física.] s e r v i n d o desta forma d e s u p o r t e para o c o n t r o l e d o c o m p o r t a m e n t o femi- [ A z e v e d o a p u d CASTELLANI FILHO. e os esportes. n o s casos de mulheres [idem. Castellani Filho (1988). aponta para a necessidade de ma do Ensino Primário e Várias Instituições Complementares da Ins- fortalecer a saúde da mulher. levando-nos a concluir q u e a Legislação da Educa- A EF da mulher d e v e ser. p . procurando ler nas entreli- neração do povo é dependente dessa. p . 38 Ao comentar o parecer de Rui Barbosa. visto que. visto que d e o f e r e c e r às mulheres atividades ginásticas que atinassem para a "harmo- essas atividades poderiam fortalecê-la e melhor prepará-la para as exi- nia d e suas formas feminis e as exigências da m a t e r n i d a d e futura". 1 9 8 8 . para eles. a ginástica educativa lher na s o c i e d a d e brasileira. integral. fundado nos gerar senão uma prole frágil. e d e se tornarem tro da escola. econômicas) que determinavam a falta de saúde de uma parcela O raciocínio era simples. quando ele. a educação física passava a. era de desarmonia e não de contradi- construiria um novo corpo para a mulher brasileira. "Refor- anos depois do parecer de Rui Barbosa. no Projeto 224. 9 6 ] . por meio dela. mas um desar- . políticas.. encontra em Azevedo um ardoroso defen- ao p r o p o r a extensão da ginástica a a m b o s os sexos na formação d o profes- sor de tal relação.. Essa crítica é estendida a Fernando de Azevedo. p o r t a n t o . o que levou tais zação do povo brasileiro. pois uma mulher fraca não pode nhas os verdadeiros propósitos de tal parecer. preparando-a fisicamente para a maternidade. século XIX) que objetivavam definir os rumos da educação física den- c o n d i ç õ e s d e d e f e n d e r e m a pátria.ou seja.

bem como haveria concerne à formação do professor que atua pedagogicamente com a um volume de conhecimento que possibilitasse a existência da educa- educação física nesse âmbito específico. cia tem.] se o a g e n t e d e e n s i n o vê na e d u c a ç ã o física uma s i m p l e s o r g a n i z a ç ã o d e m e i o s d e f ó r m u l a s e p r o c e s s o s q u e levam à m e l h o r i a d o r e n d i m e n t o fi- . à época. a en- outros fatores. parece perceber poral. determinado componente curricular que se voltava para o trabalho cor- cação física em si. não se pode tirar deles o mento da saúde. Dessa como observado no tópico anterior. como resultante de condições dignas de vida" 1990. quando da discussão da influência forma. estabelecido uma relação mecânica en- a educação física só passa a ser obrigatória mais de meio século (Lei tre educação física e saúde. coloca que tal tendên- ção física a fim de cumprir eficientemente seus intentos. a produção dos anos de 1980 Fernando de Azevedo. a incorporação de um (SOARES. educação física fosse imprescindível à classe dominante.. além dos interesses de dominação. Assim. afirma que não entende a edu- são mais ampla do significado que teve. 5692/71). 58). ao longo dos tempos. no que se re- Soares (1990). Assim. 1. expresso por exemplo por Rui Barbosa e cular.. em sua compreensão. Isso de certa forma mostra que a trajetória da educa- corrigissem esses desajustes. de forma efetiva. ela teria sido estendida a toda a popula- ços de biologização presentes na constituição da educação física. que seria solucionado com ações específicas que para as mulheres. ficando presa na constatação das macrode- correspondesse aos intentos concretos. como a educação física. e no ensino primário qua- rial concreta". basicamente no ensino secundário. ou seja. como geradora de saúde. Viu-se que a inclusão da ginástica no currículo da Francisco Sobral. A Igreja católica por sua vez não aceitou passivamente tal questão e procurou influenciar o tipo de atividade física a ser desenvolvido [. ção. Independente da ótica que Rui que é uma prática social que tem limitações em relação ao aprimora- Barbosa e Fernando de Azevedo apontavam. político e social. "o termo saúde só pode ser entendido como Não se observam análises que contribuam para uma compreen- saúde social. ou seja. motivaram certos in- tender a entrada da educação física na escola exclusivamente em fun- telectuais a lutar pela inclusão de um determinado componente curri- ção do discurso liberal. de 10/11/1937) após o parecer de Rui Barbosa saúde do físico. como naquilo que atuarem de forma competente no âmbito escolar. Entretanto.ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇAO FÍSICA DA E51ULA iu i 1100 ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FlSICA DA ESCOLA ranjo conjuntural. encaminha sua análise nessa perspectiva recorrendo às idéias de da instituição militar. nesse sentido. parece incorporar esse discurso como se não avança nessa direção. circuns- porais numa sociedade que tinha de certo modo aversão às mesmas. visto que tal objetivo é dependente de um conjunto mérito de levantarem a necessidade e importância das atividades cor- de relações que ultrapassam em muito os limites de tal prática. "saúde de um corpo abstrato de sua realidade mate- (1882). p. a autora explicita que. Condenando esse entendimento. E. com seus professores formados e capacitados para século XIX. N o entanto. visando ao aprimoramento físico. apontando q u e r ' educação das moças causou uma grande contrariedade na sociedade de então. E relevante refletir que se a terminações que levaram a educação física à escola. uma vez que por essa perpassa a idéia de Constitucional n. Para a autora. ao discutir os "Fundamentos da educação física fere à sua disseminação como forma de aprimoramento físico neces- escolar". À medida que a produção dos anos de 1980 passa. crevendo-se num amplo contexto econômico. tanto no que tange ao seu conteúdo. ou seja. essa tendência tem com que essa área se desenvolvesse organizadamente no interior de conformado a educação física como componente curricular desde o todas as escolas. identifica a influência da instituição médica a partir dos tra- sário à reprodução do capital. ção física no currículo escolar não fora assim tão consensual. a priori. se um século depois de tal parecer (lei n. se teria montado um aparato que fizesse descaracterizando o objeto da área.

a utilização da educação física exclusivamente como ins- . 83-48). sem sacrifício da o fito de formá-los para a missão que o Estado impunha à educação saúde e da própria harmonia das proporções (Rio de Janeiro física. revela elementos que educação física no Brasil na primeira metade d o século XX. a-histórico [. era possível desencadear um processo de aprimoramento a) favorecer o desenvolvimento físico d o aluno por meio de uma educação sistemática e progressiva. superar definitivamente Dessa forma. adequada. possibilitam verificar tal concepção conformando a educação física no Betti (1991) explica que um dos princípios inauguradores e currículo: norteadores da educação física no Brasil pautava-se na concepção de que. bem como do sistema militar. Betti traz ainda à tona as preocupações eugênicas que permea- ainda que os interesses desses grupos fossem diversos. dessa forma. como se por um lado interessava aos setores conservadores.136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA137. não ape- porar a educação física nas propostas educacionais dava-se na medida nas se acentua o conflito formal c o m o t a m b é m a educação física. a de depurar o povo. Assim. coloca que. vam a visão de alguns escolanovistas em relação à educação física..- profissionais valendo-se de conhecimentos médico-fisiológicos. 1991. pelo desenvolvimento de atividades corporais orientadas e sistematizadas. assim. dica exerce sobre a educação física no que tange à sua incorporação e Mostra que a preocupação com a higiene e saúde fez com que desenvolvimento no âmbito escolar à necessidade de conformar essa os educadores da Escola Nova entendessem a educação física. ao ar livre e aos gienistas que se encarregaram de fundamentar e instrumentalizar seus exercício físicos. com vistas a atingir a perfeição racial do povo brasileiro. isso. a o privi- em que objetivavam oferecer uma educação integral. segundo o autor. j u s t i f i c a d o apenas pelas p r o p r i e d a d e s típicas da matéria viva. sobretudo. p. 58]. 1990. acentua- se de uma concepção biológica. E. conduzindo o legiar o m o v i m e n t o orgânico. o q u e r e d u n - O autor aponta que a preocupação dos escolanovistas em incor- d a no idealismo fisiológico ou dele surge c o m o resultante. quando criticam dico-fisiológica. Tomando por base o decreto que implementou a re- as idéias de eugenia que se fizeram presentes nas elaborações sobre forma no ensino no Distrito Federal em 1928. o amor à água. siológico individual. que a via como um importante instrumento para o aos militares. valendo- área como um instrumento a serviço do ideário dominante. de imputar a influência que a instituição mé- entendida como um importante componente da Escola Nova. pp. com c) procurar o desenvolvimento neuro-muscular. e n t ã o o exercício físico surge buísse para a formação de um Brasil grande. Com b) despertar e desenvolver o sentido da saúde e criar. no aluno.] recusa a si mesma o e s t a t u t o desenvolvimento do ser humano em suas diferentes etapas de forma d e disciplina pedagógica [Sobral apud SOARES. qual seja. e principalmente Lourenço Filho. nesse período e por uma concep- a miscigenação reinante no país.- da raça. a educação física passa a ser área de interesse de médicos e hi- hábitos higiênicos e. se os resultados da sua ação não e x c e d e m os limites "aprimoramento racial" e construção de um novo homem que contri- d e um eventual a p e r f e i ç o a m e n t o biológico. de maneira que se atingisse uma certa unidade para as características do homem brasileiro e. a educação física e higiênica passa a ser Esse movimento. que era vista como maléfica aos in- ção biologizante a educação física ganha apoio tanto de educadores tentos desenvolvimentistas. global e. assim. de desenvolver um indivíduo apud BETTI. sendo que a educação necessitaria pautar-se num processo unitário. pautada basicamente numa visão mé- se nas análises operadas pelos autores aqui estudados.. sadio e belo. forte. conservadores como dos progressistas.

Castellani Filho (1988) revela que.. e a p r e o c u p a ç ã o com a saúde física. havia a necessidade de uma nova orientação para educação física. p. 76]. esses são elementos que denotam o caráter utilita- biométricas. ou seja. ligados apenas ao d e s e n v o l v i m e n t o físico. e da preparação daqueles é q u e d e p e n d e o maior êxito desta g r a n d e obra de recuperação da saúde e robustez. res. p. obstáculo ao p r o g r e s s o que se impun h a a o m o d e l o s o c i a l b r a s i l e i r o [CASTELLANI FILHO. o autor mostra que haveria. A responsabilidade pelo a p r i m o r a m e n t o da raça associou-se à Segurança Nacional. r e b e - educação física escolar.] no cotidiano da Educação Física nas escolas. [. q u e d e v e ser. e d u c a d o r p r e o c u p a d o com a adequação da Educação aos novos padrões de c o n d u t a . e não forem s u p e r i o r m e n t e o r i e n t a d o s por os e d u c a d o r e s aglutinados em t o r n o das idéias renovadoras da Escola Nova um educador. YWIVÊRSIC-ADE F E D E R A L DO •ISLFOTECA CENTRAL P A I M . q u a n d o não c o n t r a p r o d u c e n t e . no e n t a n t o .m e n t e nos g a b i n e t e s e nas fichas m é d i c o - Para o autor. não tiverem os professores sólida instrução teórica e prática. Não são observados em sua análise outros fato- média. a e d u c a ç ã o em higiene e saúde e a ênfase n o "fazer". as preocupações eugênicas m a n i f e s t a v a m . tes da c o m p l e t a missão q u e lhes c o m p e t e . para efeitos de tal conformação. de inculcação de valores e de formação de um q u e ficará baldada. que estivesse consonante com tal objetivo. 1991. 1988. 1 9 8 8 . um valor limita- clusivamente para a consecução dos propósitos dominantes. 9 7 ] . higiene e saúde [BETTI. 5 7 ] . m o t i v o aliás d i f e r e n t e daquele que a ligou à mesma mais . estéril. Da seleção destes. a área é determinada apenas pela macroestrutura.1 1 6 ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA ENTRE A E D U C A Ç A O FÍSICA N A t S L U L A t n t u m . Atribuíram-lhe. 77) aponta que as questões concernentes ao .. 86]. r e c e n t e m e n t e . um " e n g e n h e i r o c o n s t i t u í r a m o u t r a f o r ç a social interessada na implantação da E d u c a ç ã o biologista" t e o r i c a m e n t e d o c u m e n t a d o e d e uma c o m p e t ê n c i a técnica aci- Física.. e A c r e d i t a m o s estar aí um dos principais "papéis vividos" pela Educação Física. além d e psicólogo avisado. por outro.imperiosos d e serem i n c o r p o r a d o s pela família brasileira. Ao analisar a trajetória da educação física no período do Estado Novo. assim mostrando que la-se c o n t r a a Educação tradicional. o n d e se controlavam medidas antropométricas dos escolares. utilizando 4 0 . levou a solicitar ajuda aos "Engenheiros Biologistas" c o n f o r m e expressão d e Fernando de Azeved o " [CASTELLANI FILHO. reservaram um O autor coloca que as intenções de Azevedo estavam voltadas ex- largo e s p a ç o à Educação Física. a necessidade de uma intervenção na preparação e capacitação do "pessoal de ensino e na escolha de diretores de educação física". a par dos interesses da classe dirigente Betti (1991. p .s e c o n c r e t a . A o d e f e n d e r e m em sua p r o p o s t a pedagógica o d e s e n v o l v i m e n t o in- ma d e t o d a a crítica [. pois vê esse d o q u a n t o aos seus objetivos. c o m o c o n d i ç ã o desenvolvimento da eugenia se fizeram presentes concretamente na básica para o desenvolver d e um perfil d e sociedade. tegral da personalidade da criança. Esse entendimento do autor persiste ao longo de t o d o o texto.A v y n w ruiv-r> w frumento de dominação. p. Em rista que conformou/caracterizou a educação física nas primeiras dé- 1941. a aprendizagem d o e s f o r ç o e pelo esforço.definidos pelos higienistas. a D E F d e t e r m i n o u a cadas do século XX.. N e s s e sentido. 1 9 8 3 .] [Azevedo apud CASTELLANI FILHO. que não os externos. c o n t u d o . 0 0 0 fichas médico-biométricas. Citando novamente Fernando de Azevedo. a mediana e a m o d a d o peso e estatura dos alunos d e 11 a 18 anos. para a consecução do projeto higienista e o desenvolvimento da eugenia. p . ainda. se d e t o d o cien- corpo que servisse aos intentos do ideário estatal.

Comentando a Lei Constitucional n. inclusive escolares. a preparação da juventude por meio do adestramento físico. é nos anos de 1930 que se consolida de vez. t a m e n t e numa Carta Constitucional (1937). ora se reporta especificamente ao âmbito escolar. Foi ca da infância e da j u v e n t u d e . comentando-a em seguida: ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA 1 1 9 Observa-se. visto que S e n d o a escola um a p a r e l h o i d e o l ó g i c o d e Estado.]. O s " c e n t r o s cívicos escolares" foram s u b p r o d u t o s daquela "Juventude". Mas. A "ideologia d o m i n a n t e " a a servir c o m o i n s t r u m e n t o ideológico. mostra que no artigo 132 se explicitava claramente o caráter utilitário da educação física imposto a essa pelo Estado. que passa a receber uma atenção maior dos órgãos estatais. correspondentes a um nível microestrutural. segundo o autor. em que o papel da educação física sofre uma pequena mudança. principalmente a educação física escolar. o esporte etc. 1980]. de 1937. fixava as suas bases e para ministrá-las orgaum d o s meios d e divulgação d o "nacionalismo" que impregnava os nossos nizava uma instituição nacional denominada "Juventude Brasileira" [idem. que as considerações desse autor contemplam apenas elementos que possibilitam uma compreensão da determinação da educação física na escola.. Moral e Físileira". 97). a ginástica. minante. como. acerca da relevância que o ensino cívico e a educação física ganham no Plano Nacional de Educação.1 1 8 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA explicita a forma como essa foi redimensionada. p. em que discute as diferentes práticas corporais. com objetivo de servir competente e harmoniosamente aos intentos do Estado que então se colocavam. t u d o q u e p u d e s s e que se refere Marinete dos Santos Silva [SILVA. patriótico e principalmente possuidor de "mão-de-obra fisicamente adestrada e capacitada". elementos que permitam entender essa determinação. pela estrutura econômica. p o r ocasião da implantação d o E s t a d o N o v o . Ao traçar o percurso histórico da educação física brasileira. Ao discutir a educação física no início do século XX. p. conformação e desenvolvimento de forma mais ampla. p a s s o u a s o f r e r logicamente os ajustes necessários para a veiculação da nova ideologia d o - este se utilizava da educação física como um valioso elemento que poderia contribuir para a consolidação do ideário do Estado. Esse fato é perceptível claramente. Mostrando sua concordância com tal análise. Castellani Filho cita a referida autora. 9 7 ) . mostra que. em sua elaboração. g o v e r n a n t e s . Oliveira (1984) é outro autor que incorre no mesmo tipo de análise operada por Castellani Filho. com vistas a garantir a formação de um homem brasileiro. passando a partir desse período a difundir-se e popularizar-se. d e resto. nunca esteve t ã o eviservir ao mesmo fim. como o Ministério da Educação e Saúde. Assim a educação física passaria a ter a responsabilidade de "cuidar da recuperação e manutenção da força de trabalho da população brasileira" (idem. ora se refere a um âmbito abrangente. N e s s e s centros. Institui-se a "Juventude Brasio qual dispunha s o b r e a o b r i g a t o r i e d a d e da E d u c a ç ã o C í v i c a . além da defesa da nação. a Educação Física aparece explicid e n t e c o m o no "espírito" d o Decreto-Lei 2. o n d e estavam inscritos c o m p u l s o r i a m e n t e t o d o s o s e s t u d a n t e s . para ele. política e social. Com o objetivo de fundamentar sua argumentação. s o b r e t u d o n o Plano Nacional d e Educação. 1 da Constituição dos Estados Unidos do Brasil... Esse redimensionamento não chega a ser tão profundo. enviado à Presidência da República em 1937. Não há. sendo agora sua preocupação. Pela primeira vez. em que além dos fatores macroestruturais fossem observados também os fatores internos. ela esteve restrita apenas a algumas instituições. as atividades físicas. assim. A excessiva ênfase dada ao ensino cívico e à Educação Física A Educação Física. passa foram os primeiros indícios desses ajustes [. quando da criação da Juventude Brasileira. a prática da Educação Física e a participação .072 d e 0 8 d e m a r ç o d e 1940. ordeiro. lança mão da análise empreendida por Marinete dos Santos Silva. bem como de sua conformação e desenvolvimento como componente curricular. até a década de 1920.

