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Expediente

Editorial

Shows com atrasos de duas ou três horas; falta de


Direção Geral incentivo às bandas locais; problemas sérios para
Pei Fang Fon encontrar casas de show com infraestrutura decente;
público pequeno ou inexistente; preconceito por parte
de quem não curte... E a lista continua até se tornar
Fotografia
quilométrica.
Daniel Lima A Rock Meeting chega à oitava edição com duas
Isabela Pedrosa certezas. Primeiro: o rock existe em Alagoas, em todas as
Pei Fang Fon suas vertentes. Segundo: ele precisa urgentemente,
Yzza Albuquerque desesperadamente, absurdamente, de incentivo e
investimento por parte de quem gosta dele.
Os problemas que enfrentamos aqui parecem se
Revisão repetir a nível nacional. Só quem realmente gosta, ou
Pei Fang Fon melhor, ama o rock, sabe o quão grandioso é o
Yzza Albuquerque sentimento de se ouvir uma canção que arrepia a todos
os pêlos, que nos faz querer gritar; e essa sensação só
pode ser proporcionada por este ritmo em particular,
Capa porque ele foi construído de nada mais, nada menos, que
Lucas Marques intensidade, em sua forma mais crua, mais pura. Então por
Pei Fang Fon que tudo parece ter ido para o inferno por aqui?
Talvez a culpa seja da Internet. Ou dos emos. Ou
Diagramação dos indies. Talvez a culpa seja da sociedade brasileira,
apática e comodista. Talvez seja do capitalismo, voraz e
Isabela Pedrosa impiedoso. Talvez seja do aquecimento global, já que ele
Lucas Marques parece ser o culpado por tudo, ultimamente. Ou talvez,
Pei Fang Fon quem sabe, pode ser... Seja nossa.
Yzza Albuquerque O fato é que a nova geração, a nossa geração,
compõe o público mais preguiçoso de que se tem notícia,
principalmente quando se fala de apreço e
Produção comparecimento a eventos destinados a bandas
Jonas Sutareli nacionais.
Raphael Vasconcelos Em algum momento, a tara por construir e valorizar algo
que possamos chamar de nosso se perdeu. Isso resulta na
desmotivação por parte dos músicos, que querem, sim,
Colaboradores nesta edição
fazer a diferença dentro da cena, mas, veja bem... Não há
Almir Lopes público. E tocar para fantasmas deve ser meio chato.
Indiretas à parte, esta parece ser a hora ideal de
Contato pararmos para refletir: o que há de errado com a cena
Email: contato@rockmeeting.net brasileira? Banda boa é o que não falta...
Orkut: Revista Rock Meeting
Twitter: http://twitter.com/rockmeeting
Flickr: www.flickr.com/photos/revistarm

ROCKMEETING.NET (EM BREVE)

*As imagens utilizadas nesta edição são do site


CG TEXTURE.

As matérias assinadas são de inteira responsabilidade de quem


assina e não reflete, necessariamente, a opinião da revista.
Índice

Espaço Boteko - Diário de Bordo


( Megadeth )
POD em Recife
1º Festival BH de Rock
World Metal
DarkTale - Novo EP em breve
CAPA: Lobão - Você o conhece?
REVIEW - Blaze Bayley em Maceió
EXCLUSIVO: Entrevista com
Douglas Jen (SupreMa)
CURIOSIDADE: Caravanas de
Maceió
Perfil RM - Léo (Adrenaline)
Eu estava lá - Charlie Brown Jr
Para começar, gostaria de enfatizar que nunca fui tão fã do Megadeth, até o último dia 20
de abril. Sempre admirei o talento incontestável do Mr. Mustaine, como guitarrista, arranjador e
compositor, porém nunca como vocalista, opinião que sempre foi compartilhada com muitos que
o acompanham desde sua saída do Metallica, no começo dos anos 1980.
Bem... Na verdade, minha maratona começou uma semana antes do show, já que, como
fã do bom e velho Rock 'N' Roll, não poderia deixar de assistir a uma das quatro “Big” do Thrash
Metal mundial, além de ser admirador de Mr. Mustaine e Cia. Resolvi organizar uma excursão, e
minha diversão, junto com a responsabilidade, virou um misto de diversão e trabalho. Fui até
Recife na Quinta (15) para garantir os ingressos das pessoas que iriam para o show, já que só
foram disponibilizados seis mil lugares, em decorrência do local do show, que só comportava
esse numero de pagantes. Comprei 42 ingressos.

DIA 20 – A VIAGEM PARA RECIFE

O dia começou cedo para mim. Pela manhã, organizamos a lista final e alguns detalhes,
como as bebidas que seriam servidas na viagem.
Saimos com 1h e 10mim de atraso, já que estávamos programados para sair às 14hs,
deixando alguns poucos inquietos. Mas foi só o “buzão” dar a partida que a galera relaxou, e daí
para frente, o que se via era muita animação no transcorrer da viagem, com muitos vídeos do
Megadeth nas três telinhas de LCD espalhadas pelo ônibus. A diversão se completava com muita
cerveja e ansiedade e com as paradas forçadas pelos mais exigentes, que não largavam uma
cerveja, nestas ocasiões.

02 RM
O SHOW

Logo de entrada, Mr. Mustaine


deixou o clima o mais quente possível,
com o torpedo “Skin o' My Teeth”, do
álbum “Countdown to Extinction”, de
1992. A galera foi ao delírio. Já na sexta
música, e uma agitação de arrepiar, o
baixista Dave Allefson anuncia “Holy
Wars... The Punishment Due”, e começa
o set mais esperado da noite. O
festejado álbum “Rust in Peace” começa
a s e r t o c a d o n a í n t e g ra e m
comemoração dos seus 20 anos de
A CHEGADA
existência. No mais, o show transcorreu
num clima de celebração, pelos 4.000
Chegamos ao Clube Português em Recife,
privilegiados headbangers nordestinos
local onde o Megadeth e a banda Cruor,
que compareceram para ver um
convidada para abrir o show, iriam tocar,
espetáculo único, da mais virtuosa
precisamente às 20h e 10min. Ou seja, para uma
banda de Thrash Metal da atualidade.
viagem de apenas 250 km, levamos mais de 4hs
para chegar ao destino tão esperado - para mim,
uma eternidade, já que se pode facilmente fazer
esse percurso em 3h e meia.
Observações à parte, na chegada,
percebemos um ambiente tranquilo. Quando o
ônibus estacionou quase em frente ao Clube
Português, a galera logo desceu do ônibus para
um breve “reconhecimento de área”. Os portões
ainda não tinham sido abertos, e nas bilheterias
o movimento era intenso. Por volta das 21hs,
começou uma agitação, no sentido inverso, já
que a entrada era por trás, local que leva à super
movimentada Av. Agamenon Magalhães. Diante
da agitação, preferi deixar a massa entrar, e fui
jantar no Mcdonald's, que fica vizinho à entrada
de acesso ao Clube pela Av. Agamenon. Depois
da breve agitação e perder a banda de abertura,
que tocou por 50 minutos, me dirigi até os
portões e entrei tranquilamente. Lá dentro, os
fãs do Megadeth já não viam a hora do show
começar. O que vi foi muita euforia diante da
expectativa de ver pela primeira vez o Megadeth
no Nordeste, em terras pernambucanas.

