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GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS AGRÁRIAS

GEORREFERENCIADAS
UNIVERSIDADE ESTATUAL PAULISTA
FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRONÔMICAS

CARTOGRAFIA

Profa. Célia Regina Lopes Zimback

Botucatu
Junho - 2003
Apostila de Cartografia

ÍNDICE

Página

1. CARTOGRAFIA.............................................................................................................. 04

1.1. A Ciência cartográfica.............................................................................................. 04

1.2. Histórico dos mapas.................................................................................................. 04

1.3. Conceitos Básicos..................................................................................................... 05

1.3.1. Mapas e Cartas................................................................................................ 05

1.3.2. Norte................................................................................................................ 05

1.3.3. Azimute e Rumo............................................................................................. 07

1.3.4. Escala.............................................................................................................. 08

2. A REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA..................................................................... 08

2.1. Formas de representação da Terra............................................................................. 08

2.2. Projeção cartográfica................................................................................................. 09

2.3. Sistemas de coordenadas........................................................................................... 11

2.3.1. Coordenadas Geográficas............................................................................... 11

2.3.2. Sistema Universal Transversal de Mercator – UTM...................................... 12

2.4. Datum........................................................................................................................ 16

3. NOMENCLATURA DE REFERÊNCIA DAS CARTAS DO BRASIL......................... 17

3.1. Cartas do Brasil ao Milionésimo............................................................................... 17

3.2. Desdobramento das folhas........................................................................................ 17

4. CARTOGRAFIA TEMÁTICA........................................................................................ 20

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................. 21

6. VOCÊ SABIA?................................................................................................................. 21

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Apostila de Cartografia

O objetivo primeiro dessa compilação de textos sobre cartografia é o auxílio de


profissionais da área de recursos naturais envolvidos com conceitos e definições de
cartografia, parte da ciência da terra, muito útil no geoprocessamento.

Quem me dera ter a faculdade de contar uma história como o faz um mapa. Os mapas
são a nossa literatura mais antiga, anterior ainda aos livros. Aposto que foi com um
mapa que os seres humanos comunicaram-se entre si pela primeira vez... (Morgan, 1968,
citado por Duarte, 1994).

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1. CARTOGRAFIA

1.1. A CIÊNCIA CARTOGRÁFICA

Método científico que se destina a representar fatos e fenômenos observados na


superfície da terra através de simbologia própria.
A cartografia pode ser definida também como um conjunto de estudos e operações
científicas, artísticas e técnicas, baseado nos resultados de observações diretas ou de análise
de documentação, com vistas ã elaboração e preparação de cartas, mapas planos e outras
formas de expressão, bem com sua utilização.

1.2. HISTÓRIA DO MAPA

A origem da palavra mapa, provavelmente, originou-se da palavra cartaginesa


“mappa” que significa “toalha de mesa”. Os comerciantes da época desenhavam rotas e
caminhos nas toalhas das enquanto conversavam.
A história dos mapas funde-se com a própria história da humanidade:
- O mapa é produto natural de cada povo;
- anterior à escrita (babilônios, egípcios, maias, esquimós, astecas, chineses, etc.) - 4500 a
2500 AC;
- Anaximandro de Mileto – primeiros mapas da Europa – 611 a 547A.C.
- Eratóstenes de Cirene – calculou o perímetro da Terra –276 a 196 A. C.
- Cláudio Ptolomeu escreveu sobre projeções e elaborou um mapa-múndi - 90 a 168 DC;
- árabes tiveram grande influência a partir do séc XII, destaque para AL-IDRISI que elaborou
Atlas e livro sobre viagens (“Livro sobre agradável excursão para quem deseja percorrer o
mundo”) e foi usado como base para os grandes navegadores, no séc. XV;
- Idade Média - retrocesso- mapas circulares Orbis Terrarum;
- grande avanço com as viagens de exploração das novas terras e aparecimento de
especialistas em confeccionar mapas - 1400 a 1500;
- Cartógrafo Gerhard Mercator - primeiro Atlas, reformulou todas as teorias e criou a projeção
cartográfica com meridianos retos e eqüidistantes dos pólos, usada até hoje - 1512 a 1594;

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- Brasil 1o. Mapa da cidade do Rio de Janeiro – 1812.

