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O budismo é realmente não-teísta?

Por B. Alan Wallace, Universidade da Califórnia, Santa Barbara
O Budismo é geralmente distinguido das religiões monoteístas e politeístas com base em
suas doutrinas que refutam um Criador divino, e realmente há ampla evidência textual nos
tratados do Budismo mais antigo, do Mahayana e do Vajrayana que confirmam essa
afirmação [1]. Apesar disto, uma análise cuidadosa da cosmogonia do Budismo
Vajrayana, especificamente como apresentada na tradição Atiyoga do Budismo IndoTibetano, que apresenta a si mesma como o ápice de todos os ensinamentos Budistas,
revela a teoria de uma base transcendente do ser e um processo de criação que carrega
incrível semelhança com as visões apresentadas no Vedanta e nas teorias ocidentais
Cristãs Neoplatônicas de criação. Neste artigo apresentarei esta teoria do Budismo
Vajrayana em termos de suas imagens de espaço e luz na criação do universo, e
concluirei com uma reafirmação do status não-teísta do Budismo como um todo.
Os Antecedentes do Budismo Sutrayana
Nos primeiros suttas Budistas, o termo Pali geralmente traduzido como "mundo" (loka)
refere-se não a algum universo puramente objetivo que existe independentemente da
experiência, mas a um mundo como experimentado por seres sencientes. O mundo que
experimentamos como humanos, porém, não é o único mundo, pois há outros mundos
além do nosso [2]; mas todos os mundos são considerados "irreais"" e insubstanciais
como uma bolha e uma miragem. [3] Com relação a origem dos seis tipos de consciência
pelos quais os seres humanos percebem nosso mundo, o Buda comparou tal surgimento
à produção de fogo ao esfregar-se um graveto. Como Peter Harvey assinala, esta teoria
Budista, como a dos Upanishads, toma como garantida a existência de um elemento
inflamável que está presente no combustível, que se torna manifesto quando o
combustível é posto a queimar.[4] Isto implicaria que as formas específicas de consciência
surgem de um modo latente de consciência quando se encontram condições apropriadas,
e que a consciência subjacente é indicada em Pali com o termo "bhavanga", que pode ser
traduzido como "a base do vir a ser".[5]
Na literatura budista mais antiga este estado-base de consciência é apresentado como
sendo primordialmente puro e radiante, mesmo que seja obscurecido por máculas
adventícias [6], e é deste estado que todos os processos mentais ativos ("javana"),
surgem, incluindo a volição, e portanto, o carma. Assim, já que os múltiplos mundos
experimentados pelos seres sencientes são considerados pelo Budismo como sendo
produzidos pelo carma dos seres sencientes, conclui-se que o bhavanga deve ser a base
de onde surge todo o carma, e todos os estados de consciência pelos quais estes
mundos são conhecidos. Além disso, a natureza dessa base do vir a ser é equiparada
com a bondade, e é a fonte do incentivo ao seres sencientes desenvolverem
meditativamente suas mentes na busca do nirvana. [7] Quando a liberação definitiva é
atingida, experimentamos a natureza do bhavanga, que então retém sua integridade e
não mais é levado a obscurecer-se por máculas. [8]

