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Aula 2 – CINEMÁTICA

PARTE 1 – M.U. e M.U.V
1 - INTRODUÇÃO
A cinemática é a parte da Mecânica que estuda o movimento dos corpos sem se preocupar em desvendar as suas causas. No estud o da
cinemática, estamos interessados em determinar a posição do móvel, a sua velocidade ou mesmo a sua aceleração num dado instante. Para
esse estudo, nos utilizamos de funções horárias, gráficos e propriedades dos movimentos.
2 - VALOR MÉDIO DE UMA GRANDEZA
No estudo da mecânica, é comum estarmos interessados em calcular a velocidade média de um móvel, a aceleração média de um foguete, a
força média que uma raquete aplica à uma bola de tênis. Calcular o valor médio de uma grandeza é algo simples e a maneira de calcular é
única para todos os casos. A seguir aprenderemos a calcular o valor médio de uma grandeza genérica e isso será muito útil para os
capítulos seguintes.
Suponha uma função matemática contínua F(t) qualquer que depende da variável t. Considere que a função F(t) tenha um comp ortamento
dado pelo gráfico da figura 1:

F

F

F
m

t1

t2

área 2

área 1

t

t1

figura1

t

t2

t1

figura 2

t2

t

figura 3

Percemos que o valor de F é variável, isto é, para cada valor da variável independente t, a função assume um novo valor F(t). Assim, qual o
valor médio m da função F no intervalo [t1, t2] ?
É o valor constante m que essa função F deve assumir no intervalo [t 1, t2] que faz com que a área 1 seja igual a área 2. Interpretando
geometricamente, estamos transformando a área 1 numa área 2 retangular idêntica, de mesma base t 2 – t1 e altura m a ser determinada.
Seguindo essa definição, temos:
área1 = área 2

área1 = m x ( t2 – t1 )

m=

área1
( t 2  t 1)
Profi, mas por que
as áreas têm que
ser iguais ?

Essas áreas, em cada caso,
têm um significado físico
diferente. Veremos a seguir.

Exemplo resolvido 1:
Um móvel está se deslocando numa trajetória retilínea e sua velocidade, em cada instante t, é dada pela função
V = 2 + 4.t válida no SI. Pede-se determinar a velocidade média do móvel no intervalo de tempo [5s , 10s].
Solução:
O gráfico da função V = 2 + 4.t é uma reta, visto que é uma função do 1 o grau, e está ilustrado na figura 4:

1

10s]. transformemos a área 1 em um retângulo de mesma área. em cada contexto. “mesmo deslocamento” significa dizerárea1 = área2. já que no gráfico V x t.INTERPRETAÇÃO DE GRÁFICOS Um gráfico é uma forma de representação de dados bastante compacta e. 10s]. para ter o mesmo deslocamento de antes s = 160m. Assim. durante aquele intervalo de tempo. que podem ser obtidas por:  Leitura direta dos valores numéricos dos eixos do gráfico  Analisando a área sob a curva  Analisando a inclinação da curva em pontos convenientes A área sob a curva. Profi. geralmente trás informações importantes na solução de problemas.V(m/s) V(m/s) 42 vm 22 área 2 área 1 5 10 t(s) 5 figura 4 10 t(s) figura 5 Determinemos o valor numérico da área 1 acima. vem: área1  (42m / s  22m/s)  (10s  5s) 64m / s  5s = = 160 m 2 2 Observe que a unidade física que resultou do cálculo acima foi metro. ainda assim. efetuando os cálculos com as unidades físicas envolvidas. O estudante deve ser capaz de extrair todas as informações de um gráfico. de mesma base e altura m a ser determinada. 3 . Lembrando da fórmula da área de um trapézio. representa o deslocamento Para determinar a velocidade média Vm do móvel nesse intervalo. no intervalo [5s. mas o cálculo do valor médio m de qualquer grandeza sempre segue o mesmo raciocínio: Transforma-se a área 1 numa área 2 retangular igual. como mostrarei a seguir 2 . vale Vm = 32 m/s ? Essa é a velocidade constante (figura 5) com que o móvel deveria se deslocar. Daí vem a necessidade de que as áreas 1 e 2 sejam iguais. em cada gráfico. e como saberei o significado físico de uma área em cada gráfico ? É simples e não requer nenhuma memorização. trás uma quantidade de informações muito grande. o valor numérico da área 1 s = 160 m do móvel no intervalo de tempo [5s . Nesse contexto. mesma base e altura Vm a ser determinada (área 2 na figura 5) : área 1 = área 2  160 = Vm x (10 – 5)  Vm = 32 m/s Assim. o que significa dizer que a velocidade média do móvel. O significado físico da área varia. a área sob a curva representa s.

