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Hybris

Poemas de delírio e amor

BILL BRAGA
2009
Poema do desassossego

Sinto-me perturbado
Sem sossego
em meu próprio lar
A casa parece ter caido

Meus ombros não conseguem suportar


Todo esse peso que você me dá
Não consigo quietar
Nem ao menos descansar

Acordo e vejo
que voce ainda está
Não consigo me libertar
Desse desejo a passar

Não sei mais o que fazer


Como pedir para você parar
Invade minha vida
sem pedir licença

Toma meus documentos


Rouba minha vida
Não me devolve nem amor
Que coisa mais sem pudor

Deixe-me em paz
Para que eu possa viver
estudar e ler
sem a sua companhia
(In) existência

Penso, logo desisto


Penso, mas insisto
No existir, no ser
Na alma, no viver

Penso, logo existo


Insisto e logo desisto
De pensar, de sentir
Do viver, do sorrir

Do não-ser ao existir
Só me resta rir
E ao sair, sem pensar
A ausência do que falar
O sono

Dormi
Quase três dias
Sobrevivi
Revivi
Recriei

O meu mundo
A minha música
O Meu ser.
Renasce
Ganha as asas
Tão sonhadas

O mundo
Continua o mesmo
Cruel e sórdido
Na minha espera

E nessa canso
Do mundo
Dos atores
Do viver
E do ser
Recrio minhas várias pessoas
Revivo meus velhos amores
E sigo perseguindo
O Novo
O peso do viver

Transformações no mundo
agitam meu ser
será tudo verdade?
Ou um sonho direcionado para mim?

Verdade ou ilusão
seguirei o meu caminho
Ouvindo meu coração
Me embriagando sozinho

Alimentando a fantasia
que brota desse ser
imperfeito, anti-humano
mas amante do mundo

Aparências ou verdades
não me importa mais
somente me dominar
e a noite chegar

Caindo sobre meus ombros


Diminuindo o peso
da existência, do ser
do exemplo, do líder

Peso e responsabilidade
carregarei no meu viver
e você cheia de mel
inundando o apodrecer

De um ser que não quer mais ser


Mas não há opção
Já que ele já é
E continuará sendo
O não ser

Ser ou não ser


Não é a questão
Mas quem ser
ou como serão?

O mundo chama
A cabeça gira
O povo clama
O corpo pira

A alma intensa
O ser sedento
Como a gente pensa?
Se não sei invento

Nomes pessoas
lugares imaginários
seres estranhos
ao meu próprio eu

Que já se diluiu
no mundo inteiro

Agora não há eu
só nós
e a voz
clama por tensão
Onde está você?

Onde está você


que faz meu coração arder
que me deixa sem porto seguro
que joga minhas esperanças no
céu

estas vagando o mundo


imundo como sempre
estas a me esperar
num canto qualquer

uma mísera ligação


e se ligam no coração
o tempo nos unirá
nossa hora há de chegar

Ò tempo cruel
Horas que não passam
Dias lentos
Momentos intensos

Criatividade a mil
inspirada naquele vinil
Vinicius
Para sempre hei de te amar.

26-05-08
O amanhecer

O amanhecer trás sempre um novo dia


Renascimento, rejuvenescimento
Nova esperança
Do amor encontrar
Fugindo da solidão
Tão longe está o mar

Acalme-se ò coração
pois o dia reserva
nova paixão
Amor verdadeiro
Esse não existe

Somente passageiros
de nossa vida
em vão
Tentam nos animar
Mas o sol não
bate forte
nessa canção

Canção do amor amigo


Inocente e partido
Canção do amor barato
Inocente e incontido
Canção da loucura
de todos os dias
À Lê

A beleza não escolhe


são pessoas que nos cruzam
Garçonetes passantes
Que nos enchem de amor

Alessandra é teu nome


Entre as musas tu figuras
No panteão do meu coração
Teu lugar está guardado
Nossa hora há de chegar

Entre todas escolhi tu


Das mulheres a mais enigmáti-
cas
Perturbastes a minha paz
Touxestes uma nova visão

Visão do amor
Visão da paixão
Amor platônico, ou não
Com o tempo saberão
Do mar do meu coração