e atividades iluminadas do Buda. o "Tantra do Coração Vajra" adiciona a esta a metáfora central do espaço. 220). há inequívocas e elaboradas teorias a respeito de um estado de base de atenção além do tempo. O "Srimala-devi Simhanada Sutra" afirma que ela é aquilo que inspira os seres sencientes a buscar o nirvana [9]. este espaço absoluto (dhatu) é dotado de todo o infinito conhecimento. sua bem desenvolvida teoria cosmogônica é uma acurada apresentação da visão Atiyoga. naturalmente pura e repleta de todas as qualidades da Buditude. e ideação compulsiva. o mundo dos fenômenos. como o tathagatagarbha. mesmo nestes escritos anteriores ao Vajrayana. Complementa dizendo que esta atenção radiante é a base da qual surgem tanto o bem quanto o mal. 51. 133). é da natureza da atenção plena radiante sem princípio. como um ator que incorpora muitas aparências (p. este espaço luminoso é o que causa a aparição do mundo dos fenômenos. que.Enquanto a tradição Theravada geralmente tem marginalizado o bhavanga tanto em teoria quanto na prática. e está implicitamente repleta de todas as qualidades da natureza de Buda. a realização da qual tornou-se de muita importância na prática meditativa. compaixão. poder. A Cosmogonia Vajrayana Da mesma forma que a teoria "bhavanga" do Budismo primitivo desenvolveu-se na teoria Mahayana do "tathagatagarbha". a fonte dos ensinamentos no "Tantra do Coração Vajra" é o buda primordial Samantabhadra. Samantabhadra distingue cinco tipos de sabedorias primordiais implícitas ao buda natural da atenção (p 120): "Sua natureza essencial é a grande vacuidade primordial. Apesar desse tratado ser de origem relativamente recente. mas este espaço não deve ser confundido com uma mera ausência de matéria. De acordo com Dudjom Lingpa. agressão. e o "Ratnagotravibhaga" (vv. De acordo com esta cosmogonia.84) leva essa afirmação ainda adiante dizendo que essa atenção. que é muito semelhante ao bhavanga. deve ser separada das máculas. tal como o ouro deve ser refinado de forma a mostrar sua pureza intrínseca. que foi a fonte de todos os outros estados de consciência. Minha fonte primária para a seguinte descrição da cosmogonia Vajrayana é o "Tantra do Coração Vajra" [10] um "tesouro de mente" (dgongs ter) de Dudjom Lingpa (1835-1904). que é obscurecida por máculas adventícias tais como apego. que por natureza é clara luz (p. a natureza essencial do todo composto pelo samsara e nirvana é o espaço absoluto do tathagatagarbha. a sabedoria primordial do espaço absoluto da realidade. o espaço absoluto da totalidade de tanto samsara quanto nirvana. e não é nada além da própria natureza de nossa própria mente. Enquanto a metáfora mais comum para o bhavanga e o tathagatagarbha é a de uma luz radiante. o "Lankavatara Sutra" (p. cristalina e livre . e de todos os seres ali contidos. ilusão. que é naturalmente presente desde o tempo sem início. que é em grande parte compatível com a teoria Vajrayana em geral. 77) diz que o tathagatagarbha é a atenção naturalmente radiante e primordialmente pura em cada ser senciente. Assim. o Budismo Mahayana atribuía importância central ao "tathagatagarbha". A sabedoria primordial como a de um espelho é de uma natureza límpida. XIX da ordem Nyingma do Budismo Tibetano. Pelo contrário. e que produz todas as formas da existência. um mestre de Atiyoga do séc. a maneira precisa pela qual a natureza do Buda fez surgir o mundo dos fenômenos foi ainda mais desenvolvida na tradição vajrayana. Além disso.