A unidade física resultante indicará a grandeza física representada pela inclinação da curva em um dado instante. Exemplo resolvido 2: A figura abaixo mostra o gráfico da posição escalar S. Afinal. Para se determinar o significado físico da inclinação do gráfico (tg). A tabela a seguir mostra o significado físico da área e da inclinação em alguns gráficos como de posição S. A unidade física resultante indicará a grandeza física representada pela área sob a curva. o móvel A passou a se mover com velocidade maior que o S0B móvel B. No gráfico de potência P. aceleração escalar a e potência P. t2 ] os móveis se movem com velocidades escalares iguais. velocidade escalar V. visto que os gráficos de A e B são retas paralelas ( mesma inclinação  =  )  nesse intervalo de tempo. certamente o carro t1 t2 t3 A está mais veloz que o B no instante t3. que se movem sobre uma mesm a estrada. Então. B   No intervalo de tempo [ 0 . para t > t2 . de dois móveis A e B. em função do tempo. em função do tempo. basta dividir a unidade física do eixo Y pela unidade física do eixo X.Para se determinar saber o significado físico da área sob a curva em gráfico. basta multiplicar a unidade física do eixo Y pela unidade física do eixo X. Assim. conclui-se que o móvel A está à frente do móvel B no instante inicial ( t = 0 ) visto que S0A > S0B. é possível afirmar que:  Por leitura direta dos valores do gráfico. velocidades dos móveis certamente são entre si S0A iguais no instante t1. todos seguem o mesmo princípio. 3 . visto que o ângulo  que a reta A faz com a horizontal é maior que o t(s) ângulo  que a reta B faz com a horizontal. note que: 1 watt = 1 Sxt Área (Yx X) Inclinação (YX) Sem significado físico m  m/ s s tg  v joule segundo Vx t a x t Px t m sm s m m s 2 s s j s j s área  s área  v área  energia Sem significado físico Sem significado físico m/ s  m / s2 s tg  a A tabela mostra que não há necessidade de se memorizar o significado da área e da inclinação da curva para todos os inúmeros gráficos. Analise o gráfico: Solução: A S(m) Analisando o gráfico acima.  A partir do instante t2.

6 .MOVIMENTO UNIFORME . vale V.ACELERAÇÃO ESCALAR MÉDIA Considere um móvel que se desloca ao longo de uma trajetória orientada.4 .VELOCIDADE ESCALAR MÉDIA Considere um móvel que se desloca ao longo de uma trajetória orientada. t ] o quociente: am  V V  Vo  t t  to vo V S(m) to t A expressão acima é geral e. No instante t o sua velocidade escalar vale Vo e. t ] o quociente: Vm  S S  So  t t  to S(m) So S to t A expressão acima é geral e. no instante t. se aplica ao cálculo da velocidade escalar média para qualquer classe de movimentos. Esse fato pode ser notado analisando a área sob a curva no gráfico da figura 8. t (s) 0 1 2 3 4 5 6 S (m) 10 14 18 22 26 30 34 V (m/s) 4 4 4 4 4 4 4 Tabela 1 – movimento uniforme 4 . portanto. no instante t. Define-se como velocidade escalar média no intervalo de tempo [ to . Define-se como aceleração escalar média no intervalo de tempo [ t o . se aplica ao cálculo da aceleração escalar média para qualquer classe de movimentos. vale S. ou observando as posições ocupadas pelo móvel na tabela 1. portanto. S(m) 10 m 14 m 18 m 0s 1s 2s figura 7 O móvel acima se desloca em movimento uniforme com velocidade escalar 4 m/s constante. 5 . A característica marcante desse movimento é que o móvel se desloca espacos iguais em intervalos de tempos iguais.(MU) O movimento uniforme é aquele em que o móvel desloca-se com velocidade escalar constante . No instante t o sua posição escalar vale So e.

