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UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 1

UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 1

PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA - PIBIC

RELATÓRIO Abril de 2011a Julho de 2011 (máximo: 10 páginas, com ênfase no item “resultados e discussão”)

TÍTULO DO PROJETO DE PESQUISA Ocorrência de larvas de Odonatas nas grades do Programa de Pesquisa da Biodiversidade-PPBIO em Roraima.

NOME DO(A) BOLSISTA:

ORIENTADOR(A) DO PROJETO:

CENTRO/UNIDADE:

DEPARTAMENTO/SETOR:

LOCAL DE EXECUÇÃO:

Caio Henrique de Assis Santos

Vânia Graciele Lezan Kowalczuk

Centro de Estudos da Biodiversidade

CBio

Laboratório de Invertebrados Aquáticos

PROGRAMA:

PIBIC

DATA DE

Abril de 2011

DATA

DA

Julho - 2011

INÍCIO:

CONCLUSÃO:

2

APRESENTAÇÃO

GRANDE

ÁREA

DO

CONHECIMENTO

Ciências Biológicas

(CNPq):

ÁREA DO CONHECIMENTO (CNPq):

SUB-ÁREA DO CONHECIMENTO (CNPq):

ESPECIALIDADE

(CNPq):

DO

CONHECIMENTO

NOME DO GRUPO DE PESQUISA:

Ecologia

Ecologia de Ecossistemas

em

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1.

INTRODUÇÃO

A manutenção da biodiversidade dos cursos d'água diante do desenvolvimento

humano tem recebido grande atenção nos últimos anos (ALLAN; FLECKER, 1993). Várias pesquisas têm demonstrado que a conversão de florestas em pastagens ou áreas residenciais pode influenciar os habitats e as comunidades aquáticas de várias maneiras (GURTZ; WALLACE 1984; LENAT; CRAWFORD 1994). Larvas de odonata são freqüentemente encontradas em corpos d´água na floresta, são

os invertebrados predadores mais abundantes nestes locais (GASCON, 1992) e têm importante papel nas comunidades aquáticas (SANTOS, 1981). Também apresentam uma grande especificidade por hábitat dentro de ecossistemas aquáticos (CARVALHO; NESSIMIAN, 1998). Em ecossistemas amazônicos eles podem ser encontrados nos mais

diversos tipos de ambientes aquáticos (lênticos e lôticos), de águas pretas, claras e brancas (WALKER, 1994). A ordem Odonata é diversa, com aproximadamente 5.300 espécies descritas, sendo que destas, cerca de 1.500 ocorrem na Região Neotropical (CARVALHO; CALIL, 2000). No Brasil, é conhecida cerca de 650 espécies de libélulas que podem ser encontradas nos mais diversos ambientes, desde regiões áridas, como a Caatinga, até florestas úmidas, como a Amazônia. As famílias mais representativas em termos de número de espécies são Libellulidae, com 321 espécies descritas, e Coenagrionidae, com 155 espécies descritas (DE MARCO, 2002).

As libélulas são insetos hemimetábolos que passam sua vida larval nas águas doces e

respiram por brânquias externas ou internas. O período de desenvolvimento larvário varia de dois meses a três anos, conforme a espécie e o clima (SANTOS, 1981).

As libélulas adultas apresentam uma uniformidade morfológica pouco encontrada nas

outras ordens de insetos. Possuem dois pares de asas membranosas, bem desenvolvidas, os olhos são bastante desenvolvidos, as antenas setiformes, o mesotórax e o metatórax são fusionados e o abdômen apresenta 10 segmentos distintos (CARVALHO; CALIL, 2000).

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2. OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

Contribuir para o conhecimento dos macroinvertebrados bentônicos mais especificamente da Ordem Odonata no estado de Roraima nas grades do PPBio.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Conhecer a diversidade de Odonata que ocorre nas grades do PPBio no Estado de Roraima e sua relação com os fatores ambientais;

Comparar a diversidade de Odonatas nas diferentes grades do PPBIO

Contribuir para o conhecimento dos Odonatas para futuros estudos em Roraima e na região norte;

3.