Como conseqüência de ter esta luz azul como algo concreto. No espaço que tudo permeia do dharmakaya. e esta é a consciência base universal (alayavijnana). a quintessência do elemento ar surge internamente e transforma-se em luz verde. 120). Devido ao poder da ilusão. Assim como reflexos dos planetas e estrelas parecem em água límpida e cristalina. ou mente do Buda. assim todas as aparências surgem na consciência base universal vazia e cristalina. e o inteiro mundo animado e inanimado surge num espaço límpido e cristalino. brilho intrínseco da sabedoria primordial do realizar é obscurecida. esta luz verde é tida como concreta e devido a isso surge externamente como o elemento derivativo ou residual "ar". A sabedoria primordial do discernimento é assim chamada porque é uma incessante avenida de iluminação das qualidades da sabedoria primordial. e enquanto ela produz todos os tipos de aparências. em harmonia entre si mesmos. dotado de todas as qualidades de perfeita iluminação. aqueles cinco tipos de sabedoria primordial transformam-se nos cinco grande elementos (vis. Deste estado surgem consciências límpidas e claras como as bases das quais todos os fenômenos surgem. e devido à ativação das energias cármicas. o que causa uma transferência externa de sua luminosidade. Já que a natureza essencial de cada ser senciente e o universo como um todo é este do espaço infinito e luminoso. um e muitos. e sujeito e objeto — parece ser um vazio impensável que é conhecido como base universal (alaya) (p. A sabedoria primordial do realizar é assim chamada pois todos os atos e atividades puros. A sabedoria primordial da equanimidade é assim chamada pois igualmente permeia a vacuidade não-objetiva da totalidade de samsara e nirvana. assim estabelecendo a aparência do espaço imaterial. ela não entra em nenhum objeto.de contaminações. Com o obscurecimento causado pela ignorância da sabedoria primordial do espaço básico da realidade. O eu é apreendido como estando aqui. porque isto não é percebido? Samantabhadra explica que a realidade de todos os fenômenos que surgem como manifestações da atenção-base toda penetrante é obscurecida pela ignorância. e da mesma forma o mundo objetivo parece estar ali. Consequentemente. sua luminosidade surge como o grande elemento de luz cor azulmarinho. livres e simultaneamente perfeitos são realizados naturalmente. que permite a incessante aparência de todos os tipos de objetos. Nenhum objeto é estabelecido como separado de dessa luminosidade. que completamente transcende todas as palavras e conceitos — incluindo as próprias noções de existência e não-existência. Enquanto esse processo evolucionário segue. o tathagatagarbha. . o elemento derivativo "espaço" surge. 122). diz-se que a ignorância a princípio obscurece o brilho intrínseco de nossa própria sabedoria espontânea do espaço absoluto da realidade (p. 2. Para relacionarmos essa evolução do universo ao obscurecimento dos cinco tipos de sabedoria primordial mencionados. é classificado como sabedoria primordial inobscurecida" [11]. A experiência desse vazio é comparável a entrar em coma ou cair num sono profundo e sem sonhos. Quando o brilho natural da atenção está presente como a base — o dharmakaya no qual as cinco sabedorias primordiais são perfeitas — e dissolve-se em sua luminosidade interior. as cinco cores primárias) e os cinco elementos derivativos da seguinte forma: 1. Desse estado surge a consciência da mera aparência do eu.

sua luminosidade surge como o grande elemento de luz branca. quando a sabedoria primordial do discernimento é velada através da solidificação. pensamentos de apego surgem do obscurecimento da sabedoria primordial do discernimento. com o obscurecimento da sabedoria primordial do discernimento. Uma afirmação que é crucial para a teoria e prática do Vajrayana como um todo é a de que todas as aflições mentais são na verdade da mesma exata natureza dos tipos de sabedoria primordial dos quais elas surgem (p. 125). todos os elementos do mundo físico são vistos como expressões simbólicas do tathagatagarbha. quando aparências dualistas e solidificações desse tipo surgem ocorrem no domínio do sabedoria primordial "como a de um espelho". sua luminosidade surge como o grande elemento de luz amarela. Em resumo. Finalmente. Com o obscurecimento da sabedoria primordial da equanimidade. assim que a aparência da dualidade surge dentro do domínio da sabedoria primordial do espaço absoluto. quando solidificado. mas de todas as aflições mentais primárias. ilusão. Com o obscurecimento da sabedoria primordial "como a de um espelho". ela surge como o agregado da percepção (ou cognição). quando a sabedoria primordial da equanimidade é obscurecida dessa forma. Desta forma. os cinco agregados. ela manifesta-se como o agregado da consciência. surge como o agregado dos fatores compostos (formação). orgulho. pensamentos de raiva surgem do obscurecimento da sabedoria primordial "como a de um espelho". 4. pensamentos de orgulho surgem do obscurecimento da sabedoria primordial da equanimidade. que. ela manifesta-se como o agregado da sensação. e pensamentos de inveja surgem do obscurecimento da sabedoria primordial do realizar. 