24-05-08
O amor-palhaço

Tu que vieste um dia


E adivinhasses minha alma
Chamastes-me de palhaço
E ficastes marcada em minha
vida

Vieram outros tempo,


Novos e velhos amores
Tu que reaparecestes das
cinzas
De um poeta enfadonho

Um dia não me quissestes


Tens esse direito
Porém maior é o direito
Que tenho de amar-te

Amar-te como amiga


Amar-te como possível paixão
Amar-te para todo sempre
Com o se faz a um irmão

O tempo vai nos dizer


O modo de nosso amor
Se subirá as montanhas
Ou se descerá até os amores
Amor difícil, complexo

Mas simples de entender


No olhar do palhaço
A esfinge no braço
Decifra-me
Ou te devoro
03/06/08
Idade do amor

O amor não tem idade


Nem tesão, nem sexo
Afrodites e Atenas
Invadem meu coração
Tornam a vida mais bela

Cheia de emoção
Não te assustes comigo
Despudorado, perdido
Buscando encontrar
Um coração e se apaixonar
Sono e o amor

Devias vir
me encontrar em meus sonhos
mas eles não vêm
e você fica parada
não me dizes se queres
nem se não queres

O sono é o descanso
se queres dormir
me deixa descansar
pois teu sono eu velo
até o dia raiar

Mil perdões eu lhe devo


Mas não sei como pagar
a dívida do amor
que ainda vai se encontrar

Espero eu um dia
amadurecer a seu lado
sonhar e acordar
com teu colo amassado
de tanto amor viver
e reviver
O Amor

Como solucionar o amor?


O Dilema das paixões?
Inibidas, desencarnadas?
Tem que acontecer agora!
Culturalmente falando? Hoje
abre?
Vai rolar algo?
Ou, como sempre, serei um
mero espectador?
Foram-se as épocas

Foram-se as épocas
Em que valia a pena andar
Foram-se as épocas
Que as pernas não doíam
Foram-se as épocas
Em que a pança não crescia

Vieram as épocas
de música e poesia
Vieram as épocas
de trabalho e melodia
Vieram as épocas
de fartura e bonança

Mas uma época nunca volta


a dos amores perdidos
em cada esquina
em cada olhar.
Perdido para sempre estará.
Quer ou não?
Ser o desejo da minha paixão?
Segredos não existem
Nas teias dessa ilusão

Via de mão-dupla
Deve ser o amor
Se não me queres
Basta dizer uma vez não!
O teatro

a vida é um teatro.
os teatros mágicos são a vida
as mulheres de hollanda
continuam a viver
no meu triste coração

uma delas em especial


mulher de fino trato
linda e sensual
atriz das mais belas que já vi

Mas sei que ela é intocável


pois o pobre poeta
nada tem a lhe oferecer
apenas o amor
uns versos

e um conviver
viver junto
juntar e re-
viver.
02-06-08
A senhorita sem nome, codi-
nome Beija-Flor

Teu balancear me cativa


Teu olhar ainda mais
Não sei o que fazer nessa
vida?!
Esperar? A resposta virá?

Nessa vida ordinária


Em que caminho
Como idiota
Sem cortes
Com tesão
Com ânimo
Com desejo
Com (re) inspiração
Transpiração, respiração
São os segredos do viver
(A)versão às massas

O poeta anda triste


A massa anda animada
As saídas são boas
As pressões de todos os lados
Aumentam a inspiração

Esvaem a melancolia
Mas ele tem um novo amor
Que tem nome e profissão
E lutará por ele como nunca

Pois o amor salva vidas


E a solidariedade é companheira
Todos são meus amigos
Mais raros são os amores

E a vida se esvai a cada dedo


A cada palavra
A cada gesto
A cada ato
A cada inação
Acordei

De um sono profundo
de três meses atrás
acordei hoje sorrindo
e vendo que não adianta mais

Penso, logo desisto


Existo, logo penso
Desisto, logo insisto
Vou, logo estou

Espera...
Tentativas
erros
português
inútil
idiota
e fútil...
Aniversários

Aniversários são chatos por


natureza
Pois as pessoas são chatas por
natureza
A preocupação é algo incô-
modo
Pois o mundo é vasto e imun-
do
E sua sujeira que me interessa

