O Boletim Missiológico Veredas é uma

publicação de caráter evangélico não
denominacional,
que tem por objetivo compartilhar
conhecimentos, fomentar o debate
e promover a reflexão missiológica
entre cristãos brasileiros e de demais países lusófonos. Mesmo cientes da humildade desta publicação,
almejamos com a presente iniciativa
ajudar a suprir a incompreensível e
também injustificável carência de
publicações periódicas que tenham
por foco específico a Missiologia em
nossas fileiras protestantes.
Sendo assim, efetivamos aqui um
clipping de artigos, resenhas, monografias, entrevistas e notícias de interesse para a igreja protestante e o
seu esforço de reflexão & ação missionárias.
Editor: Sammis Reachers
Blog Veredas Missionárias
www.veredasmissionarias.blogspot.com.br

As opiniões dos artigos não refletem necessariamente a opinião do
editor.
Você pode ser um colaborador deste boletim, enviando seu texto, notícia ou outro material para:
sreachers@gmail.com

Número 01
Março 2016

SUMÁRIO
ENTREVISTA
Jairo de Oliveira ......................................... 02
O PERFIL DO MISSIONÁRIO EM UM MUNDO
TURBULENTO
Dr. Jonatán Lewis ....................................... 05

HUMOR & REFLEXÃO
Nate Owens ............................................... 11
CHINA E BRASIL, BEM ALÉM DOS BRICS
Wellington Barbosa ................................... 12
DOIS SEGREDOS DA CONTEXTUALIZAÇÃO
(FILIPENSES 2:1-18)

Barbara Helena Burns ............................... 14
LIVROS EM LANÇAMENTO ......................... 16
EVENTOS ................................................... 18
MAPA/GRÁFICO: Cores da Cultura ............ 19
CITAÇÕES ................................................... 20

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1

Jairo de Oliveira é membro da 2 a Igreja Batista da Taquara (Rio de Janeiro – RJ),
pastor da Convenção Batista Brasileira (CBB) e missionário da Missão para o Interior
da África (MIAF). Como embaixador do evangelho e discípulo de Cristo, há mais de 10
anos tem desenvolvido o seu ministério no continente africano, onde serve com a sua
família entre povos refugiados sudaneses.
Como foi sua formação teológica/missionária, e como se deu seu direcionamento
para o campo africano?
A minha formaçao teologica/missionaria tem se dado ao longo da minha caminhada
missionaria, numa tentativa de conciliar teoria e pratica. Tenho me esforçado para
continuamente me qualificar para a obra missionaria a fim de servir adequadamente
ao Senhor e aos africanos. Comecei na obra missionaria transcultural aos 17 anos,
quando fui enviado por minha igreja local para a Africa do Sul, ha exatos 20 anos. Naqueles dias, o país vivia o pos-apartheid, tendo Nelson Mandela como seu presidente.
Desembarquei na Africa do Sul com a missao de servir como missionario entre refugiados da guerra civil angolana. Apos cumprir o período de 2 anos e meio na Africa
do Sul, retornei ao Brasil e dei continuidade ao meu preparo missionario. Cursei teologia no Instituto Bíblico Peniel da Missao Novas Tribos do Brasil e estudei missiologia e linguística na Associaçao Linguística e Missionaria em Brasília. Na volta ao campo fiz um treinamento missiologico pratico (Training in Ministry Outreach - TIMO) e,
no momento, estou me preparando para iniciar um mestrado em Islamismo na Columbia International University na Carolina do Sul.
Você é autor de sete obras sobre a obra missionária (caro leitor, conheça mais
sobre os livros AQUI), além de um livro de poemas e é um dos comentaristas da
Bíblia Missionária de Estudo publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil. Qual é
seu processo de escrita? Prefere seguir os caprichos da inspiração ou há um tempo metódico dedicado à pesquisa/redação?
2

O trabalho missionario que desenvolvo no campo e extremamente inspirativo. Todos
os dias, na relaçao com o meu contexto de trabalho, tenho motivos de sobra para escrever. Contudo, nao e a inspiraçao que encontro no campo que me faz escrever, mas
a disciplina. Alem de produzir minhas obras literarias, tambem atuo como tradutor
de literatura missionaria. Uma vez que a demanda no campo e grande, se eu nao tiver
uma disciplina de escrita diaria, fica difícil produzir algo. O meu processo de escrita
segue a filosofia do “devagar e sempre”. Pois, se deixasse para escrever somente
quando tivesse um bom tempo disponível, todos os projetos literarios que ja realizei
estariam engavetados.
Há algum novo projeto de livro missiológico em andamento?

