Você está na página 1de 13
CLIPPING DA SECRETARIA DE ASSUNTOS INTERNACIONAIS – MF – VALOR ECONÔMICO – 01/02/2016 Matérias: 

CLIPPING DA SECRETARIA DE ASSUNTOS INTERNACIONAIS MF VALOR ECONÔMICO 01/02/2016

Matérias:

Índia pode travar negociações na OMC

Economistas veem 20% de chance de recessão

EUA sofrem com fraco desempenho da indústria

Arábia Saudita não propôs corte de produção de petróleo, diz TV

Atividade industrial chinesa segue em contração

Bolsas da Ásia fecham sem rumo comum; Tóquio sobe 1,98% e Xangai recua

'Fed provavelmente vai pausar o ciclo de aperto'

Pressão sobre o câmbio pode ser menor

Falhas do afrouxamento quantitativo (OPINIÃO)

A nova matriz econômica está de volta (OPINIÃO) =========================================

Índia pode travar negociações na OMC

Por Assis Moreira Enquanto Brasil, China e outros grandes países sinalizam engajamento para definir uma nova agenda de negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC), a expectativa é sobre qual será a postura da Índia.

Uma reunião de ministros do Comércio, à margem do recente Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), da qual os indianos não quiseram participar pelo segundo ano consecutivo, mostrou "surpreendente convergência e pragmatismo" no rastro da conferência ministerial em Nairóbi (Quênia), em dezembro.

A avaliação foi de que o acordo alcançado para eliminar os subsídios na exportação de

produtos agrícola, 54 anos após isso ter sido decretado para produtos industriais, criou uma disposição generalizada de olhar o futuro de negociações na OMC com uma mente mais aberta.

O acordo de Nairóbi, ainda que tenha peso mais simbólico do que comercial no contexto atual, gerou maior boa vontade dos países para renovar a agenda de negociações e a disposição de combinar temas que estão pendentes, como limitar subsídios à produção agrícola e cortar tarifas, com questões como comércio eletrônico, investimentos e outros, reiteram certos negociadores.

Em Davos, num encontro com o diretorgeral da OMC, Roberto Azevêdo, o setor privado também comemorou o fato de duas reuniões ministeriais da entidade em Bali (Indonésia) e em Nairóbi terem alcançado resultados.

A China, maior nação comerciante do planeta (soma de exportações e importações) já

aceitou a incorporação de novos temas para negociações. A questão é discutir quais serão eles.

O Brasil, que sempre condicionou nova agenda a avanços na agricultura, conseguiu resultados em Nairóbi e confirma disposição de discutir. "Não temos preconceitos ideológicos à discussão de novos temas", afirmou o embaixador do Brasil junto à OMC, Marcos Galvão. "O Brasil atua na OMC com objetividade, guiado por seus interesses concretos. Estamos dispostos a conversar sobre novos temas, desde que haja consenso para tanto, e que isso não se faça em prejuízo de questões há muito pendentes que são prioritárias para o nosso país, como o disciplinamento dos subsídios agrícolas e avanços em acesso a mercado para produtos de nosso interesse exportador. Essas questões têm de continuar no centro da agenda da OMC."

A Argentina, agora presidido por Mauricio Macri, também muda de postura. A ponto

de o principal negociador comercial dos EUA, Michael Froman, ter se declarado feliz

por, depois de muitos anos, "enfim concordar com tudo que a Argentina disse", na reunião ministerial em Davos.

A dúvida agora é sobre como a Índia digeriu os resultados de Nairóbi. O governo de

Narendra Modi foi muito criticado depois de ter alimentado o impasse quase até o fim

na capital queniana e só ter conseguido a promessa de que será negociada, um dia, na OMC uma salvaguarda pela qual poderia elevar tarifas em caso de súbito aumento de importações agrícolas, mas num contexto de abertura de mercado. E que até

2017, como previsto, será buscada uma solução para seus estoques de alimentos públicos por razões de segurança alimentar.

Neste ano, a primeira iniciativa da Índia foi reclamar à OMC sobre dois pontos no acordo agrícola de Nairóbi: entende que a decisão pela qual os países não podem aumentar os subsídios à exportação, no período em que devem justamente reduzilo, deve valer só para os países desenvolvidos. Também defende que a eliminação de subsídios na exportação de algodão também só deve ser imposta a países ricos. A Índia tornouse o maior produtor mundial de algodão, tendo superado a China, segundo a imprensa indiana.