1.3. CONCEITOS BÁSICOS

Alguns conceitos básicos são necessários para o bom entendimento das cartas e mapas
utilizados em geoprocessamento.

1.3.1. CARTA E MAPAS

No Brasil, a ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas - define:


Mapa – representação gráfica, em geral uma superfície plana e em uma escala
determinada, com representação de acidentes físicos e culturais da superfície da Terra, ou de
um planeta ou satélite.
Carta – representação dos aspectos naturais e artificiais da Terra, destinada a fins
práticos da atividade humana, permitindo a avaliação precisa das distâncias, direções e a
localização plana, geralmente em média ou grande escala, de uma superfície terrestre,
subdivididas em folhas, de forma sistemática, obedecendo a um plano nacional ou
internacional.
Tipos de mapas/cartas quanto ao objetivo:
- mapa genérico ou geral – ex. mapa político;
- mapa especial ou técnico – ex. mapa meteorológico;
- mapa temático – mapa de solos;
- mapa imagem – mapa+imagem.

1.3.2. NORTE

Tipos de norte (Figura 1):


- norte geográfico ou verdadeiro
- norte magnético;
- norte da quadrícula.

Norte Geográfico: é aquele indicado por qualquer meridiano geográfico, ou seja na


direção da rotação da Terra.

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Norte magnético: é a direção do pólo magnético e indicado pela agulha imantada


de uma bússola.
Norte da Quadrícula: é aquele representado nas cartas topográficas, no sentido norte-
sul.
O ângulo formado entre o Norte Geográfico e o Magnético (Figura 2), expresso em

graus, denomina-se de declinação magnética (δ). As cartas devem conter qual a variação da

declinação por ano. Multiplica-se a diferença em anos da data atual e a data da carta pela
declinação anual. A variação anual em Botucatu é de 9´. Ao valor apontado pela bússola
deve-se acrescentar o produto da multiplicação.
Convergência Meridiana (γ) é a diferença angular entre o Norte Geográfico e o Norte
da Quadricula. Como as quadrículas das cartas são planas, apenas no meridiano central de
cada quadrícula, o Norte Geográfico coincide com o Norte da Quadrícula.

Figura 1. Representação dos tipos de Norte (Fonte:Santos,1989).

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Figura 2. Declinação magnética e meridiana (Fonte: Fitz, 2000).

1.3.3. AZIMUTE E RUMO

Azimute de um alinhamento é o ângulo formado no sentido horário, entre a linha


Norte-Sul e um alinhamento qualquer, com variação entre 00 e 3600.
Rumo de um alinhamento é o menor ângulo formado entre a linha Norte-Sul e um
alinhamento qualquer, com variação de 00 a 900, devendo ser indicado o quadrante.
Na Figura 3 estão expostos azimutes e rumos nos quatro quadrantes.

Figura 3. Representação dos rumos e azimutes nos quatro quadrantes (Fonte: Fitz, 2000).

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1.3.4. ESCALA

É a relação entre as dimensões dos elementos representados em um mapa, foto ou


imagem e a grandeza correspondente, medida sobre a superfície da Terra.
A escala é uma informação obrigatória para qualquer mapa ou carta e pode ser
numérica, gráfica e nominal.
A Escala Numérica é representada por uma fração onde o numerador é sempre a
unidade, designando a distância medida no mapa e o denominador representando a distância
medida correspondente no terreno. Ex. 1:50 000 ou 1/50 000, onde 1 unidade de mapa
representa 50 000 unidades de terreno.
Escala Gráfica é representada por uma linha ou barra graduada contendo subdivisões,
denominada talões. O talão, preferencialmente, deve ser expresso por um valor inteiro. A
escala gráfica consta de duas partes: a principal, desenhada do zero para a direita e a
fracionária, do zero para a esquerda, que consta de subdivisões de dez partes (Figura 4).