o bem-estar físico. nessas considerações. expressa no artigo 131. o que ratificaria a argumentação dos autores. Observa-se. por meio dela. 1984. ou o seu reconhecimento por parte da sociedade. seria necessário empreender estudos para se verificar a sua materialização. Isso acabava por levar a população a crer que era fraca não por razões estruturais. ao longo da trajetória da educação física como componente curricu- . Ou seja. e não conseqüência das condições sociais determinadas pela estrutura econômica. jovens dos extratos sociais diferenciados. mas que não podem ser colocadas como idênticas: a obrigatoriedade da educação física em todas as escolas primárias. é responsabilidade individual. a sua abrangência em relação a diferentes classes sociais. verificar como essa área do conhecimento estava organizada naquele dado momento histórico. o de que. seria possível observar se tal instituição efetivamente incorporou a maior parte da juventude. 5 9 ] . novamente a questão apontada nas análises de Casteilani Filho sobre Rui Barbosa e Fernando Azevedo aqui reaparecem. o volume de produção de conhécimento etc. o desenvolvimento do corpo forte. entendimento de que a inclusão da educação física na Carta Constitucional de 1937 foi engendrada de forma linear e unilateralmente pelo Estado. no que tange à obrigatoriedade da educação física nas escolas normais. pois parece que. a análise dos autores centra-se em uma única perspectiva. uma vez que a propaganda difundia a idéia de que a construção de uma juventude forte e sadia poderia se dar valendo-se de uma dada instituição que desenvolveria hábitos e valores necessários a tal fim. os Centros de Formação Profissional..1 2 0 ENTREGA E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA em c o m e m o r a ç õ e s e desfiles "cívicos" era fundamental para a solidificação d a d i t a d u r a i n s t a u r a d a [OLIVEIRA. assim. artigo este que se refere a "adestramento physico" mas que não faz menção direta à educação física. o que levaria. ao seu âmbito geográfico etc. ainda que seja possível inferir que tal adestramento seria responsabilidade dessa área. higiênico. Há também nas análises de Oliveira. primárias e secundárias (exposta no artigo 131 da Constituição de 1937). sica serviu como discurso para imprimir a idéia liberal de que a saúde. Oliveira e Casteilani Filho operam reflexão sobre a presença da educação física na Constituição de 1937. Isso os leva a aterem-se muito pouco a um fato extremamente importante na trajetória da educação física como componente curricular. um grande desenvolvimento dessa área). a pressupor que mais uma vez a educação física serviu para mascarar os reais determinantes das condições de saúde da população. qual seja. e a criação de Centros da Juventude. que é o ângulo da dominação. assim como nas de Casteilani Filho. o que possibilitaria uma compreensão mais profunda dos determinantes da inclusão da educação física na referida Carta Constitucional e que talvez permitisse superar as análises lineares e unilaterais produzidas por esses autores. fazendo com que a análise de tal legislação se dê apenas para se comprovar a tese de sua determinação macroestrutural. considerando o número de adeptos. produzindo análises que confundem duas questões que logicamente mantêm relação entre si. a educação física passa a ser incorporada na legislação como atividade curricular obrigatória. implementar e difundir a ideologia dominante. mais do que um instrumento poderoso que levasse a juventude a desenvolver hábitos e valores consonantes com o ideário estatal (o que pressuporia. a educação fí- ENTRE A E D U C A Ç A O FÍSICA N A t b C U l A C A T I Y U T A ^ N U . ou se permaneceu apenas no discurso. Quanto à questão da Juventude Brasileira. pelo artigo 132. política e social. que visava. como já foi dito anteriormente. mas por não cuidar bem de seu próprio corpo. incorporando. o claro entendimento de que a influência médico-biológica tem um caráter conspirativo.ou seja. Com base nesse estudo.. E parece que essa desconsideração decorre do fato de não se debruçarem em análise do seu percurso histórico. p . o papel e a importância de intelectuais da área na elaboração da Carta Constitucional. visto que. Vale observar que os autores não procuram. basicamente. pela primeira vez. normais e secundárias.

ou a um biopsicologismo [. recuperação e manutenção da força de tra- Esse parece ser o único e decisivo fator encontrado pelos auto- balho. como uma modalidade a-histórica da como um saber de referência. nos seus primórdios. destituída d o exercício da radas pelos autores não se pautam em estudos históricos que procu- sistematização e c o m p r e e n s ã o d o c o n h e c i m e n t o . i n t e r p r e t a d o à lii7 H a c • • . ou seja. e. no de valores da elite.]. desportiva e recreativa. p. controle e avaliação da operadas sobre o período mais recente da área. a autora mostra que tanto a lei n. plica e acaba p o r justificar sua presença na instituição escolar [. C o m objetivos que se pautam pelo desenvolvimento e a p r i m o r a m e n t o da " a p t i d ã o física". materializando-se mediante soluções consensuais. faz por reforçar a percepção da educação física acoplada rem à história objetivando explicitar elementos que venham a mecanicamente à "educação d o físico". Gomo já foi apontado anteriormente neste trabalho.. "organizado na escola brasileira. assim. A autora aponta que isso tem levado a instituição médica a sobrepor-se à educação física no âmbito escolar de maneira a conformála decisivamente. 1990. da realidade concreta.ex- influência se fizesse presente. existente apenas empiri- rem refletir sobre a gênese da educação física escolar.] [Casteilani Filho apud SOARES. "a cio do XX. pautada numa compreensão d e "Saú- comprovar sua hipótese: a determinação da educação física pelos in- d e " d e índole biofisiológica.450/71 reforçam o caráter instrumental imposto a essa área. que acaba por levar à idéia de que Assim. caracterizando-se. a autora recorre a Casteilani Filho para influência se fez presente de forma linear e numa trajetória impermeá- embasar sua análise: vel aos conflitos e contradições. p. mas sim recor- camente. apenas no tocante aos serviços relação com o mundo" (idem.45071 q u e diz constituir a aptidão física. educação física. que essa visão tem levado à compreensão de que a educação física se dá de forma independente das relações sociais. 56-57]. c o m p r e e n s ã o essa. tais A c o m p r e e n s ã o da educação física e n q u a n t o "matéria curricular" incor- análises incorrem num certo reducionismo. bem os trabalhadores.. assim. distante daquela observada pela O r g a n i z a ç ã o teresses dominantes.. como garantir a preparação.] e n q u a n - Nesse sentido. denotando. d e s t a forma. não é compreendida como um de seus elementos constituidores. que essa o aprimoramento da saúde. Essa abordagem se faz presente não só na análi- Mundial da Saúde. 5692/71 c o m o o d e c r e t o se estabelecer como um valioso instrumento de difusão e inculcação n. prestados à manutenção do status cjuo. no nível d o s estabelecimentos de Soares (1990. pp.ação não expressiva d e uma tros fatores que possam também ter sido fundamentais para que essa reflexão teórica. sim.11 8 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA 112 3 lar. vale ressaltar que aqui também as análises elabo- t o uma mera experiência limitada em si mesma. Aponta.. o que leva ao entendimento de que a educação física tem se ensino [. construções estas que nos permitem situá-la no quadro das teorias não-críticas da educação". sustentadora d o p r e c e i t u a d o n o §1° se que discute a educação física escolar no final do século XIX e iní- do Artigo 3 o d o D e c r e t o n° 69. pois não consideram ou- porada aos currículos sob a forma d e atividade . n o "fazer pelo fazer" .. em razão de estar voltada para sobre a educação física no âmbito escolar. bem como de dominação exercida por esta sobre intuito de levá-la a desenvolver a aptidão física do povo brasileiro. C o m o tal. Mostrando que tal legislação entende a educação física exclu- res aqui estudados para explicar a influência da medicina e da biologia sivamente como uma atividade prática. 56). ao debater a legislação que regulamenta a educação físi- a educação física foi pensada e implementada somente em virtude de ca. mas também nas análises referência fundamental para orientar o planejamento. 69. 56) discute que a educação física tem se fundamentado "em construções teóricas que a reduzem a um biologismo..

4 5 0 7 1 ) . n e n h u m elemento de contradição e conflito. massificadas. a área médica. p. não para dições. É preciso ter claro que a gênese de uma prática social não ocor- os c ó d i g o s da instituição médica. que permeia os intelectuais que eram consonantes com os propósitos desenvolvimentistas q u e visavam colocar o país nos trilhos d o p r o g r e s s o . Ela ocorre por meio de fa- biologizante ou da biologízação da área. da alimentação.m a n c e e não c o n h e c i m e n t o [SOARES. N a verdade. em determinado m o m e n t o histórico. mas sim para explicitar o quanto e como zões de tal prática se incorporar e se desenvolver na escola c o m o com- tal prática esteve a serviço da ideologia dominante. Esse entendimento. no currículo. c o n f l i t o s q u e r e d u n d a m em soluções negociadas. c o m o o futebol. na trajetória dessa área 12 d o D e c r e t o 6 9 . difundido por Auguste Claro está que tal i n t e n t o se fundamenta numa c o n c e p ç ã o liberal. a educação física O Coletivo de Autores aponta que. O e s p o r t e naquele d a d o m o m e n t o histórico não tinha assumido ainda as características atuais. ficam à mercê d e um a t e s t a d o m é d i c o (Artigo ria a uma visão de conspiração. A crítica à influência da instituição desportiva não aparece nas análises que se referem ao m o m e n t o d e incorporação da educação física pela escola 1 . em que não há.3 A crítica à influência da instituição desportiva se para questões sanitárias impostas pelo processo de industrialização/ Esta é uma característica que se apresenta de forma marcante nas urbanização . o que im- p e r f o r . ma de p r o d u z i r um h o m e m saudável.que não permite mais que ela se constitua em atividades voltadas para a cura individual.1100 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FlSICA D A ESCOLA ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç A O FÍSICA D A E51ULAiui cas d e base positivista. não se dá da forma c o m o gostaríamos. d e que a educação física absorve os signos. levando assim a uma c o n c e p ç ã o re. o vôlei etc. eram modalidades nascentes e não tinham ainda d e s p e r t a d o m u i t o interesse a não ser entre a elite. parece. ou seja. foi um elemento de constituição de gênese da educação física e dessa no âmbito escolar. Mas parece-me reducionista a idéia de c o m p r e e n d e r a educação física s e n d o incorporada pela instituição es- 1. se difundem na educação física escolar outros métodos que população por meio da disseminação de hábitos higiênicos e de ativi- não aqueles sedimentados nos ideais higienistas e eugênicos. plica o e n t e n d i m e n t o que nada resta a fazer nessa área a não ser observar e o b e d e c e r aos ditames dominantes que se sobrepõem a ela. N e s s e sentido. ela é explicitada quando das análises dos autores sobre o desenvolvimento da educação física no â m b i t o escolar após a segunda metade do século XX.. pois isso leva- t e ú d o s p o r ela veiculados. p o n e n t e curricular. pro- escola e c o m o esses e l e m e n t o s são absorvidos por tal instituição e curando observar o máximo de elementos para a compreensão das ra- conformados em saber escolar. 1990. uma vez tos históricos que vão constituir uma trajetória permeada de contra- que revela os elementos constituidores dessa área na escola. A necessidade de. parece dar-se a priori.. c o m o for- elaborações dos autores estudados. o basquetebol. o que não é realizado pelos autores citados. sendo obrigada a preocupar-se com a reestruturação d o espaço urbano no que diz respeito ao controle de doenças. sil o Método da Educação Desportiva Generalizada. as modalidades mais difundidas. da m o d e r n i d a d e . com o fim da Segunda Guer- no âmbito escolar é vista c o m o uma forma de desenvolver a saúde da ra Mundial. dos agentes contaminadores.bem como da orientação da população que ocupa esse espaço. N o Bra- dades corporais que levariam ao seu aprimoramento físico. a medicina voltar- 1. 57]. é evidente q u e a educação física na escola e os c o n - colar unicamente pela via da determinação dominante. Buscar c o m p r e e n d e r porque determinada prática passa ser incorporada pela e n t e n d e r a gênese de uma área demanda percorrer tal trajetória. mediante vacinação e campanhas de saúde .fez com que se voltasse à educação. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RA*A W0LIQTECA CENTRAL . uma v e z q u e significam r e n d i m e n t o s físicos.

Nesse método. N ã o há d i f e r e n ç a e n t r e o p r o f e s s o r e o t r e i n a d o r .. verificando como elas se relacionam em diferentes campos. re- corporeidade". q u e p a s s a m da r e l a ç ã o p r o f e s s o r . neste sentido. Ao discutir essa penetração do esporte no es- r e n d i m e n t o . A Escola é a b a s e da p i r â m i d e e s p o r t i v a . a i n t e r n a c i o n a l .s e o e s p o r t e na escola c o m o u m p r o l o n g a m e n t o da i n s t i t u i ç ã o e s p o r t i v a : e s p o r t e o l í m p i c o . Aliado a isso. verifica-se uma cres- O e s p o r t e d e t e r m i n a . meios de comunicação de massa. o caratê etc. p. qual seja. Coloca. ele (esporte) vai gra- É i m p o r t a n t e citar q u e o d e s e n v o l v i m e n t o da i n s t i t u i ç ã o e s p o r t i v a n ã o dativamente difundindo-se em todos os países. 29-30). Por o u t r o lado. fundamentada basicamente em aspectos técnico-táticos e anatômico-fisiológicos do treinamento esportivo. p o d e r se-ia d i z e r q u e a influência io meio-ambienit (desporto) não foi/é selecionada (filtrada) ráter ideológico. 54]. n ã o o E s p o r t e da escola. E. por meio de uma forte se dá i n d e p e n d e n t e m e n t e d o da E d u c a ç ã o Física: c o n d i c i o n a m . e s p o r t i v a . 1992.. c a r a c t e r i z a n d o . mas sim o e s p o r t e na escola. o Que demonstra sua falta de autonomia na deter- cação física. É o local o n d e o t a - paço escolar. "Estas estratégias são trazidas para a escola com fundamentalmente uma única adaptação. nesse período.. conformando assim a ação pedagógica da área. e s t a b e l e c e n d o t a m b é m novas relações e n t r e p r o f e s s o r e aluno. grifos d o original]. por intermédio da educação física. Esta relação.s e a e x p r e s s ã o E d u c a ç ã o Física a o t e r m o D e s p o r t o s . pp. ou seja. te. os autores apontam que. Esses c ó d i g o s p o d e m ser r e s u m i d o s e m : p r i n c í p i o s d e r e n - partir dos anos de 1950. inclusive no escolar. ainda. A esta é c o l o c a d a a t a r e f a d e f o r n e c e r a " b a s e " para o e s p o r t e d e to da cultura corporal. afirmam: l e n t o e s p o r t i v o vai ser d e s c o b e r t o . p o i s o s p r o f e s s o r e s s ã o c o n t r a t a d o s p e l o s e u d e s e m p e n h o na a t i v i d a d e d e s p o r t i v a [COLETIVO DE AUTORES. sistema d e s p o r t i v o nacional e O autor expõe que concorre para isso o fato de que o Brasil. O autor pretende traçar um paralelo entre essas manifes- cordes etc. tações. aponta que ao se utilizar a expressão [. competição. r e g u l a m e n t a ç ã o rígida. e m q u e as . é e d u c a ç ã o p a r a legitimar-se n o c o n t e x t o social. passa a ter as condições objetivas para o ple- dimento atlético/desportivo. demonstrando como os Santin (1984). r a c i o n a l i z a ç ã o d e m e i o s e t é c n i c a s e t c . Isso p r i n c i p a l m e n t e para c o n s e g u i r a p o i o e f i n a n c i a m e n t o oficial [BRACHT. a divisão do processo em função dos tempos escolares e dos graus de ensino" (idem. indica a s u b o r d i n a ç ã o da e d u c a ç ã o física aos c ó d i g o s / s e n t i d o da instituição p. Listello. o judô. n ã o é s i m é t r i c a . ao discutir sobre "Educação física e desportos". o desenvolvimento de um r e c o r d e s .s e m u t u a - influência da cultura européia e constituindo-se como principal elemen- m e n t e .i n s t r u t o r e a l u n o r e c r u t a para a d e p r o f e s s o r t r e i n a d o r e aluno-atleta. p o r t a n t o . competição. o c o n t e ú d o d e e n s i n o da E d u c a ç ã o Física. aliás. e n t ã o . 29.136 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA 137 .] " E d u c a ç ã o Física e D e s p o r t o s " a p r o x i m a . comparação de rendimento e no desenvolvimento do esporte. que ocorre uma intensa elaboração sobre aprendizagem do esporte. trazendo para o cura operar essa discussão com base numa "abordagem filosófica da interior da educação física valores como rendimento. encontra grande receptividade entre os professores de edu- por um código próprio da Educação Física. urbanização e crescimento dos vitória. cente esportivização de práticas corporais como a capoeira. a sobreposição do esporte faz-se presen- minação do sentido das ações em seu interior. pro- princípios da instituição esportiva adentram a escola. d e s s a f o r m a . e t e m o s . U t i l i z a n d o a l i n g u a g e m sistêmica. Mostra que as manifestações sociais possuem um ca- O q u e p o d e ser o b s e r v a d o é a t r a n s p l a n t a ç ã o reflexa d e s t e s c ó d i g o s d o e s p o r t e para a E d u c a ç ã o Física. O c o p u l a t i v o " e " indica uma relação. Bracht (1989) concorda com tal análise. a instituição e s p o r t i v a s e m p r e lançou m ã o d o a r g u m e n t o d e Essa influência d o E s p o r t e n o sistema escolar é d e tal m a g n i t u d e q u e q u e o e s p o r t e é cultura. 1989. s u c e s s o n o e s p o r t e c o m o s i n ô n i m o d e forte processo de industrialização.

