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RISCOS AMBIENTAIS CALOR E FRIO

1. INTRODUÇÃO

O homem é um animal denominado de homeotérmico, como a maioria dos


mamíferos, o que significa que pode manter a temperatura interna do corpo relativamente
constante, apesar das variações de temperaturas que ocorrem com o ambiente ao redor.
Ainda é endotérmico, como também são os mamíferos e as aves, pois produzem e
controlam suas próprias fontes de calor.

A temperatura interna do núcleo do corpo humano permanece constante, em torno de


37º C a 38º C, em ambientes que podem variar desde –50º C a 100º C, desde que
adequadamente vestido e de 10º C a 60º C, quando nu. Apesar das variações de
temperatura que podem ocorrer ao redor do homem no ambiente, no interior do corpo
humano não podem acontecer variações maiores que 4º C, para mais ou para menos,
além da temperatura interna, sob pena de acontecerem complicações que podem até
levar à morte.

Nas atividades e locais de trabalho acontecem ambientes térmicos, tanto com o calor
como com o frio, que tem um aspecto importante na Higiene Industrial, pelo seu aspecto
muito próprio, quando comparados com os outros agentes. Os agentes ambientais, na
sua grande maioria, são ofensores diretos da saúde dos expostos, enquanto as
temperaturas extremas provocam reações fisiológicas nos expostos (homens), numa
tentativa do organismo de manutenção da temperatura do núcleo do corpo, numa
intensidade que pode levar ao “stress” ou fadiga, podendo originar-se as doenças,
principalmente quando é o calor, em curtos espaços de tempos. As doenças que podem
ocorrer com o homem, quando submetido a temperaturas extremas, são resultantes do
trabalho fisiológico de tentar a manutenção do equilíbrio térmico.

Outro aspecto particular que acontece, diante de exposições a temperaturas elevadas,


é que muitas das lesões que produz, são reversíveis e podem aparecer e desaparecer em
curtos espaços de tempo, diferenciando-se das demais doenças do trabalho ou
profissionais, cujas aparições acontecem com o transcorrer de tempos longos de
exposição e sua extinção é lenta ou impossível.
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2. MECANISMOS DE TROCAS TÉRMICAS (TERMINOLOGIA)

Condução: Dois corpos em contato um com o outro, se estiverem a temperaturas


diferentes, ocorrerá de o de temperatura mais alta ceder calor para o de menor
temperatura, até o equilíbrio térmico. Esta troca de calor, pelo contato dos corpos é
chamada de condução.

Condução/Convecção: As trocas térmicas entre corpos ocorrem, mesmo distanciadas


uns dos outros, através de um fluído, que nos ambientes de trabalho, o fluido mais
comum é o ar. A troca inicialmente acontece por condução, com o corpo quente cedendo
calor ao ar em volta do corpo quente. O ar ao ser aquecido fica menos denso, criando um
movimento ascendente, deslocando-se para cima, vindo novo volume de ar mais frio
substituí-lo. O ar aquecido será levado para outros corpos mais distantes, levando o calor
recebido. As trocas que são feitas através de um fluxo que se desloca são chamadas de
convecção.

Radiação: Os corpos quentes irradiam energia infravermelha, transportando o calor


mesmo independente de existir um meio. Os corpos mais quentes cedem calor aos mais
frios nas proximidades. Estas trocas acontecem por radiação.

Evaporação: Um líquido que envolve um sólido, em temperatura elevada, transforma-se


em vapor, fluindo para o ambiente. Este fenômeno é chamado de evaporação. Haverá
mais ou menos evaporação, dependendo das condições do ambiente quanto à umidade
relativa do ar, à velocidade do ar e temperatura do ar.

A equação de trocas térmicas entre o organismo humano e o meio ambiente é:


M+C+R–E=S
Sendo:
M – Calor produzido pelo metabolismo;
C – Calor ganho ou perdido por condução/convecção;
R – Calor ganho ou perdido por radiação;
E – Calor perdido por evaporação;
S = Calor acumulado no organismo ( Sobrecarga térmica).
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3. SISTEMA FISIOLOGICO DE CONTROLE DA TEMPERATURA INTERNA DO


CORPO HUMANO E PRINCIPAIS CONSEQUÊNCIAS DAS TEMPERATURAS
EXTREMAS SOBRE O ORGANISMO

Para Baixas Temperaturas:


Em ambientes considerados frios, quando a temperatura do ar do ambiente é
menor que a temperatura da pele de quem se expõe, considerada em torno de um valor
médio de 35º C, o calor é cedido ao meio ambiente pelo corpo humano, por
condução/convecção (C), por radiação (R) e pela evaporação (E), cujo equilíbrio ocorre
com o calor do metabolismo basal e do trabalho (M), devido à atividade física que se está
exercendo:
M=C+R+E

A equação acima demonstra que está havendo equilíbrio. Uma série de


mecanismos é desenvolvida pelo sistema fisiológico para que ocorra tal equilíbrio e seja
evitada a hipotermia:
• Vaso-constrição periférica: O resfriamento da pele estimula os receptores
cutâneos, com o resfriamento do sangue que circula pelos vasos periféricos, indo
até o centro termo-regulador, no hipotálamo, que depois de informado de que a
temperatura real está abaixo da ideal, envia um sinal para que ocorra um aumento
do tônus simpático adrenérgico para a pele. De imediato ocorre uma
vasoconstrição, fluindo menos sangue pela pele, afim de se evitar mais perda de
calor por irradiação e condução;
• Diminuição da sudorese: Também acontece a diminuição de funcionamento do
simpático colinérgico para a pele, parando a sudorese e com isto diminuindo ou
quase eliminando a perda de calor por evaporação;
• Tiritar (aumento do calor interno): Pode, ainda, acionar o centro de tiritar que
consiste em atritar moléculas com moléculas, passando à formação de calor
endógeno;
• Aumento do calor interno: Aumentam, também, os níveis de adrenalina e nor-
adrenalina que resultam no aumento do metabolismo e no aumento do calor
interno;
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• Autofagia das graxas armazenadas: Transformação química dos lipídios (graxas


armazenadas) em glucíodeos de metabolização direta;
• Enrugamento da pele: a pele se enruga, principalmente nas extremidades, no
objetivo de diminuir a área de contato com o ambiente frio.

