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INTRODUÇÃO

Sem entrar no mérito de uma definição exata, pode-se dizer que todo design gráfico tem como objetivo a
sua reprodução e, para tanto, necessita de um projeto. O profissional responsável pela sua execução
chama-se designer gráfico. Por exemplo: o designer elabora um cartaz tendo em vista a sua impressão e
conseqüente divulgação de um produto ou um evento qualquer.
A consideração dos termos design e designer, que poderiam ser "traduzidos" para desenho e desenhista,
atendem a uma tendência internacional para diferenciar essa atividade projetual, evitando-se conotações
errôneas. Entretanto, do ponto de vista da atuação profissional e do ensino do design gráfico no Brasil,
utiliza-se também os termos programação visual e programador visual.

HISTÓRICO

Desde a época antes de Cristo, os chineses utilizavam a xilogravura para as suas reproduções. Os textos
e ilustrações eram gravados em relevo em pranchas de madeira que recebiam a tinta, sendo depois
prensadas sobre uma folha de papel ou pergaminho.
Para a civilização ocidental, a técnica de imprimir teve início na Europa no séc. XV. Em 1450, o alemão
Johann Gutenberg inventou a imprensa (tipografia) com os caracteres móveis de madeira. As letras,
depois de servirem para composição e impressão de uma página, eram aproveitadas para a confecção de
várias outras. Não era uma novidade pois, em 1041 d.C., os chineses já empregavam tal processo,
utilizando porcelana, bronze ou bambu.. Entretanto, foi considerado o maior invento daquele século,
contribuindo para elevar o nível intelectual da humanidade.

Seu primeiro trabalho foi uma Bíblia, escrita em latim, com 1.282 páginas. Também conhecida como
"Bíblia de quarenta e duas linhas", foi composta em duas colunas com quarenta e duas linhas cada uma,
com caracteres no estilo gótico. Entre as cópias ainda conservadas, existe uma na Biblioteca Nacional do
Rio de Janeiro.
Naquela época, a reprodução de livros era manuscrita, executada por monges copistas. Era um trabalho
demorado. O desejo de produzir depressa e aumentar os lucros acabavam tornando a escrita pouco
legível.

A evolução das artes gráficas sempre foi constante porém, nas últimas décadas, tem acontecido de uma
forma bastante acelerada.
A Revolução Industrial do século XIX favoreceu a sofisticação das técnicas de impressão e da produção
de papéis, tornando mais criativos os trabalhos profissionais que utilizavam texto e ilustração. Desta
dinâmica, surge o termo design gráfico, como conhecemos hoje em dia.

O ensino do design se consolidou em 1919, com a fundação da Bauhaus, em Weimar, na Alemanha.

No Brasil, foi introduzido na década de 60 com a implantação da Escola Superior de Desenho Industrial -
ESDI, em 1963, no antigo Estado da Guanabara. Em 1975 foi incorporada à Universidade do Estado do
Rio de Janeiro - UERJ. É a primeira Escola de Design da América Latina, inspirada na Hochschule für
Gestaltung, de Ulm, na Alemanha.

GLOSSÁRIO (I)

Artes gráficas
Conjunto dos processos e das atividades subsidiárias, que visam reproduzir, em qualquer número de
cópias, escritos e imagens.

Bauhaus
Escola fundada pelo arquiteto alemão Walter Gropius, foi o sonho de uma Universidade de Arte, uma
comunidade de todas as formas de trabalho criativo; foram professores os nomes mais importantes da
história das artes do século XX: Paul Klee, Johannes Itten, Wassily Kandinsky, Josef Albers,William
Morris, Henry van de Velde, Laszlo Moholy-Nagy, entre outros.

Design
Termo que também se refere a design industrial; no Brasil, nos meios acadêmicos, é chamado de Projeto
do Produto (trata do projeto de produtos que serão industrializados).

Impressão
Arte ou processo de reproduzir pela pressão, em materiais diversos.

Tipografia
Arte de produzir textos em tipos, isto é, caracteres; arte de compor e imprimir tipos.