com professores preparados e comprometidos para tal finalidade e que colocavam em prática o desenvolvimento desse trabalho .s e . considerando Essas análises abrem a possibilidade de alguns questionamentos.e s p e t á c u l o . ao lon- e d u c a n d o . Esta d i r e ç ã o para o d e u o r i g e m à c h a m a d a E d u c a ç ã o Física D e s p o r t i v a G e n e r a l i z a d a . de modo semelhante às nador e aluno/atleta chega a concretizar-se de fato na grande maioria análises de Bracht e do Coletivo de Autores. como componente curricular. q u e c r e s c e a cada dia. a idéia a f o r m a ç ã o d e e q u i p e s d e s p o r t i v a s . r e a l i m e n t a d o na p r o d u ç ã o d e energia e d e i m p u l s o s . . O s e s t u d o s e os r e s u l t a d o s da bio- p o r i n t e r e s s e s sociais.s e .s e n u m a prova clara d e s t a p o s t u r a e d u c a - Física v e m i n c o r p o r a n d o valores q u e c o n t r a d i z e m os ideais e x p l í c i t o s e m c i o n a l e s q u i z o f r ê n i c a [SANTIN. parece ser uma generaliza- volvido como toda e qualquer dimensão humana. uma discussão sobre aquilo que qualifica essa área como componente curricular. baseia-se única e tendimento de que o corpo necessita ser pensado. n o v a m e n t e . gri- do um detalhamento mais claro de como isso se dá. c a ç ã o Física está dirigida para a p r á t i c a d o s d e s p o r t o s . Identificada c o m o e s p o r t e . não consegue superar o âmbito da denúncia. d e uma prática q u e visa o maior grau d e r e n t a b i l i d a d e s i d o o f e n ô m e n o e s p o r t e . p . d e p e r f o r m a n c e e d e p r o d u t i v i d a d e exigidas para a p r á t i c a d e d e t e r m i n a d a c o m t o d a s as deformações: " c i e n t i f i c i s m o e x a g e r a d o . m o d a l i d a d e d e s p o r t i v a . não haven- e d u c a ç ã o g e r a l p o r m e i o d e a t i v i d a d e s físicas [FERREIRA. htais s e g u r a m e n t e . Isto significa d i z e r q u e a E d u - D e s p o r t i v a " p e l o I n s t i t u t o N a c i o n a l d e E s p o r t e s da França q u e em 1945. . p r i n c i p a l m e n t e . desen- exclusivamente na forma treinador/atleta. d o c u m e n t o s nacionais e i n t e r n a c i o n a i s relativos à e d u c a ç ã o [ . Não há entretanto ção tão extremada que redunda em reducionismo. . inexpressivos se levarmos em conta então o número de alunos que Ferreira (1984) é outra autora que estabelece crítica à influên- participam das aulas de educação física? Essa relação professor/trei- cia do esporte sobre a educação física escolar. das escolas brasileiras ou fica apenas na intenção de que assim fosse? O u seja. que o esporte exerce uma influência negativa à educação física. no período que passam a apontar. por que nossos resultados esportivos são falta de consistência teórica e indefinição conceituai.e s p e t á c u l o . p r o p a g a n d a p o l í t i c a . c o m p l e m e n t a n d o o p r o c e s s o d e a influência do esporte sobre essa área no currículo a priori. Como não opera fo meu]. . c o m o é d e se esperar d e t o d a U m d o s f a t o r e s q u e p o d e t e r levado a escola a essa p o s i ç ã o p a r e c e t e r a a t i v i d a d e escolar. e a análise do autor parece gravitar pela re da forma como sustentam. ] c u r s o falando d e uma e d u c a ç ã o para o h o m e m . c o n s t i t u e m . r e p r o d u z i n d o o m o d e l o real d o s J o g o s . a se r e l a c i o n a r c o m o go de sua trajetória histórica. ma- A p ó s as g r a n d e s guerras. sendo Afirmar que toda a relação professor/aluno que ocorre nas aulas de preciso superá-lo por algo que não leve à esquizofrenia. a d e s v i n c u l a ç ã o d e um dis- e n d e u s a m e n t o da t e c n o l o g i a " ! . as aulas de educação física contavam com equipamentos. a p r á t i c a d e s p o r t o n ã o inclui.o a se c o n h e c e r . 1984. n e c e s s a r i a m e n t e . q u e seja dirigida p a r a o b e m e s t a r o u da E d u c a ç ã o Física na Escola p a r e c e t e r iniciado um m o v i m e n t o v o l t a d o para o e q u i l í b r i o o r g â n i c o d o indivíduo. 1984. c o m a r e t o m a d a da realização d o s J o g o s O l í m picos. 20. p. e com a apresentação do "Projeto de Doutrina de Educação teriais. mas sim ao en- educação física. Entende m u n d o e a b u s c a r sua a u t o n o m i a pessoal. políticos e d e m o b i l i z a ç ã o p o r m e i o s d e m e c â n i c a a p l i c a d o s à E d u c a ç ã o Física. a p e n a s c o m o r e c u r s o d e maior de- c o m u n i c a ç ã o d e massa. a E d u c a ç ã o s e m p e n h o atlético. 146].i a . mas sugere. a se d o m i n a r . d u a s r e a l i d a d e s p o d e m e s t a r j u n t a s e unidas. a j u d a n d o . da f o r m a ç ã o da a t i t u d e d o sobre a constituição e o desenvolvimento da educação física. Se essa relação ocor- uma discussão a esse respeito. P e r c e b e .136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA 137 . e c o n ô m i c o s . construído. ] A c o n c e p ç ã o d e E d u c a ç ã o Física q u e d e v e r i a e s t a r s e n d o d e s e n v o l v i - O autor não opera sua análise de forma a adentrar na discussão d a na e s c o l a e n c a r r e g a r .

como apontado pelas deixam nunca d e dispensar as muletas d o didatismo. efetivamente tes. A educação escolar não se limita a fazer uma seleção entre os saberes e a sua efetivação. de forma crítica. supõe estrutura social. ficando muito mais na cia d o erudito não é diretamente comunicável ao aluno. por exemplo. da teoria. creio serem importan- operada no sentido de compreender. tanto quanto a obra intenção do que na concretização de tal finalidade? d o escritor ou o pensamento d o teórico. Esta dupla exigência de seleção na cultura e de reelaboração didática lecer uma identidade pautada nas virtudes anunciadas somente nos anos faz com que não se possa apegar-se à afirmação geral e abstrata de uma de 1980. a fim de os tornar efetivamente transmissíveis. Pare- Nesse sentido. Mais uma vez. não soube se apropriar dele. mas fundada num claro consenso. não há observações sobre quais necessidades construir uma verdadeira problemática das relações entre escola e cultura. Signif ica compreender tais influências sempre como sempre na verdade uma seleção no interior da cultura e uma reelaboração um pressuposto do poder dominante e como algo que tenha causado dos c o n t e ú d o s da cultura destinados a serem transmitidos às novas gera- um mal devastador à educação física escolar. da constatação. incorporada pela educação física escolar. quais foram os tes as observações de Forquin (1993. É preciso a intercessão de dispo- Q u a n t o à discussão dos códigos da instituição esporte que a sitivos mediadores. ou na me- d e ensino". e em particular toda educação do tipo escolar. "Toda prática d e ensi- análises. a sua materialização e a sua prática tenham se dado os materiais culturais disponíveis num m o m e n t o dado numa sociedade. se para zar o saber escolar: além do discurso. Assim como nas críticas operadas à influência das instituições militar e médica. É que a ciên- plementação do mesmo. de "transposição didática". que só se volta às relações escola/ que toda a educação. que apontava a necessidade de a educação física escolar reestruturar-se valendo-se dos códigos do esporte. se entregar a um imenso trabalho d e dades entre o discurso e as condições objetivas para implantação. Ela na grande maioria das escolas de acordo com os postulados dominan- deve também. com o objetivo de organi- há questionamentos com o objetivo de verificar. a ser pecificidade e seletividade da cultura escolar. além das macroestruturais foram decisivas para que a educação física no âmbito escolar absorvesse os códigos da instituição esporte. 14). UNIVERSIDADE FEDERAL DO PA»« . impedindo-a de estabe- ções. observam-se aná- A ênfase posta sobre a função de conservação e de transmissão cultu- lises que pairam somente no campo da denúncia. dida em que ela não se constituiu como componente curricular com base nas exigências da educação escolar. incompatibili- assimiláveis para as jovens gerações. falhas. de reestruturação. p. creio ser importante operar questionamento. sem- rais da educação não deveria impedir-nos de prestar a atenção ao fato d e pre com base em uma abordagem. 32-33) aponta ainda a neces- ce que a trajetória da área não é marcada por nenhum conflito ou con- sidade imperiosa de a educação escolar se debruçar sobre a "proble- tradição quando desta absorção. quando discute sobre es- fatos que levaram essa determinada prática cultural. unidade da educação e da cultura: é necessário matizar e especificar. ou se ocorreram resistências. o esporte. Não mática das relações entre escola e cultura". o que se percebe é a ausência de uma análise Para uma melhor compreensão dessa questão. pp. im- reorganização. Forquin (1992.1100 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FlSICA DA ESCOLA ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç A O FÍSICA D A E51ULAiui ou apenas em alguns centros se observava isso. incoerências. no intuito de no d e um o b j e t o pressupõe a transformação prévia deste o b j e t o em o b j e t o verificar se o esporte conformou a educação física escolar. isto é Nesse sentido. a longa paciência de aprendizagens metódicas e que não educação física escolar assume acriticamente.

A ênfase d o s mais capazes ou mais d o t a d o s é q u e teriam o p o r t u n i d a d e d e d e m o n s - nessa área situa o professor c o m o um formador d e atletas. Taffarel (1985) critica o ensino excessivamente técnico e formal. ço social da descoberta de uma elite preparada para competições. a dança e os es- Em uma c o n c e p ç ã o elitista da e d u c a ç ã o física. a busca d e c a m p e õ e s c o n d u z à especialização prematura. p o r conseguinte. uma forte unidade no que se refere às análises sobre a relação esporte/educa- nefícios d o s talentos. treinar suas habilidades e capacidades e assim d e m o n s - elitistas e. eficiência e p r o d u t i v i d a d e . c o m o pessoas. instituição esporte. 54) retoma a questão da influência do esporte à educação física escolar. não só a nível d e iniciação.136 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA 137 . Destas. Segundo o autor. p . s o m e n t e o s considera- portes. O s m e n o s capazes VEIRA. e possivelmente ainda não saiba. t a m b é m n o â m b i t o da pedagogia tecnicista muito difundida no Brasil na inibindo o desenvolvimento d o potencial p s i c o m o t o r das crianças. 7 7 ] . explicitando que concor- Oliveira (1984) também discute a questão do rendimento máximo presente nas práticas da educação física escolar sob influência da reu também para isso a ampla difusão e adoção da pedagogia tecnicista na educação brasileira. uma vez que O u t r a s determinações do esporte p o d e m ser observadas nos princípios essa visa à formação integral do aluno e de todos. os quais serviram para o r e o r d e n a m e n t o da Educação Física escolar. 12]. c o m o também d e treinamento. em seus vários fatores. que seriam o s ção escolar demanda. ço social. de um certo modo. seriam relegados a um s e g u n d o plano. d é c a d a d e 70. são estudadas a ginástica. O s pressupostos dessa pedagogia advêm da c o n c e p ç ã o d e passa a ser cobrada uma perfeição técnica na execução d o s gestos esporti- neutralidade científica e reforçam os princípios mencionados no âmbito mais . por meio de uma participação mecânica dos sujeitos nela en- bém na formação dos professores que atuam neste determinado espa- volvidos. As influências tecnicistas fazem com q u e a ativida- seleção daquilo que deve incorporar. operar a m e n t e . 1 9 8 5 . são marginalizados e preteridos em be- Verifica-se que a produção dos anos de 1980 tem. ção física escolar. maiores beneficiários d o esporte. sem discriminação: da r a c i o n a l i d a d e . 4 ] . t 9 8 4 . Esses princípios são advogados Nas escolas. O s alunos passam a ser encarados c o m o futuros atletas e não. Assim. não existindo nenhum tipo de contestação desta. sim. p. afirmando dos esportivos. simples- física parece não ter sabido. A educação física p o d e permitir essa discriminação? [OLIVEIRA. com tendências trar seus talentos. p . refletindo. o mesmo autor consolida sua crítica. a educação física que tem como objetivo exclusivo formar atletas acirra as diferenças sociais. Nesse caso. com um alto grau d e d e f o r m a ç ã o social [OLI- trar s e r e m os mais velozes. c o m o se não lhe fosse d a d o o direit o d e valerem-se d o s benefícios da educação física [1985. de quais códigos deve d e d o j o g o esteja sistematicamente voltada para o d e s e m p e n h o e para os se apropriar. p. Depreende-se disso tudo que. características c o m u n s d e um macrossist e m a v i g e n t e e d o e s p o r t e d e alto nível. O Coletivo de Autores (1992. ou seja. os menos habilidosos. A escola passa a ser o espa- N e s t e sentido. observando as necessidades e as exigências que a educa- resultados d e alto nível. a educação vos. Na área técnico-esportiva. mais altos e mais f o r t e s . em que há apenas a exigência de atingir o rendimento que a influência do esporte sobre a educação física escolar ocorre tam- máximo. o objetivo de "formar campeões" não é o da educação física como componente curricular. valendo-se de uma visão mecanicista. fundado em conteú- Em outra obra. a educação física é orientada por princípios esportivos.