Para Altas Temperaturas:


Em ambientes de temperaturas altas, quando a temperatura do ar do ambiente é
maior que 35º C, (temperatura da pele), o calor é cedido pelo meio ambiente para o corpo
humano, por condução/convecção (C), por radiação (R) e pelo metabolismo basal e do
trabalho, restando como única fonte de perda de calor pela evaporação (E), cujo equilíbrio
ocorre, quando atendida a equação a seguir. :
E=M+C+R

Uma série de reações fisiológicas acontecem para manutenção do equilíbrio


térmico de troca de calor entre o corpo e o ambiente:
• Vasodilatação periférica: O sangue ao fluir pela pele recebe o calor ambiente,
levando a informação através do sangue que se aquece, havendo aumento do
calor interno. A informação recebida pelo centro termoregulador é de que a
temperatura real está maior que a ideal. É, então, de imediato inibido o tônus
simpático adrenérgico para a pele, ocorrendo a vasodilatação cutânea, acúmulo de
sangue nos plexos subcutâneos e perda de calor por condução e irradiação;
• Evaporação: Ocorre a estimulação do simpático colinérgico para as glândulas
sudoríparas, com sudorese, com evaporação do suor e consequente perda de
calor para o ambiente; o sangue pode chegar a fluir na ordem de 2,6 litros /
minuto / m2;
• Perda de cloreto de sódio: Com o aumento da sudorese acontece a perda de
cloreto de sódio NaCl que pode chegar a 15 g / litro;
• Lassitude e adinamia: ocorre a inibição do tônus da musculatura esquelética de
modo geral, com lassitude e adinamia, para não ocorrer a geração de calor
endógeno;
• Queda do calor endógeno: os níveis de adrenalina e nor-adrenalina diminuem,
diminuindo também a produção de calor endógeno.
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Para Condições de Sobrecarga Térmica:


Nos ambientes muito quentes, muitas vezes desenvolvidos com taxas metabólicas
altas por trabalhos pesados, como em metalúrgicas, com fontes de radiação muito fortes
(fornos), o centro termoregulador é informado de que a temperatura real está acima da
temperatura ideal, desencadeando a reações fisiológicas para perda de calor interno,
aumentando o fluxo do sangue que é aquecido mais e mais, aumentado mais ainda o
calor interno. Ao invés de perder calor por condução/convecção, acontece exatamente o
contrário. A única forma de perder calor passa a ser a evaporação.

E < M + C + R (condição de sobrecarga)

Passa a existir uma condição de sobrecarga circulatória, mesmo se não existir o


trabalho físico. Em condições normais, o fluxo sanguíneo para a pele é de 250 ml com um
débito cardíaco de 5 litros por minuto. Num trabalho como o descrito anteriormente, o
fluxo sangúineo pode chegar a 1500 ml por minuto.

Como consequência da sudorese sempre crescente, há uma diminuição do volume


líquido extra-celul
ar. Pode ocorrer a desitradação isotônica, com a perda de sódio no suor. O íon
sódio, no início é eliminado em grande quantidade pelo suor, chegando de 15 a 20
gramas por dia.

O aumento das solicitações das reações fisiológicas podem levar a uma série de
doenças chamadas de Doenças do Calor, que acontecem de imediato.

4. DOENÇAS DO CALOR
HIPERTERMIA OU INTERMAÇÃO
É o quadro mais grave e que pode levar à morte. Consiste num aumento do calor
interno a níveis além dos 4ºC da temperatura de equilíbrio, sem haver a condição de
perda. Esta condição é mais frequente nas situações:
• Indivíduo não adaptado;
• No obeso;
• Em pessoas com bebida alcoólica, que aumenta a vasodilatação cutânea;
• Roupa de trabalho inadequada, dificultando a evaporação do suor.
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• Desfalecimento, pela perda de sódio (Acontece principalmente com pessoas não


aclimatadas);
• Desidratação;
• Doenças de pele, por golpes de calor ou queimaduras;
• Distúrbios psiconeuróticos;
• Catarata.

5. FATORES QUE INFLUEM NAS TROCAS TÉRMICAS


(VARIÁVEIS QUE DEFINEM O AMBIENTE TÉRMICO)
Entre os vários fatores que influem nas trocas térmicas, as mais importantes e que
utilizaremos nas avaliações da sobrecarga térmica, são as cinco seguintes:
• Temperatura do ar;
• Umidade relativa do ar;
• Velocidade do ar;
• Calor radiante;
• Tipo de atividade.

Temperatura do ar:
É simplesmente a temperatura do ar seco.

A medida pode ser feita com um termômetro de bulbo seco, termopares,


termoresistências e termistores.

Umidade relativa do ar:


A umidade é um conceito diretamente relacionado com a quantidade de vapor d'água
contida em uma quantidade de ar. Chama-se umidade relativa, que é a que nos interessa
no estudo, a relação entre a quantidade de vapor contido no ar e a quantidade de vapor
saturado. Pode ainda definir-se como a relação entre a pressão parcial de vapor de água
e a pressão de saturação do vapor de água. Os instrumentos para sua medição são os
termômetros úmidos.

A umidade relativa influi na troca térmica que ocorre entre o organismo humano e o
meio ambiente pela evaporação. A perda será maior ou menor em função da pressão de
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vapor da pele e a pressão de vapor do meio ambiente, que é função da quantidade de


água existente no ar. Sua determinação pode ser feita com uma carta psicrométrica, a
partir das leituras das temperaturas do ar seco (tbs) e da temperatura úmida do ar (tbn).
Quanto maior a diferença entre as duas leituras menores a umidade relativa do ar. O
inverso, quanto menor a diferença maior a umidade relativa, chegando à condição de
saturação (100%), quando as duas medidas são iguais. Nesta condição ou quando a
umidade relativa está próxima, fica muito difícil a perda de calor por evaporação (E).

O instrumento para a medição é um termômetro úmido. É um termômetro cujo


elemento sensível (o bulbo, por exemplo) é recoberto por uma mecha de pano limpo que
se mantém umedecida por água destilada. Ter cuidado quanto as três condições:
• Mecha de pano limpa
• Reposição de água destilada
• Circulação forçada do ar (Se for para a determinação do tempo úmido
psicrométrico).

Velocidade do ar:
A velocidade do ar é o responsável para aumentar a troca térmica entre o corpo e
meio ambiente, por condução / convecção (C).

Existe uma grande variedade de instrumentos para a medida da velocidade do ar. Os


instrumentos do tipo direcional, muito úteis em engenharia ou meteorologia, não são
práticos para a avaliação do stress térmico. Os aparelhos para medir a velocidade do ar
se podem classificar em três grupos, segundo o sistema utilizado para obtenção da
medida: anemômetros mecânicos e termo-anemômetros, baseados em medidas de
pressão diferencial.