Quando o móvel se desloca com velocidade escalar constante V. 5s] e [3s . para o MU podemos escrever: Vm  S S  So = V  t t  to  S – So = V. a seguir caculamos as velocidades médias do móvel da figura 7 nos intervalos [1s. Essa é a diferença prática entre o MU e o MUV e é causada pela aceleração. no MUV o móvel apresenta uma aceleração escalar não nula que permanece constante durante o movimento. a cada segundo. pode-se perceber que: No intervalo [ 0s. 7 . considera-se que o instante inicial to vale zero ( to = 0 ) e a expressão se reduz a: S = So + V. 5 . 3s ] o móvel percorre s = 4 + 4 + 4 + 2 = 14 m O móvel. 3s] . Para o móvel da figura 7.( t – to ) A expressão acima chama-se função horária completa da posição para o MU. quando o móvel se desloca no sentido contrário da trajetória. 6s] : Vm  S S  So 22  14 30  18 34  22 = = 4 m/s    t t  to 3 1 52 63 Assim. visto que sua velocidade escalar não aume nta nem diminui durante o movimento. percorre distâncias cada vez maiores. t  S = 10 + 4.MOVIMENTO UNIFORMEMENTE VARIADO . A fim de verificar esse fato. o cálculo da sua velocidade média Vm entre quaisquer dois ins tantes t1 e t2 sempre resultará o mesmo valor V. A área sob a curva na figura 9 revela que o móvel em movimento acelerado não percorre distâncias iguais em intervalos de tempos iguais mas. 2s ] o móvel percorre s = 4 + 4 + 2 = 10 m No intervalo [ 2s. t O Sinal da velocidade escalar é tomado positivo (+) quando o móvel se desloca a favor da trajetória (movimento progressivo) e. Isso significa que o móvel tem uma aceleração escalar +4 m/s 2 durante o movimento. Considere o MUV descrito pelo gráfico da figura 9 em que a velocidade do móvel aumenta de 4 m/s em 4 m/s a cada segundo num ritmo constante. 1s ] o móvel percorre s = 4 + 2 = 6 m No intervalo [ 1s. [2s. A tabela 1 também mostra que a aceleração escalar do móvel é nula durante o MU. Analisando a área sob a curva. de fato. ( t – to )  S = So + V. tem-se So = 10 m e V = +4 m/s. sim. no gráfico da figura 9. assim: S = So + V. t Essa função determina a posição do móvel para qualquer instante t > 0. Isso significa que a velocidade varia linearmente durante o movimento.(MUV) Ao contrário do MU. distâncias progressivamente crescentes. Em geral. negativo (–).

A seguir. valem as seguintes relações para o cálculo da velocidade média de um móvel : Vm  S V0  V  t 2 Exemplo resolvido 3: Um veículo. 6 . podemos escrever: Vm  S V0  V  t 2  Vm  S 10  20  4 2  S  15 4  s = 60 m Assim. determinaremos a velocidade média Vm desse móvel no intervalo [ t 0 . com uma velocidade de 20 m/s. Solução: O comprimento do túnel corresponde ao deslocamento s do veículo naquele intervalo de 4 s. o comprimento do túnel vale 60 m. na verda de. Aplicamos a fórmula quando. não havia interesse em determinar a velocidade média mas. sendo o movimento um MRU. penetra um túnel a uma velocidade 10 m/s e sai pelo outro extremo 4 s depois. Determine o comprimento do túnel. deslocando-se em movimento uniformemente variado. o deslocamento s. desprezando-se o comprimento do carro. Assim. t ] a partir da definição geral de velocidade média: V(m/s) V V0 (V  V0 )  (t 2  t1) V V S área hachurada trapézio 2 Vm   = = 0 t t 2  t1 (t 2  t1) 2 t0 t t(s) Assim. Esse exercício mostra uma interessante aplicação da fórmula da velocidade média do MUV. sim. Assim. no MUV. considere o gráfico de um MUV genérico mostrado ao lado.V(m/s) V(m/s) 20 20 16 16 12 12 8 8 4 4 4 4 1 4 2 4 3 4 4 2 figura 8 – gráfico de MU 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 2 2 1 T(s) 4 2 4 5 4 2 2 3 4 5 T(s) figura 9 – gráfico de MUV A velocidade escalar média no MUV Uma das características marcantes de todo MUV é que a sua velocidade escalar varia linearmente com o tempo.