COMUNICAÇÃO VISUAL

Comunicar consiste em enviar uma mensagem a alguém ou a um grupo de pessoas.


São quatro os elementos básicos da comunicação:
o comunicador (quem?), a mensagem (o quê?), o meio (como?) e o público (a quem?).

Os meios de comunicação compreendem duas linguagens: a verbal (palavra escrita e palavra oral) e a
não verbal (mímica, visual e auditiva).
Na comunicação visual, expressamos e recebemos as mensagens em diferentes níveis de informações,
que vão do intencional ao casual. Por exemplo, um sinal de trânsito, que orienta motoristas e pedestres
(intencional) ou uma nuvem escura, que transmite sinal de chuva (casual).

PROGRAMAÇÃO VISUAL

Enquanto atividade profissional, tem por objetivo transmitir informações ordenadas, facilitando o
entendimento e a utilização das diferentes mensagens visuais e seus respectivos públicos. Entre outras,
as principais áreas de atuação do programador visual são:

Design de exposições
Planeja e organiza apresentação de produtos bi ou tridimensionais. Montagens de estandes, tendo em
vista as questões relativas à ergonomia informacional.

Design promocional
É a representação de produtos ou serviços nos pontos de venda, ou não. Cartazetes, displays, backlights,
frontlights, banners, etc.

Embalagem e rótulo
A função da embalagem é conservar, proteger, transportar e apresentar o produto. Seu projeto requer
grafismos e cores específicas. Por exemplo, na embalagem de alimento que deve ser consumido quente,
usa-se cores quentes (vermelho, amarelo, laranja e derivadas); em alimentos frios, cores frias (azul,
verde, violeta e derivadas). Marca do produto, ilustração, etc.

Identidade Visual
Conjunto de elementos gráficos que definem a característica visual de um produto ou instituição.
Símbolo, logotipo, alfabeto / tipologia, cor (es) institucional (is) e assinatura visual. Quando for de uma
empresa chama-se Identidade Corporativa; os elementos são aplicados em impressos, uniformes,
viaturas, instalações etc. Manual de identidade visual.

Ilustração
Expressão gráfica de um título ou texto. Em geral, um desenho, também podendo ser uma foto, uma
montagem etc.

Multimídia eletrônica
Desenvolve programas educativos, jogos etc. em parceria com profissionais de informática.
Projeto gráfico
Capas de Cd, de vídeo, folders, convites, calendários, selos, cartões comerciais, cartazes

Projeto gráfico editorial


Compreende projetos de livros, revistas, jornais e publicações afins.

Um projeto gráfico passa por três fases de criação:

1. Rough - é a idéia colocada no papel; o rascunho.

2. Layout - é o rascunho bem acabado, já com a idéia da arte-final.

3. Arte-final - é o material pronto para ir para fotolito.

Sinalização
Placas que orientam o público interna e/ou externamente na circulação em um determinado espaço
físico. Alfabeto / tipologia, esquema cromático, pictograma ou glifo etc.

Televisão
Desenvolvimento de vinhetas e participação no projeto de cenários.

Web design
Trata do projeto de desenvolvimento de sites, home-pages, portais etc., também em parceria com
profissionais de informática.

Estas atividades estão assim classificadas, apenas para efeito de compreensão. Muitas delas são
relacionadas entre si e podem pertencer a diferentes "grupos". Por exemplo, um pictograma, listado em
Sinalização, poderia estar em Identidade Visual.

Não existe design sem projeto. Um projeto de Programação Visual é a resolução de um problema de
comunicação visual e, como qualquer tarefa a ser executada, deve obedecer a uma seqüência de etapas,
a uma metodologia.

METODOLOGIA

1. Objetivos.
O que se pretende com o projeto, qual a sua finalidade?

2. Fases.

2.1. De Análise.
Levantamento de dados.
Síntese.

2.2. De Desenvolvimento.
Geração de alternativas.
Seleção.
Apresentação.

2.3. De Preparação para Produção.


Detalhamento.