Acabei de escrever um livro sobre o assunto do pecado. O título provisorio e “Pecado,
o que voce tem a ver com isso?” e a obra conta com o prefacio do Rev. Hernandes Dias Lopes. Na area missiologica, tenho tres projetos em andamento. O que espero acabar primeiro e um livro sobre o Islamismo. Este e um assunto crucial em nossos dias,
principalmente para aqueles que estao envolvidos com a obra missionaria. Com esta
obra, quero muito ajudar a capacitar a Igreja brasileira para ter uma compreensao
adequada dos muçulmanos e de como alcança-los com o evangelho.
Tendo servido durante muitos anos num país majoritariamente muçulmano no
norte da África, e atualmente servindo no Quênia, como você tem percebido o fenômeno da Primavera Árabe? Em que sentidos ela pode ter sido benéfica ou prejudicial ao avanço do Evangelho nos países africanos atingidos pela Primavera?
A Primavera Arabe se manifestou majoritariamente no norte da Africa e encheu o
mundo de esperança. Muçulmanos e nao muçulmanos passaram a acreditar no fim
dos regimes ditatoriais presentes nos países arabes e no consequente estabelecimento de sistemas de governos mais democraticos. Contudo, o movimento nao produziu os resultados que se esperava e frustrou muita gente. A Tunísia foi de longe a
experiencia mais bem-sucedida. La houve um movimento de reconhecimento das minorias e as igrejas nacionais passaram a desfrutar de mais liberdade religiosa. Contudo, em países como a Líbia a situaçao dos cristaos piorou. Ate hoje o país e conduzido por um governo transitorio que convive com a ameaça diaria do Estado Islamico e
de outros grupos terroristas que exercem controle sobre partes do país. Um aspecto
bem negativo, presente em alguns países que experimentaram a Primavera Arabe, e
a queda de algumas ditaduras e o levante de outras, como aconteceu no Egito que foi
governado pela Irmandade Muçulmana apos a queda do entao presidente Hosni Mubarak. Em termos de liberdade, pouca coisa mudou no país. Precisamos continuar
orando pelo avanço do evangelho nesses países.
Qual é a realidade religiosa do Quênia? Quais os maiores desafios da evangelização do território e das etnias quenianas?
O Quenia e um país localizado na lesta da Africa, com 49% da sua populaçao evangelica, mas que abriga muitos desafios relacionados a segurança, a pobreza e a corrupçao. Apesar da forte presença evangelica, o Quenia abriga 31 povos nao alcançados
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com o evangelho.
Um desafio que precisa ser superado pela Igreja queniana e a falta de visao missionaria, principalmente porque ela tem dentro das suas fronteiras a forte presença de refugiados muçulmanos originarios de países fechados da regiao. Voce encontra aqui
desde somalianos de Mogadíscio a sudaneses de Darfur.
O país e tambem uma porta de acesso aos países e povos nao alcançados da regiao
conhecida como Chifre da Africa, uma das menos evangelizadas do continente.
E o Estado Islâmico dentro da conjuntura do norte africano? É perceptível a penetração de tal organização na África?
O Estado Islamico tem se infiltrado na regiao, divulgado a sua ideologia radical e recrutado novos militantes. Contudo, como consequencia de suas açoes barbaras, eles
estao desencorajando muitos muçulmanos a permanecerem no Islamismo. Em países como o Sudao, por exemplo, as pessoas assistem diariamente na televisao as
monstruosidades praticadas em nome de Ala. Em funçao do conhecimento da língua
arabe, o povo tem plena compreensao da ideologia apresentada e dos versos coranicos utilizados. Muitos muçulmanos no norte da Africa estao se perguntando se o EI
representa a verdadeira face do Isla e como consequencia estao se tornando ateus ou
abraçando a fe crista.
Como você avalia a presença missionária brasileira no continente africano atualmente, em termos de pontos positivos e negativos?
O Brasil se identifica muito com a Africa. A presença brasileira aqui e grande, sobretudo nos países de língua portuguesa. Os brasileiros, em geral, tem facilidades de se
ajustar ao contexto africano, de desenvolver bons relacionamentos e de realizar um
bom trabalho missionario. Ha muitos exemplos de trabalhos extraordinarios realizados por brasileiros aqui no continente. Verdadeiros herois da fe que impactaram e
impactam a vida de milhares de pessoas. O aspecto negativo tem sido em termos de
atitudes paternalistas, desrespeitosas ou arrogantes. Por causa do mau exemplo de
alguns, ha lugares em que os brasileiros estao deixando de ser bem-vindos. Ha varios
casos assim acontecendo em Moçambique, por exemplo.
Como a igreja no Brasil tem se comportado neste momento de crise econômica?
A crise financeira tem representado uma enorme dificuldade tanto para o missionario no campo, por causa da desvalorizaçao do real, como para as igrejas no Brasil, em
funçao do aumento da inflaçao. As igrejas que tem visao missionaria continuam sendo fieis no sustento dos seus missionarios, mas enfrentam limitaçoes para ampliarem suas parcerias de sustento e para enviarem novos obreiros para o campo. Bom
seria que neste momento de crise financeira, parcerias fossem firmadas. Imagine se
as igrejas que nao participam da obra missionaria auxiliarem o trabalho daquelas
que ja investem?
Minha oraçao tem sido para que, apesar da crise financeira, o serviço sacrificial dos
crentes brasileiros nao se esvazie de entusiasmo a fim de que o Cordeiro, Jesus, continue sendo glorificado entre as naçoes.
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O perfil do missionário em um mundo turbulento
Dr. Jonatán Lewis
Vivemos nos melhores e nos piores tempos. Os avanços tecnologicos permitem a alguns viver vidas mais longas, mais produtivas, e com maior conforto que nossos antepassados. Porem, com todos os avanços tecnologicos, uma grande parte dos seis bilhoes de habitantes deste mundo tem uma pessima qualidade de vida, alguns ao ponto de uma desumanizaçao inacreditavel. Os problemas sociais sao enormes e endemicos: a AIDS, a duvida, o desmatamento, a contaminaçao ambiental, os refugiados, a
guerras, o genocídio, a ameaça das armas biologicas e nucelares, o terrorismo etc. O
secularismo, impulsionado pelos avanços científicos e a corrente do modernismo, nao
oferece soluçoes. Como força missionaria, a estes desafios agregamos enormes correntes sociais, tais como o fundamentalismo religioso e sua hegemonia política em
muitos países, que entorpecem nosso trabalho. Como realizaremos missoes frente a
esses tremendos desafios? Pode sobreviver o trabalho missionario? E se ha de sobreviver, como se esboçara o missionario, sua missao, e o sistema que lhe envia e apoia
nestes dias tao turbulentos?
Uma perspectiva escatológica

Em Mateus 24, frente a pergunta: Quando vira o fim? O Senhor Jesus descreve um
mundo muito similar ao nosso. Porem apesar dos problemas descritos, no versículo
14 assevera que “Sera pregado este evangelho do reino em todo o mundo, em testemunho a todas as naçoes; e entao vira o fim.” Se entendemos missoes como a gama
ampla de tudo o que Deus faz para cumprir com a pregaçao do evangelho a todas as
“naçoes”, entao nao resta duvida de que Seu plano de “missoes” vai continuar ate o
fim. Mas com esta declaraçao, tambem esclarecemos que “missoes” pode realizar-se
por qualquer meio que Deus queira utilizar. A meta da missao nao muda, mas sim suas formas e normas.
Se a historia se repete, Deus seguira utilizando meios voluntarios e “involuntarios”
para cumprir a sua meta. Ele utiliza a adversidade e os problemas como
“oportunidades” para estender seu Reino. Em nosso mundo, a perseguiçao a crentes e
a dispersao que e a sua consequencia, segue sendo uma via missionaria importante
como ja tem sido na historia das missoes (Ato 8.1).
Nao so se estao mobilizando missionarios como refugiados, porem Deus esta movendo grandes populaçoes de nao-alcançados como imigrantes aos países povoados de
cristaos com o proposito, segundo Atos 17.26,27, de que eles encontrem a Ele.
Nao ha duvida que ha muita missao transcultural a realizar-se entre esses imigrantes
por parte da igreja, sem necessidade de enviar missionarios a grandes distancias.
Deus elegeu utilizar a seu povo como agente principal para a evangelizaçao mundial e
realizara este trabalho de uma forma ou de outra (Gen 12.3; Ex 19.5,6).
Porem o outro lado do quadro e que Deus tem comissionado a seu povo com a tarefa
da evangelizaçao mundial, e cremos que lhe da muito prazer e honra quando seu povo se organiza voluntariamente para realizar este trabalho. Dou graças a Deus que vi5