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P.O.D. em Recife
Lila Pedrosa e Jonas Sutareli

N
o dia 27 de março de 2010,
aconteceu, no Clube Português de
Recife, um evento de peso para o
Rock Cristão: Canta Recife Only Rock, com
Rodolfo Abrantes, Oficina G3 e P.O.D.
tocando na mesma noite. Nas palavras de um
dos organizadores, esse foi “o show da
década” nesse segmento.
A multidão lotou o local – e não foi por
menos. Rodolfo e Oficina G3 iniciaram o
evento, seguidos da atração principal, a
banda californiana de New Metal P.O.D. (ou enlouquecendo os “warriors” (como o P.O.D.
Payable on Death, menção ao sacrifício de costuma chamar seus fãs) presentes.
Jesus Cristo na cruz, ao morrer pagando por Iniciando o show com “Boom”, do álbum
“nossos” pecados). “Satellite” e levando todos à loucura, a banda
Assim que Rodolfo Abrantes subiu ao executou um repertório diversificado, com
palco e começou a proferir suas canções, boa canções de vários de seus álbuns.
parte dos presentes cantou junto com ele, A parte chata do show talvez tenha
mostrando que Rodolfo tem um excelente sido o momento em que Sonny recebeu uma
público, por onde quer que passe. Agora, bandeira do time Náutico e a colocou nas
com a carreira solo, ele apresenta um som costas – levando todos os pernambucanos a
mais leve, um Rock and Roll mais limpo, sem vaiá-lo! O P.O.D. tocou canções desde “The
gritos, como em suas bandas anteriores; e, Fundamental Elements of Southtown” até o
se não fosse o curto repertório de apenas seis mais recente “When Angels & Serpents
músicas, teria sido uma apresentação Dance”, também executando dois covers:
perfeita. Um ótimo início para o que estaria “Bullet the Blue Sky” do U2, e “Freedom”, do
por vir. Logo após Rodolfo, Oficina G3 tomou Rage Against the Machine, que foi a música
o palco, apresentando seu novo trabalho, que encerrou a apresentação.
mais pesado e progressivo do que nunca. O
novo vocalista, Mauro, mostrou o motivo pelo
qual foi convidado a integrar a banda. Ótima
apresentação, encerrada pelo faixa-título do
novo disco, “Depois da Guerra”.
O ápice viria com o P.O.D. Após alguns
minutos de espera – ou muitos, para os que
foram somente pela atração principal -,
Sonny, Traa, Wuv e Marco entram no palco, e
o vocalista, Sonny Sandoval, como de
costume, em seus shows pela América Latina
(e, aparentemente esquecendo que o idioma
oficial do Brasil é o português), solta uma
frase em espanhol: “¿Que pasa familia?”,

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Primeiro Festival BH de Rock deu o que falar
Na sua primeira edição, o evento mostrou novas bandas
e reapresentou outras mais antigas

Texto e Fotos: Pei Fang Fon

N
o último sábado, dia 10,
aconteceu o 1º Festival BH de
Rock, no bairro do Farol, onde
ocorreram apresentações de Hardcore,
Punk e Metal Extremo. As bandas
convidadas foram: Anorexia, Side HC,
Dorckas, Slodrop, Arcania, Rhadar,
Misantropia, Pumpkin Head e Morcegos.
A noite de apresentações se
iniciou com a banda Arcania. Com um
som mais Hardcore, uma cover de
“Zombie” do Cranberries e outras da
Pitty, a galera prestigiou a banda e
participou das famosas “rodinhas.”
Após a abertura, as bandas que
sequenciaram à noite foram: Anorexia,
Side HC, Dorckas, Slodrop, Rhadar e
Pumpkin Head. Entre as bandas mais
aguardadas da noite, estavam:
Misantropia (Punk/Hardcore) e
Morcegos (Metal Extremo).
Ambas com história no cenário do
Rock Alagoano, mostraram a que
vieram e conquistaram o público. A
banda Punk apresentou, na
oportunidade, seu novo baterista, Ives
Toledo, mostrando força e paixão pelo
som. Já a Morcegos, que já foi capa da
RM, fez um setlist variado, que contava
com músicas como “Cry” e “Always Rock
and Roll”, além de canções do seu
centésimo álbum, intitulado “Blackside
Revolution”.

05 RM
Brigas

Quem compareceu ao evento e


está acostumado aos shows locais de
Metal, que costumam ser bem
pacíficos, não poderia imaginar que
algumas brigas pudessem acontecer. O
público, na sua maioria adolescente,
estava com os ânimos exaltados, e
algumas desavenças tiveram de ser
contidas.
Por mais que a organização tenha
chamado a atenção, parece que não
adiantou muito. A situação mais
desagradável ocorreu enquanto a
banda Misantropia se apresentava.
Alguns cantavam as letras da banda,
outros, aparentemente alcoolizados,
provocaram cenas de socos e pontapés.
Graças à turma “deixa disso”, a briga foi
acalmada e os brigões ficaram quietos.
E para apaziguar os ânimos, a banda de
punk chamou a galera, começando a
tocar outras músicas, uma vez que foi
interrompida devido ao tumulto gerado
pelos agressores.
Momentos lamentáveis em um
evento que levou um tempo para ser
organizado e atrasos à parte, o 1º
Festival BH deixou a impressão de que
valeu a iniciativa. Precisamos de mais
atitudes desse tipo em Maceió.

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World Metal
Notícias e Curiosidades
B re t M i c h a e l s s o fre Wo l f m o t h e r : m a i s
hemorragia cerebral mudanças no line-up
Foi internado na
sexta-feira, dia 24, às Depois de
pressas, o ex-vocalista da passar por uma
banda de Glam Rock trágica mudança, permanecendo apenas
Poison, Bret Michaels. Andrew Stockdale da formação original,
O cantor apresentou fortes dores de novamente a banda sofrerá alteração com
cabeça na noite da quinta-feira, 23, e foi a saída do baterista Dave Atkins
levado a um hospital, onde foi Os membros fundadores Chris Ross
diagnosticado com uma hemorragia e Myles Heskett saíram em 2008, citando
subaracnóide, tipo grave de acidente "diferenças irreconciliáveis" com
vascular encefálico hemorrágico. Stockdale.

Peter Steele morre aos 48 anos de idade marcantes da música de sua banda.
Antes de formar o Type O Negative,
Morreu no dia 14 de abril o vocalista da Steele tocou na banda de Metal Fallout e na
lendária banda de Gothic/Doom Metal Type de Thrash Carnivore.
O Negative, Peter Steele. Acredita-se que o Músicos dos mais variados estilos
frontman tenha sofrido um ataque cardíaco. dentro do rock lamentaram a perda.
O músico nasceu como Petrus T. “Carnivore e Type O Negative tiveram um
Ratajczyk, em 4 de janeiro de 1962, no tremendo impacto em minha vida e estou
Brooklyn, Nova Iorque. Ele tinha dois fora de mim agora”, comentou Mike
metros de altura e possuía uma voz muito Scondotto, vocalista da banda de NYHC
grave, que era uma das características mais Inhuman.

Pantera: reunião de membros originais em as caras na banda. As canções


show escolhidas foram "Come-on Eyes", do
álbum de 1985, "I Am the
Calma, calma! Phil Night", e "All Over Tonite", do
Anselmo, Vinnie Paul e Rex "Projects in the Jungle", de
Brown não fizeram as pazes, 1984.
finalmente. A apresentação, que
O que aconteceu foi aconteceu no Lakewood
que o vocalista original do Theater, em Dallas, Texas,
Pantera, Terrence Lee também contou com
Glaze, reuniu-se com Brown participações especiais do
(baixo) no último sábado, dia frontman do King's X, Doug
17 de abril, no primeiro show Pinnick, e do guitarrista do
do novo projeto do baixista, o Skid Row e empresário do
Arms of the Sun, para tocar algumas Down (essa sim, banda de
músicas dos primórdios da carreira do Anselmo), Dave "Snake" Sabo.
Pantera, antes mesmo de Anselmo dar

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World Metal
Notícias e Curiosidades
Slipknot: novo Paul McCartney
álbum só em 2012 revoltado?