A questão é sobre qual será a real disposição da Índia de contestar o acordo de

Nairóbi. Isso pode ficar mais claro numa reunião no dia 24. Mas visivelmente a maioria dos membros da entidade não espera engajamento de Nova Déli em novas negociações, até por razões de política interna indiana. Os principais países estão dispostos a avançar de qualquer jeito em direção da liberalização, por exemplo com negociações plurilaterais (participa quem quer). =================================================

Economistas veem 20% de chance de recessão

Por Eric Platt Economistas proeminentes de todo o mundo agora veem uma chance de 20% de os Estados Unidos caírem em recessão neste ano e uma menor probabilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) aumentar as taxas referenciais de juros no ritmo anteriormente previsto.

Uma pesquisa do "Financial Times" com 51 economistas, conduzida nos dias seguintes

à reunião do Fed de janeiro, dá ênfase ao impacto das severas turbulências nos mercados nas últimas semanas e a uma série de relatórios econômicos decepcionantes divulgados nos EUA e na China.

O temor de que a maior economia do mundo considerada como o solitário motor do

crescimento global está à beira da recessão se intensificou. Na pesquisa do "FT" de dezembro, os economistas haviam previsto uma chance de 15% para uma recessão americana nos próximos dois anos. Agora, apontam uma possibilidade de 20% para

uma recessão nos próximos 12 meses.

Para os economistas, a preocupação quanto a uma possível desaceleração global que fez com que na sextafeira o banco central japonês cortasse as taxas de juros para território negativo provavelmente deve fazer com que o Fed não concretize sua previsão de aumentar as taxas de juros em 100 pontosbase neste ano.

Até pouco tempo, poucos economistas cogitavam que os EUA pudessem cair em recessão. Imaginavase que um robusto mercado de trabalho e um setor de serviços em rápida expansão pudessem compensar as quedas na indústria, que tem sido atrapalhada pela valorização do dólar.

A desaceleração na China renovou os temores de que a economia americana está

vulnerável, com investidores voltando a atenção para perturbações no mercado de crédito e para uma enorme quantidade de calotes esperados no setor energético. As

listas compiladas pela Standard & Poor's e pela Moody's de empresas em perigo de default cresceram bastante.

=================================================

EUA sofrem com fraco desempenho da indústria

Por Rich Miller e Victoria Stilwell

É como se os Estados Unidos tivessem duas economias.

Os gastos do consumidor apresentaram seu maior crescimento no país desde 2005, apesar de caírem ligeiramente no quarto trimestre. Os investimentos empresariais não residenciais, por outro lado, cresceram ao seu ritmo mais lento desde 2010, enquanto

as

empresas de petróleo e gás reduziram acentuadamente seus gastos.

O

tema fundamental da economia americana "é o nítido contraste entre as trajetórias

das famílias e das empresas" e como ele evoluirá daqui para a frente, afirma Stephen

Stanley, economistachefe da assessoria em investimentos Amherst Pierpont Securities, de Nova York.

Será que a força dos gastos do consumidor estimulará as empresas a intensificar os gastos e a continuar contratando? Ou será que as empresas, comprometidas pelo

lento crescimento mundial e pela valorização do dólar, ficarão mais avessas ao risco e começarão a cortar as folhas de pagamento, minando os gastos das famílias nesse

processo?

Por enquanto, a maioria dos economistas aposta que o consumidor acabará vencendo

e a economia evitará uma recessão. Alguns, no entanto, estão reduzindo suas

projeções de crescimento para 2016, num momento em que a queda vertical das bolsas e dos mercados de bônus corporativos diminui ainda mais a disposição das empresas de se expandir.

"Ainda temos um quadro razoavelmente sólido em termos de demanda interna, constituída principalmente pelos gastos do consumidor, pelo mercado residencial e por investimentos fixos não relacionados à energia, que estão indo bem", diz Nariman Behravesh, economistachefe da IHS de Lexington, Massachusetts. "Essas são as fontes de solidez nos EUA, e correspondem a algo próximo de 90% da economia americana."

O Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 2,4% no ano passado, igualando o crescimento de 2014. Já a configuração do crescimento mudou. Os gastos do consumidor avançaram 3,1%, enquanto os das empresas em ativos como fábricas, plataformas de extração de petróleo e shopping centers caíram 1,5%.

A mesma dicotomia se mostrou no quarto trimestre, quando as despesas com

consumo pessoal subiram, enquanto os investimentos das empresas em equipamentos e edificações caíram pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2012. O PIB aumentou 0,7% depois do avanço de 2% registrado no terceiro trimestre. As famílias ainda estão se beneficiando de uma sólida melhoria do mercado de trabalho, além da queda dos preços da gasolina e da valorização dos imóveis residenciais. Esses fatores favoráveis contribuíram para sustentar os gastos apesar da queda dos preços das ações observada em janeiro.

A confiança do consumidor cedeu em janeiro e o índice de ânimo da Universidade de

Michigan caiu de 92,6 em dezembro para 92. Queda nas bolsas e desaceleração em outros países foram mencionadas "espontaneamente" por um em cada três domicílios

com rendimentos no terço superior da escada salarial. No entanto, mensurações

anteriores, inclusive uma do Conference Board e outra da Bloomberg, mostraram que

as famílias continuam otimistas.

Companhias americanas, por sua vez, continuam a defrontarse com desafios criados pelo fortalecimento do dólar, o que torna mais cara a venda de seus produtos para os clientes estrangeiros, ao mesmo tempo em que os produtos importados tornam- semais baratos para os consumidores americanos. Isso tem sido agravado por preocupações com que o crescimento mundial esteja esfriando, algo que está sendo "puxado" por economias emergentes, como a China.

A queda do petróleo fez com que as empresas de energia reduzissem seus

investimentos. Para o ano passado inteiro, os investimentos com estruturas utilizadas

em mineração e extração de petróleo e gás despencaram 35%. =================================================

Arábia Saudita não propôs corte de produção depetróleo, diz TV

Por SÃO PAULO

A possibilidade de um corte na produção mundial de petróleo fez o preço do barril

ganhar um alívio na semana passada, mas a proposta da redução não veio da Árabia Saudita, segundo a rede de TV alArabiya, que é de propriedade saudita e tem sede em Dubai.

Ainda de acordo com a TV, os sauditas (maiores exportadores mundiais de petróleo), porém, estão dispostos a colaborar com outros países produtores a reanimar o mercado do combustível.

Na quinta-feira passada, o ministro da Energia da Rússia, Alexander Novak, afirmou que a Opep (cartel que reúne alguns dos maiores exportadores mundiais de petróleo) propôs uma redução de 5% na produção para ajudar a diminuir a oferta de óleo e estimular os preços, na primeira ação global desse tipo em mais de uma década.

Não ficou claro, no entanto, se Novak estava se referindo a uma proposta feita alguns meses atrás por Venezuela e Argélia (que integram a Opep) ou a uma nova, que teria

o apoio saudita.

A possibilidade de um corte fez os preços do óleo dispararem na semana passada. A

cotação do tipo Brent (referência no mercado internacional e para a Petrobras) chegou

a US$ 36, dias após atingir US$ 27, o menor valor em 12 anos.

Apesar da alta, ainda existe ceticismo no mercado sobre a possibilidade de uma ação coordenada para reduzir a oferta de petróleo. Um dos motivos é o fim das sanções internacionais ao Irã por causa do seu programa nuclear.

O país estaria disposto a aumentar a sua participação nas vendas mundiais.

Segundo uma autoridade iraniana, o país pretende aumentar sua capacidade de produção em 160 mil barris por dia, após a conclusão dos projetos de expansão em dois campos no país. =================================================

Atividade industrial chinesa segue em contração

Por PEQUIM

A divulgação de dois importantes medidores de atividade industrial na China, um

oficial e outro privado, sugerem que o setor industrial chinês permanece contraído,

revelando demanda fraca, apesar de algumas medidas de estímulo do governo, como redução de juros.

O índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial da

China medido pelo governo recuou para 49,4 em janeiro, ante 49,7 em dezembro. Um

grupo de 11 economistas consultados pelo “The Wall Street Journal” previa um resultado de 49,6.