5. e diz-se que todos os cinco elementos estão presentes em cada um deles. esta sabedoria surge como o agregado da forma. pensamentos de ilusão surgem devidos ao obscurecimento da sabedoria primordial da natureza absoluta da realidade. e o reino da não-forma — diz-se que cada nascimento no reino da não-forma é devido a uma solidificação da base universal. surge como o elemento derivativo "terra". manifesta-se como o elemento derivativo "fogo".3. e a sabedoria primordial do realizar assim obscurecida. as cinco cores primárias. surge como o elemento derivativo "água". Especificamente. Os cinco tipos de sabedoria primordial se manifestam não somente como os cinco elementos que montam o universo objetivo. de forma constante. Como um desenvolvimento da tese proposta no "Lankavatara Sutra". Em termos da teoria geral do Budismo a cerca dos três reinos da existência — o reino sensorial. apego e inveja. o reino da forma. e as cinco aflições mentais todas originam-se do obscurecimento das cinco sabedorias primordiais. sua luminosidade surge como o grande elemento de luz vermelha. os cinco elementos. que. que. de que o tathagatagarbha é fonte tanto do bem quanto do mal. assim como as cinco sabedorias primordiais estão todas presentes em cada uma delas. o nascimento no reino . Especificamente. mas suas naturezas essenciais também se manifestam como os cinco agregados psico-físicos que constituem um ser humano no samsara. raiva. quando solidificado. quando solidificado. o "Tantra do Coração Vajra" afirma que ele é a base não somente de todas as qualidades da iluminação.

Pois em nenhuma coisa existente . pode melhor ser descrita como "nihil". Assim. construções conceituais. que também são profundamente semelhantes àquelas do Budismo Vajrayana e do Vedanta. com todas suas aflições. o "espaço" de Brahman pode aparentemente ser fechado dentro do "pote" de cada indivíduo sem afetar a transcendente unidade de Brahman.da forma é devido a uma solidificação da consciência da base universal. Samantabhadra. e o universo inteiro consiste de nada além de manifestações dessa atenção vazia infinita e luminosa. enquanto cada indivíduo (jiva) é comparado ao espaço contido dentro de um pote. mas como uma realidade transcendental além da afirmação e da negação. da limitada perspectiva dos intelectos e da linguagem criados. é somente o resultado de nossa falha ao discriminar o atman de seus adereços. em vista dos desenvolvimentos teóricos do bhavanga ao tathagatagarbha até a sabedoria primordial do espaço absoluto da realidade. Apesar das várias diferenças significativas entre as doutrinas Budista e Cristã. e sua diferenciação em seres individuais animados e inanimados é somente devido às aparências. os defeitos são percebidos no mundo dos fenômenos devido às máculas nas mentes dos indivíduos. o Cristianismo medieval foi profundamente influenciado pelas idéias Neoplatônicas a respeito da criação. e um nascimento como um deus do reino do desejo é devido à conquista de estabilidade no reino da mente (citta) dualista. Apesar da unidade de Brahman e do atman nunca ter sido diferente do universo. antes da auto-aparição criativa de Deus na geração do mundo natural. Paralelos com Cosmogonias Politeístas e Monoteístas Enquanto o não-teísmo do Budismo é muitas vezes visto em contraste absoluto com o politeísmo dos Vedas. Traçando uma analogia que é compartilhada com a tradição Atiyoga quando esta ilustra a relação entre o dharmakaya e as mentes dos seres sencientes individuais. é a base última tanto de samsara quanto de nirvana. ou "nada" [13]. o universo é criado através de uma série de manifestações ilusórias de Brahman. tais como o corpo. que é desconhecida de todos os intelectos. Cada indivíduo é uma mera aparência ou reflexo do Eu transcendente. incompreensível. quando ela é pensada através de si própria. o "ápice dos Vedas". Assim. Ele mantinha-se numa unidade e completude primordial da qual. sendo somente ele real de fato. como o reflexo do sol na água ondulante. Dessa forma. o Buda Primordial cuja natureza é idêntica ao tathagatagarbha dentro de cada ser senciente. e inacessível luminosidade da bondade divina. que é único e contínuo. porque é supraessencial e supranatural. deve ser transcendida. o filósofo Sankara do Vedanta compara Brahman ao espaço. ele complementa. Eu acredito que esta designação ["nihil"] se aplica porque. e idêntico com a natureza real (atman) de cada ser senciente [12]. os sentidos. John caracteriza este nada não como uma ausência. Nesta metáfora. etc. humanos ou angelicais. Mas tal diferenciação. além de todas as distinções conceituais tais como sujeito e objeto. Ela é. De acordo com o filósofo John Scotus Eriugena (815?-877?). De acordo com a teoria Vedanta. a tradição do Vedanta. o Budismo não é tão simplesmente não-teísta quanto pode parecer a primeira vista. ele escreve: "a indizível. apresenta uma cosmologia bem similar ao relato Atiyoga apresentado. de forma a ver a realidade como ela é. ela nem é nem não será. a mente. e tendências de solidificação. A natureza de Brahman é consciência pura. ou atman.