( t  0 ) 2  S = So + Vo. assim: am  V V  Vo = a  t t  to  (V – V0) = a. qual será a posição escalar S do móvel no instante t > to ? Vo a V S(m) Para determinar S. sempre resulta o mesmo valor a. por simplicidade.8 .( t – t0) tomando t0 = 0. com t > to 7 .t 2 2 A relação acima chama-se função horária da posição para o MUV. em qualquer intervalo [ t0 . devemos recordar que no MUV valem as seguinte relações: Vm  S V0  V  t 2 So S to = 0 t V = Vo + a. t + a.( t – to) + a.A FUNÇÃO HORÁRIA DA VELOCIDADE DO MUV Uma das características marcantes do MUV é que o móvel se desloca com aceleração escalar constante a ao longo do tempo. temos: V V S  o .A FUNÇÃO HORÁRIA DA POSIÇÃO DO MUV Considere um móvel deslocando-se em MUV tal que no instante to sua posição escalar vale So e sua velocidade escalar vale Vo . t 9 . vem: V = Vo + a.t 2  ( S – So ) = Vo  Vo  a. t A partir dessas relações. Isso significa que a sua aceleração média am .t . t ] . o que pode ser útil em problemas nos quais os móveis não começam a se mover no mesmo instante: S = So + Vo.( t  t o )2 2 para t  to So é a posição do móvel no instante to S é a posição do móvel no instante t. A função horária completa é obtida se não considerarmos o instante inicial to = 0. Se sua aceleração vale a .

t – 5. determine: a) +60 m/s VoA 15 A quanto tempo a bola B se moveu até encontrar a bola A . O aluno deve atentar para o fato de que uma única função horária da posição é útil para estudar tanto a subida como a descida do móvel. Como o movimento começa em t = 0 s. t2  0 = 25 + 20. t  0 s a) o coco atinge a altura máxima no instante em que sua velocidade se anula ( a bola pára momentaneamente) . S(m) 45 m a = -g 25 m Solução: Para definir o sinal algébrico das grandezas tratadas escalarmente. um coco com velocidade de 20 m/s. Assim : S = 25 + 20. t – 5. as funções horárias da posição e da velocidade do coco são: S = So + Vo. ( 2 ) – 5. t – 5. Se a aceleração da gravidade vale g = 10 m/s 2. t2 . No instante inicial to = 0. t2 = 25 + 20. c) após quanto tempo o coco chega à calçada. t . portanto:  Hmax = 45 m S = 25 + 20. Assim. Três segundos depois. 25 m inicialmente adotamos arbitrariamente um eixo orientado para cima. c) a velocidade das bolas e a direção em que se moviam no instante do encontro. os movimentos das esferas não iniciam no mesmo instante. O coco atinge o solo em t = 5 s. a partir do solo. t  0 = 20 – 10. 10 b) a que altura ocorreu o encontro. Assim. encontramos t = –1 s e t = 5 s. utiliza-se a função horária completa do MUV seguinte: VoB 5 B 0 figura 10 8 - a= g . a velocidade escalar inicial do coco será tomada positiva ( a favor do eixo ) V o = + 20 m/s e a sua aceleração escalar será tomada negativa a = –g = –10 m/s2. t2  t2 – 4. verticalmente para cima. ( 2 )2 = 45 m c) perguntar o instante t em que o coco atinge a calçada equivale a perguntar: “ em qual instante t a posição do móvel será S = 0 m ? ” Afinal. com velocidade 80 m/s. sendo vertical para baixo.t – 5 = 0 Resolvendo a equação.Exemplo resolvido 3: Juquinha está no alto de um prédio de 25 m de altura e rebola. t + V = Vo + a. Para esse tipo de problema. b) a altura máxima atingida pelo coco em relação à calçada. t  0 s S = 25 + 20. com a origem S = 0 m no nível da calçada. pede-se determinar: a) o instante em que o coco atinge a altura máxima. t  t=2s b) determinar a altura máxima do coco corresponde a determinar a sua posição S no instante t = 2 s. a origem do eixo orientado foi adotada na calçada. t – 5. se opõe ao eixo. t 10. já que a 0m gravidade. +80 m/s Solução: Nesse problema. uma segunda esfera B foi lançada verticalmente para cima. Exemplo resolvido 4: S (m) Uma esfera A foi lançada verticalmente para cima com velocidade 60 m/s de um ponto 15 m acima do solo.t –  2 2  V = 20 – 10.t 2 a. então somente t = 5 s faz sentido fisicamente. Sendo g = 10 m/s2.t 2 = 25 + 20. portanto: V = 20 – 10. o coco está na posição So = 25 m de acordo com o eixo adotado.

