Você está na página 1de 3

OS QUATRO AXIOMAS DO PERDÃO

"A verdade sai do erro. Por isso nunca tive medo de errar, nem dele me arrependi seriamente" – C. G. Jung, (1875-1961).

me arrependi seriamente" – C. G. Jung, (1875-1961). O perdão é um conceito que poucos compreendem.

O perdão é um conceito que poucos compreendem. Acreditamos que o nosso maior desafio ou dificuldade seja perdoar os outros por aquilo que nos têm feito, entretanto, esta é somente uma ponta do iceberg. Resulta fácil perdoar os outros quando você já se perdoou, mas é impossível perdoar os outros se você ainda não perdoou a si mesmo. O processo de perdoar começa em seu próprio coração. Ele tem muito pouco a ver com o outro.

Quando me perdoo, não me resulta difícil perdoar os outros. Se posso retirar o aguilhão da culpa e da vergonha do meu coração, posso oferecer esse mesmo benefício aos outros. Se posso ver minha própria inocência, também posso ver a dos demais. A maioria de nós seguimos tratando de procurar o perdão na direção contrária em que ele se encontra. Queremos perdoar os outros antes de perdoar a nós mesmos. Isto causa um verdadeiro problema, porque nem todo mundo quer ser perdoado. Alguns se negam a ser perdoados! Alguns inclusive se negam a acreditar que sejam culpados! Inclusive, quando você se dá conta de que é você mesmo quem necessita do perdão, poderá continuar seguindo colocando a carroça adiante dos burros. Pode pedir a outra pessoa que o perdoe, possivelmente a um amigo, a um sacerdote ou ministro evangélico, ou inclusive ao próprio Deus. Mas isso tampouco funciona. Você pode ser perdoado por centenas de pessoas e, certamente pode ser perdoado por direito divino, mas isso importa pouco se não consegue perdoar a você mesmo.

Iniciar esse processo fora de nós mesmos é algo que simplesmente não funciona. Começar fora de nós é uma forma de fugir do problema, uma forma de autopunição. Isso não abre as portas do nosso coração. Essa porta só se abre quando nos damos conta de que nos sentimos magoados por nos sentirmos culpados, procurando justificar esse comportamento.

Somos nós que necessitamos do perdão e ninguém mais pode nos dar isso, de modo que o PRIMEIRO AXIOMA do perdão é que ele deve partir de dentro de nós mesmos. É algo que deve ser feito por você mesmo antes que possa oferecê-lo aos outros.

O SEGUNDO AXIOMA é que o perdão não é condicional e nem parcial. O perdão é um ato que se

faz de todo coração, com todo o Ser. Ele nos livra de pesadas cargas emocionais, nos liberando da dor. Tentar negociar com o perdão não funciona. Entretanto, isso é exatamente o que estamos acostumados a fazer.

O perdão é incondicional e imparcial. Ele me faz abandonar o passado e me traz para a presente.

Afasta-me da ilusão auto imposta de me sentir separado dos demais e me leva para uma tomada de consciência para o sentimento de aceitação de nós mesmos e dos outros, onde a compreensão é uma possibilidade que está continuamente aberta. Quando perdoo, aceito o que

ocorreu no passado, incluindo todos os antigos julgamentos que fiz com respeito à minha pessoa

e aos outros, sem transportar este peso para o presente ou para o futuro. E se ele voltar a me incomodar, eu aceito que o trouxe de volta e o deixo ir.

É possível que você tenha ressentimentos, mas não fique preso a eles. Compreenda que seus

ressentimentos procedem de uma sensação de medo e, ao permitir deixá-los ir, de maneira natural, à medida que supera o medo, aprenderá de novo a confiar em você mesmo. Ninguém tem que ser perfeito para perdoar porque o perdão é um processo contínuo em nossa vida. Se perdoo e então me vejo novamente condenando e julgando os outros, me aceito e reinicio o processo de perdoar. Em nenhum momento permita-se deixar de perdoar-se ou de perdoar os outros. Este é o TERCEIRO AXIOMA do perdão.

Por que necessitamos de perdão? Porque cada um de nós tem condenado a si mesmo. Cada um de nós está tentando livrar-se do ódio existente em seu próprio interior projetando sobre os outros a responsabilidade pelos seus problemas, mas isto não funciona. O ódio em nosso interior não deixará de ser ódio quando procuramos a sua causa tentando envolver outras pessoas. Atacar os outros ou nos defender dos seus ataques não será capaz de eliminar os julgamentos que fazemos a respeito de nós mesmos, em virtude de que se encontram muito profundamente enraizados em nosso íntimo. No fundo, cada um de nós é uma criança muito ferida que precisa curar-se. O processo de perdoar oferece a essa criança a oportunidade para curar-se. É um processo que dura toda a vida e que continuará enquanto continuamos julgando a nós mesmos

e os outros.

Não vamos conseguir abandonar esse hábito de julgar imediatamente, mas podemos começar a aprender como nos ferem os julgamentos que emitimos. E, por meio da autoaceitação podemos levar amor a esses lugares internos que estão feridos. Cada ato de aceitação neutraliza algum julgamento que emitimos. Cada ato de aceitação abre nosso coração ao amor e o amor cura todas as feridas.

Durante nossa passagem pela vida ocorrem muitas situações, nos oferecendo muitas relações. Cada uma delas nos oferece uma oportunidade de escolher o medo ou de escolher o amor. Se escolhermos o amor, abençoamos a nós mesmos e abençoamos os outros. Se escolhermos o medo, estamos implorando amor da nossa parte interna que está mais ferida. Cada aparente ataque é um pedido mudo de amor. Cada crise existencial é um convite à cura. Nenhum pensamento ou ação, por mal concebido que esteja, condena-nos a sofrer eternamente. Porque, agora mesmo, neste momento, podemos escolher de novo, podemos fazer outra escolha. Cada gesto de perdão é suficiente. Qualquer coisa boa que sejamos capazes de fazer agora mesmo é

suficiente. Esta compreensão nos capacita para praticar o perdão com nós mesmos. Este é o QUARTO AXIOMA do perdão. – Traduzido, adaptado e condensado por Khinsu Savitri do livro “Los 12 pasos del perdón” de Paul Ferrini, páginas 8-13. Livro em espanhol.

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

NOTA:

Paul FERRINI, é autor de mais de 40 livros sobre o amor, a cura e o perdão. Sua combinação única de espiritualidade e psicologia vai além da autoajuda e a recuperação até o núcleo mesmo da cura.

IMAGEM: Paul Ferrini

Khinsu Hermeticus Studium