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1- Poesia lírica sacra- A culpa e o arrependimento

A Cristo N.S. Crucificado estando o poeta na última hora de sua vida
1 Meu Deus, que estais pendente de um madeiro,
2 Em cuja lei protesto de viver,
3 Em cuja santa lei hei de morrer,
4 Animoso, constante, firme e inteiro:
5 Neste lance, por ser o derradeiro,
6 Pois vejo a minha vida anoitecer,
7 É, meu Jesus, a hora de se ver
8 A brandura de um Pai, manso Cordeiro.
9 Mui grande é o vosso amor e o meu delito;
10 Porém pode ter fim todo o pecar,
11 E não o vosso amor, que é infinito.
12 Esta razão me obriga a confiar,
13 Que, por mais que pequei, neste conflito
14 Espero em vosso amor de me salvar.
Buscando a Cristo
A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.
A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.
A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, p'ra chamar-me
A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.
2- Poesía lírica amorosa.
O espírito e a carne
Minha rica mulatinha,
desvelo e cuidado meu,
eu já fora todo teu,
e tu foras toda minha;
Juro-te, minha vidinha,
se acaso minha qués ser,

Quando cristal. que me tenta. Rio de neve em fogo convertido: Tu. . e ando para morrer. Uma confusão de bocas. A D. A despedida do mau governo que fez o governador da Bahia. em cristais aprisionado. Pranto por belos olhos derramado. que em um peito abrasas escondido. um breve tremor de artérias.que todo me hei de acender em ser teu amante fino pois por ti já perco o tino. Posto que os anjos nunca dão pesares. uma união de barrigas. que em um rosto corres desatado. quem diz outra coisa. Livrara eu de diabólicos azares. e minha guarda. um rebuliço de ancas. e Anjo juntamente. Quando fogo. de rama florescente? E quem um anjo vira tão luzente. Tu. se não em vós se uniformara? Quem veria uma flor. uma batalha de veias. que a não cortara De verde pé. Em quem. que tão bela. Senhor Antão de Sousa de Menezes. é besta. Sois anjo. em chamas derretido. Ardor em firme coração nascido. Isso é ser flor. Incêndio em mares de água disfarçado. Ser Angélica flor. o não idolatrara? Se como anjo sois dos meus altares. Mas vejo. e anjo florente. Que por seu Deus. O amor é finalmente O Amor é finalmente um embaraço de pernas. e não me guarda. Fôreis o meu custódio. Angélica na cara. e tão galharda. ÂNGELA Anjo no nome.

o poeta exalta a sensualidade e a volúpia das amantes que conquistou na Bahia. O ar da feia me arrebata a capa. Verá quanto melhor se lhe acomoda Ser homem embaixo do que burro em cima. . quem se alimpa da carepa. 4. Que é discreta a fortuna em seus reveses.Quem sobe ao alto lugar. Pois. Topo-a. Homem sobe. Busco uma freira. que não merece. Que as cartas lhe dão sempre com chalupa. além dos escândalos sexuais envolvendo os conventos da cidade. O gadanho da limpa até a garupa. topando-a todo o bolo rapa. burro parece. Ou faz da mão sua cachopa. Que hei de fazer. Necessidades Forçosas da Natureza Humana Descarto-me da tronga. se sou de boa cepa.Poesia erótica Também alcunhado de profano. Darei por quem mo vase toda Europa? Amigo. que o desuso às vezes tapa. alto! Vá descendo onde jazia. Ou sofre uma muchacha. A fortunilha. que o dissipa. E na hora de ver repleta a tripa. Quando o pisava da fortuna a roda. Homem sei eu que foi vossenhoria. e logo homem parece. que me chupa. Corro por um conchego todo o mapa. Que o subir é desgraça muitas vezes. asno vai. autora de entremezes Transpõe em burro o herói que indigno cresce: Desanda a roda. Burro foi ao subir tão alto clima. que me desemtupa A via.