acredita-se piamente a q u i l o q u e é p r e t e n d i d o e aquilo q u e é e n s i n a d o r e a l m e n t e . e m a n c i p a d o r a ) c o n t r a um e s p o r t e q u e é mau imperiosa para os estudos que pretendam compreender a questão dos (dominador. política e social. p o r e x e m p l o . c o m o . C a d a sala d e aula s e g u e assim seu currículo educação física fosse positiva em si. é como se a o s s a b e r e s s o b d i v e r s o s m o d o s . de propaganda política não tenha e "currículo real". n o s e m f u n ç ã o p r i n c i p a l m e n t e da idéia q u e eles f a z e m d o s p ú b l i c o s escola- no extremo. p. hipervalorizar essa prática res. tra forma.. Num certo sentido. P o d e . irredutivelmente. s e l e c i o n a r t e m a s . A sua presença nas leis e discursos é fato que não se (1992).. é d i f e r e n t e d o s o u t r o s [ I s a m b e r t .s e a m u i t a s i n t e r p r e t a ç õ e s . entendendo que esta. opressor. p o r sua v e z . o o b j e t o d e u m a i n v e s t i g a ç ã o sociológica. e n s i n a m o u c r ê e m ensinar e q u e esta i n a d e q u a ç ã o p o d e se t o r n a r . e o esporte fosse um elemento negativo quando visto de ou- 1992. necessita ser superada. M a s as p r e s c r i ç õ e s n ã o p o d e m ser mais q u e indicativas. o s a u t o r e s d e p r o g r a m a s . de alienação. r e t i d o e c o m p r e - contento..] teúdos prescritos pelas autoridades e aquilo que é realmente desenvol- E assim q u e . p o r sua não havendo em seu percurso resistências. t r a n s p õ e m - A crítica operada em relação à influência da instituição esporte. além que o discurso da escola c o m o "celeiro" de campeões se efetivou a disso. perniciosa tes. tudo v e z . na m e d i d a e m q u e existe u m a d i f e r e n ç a e n t r e nas leis é o que irremediavelmente ocorre. Forquin Vale ressaltar que não se está aqui apontando que o caráter ideo- discutindo a oposição entre "currículo formal" lógico de dominação. conteúdos escolares. isso redunda numa vi- t o d a d o d e v e ser p r o l o n g a d a e c o m p l e t a d a n o p r ó p r i o local d o s e s t a b e l e c i - são simplista ao entender que aquilo que está expresso no discurso e m e n t o s e d a s salas d e aula. a c r e s c e n t a r q u e aquilo q u e é r e a l m e n t e a p r e n d i d o . Forquin (1992. acaba por. O mesmo ocorre em relação à inten- ç õ e s d e r e c e p ç ã o da m e n s a g e m p e d a g ó g i c a d e p e n d e m t a m b é m d o c o n t e x - ção de fazer d o esporte um elemento de ascensão social para as cama- t o social e cultural. Citando Viviane Isambert-Jamati. por ser. d e n t r o da concepção hegemônica. O u seja. n o limite. p o r p o s s u í r e m i d ê n t i c o s p r e s s u p o s t o s . como necessidade t r a n s f o r m a d o r a .J a m a t i a p u d FORQUIN. a vido pelos docentes. a o m e n o s q u a n d o eles n ã o se a t r a s a m e m demasia. integral. Por isso v e m o s o s d o c e n - curricular. As análises operadas pelos autores estudados parecem incorrer numa visão mecanicista do esporte como reflexo da estrutura econô- [..o o b j e t i v o e racional [. 32. Q u a n t o aos c o n h e c i m e n t o s e m via d e s e r e m e l a b o r a d o s . para os intentos de uma educação real q u e . p. g r i f o d o original]. deter- e f e t u a m n o i n t e r i o r d o r e p e r t ó r i o cultural d e u m a s o c i e d a d e n u m m o m e n - mina o c o n t e ú d o escolar. .s e . na m e d i d a e m q u e as c o n d i - ocorreu c o m o predeterminado. Assim. ou seja. mostra a existência de uma distância entre os con- também existido. Assim. que procura propor um esporte que seja bom (porque ajuda na formação da consciência. argumenta: r a c i o n a l i z a ç ã o d o s m e i o s e m b u s c a da e f i c i ê n c i a e eficácia. recorre-se a uma visão idealista. paradoxalmente. alienante).] a análise s o c i o l ó g i c a d o s p r o g r a m a s e s c o l a r e s e da s e l e ç ã o q u e a q u e l e s mica. f a z e n d o . a p r e s e n t a r à educação física escolar. e n f a t i z a r tal o u qual a s p e c t o . 32) aponta. que.1100 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FlSICA D A ESCOLA ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç A O FÍSICA D A E 5 1 U L A iu i geral d o p r o c e s s o d e t r a b a l h o s escolares. o esporte cumpriu o seu papel de disciplinar e alienar. contestações. nesse sentido. a i d e n t i d a d e e s p o r t i v a da E d u c a ç ã o Física escolar é fortalecida pela p e d a g o g i a tecnicista. T o d o c a p í t u l o cultural c o m o conformadora da educação física c o m o c o m p o n e n t e d e p r o g r a m a p r e s t a . os objetivos traçados para o esporte escolar foram plenamen- e n d i d o pelos alunos não c o r r e s p o n d e t a m p o u c o àquilo q u e os d o c e n t e s te alcançados. das populares: t o d o o movimento parece ter obedecido linearmente ao caminho para ele traçado pela ideologia dominante.

em que recorrem à história to claro de que tal produção é datada e o que se pretende é demons- dessa incorporação basicamente para comprovar uma hipótese que já trar os seus limites. . Não há análises do ciais como a militar. influências externas. Entretanto. pois suas análises redundam na idéia de que cular. disseminadora da ideologia dominante. pode negar. Há um tratamento elemento integrante dessa área na escola. a médica e o esporte. revelando elementos que possibilitem compreender davam como certa: a da utilização dessa manifestação como forma os possíveis reducionismos que as análises desta tenham nos legado. Há o entendimen- porte. os estudos da traje- como decorrência das determinações macroestruturais. esporte como produção cultural que permitam extrair daí decorrências impossibilidade de se compreenderem os elementos constituidores e possíveis para sua inclusão como conteúdo de um componente curri- conformadores dessa área. passou a ser incorporado como um das. não havendo um aprofundamento sobre as ra- A visão mecanicista permeia as análises da produção teórica dos zões de o esporte ser introduzido na escola. ao longo tura (corporal) e que. pois. Há apenas análises que revelam o caráter exclusivamente utili- a educação física é incorporada pela escola em virtude de ser um ins- tário que levou essa prática social a adentrar o currículo. ao procederem dessa forma. Crêem que a inclusão e o desenvolvimento cola. entendem que a educação física escolar sofre. como por exemplo a ginástica calistênica. bre as formas.1 3 6 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLA 1 3 7 . com base numa visão mecanicista. eliminam a contradição. o es- ção dos anos de 1980 estava totalmente equivocada. E. só resta pensar que a educação As análises a respeito da influência do esporte sobre a educação física teve que obedecer e seguir cegamente o caminho para ela traça- física escolar. sem que se operem estudos mais consistentes e aprofundados so- consenso e. incorporada pela de sua história. ou seja. de uma fatores externos. Não é intenção deste trabalho demonstrar que a produ- são da incorporação pela escola desta forma de prática corporal. de determinadas instituições so- escola como um conhecimento a ser transmitido. Não reconhecem Não há também considerações que reflitam sobre a existência ou assim a instituição militar e médica como aquelas que praticamente cons- não de reações aos impactos da introdução do esporte sobre uma edu- tituíram a gênese da educação física escolar e o esporte como uma ma- cação física desenvolvida fundamentalmente com base na ginástica tra- nifestação cultural que historicamente conquistou uma determinada dicional. impede uma tória histórica dessa área no currículo da instituição escolar não gravi- reflexão sobre a constituição desta prática social (esporte) como for- tam para além do âmbito das macrodeterminações. A visão mecanicista que impera nas análises sobre a influência Assim as análises sobre a inclusão e o desenvolvimento da edu- do esporte sobre a educação física escolar. dos motivos que fizeram anos de 1980. caracterizam-se por operarem a discus- do pela classe dominante. alguns desses mesmos autores. entendendo-a meramente cação física como componente curricular. primeiro porque se detêm única e exclusivamente aos com que o Método Desportivo Generalizado fosse apropriado. tornando-se um elemento fundamental da cul- nesse sentido. de modo geral. as causas e as conseqüências da referida inclusão. A conseqüência disso é a idéia de dominação e controle social dos conteúdos escolares. trumento potencial para a manutenção do status <fuo. passa a ser apropriada. praticamente não há um debruçar sobre os fa- o sistematizador de uma prática que já se desenvolvia no interior da es- tores internos dessa área. às determinações do currículo pela estrutura econô- verificação em relação a tal método ter sido o indutor de tal inclusão ou mica política e social. por isso. tomando-se por base suas afirmações. em que havia a presença de atividades mecânicas. São questões que não podem ser respondidas sem que se vá às fon- da educação física se deu de forma linear e unilateral com base num tes. prevalecendo desta ma cultural construída pelos homens que foi sendo assimilada e valo- forma a irremediável rizada pela sociedade. superficial dessa questão. por isso. estereotipa- importância social e que.

de fato. de denúncia e o futuro como algo a ser alcançado valendo-se das virtudes levantadas pela produção dos anos de 1980. do desporto. consubstanciado na incorporação pela instituição escolar de elementos de uma cultura corporal que foi sendo construída pela moderna sociedade industrial.enfim. basicamente. . A produção teórica dos anos de 1980 parece entender que essas influências externas imprimiram um caráter negativo e pernicioso a esse determinado c o m p o n e n t e curricular no que tange aos objetivos de uma educação integral e humanizante.. paradoxalmente.que possivelmente básicas desta "saída para fora". Dessa forma. a busca de novos caminhos teve que se pautar. expressos na preocupação com a saúde física através da ginástica e. apontar as características deram tanto por fatores externos como internos. leis e as condi- cessária. na escola. por entendê-la como a resultante ne- existiram contradições entre o discurso.. necessariamente. incorporação esta permeada de conflitos e contradições. Isto é. a trajetória histórica dessa área é marcada por soluções negociadas. C o m isto produziram análises que não procuraram descrever e explicar como esta área foi se constituindo. que pudessem configurá-la dentro de uma perspectiva "progressista". que mais que por soluções consensuais. as propostas. ao negar o passado da área. N a medida em que esta literatura não adentrou. a t e n d e n d o aos interesses das classes dominantes. a única possibilidade de avanço possível seria a de buscar soluções em novas fontes. o passado da área é visto como algo que mais do que superado precisa ser extirpado. o que conflitos de interesses quando das discussões sobre sua implantação procuro realizar em minhas Considerações Finais.. decorrente da forma como a educação física como compo- ções objetivas cuja prática da educação física se dava. a constituição da educação física como componente do currículo da escola brasileira. considerando que a sua incorporação pela escola deu-se. ao menos. posteriormente.que ocorreram nente curricular tem sido tratada pela literatura especializada. e n t e n d o ser relevante. c o m o um dos c o m p o n e n t e s d o currículo escolar. que se contrapusessem aos interesses dominantes. na busca de fundamentos externos. de fato. trazem à tona ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç A O FÍSICA DA E51ULAiui Embora não seja objeto deste trabalho analisar essas possíveis elementos que auxiliam na compreensão de que as determinações se saídas. o presente como um momento de transição.1100 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FlSICA DA ESCOLA ainda que se guiando por essa visão.

fruto das influências externas que a conformaram como instrumento de dominação e controle social.C O N S I D E R A Ç Õ E S O F I N A I S " S A L T O " PARA F O R A N A B U S C A DA IDENTIDADE PERDIDA A produção teórica dos anos de 1980. libertadora. a produção dos anos de 1980 passa a apontar que a área. Esse entendimento parece ser decorrência das críticas operadas em relação à influência externa. ao longo de sua trajetória. ao operar critica sobre a incorporação e o desenvolvimento da educação física como componente curricular. por não se libertar das amarras de tais influências. médica e desportiva à educação física no interior da instituição escolar. que a coloca fora de sintonia com os intentos de uma educação crítica. Em conseqüência do entendimento de que a educação física escolar teve. vive uma situação anacrônica. redunda em análises que explicitam a condição de marginalidade em que essa disciplina Se encontra no currículo. dada pelas instituições militar. Esse terreno constitui-se no ponto de partida para a discussão sobre a "verdadei- . não só para superar a marginalização da área no currículo como também para produzir um "acerto de contas" com o passado. um caráter utilitarista. aqui estudada. A denúncia dessa condição marginal é a base que leva os autores da década de 1980 a sugerirem saídas para a educação física. emancipadora.

a E d u c a ç ã o Física d e v e a t u a r c o m o cognição. o trabalho desenvolvido em educação física. N e g a n d o os e l e m e n t o s c o n s t i t u i d o r e s e portanto. po- faz é o próprio corpo. social e a f e t i v o . no extremo. na tentativa de "desnudar" a educação física esco- tação da importância da educação física para o desenvolvimento cog- lar. As produções físicas OH intelectuais são. As obras aqui estudadas parecem revelar a preocu- plos. como matemática e língua portuguesa. to. é operada com "teóricas". cípios cognitivos. ao discutir a atuação pedagógica da área. tentando retirá-la da marginalidade. não sendo possível. fundamentalmente das noções lógicas. p. pação de igualar a educação física e não de distingui-la das demais disciplinas. voltadas para o desenvolvimento do intelec- base em elementos externos à própria área. "cognitivas". a a t i v i d a d e d a E d u c a ç ã o tido. 24.s e d a r maior ê n f a s e à i n t e l i g ê n c i a Observe-se que. Nessa tentativa educação física na escola. d e v e e s t a r c l a r o q u a i s de jogos e brincadeiras. as a ç õ e s físicas e as noções Ugico-matemáticas q u e a c r i a n ç a usará nas a t i v i d a d e s e s c o l a r e s e fora da escola p o s s a m se o e s f o r ç o d o p r o f e s s o r d e E d u c a ç ã o Física d e v e ser d i r i g i d o ao m e s m o o b - e s t r u t u r a r a d e q u a d a m e n t e [idem. g r i f o m e u ] . de maneira a explicar e justificar tal importância.1 50 ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA CONSIDERAÇÕES FINAIS 151 ra" i d e n t i d a d e da área. operar uma reflexão teórica consistente acer- la. 127) opera uma discussão sobre Em r e l a ç ã o ao seu papel p e d a g ó g i c o . o autor argumenta a respeito do papel da as demais disciplinas que perde a sua especificidade. sem. As h a b i l i d a d e s çando mão basicamente de Jean Piaget. para a afirmação no a necessidade de complementá-lo com o auxílio de objetos mais am- campo das demais. der se depreender do seu discurso a idéia de que çsta é mais funda- . Freire (1989a. lan- q u a l q u e r o u t r a disciplina da escola e n ã o d e s i n t e g r a d a dela. com o objetivo de vê-la no seu "íntimo". p. Produçoes essas (fue se dão nas interações do indivíduo com o conformadores da incorporação e desenvolvimento da educação fí- mundo [idem. Pode-se observar aqui o quanto é forte a idéia de valorizar a ação corporal. Dessa forma. sica como componente curricular. no seu passado e presente "imperfeitos". <juem pensa é também o corpo. j e t i v o . [. da aula e m sala: o d e s e n v o l v i m e n t o c o g n i t i v o . d e v e . A d i f e r e n ç a é q u e . O problema é que o autor não se aprofunda na discussão do que Uma das saídas encontradas é a conquista do status de que go- aponta. a ponto de. entretanto. E.] Quem culo. 134.. Reconhece o movimento como objeto da área de encontrar seu status junto às demais disciplinas. d e i x a r d e lado a inteligência c o n c e i t u a i ) . para melhor compreendê- nitivo. identificar zam as demais disciplinas. acabam por tirar não apenas suas roupas. por o que é inteligência corporal. mas também sua pele. essa geração passa a discutir o que deveria fazer o "futuro mais que perfeito" da área. sem d ú v i d a . valendo-se da sua elaboração. O esforço do autor concentra-se na argumen- tivo. características peculiares. produções corporais. em E d u c a ç ã o Física. g r i f o m e u ] . afirma que Física p r e c i s a g a r a n t i r que. a educação física es- e enfatiza. o autor acaba por supervalorizá-la. neste sen- S e m se t o r n a r uma disciplina auxiliar d e o u t r a s . em que apresenta uma discussão sobre prin- s e r ã o as c o n s e q ü ê n c i a s d i s t o d o p o n t o d e vista c o g n i t i v o . essa preocupação.. e n t r e o u t r o s . p o r é m . d e fato. tornando-a tão genericamente parecida com Em outra passagem. Entretanto parece ter colar entra pelo caminho da negação de si própria. ao justificar a importância dessa área no currí- c o r p o r a l (sem. que não se referem especificamente a tal disciplina. Faz uma descrição de uma série m o t o r a s p r e c i s a m s e r d e s e n v o l v i d a s . p. o que caracteriza e diferencia esta da meio de atividades físicas que dão ênfase ao desenvolvimento cogni- inteligência cognitiva. valendo-se da A busca de uma justificativa para a importância da educação fí- atribuição do mesmo status de que gozam as disciplinas tidas como sica no currículo. suas ca dessa questão. ao longo do texto.