Calor radiante:
O calor radiante é a energia emitida pelos corpos aquecidos, mediante ondas
eletromagnéticas, de comprimento de onda aproximado de 0,02nm a 800 nm. Em Higiene
Industrial é utilizada a temperatura de globo (tg).
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A Temperatura radiante média – TMR, está relacionada com a temperatura de globo


(tg), a temperatura seca do ar (tbs) e a velocidade do ar (v). Para a medida da TMR é
utilizado o termômetro de globo que consiste de uma esfera oca de cobre, de 15 cm de
diâmetro, com paredes de 1 mm, pintada externamente e internamente de preto. Um
termômetro é fixado no centro da esfera. A temperatura do ar dentro do globo em
equilíbrio é o resultado de um balanço entre o calor ganho ou perdido por meio de
radiação e o calor ganho ou perdido por meio de convecção. A equação da TMR é:

TMR=((Tg + 273)4 + 0,32 . 108v 0,5(Tg-Tbs))0,5 – 273

Sendo:
TMR – Temperatura média de radiação em º C;
Tg – Temperatura de globo em º C;
V – velocidade do ar em m / Seg;
Tbs – Temperatura do ar seco, em º C.

Tipo de atividade:
A classificação da atividade do trabalhador pode ser feita medindo a taxa
metabólica do trabalhador enquanto realiza um trabalho, através do consumo de ar e
geração de monóxido de carbono no tempo. São medições que se tornam difíceis efetuar
diretamente no trabalho. Opta-se por estimar a taxa metabólica, através de tabelas. O
Quadro 3 do anexo 3 da NR-15 é uma tabela de estimativa de taxas metabólicas, apesar
de sua pobreza e alguns enganos de quem a elaborou. E consta de nossa legislação.

Foi copiada da A.C.G.I.H. que dá as categorias das atividades físicas em Leves,


Moderadas e Pesadas, de acordo com o tipo de operação:

“A) A categoria da atividade física pode ser estabelecida pela classificação de trabalho em
leve, moderado ou pesado, de acordo com o tipo de operação:

• TRABALHO LEVE: (até 200 Kcal/h): por exemplo: sentado ou em pé controlando


máquinas, com movimentos leves de braços ou mãos;
• TRABALHO MODERADO: ( de 200 até 350 Kcal/h): por exemplo: andando de um
lado para outro, levantando ou empurrando pesos moderados, ou
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• TRABALHO PESADO: (de 350 até 500 Kcal/h): por exemplo: trabalho com pá.

Quando a atividade física é classificada em uma destas três categorias, o TLV


permissível de exposição a calor para cada atividade física estimada pode ser estimado
pela Tabela 1 ou calculado pelas Tabelas 3 e 4.

B) A classificação do trabalho pode ser feita medindo a taxa metabólica do trabalhador


enquanto realiza um trabalho, ou por estimativa da taxa metabólica do trabalhador,
usando a Tabelas 3 e 4. Tabelas adicionais estão disponíveis na literatura e podem
também ser usadas. Quando este método é utilizado, a exposição permissível a calor
deve ser determinada pela figura 1.

TABELA 3 – Estimativa de carga de trabalho


Valores médios de taxa de metabolismo para diferentes atividades
A. Posição do corpo e movimento Kcal / hora
Sentado 18
Em pé 36
Andando 120 – 180
Em movimento, subindo adicionar48 por metro caminhado

Média Faixa
B. Tipo de trabalho Classificação
Kcal/hora Kcal/hora
Leve 24 12 – 72
Trabalho com as mãos
Pesado 54
Leve 60
Trabalho com um braço 42 - 150
Pesado 102
Leve 90
Trabalho com dois braços 60 - 210
Pesado 150
Leve 210
Moderado 300
Trabalho com o corpo 150 - 900
Pesado 420
Muito pesado 540

TABELA 4 – Exemplos de atividades


- Trabalho leve com as mãos: escrever, fazer tricô
- Trabalho pesado com as mãos: datilografar
- Trabalho pesado com um braço: martelar pregos (sapateiro, tapeceiro)
- Trabalho leve com dois braços: limar metal, plainar madeira.
- Trabalho moderado com o corpo: limpar o chão, sacudir tapete
- Trabalho pesado com o corpo: colocar trilhos em estradas de ferro, cavar, podar árvores

Exemplo de Cálculos
Trabalho com uma linha de montagem usando ferramenta manual pesada
A) Andando ao longo da linha 120 Kcal / hora
B) Valor intermediário entre trabalho pesado com
dois braços e trabalho leve com o corpo 180 Kcal / hora
_____________
Sub-total 300 Kcal / hora
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C) Adição para o metabolismo basal 60 Kcal / hora


_____________
Total 360 Kcal / hora

TABELA 1. Exemplo de Limites Permissíveis de Exposição a Calor


( Valores de IBUTG dados em º C ) *
Atividade Física
Regime Trabalho / Descanso
Leve Moderada Pesada
Trabalho Contínuo 30,0 26,7 25,0
75% de trabalho por 25% de descanso 30,6 28,0 25,9
50% de trabalho por 50% de descanso 31,4 29,4 27,9
25% de trabalho po5r 75% de descanso 32,2 31,1 30,0
*Com o aumento da atividade física, o impacto da sobrecarga térmica sobre o trabalhador não aclimatizado
aumenta (fig.1). Para trabalhadores não aclimatizados, realizando um trabalho moderado, o limite
permissível para a exposição a calor deve ser reduzido de, aproximadamente 2,5ºC.

(Fonte : ACGIH)

6. AVALIAÇÃO DO CALOR
6.1 – ÍNDICES PARA AVALIAÇÀO DO CALOR
São cinco os fatores a serem considerados nas avaliações do calor, que influem na
sobrecarga térmica:

• Temperatura do ar
• Umidade relativa do ar TE
• Velocidade do ar TEC
• Calor radiante
• Tipo de atividade IST, IBUTG, TGU

Os índices mais utilizados na Higiene Industrial são:

I - Índices para determinar os graus de conforto


• Índice da Temperatura Efetiva (TE);
• Índice da Temperatura Efetiva Corrigida (TEC);
• Índices (PMV, PPD)-NORMA ISSO 7730.

II – Índices para determinar situações de risco


• Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG);
• Critérios ACGIH;
• Critérios OSHA;
• NORMA ISSO 7243;
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• Temperatura de Globo Úmido (TGU);


• Índice de Sobrecarga Térmica (IST).

A Legislação Brasileira faz referência a dois Índices: na NR-17 – Ergonomia, ao


Índice de Temperatura Efetiva (TE) e na NR-15 – Atividades e Operações Insalubres, ao
ÍBUTG.

Índice da Temperatura Efetiva (TE):


É um índice que leva em conta apenas as condições climáticas do ambiente. É
utilizado para estudo de conforto térmico. Não leva em conta nem as fontes de calor
radiante nem a taxa metabólica, ou atividade desempenhada de quem se expõe.

O cálculo é feito a partir das medições da temperatura do ar seco (tbs),


temperatura de bulbo úmido (tbu) e a velocidade do ar (V). Levam-se os valores á carta
psicrométrica (fig.), que no cruzamento da reta entre tbs e tbu e a velocidade do ar,
encontra-se a respectiva TE.

