YESHUA E SEUS DISCÍPULOS, JUDEUS ZELOSOS DA TORÁ

Há um tremendo engano por parte dos leigos que pensam que Yeshua e seus discípulos inventaram um
“cristianismo” contrário aos princípios do judaísmo, em específico da Torá, das tradições e dos costumes
judaicos. Isto nunca foi verdade.
Outro grande engano é o que dizem sempre que um judeu ao crer em Yeshua se torna cristão e deixa de ser
judeu. Isto também não é verdade, pois era justamente o contrário que ocorria, ou seja, o gentio que cria em
Yeshua, era enxertado na Oliveira (símbolo do Israel Espiritual) e passava a fazer parte da família de D’us
(judeus e gentios crentes na pessoa do messias Yeshua) e que os judeus deveriam continuar vivendo como
judeus, sob a graça, mas sendo zelosos com a Lei, cumprindo a Torá através de seus mandamentos, estatutos
e ordenanças dadas em caráter irrevogável aos filhos de Israel. Em outras palavras, a graça obtida pela fé em
Yeshua, não anulava ou desfazia os preceitos das leis judaicas.
Até o século segundo, a chamada seita dos Netsarim (Nazarenos), congregava judeus e gentios em suas
sinagogas.
Na comunidade judaica, segundo a Bíblia, não se conhecia o nome cristão, senão, Netzarim (Nazarenos). Com
a tradução da Bíblia para a língua grega já no início da era cristã romana, este termo foi traduzido para Cristão.
Sem a influência de Roma, o judaísmo dos Netsarim (Nazarenos) era autêntico e obediente à Torá, uma vez
que Yeshua não anulou a Lei, pelo contrário, Ele a cumpriu (Mt 5:17). Ele e os seus discípulos judeus
continuaram vivendo como judeus, mesmo após a morte de Yeshua. Paulo (Shaul), tão mal interpretado,
sempre foi um judeu zeloso de toda a lei de Moisés e fiel às tradições de seus pais (Atos 21:20).
Os judeus estudavam as Parashiot (porções semanais da Torá) e as Haftarot (as porções dos profetas) todos
os sábados, como é feito até hoje pela comunidade judaica. Os gentios que com eles congregavam não
deveriam ser circuncidados e não eram obrigados ao zelo da Lei (Atos 15), mas seguiam os outros costumes e
tradições judaicas. O pensamento e interpretação dos textos bíblicos eram segundo o contexto judaico e o uso
da midrash era constante.
Quem aboliu a língua hebraica, a liturgia judaica, a interpretação dos textos, certos mandamentos e estatutos
como a guarda do Shabat (sábado) e a celebração das festas bíblicas foi o catolicismo de Roma, não os
Netsarim (Judeus seguidores de Yeshua) da época.
Vamos dar alguns exemplos dos textos neo-testamentários que provam o enunciado acima, que Yeshua, seus
apóstolos e discípulos judeus eram fiéis aos princípios bíblicos judaicos.
Até hoje muitos cristãos entendem erroneamente que Yeshua fundou uma religião cristã, rompendo com suas
raízes e princípios. Afim de provar aos leitores cristãos e não cristãos que isto não é verdadeiro e que muitos
têm permanecido em doutrinas enganosas de homens, vamos citar, abaixo uma série de passagens dos
próprios evangelhos, onde podemos comprovar o estilo de vida judaico de Yeshua e seus apóstolos.
Yeshua e a Torá
Yeshua foi circuncidado
Já no início dos evangelhos encontramos o texto de Lucas relatando a circuncisão de Yeshua no oitavo dia,
cumprindo a Mitzvá (Mandamento) da Torá. “…Quando se completaram os oito dias para ser circuncidado o
menino, foi-lhe dado o nome de Yeshua, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido.” (Lucas 2:21).
Sua mãe, Maria, também era zelosa da Lei, pois no versículo seguinte 52 diz: “…terminados os dias da
purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para ser apresentado ao Senhor.”