retém sua unidade simples. Seguindo a afirmação bíblica de que o homem é criado à imagem de Deus. da mesma forma a consciência humana jamais é percebida enquanto objeto do intelecto. pois no Oriente Médio os escritos de Plotinus (205-270) também influenciaram as teorias Islâmicas e Judaicas da criação. já que está além de todas as coisas.é compreendida. . a mente humana só é completamente compreendida através de suas manifestações externas. [16] Conclusão Enquanto o Budismo é considerado não-teísta. percebemos que as cosmogonias do Budismo Vajrayana. Por exemplo. Esta unidade aparente por ser considerada mera coincidência. Plotinus declarou que suas teorias eram baseadas em suas próprias experiências. Por outro lado. mesmo que mantenha-se sempre invisível internamente. então pode ser plausíveis as declarações de muitos contemplativos ao redor do mundo de que a busca introspectiva pode levar ao conhecimento. pois ela seria a essência de tudo que há. Se estas cosmogonias são realmente baseadas sob um conhecimento introspectivo válido. e a Biblia é monoteísta. pois assim como a mente de Deus não vê a si mesma objetivamente. e eles também poderiam ter se infiltrado no Oriente Médio. Desta forma. mas igualmente das leis fundamentais da natureza. os Vedas são vistos como politeístas. o todo da criação pode ser uma teofania. Assim João argumenta que a inabilidade do homem em conhecer objetivamente a natureza de sua própria mente faz dele uma imagem de Deus. os Upanishads podem muito bem ter influenciado os primeiros pensadores Mahayana na Índia. [17] [traduzido por Eduardo Padma Dorje em 2002] (1) Para uma refutação de um Criador pelo próprio Buda como registrado no cânone Pali. Dessa forma. ou manifestação divina. João declara que a mente do homem. que é ontologicamente anterior a própria categorização de existência e não-existência. em relação a suas manifestações múltiplas [15]. como a natureza divina. não é erroneamente denominada 'nada' " [14] Quando o nada divino. como algo que não pode ser conhecido objetivamente. manifesta-se no mundo dos fenômenos.. do Vedanta e do Cristianismo Neoplatônico têm tanto em comum que poderiam ser vistos como interpretações diversas de uma só teoria. onde poderiam ter inspirado os escritos de Plotinus.. não somente da base fundamental do ser. a similaridade não acaba aí. ou à propagação histórica de uma única especulação metafísica através do sul da Ásia e Oriente Médio. e nada poderia existir separadamente dessa natureza divina. Deus vêm a reconhecer a si mesmo como a essência de todas as coisas. e reivindicações similares foram feitas por muitos contempladores do Budismo e do Vedanta. Assim como Deus vem a conhecer-se a Si mesmo completamente somente através de Sua auto-expressão como o mundo dos fenômenos. cada ser humano recapitula dentro de si mesmo a inteira dialética do nada e da auto-criação. Quando é compreendida como incompreensível devido a sua excelência. Além disso.