( t  t o )2 2 S = So + Vo. A posição do encontro é obtida substituindo t = 6 s em qualquer função horária da posição: S = 60.( t  t o )2 2 = 0 + 80.( t – 3) – 10. Vo = + 60 m/s T (s) 0s 3s lançamento da bola A toA = 0 s lançamento da bola B toB = 3 s t Para o móvel BA. com t > to Nessa função. com a origem S = 0 no solo.( t  3)2 2 SB = 80.( t – 3) – 5.( t – to ) = +60 – 10. to é o instante em que o móvel inicia o seu movimento. a função da posição fica: SB = So + Vo. Vo = + 80 m/s Adotando o eixo das posições na vertical apontando para cima.( t  0)2 2 válida para t  0 s Para o móvel B. encontro das bolas Para o móvel A. temos So = 15 m. Nesse instante. t2 . temos So = 0 m. durante quanto tempo a bola B se moveu até encontrar a bola A ? Observando o diagrama de eventos acima. t – 5. seu movimento durou t = 6 – 3 = 3 s A função horária da velocidade para o móvel A vale: VA = VoA + a. ( 6 )2 = 180 m O encontro ocorreu a 180 m de altura do solo.( t – to) + SA = 15 + 60.( t – 3)2 .( t – 3 ) O encontro dos móveis ocorreu no instante t = 6 s no eixo dos eventos. a função da posição fica: a. Assim.( t – to ) = +80 – 10. t2 = 60x ( 6 ) – 5.a. O diagrama ao lado mostra a sequência dos eventos ao longo do tempo: Para o móvel A. Assim. e S o é a posição do móvel no instante to . = 0 + 60. t – 5. t2 = 80.( t – 3)2  t = 6s O encontro ocorreu no instante t = 6 s no eixo dos eventos. t = 60 – 10 x 6 = 0 m/s 9 .( t – 3) – 5. as velocidades iniciais dos móveis A e B serão positivas ( a favor do eixo) e a aceleração escalar do movimento será negativa ( a = –g) já que a gravidade é vertical para baixo ao contrário do eixo.( t  t o )2 2 SA = So + Vo. t A função horária da velocidade para o móvel B vale: VB = VoA + a. as velocidades escalares dos móveis valem: VA = 60 – 10. to = 3 s.( t – to) + So é a posição do móvel no instante to S é a posição do móvel no instante t. to = 0 s.( t – 0) – 10.( t – to) + a.( t – 3 )  T (s) 0s 3s 6 s lançamento da bola A toA = 0 s lançamento da bola B toB = 3 s encontro das bolas VB = 80 – 10. resolvemos a equação S A = SB: SA = SB 15 + 60.( t – 0 )  VA = 60 – 10. vemos que a bola B se moveu do instante 3 s ao instante 6 s. válida para t  3 s Para achar o instante do encontro. t – 5.

( 3 ) = + 50 m/s Vemos que. indicando que B estava em movimen to ascendente no momento do encontro. a bola A estava momentaneamente em repouso ( v = 0 ). em t = 6 s.VB = 80 – 10. indicando que ela estava em sua altura máxima naquele instante.( t – 3 ) = 80 – 10.( 6 – 3 ) = 80 – 10. 10 . A velocidade escalar da bola B em t = 6 s resultou positiva (a favor do eixo) .