Figura 4. Escala gráfica (Fonte: Fitz, 2000).

A Escala Nominal ou Equivalente é representada por extenso, como por exemplo,


1cm=10km (1cm de mapa representa 10km de terreno).
A escala gráfica é a mais prática por que, além de poder ser utilizada como uma régua,
nas ampliações ou reduções dos mapas, a escala também será ampliada ou reduzida.

2. A REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA

2.1. FORMAS DE REPRESENTAÇÃO DA SUPERFÍCIE DA TERRA

A forma da Terra comumente utilizada nos meios acadêmica é o geóide, a figura que
mais se aproxima da verdadeira forma terrestre. Geóide seria uma figura onde, em todos os
pontos da superfície terrestre, a direção da gravidade é exatamente perpendicular a superfície
determinada pelo nível médio e inalterado dos mares.

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O elipsóide de revolução, uma figura matemática que se aproxima bastante da


forma do geóide, é a superfície mais utilizada pela ciência geodésica para a realização dos
levantamentos, representada na Figura 5 (Fitz, 2000).

Superfície terrestre (geóide) → superfície plana → distorção.

A projeção correta é aquela que possuir a mínima distorção.


Para que uma representação cartográfica mostre o mais próximo a realidade é
necessária que dois fatores sejam considerados:
- a escala;
- o sistema de coordenadas e a projeção cartográfica.

Figura 5. Formas de representação da terra (Fonte: Fitz, 2000).

2.2. PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS

Quanto ao tipo de superfície de projeção, estas podem ser: planas, cônicas, cilíndricas,
etc. (Figura 6).
Quanto a posição da superfície de projeção, podem ser: equatorial, polar, transversa,
oblíqua.
A Projeção Cilíndrica Isógena é a projeção dos elementos feita a partir de um mesmo
ponto. É uma projeção cilíndrica e proposta por Gerhard Kremer Mercator, considerado o pai
da cartografia moderna.
A Projeção Universal de Mercator, projeção proposta por Mercator (Figura 7) foi em

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1947, modificada por Gauss e, em 1951, adotada pela Associação Geodésica


Internacional e chamada de Universal Transversal de Mercator - UTM (Figura 8).

Figura 6. Exemplos de sistemas de projeção (Fonte: Fitz, 2000).

Figura 7. Projeção de Mercator (Fonte: Figura 8. Projeção Universal Transversal de


Mercator (Fonte: Santos, 1989).
Santos, 1989).

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2.3. SISTEMAS DE COORDENADAS

As coordenadas foram proposta para se determinar a localização precisa de pontos na


superfície da Terra.
São utilizados duas linhas imaginárias, o meridiano zero (Greenwich) e o Equador
para dividir o globo em hemisférios: ocidental e oriental; norte e sul.
Meridianos são as linhas que passam pelos pólos e ao redor da Terra. Ficou decidido,
em 1962, que o meridiano que passa pelo Observatório de Greenwich, em Londres, é o
Meridiano Principal (zero). A numeração cresce para oeste e leste até 1800.
Paralelos são linhas paralelas ao Equador, dividindo o globo em círculos cada vez
menores. O Equador possui valor zero, crescendo para norte e sul até o valor 900.
Latitude é a distância angular entre o plano do Equador e o ponto da superfície da

Terra, unido perpendicularmente ao centro do planeta e representado pela letra φ.


Longitude é o ângulo formado entre o ponto considerado e o meridiano zero,

representado pela letra λ.