Yeshua celebrava as festas judaicas
O próprio evangelho de Lucas (2:41) mostra que todos os anos Ele e seus discípulos iam a Jerusalém para
celebrar as Festas. Por exemplo, a Páscoa, estatuto perpétuo para os filhos de Israel (Êxodo 23:14-15 e
Deuteronômio 16:16).
João Batista era cumpridor da Lei
João Batista era justo e cumpridor da Lei e de todos os princípios da Torá segundo Marcos 6:20. Ele não
exaltaria Yeshua se este não fosse zeloso e cumpridor da Torá. (Marcos 1:7)
Yeshua guardava o Shabat
Inúmeras passagens na Bíblia mostram Yeshua e seus discípulos guardando o Shabat (o sábado de descanso).
Ele jamais deixou de guardar o Shabat e incomodava os fariseus da época quando Ele combatia o legalismo da
guarda do Shabat, pois Yeshua ressaltava que o princípio da Lei era mais importante do que o legalismo cego
que alguns fariseus praticavam. Yeshua ensinou que o princípio da Lei é a vida e sua preservação. Ele exortou
os fariseus que no sábado eles poderiam socorrer um animal que caísse numa vala, não porque o animal valia
um preço no mercado, mas sim, porque possuía uma vida dada por D’us. Lucas 4:16 é um bom exemplo de
Yeshua indo à sinagoga no dia de sábado para estudar a Parashá (porção da Torá ) e a Haftará (a porção dos
profetas)
Lucas 4:16 “…Chegando a Nazaré, onde fora criado; entrou numa sinagoga no dia de sábado, segundo o seu
costume, e levantou-se para ler (a Torá); e foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías (Haftará); e abrindo-o,
achou o lugar onde estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar
boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restaurar vista aos cegos, para pôr
em liberdade os oprimidos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor…( Isaías 61:1)
Os discípulos continuaram (como judeus zelosos) guardando o shabat e as tradições
Em Atos capítulo 13, encontramos o texto: “…Mas eles (os discípulos), passando de Perge, chegaram a
Antioquia da Pisídia; e entrando na sinagoga, no dia de sábado, sentaram-se para a leitura da Lei (Torá) e dos
profetas (Haftará)…”
Yeshua e seus discípulos comiam a comida kashrut (Levitico 11)
No livro de Lucas, o seguinte texto prova que eles comiam segundo as leis alimentares recomendados na Torá.
“…Ora, chegou o dia dos pães ázimos, em que se devia imolar a Páscoa; e Jesus enviou mensageiros a Pedro
e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos…” (Lucas 22:7-23)
A Torá era a base do ensinamento de Yeshua
Uma das frases de Yeshua mais clara quanto à lei (a Torá) está registrada em Mateus 5:17, quando Ele diz:
“…Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos
digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i (yod) ou um só til até que
tudo seja cumprido…”
Outro versículo, registrado no mesmo livro de Mateus mostra que os ensinamentos de Yeshua estavam em
consonância com a Torá: “…Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós
a eles; porque está na lei e nos profetas” (Mt 7:12).

Somente quem conhece os ensinamentos da Torá pode perceber que Yeshua pregava e anunciava ao povo de
sua época os princípios da Torá através de suas elucidativas parábolas. Ele seguiu os mesmos princípios dos
profetas, quando escreviam ou falavam ao povo. Tudo precisava estar respaldado pela Torá, cujo texto escrito
por Moisés, além de inspirado por D’us, era também escrito pelo próprio dedo ou até mesmo ditado por Ele.
Poucos cristãos sabem, por exemplo, que todo o Novo Testamento, incluindo as cartas de Paulo, Pedro, João
foram escritas dentro dos princípios da Lei ou do Pentateuco. Por exemplo, o último livro da Bíblia, Apocalipse,
dos seus 406 versículos, 278 são repetições do próprio texto da Torá.
Yeshua era bem recebido nas sinagogas
Várias passagens da Bíblia, mostram claramente, que Yeshua era bem recebido nas sinagogas de Israel, tanto
em Jerusalém como na região da Galiléia. “…Foi, então, por toda a Galiléia, pregando nas sinagogas deles e
expulsando os demônios…”(Marcos 1:39). Se Yeshua pregava nas sinagogas era porque havia respeito e
credibilidade no meio dos Miniam. Se Yeshua não fosse seguidor da Torá jamais Ele seria autorizado ou
convidado a ensinar no meio dos sábios judeus da época. Encontramos também a passagem de Jairo, um dos
chefes da sinagoga, que lançou-se aos pés de Yeshua, suplicando a cura de sua filha.