E m Em entrevista à revista
entrevista à Metal "Q", o ex-Beatle Paul
Injection no Golden McCartney diz que ainda
Gods Awards, Joey busca trabalhar seu lado
Jordison, baterista mais engajado e escrever músicas de
do Slipknot, comentou que um novo protesto. “Eu contestei algumas situações,
lançamento por parte da banda não como em 'Give Ireland Back to the Irish' e
ocorrerá antes de 2012. 'Big Boys Bickering', mas essas não são
O músico acaba de retornar com sua necessariamente minhas melhores
banda paralela, a Murderdolls. músicas”, afirma o músico.

Turnê pela América do Sul de Paul Di’anno Nesta semana, a turnê foi
confirmada reconfirmada pelo MySpace de Paul, e as
datas agora vão de 6 de agosto a 7 de
setembro. Não há confirmação se o Hangar
O vocalista Paul Di'Anno (ex-Iron continuará como banda acompanhante
Maiden) havia confirmado, no começo do (assim como seria na turnê de maio), e nem
ano, uma turnê pelo Brasil em maio, para se será executado o primeiro álbum do Iron
comemorar os 30 anos do lançamento do Maiden na íntegra.
primeiro álbum da Donzela de Ferro. A data para uma possível
Porém, em fevereiro, esta turnê foi apresentação em Maceió é dia 15 de
cancelada por motivos não divulgados. agosto.

Scorpions anunciam data em São Luís do Morre Bo Hansson,


Maranhão aos 67 anos de idade

Faleceu aos
67 anos de idade o
tecladista sueco Bo
Hansson. Nos anos
1960, Hansson e
A produtora Top Link Music seu colega Janne
confirmou mais uma data da banda alemã Carlsson tocaram com Jimi Hendrix, que
Scorpions no Brasil. Os músicos tocarão até gravou uma versão de uma música
em São Luís do Maranhão no dia 24 de deles, “Tax Free”.
setembro, uma sexta-feira. Hansson foi encontrado morto em
Esta será a tour de despedida da um hotel em Estocolmo no sábado, 24 de
banda. Mais informações sobre outros abril de 2010. Ainda não foi divulgada a
shows em terras brasileiras serão causa de sua morte.
anunciadas em breve.

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A última apresentação da banda foi em dezembro do ano
passado, mas a Rock Meeting traz novidades

Texto e fotos: Pei Fang Fon

Provavelmente, você de ter se perguntado: ”Nunca mais vi uma apresentação da


DarkTale, o que será que aconteceu?“ Pois bem. Não se preocupem, a Rock Meeting teve a
mesma dúvida e foi atrás de novidades da banda.
Acompanhamos um dos ensaios, conversamos com os integrantes da banda,
conferimos o ensaio técnico deles... Depois de tudo isso, compartilhamos da opinião de
outras pessoas que estavam presentes: houve uma mudança na sonoridade da DarkTale.
Agora se pergunte: eles estão gravando algo? Sim, eles estão compondo para o seu novo
CD, que ainda não tem data de lançamento prevista.
A priori, o som do grupo de Doom/Gothic Metal passou por mudanças incríveis. A
mudança da afinação dos instrumentos foi o pontapé inicial para que a banda evoluísse
dentro do seu próprio estilo, buscando inspiração no Death e no Black Metal. A pegada
principal mesmo está na influência do Death Metal, como conta Anderson Rodrigues,
baterista da DT: “A mudança foi algo natural, nós não deixamos de ser melancólicos, nem
depressivos. Estamos agressivos, sim, por consequência do que cada um ouve, mas fiquem
tranquilos, que ainda somos os mesmos”, salienta.

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Any Deyse, a vocalista, compartilha da mesma ideia, e também deu sua
contribuição para essas novas músicas. Ela escreveu algumas letras e diz que não foi
tão difícil. Any nos conta como foi o processo: “Eu prefiro ouvir a melodia primeiro
para depois escrever a letra, e já escrevo pensando em inglês, onde tenho mais
facilidade. Até brincam comigo, dizendo que psicografo as letras (risos)”. Ela
completa falando da sua inspiração: “Eu me inspiro na minha própria vida e em
situações do dia-a-dia. É incrível como sai com naturalidade”, confessa.
De um modo geral, pelo que deu para ouvir no ensaio, podemos garantir que a
nova roupagem da DT vai agradar aos fãs antigos e cativar outros novos. A
agressividade está mais presente que antes, e em nada lembra o primeiro EP “...And
Darkness Fell”. Talvez, quem sabe, seja o período de 'luz' pelo qual os integrantes
estão passando. Desse modo, o som vai agregar os ouvidos mais exigentes.
Por falar em novo som, como será a aceitação do público por esta sonoridade
remodelada? O vocalista Arthur Aquino responde: “Nós esperamos que o público
goste do novo jeito de tocar que estamos desenvolvendo. É claro que o gosto
musical de cada um está representado nas músicas que compomos”, reforça.
Sobre a possível estreia do novo álbum, a banda não quis se comprometer, e
apenas disse que, em breve, o público verá o que eles estão produzindo. Por agora,
tudo está sendo lapidado.

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Texto: Pei Fang Fon - Yzza Albuquerque
Fotos: Pei Fang Fon

Quem nunca viu um cara magro, cabeludo, de óculos


escuros, passeando pelas ruas de Maceió em uma mobilete?
Melhor ainda: quem não conhece o Lobão? É praticamente
impossível não saber quem é ele. Até quem não é aprecia o rock
o conhece pelo seu trabalho à frente da 'Morango Produções'.
A Rock Meeting desse mês deu uma parada no resgate
das bandas mais antigas de Alagoas para contemplar uma das
figuras mais célebres no meio artístico do Rock e da produção
de filmes amadores em Maceió. Sim, o Lobão é o nosso
prestigiado! Conheça um pouco mais através dessa entrevista
muito bem humorada.

1 – Nós o conhecemos como Lobão, mas gostaríamos


de saber quem é você. Afinal, quem é Lobão?
Lobão - Eu sou Anivaldo Luiz da Silva, tenho 33 anos. Nascido em
Maceió. Filho de Doralice Jerônimo da Silva e José Luiz da Silva,
ambos falecidos. Moro sozinho junto com a minha cachorrinha,
Lobinha. E profissionalmente, trabalho com o pornô amador
alagoano e produzo show. Uso a produtora para financiar a Cheiro
de Calcinha, que é uma banda de rock. Criei a versão “elétrica” da
banda para o período do carnaval e, agora, a versão “lambada,
forró, bregão”.
O nome Lobão veio a partir do verdadeiro Lobão. Aconteceu em
uma época em que deixei o meu cabelo crescer e tudo o mais. O
pessoal da rua não sabia o meu nome, mas me chamava assim,
dizendo que eu parecia com o Lobão. Eu não gostava muito.
Curiosamente, as pessoas que eu não conhecia me chamavam de
Lobão, aí comecei a gostar do apelido e adotei profissionalmente.

2 – Quando iniciou o seu interesse pelo underground e


qual foi a sua motivação?
Lobão - Quando comecei a banda, em 1996, compondo música e
tudo o mais, fui para São Paulo tentar uma gravadora, mas senti a
necessidade de empreender com o que se tem; o que não poderia
era deixar de fazer.
Comecei a organizar pequenos shows, sendo o primeiro em 2004.
Neste período, mal tinha acesso à internet, e a divulgação foi feita
com panfletos.