Não quero bondade, nem


caridade
Estou entendendo o que Han-
nah diz
Uma vez tornado público
O assunto não se esvai
E minha consciência
No trânsito cai
Sinto-me exaurido
De fazer o social
Mesmice

Pensei em fugir
Não deu certo
Pensei em sair
Saí
Continuou
a incomodar
um amor
a re tornar

musa de meus sonhos


não quer me ver
nem mesmo conversar
mulheres de atenas
me ouçam chorar

Não canso
nem descanso
enquanto aqui estiver
só ligo pra ponta do meu pé

Egoísta
Extremista
Mistura fina
de mesmice chata

Teatro
Mágica
Ondas
Magnéticas

Vou-me
Fui
Cansei

Fugi
de novo

Tchau
não
fico
não
sim
talvez
Unimultiplicidade

Unidade
Cidade
Umidade
Humildade
Uno
Duo
Trino
Sino
Rotina
Mentira
Cansa
Descansa
Casa
Descasa
Casca
Descasca
Roupa
Tira
Põe
Não
Sim
Talvez
Ou não
verborragia
verso
rima
pura
inteira
metade
mentira
verdade
Poeta Melancólico
Penso Nela
Quem será?
Musa Inspiradora
Dos devaneios
poeta melancólico

Em busca da essência
O âmago do ser
O que move a alma
Amor/Dor
Saudade/Felicidade!
E a vida?
A vida continua a mesma
a chatura da rotina
As pessoas continuam chatas
A rotina passa
O Dia continua
O flaneur entediado
e o dia chateado

Os mesmos rostos
os mesmos destinos
A mesma solidão
Idiota de sempre

E a vida meu irmão?


Continua a chatice de sempre.

Aulas estudos
Filosofia salva
Poesia salva
Os amigos salvam
Os outros ajudam

Mas quem te salva?


É você, ninguém mais...
Sair/Fugir
Sair, cansar
esperar, deitar
Escrever, morrer
Jogar, atuar
Vontade, dever
Vou-me
tchau
Flaneur nas ruas

Flaneur nas ruas


solto, apaixonado
Louco para amar

A lua o inspira
a musa o cativa
As palavras o fogem
Há espiões por toda parte

Ele se deleita na multidão!


A senhorita Anônima

Assim é o tempo
Passa e nos disfarça
E ficamos ao fim
sós, separados

Mas o destino nos guarda


ótimas supresas
A noite é longa
E o dia é curto
O sol amanhã é nosso

A vida não se resumà noite em


que te vi.
Vi e logo enrubesci

Sem palavras
sem versos
sem dizer
sem o que fazer!?
Para ela (F)

Seus olhos penetrantes


teu amor profundo
amigos ou irmãos
irmãos ou amantes?

No calor da espera
Me trazes a esperança
O amor vem contigo
Numa utopia incansável
As palpebras se fecham
No conforto do teu colo

Poderia meu coração


Amar-te de verdade?
Psicoses de um louco

Penso nela
Quem será?
Musa inspiradora
dos devaneios
poeta melancólico

Em busca da essência
o âmago do ser
O que move a alma
[se é que ela existe?!]
amor/dor
saudade/felicidade
O choro
Homem não chora
nem por dor
nem por amor
Mas se quiser desabafar
chore incontidamente
Chore o que tens que chorar
Ame intensamente
Chore verdadeiramente
Se fudeu, amou
Quem tem SUS se fode
Quem tem deus se dá bem
Quem tem grana vive na paz
Quem não tem se vira malan-
dro
O dinheiro não trás felicidade
Mas sim o AMOR
Triste poeta

Hoje acordou triste o poeta


risonho
Não havia mais aquele amor
Fora extinta a chama?
Talvez sim, mas
Nessa separação o poeta sofre
Menos sofre internamente
Sofre o medo da falta de inspi-
ração
Inspira e... ação!
para escrever
escreve
ve
ex?!...
Tudo ou Nada

o Tudo as vezes é o vazio


Vazio preenche nada
que não quer saber do tudo
O tudo é o infinito
Infinito enquanto dure