Essa parece ser a posição de Daolio (1986).] u m a E d u c a ç ã o Física q u e p e r m i t a ao a d o l e s c e n t e u m a c o n v i v ê n c i a e m o mesmo status que as outras disciplinas têm..144 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA E A EDUCAÇÃO FlSICA DA ESCOLA CONSIDERAÇÕES FINAIS 14í> mental que as demais áreas d o currículo. Desta forma apresenta uma série de pro- discute a especificidade. que não o restrito a meras atividades práticas realizadas em quadras. pois essa disciplina é tida c o m o a única q u e p o d e trabalhar de forma a integrar c o r p o e mente. também. mas também as noções lógico-ma- de muitos trabalhos. cação física passaria a conquistar um espaço no interior da instituição escolar. essa crítica parece g l o b a l i z a n t e . O grande problema é que não se adolescentes trabalhadores. Observa-se. ao discutir "A importância da educação física para o adolescente que tra- H á intenção de apresentar a educação física como c o m p o n e n t e curricular. educar e formar jovens não p o d e e não deve ser única e fundamental justificativa para que uma balha".. 137-138.] u m a E d u c a ç ã o Física q u e p e r m i t a a o a d o l e s c e n t e uma a p r e n d i z a g e m ção nas classes de carteiras em colunas etc. o objetivo dessa prática social denominada posições para essa disciplina no espaço escolar. 1986. O autor não opera dessa forma reflexões sobre a especificidade da educação física na instituição escolar. g r i f o m e u ] . q u e alie o c o g n i t i v o a o afetivo-vivencial. temáticas na mesma perspectiva. ou seja. entre elas: educação física. ela trabalha paço para as aulas de "classe" e para as aulas de "quadra". e n q u a n t o as outras trabalham apenas a mente. o n d e o c o r p o seja o seu i n s t r u m e n t o d e c o n t a t o c o m o s o u - colar. a fim de garantir a estrutu- d e s p r a z e r o s a s e r e c r e a t i v a s . o autor não poupa críticas i n t e n s o c o m s e u s pares. [. que prevalece no sistema es- p a r t i c i p a t i v a s . g l o b a l i z a n t e s e à visão dicotomizada de c o r p o e mente.. p p .. Nesse sentido. a t r a v é s d e a t i v i d a d e s m o t i v a n t e s . já q u e o t r a b a l h o n ã o dar-se basicamente pela necessidade de que a educação escolar efeti- d e s e n v o l v e esse a s p e c t o e as o u t r a s m a t é r i a s e s c o l a r e s t ê m m e n o s c o n d i - vamente se volte para formação integral do indivíduo. explicitando sua discordância em relação à distribuição d o es- tros. d o tra- determinada prática social seja incorporada pela escola c o m o compo- balho e da educação física. Porém. VMIVERSÍDADE FEDERAL DO BIBLIOTECA CENTRAI* PA»* . à organiza- [.. ao longo de toda a obra. que.. em o p o s i ç ã o à rigidez e a o c a r á t e r r e p r e s s i v o ração adequada destas na criança. Ao colocar que a tarefa da área [. e isso parece decorrer da falta de uma definição objetiva d o que é a educação física escolar.. que tais proposições não ultrapassam o âmbito da generalidade. O u t r o aspecto que se verifica é entender a educação física mais globalizante que as demais.. já q u e o t r a b a l h o m u i t a s v e z e s n ã o p e r m i t e isso e o u t r a s matérias escolares. com objetivo de apresentar elementos para nente.] u m a E d u c a ç ã o Física q u e p e r m i t a a o a d o l e s c e n t e um r e l a c i o n a m e n t o Vale ressaltar que. faz uma série de considerações acerca da adolescência. mas aberto a atividades para além das linhas da quadra que se voltassem para o desenvolvimento cognitivo. justificando-a com base naquilo que as outras matérias não poderiam desenvolver. corpo e mente. não explicitando a especificidade da área. parece estar recorrendo à idéia de dar [.] u m a E d u c a ç ã o Física q u e p e r m i t a a o a d o l e s c e n t e a prática d e ativida- não seria apenas voltar-se às ações físicas. a edu- [DAOLIO. pelo seu carácter teórico. Denota-se que há na literatura estudada a necessidade de imputar à educação física a tarefa que na realidade caberia à educação escolar em geral. o de que a edu- cação física se justifica no currículo escolar por sua abrangência. Ora. e s t i m u l a m m u i t o p o u c o essa real c o n v i v ê n c i a . pois qualquer prática social então p o d e reivindicar sua inclusão a constituição de uma educação física voltada para os interesses dos no currículo com o mesmo p r e t e x t o . o que imprimiria à disciplina um caráter mais significativo e uma ordem de importância semelhante às demais disciplinas. pois g r u p o . sendo impres- ç õ e s d e p r o p o r c i o n a r esse t i p o d e e x p e r i ê n c i a d o q u e a E d u c a ç ã o Física cindível a consideração da educação d o corpo.

1 4 6 ENTRE A E D U C A Ç A O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA

A Educação Física Escolar deve, apenas e tão somente, atender ao seu compromisso hu-

C O N S I D E R A Ç Õ E S FINAIS 1 4 7

O q u e p a r e c e e v i d e n t e , e n t r e t a n t o , é q u e a e d u c a ç ã o física e s c o l a r r e s -

mano, auxiliando na educação e na formação dos jovens. A n o s s a t e n t a t i v a n e s s e tra-

s e n t e - s e d a falta d e u m a f u n d a m e n t a ç ã o filosófica q u e a o r i e n t e e m d i r e -

b a l h o foi a d e e v i d e n c i a r q u e a p r á t i c a da E d u c a ç ã o Física é p l e n a m e n t e

ç ã o às suas f i n a l i d a d e s e d u c a t i v a s . É aí q u e as e s c o l a s d e e d u c a ç ã o física

f u n d a m e n t a d a e j u s t i f i c á v e l para t o d o s os a d o l e s c e n t e s . E a q u e l e s q u e , p o r

e n c o n t r a m sua f u n ç ã o mais r e l e v a n t e : d e s f a z e r a i m a g e m t r a d i c i o n a l e d e -

u m m o t i v o o u o u t r o , t r a b a l h a m , n ã o só. n ã o d e v e m se p r i v a r d e s s a p r á t i c a ,

f o r m a d a q u e a s o c i e d a d e t e m d o p r o f e s s o r d e s s a área, v i s t o s i m p l e s m e n t e

c o m o t a m b é m p o d e m b e n e f i c i a r - s e i n t e n s a m e n t e d e l a [ i d e m , p . 138, gri-

c o m o u m " f a z e d o r d e m ú s c u l o s " o u u m e s p e c i a l i s t a e m dirigir e x e r c í c i o s

fo meu].

d e o r d e m u n i d a , c o n f e r i n d o - l h e i n a d v e r t i d a m e n t e o t í t u l o d e "disciplinad o r " . criar u m a a t m o s f e r a q u e p e r m i t a o d e s p e r t a r d e u m a c o n s c i ê n c i a c r í -

Depreende-se então o caráter genérico dessa análise, pois o cam-

tica q u e p e r m i t i r á a o f u t u r o p r o f i s s i o n a l e s t a r a p t o a c u m p r i r a sua missão-,

po argumentativo do autor sustenta-se sobre aquilo que de um modo

e d u c a r , i m p e d i r , p o r t a n t o , q u e a E d u c a ç ã o Física - e m especial a E s c o l a r -

geral é a razão da inclusão de qualquer área da cultura no currículo

t r a n s f o r m e - s e n u m a m á q u i n a d e n ã o f a z e r nada. D e s t a f o r m a , o m a i o r p a s -

escolar (inclusive da cultura corporal): auxiliar na educação e forma-

s o e s t a r á d a d o p a r a q u e a E d u c a ç ã o Física e n c o n t r e o s e u v e r d a d e i r o lugar,

ção dos jovens.

o n d e n u n c a e s t e v e e d e o n d e n u n c a d e v e r á sair [OLIVEIRA, 1985, p . 5],

Essa característica de uma análise generalizante é observada também em Oliveira (1985, p. IX), quando discute a necessidade da edu-

O autor aponta a necessidade de uma fundamentação filosófica

cação física integrar o currículo, valendo-se da justificativa do que ela

sem entretanto definir qual. Refere-se assim a ela de forma abstrata, re-

tem de semelhança com as outras disciplinas, e não do que ela tem de

portando-se genericamente às possibilidades de o professor de educa-

diferença:

ção física adquirir consciência critica. Adentra a discussão sobre sua
função de forma genérica e contribui pouco para uma definição a res-

Relegada a u m s e g u n d o p l a n o , a E d u c a ç ã o Física p r a t i c a d a nas escolas

peito, uma vez que opera pela negação, ou seja, apontando o que ele não

c a r e c e d e uma r e f l e x ã o mais a p r o f u n d a d a . O p r o f e s s o r t e m , g e r a l m e n t e , sua

deve ser: "impedir que ele seja uma máquina de fazer nada" ou que dei-

a t u a ç ã o r e s t r i t a a d e s e n v o l v e r a a p t i d ã o física d o s a l u n o s e a e n s i n a r f u n d a -

xe de ser um simples "fazedor de músculos". Dessa forma, não se de-

m e n t o s t é c n i c o - t á t i c o s d o s e s p o r t e s . N ã o d i s c u t i m o s o f a t o d e as c i t a d a s

bruça sobre o que ele é, decorrendo, daí, uma saída idealista, dirigida

a t i v i d a d e s e s t a r e m i n c l u í d a s e n t r e as s u a s r e s p o n s a b i l i d a d e s . S u p o m o s ,

para a necessidade de que a área "encontre seu verdadeiro lugar, onde

p o r é m , q u e n u m a m b i e n t e e s c o l a r a sua p r á t i c a t r a n s c e n d a u m a s i m p l e s

nunca esteve". Ora, a educação física tem uma trajetória histórica den-

m o v i m e n t a ç ã o d o c o r p o , levando-nos a uma discussão sobre os valores

tro da escola que parece ser desconsiderada pelo autor, pois não apro-

s u b j a c e n t e s aos o b j e t i v o s e l a b o r a d o s para a e d u c a ç ã o física escolar.

fundando a discussão com objetivo de descrever como a educação física vem se dando no currículo, para daí buscar a sua transformação, não

O autor ratifica sua intenção, na crítica sobre a necessidade de

resta para o autor então outra saída que não os apontamentos idealistas.

a educação física como componente curricular buscar sustentação teó-

Observa-se a preocupação do autor em caracterizar a prática da

rica e filosófica, e aponta como fundamental, para a consecução de tal

educação física n o espaço escolar, com base na vivência de determi-

objetivo, uma formação crítica do professor de educação física.

nados valores específicos desse espaço. N ã o há, no entanto, nenhuma

C O N S I D E R A Ç Õ E S FINAIS 151

1 50 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA

explicitação desses valores em toda a obra. Depreende-se que esses

Faria Júnior (1987) pretende ampliar o âmbito de ação da edu-

valores estariam fundados em questões como o conhecimento e a so-

cação física escolar ao alertar para a necessidade de essa área se ater

cialização difundidos pelo professor durante a aula de educação físi-

às questões afeitas ao domínio cognitivo:

ca. Mas o autor não entra no campo "estritamente pedagógico"; mesmo quando tenta olhar para a área de forma a procurar integrá-la na

O D o m í n i o C o g n i t i v o inclui o s o b j e t i v o s v i n c u l a d o s à m e m ó r i a o u

escola, não o faz pelo que lhe é específico, ficando suas análises sem-

r e c o g n i ç ã o e ao d e s e n v o l v i m e n t o d e capacidades intelectuais. Estes o b j e -

pre circunscritas no âmbito geral.

tivos enfatizam a r e c o r d a ç ã o d e alguma coisa p r e s u m i v e l m e n t e aprendida,
a resolução d e um trabalho intelectual o n d e o indivíduo após d e t e r m i n a r o

O q u e sugerimos é que, a partir da reflexão emanada pelas disciplinas
com inspiração humanista, possa o professor, em qualquer circunstância, não

problema essencial d e v e utilizar idéias, m é t o d o s ou p r o c e d i m e n t o s a d r e d e
aprendidos.

p e r d e r d e vista os seus objetivos, p r o c u r a n d o imprimir ao seu trabalho um

N e s t a classificação ou domínio, o s objetivos variam d e s d e a evocação

c a r á t e r e m i n e n t e m e n t e p e d a g ó g i c o . S o m e n t e q u a n d o os p r o g r a m a s d e

simples até a maneira altamente sofisticadas e criativas de combinar e sin-

E d u c a ç ã o Física estiverem relacionados com os valores humanos, esta dis-

tetizar idéias e materiais.

ciplina sobreviverá d e n t r o d o c o m p l e x o educacional [idem, p. 4],

O s o b j e t i v o s p e r t e n c e n t e s a e s t e d o m í n i o aparecem em disciplinas d e
t o d a s as áreas curriculares, variando, apenas, o s índices, maiores ou m e n o -

Depreende-se dessa análise uma saída genérica, pois não há con-

res, d e incidência, em f u n ç ã o d o grau d e t e o r i z a ç ã o das mesmas.

siderações mais consistentes sobre o que significa esse "caráter emi-

Algumas pessoas mais desavisadas afirmam que a Educação Física, quan-

nentemente pedagógico relacionado a valores humanos". Disso resul-

d o ministrada n o ensino d e I o e 2 o graus, e até mesmo n o superior, não deve

ta uma prescrição de c o n f o r m a ç ã o da prática pedagógica pelo

p r e t e n d e r a aquisição d e c o n h e c i m e n t o p o r parte d o s alunos.

"pensamento produzido por seus intelectuais", o que redunda na ne-

N a d a mais e r r ô n e o , d o n o s s o p o n t o d e vista, pois a Educação Física

cessidade de uma filosofia, antropologia e sociologia da educação físi-

envolve um g r a n d e n ú m e r o d e c o n h e c i m e n t o s relacionados com o históri-

ca. Parece que, em virtude de não se operarem considerações acerca

co d o s d e s p o r t o s , regras, táticas e sistemas, noções d e higiene e saúde, isto

dessa disciplina como componente curricular, de não entendê-la des-

s o m e n t e para citar uns p o u c o s exemplos [FARIA JÚNIOR, 1987, p. 106],

sa forma, essa área necessita de uma fundamentação educacional própria. A par disso reflete a visão de que prática pedagógica é mera
aplicadora daquilo que se produz teoricamente.
É a partir da filosofia da educação, da antropologia da e d u c a ç ã o e da
sociologia da e d u c a ç ã o q u e p o d e r e m o s elaborar a filosofia da E d u c a ç ã o
Física, a antropologia da E d u c a ç ã o Física e a sociologia da E d u c a ç ã o Física, c o m o disciplinas f u n d a m e n t a i s e obrigatórias nos cursos d e formação
d e professores especialistas nessa área [OLIVEIRA, 1985, p. 3].

O autor ratifica sua intenção quando discute, em outra obra, a
questão da avaliação cognitiva em educação física.
A p o u c a p r e o c u p a ç ã o com os a s p e c t o s cognitivos da avaliação em Educação Física justifica-se pela pouca ênfase dada no p r o c e s s o de formação e
nos livros-texto e artigos[...]
E v i d e n t e m e n t e , não se d e f e n d e t r a n s f o r m a r a E d u c a ç ã o Física n u m a
disciplina teórica. Está-se c o n s c i e n t e d e que c e r t o s livros d o tipo trabalho

1 5 0 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA NA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA

d i r i g i d o d e E d u c a ç ã o Física o u e s t u d o dirigido d e E d u c a ç ã o Física t ê m s i d o
usados, p o r imposição d e d i r e t o r e s e c o o r d e n a d o r e s , e m substituição a aulas
p r á t i c a s . C o m isto, o g o v e r n o e c e r t a s e n t i d a d e s m a n t e n e d o r a s b u r l a m a
legislação específica, e v i t a n d o i n v e s t i m e n t o s em instalações e materiais para
a prática da E d u c a ç ã o Física.
N ã o se p r e t e n d e , p o r t a n t o , tirar o c a r á t e r p r á t i c o da E d u c a ç ã o Física,
mas ignorar a importância da relação c o n h e c i m e n t o / d e s e m p e n h o m o t o r e
d e seus p r o c e s s o s d e avaliação é algo q u e s ó p o d e ser c e n s u r a d o [FARIA
JÚNIOR, 1 9 8 5 , p . 6 1 ] .