METODOLOGIA

São quatro as grades do PPBio, sendo duas localizadas em unidades de conservação e em ambientes com mata fechada e manchas de savana e campinarana (Ilha de Maracá e Viruá), duas localizadas dentro do Município de Boa Vista com predomínio de savana (uma no Campus Experimental do Cauamé da UFRR e outra no Campus Experimental do Água Boa da Embrapa). A área do igarapé Água Boa onde foram feitas coletas fica em um campo experimental da Embrapa. A água dos ecossistemas aquáticos encontrados no município de Boa Vista, são transparentes e pobres em sais minerais, sendo quase totalmente provenientes de chuvas, onde a ocorrência de macrófitas e de outros vegetais, tais como: fitoplâncton e perifiton são muito reduzidas devido à pequena quantidade de nutrientes. O mesmo não é observado nos rios e igarapés, onde há grande quantidade destes vegetais, principalmente as pertencentes à família Araceae, inclusive a vegetação do entorno muitas vezes são retiradas para facilitar a entrada dos moradores. As coletas da grade do Viruá estão em fase de triagem. As coletas da ilha de maracá ainda não foram realizadas devido ao inverno, que gerou um alagamento nos locais da grade impossibilitando também a ida até maracá.

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As coletas do material zoológico foram realizadas em três ambientes aquáticos lênticos

(área alagada e Represa) e lótico (Igarapé) no Campus da Embrapa, possuindo ecorregião de Savana roraimense, localizado no município de Boa Vista-RR. Sendo que foi demarcado um trecho de 50m (e dividido em 3 pontos) na Represa e Igarapé, e na área alagada foram tiradas amostras em pontos aleatórios contendo macrófitas, com auxílio de uma rede entomológica do tipo “D” com 250 micra. Uma pré-triagem foi realizada no local de coleta com bandejas plásticas,

pinças e álcool. Após a pré-triagem, as coletas foram colocadas em sacolas plásticas com etiqueta

e álcool. As amostras coletadas foram triadas no laboratório de invertebrados aquáticos (UFRR), com auxilio de um estereomicroscópio.

A identificação foi dada ao nível de família. Foram utilizadas várias chaves de

identificação, tais como Merrit; Cummins (1996) para insetos aquáticos, e Costa et al. (2004) para

larvas de Odonata. Após identificação, as larvas foram contadas e tabuladas, posteriormente inseridas em um banco de dados. Os organismos ainda serão depositados na Coleção Científica de Zoologia da UFRR.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados foram obtidos através de coletas em três locais na Embrapa, igarapé, represa

e lagoa referente a fevereiro de 2010 e outubro de 2010. Os trechos foram divididos em três pontos, com ambientes contendo macrófitas.

Na área alagada, houve a presença de 48 indivíduos no total distribuídos em duas famílias

(Libellulidae e Coenagrionidae). Na amostra 1, foi observado a presença de quinze indivíduos sendo: Família Libellulidae (66,67%) e Família Coenagrionidae (33,33%). A amostra 2 apresentou 10 indivíduos, sendo Libellulidae (70%) e Coenagrionidae (30%). Na amostra 3, foi observado a presença de 5 indivíduos, sendo Libellulidae (40%) e Coenagrionidae (60%). A amostra 4 apresentou 11 indivíduos, sendo: Libellulidae (27,27%) e Coenagrionidae (72,73%). Na última amostra a 5, foi observado 5 indivíduos, sendo: Libellulidae (60%) e Coenagrionidae (40%) (Fig.

01).