né verdade ? Professor: Sem dúvida ! Seu movimento vertical é idêntico ao de um coco que cai verticalmente de uma árvore. não causando nenhuma aceleração horizontal. o que você espera que ocorra com a velocidade horizontal Vx da bola durante o movimento em direção ao solo ? Claudete: Não sei. já que a velocidade horizontal permanece constante ? Professor: Exatamente. A bola de basquete que vinha com V o = 40 m/s rolando num plano a 45 m de altura entra em queda até o chão. de repente. mas acho que ela deve diminuir.10 . a única força atuante na bola é o peso. prôfi. Claudete: Ah. a aceleração g da gravidade causará um aumento progressivo da velocidade Vy. Claudete. Sem   aceleração horizontal. professor ! g = 10 m/s2 t=0s Vo t=1s 40 m/s 40 m/s t=2s 10 m/s H = 45 m V 20 m/s 40 m/s V t=3s 40 m/s 30 m/s V Alcance = D Professor: Olhe atentamente a figura acima. Claudete: Ah ! Legal ! Mostre um exemplo prático. a velocidade Vx da bola não irá aumentar ou diminuir de valor.LANÇAMENTO HORIZONTAL Vx Vo Vx Vy Vx V Vy V Vx V Vy figura 11 Professor: Observe a figura acima. Claudete. 11 . entra em queda livre (sob ação exclusiva da fo rça   peso) até atingir o solo. certo ? Professor: A velocidade Vx da bola só aumenta se houver uma aceleração horizontal causada por alguma força resultante horizontal. não havendo nenhuma componente vertical. entendi ! Quer dizer que se a gente observar somente o movimento da bola na direção horizontal. permanecendo constante Vx  Vo . A bola vem rolando pelo solo horizontal e. prôfi. Agora me diga. seria um Movimento Uniforme MU né. A velocidade Vy vai aumentando gradativamente de acordo com a gravidade. Esse movimento chama-se lançamento horizontal porque sua velocidade era exclusivamente horizontal Vx  Vo no início da queda. que só atua na direção vertical. querida ! Horizontalmente a bola percorrerá espaços iguais em intervalos de tempos iguais. O que se pode concluir sobre o comportamento da velocidade vertical Vy da bola durante a sua queda ? Claudete: Agora eu sei ! Como tem a força peso P agindo na direção vertical. Entretanto.

Assim. Em outras palavras. quando a bolinha está caindo. 120 m . E seu eu quisesse saber quanto vale aquela distância percorrida pela bolota horizontalmente. aquele tal d e alcance D . que é o chamado alcance. prôfi ? Professor: Bem notado. que inicialmente valia Vy = 0. Quanto tempo um coco leva para despencar do alto de uma árvore gigante de 45 m de altura ? Basta usar aquela conhecida relação da queda livre: H g. já que a aceleração da gravidade vale g = 10 m/s2. Agora você já sabe como se calcula o tempo de queda da bolinha.t 2 2  t = 3s (cálculo do tempo de queda) Claudete:Hummmm ! entendi. temos que achar a resultante (teorema de Pitágoras) entre as velocidades Vx e Vy da bola. e é porque pensei que nunca fosse entender. horizontalmente. t = 40 m/s x  3s D = 120 m (cálculo do alcance) Ou seja. acredita ? Olhe.  Veja a velocidade Vy da bola. prôfi ? Professor: Beeem facinho ! Você lembra que o movimento daquela bola. no instante t = 3 s. Claudete ! O cálculo do tempo de queda é efetuado usando apenas a altura e a gravidade. qual a distância horizontal percorrida por um móvel que se desloca com 40 m/s durante t = 3 s ? Adiviiiiinha ? D = Vx . bem como o seu alcance: g = 10 m/s2 t=0s Vo t=1s 40 m/s 40 m/s t=2s 10 m/s H = 45 m V 40 m/s 20 m/s V t=3s 40 m/s 30 m/s 50 m/s Alcance = 120 m Claudete: Afff ! Gostei desse negócio. Claudete. A figura aba ixo resume todos os resultados que encontramos.  Note que se quisermos achar a velocidade V da bola num certo instante. Vy = 40 m/s . que legal ! E prôfi. chegou ao solo em t = 3 s com velocidade V = 50 m/s Claudete: Puxa. A bola. amiga Claudete. Por que. já que horizontalmente sua velocidade é constante Vx = 40 m/s ? Assim. Veja a velocidade Vx = 40 m/s da bola permanecendo constante durante a queda. que partiu lá de cima com velocidade Vo = 40 m/s. prôfi ! E olhe. percebi uma coi sa interessante nesse movimento: quando calculamos o tempo de queda da bolinha ( t = 3 s ). a bola tem velocidade Vx = 30 m/s . da mesma forma como calculamos o tempo de queda de um coco. na horizontal. ela “não sabe” que também está indo para a direita em MRU ! A tabela abaixo resume tudo isso: 12 . o que permite facilmente achar o valor da velocidade total V da bola: V2 = (Vx)2 + (Vy)2 = (30)2 + (40)2 V2 = 900 + 1600 = 2500 V = 50 m/s A bola. Lembra que o movimento vertical daquela bola é idêntico ao de um coco caindo de uma árvore. aumentando progressivamente de 10 m/s em 10 m/s a cada 1 s egundo. como eu iria saber que a bola leva t = 3 s para chegar lá embaixo ? Professor: Ora. é um MRU. Isso ocorre porque o movimento de queda vertical é totalmente independente do movimento horizontal da bola. em seu “vôo” até o chão percorreu. nem precisamos utilizar a velocidade V 0 = 40 m/s com que a bolinha iniciou o seu movimento. t 2 2  45 = 10.

