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Harmonia na música popular – Módulo 1 - Rafael Thomaz

Harmonia aplicada à música popular

Módulo 1 - Fundamentos
1. Sistema temperado e os semitons:

Sons são simplesmente vibrações. Essas vibrações utilizam meios para se propagar e no nosso caso
o meio é o ar. As vibrações se propagam através de ondas, chamadas ondas sonoras. Essas ondas
chegam aos nossos ouvidos e são transformadas em impulsos elétricos que são reconhecidos pelo
nosso cérebro. Portanto, os sons existem no cérebro, fora dele são apenas vibrações do ar.

As ondas sonoras possuem diversas propriedades físicas que identificamos de formas bastante
distintas como frequência, intensidade, duração e timbre. As mais simples de entender são a
intensidade e a duração que tem nomes auto-explicativos. A intensidade é representada pela
amplitude da onda que atinge os ouvidos com maior ou menor pressão gerando o que chamamos
comumente de volume. O conjunto de variações de intensidade é chamado de dinâmica.

O timbre é o mais complexo dos aspectos do som. Uma explicação mais profunda não caberia nesse
material, mas em resumo o timbre é formado pelo conjunto de harmônicos (sons que acompanham
o som principal) que possibilita reconhecermos sons gerados por fontes diferentes, até mesmo na
mesma frequência, por exemplo, dois instrumentos diferentes tocando a mesma nota.

A frequência representa o número de vezes que a onda acontece por segundo e é medida de Hertz
(Hz). O ouvido humano é capaz de ouvir de aproximadamente 16Hz até 25.000Hz. A frequência
está diretamente ligada à altura do som, determinando se o som será grave ou agudo. Na música
tradicional não tratamos o som através de frequências, mas através de notas. As diferentes
frequências geram notas diferentes que foram sendo, através dos séculos, padronizadas na música
ocidental, especialmente na música européia, e se fixaram a partir do século XVIII. Diversos
sistemas de afinação ou temperamento da notas foram feitos desde a idade média, onde pequenas
mudanças nas frequências das notas eram feitas para adapta-las à realidade da época. É claro que o
estudo das frequências é algo muito mais moderno do que estes sistemas que se empenhavam em
separar atráves de uma oitava (duas notas onde uma tem o dobro ou metade da frequência da outra).
O mais importante nesse caso é entender que existiram vários métodos para separar as notas

Rafael Thomaz – www.myspace.com/rafaelthomaz


Harmonia na música popular – Módulo 1 - Rafael Thomaz

musicais e que o sistema utilizado hoje tenta separar igualmente o valor das frequências de cada
nota.
Para ilustrar isso podemos ver o caso das notas Lá tocadas em várias oitavas:
Lá 0 – 55Hz
Lá 1 – 110Hz
Lá 2 – 220Hz
Lá 3 – 440Hz
Lá 4 – 880Hz
Lá 5 - 1760Hz

A distância entre essas notas é chamada de oitava. Na música ocidental, cada oitava é dividida em
12 partes. Cada uma dessas partes é chamada de semitom. Com isso temos as doze notas:

Do # Ré # Fá # Sol # Lá #
Do Ré Mi Fá Sol Lá Si Do
Ré b Mi b Sol b Lá b Si b

Rafael Thomaz – www.myspace.com/rafaelthomaz