Pela metodologia do PMI, dados abaixo de 50 apontam contração do setor, enquanto registros acima desse patamar indicam avanço da atividade.

O resultado de janeiro foi o pior desde agosto de 2012 e o sexto seguido abaixo da

linha dos 50, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas da China (NBS, na sigla em inglês).

O subíndice que mede as novas encomendas saiu de 50,2 em dezembro de 2015 para

49,5 em janeiro de 2016, enquanto o subíndice de produção recuou de 52,2 para 51,4

na mesma comparação.

O relatório do instituto Markit em parceiria com o grupo de mídia Caixin também

mostrou uma atividade industrial retraída, embora com uma leve redução no ritmo de queda. O índice que mede eese desempenho passou de 48,2 em dezembro para 48,4

em janeiro. Foi o 11º mês consecutivo com leitura abaixo de 50.

“Dados macroeconômicos mais recentes mostram que a economia ainda precisa ganhar tração e ajustar o excesso de capacidade”, afirmou He Fan, economistachefe do Caixin.

A diferença de sinais entre os PMIs oficial e privado pode ser explicado por uma

diferença metodológica. O indicador do Markit/Caixin tem uma proporção maior de pequenas e médias empresas nos questionários distribuídos para que as empresas avaliem a atividade setorial.

Apesar da discrepância, o economista Ma Xiaoping, do HSBC, afirma que ambos sugerem que a demanda por produtos chineses permanece fraca. “É sempre difícil ler indicadores no início do ano, mas uma coisa está clara: a demanda dificilmente vai aumentar num horizonte próximo”, disse ele.

Setor de serviços Também nesta segunda-feira o departamento chinês de estatísticas mostrou que o desempenho do setor de serviços do país teve desaceleração, indo de 54,4 em dezembro de 2015 para 53,5 no começo deste ano.

O indicador é dividido entre os setores de serviços e de construção. O subíndice do

setor de serviços recuou para 52,7 em janeiro, ante 53,7 em dezembro. O subíndice de construção, por sua vez, caiu para 57,8, após marcar 58,3 no encerramento de

2015.

O subíndice de novas encomendas para o setor como um todo ficou no terreno

negativo em janeiro, ao se situar em 49,6, e deixou para trás a marca de 51,7 obtida um mês antes. (Dow Jones Newswires) =================================================

Bolsas da Ásia fecham sem rumo comum; Tóquio sobe 1,98% e Xangai recua

Por Valor, com agências internacionais As bolsas da Ásia terminaram a primeira sessão de fevereiro sem direção comum. Os investidores consideraram a adoção de juro negativo no Japão e o desempenho da economia da China, além do movimento dos preços do petróleo e do câmbio.

Em Tóquio, o Nikkei 225 avançou 1,98%, para 17.865,23 pontos. Na mesma sireção, o Kospi, de Seul, subiu 0,67%, somando 1.924,82 pontos. Em Xangai, contudo, o Xangai Composto teve baixa, de 1,78%, aos 2.688,85 pontos. O Hang Seng, de Hong Kong, cedeu 0,45%, ficando em 19.595,50 pontos.

A atividade industrial da China contraiu-se pelo sexto mês consecutivo em

janeiro, conforme pesquisa do Departamento Nacional de Estatística do país

em conjunto com a Federação de Logística e Compra da China. O índice que mede o desempenho do setor saiu de 49,7 no fim de 2015 para 49,4 no primeiro mês de 2016. Leituras abaixo de 50 expressam retração.

Além de se situar abaixo da expectativa do mercado, de 49,6, o resultado foi o menor desde agosto de 2012, reportou a agência chinesa de notícias Xinhua.

O

setor de serviços chinês, por sua vez, perdeu ímpeto no começo deste ano.

O

índice que acompanha o desempenho dessa atividade passou de 54,4 em

dezembro de 2015 para 53,5 em janeiro de 2016. Ainda assim, a leitura conseguiu ficar acima de 50, que significa crescimento.

=================================================

'Fed provavelmente vai pausar o ciclo de aperto'

Por Aline Oyamada

O pânico dos mercados no início de 2016 extrapolou a real gravidade de alguns de

seus propulsores, como a desaceleração da China. Ainda assim, por mexer com a confiança de empresários, consumidores e investidores, essa turbulência, mesmo que

injustificada, pode levar o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos)

a pausar momentaneamente o ciclo de alta dos juros. Essa é a leitura de James Sweeney, economistachefe global do Credit Suisse.