As análises do autor estão corretas em afirmar que a educação
física trabalha com conhecimento, e portanto com o domínio cognitivo. O problema é que não há reflexões sobre o saber escolar, para daí
se tirarem elementos que possibilitem uma compreensão acerca dos
qualificativos dos componentes curriculares. A educação física é basicamente justificada pela contribuição que pode dar aos intentos de uma
educação integral.
C e r t a m e n t e , e m E d u c a ç ã o Física, t e m - s e q u e trabalhar mais os a s p e c t o s s o m á t i c o s d o aluno, e n q u a n t o q u e p r o f e s s o r e s d e disciplinas d i t a s t e ó ricas o b v i a m e n t e t r a b a l h a r ã o mais os a s p e c t o s c o g n i t i v o s . A m b o s , e n t r e tanto, não p o d e m esquecer ou omitir os aspectos ligados à esfera d o
e d u c a n d o , uma v e z q u e se p r e t e n d e u m t r a b a l h o integral c o m a e d u c a ç ã o
[FARIA JÚNIOR, 1 9 8 7 , p . 9 3 ] ,

Mais uma vez denota-se a preocupação em aproximar a educação física dos outros componentes do currículo, mostrando que ela tem
uma importante função em relação a uma educação que se pretenda
integral. Não há, entretanto, um aprofundamento sobre a especificidade dessa área, de modo a caracterizá-la como componente curricular, que tem um conteúdo que somente ela pode desenvolver no interior da escola. Parece que isso é decorrência do fato de que esses

C O N S I D E R A Ç Õ E S FINAIS 1 5 1

autores pouco se aprofundaram sobre a constituição da educação física como componente do currículo, de modo que não conseguem trazer novos elementos que concorram para o avanço de sua prática.
Outra saída que se observa na literatura estudada é referente à
exigência de que a educação física escolar só se materializará como
educação quando sua prática incorporar uma discussão política sobre
os fatores sociais amplos. Ou seja, a educação física que se tem não é
educação, e para tornar-se tal, faz-se necessário que o professor vincule as atividades desenvolvidas ao debate sociopolítico, para que o
aluno possa compreender o porquê do conteúdo desenvolvido, de
forma consciente.
Carmo (1985) discute a necessidade do professor de educação
física conquistar um nível de consciência crítica que lhe possibilite
compreensão mais ampla e clara do significado da sociedade, da educação, da escola, da educação física, de forma que venha perceber os
determinantes que limitam sua atuação pedagógica, para assim, com
base numa postura crítica, desenvolver sua atuação com competência
técnica aliada a uma consciência política.
A análise do autor insere-se num campo argumentativo, no qual
a justificativa para a existência da educação física, para sua inserção na
escola, baseia-se na necessidade de o professor de educação física ter
clareza, consciência de sua função social que, para o autor, só pode ser
entendida como um agente de transformação social, e que é imprescindível "a vinculação do político com o educacional de forma dialética na busca da práxis social" ( C A R M O , 1985, p. 37).
Nesse sentido, explica como se deve pautar a atuação pedagógica do professor de educação física, na perspectiva que aponta, em
uma ação política engajada ao pedagógico, dentro do qual o professor
precisa "denunciar as discriminações do esporte, os verdadeiros motivos da subnutrição, do analfabetismo, das avitaminoses, das verminoses, da exploração do homem, pelo próprio homem" (idem, p. 39).
Entendendo assim que, sendo o ato educativo um ato político, deve-

da velhice. ao criticar a concepção que tem como objeto de cação física e e s p o r t e venham a ter outras dimensões sociais e políticas. O problema é que a análi- rem sido d e n u n c i a d o s c o m o meios d e alienação não significa q u e sejam isto se do autor de certa forma redunda numa saída idealista. distribuição da renda. ou seja. Tratar desse sentido/significado abrange a c o m p r e e n s ã o das relações da está efetivamente participando na luta pela dignificação da vida d e t o d o s os i n t e r d e p e n d ê n c i a que jogo. as considerações sobre educação física se dão de forma des- tanto. ginástica e dança. e n t e n d e r a realidade avanço na educação física se dará à medida que. sem as quais a vida humana não será possível. saúde pú- de sua disciplina um espaço de luta. mais um elemento que. por meio dos social. como 'especialista político'. educação. com base nisso. o Coletivo de Autores apon- ferentes daquelas que até hoje vêm sendo p r e d o m i n a n t e m e n t e sustentadas. dificuldades e distorções. relações sociais d o trabalho.C O N S I D E R A Ç Õ E S FINAIS 151 1 50 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA se ter claro que "o professor. da defici- cando e denunciando as violências cometidas sob o manto da igualda- ência. 42). têm com o s g r a n d e s condições da natureza. saída idealista pois visualiza as possibilidades de ação da educação fí- O c o n h e c i m e n t o da realidade à luz da dialética. busca fazer p r o b l e m a s sócio-políticos atuais como: ecologia. escola. di- estudo o desenvolvimento da aptidão física. bem como para se constituir como componente curricular. é imprescindível q u e as ações sociopolíticas estejam aliadas às ações colada da sua prática como componente curricular. os c o n t e ú d o s devem ser buscados d e n t r o dela [COLETIVO de que se possa. Isso q u e r dizer q u e cabe à escola p r o m o v e r a apreensão da prática conteúdos de educação física (que ele não deixa claro quais são). esta necessita somente do O G r u p o de Trabalho Pedagógico UFPe/UFSM adentra esse mesmo tipo de argumentação-. . o pro- social i n t e r p r e t a n d o . entretanto se aprofundar sobre o que caracteriza essa área no currícu- sociedade. ta uma proposta de constituição do currículo da educação física.6 3 ] .a e explicando-a a partir dos seus interesses d e classe fessor consiga tratar das questões sociais mais amplas. de 'contra-educação'. p o r te- ticamente. juntamente com outras dimensões sociais. Educação Física. o r e c o n h e c i m e n t o d o s sica escolar para além da instituição escolar.quanto a isso. a identificação constituir como tal. pois perspec- realmente. engajamento político do professor. esporte e aula. ou o u t r o s temas que h o m e n s . alavancar as transformações necessá- DE AUTORES. p r e c o n c e i t o s sociais. raciais. p p . esporte. sem Educação Física e e s p o r t e s sustentada por outras c o n c e p ç õ e s d e h o m e m . papéis sexuais. a fim social. currículo. como se ela pudesse se d e t e r m i n i s m o s sócio-econômico-culturais e educacionais. 6 2 . A reflexão destes problemas é necessária.. p. e que para superar seus problemas. se existe a Suas análises caminham na direção de entender que o grande p r e t e n s ã o d e possibilitar ao aluno da escola pública. rias para se alcançar uma sociedade justa e democrática. desmitifi- blica. Para lo. o u q u e não existam outras possibilidades de r e i n t e r p r e t a ç ã o d e tiva aliar a educação física escolar às condições sociais e históricas. há concordância. nas suas aulas. Não se está aqui negando que o professor deva se engajar poli- Mas se a e d u c a ç ã o física e os esportes perderam o seu sentido. da e x t e r n a e o u t r o s . 1 9 9 2 . ratifica essa político-pedagógicas no sistema educacional. ção da c o n c r e t i z a ç ã o d e novas tendências animam a esperança d e q u e e d u - Da mesma forma. dívi- de educacional" (idem. não levando em conta a própria organização des- e e x p e r i m e n t a ç ã o d e formas d e superação e as possibilidades d e visualiza- sa instituição. valendo-se de atividades específicas e dos "problemas sociopolíticos atuais": Importante é que se reconheça que educação física deve ser mais um elem e n t o n o processo histórico de superação dos atuais estágios d e vida na sociedade. distribuição d o solo urbano. Assim. Q u e está efetivamente participando na luta pela preservação das v e n h a m a c o m p o r um programa d e e d u c a ç ã o física. Portanto.

é p o r q u e p r e t e n d e m o s c o n s t r u i r . Situando-se na segunda pers- pectiva. impossibilitando análises mais consistentes que objetivassem ela- a esse respeito produzidas pelos escolanovistas na primeira metade do borações na perspectiva de avançar. não resta outra saída às aná- ser p l e n o d e r e a l i z a ç õ e s e r e s p o n s a b i l i d a d e s p e s s o a i s . r e a l i d a d e social. Essas análises não se inclinam sobre a educação física escolar com o objetivo de verificar. com base em reflexões teóricas consistentes. por exemplo. a c o m u n i c a ç ã o e e x - gógicas. Não conseguem então captar que a educação física esteve e está tiva d e t r a n s f o r m a ç ã o t e m e m vista promover o desenvolvimento integral da persona- na escola e que vem contribuindo para o desenvolvimento da personali- lidade d o a l u n o p o r m e i o e p a r a a E d u c a ç ã o Física. A autora parece basear sua análise num passado imperfeito tanto da educação física escolar como da própria escola. há muito tal como fora constituída historicamente como componente curricu- vem sendo perseguida.5 1 ] . n e s t a h i p ó t e s e . Disso resulta uma saída que se coloca como renovadora: o integral da personalidade. u m mas não se pode negar sua existência. presente veria ser. Como é possível desconsiderar as elaborações lar. c o n t r i b u i r para o d e s e n v o l v i m e n t o d e n o v a s r e l a ç õ e s so- pressão n o c o n t e x t o social. j u n t o s . Ser c o n s c i e n t e não é. suas aná- momento presente. s u p e r a n d o . ] facilita a b u s c a d o eu c o n s c i e n t e .s e c o m ele e c o n s e q u e n t e m e n t e . 5 0 . é um objetivo só pretendido recentemente. com base naquilo em século XX? Outra questão que esbarra no mesmo tipo de problema é que a educação física tem se constituído como componente curricu- a preocupação em ensinar a pensar. Assim: " N a perspectiva revolucionária. Assim. de superar. o a p r e n d i z a - dade e do pensamento.p e d a - m o d o d e r e l a c i o n a r . . de certa forma.1 5 4 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA C O N S I D E R A Ç Õ E S FINAIS 1 5 5 O e n t e n d i m e n t o d e s t a relação e d e s t e s e n t i d o d e e d u c a ç ã o física e e s - d o c o n c r e t i z a d a pela a t i v i d a d e física. ainda. e. ao discutir as perspectivas de reprodução e transformação nessa disciplina. Esta foi uma preocupação. Esta i n t e g r a ç ã o { . Como conseqüência dessa maneira de entender a área. e não seu papel de uma área específica. 57-58. que versavam sobre o assunto. É preciso ter claro que a Assim. É a f o r m a radical d e ser d o s s e r e s h u - d e u m currículo. . Pode ser que isso ocorra com base em uma con- d o se dá c o m o um a t o criador. o p o r t e s e m nossa s o c i e d a d e b u s c a e s t a b e l e c e r n o v a s r e l a ç õ e s p o l í t i c o . Tem-se o entendimento de que este a amplos e complexos temas que deveriam compor o conjunto dos desenvolvimento componentes curriculares.s e c o m p o s s i b i l i d a d e s a e x p e r i ê n c i a s . grifos m e u s ] . perde-se a especificidade da educação física. a p e r s p e c - histórica. uma E assim q u e as aulas d e e d u c a ç ã o física e e s p o r t e s . aponta os objetivos de ensino para a referida área-.s e o c o n t r a d i t ó r i o e d e s u m a n o d a s r e l a ç õ e s atuais. como se esta só se manifestasse no lar. de uma educação integral. intenção de uma formação global. d i m e n s ã o c o n c r e t a s i m p l e s f ó r m u l a ou um m e r o slogan. os ciais. Se m a n o s . q u a n - lises empreendidas por tal produção que as do âmbito genérico. e n q u a n t o s e r e s q u e n ã o a p e n a s c o n h e c e m mas s a b e m q u e c o n h e - o p t a m o s p o r aulas a b e r t a s a experiências. e d u c a n d o s são c o n v i d a d o s npensar. nas elaborações de Anísio Teixeira que recorreu aos estudos de Dewey Ferreira (1984) incorre também em análises genéricas sobre a educação física no currículo escolar. Novamente há desconsideração com a produção lises a esse respeito pautam-se basicamente no que ela idealmente de- dos escolanovistas. que acaba por Depreende-se dessa análise a subordinação da educação física ser negado. e n v o l v e n d o a c o m p r e e n s ã o crítica da cepção diferente da que a produção teórica da década de 1980 pretende. N e s s e caso. d e v e m a p r e s e n t a r . A i n t e g r a ç ã o . p p . u m c a m p o d e c o n c r e t i z a ç ã o d e novas r e l a ç õ e s e d e n o v o s significad o s 11991. c e m " [ p p . . o p o r t u n i z a a l i b e r a ç ã o d o c o r p o . como este componente do currículo vem se materializando na prática concreta e como foi teoricamente analisado ao longo de sua trajetória N o q u e se r e f e r e a o b j e t i v o s d o e n s i n o d a E d u c a ç ã o Física.

o q u e se c o s t u m a d e n o m i n a r a p r e n d i z a g e m componente curricular. d o m o v i m e n t o . Ela será c o n f i g u r a d a c o m t e m a s o u f o r m a s d e atividades. o r e c o n h e c i m e n t o d o s i g n i f i c a d o d e que. A E d u c a ç ã o Física é uma disciplina q u e trata. correr. A explicação e a justificativa sobre a educação física como componente curricular redundam de análises restritas à própria área. restringindo suas reflexões ao ensino fundamental. receber. são análises que pretendem avançar v i m e n t o . o ser h u m a n o a p r e s e n t a u m a série d e m u d a n ç a s na sua a educação física escolar é um "bem para todos os males". saltar. d o c o n h e c i m e n t o d e uma área d e n o m i n a d a aqui d e c u l t u r a c o r p o r a l . n o â m b i t o da E d u c a ç ã o Física. Tani et al. Denota-se o empenho em superar a visão de que l o n g o d e sua vida. ginástica. a dinâmica curricular. 1 9 9 2 . e que nas séries subseqüentes desse grau de ensino é necessário ensino das habilidades específicas. lutas. rebater. a forma como a educação física escolar deve proceder à seleção do conteúdo no seio da cultura. os autores não aprofundam a discussão sobre a especificidade dessa disciplina como componente curricular. Enfim. ao defender a segunda. p . . p e d a g o g i c a m e n t e . q u e p o d e m ser identificados c o m o formas d e r e p r e s e n t a ç ã o s i m b ó lica d e realidades vividas pelo h o m e m .C O N S I D E R A Ç Õ E S FINAIS 151 1 50 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA Uma terceira saída que pode ser observada na produção teórica Ao se partir d o p o n t o d e vista d e q u e o m o v i m e n t o é o o b j e t o d e e s t u - dessa mesma época é a tentativa de estabelecer a especificidade da edu- d o e aplicação da E d u c a ç ã o Física. 3 8 ] . Entretanto. capaz organizada e i n t e r d e p e n d e n t e . Não há um aprofundamento sobre O Coletivo de Autores (1992). não há considerações sobre como esta área opera a conversão do conhecimento acerca do movimento humano em Essa análise também se apresenta quando buscam definir o que vem a ser educação física. exercícios ginásticos. malabarismo. N a v e r d a d e . p . e s p o r t e . e q u e tais m u d a n ç a s são d e n a t u r e z a progressiva. bem como o conhecimento que esta deve tratar: saber escolar. dentro de um determinado enfoque. t e m características b e m diferenciadas da tendência anterior. 6 4 ] . cação escolar. Ressalta-se aqui o esforço de certos autores em se ficativa e o b j e t i v a s o b r e o m o v i m e n t o p o d e levar a E d u c a ç ã o Física a esta- voltar para a área específica. o p r o p ó s i t o d e uma a t u a ç ã o mais signi- cação física escolar. na es- não recorrendo às fundamentações sobre aquilo que é pertinente à edu- cola. e s p o r t e . d a n - WWIVÊRSIOAOE FEDERAL DO P A * * miai i n t c r i CENTRAL . 1989). Essas habilidades básicas resumem-se no andar. historicamente criadas e culturalmente d e s e n v o l v i d a s [COLETIVO DE AUTORES. t r a z e l e m e n t o s para a justificativa d e uma a p r e n d i z a g e m d o m o - para além da idéia de "panacéia universal" em que a educação física v i m e n t o (TANI e t a l . um elemen- c a p a c i d a d e d e se mover. danças. 1 9 8 8 . a o o da cultura corporal. (1988) pretendem operar análises que possibilitem o estabelecimento de uma fundamentação teórica para educação física escolar. 1990. c o m o as n o m e a d a s a n t e r i o r m e n t e : j o g o . escolar fora circunscrita (SOARES. c o n t o r c i o n i s m o . Já as específicas. mímica e outros. t o imprescindível "para todos os problemas de aprendizagem. restringemse àquelas requeridas pelo esporte. ainda que afirmem que elas podem ser observadas em diferentes atividades do homem. procurando situar a educação física como belecer. chutar e quicar. exteriorizadas pela expressão corporal: j o g o s . arremessar. qual seja. Busca desenvolver uma reflexão pedagógica sobre o acervo d e formas d e r e p r e s e n t a ç ã o d o m u n d o q u e o h o m e m t e m p r o d u z i d o n o d e c o r r e r da história. Afirmam que o movimento humano é o conteúdo a ser ensinado e que o objetivo da educação física até a 4 a série do ensino fundamental é o desenvolvimento das habilidades motoras básicas. aponta o cotejamento entre a perspectiva do desenvolvimento da aptidão física e a perspectiva da reflexão sobre a cultura corporal. expressa o que esta seria: N a perspectiva da reflexão s o b r e a cultura corporal. c o m o o b j e t i v o básico. ao discutir a educação física escolar. r e s u l t a n d o e m u m a s e q ü ê n c i a d e d e s e n v o l - de transformar a escola". BRACHT. p a r t i c u l a r m e n t e corporais.