7.2 - PASSOS PARA AVALIAÇÃO DO CALOR, LEGISLAÇÃO BRASILEIRA.


I ) Analisar, por função, dentro do ciclo de trabalho de 01 hora (sessenta minutos):
a) Os pontos de trabalho (locais de medição);
b) As tarefas desempenhadas, por ciclo de trabalho, e as respectivas taxas
metabólicas, seguindo metodologia da ACGIH, tabela da NR-15 e de livros de
Fisiologia do Trabalho;

II ) Efetuar medições nos pontos de trabalho definidos em a), do item I ) :


• Tbs (termômetro de bulbo seco)
• Tbn (termômetro de bulbo úmido natural)
• Tg (termômetro de globo)
• IBUTG (índice de bulbo úmido, termômetro de globo)

III ) A partir das medições, determinar:


IBUTG (índice de bulbo úmido, termômetro de globo)
Como parâmetro para os índices legais, da Legislação Brasileira (NR-15) e da ACGIH;
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Como parâmetros para questões trabalhistas e para a Previdência Social (NR-15 e


Regulamento da Previdência Social).
TE (temperatura efetiva)
Como parâmetro para estudo de conforto térmico, podendo ser usado para estudo
ergonômico (NR-17) e como parâmetro para laudo de aposentadoria especial até
março/95;

7.2.1 Avaliação do Calor (Sobrecarga Térmica).


Legislação
Para o estudo da sobrecarga térmica, como já citado no ítem anterior, o ANEXO Nº
3 da NR-15, da portaria 3214 do Ministério do Trabalho, dá os LIMITES DE TOLERÂNCIA
PARA EXPOSIÇÃO AO CALOR, em condições de sobrecarga térmica.

É utilizado o índice de bulbo úmido termômetro de globo - IBUTG para ambientes


internos, sem carga solar, dado na equação que segue:

IBUTG = 0,70 tbu + 0,30 tg


sendo tbu - Termômetro de bulbo úmido
tg - Termômetro de globo

Quando as medições são feitas em um único ponto, para o regime de trabalho


intermitente, os limites de tolerância são dados no QUADRO Nº 1 que segue:

QUADRO Nº 1
REGIME DE TRABALHO
INTEMITENTE COM TIPO DE ATIVIDADE
DESCANSO NO PRÓPRIO
LEVE MODERADA PESADA
LOCAL DE TRABALHO
Trabalho Contínuo Até 30,0 Até 26,7 Até 25,0
45 minutos de trabalho
30,1 a 30,6 26,8 a 28,0 25,1 a 25,9
15 minutos de descanso
30 minutos de trabalho
30,7 a 31,4 28,1 a 29,4 26,0 a 27,9
30 minutos de descanso
15 minutos de trabalho
31,5 a 32,2 29,5 a 31,1 28,0 a 30,0
45 minutos de descanso
Não é permitido o trabalho. Acima de 32,2 Acima de 31,1 Acima de 30,0
Sem a adoção de medidas
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adequadas de controle.

Se o trabalho é realizado em mais de um ponto, como é o que ocorre na maioria


das atividades desenvolvidas nas empresas, é calculado o IBUTG médio e Taxa
Metabólica Média (M), a partir das medições e dos IBUTG e M de cada ponto, como nas
equações seguintes:

(IBUTG1 x T1)+(IBUTG2 x T2)+(IBUTG3 x T3)+...+(IBUTGn x Tn)


IBUTG =
60

(M1 x T1)+(M2 x T2)+(M3 x T3)+...+(Mn x Tn)


M=
60

O Quadro Nº 2 do ANEXO 3 “TAXAS DE METABOLISMO POR TIPO DE


ATIVIDADE” dá os limites de tolerância, correlacionando o máximo IBUTG médio
permitido para as respectivas taxas metabólicas médias dos ambientes analisados:

QUADRO Nº 2

M (kcal / h) MÁXIMO IBUTG

175 30,5
200 30,0
250 28,5
300 27,5
350 26,5
400 26,0
450 25,5
500 25,0

Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG):


O Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo – IBUTG consiste na ponderação
das temperaturas úmida, de globo e em certas condições da temperatura seca. As
fórmulas são:

1. Para ambientes internos sem carga solar:


IBUTG = 0,7 tbu + 0,3 tg

2. Para ambientes externos, com carga solar:


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IBUTG = 0,7 tbu + 0,2 tg + 0,1 tbs


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7.3 – SOBRECARGA TÉRMICA PELA ACGIH (Fonte ACGIH):


A determinação do IBUTG requer o uso de um termômetro de globo negro, um
termômetro de bulbo úmido natural (estático) e um termômetro de bulbo seco.

São permitidas exposições acima dos valores mostrados na Tabela 1, se os


trabalhadores estiverem sob supervisão médica e tiver sido estabelecido que eles são
muito tolerantes a trabalhar expostos a calor do que a média. Não deve ser permitido
continuar seu trabalho quando a sua temperatura interna do corpo exceder a 38º C.

AVALIAÇÃO E CONTROLE
I - Medição Ambiental
Os instrumentos necessários são um termômetro de bulbo seco, um termômetro de
bulbo úmido natural, um termômetro de globo e um tripé. A medição dos fatores
ambientais deve ser realizada da seguinte forma:
a) A faixa dos termômetros de bulbo seco e de bulbo úmido natural deve ser de –5 º
C a +50ºC, com acuidade de + 0,5º C. O termômetro de bulbo seco deve estar
protegido do sol e de outras superfícies radiantes do ambiente, sem restringir o
fluxo de ar ao redor do bulbo. O pavio do termômetro de bulbo úmido natural deve
ser mantido úmido com água destilada por no mínimo ½ hora antes de se fazer a
leitura da temperatura. Não é suficiente imergir a outra extremidade do pavio
dentro de um reservatório de água destilada e esperar até que o pavio inteiro fique
úmido por capilaridade. O pavio deve ser molhado por aplicação de água por meio
de uma seringa ½ hora antes de cada leitura. O pavio deve ser colocado no
termômetro cobrindo todo o bulbo e mais uma parcela da coluna capilar de
dimensão equivalente ao comprimento do bulbo. O pavio deve estar sempre limpo
e pavios novos devem ser lavados antes de serem usados;
b) Deve ser usado um termômetro de globo, composto de uma esfera oca de cobre
de 15 cm (06 polegadas), pintada externamente de preto fosco ou equivalente. O
bulbo ou sensor do termômetro (faixa de –5º C a + 100º C), com acuidade de + 0,5
º C deve estar fixado no centro da esfera. O termômetro de globo deve ser exposto
no mínimo 25 minutos antes da leitura;
c) Um tripé deve ser usado para manter os três termômetros de forma a não restringir
a circulação de ar ao redor dos bulbos e que não haja sombra sobre os
termômetros de globo e de bulbo úmido natural;
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d) É permitido usar qualquer tipo de sensor de temperatura que dê leitura idêntica à


fornecida pelo termômetro de mercúrio sob as mesmas condições;
e) Os termômetros devem estar colocados de forma que as leituras sejam
representativas das condições sob as quais os trabalhadores estejam, quando no
trabalho ou descanso, respectivamente.