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3 – De onde surgiu a “Morango Atualmente, eu tenho treze amigos
Produções”? que dominam o repertório. Se você for a um
Lobão - Eu sempre quis trabalhar com algo show e vir uma formação, e num outro já não
que me trouxesse satisfação e prazer, assim for aquela que viu antes, não se assuste.
como é com a Cheiro de Calcinha. Trabalhar Somos todos a Cheiro de Calcinha. Mas é
com rock e músicas próprias é complicado, claro que tento sempre manter a última
pelo fato de que aqui não tem estrutura; formação. Nos shows, na medida do
quem tem passa por dificuldades, imagine possível, sempre tento arrumar algum
quem não tem! Daí, fui pensando em outra dinheiro para que a galera que tocou não
coisa, numa ideia, no que poderia tenha apenas despesas.
empreender, até que, folheando uma Já o nome da banda surgiu num
revistinha pornô, pensei que poderia fazer ensaio. Sugeriram vários nome, The Fezes
igual... Mas os custos ficariam altos. foi um deles, até que alguém falou “Cheiro
Atualmente as pessoas não se de Calçola”, mas eu achei muito agressivo, e
interessam tanto pelo material impresso, é comentei “Cheiro de Calcinha é mais
caro e pouco atraente. Pensei no vídeo. Fui carinhoso, né?”. Esse nome acabou ficando
até uma locadora, e vendo os vários que na minha mente e foi o escolhido. Ficou mais
havia na prateleira, um me chamou atenção irreverente.
pela simplicidade que se apresentou para
mim. Era um pornô amador. Capa simples, 6 – Você, como produtor de eventos de
um casal, não era uma mega produção. vários estilos, qual acredita ser o
Pensei que poderia ser mais prático de fazer. evento que te faz ter boas lembranças?
Peguei dinheiro com mamãe, não muito, fui Por quê?
numa boate, chamei uma garota e ela Lobão - Todos me trazem lembranças, não
aceitou, mas ela não compareceu. Tentei dá para destacar um. Cada um teve a sua
várias vezes, até que uma aceitou e dificuldade, mas posso dizer que o primeiro
compareceu. Ficou horrível, mas serviu de evento. Não o primeiro de todos, mas o
escola. (risos) primeiro evento de verdade. O primeiro
mesmo não foi tão bom, não teve público.
4 – A Cheiro de Calcinha tem algo (risos)
relacionado com a 'Morango
Produções'? 7 – Sabemos do seu empenho pela cena
Lobão -Tem tudo a ver. Tudo o que entra underground, mas o que o Lobão
através da 'Morango' serve de financiamento escuta? Cite alguns exemplos para nós.
para a banda e tudo o que é ligado a ela. No Lobão - Lá em casa, não tenho TV, nem
segundo filme já entrou clipes da banda, rádio, só um computador, e mesmo assim ele
para que quem assistisse aos filmes, só está lá há uma semana. Eu ouço o que
pudesse conferir o som da 'Cheiro de vem da rua. Ouço a galera tocar pagode,
Calcinha'. forró... Só não dá muito rock na rua, mas eu
gosto, mesmo assim.
5 – Por falar em banda, “Cheiro de
Calcinha” - por que esse nome e quem 8 – Diante do que já foi dito na
compõe a banda atualmente? pergunta anterior sobre o seu gosto
Lobão - A Cheiro de Calcinha existe desde musical, qual seria o seu Top 5 ?
1996. Eu comecei a compor as músicas e obão - É curioso isso. Eu sou fã dos
desde o início muitos amigos passaram pela Raimundos, então escolho “Eu Quero Ver o
banda, mas, devido a razões pessoais, não Oco”. Eu gosto daquela música da Ivete
puderam continuar, pois muitos não se Sangalo, “Na Base do Beijo”. (risos) Mas
encaixaram na batalha. Eu uso as armas que ultimamente, tenho curtido bastante a
tenho... Só não vou deixar de fazer. Muitos “Conga”, da Gretchen. A gente fez até uma
questionavam as condições de “trabalho”, os versão dela, mais rock. Uma quarta música é
lugares das apresentações... Mas eu não da Vanessa da Mata, mas não lembro o
quero uma banda para ficar num quartinho nome... E a última, eu estava escutando com
ensaiando! Quero uma banda para o mundo. um amigo um dia desses... Desculpa, mas
Eu nunca dispensei ninguém, eles que não lembro no momento. Deu um branco!
saíam. (risos)

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9 – A Rede Record de São Paulo veio até
Alagoas conhecê-lo e ficar por dentro
das suas ações como músico e produtor.
Como se sentiu ao saber que seu
trabalho será compartilhado para todo
o Brasil? Conte como foram as
gravações.
Lobão - Está sendo uma satisfação muito
grande, altas expectativas também. Eu já
participei de algumas matérias para o 'Tudo
na Hora' e para o pessoal da TV Pajuçara, e
provavelmente eles devem ter me indicado
para a matéria.
A equipe esteve aqui para me
entrevistar sobre os filmes, depois fomos
para um estúdio, onde tocamos, e eles
acharam bacana a nossa música. Destacaram
“A Mulher do Delegado”, “Amor Complicado”
e “Gatinha”, que é a nossa música de amor.
(risos)

10 – Para você, quais as músicas que


não podem faltar no setlist da Cheiro de
Calcinha?
Lobão - “As Periquitas das Meninas”, “Chupa Lobão - Ideia é o que não falta, o que falta é
Toda”, “A Mulher do Delegado” e “Gatinha”. dinheiro para investir. Estou sempre
Tem também “Amor Complicado” e “João da buscando a ferramenta para realizar o que
Venda”... Mas as duas que não podem mesmo pretendo. Para este ano, eu já estou fazendo
faltar são “As Periquitas...” e “Gatinha”. Criei a a Cheiro de Calcinha – “Lambada, forró,
primeira a partir dos Raimundos. “As bregão”, tudo com uma pegada de rock. Se
Periquitas das Meninas” nasceu do meu possível, gravar novas músicas para a Cheiro
gostar pela banda. Para “Gatinha”, me de Calcinha. Já os filmes são poucos, em
inspirei em uma amiga minha. A minha cinco anos que estou nesta atividade, apenas
inspiração vem do cotidiano. oito filmes gravados. É pouco. Tema para
filme não falta, o que falta é dinheiro para
11 – Todos que produzem ou participam investir.
de eventos presenciam diversas Estou com saudade de produzir shows,
s i t u a ç õ e s aqui não temos lugar para fazer. Eu prefiro
estranhas/engraçadas/bizarras. O que fazer parceria com as casas de show... Não
você pode nos dizer? está sendo possível atualmente, no entanto,
Lobão - Montar ordem de banda é muito espero fazer em breve. E, provavelmente, no
sofrido, porque ninguém quer ser a primeira, dia 16 de maio haverá um evento de metal
nem a última. (risos) Tem show em que o junto com a Cheiro de Calcinha. Por mim,
segurança não sabe trabalhar com a galera faria um show todo fim de semana, Maceió
do rock. Banheiro quebrado acontece muito. tem uma cena de rock bonita, mas a falta de
Horário de show também... Marcar certa hora estrutura prejudica a todos. A cena é
e começar muito tempo depois. (risos) desassistida. Musicalmente, a cidade é bem
servida, falta oportunidade.
12 – 2010 já começou. Quais os planos
do Lobão para os seus
empreendimentos?