2.4. De Implantação.
Reprodução gráfica.

Exemplo prático:

Qual o procedimento no desenvolvimento de um cartaz para lançamento de um filme?


As demais fases objetivam a reprodução do projeto que compreendem desde a preparação da
arte final até a impressão.

GLOSSÁRIO (II)
Assinatura visual
É a combinação do símbolo com o logotipo.

Backlight
Painel luminoso utilizado para divulgação de marcas, produtos ou eventos. Frontlight, tipo semelhante.

Banner
Faixa promocional de um produto ou evento.

Cartazete
Cartaz pequeno

Display
É uma peça promocional utilizada no ponto de venda de um produto; é um expositor, um lembrete ao
consumidor.

Ergonomia informacional
Ergonomia estuda a relação entre o homem e seu ambiente de trabalho. O termo "informacional"
relaciona-se às questões da comunicação visual. Por exemplo, definir o tamanho e tipos de letras para
que sejam legíveis a uma determinada distância.

Folder
Folha impressa, em geral, na frente e no verso, com uma ou mais dobras. Quando é distribuída ou
enviada, chama-se mala-direta.

Logotipo
É a representação gráfica de uma marca (nome próprio de um produto) feita através de um mesmo tipo
de letras. Também pode ser constituído por um grupo de letras, que definem as iniciais de uma empresa
ou instituição.

Manual de identidade visual


É o guia para implantação do projeto de identidade visual de uma empresa. Regulamenta todas as
aplicações dos elementos institucionais, para que haja uniformidade

Outdoor
"Cartaz" de rua com a característica de ser maior na horizontal.

Pictograma ou glifo
Símbolo que funciona como elemento de identificação de uma atividade, disciplina, etc. É formado por
uma figura estilizada (simplificada).

Símbolo
É a imagem que representa ou substitui uma coisa. O seu significado fica assimilado pelo público com o
tempo de uso. Enquanto marca comercial, pode ser abstrato ou figurativo, podendo estar ou não
relacionado com o tipo de atividade que representa.

Vinheta
Apresenta chamadas dos elementos institucionais de uma rede de televisão ou aberturas de programas.
CONCLUSÃO

O Designer gráfico ou programador visual relaciona-se com outros profissionais de áreas afins: gráfica,
fotolito, bureau de impressão, design industrial, arquitetura, informática, propaganda e publicidade,
cinema e vídeo.

Na comunicação visual o conteúdo e a forma são os seus componentes básicos. As técnicas visuais
oferecem ao designer uma grande variedade de meios para a expressão visual do conteúdo. O
conhecimento dessas técnicas é fundamental para o desenvolvimento de um projeto de programação
visual.

Um projeto fica definido a partir de formas, cores, texturas, tons e proporções relativas, que definirão
uma composição (a intensão do designer) que, com a prática, pode utilizar-se de sua intuição. Mesmo
com o advento dos poderosos softwares (programas) gráficos, o computador deve ser utilizado como
uma ferramenta de finalização e nunca como meio de criação.

Bibliografia

DONDIS, Donis A. Sintaxe da Linguagem Visual. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

GROPIUS, Walter. Bauhaus: Novarquitetura. São Paulo: Editora Perspectiva, 1972.

HURLBURT, Allen. Layout: o design da página impressa. São Paulo: Editora Mosaico, 1980.

RIBEIRO, Milton. Planejamento Visual Gráfico. Brasília: Linha Gráfica e Editora, 1983.

STRUNCK, Gilberto Luiz. Identidade Visual: a direção do olhar. Rio de Janeiro: Europa Empresa
Gráfica, 1989.

Links

www.estacio.br/desenho_industrial
Curso de Desenho Industrial da Universidade Estácio de Sá

www.adg.com.br
ADG - Associação dos Designers Gráficos

www.2ab.com.br
Editora brasileira especializada em design

www.mediahaus.com.br
Site com apresentação de animação, som e multimídia ( flash - shockwave web site )

www.id.iit.edu
Institute of Design / Illinois Institute of Technology