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Mercado: Apesar do aumento de preços, perspectivas são de crescimento

das vendas de chocolate este ano

Varejo aposta na sofisticação dos ovos d e Páscoa

Ana Cláudia Landi, para o Valor, de São Paulo

31/03/2010

Texto:A-A+

Landi, para o Valor, de São Paulo 31/03/2010 Texto: A-A+ Ana Paula Paiva/Valor Wallace Tonon, da

Ana Paula Paiva/Valor

de São Paulo 31/03/2010 Texto: A-A+ Ana Paula Paiva/Valor Wallace Tonon, da Planet Chokolate: produção em

Wallace Tonon, da Planet Chokolate: produção em uma fábrica, para se concentrar nos recheios e design

Mesmo com os ovos de chocolate mais caros - 8,2% em média es te ano, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) -, o comércio espera uma Páscoa bem m elhor do que em 2009. O número de lojistas que aposta em aumento no faturamento chega a 58%, aponta pesquisa da Seras a. Este percentual é o mais alto desde que o levantamento começou a ser realizado, em 2006.

O mercado está aquecido. Em todo o país, fabricantes correm p ara atender aos últimos pedidos. Para este ano, a maior aposta tem sido os produtos sofisticados ou difere nciados. De acordo com a Associação de Brasileira de

Chocolates e Derivados (Abicab), a venda de chocolates artesan ais e requintados terá crescimento de 10% em relação à Páscoa de 2009.

Foi o aumento nas vendas de chocolates finos que levou a Kopen hagen a expandir os negócios. A empresa, líder na comercialização de produtos para as classes A e B, aca ba de se transferir de São Paulo para sua nova fábrica, em

Extrema, sul de Minas. Os investimentos na nova unidade somam

R$ 80 milhões. A mudança resultará em um aumento de produção, das 2,5 mil toneladas por ano atuais p ara 3,5 mil.

Dos mesmos donos que a Kopenhagen, a rede Brasil Cacau tamb ém mostra forte ritmo de crescimento. Em apenas um ano de funcionamento, abriu 55 lojas e acaba de an unciar mais 15, em vários Estados. O forte da marca está na diversidade de produtos: tem cerca de 120 itens de chocolate p ara consumo e presentes. Os preços são menores e mais acessíveis que os da marca principal.

Uma das líderes do mercado, a Cacau Show divulga com orgulho os seus resultados. A empresa, criada há mais de 20 anos em uma sala de 12 metros quadrados, hoje ocup a uma moderna construção na qual foram investidos R$ 50 milhões. A fábrica vai produzir mais de 12 mil toneladas de choc olate por mês e espera aumento de 50% nas vendas na Páscoa deste ano.

A marca espera fechar o ano com mais de mil lojas e atrai cada vez mais franqueados. Segundo a empresa, há uma fila de mais de 500 interessados, esperando que suas p ropostas sejam avaliadas. Outra aposta da Cacau Show é a

produção de artigos feitos para varejistas que querem exibir ma rcas próprias. Um de seus clientes é a rede Pão de Açúcar.

Inspirado nesses modelos bem-sucedidos, o mineiro Wallace Ton on vive trajetória semelhante. Desde pequeno é apaixonado por chocolate. Cresceu fazendo cursos e espe cializações. Passou por várias experiências, antes de firmar-se

no seu negócio atual. Primeiro, montou a Showcolate, uma cade ia de quiosques de fondue de chocolate. Depois, abriu a rede Planet Chokolate, de chocolates finos artesa nais. Também investiu na Chocolônia, um parque temático

itinerante, inspirado na fantástica fábrica do Willy Wonka.

Criada há dois anos em Belo Horizonte, a Planet Chokolate pare ce ter acertado no modelo e fechou 2009 com R$ 11 milhões de faturamento. Este ano, deve registrar qua se o dobro. Sua fórmula de negócios é diferente dos adotados pela concorrente Cacau Show, que tem mais de 800 lojas, e da B rasil Cacau, com 55. Para garantir a exclusividade de seus produtos, Tonon concentra a produção em uma fábrica recém-inaugurada em Santana do Parnaíba, perto da capital paulista. Lá, controla tudo de perto. "Podemos nos conce ntrar nos recheios, no design, que é o que faz a grande diferença para o consumidor".

Também aposta em um menor número de pontos de venda - con ta com cerca de 30, geralmente em shoppings. O pulso firme se mostra no controle da distribuição. A emp resa mantém uma frota de caminhões refrigerados que transportam os produtos. "Até tentamos encontrar um prestador de serviços que trabalhasse com veículos refrigerados. Não achamos."

O bom desempenho dos dois últimos anos o leva a pensar grande . "Estamos com um projeto bem ambicioso. Passaremos das atuais 20 toneladas por mês para algo em torn o de centenas", afirma. A nova fábrica que comportará esse

crescimento deve ser anunciada nos próximos meses.

Em Brasília, os pedidos também não param de chegar para Elisa Castro, 29 anos, proprietária, juntamente com a irmã, Cecília, da Cioccolateria. A empresa foi inaugurada que precisariam de 40 kg de chocolate para confeccionar seus p rodutos. Venderam 140 Kg. Neste ano, superam 280 kg.

há dois anos. Na Páscoa passada, as empresárias calcularam

As

irmãs investiram pouco mais R$ 30 mil, adquirindo matéria-p rima e equipamentos e estão tendo lucro. "Existe um interesse muito forte nos produtos diferenciados, que rem escolher o formato, a textura. Gostam de novidade", diz.

Os

ovos fabricados custam de R$ 14 a R$ 60.

Se

depender da tendência dos últimos anos, os planos de cresci mento dos empresários deverão se concretizar. De acordo com a Abicab, o consumo de chocolate no Brasil cresceu 65% entre 2003 e 2008. "O brasileiro agora come muito

mais chocolates do que outros tipos de doces. Esse é um process o sem volta", diz Getúlio Ursulino Neto, presidente da entidade. Segundo ele, nos próximos dois anos, o c onsumo vai dobrar.

Getúlio Ursulino Neto, presidente da entidade. Segundo ele, nos próximos dois anos, o c onsumo vai

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