por um c a m p o d e c o n h e c i m e n t o específico. o artístico. 65-66].]" [idem. o agonístico. reacionária.. rel a c i o n a d o à [.C O N S I D E R A Ç Õ E S FINAIS 151 1 50 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA ça o u outras. p p . praticar e s p o r t e s são t a m b é m formas d e se apropriar d o m u n d o . para uma educação integral. Todavia. dançar. idéias. ainda q u e numa s o c i e d a d e capitalista [.. 1 9 9 0 .] " c o m p r e e n s ã o e explicação d o s valores ético-políticos d o jogar. Com o objetivo de explicar uma perspectiva que supere a visão tradicionalista. para ção física no interior da escola desenvolveu algo que não a cultura t o d a s as "novas" profissões q u e uma s o c i e d a d e d o e n t e gera. cam- questão da unilateralidade do trabalho intelectual.} Bracht (1989). afirma: p o e s t e q u e lhe é peculiar p e r a n t e o s d e m a i s c o m p o n e n t e s curriculares. um " c o r p o q u e a p r e n d e " . é em n o m e d e sua preservação q u e v e m o s a necessidade d e q u e ela. uma v e z q u e são as c o n d i ç õ e s e c o nômicas. d o seu m u n d o e das suas motivações [idem. p o r excelência. nos referimos a o " M o v i m e n t o H u m a n o " c o m o possibilidade histórica d e r o m p e r com uma e d u c a ç ã o escolar unilateral. q u e são r e p r e s e n t a ç õ e s .. t r a n s f o r m a d o em disciplina curricular e desenvolvido c o m o possibilidade histórica d e r o m p e r c o m uma e d u c a ç ã o unilateral. bem c o m o as c o n d i ç õ e s d e m a t u r i d a d e teórica da e d u c a ç ã o física e d o s demais c o m p o n e n t e s curriculares q u e p e r m i t i r ã o a realização o u não d e uma e d u c a ç ã o escolar e f e t i v a m e n t e multilateral. O h o m e m se apropria da cultura corporal d i s p o n d o sua intencionalidad e para o lúdico. Q u a n d o e n c e r r a m o s a primeira p a r t e d e s t e artigo. a c r e d i t a m o s ser ela responsável. ele desenvolve um "sentido pessoal" q u e exprime sua subjetividade e relaciona as significações objetivas c o m a realidade da sua própria vida. d e um c o m p o n e n t e curricular não ligado d i r e t a m e n t e à atividade p r o d u t i va q u e precisa ser r e c u p e r a d o pela escola. se alienar dele. b e m c o m o n ã o o entendimento de que. 5 4 . ao longo de sua trajetória histórica. e l e m e n t o s c o n s t i t u t i v o s d e uma e d u c a ç ã o escolar verdadeira- lar. a educa- d e s e j a m o s q u e ele venha a se constituir e m "mercado". ao discutir aquilo que é peculiar à educação física no interior da instituição escolar. aponta que das contribuições que. o e s t é t i c o o u o u t r o s . redundando assim em recomendações genéricas de que ela deve m e n t e m u l t i l a t e r a l [SOARES. Soares (1990) lança mão de análises sociois- o c o r p o . que impera na educação física e para além Ao discutir sobre a educação física como parte integrante do currículo. pp.. O e s t u d o d e s s e c o n h e c i m e n t o visa a p r e e n d e r a expressão corporal c o m o linguagem. mesmo voltadas para uma formação global. p o d e r á o u n ã o realizar-se... p p . e n ã o apenas d e fugir dele. física e de fato a incorporação da cultura corporal pela educação física esco- politécnica. Eis o a s p e c t o h u m a n o c o r p o q u e prevaleceram e o d e t e r m i n a r a m nos mais distintos m o m e n t o s h i s t ó r i c o s [. afirma: . Isto se afigura possivelmente pelo fato de a literatura recen- rio. A o falarmos em " e d u c a ç ã o multilateral". 61-62]. a te ter adentrado apenas superficialmente as análises sobre como ocorre escola. políticas e culturais d e uma sociedade em seu conjunto. Em face delas. c o n c e i t o s p r o d u z i d o s pela consciência social e q u e c h a m a r e m o s d e "significações objetivas". ao discutir a terior d o universo escolar. não conseguem ultrapassar os limites biopsi- Se é a e d u c a ç ã o física aquele c o m p o n e n t e curricular q u e trabalha c o m cológicos da educação. n ã o e s t a m o s a d v o g a n d o a in- O que se pode depreender dessa afirmação é que parece haver v a s ã o d o e s p a ç o escolar p o r t o d a s o r t e d e " n o v i d a d e s " . assuma d e m o d o c o m p e t e n t e uma e d u c a ç ã o intelectual. q u e constituirão seu c o n t e ú d o . Pelo c o n t r á - corporal.5 5 ] . tratar pedagogicamente essa cultura. n o in- tóricas para justificar a educação física na escola. c o n s i d e r a m o s fundamental clarificar q u e a "possibilidade" a q u e nos r e f e r i m o s é uma possibilidade histórica e. s e n d o assim. Assim.

essas tentativas acabam sofrendo as conseqüências desse quadro. C O N S I D E R A Ç Õ E S FINAIS 1 5 1 Não consideram que. Essas análises estão corretas em apontar que o que confere especificidade à educação física como componente curricular é o fato de esta ter como objeto o movimento humano. não é t o d o movimento. sendo que este não pode ser entendido de forma abstrata. dentro da produção sobre educação física escolar. por exemplo. q u e por sua vez. das práticas corporais produzidas historicamente. As tentativas de aprofundamento sobre a especificidade da educação física como componente curricular parecem esbarrar nos limites que a própria produção teórica dessa área criou. quando não consegue ultrapassar o nível do genérico. com os conhecimentos produzidos sobre as atividades físicas. possui um d e t e r m i n a d o código que denuncia seu condicionamento histórico. entendo que mais do que encerrar o debate acerca das questões aqui tratadas. p. ou seja. lhe é conferido pelo c o n t e x t o histórico-cultural. 1989. Contudo.é o q u e c o n f e r e especificidade à Educação Física no interior da Escola. a idéia de selecionar o conteúdo desta área no seio da cultura corporal parece ser o ponto de transição entre uma educação física reacionária. é preciso observar que essa produção se circunscreve num determinado limite. creio ser relevante resgatar os principais pontos trabalhados ao longo do texto. a luta. E o m o v i m e n t o h u m a n o com d e t e r m i n a d o significado/sentido. d e exercícios ginásticos. Estes movimentos não são propriedade exclusiva desta área ou desta prática pedagógica. a ginástica. no sentido de construir uma síntese que permita avançar nas análises aqui iniciadas com base nos elementos-chave que delas extraí. pois objetivam incorporar o específico. no que se refere à perspectiva de compreender a educação física como componente curricular. incorrendo em análises que. não é qualquer movimento. expressam/comunicam um sentido. na medida em que não produziu investigações mais densas e consistentes sobre a constituição. tais como o esporte. tornando-se necessário compreendêlo em seu caráter socioistórico-cultural. mesmo apontando questões importantes para a compreensão da educação física no currículo. tais como a ginástica e o esporte. Vale ressaltar que esses últimos autores concorrem para uma mudança significativa.1 50 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FÍSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA O tema Educação Física. emancipadora. c o m o mencionado anteriormente. O problema que se depreende dessas análises é que os autores parecem entender que a educação física. a Educação Física apoderouse em maior ou menor grau (ou foi ela que foi instrumentalizada?) destas atividades corporais. e isso não pode ser entendido como insuficiência de seus autores. a cultura corporal ou o movimento humano produzido culturalmente. Estas atividades. ou seja. idealista. incorporam-se a um c o n t e x t o q u e lhes c o n f e r e sentido [BRACHT. Assim. Assim. sobre as diferentes práticas corporais. muito pelo contrário. Ao finalizar a discussão. ao longo de sua trajetória histórica. e uma educação física crítica. é o movimento corporal . progressista. d e dança etc. d e esporte. essa área trabalha com elementos da cultura corporal. c o m o disse. não trabalhava com os elementos da cultura corporal. não conseguem adentrar uma análise mais ampla sobre as formas pelas quais essa disciplina efetivamente se materializou e se materializa na escola brasileira. o jogo. Isso certamente resulta num significativo avanço. o conteúdo da educação física escolar deve ser selecionado dentre aquilo que se denomina cultura corporal. . Assim. entendendo que tais considerações só se fazem presentes a partir dos anos de 1980. 28]. este trabalho se constitui num ponto de partida para o aprofundamento da discussão. pedagogizando-as (ou p r e t e n d e n d o pedagogizá-las). utilitária. mas como decorrência da própria trajetória dos estudos referentes à educação física escolar. que é o conjunto das manifestações. alienada. O movimento q u e é tema da Educação Física é o q u e se apresenta na forma d e jogos. Mas o movimento corporal o u o movimento humano que é o seu tema. a dança etc. desenvolvimento e a função da educação física no interior da instituição escolar. desde a sua inclusão no currículo.

S u p e r i n t e n d ê n c i a Municipal d e Educaçao D i r e t o r i a d e O r i e n t a ç ã o T é c n i c a . circunscrita em um determinado contexto e limitada pelo estágio teórico por mim alcançado e pelo tempo que tive • Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP) • Secretaria de Estado da Educação (SEE) • Governo do Estado de São Paulo 1986 (GESP) para sua realização e que. no extremo. meu intuito não foi o de desconsiderar a contribuição desta produção teórica. no meu entender. uma produção datada.SEE . Alaíde Bueno Rodrigues (SUPEME).D e p a r t a m e n t o d e r e c u r s o s h u m a n o s . para o avanço dos estudos sobre esse componente curricular tão comentado.Biblioteca " E m b a i x a d o r J o s é C a r l o s M a c e d o Soares" (CENP).divisão d e a p o i o t é c nico. Assim. venho mantendo uma íntima ligação e relação com essa produção. mas uma contribuição. mesmo que pequena. mas o de. D e p a r t a m e n t o d e r e c u r s o s h u m a n o s . LISTA DE D O C U M E N T O S A N A L I S A D O S 1 meu entendimento sobre educação física escolar.secr. O u seja. enfim. tomando-se por base sua revisão crítica. não pretendeu oferecer respostas.CESP. . ao longo de minha trajetória profissional. na medida em que considero extremamente necessária a realização de estudos e investigações que procurem descrever e expli- 1. Por fim. na medida em que essa mesma produção. contribuir para o avanço dos estudos sobre a educação física escolar. mas ainda tão desconhecido. ou pelo menos parte dela. 1 • As i n f o r m a ç õ e s s o b r e os d o c u m e n t o s foram o b t i d a s j u n t o aos s e g u i n t e s órgãos: C o o r d e n a d o r i a d e E s t u d o s e N o r m a s Pedagógicas (CENP) . também. e sobre o qual tanto se tem escrito. Biblioteca P e d a g ó g i c a P r o P . é que vinha formando e informando minha atuação pedagógica. M e m ó r i a t é c n i c a d o c u m e n t a l d e SUPEME. visto que tinha impregnado em mim muito dos seus pressupostos.P M S P . valores e concepções. minha concepção. N o entanto. d e a d m i n i s t r a ç ã o .s e t o r d e c o n c u r s o s p ú b l i c o s .PMSP. vale a pena ressaltar que este meu trabalho é. a ponto de.1 68 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA í A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLAANEXO169 A N E X O Empreender análises acerca da produção teórica da educação física escolar no anos de 1980 não foi tarefa fácil.1Q grau (versão preliminar) car como realmente se constituiu e se constitui a educação física escolar em nosso país. Proposta Curricular de Educação Física . não foi simples operar críticas à referida produção. estabelecer certezas e verdades absolutas.

6.categoria 2 4 • GESP 1992 • Secretaria Municipal da Administração e Secretaria Municipal da Educação • Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP) 1990 2. Concurso público para o provimento de cargos de professor de 1 e grau . Proposta curricular para o ensino de educação física: 2 e grau (versão preliminar) 6 GESP • 1989 CENP • SEE 5.última) • Secretaria Municipal de Educação (SME) • • Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP) • CENP • GESP 1992 4.4 9 . Concurso público para o provimento de cargos de professor 111/86. 3 7 . 3 5 [ 2 4 2 ] . P u b l i c a d o n o Diário Oficial do Município de São Paulo e m 0 9 / 1 1 / 1 9 8 8 ( D O M .f e i r a . Esta p r o p o s t a a p r e s e n t a uma bibliografia geral e uma bibliografia c o m e n t a d a .1 2 . S ã o Paulo. 1 . S Q C . seç. p p . N e s s a ú l t i m a é a p r e s e n t a d a c o m o c i t a d o n o p r ó p r i o d o c u m e n t o . 4 6 . Programa de primeiro grau .I I . 1985). S ã o Paulo. s á b a d o . t e r ç a . 2 9 d e z . 1990). uma "súmula d e a l g u n s livros q u e d e r a m s u p o r t e a e s t e t r a b a l h o ( P r o p o s t a c u r r i c u l a r ) e cuja leitura p e r mite maior envolvimento e c o m p r e e n s ã o desta proposta".Q M 5 • SEE • SEE • • GESP 1986 3. 4. 5 7 . I. p p . seç. 2 7 d e z . p p . São Paulo. P u b l i c a d o n o Diário Oficial do Município de São Paulo e m 2 9 / 1 2 / 1 9 9 0 ( D O M .E d i ç ã o Especial).3 8 . por nomeação e acesso 2 6. 1992). Educação física no ciclo básico • CENP • SEE 1988 • SEE GESP 8. P u b l i c a d o n o Diário Oficial do Estado de São Paulo e m 2 7 / 1 2 / 1 9 8 5 ( D O E . 102 [93].nível II .6 0 . Concurso público de provas e títulos para o provimento de cargos de professor III. São Paulo. 9 nov. sexta-feira. 5. 33 [210]. 1988 . 9 5 [244].A(yAu rijiLA INA CÉLULA C A tL/ut^v^ roi^A un COCULA 2. .ensino regular implementação de educação física 3 1992 7. p p . 3.ANCAU • ÜJ iun C»N »tvc n cL/uv. 1. quarta-feira. 19 mai. P u b l i c a d o n o Diário Oficial do Estado de São Paulo e m 1 9 / 0 5 / 1 9 9 2 ( D O E . Proposta curricular para o ensino de educação física de 1Q grau (4â edição .

.1 B grau: 5 .Sa 090/93) ANEXO 169 13. Atividades para 3 a e 4 a séries do 1 9 grau vol. I (A prática pedagógica) • 15. 2 5 j a n . 2 0 . I (A prática pedagógica) • Diretoria de Orientação Técnica ( D O T ) • • SME • SEE • PMSP • 1993 10. Publicado n o Diário Oficial do Município de São Paulo e m 2 5 / 0 1 / 1 9 9 4 ( D O W .f e i r a .educação física ( C O D O T G .2 3 . II (a prática pedagógica) CENP • SEE • • GESP • SEE 1993 • CENP GESP 1994 12. Atividades para o ciclo básico vol. Educação física . Apoio . p p . 3 9 [16]. de cargos de professor adjunto de educação infantil. I (a prática pedagógica) • CENP • SEE • GESP 1993 7.caminhos: da qualidade na educação ao ensino de educação artística . 1994. Encontro . Atividades para o ciclo básico vol. em caráter efetivo. t e r ç a .educação física infantil jogos e brincadeiras ( C O D O T C .1 68 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA í A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA 9.a 8 a séries vol. professor adjunto de ensino fundamental I e professor adjunto de ensino fundamental II7 PMSP • Secretaria Municipal da Administração e Secretaria Municipal da Educação 1993 • Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP) 1994 11. Concursos públicos para provimento. São Paulo.Sa 064H/93) • DOT • SME • CENP GESP 1992 14.

visão de área . C a m p i n a s . I) (A prática pedagógica) • CENP • SEE • GESP LISTA DAS O B R A S E S T U D A D A S - • 1994 17. Atividades para 3 a e 4 ã séries d o 1 2 grau vol. e.1 2 grau: 5 a a 8 â séries vol. do ensino de educação física. M a n u e l S é r g i o V ( 1 9 8 9 ) ' . d o ( 1 9 8 5 ) .ANEXO 169 1 68 ENTRE A EDUCAÇÃO FlSICA NA ESCOLA í A EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA 16. 18. Educação física: competência política em busca de um movimento simétrico.educação física . humana? Papirus.documento 5 C O D O T PSG Sa 002/92 • D O T CASTELLANI FILHO. a história t]ue não se conta. • SME • PMSP COLETIVO DE AUTORES ( 1 9 9 2 ) . . Livros 1994 BETTI. M a u r o ( 1 9 9 1 ) . A p o l ô n i o A . p e l o fato d e tal o b r a t e r r e p e r c u t i d o f o r t e m e n t e na e d u c a ç ã o física brasileira nesse p e r í o d o . Educação física . t. Campinas. II (A prática pedagógica) • CENP • SEE • GESP 1. essa obra foi c o n s i d e r a d a p a r a e f e i t o d e análise d e s t e t r a b a l h o . S ã o P a u l o . Educação física e sociedade. ainda. Papirus. A p e s a r d e o a u t o r ser e s t r a n g e i r o . M o v i m e n t o . Educação física ou ciência da motricidade 2. técnica e consciência Uberlândia. São Paulo. Metodologia 1992 Cortez. CARMO. CUNHA. Movimento de reorientação curricular . v i s t o q u e ele m a n t e v e intensa i n t e r l o c u ç ã o c o m o s a u t o r e s nacionais d u r a n t e o s a n o s d e 1980. Universidade Federal de Uberlândia. Educação física no Brasil. e d . L i n o ( 1 9 8 8 ) .