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Review - Blaze Bayley em Maceió
Um fenômeno chamado
Blaze Bayley
Texto: Daniel Lima
Fotos: Pei Fang Fon

O
dia 3 março de 2010 ficará por muito tempo
marcado na memória dos metalheads que estiveram
presentes no Orákulo Chopperia. O ex-vocalista do
Iron Maiden, Blaze Bayley, fez uma apresentação única e
contagiante para o pequeno público que foi prestigiar o
evento. Apesar do atraso de 3h por problemas técnicos, o
público não se abateu e esperou ansiosamente pelo início do
show, que parecia ser impossível de acontecer em Maceió,
mas que, para a felicidade da nação Headbanger, aconteceu.
Além do já consagrado Blaze Bayley, tocaram as bandas
CODE (AL) e Suprema (SP). A banda Effatum não se
apresentou por falta de tempo, devido ao atraso que
aconteceu para se iniciar as apresentações.

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Como diz a expressão, “a casa veio abaixo” quando ele executou a primeira música do
Iron Maiden no show. “Futureal” parecia não ser real para os fãs da Donzela que estavam
presentes. Sem pestanejar, veio outra do Maiden - Lord of the Flies. Em seguida, mais algumas
músicas de sua carreira solo, antes de voltar com mais um velho clássico de sua ex-banda, do
álbum Virtual XI. “The Clansman”, mostrou o poder e a moral que Blaze Bayley ainda tem sobre
os fãs do Iron Maiden.
Para coroar as canções da Donzela que estavam em seu repertório, veio a música que
mais faz sucesso da sua época de Iron Maiden, “Man on the Edge”. Uma das músicas que mais
empolgaram e fizeram a o público balançar a cabeleira. Era inacreditável assistir ao cara que
gravou originalmente junto com a Donzela executar essa música. Para encerrar, ele tocou um
dos maiores – se não o maior – sucessos de sua carreira solo, “Robot”. Todos cantaram e
gritaram extasiados a música que fechou o show com chave de ouro.

O repertório foi o seguinte:

1 Madness and Sorrow


2 Voices From the Past
3 City of Bones
4 BlackMailer
5 Faceless
6 Blood and Belief
7 The Launch
8 Futureal (Iron Maiden)
9 Lord of the Flies (Iron Maiden)
10 Letting Go of the World
11 Waiting For My Life
12 The Brave
13 Leap of Faith
14 The Clansman (Iron Maiden)
15 Man on the Edge (Iron Maiden)
16 Robot

Blaze Bayley não pôde ficar após o show para dar autógrafos e tirar fotos com os fãs por
causa do horário de partida do avião. Sem contar que o show teve de ser reduzido pelo atraso
para o início do mesmo.

16 RM
Após o show magnífico do Blaze, sobe ao palco a banda CODE, com Kedma Villar no
vocal. Com um público bem menor do que havia anteriormente, a banda não se deixou abater
e fez um ótimo show. Tocou músicas próprias e alguns covers, a exemplo de “Extreme
Aggression”, do Kreator. Pancadaria do começo ao fim – assim foi o repertório da banda
CODE, sem frescura e mostrando como é que se toca metal em Alagoas.
Ocorreram, durante o show, duas participações, e a banda também fez um repertório
reduzido para que a próxima banda viesse a se apresentar e continuar animando a galera que
ainda estava presente.
Para fechar a noite (Já que a banda Efattum não iria se apresentar), a banda SupreMa
subiu ao palco, com a participação especial de Cleison Silva (baixista da banda
pernambucana Caravellus), se apresentando pela
segunda vez em Maceió. Um show muito bom, mas
infelizmente o horário e o cansaço do público não
ajudaram muito para que a apresentação fosse melhor.
O SupreMa tocou músicas próprias de seus dois
álbuns e encerrou com um clássico do Iron Maiden, The
Number of the Beast. O público mesmo cansado, se
levantou, deixou a preguiça de lado e foi bater cabeça.
Sempre que se toca qualquer música da Donzela, o
público vai a loucura.
O atraso não tirou o brilho desta “pequena-
gigante” festa feita pelos Headbangers alagoanos, que
prestigiaram um grande espetáculo com atrações de
peso. É de eventos como este que Maceió - e todo o
Estado - precisa para crescer e fazer com que o público
aumente e se fortaleça a cada dia, já que para assistir a
shows como esses, o público alagoano normalmente
tem que viajar para Recife. Alagoas tem potencial, sim, para entrar na rota de grandes shows
do circuito nacional. Basta acreditar e fazer acontecer.