Em uma avaliação da atual conjuntura econômica mundial, Sweeney afirmou que a reação dos mercados sempre é exagerada e que a economia chinesa não está perto de um colapso. "Se o pânico alguma vez é justificado? Os mercados extrapolam os eventos recentes o tempo inteiro", disse ao Valor. O economista esteve no Brasil para participar de conferência de investimentos do Credit Suisse para a América Latina.

A opinião de Sweeney é que o governo chinês ainda tem muitos instrumentos que

pode usar para suavizar a desaceleração da economia. Além disso, o novo patamar de

crescimento da China o Credit Suisse projeta expansão de 6,5% este ano é muito

mais sustentável e sadio no médio prazo.

A reação dos mercados, contudo, não é ignorável. Sweeney acredita que, embora o

foco do Fed esteja no mercado de trabalho e nas perspectivas de inflação dos EUA, o país não está ileso à onda de aversão ao risco nos mercados financeiros globais e a contínua turbulência pode afetar o ritmo do aperto monetário nos Estados Unidos.

Valor: Este ano começou com grande turbulência nos mercados financeiros. A situação da China justifica esse movimento? James Sweeney: O ano começou com as pessoas muito preocupadas com os preços das commodities mais baixos, as implicações para os mercados de crédito dessa mudança e o que está acontecendo na China. Acho que o entendimento de que a taxa de crescimento dos investimentos da China não pode se manter nos níveis que vimos antes de 2011 serviu de gatilho para essa grande mudança nos preços dos ativos.

Valor: Mas a reação dos mercados é proporcional ao tamanho dos problemas? Sweeney: Quando você põe todos esses fatores juntos, você pode criar uma série de narrativas que são suficientes para deixar os mercados financeiros em pânico. Agora, se o pânico alguma vez é justificado? Essa é uma pergunta boba. Os mercados em geral extrapolam os eventos recentes e isso nunca é justificável. Eu acredito que há

uma série de razões para o que está acontecendo agora. Mas se sua questão objetiva for se vimos uma deterioração repentina nas perspectivas econômicas e de crescimento dos lucros que justifique uma brusca deterioração nos preços dos ativos,

a resposta é não.

Valor: A desaceleração da China deve ser controlada, portanto? As autoridades devem ser capazes de gerenciar a crise? Sweeney: Não acho que seja provável eles perderem o controle da crise. Eles têm

muitas medidas políticas que podem usar. Mas houve muita volatilidade no mercado e

a China, como qualquer economia, está sujeita a períodos de aversão ao risco. Eu

deixaria claro, contudo, que apesar de a desaceleração atual da China ser o principal propulsor das dificuldades do mercado neste começo de ano, o crescimento da China não parece estar em colapso. O que acontece é que eles estão desacelerando de taxas de crescimento insustentáveis para algo mais sustentável e isso criou uma série de riscos de ajustes de curto prazo. Mas essa não é uma economia que está subitamente se contraindo ou que tem, por exemplo, problemas significativos no mercado de trabalho.

Valor: Quais medidas políticas devem ser tomadas na China? Sweeney: Podemos ver mais cortes de impostos como medidas de estímulo. E em termos de política monetária, há espaço para reduzir os compulsórios e cortar as taxas de juros. Ao mesmo tempo, a China está muito focada em reformas e não está tentando criar um grande estímulo do lado da demanda para crescer. Isso alimentaria muito a dívida e criaria problemas no futuro. Eles estão tentando encontrar o equilíbrio correto.

Valor: Como o Fed deve reagir a essa turbulência de mercado? Sweeney: O Fed quer retirar lentamente as condições altamente acomodatícias, mas está sujeito à aversão ao risco e é sensível a eventos globais e aos mercados financeiros. Em um momento de pânico do mercado e com essas crescentes preocupações com o crescimento, o Fed provavelmente será sensível e irá pausar [o ciclo de aperto]. Recentemente mudamos nossa visão e agora esperamos uma pausa na reunião de março, de modo que a próxima alta de juros será em junho. Mas eu também não ficaria surpreso se eles subissem já em março ou abril se os mercados se

estabilizarem e os dados da economia americana continuarem fortes. Acho que o Fed quer subir o juro, desde que o mercado de trabalho continue a se estabilizar e a inflação continue onde está. Portanto, nós esperamos três altas este ano, mesmo que não comecem até junho.