Pelo entrelaçado dos meridianos e paralelos, pode-se determinar com precisão a
localização de um ponto na superfície da Terra. Esta localização pode ser descrita por dois
sistemas de coordenadas:
- Sistema de Coordenadas Geográficas;
- Sistema Universal Transversal de Mercator - UTM

2.3.1. SISTEMA DE COORDENADAS GEOGRÁFICAS

As coordenadas geográficas localizam, de forma direta, qualquer ponto sobre a


superfície terrestre, sendo necessário apenas o hemisfério: N ou S; E ou W (Figura 9).

Ex. λ ou longitude = 95025’13” WGR e φ ou latitude = 39033’13” N.

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Figura 9. Representação das coordenadas geográficas (Fonte: Santos, 1989).

2.3.2. SISTEMA UNIVERSAL TRANSVERSA DE MERCATOR – UTM

- A terra é representada por um elipsóide de revolução;


- dividido em 60 fusos de 6o de longitude, numeradas de 1 a 60;
- com origem no antimeridiano de Greenwich;
- em sentido anti-horário para observador situado no Pólo Norte (Figura 10);
- (Paralelos – horizontais; Meridianos – verticais);
- os meridianos e paralelos interceptam-se em ângulos retos;
- os pontos possuem propriedade de conformidade (conservam a forma para áreas
não muito extensas);
- os limites são os paralelos 800 S e 840 N;
- não é apropriada para representar os Pólos da Terra onde se deve utilizar a
projeção estereográfica polar.

A determinação das coordenadas UTM obedece as seguintes normas estabelecidas,


expostas na Figura 11:
- para a obtenção da latitude, estabeleceu-se o valor de 10.000.000m para o
Equador;
- os valores crescem no sentido norte e decrescem para sul;

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- para a obtenção da longitude, estabeleceu-se o valor de 500.000m para cada


meridiano central (MC);
- os valores crescem no sentido leste e decrescem no sentido oeste.

Figura 10. Divisão do globo em zonas UTM (Fonte: Santos, 1989).

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Figura 11. Divisão da zona de Mercator em quadrículas (Fonte: Santos, 1989).

Por exemplo, um ponto com coordenadas de 6.682.000m S e 476.000m WGR,


significa que o ponto esta:
- 10.000.000m – 6.682.000m = 3.318.000m do Equador e;
- 500.000m – 476.000m = 24.000m a oeste do MC.

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Figura 12. A nomenclatura que define as zonas UTM.

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2.4. DATUM

Para caracterizar um datum utiliza-se uma superfície de referência e uma superfície de


nível. Uma superfície de referência (datum horizontal) consiste em cinco valores: a latitude e
longitude de um ponto inicial, o azimute de uma linha que parte deste ponto e duas constantes
necessárias para definir o elipsóide de referência. Assim, forma-se a base para o cálculo dos
levantamentos de controle horizontal no qual considera-se a curvatura da Terra.
A superfície de nível (datum vertical) refere-se às altitudes.
Para a definição do datum escolhe-se um ponto mais ou menos central em relação à
área de abrangência do datum. Para o Brasil, nos mapas mais antigos adota-se o Datum de
Córrego Alegre - MG, e mais recentemente, o Datum SAD 69 (Datum Sul Americano de
1969), porém existem mapas feitos em ambos e até mesmo com Datum locais.

Córrego Alegre - MG
- Latitude: 19o 45' 41.34"S
- Longitude: 48o 06' 07.08"W
SAD 69
- Latitude: 19o 45' 41.6527"S
- Longitude: 48o 06' 04.0639"W
- Azimute de Uberaba: 271o 30' 04.05".
O sistema de referência do GPS é o WGS 84. Como as cartas do território brasileiro
são referenciadas ao SAD 69 (e em alguns casos são referenciadas ao sistema mais antigo –
Córrego Alegre), algumas normas devem ser adotadas para que os resultados obtidos com o
GPS possam ser utilizados para fins de mapeamento, ou outras atividades que necessitem de
informação georreferenciada.
A rede de pontos levantados com GPS terá suas coordenadas referenciadas ao WGS
84, devendo sofrer uma transformação para o SAD 69. Assumindo-se que os dois sistemas
são paralelos e com mesma escala, no Brasil, os parâmetros oficiais de transformação de
WGS 84 para SAD 69 são os seguintes (Monico, 2000):
Para x → WGS 84 + 66,87m = SAD 69;
Para y → WGS 84 + 4,37m = SAD 69;
Para z → WGS 84 + 38,52m = SAD 69.