vemos um dia em que as missoes tem chegado a ser uma preocupaçao da igreja em
todo o mundo. A visao de um movimento missionario “de todas as naçoes a todas as
naçoes” tem impulsionado o ensinamento e a mobilizaçao missionaria a um nível global. Neste sentido, cremos que vivemos em um momento muito especial no plano de
Deus, um momento quando quase todas as congregaçoes e quase todos os crentes
verdadeiros no mundo estao sendo conscientizados de sua responsabilidade de participar com protagonismo na tarefa global.
Este momento historico tambem reune condiçoes que nos permitem asseverar que a
Grande Comissao se pode cumprir em nossa geraçao. Forças tecnologicas nos permitem uma agilidade tremenda no envio e nas comunicaçoes com os missionarios e
seus projetos, e a possibilidade de cobrir massivamente o globo terrestre com a Mensagem. Mas mesmo com essas ferramentas o trabalho nao e facil. Os missionarios e
suas organizaçoes estao sendo afetados por grandes forças sociais, economicas e espirituais que representam desafios e oportunidades nesta feroz guerra espiritual.
As forças da Globalização Tecnológica
Quase trinta anos atras, um futurista popularizou o conceito de “aldeia global”. A realidade e que vivemos em um mundo pequeno. Pela influencia das comunicaçoes instantaneas, nos inteiramos do que se passa com todos os “vizinhos”. Dentro de poucas
horas, vemos transmitidas por satelites imagens de qualquer acontecimento catastrofico acontecido no mundo, das consequencias do terrorismo, de guerras, de secas,
terremotos, e com todo o horror do momento. Hoje podemos receber canais de televisao de todo o mundo em nossos lares. Por meio da internet, temos acesso a notícias
de quase qualquer país e cidade. Pelo mesmo meio, podemos pesquisar qualquer tema que nos possa interessar. O telefone celular abre as possibilidades de comunicarmo-nos com quem quisermos em todo o globo terrestre. E ja entramos na era em que
os telefones vem armados com sistemas de vídeo para vermos a pessoa com quem
estamos nos comunicando.
A tecnologia sem duvida tem mudado o perfil do missionario. A habilidade no uso da
internet e indispensavel. E como parte de seu equipamento vai o computador que
permite acesso ao correio eletronico e leva em si quase todos os outros elementos
que tem chegado a ser quase indispensaveis para a obra. O correio eletronico permite comunicaçoes quase instantaneas com sua igreja local, sua família e seus amigos
de uma maneira eficiente e economica. Hoje e possível conversar com um amigo em
outro continente sem custo, utilizando o computador. A facilidade e efetividade destes meios de comunicaçao aumentarao durante os proximos anos e serao cada vez
mais acessíveis a todos os cidadaos de nosso planeta.
O transporte e outro meio que tem diminuído nosso planeta. Hoje, se pode viajar de
qualquer país do mundo e estar em qualquer outro país dentro de 24 horas. Ainda
que as passagens aereas pareçam caras, em comparaçao com o que historicamente
custou viajar, sao realmente baratas. Quando William Carey navegou da Inglaterra ate
a India em 1790, a passagem para ele e sua equipe custou o equivalente a 50 anos de
um salario mínimo. Hoje, a mesma viajem (dessa vez por via aerea) custa uma fraçao
de um salario mensal (em termos de países desenvolvidos). Vivemos numa epoca em
que todo mundo viaja ao redor do mundo e a possibilidade de mover uma família de
um lugar a outro e relativamente facil e economica.
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Outro grande avanço na globalizaçao e a transferencia de divisas e valores eletronicamente. Hoje em dia, qualquer um que obtenha um cartao de credito pode utiliza -lo
para retirar dinheiro em milhares de caixas automaticos em todo o mundo. Todos os
produtos sao mais acessíveis com “o cartao”. O comercio utilizando a internet e cartoes de credito, cresce vertiginosamente. Quando Hudson Taylor serviu na China em
meados do seculo XIX, uma carta demorava seis meses para chegar e se havia alguma
necessidade economica, levaria um ano inteiro entre avisar os irmaos e receber o dinheiro. Hoje as comunicaçoes e as transferencias eletronicas permitem a atender o
missionario de um dia para o outro.
Ha muitos que resistem aos avanços tecnologicos. Os mesmos lhes atribuem um valor moral. Porem a tecnologia, como o dinheiro, a influencia, e quantas outras coisas,
podem ser utilizadas para o bem ou para o mal. O apostolo Paulo utilizou os meios
tecnologicos ao seu alcance (como passagens em barcos e a palavra escrita) para realizar a tarefa de evangelizaçao. Nao duvidemos que os avanços tecnologicos devem
utilizar-se para o avanço do Reino. Os elementos tecnologicos da globalizaçao nos facilitam e possibilitam a obra missionaria.
O Perfil das Agências Missionárias
A historia de missoes nos apresenta varias estruturas que se tem utilizado para recrutar, enviar e manter a força missionaria. E certo que as estruturas utilizadas para