Valor: Como as economias emergentes, em especial o Brasil, devem reagir a esse contexto? Sweeney: O Brasil é sensível às condições globais por sua vulnerabilidade à oscilação nos preços das commodities, mas como o comércio exterior do país é pequeno, isso proporciona certa compensação. A exposição do Brasil a exportações não é tão grande quanto a de outras economias. Em 2008 e até 2012 durante a recessão europeia houve grande desaceleração no crescimento global e o Brasil se deu razoavelmente bem. Acho que o motivo foi que os preços das commodities estavam altos.

Valor: Qual sua projeção para o crescimento global este ano? Sweeney: Projetamos crescimento modestamente melhor este ano, de 2,7% em 2016, após crescimento de 2,5% em 2015. Esperamos que a fraqueza seja concentrada no primeiro semestre e haja uma melhora na segunda metade do ano. =================================================

Pressão sobre o câmbio pode ser menor

Por José de Castro Pelo menos sob a ótica da balança de pagamentos, não deve haver neste ano pressão por nova rodada expressiva de desvalorização cambial. Economistas de bancos avaliam que o nível atual da taxa de câmbio, em torno de R$ 4, está muito mais próximo do necessário para manter o déficit em conta corrente em rota de equilíbrio.

Trata-se de uma reviravolta em relação às avaliações do fim de 2014, quando a leitura era de que a taxa de câmbio ainda estava "sobrevalorizada" e deveria, portanto, depreciar-se significativamente para colaborar com o ajuste do balanço de pagamentos.

Isso não significa, contudo, que o real não deva se desvalorizar mais até o fim do ano. Especialistas ainda esperam que a moeda brasileira volte a tocar mínimas, sob o peso de incertezas macroeconômicas aqui e lá fora. A diferença é que fatores de mercado mais voláteis devem ter mais peso a partir de agora. Dessa forma, a desvalorização não estaria ligada a elementos econômicos estruturais, cuja característica indica movimentos de prazo mais longo.

A evolução da taxa real efetiva de câmbio é uma indicação de que o dólar

A evolução da taxa real efetiva de câmbio é uma indicação de que o dólar já atingiu

um patamar suficiente para promover os ajustes nas contas externas. Uma das medidas utilizadas é a que indica a diferença entre a taxa mensal e a média histórica.

O resultado é visto como um indicador de quão fora do lugar o câmbio estaria. Depois

de ficar excessivamente sobrevalorizada durante vários anos, essa taxa passou por

forte ajuste e cruzou a linha para se tornar "sobredepreciada".

Segundo dados do Banco Central, a taxa de câmbio real efetiva chegou a ficar no segundo semestre de 2015 quase 25% mais fraca do que a média histórica maior desnível desde agosto de 2004. Mas, à medida que as contas externas foram ajustadas, esse intervalo diminuiu um pouco e, em dezembro, estava em 20%.

Ainda é cedo para falar em fim do processo de queda da taxa real de câmbio, mas a mudança de direção do movimento depois de um já expressivo ajuste no balanço de pagamentos sugere que a depreciação ocorrida até então pode já ter sido suficiente, o que prepararia o terreno para alguma estabilização ou mesmo valorização do real.

Para o Santander Brasil, o desnível entre a taxa mensal e a média histórica está ainda maior, na casa de 26%. "Não dá para dizer com certeza se o câmbio está ou não fora dos fundamentos, mas o fato de estar 26% mais depreciado que a média história dá uma boa indicação de que a taxa de câmbio está bastante fraca", afirma a economista do banco Adriana Dupita.

Em outra abordagem, mas que utiliza a taxa de câmbio nominal, Adriana diz que a cotação necessária para levar o déficit em transações correntes a 2% do PIB nível considerado mais gerenciável estaria hoje entre R$ 3,50 e R$ 4,00 por dólar.