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3. NOMENCLATURA DE REFERÊNCIA DAS CARTAS DO BRASIL

O sistema de referência (nomenclatura) utilizado para as folhas topográficas e


geográficas é baseado no sistema da Carta do Brasil ao Milionésimo.

3.1. CARTAS DO BRASIL AO MILIONÉSSIMO

A Carta do Brasil ao Milionésimo faz parte da Carta Internacional do Mundo (CIM), na


escala 1/1.000.000, abrangendo, em regra, uma área de 40 em latitude e 60 em longitude.
Cada faixa ou zona de 40 é denominada, a partir do Equador em A, B, C,..., sendo a
calota polar Z. Cada faixa de 60 utiliza a divisão de Mercator, a partir do antimeridiano de
Greenwich, dividindo-se em fusos de 0, 1, 2,..., até 60.
A Carta do Brasil ao Milionésimo é composta de 46 folhas, cuja articulação está
apresentada na Figura 13.

3.2. DESDOBRAMENTO DAS FOLHAS

A folha 1/1.000.000 desdobra-se em outras escalas oficiais. A divisão ocorre da


seguinte maneira:
Folha Original Tamanho No. de folhas Escala de cada Nomenclatura
divididas Folha
1/1.000.000 40 X 6 0 4 1/500.000 V,X,Y,Z
1/500.000 2 0 X 30 4 1/250.000 A, B, C, D
1/250.000 10 X 1030’ 6 1/100.000 I, II, III, IV, V, VI
1/100.000 30’X 30’ 4 1/50.000 1, 2, 3, 4
1/50.000 15’ X 15’ 4 1/25.000 NO, NE, SO, SE
1/25.000 7’30”X 7’30” 6 1/10.000 A, B, C, D, E, F

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Figura 13. As 46 folhas da Carta do Brasil ao Milionésimo (Fonte: Santos, 1989)

A nomenclatura das cartas está presente, na maior parte das vezes, na parte superior
direita da folha. Como exemplo a carta SF.23-Z-D-VI-4-SE-F significa:

S - Sul VI – 1/100.000
F - faixa F 4 – 1/50.000
23 – fuso 23 SE – 1/25.000
Z – 1/500.000 F – 1/10.000
D – 1/250.000

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Figura 14. Divisão das Cartas do Brasil ao Milionésimo (Fonte: Santos, 1989).

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4. CARTOGRAFIA TEMÁTICA

A cartografia topográfica trata de um produto cartográfico de forma geométrica e


descritiva e a cartografia temática apresenta uma solução analítica ou explicativa. De maneira
geral, a cartografia temática preocupa-se com o planejamento, execução e impressão final, ou
plotagem de mapas temáticos.
Mapa temático representa certo número de conjuntos espaciais resultantes da
classificação dos fenômenos que integram o objetivo de estudo de determinado ramo
específico, fruto da divisão do trabalho científico. É um veículo de comunicação.
Tem a função de registrar, tratar e comunicar informação. As características ou
atributos (Z) são resultantes de classificações específicas. X e Y são representados no plano
do papel e Z é o TEMA (solos, nutrientes, erosão, etc) .
Representação Gráfica é a linguagem gráfica, bidimensional, atemporal e com
destinação visual, expressando mediante construção da imagem.
Imagem refere-se a forma de conjunto captada num mínimo de percepção. Tem
dimensão X e Y do papel e representações ou manchas, na dimensão Z.
A representação gráfica pode ser através de mapas, gráficos e redes (organogramas,
dendrogramas, cronogramas e fluxogramas).
Para se obter um bom resultado em um mapa temático, alguns preceitos devem ser
respeitados e, como estes mapas baseiam-se em mapas pré-existentes, deve-se ter um
conhecimento preciso das características da base de origem. O mapa temático não será exato
se o mapa-base também não for exato.
Um mapa temático, assim como qualquer outro tipo de mapa, deve possuir alguns
elementos de fundamental importância para o fácil entendimento do usuário em geral.
O mapa temático deve ser composto:
- Título - realçado, preciso e conciso;
- Legenda - com as convenções utilizadas;
- A base de origem -Mapa-base, dados;
- Norte;
- Escala.
Pode-se, ainda, acrescentar:
- Sistema de projeção utilizado;
- Sistema de Coordenadas.