mobilizar voluntarios para a missao, historicamente, sempre tem tomado seu padrao
de estruturas ja existentes na sociedade. Pode surpreender a alguns que os movimentos monasticos seguiram o padrao militar com o proposito de levar a cabo a expansao da igreja. Utilizando este modelo, os jesuítas puderam avançar a causa em lugares tao remotos como Paraguai, Japao, China e Canada. Os celtas da ilha britanica
adotaram este modelo para a evangelizaçao de todo o norte europeu.
O movimento “moderno” protestante que nasceu em fins do seculo XVIII, utilizou estruturas que correspondiam ao modelo empresarial que surgiu em sua geraçao. As
“sociedades” que se criaram foram manejadas com os criterios que correspondiam
ao padrao comercial. Eventualmente, essas estruturas foram modificadas com o correr do tempo. Hoje em dia, falamos de “agencias missionarias” que se manejam em
muitos sentidos, como empresas modernas. Adotaram muito das ciencias sociais como o manejo por meio de objetivos e os sistemas de manejo de pessoas contemporaneo. Se queremos entender de onde procedem as estruturas missionarias, e importante entender de onde procedem as instituiçoes “seculares” e o efeito geral que tem
a globalizaçao sobre elas.
Mudanças nas forças estruturais nos últimos anos
Nos ultimos anos, se tem visto uma grande mudança na estruturaçao de empresas. A
direçao da mudança e de estruturas piramidais com varios níveis de supervisao para
estruturas planas com menos níveis hierarquicos, de onde os que realizam o trabalho
tem mais controle sobre as decisoes que afetam diretamente o seu trabalho. Algumas
grandes empresas se administram como uma coleçao de microempresas. Cada unidade e avaliada por sua eficacia. Quando nao cumpre as metas, essa unidade se reorganiza ou e encerrada.
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As missoes tambem estao sentindo o efeito da descentralizaçao de controle. Novas
agencias nos países historicos de envio que tem seguido essas inovaçoes, tem crescido e prosperado. Lançam equipes ao campo e permitem que estas tomem as decisoes
que afetam sua obra. Agencias que nao puderam adaptar-se e seguem o padrao hierarquico com tomada de decisoes centralizadas, tem diminuído em membresia e em
muitos casos, se tem visto forçados a abandonar sua autonomia e fundir-se com outras agencias para sobreviver.
Os efeitos da globalizaçao reforçam o modelo descentralizado em que ate mesmo as
igrejas locais podem enviar missionarios sem depender de agencias. Com a possibilidade de comunicaçao, transporte facil e barato, o envio direto do missionario e seu
sustento, muitas igrejas tem preferido nao utilizar as agencias que historicamente realizaram essas funçoes, entre outras.
A descentralizaçao de agencias, com equipes que funcionam com certa autonomia no
campo, e talvez o bem mais valioso desta tendencia estrutural. Isso permite flexibilidade e a agilidade necessaria na tomada de decisoes que requerem a situaçao local
em um mundo em mudança. Mas e importante destacar que essas equipes necessitam de supervisao, apoio e cuidado por pessoas experimentadas nas exigencias e desafios da obra missionaria na regiao onde servem. Ainda que as funçoes das agencias
missionarias tenham mudado em razao dos avanços tecnologicos, nao se dispensou
sua necessidade. Igrejas que enviam missionarios sem contar com esse apoio, na
maioria dos casos, perdem tempo e recursos. Historicamente, o ‘micromanejo’ da
obra no campo pela igreja local com frequencia leva a ineficacia e fracasso.
A Força das Alianças Internacionais
A globalizaçao tambem tem afetado as empresas. A cada dia se escutam notícias de
grandes empresas internacionais que historicamente foram competidoras, agora
unindo esforços e formando sociedades para trabalhar em conjunto. Volkswagen e
Ford produzem um automovel em conjunto, linhas aereas se unem as suas excompetidoras para formar uma aliança estrategica que pode captar uma maior proporçao do mercado global.
As Missoes tambem estao formando alianças estrategicas localizadas em grupos culturais ou geograficos. Dezenas de alianças tem surgido entre grupos cristaos com origens muito variadas. Foram apagadas muitas das barreiras denominacionais e nao e
muito estranho ver uma equipe missionaria que contem batistas, pentecostais e presbiterianos trabalhando em conjunto. Nesta mesma equipe pode haver mexicanos, filipinos e canadenses. Frente a esta realidade, o missionario eficaz cultivara uma atitude ampla em relaçao a seus companheiros de batalha.
O missionario que trabalha nesse ambiente tem que ser flexível e tratar de entender
e apreciar as diferentes perspectivas doutrinarias e culturais. Isso requer humildade
e habilidade de ver a meta de almas achegadas ao Senhor por meio do testemunho e
trabalho da equipe. O egoísmo e a ambiçao pessoal, nao funcionam nesse mundo de
colaboradores.
A Força do Pluralismo e o Fanatismo Religioso
Nem todo mundo esta de acordo que Cristo e o Senhor. Os seguidores de outros pro8