Mas o mistério da existência


Não está no tudo
nem no nada
Está no vazio da existência
Saudades

Vontade de te ter
loucuras pra te ver
a mente não pára de pensar
Na razão de tudo abortar

Coração bandido, banido


Privado de teu ser
Fica murcho, tolido
e mais triste o viver.
À senhorita sem nome

Que figura triste


Tampada da humanidade
Por seus óculos de sol
Ansiosa, certamente
Mas impecável na postura
Provavelmente nas alturas
Sem nem perceber o flaneur

Que flerta perdidamente


Apaixonado pela postura
Seus sentimentos
Insentimentais
Impávido Colosso
momento da fugacidade
Solidão

Estranho.
Que sou eu?
De que matéria sou feito?
Amor?
Mas esse passa.
Paixão?
Essa ilude.
Coração.
Sábia opção.
O poeta animado

Hoje o poeta está animado


Seu coração está inspirado
Suas ventas se enchem de
fumaça
Sua vida se esvai pelas mãos

Mas os amores estão distantes


A inspiração voltou a vida
Porém sem o grande amor
Será que ele existe?
Sera que está livre?
Será que será seu?
Será?
Ser...?
E agora João?
Fudeu..
fedeu..
se fu...
Sem eira nem beira
08/2006

Sem eira nem beira,


Sem rumo nem esteira
Sem porto seguro
Saudoso no escuro

Mas não foi-se ainda


Queria eu estar contigo, linda
Em teu peito me aconchegar
Para que essa espera possa
findar

Espera triste, espera doída


Coração apertado, alma re-
moída
Sinto que meu norte se esvai
Um vazio, minha cabeça cai...

Adentra um mundo novo,


Onde estás a me esperar
Uma espécie de ovo
Onde ninguém pode adentrar

Utopia, delírios?
Mas não estou eu são?
Nem o melhor dos colírios
Pode minhas lágrimas sanar...

Utopia, esperança,
Esperar que não sejam vãs
Não és tu mais uma dentre as
vilãs,
Meu grande amor, não fazes
lambança...

Esperança
Espera tua anta
Cansa, a esperança?
A espera cansa...
Espera
Esper
Espe
Esp
Es
E?
IN(Certezas)
08/2006
“Dúvidas, incertezas,
Se abatem sobre meu ser
Voltei, e agora?
A felicidade acabou, o sonho terminou?

As portas ainda não se fecharam


O fio da esperança acalenta meu viver
Me elevarei tão alto quanto puder
Para que possa continuar a ter você

Minh´alma tensa, minha vida intensa


Certamente por isso, sofrimentos densos
Convicção de um amor
Que não sei se será calor

Cada minuto me faz lembrar de ti,


Ainda mais do que quando não estava aqui
O poeta manda-me ter paciência
Em meu coração a incerteza se adensa

Incerteza de pra onde vou,


Certeza de um grande Amor
Incerteza do que em tu´alma passa
Certeza de que o que quiser faça

Pois és dona do meu coração


E isso não é responsabilidade não.
É sentimento, é companheirismo,
Um pouco do que tento passar nesse lirismo

Não te preocupes com minhas divagações


Planejamentos, idéias e confusões

O que nunca quis foi te pressionar,


Ou fazer-te sentir sem o que pensar

Aguardo te com o coração na mão,


Esperando que o destino trace nossa união
Nas veredas de tu´alma, desejo me embrenhar
Para que em meus braços possa o rumo retomar”
A beleza daquela tristeza
Contagiou meu coração
As marcas no rosto
Envelhecido, belo, eternizado

Aquele olhar dizia o não-dito


Redizia tudo que já foi dito
E acrescentava o indizível
O triste olhar simplesmente dizia

Cativava a todos que passavam


O olhavam aquelas rugas
Aquele semblante
A bela tristeza encarnada

Ficou tão triste


Que colocada na parede
No primeiro vento
Resolveu pular

Caiu e se despedaçou
Em milhares de cacos
Mas sua tristeza bela
Permaneceu intacta
A noite e os drinks