Confira estas e outras imagens do show do Blaze


Bayley na Galeria de Fotos da Rock Meeting
http://flickr.com/photos/rockmeeting

17 RM
A Rock Meeting teve a oportunidade de conversar com Douglas Jen, guitarrista do
SupreMa, logo após o show dos rapazes em Maceió. Confira!
Yzza Albuquerque e Pei Fang Fon
Olá, Douglas! Primeiramente, muito obrigado Até que um dia, nestas procuras pelo nome ideal,
pela entrevista! estava eu, malhando na academia, correndo na
Douglas Jen - Fala, galera da Rock Meeting! esteira, quando, de repente, olho para o lado e
Obrigado pela presença lá em nosso show em vejo escrito “suprema” em algum lugar. No
Maceió com Blaze Bayley, e obrigado por momento, aquilo me deu um impacto. Sabe
promoverem este bate-papo! quando parece que o tempo para, aquilo entra
profundo na sua mente, e você diz, “Eureka!”?
Quem faz o SupreMa hoje? Conte-nos um Pois é, foi assim. Só que, neste tempo, o detalhe
pouco sobre vocês. era eu, correndo na esteira, e, claro... Levei o
DJ - O SupreMa, desde 2008, vem mantendo a maior tombo! (risos)
mesma formação: Douglas Jen (guitarra/vocais), Sobre a letra “M”, ainda teremos um capítulo num
Pedro Nascimento (vocais), Helmut Quacken próximo CD que vai explicar...
(bateria) e Gabriel Conti (baixo). Temos já seis
anos de carreira, e estamos bem animados com Na recente turnê pelo Nordeste, vocês se
esta fase da banda. Recentemente, estivemos em apresentaram aqui em Alagoas junto ao Blaze
nossa terceira passagem pelo Nordeste, e agora Bayley. Vocês costumam tocar covers de Iron
estamos gravando o novo CD! Maiden, então o que acharam do show?
DJ - Como sempre digo, todos nós crescemos
Como foi o início da banda? Há alguma ouvindo Iron Maiden, influenciou a toda uma
história por trás do nome “SupreMa”? Por que geração, duas gerações, três gerações, sei lá
a letra “M” é maiúscula? quantas a ouvirem Rock! Então, claro que, para
DJ - O início foi como o de qualquer outra: um nós, é a banda que mais respeitamos, apesar de
grupo de amigos se junta a fim de fazer uma não ser nem um pouco similar ao som do
banda, até que fica séria, a coisa! Gravamos um SupreMa.
CD, e a partir daí mudamos de formação várias Sim, nesta tour, tocamos alguns covers do
vezes, até chegar ao time que temos hoje. Maiden. Recebemos vários convites para fazer
Sobre o nome, ele expressa bem o sentimento uma nova tour, porém nosso novo disco não
que tínhamos na época, quando fundamos a estava pronto, e para não desistir da ideia de
banda... Eu queria fazer um som diferente, fazer uma nova turnê, preparamos uma especial,
melodioso, mas ao mesmo tempo agressivo, fazendo um tributo ao Iron Maiden. Ao final,
trabalhado, porém sempre soando grandioso... tocávamos os sons do primeiro CD e uma música
nova. Para nós, foi muito divertido! Tenho meu estúdio em São Caetano do
Mas falando no show em si, foi demais! Sul, porém muita gente de outros estados
Blaze, um grande frontman, mostrou por que acompanham meu trabalho, queriam
que esteve no posto de vocalista da maior ter aulas e aprimorar técnica... A saída foi
banda de metal de todos os tempos. fazer aulas online por áudio e vídeo. Passo
Grande show! Por causa dos atrasos, ele exercícios e explicações em tempo real,
teve de fazer o primeiro show da noite, tirando as dúvidas do aluno e já corrigindo
senão perderia o vôo, e confesso que possíveis erros. Deu tão certo, que hoje em
ficamos bem apreensivos com isso. Depois dia tenho vários alunos, inclusive fora do
do Blaze, tocou a CODE, grande banda. Brasil!
Confesso que me surpreenderam! E para a galera que não tem condições de
Ficamos então incumbidos de fechar a pagar para ter uma aula, acabei fazendo
noite. Ainda havia muitos bangers lá para várias mini-aulas, que disponibilizei no
curtir o show do SupreMa! Foi demais, ver YouTube gratuitamente; aulas de 5 a 10
a galera esperar até 3h30 da manhã para minutos, onde passo exercícios de algum
ver nosso show e curtir, e ao final assunto direcionado. Isso tem ajudado
esperarem para tirar fotos com a banda e bastante ao pessoal a se desenvolver!
terem seus CDs autografados... Fizemos Creio que estou conseguindo contribuir
questão de atender até o ultimo banger ali com esta nova geração de guitarristas
presente (vocês são prova disto!). novatos! Quem quiser acompanhar estas
aulas, acesse o www.douglasjen.com,
Você se interessou por música cedo. todos os links estão por lá!
Por que escolheu a guitarra, em
particular? Conhecemos o Douglas Jen como
DJ - Na verdade, me interessei por bateria, guitarrista e fundador do SupreMa, mas
primeiro! Mas, em casa, o pessoal não a quantas anda o seu trabalho solo?
queria, pois era muito barulhento... Tinha Será lançado ainda este ano?
um violão bem velho em casa, e eu, ainda DJ - Trabalho solo, creio que é o sonho de
criança, empurrava todos os móveis da qualquer músico! Ali não tem aquela de
sala, colocava em algum canal musical e padrão, de limites, não tem aquela de “jogar
ficava imitando os videoclipes de Maiden, para o time”, escolher o tom certo para o
Metallica, Guns N' Roses e toda esta leva vocal, ajustar a velocidade certa para o
do início dos anos 1990. Acabei pegando baterista encaixar tal arranjo, ajustar uma
gosto pela coisa, e com onze anos já tinha base mais simplificada para o teclado fazer
cabelo comprido. Não demorou muito até suas linhas... Trabalho solo, você faz o que
eu ganhar um violão melhorzinho e te der na cabeça e a galera vem atrás, e é aí
começar a aprender (sozinho... Pois é, na que você pode conhecer mesmo o músico.
época não tinha YouTube!). Depois do No momento, estou finalizando as
violão, passaram-se alguns meses e composições, já tenho nove em mente
ganhei a Maria Isabel, minha primeira (cinco totalmente prontas e quatro já
guitar! Aí foi um caso de amor por longos finalizando). Pretendo iniciar as gravações
anos... (risos) ainda no primeiro semestre, com
lançamento até outubro. Será bem
De onde veio a ideia de ministrar aulas, trabalhoso, pois vou ter participações de
tanto online, quanto ao vivo? vários músicos (vários mesmo!), galera que
DJ - O mundo gira em torno da tecnologia, mora longe, em outros estados; e vou
que a cada dia avança mais, e se não querer acompanhar cada acorde, cada
ficarmos antenados e preparados para as “tum, tum, tá”, e para isso, vai levar um
novidades, vamos cada vez ficar mais para tempo. Mas, ao final, vou ter realizado meu
trás! grande sonho!

19 RM
E o novo álbum do SupreMa? O que
pode nos adiantar a respeito?
DJ - O novo álbum do SupreMa está sendo
gravado. Ficamos quase um ano e meio
gravando pré-produções, fazendo e
refazendo arranjo, regravando, recriando,
reciclando até chegar ao ponto em que
chegamos. É um CD bem mais maduro que
o primeiro, a estrada tem nos dado uma
grande experiência para isso! O CD
transita entre o Power Metal e o
Progressive Metal, sempre pesado e
técnico, mas sem perder as características
do primeiro CD, das boas melodias, corais
e músicas marcantes!
Neste exato momento, temos a batera já
gravada, alguns violões e algumas vozes!
Pretendemos lançar em Junho!

O Nordeste entrará na rota da próxima


turnê da banda?
DJ - Com certeza! O Nordeste é nossa
casa! Após o lançamento do CD, estamos
prevendo uma divulgação fora do Brasil, e
Petrucci!
O SupreMa tem músicas tocadas em Aqui do Brasil, tenho escutado coisas fora
rádios de fora do país. Há planos para do metal. Gosto muito de MPB e Jazz, isso
uma turnê mundial? dá sempre uma pimenta a mais no
DJ - Mundial... Digamos que ainda é cedo, momento de compor!
o mundo é muito grande! Mas temos
alguns planos; de início, Europa.logo que O SupreMa tem músicas tocadas em
voltarmos, uma tour no Sul, depois região rádios de fora do país. Há planos para
Norte, que acabamos não passando agora uma turnê mundial?
em 2010, e por fim, Nordeste... Talvez DJ - Mundial... Digamos que ainda é cedo,
cheguemos por aí em torno de setembro ou o mundo é muito grande! Mas temos alguns
outubro. Só depois iremos lançar em SP! planos; de início, Europa.

Que bandas e músicos mais te Em seis anos de estrada, você já deve


influenciam hoje? Alguma banda ter presenciado todo tipo de coisa.
brasileira em particular como Qual(ais) situação(ões) poderia nos
referência? contar?
DJ - Esta é uma pergunta complicada, e se DJ - Já vi de tudo na estrada, e já
você for olhar nas minhas últimas aconteceram várias situações, umas
entrevistas, a cada hora eu cito uma galera engraçadas, outras constrangedoras,
diferente! Sou muito de momento. Acho outras inesperadas! SupreMa em 2008,
que posso dizer o que tenho ouvido mais passando o som em Belém (PA) mais ou
ultimamente: Evergrey, Rage, Symphony menos às 20h, estávamos com vôo já
X, Iced Earth, Triviun e Killswith Engage. marcado para Manaus (AM) para as 2 da
De músicos, gosto muito do Victor Smolski manhã. Estávamos terminando a
(Rage), Michael Romeo (SymphonyX) e passagem de som, quando o promotor nos