II – Regime de Trabalho – Descanso


Os TLV’s especificados na Tabela 1 e na fig. São baseados na presunção que o
valor do IBUTG do local de descanso é o mesmo ou muito próximo daquele existente no
local de trabalho. Quando o IBUTG da área de trabalho é diferente daquele da área de
descanso, um valor médio ponderado pelo tempo deve ser usado tanto para as condições
ambientais quanto para o calor metabólico.

A taxa metabólica média ponderada no tempo (M) deve ser determinada pela
equação:

Metabolismo Médio = M1 x t1 + M2 x t2 + .......+ Mn x tn


T1 + t2 + .......+ tn

Onde M1, M2,......Mn são as taxas metabólicas estimadas ou medidas para as


várias atividades e períodos de descanso do trabalhador durante os períodos de tempo
t1, t2, ......tn (em minutos), como determinado por um estudo de tempos.

O IBUTG médio ponderado no tempo deve ser determinado pela equação:


IBUTG Médio = IBUTG1 x t1 + IBUTG2 x t2 + .......+ IBUTGn x tn
T1 + t2 + .........+ tn

Onde IBUTG1, IBUTG2 ......IBUTGn são os valores calculados de IBUTG para as várias
áreas de trabalho e descanso ocupadas durante o período total de tempo t1, t2, .... e tn
representam o tempo de permanência, em minutos, nas áreas correspondentes,
determinado por um estudo de tempos. Quando a exposição ambiental a calor é contínua
por várias horas, ou durante todo o dia, as médias ponderadas devem ser calculadas
como uma média horária, isto é t1 + t2 +...+tn = 60 minutos. Quando a exposição for
intermitente, os valores médios ponderados no tempo poderão ser calculados para um
período de 2 horas, isto é, t1 + t2 + .....+ tn – 129 minutos.
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Os TLV’s para trabalho contínuo são aplicáveis para jornadas de trabalho de 5 dias
por semana e 8 horas por dia, com uma breve pausa (de aproximadamente 15 minutos)
pela manhã e à tarde, e uma pausa maior para almoço ( de aproximadamente 30
minutos). Exposições acima destes limites são permitidas, desde que haja um tempo
adicional de descanso. Todas as interrupções, incluindo pausas não programadas, ou os
períodos de espera durante o trabalho por razões administrativas ou operacionais, podem
ser consideradas como tempo de descanso, quando se tem que fornecer um descanso
adicional em função das elevadas temperaturas ambientais.
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FRIO
Extraído do Manual da ACGIH

Os limites para exposição ao frio são propostos para proteger os trabalhadores dos
efeitos mais graves da sobrecarga por frio (hipotermia), bem como dos danos à saúde
ocasionados pelo frio sob os quais se acredita que a maioria dos trabalhadores possa
estar repetidamente exposta sem sofrer efeitos adversos à sua saúde. O objetivo do TLV
é impedir que a temperatura interna do corpo caia abaixo dos 36º C e prevenir lesões pelo
frio nas extremidades do corpo. A temperatura interna é a temperatura do núcleo do corpo
determinada por métodos convencionais de medição de temperatura retal.

Para uma exposição única e ocasional a um ambiente frio, é permitido que a


temperatura interna do corpo chegue até 35º C. Além de fornecer condições para a
proteção total do corpo, é também objetivo dos limites de exposição proteger de lesões
por frio todas as partes do corpo, em especial, as mãos, os pés e a cabeça.

INTRODUÇÃO
Dentre os trabalhadores, exposições fatais por frio têm sido, na maioria das vezes,
resultado de uma exposição acidental, envolvendo dificuldades para evadir-se do local
com baixas temperaturas de ar ambiente, ou por imersão em água com baixa
temperatura. O único aspecto mais importante das baixas temperaturas, que constitui
uma ameaça à vida, é a queda da temperatura do núcleo do corpo. Os sintomas clínicos
apresentados pelas vítimas de hipotermia são apresentados na Tabela 1. Os
trabalhadores devem estar protegidos da exposição ao frio de forma a evitar que a
temperatura do núcleo do corpo caia abaixo de 36º C; temperaturas do corpo inferiores a
esta poderão resultar em redução da atividade mental, redução da capacidade de tomar
decisões racionais, ou perda da consciência com ameaça de conseqüências fatais.

Dores nas extremidades do corpo podem ser o primeiro sintoma ou aviso de perigo
para a sobrecarga por frio. Durante a exposição ao frio, o calafrio mais grave é
desenvolvido quando a temperatura do corpo cai abaixo dos 35ºC. Ista deve ser
considerado como um aviso de perigo para os trabalhadores, e a exposição ao frio deve
ser interrompida imediatamente sempre que os trabalhadores apresentarem o sintoma de
calafrio forte.
RISCOS AMBIENTAIS CALOR E FRIO

Uma vez que a exposição prolongada ao ar frio, ou a imersão prolongada em água


fria, a temperaturas bem acima do ponto de congelamento pode levar à hipotermia
perigosa, deve ser garantida a proteção do corpo inteiro.
1. Sempre que os trabalhadores realizem seus trabalhos expostos a temperaturas
inferiores à 4º C, deve ser fornecida aos trabalhadores roupa isolante seca,
para manter a temperatura do núcleo do corpo acima de 36º C. As taxas de
resfriamento do vento e de refrigeração do ar são fatores críticos. A taxa de
resfriamento do ar é definida como a perda de calor do corpo, expressa em
watts por metro quadrado, e é uma função da temperatura do ar e da
velocidade do vento sobre o corpo exposto. Quanto maior for a velocidade do ar
e quanto mais baixa for a temperatura da área de trabalho, maior deve ser o
valor de isolamento da roupa necessária. A tabela 2 apresenta um quadro de
temperaturas equivalentes de resfriamento, em função da temperatura de bulbo
seco do ar e da velocidade do ar. A temperatura equivalente deve ser utilizada
para estimar o efeito combinado de refrigeração do vento e a exposição da pele
a baixas temperaturas, ou para determinar os requisitos de isolamento da roupa
para manter a temperatura do núcleo do corpo;
2. A menos que ocorram situações excepcionais ou atenuantes, não é provável o
aparecimento de lesões por frio em outras partes do corpo, que não as mãos,
pés e cabeça, sem o aparecimento de sintomas iniciais de hipotermia.
Trabalhadores idosos ou com problemas circulatórios exigem precauções
adicionais de proteção contra o frio. O uso de roupa com isolamento extra e/ou
uma redução do período de exposição estão entre as precauções especiais que
devem ser consideradas. As ações preventivas a serem adotadas dependerão
da condição física do trabalhador e deveriam ser determinadas com orientação
de um médico com conhecimento dos fatores estressanrtes do frio e do estado
clínico do trabalhador.
RISCOS AMBIENTAIS CALOR E FRIO

TABELA 1. – Sintomas Clínicos Progressivos de Hipotermia*.