fetas e mestres sao numerosos. Dos seis bilhoes de habitantes na Terra, somente um
terço se identifica como cristao. No Ocidente, o pluralismo religioso “respeita” o direito de cada um de crer em qualquer deus e religiao. A relatividade diz que “se e verdade para voce, e sua verdade”. “Porem sua verdade nao e necessariamente minha
verdade, senao aquilo que eu interpreto como verdade.” Qualquer proclamaçao de
Cristo como unico Senhor pode ser repudiada e ainda condenada como intolerante.
Mais de um julgamento foi realizado com base em alegaçoes de "angustia emocional"
provocada pela pregaçao da condenaçao do pecador, frente a um Deus justo. O fato de
que o pregador tambem revela a salvaçao oferecida em Cristo nao e suficiente para
justificar os evangelistas que sao acusados de usar “pressao psicologica” para ganhar
partidarios.
Do mesmo modo, os missionarios em países onde dominam as grandes religioes como o Isla, o Budismo e Hinduísmo, estao sendo atacados por uma nova onda de fundamentalismo. Paralelamente, a “retribalizaçao” do mundo e um fato que tem tido
suas piores expressoes nos terríveis massacres em nossa historia recente. A brutal
carnificina em Ruanda e os conflitos belicos dos países balticos sao exemplos de uma
corrente global que cada vez mais quer manifestar sua propria identidade racial, religiosa e cultural. E esses estao dispostos a matança e ao genocídio para obte-lo.
Neste ambiente, o pregador de uma religiao estrangeira nao e bem-vindo. As igrejas
cristas minoritarias nesses países se veem sob perseguiçao aguda e os missionarios
tem sido expulsos e expostos ao martírio. O missionario tem que enfrentar essas realidades com a sabedoria da serpente e a inocencia da pomba.
O Perfil Missionário com as Duas Mãos
As forças sociais de oposiçao nao podem ser enfrentadas com conceitos tradicionais
do missionario do seculo XX. Os países onde vivem as grandes maiorias de inalcançados nao permitem a entrada de missionarios tradicionais. Frente a essa realidade, se
tem revitalizado o conceito do missionario bi-ocupacional, o missionario que vai a
outro país com a Palavra em uma mao e sua ferramenta de serviço na outra. Lamentavelmente, a abordagem a esta questao tem sido em grande parte pragmatica sobre
como resolver o problema para entrar e viver no país. Essa orientaçao se tem comprovado deficiente em suas consideraçoes eticas e teologicas. O fracasso desta abordagem nos chama a uma profunda reflexao sobre a cosmovisao “crista” popular, que
propaga a falsa dicotomia entre o “sagrado” e o “secular”. A posiçao bíblica e que tudo
o que fazemos e “sagrado” se o consagramos a Deus. Todos estamos chamados a realizar nossa vocaçao por meio de todas as nossas ocupaçoes e nao apesar delas
(1Co10.31). Para isso, a igreja necessita mover-se para eliminar de uma vez a distinçao entre ministros laicos e profissionais, completando o que a “Reforma Protestante
do Seculo XVI” começou, com seu ensino sobre o sacerdocio santo de cada crente
(1Pe 2.8). So assim se lançara a tremenda força missionaria latente da igreja.
Tomado pelo aspecto pratico, o sistema bi-ocupacional para o envio e sustento do
missionario e talvez o que mais potencial oferece aos movimentos missionarios dos
países de menores recursos. A maioria dos grupos nao alcançados se encontra nos
países mais pobres do mundo. Com uma larga historia de fracassos no apoio economico direto aos governos destes países, os países desenvolvidos se tem voltado para
o uso de organizaçoes nao governamentais (Ongs) e Fundaçoes na canalizaçao de
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apoio economico e social. A igreja esta descobrindo este meio para inserir obreiros bi
-ocupacionais e assim realizar suas metas. A oportunidade e enorme e a igreja tem
que fazer muito mais, para aproveitar-se disso.
Ainda que existam varios canais para os bi-ocupacionais, nao restam duvidas de que
essa pessoa tera que se capacitar adequadamente. A experiencia demonstra que tomar uma profissao simplesmente como “cobertura” para estar em um país, e incoerente com a meta de ser testemunha de Cristo nesse lugar. As melhores testemunhas
sao as que realizam seu trabalho profissionalmente, e tambem se tem capacitado para realizar a obra de Deus nesses lugares. Ambas linhas de capacitaçao sao necessarias.
As Forças Espirituais do Maligno
Hoje a igreja esta despertando para a necessidade de enfrentar diretamente as forças
satanicas que tem cegado os olhos de milhoes, por milenios. A igreja sempre tem tido
os dons e sempre tem possuído as armas espirituais. Porem nem sempre as utilizou
com um enfoque maior. Graças a este despertar para a guerra espiritual, o enfrentamento de potestades e poderes esta sendo encarado de forma específica e sistematica. Na medida em que a igreja se mobiliza para marchar sobre seus joelhos e levanta
guerreiros espirituais, tera exito na grande luta pelas almas de milhoes. Ha muitos
que acreditam que as expressoes das forças malignas aumentarao ao aproximar-se o
fim. Vao lutar de forma desesperada para manter sua autonomia e deter seu castigo
eterno.
O perfil do missionario hoje e o perfil de um guerreiro. Necessita saber manejar as
armas espirituais com maior eficacia para defender-se, e para aplica-las na libertaçao
dos que vivem debaixo do poder do maligno.
Conclusões
Como se apresenta o ministerio missionario diante dos desafios de hoje? Nao ha duvida que sera distinto de seus precedentes. Deus cumprira Seus propositos com ou
sem o esforço voluntario da igreja. Porem seu povo vive um momento especial que
permite a alegria de crer que se pode cumprir a Grande Comissao dentro desta geraçao. A igreja global esta captando a visao. As forças da globalizaçao tem provido ferramentas que facilitam a comunicaçao, a mobilizaçao e o envio de recursos. As estruturas de envio tambem serao mais ageis, apoiadas pela flexibilidade e acesso que
provem desses meios. A organizaçao missionaria sera descentralizada e disposta a
uma colaboraçao entre crentes de diversas origens e denominaçoes. Alianças estrategicas serao forjadas no solo nao so entre grandes entidades, mas tambem entre igrejas pequenas que juntas podem realizar projetos que sozinhas nao empreenderiam.
Tomadas por uma visao de evangelizar aos povos que nao escutaram a mensagem do
Evangelho “ate o ultimo da terra”, unirao esforços com quem nao poderiam imaginarse trabalhando poucos anos atras. Por tudo isso, adoramos a Deus.
Por outro lado, a dificuldade da tarefa de evangelizaçao aumentara. A resistencia dos
movimentos nacionalistas e das filosofias pluralistas identificarao o missionario como “o inimigo cultural numero um”. O preço sera a rejeiçao e o martírio. As perseguiçoes sobre as igrejas minoritarias aumentarao. A unica consolaçao e saber que Deus
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utilizara este sofrimento para Sua gloria (Ap 6.9-11). Na oposiçao e no martírio, a
missiologia e as bases teologicas em que se baseia renovarao seu compromisso com o
Cristo do Novo Testamento e o compromisso que isso demanda. So assim se conseguira “fazer discípulos de todas as naçoes”. E frente a um inimigo desesperado, aumentara a quantidade e a qualidade de guerra espiritual para libertar as almas.
Que o movimento missionario seguira em frente, nao ha duvida. Deus e o que se encarrega de ver que Sua palavra se cumpra. E foi Ele que nos assegurou que “Sera pregado este evangelho do reino em todo o mundo, em testemunho a todas as naçoes; e
entao vira o fim”. Que o povo de Deus seja fiel a seu chamado e desenvolva seu compromisso voluntariamente com todas as vantagens tecnologicas que temos hoje, mas
tambem com o sacrifício e o compromisso que demanda evangelizar nosso mundo
turbulento.
A Ele seja a gloria, a honra e o domínio para sempre.