20 RM
liga, cancelando o show um dia antes! vejo uniões e parcerias no meio Heavy
Mesmo assim, fomos a Manaus e Metal. Parece que o pessoal não se ligou
fechamos uma apresentação em outra ainda que é por meio de parcerias que a
casa para uma quarta-feira. Mesmo cena vai crescer. Tem espaço para todo
sabendo que o público seria menor e mundo! Para este novo disco, tenham
diversos prejuízos pudessem ocorrer, certeza que traremos grandes parcerias
fomos em respeito ao público, que estava com bandas, produtoras, gravadoras e
nos esperando por lá! empresas de equipamento musical. Sei
Mas prefiro falar dos fãs! Tem duas que tanto nós, quanto os parceiros, sairão
histórias curiosas. Ao final ganhando.
de nosso show de Feira de No momento, eu estou
Santana (BA), no dia trabalhando também na
26/03/2010, um fã ficou produção de uma grande
até o final, foi o último a dupla sertaneja de SP, e
sair do recinto para poder vejo como este pessoal
tirar foto com a banda, e, se ajuda. Um puxa o
ao final, disse que tinha outro para eventos, para
saído do RJ, mais de um rodeios, para programas
dia de viagem, para ir ver a de TV aberta... Por isso
gente por lá, já que há um esta galera cresce tanto.
bom tempo não tocamos Sem parceria nada
no Sudeste! funciona. Música é uma
Outra história foi de um fã indústria. Precisamos
pernambucano, que em aprender que duas
2008 foi assistir ao nosso bandas sempre serão
show em Recife, quando mais forte que uma.
tocamos com André Matos
por lá. O rapaz era do E para finalizar, alguma
interior de Pernambuco e mensagem para o
estava sem dinheiro para público alagoano?
o show. Pegou alguns livros, vendeu num DJ - Claro! O público alagoano já é parte da
sebo da cidade, chegou no pé da BR e foi família do SupreMa! Em 2008, fomos aí em
pedindo carona até Recife! Chegando lá, nossa primeira tour, agora em 2010
comprou o ingresso com a grana dos livros, fizemos um show reduzido... Estamos em
e contou essa história para nós! Ficamos débito com a galera de um show completo,
pasmos! A que ponto um fã é capaz de com cenário completo, setlist do novo
chegar para ver o show da banda disco, backline da banda... Tudo como tem
preferida?! E nesta tour em 2008, tocamos que ser! Esperamos voltar em 2010 com
em outras cidades de Pernambuco, e o um grande show para vocês, com o CD
rapaz foi ainda nos shows de Caruaru e novo na mão!
Garanhuns! São pessoas assim que fazem Deixar o toque para o pessoal acompanhar
tudo isso valer a pena! as gravações do CD em nosso Diário de
Bordo: www.diariodatour.zip.net . E
Entrevistamos várias bandas, e todas também, nosso site: www.suprema-
elas reclamaram bastante da questão da online.com , pois estamos postando
desunião na cena brasileira de Metal. periodicamente todas as novidades da
Você compartilha do pensamento que o banda.
meio do do Heavy Metal é desunido? Obrigado pelo espaço cedido, galera da
DJ - Ah, isso todo mundo já sabe... Metal é Rock Meeting! Nos veremos em breve!
bem assim, cada um por si. Dificilmente Valeu!

21 RM
Curiosidades

Caravanas como opções para curtir um bom show


Fãs alagoanos se organizam financeiramente para ver de perto seus ídolos

Texto: Raphael Vasconcelos


Fotos: Almir Lopes (Boteko do Rock)

A banda de Blaze Bayley foi a


principal atração de abril em Maceió. É
raro ver shows internacionais, como esse,
aqui no estado. No início do ano,
precisamente no dia 23 de janeiro, os
integrantes da banda norte-americana A caminho do show do Megadeth
Master se apresentaram para os fãs do principais shows no Nordeste. A
Death Metal, no Orákulo. Uma vez ou apresentação mais recente que
outra, atrações internacionais como estas presenciou aconteceu dia 20 de abril,
vêm ao Brasil, e quando decidem fazer quando, junto a Almir Lopes, do blog
uma turnê, vão para as metrópoles, como Boteko do Rock, coordenou uma excursão
São Paulo e Rio de Janeiro. Quando com 40 atendentes, todos ansiosos por
aparecem no Nordeste, se apresentam um certo show do Megadeth.
em Salvador ou Recife, e, às vezes, em “Devido aos shows com as bandas
Aracaju. internacionais ou de grande nome no
Vendo esta necessidade e a pedido mercado nacional só acontecerem nas
de um grupo que queria ver atrações grandes cidades - o que não é o caso de
internacionais, Emerson, dono da Maceió -, então surgiu
conhecida loja World Rock, decidiu um meio de unir o útil ao agradável, já que
organizar excursões para fora do estado. eu pagaria de qualquer forma para assistir
Em 2000, com o show do Stratovarius no a estes
Recife, o empresário percebeu que a
iniciativa dava certo, e desde então nunca shows. Por que não levar também uma
mais parou de marcar presença nos galera junto?” Com essas palavras, Cleber
Moura, ex-dono da Paranoid Metal Rock
(que também esteve à frente de
caravanas) justifica a organização de suas
primeiras excursões. Segundo ele, as
primeiras viagens que fez foram a
Aracaju, para um show do Krisiun, e a
Recife, para um show do Scorpions.

22 RM
Assim como Emerson, Cleber vai de van ou
ônibus, dependendo da demanda. “Já levei de
10 até 90 pessoas. O que deu muita gente foi o
Iron Maiden em Recife; levei 90 pessoas, mas
proporcionei a ida de mais de 120”. Para quem
quiser curtir shows das bandas favoritas que
são internacionais, eles dizem que os valores
variam de acordo com o local e o ingresso.
O analista de Sistemas Sidney Victor,
que já foi a cinco shows, em excursões, diz que
não perde muito dinheiro. Ele gasta, em
média, de R$ 150,00 a R$ 180,00. Para Sidney,
o show mais legal foi o de Kreator e
Destruction, que se apresentaram em outubro
de 2002 no Recife, pela The Hell Comes to Your
Town Tour. “A cena do metal fora daqui é bem
melhor que a do nosso estado. Pelo menos na
época, não se via tantos bangers como nos
outros estados, e, geralmente, as pessoas que
iam aos shows em caravanas eram as que
realmente curtiam o som - que, por sinal, eram
poucas, levando em consideração que eram
bandas de Thrash Metal internacional.”

23 RM
Perfil RM
O Perfil RM desta edição traz para vocês Léo Costa,
vocalista da banda alagoana de New
Metal/Metalcore Adrenaline.

Quem é você? próprio som... E assim estamos!

Olá a todos! Eu sou o Léo Costa, vocal da Na sua opinião, como se encontra o
Adrenaline, banda de New Metal/Metalcore cenário do rock alagoano?
aqui de Maceió.
Cara, já foi muito melhor... Antes dessa moda
Alguém foi responsável pelo seu interesse “emo” - que, diga-se de passagem, é uma
por música? Como conheceu o rock e imitação “papagaiada” que nós, brasileiros,
decidiu formar uma banda? fazemos do que é moda fora do nosso contexto
-, o lance era muito bom. Tínhamos bandas
Então, pelo interesse por música, tive meus locais com ótima qualidade. O foda é que esse
pais. Meu pai sempre ouviu rock setentista, e lance da postura de julgar como emo alguém
minha mãe, MPB. As melhores lembranças que pela forma que ele se veste meio que
eu tenho são dela cantando em festas familiares atrapalhou nossa cena. Engraçado que os que
e na escola, quando eu era pequeno. Porém, são tidos como “emos” nem chegaram a
quem me fez conhecer o rock foi meu primo. conhecer a Slip Out, primeira banda emo daqui
Quando eu tinha sete anos, ele era do surf e de Maceió. Acham que emo é só se vestir, o que
ficava ouvindo o Fear of the Dark do Iron é o motivo de ter se banalizado o som. Qualquer
Maiden. Fora ele, tem o meu tio. Ele ouve muita coisa mais melódica é emo. Nós já fomos
coisa dos anos 1980, saca? Mais o rock em si, rotulados de emos. Engraçado que nossas
cru, foi meu vizinho, “Vivico”, que me deu uma influências melódicas são todas do bom New
fita do Raimundos, “Lapadas do Povo”! Depois Metal, principalmente Deftones. Enfim, esse
disso, minha vida mudou! lance de se separar, segregar a cena, foi o que
denegriu tudo. Mas depois do show da Naipe
Conte-nos como aconteceu o nascimento (selo) vi que ainda existe solução. Espero tocar
da Adrenaline. Você quem fundou? Se em mais eventos onde as bandas locais sejam
não, como entrou? bem tratadas, tanto pela organização, quanto
pelo público.
A banda foi formada de forma engraçada. Um
dia, eu e o Lan estávamos conversando sobre Quais os seus cinco álbuns prediletos?
gostarmos de Deftones. Ele tocava na Unamed, Justifique em poucas palavras.
e eu, na Lazarus. Ele, nesse tempo, estava
dando uma força, já que estávamos sem Difícil... Tá bom. “Ventura” (Los Hermanos),
baterista. Desde que me entendo como músico, “Roots” (Sepultura), “The Cleansing” (Suicide
o Lan sempre tocou comigo. Daí, resolvemos Silence), “Koßn” (Koßn) e “White Pony”
montar uma banda cover de Deftones. Convidei (Deftnones). São únicos na minha vida!
dois amigos, o Joseph (guitarra) e o Mabson
(baixo), e ele, o Lekinho (guitarra), e formou-se Destaque cinco bandas alagoanas que
a banda. Com quase dois meses de “vida”, você vê que têm uma marca
fizemos nosso primeiro show, e veio então a representativa.
perspectiva de fazermos sons próprios. O Guga
(teclado) foi o último a entrar na banda. E assim Bem, se puder incluir bandas que já não
ficamos e formamos a Adrenaline, seguindo a existem mais também... “Contra”, uma banda
linha de que se é uma banda, que faça seu de Metalcore absurdamente sensacional, com a