A noite cai
O dia se vai
É hora dos prazeres
Sem mais dizeres

Uma boa bebida


Alegria invade a vida
Cerveja, Vodka, Uísque ou Rum
Entre eles escolha qualquer um

Cada qual tem sua vantagem


Uma mais leve, outra selvagem
Todas nos deixam risonhos
Prontos pra viver os sonhos

Mas cuidado ao beber


Se não mais conseguir ver
É sinal de confusão
Tudo vira ilusão

Todos viram amigos


Até mesmo os mendigos
Sem pudores você dança
Parecendo uma criança

Alegria que parece não ter fim


Verás, amigo, que não é bem assim
Quando, no dia seguinte, acordar
A ressaca certamente vai lhe matar
A senhora e a viola

Ao ouvir os acordes

Largou as louças

Sentou e timidamente

Ouviu o neto

Tocar bossa nova e antiga

Se aproximou e sentou

Aos poucos soltou seus belos falsetes

O ritmo calmo, a emoção na voz

Ele parou de cantar

Ficou só a tocar e ouvir

Tanta sabedoria

Ecoava daquelas cordas vocais

Tanta vida, tanta tristeza, tanta alegria

O neto parou de tocar

E lhe deu o violão

Ela disse que não sabia mais

E em poucos instantes

Entoou em alto e bom som

O carinho de Carinhoso

Quem dera Pixinguinha pudesse ouvi-la

Ele ouvia, onde quer que estivesse


Angústia da solidão

Tem horas que a gente pensa

Que ninguém nos entende

A vida fica mais tensa

Ninguém te compreende

Seguimos sem rumo

Rumo ao incerto

Sem seguir o prumo

O destino aberto

Nessa hora surge a luz

Mesmo que não queira

Ela sempre nos conduz

Pra longe da fogueira

Fogueira da solidão

A chama que se apaga

Reacende no coração

Esperança, ainda que vaga

Ao cabo e ao fim

Só resta uma escolha

Dizer sempre sim

E sair da bolha
Cansei do lirismo romântico

Inútil, falso e hipócrita

O coração arde em brasas

Não há necessidade da fala

Há somente

Simplesmente

A ausência

Do sentido

A mudez

Do verso

Inútil

E Fútil

Mas

Persistente
Céu azul

Entre o concreto armado

Sol radiante

A visão da dualidade

Riqueza ostentosa

Pobreza intensiva

É o paradoxo da cidade

Que em si abarca as diversas

Faces do mundo cruel

Caibo eu nela?

Ou será que ela cabe em mim?

Auto-exílio sem sair do lugar

A Pátria, que não é frátria

É pária.
Divina tu és
Assim te quero
Incrível da cabeça aos pés
Ainda que não te mereça
Não perco minha fé
Amando-te se me quiser
Desconfiança

Óculos escuro
Noite
Uma brincadeira
Mal interpretada
Mágoas
Passado
Loucura
Drogas?!?
Não
Só o riso
Queria ouvir
Veio o rancor
O medo
A raiva
A tensão
Brincadeira
+ Desconfiança
Péssima combinação
À Carolina

Apesar da pouca idade, Carolina


Tens uma beleza de mulher de verdade
Não és mais uma menina
Tampouco mulher de idade

No tempo estás suspensa


No coração guardada
Tua alma intensa
Desejo que me seja dada

Um olhar que seduz


A quem tentar decifrar
Ta qual um raio de luz
Capaz até de matar

Feliz eu morreria
Se ao menos puder
Sentir a alegria
De saber que você me quer

Uma beleza como a tua


É fonte de inspiração
Como a noite e a lua
Vives em minha imaginação
21-09-09
Viajo com o coração partido
Sem saber se vou ou se fico
No hiato do sentido
Sempre me prejudico
 
Paixão, não ficastes para trás
Trago-te em meu peito
Junto a mim caminharas
O amor e desse jeito
 
O brilho do teu olhar
A doçura do sorriso
Estas a me convidar
Para viver no paraíso
 
Como renunciar ao sentimento?
Viver longe dos teus lábios?
Aguentaria, eu, o sofrimento?
Resposta impossível até aos sábios
 
Ó tempo maldito
Apressas a solução
Diga, bendito
Juntos, eu e paixão
Os tempos são cruéis

Ficamos sempre espremidos

Apressados, incontidos

A ti somos sempre fiéis

Ó tempo inglório

Por que te apressas?