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*

Dr. Jonathan Lewis nasceu em 1949, filho de pais missionários em Buenos Aires, Argentina. Durante sua carreira profissional viveu e trabalhou em Honduras, Peru, México e Argentina. Jonathan está casado com Dawn por quase 35 anos e tem quatro filhos: Natanael, Heather, Josías e Anneliese.
Traduzido por Sammis Reachers a partir de original em espanhol publicado pela COMIBAM
(Cooperación Misionera Iberoamericana).
Disponível
em:
el_perfil_del_misionero.pdf

http://www.comibam.org/wp-content/uploads/2016/02/

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Nate Owens
www.thecreativefinder.co
m/nateowens

Traduzido a partir de

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www.christianchallenge.org

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CHINA E BRASIL, BEM ALÉM DOS BRICS
“O

impacto

da

igreja

chinesa

para

o

cenário

missionário

global”

Por Wellington Barbosa
http://www.martureo.com.br/
Brasil e China são parte de um bloco econômico que agora está enfrentando algumas crises, os BRICS. Temos muitas similaridades e diferenças. Nesse artigo quero pensar como podemos aprender sobre a China, seu movimento econômico e
missionário e tentar avaliar como podemos mudar nossos paradigmas.
De 28 de setembro a 1 de outubro de 2015 aconteceu em Hong Kong a primeira
Conferência Mission China 2030, que reuniu 900 líderes chineses continentais para pensarem e agirem sobre a missão. É impossível pensar sobre China, sem
olhar o passado. Mais impossível ainda, no entanto, é olhar para o futuro missionário global sem a presença do grande dragão vermelho.
Em 1949, os missionários estrangeiros foram expulsos da China sob a tutela do
governo comunista. A igreja foi perseguida, muitos líderes foram presos, torturados e alguns migraram para países livres, onde pudessem exercer sua fé. A igreja
na China nas décadas seguintes tornou-se uma igreja rural, com líderes leigos e
perseguida. O ocidente orou, mobilizou e enviou centenas, possivelmente, até
milhares de missionários. Estima-se que desde o pioneiro Robert Morrison até o
início deste século a China tenha recebido aproximadamente 20.000 missionários
transculturais.
A igreja chinesa também tem passado por um ajuste expressivo nas duas últimas
décadas, deixando cada vez mais de ser rural, liderada por idosos leigos e tornando-se urbana, com características marcantes apesar das dicotomias apresentadas em seu próprio contexto tais como: ruralidade e urbanização, falta de treinamento apropriado para as igrejas rurais onde há muitas seitas, uma geração de
líderes jovens totalmente diferente de seus predecessores e cada vez menos perseguição por parte do governo. Fatores como estes nos fazem perceber que a
igreja na China pode estar despontando para ser uma das maiores potências missionárias da história.
Em 2013, um grupo de líderes chineses que não puderam participar do III Congresso do Movimento Lausanne na Cidade do Cabo, África do Sul, reuniram-se
em Seul, na Coréia do Sul, e chegaram a conclusão de que a China está em dívida
com o movimento missionário global pelo fato de já terem recebido 20.000 missionários. Assim, seu desejo é de que até 2030 possam enviar 20.000 chineses para
os povos não-alcançados. Iniciativas heróicas como o “De Volta para Jerusalém” (Back To Jerusalem – BTJ) têm sido avaliadas pelos seus erros e acertos e a
12

igreja chinesa começa a entender a necessidade de treinamento missionário apro
priado e de um melhor cuidado missionário. No encontro ocorrido em setembro
de 2015, dos 900 presentes, 200 dedicaram suas vidas para irem como as primícias destes que a igreja na China enviará.
Qual lição a igreja brasileira pode tirar com a igreja chinesa? Seu DNA, sua perseverança e sua adaptação aos novos tempos e desafios nos fazem perceber que
precisamos aprender com os nossos irmãos do outro lado do mundo. Apesar deles abertamente quererem absorver de nós brasileiros o modelo missionário que
temos, e pedirem ajuda para os treinarmos, precisamos ainda avaliar e rever nossas próprias políticas missionárias.
Os chineses, ávidos empreendedores e disciplinados para os estudos, conseguiram mudar a órbita de seu futuro. Ezra Jin, um cristão de meia idade, pastoreia
uma das igrejas mais vibrantes da capital chinesa, Pequim, e diz que a única instância capaz de confrontar o comunismo na China é a igreja. “Dentro de 30 anos
é inevitável que o governo abra sua política acerca do cristianismo na China”
acredita.
A igreja chinesa, assim como no mundo de negócios chinês, entendeu que a renovação na liderança seria a razão de sua sobrevivência nesse novo milênio. O perfil da liderança econômica assim como a eclesiástica na China são de jovens com
menos de 40 anos de idade. As igrejas que antes eram domésticas, seguem crescendo em centros urbanos, entre imigrantes. Seus líderes já não são os antigos senhores carismáticos, mas jovens graduados no exterior, ou nas melhores escolas
da China, homens de negócio, líderes na educação e instâncias da sociedade. É
fato que a igreja na China cresce, mesmo em meio a sofrimento. Ainda há muitos
desafios internos, mas eles têm conseguido entender seu papel global.
Logo, deixo algumas considerações para pensarmos:
– Por quê não vemos no Brasil, jovens líderes de expressão nacional abaixo dos
40 anos de idade?
– Por que a liderança evangélica brasileira não consegue investir nos jovens?
– Por que o movimento missionário brasileiro ainda é em sua maioria liderado
por homens e mulheres que não passam o bastão?
– E por que, com uma igreja tão grande, enviamos tão pouco aos campos missionários?
Daquele encontro, 200 se comprometeram a irem aos campos. Quando pensamos
em nossa igreja brasileira, temos muito mais a aprender do que a ensinar.
Que aprendamos com nossos irmãos e irmãs chineses.

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Wellington Barbosa – brasileiro, serviu por 5 anos na Ásia, bacharel em teologia,

pós-graduado em Antropologia Cultural e Estudos da Missão e Mestrado em Gerenciamento e Marketing pela UKSW, Indonésia. É consultor de novas frentes
missiológicas na Missão Kairós.
Notas
De acordo com o Seoul Commitment (compromisso de Seul), publicado pelo encontro
da ACLF, que aconteceu na Coreia do Sul, em 2013.
JIN, Daniel. Mission China Today Magazine,, Páginas 34-36, Junho 2013 3. Conforme relato do Dr. Jeferson Chagas, representante brasileiro e um dos palestrantes no Mission China 2030.
JIN, Ezra. A Landmark Encounter the significante of the aclf for the church in China.
Disponível em https://www.lausanne.org/content/lga/2013-11/a-landmarkencounter-the-significance-of-the-aclf-for-the-church-in-china. Acesso

em

25/11/2015
LAUSANNE MOVEMENT, Inaugural Mission China 2030 Conference. Disponível
em:https://www.lausanne.org/news-releases/inaugural-mission-china-2030conference. Acesso em 25/11/2015
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DOIS SEGREDOS DA CONTEXTUALIZAÇÃO (FILIPENSES 2:1-18)
Por Barbara Helen Burns
http://preparomissionario.com.br/

Paulo escreve para a igreja de Filipos com o forte desejo de ver os membros vivendo como fiéis testemunhas do Senhor Jesus Cristo. Os crentes deviam
ser “luzeiros”, vivendo de forma “irrepreensível”, “sincera” e “inculpável”, no
meio de uma “geração pervertida e corrupta” (v. 15). Com esta descrição pesada,
o contexto da igreja é condenado como proibido para ela. Não há nenhum elogio
ou instrução de identificação com o mundo que a cerca. A igreja tem que ser diferente, um contraste marcante contra a opressão, a sensualidade, as brigas, a escuridão espiritual, o egoísmo e a destruição que marcava o cotidiano da cidade.
Contextualização para os crentes em Filipos era viver Cristo de forma evidente e
agradável, como luzes na escuridão.
Essencial para ser luz são o amor e a unidade. Em vez de egoísmo, deviam
se preocupar com e servir ao outro. Deviam ter compaixão, afetos e misericórdias, tendo o mesmo sentimento, o mesmo amor e a mesma alma (vss 1-4). É ex14