O déficit em transações correntes diminuiu em 2015 para 3,32% do PIB, ante 4,31%

em 2014. A economista do Santander projeta que o rombo caia a 2,4% em 2016. Essa queda, se confirmada, ocorreria sem uma ajuda adicional expressiva do câmbio, uma vez que ela prevê uma desvalorização nominal de 3,50% do real ante o dólar neste ano, para R$ 4,10. Em 2015, o real caiu, em termos nominais, 32,77%.

Para o Itaú Unibanco, a cotação de R$ 4,50 por dólar prevista para o fim deste ano "fecha" o balanço de pagamentos em 2016 o que significa equilibrar as necessidades de financiamento externo e as fontes para cobrir essa demanda financeira. "O fato é que o câmbio já depreciou o suficiente para promover esse ajuste [de 2015]", diz a economista responsável pela análise de contas externas e taxa de câmbio do banco, Julia Gottlieb.

O Itaú ainda está em processo de revisão de cenário para a balança de pagamentos.

Mas, segundo Julia, ainda vale a projeção de déficit em conta corrente de US$ 21 bilhões neste ano o que seria nova queda em relação ao rombo de US$ 58,942 bilhões

de 2015.

Em um esforço para prever o comportamento da taxa cambial em diferentes prazos, o

Goldman Sachs utilizou três modelos diferentes: em dois deles de prazo mais longo ,

o real estaria, em média, 10% mais desvalorizado do que deveria. Esses dois modelos

buscam estimar variações para a taxa de câmbio em um horizonte entre três e quatro anos.

Para prazos mais curtos, no entanto, o Goldman ainda vê sobrevalorização do real da ordem de 6%. Segundo o banco, o modelo de curto prazo leva em conta apenas necessidade de ajustes na conta corrente e não inclui oscilações na produtividade e termos de troca caso de modelos de longo prazo.

O Goldman calcula que, para o Brasil, o nível sustentável de déficit em conta corrente

estaria em torno de 2% do PIB. E para que o déficit caia a esse patamar é preciso que

a taxa de câmbio ainda se ajuste 6% para baixo. De toda forma, é uma

desvalorização muito menor que a de mais de 30% registrada em 2015.

=================================================

Falhas do afrouxamento quantitativo (OPINIÃO)

Por Martin Feldstein Por que a política de afrouxamento monetário quantitativo do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) foi tão mais bemsucedida que a versão adotada pelo Banco Central Europeu (BCE)? Essa pergunta intelectual leva diretamente a outra, mais prática: será que o BCE vai conseguir transformar o afrouxamento quantitativo em crescimento mais forte e inflação mais alta?

O Fed lançou o afrouxamento quantitativo a compra de grandes quantidades de títulos

de dívidas de longo prazo somada à promessa de manter as taxas de juros de curto prazo baixas por um longo período depois de ter concluído que a economia dos Estados Unidos não vinha reagindo de forma adequada à política monetária tradicional

e ao pacote de estímulos fiscais promulgado em 2009. O presidente do Fed na época,

Ben Bernanke, concluiu que a política monetária não convencional derrubaria as taxas

de juros de longo prazo e induziria os investidores a trocar títulos de alta qualidade

por ações e outros papéis de maior risco. Isso elevaria o valor desses ativos, aumentando a riqueza dos consumidores e, portanto, o consumo.

A estratégia funcionou bem. Os preços das ações subiram 30% só em 2013 e o valor

das residências, 13%, nos mesmos 12 meses. Como resultado, o patrimônio líquido das famílias nos Estados Unidos aumentou em US$ 10 trilhões naquele ano. O aumento na riqueza induziu os consumidores a aumentar seus gastos, o que reiniciou

o processo expansionista multiplicador usual, com o Produto Interno Bruto (PIB)

expandindose 2,5% em 2013 e o índice de desemprego caindo de 8% para 6,7%. A

expansão continuou nos anos subsequentes e o desemprego caiu para 5% e para apenas 2,5% entre as pessoas com formação universitária.

Para obter progressos reais na reanimação de suas economias, cada país precisa depender menos do afrouxamento quantitativo do Banco Central

Europeu

estímulos fiscais

e

orientar

seu

foco

diretamente

para

reformas

estruturais

e

O Banco Central Europeu vem seguindo uma estratégia similar, com compras de ativos em larga escala e taxas de juros de curto prazo extremamente baixas (na verdade, negativas). Embora a política seja a mesma que a do banco central americano, o propósito é bem diferente.

