A PREOCUPANTE EVASÃO DE ALUNOS DA USP

Izabel Sadalla Grispino *

A USP, preocupada com as altas taxas de evasão de seus alunos, preparou uma pesquisa, em
2004, através da Faculdade de Educação, para saber das causas da evasão, tentar reduzir as
taxas e também apressar os processos de preenchimento das vagas.

Depois de passar no vestibular mais concorrido do País, de ingressar na nossa mais
conceituada universidade pública, mais de 20% dos alunos que entraram na USP, nos últimos
anos, abandonaram o curso, optando pela evasão. As causas detectadas foram, em ordem
decrescente: não ter certeza quanto à escolha do curso; o curso não era o que pensava; não
conseguir conciliar aulas e trabalho; havia incompatibilidade de horário; o curso não
correspondeu às expectativas; frustraram-se durante o curso; e, ainda, dificuldade de
adaptação, de relacionamento com colegas.

A pesquisa trouxe dados interessantes, como as relações de companheirismo entre alunos e
professores podem ser determinantes para manter os alunos até o fim. No curso de medicina,
por exemplo, os alunos formam grupos de estudo e de trabalho nos laboratórios, existe um
convívio mais forte, criando menos concorrência. Quando um aluno desiste há uma comoção
coletiva, em geral. Conforme constatação, a evasão nas áreas Biológicas é menor que nas de
Humanas e Exatas e mais de 40% do total das evasões da USP acontecem no 1.º semestre.

O Centro de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas de Educação concluiu que a diferença
da estrutura do ensino médio para a universidade contribui e muito para a evasão dos
estudantes. Para reverter essa desistência precoce dever-se-ia “levar professores experientes
para o 1.º ano, estimular os alunos a participarem logo de pesquisas, a se engajarem nas
atividades acadêmicas”.

A USP constata que os gastos da universidade pública para formar 100 alunos em 4 anos são
os mesmos se apenas 50 chegarem ao final. É dinheiro jogado fora, diz Sônia Terezinha Penin,
pró-reitora de graduação da USP. Em 2004, 703 vagas de alunos que se evadiram foram

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23. 1997. onde o candidato foge do vestibular.0. Rio Grande do Sul. Uma delas é a Faculdade de Medicina da Fundación Hector Barceló. saíram no 1. 29.0. iniciou seu funcionamento quando foi inaugurada a Ponte da Integração. de dois meses e meio. em 1996.A PREOCUPANTE EVASÃO DE ALUNOS DA USP oferecidas a interessados em transferências para os terceiros e quartos semestres. Tem sua sede em Santo Tomé. A faculdade existe há 5 anos.1 continuaram curso superior iniciado antes do ingresso na USP. Santa Catarina e do Estado fronteiriço. por isso medidas para diminuir a evasão são bem mais importantes que o processo de acelerar o procedimento das vagas ociosas. e 1998. 350 concluintes e 330 alunos com longa permanência nos cursos. Depois da evasão. Localização estratégica. A pesquisa avaliou turmas que entraram entre 1995 e 1998.500 se inscreveram. Vem crescendo a busca por essas faculdades e algumas começam a se firmar pelo bom conceito que vêm conquistando.º semestre: 1995. Um fato que contrasta com a perda desses alunos da USP é a busca de faculdades fora do País. Rio de Janeiro. ao inscrever-se na faculdade. Cerca de 3. A faculdade de Santo Tomé oferece os cursos de Medicina. sendo um terço de brasileiros. em 1997. O abandono antes do tempo ideal de duração do curso – 4 ou 5 anos – foi progressivamente diminuindo nos anos. O fato de o aluno passar no vestibular já é um forte referencial de credenciamento da capacidade do aluno. no Brasil.0. com 4 anos. cidade na fronteira da Argentina com São Borja.6 ingressaram em outro curso. Mato Grosso.3. Ceará.0. O aluno. São Paulo. como vem ocorrendo. Pará. atualmente. Goiás. 27. Em 1995. passa por vários testes. 56. 44. com a possibilidade de atender também a alunos brasileiros. mas apenas 208 conseguiram nota suficiente para entrar. Mato Grosso do Sul. 43. 17. Constata-se  que essa evasão precoce dos alunos da graduação da USP é profundamente lamentável e a universidade tem mecanismos para ajudar esses alunos e atenuar as evasões. com duração de 6 anos. e 15. 32. vindos de diferentes Estados: Paraná. Nesse período.1. Do total de evadidos.4 não continuaram a estudar. cerca de 900 alunos.7. matricula-se no curso introdutório. e em 1998.7. 22. em avaliações que vão verificar suas condições 2/3 . Foram entrevistados 644 evadidos. e o de Nutrição. entre São Borja e Santo Tomé. 1996. Possui. 28. 43.2 iniciaram uma pós-graduação.

Além das aulas de espanhol para os brasileiros e epistemologia e metodologia do estudo.    (Publicado em fevereiro de 2005) Clique aqui para voltar ao sumário Supervisora de ensino aposentada. diplomas de ensino superior de países do Mercosul. Supervisora de ensino aposentada. as universidades têm autonomia para aceitar ou não os pedidos de quem estudou fora do País. Os formandos devem procurar uma universidade pública que tenha curso igual ou semelhante ao realizado e levar seus documentos autenticados pelo Consulado Brasileiro no país onde cursou o ensino superior. como Biologia. As universidades podem pedir pagamento de taxas ou provas para revalidar o diploma. Eles acompanham os professores e o atendimento dos médicos. os alunos entram em contato com a realidade de saúde no hospital-escola e em postos de periferia. eles são avaliados em disciplinas eliminatórias. Bioquímica. Antropologia Médica. é preciso que o estudante brasileiro saiba que não há garantias de revalidação do diploma no Brasil. Anatomia e Psicologia e Atenção Primária de Saúde. por não conseguir atingir o grau de aprovação.A PREOCUPANTE EVASÃO DE ALUNOS DA USP para seguir ou não a carreira médica. O que se constata é que a faculdade mantém um bom nível de ensino. Muitos desistem na etapa do curso introdutório. Na disciplina Atenção Primária de Saúde. Contudo. oferece cursos de qualidade. Segundo o Ministério da Educação. Química. (Publicado em fevereiro de 2005) 3/3 .

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