cluído a “luta pelo poder”, a necessidade de receber reconhecimento, os ciúmes e
a exclusão. A igreja tinha que ser diferente do seu contexto, visívelmente superior, refletindo a glória de Deus como se fosse estrela refletindo a luz do sol. Para
tanto há dois segredos: HUMILDADE e a PALAVRA DA VIDA.
Jesus é o primeiro exemplo de humildade e da importância da Palavra.
No sentido de humildade, Jesus abriu mão de todos os Seus direitos. Sendo Deus,
se tornou homem e, em obediência ao Pai, se submeteu à morte da cruz, a mais
degradante e penosa morte possível. A identificação era profunda, no sentido
de compartilhar a vida cotidiana, da comunicação eficaz e do sacrifício em favor
dos outros. Jesus é servo do Pai e servo dos homens e mulheres que Ele veio salvar.
Jesus também é exemplo da importância da Palavra da Vida. Constantemente Ele
a ensinava e, no final, exortava Seus discípulos a levar pessoas até aos confins
da terra a guardar com fidelidade a tudo que Ele dizia (Mt 28:18-20). Paulo usa
Jesus como exemplo a ser seguido (Fp 2:5) e ele próprio exibe estes mesmos dois
segredos, no fato que ele implora para eles a serem fiéis a Palavra (v. 16) que ele
tinha ensinado, e a ele mesmo não importa ser oferecido como libação (v. 17) em
favor deles, atitude de extrema humildade.
Sem humildade e sem a Palavra a igreja não consegue ser fiel, nem luz.
A contextualização da igreja se torna uma coisa insípida, sem limites e sem critérios. O contexto sufoca a luz, a igreja imita o mundo e os crentes se tornam iguais
as pessoas ao seu redor.
Na igreja de Filipos tinha grande possibilidade disso acontecer, devido a força da
cultura romana pagã e a grande diversidade de pessoas dentro dela, como a mulher rica, carcereiro, jovem que tinha sido endemoninhada, escravos, servos e filhos (Atos 16:11-40), que poderia a ter fraturado e lhe tirado a luz. No entanto,
com humildade e com a Palavra, ela enfrentou os desafios do seu mundo em submissão a Deus e a Sua vontade.

Nós também devemos ser diferentes e mostrar Deus através das nossas vidas
e através da vida da comunidade cristã. Contextualização cristã é isso – levar
a mensagem relevante da Palavra de Deus ao mundo que sem ela perece. Em
amor e espírito de servo, é importar com o outro dentro da igreja e com o outro
que ainda não conhece a verdade da Palavra.
Bárbara Helen Burns
A norte-americana Bárbara é radicada no Brasil há mais de 40 anos, servindo nas áreas de despertamento, preparo e envio de missionários transculturais. Tem mestrado em missões do Denver Seminary
em Colorado, EUA, e doutorado em missões do Trinity Evangelical Divinity School em Chicago. Barbara tem participado da Comissão de Missões da Aliança Evangélica Mundial, ajudado na produção
de livros, escrito vários artigos e capítulos de livros, e ajudado no planejamento de congressos missionários, como COMIBAM, os Congressos Brasileiros de Missões e o 1º Congresso Nordestino de Missões em Caruaru, 2002. Ela foi fundadora (1984) e depois Secretária Executiva da APMB (Associação de
Professores de Missões no Brasil) entre 1992 e 1999, quando saiu de São Paulo).
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Livros em lançamento
História da Missão - A História do movimento missionário
cristão. Bertil Ekström (Segunda edição revista e ampliada.
Editora Descoberta, 2015, 138 págs.). O estudo da História de
Missões é uma interessante aventura que nos leva a descobrir a
trajetória missionária e a expansão da igreja cristã desde os seus
primórdios até os nossos dias. Entre muitos heróis da Fé, alguns
se destacaram e se tornaram conhecidos para a posteridade. Outros tantos viveram e lutaram no anonimato, dando contribuição
de igual importância. Acima de tudo, no entanto, a história recorda a obra divina. Muitos semearam e muitos regaram, mas quem
garantiu o crescimento foi o próprio mandatário da obra missionária, Deus (1 Co 3.6).
O objetivo principal deste livro é de servir de orientação no estudo da história das missões. Agora em sua segunda edição, ampliada e revista, o livro serve de guia para um
estudo mais panorâmico ou mais profundo dos avanços do Cristianismo.

Evangelização - Série 9 Marcas. J. Mack Stiles (Editora Vida
Nova, 2015, 144 págs.). Passam-se alguns anos e as igrejas continuam se lançando à mais recente moda evangelística. Os líderes
administram o novo programa, e os membros põem a mão na
massa. Mas imagine uma igreja em que a evangelização simplesmente faça parte da cultura da igreja. Os líderes estão sempre
compartilhando a fé e o fazem abertamente. Os membros os seguem, incentivando uns aos outros a tornar a evangelização uma
forma da vida.
Esse é o conceito de evangelização apresentado neste livro pequeno, mas impactante. A questão aqui não é oferecer programas. Antes, ele apenas deseja propor à sua igreja uma nova maneira de viver e compartilhar o
evangelho.

Fé, Visão e Destino Profético - O caminho do missionário. José
Satírio dos Santos (Editora Cpad, 2015, 128 págs.). O Livro Fé,
Visão e Destino Profético, do pastor e missionário José Satírio dos
Santos (por anos atuante na Colômbia), fala sobre o caminho do
missionário, abordando de acordo com a Bíblia as orientações do
Senhor passadas a nós. José Satírio, através do livro "Fé, Visão e
Destino Profético", quer ajudar você a trilhar o caminho pensado
por Deus. Se você deseja enriquecer sua visão, caminhando pela fé
na direção certa, este livro com certeza falará com você.

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Livros em lançamento
Movimentos de Plantação de Igrejas - Como Deus está redimindo um mundo perdido. David Garrison (Editora Esperança, 2015, 362 págs.). Na última década, literalmente milhões de novos convertidos entraram no Reino de Cristo através dos Movimentos de Plantação de Igrejas. Este livro tem como objetivo ajudá-lo a entender esses movimentos. Nestas páginas você poderá ver não apenas o que Deus está fazendo,
mas também como ele está fazendo.
Neste livro você descobrirá:
- Como 4.000 igrejas foram plantadas no norte da Índia em
apenas dez anos;
- Como 150.000 ciganos na Europa ocidental abraçaram a fé em Jesus Cristo;
- Como 160.000 chineses foram batizados em apenas um ano;
- Como 150.000 muçulmanos deixaram Maomé por Jesus;
- Como 15.000 novas igrejas foram plantadas em apenas um ano;
- Como a explosão do cristianismo do primeiro século renasceu no século 21;

- Como você pode se juntar a Deus e trazer um Movimento de Plantação de Igreja para
sua comunidade.