Como na Europa não existe a prática disseminada de compra de ações como nos Estados Unidos, o afrouxamento quantitativo não pode ser usado para aumentar a riqueza das famílias e estimular o consumo. Em vez disso, um grande propósito da política de juros baixos do BCE, ainda que não mencionado, é estimular as exportações líquidas por meio da depreciação do valor do euro. O BCE teve sucesso nisso, com o valor do euro tendo se desvalorizado cerca de 25% de US$ 1,40 no verão europeu de 2014 para US$ 1,06 no outono europeu de 2015.

Sou defensor da redução do valor do euro há vários anos, então acredito que essa estratégia foi boa. Mas, embora a queda no valor da moeda tenha estimulado as exportações líquidas da região do euro, o impacto sobre as exportações de seus membros e o PIB foi bastante limitado.

Um motivo para isso é que grande parte do comércio dos países da região do euro se dá entre eles próprios. Além disso, as exportações para os EUA não se beneficiam muito do declínio da queda na taxa eurodólar.

Os exportadores europeus, em geral, faturam suas exportações em dólar e ajustam seus preços em dólar muito lentamente, algo que ficou bem claro no importante estudo de Gita Gopinath, de Harvard, apresentado na conferência do Fed em Jackson Hole, em agosto de 2015.

Como resultado, as exportações líquidas totais da zona do euro aumentaram em menos de € 3 bilhões entre setembro de 2014 e setembro de 2015 uma quantia desprezível em uma economia de € 11 trilhões.

Outro objetivo das compras de títulos pelo BCE é aumentar o dinheiro disponível que

os bancos da região do euro dispõem para emprestar a empresas e consumidores. Até

agora, contudo houve pouco aumento na concessão de tais empréstimos.

Por fim, o Banco Central Europeu tem grande interesse em elevar a inflação da zona do euro para sua meta, de pouco abaixo de 2% ao ano. Nos EUA, a estratégia de afrouxamento quantitativo elevou o núcleo do índice de inflação que exclui o efeito direto dos preços, em queda, das fontes de energia e alimentos para 2,1% nos últimos 12 meses. Esse foi um efeito secundário do aumento na demanda real, resultado da redução no desemprego para um nível em que os salários, em alta, passam a contribuir para um maior aumento dos preços.

Essa estratégia não deverá funcionar na região do euro, porque a taxa de desemprego ainda está próxima a 12%, cerca de 5 pontos percentuais acima do que estava antes

de a recessão começar. A política de afrouxamento quantitativo do BCE provavelmente

pode conseguir elevar a inflação apenas como resultado do preço das importações,

que fica mais alto em euros com declínio no valor da moeda. Esse processo, bem limitado, ainda deixa o núcleo da inflação da zona do euro abaixo de 1% ao ano.

O presidente do BCE, Mario Draghi, reagiu recentemente às novas evidências de

fraqueza econômica e de inflação superbaixa na região do euro indicando que o banco central deverá afrouxar ainda mais as condições monetárias em seu próximo encontro de definição de políticas, marcado para março. Isso pode significar reduzir ainda mais as taxas de juros de curto prazo, já em terreno negativo, e expandir e/ou estender seu programa de compra de títulos de dívidas.

Os mercados financeiros da zona do euro reagiram da forma esperada. As taxas de juros de longo prazo caíram, o preço das ações subiu e o euro desvalorizou-se em relação ao dólar. As experiências passadas e os motivos explicados neste texto, no entanto, indicam que essas medidas pouco farão para incrementar a atividade real e a inflação de preços na região do euro. Para obter progressos reais na reanimação de suas economias, cada país precisa depender menos do afrouxamento quantitativo do BCE e orientar seu foco diretamente a reformas estruturais e estímulos fiscais. (Tradução de Sabino Ahumada).

Martin Feldstein, professor de economia na Universidade de Harvard e presidente emérito do Birô Nacional de Pesquisas Econômicas, presidiu o conselho de Assessores Econômicos do presidente Ronald Reagan de 1982 a 1984. Copyright: Project Syndicate, 2016. www.projectsyndicate.org