V e r a L. "A f o r m a ç ã o d o p r o f e s s o r d e e d u c a ç ã o f í s i c a e a p e s q u i s a " . A educação física cuida do corpo. a b u s c a d a a u t o n o m i a p e d a g ó g i c a " . ) Fundamentos pedagógicos da educação física. Rio d e Janeiro. p p . objetivos. v . 2 9 . " E d u c a ç ã o física: u m a d e s o r d e m p a r a m a n t e r a o r d e m " . Educação física humanista. Criatividade nas aulas de educação física. n . GRUPO DE T R A B A L H O P E D A G Ó G I C O U F P E / U F S M educação física: (I99T). S ã o P a u l o . ( o r g . 1. ( 1 9 9 1 ) . "A ( d e s ) c a r a c t e r i z a ç ã o p r o f i s s i o n a l f i l o s ó f i - S ã o P a u l o . n.1 2 .. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. p p . . O cjue é educação física? q u e t r a b a l h a : u m a a b o r d a g e m p s i c o l ó g i c a " .3 3 . 5 3 . A o L i v r o T é c n i c o . Brasiliense. " F u n d a m e n t o s d a e d u c a ç ã o f í s i c a e s c o l a r " . 1. ( 1 9 8 3 ) . Artigos Periódicos BRACHT. de (1987). n . " R e p l a . " A v a l i a ç ã o d o d o m í n i o c o g n i t i v o - TAFFAREL. WEISSLER. M a d r i d . TANI. ENCLUND. SANTIN. MEDINA. T. 8 . S ã o P a u l o . CARMO. Didática de educação física: formulação In: OLIVEIRA. n u e v a o r i e n t a c i ó n t e ó r i c a " . EPU/EDUSP. " E d u c a ç ã o f í s i c a e d e s p o r t o s : u m a abordagem f i l o s ó f i c a d a c o r p o r e i d a d e " . u m a t o p e d a g ó g i c o " . Informativo APEF. Rio de Ja- neiro. 0. v o l . p p . pp. " E d u c a ç ã o física. J o ã o B a t i s t a ( 1 9 8 9 ) . M a d r i d . 2 8 . S i l v i n o ( 1 9 8 4 ) . C . n. p p . n. ( 1 9 8 4 ) . C a r m e n L. 1. S ã o P a u l o . n . FERREIRA. n . CASTELLANI FILHO. . p p . " L a c o n s t r u c i ó n d e i c u r r i c u l u m : p o s i b i l i d a d e y â m b i t o s d e i n v e s t i g a c i ó n d e la h i s t o r i a d e i c u r r i c u l u m " . Revista Brasileira de Ciências do Esporte. I. 9 . n . V i t o r M . v. J o c i m a r ( 1 9 8 6 ) . 134-139. maio. Scipione. 4 1 . V i t o r M a r i n h o d e ( 1 9 8 4 ) .4 7 . A o Livro T é c n i c o . S a n t a M a r i a . s. Fundamentos pedagógicos: avaliação em educação um física. M a r i n g á . Kinesis.. p p . L i n o ( 1 9 8 3 ) . P. " E d u c a ç ã o f í s i c a . In: . Revista Brasileira de Educação Física e Desportos. 2 9 5 ( H i s t o r i a d e i c u r r i c u l u m . R i o d e J a n e i r o . e d . 1 4 3 . FARIA J Ú N I O R . J o ã o P a u l o S. 3. 1. São Paulo. "A i m p o r t â n c i a d a e d u c a ç ã o física p a r a o a d o l e s c e n t e Técnico. "A e d u c a ç ã o física e s c o l a r c o m o c a m p o d e v i v ê n c i a s o c i a l " . I). ( 1 9 9 0 ) . c a d a e d u c a ç ã o f í s i c a " . C a m p i n a s . escolar: fundamentos para uma abordagem S ã o Paulo. SOARES.a n á l i s e e u m a p r o p o s t a c o n c e i t u a ç ã o " . 2 3 . n . p . Educação de corpo inteiro: teoria e prática da educação física. p. A o Livro T é c n i c o . I). ( 1 9 8 8 ) .1 5 6 . 160p. A o L i v r o CUNHA. C e l i N . ( 1 9 9 1 ) . Prática de educação física no i° grau. ) . 3. 3. R i o d e J a n e i r o . GOODSON. Brasília. Educação física desenvoloimentista. A p o l ô n i o A .6 8 .. IBRASA. Corpoemovimento. Revista dei Educación. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 2 8 . Z . n . o u t . Ao Livro Técnico. Corpo e Movimento. v o l . Rio de Janeiro. C u a n a b a r a .1 0 1 .d e z .3 9 . ( 1 9 8 9 ) . C a m p i n a s . de Rio de Ja- neiro. n . Revista de Educación. n . S ã o P a u l o . FREIRE. " E d u c a ç ã o física-. e s p . d o ( 1 9 8 4 ) . "A p e s q u i s a e m e d u c a ç ã o f í s i c a " . 2. 1. DAOLIO. Reuístfl Brasileira de Ciências do Esporte. 4. G o ( 1 9 8 4 ) . 3. OLIVEIRA.ANEXO 169 1 68 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA í A E D U C A Ç Ã O FÍSICA D A ESCOLA FARIA J Ú N I O R . d e ( 1 9 8 5 ) . A l f r e d o G . P a p i r u s . ( 1 9 8 5 ) . o u t . p p . 2 9 5 ( H i s t o r i a d e i c u r r i c u l u m . G O e t al. B e t t i n a ( 1 9 8 1 ) . 9. de . . modelo de reprodução ou perspectiva de transformação? ( 1 9 8 7 ) . ( o r g . S ã o P a u l o . e "mente": bases para a renovação e transformação da educação física. 5 1 . p p . A l f r e d o G . a l e r t a " . 167. ( 1 9 8 5 ) . e d . m a i o . j a n . Revista da Educação Física. i e j a m e n t o d e la h i s t o r i a d e i c u r r i c u l u m : h a c i a u n a 3. V a l t e r ( 1 9 8 8 ) . S ã o P a u l o . 30-68. Visão didática da análises críticas e exemplos práticos de aula. M a r i a I s a b e l d a ( 1 9 8 4 ) . 9 5 . TANÍ.

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Metodologia do trabalho científico. p p . e d . ma d e p r i m e i r o grau . " M a s . o q u e é e d u c a ç ã o f í s i c a ? : u m e x e m p l o d o s i m p l i s m o i n t e l e c t u a l " . C o r t e z / A u t o r e s A s s o c i a d o s . 2 1 0 . s. História e verdade. S ã o Paulo. 6 1 p . ( 1 9 8 5 ) . ( 1 9 9 2 ) . S ã o P a u SÃO PAULO ( M u n i c í p i o ) . f e v . Movimento. C o r t e z / A u t o r e s Associados. ( S a 0 9 0 / 9 3 ) . C O e t al. 1 6 7 . classe e luta de classes. nhecimento e sociedade. E d u c a ç ã o ) .4 1 . S ã o P a u l o . Escola e democracia: teorias da educação. e d u c a ç ã o infantil. C o r t e z . Criatividade S ã o Paulo. S ã o P a u l o . TANI. F D E . j u n . Diário Oficial do Município.1 2 . 1 .educação física .6 8 . 1 6 . C a r m e n L. teúdo/método SOARES.2 8 . n . EPU/EDUSP. TAFFAREL. 280p. Autores Associados. A b e l S i l v a e t al. pp. res Associados. G . Educação física-.2 3 . Educação Física Escolar: fundamentos de. c u l o n u m a p a i s a g e m p ó s . Currículo. Educação: co- S ã o Paulo. S ã o P a u l o . n. 4. ) . (1995a). (Sa 0 6 4 H / 9 3 ) . ( 1 9 9 3 ) . S ã o Paulo.visão de área. S e c r e t a r i a M u n i c i p a l d e E d u c a ç ã o . SILVA. 9 nov. c i ê n c i a e t é c n i c a " . F D E .

( 1 9 9 4 ) . B e t t i n a ( 1 9 8 1 ) . Em Aberto. Editora UNESP. portanto. Parece-me oportuno. YOUNG. Informativo I APEF. c ü n t r a a p o s i t i v i z a ç ã o d a fi- da educação física dos anos de 1980. 14. p p . 4 v. 1. 2 7 .) g i a " . ao escrever sobre a história do século XX. p p .8 5 (Série Idéias. S a n t a M a r i a . sentimento ao rememorar o processo de construção do livro que ora é reeditado. "A f a v o r d a e d u c a ç ã o . Apresentação monográficos de trabalhos de conclusão de curso. n. Normas para publicações da UNESP. n . p p . v. no exame público da dissertação de mestrado que se transformou neste livro. 4 ( D i s s e r t a ç õ e s e T e s e s . mas também "sujeito". s o c i o l o g i a d a e d u c a ç ã o ' " ..g r a d u a ç ã o " . também parece ter partilhado. D e v a n i l nos falou Hobsbawm. Neste livro. " C o o r d e n a d o r i a g e r a l d e b i b l i o t e c a s .e ainda dará às ações e discussões no . P U C . implicou um certo "acerto de contas" de Caparroz com essa pro- F D E . Distanciamento este que.. 16. São Paulo. cogni- para alcançar um certo distanciamento crítico da produção analisada. Currículo. " E d u c a ç ã o física escolar: f u n d a m e n t o s p a r a u m a abord a g e m d e s e n v o l v i m e n t i s t a " . v. S ã o P a u l o . M a r c e l o G u i n a et al. UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA ( 1 9 9 4 ) . ( 1 9 9 0 ) .. 2 9 - dução. 4 5 . 2 6 ) . A b e l S i l v a e t a l . 3. (mimeo. N i t e r ó i . S ã o P a u l o . S ã o P a u l o . S ã o P a u l o . j a n . Normas para publicações UNESP. v.D o t r a b a l h o c i e n t í f i c o a o l i v r o ) . como bem observou Nereide Saviani. 1 9 6 .(i994-i996). . Editora UNESP.r e i t o r i a d e p e s q u i s a e p ó s . n . (1995). Francisco Eduardo Caparroz analisa a produção WARDE. 4 v. v. P o r t o A l e g r e . Educação e Realidade. ric Hobsbawm. . v. R e s e n h a d o p o r F e r r e i r a .3 3 . 4 v. própria formação acadêmico-profissional de Caparroz. " O e s t a t u t o e p i s t e m o l ó g i c o d a d i d á t i c a " . n. I n : BORCES. " C u r r í c u l o e d e m o c r a c i a : l i ç õ e s d e u m a c r í t i c a à ' n o v a 40. ( 1 9 9 4 ) . In: T o z z i . do aviso e do marco do qual Brasília. p p .1 9 9 . Normas para publicações da UNESP. E d i t o r a UNESP. que viveu tanto os acontecimentos como os desdobramentos históricos que cabia relatar e interpretar. 11). m a i o . já que tal produção não é apenas objeto de análi- A . " E d u c a ç ã o f í s i c a . 3. 1 ( R e f e r ê n c i a s b i b l i o g r á f i c a s ) . 20p. ( 1 9 9 1 ) . EPU/EDUSP. 1 ( A r t i g o s d e P u b l i c a ç õ e s P e r i ó d i c a s ) . n .. n. S ã o P a u l o . ( 1 9 8 8 ) .5 3 ( S é r i e Idéias. res- J—J saltou que o fazia a partir da perspectiva de um observador pri- vilegiado e participante. S ã o P a u l o . 1. 4 v. 6 7 .1 68 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA NA ESCOLA í A E D U C A Ç Ã O FÍSICA DA ESCOLAANEXO169 P O S FÁ C I O ( 1 9 9 5 ) . na medida em que influenciou fortemente a . ( 1 9 9 4 ) . UNIVERISDADE FEDERAL FLUMINENSE ( 1 9 9 4 ) . M i c h a e l ( 1 9 8 9 ) .r e i t o r i a d e a s s u n t o s a c a d ê m i c o s / p r ó . A didática e a escola de i"grau. se. para analisar a contribuição que o presente livro vem dando . 1. " P r ó .m a r . ( 1 9 9 4 ) . permitam-me a l o s o f i a " . Revista Brasileira de Ciências do Esporte. Partilho esse WEISSLER. EDUFF. p p . insistência.a n á l i s e e u m a p r o p o s t a d e c o n c e i t u a ç ã o " . v. S ã o Paulo. 4 6 . Editora da UNESP. E d i t o r a UNESP". ( P r e p a r a ç ã o e R e v i s ã o d e T e x t o s ) . esse fato exigiu um grande esforço em história e filosofia São Paulo. e d . Normas para publicações da UNESP. F D E .-jun. "Currículo e c o n h e c i m e n t o : os i m p a c t o s da psicoloconhecimento e sociedade. jan. Intelectuais da educação: entre a identidade e a dissonância tiva (Projeto de pestfuisa coletiva do programa de estudos pós-graduados da educação . m a i o . M i r i a n J . C o m o admite o próprio autor. e t al. análise esta que.

principalmente. os esforços não recaíssem na mudança efetiva da ação pedagó- históricas que derivam os movimentos no interior da escola da dinâ- gica . no plano da intervenção. 2 0 0 3 ) . lidades dos discursos críticos se manifestaram mais claramente. P r o f e s s o r t i t u l a r d o C e n t r o d e E d u c a ç ã o Física e D e s p o r t o s então. e eu as tenho como bliografias de concursos públicos para professores de educação física). Bracht Uma das grandes contribuições do livro de Caparroz situa-se. mas aju- conhecimento que possa efetivamente impactar na nossa prática pe- dar a compreender seus limites. necessárias. dagógica. Independentemente das relativizações vro (produção dos anos de 1980 que aparece como indicação em bi- e objeções que possamos fazer a essas análises.falavam de uma educação física que era gestada pela dinâmica macrossocial (capitalista) e se efetivava na escola. com os sujeitos concretos (professores e alunos) que davam vida à educação física .POSFÁCIO 1 8 9 1 8 8 ENTRE A E D U C A Ç Ã O FlSICA N A ESCOLA E A E D U C A Ç Ã O FlSICA D A ESCOLA Em grande parte. essa perspectiva de análise situa-se num amplo movimento no interior do pensamento pedagógico brasileiro que também se orienta nessa direção. os textos analisados por Caparroz em seu li- cada de 1 9 8 0 (OLIVEIRA. particularmente para gerar absolver ou imunizar tal produção ante a crítica (necessária). na demonstração de que os discursos elaborados nos anos de da U n i v e r s i d a d e F e d e r a l d o E s p í r i t o S a n t o (CEFD-UFES). Valter quando defrontadas com as dificuldades repostas pela prática. O b s e r v o que a contextualização anterior não tem o objetivo de quecimento do debate na educação física.DAOE FEDERAL DO BIBLIOTECA CENTRM. seus movimentos internos. E é exa- cendo na educação física e educação brasileiras. mas. agora na sua tese de doutorado. no próprio Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica (PUC). com d o L a b o r a t ó r i o d e E s t u d o s e m E d u c a ç ã o Física (LESEF-CEFD-UFES). limitações e possibi- ancorar as possibilidades de transformação. recuperando a importância dos fazeres dos sujeitos con- necessário dedicar um maior esforço na tradução das análises críticas em cretos não só para o entendimento do que efetivamente vem aconte- propostas ou "proposições" inovadoras de prática pedagógica. mais um professor de educação física. simultanea- gógica brasileira: apresenta os limites das análises sociológicas e mente. Era portanto das escolas. Mais uma vez. É sintomático que poucos anos após. O livro de Caparroz é um marco. As vozes e ações que emanavam da educação física da escola não encontravam ressonância e não despertavam a atenção daqueles discursos. ou seja. a educação física ca. no plano da educação físi- N o momento em que Caparroz faz sua análise. PA«* . possibilidades e papel históricos. é preciso reconhecer a importância desse parecer da crí- foram produzidos no contexto do debate citado brevemente descri- tica (com o auxílio da discussão do campo pedagógico) para o enri- to. P e s q u i s a d o r 1980 não tiveram uma maior preocupação com o "chão da escola".VERS.era preciso fazê-la impactar não somente no próprio mundo aca- mica macrossocial e indica a necessidade de mergulhar no cotidiano dêmico. da inflexão que também está presente no plano da discussão peda- já estava percebendo que a crítica ameaçava esvaziar-se se. adote uma perspectiva semelhante na leitura que faz da historiografia da educação física da dé- OH. mas também para neles tamente nesse movimento que as impropriedades.