Calif. (2) Cf. Dickenson. Milindapanha 73.I. pp. I.259-60. Missoula. Delhi: Montilal Banarsidass.M. . Potter (ed.H. e uma refutação semelhante na literatura Vajrayana pode ser encontrada no "Kalachakratantra" e em seu principal comentário.10-11. "Dhammapada" 170. "Sutta-Nipata" 9.14-17 no "Digha-Nikaya".9-10 & A. Consciousness and Nirvana in Early Buddhism". Collected Works of H. Surrey: Curzon Press. Scholar's Press. 38-39. (8) Peter Harvey. 299-300). "Anguttara Nikaya" III. Cf.340-41. 57. 1st. (3) Cf. pp 177-157.." The Journal of Religion. (9) D.Queen Srimala e o Tathagatagarbha". Paul (1980) "The Buddhist Feminine Ideal .ver o "Patika Sutta" 2. (1970) "The Buddhist Religion". Vol.) (1981) "Encyclopedia of Indian Philosophies: Advaita Vedanta up to Samkara and His Pupils. (6) Cf "Milindapanha" (pp.402. Montana. p. 2. 13. Dudjom Rinpoche.160. April 1977.I. (12) Karl H.61. (10) "Tantra do Coração Vajra: Um Tantra Naturalmente Surgido da Natureza da Existência a Partir da Matrix da Atenção Primordial da Pura Percepção" (Tib. (7) "Anguttara Nikaya" A. "Anguttara Nikaya"A. (5) Peter Harvey.H. (1995) "The Selfless Mind: Personality. (11) Todas as traduções do tibetano são minhas. o "Vimalaprabha" II: 168-170. Dag snang ye shes drva pa las gnas lugs rang byung gi rgyud rdo rje'i snying po). Belmont. 174. (13) Donald F. p. R. Duclow (1977) "Divine Nothingness and Self-Creation in John Scotus Eriugena. 81. p. Shantideva apresenta uma clássica refutação Mahayana de um Criador em seu "Bodhicaryavatara" IX: 118-125. Robinson. "Majjhima Nikaya" I. "Majjhima Nikaya" 1. ed. 110. p. ch. (4) Peter Harvey. No.

O intelecto é chamado de realidade convencional". (1981) "Shiksasamuccaya". H. Cf. a mente. Bodhicaryavatara IX:2. N. "Negative Theology and Subjectivity: An Approach to the Tradition of the Pseudo-Dionysius. o que não é estável não é passado. 3 rd ed. David Knowles. cit.org/ensinamentos/. N. p." [Citado em Shantideva.T.J. "Western Mysticism: The Teaching of Augustine. 680D-81A.. http://www. Dom Cuthbert Butler. presente ou futuro. sem base. Floss. Kashyapa. sendo procurada por todas as partes não é encontrada: o que é encontrado não é estável. Migne "Patrologia latina" 122. 220221] Tradução minha. instável. Gregory and Bernard on Contemplation and the Contemplative Life". H. Duclow. trans.. p. A realidade definitiva está além do escopo do intelecto. as palavras em sânscrito foram simplificadas em um formato informal e não padronizado. imperceptível. Cf. by Donald F. Cecil Bendall & W... "Kalachakratantra" V:65: "Não há Buda grandioso além dos seres sencientes"." International Philosophical Quarterly 9 (1969). 1967. Rouse. com "reflexões" pelo Prof. (16) Cf. Eles não a vêem. intangível. é sem forma.. 07/04/2006 . A mente. 110. eles não a verão. 419. (15) Cf. Kashyapa. trans.bodisatva. "Esta verdade é reconhecida como sendo de dois tipos: convencional e definitivo. pp. Devido a ausência de marcas diacríticas no modo de texto simples. nunca foi vista por nenhum dos Budas. do T. incogniscível. London: Constable & Co. "Ratnachudasutra": "A mente.. Kashyapa. Delhi: Motilal Barnasidass. (17) Cf. "Periphyseon (De divisione naturae)" ed. op.(14) John Scotus Eriugena. D. Thomas Tomasic.

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