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Apostila de Cartografia

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASTRO, J. F. M. Princípios de cartografia sistemática, cartografia temática e sistema


de informação geográfica. Rio Claro, IGC/UNESP, 1996.40p.
DUARTE, P. A. Fundamentos de cartografia. Florianópolis, UFSC, 1994.148p.
FITZ, P. R. Cartografia básica. Canoas-RS, UNILASALLE, 2000. 171p.
MARTINELLI, M. Curso de cartografia temática. São Paulo, Ed. Contexto, 1991. 180p.
MONICO, J. F. G. Posicionamento pelo NAVSTAR-GPS descrição, fundamentos e
aplicações. São Paulo, Ed. UNESP, 2000. 287p.
SANTOS, M. C. S. R. M. Manual de fundamentos cartográficos e diretrizes gerais para
elaboração de mapas geológicos, geomorfológicos e geotécnicos. IPT, São Paulo, 1989. 52p.

6. VOCÊ SABIA?

Foi pensando no titã grego condenado por Zeus a carregar a abóbada celeste nas costas
que Gerhard Kremer, o Mercator, chamou de atlas o conjunto de lâminas cartográficas que fez
editar em 1569. Depois de ler a Geografia de Ptolomeu (séc. II), se dedicou a projetar um
supermapa que abarcasse tudo o que se sabia do mundo, bem mais do que conhecia Ptolomeu.
Amsterdã, o maior ancoradouro da Holanda, era um notável centro de impressão de
mapas e Mercator viria a dar forma cartográfica aos mapas.
Filho de pais pobres (o pai era granjeiro), aproximou-se de um tio acadêmico e, com o
nome latino de Gerardus Mercator Rupelmundanus, graduou-se na Universidade de Lovaine.
Hábil em lidar e construir compassos, réguas e esquadros, Mercator logo se tornou
assistente do grande matemático Gemma Frisius. Nessa época forneceu um conjunto de
mapas terrestres e celestes ao imperador Carlos V, rei da Espanha e de grande parte da
Europa.
Em 1544 foi preso, acusado de simpatizante do protestantismo, retirou-se para
Duisburg, na Alemanha, em 1552, onde levou adiante o que chamou de Projeção de
Mercator (publicada em 1569).
A projeção realizada nada menos que a quadratura do círculo, isto é, transformava a
esfera terrestre num plano retangular. No mapa-múndi, todos os oceanos e continentes se
alinhavam, a partir do Equador, divididos em quadrantes com 24 traçados verticais e 12
paralelos. Hoje parece óbvio: nossos mapas são retangulares. Mas, na época, imagine a
dificuldade de navegar num planeta esférico tendo como guia um mapa plano. Esse erro
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crescia nas proximidades dos pólos, pois as distorções são inevitáveis quando se converte
uma esfera em retângulo (no mapa-múndi, a Groelândia parece maior que o Brasil, o que não
é verdade). O cartógrafo morreu em 1594, sem usufruir os lucros do seu trabalho. Jodocus
Hondius adquiriu as lâminas dos herdeiros do autor e publicou 30 edições de entre 1606 a
1640. MERCATOR (Super Interessante, outubro, 2002).

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