Faz tudo às avessas?

Apaga o que é notório?

Passado é história

Matéria pra pensar

Aprender, e estoriar

Tempos de derrota e glória

Presente não existe

É um sempre um hiato

O fato, sempre ex-fato

O mistério persiste

Futuro é por fazer

Esperança e sonho

Nos olha risonho

Esperando acontecer

Ò tempo maldito

Como viver sempre entre?

Sem nunca entrar no teu ventre

Que é o mais bonito.

Ó tempo benfazejo!

Essa tua dialética

Não cabe nessa métrica

Realizas, pois, meu desejo!


O vestido azul
Moldado nas curvas
Do teu corpo escultural
Não esconde mas revela

Atiça a imaginação
Fervilha os hormônios
O vestido estampado
O decote ideal
As pernas ao nu

O olhar não posso ver


Sob óculos escuros
Deves rir dos pobres mortais
Que te olham sedentos
Loucos por apenas um gesto

Eu dispo-te em minha imaginação


E as curvas nuas
Se mostram ainda mais belas
Quando reveladas pelo vestido
Minha poesia é egoísta

Falo de mim

Sentimentos

Turbilhões

Emoção

Paixão

Desilusão

Não importa

Se queres ouvir

Ler, ou sentir

O que sinto

O que penso

Minha vida é minha

Poesia – Exorcismo

Palavra

Cura

Ânimo

Desejo

L
O mundo anda mudado

Agora círculo é quadrado

Nada mais em seu lugar

O que é sólido desmancha no ar

O mundo desencantado

Por poetas já foi contado

Resta à palavra o reencantar

Para tentarmos prosperar

A riqueza e o consumismo

Nos levam ao abismo

Idealismo é a solução

Para um mundo em perdição

O amor tornou-se fútil

Romantismo, inútil

Crianças já fazem sexo

O mundo perdeu o nexo

Desesperança nos consome

Consumimos com fome

Fome de sonho, esperança

Uma dor que nunca se cansa


Inspiração
17-09/09

Cadê tu? Que andas sumida?


Sumiu o amor?
Acabou a dor
Voltas pra minha vida

A lua subiu
A noite chegou
Você voltou?
A palavra saiu

Porque foges de mim?


Se me sinto pleno contigo?
Faça o favor, de ficar comigo
Ou à solidão digo sim.

Sozinho, me embriago
Vives em meu sonho
Ainda que seja vago
E por fim, acordo risonho.
Mariana
Mistura de Maria com Ana
Mexeu com meu coração
A distancia.
Ela lá eu cá
Namoro virtual
Nada certo no mundo real
Mas te amo mesmo assim
Amor-amigo
Paixão sem fim
Te quero para sempre
Você é a metade da minha skol
Musa inspiradora
Não me deixe só
Pois a saudade me consome
E o resto
Resta a nós
Juro te amar
Profundamente
Até o luar
Pois a vida da voltas
E numa delas
Iremos nos encontrar
Certamente ao sol
Numa praia deserta
Nossa paixão matar.
A vida é um doce-salgado

A boca de doce

O sabor do salgado

Às vezes amargo

Estragado

Às vezes açucarado

Suave

Mistura pura

Sabor colorido

Única e múltipla

Simples-complexo

Sabor múltiplo

Aroma sem cheiro

Gosto inodoro

Sabor desgostoso

Toque insensível

Sensibilidade

Insensível

Visibilidade

Invisível

Longe

Ao alcance

Ao lado

Das mãos

Resta tocar

O intocável
Para mim tu és reciclável
Como o lixo que nada vale
Tu és como bebida enlatável
Bebo, mesmo que me cale

Convivo com você


Todo dia me pergunto
Será um clichê?
Não consigo viver junto

Me sugas sem querer


Por que me tens por perto?
Se não consegues romper
Sabes que estou sempre aberto

Tu és como um vício
Por mais que não queiras
Me joga no precipício
Pelas suas bobeiras

Mas sei que vou seguir


Longe da sua pessoa
Meta que vou cumprir
Viver numa boa
Loucura do amor irreal
18/09/09

Entrego-me à loucura
Desse amor desconhecido
Que me trás a fartura
Dos desejos quase esquecidos

Caístes do céu em meu colo


Uma dádiva inesperada
Onde buscar consolo?
Se esse amor não der em nada?