Sal & Luz - Compreendendo, vivendo e proclamando a missão. Ronaldo Lidório (Editora Betânia, 2015, 221 págs.). “O que
deve mover a igreja a viver e proclamar o evangelho de Cristo não
são as estatísticas mundiais, a paixão pelos perdidos
ou testemunhos missionários, mas sim uma profunda compreensão e compromisso com a vontade de Deus. É de Deus, em missão, que convoca a sua igreja para viver e anunciar a sua verdade
em todo o tempo e todo o lugar. Somente em Deus somos convencidos a andar fora do caminho natural do nosso coração corrompido. somente em Deus somos desafiados a pensar no evangelho
para o mundo e não apenas em nossos interesses pessoais. Somente em Deus somos levados a perder em lugar de ganhar, sair
quando é mais fácil permanecer, enviar mesmos os que nos fazem falta, investir e não
simplesmente acumular, servir ao Cordeiro e não ao mundo. A Palavra é clara: o sal
sem sabor é imprestável e a luz escondida é inútil. Dependemos de Deus para viver
Cristo e servir a Cristo - sermos verdadeiramente sal e luz." (Ronaldo Lidório)
O Senhor Jesus nos chama a sermos seus discípulos vivendo a cada dia a verdade do
Evangelho. A mensagem deste livro irá despertar sua identidade e propósito em Cristo. Dará amplo ensino bíblico para conhecermos mais a Deus, a missão de Deus e o
nosso chamado - salgar a terra e iluminar o mundo.
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Curso: Olhando Para O Mundo Através das Lentes Do Islã - DE 25 A 29 DE
ABRIL DE 2016 - História, desenvolvimento e assuntos contemporâneos relacionados à religião que mais cresce no mundo.
Realização: Seminário Teológico Servo de Cristo (www.servodecristo.org.br) e Centro
de Reflexão Missiológica Martureo (www.martureo.com.br). Local: São Paulo—SP.
Para maiores informações, acesse: http://www.martureo.com.br/cursos/

Congresso JUVEP 2016 - O Congresso Juvep 2016, O Triunfo da Mensagem da
Cruz, acontecerá no Espaço Gospel, em João Pessoa, de 23 a 26 de março com o tema Jesus: Supremo, Central, Único. O evento contará com a presença especial de Ajith
Fernado, THM, DD, que virá direto de Sri Lanka na Ásia. Ele é o Diretor Internacional
de Ensino da Mocidade para Cristo. Autor de quinze livros publicados em vinte línguas. Ele foi um dos principais preletores do último Congresso Lausanne na África do
Sul, é conhecido por muitos como o “John Stott” asiático. Os demais preletores
são Aurivan Marinho (Recife, PE), Ronaldo Lidório (Manaus, AM)e Russell Shedd (São
Paulo, SP). Sem dúvida, será um momento de edificação e encorajamento para a
evangelização e para missões.

Para maiores informações, acesse: http://juvep.com.br/congressojuvep/

Vocare Brasil 2016 — Mobilizando e conectando adolescentes e jovens cristãos
na missão de Deus. O evento acontecerá em Maringá (PR), no período de 21 a 24 de
Abril. Vocare é um movimento, sob a liderança da AMTB (Associação de Missões
Transculturais Brasileiras), que reúne organizações, agências missionárias e ministérios que levam a sério a juventude e também a experiência espiritual do chamado de
Deus que afeta a vida toda em todas as dimensões.
Para maiores informações, acesse: http://vocare.org.br/site/

Todos os Povos Te Louvem - Nos dias 27, 28 e 29 de maio acontecerá, em João Pessoa – PB, o Todos os Povos Te Louvem! A iniciativa do grupo Povos e Línguas reúne
músicos, missionários, pastores, líderes e vocacionados com o objetivo de promover
uma perspectiva integrada do envio missionário.
Para maiores informações, acesse: http://www.povoselinguas.com.br/arquivoeventos/todos-os-povos-te-louvem-joao-pessoa/

IV Congresso Ibero-Americano Missionário - O congresso é uma iniciativa da Comibam, a se realizar nas datas 22 a 25 de agosto de 2017 no Centro de Convenções
Agora, em Bogotá, Colômbia.
Para maiores informações, acesse: http://goo.gl/myc1wH
18

http://www.bit.ly/honorshame

19

~
“Fica evidente que espiritualidade e

missão não podem existir desconectadas. Por demasiadas vezes, a espiritualidade tem sido caracterizada como
prática isolada, introspectiva e contemplativa que negligencia a dimensão missionária desenvolvida através
do engajamento no testemunho. Isso seria mera religiosidade, não espiritualidade.”
Marcelo Dias

"Nenhum lugar está fechado
para a oração de intercessão. Nenhum continente, nenhum país, nenhuma organização, nenhuma cidade, nenhum
escritório."
Richard Halverson

“Deus tem urgência,
mas não tem pressa,
ele não age de qualquer maneira.”
Antonia Leonora van der
Meer

"O zelo missionário não cresce por força
de crenças intelectuais nem de argumentos
teológicos, mas por amor." - Roland Allen
"A comunidade missionária é composta de pessoas guiadas pelo Espírito e cheias do Espírito que
juntas reorientaram radicalmente suas vidas para
a missão de fazer discípulos de um determinado
povo e lugar onde há uma lacuna do Evangelho
(um lugar sem testemunho evangélico consistente)."
Jeff Vanderstelt

A missão é a fé em movimento.
Osmar Ludovico

A pior derrota para um comissionado não é
deixar de obter êxito na missão. Não é o cometer erros, causar embaraço ou escândalo.
A pior derrota é perder o senso de missão. A
morte do senso é a morte do sentido; ao
tombar o sentido, morre também a ação,
que murcha e se debate por perder o Norte.
Conserve como um tesouro frágil a noção de
quem você é, a serviço de quem e para o
quê está aqui. A cada manhã salve o senso
que você ganhou ao ser salvo. Alimente-o
durante o dia; zele por seu sono nas noites,
que serão muitas.

Sammis Reachers

Algumas oportunidades são únicas, portanto devemos aproveitá-las. A maior
delas é que passamos somente uma vez aqui por esta terra. A outra é que esta
geração somente tem o privilégio de alcançar esta geração. A última é que podemos terminar a tarefa da evangelização mundial em nossa geração.

Para reflexão: "Já ancorado na Antártida, ouvi ruídos que pareciam de fritura.
Pensei: será que até aqui existem chineses fritando pastéis? Eram cristais de água
doce congelada que faziam aquele som quando entravam em contato com a água
salgada. O efeito visual era belíssimo. Pensei em fotografar, mas falei para mim
mesmo: - Calma, você terá muito tempo para isso... Nos 367 dias que se seguiram, o fenômeno não se repetiu. Algumas oportunidades são únicas...." (Almir
Klink).

David Botelho
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