Yeshua se vestia como judeu religioso
Yeshua era fariseu. Portanto, seguia, à risca, os costumes religiosos da época. Ele usava talit com sua franjas
em cada canto, símbolo religioso que lembra a observância e a guarda dos mandamentos de D’us. No texto
original do evangelho de Marcos (5:27) lemos que a mulher enferma tocou na orla (tsitsit - Franjas judaicas) do
talit de Yeshua, símbolo também de autoridade.
Com certeza, Ele também cobria a cabeça com o talit ou com lenço apropriado. Não existia, na época, o uso do
Kipá moderno que passou a ser uma lembrança da mitra sacerdotal ou do costume de cobrir a cabeça, em
reverência a D’us. Outros povos orientais também cobrem suas cabeças pelas mesmas razões, não sendo um
costume só do povo judeu.
Yeshua testemunha o Shemá
Como um bom judeu, Yeshua recitava e ensinava o texto do “Shemá Israel Adonai Eloheinu Adonai Echad”, que
diz: “Ouve ó Israel o Senhor nosso D’us é Um. Amarás, pois, o Senhor teu D’us com todo o teu coração, com
toda a tua alma e com todas as tuas forças…” A parábola do bom samaritano inicia com a pergunta de um
mestre judeu a Yeshua:
“…E eis que se levantou certo doutor da lei e, para experimentá-lo, disse: Mestre, que farei para herdar a vida
eterna? Perguntou-lhe Yeshua: Que está escrito na lei? Como lês tu? Respondeu-lhe ele: ‘Amarás ao Senhor
teu D’us de todo o teu coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo teu entendimento, e ao
teu próximo como a ti mesmo.’
Tornou-lhe Yeshua: Respondeste bem; faze isso e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a
Yeshua: Quem é o meu próximo?” E Yeshua, prosseguindo, contou-lhe a parábola do bom samaritano (Lc
10:25-42).
Certa vez Yeshua foi interrogado por um mestre da Torah que lhe fez a seguinte pergunta em Marcos.12:28-34:
Mestre, qual é o mandamento mais importante ? Ele (Yeshua) respondeu que o maior e o principal entre
TODOS os mandamentos é :

Sh´má, Yisrael ! Adonai Eloheinu, Adonai echad.( Ouve, ó Israel, o Senhor nosso D´us, o Senhor é Um ) e você
deve amar o Eterno, seu D´us, de todo coração, de toda alma, de todo entendimento e com toda força; ; este é
o primeiro mandamento.
E o segundo é este : Ame o teu próximo como a si mesmo. Não existe mandamento maior que estes.
O mestre da Torah lhe disse: Muito bem respondido Mestre. Você falou a verdade quando disse que D´us é um
( echad )
Yeshua era chamado de Rabi
Nicodemos, um importante líder dos fariseus, foi ter com Yeshua de noite e disse: “…Rabi, sabemos que és
mestre, vindo de D’us, pois, ninguém, pode fazer estes milagres que tu fazes, se D’us não estiver com ele…” (
João 3:2). O título de “rabi” quer dizer “meu mestre”, termo similar a rabino quer dizer também nosso mestre,
era dado somente aos estudiosos e realmente mestres no ensinamento da Torá, sendo zelosos da lei.
Yeshua curava enfermos e exortava-os a serem cumpridores da Torá
São várias as passagens nos evangelhos que mostram Yeshua curando enfermos e os exortando para que
voltassem para a Torá, guardando os mandamentos, estatutos e ordenanças, como o leproso em Lucas (5:1216) em Mateus (8:1-4) e outras passagens.