Temperatura Interna - Sinais Clínicos
ºC
37,6 Temperatura retal “normal”
37 Temperatura oral “norma”
36 Taxa metabólica aumenta para compensar as perdas por calor
35 Calafrio máximo
34 Vítima consciente e com resposta, com pressão arterial normal
33 Temperatura severa abaixo desta temperatura
32 Consciência diminuída; dificuldade de tomar a pressão sanguínea; dilatação da
31 pupila, mas ainda reagindo à luz, cessa o calafrio.
30 Perda progressiva da consciência; aumento da rigidez muscular; pulso e pressão
29 arterial difíceis de detrminar; redução da frequência respiratória.
28 Possível fibrilação ventricular, com irritabilade do miocárdio.
27 Parada do movimento voluntário; as pupilas não reagem à luz; ausência de
reflexos profundos e superficiais.
26 Vítima raramente consciente.
25 Fibrilação ventricular pode ocorrer espontanemente.
24 Edema pulmonar
22 Risco máximo de fibrilação ventricular
21
20 Parada cardíaca
18 Vítima de hipotermia acidental mais baixa de recuperar
17 Eletroencefalograma isoelétrico.
9 Vítima de hipotermia por resfriamento artificial mais baixa de recuperar.
*Situações relacionadas de forma aproximada com a temperatura interna do núcleo do corpo. Reprodução da revista de janeiro de
1982, “American Family Physician”publicada pela American Academy of Physicians.

AVALIAÇÃO E CONTROLE
Não deve ser permitida a exposição da pele exposta, quando a temperatura do ar e
a velocidade do ar resultem em uma temperatura equivalente de –32º C. O congelamento
dos tecidos superficiais ou profundos só ocorrerá à temperatura abaixo de –1 º C,
independentemente da velocidade do ar.

A temperatura de 2º C ou menos, é importante que se permita, aos trabalhadores


que entram na água ou tenham suas roupas molhadas, trocar as mesmas de imediato e
que se faça o tratamento de hipotermia.

Na Tabela 3, são apresentados os limites de exposição recomendados (TLV’s)


para trabalhadores adequadamente vestidos para os períodos de trabalho a temperaturas
abaixo do ponto de congelamento.

É necessário proteção para as mãos a fim de se manter a destreza manual e,


assim, evitar acidentes:
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1. Para trabalhos de precisão com as mãos descobertas por mais de 10 a 20


minutos em um ambiente com temperatura abaixo de 16º C, devem ser
adotadas medidas especiais para manter as mãos do trabalhador aquecidas.
Para isto poderão ser usados jatos de ar quente, aquecedores radiantes
(elétricos ou por combustão), ou placas de contato aquecidas. A temperaturas
inferiores a –1 º C, as partes metálicas da ferramenta e as barras de controle
devem ser cobertas com material isolante térmico;
2. Os trabalhadores devem usar luvas, sempre que a temperatura do ar cair
abaixo de 16º C, para trabalho sedentário; 4º C, para trabalho leve; -7 º C, para
trabalho moderado, se não for necessário uma destreza manual.

Para evitar um congelamento de contato, os trabalhadores devem usar luvas


anticontato:
1. Quando estão ao alcance das mãos superfícies frias a temperaturas inferiores a
–7 º C, o trabalhador deve ser avisado para evitar qualquer contato acidental da
pele com estas superfícies;
2. Se a temperatura do ar for –17º C, ou menos, as mãos devem estar protegidas
por luvas mitene. O controle das máquinas e ferramentas para uso nestas
condições deve estar projetada para permitir sua manipulação sem necessidade
de remover as luvas mitene.

Quando se trabalha em ambientes com temperatura de 4º C ou inferior, deve ser


fornecida proteção adicional para o corpo inteiro. Os trabalhadores devem usar roupa
protetora adequada para o nível de frio e atividade física exercida:
1. Se a velocidade do ar no local de trabalho é aumentada por vento, corrente de
ar, ou equipamentos de ventilação artificial, o efeito de resfriamento do vento
deve ser reduzido pela colocação de anteparos na área de trabalho, ou por
utilização de roupa corta-vento, facilmente removível;
2. Se o trabalho a ser realizado é apenas leve, e a roupa do trbalhador pode ser
molhada no local de trabalho, a parte externa da roupa em uso pode ser do tipo
impermeável à água. Se o trabalho for mais severo, a parte externa da roupa
deveria ser repelente à água, devendo ser trocada sempre que se molhe. A
parte externa da vestimenta deve permitir fácil ventilação de forma a prevenir a
umidificação das camadas internas da roupa pela sudorese. Quando o trabalho
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é realizado alternadamente em ambientes frios e ambientes com temperaturas


normais ou em ambientes quentes, antes de entrar na área fria o trabalhador
deve se certificar de que a sua roupa não esteja molhada em decorrência do
suor. Se a vestimenta estiver molhada ou úmida, o trabalhador deverá trocá-la
por roupa seca, antes de entrar na área fria. Os trabalhadores devem trocar, a
intervalos regulares durante o dia, as meias e quaisquer outras palmilhas
removíveis ou usar botas impermeáveis que evitem a absorção da umidade. A
frequência ideal de troca deve ser determinada empiricamente, e poderá variar
de acordo com as características individuais, com o tipo de sapato usado e a
quantidade de suor dos pés, que varia de indivíduo para indivíduo;
3. Se não é possível proteger suficientemente as áreas expostas do corpo, de
forma a prevenir a sensação de frio excessivo ou enregelamento, devem ser
fornecidos artigos de proteção que auxiliem no aquecimento;
4. Se as roupas disponíveis não fornecem adequada proteção para prevenir a
hipotermia ou o enregelamento, o trabalho deve ser modificado ou suspenso até
que as roupas adequadas estejam disponíveis ou até que haja melhoria nas
condições climáticas.
5. Os trabalhadores que manuseiam líquidos voláteis (gasolina, álcool ou fluidos
de limpeza) as temperaturas do ar inferiores a 4º C devem tomar cuidados
especiais para evitar molhar as roupas ou luvas com estes líquidos, por causa
de um risco adicional de danos devido ao frio em função do resfriamento por
evaporação. Deve ser tomado cuidado especial para os efeitos particularmente
agudos dos respingos de “fluidos criogênicos” ou daqueles líquidos que tenham
ponto de ebulição pouco acima da temperatura ambiente.
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TABELA 2 – Poder de resfriamento do vento sobre o corpo exposto, expresso como