H e g 13 . ou seja.Grandeza a ser determinada Únicos fatores dos quais a grandeza depende Tempo de queda (t) H e g apenas Vo e tempo de queda (t). Alcance (D) Vo .

A bola será lançada numa direção que forma um ângulo  com a horizontal. prôfi . só atuará na mesma a força vertical peso P. que nem antes ! A velocidade horizontal Vx da bola nem aumentará nem diminuirá de valor durante o “vôo” da bol ota. Esse comportamento da velocidade Vy. no início do lançamento. a velocidade vai mudando de acordo com a gravidade.11 . por causa do peso. logicamente. se deve à presença da força peso na vertical. pois para isso teria que haver alguma força na horizontal para empurrar ou frear a bola. Claudete ! A figura acima mostra que a velocidade Vx da bola não muda de valor durante o movimento da bola. coisa que não existe ! Agora. certo ? g = 10 m/s2 Professor: Muito bem. Já a velocidade vertical Vy vai diminuindo durante o movimento até atingir a altura máxima (onde Vy = 0 já que a bola pára de subir). a bola já terá tanto velocidade horizontal Vx quanto vertical Vy. durante o movimento ? g = 10 m/s2 VoY Vo  VoX Claudete: Ora. prôfi ! 14 . na vertical. Isso significa que. Uma vez mais. A partir daí a velocidade vertical volta a aumentar de valor gradativamente. Claudete: Bora ver um exemplo prático. como você espera que seja o comportamento da velocidade horizontal Vx da bola. durante todo o movimento da bola.LANÇAMENTO OBLÍQUO Professor: Agora o lançamento não será mais horizontal. Claudete. proporcionando a aceleração da gravidade g que controla Vy. Assim.

prôfi ? 15 VoX .8 = 40 m/s VoY Vo  Voy = Vo. onde toda a componente Vy se anula.23 40 41. e como faço para determinar as componentes Vox e Voy no instante inicial ? Professor: Ora.72 50 Note que a velocidade mínima da bola ocorre na altura máxima ( V = 40 m/s ) .23 44. claudete.  A velocidade inicial Vy = 30 m/s da bola vai diminuindo 10 m/s a cada segundo que se passa durante a subida até se anular na altura máxima (t = 3 s) . cos 36 = 50 x 0. já que a aceleração da gravidade vale g = 10 m/s2. podemos estudar separadamente os movimentos vertical (MUV) e horizontal (MRU). Decompondo a velocidade inicial Vo da bola em suas componentes Vox = 40 m/s e Voy = 30 m/s .6 e cos 36 = 0. Claudete: Prôfi. Observe os seguintes detalhes na figura acima:  A velocidade Vx = 40 m/s da bola não se altera durante todo o “vôo” da bola MRU) como era esperado. podem ser vistas na tabela abaixo: T (s) 0 1 2 3 4 5 6 Vx (m/s) 40 40 40 40 40 40 40 Vy (m/s) +30 +20 +10 0 –10 –20 –30 V (m/s) 50 44. bem como a velocidade resultante V (determinada pelo teorema de Pitágoras) .72 41.6 = 30 m/s Claudete: E como sei quanto tempo a bola vai durar o “vôo” da bola. A seguir. restando a penas a componente horizontal Vx naquele instante ( t = 3 s ).8 Vox = Vo. Basta você decompor a velocidade inicial Vo da bola. uma bola é lançada com velocidade inicial Vo = 50 m/s numa direção que forma um ângulo  = 36 com a horizontal. sen 36 = 50 x 0. a velocidade Vy passa a aumentar 10 m/s a cada 1 s durante o movimento de descida. As velocidade Vx e Vy da bola durante todo o movimento.t=3s t=2s t=4s 40 m/s 10 m/s t=1s g = 10 m/s2 40 m/s 40 m/s 20 m/s 10 m/s 40 m/s t=5s 40 m/s 30 m/s H 50 m/s  20 m/s 40 m/s t=0s t=6s 40 m/s 30 m/s 50 m/s alcance = D Professor: Na figura acima. veja: Suponha dado sen 36 = 0.