6

12 10 8 6 4 2 0 Ponto 1 Ponto 2 Ponto 3 Ponto 4
12
10
8
6
4
2
0
Ponto 1
Ponto 2
Ponto 3
Ponto 4
Ponto 5

Libellulidae12 10 8 6 4 2 0 Ponto 1 Ponto 2 Ponto 3 Ponto 4 Ponto

Coenagrionidae12 10 8 6 4 2 0 Ponto 1 Ponto 2 Ponto 3 Ponto 4 Ponto

Figura 01: Abundância das famílias Coenagrionidae e Libellulidae coletadas nos cinco pontos dos trechos da Área Alagada Embrapa, 25 de fevereiro de 2010.

120 100 80 Libellulidae 60 Coenagrionidae 40 Aeshnidae 20 0 Ponto 1 Ponto 2 Ponto
120
100
80
Libellulidae
60
Coenagrionidae
40
Aeshnidae
20
0
Ponto 1
Ponto 2
Ponto 3

Figura 02. Abundância das famílias Coenagrionidae, Libellulidae e aeshnidae coletadas nos 3 pontos da Represa Embrapa.

Na coleta referente à represa, os resultados mostram: A presença de cento e trinta e quatro indivíduos distribuídos em três famílias (Libellulidae, Coenagrionidae e Aeshnidae). No ponto 1, foi observado a presença de nove indivíduos, sendo: Libellulidae (66,67%) e Coenagrionidae ( 33,33%). O ponto 2, apresentou 8 indivíduos, sendo: Libellulidae (50%) e Coenagrionidae (50%). No ponto 3, foi observado a presença de 129 indivíduos, sendo: Libellulidae (82,17%), Coenagrionidae (17,05%) e Aeshnidae 0,78% (Fig. 02). O ponto três teve um grande abundancia de indivíduos, isto se deve a grande quantidade de macrófitas e folhiços presentes.

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As macrófitas afetam a química da água através da fotossíntese e secreção celular, promovem substrato para consumidores e decompositores, além de desempenhar importante papel na reciclagem de nutrientes, circulação da água e a estabilização dos sedimentos (SCULTHORPE, 1967.1995; BARBIERE, 1984). Também atuam como filtros acumuladores de materiais e contribuem para a produção de detritos (MINSHALL, 1984).

9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Ponto 1 Ponto 2 ponto
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Ponto 1
Ponto 2
ponto 3

Libellulidae9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Ponto 1 Ponto 2 ponto 3

Coenagrionidae9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Ponto 1 Ponto 2 ponto 3

Figura 03. Abundancia das famílias libellulidae e coenagrionidae coletadas nos três pontos do igarapé Embrapa,

As amostragens do Igarapé mostram os seguintes resultados: Foi observado a presença das famílias de Odonata: Libellulidae e Coenagrionidae, totalizando 16 espécimes até o momento. No ponto 1, observamos apenas a presença da família Libellulidae (100%). No ponto 2 foi observado a presença de 1 indivíduo, sendo: Libellulidae (100%). No ponto 3 foi observado a presença de 2 famílias, sendo: Libellulidae (42,86%) e Coenagrionidae (57,14%), totalizando 7 indivíduos (Fig.

03).

Há poucas informações que mostram quais características determinam a qualidade do território para odonatas. Teoricamente, os machos poderiam acessar a qualidade do território pela presença de áreas de oviposição e pela presença ou pela taxa de chegada de fêmeas. Em algumas espécies as fêmeas são capazes de visualizar os recursos que representam o melhor micro-habitat para o desenvolvimento larval e os machos defendem os territórios que serão selecionados pelas fêmeas baseado na abundância destes recursos (ALCOCK, 1987). Em trabalho realizado por De Marco e Resende (2004) a presença de vegetação foi um critério de escolha de território por machos de Perithemis mooma Kirby (Libellulidae), pois certamente representa oferta de recursos

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para postura dos ovos pelas fêmeas, já que macrófitas garantem proteção contra predadores de suas larvas. Os odonata ocorrem numa grande variedade de habitats, sendo que dois habitats aparentemente semelhantes muitas vezes contêm espécies diferentes, ou o mesmo habitat pode apresentar diferentes espécies em diferentes épocas do ano (BORROR; DELONG,1988).