Paulo (Shaul) e os discípulos também eram seguidores da Torá
Paulo (Shaul) também era temente a D’us e seguidor da Torá como bom fariseu da tribo de Benjamim. No livro
de Atos dos Apóstolos escrito por Lucas, vemos Paulo e seus seguidores, judeus messiânicos, guardando o
shabat e realizando o serviço da Torá 59 “…Mas, eles passando de Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia; e
entrando na sinagoga no dia de sábado, sentaram-se. Depois da leitura da Lei (Parashá) e dos Profetas
(Haftará), os chefes da sinagogas (Miniam) mandaram dizer-lhes: Irmãos, se tendes alguma palavra de
exortação ao povo, falai…” (Atos 13: 13-14).
Um outro bom exemplo mostra que Paulo (Shaul) e os discípulos eram judeus zelosos da lei está registrado em
Atos 21:20 que diz: “…Ouvindo eles isto, glorificaram a D’us, e disseram-lhes: Bem vês, irmãos, quantos
milhares há entre os judeus que têm crido (em Yeshua) e todos são zelosos da lei…”
Judeus crentes em Yeshua devem continuar vivendo como judeus, assim como gentios crentes devem
continuar vivendo como gentios, mas ambos sendo um na pessoa do Messias, fazendo parte da família de D’us.
(Efésios 2:19)
É bom que se diga, bem claramente, que não encontramos nenhuma carta escrita por Paulo (Shaul) nada que
não fosse condizente com os ensinamentos da Torá e com o zelo pela Palavra de D’us. Paulo e os discípulos
sempre deram bom testemunho da Torá, cumprindo as boas tradições judaicas. A grande revelação de Paulo
era ensinar aos judeus a crerem nas boas novas do Messias Yeshua e continuarem vivendo como judeus
zelosos com os estatutos perpétuos que o Senhor deu aos da Casa de Israel e aos gentios, agora crentes em
Yeshua, que eram enxertados na oliveira (Israel), participando das mesmas bênçãos dos filhos de Israel.
Esta é uma das características adotadas na chamada "Igreja primitiva" (segmento judaico dos Netzarim
"Nazarenos") que funcionou sob o prisma judaico até o século quarto, quando o domínio de Roma avocou para
si a difusão das boas novas de Yeshua e de seus discípulos sobre o nome de uma religião não mais judaica,
adotando o nome de Igreja Católica Apostólica Romana, ou seja, o primeiro ramo do chamado, então,
cristianismo, do qual séculos mais tarde daria outras ramificações decorrentes da reforma protestante.

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Glossário de Termos Judaicos Deste Artigo
Midrash judaica constitui da técnica hermenêutica de correlacionar textos segundo o pensamento e contexto
judaico em vários níveis de interpretação.
Lucas 2: 22
Yod [ y]: Menor letra do alfabeto hebraico, correspondente a letra “ i ” no alfabeto romano.
Til, corresponde a um pequenino segmento de traço que diferencia letras semelhantes. Ex: d e r (“d” e “r”).
Miniam: Em toda sinagoga há o chamado miniam que é composto por 10 membros idôneos, sem os quais
nenhuma cerimônia ou celebração pode ser realizada.
Talit: manto de uso diário, também chamado de chale de oração em formato retangular que possui quatro
franjas em cada canto. Os oito fios (Tsitsitot) que compõem cada franja são trançados através de sete nós. O
uso do talit está ordenado em Nm 15:37-41, como estatuto aos filhos de Israel.
Kipá: também conhecido como solidéu que cobre a cabeça dos homens como símbolo de submissão e
dependência de D’us.
Shemá: oração recitada várias vezes ao dia por um judeu. Corresponde ao texto da Torá (Dt 6:4).
Serviço da Torá – Realizado em todas as manhãs de sábado nas sinagogas, quando se lê a porção da Torá
(Parashá) e trechos dos livros dos profetas (Haftará)
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(*) Marcelo M. Guimarães - Engenheiro Industrial, MBA em Economia, Teólogo, Rabino Messiânico ordenado
pelo Netivyah Bible Instruction Ministry-Jerusalém-Israel. Fundador do Ministério Ensinando de Sião, do Cates,
da Abradjin e da Congregação Har Tzion em Belo Horizonte-Brasil.

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