Mais que a beleza


Que em ti não tem limites
Invade-me a certeza
Que em mim tu existes

Nos fundiremos em um só ser


Durante o tempo que nos for dado
O amor irá nos recolher
Á eternidade estaremos ligados
Poema da madrugada

Não sei mais quem sou


Nem o que eu sou
Sei o que me tornei
Um estranho
A mim mesmo
Algo inquebrável
Trancado em meu ser.
Sem sair de mim.
Sem me enganar
Somente com a certeza
De que nada nunca saberei
A loucura é tentação
Quem chega lá
Perde toda a noção
Chega aqui e sai acolá

Tudo parece certo


Mas aos olhos alheios
É tudo tão incerto
Parecem mistérios

O mundo aos seus pés


Sem nunca duvidar
Vê tudo através
Sem nunca parar

Mas entre o sonho


E a dura realidade
Viva sempre risonho
Pois loucura é raridade
Um pedaco de nos dois

Saí do seu ventre


Um pouco apressado
A partir daí para sempre
Estarei ao teu lado

Do hospital me tirastes
Apesar de fraquinho
A saudade que sentistes
De me deixar sozinho

O franzino cresceu
Sempre contigo aprendendo
Uma coisa nunca esqueceu
No amor nunca se está devendo

Vieram alguns problemas


Que só fizeram reforçar
Apesar de todos os dilemas
Nunca mais a faço chorar

Tive meus amores


Minhas desilusões
Em teu colo cheio de dores
Chorei minhas paixões

Também te vi chorar
Tentei mostrar-me forte
Meu peito a despedaçar
Esperando-lhe melhor sorte

Juntos até aqui chegamos


E até a eternidade estaremos
Com a certeza que nos amamos
E nunca nos abandonaremos

19-09-09
Suponho
Não ponho
Se puser, então
Não é mais suposição

Suponho
Não disponho
Se dispuser
Suporei o que quiser

Suponho
Não proponho
Se propuser, assim
A suposição será real, sim

Suponho
Não pressuponho
Pois o pressuposto,
Nunca pode ser suposto

Suponho
Mas sonho
Acordo risonho
O suposto
Sem aposto
Me deixa disposto
Trabalho
Pra caralho
Ralo
Não calo
Não paro
Falo
Caro
Desfalo
Refalo

Vendo
Sendo
Útil
Fútil
Inútil

Descartável
Enlatável
Expresso
Ingresso
Sucesso?

Vale!?
Se cale.
Aceite
Se deleite

Dinheiro
Prazer
Se fuder
Por inteiro
Por dinheiro
Maneiro
Sonho que um dia
Farei o que quiser
Viver da poesia
A vida como puder

O pão e a bebida
Não faltarão
Alegria na vida
Terei de montão

Feliz, no mato
Eu e você
De dia eu cato
Aquele buquê

Vida assim não tem


Poesia e amor
Nunca sem
Aquele torpor

Vida assim existe?


É como utopia
Se a gente nunca desiste
Vive assim todo dia
Sou como um vício
Que tem seu benefício
Use sem compromisso
Mas não fique submisso

Cuidado com a tentação


Pode ser a perdição
Posso te nutrir
E te exaurir
Sinto o chão tremer
No coração as veias pulam
O mundo esta a querer
As geografias das ruas mudam

Não há mais saída


É o espírito da revolução
Não há ilusão
Só restam palavras

Não ditas, mas feitas


Revoluções pululam no jornal
O mundo está mudando
E nós o transformamos

O Capital está fraco


Nossa força é maior
As mudanças são lentas
Mas certamente virão