quanto tempo ele leva para parar (e atingir a altura máxima) ? Ora. T Voy = +30 m/s Claudete: Prôfi. vamos avaliar apenas o movimento vertical da bola. vem: Hmax  g. e como a gente faz para determinar a altura máxima atingida pela bola ? Professor: Claudete. T . lembre-se que o movimento vertical é independente do horizontal. com Voy = +30 m/s e a = –10 m/s2 a = -10 m/s2 Vy = 30 – 10. vê-se que ela se anula após 3 s . vamos analisar apenas o movimento vertical. atingir a altura máxima e 3 s para descer.( 3 )2 2  Hmax = 45 m (cálculo da altura máxima) Claudete: Ahhh ! Entendi ! Basta notar que ela leva 3 s para descer lá de cima. onde encontrava-se em repouso na vertical ( Vy = 0). Claudete: Ah. quando a bola está subindo ou descendo. Como o tempo de subida é igual ao tempo de descida. vem: D = Vx . E prôfi. Ou seja. 16 . em quanto tempo ela se anula ? Fácil : Vy 30 20 10 0 T 0 1 2 3 Intuitivamente. em qualquer instante. e como se faz para achar o alcance horizontal D da bola em seu vôo ? Professor: Ora. Claudete ! Esse coco levará 3 s para subir. a partir do repouso. o tempo de vôo é dado por: Tvôo = Tsub + Tdes = 3 s + 3 s = 6 s Eixo y A velocidade Vy da bola. Tvôo = 40 m/s x 6s  D = 240 m (cálculo do alcance) Assim.Professor: Ora. o tempo de subida vale T sub = 3 s. prôfi ! Sendo assim. aprendemos como interpretar direitinho o lançamento horizontal e o lançamento oblíquo em queda livre no campo gravitacional. de que altura ele desceu ? Usando a conhecida relação da queda livre. a velocidade na subida diminui de 10 m/s em 10 m/s a cada 1 segundo. pode ser determinada: Vy = Voy + a. para isso. ( Tdesc )2 2  Hmax = 10. como a gravidade vale g = 10 m/s 2. Para determinar a altura máxima. Se ele leva 3 s para desc er lá de cima. perguntar quanto vale o alcance equivale a perguntar “qual a distância percorrida horizontalmente (MRU) pela bolinha durante os 6 s de duração do vôo ?” Se na horizontal o movimento ocorre com velocidade constante (MRU). Assim. o movimento vertical da bola é igual ao de um coco jogado verticalmente para cima com 30 m/s né ? Professor: Exato. devido à simetria. ela “não sabe” que também está se deslocando para a direita. Quando um coco é jogado com Vy = 30 m/s verticalmente para cima. Se ela vale 30 m/s no começo e diminui de 10 em 10.

sen(2) g Vo2 sen2 () .cos() g  Alcance A atingido pelo corpo : A =  Altura máxima atingida pelo corpo: Hmax = ou A = Vo2 .2.12 . g 2 Vo Vo   A  Dois disparos feitos com mesma velocidade inicial Vo atingem o mesmo alcance A   +  = 90o 17 .PROPRIEDADES DO LANÇAMENTO OBLÍQUO VoY Hmax Vo  VoX A Vo2 . sen().