Temperatura Equivalente (em condições de calma) *.
Leitura da Temperatura Real (º C)
Velocidade estimada 10 4 -1 -7 -12 -18 -23 -29 -34 -40 -46 -51
do vento (Km/h) TEMPERATURA EQUIVALENTE DE RESFRIAMENTO
Em calma 10 4 -1 -7 -12 -18 -23 -29 -34 -40 -46 -51
8 9 3 -3 -9 -14 -21 -26 -32 -38 -44 -49 -56
16 4 -2 -9 -16 -23 -31 -36 -43 -50 -57 -64 -71
24 2 -6 -13 -21 -28 -36 -43 -50 -58 -65 -73 -80
32 0 -8 -16 -23 -32 -39 -47 -55 -63 -71 -79 -85
40 -1 -9 -18 -26 -34 -42 -51 -59 -67 -76 -83 -92
48 -2 -11 -19 -28 -36 -44 -53 -61 -70 -78 -87 -96
56 -3 -12 -20 -29 -37 -46 -55 -63 -72 -81 -89 -98
64 -3 -12 -21 -29 -38 -47 -56 -65 -73 -82 -91 -100
POUCO PERIGOSO POUCO CRESCENTE MUITO PERIGOSO
( Velocidades do vento Em < horas com a pele seca. Perigo de que o corpo O corpo pode congelar em 30 segundos
maiores que 64 Km/h tem Perigo máximo de falsa exposto se congele em
pequeno efeito adicional) sensação de segurança um minuto
Em qualquer ponto deste ábaco pode ocorrer o pé de trincheira e o pé de imersão
* Desenvolvido pelo U.S. Army Research Institute of Environmental Medicine, Natick, MA.

Temperatura equivalente de resfriamento que requer roupa seca para manter a temperatura do corpo acima do 36 º C,
para TLV de exposição ao frio.

REGIME DE TRABALHO – AQUECIMENTO


Se o trabalho é executado continuamente em local frio com Temperatura
Equivalente de Resfriamento (TER) de –7 º C ou abaixo, devem estar disponíveis abrigos
aquecidos para aquecimento (barracas, cabinas, salas de descanso etc.) nas
proximidades do local frio. Os trabalhadores devem ser encorajados a usar estes abrigos
a intervalos regulares, com frequência variável em função da severidade da exposição
ambiental. O começo de forte calafrio, congelamento em pequeno grau (queimadura por
frio), a sensação de fadiga excessiva, sonolência, irritabilidade ou euforia são indicações
para retorno imediato ao abrigo. Ao entrar no abrigo, deve ser removida a camada externa
da roupa, afrouxando o resto da mesma, para permitir a evaporação do suor, ou deve ser
fornecida outra roupa de trabalho seca. Sempre que necessário, deverá ser fornecida
roupa de trabalho seca para evitar que os trabalhos retornem ao trabalho com roupa
úmida. Desidratação ou perda de fluidos do corpo ocorrem insidiosamente nos ambientes
frios e podem aumentar a susceptibilidade do trabalhador a danos à saúde por frio, devido
a uma alteração significativa no fluxo sanguíneo nas extremidades. Sopas e bebidas
doces e quentes devem ser fornecidas nos locais de trabalho para proporcionar ingestão
calórica e volume de fluido. A ingestão de café deve ser limitada devido aos seus efeitos
diuréticos e circulatórios.
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Para a prática de trabalhos a temperaturas de –12 º C ou inferiores de Temperatura


Equivalente de Resfriamento (TER), deve ser aplicado o seguinte:
1. O trabalhador deve estar sob constante observação para efeito de proteção
(supervisão ou sistema de duplas de trabalho);
2. A carga de trabalho não deve ser tão alta de forma a causar intensa sudorese
severa, que possa resultar em umedecimento da roupa; se deve ser realizado
trabalho pesado, devem ser adotados períodos de descanso em abrigos
aquecidos, possibilitando a oportunidade de troca de roupa por vestimenta
seca;
3. Para empregados novos não deve ser exigido o trabalho em tempo integral no
frio durante os primeiros dias de trabalho, até que eles estejam acostumados
com as condições de trabalho e as vestimentas de proteção requeridas;
4. O peso e o volume das vestimentas devem ser incluídas na estimativa da
performance de trabalho requerida e na carga a ser carregada pelo trabalhador;
5. O trabalho deve ser planejado de forma a minimizar os longos períodos de
repouso, sentado ou em pé. Não devem ser utilizados assentos de cadeiras
metálicas desprotegidos. O trabalhador deve estar protegido das correntes tanto
quanto possível;
6. Os trabalhadores devem ser treinados nos procedimentos de segurança e
saúde. Os programas de treinamento deveriam incluir, no mínimo, instruções
em:

a) Procedimentos adequados de reaquecimento e tratamento de primeiros


socorros.
b) Uso adequado das vestimentas
c) Hábitos adequados de alimentação e ingestão de líquidos.
d) Reconhecimento de iminente enregelamento.
e) Reconhecimento de sinais e sintomas de hipotermia iminente ou resfriamento
excessivo do corpo mesmo quando ainda não ocorreu calafrio.
f) Práticas de trabalho seguro.
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RECOMENDAÇÕES ESPECIAIS PARA O LOCAL DE TRABALHO


Os requisitos especiais de projeto para salas refrigeradas incluem o seguinte:
1. Em salas refrigeradas, a velocidade do ar deveria ser minimizada tanto quanto
possível, e não deveria exceder 1 metro / segundo no local de trabalho. Isto pode
ser conseguido por projeto adequado de sistemas de distribuição de ar;
2. Roupas especiais de proteção contra o vento devem ser fornecidas em função da
velocidade do ar a que os trabalhadores estão expostos.

Cuidados especiais devem ser adotados quando se trabalha com substâncias


tóxicas e quando os trabalhadores estão expostos à vibração. A exposição ao frio pode
exigir uma redução dos limites de exposição (TLV’s).

Deve ser fornecida proteção aos olhos para os trabalhadores que exerçam seus
trabalhos em áreas externas cobertas de neve e/ou gelo. Quando houver uma grande
extensão de área coberta de neve, causando um risco potencial de exposição ocular,
deverão ser fornecidos óculos de segurança para proteçào contra radiaçào ultravioleta e
brilho ofuscante (que podem causar conjuntivite temporária da visão), bem como do vento
de cristais de gelo.