CONCLUSÃO / COMENTÁRIOS FINAIS

Os indivíduos da ordem Odonata são extremamente sensíveis as alterações do ambiente, já que dependem do recurso produzido por suas presas, sendo sua abundancia e riqueza limitada pela qualidade de recursos disponíveis. Os Odonatas possuem ciclo de vida longo, com fase larval podendo alcançar até dois anos. As espécies de Odonata são consideradas potenciais indicadores da qualidade do habitat e, apesar de serem menos sensíveis que os outros insetos aquáticos, são conspícuas facilitando a diagnostico rápido da qualidade da água. Comparando os resultados podemos observar que a represa apresentou uma maior diversidade de famílias, bem como um número expressivo na riqueza de indivíduos. Um dos motivos pela diferença na riqueza de famílias e indivíduos, talvez se deva pela grande quantidade de macrófitas presentes no ambiente aquático da represa, o que favorece uma melhor qualidade da água, bem como fonte de alimento e abrigo para as larvas de Odonata.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALLAN, J D.; FLECKER, A. S. Biodiversity conservation in running waters; Bioscience; Jan 1993; 43, 1; Research Library

ALCOCK, J. Post-copulatory guarding by males of the damselfly Hetaerina vulnerata Selys (Odonata: Calopterygidae). Animal Behavior. 1982. 99-107 p.

BARBIERI, R. Estudo da composição de algumas espécies de macrófitas aquáticas e sua implicação no metabolismo da Represa do Lobo (Broa) SP. Dissertação (Mestrado em Ecologia) Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 1984.

BORROR, D. J.; D. M. DELONG. Introdução ao estudo dos insetos. ed. Edgard Blucher:

São Paulo: 1988. 654 p.

CARVALHO, A. L.; CALIL, E. R.; Chaves de identificação para as famílias de Odonata (Insecta) ocorrentes no Brasil, adultos e larvas. Papéis Avulsos de Zool., S. Paulo. 2000

CARVALHO, A.L.; NESSEMIAN, J.L.; Odonata do Estado do Rio de Janeiro, Brasil:

hábitats e hábitos das larvas. Ecol. Insetos Aquát. Rio de Janeiro, 5:3-28. (Série Oecologia Brasiliensis) 1998

DE MARCO, P.; A.O. LATINI; P.H.E. RIBEIRO. Behavioural ecology of Erythemis plebeja (Burmeister) at a small pond in southeastern Brazil (Anisoptera: Libellulidae). Odontologica, 2002. 305-312 p

GURTZ, E.G.; J.B. WALLACE. Substrate-mediated response of stream invertebrates to disturbance. Ecology, Ithaca, 65. 1984

LENAT, D.R.; J.K. CRAWFORD.; Effect of land use on water quality and aquatic biota of the three North Carolina Piedmont streams. Hydrobiologia, Dordrecht. 1994. 185-

199p.

MERRIT, R. W.; CUMMINS, K. W.; An introduction to the Aquatic Insects of North America. 3. ed. Dabuqye Iowa: Kendall/Hunt Publishing Company. 1996

MINSHALL, G.W.; V.H. RESH; D.M. ROSENBERG. Aquatic insect-substratum relationships. ed. The ecology of aquatic insects. Nova York: Praeger Publishers, 1984.

p.358-400.

SANTOS, N.D.; HURLBERT, S.H.; RODRIGUEZ, G.; Odonata Aquatic biota of tropical South America, Part 1. Arthropoda. San Diego: Univ. Cal. 1981. 67-85p.

WALKER, I.; The benthic litter-dwelling macrofauna of the Amazonian forest stream Tarumã mirim: patterns of colonization and their implications for community stability. Hydrobiologia. 1994.