24 RM
qual tive o prazer de conviver, porque é música que me transporta para lugares
de amigos pessoais. A “General Zorg”, que nem sempre desejo ir. Mas é bom,
Hardcore NY de ótima qualidade, porque quem nos assisti sente
também de amigos pessoais. “Abismo”, verdade, saca? Se você não se
nem se fala! Era fã dos caras mesmo, emocionar com sua música, não se
de ir a todos os shows, e hoje são meus instigar, você não passa a vibe para o
amigos, com os quais tenho o prazer de público, e o público não entra no clima.
dividir palco e turnês. “Sinsenhor”, Agora, tenho algumas influências. O
banda clássica do Hardcore alagoano. Chino Moreno, do Deftones, o Mi
E a “Never Say Die Julliet”, que veio Vieira, do Gloria, o Dez Fafara, do
com força nessa vertente de metal DevilDriver, são alguns que me
mais moderno, digamos assim. empolgam, e assim eu me inspiro e o
público vê a gente pegando os espíritos
Conte situações inusitadas pelas e os expulsando!
quais você passou no palco e/ou
na sua vida de músico. Como andam os projetos da
Adrenaline para 2010?
Nossa. Muita coisa... Por exemplo, o
melhor lugar que eu toquei foi Estamos compondo e entramos em
Petrolândia, unanimidade entre todos estúdio agora, no começo de maio.
da banda. Nunca fomos tão bem Nada de shows por enquanto, mas
tratados! E já houve umas tretas quem quiser nos chamar, é só acessar
maiores. Fomos tocar em Garanhuns e n o s s o F o t o l o g
fomos chamados de estrelas, porque (http://www.fotolog.com.br/banda_a
queríamos tocar, nós e a Abismo, uma drenaline), que lá tem o contato da
abrindo pra outra banda, pra facilitar, já nossa produção e tal. O que posso
que o Ivalter, batera da Abismo, e o a d i a n t a r, q u a n t o à s n o v a s
Lan, nosso batera, são amigos e usam composições, é que muita gente vai se
quase o mesmo set. Isso gerou uma perguntar se é a Adrenaline mesmo,
confusão, mas faz parte, dentro do porque está ficando nervoso!
underground. Num dia, você toca o
melhor show, com a melhor estrutura Deixe sua mensagem para os
do mundo; no outro, é maltratado. leitores da Rock Meeting.

Enquanto no palco, quais são suas Queria agradecer ao carinho de todos,


sensações e sentimentos? Você a vocês por terem me convidado. É
busca alguma referência em suas uma honra participar. E espero que o
performances? público continue assim, nos ajudando,
até mesmo criticando, porque é isso
Cara, por ser eu quem escreve as que nos faz querer ser sempre
letras, a carga emocional é absurda. melhores do que somos! Valeu a todos,
Principalmente nas músicas melódicas. muita paz, positividade e rock! Jah nos
“Tão Longe”, por exemplo, é uma guia!

25 RM
Eu estava Lá

Domingão do
Azulão com
Futebol e
Rock’N’Roll

Texto e fotos: Daniel Lima

A banda Charlie Brown Jr.


pousou em Maceió para mais uma
apresentação. Desta vez, o show
aconteceu no campo do CSA durante o mas em todo Brasil, com canções gravadas
Domingão do Azulão, projeto da diretoria por bandas conhecidas nacionalmente.
para apresentar a equipe que defenderá a Mas ele não foi cantar os sucessos das
bandeira do time do Mutange, com direito rádios; chamou a torcida azulina para
a uma partida entre CSA (AL) e cantar músicas que os apaixonados pelo
Campinense (PE), sorteio de uma moto e CSA conhecem muito bem e cantam nos
de um carro, além das apresentações da estádios. A galera cantou junto com ele, e
banda Canibal, Elieser Seton e a banda para encerrar, cantou o hino do nosso
principal da noite, que foi a galera de querido Estado de Alagoas. Um momento
Santos (SP) do Charlie Brown Jr. muito emocionante.
Para encerrar o Domingão do
O evento Azulão, a banda Charlie Brown Jr. subiu ao
palco tocando novos e velhos clássicos. A
Após a partida, na qual o time da música inicial foi “Tudo o Que Ela Gosta de
casa venceu (CSA), começaram as Escutar”, do primeiro álbum da banda,
apresentações com a banda de axé, uma surpresa para os fãs, que esperavam
Canibal, abrindo a noite, mostrando a alguma música do último CD, “Camisa 10
diversidade musical que há em Alagoas. Joga Bola”. Em seguida, outro clássico,
Sem maiores confusões, o show ocorreu “Tudo Mudar”. Todos mostraram que
tranquilamente e a torcida azulina esperar o show de uma banda como
respondeu ao chamado de Toninho Charlie Brown Jr. vale a pena.
(vocalista da banda Canibal), dançando ao Chorão abriu duas garrafas de
som das músicas que são/foram sucesso, champagne durante o show, e, para a
como “Frevo Mulher”, da cantora alegria dos fãs, foi literalmente “para a
Amelinha, que fez sucesso na voz de Zé e galera” enquanto cantava “Rubão”. Estava
Elba Ramalho. lá, no meio do público, o vocalista de uma
Em seguida, subiu ao palco o azulino das mais populares bandas de Pop Rock no
declarado Eliezer Seton - músico Brasil, cantando e pulando. Um momento
consagrado não só em terras alagoanas, inesquecível para os fãs da banda.

26 RM
O show foi encerrado com
“Proibida Pra Mim”, outra música do
primeiro álbum. Um repertório com
músicas de todos os álbuns, e que fez
com que os fãs da banda revivessem
momentos que ficaram na história.
A organização do Domingão do
Azulão merece os meus parabéns, além
de todo o público (de número menor que
o esperado pela organização), que se
comportou muito bem, sem maiores
confusões. As pessoas que disseram que
não iriam por causa da bagunça
perderam uma festa muito bonita,
tranquila, e um show espetacular da
banda Charlie Brown Jr.

27 RM