É necessário o monitoramento do local de trabalho, como segue:


1. Todo local de trabalho com temperatura ambiente inferior a 16 º C deverá dispor
de termômetro adequado, de forma a permitir o total cumprimento do
estabelecido nos TLV’s;
2. Sempre que a temperatura do ar no local de trabalho cair abaixo de –1 º C, a
temperatura de bulbo seco deveria ser medida e registrada no mínimo a cada 4
horas;
3. Em locais de trabalhos internos, a velocidade do vento também deve ser
registrada no mínimo a cada 4 horas, sempre que a velocidade do ar exceder 2
metros por segundo;
4. Em situações de trabalho externo, a velocidade do vento deve ser medida e
registrada juntamente com a temperatura do ar, quando a temperatura do ar for
inferior a –1 º C;
5. Em todas as situações em que seja necessária a medição da movimentação do
ar, deveria ser obtida, pela Tabela 2, a Temperatura Equivalente de
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Resfriamento (TER), registando-a com os outros dados, sempre que a


temperatura de resfriamento for inferior a –7 º C.

Os empregados que estejam doentes ou estejam tomando medicação que possa


interferir na regulação da temperatura do núcleo do corpo ou reduzir a tolerância ao
trabalho em ambientes frios, devem ser excluídos do trabalho exposto ao frio a
temperaturas de –1 º C ou inferiores. Os trabalhadores que estão rotineiramente expostos
a temperaturas abaixo de –24 º C, com velocidades do vento menores que 8 Km / h ou a
temperaturas abaixo de –18 º C, com velocidades do vento maiores que 8 Km / h,
deveriam Ter certificação médica que os declarasse aptos para tais exposições.

Trauma ocorrido em condições de congelamento ou abaixo de zero requer atenção


especial, porque o trabalhador afetado está predisposto a sofrer danos por exposição ao
frio. Além do tratamento de primeiros socorros, deveriam ser adotadas medidas especiais
para prevenir a hipotermia e o congelamento dos tecidos lesados.

TABELA 3–Limites de exposição para regime de trabalho/aquecimento para


jornadas de 4 horas*
Temperatura do ar Sem vento
Vento de 8 Km/h Vento de 16 Km/h Vento de 24 Km /h Vento de 32 Km/h
céu ensolarado apreciável
Período Período Período Período Período
Nº de Nº de Nº de Nº de Nº de
º C (aprox.) máx. de máx. de máx. de máx. de máx. de
pausas pausas pausas pausas pausas
trabalho trabalho trabalho trabalho trabalho
-26º a-28º (pausas normais) 1 (pausas normais) 1 75 min 2 55 min 3 40 min 4

-29º a –31º (pausas normais) 1 75 min 2 55 min 3 40 min 4 30 min 5

-32º a –34º 75 min 2 55 min 3 40 min 4 30 min 5 Para trabalhos não


emergenciais
-35º a – 37º 55 min 3 40 min 4 30 min 5 Para trabalhos não
emergenciais
-38º a –39º 40 min 4 30 min 5 Para trabalhos não
emergenciais
-40º a –42º 30 min 5 Para trabalhos não
emergenciais
< - 43º Para trabalhos não
emergenciais
* Adaptada da Occupational Health & Safety Division, Saskatchewan Departman of Labour Notas da Tabela 3:
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LEGISLAÇÀO BRASILEIRA
A Legislação Brasileira pouco fala da exposição ao frio.

NR-15 – ANEXO Nº 9
FRIO
1. As atividades ou operações executadas no interior de câmaras frigoríficas, ou em locais
que apresentem condições similares, que exponham os trabalhadores ao frio, sem a
proteção adequada, serão consideradas insalubres em decorrência de laudo de inspeção
realizada no local de trabalho.

QUADRO 2
M. (Kcal/h) Máximo IBUTG (ºc) M (Kcal/h) Máximo IBUTG (ºc)
125 32.0 268 28.4
128 31.9 272 38.3
132 31.8 277 28.2
136 31.7 282 28.1
139 31.6 286 28.0
143 31.5 290 27.9
146 31.4 295 27.8
150 31.3 299 27.7
154 31.2 303 27.6
157 31.1 307 27.5
162 31.0 311 27.4
165 30.9 316 27.3
169 30.8 321 27.2
173 30.7 327 27.1
176 30.6 333 27.0
181 30.5 338 26.9
184 30.4 344 26.8
188 30.3 350 26.7
192 30.2 356 26.6
196 30.1 361 26.5
200 30.0 367 26.4
204 29.9 373 26.3
209 29.8 379 26.2
213 29.7 385 26.1
218 29.6 391 26.0
222 29.5 397 25.9
227 29.4 400 25.8
231 29.3 406 25.7
236 29.2 416 25.6
240 29.1 425 25.5
244 29.0 434 25.4
247 28.9 443 25.3
250 28.8 454 25.2
254 28.7 470 25.1
259 28.6 500 25.0
263 28.5 - -
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TIPO DE ATIVIDADE (NR – 15)

QUADRO 01
REGIME DE TRABALHO INTERMITENTE TIPO DE ATIVIDADE
COM DESCANSO NO PRÓPRIO LOCAL
LEVE MODERADA PESADA
DE TRABALHO (POR HORA).
Trabalho Contínuo Até 30,0 Até 26,7 Até 25,0
45 minutos de trabalho
30,1 a 30,6 26,8 a 28,0 25,1 a 25,9
15 minutos de descanso
30 minutos de trabalho
30,7 a 31,4 28,1 a 29,4 26,0 a 27,9
30 minutos de descanso
15 minutos de trabalho
31,5 a 32,2 29,5 a 31,1 28,0 a 30,0
45 minutos de descanso
Não é permitido o trabalho, sem a adoção
Acima de 32,2 Acima de 31,1 Acima de 30,0
de medidas adequadas de controle.

QUADRO 02
M (Kcal/h) MÁXIMO IBUTG
175 30,5
200 30,0
250 28,5
300 27,5
350 26,5
400 26,0
450 25,5
500 25,0

QUADRO 03
TIPOS DE ATIVIDADES Kcal / hora
Sentado em repouso 100
TRABALHO LEVE
Sentado, movimentos moderado com braços e tronco (ex.: datilografia) 125
Sentado, movimentos moderados com braços e pernas (ex.: dirigir) 150
De pé, trabalho leve, em máquina ou bancada, principalmente com os braços. 150
TRABALHO MODERADO
Sentado, movimentos vigorosos com braços e pernas. 180
De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, com alguma movimentação. 175
De pé, trabalho moderado em máquina ou bancada, com alguma movimentação. 220
Em movimento, trabalho moderado de levantar e empurrar. 300
TRABALHO PESADO
Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar pesos (ex.: remoção com pá) 440
Trabalho fatigante 550
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